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Prévia do material em texto

Indaial – 2020
Perícia criminal ii
Prof.a Gabriela Wolff
Prof.a Ivone Fernandes Morcilo Lixa
Prof.a Sandra Mara Sanches Franco
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2020
Elaboração:
Prof.a Gabriela Wolff
Prof.a Ivone Fernandes Morcilo Lixa
Prof.a Sandra Mara Sanches Franco
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
W855p
Wolff, Gabriela
Perícia criminal II. / Gabriela Wolff; Ivone Fernandes Morcilo Lixa; 
Sandra Mara Sanches Franco. – Indaial: UNIASSELVI, 2020.
193 p.; il.
ISBN 978-65-5663-102-8
1. Prova criminal. - Brasil. 2. Documentoscopia. – Brasil. I. Wolff, 
Gabriela. II. Lixa, Ivone Fernandes Morcilo. III. Franco, Sandra Mara Sanches. IV. 
Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
CDD 341.464
III
aPresentação
Prezado acadêmico do curso de Investigação Forense e Perícia 
Criminal (IPC)! Seja bem-vindo a esta nova disciplina em seu curso, que 
trataremos as questões inerentes à Perícia Criminal.
Na Unidade 1, trabalharemos temas relevantes da Documentoscopia, 
com destaque para a análise documental, tida como principal artifício pericial 
aplicado pelos profissionais em investigações voltadas para a busca da 
autenticidade ou falsidade de um documento. Para tanto, apresentaremos de 
maneira sistêmica as formas adequadas de manuseio de papéis, bem como 
os instrumentos e equipamentos utilizados nos trabalhos periciais. 
Da mesma forma, abordaremos a Grafoscopia, importante ramo da 
Documentoscopia voltado para o estudo da escrita, que, mediante aplicação da 
Leis do Grafismo e análise de sinais caligráficos, possibilita a análise grafotécnica 
em um documento para o reconhecimento da autenticidade ou falsidade da 
escrita e sua autoria. Nesse contexto, exporemos as qualidades gerais da escrita, 
seus fatores individuais, aplicação de disfarces gráficos, bem como listaremos as 
falsificações de escritas a assinaturas mais usadas pelos falsários, seguidas das 
respectivas análises, como forma de melhor ilustração do assunto.
Na Unidade 2, o estudo terá como objetivo conhecer os diferentes 
artefatos balísticos mais utilizados na prática de infrações penais, iniciando-
se com a conceituação e classificação das armas de fogo, utilizando-se critérios 
técnicos que dizem respeito às características intrínsecas das armas. Nesta 
unidade, você terá informações que lhe permitirão compreender o trabalho 
realizado nas práticas periciais mais comuns que envolvem armas de fogo. 
Na Unidade 3, trabalharemos sobre alguns delitos que são relacionados 
à perícia veicular, como os crimes de roubo, furto e adulteração dos sinais 
identificadores, e suas respectivas consequências. Ainda, aprenderemos 
quais são os sinais oficialmente considerados capazes de identificar um 
veículo e a sua autenticidade. Esse conhecimento é de extrema importância, 
pois é através dele que poderemos avaliar e analisar se tal peça ou veículo foi 
adulterado ou permanece original.
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
Diante disso, compreenderemos quais são e onde podem ser 
observados os caracteres da codificação do chassi, a decodificação das 
numerações de motores, câmbios, eixos e vidros e suas formas de adulteração.
 
Por fim, com o vasto conhecimento adquirido, o acadêmico se 
encontrará habilitado para identificar a codificação original adulterada.
Pronto para começar a estudar sobre este tão importante segmento de 
perícia criminal moderna? Então vamos lá, bom estudo!
Prof.a Gabriela Wolff
Prof.a Ivone Fernandes Morcilo Lixa
Prof.a Sandra Mara Sanches Franco
V
VI
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela 
um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro 
que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá 
contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, 
entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
LEMBRETE
VII
UNIDADE 1 – DOCUMENTOSCOPIA ................................................................................................1
TÓPICO 1 – DOCUMENTOSCOPIA ....................................................................................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................3
2 ESCOPO DA DOCUMENTOSCOPIA ...............................................................................................3
3 MANUSEIO DE DOCUMENTOS QUESTIONADOS ...................................................................6
4 INSTRUMENTOS E EQUIPAMENTOS ............................................................................................8
5 DOCUMENTOS ....................................................................................................................................10
5.1 DATAÇÃO DE DOCUMENTOS ...................................................................................................12
5.2 DATILOGRAFIA, REPROCÓPIAS, CARIMBOS E SELO DE AUTENTICAÇÃO .................14
6 ALTERAÇÕES FÍSICAS DE DOCUMENTOS ...............................................................................19
6.1 FOTOGRAFIA E TRATAMENTO DIGITAL DE IMAGEM ......................................................22
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................26
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................27
TÓPICO 2 – GRAFOSCOPIA ................................................................................................................29
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................29
2 ESCRITA .................................................................................................................................................29
2.1 LEIS DO GRAFISMO ......................................................................................................................30
2.2 ALFABETOS E SISTEMAS CALIGRÁFICOS ..............................................................................343 QUALIDADES GERAIS DA ESCRITA............................................................................................37
3.1 FATORES QUE AFETAM A ESCRITA ..........................................................................................42
4 DISFARCES GRÁFICOS .....................................................................................................................43
4.1 PADRÕES GRÁFICOS ....................................................................................................................44
4.2 VARIABILIDADE INDIVIDUAL ..................................................................................................46
5 INSTRUMENTOS ESCRITORES .....................................................................................................47
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................50
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................51
TÓPICO 3 – ANÁLISE DAS ESCRITAS .............................................................................................53
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................53
2 TIPOLOGIA ...........................................................................................................................................53
3 FALSIFICAÇÃO DE FIRMAS ............................................................................................................56
4 ANÁLISE DE ESCRITAS CURSIVAS E SINCOPADAS ..............................................................57
5 ANÁLISE DE ALGARISMOS ............................................................................................................59
6 EXAMES GRAFOTÉCNICOS EM CÓPIAS ....................................................................................61
7 ELABORAÇÃO DE LAUDOS ............................................................................................................62
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................................64
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................67
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................68
sumário
VIII
UNIDADE 2 – BALÍSTICA FORENSE ................................................................................................69
TÓPICO 1 – BALÍSTICA, ARMAS DE FOGO E PORTE DE ARMAS .........................................71
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................71
2 BALÍSTICA FORENSE .......................................................................................................................72
3 ARMAS DE FOGO ..............................................................................................................................76
4 O PORTE DE ARMA DE FOGO NO BRASIL ...............................................................................79
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................88
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................89
TÓPICO 2 – CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO, MUNIÇÃO E FERIMENTOS 
PRODUZIDOS POR ARMAS DE FOGO ....................................................................91
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................91
2 CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO ..................................................................................91
2.1 QUANTO AO TAMANHO ...........................................................................................................92
2.2 QUANTO À PORTABILIDADE ...................................................................................................94
2.3 QUANTO AO SISTEMA DE CARREGAMENTO .....................................................................98
2.4 QUANTO AO FUNCIONAMENTO ...........................................................................................99
2.5 QUANTO AO SISTEMA DE ACIONAMENTO ........................................................................99
2.6 QUANTO À ALMA DO CANO .................................................................................................100
3 CALIBRE ...............................................................................................................................................102
4 MUNIÇÕES .........................................................................................................................................103
5 UM BREVE ESTUDO SOBRE OS FERIMENTOS PRODUZIDOS POR ARMA DE FOGO ...... 106
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................115
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................116
TÓPICO 3 – PRÁTICAS PERICIAIS EM BALÍSTICA FORENSE ...............................................117
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................117
2 CONFRONTO MICROBALÍSTICO ...............................................................................................117
3 RESÍDUOS DE ARMA DE FOGO ..................................................................................................122
4 ESTUDO DE CASO: QUANDO O EXAME EM RESÍDUO É RELEVANTE ..........................124
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................128
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................129
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................130
UNIDADE 3 – DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS 
ELEMENTOS IDENTIFICADORES ......................................................................131
TÓPICO 1 – DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR ..................................133
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................133
2 CRIME DE FURTO DE VEÍCULOS ...............................................................................................133
3 DO CRIME DE ROUBO DE VEÍCULOS .......................................................................................135
4 CRIME DE ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCUO AUTOMOTOR ..... 138
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................141
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................142
TÓPICO 2 – ELEMENTOS IDENTIFICADORES DOS VEÍCULOS ..........................................143
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................143
2 DOS SINAIS IDENTIFICADORES DE VEÍCULO AUTOMOTOR ........................................143
2.1 DO DOCUMENTO DO VEÍCULO ............................................................................................144
2.2 VIN – NÚMERO DE IDENTIFICAÇÃO VEICULAR OU CHASSI.......................................146
2.3 PLACAS DE IDENTIFICAÇÃO DO VEÍCULO ........................................................................148
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................159
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................160
IX
TÓPICO 3 – FORMAS DE ADULTERAÇÃO DA CODIFICAÇÃO ORIGINAL .....................161
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................161
2 IDENTIFICAÇÃO DA ADULTERAÇÃO NOS VEÍCULOS ......................................................161
2.1 ADULTERAÇÃO DO DOCUMENTO DO VEÍCULO .............................................................162
2.2 ADULTERAÇÃO DO NÚMERO DO CHASSI ........................................................................165
2.3 ADULTERAÇÃO DA PLACA DE IDENTIFICAÇÃO ............................................................168
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................170
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................177
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................178
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................179
X
1
UNIDADE 1
DOCUMENTOSCOPIA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer a documentoscopia como importante segmento da criminalística, 
na apuração de autenticidade de documentos questionados, bem como 
na identificação de sua autoria;
• compreender como são realizados os exames periciais nos diversos tipos 
de documentos e quais instrumentos utilizados para tal desiderato;
• diferenciar as formas de perícias de documentais e identificar seus 
objetivos precípuos;
• estudar a grafoscopia, como ramo da documentoscopia, aprendendo as 
técnicas empregadas na análise dos grafismos;
• analisar as qualidades gerais da escrita e os fatores que a afetam e a 
individualizam;
• apreciar os diferentes instrumentos escritores e sua evolução;
• reconhecer as falsificações de assinaturas das distintas formas em que são 
realizadas pelos falsários.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – DOCUMENTOSCOPIA
TÓPICO 2 – GRAFOSCOPIA
TÓPICO 3 – ANÁLISE DE ESCRITAS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
DOCUMENTOSCOPIA
1 INTRODUÇÃO
O intuito de nosso trabalho é apresentar a documentoscopia como 
um importante seguimento da criminalística, no qual os diferentes tipos de 
documentos são avaliados por profissionais capacitados, que buscam, através de 
técnicas e instrumentos adequados, identificar suas autenticidades.
De forma didática, apresentaremos aspectos relevantes do assunto, capazes 
de ampliar o conhecimento do estudante nessa área tão extensa e interessante, 
relacionada diretamente à perícia criminal em documentos. 
Teremos a oportunidade de entender como se desenvolve o trabalho dos 
peritos documentoscopistas, mediante a utilização de ferramentas e equipamentos 
próprios para a realização de exames em documentos suspeitos de alteração ou fraude.
Por fim, conhecendo o conceito e estrutura de alguns documentos, 
procuraremos expor as mais acentuadas formas de alteração física em documentos, 
valendo-se para tanto de ilustrações e citações de estudiosos a respeito.
Bons estudos!
2 ESCOPO DA DOCUMENTOSCOPIA
Antes de entrarmos no assunto propriamente dito da documentoscopia, 
temos que apresentar alguns conceitos fundamentais para o bom o 
desenvolvimento do tema.
De início, temos que entender em que consiste a documentoscopia. Para 
tanto, a exposição de seu conceito é basilar.
Costa (1995) ensina que a Documentoscopia é a denominação ampla que 
abrange todas as especialidades que objetiva, em questões específicas, a obtenção 
de soluções para as seguintes questões: estabelecer a autenticidade ou falsidade 
de um documento e em caso de falsidade identificar o autor.
Por sua vez, Mendes (1999) define a Documentoscopia como a parte da 
criminalística que estuda os documentos para verificar se são autênticos e, em caso 
contrário, determinar a sua autoria. A figura a seguir traduz o conceito de criminalística:
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
4
FIGURA 1 – DOCUMENTOSCOPIA
FONTE: <https://tse1.mm.bing.net/th?id=OIP 
Pre7lOxQFo4xqvbgMsfnEwHaFj&pid=Api&P=0&w=210&h=158>. Acesso em: 5 maio 2020.
É através da documentoscopia que os peritos examinam documentos, 
procurações, contratos, moedas, selos, cartões, cheques, certidões de nascimento, 
certidões de óbito, certidões de casamento, entre outros, na busca de vestígios 
materiais de alteração ou falsificação desses documentos. 
Temos então que o objetivo desse ramo da criminalística é analisar, 
identificar e evitar fraudes nos documentos de uma forma geral.
Para tanto, os peritos devem possuir noções especializadas, de cunho 
técnico-científico que possibilidade a aplicação de técnicas adequadas nas 
averiguações documentais e busca de provas materiais. 
Cabe ao perito documentoscópico, com base nas informações disponíveis 
e no conjunto de resultados de análise laboratorial, usar sua experiência e aptidão 
para fazer sua interpretação em relação a uma dada peça de exame (D’ALMEIDA; 
KOGA; GRANJA, 2015).
De acordo com a Associação Portuguesa de Ciências Forenses (APCF), 
em razão da variedade de documentos atualmente existentes e à diversidade de 
materiais que os constituem, na documentoscopia são consideradas subdivisões 
nos exames, cuja interação é fundamental na resolução das questões do foro 
documentoscópico. Vejamos a listagem no quadro seguinte:
TÓPICO 1 | DOCUMENTOSCOPIA
5
QUADRO 1 – SEÇÕES DE DOCUMENTOSCOPIA
GRAFOTECNIA Análise da escrita manual
MECANOGRAFIA Estudo da escrita mecânica (digitação, datilografia, tipografia etc.)
ALTERAÇÕES DOCUMENTAIS Detecção de rasuras, acréscimos, substituições e/ou obliterações 
EXAME DE SELOS
EXAME DE TINTAS Tintas de escrita manual e mecânica
EXAME DE SUPORTE Em especial, suporte de papel
EXAME DE INSTRUMENTOS GRÁFICOS Análise de tintas
EXAME DE MOEDAS METÁLICAS E DE PAPEL Estudo dos elementos de segurança
FONTE: Adaptado de <http://apcforenses.org/?page_id=30>. Acesso em: 5 maio 2020.
Como se depreende, são extensos os materiais que podem ser objeto 
de estudo da documentoscopia, no entanto, independentemente do material 
examinado, o objetivo dessa ciência forense consiste em identificar se o documento 
é autêntico, como e quando foi elaborado, quem é o responsável pela sua 
elaboração. Caso contrário, constatar a adulteração ou alteração do documento 
e sua autoria.
De forma sintetizada, a imagem seguinte mostra os principais objetivos 
da documentoscopia:
FIGURA 2 – OBJETIVOS
FONTE: As autoras
Nesse contexto, mister se faz o estudo dos documentos e o seu adequado 
manuseio e interpretação pelos peritos. É o que faremos na sequência. 
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
6
3 MANUSEIO DE DOCUMENTOS QUESTIONADOS
Alguns cuidados com os documentos analisados são essenciais para o 
sucesso da investigação pericial e constatação de irregularidades. Dessa forma, 
os peritos utilizam tecnologias e técnicas peculiares para cada documento em 
questão, de maneira a não os danificá-los.
Geralmente, as técnicas usadas nos laboratórios de documentoscopia são 
as não destrutivas. Nesseslaboratórios, os aparelhos mais comuns são as lupas 
e os microscópios ópticos, empregados para análise visual, portanto, que não 
causam danos aos documentos (D’ALMEIDA; KOGA; GRANJA, 2015).
Acrescenta o mesmo autor que, além desses, há equipamentos destinados 
especialmente para análises documentoscópicas, compostos de luzes especiais e 
filtros específicos, que também não danificam os documentos.
Cabe esclarecer que os instrumentos periciais serão estudados no próximo 
subtópico. Importa agora sabermos que os documentos a serem periciados, na 
sua grande maioria, são frágeis. A fragilidade pode decorrer do próprio material 
ou da sutileza do vestígio a ser analisado.
Assim temos alguns fatores que contribuem para o dano no material, 
e que devem ser evitados pelos peritos ou pelos profissionais envolvidos no 
armazenamento. Podemos visualizar de forma esquematizada alguns esses 
fatores que podem interferir na análise pericial:
FIGURA 3 – FATORES DE DEGRADAÇÃO DOCUMENTAL
FONTE: As autoras
MARCAS PROVENIENTES DE MANUSEIO: Manchas, restos 
de alimento e bebidas, clipes, grampos, colagem, carimbos, 
anotações, rubricas etc.
ARMAZENAMENTO: Utilização de formas e locais 
inadequados, como excesso de umidade, luz, 
temperatura etc.
DEGRADAÇÃO NATURAL: Envelhecimento do documento 
causando alterações como mofos, manchas etc.
TÓPICO 1 | DOCUMENTOSCOPIA
7
Além desses fatores, podemos mencionar, ainda, a deterioração decorrente 
de práticas de reprodução fotostática de imagens dos documentos questionados. 
Verifique nas imagens seguintes alguns tipos de documentos danificados:
FIGURA 4 – DOCUMENTOS DETERIORADOS
FONTE: <https://bit.ly/2A3gFi9>; <https://bit.ly/3gTx4Xa>; <https://bit.ly/370hRyU>. 
Acesso em: 5 maio 2020.
Sopesando que as degradações podem influenciar o procedimento de análise 
pericial nos documentos, podemos listar alguns cuidados importantes a serem seguidos 
pelos profissionais, quando do exame dos documentos questionados:
• Ao manusear os documentos questionados verifique que as mãos estejam 
limpas e secas.
• Utilizar, sempre que possível, luvas para manusear os documentos.
• Remover grampos, clipes, elásticos e prendedores dos documentos, pois estes 
sofrem deterioração, como a ferrugem, e causam danos aos documentos.
• Armazenar os documentos horizontalmente em local escuro com temperatura 
e umidade estáveis e adequadas.
• Impedir que os documentos fiquem expostos à luz solar.
• Utilizar no acondicionamento, materiais de armazenagem alcalina que podem prover 
uma proteção contra poluentes causadores de danos em papeis, tais como ozônio e 
fumaça provenientes das máquinas fotocopiadoras, carros e sistemas de aquecimento.
• Evitar comer e beber próximo aos documentos questionados.
• Não utilizar grampos, clipes, durex, fita crepe ou outro tipo de fita adesiva 
para fixar os documentos. 
• Proteger os documentos e manter os locais de armazenagem de documentos 
questionados limpos.
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
8
Agora que já conhecemos a importância do correto manuseio dos 
documentos questionados, podemos aprender sobre os equipamentos e 
instrumentos utilizados na análise pericial.
4 INSTRUMENTOS E EQUIPAMENTOS
Para a realização de perícia documentoscópica, o profissional deve possuir 
conhecimentos peculiares e estar a par das novas tecnologias na medida em que 
estas vão sendo disponibilizadas. A variedade de materiais a serem periciados é 
extensa, englobando papéis, moedas, plástico e até madeira.
Vejamos quais os equipamentos mais utilizados, considerando a relevância 
e a dinâmica de ocorrências
FIGURA 5 – TÉCNICAS PERICIAIS
FONTE: As autoras
Os peritos podem se valer, ainda, na realização de seu mister em investigar 
documentos, de alguns dispositivos de segurança lançados nos documentos. 
Seguindo o entendimento de D’Almeida, Koga e Granja (2015), podemos citar, de 
forma esquematizada e didática:
• Fundo Numismático: conjunto de linhas, ou microcaracteres em formato de 
linhas, normalmente paralelos, que apresentam alterações de ângulos, criando 
uma imagem que transmite a sensação de relevo e até de tridimensionalidade. 
• Microletra: letras, algarismos e outros sinais gráficos em corpo diminuto, na 
faixa de décimos de milímetro, cuja visualização é facilitada, ou só é possível, 
com auxílio de aparelho óptico de aumento. Podem ser negativas, quando 
vazadas, ou positivas, quando cheias. Seu conjunto é muito utilizado para 
formar efeito de linhas quando visto a olho nu.
TÓPICO 1 | DOCUMENTOSCOPIA
9
• Tinta invisível: tinta no impresso invisível na luz do dia, mas que se torna 
visível sob luz ultravioleta.
• Tinta reagente: tinta que reage em contato com determinado agente químico 
ou físico por meio de reações reversíveis ou irreversíveis.
• Holograma: imagem gerada a laser que apresenta um efeito bi ou tridimensional 
e de movimento, conforme o ângulo de observação e da incidência de luz. 
•	 Impressão	calcográfica: conhecida como talho doce, emprega tinta pastosa e 
com a impressão realizada sob pressões elevadas.
•	 Impressão	tipográfica: normalmente provoca relevo no verso da folha.
Para facilitar o entendimento apresentaremos algumas ilustrações acerca 
desses elementos de segurança. Verifique a seguir:
FIGURA 6 – ELEMENTOS DE SEGURANÇA
Fundo numismático Calcografia Microletra
Tinta invisível Tipografia
FONTE: Adaptado de <https://bit.ly/2Y2krQS>; <https://bit.ly/2z6PK4K>; <https://bit.ly/3dzsRpk>; 
<https://bit.ly/3dxpuj1> e <https://bit.ly/2XSP0Z6>. Acesso em: 3 jun. 2020.
Atualmente, há disponível uma série de equipamentos, que, com uma 
quantidade ínfima de amostra retirada do documento, pode fornecer informações 
importantes ao perito. Entre esses equipamentos têm-se espectrofotômetros, 
cromatógrafos, além de vários tipos de microscópio eletrônico (D’ALMEIDA; 
KOGA; GRANJA, 2015).
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
10
Nesse contexto, cabe aos peritos especializados optar pelo método e uso 
do instrumento que melhor se adeque ao exame do documento. A tarefa dos 
profissionais nesse campo investigativo nem sempre é fácil, em especial quando 
os documentos não são considerados comuns. A par disso, vamos conhecer um 
pouco mais sobre os documentos.
5 DOCUMENTOS
Saber o conceito de documentos, bem como sua diversidade, é 
fundamental para o bom trabalho pericial. A Lei nᵒ 12.527 de 2011, que regula 
o acesso a informações traz em seu artigo 4ᵒ, inciso II, o conceito basilar de 
documento. Vejamos o que reza o dispositivo legal: “Art. 4ᵒ Para os efeitos desta 
Lei, considera-se: II- Documento: unidade de registro de informações, qualquer 
que seja o suporte ou formato”.
 
