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HIPERTENSÃO INTRACRANIANA E AVE PROFª FERNANDA ZBOROWSKI RELEMBRANDO...FLUXO SANGUINEO CEREBRAL 25% da glicose utilizada pelo organismo ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO Introdução O acidente vascular encefálico, ou AVC como comumente é conhecido, é uma das maiores causas de morte e sequela neurológica no mundo industrializado. Quando agrupado dentro das causas circulatórias, são, em todo o mundo, a segunda maior causa de óbitos (5,7 milhões por ano). 5 O AVC é uma das maiores causas de morte e seqüela neurológica no mundo industrializado. 5 Até a pouco tempo o tratamento agudo dos doentes com AVC caracterizava-se por uma atitude niilista e de abandono; Cada vez mais entende-se que há muito a aprender como tratar certo o paciente com AVC agudo e muito a aprender a não tratar errado; O advento da trombólise muito contribuiu para essa atitude pró-ativa no tratamento; Em suas diversas formas de apresentação, os AVC constituem uma emergência neurológica; A perda de tempo para a abordagem destes pacientes significa uma pior evolução – “time is brain”; O AVC, portanto, é uma emergência médica e deve ser conduzido prontamente. fernanda zborowski (fz) - A trombólise é um procedimento que utiliza medicação para dissolver um coágulo. Os medicamentos utilizados na trombólise são chamados trombolíticos. Introdução OPAS, 2010: impacto maior nas próximas décadas → aumento de 300% na população idosa em países em desenvolvimento nos próximos 30 anos, especialmente na América Latina e na Ásia. Estatísticas brasileiras enfatizam que o AVC é uma causa frequente de óbito na população de adultos. Em 2005, no Brasil, o AVC foi responsável por 10% dos óbitos (90.006 mortes) e por 10% das internações hospitalares públicas. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 7 Introdução A mortalidade nos primeiros 30 dias após o AVC isquêmico é de cerca de 10%. Óbito relacionado ao AVC está diretamente associado à gravidade da sequela neurológica, podendo chegar a 40% ao final do primeiro ano. A maioria dos pacientes que sobrevivem à fase aguda do AVC apresenta déficit neurológico que necessita de reabilitação. 75% desses pacientes não retornarão ao seu trabalho e 30% necessitarão de auxílio para caminhar. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 8 Conceito de AVE Acidente Vascular Cerebral (AVC) pode ser definido como o surgimento de um déficit neurológico súbito causado por um problema nos vasos sanguíneos do sistema nervoso central. Classicamente o AVC é dividido em 2 subtipos: AVE Isquêmico; AVE Hemorrágico. Epidemiologia Incidência anual: ~2% população (países industrializados) Custos económicos e sociais Mortalidade 2ª causa de morte em Portugal 1/6 doentes morre no 1º mês após AVC Dependência 1/2 dos sobreviventes - dependência permanente 10 a 20% dos doentes com AIT vão ter um AVC incapacitante nos 90 dias subsequentes Classificação Patológica ARTERIAL ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL (AVC) ISQUÊMICO ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL ISQUÉMICO (AVC I) ACIDENTE ISQUÉMICO TRANSITÓRIO (AIT) HEMORRÁGICO ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL HEMORRÁGICO (AVC H) (HEMORRAGIA PARENQUIMATOSA) HEMORRAGIA SUBARACNOIDEIA (HSA) ACIDENTE VASCULAR MEDULAR (AVM) VENOSO TROMBOSE VENOSA CEREBRAL (TVC) AVE ISQUÊMICO AVE isquêmico: ocorre pela obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria cerebral causando falta de circulação no seu território vascular. Ele é responsável por 85% dos casos de AVC. AVE HEMORRÁGICO AVE hemorrágico: o acidente vascular cerebral hemorrágico é causado pela ruptura espontânea (não traumática) de um vaso, com extravazamento de sangue para o interior do cérebro (hemorragia intracerebral), para o sistema ventricular (hemorragia intraventricular) e/ou espaço subaracnóideo (hemorragia subaracnóide). CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM FATORES DE RISCO: Não Modificáveis: idade (avançada); sexo (masculino); raça (negros); presença de história familiar, materna ou paterna. Modificáveis: hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia, presença de doença cardiovascular prévia (ex.: fibrilação atrial, doença carotídea), obesidade, tabagismo, ingestão abusiva de álcool e a vida sedentária, uso de anticoncepcionais orais. 