O Código de Processo Penal considera documentos quaisquer escritos, 
instrumentos ou papéis, públicos ou particulares. É o que dispor o artigo 232 
dessa legislação.
Lopes Junior (2019) ensina que, além de ser considerado documento 
qualquer escrito, abre-se a possibilidade da juntada de fitas de áudio, vídeo, 
fotografias, tecidos e objetos móveis que fisicamente possam ser incorporados ao 
processo e que desempenhem uma função persuasiva (probatória).
Podemos destacar as seguintes formas documentais: escrita sobre papel, 
desenhos artísticos, pinturas, esculturas, fitas magnéticas, pen drives, bem como os 
documentos considerados de segurança papéis-moedas, cartões de crédito, cheques, 
vales alimentação, vales transporte, bilhetes aéreos, cédula de identidade, título eleitoral, 
carteira de habilitação, passaporte, identificação profissional, certidão de nascimento, 
certidão de casamento, certidão de óbito, entre outros.
IMPORTANT
E
Na inteligência da Documentoscopia, qualquer estrutura pode ser suporte 
para lançamentos gráficos que transmitam ideias ou indiquem a existência de 
fatos, ainda que a maioria dos documentos se manifeste em papéis escritos ou 
impressos. Essa disciplina não abriga em si conflito no conceito de documento. 
Faz uso do entendimento amplo e se mantém independente frente ao Direito 
Penal(SILVA; FEUERHARMEL, 2013).
TÓPICO 1 | DOCUMENTOSCOPIA
11
Dentre os documentos, distinguem-se os documentos autênticos, dos 
documentos questionados, que deverão ser periciados. Oportuno, pois, tecer 
algumas considerações sobre a autenticidade dos documentos, haja visto, que 
um dos objetivos da documentoscopia é investigar se um documento é tido 
por autêntico quanto á sua autoria, ou quanto ao seu conteúdo. Dessa forma, 
determina o artigo 369, da legislação processual civil que:
Art. 369. Reputa-se autêntico o documento, quando o tabelião reconhecer 
a firma do signatário, declarando que foi aposta em sua presença.
No mesmo sentido, o artigo 4ᵒ, da citada lei 12.527 de 2011, dispõe 
sobre a autenticidade nos seguintes termos:
Art. 4o Para os efeitos desta Lei, considera-se:
VII- autenticidade: qualidade da informação que tenha sido 
produzida, expedida, recebida ou modificada por determinado 
indivíduo, equipamento ou sistema;
VIII- integridade: qualidade da informação não modificada, inclusive 
quanto à origem, trânsito e destino.
 
Já vimos que existem elementos de segurança em determinados 
documentos, que auxiliam os peritos nas investigações, haja vista a dificuldade 
que impõem para sua adulteração ou fraude. Em meio a esses documentos, 
ressaltamos a Carteira de Identidade Civil (RG), com destaque para o novo RG, 
ou Registro de Identidade Civil (RIC). 
A tecnologia dificultará a falsificação, com dispositivo antiescaneamento, 
imagens ocultas, palavras impressas com tinta invisível, fotografia e impressão digital 
a laser e várias outras tecnologias, além de conter um chip de armazenamento. 
Pela figura seguinte, podemos visualizar a evolução desse documento no 
combate à falsificação documental.
FIGURA 7 – DOCUMENTO DE IDENTIFICAÇÃO
FONTE: <https://www.saibaseusdireitos.org/wp-content/uploads/2018/01/rg-ric.jpg>. 
Acesso em 6 maio 2020.
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
12
Além do novo documento de identificação, podemos elencar também a 
Carteira Nacional de Habilitação Digitalizada, como documento complexo e seguro.
Nessa esteira, a Documentoscopia envolve não apenas a análise da 
autenticidade documental, mas se ocupa também em criar dificuldades para 
que não ocorra a falsificação documental, buscando métodos que fortaleçam a 
autenticidade dos documentos.
Do exposto podemos deduzir que os documentos possuem características 
próprias que os individualizam, permitindo a análise de sua autenticidade 
quando questionados. 
 
Um assunto de extrema importância que pode influenciar na autenticidade 
ou falsidades dos documentos diz respeito a datação. É o que estudaremos agora.
5.1 DATAÇÃO DE DOCUMENTOS
Como já vimos, a autenticidade de um documento pode ser realizada sob 
diversos aspectos, que podem ou não comprometer sua validade. O Código de 
Processo Penal faz referência sobra a data do documento particular em seu artigo 
370. Vejamos o que expõe o dispositivo legal:
Art. 370. A data do documento particular, quando a seu respeito surgir 
dúvida ou impugnação entre os litigantes, provar-se-á por todos os 
meios de direito. Em relação a terceiros, considerar-se-á datado o 
documento particular:
I- no dia em que foi registrado;
II- desde a morte de algum dos signatários;
III- a partir da impossibilidade física, que sobreveio a qualquer 
dos signatários;
IV- da sua apresentação em repartição pública ou em juízo;
V- do ato ou fato que estabeleça, de modo certo, a anteriorida- de da 
formação do documento.
A data dos documentos é um aspecto que deve ser considerado, visto que 
a sua produção pode ocorrer anteriormente, chamada de ante datação. No que se 
refere à cronologia o documento não será considerado autêntico, isso, na maioria 
das vezes, não invalidam o documento. Outrossim, pode ocorrer o contrário, a pós 
datação, sendo considerado apenas uma inautenticidade parcial (DEL PICCHIA 
FILHO; DEL PICCHIA; DEL PICCHIA, 2005).
Silva e Feuerharmel (2013) abordam que a datação de documentos 
se processa com base em informações contidas tanto no suporte como em seu 
conteúdo, que servem como marcadores temporais. 
Os autores citam como exemplos as características do papel, os métodos de 
impressão empregados, tinta de traços manuscritos e até mesmo as características 
da ortografia, dado que as normas oficiais sofrem reformas cujas datas de 
implementação podem servir como referência.
TÓPICO 1 | DOCUMENTOSCOPIA
13
Cabe esclarecer que, nas impressões de um modo geral, nos papéis, tintas 
e canetas são encontrados corantes. No que diz respeito à datação de documentos 
é possível diferenciar o processo de degradação de um corante e escalonar o 
tempo dessa degradação.
Dessa forma, são desenvolvidas técnicas de apuração e análise, em 
especial com relação as tintas das canetas esferográficas. De forma sistemática, 
apontaremos os principais procedimentos adotados acerca do estudo da datação 
da tinta em documentos:
• Degradação de corantes.
• Evaporação de solventes.
• Difusão de corantes ou solventes pelas fibras do papel.
• Polimerização das resinas.
• Técnicas cromatográficas e espectrométricas.
• Métodos quimiométricos. 
Inexiste um consenso entre os peritos quanto ao método mais eficaz na 
identificação da datação exata, não havendo, uma uniformização de técnicas 
para se determinar a cronologia dos documentos. É necessário esclarecer que a 
datação pode ser considerada absoluta ou relativa. Vejamos em que consistem na 
imagem a seguir: 
FIGURA 8 – DATAÇÃO ABSOLUTA E RELATIVA
FONTE: As autoras
A datação relativa de uma tinta não consegue definir uma data precisa 
para o ato da escrita. Entretanto, se uma tinta comprovadamente foi fabricada 
após certa data, qualquer escrito confeccionado com esta tinta não pode ter sido 
feito antes desta data (ELLEN, 2006).
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
14
Não esmiuçaremos o assunto, por abranger conteúdo fisioquímico, no 
entanto, para saber mais a respeito dos métodos de análise de tintas, leia o trabalho: 
Avaliação Quimiométrica da datação de documentos e envelhecimento artificial de 
lançamentos de tinta de caneta esferográfica por Lc-Ms/Tof, no link: https://repositorio.
unb.br/handle/10482/32519.
DICAS
Expostos os principais pontos acerca da datação documental, iniciaremos 
a apresentação de alguns documentos que se destacam na seara pericial.
5.2 DATILOGRAFIA, REPROCÓPIAS, CARIMBOS 
E SELO DE AUTENTICAÇÃO
A datilografia e os documentos datilografados perderam espaço com a 
introdução dos computadores que, inevitavelmente, informatizaram os meios e 
as espécies documentais.
No entanto, ainda circulam alguns documentos datilografados, que, pela 
sua precariedade e ausência de padrões, se tornam alvos de fraudes e falsificações.
De início cumpre ressaltar que, ao se examinar um documento 
datilografado ao mesmo tempo em que a máquina supostamente utilizada na sua 
preparação, pode-se comprovar se o documento foi datilografado nessa máquina 
ou não. Para isso, são consideradas todas as características do equipamento, bem 
como a presença de defeitos nos caracteres impressos, que funcionarão como uma 
espécie de impressão digital da máquina. Conheceremos alguns documentos 
datilografados na imagem seguinte:
FIGURA 9 – DOCUMENTOS DATILOGRAFADOS
FONTE: <https://bit.ly/2MqsWzZ>; <https://bit.ly/3eISIvg>. Acesso em: 9 maio 2020. 
TÓPICO 1 | DOCUMENTOSCOPIA
15
Havendo suspeita de alteração, é cabível a perícia documental, com uma 
análise minuciosa que abrange o papel em que foi impresso os dizeres, o tipo de 
letra, o tamanho, a tinta, a identificação da máquina, as formas, a pressão. O olhar 
crítico de um perito poderá apurar uma possível divergência.
Na perícia, deve-se atentar para suspeita de inserção de letra, palavra ou frase 
num texto dactilografado. Nessa hipótese é adequada a seguinte indagação: o texto original 
elaborado foi retirado da máquina e retornou à máquina para um acréscimo? Da mesma 
forma, deve-se observar no documento questionado a presença de desalinhamentos 
dactilográficosquer vertical, quer horizontal, que indique não ter sido o seu contexto 
dactilografado numa só sessão.
IMPORTANT
E
Ressaltamos, dessa forma, a perícia mecanográfica, realizada em textos 
impressos, cópias fotostáticas, xérox, entre outros.
Com relação à necessidade de exames periciais nas reproduções mecânicas, 
temos a disposição do artigo. 422 do Código de Processo Civil. Vejamos:
Art. 422. Qualquer reprodução mecânica, como a fotográfica, a 
cinematográfica, a fonográfica ou de outra espécie, tem aptidão 
para fazer prova dos fatos ou das coisas representadas, se a sua 
conformidade com o documento original não for impugnada por 
aquele contra quem foi produzida.
§ 1ᵒ As fotografias digitais e as extraídas da rede mundial de 
computadores fazem prova das imagens que reproduzem, devendo, 
se impugnadas, ser apresentada a respectiva autenticação eletrônica 
ou, não sendo possível, realizada perícia.
Nesse contexto, lecionam Del Picchia Filho, Del Picchia e Del Picchia (2005) 
que, ao surgirem casos em que as peças estejam representadas por xerocópias ou 
similares, o perito deverá analisar minuciosamente o documento questionado.
No mesmo sentido, Pereira (1987) já observava a praticabilidade de perícias 
em xerocópias ou similares, nos casos específicos de falsificação de assinatura 
aposta em cheque, estudado em cópia de microfilme e, inclusive, exitosa quanto 
à determinação da autoria.
Defende o mesmo autor que as autoridades responsáveis pelas 
investigações devem sempre determinar a realização de exames na cópia xerox 
sobre as quais recaem dúvidas, afirmada a impossibilidade da apresentação do 
respectivo original.
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
16
Atinente as reprocópias, ou cópias reprográficas, temos que informar que 
estas reproduzem a cópias fiel dos documentos com as quais se relacionam. São 
muito usadas na reprodução de livros cartorários no registro de eventos, como 
certidão de nascimento, casamento e óbito. Para visualizarmos, exporemos a 
imagem de uma cópia reprográfica de certidão.
FIGURA 10 – CÓPIAS 
FONTE: <https://cartorio.info/wp-content/uploads/2018/01/certidao-de-inteiro-teor-digitada-ou-
reprografica-1024x575.jpg>. Acesso em: 9 maio 2020. 
Entenderemos melhor a diferença entre as duas modalidades, de acordo com 
seus conceitos, no link: https://cartorioonlinebrasil24h.com.br/blog/certidao-de-inteiro-
teor-reprografico-e-digitada-quais-as-diferencas/.
DICAS
Certidão reprográfica: é idêntica àquela que está no livro de registro, ou seja, 
contém até as assinaturas das testemunhas e dos responsáveis pelo ato. Desse modo, ela 
traz a exata reprodução do conteúdo, ou seja, até mesmo a caligrafia utilizada na época. 
Trata-se de uma fotocópia feita por uma máquina de xerox. 
 Certidão de inteiro teor digitada: contém, em si, todas as informações presentes 
no livro de registro, contudo, não é, de fato, uma reprodução fiel dos assentos desse livro, 
uma vez que ela foi datilografada, digitada e impressa pelo cartório levando em conta as 
informações contidas no assento.
NOTA
TÓPICO 1 | DOCUMENTOSCOPIA
17
Oportuno acrescentar que, alguns doutrinadores apontam a fragilidade e a 
dificuldade de realização de perícias em documentos xerocopiados pelo fato de não 
ser possível identificar vestígios de adulteração nas reproduções, bem como não ser 
possível determinar aspectos de grafismo, datilografia ou tipo de tinta aplicada.
Nos documentos também podem ser encontrados selos e carimbos, 
passíveis de adulteração. Adequado é tecer algumas considerações sobre os 
selos de autenticidade, em especial quando utilizado em ato notarial e registral. 
Sua aposição no documento resulta em maior segurança jurídica e moderna 
fiscalização indireta pelos órgãos competentes.
Antes de abordarmos a análise de um selo, temos dois aspectos 
relacionados à segurança dos atos notarias e registrais que merecem destaque:
FIGURA 11 – RECONHECIMENTO DE FIRMA
FONTE: <https://image.slidesharecdn.com/curso-documentoscopia-120125103115-
phpapp01/95/curso-documentoscopia-34-728.jpg?cb=1327487841>. Acesso em: 9 maio 2020.
Agora, atinente aos selos de segurança, podemos analisar um de selo 
de cartório de reconhecimento por autenticidade, constante da autorização de 
transferência de veículo. Análise de documento extraído de D’Almeida, Koga e 
Granja (2015, p. 91). Vejamos: 
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
18
FIGURA 12 – SELOS DE SEGURANÇA
FONTE: D’Almeida, Koga e Granja (2015, p. 91)
Para verificar a presença de alteração no selo, foram considerados padrões 
contemporâneos e efetuada análise visual com auxílio de comparador espectral 
de vídeo (VSC 6000 – Video Spectral Comparator), conforme imagem seguinte: 
FIGURA 13 – SELOS DE SEGURANÇA
FONTE: D’Almeida, Koga e Granja (2015, p. 91)
A análise visual no comparador espectral de vídeo, usando luz da região do 
visível indicou na peça questionada rasura (regiões esbranquiçadas) no desenho 
de fundo da área onde se encontra o texto “Reconhecimento Por Autenticidade”:
FIGURA 14 – SELOS DE SEGURANÇA
FONTE: D’Almeida, Koga e Granja (2015, p. 91)
TÓPICO 1 | DOCUMENTOSCOPIA
19
A análise visual da peça questionada com comparador espectral de vídeo 
usando luz da região do infravermelho revelou vestígios de uma impressão 
anterior que remete ao texto FIRMA 2, presente no padrão contemporâneo.
Da análise conclui-se que o selo questionado analisado foi alterado e 
aproveitado para o reconhecimento por autenticidade de firma.
 