03/11/2020 14 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Os sinais e sintomas dos AVEs são os mais variados. Qualquer alteração neurológica que apareça de maneira súbita pode ser consequência de um AVE. Os achados mais comuns são: fraqueza de membros; dificuldade para caminhar; alterações na fala; alterações visuais; formigamentos pelo corpo, tonteiras e/ou vertigens. Em alguns casos ocorre rebaixamento do nível de consciência, podendo o paciente entrar em coma. No caso particular das hemorragias intracranianas, a única manifestação clínica pode ser uma forte dor de cabeça, de início agudo. A sutileza de alguns sintomas é, às vezes, a principal causa do retardo na procura de auxílio médico. DIAGNÓSTICO O diagnóstico do AVE baseia-se na história clínica. Porém, isto não é suficiente para diferenciar uma isquemia de uma hemorragia cerebral. Logo, é indispensável a realização de uma tomografia computadorizada de crânio, que é fiel nesta diferenciação. Este exame deve ser realizado assim que o paciente chega ao serviço de emergência. Após a confirmação de ser uma isquemia, são solicitados outros exames para se verificar alguns fatores de risco: eco cardiograma, eco Doppler de artérias do pescoço, exames de sangue, entre outros. Nos casos de hemorragia, pode ser necessária a realização de exames arteriográficos para a pesquisa de alterações vasculares como, por exemplo, os aneurismas. Quando hemorrágico, a primeira decisão a ser tomada é se existe a necessidade de intervenção cirúrgica. Deve-se manter o paciente monitorizado, controlando as diversas variáveis cardiometabólicas, em especial a pressão arterial, principal fator de risco para hemorragia cerebral. Nos casos de isquemia, existem três tipos principais de tratamento: os trombolíticos, os antiagregadores plaquetários e os anticoagulantes. O trombolítico é uma potente droga, aprovada para o tratamento de AVE, capaz de dissolver os coágulos e desobstruir a artéria ocluída. Porém, esta droga deve ser usada nas primeiras quatro horas e meia após a ocorrência do AVE. Após este prazo existe um grande risco de transformação hemorrágica da área isquêmica. Este fato é um grande limitador do seu uso. Trabalhos mostram que apenas uma pequena parcela dos pacientes com isquemia cerebral chega à emergência com menos de quatro horas e meia de ocorrido o evento. Campanhas informando a população da necessidade da rápida procura de auxílio médico nestes casos se fazem necessárias. Objetivo primordial do tratamento: NEUROPROTEÇÃO. AVC Isquêmico: proteger e preservar a área de penumbra que representa o tecido viável marginal ao infarto, apesar da aparente ausência de função neuronal . A intervenção terapêutica precoce é de extrema importância para reverter ou reduzir a área de lesão e a progressão da isquemia. A neuroproteção é facilmente realizada evitando-se: hipertermia, hipotensão e hipo/hiperglicemia. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 24 neuroproteção, afim de reduzir a área de lesão 24 Triagem O sucesso do tratamento dependerá de 4 pontos: 1. Rápida identificação dos sinais de alerta. 2. Imediato encaminhamento para o serviço de emergência. 3. Priorização do transporte pré e intra-hospitalar para os casos com suspeita de AVC. 4. Diagnóstico e tratamento rápido através de protocolos pré-estabelecidos. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 25 NA IDENTIFICAÇÃO HÁ UM MÉTODO SISTEMÁTICO PARA VERIFICAR SE O PACIENTE APRESENTA UM AVC, EXCLUINDOOUTRAS POSSIBILIDADES DE PATOLOGIAS. /QUAL É ESTE MÉTODO? LAPSS Hora de início dos sintomas ____:____h 1. Idade > 45 anos? Sim Não 2. Sem história de crise epiléptica? Sim Não 3. Sintomas neurológicos de instalação nas últimas 24 horas? Sim Não 4. Paciente caminhava antes do evento? Sim Não 5. Dextro entre 60 e 400mg/dL? Sim Não Exame físico (busque por assimetrias evidentes) Esquerda Direita Sorriso Normal Desvio Desvio Segurar com as mãos Normal Fraco ou ausente Fraco ou ausente Elevação dos braços Normal Eleva pouco ou cai Eleva pouco ou cai 6. Baseado no exame físico, o paciente tem fraqueza unilateral? Sim Não 27 Triagem 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 28 Escala FAST Face: paresia facial Arm: fraqueza nos braços Speech: dificuldade para falar Time: horário de início dos sintomas CINCINNATI Triagem DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: hipoglicemia tumor cerebral crises epilépticas intoxicação exógena distúrbios metabólicos síncope encefalopatia hipertensiva paralisia de nervo periférico AIT 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 29 A redução isolada do nível de consciência raramente está associada ao AVC. 29 Triagem ESCALAS: Para aumentar a acurácia da suspeita diagnóstica de AVC LAPSS CINCINNATI FAST Estas escalas alertam para os principais sinais e sintomas relacionados ao AVC e devem ser utilizadas rotineiramente pelos serviços de triagem médica, tanto do hospital, como dos serviços pré-hospitalares 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 30 - Acionamento das Equipes INICIO DOS SINTOMAS A MENOS DE 04h30min - Equipe médica – Neurologia Clinica - Radiologia – Liberação do Tomógrafo - UTIA – Preparo do Leito INICIO DOS SINTOMAS ENTRE 04h30 E 06h - Neurointervencionista – pelo Neurologista INICIO DOS SINTOMAS HÁ MAIS DE 06h - Internação de rotina para AVC Qual a importância do TEMPO como prioridade para avaliação no Protocolo do AVC? 31 Código AVC 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 32 As equipes médicas e de profissionais da saúde envolvidas no atendimento hospitalar devem estar cientes de que o tempo entre o início dos sintomas e a avaliação clínica inicial pode interferir na conduta terapêutica adotada posteriormente pelo médico do paciente com AVC isquêmico agudo. Avaliação Inicial A avaliacao inicial de um paciente com suspeita de AVC é similar a qualquer outra emergência e segue a regra mneumônica do ABCDE. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 33 A avaliação neurológica visa a identificar sinais e sintomas do paciente com AVC, seus diagnósticos diferenciais e suas complicações imediatas. Avaliação Inicial EXAME CLÍNICO: oximetria de pulso mensuração de temperatura avaliação de coluna cervical em casos de trauma e da presença de rigidez de nuca ausculta de carótidas observação das jugulares ausculta pulmonar e avaliação do padrão respiratório ausculta e palpação abdominal avaliação de pulso edema em membros superiores e inferiores. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 34 Avaliação Inicial MONITORIZAÇÃO RESPIRATÓRIA (A e B): Manutenção da oxigenação adequada é importante nos casos de AVC isquêmico. As causas mais frequentes de hipóxia em pacientes com AVC são: obstrução parcial das vias aéreas edema agudo de pulmão pneumonias atelectasias hipoventilação, etc Intubação Orotraqueal: pacientes com rebaixamento do nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow < 8) ou com sinais de comprometimento de tronco cerebral. A oferta de oxigênio suplementar deve ser realizada quando a saturação de oxigênio ilustrada pelo oxímetro de pulso for < 92%, porém se a gasometria arterial mostrar hipoxia a administração de oxigênio deve ser realizada. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 35 Avaliação Inicial MONITORIZAÇÃO CARDÍACA E DA PRESSÃO ARTERIAL (C): Arritmias e infarto são complicações comuns de doenças cerebrovasculares agudas. A monitorização cardíaca com eletrocardiograma deve ser mantida ao menos nas primeiras 24 horas de instalação do AVC e qualquer arritmia grave deve ser tratada. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 36 Avaliação Inicial MONITORIZAÇÃO CARDÍACA E DA PRESSÃO ARTERIAL (C): A pressão arterial (PA) deve ser monitorada continuamente (PA não invasiva). O aumento da pressão arterial na fase aguda do AVC isquêmico pode ser transitório e, em parte das vezes, não é necessário tratamento medicamentoso inicial. A utilização da técnica invasiva para monitorização da pressão arterial é recomendada quando há instabilidade hemodinâmica e é necessária a administração de drogas vasoativas. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 37 Avaliação Inicial MONITORIZAÇÃO CARDÍACA E DA PRESSÃO ARTERIAL (C): Nos pacientes que na admissão apresentarem hipotensão arterial, devem ser avaliadas as possibilidades de infarto agudo do miocárdio e de dissecção de aorta. Deve-se evitar a hipotensão arterial em pacientes instáveis com associação de drogas vasoativas e volume. A redução inadvertida dos níveis pressóricos pode ser deleteria na fase aguda do AVC por aumentar o infarto na àrea de penumbra cerebral. O uso de medicamentos como morfina e outros analgésicos deve ser criterioso e sob monitorização constante pelo seu efeito vasodilatador e risco de hipotensão. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 38 Manejo da PA em pacientes elegíveis para tratamento trombolítico 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 39 Manejo da PA após tratamento trombolítico Controle da Pressão Arterial com uso de trombolítico Nitroprussiato de sódio (NIPRIDE) 1 amp = 50mg. Diluir em 250ml de SG5%. Usar de 0.5 – 8 μg/Kg/min. Metoprolol (SELOKEN) 1 amp = 5mg = 5 ml. Aplicar 5mg EV a 1 ml/min a cada 10 min. até o máximo de 20mg. Enalapril (RENITEC): não no Brasil 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 40 Manejo da PA em pacientes não candidatos a terapia fibrinolítica 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 41 PAS < 220mmHg ou PAD < 120 mmHg: tratamento conservador, exceto nos casos de infarto agudo do miocárdio, edema agudo de pulmão, dissecção de aorta, encefalopatia hipertensiva ou sintomas como náuseas e vômitos, cefaleia,agitação. Se PA > 220/120 mmHg: administrar nitroprussiato endovenoso a 0,5mcg,kg/min em dose inicial ou esmolol. Com o objetivo de reduzir em torno de 15% o valor da PA em um período de 24 horas. 41 Avaliação Inicial AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA INICIAL (D): História (já comentado) Escala de Coma de Glasgow Escala de AVC do NIH 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 42 NUNCA ESQUECER TEMPO DO INÍCIO DOS SINTOMAS 42 ESCALA DE AVC DO NIH (National Institute of Health Stroke Scale) Escala mais utilizada para avaliação da gravidade e para acompanhamento da evolução clinica do AVC. Enfatiza os mais importantes tópicos do exame neurológico e tem como objetivo uniformizar a linguagem dos profissionais de saúde e tem sido relacionada com gravidade, definição de tratamento e prognóstico. Varia de 0 a 42 pontos. Deve ser aplicada na admissão do paciente e a cada hora nas primeiras 6 horas, a cada 6 horas nas primeiras 18 horas. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 43 ESCALA DE AVC DO NIH 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência eEmergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 44 Neuroimagem - TC Crânio Afastar hemorragia intracraniana e outros diagnósticos diferenciais 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 45 Afastar infarto definido e edema cerebral importante Neuroimagem - TC Crânio Avaliar a presença de sinais precoces de isquemia cerebral. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 46 Hipodensidade e Apagamento dos Sulcos O edema cerebral pode ser resultado de edema isquémico e/ou de vasodilatação (por isquemia com auto-regulação vascular mantida ou por obstrução venosa). É geralmente visível tomograficamente como apagamento dos sulcos corticais e/ou compressão do ventrículo lateral homolateral. Havendo apenas assimetria das dimensões dos ventrículos laterais, será difícil avaliar se a alteração será a compressão de um ou a dilatação do contralateral, pelo que o apagamento dos sulcos corticais é considerado uma evidência mais útil. O edema cerebral grave, com desvio da linha média, não é geralmente visível tomograficamente nas primeiras 6 horas após início dos sintomas de um AVC isquémico. 46 Neuroimagem – RM Crânio Na fase aguda apresenta vantagens, como melhor caracterização de lesões de fossa posterior e demonstração precoce de lesões através da técnica de restrição a difusão. Para pacientes elegíveis para terapia trombolítica com dúvida diagnóstica. Pacientes que apresentaram melhora total dos déficits em que a suspeita principal e de AIT. Pacientes com mais de 4h 30min do inicio dos sinais e sintomas. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 47 Controle da Glicemia 48 Hiperglicemia nas primeiras 24h após o AVC isquêmico é associada com piora do prognóstico. Recomendado monitoramento intensivo da glicemia capilar (4/4 horas), tratamento da hiperglicemia (dose ajustada de insulina) e prevenção da hipoglicemia (administração de glicose e potássio quando necessário). Glicemia capilar entre 80 e 140 mg/dL. Controle da Temperatura O aumento da temperatura e associado a um pior prognóstico em pacientes com AVC isquêmico. Recomenda-se tratar temperatura axilar >37,8°C com dipirona ou acetaminofen. Trombólise Endovenosa CRITÉRIOS DE INCLUSÃO PARA USO DE rtPA AVC isquêmico em qualquer território encefálico; Possibilidade de se iniciar a infusão do rt- PA dentro de 4h 30min do início dos sintomas; TC do crânio ou RM sem evidência de hemorragia; Idade superior a 18 anos; NIH ≥4 (exceto afasia); Ausência de contra-indicações à trombólise; Assinatura do Termo de Consentimento pelo paciente ou responsável legal. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 49 Possibilidade de se iniciar a infusão do rt- PA dentro de 4 horas e 30 minutos do início dos sintomas (para isso, o horário do início dos sintomas deve ser precisamente estabelecido. Caso os sintomas forem observados ao acordar, deve-se considerar o último horário no qual o paciente foi observado normal; 49 Termo de Consentimento TERMO DE CONSENTIMENTO PARA TERAPIA TROMBOLÍTICA EM ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL – AVC PACIENTE: Nome:____________Idade:_____ Identidade No.: __________________ Órgão Expeditor_____________ REPRESENTANTE / RESPONSÁVEL LEGAL: Nome:___________ Idade:_______Identidade No.: ____________ Órgão Expedidor:_____________ Estou ciente da realização da terapia trombolítica em ___________________como método de tratamento para o quadro de AVC isquêmico agudo. Reconheço que me foram explicados os benefícios bem como os riscos associados a tal medida terapêutica. Fui orientado (a) de forma satisfatória, pelo Dr.