Concernente aos carimbos, da mesma forma que os selos, diversos são seus 
modelos e matérias. A averiguação pericial consistirá basicamente na impressão 
do carimbo esboçada no documento encaminhado a exame. O perito investigará 
se a procedência do carimbo que produziu as impressões colhidas na Tomada de 
Material Padrão coincide com a do carimbo examinado.
6 ALTERAÇÕES FÍSICAS DE DOCUMENTOS
Como já apontado, muitos documentos são passíveis de fragilidade 
nos elementos que os constituem, e, com isso, tornam-se documentos de fácil 
falsificação. Assim, é necessário que seja realizada análise documentoscópica 
para que se verifique sua autenticidade documental.
Silva e Feuerharmel (2013) ressaltam que para se fazer um exame de confronto 
documental é necessário que se tenha conhecimentos sobre as características e 
especificações do documento em análise. Esta é uma área que se baseia na exposição 
de falsificação ou a alteração com a adição ou supressão de informação. 
Esclarecem os mesmos autores que são realizados nesta área os exames 
de moedas (cédulas e moedas metálicas), papéis, de petrechos de falsificação 
documental, documentoscópicos relativos à alteração documental, autenticidade 
documental, cruzamento de traços, idade de documento e idade de tinta.
De forma sintética, explanaremos em que consistem as alterações físicas 
dos documentos. Antes, porém, apresentaremos algumas considerações que a 
legislação penal traz a respeito do assunto.
O Código Penal conta com diversos artigos que incriminam condutas de 
falsificação. Podemos mencionar o artigo 297, que dispõe sobre a falsificação de 
documento público. A respeito do tema, leciona Bitencourt (2019, p. 1375) sobre 
as condutas incriminadas:
As ações incriminadas são: 
a) falsificar, no todo (contrafação total, com formação global, por 
inteiro) ou em parte (contrafação parcial, com acréscimo de dizeres, 
letras etc.), documento público; 
b) alterar (modificar, adulterar dizeres, letras) documento público 
verdadeiro. No crime de falsificação de documento público é 
necessário que o falsum seja suficientemente idôneo para provocar 
erro em outrem, sob pena de não se configurar a infração penal 
descrita no art. 297. 
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
20
Elucida o mesmo autor que os tribunais têm entendido que a simples troca 
ou substituição de fotografia em documento alheio tipifica o crime em exame.
No mesmo sentido, o artigo 298 tipifica a falsificação de documento 
particular, tutelando a autenticidade de tais documentos. Nesse diapasãotemos os 
cartões de crédito e débito. O denominado papel-plástico ou dinheiro de plástico 
também recebe, por força de lei, a qualificação de documento por equiparação. 
Com essa equiparação, a falsificação de referidos cartões passa a configurar o 
crime de falsificação de documento particular (BITENCOURT, 2019).
De um modo geral, a inautenticidade de um documento ou a presença 
de alterações são detectadas pela verificação de incoerências em sua impressão, 
autenticação (elementos de segurança ou assinaturas), suporte ou conteúdo. 
Além disso, inúmeras outras características auxiliam e, por vezes, só permitem 
detectar uma falsificação. Entre elas, citam-se o tipo de papel, fonte, instrumento 
de escrita e tinta usados, a ortografia, a sequência de produção do documento e 
várias marcas que podem ser deixadas no suporte. 
Podemos sintetizar as principais formas de procedimentos fraudulentos 
em escritos, considerando sua incidência na seara pericial. A seguir, temos 
algumas formas de alterações em documentos:
• Contrafações.
• Falsificação gráfica.
• Alterações.
• Montagens.
• Clonagens. 
Pela contrafação são reproduzidos documentos impressos, com destaque 
para cédulas de papel moeda e documentos de identificação. Por alterações, 
entendemos os artifícios empregados para transformar o conteúdo original de um 
documento, capazes de deixar marcas passíveis de serem constatas em exames 
periciais. Na alteração são utilizados, por exemplo:
• Lavagem química: emprego de reagente químico em áreas localizadas do 
documento, para suprimir parte dos registros gráficos originais.
• Acréscimo: inclusão de registros gráficos adicionais àqueles originais do documento.
• Rasura: apagamento de parte dos registros gráficos através do atrito provocado 
por produto abrasivo sobre o suporte.
• Recorte: remoção de parte do documento através de rasgadura ou corte do suporte.
A imagem seguinte aponta um exemplo de documento adulterado:
TÓPICO 1 | DOCUMENTOSCOPIA
21
FIGURA 15 – RASURA
FONTE: <https://public-rf-upload.minhawebradio.net/16127/news/
ec97b1e53909f75cd218fc5a6fa1458f.jpg>. Acesso em: 12 maio 2020.
Como se depreende da imagem, é nítida a alteração do número original 
“4”, pelo número ”9”.
Caro acadêmico, para se aprofundar no assunto das técnicas utilizadas para 
identificação de alterações físicas em documentos, indicamos a leitura do trabalho: Novas 
tecnologias aplicadas à Análise Documental, do Instituto de Criminalística Afrânio Peixoto, 
Departamento de Polícia Técnica do Estado da Bahia, disponível no link: https://www.
grafoexame.com.br/2013/05/novas-tecnologias-aplicadas-a-analise-documental/#:~:text=A%20
Espectroscopia%20%C3%A9%20uma%20t%C3%A9cnica,pouco%20estudada%20para%20
an%C3%A1lise%20documental. 
 O trabalho é rico em detalhes e ilustram que possibilitam um melhor entendimento 
da matéria. Para tanto, exporemos seu resumo:
 Este trabalho tem como objetivo apresentar a aplicação de técnicas spectroscópicas 
e recursos de software baseados em matemática avançada, para a realização de perícias 
documentais, a fim difundir e ampliar a gama de ferramentas disponíveis ao profissional 
da ciência forense. A Espectroscopia é uma técnica bastante conhecida principalmente 
na área de Química e Física, contudo, ainda pouco estudada para análise documental. 
Espectrômetros equipados com microscópios, voltados para a perícia documental existem 
no mercado, e foram adquiridos recentemente pelo Instituto de Criminalística Afrânio 
Peixoto, como o Vídeo Comparador Espectral e o Espectrômetro com tecnologia Raman, 
que permitem utilizar iluminação em vários comprimentos de onda e traçar espectros de 
absorção, emissão ou reflectância, para análise das características das tintas esferográficas 
e de impressão utilizadas em documentos. Esta tecnologia aplicada ao exame de 
documentos permite a análise mais apurada do material de perícia, para estudos como 
diferenciação de tintas esferográficas, cruzamento de traços, características do suporte, 
bem como mais confiabilidade nos resultados devido a sua sensibilidade e abrangência. 
A computação também oferece um leque de possibilidades, com recursos de baixo nível 
de investimento, destinados a aprimorar os trabalhos forenses, como a utilização da 
deconvolução para separação de cores, entre outros tantos recursos disponíveis.
DICAS
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
22
Após verificarmos como ocorrem as alterações documentais, passaremos 
a estudar um assunto relevante e de grande incidência no ramo pericial, as 
conhecidas fotografias e seu tratamento digital de imagens.
6.1 FOTOGRAFIA E TRATAMENTO DIGITAL DE IMAGEM
Atualmente, são aplicadas em exames periciais tecnologias de super 
resolução para aprimorar imagens de fotografias, proporcionando resultados 
mais eficazes nas investigações. Todavia, o que é super resolução? A imagem 
seguinte traz seu conceito de uma forma simplificada:
FIGURA 16 – SUPER RESOLUÇÃO DE IMAGENS
FONTE: Adaptado de <https://periciastecnicas.com.br/index.php/2017/11/20/laboratorio-
forense-para-super-resolucao-de-imagens/>. Acesso em: 11 maio 2020.
 A imagem seguinte nos permite entender qual o diferencial da 
super resolução, em razão da sua excepcional nitidez:
FIGURA 17 – COMPARATIVO DE IMAGENS
FONTE: <http://www.extremetech.com/wp-content/uploads/2012/07/computer-chip-super-
resolution-640x353.jpg>. Acesso em: 11 maio 2020.
TÓPICO 1 | DOCUMENTOSCOPIA
23
Oportuno esclarecer que as perícias não são realizadas apenas em imagens 
estáticas, como nas fotografias, mas também nas imagens em movimento, no caso 
dos vídeos. O trabalho dos peritos consiste em exames de verificação de edição, 
na busca por elementos que indiquem alterações fraudulentas do conteúdo 
original da imagem. Em seu mister, os profissionais fazem confronto de imagens, 
tratamento digital de registros de vídeos, e até exames de reconhecimento facial, 
na busca de vestígios de qualquer alteração de conteúdo.
Entre os indícios de alteração considerados pelos peritos, destacam-se as 
adulterações, ocultações e obliterações. Assim entendidas como a dissimulação, 
supressão e até destruição de imagens, com o fim de alterar a material registrado. 
Antes de prosseguirmos, é relevante observar algumas imagens, onde se é 
possível verificar algumas alterações:
FIGURA 18 – FOTOS HISTÓRICAS ADULTERADAS
FONTE: Adaptado de <https://bit.ly/371LYWP>; < https://bit.ly/2UbyClx>. Acesso em: 11 maio 2020. 
As imagens são definidas como a representação visual de algo ou de 
pessoas. Ela pode ser capturada ou criada, por meio de fotografias, pinturas, 
gravuras ou computação gráfica. Não entraremos no mérito do processamento 
de imagens, haja visto que o objetivo de nossos estudos é entender como são 
identificadas as alterações em imagens questionadas. Para tanto, apresentamos a 
imagem a seguir, característica de uma montagem.
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
24
FIGURA 19 – MONTAGEM 
FONTE: Adaptado de <http://www.folhapolitica.org/2014/06/romeu-tuma-jr-denuncia-
montagens-de.html>. Acesso em: 11 maio 2020. 
Em razão de modernos softwares de gráfica, dos scanners e das impressoras 
de qualidade, associados às altas capacidades gráficas que eles proporcionam, 
surgiram as falsificações de documentos feitas através do aproveitamento 
dos meios digitais. Dentre as diferentes adulterações que podem resultar da 
manipulação de imagens digitais destacam-se:
• Montagem.
• Subtração de imagem.
• Substituição de imagem.
• Duplicação de áreas.
• Adição de ruídos.
Caberá ao perito, valendo-se de sua experiência e técnicas, analisar a 
imagem capturada e identificar possíveis indícios de adulteração. Por fim, uma 
breve explanação sobre o que dispõe a legislação processual civil, no que diz 
respeito as fotos e sua e seu valor probante:
Art. 385. A cópia de documento particular tem o mesmo valor 
probante que o original, cabendo ao escrivão, intimadas as 
partes, proceder à conferência e certificar a conformidade entre 
a cópia e o original. 
§ 1ᵒ Quandose tratar de fotografia, esta terá de ser acompanhada 
do respectivo negativo. 
§ 2ᵒ Se a prova for uma fotografia publicada em jornal, exigir-
se-ão o original e o negativo.
TÓPICO 1 | DOCUMENTOSCOPIA
25
"Por fotografia do documento, leia-se fotocópia, que, devidamente autenticada, 
terá o mesmo valor do documento original. Atualmente, predomina o entendimento de 
que as fotocópias não necessitam de autenticação, exceto quando colocada em dúvida 
sua veracidade, circunstância em que a parte interessada na produção dessa prova deverá 
providenciar os originais ou fotocópias autenticadas" (LOPES JUNIOR, 2019, p. 506).
IMPORTANT
E
As medidas defendidas pelo Código de Processo Civil visam garantir 
a atuação pericial, quando de eventual questionamento de autenticidade do 
material juntado.
Acadêmico, indicamos a leitura do texto Fundamentos sobre reprografias nos 
exames periciais, disponível no link: http://www.cinelli.com.br/Cinelli/Fundamentos_sobre_
reprografias.html.
DICAS
26
Neste tópico, você aprendeu que:
• A documentoscopia é um importante ramo da criminalística, que tem por 
objetivo estudar documentos para verificar sua autenticidade, ou determinar 
sua autoria.
• Em razão da diversidade de documentos e dos materiais que os constituem, 
são disponibilizados diferentes exames documentoscópicos, específicos para a 
apreciação de cada situação.
• Nas perícias documentoscópicas é necessário a observância de cuidados 
especiais com os documentos analisados, adotando-se, para tanto, técnicas não 
destrutivas dos materiais examinados.
• Para a realização das perícias são empregados pelos profissionais tecnologias e 
equipamentos peculiares à seara documentoscópica.
• Exames documentoscópicos são perfeitamente possíveis em cópias reprográficas 
e documentos datilografados, valendo-se o profissional de conhecimentos e 
técnicas específicas nessas abordagens.
RESUMO DO TÓPICO 1
27
1 Em que consiste um exame documentoscópico?
2 O que se entende por elementos de segurança em documentos? Cite três 
espécies desses elementos.
3 Por alterações, entendemos, os artifícios empregados para transformar o 
conteúdo original de um documento, capazes de deixa marcas passíveis 
de serem constatas em exames periciais. Especifique os principais métodos 
adotados pelos falsários nessas alterações.
AUTOATIVIDADE
28
29
TÓPICO 2
GRAFOSCOPIA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Abordaremos, neste tópico, a grafoscopia, também conhecida por 
grafotécnica, assim entendida como o ramo da documentoscopia que estuda 
a escrita, na qual, através da aplicação de técnicas, é possível identificar a 
autenticidade ou falsidade de uma assinatura ou escrito.
Conheceremos a perícia grafotécnica e seus procedimentos para coleta 
e realização de confrontos entre padrões gráficos, em uma efetiva análise nas 
características particulares do grafismo ou escrita. 
Para tanto, serão expostos os principais fatores que afetam a escrita em suas 
qualidades gerais, resultando em diversos padrões gráficos. De forma concisa, 
exporemos a variabilidade individual das escritas, considerando detalhes que as 
diferenciam e identificam o seu escritor.
Bons estudos e muito sucesso!
2 ESCRITA
De início, temos que esclarecer que o estudo e a análise de uma escrita exigem 
muita habilidade e conhecimentos técnicos, pois trata-se de um trabalho criterioso que 
envolve não só o mecanismo da escrita, mas a identificação do seu autor.
Para estudarmos a escrita temos que conhecer o conceito de grafoscopia. 
Sétimo (2014) ensina que a grafoscopia consiste na técnica baseada em observações 
sistemáticas de elementos que compõem o grafismo. Explanaremos o estudo do 
grafismo mais adiante. Por ora, nos interessa a escrita e sua evolução.
Sette (2020) observa que, independentemente de como se pega na caneta, 
a escrita é desenhada de acordo com impulsos do cérebro através do sistema 
nervoso e dos músculos do braço e da mão. Sendo assim, ela não pode ser 
camuflada ou disfarçada para ocultar sua interpretação.
 
Importante apresentarmos a classificação da escrita de acordo com a idade 
gráfica. O quadro seguinte propõe essa evolução de forma ordenada:
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
30
QUADRO 2 – CLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA
Escrita primária
Rústica e canhestra
O ato de escrever não faz parte do hábito do indivíduo
Traços lentos, quebras e muito parada
Indica pouca cultura gráfica
Escrita escolar
Apresenta certa desenvoltura
Traços com maior fluidez e decisão
Indica média cultura gráfica
Escrita secundária
Escrita flui com velocidade
Demonstra qualidades particulares e rapidez na execução dos traços
Indica alta cultura gráfica
Escrita senil
Execução comprometida por problemas motores
Apresenta falhas na ideação
Pode decorrer da degeneração dos músculos ou da idade
Indica cultura gráfica decadente
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
Como se depreende do quadro anterior, as formas pessoais da escrita não 
são estáticas, mas apresentam alterações com o passar do tempo. Nesse sentido, 
Sétimo (2014) aborda que, na evolução, o grafismo evoluciona de acordo com 
o que se aprende em classificação da escrita. O aperfeiçoamento decorre do 
treinamento, resultando no automatismo gráfico.
Por outro lado, o mesmo autor tambem observa que pode ocorrer uma 
involução em razão da senilidade. Não significa que todos os indivíduos podem 
ser prejudicados por ela, pois, muitos mantêm as próprias caracteríticas de escrita, 
mesmo com idade avançada.
2.1 LEIS DO GRAFISMO
Conhecer as leis do grafismo é importante para que o profissional 
possa desenvolver o adequado exame em documentos que possuam grafismos. 
Embasados nos princípios trazidos por essa lei, o perito pode valer-se de padrões 
para verificar a autenticidade e a autoria da escrita.
 
A lei do grafismo, apresentada pelo estudioso Edmond Solange Pellat, 
fundamentou-se no princípio de que o grafismo é individual e inconfundível. 
Citada lei apresenta o princípio geral. Vejamos de forma pormenorizada na 
imagem a seguir.
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FIGURA 20 – PRINCÍPIO GERAL
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
Pelo princípio fundamental, as leis da escrita independem do alfabeto 
utilizado. Com base nisso, foram desenvolvidas quatro leis do grafismo. Vejamos 
de forma sequencial as leis do grafismo, segundo Pellat (1927):
• Primeira Lei do Grafismo: o gesto gráfico está sob a influência imediata do 
cérebro. Sua forma não é modificada pelo órgão escritor se este funciona 
normalmente e se encontra suficientemente adaptado à sua função.
Sétimo (2014) aborda que a execução do gesto gráfico, treinado para a escrita, 
realizada pelo punho escritor, está diretamente relacionada ao cérebro. Nesse sentido, 
ressalta o mesmo autor que, se um escritor destro treinar o punho esquerdo, produzirá 
escrita com as mesmas qualidades técnicas do outro punho. Podemos concluir, então, 
que não existem duas pessoas distintas com a mesma escrita.
• Segunda Lei do Grafismo: quando se escreve, o “eu” está em ação, mas o 
sentimento quase inconsciente de que o “eu” age passa por alternativas 
contínuas de intensidade e de enfraquecimento. Ele está no seu máximo de 
intensidade onde existe um esforço a fazer, isto é, nos inícios, e no seu mínimo 
de intensidade onde o movimento escritural é secundado pelo impulso 
adquirido, isto é, nas extremidades.
 
Pela segunda lei, temos o automatismo gráfico, que, no entender de Sétimo 
(2014), pode ser explicada pelo fato da sequência do grafismo fluir naturalmente, 
após iniciado o gesto gráfico. Significa afirmar que à medida em que a escrita vai 
de desenvolvendo, o escritor torna patente sua escrita usual.
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
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• Terceira Lei do Grafismo: não se pode modificar voluntariamente em um dado 
momento sua escrita natural senão introduzindo no seu traçado a própria 
marca do esforço que foi feito para obter a modificação.
As tentativas de disfarces não surtirão efeitos durante a execução do gesto 
gráfico, pois sendo este automático,isso não será possível. Qualquer tentativa 
posterior também não terá sucesso, uma vez que as características particulares já foram 
registradas (SÉTIMO, 2014). A naturalidade da escrita é uma característica fundamental 
que a distingue da falsificação. Assim, qualquer empenho do escritor em escrever de 
determinada forma, resultará na perda da individualidade inicial da escrita.
• Quarta Lei do Grafismo: o escritor que age em circunstâncias em que o ato 
de escrever é particularmente difícil, traça instintivamente ou as formas de 
letras que lhe são mais costumeiras, ou as formas de letras mais simples, de 
um esquema fácil de ser construído.
Sétimo (2014) aborda que o escritor sempre evolui, no sentido de criar 
a maneira em que o gesto da escrita lhe seja mais fácil. A prática proporciona 
o desenvolvimento de formas de escrita, atribuindo características técnicas 
importantes ao escrito.
Em outras palavras, significa dizer que, em certas ocasiões, em que o ato 
de escrever está sendo limitado por algo, o escritor utiliza traços gráficos simples 
e fáceis de se desenvolver.
Seguindo os ditames desses princípios, caberá ao especialista, diante de 
um documento com dizeres gráficos, estudar e compreender a escrita, identificar 
a autenticidade, bem como a autoria da grafia.
Expostas as leis do grafismo em seus aspectos mais relevantes, resta 
apresentar alguns exemplos seus, de maneira a reconhecermos sua extensa 
variedade, o que permite ao perito optar pelo padrão adequando na realização 
de exames gráficos.
TÓPICO 2 | GRAFOSCOPIA
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FIGURA 21 – EXEMPLOS DE GRAFISMO
FONTE: <https://image.slidesharecdn.com/mdulo4-designmultimdia-130930083032-phpapp01/95/
mdulo-4-design-multimdia-16-638.jpg?cb=1380529873>. Acesso em: 13 maio 2020.
Ainda podemos ressaltar que existem diferentes tipos de grafismos, entre 
eles destacam-se:
• as rubricas;
• as assinaturas;
• as escritas cursivas;
• as escritas em letras de forma.
Tirotti e Tirotti (2015) apresenta que os grafismos das assinaturas nem 
sempre guardam as mesmas características da escrita usual de seu escritor. Às 
vezes, o escritor prefere empregar letras de forma distinta daquela usada na 
escrita corrente. Quanto às rubricas, reduzem-se a um pequeno número de traços, 
sendo uma significação da assinatura (TIROTTI; TIROTTI, 2015).
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
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A perícia caligráfica é um dos objetos de prova mais importantes e também 
dos mais usuais com que conta a justiça. Com relação ao exame escrito ou perícia 
caligráfica, prevê o art. 174 do Código de Processo Penal que as diligências para o exame de 
reconhecimento de escritos, por comparação de letra, destinam-se a autenticar documento, 
ou então, proclamar sua falsidade. As regras previstas no art. 174, que se referem à perícia de 
escritos, podem ser estendidas, como orientação, às perícias datilográficas. 
FONTE: <https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/direito/pericia-caligrafica-e-
ou-documentoscopia-na-prova-pericial/36376>. Acesso em: 3 jun. 2020.
IMPORTANT
E
Como nosso trabalho é voltado ao estudo e à análise da escrita, nos 
balizaremos ao conhecimento das letras utilizadas para mensagens textuais.
2.2 ALFABETOS E SISTEMAS CALIGRÁFICOS
Conhecer o alfabeto e as letras que o compõem é importante para uma 
análise prática da grafia. A partir da análise de suas formas é possível identificar 
o perfil e a autoria da escrita. Não esmiuçaremos o tema acerca da formação do 
alfabeto e sua evolução, posto que nosso estudo objetiva a apreciação das formas 
gráficas, enquanto artifício de adulteração.
Analisar os sinais gráficos que cada indivíduo deixa ao escrever uma 
letra é um processo que requer precisão e conhecimento técnico. É no estudo dos 
detalhes de cada letra que forma a palavra que a perícia grafotécnica encontrará 
embasamento para o conhecimento da autoria.
Basicamente, os alfabetos são formas de escritas constituídas por um conjunto 
de sinais gráficos. O alfabeto latino ou romano é o utilizado na língua portuguesa.
TÓPICO 2 | GRAFOSCOPIA
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O alfabeto da língua portuguesa é o latino. Ele se divide em duas partes: vogais 
e consoantes. As vogais são as letras: A, E, I, O, U; e as consoantes são: B, C, D, F, G, H, J, L, 
M, N, P, Q, R, S, T, V, X, Z.
 Além delas, existem outras três letras que são usadas em casos especiais: K, Y, 
W. Elas são usadas para escrever nomes próprios e estrangeirismos. Os países de língua 
portuguesa, incluindo o Brasil, aboliram algumas variações após a assinatura do Novo 
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. O alfabeto é escrito de forma ordenada, onde 
as letras respeitam uma sequência, e pode ser escrito com letras maiúsculas e minúsculas.
 Acesse o conteúdo completo sobre a origem do alfabeto no site: https://www.
guiaestudo.com.br/origem-do-alfabeto.
INTERESSA
NTE
Nesse contexto, é importante esclarecer que letra é a unidade do alfabeto. 
Suas formas habituais seguem dois traçados, podendo ser impressa ou cursiva. 
Vejamos um breve resumo dos seus conceitos: 
• Letra impressa: 
◦ Conhecida como letra de forma.
◦ Usada em impressões tipográficas.
• Letra cursiva:
◦ Usada, geralmente, em escrita de grafismo. 
Conheceremos mais a respeito das letras, na medida em que formos 
estudando a escrita e expondo suas características e variabilidades.
No que tange aos sistemas caligráficos, temos que, no transcorrer dos anos, 
foram observadas mudanças fundamentais no ensino da escrita. Através de métodos 
educacionais diferentes que buscavam-se estabelecer normas para a prática escolar. 
A preocupação com a escrita já era evidente, assim, no início do Século XX, em 
vários estados brasileiros, discursos pedagógicos, apoiados em preceitos higienizas, 
preocuparam-se em normatizar a escrita. A caligrafia inclinada, utilizada durante 
o Século XIX, apesar de elegante, graciosa e pessoal, era criticada, porque percebida 
como a causa para os problemas de miopia e escoliose encontrados nos escolares. Para 
manter a saúde das crianças, indicava-se a caligrafia vertical como a mais adequada 
ao trabalho escolar. Papel direito, corpo direito, escrita direita, pareciam resumir as 
prescrições da higiene (VIDAL; GVIRTZ, 1998).
As autoras esclarecem que as principais escolas paulistas instituíram a 
caligrafia norte-americana, ou inclinada, como a mais indicada no ensino das 
primeiras letras. Entretanto, a Reforma da Instrução Primária de Minas Gerais 
indicava a caligrafia vertical, ou redonda, por considerá-la não somente mais 
higiênica, como também mais adequada aos tempos modernos.
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
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Oportuno notar que, muitas vezes, as defesas de determinados modelos 
caligráficos, inclinado ou vertical, utilizavam do termo escrita no lugar do termo 
caligrafia. A par desses modelos de escrita, os métodos de aquisição da escrita 
vão se dividir entre a letra de imprensa, denominada letra bastão, e a letra 
cursiva, também conhecida como emendada ou manuscrita. Podemos visualizar 
na imagem a seguir a distinção entre letras cursivas e letras bastão. 
FIGURA 22 – EXEMPLO DE LETRAS CURSIVAS E LETRAS BASTÃO
FONTE: <http://s2.glbimg.com/zYKA1s-wcOGQi6oTEzarE5zEKW8=/695x0/s.glbimg.com/po/
tt2/f/original/2015/03/05/fani_facebook.png>. Acesso em: 15 maio 2020.
Caro acadêmico, para aprender mais sobre os sistemas caligráficos, indicamos 
a leitura do trabçaho: O ensino da escrita manual no Brasil: dos modelos caligráficos à 
escrita pessoal no Século XXI, no link: http://www.bocc.ubi.pt/pag/fetter-sandro-lima-
edna-lima-guilherme-o-ensino-da-escrita-manual-no-brasil.pdf.
DICAS
Explanados os pontos relevantes sobre o alfabeto e o sistema caligráfico, 
temos que conhecer, de uma maneira geral, as qualidades da escrita. É o que 
faremos na sequência.
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3 QUALIDADES GERAIS DA ESCRITA
Das caraciterísticas do grafismo, podemos extrair suas qualidadades, 
assim definidas pelos estudiosos como qualidades gerais da escrita. As 
qualidades gerais da escrita podemser subdidividas em elementos subjetivos e 
elementos objetivos.
Importante observar que os elementos subjetivos são díficeis de serem 
simulados por serem involuntários (TIROTTI; TIROTTI, 2015). Para melhor 
visualizarmos, vejamos de forma em que consistem esses elementos de ordem 
geral da escrita (TIROTTI; TIROTTI, 2015):
• Elementos subjetivos da escrita:
◦ rítmo;
◦ dinamismo;
◦ velocidade; 
◦ habilidade.
• Elementos objetivos da escrita:
◦ alinhamentos;
◦ espaçamentos;
◦ limintantes verbais;
◦ relação de proporcionalidade;
◦ inclinação axial;
◦ calibre;
◦ pressão;
◦ tendência de punho;
◦ espontaneidade. 
Vamos apreender o siginificado de cada um desses elementos, 
numa abordagem consisa e ordenada. Vejamos, então, em que consistem os 
elementos subjetivos:
• Rítmo: consiste na cadência de movimentos, compreendendo as formações 
harmoniosas e contrafeitas (DEL PICCHIA FILHO; DEL PICCHIA; DEL 
PICCHIA, 2005).
• Dinamismo: refere-se ao estudo concomintante das forças de pressão e 
velocidade (DEL PICCHIA FILHO; DEL PICCHIA; DEL PICCHIA, 2005).
• Velocidade: observando o grafismo é possível notar se a escrita foi rápida, 
média ou lenta. As divergencias de velocidade são indentificadas quando se 
analisa os momentos do grafismo (TIROTTI; TIROTTI, 2015).
Nesta oportunidade, temos que destacar os momentos do grafismo, assim 
entendidos como o momento gráfico propriamente dito, ou momento da parada 
e da retomada da escrita. Esses momento podem ser considerados diminutos 
na medida em que o instrumento escritor quase não toca o papel pela leveza e 
rapidez. Vejamos, a seguir, as peculiaridades que denotam rapidez e lentidão 
(TIROTTI; TIROTTI, 2015):
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◦ Escrita rápida: momentos diminutos, pressão baixa e traços agéis. 
◦ Escrita lenta: momentos gráficos, pressão alta e traços oscilantes. 
• Habilidade: está relacionada à instrução do gesto gráfico, pela prática e 
destreza do punho do escritor.
Da mesma forma, abordaremos os principais elementos objetivos 
análisado em um perícia, com observância aos estudos de Sétimo (2014). Confira 
as principais particularidades desses elementos: 
• Alinhamentos: verifica-se a posição no espaço do grafismo em relação à linha 
de pauta. Assim, nós temos a escrita apoiada e a escrita flutuante.
FIGURA 23 – ESCRITA APOIADA E FLUTUANTE
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
• Espaçamentos: é a distância média observada nos grafismo. Pode ser a distância 
entre os gramas, caractereres, vocábulos ou linhas.
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FIGURA 24 – ESPAÇAMENTO ENTRE GRAMAS, CARACTERES, VOCÁBULOS E LINHAS
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
• Limitantes Verbais: linhas retas imaginárias que são traçadas sobre uma escrita 
para verificações de algumas características. A imagem representa as linhas da 
limintante verbal superior e inferior, em que se identificam os passantes, assim 
entendidos como gramas grafados fora da linha imaginária.
FIGURA 25 – LIMITANTES VERBAIS
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
• Gladionagem: é a inexistencia de paralelismo entre as linhas de ápice e a linha 
de base de uma escrita. A gladionagem pode ser positiva, quando as linhas se 
encontram a direita do grafismo e negativa, quando se encontram a esquerda. 
Ainda existe a escrita ingladiolada, onde as limintantes verbais são paralelas:
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FIGURA 26 – INGLADIOLAGEM, GLADIOLAGEM POSITIVA, NEGATIVA E COM VARIAÇÕES
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
• Inclinação Axial: de acordo com a visualização do eixo axial, pode-se dizer se 
uma escrita apresenta inclinação ou não.
FIGURA 27 – EIXO AXIAL
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
Ainda, com relação à inclinação axial, podemos identificar escritas 
verticais, com inclinação para a direita e com inclinação para a esquerda.
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FIGURA 28 – GRAFISMO VERTICAL, COM INCLINAÇÃO PARA A DIREITA
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
• Calibre: faz referência ao tamanho da escrita, seja no todo ou em suas partes. 
Dessa forma, pode-se mencionar o calibre de um grama, de uma letra, de uma 
palavra. Pode ser classificado como, grande, médio e pequeno.
FIGURA 29 – CALIBRE PEQUENO
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
• Tendência de punho: destaca-se pela tendência á angulosidade, manifestada 
pela inversão de curva de sentido; tendência à arcada, com produção de 
concavidade voltda à região inferior; tendência à guirlanda, apresentado 
convexidade em sentido inferior e concavidade em sentido superior, e, por 
fim, a tendência mista, executada através de lançamentos de diversas formas 
(TIROTTI; TIROTTI, 2015).
• Pressão: pode ser considerada a força exercida na execução do traço, bem como 
suas variações. Assim temos as formas de pressão do punho na modalidade 
leve, representada por traços finos e claros; modalidade média, com tonalidades 
e expessuras de traçõs medianas e, por fim, a modalidade pesada com traços 
espessos e mais escuros e produção de sulcos observáveis. 
Na sequência, as figuras ilustram as três classificações de escrita, de acordo 
com a pressão do punho:
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FIGURA 30 – PRESSÕES DE PUNHO LEVE, MÉDIA E PESADA
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
• Espontaneidade: ccorresponde à fluência natural da escrita, sem artificialismo. 
Traços sem espontaneidade são pesados e indecisos, resultados de movimentos 
lentos, que exigem mais esforço e atenção. Ao contrário, a espontaneidade 
representa a uniformidade, ausência de tremores na escrita, que denota 
velocidade, decorrente do automatismo gráfico. 
Após o estudo das características gerais da escrita, é importante, para a 
bom entendimento do grafismo em trabalhos periciais, conhecermos os fatores 
comprometedores da escrita. 
3.1 FATORES QUE AFETAM A ESCRITA
Pelo que já expusemos, podemos concluir que o grafismo não é inerte, ele 
evolui e sofre alterações na medida em que o escritor desenvolve o aperfeiçoamento 
da escrita pelo treinamento, até alcançar o automatismo gráfico.
Da mesma forma, a escrita pode ser alterada normalmente pela involução, 
em razão da senilidade. A evolução e a involução são fatores normais da 
mudança de grafismo. Diferentemente, podemos encontrar mudanças anormais 
do grafismo.
Sétimo (2014) aborda que os fatores anormais podem influenciar a 
qualidade da escrita quando agem diretamente sobre as condições motoras 
do órgão escritor. Podemos visualizar de forma esquematizada esses fatores 
anormais, assim considerados internos e externo.
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• Fatores internos:
◦ Referentes ao sistema produtor do grafismo.
◦ Exercem influência direta na produção do grafismo.
◦ Emoção, euforia, depressão, medo, raiva, embriaguez, ferimento, doenças 
crônicas, entre outros.
• Fatores externos:
◦ Causas alheias ao sistema produtor do grafismo.
◦ Exercem influência indireta na produção do grafismo.
◦ Postura incômoda, instrumentos escritor defeituosos, suporte inadeuqado, 
escrita em movimento, entre outros. 
Como se depreende, diversos são os fatores que podem acarretar alterações 
na escrita. Muitas vezes tais alterações são imperceptívies às pessoas comuns, 
mas à vista de um perito experiente, são facilmente identificadas. 
4 DISFARCES GRÁFICOS
Trataremos agora das circunstâncias em que o autor tenta ocultar as 
características originais da escrita. Veremos que, para tanto, poderá a escritor se 
valer de diferentes tipos de disfarces, são os denominados disfarces gráficos.
Para compreendermos melhor o conceito, exporemos de forma 
esquematizada os mais relevantes disfarces gráficos utilizados (TIROTTI; 
TIROTTI, 2015). 
• Tipos de disfarces gráficos:
◦ Escrita cursiva modifica as formas dos caracteres.
◦ Escrita cursiva com caligrafação dos caracteres. 
◦ Escrita cursiva com variação de inclinação.
◦ Aumento ou diminuição da calibragem.
◦ Utilização da mão esquerda (esquerdismo).
◦ Deformação dos caracteres e dos traços.
◦ Simulação de canhestrismo gráfico.
◦ Variação de formas.
◦ Erros ortográficos. 
Tirotti e Tirotti(2015) aborda que as imitações não constituem disfarces 
gráficos, uma vez que na imitação são copiados os gestos gráficos de outrem, e, 
muitas vezes, deixa transparecer as características do punho escritor original.
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
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4.1 PADRÕES GRÁFICOS
Nos exames grafotécnicos destacam-se os padrões gráficos, assim 
entendidos como o grafismo sabidamente autêntico, que servirá de comparação 
ou confronto com a escrita questionada.
De início, temos que esclarecer em que consiste a forma gráfica, que 
servirá de padrão gráfico em análise de autenticidade ou autoria de escrita.
Sétimo (2014) aborda que a forma ou imagem gráfica é o aspecto formal e 
visual da escrita, e mostra todos os momentos da realização de um grafismo, ou 
seja, demonstra como a grafismo foi criado em detalhes.
Um ponto interessante que é observado em qualquer análise grafotécnica são 
os gramas da escrita. Nesse sentido, podemos conceituar o grama como o registro 
mínimo de um gesto gráfico realizado, sem mudança brusca de sentido. O grama é 
finalizado com uma parada ou com a existência de um ângulo (TIROTTI; TIROTTI, 
2015). Na imagem seguinte podemos visualizar de forma detalhada o traço do grama.
FIGURA 31 – O GRAMA
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
Visualizada a forma da letra, é imperioso o estudo de sua gênese, ou seja, 
sua criação, monstrando como o caracter foi construído, apontando o traço inicial, 
sua trajetória, até culminar no traço final. Sétimo (2014) observa que duas letras 
podem ter a mesma forma do grafismo sem, no entanto, possuir a mesma gênese. 
Podemos entender melhor essa observação, acompanhando a imagem seguinte:
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FIGURA 32 – FORMA E GÊNESE DE UMA LETRA
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
Esses conhecimentos são importantes para a verificação de autenticidade 
gráfica ou identificação de autoria. O padráo gráfico, considerado autêntico, é 
utilizado para confronto no exame grafotecnico. Ao se examinar um caractere 
ou um grafismo, comparando a outro sabidamente autêntico, sob os aspectos de 
forma e gênese, pode-se concluir pela autenticidade ou não da escrita. A figura a 
seguir traz uma visão geral do exposto:
FIGURA 33 – COMPARAÇÃO COM CARACTERE PADRÃO
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
Existem falsificações de boa qualidade, inperceptíveis a pimeira vista. É 
através de análises grafotecnicas, com a aplicação dos conhecimentos estudados 
que se identifica uma falsificação e suas divergências com o original.
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
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4.2 VARIABILIDADE INDIVIDUAL
Em toda escrita, há necessariamente o início e o fim, do desenvolvimento 
de um ou mais gramas. Ao traço inicial é dado o nome de ataque, e, ao final, de 
remate. Esses traços podem ser de diferentes formas, com particularidades que os 
diferenciam. Nesse contexto, Triotto (2019) os classifica em:
• Ensaiados.
• Apoiados e não apoiados.
• Sulcados.
• Em gancho.
• Em colchete.
• Em ponto de repouso.
As variações formais ocorrem, geralmente, quando se empregam letras 
ou sinais pertencentes a sistemas caligráficos, ou sinais distintos (TIROTTI; 
TIROTTI, 2015). 
Oportuno ressaltar as linhas de impulso, assim definidas como traços 
adicionais ao ataque, no início do lançamento da escrita. Por seu turno, também 
existe o cetra, um traço ornamental que conclui o lançamento, sobretudo nas 
assinaturas (TIROTT; TIROTTI, 2015).
De acordo com Del Picchia Filho, Del Picchia e Del Picchia (2005), os 
traços ornamentais são adicionados às letras com interesses estéticos, e podem, 
com o tempo, integrar o conjunto de hábito gráficos do escritor. A esquírola 
também é considerada uma diferencial. São identificadas como pequenos pontos 
de descaga de tinta, deixados sempre no mesmo local, ou em curvas, seja nas 
passantes ou não passantes. Vejamos, na imagem seguinte, uma sequência de 
espírolas na trajetória da escrita:
FIGURA 34 – ESPÍRULAS
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
TÓPICO 2 | GRAFOSCOPIA
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Outra importante particularidade é a escrita helicoidal, consistente em 
movimentos circulares com laçadas sem grande espaços (SÉTIMO, 2014). É 
preciso conhecer como se caracteriza a forma da escrita helicoidal:
FIGURA 35 – ESCRITA HELICOIDAL
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
Por fim, temos o complexo	idiográfico, definido por Sétimo (2014) como 
a junção de duas ou mais letras grafadas de modo muito particular, de acordo 
com a facilidade que o escritor descobriu de grafá-las. Podemos identificar a 
particularidade de escrita na imagem seguinte:
FIGURA 36 – COMPLEXO IDIOGRÁFICO
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
Ademais, existem variabilidades da escrita que devem ser consideradas, 
tais como a grafia do “t” e do “i”, que oferem ricos detalhes ao estudo grafotécnico. 
Agora que já compreendemos melhor como se desenvolve e se forma a escrita, 
através das caracterítiscas de cada letra, conheceremos de forma breve, os 
instrumentos escritores.
5 INSTRUMENTOS ESCRITORES
Os instrumentos escritores ou instrumentos gráficos também são 
relevantes em uma análise documental, haja vista que através deles é 
possibilitada a escrita em superfícies. Existem diferentes instrumentos gráficos, 
no entanto, abordaremos apenas os de maior incidência na escrita documental, 
considerando suas características. O quadro seguinte apresenta uma visão geral 
dos instrumentos escritores utilizados na escrita.
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
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FIGURA 37 – INSTRUMENTOS ESCRITORES
FONTE: Adaptado de Tirotti e Tirotti (2015) 
O uso de canetas tornou-se a principal ferramenta das escritas manuais, 
tanto que esse instrumento tem evoluído com o passar dos tempos. 
A princípio, utilizavam-se as penas de aves, que foram seguidas pelas 
penas metálicas. Posteriormente, vieram as canetas-tinteiro, para serem usadas 
tanto com as penas de aves como com penas metálicas. Esse instrumento escritor 
está em desuso no Brasil, em especial pelo fato de possuir um traçado com falhas 
e imperfeições suscetíveis de serem confundidas com anormalidades provocadas 
pelas reproduções fraudulentas (TIROTTI; TIROTTI, 2015).
Merecem destaque as canetas esferográficas, que se tornaram populares 
entre os escritores. Os traços das canetas	 esferográficas apresentam pouca 
variação em sua espessura e largura da tinta aplicada, em função da pressão 
utilizada no instrumento. Geralmente as tintas de canetas esferográficas possuem 
secagem rápida. 
Tirotti e Tirotti (2015) aborda que o traçado das esferográficas possui 
sulcagem e resulta do movimento de rotação da pequena esfera que se impregna 
de massa colorida existente no depósito. A esfera somente transfere a massa 
corante para o suporte quando a esfera se atrita com o suporte, mediante rotação. 
São as conhecidas roller ball.
Temos ainda as canetas de ponta porosa que se caracterizam pela 
ausência de sulcos e traços com larguras homogêneas e sangrias, representadas 
pela passagem da tinta líquida nas fibras de papel. 
TÓPICO 2 | GRAFOSCOPIA
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Podemos mencionar, ainda, as canetas	esferográficas	à	base	de	gel, ou 
hidrográficas. Essas canetas também possuem esfera na ponta, mas possuem 
uma tinta mais viscosa que as das esferográficas mencionadas. As canetas 
hidrográficas possuem a desvantagem de permitirem fácil lavagem, de difícil 
percepção. Pela ausência de sulcos em sua escrita, as operações de supressão 
tornam-se complicadas de se detectarem (TIROTTI; TIROTTI, 2015). 
Por fim, temos como instrumento escritor o lápis cuja tinta é constituída 
basicamente de grafite. Seus traços são formados pela fricção produzida no papel, 
que depositará camadas de grafite na superfície do suporte.
A raspagem causada pela borracha pode remover o gravite depositado 
no papel, no entanto, mesmo depois de removido, a escrita feita a lápis pode 
permanecer visível, quando observada com luz infravermelha.
Tirotti e Tirotti (2015) menciona que, na escrita a lápis, não existem 
sulcagens, mas apenas o sulco deixado pela pressão que se denomina Foulage. 
No que diz respeitoà composição as tintas das canetas temos que as tintas 
são produzidas e, de tal forma, diferidas, de acordo com suas propriedades físicas, 
como cor, densidade, viscosidade, articulação superficial e resistência à água. 
Nesse contexto, o exame de tintas, consistente na análise da composição 
química das tintas, é muito importante para a perícia documental, na medida em 
que o exame objetiva determinar a autenticidade ou adulteração de documento. 
 