________________,CRM no. ______ que os principais riscos associados a tal terapia incluem: sangramento extra cerebral bem como intracerebral, os quais podem requerer transfusão sangüínea ou terapia cirúrgica de emergência. Também me foi explicado que apesar do risco de sangramento cerebral menor que 10%, o uso de trombólise está associado a maiores chances de recuperação neurológica. Tive oportunidade de fazer perguntas e, quando as fiz, obtive respostas de maneira adequada. Entendo que não existe garantia absoluta sobre os resultados a serem obtidos. Também entendi que, a qualquer momento e sem prestar qualquer explicação, poderei revogar este consentimento, antes da realização do procedimento. Fortaleza, _____de_________________ de __________ Hora: ____________ _________________________________________________________ (Paciente) ou (Responsável / Representante legal) _________________________________________________________ Médico Responsável 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 50 Trombólise Endovenosa CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO PARA USO DE rtPA Uso de anticoagulantes orais com TAP >15s (RNI>1,5); Uso de heparina nas últimas 48 horas com TTPa elevado; AVCi ou TCE grave nos últimos 3 meses; História pregressa de hemorragia intracraniana ou de malformação vascular cerebral; TC de crânio com hipodensidade precoce > 1/3 do território da ACM; PAS ≥85 mmHg ou PAD diastólica ≥ 110 mmHg (em 3 ocasiões, com 10 minutos de intervalo) refratária ao tratamento antihipertensivo; Melhora rápida e completa dos sinais e sintomas no período anterior ao início da trombólise; Déficits neurológicos leves (sem repercussão funcional significativa); Cirurgia de grande porte ou procedimento invasivo nos últimos 14 dias; Hemorragia geniturinária ou gastrointestinal nos últimos 21 dias, ou história de varizes esofagianas; ... 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 51 Trombólise Endovenosa CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO PARA USO DE rtPA: Punção arterial em local não compressível na última semana; Coagulopatia com TP prolongado (RNI>1,5), TTPa elevado, ou plaquetas <100000/mm3; Glicemia < 50 mg/dl com reversão dos sintomas após a correção; Evidência de endocardite ou êmbolo séptico, gravidez; Infarto do miocárdio recente (3 meses); Suspeita clínica de hemorragia subaracnóide ou dissecção aguda de aorta; Desconhecimento do horário de início dos sintomas; Neoplasia intracraniana maligna; Crise epiléptica na instalação dos sintomas (descartar paralisia de Todd). 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 52 Fatores de risco para sangramento AVC prévio; NIHSS > 22; Glicemia capilar >400mg/dL; Uso de cocaína; Insuficiência renal; Leucaraiose importante; Pericardite ou endocardite bacteriana; Retinopatia diabética. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 53 Regime de Tratamento do AVCi Agudo com RTPA Endovenoso Transferir o paciente para a Unidade de Urgência, Unidade de Tratamento Intensivo ou Unidade de AVC Agudo. Iniciar a infusão de rtPA EV 0,9 mg/Kg administrando 10% em bolo em 1 minuto e o restante em 1 hora. Não exceder a dose máxima de 90 mg. O paciente deve estar com 2 acessos venosos calibrosos em membros superiores e a dose do rt-PA (alteplase) e 0.9mg/Kg com máximo de 90 mg de dose total. Do total da dose se infunde 10% em bolus em um minuto e o restante em uma hora. O acesso venoso deve ser exclusivo e a infusão deve ser controlada através da bomba de infusão. Para garantir a infusão completa a droga deve ser administrada na bureta compatível com a bomba de infusão institucional. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 54 Regime de Tratamento do AVCi Agudo com RTPA Endovenoso Verificar escore de AVC do NIH a cada 15 minutos durante a infusão, a cada 30 minutos nas próximas 6 horas e, após, a cada hora até completar 24 horas. A NIHSS deve ser realizada uma vez ao dia ate o 10° dia de internação e na alta pelo enfermeiro responsável pelo paciente e registrada em impresso próprio. Monitorizaçãocardíaca e pressórica.