O exame abrange a identificação de substâncias empregadas na confecção da 
tinta usada no documento questionado e a compatibilidade com sua data, embasando-
se na pigmentação do corante e no tipo de componente utilizado para dissolvê-lo.
Acadêmico, indicamos a leitura do texto Perícia grafotécnica e 
documentoscopia – Norma de procedimento de Grafoscopia do perito grafotécnico, 
no link: https://www.manualdepericias.com.br/pericias-de-grafoscopia-grafotecnica-
documentoscopia-perito-grafotecnico/.
DICAS
50
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que: 
• A grafoscopia ou grafotécnica é a parte da documentoscopia que estuda e 
investiga a escrita.
• A análise da escrita exige conhecimentos técnicos dos profissionais, envolvendo 
não só a construção da escrita, mas também a identificação de sua autoria.
• A escrita pode ser classificada de acordo com a idade gráfica, possuindo 
características próprias em cada fase evolutiva.
• As leis do grafismo, bem como seu princípio geral, contêm princípios e 
fundamentos que permitem ao perito verificar a autenticidade e autoria da 
escrita, valendo-se para tanto, de padrões gráficos.
• A escrita possui qualidades gerais consubstanciadas nos elementos subjetivos 
e objetivos da escrita.
• Fatores internos e externos podem afetar a escrita, resultando em alterações 
no grafismo.
• As escritas possuem particularidades ou variabilidade individual que 
as diferenciam, o que proporcionam aos peritos, análises grafotécnicas 
quando questionadas.
51
1 Qual o escopo da perícia grafotécnica?
2 Explique, de forma resumida, em que consistem as esquírolas.
3 Com relação à assertiva: “o grafismo individual é inconfundível”, podemos 
afirmar que faz referência à: 
a) ( ) Primeira Lei do Grafismo.
b) ( ) Segunda Lei do Grafismo. 
c) ( ) Terceira Lei do Grafismo.
d) ( ) Quarta Lei do Grafismo.
e) ( ) Princípio Fundamental do Grafismo.
AUTOATIVIDADE
52
53
TÓPICO 3
ANÁLISE DAS ESCRITAS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A análise da escrita e de assinaturas, ou firmas, é imprescindível quando 
houver dúvidas acerca de sua veracidade e autoria. Para tanto, se faz necessário 
conhecer as técnicas utilizadas pelos profissionais nos exames periciais.
Através de exames minuciosos, somados a aplicação de métodos peculiares da 
grafoscopia é possível indentificar fraudes em grafias de documentos questionados.
Dentre as falsifiçãos e alte rações de escrita, algumas merecem destaque 
em razão de sua maior incidência na seara pericial, por exemplo, as falsicações de 
firmas ou assinaturas.
Isso posto, objetivamos abordar de uma forma dinâmica e clara as 
principais características das apreciações periciais em análises de escrita cursiva, 
sincopada e algarismos, com uma breve explanação sobre a elaboração dos laudos 
periciais resultantes de tais exames.
2 TIPOLOGIA
Na grafoscopia são constatadas diferentes variações de falsificação de 
escrita ou assinaturas, e, de acordo com a técnica, qualidade e esperiência do 
falsificador, podem ser de difícil constatação, até mesmo em um exame pericial.
As fraudes documentais em escritas ocorrem indevidamente, durante ou 
após a escrita, e são classificadas de acordo com o procedimento utilizado pelo 
falsário (GOMIDE; GOMIDE, 2000).
Antes de prosseguirmos, é importante expor as principais formas de falsificações 
em escritas. A seguir, reunimos algumas contrafações que se destacam:
• Falsificação sem imitação.
• Falsificação de memória.
• Falsificação exercitada.
• Decalques.
• Imitação servil.
• Assinaturas a mão guiada.
• Autofalsificação.
• Simulação de falso.
• Negativa de autenticidade. 
54
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
Apresentaremos as particularidades de cada espécie, de forma resumida 
e suficiente para difierenciá-las umas das outras. 
• Falsificação	sem	imitação: essa forma de falsificação é prontamente identificada 
em uma análise. Falat e Rebello Filho (2003) ensinam que, nesse tipo de 
falsificação, o falsário só possui o nome da vítima contido no documento, sem 
um padrão de assinatura para se basear. De tal forma que, desconhecendo 
os padrões gráficos da vítima, o falsificador escreve o nome do proprietário do 
documento com o seu próprio grafismo. Essa falsificação sem imitação ocorre 
nos casos em que a vítima perdeu ou teve seu talão de cheques furtado.
• Falsificação	 de	 memória: a falsificação de memória é aquela em que o 
falsário memoriza determinada escrita ou assinatura autêntica de sua vítima, 
procurando reproduzi-la sem os padrões gráficos no momento da falsificação. 
No entanto, a memória só guardará os aspectos gerais do grafismo, gestos 
mais aparentes, como as letras iniciais e traços ornamentais que arrematam as 
assinaturas, mas não o conjunto todo (MENDES, 2010).
Em uma análise, é possível visualizar as divergências entre a falsificação e 
o padrão original. Vejamos, na figura a seguir, a comparação de escritas:
FIGURA 38 – FALSIFICAÇÃO DE MEMÓRIA
FONTE: Adaptado de Gomide e Gomide (2000)
• Imitação Servil: a imitação servil é a falsificação realizada com o modelo à 
vista, mediante cópia de um padrão disponível. Durante a cópia o falsário é 
sujeito a pausar sua escrita para olhar o modelo novamente, o que resulta em 
paradas no traçado (FALAT; REBELLO FILHO 2003).
O falsificador experiente pode fazer uma cópia da escrita com qualidade. 
No entanto, o estudo da gênese realizado no estudo grafotécnico poderá identificar 
traços contraditórios que denotem a incompatibilidade gráfica. 
TÓPICO 3 | ANÁLISE DAS ESCRITAS
55
FIGURA 39 – IMITAÇÃO SERVIL
FONTE: Adaptado de Gomide e Gomide (2000)
• Falsificação	exercitada: a falsificação exercitada é aquela decorrente de muito 
treino, a ponto de reprodução de uma escrita sem a necessidade de visualização 
de um modelo. O resultado final é uma escrita com aspecto formal compatível 
com o modelo, sem apresentar traçado moroso e pressão excessiva da caneta 
(SILVA, 2013). Embora bem parecidas, no exame grafoscópico é possível 
identificar as incongruências nos dados gráficos encontrados no modelo 
original e na falsificação, em especial nas características individuais do escritor 
original que não foram observadas pelo falsário. 
• Decalque: D’Almeida, Koga e Granja (2015) ensinam que o decalque pode ser 
direito, quando a fraude é realizada por transparência diretamente no papel, 
sem qualquer esboço prévio. De modo diverso, o decalque indireto ocorre 
quando a fraude é realizada indiretamente, através de debuxo feito à ponta 
seca por carbono, transferindo o traçado da assinatura ao documento para 
depois recobrir o debuxo o com o instrumento escrevente. Observa Silva (2013) 
que, nesse tipo de falsificação, a boa semelhança formal com o modelo, não 
esconde o traçado lento, os trêmulos, a parada do instrumento escrevente e a 
gênese conflitante. Acrescenta que o atrativo desse método para os falsários é 
que, uma vez provada a falsificação, não é possível determinar a autoria.
FIGURA 40 – DECALQUE
FONTE: Adaptado de Gomide e Gomide (2000)
56
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
Expostas as caracteríticas essências das falsificações de escrita nos 
tipos selecionados, estudaremos, na sequência, as falsificações direcionadas às 
assinaturas ou firmas, como assinatura a mão guiada, autofalsificação, simulação 
do falso e negativa de autenticidade.
3 FALSIFICAÇÃO DE FIRMAS
As assinaturas podem sofrer ações fraudulentas, e quando quantionadas 
em documentos devem ser cuidadodamente analisada pelos peritos para constatar 
a falsificação ou atenticidade.
Falsificaçõesde assinaturas são muito frequêntes e podem acarretar 
graves consequências para a vítima, além de incorrer em delito previsto no artigo 
300, do Código Penal, quem reconhecer, como verdadeira, no exercício de função 
pública, firma ou letra que o não seja.
Esse tipo de falsificação é comum em contratos de empréstimos, 
financiamentos bancários, procuração, cheques, entre outros documentos. São 
feitas análises na documentação questionada e realizadas comparações com 
vários tipos de peças padrão.
O perito avalia assinatura de documentos manuscritos para saber se 
realmente são autênticos ou se sofrem algum tipo de alteração, o objetivo é 
confirmar ou descartar a autoria de uma assinatura. 
Relativamente às assinaturas, as amostras recolhidas visando subsequente 
perícia, devem conter um mínimo de 20 assinaturas intercaladas num texto, devendo estas 
estar apostas no mesmo formato, dimensão e espaço disponível ao do documento em 
causa, como cheques, letras, recibos, entre outros, tornando-se de igual forma fundamental 
aos especialistas socorrerem-se dos documentos de identificação da vítima e dos suspeitos 
do crime (FERREIRA, 2003).
IMPORTANT
E
No âmbito pericial ocupam lugar de destaque, as falsificações volvidas 
em alterar assinaturas ou firmas. Essas são objeto de exames técnicos, além da 
conferência por análise do aspecto formal do manuscrito. Em meio as falsificações 
de firmas podemos destacar:
TÓPICO 3 | ANÁLISE DAS ESCRITAS
57
• Assinatura	à	mão	guiada: a escrita à mão guiada ocorre quando duas pessoas 
praticam, conjuntamente, a mesma assinatura. Nessa escrita temos uma 
pessoa como guia, sendo a outra guiada. A peculiaridade que diferencia essa 
modalidade das demais é o fato de ela poder ou não ser realizada de má-
fé, ressalvando que, independentemente disso, sempre será tida como uma 
falsificação. Nessa assinatura, a mão pode ser guiada a pedido do escritor, que 
incapacitado de escrever sozinho, pede auxílio a um terceiro, apresentado dessa 
forma, algumas confusões nos gestos gráficos. De outra forma, a mão pode ser 
guiada a força. Nessa situação serão entrados traços totalmente desconexos.
• Autofalsificação: de acordo com Gomide e Gomide (2000), a autofalsificação 
consiste na introdução de disfarces no lançamento da própria assinatura. 
Esclarece Mendes (2010) que, o falsário lança a sua assinatura com algumas 
modificações, reduzindo a velocidade do lançamento, alterando o calibre das 
letras, deformando alguns caracteres, mudando a direção da inclinação axial e 
introduzindo trêmulos, para no futuro acusar essa assinatura de falsa.
• Simulação de falso: ocorre quando o falsário lança a sua assinatura para depois 
acrescentar vícios, como, emendas, tremores, retoques, e assim, no futuro, questionar 
a autenticidade do documento. Dessa forma, ao analisar essa assinatura fica evidente 
a semelhança das características gráficas produzidas por impulsos cerebrais, ou seja, 
os elementos de natureza genética (MONTEIRO, 2008).
• Negativa de autenticidade: na negativa, o escritor assina um documento e 
depois alega falsidade para fugir de alguma responsabilidade. Ao examinar 
a assinatura será encontrada total semelhança nos elementos formais e nos 
elementos de natureza genética (MENDES, 2010).
 