(monitore PA a cada 15min nas duas primeiras horas; a cada 30 minutos da terceira a oitava hora; e a cada 1 hora da nona até 24 horas do início do tratamento, atentando para valores >=180/105 mmHg. O controle da temperatura axilar deve ser realizado cada duas horas e instituido medidas para hipertermia. O controle da glicemia capilar deve ser realizado com intervalo minimo de quatro em quatro horas e, nos casos de protocolo de insulina, de hora em hora. Deve-se utilizar como medidas para profilaxia de trombose venosa profunda a compressao pneumatica e meias elasticas. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 55 Cuidados Após Uso de Trombolítico Não utilizar antitrombóticos, antiagregantes e heparina nas próximas 24 horas após uso do trombolítico. Não passar SNE nas primeiras 24 horas. Manter o paciente em jejum por 24 horas pelo risco de hemorragia e necessidade de intervenção cirúrgica de urgência. Não realizar cateterização venosa central ou punção arterial nas primeiras 24 horas. Não passar sonda vesical até pelo menos 30 minutos do término da infusão do rt-PA. Após as 24 horas do tratamento trombolítico, o tratamento do AVC segue as mesmas orientações do paciente que não recebeu trombólise, isto é, antiagregante plaquetário ou anticoagulação. Iniciar profilaxia para TVP (heparina de baixo peso ou enoxaparina) 24 horas pós-trombólise Realizar tomografia de cranio e Hb, Ht, TP, TTPA entre 12-24 horas, para controle evolutivo. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 56 Cuidados Após Uso de Trombolítico SE SUSPEITA DE SANGRAMENTO: Piora do déficit neurológico ou nível de consciência, cefaléia súbita, náuseas ou vômitos. Descontinuar rt-PA TC de crânio urgente Colher coagulograma, HT, TP, TTPa, fibrinogênio Se sangramento na TC de crânio avaliação neurocirúrgica Outros locais de sangramento (ex.:local de punção venosa) tentar compressão mecânica. Em alguns casos descontinuar o rt-PA. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 57 Cuidados Após Uso de Trombolítico TRATAMENTO DAS COMPLICAÇÕES HEMORRÁGICAS Crioprecipitado: 6-8U EV (manter fibrinogênio sérico> 100mg%) Plasma fresco congelado : 2 a 6U Se nível baixo de plaquetas ou uso de antiagregantes plaquetários: 6 a 8U de plaquetas Concentrado de hemácias: manter hemoglobina > 10mg% 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 58 Investigação Etiológica do AVC Exames de sangue: Lipidograma (LDL e HDL colesterol), Triglicerídeos, Ácido úrico, Glicemia de jejum, Hemograma completo, Urinálise, Uréia e creatinina, - Sorologia para Chagas (RIF para Chagas, Sorologia para Sífilis (VDRL e FTA-ABS), Coagulograma (TAP e TTPA), VHS, PCR, Eletroforese de proteínas Considerar: perfil toxicológico, etanol sérico, beta-HCG, GA, EEG Eletrocardiograma Rx de tórax Exames de Doppler EcoDoppler de artérias vertebrais e artéias carótidas, Doppler transcraniano, Ecocardiograma transtorácico, Ecocardiograma transesofágico com Bubble Test Exames de neuroimagem (em casos selecionados) Ressonância magnética do crânio, Angiorressonância dos vasos extra ou intracranianos, Arteriografia digital, 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 59 Investigação Etiológica do AVC em Pacientes Jovens Além dos exames já citados Provas de atividade inflamatória, Alfa 1 Glicoproteína, Enzimas hepáticas, Sorologia para hepatite B e C, Sorologia para HIV, Anticorpo Anticardiolipina, Anticoagulante lúpico, Homocisteína, Se urinálise com proteinúria solicitar: proteinúria de 24hs. Em casos de forte suspeita de vasculite do SNC ou sistêmica solicitar: Hemocultura, LCR, FAN, Fator reumatóide, ANCA, Complemento, CPK, Estudar necessidade de biópsia (nervo, pele, músculo, artéria temporal, pulmão) Em casos de etiologia indeterminada ou supeita de trombofilia solicitar: Fator V de Leyden, antitrombina III, mutação da protrombina, proteína C, proteína S. 