D’Almeida, Koga e Granja (2015) ressaltam que são consideradas 
autênticas as assinaturas no caso de negativa de autenticidade, em que a pessoa 
nega a própria assinatura, bem como no caso de autofalsificação, quando a pessoa 
lança a sua assinatura com disfarce, ou quando ocorre a simulação de falso, em 
que a pessoa modifica a própria assinatura por meio de retoques. 
4 ANÁLISE DE ESCRITAS CURSIVAS E SINCOPADAS
Já apresentamos em nosso estudo as escritas cursivas, bem como estudamos 
as características de sua construção, com início no ataque e final no remate. Nesse 
sentido, D’Almeida, Koga e Granja (2015) abordam que, ao periciar a grafia, o perito 
deve, principalmente, atentar-se à formação dos pontos de ataques e remates dos 
traços, aos efeitos dos traços ornamentais, às construções das letras maiúsculas e 
minúsculas, às construções das letras que possuem formato em lançadas (como: “l”, 
“g”) ou em hastes (como: “h”, “t”), às ligações entre as letras, aos movimentos curvos 
ou de vai e vem reto, provocando acúmulo de tinta, e aos maneirismos, como, a forma 
de pingar a letra “i” , as alturas e posições das letras, os traços e pontos, a presenças 
de pontos finais, a angulação dos traços, entre outros.
58
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
Da mesma forma, os elementos de natureza genética são de elevada 
importância para a análise da escrita, pois eles que estabelecem a conclusão da perícia, 
pela autenticidade ou falsidade gráfica. Esses elementos são formados por aspectos 
dinâmicos da escrita, e responsáveis pela forma durante a construção do traço, 
registrando elementos específicos de cada punho escrito, com suas características 
gráficas produzidas por impulsos cerebrais (D’ALMEIDA; KOGA; GRANJA, 2015).
Gomide e Gomide (2000) destacam que os requisitos que considera 
respeitáveis nos padrões de confronto, entre eles a autenticidade, como requisito 
essencial para o exame, a adequabilidade, como a qualidade do papel e a 
utilização do mesmo instrumento escrevente, a contemporaneidade, procurando 
não exceder o prazo de dois anos da peça questionada, e a quantidade, quanto 
maior o número de padrões melhor para a perícia.
No campo da Escrita Manual, o trabalho desenvolvido no Laboratório de Polícia 
Científica centra-se essencialmente na comparação de caracteres manuscritos; mormente 
entre aqueles que se encontram apostos em documentos cuja autenticidade é posta em 
causa e os colhidos pelos investigadores aos suspeitos do ilícito penal, obedecendo esta 
colheita de autógrafos a regras precisas, no que concernente à extensão, nunca deve ser 
inferior a três folhas ditadas. Quanto à velocidade de escrita, observa-se a modalidade 
lenta, normal e rápida. A dimensão e características do papel usado devem ser idênticas 
à do documento periciado. Considera-se o instrumento de escrita como, esferográfica, 
marcador ou lápis, cujas características se pretendem o mais possível aproximada às 
achadas no documento supostamente falso, evitando-se dessa forma, uma inadvertida 
inclusão de variáveis parasitas, promotoras de uma inconsistente perícia (FISHER, 2004).
IMPORTANT
E
Nesse momento, é importante apresentar alguns indicativos de falta de 
autenticidade. Vejamos na imagem seguinte:
TÓPICO 3 | ANÁLISE DAS ESCRITAS
59
FIGURA 41 – SINAIS DE INAUTENTICIDADE 
FONTE: Adaptado de Sétimo (2014)
Sétimo (2014) observa que a análise geral do grafismo se divide em duas 
etapas, denominada de método sinalético e método grafocinético. Vejamos de 
forma detalhada:
• O método sinalético corresponde aos procedimentos iniciais adotados em todos os 
exames. Nessa etapa, são analisadas as qualidades gerais dos escritos questionados 
e dos padrões, no qual, após serem identificadas as características de cada um, pode-
se destacar aquelas que individualizam determinado punho escritor.
• O método grafocinético considera a observação por comparação, utiliza 
conhecimentos e técnicas na análise do movimento, aspectos da dinâmica e da 
gênese da escrita
Podemos concluir que inexiste falsificação perfeita, haja visto que a escrita 
corrensponde a um gesto individual de cada indivíduo. Nesses termos, mesmo que 
o falsificador tente reproduzir a grafia de outrem, sempre deixará sinais gráficos do 
próprio punho, passíveis de identificação no exame pericial. Resta esclarecer que a 
grafoscopia objetiva identificar a autenticidade e o verdadeiro autor de um escrito, seja 
num texto completo, em uma assinatura ou em apenas uma rubrica.
5 ANÁLISE DE ALGARISMOS
Abordaremos, agora, a análise das principais caracterísitcas dos traços 
que constituem os algarismos. Considerando o sentido das elaboração de cada 
número, é certo que cada pessoa possui abundantes peculiaridades em suaescrita, que as individualizam e permitem diferenciá-las.
De forma objetiva, serão apresentados os elementos discriminadores 
utilizados pelos peritos nos exames de algarismos, para a definição do método de 
construção da escrita.
60
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
De acordo com Feuerharmel (2016), os algarismos podem ter seus métodos de 
construção determinados pela análise de seus respectivos ataques, arremates, sentidos 
de produção dos traços e, eventualmente, levantamentos de caneta internos.
Podemos figurar os métodos de construção considerando o sentido de 
produção do traço principal de cada algarismo. 
FIGURA 42 – EXEMPLOS DE CONSTRUÇÃO DE ALGARISMOS
FONTE: Adaptado de Feuerharmel (2016)
Observa Feuerharmel (2016) que, nos algarismos “4”, “5” e “7”, foi pertinente 
considerar casos especiais de levantamentos de caneta internos, os quais eram pouco 
perceptíveis e implicavam mudanças significativas na gênese gráfica.
Acrescenta o mesmo autor que o algarismo “8” estabeleceu uma exceção, 
pois nele também se ponderaram alguns hábitos gráficos relacionados com a 
posição dos ataques e a morfologia predominante em cada escrita, bem como a 
forma de escrita contínua ou não.
Observem na imagem seguinte as possibilidades de construção, 
considerando o ataque na construção da escrita: 
FIGURA 43 – CONSTRUÇÃO DO ALGARISMO 8
FONTE: Adaptado de Feuerharmel (2016)
Podemos notar em algumas construções de algarimos sutis levantamentos 
de caneta, que nem sempre são identificados, daí a importância de se investigar 
outras variantes, como o snetido de traços e posição de ataque.
 
TÓPICO 3 | ANÁLISE DAS ESCRITAS
61
Nesse sentido, o algarismo “4” mostrou-se um dos mais variáveis e, 
portanto, mais úteis para a distinção ou identificação de autorias gráficas, inclusive 
quanto ao número de possíveis variantes em seu método de construção. Da 
mesma forma, o algarismo “7” também se revelou variável, sendo identificados 
quatro métodos de construção diferentes do usual, os merecendo menção o 
fato de alguns escritores produzirem o corte desse algarismo da direita para a 
esquerda (FEUERHARMEL, 2016).
Do exposto infere-se que, para a verificação de algarismos no campo 
pericial, é utilizado processos similares de extração de características da escrita já 
explanadas, somadas aos conhecimentos dos peritos e sua experiência.
Aprofunde seus conhecimentos fazendo a leitura da obra de Silva e Feuerharmel, 
intitulada Documentoscopia – aspectos científicos, técnicos e jurídicos.
DICAS
6 EXAMES GRAFOTÉCNICOS EM CÓPIAS
A perícia em escritas também pode analisar cópias de documentos onde não 
haja o original; levando em consideração o estado da cópia e possíveis alterações. 
Nesse contexto, a análise reprográfica consiste basicamente em identificar se a 
reprografia é cópia fiel do documento original ou se houve alguma adulteração, 
sendo utilizada sempre que impossibilitado o acesso ao documento original.
Tem como objetivo a identificação de sinais de adulteração, que podem ser 
perceptíveis em cópias, no entanto, como já estudado, o exame em documentos 
reprográficos é complexo, pois envolve a qualidade da cópia, e concernente ao 
exame grafotécnico, está direcionado ao confronto dos aspectos formais, há visto 
o prejuízo dos aspectos subjetivos.
Importante listar algumas características que devem ser consideradas no exame 
grafotécnico realizado em copias reprográficas. Vejamos na imagem seguinte:
62
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
FIGURA 44 – PARTICULARIDADES DE EXAMES EM CÓPIAS
FONTE: Adaptado de <https://www.grafoexame.com.br/2014/02/exame-documental-em-
reprografias/>. Acesso em: 20 maio 2020. 
7 ELABORAÇÃO DE LAUDOS
Antes de compreendermos como se dá a elaboração do laudo pericial, é 
fundamental apresentarmos seu conceito, de forma simples, mas abrangente.
Ribeiro (2012) ensina que o laudo se trata do relato do técnico-científico 
elaborado por especialista designado para avaliar determinada situação que 
estava dentro de seus conhecimentos, consistindo nas impressões captadas por 
ele, a respeito da ocorrência examinada.
A elaboração de laudos de grafoscopia é embasada na análise comparativa do 
documento questionado com o padrão adequadamente escolhido. Essa análise consiste 
em exames individuais e conjuntos, de todos os documentos periciados, para a apuração 
das convergências e divergências gráficas, que, devidamente interpretadas, fornecem 
os subsídios necessários sobre a autenticidade, autoria e origem do documento.
Por se tratar de uma peça técnica, o laudo não possui uma forma 
determinada ou regulamentada, no entanto, deve observar alguns arquétipos. 
Vejamos de forma esquematizada alguns tópicos relevantes em sua elaboração:
TÓPICO 3 | ANÁLISE DAS ESCRITAS
63
• Descrição técnica da peça de exame.
• Indicação do objetivo da perícia.
• Descrição dos paradigmas.
• Data da diligência.
• Descrição da metodologia e marcha de trabalhos.
• Conclusão ou resposta aos quesitos.
• Fundamentação.
• Relatório com as ilustrações. 
FONTE: <http://ibape-nacional.com.br/biblioteca/wp-content/uploads/2013/06/norma-de-
grafoscopia-logo-novo.pdf>. 
Acesso em: 20 maio 2020. 
O perito grafotécnico demonstra com clareza os detalhes do exame 
realizado na perícia grafotécnica, identificando auto falsificação, enxertos, 
montagens e outras rasuras que possam demonstrar falsidade em um documento 
com convicção e fundamentação. É importante ressaltar que os procedimentos 
técnicos para a colheita de padrões gráficos devem adotar critérios que possibilitem 
um parecer técnico conclusivo. 
64
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
LEITURA COMPLEMENTAR
TREINAMENTO EM GRAFODOCUMENTOSCOPIA
Aureluz Sétimo
Estudo dirigido
OBSERVAÇÃO DO GRAFISMO
As assinaturas apresentadas devem ser analisadas inicialmente de forma 
isolada, para que conheçamos os pontos importantes de cada uma, motivo e 
padrão. Após conhecermos as particularidades de ambas, estaremos aptos a 
realizar um confronto e verificar os seus pontos convergentes ou divergentes. 
Uma análise muito rápida nos apresenta somente o aspecto formal dos 
grafismos, ou seja, as imagens gráficas. Isto pode nos induzir a acreditar que as 
assinaturas confrontadas sejam provenientes de um mesmo punho.
Porém, um trabalho criteriosamente investigativo, sob a luz dos 
conhecimentos da grafoscopia adquiridos, começam a nos mostrar que essas 
assinaturas apresentam divergências consideráveis. 
Iniciemos, então, uma análise de forma criteriosa. Observemos o motivo e 
o padrão e acompanhemos as anotações que se seguem. 
Passemos aos procedimentos de confronto, método grafocinético, para 
examinar e descrever todas as particularidades, convergentes ou divergentes, 
entre o motivo e o padrão. 
TÓPICO 1 | DOCUMENTOSCOPIA
65
CONFRONTO DIRETO ENTRE A PEÇAS
 
A análise de ambos os grafismos em confronto resultou nos assinalamentos 
de pontos localizados, onde se apresentam divergências importantes.
RELATÓRIO DOS EXAMES 
Aspectos localizados, indicados pelas setas:
1- O grama inicial em forma de guirlanda apresenta flutuação, é descendente, 
quando deveria ser apoiado, ou seja, executado sobre a linha de pauta.
2- Espaço intergramatical grafado em tamanho maior, exagerado.
3- Formação angular, quando o padrão apresenta formação curvilínea.
4- Finalização desvanecente, divergente do padrão, que apresenta finalização 
em gancho. A finalização é curva, quando deveria ser longa.
5- Espaço interliteral, inexistente no padrão.
6- O ataque do “a” foi realizado fora do movimento circular, enquanto o padrão 
mostra ataque por dentro, e em calibre maior, no sentido dextroascendente.
7- Indecisão no direcionamento do traço.
8- Finalização desvanecente, divergente do padrão, que apresenta finalização 
em gancho.
9- Pequena laçada com a primeira perna incompleta, comprometendo a forma 
do caractere “e”.
10- Grafia do caractere “d” em dois momentos gráficos, comprometendo a gênese.
11- Grafia de curva fechada, quando o padrão apresenta curva aberta no traçode saída.
12- Grafia do mínimo gráfico em semicírculo quando deveria ser em reta.
13- Fechamento do grama circular, inexistente na grafia do caractere do padrão. 
14- Grafia do caractere “s” sem imitação do padrão.
15- Grafia do mínimo gráfico, inexistente no padrão.
66
UNIDADE 1 | DOCUMENTOSCOPIA
ASPECTOS GERAIS DOS GRAFISMOS
A assinatura questionada mostra inclinação para a esquerda, em relação ao eixo 
axial, quando deveria ser escrita vertical, como mostra a reta acrescentada ao padrão, 
linha mediana. Os traços sinistroascendentes nas grafias das laçadas apresentam menor 
pressão de punho em relação as grafias dos traços dextrodescendentes. O padrão 
mostra pressão de punho constante em todo o grafismo.
CONCLUSÃO
As análises grafotécnicas realizadas nesse estudo dirigido mostraram 17 
divergências entre os grafismos apresentados para confronto. Os pontos estudados, 
pela quantidade e importância das anotações. Nos oferece segurança em afirmar 
que os grafismos não são de uma mesma lavra, ou seja, são provenientes de 
punhos distintos. A assinatura questionada, o motivo, é falsa em vista do padrão 
apresentado para confronto.
FONTE: SÉTIMO, A. Formação em Grafoscopia. Treinamentos em Grafodocumentoscopia. Rio 
de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional/Ministério da Cultura, 2014.
67
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• Aplica-se a análise da escrita e de assinaturas ou firmas, quando forem 
questionadas suas autenticidades e autoria.
• Na escrita são encontradas diferentes fraudes, com adoção de procedimentos 
distintos pelos falsários, que podem realizadas durante ou após a construção 
do grafismo.
• Na análise das escritas cursivas, os peritos apreciam em especial, as 
características da construção, bem como os elementos de natureza genética, 
observando sempre os padrões de confronto devidamente colhidos.
• Os algarismos também possuem elementos discriminadores, o que possibilita 
identificar seu método construtivo, tal como o sentido da produção dos seus 
traços, subsídios decisivos para a análise pericial. 
• É possível a realização de exames grafotécnicos em cópias reprográficas, 
para se constatar se a reprografia é cópia fiel do documento original, ou se 
houve adulteração.
• O laudo pericial é uma peça técnica conclusiva, elaborado por especialistas e 
embasado na análise comparativa do documento questionado com o padrão 
selecionado. Possui a finalidade de determinar a autenticidade, autoria e 
origem da escrita. 
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
68
1 Pelo que você estudou, liste os requisitos considerados importantes nos 
padrões de confronto.
2 As falsificações de escrita podem ser feitas de diferentes formas. De forma 
sucinta, explique como podem ser realizadas.
3 A análise geral do grafismo se divide em duas etapas, denominadas de métodos:
a) ( ) Indutivo e dedutivo.
b) ( ) Sinalético e grafocinético.
c) ( ) Sinalético e indutivo.
d) ( ) Grafocinético e dedutivo.
e) ( ) Sinalético e dedutivo.
AUTOATIVIDADE
69
UNIDADE 2
BALÍSTICA FORENSE
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender o conceito de Balística como campo específico do conheci-
mento, acerca das armas de fogo, das munições e dos fenômenos e efeitos 
dos disparos dessas armas, com a finalidade de esclarecer os elementos e 
as questões de interesse judicial; 
• identificar os diferentes tipos de armas de fogo e projéteis a partir dos 
critérios técnicos-científicos intrínsecos às armas de fogo e às munições;
• compreender o procedimento pericial no projétil das armas de fogo cha-
mado Confronto Microbalístico, como relevante para determinar a arma 
utilizada para o cometimento de um delito. 
• identificar os procedimentos adequados para a realização do exame resi-
dual dos materiais expelidos pela arma de fogo no momento do disparo, 
podendo compreender a importância de tal perícia para a identificação 
do autor de um delito com uso de arma de fogo.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – BALÍSTICA, ARMAS DE FOGO E PORTE DE ARMAS
TÓPICO 2 – CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO, MUNIÇÃO 
E FERIMENTOS PRODUZIDOS POR ARMAS DE FOGO
TÓPICO 3 – PRÁTICAS PERICIAIS EM BALÍSTICA FORENSE 
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
70
71
TÓPICO 1
BALÍSTICA, ARMAS DE FOGO E PORTE DE ARMAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Diariamente, temos notícias sobre crimes que envolvem o uso de armas de 
fogo. Lamentavelmente, o Brasil é um país que possui altos índices de homicídios 
causados por arma de fogo e, portanto, é tarefa diária da Polícia Judiciária 
a investigação desse tipo de crime, a fim de fornecer elementos para que seja 
possível a punição dos autores de crimes. No campo da justiça criminal há a 
imperiosa necessidade de busca da verdade real a fim de não serem cometidas 
injustiças evitando que não seja preso um inocente nem tampouco permaneça 
impune um culpado. 
 