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 60 Reabilitação dos Pacientes com AVC Fisiatria Fonoaudiologia Fisioterapia Terapia Ocupacional Serviço Social Nutrição Enfermagem Imunizações (Influenza e Pneumococo) 03/11/2020 CT de Medicina de Urgência e Emergência CT de Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 61 HIPERTENSÃO INTRACRANIANA A hipertensão intracraniana é o termo médico que descreve o aumento da pressão dentro do crânio e ao redor da medula espinhal, que pode não ter uma causa específica, sendo conhecida como idiopática, ou ser causada por traumatismos ou doenças como tumor cerebral, hemorragia intracraniana, infecção no sistema nervoso, AVC ou efeito colateral de alguns remédios. Geralmente, a pressão normal dentro do crânio varia entre 5 e 15 mmHg, mas na hipertensão intracraniana encontra-se acima desse valor e, por isso, nos casos mais graves pode impedir o sangue de entrar no crânio, deixando de haver oxigenação adequada do cérebro. Uma vez que o cérebro é um órgão muito sensível e que não pode ficar privado de oxigênio, a hipertensão deve ser tratada o mais rápido possível no hospital e, geralmente, é necessário ficar internado por alguns dias. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Dor de cabeça persistente; Alteração no nível de consciência; Vômitos; Alterações na visão, como pupilas dilatadas, pontos escuros, visão dupla ou embaçada; Zumbido no ouvido; Paralisia de um membro ou de um lado do corpo; Dor nos ombros ou pescoço. HIPERTENSÃO INTRACRANIANA Causas: ↓ drenagem do liquido céfalo raquidiano ( trauma , infecção , hemorragia , tumor ). ↑ volume tecidual cerebral : edema ( hipóxia , isquemia , hiponatremia , infecção , tumor ). ↑ volume sanguíneo cerebral ( ↓ retorno venoso cerebral , ↑ fluxo sanguíneo cerebral , hipertensão , hipervolemia ). Lesão expansiva ( hemorragias , tumor ). HIC Quadro clínico: Diagnóstico Precoce- Prevenir sequelas. cefaléia , vômitos , edema de papila , ↑ PIC ( ↑ PAM , ↓ Frequência cardíaca , edema pulmonar , bradipnéia , são sinais de grave comprometimento do tronco cerebral ), convulsões , comprometimento dos pares cranianos , estado confusional consequência de acometimento do diencéfalo , paralisia ou paresia de um ou mais membros e face. DIAGNÓSTICO Quadro clínico; Tomografia de crânio; Ressonância Magnética; Tratamento da HIC O tratamento dependerá da sua causa; Administração de corticóides, diuréticos; barbitúricos; Monitoramento intensivo do paciente; TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO INTRACRANIANA. Monitorizar a PIC se possível e manter PIC < que 20 cm/H2O. Colchão d’agua ou de caixa de ovo(evitar LPP). Evitar hipertermia devido ao aumento do metabolismo Cabeceira elevada 30 a 45º Cabeça na posição mediana(linha média),facilita o retorno venoso cerebral. Ventilação mecânica S/N Normovolemia Sedoanalgesia contínua (fentanil e midazolam) por ±72hs. Tratar convulsões S/N Manitol 0,25 a 1,0g/kh em 5 min ,cada 6 hrs se necessário por ± 48 hs. Drenagem liquórica se paciente estiver com cateter intraventricular e PIC aumentada. Nutrição parenteral precoce. Dieta após 24hs por SG, se o quadro clínico permitir. Referências Bibliográficas Boden-Albala B, Sacco RL. The stroke prone individual. Rev Soc Cardiol Estado de São Paulo 1999; 4:501-8. Lopez, A.D.; Mathers, C.D.; Ezzati, M.; Jamison, D.T.; Murray, C.J.; “Global burden of disease and risk factors, 2001: systematic analysis of population health data”. Lancet, v. 367, p.1747-57, 2006. Bamford J, Dennis M, Sandercock P et al. The frequency, causes and timing of death within 30 days of a first stroke: the Oxfordshire Community Stroke Project. J Neurol Neurosurg Psychiatry 1990;53:825-829 Brainin M, Olsen TS, Chamorro A, et al. Organization of Stroke Care: education, referral,emergency management and imaging, stroke units and rehabilitation. Cerebrovasc Dis 2004;17:1-14.