Desde tal pressuposto não é difícil perceber a importância das provas 
periciais e, particularmente, as obtidas pelos peritos em Balística Forense. Tal 
trabalho, além de relevante, exige conhecimento altamente especializado e 
técnico e tem por objetivo examinar e periciar os artefatos balísticos supostamente 
utilizados em infrações penais, auxiliando, assim, com o fornecimento de 
elementos probatórios para a formação da convicção do órgão julgador. 
Neste tópico inicial, buscando fornecer um conhecimento adequado à 
formação de profissionais e interessados na área, se estudará os elementos básicos 
acerca da Balística Forense. Se iniciará com a discussão acerca dos conceitos de 
Balística Forense e de Arma de Fogo, chamando-se a atenção para os elementos 
relevantes para nosso campo de estudo. 
 
Ao final, faremos uma breve análise da previsão legal que diz respeito 
ao uso, porte e posse de armas de fogo no Brasil a fim de serem esclarecidos os 
requisitos necessários para conhecer os efeitos jurídicos das condutas delituosas 
envolvendo armas de fogo. 
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
72
O ponto de partida de nosso estudo é o conceito de Balística Forense, que é 
definida como a disciplina que estuda basicamente as armas de fogo, as munições, os 
fenômenos e efeitos dos disparos destas armas, com a finalidade de esclarecer elementos 
e questões de interesse judicial. O pioneirismo na pesquisa balística é relacionado ao 
Coronel Calvin Hooker Goddart (1891-1955), nascido em Baltimore, Marylad (EUA), 
quando, no ano de 1835, na Inglaterra, retira um projétil de um cadáver e identificou 
manualmente um defeito no projétil que na época era feito manualmente em moldes 
próprios (coquilhas). Conseguiu encontrar o molde utilizado com um defeito 
semelhante e conseguiu identificar o autor do homicídio. Desde então, houve avanço 
técnico tanto em relação à tecnologia e meios de análise dos dados periciais como nas 
armas de fogo e munições. 
Ainda há a Balística Criminal, que é disciplina que integra a Criminalística, 
cujo objeto de estudo são as armas de fogo e sua munição bem como os efeitos 
dos tiros por elas produzidos, quando houver relação direta ou indireta com 
infrações penais, com o objetivo de esclarecer e provar sua ocorrência.
Especificamente, no campo militar, há a Balística Militar ou Especial que 
tem como objeto de estudo as armas de guerra, que, como veremos brevemente 
mais adiante, é restrita aos que se dedicam à área de militar.
 
Considerando o objetivo de nosso curso, vamos nos ater a Balística 
Forense por ser este o estudo balístico que mais exige cotidianamente o trabalho 
dos peritosuma vez que no Brasil os homicídios são praticados em geral com o 
uso de armas de fogo. Observe a Figura 1 e verá o crescimento do uso de armas 
de fogo na prática de homicídios no Brasil.
2 BALÍSTICA FORENSE 
Você poderá acompanhar os dados divulgados anualmente pelo IPEA (Instituto 
de Pesquisa Econômica Aplicada pelo site:
https://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=34784&Itemid=432.
 Anualmente, é publicada pesquisa acerca da violência no Brasil através do “Atlas da 
Violência”. Através do site você terá oportunidade de obter inúmeras informações acerca do 
fenômeno da violência no Brasil, podendo constatar o uso de armas de fogo para a prática 
de crimes ao longo dos anos.
INTERESSA
NTE
TÓPICO 1 | BALÍSTICA, ARMAS DE FOGO E PORTE DE ARMAS
73
FIGURA 1 – HOMICÍDIOS NO BRASIL POR ARMAS DE FOGO
FONTE: <https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/download/12/atlas-2019>. Acesso em: 4 jun. 2020.
Não é difícil perceber a relevância do estudo da Balística Forense para o 
cotidiano do trabalho forense no enfrentamento da violência no Brasil, uma vez que, 
em relação aos outros meios responsáveis pela morte violenta, armas brancas e objetos 
contundentes, o uso de armas de fogo é, disparadamente, o meio mais utilizado. 
O estudo da Balística Forense divide-se em Balística Interna, Balística 
Externa, Balística Médico-Legal (ou de efeito) e Balística Final (ou subsequente). 
• Balística Interna, ou interior, que é a parte da Balística que estuda os fenômenos 
que se dão no interior de uma arma de fogo até que se produza o tiro. Tem como 
objeto de investigação a estrutura, mecanismos e funcionamento das armas de 
fogo, o tipo de metal utilizado para sua fabricação, sua resistência às pressões 
sofridas no momento do disparo do tiro, bem como a técnica utilizada. 
• A Balística Externa, ou exterior, tem como objeto o estudo que ocorre com o 
projétil em sua trajetória pelo meio externo, desde a saída da boca do cano 
da arma até sua parada final, seu repouso. Investiga durante a trajetória a 
ação de resistência do ar, da ação da gravidade e condições meteorológicas 
ou climática, umidade do ar, densidade, índice pluviométrico etc. até chegar 
ao alvo humano. Portanto, investiga as condições de movimento, velocidade 
inicial do projétil, forma, massa superfície, resistência do ar, ação da gravidade 
e seus movimentos intrínsecos.
• Balística dos Efeitos, ou balística médico legal, tem como objeto de investigação 
os efeitos produzidos pelo projétil ao atingir o alvo humano, podendo ser 
transfixantes ou não. 
• Balística Final ou subsequente preocupa-se com tudo que ocorre com o projétil 
após transfixar o alvo humano até a imobilização sua final. Evidente que após 
transfixar o interior do alvo humano e transfixá-lo, o projétil se desentabiliza 
por perder a energia cinética, devido ao contato com os tecidos corporais 
podendo deformar-se como consequência do “encontro” com estruturas rígidas 
do corpo humano, como ossos, ou sofrer resistência do ar, ação da gravidade, 
condições climáticas etc. 
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
74
"A Termodinâmica estuda os processos de transformação da energia calorífica 
em energia cinética. No caso das armas de fogo, a carga de lançamento é constituída de 
uma quantidade de explosivo sob a forma de pólvora contida no cartucho, que inflamada 
pela ação da mistura iniciadora queima rapidamente, emitindo gases que se expandem 
devido ao calor gerado; surge então uma elevada pressão; o trabalho mecânico produzido 
empurra o projétil em direção à boca do cano, o qual adquire rapidamente velocidade" 
(ALMEIDA JÚNIOR, 2017, p. 13).
NOTA
FIGURA 2 – BALÍSTICA FORENSE
Balística 
Interna
Balística 
externa
Balística 
Médico-legal
Balística 
Subsequente
FONTE: <http://twixar.me/T1mm>. Acesso em: 4 jun. 2020.
Observe que a Balística Forense é um estudo complexo e exige habilidades 
e conhecimento específico e, em geral, feito com urgência para que não sejam 
perdidos os vestígios do suposto crime. Em síntese, pode-se dizer que a Balística é 
um campo específico de conhecimento que possui métodos e técnicas específicas 
e tem como principais campos de estudo: 
1- A caracterização das armas de fogo: tem por objetivo determinar as 
características e diferenças entre as diferentes armas de fogo e seus mecanismos 
de funcionamento, de forma a permitir a classificação de uma determinada 
arma e verificar se esta foi ou não adulterada em relação às características 
balísticas originais.
2- Identificação	 das	 armas	 de	 fogo: especificando a identificação imediata 
definida pelas características do armamento e a identificação mediata 
quando se define e se compara os vestígios impressos pelo armamento em 
seus elementos de munição, tal como os confrontos microbalísticos que mais 
adiante será estudado.
TÓPICO 1 | BALÍSTICA, ARMAS DE FOGO E PORTE DE ARMAS
75
3- Verificação	 de	 eficiência	 de	 armas	 de	 fogo: consiste na verificação das 
propriedades balísticas de um determinado armamento e de sua capacidade 
de efetuar ou não um disparo. Caso a arma esteja apta a efetuar disparos, 
verifica-se os possíveis efeitos dos disparos e relaciona-se tais efeitos com 
dados constatados na investigação do caso em questão.
4- Regeneração	de	elementos	identificadores: cujo objetivo é a determinação da 
marca, modelo, procedência e número de série de armamentos verificando-se 
se estes identificadores foram ou não removidos ou adulterados.
5- Exames em munições e seus elementos: com a finalidade de determinar o 
calibre, procedência, eficiência, energia e outras características de munições e 
seus elementos, pertinentes às investigações.
6- Efeitos de impactos de projéteis em diferentes alvos: a determinação dos 
diferenciais entre perfurações efetuadas por projéteis, e por outros objetos 
perfuro contundentes. Resistência de diferentes materiais a penetração de 
projéteis e diferenciação entre orifícios de entrada e saída de projéteis. 
Como você já deve ter concluído, caberá ao perito em balística verificar 
se houve ou não uma infração penal identificando a arma, caracteres do registro 
e possíveis adulterações feitas. É o perito que realiza os exames detalhados 
nas armas, munições e todas as provas necessárias a fim de evidenciar provas 
materiais de possível delito. É a partir do trabalho do perito que se pode absolver 
ou condenar alguém e, em não raras vezes, a conclusão de uma investigação 
depende do trabalho do perito em Balística. 
É o perito que recolhe que irá pesquisar e colher todos os vestígios e dados 
existentes na cena de um crime a fim de avaliar cientificamente a relação do 
periciado com o crime ocorrido. Seu trabalho é autenticar cientifica e tecnicamente 
todo material que será utilizado como prova indiciária. 
FIGURA 3 – PERITO COLHENDO PROVAS NO FAMOSO CASO MARIELLE FRANCO
FONTE: <https://ogimg.infoglobo.com.br/in/23602504-a75-5d4/FT1086A/652/xmarielle.png.
pagespeed.ic.he2C5v98gw.jpg>. Acesso em: 4 jun. 2020.
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
76
Veja a importância do trabalho do perito em Balística. O caso Marielle Franco 
ganhou notoriedade nacional e internacional quando a vereadora e seu motorista, 
Anderson Gomes, foram assassinados em uma emboscada na cidade do Rio de 
Janeiro no dia 14 de março de 2018. Nesse caso a perícia esclareceu: a origem dos 
projéteis, as armas utilizadas, origem das armas e trajetória dos disparos. 
A polícia encontrou no local ao menos oito cápsulas de projéteis de 
calibre 9 mm. Esse é o tipo mais comum de munição usado em submetralhadoras 
no Brasil. A polícia descobriu que os projéteis haviam sido roubados de um lote 
produzido no país, que se destinaria à Polícia Federal. Inicialmente, a polícia 
analisou a possibilidade de os tiros terem sido disparados de uma pistola, mas 
a hipótese foi descartada. A munição de calibre 9 mm pode ser usada tanto 
em pistolas como em submetralhadoras. Porém, quando é disparada de uma 
submetralhadora seu poder destrutivo é maior– assim como a cadência de 
tiros. A fonte da Polícia Civil afirmou que há indícios de que a submetralhadora 
usada foi uma HK MP5, arma desenvolvida na Alemanha na década de 1960. 
Essa submetralhadora é usada em dezenas de países, tem diversas variações 
de modelos e é considerada muito comum. No Brasil, ela é usada por forças de 
segurança (polícias militares e federal), colecionadores e pode ser adquirida 
ilegalmente no mercado negro. É uma arma usada geralmente em combates a 
curta distância.
FONTE: <https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/05/07/arma-usada-
no-assassinato-da-vereadora-marielle-foi-uma-submetralhadora-segundo-policiais.htm>. 
Acesso em: 4 jun. 2020. 
3 ARMAS DE FOGO 
Pode-se definir genericamente arma como todo o instrumento destinado 
ao ataque e à defesa. Em nosso estudo, consideraremos arma de fogo como todo 
aparato constituído de um conjunto de peças com finalidade de lançar um projétil 
no espaço pela força de propulsão (gases de pólvora). 
FIGURA 4 – ARMA DE FOGO
FONTE: <https://www.rscportal.com.br/uploads/images/2019/03/policia-e-acionada-para-
atender-ocorrencia-de-disparo-de-arma-de-fogo-1553179935.jpeg>. Acesso em: 4 jun. 2020.
TÓPICO 1 | BALÍSTICA, ARMAS DE FOGO E PORTE DE ARMAS
77
As armas de fogo podem ter um ou dois canos, abertos em uma das 
extremidades e parcialmente fechados na parte de trás. É na parte traseira onde 
é colocado o projétil que é lançado a distância graças a força expansiva dos gases 
produzidos pela combustão de determinada quantidade de pólvora. As armas 
de fogo são os meios mais utilizados para a prática de crimes dolosos, lesões 
corporais, homicídios e suicídios. 
FIGURA 5 – CARACTERÍSTICAS DA ARMA DE FOGO
FONTE: FONTE: <http://www.espen.pr.gov.br/arquivos/File/Apostila_Arma_Curta.pdf>. 
Acesso em: 4 jun. 2020.
Elementos essenciais de uma arma de fogo: 
• Aparato arremessador (arma propriamente dita): parte destinada a receber o 
projétil e sua respectiva carga de projeção, permitindo o uso imediato pelo 
atirador, a qualquer instante, mediante inflamação dessa carga. 
• Carga de projeção: composta por substância inflamável com a função é a 
produção de um grande volume de gases e permite dar velocidade ao projétil. 
• Projétil: é o que produz efeitos a depender de sua geometria, massa e velocidade. 
Importante observar que apenas considera-se uma arma de fogo como tal 
se os três elementos estiverem coexistindo ao mesmo tempo. Por exemplo, caso 
haver somente a arma sem projétil pode ser utilizada como objeto contundente, 
mas não uma arma de fogo. Conheça as partes de algumas armas de fogo: 
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
78
FIGURA 6 – REVÓLVER
FONTE: <http://www.pf.gov.br/servicos-pf/armas/cartilha-de-armamento-e-tiro.pdf>. 
Acesso em: 4 jun. 2020.
FIGURA 7 – PISTOLA
FONTE: <http://www.pf.gov.br/servicos-pf/armas/cartilha-de-armamento-e-tiro.pdf>. 
Acesso em: 4 jun. 2020.
TÓPICO 1 | BALÍSTICA, ARMAS DE FOGO E PORTE DE ARMAS
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FIGURA 8 – ESPINGARDA COMUM
FONTE: <http://www.pf.gov.br/servicos-pf/armas/cartilha-de-armamento-e-tiro.pdf>. 
Acesso em: 4 jun. 2020.
4 O PORTE DE ARMA DE FOGO NO BRASIL 
Com o advento da Lei no 10.826/2003, conhecida como Lei do Estatuto 
do Desarmamento, o controle sobre porte e uso de arma de fogo passou a ser 
extremamente controlado, uma vez que existe uma previsão legal que exige rigor 
burocrático para aquele que deseja adquirir a autorização para porte e uso de 
arma de fogo, colocando-se como questão relevante as exigências para a obtenção 
do porte de arma de fogo no Brasil.
A referida Lei define sobre o porte de armas de fogo em todo território 
brasileiro, incorporando e também modificando a lei reguladora anterior com 
vistas a estabelecer um controle satisfatório sobre armamento buscando-se evitar 
o uso ilegal e irresponsável de armas de fogo. 
A legislação anterior, a Lei nᵒ 9.437/97, continha disposição a respeito do 
trabalho do SINARM (Sistema Nacional de Armas), vinculado ao Ministério da 
Justiça no âmbito da Polícia Federal e com ampla atuação em todo o território 
nacional. Ainda a lei estabelece as condições para o registro e o porte de armas de 
fogo e os crimes que decorrem de sua desobediência.
De acordo com a Lei nᵒ 9.437/97, o SINARM consistia em uma forma de 
controle especializado das armas de fogo, com bancos de dados a respeito das 
armas de fogo e usuários no país, de acordo com o disposto em seu artigo 2ᵒ: 
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
80
I- identificar as características e a propriedade de armas de fogo, 
mediante cadastro; 
II- cadastrar as armas de fogo produzidas, importadas e vendidas no País; 
III- cadastrar as transferências de propriedade, extravio, roubo e 
outras ocorrências suscetíveis de alterar os dados cadastrais, 
inclusive as decorrentes de fechamento de empresas de segurança 
privada e de transporte de valores; 
IV- identificar as modificações que alterem as características ou 
funcionamento de arma de fogo; 
V- integrar no cadastro os acervos policiais já existentes;
VI- cadastrar as apreensões de armas de fogo, inclusive as vinculadas 
a procedimentos policiais e judiciais. (BRASIL, 1997, s.p.).
 
Observa-se que a Lei nᵒ 9.437/97 já trazia política pública de segurança 
com o objetivo de controlar as armas de fogo no país impondo seletividade a 
autorização para porte e uso de arma. 
A nova lei armamentista de 2003, em seu artigo 2ᵒ, não apenas manteve 
o SINARM como também traz maior abrangência de atuação, acrescentando 
cinco novas atribuições voltadas principalmente para os que atuam no comércio, 
manutenção e utilização de armas de fogo, reforçando a necessidade do controle 
da expedição de novas autorizações e da participação da Polícia Federal. 
III- cadastrar as autorizações de porte de arma de fogo e as 
renovações expedidas pela Polícia Federal; 
VIII- cadastrar os armeiros em atividade no País, bem como conceder 
licença para exercer a atividade; 
IX- cadastrar mediante registro os produtores, atacadistas, varejistas, 
exportadores e importadores autorizados de armas de fogo, 
acessórios e munições; 
X- cadastrar a identificação do cano da arma, as características 
das impressões de raiamento e de microestriamento de projétil 
disparado, conforme marcação e testes obrigatoriamente 
realizados pelo fabricante; 
XI- informar às Secretarias de Segurança Pública dos Estados e do 
Distrito Federal os registros e autorizações de porte de armas de 
fogo nos respectivos territórios, bem como o cadastro atualizado 
para consulta (BRASIL, 2003, s.p.).
 
A nova legislação impôs a necessidade de recadastramento de todos os 
proprietários de armas que não possuíam registro no SINARM, que, segundo 
Fonseca et al. (2006, p. 35), trouxe maior valorização ao órgão com o aumento de 
suas responsabilidades, inovando no sentido de impor aos comerciantes o dever 
de comunicar as características da arma vendida. 
Pelo atual ordenamento legal duas são as possibilidades para o cidadão 
comum, além das forças policiais e armadas, para requerer porte de arma: 
comprovação de real necessidade e ser caçador de meios de subsistência. O 
cidadão comum para obter porte de arma deverá: 
TÓPICO 1 | BALÍSTICA, ARMAS DE FOGO E PORTE DE ARMAS
81
1- Preencher o requerimento de porte de arma de fogo no link disponibilizado 
pela Polícia Federal escolhendo a categoria CIDADÃO.
2- Imprimir e assinar o requerimento de porte de arma de fogo.
3- Comparecer a uma unidade da Polícia Federal para entrega da documentação 
necessária, conforme lista a seguir: 
(a) requerimento assinado;
(b) ter idade mínima de 25 anos, exceto para os cargos definidos no artigo 28 
da Lei nᵒ 10.826/03;
(c) 1 (uma) foto 3x4 recente;
(d) original e cópia do RG e CPF;
(e) comprovante de residência (água, luz, telefone). Caso o imóvel esteja 
em nome do cônjuge ou companheiro (a), apresentar Certidão de 
Casamento ou de Comunhão Estável. Se o interessado não for o titular do 
comprovante de residência, nem seu cônjuge oucompanheiro(a), deverá 
apresentar DECLARAÇÃO com firma reconhecida do titular da conta 
ou do proprietário do imóvel, sendo que a assinatura presencial do titular 
do comprovante de residência dispensará o reconhecimento de firma;
(f) apresentação de documento comprobatório de ocupação lícita;
(g) comprovação de idoneidade, com a apresentação de certidões negativas 
de antecedentes criminais fornecidas pela Justiça Federal, Estadual 
(incluindo Juizados Especiais Criminais), Militar e Eleitoral, que poderão 
ser fornecidas por meios eletrônicos;
(h) comprovação de aptidão psicológica para o manuseio de arma de 
fogo, realizado em prazo não superior a 1 ano, que deverá ser atestado 
por psicólogo credenciado pela Polícia Federal;
(i) comprovação de capacidade técnica para o manuseio de arma de fogo, 
realizado em prazo não superior a 1 ano, que deverá ser atestado por 
instrutor de armamento e tiro credenciado pela Polícia Federal; 
(j) cópia do certificado de registro de arma de fogo válido;
(l) demonstrar a efetiva necessidade para o porte de arma de fogo.
FONTE: <http://www.pf.gov.br/servicos-pf/armas/porte-de-arma/pessoa-fisica-cidadao>. 
Acesso em: 4 jun. 2020. 
No caso de caçador de subsistência, são requisitos semelhantes sendo 
desnecessária a apresentação de comprovante de capacitação (testes de aptidão 
psicológico e técnico) e ainda o preenchimento de ficha de requerimento que é 
voltada para tal destinação e ao argumento comprobatório, que nesse caso consiste 
na necessidade do emprego de arma de fogo para promover sua subsistência e 
de sua família.
O art. 6ᵒ da Lei nᵒ 10.826/03 deixa expressa proibição ao porte de arma de 
fogo em todo o território brasileiro, salvo os casos excepcionais, sendo facultado à 
Polícia Federal verificar a constatação das exceções, em que o candidato comprove 
efetivamente a necessidade da obtenção do direito.
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
82
Art. 6ᵒ- É proibido o porte de arma de fogo em todo o território 
nacional, salvo para os casos previstos em legislação própria e para:
I- os integrantes das Forças Armadas;
II- os integrantes de órgãos referidos nos incisos I, II, III, IV e V do 
caput do art. 144 da Constituição Federal e os da Força Nacional 
de Segurança Pública (FNSP);
III- os integrantes das guardas municipais das capitais dos Estados e 
dos Municípios com mais de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, 
nas condições estabelecidas no regulamento desta Lei;
IV- os integrantes das guardas municipais dos Municípios com mais 
de 50.000 (cinquenta mil) e menos de 500.000 (quinhentos mil) 
habitantes, quando em serviço;
V- os agentes operacionais da Agência Brasileira de Inteligência 
e os agentes do Departamento de Segurança do Gabinete de 
Segurança Institucional da Presidência da República;
VI- os integrantes dos órgãos policiais referidos no art. 51, IV, e no 
art. 52, XIII, da Constituição Federal;
VII- os integrantes do quadro efetivo dos agentes e guardas prisionais, 
os integrantes das escoltas de presos e as guardas portuárias;
VIII- as empresas de segurança privada e de transporte de valores 
constituídas, nos termos desta Lei;
IX- para os integrantes das entidades de desporto legalmente 
constituídas, cujas atividades esportivas demandem o uso de 
armas de fogo, na forma do regulamento desta Lei, observando-
se, no que couber, a legislação ambiental.
X- integrantes das Carreiras de Auditoria da Receita Federal do 
Brasil e de Auditoria-Fiscal do Trabalho, cargos de Auditor-
Fiscal e Analista Tributário;
XI- os tribunais do Poder Judiciário descritos no art. 92 da 
Constituição Federal e os Ministérios Públicos da União e dos 
Estados, para uso exclusivo de servidores de seus quadros 
pessoais que efetivamente estejam no exercício de funções de 
segurança, na forma de regulamento a ser emitido pelo Conselho 
Nacional de Justiça - CNJ e pelo Conselho Nacional do Ministério 
Público – CNMP (BRASIL, 2003, s.p.).
Observe que para obtenção do direito ao porte de arma, o candidato 
deverá, além de preencher os requisitos já mencionados, comprovar a sua efetiva 
necessidade por exercício de atividade profissional de risco ou que possa causar-
lhe ameaça a sua integridade física. Tal requisito encontra amparo legal no artigo 
10, §1ᵒ da Lei nᵒ 10.826/03:
Art. 10. A autorização para o porte de arma de fogo de uso permitido, 
em todo o território nacional, é de competência da Polícia Federal e 
somente será concedida após autorização do Sinarm.
§ 1ᵒ A autorização prevista neste artigo poderá ser concedida 
com eficácia temporária e territorial limitada, nos termos de atos 
regulamentares, e dependerá de o requerente:
I- demonstrar a sua efetiva necessidade por exercício de atividade 
profissional de risco ou de ameaça a sua integridade física;
II- atender às exigências previstas no art. 4ᵒ desta Lei;
III- apresentar documentação de propriedade de arma de fogo, bem como 
o seu devido registro no órgão competente (BRASIL, 2003, s.p.).
Após cumprir todos os procedimentos é adquirida a autorização para o 
porte de parte. A autorização não é definitiva podendo ser revogada a qualquer 
momento unilateralmente pelo Poder Público não dependendo da vontade da 
parte que o adquire, por tratar-se de uma concessão. 
TÓPICO 1 | BALÍSTICA, ARMAS DE FOGO E PORTE DE ARMAS
83
Em abril de 2019, a Polícia Federal lançou o chamado SINARM II, o novo 
sistema de armas brasileiro, e de acordo com as próprias diretrizes da Polícia Federal 
(2019), trazendo como possibilidade de fazer requerimento, aquisição, transferência, 
emissão, renovação de registro de porte de arma e muito mais via internet pelo próprio 
portal, tendo o cidadão pleno acesso para acompanhar seu requerimento, seja no e-mail 
ou pela internet. Além disso, ganhou a possibilidade de verificação de autenticidade na 
internet dos documentos gerados por parte do SINARM. 
Há ainda que se destacar que para a prática do crime da posse ilegal de 
arma de fogo basta apenas manter arma, munição ou acessório dentro de seu 
domicílio, podendo corresponder a sua casa ou empresa, no porte, o agente 
possui o objeto material consigo mesmo, sem a autorização necessária, estando à 
arma nesse caso, de maneira a utiliza-la de imediato, de “pronto uso”.
Com o advento da Lei nᵒ 10.826/03, foram feitas diversas alterações com 
relação ao porte de arma, e, por via de regra, passou a ser proibido em território 
brasileiro, ressalvado os casos expressos na própria lei. Além disso, com o 
desmembramento das condutas da posse e do porte ilegal de arma de fogo, este 
passou a ser tipificado no artigo 14 da referida lei:
Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, 
transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, 
empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou 
munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo 
quando a arma de fogo estiver registrada em nome do agente (BRASIL, 
LEI 10.826/03).
O delito do porte ilegal de arma de uso permitido, assim como no 
delito da posse, este tem bem jurídico a incolumidade pública, 
podendo ser exercido por qualquer pessoa, ademais, possui como 
elemento objetivo, treze ações, que são:
I- Portar – trazer consigo a arma de fogo, acessório ou munição;
II- Deter – conservar em seu poder a arma de fogo, acessório ou munição;
III- Adquirir – obter a arma de fogo, acessório ou munição por meio 
de uma compra;
IV- Fornecer – abastecer o comércio clandestino de arma de fogo, 
acessório ou munição;
V- Receber – aceitar ou acolher arma de fogo, acessório ou munição;
VI- Ter em depósito – conversar a arma de fogo, acessório ou munição;
VII- Transportar – conduzir a arma de fogo, acessório ou munição, de 
um lugar para outro;
VIII- Ceder, ainda que gratuitamente – transferir a posse de arma de 
fogo, acessório ou munição, para outrapessoa, sem qualquer 
ônus para esta;
IX- Emprestar – confiar a alguém, gratuitamente ou não, o uso da 
arma de fogo, acessório ou munição, a qual será depois restituído 
ao seu possuidor;
X- Remeter – expedir ou enviar a arma de fogo, acessório ou munição;
XI- Empregar – fazer uso da arma de fogo, acessório ou munição;
XII- Manter sob guarda – conservar em seu poder a arma de fogo, 
acessório ou munição;
XIII- Ocultar – dissimular, esconder a arma de fogo, acessório ou 
munição (SILVA; LAVORENTI; GENOFRE, 2006, p.104).
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
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FIGURA 9 – SÍNTESE DO ESTATUTO DO DESARMAMENTO
FONTE: <https://i.pinimg.com/564x/6e/1e/a0/6e1ea08e5dfce32634e14fdc80ca3a09.jpg>. 
Acesso em: 4 jun. 2020.
TÓPICO 1 | BALÍSTICA, ARMAS DE FOGO E PORTE DE ARMAS
85
Em 7 de maio de 2019 foi promulgado o Decreto nᵒ 9.785, conhecido como 
Decreto de Armas, posteriormente revogado pelo Decreto nᵒ 10.030 de 30 de 
setembro de 2019, trouxe significativas alterações no Estatuto do Desarmamento, 
uma vez que há um debate na sociedade brasileira acerca do porte de arma e 
facilitação de acesso às armas de fogo. Há um autêntico “vai e vem” político e 
jurídico em relação a esse delicado tema. 
Em que pese as sucessivas legislações, decretos e portarias que regulam a 
posse e porte de armas de fogo no Brasil um elemento relevante é o trabalho do psicólogo 
perito em porte e arma de fogo. Sobre o tema sugere-se a leitura do artigo especializado 
Prática e Formação: Psicólogos na Peritagem em Porte de Arma de Fogo de autoria de 
Julia Carolina Rafalski e Alexandro Luiz de Andrade da Universidade Federal do Espírito 
Santo. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/pcp/v35n2/1982-3703-pcp-35-2-0599.pdf.
DICAS
Na leitura a seguir você encontrará uma breve análise de como os 
sucessivos Decretos presidenciais sobre o uso de armas de fogo no Brasil que se 
sucedem desde janeiro de 2019 vem beneficiando os colecionadores, atiradores 
desportivos e caçadores (chamados CACs). O tema é bastante polêmico!
EM 2019, A SIGLA CACS, ATÉ ENTÃO MAIS USADA POR PESSOAS 
QUE SE INTERESSAM POR ARMAS DE FOGO, COMEÇOU A FAZER 
PARTE DO VOCABULÁRIO POPULAR
Decretos assinados pelo presidente Jair Bolsonaro mudaram regras de 
acesso a armas e munições para, nas palavras do presidente, “facilitar a vida” de 
colecionadores, atiradores esportivos e caçadores – representados pela sigla.
O interesse da população em entrar para esse grupo já vinha se 
mostrando nos dados públicos há anos, e atingiu o ápice em 2019. O número 
de pessoas registradas como CACs cresceu consideravelmente depois das 
mudanças na legislação, e o volume de armas nas mãos dos CACs, também, 
segundo dados do Exército obtidos pelo Instituto Sou da Paz, organização que 
pesquisa e propõe políticas públicas sobre segurança.
A quantidade de registros ativos de CACs fechou 2019 em 396.955, aumento 
de 50% em relação a 2018. A maior parte dos CACs é composta por atiradores 
(200.178), seguidos por colecionadores (114.210) e caçadores (82.567).
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
86
Novos registros de CACs aumentam anualmente desde pelo menos 
2014. Entre 2014 e 2018, esse aumento foi de 879%, de 8.988 para 87.986. De 
2018 para 2019, o crescimento foi de 68%.
Grande parte está nos Estados de São Paulo (93.678 registros ativos), 
Paraná e Santa Catarina (57.265) e Rio Grande do Sul (55.741). Em seguida vêm 
Goiás, Distrito Federal, Tocantins e parte do Mato Grosso (32.665). Também é 
nesses Estados que está concentrado o maior número de clubes de tiro e lojas 
de arma de fogo.
O volume de armas nas mãos dos CACs também cresceu 24%, o maior 
aumento percentual desde pelo menos 2015, fechando 2019 em 433.246 armas, 
um crescimento de 91% desde 2014.
Especialistas em segurança pública atribuem o aumento à disseminação 
de uma cultura de armas, facilitada por comunidades on-line, e às várias 
mudanças na legislação que deram aos CACs acesso a mais armas e munições.
Eles veem com preocupação tanto as mudanças na lei quanto o aumento 
da procura e do volume de armas nas mãos dessa categoria. Apontam que a 
legislação abriu brecha para o porte de arma, ou seja, o uso no cotidiano, sem 
que o usuário receba um treinamento adequado para isso.
Dizem também que há sinais de que procedimentos de fiscalização não 
acompanharam o aumento do número de CACs e de armas nas mãos desse 
grupo. Finalmente, alertam que haver mais armas em circulação representa 
ameaça para a população.
[...] 
O que mudou na lei?
Antes de assinar um decreto sobre mudanças para os CACs, Bolsonaro 
disse, em transmissão ao vivo feita em abril em rede social, que elas “facilitariam 
e muito a vida” da categoria.
Depois de muito vaivém, com decretos publicados, revogados e 
substituídos por outros, estas são as principais mudanças que estão valendo, 
de acordo com levantamento do Sou da Paz:
• aumentou o número de armas e munições que CACs podem comprar 
(atiradores: de 16 armas, 60 mil munições e 12 kg de pólvora para até 60 
armas, 180 mil munições por ano e 20 kg de pólvora; caçadores: de 12 armas, 
6 mil munições e 2 kg de pólvora para 30 armas, 90 mil munições e 20 kg de 
pólvora; colecionador: de uma arma de cada tipo para 5);
• a validade do registro dos CACs aumentou de 5 para 10 anos;
• permissão de portar uma arma municiada nas ruas.
TÓPICO 1 | BALÍSTICA, ARMAS DE FOGO E PORTE DE ARMAS
87
Por que aumentou a procura?
A maior parte dos brasileiros (66%) acham que a posse de armas deve 
ser proibida, segundo pesquisa Datafolha feita em julho de 2019; 31% acham 
que a posse de armas deve ser um direito e uma parcela de 2% não opinou.
Ao mesmo tempo, o número de registros de posse vem crescendo há 
anos e também o número de armas vendidas no mercado legal. Essa tendência 
de aumento no interesse também se mostra em dados de CACs.
Perguntado sobre os possíveis motivos dessa busca da população por 
registros de CAC, o presidente da Associação CAC Brasil, Marcelo Midaglia 
Resende, diz que “é um subterfúgio para ter a arma de fogo. Nosso trabalho na 
associação é dar orientação sobre a responsabilidade que vem com ser um CAC”.
Até o início de 2019, a lei exigia que um cidadão que quisesse ter posse 
de uma arma – ou seja, o direito de usá-la em casa para defesa pessoal e do 
patrimônio – deveria provar à Polícia Federal que precisava realmente do 
artefato – por exemplo, por viver em uma área isolada.
Um CAC precisa provar ao Exército muitas das mesmas coisas que 
alguém que tem posse de arma, como ter endereço fixo, ocupação lícita, 
que não cometeu crimes no passado e que não é investigado ou responde a 
processos criminais, além de demonstrar capacidade técnica e psicológica, 
mas não é preciso provar a necessidade de ter uma arma.
A facilitação da posse de armas trazida pelos decretos do governo não 
deveria, então, neutralizar a procura por CACs? Na opinião de especialistas e 
do presidente da Associação CAC Brasil, o aumento dos CACs reflete também 
o desejo de porte de arma, ou seja, de poder transportá-la para fora de casa e 
circular com o artefato em locais públicos.
“Hoje existe uma cultura mais forte de arma. A pessoa compra uma 
arma e quer poder usá-la, não só deixar guardada. Quer praticar o tiro esportivo. 
Mas outros também querem ter porte, embora a gente tente deixar muito claro 
que o CAC não tem porte, tem apenas porte de trânsito”, diz Resende.
“Não é possível dizer com certeza por que aumentou a procura. No 
entanto, é verdade que começaram a surgir grupos e fóruns que divulgam o que 
é correto por lei, que é o caminho para tirar uma licença de CAC, mas também 
a informação de que é mais fácil obter arma por meio do registro CAC do que 
pela Polícia Federal. Há despachantes nesses fóruns que dizem explicitamente, 
‘se você quer ter porte de arma, se registre como atirador’. Essas práticas não 
são baratas. Portanto, essa explosão faz a gente suspeitar que essas pessoas não 
estão praticando tiro esportivo, participando de competições ou colecionandoarmas de valor histórico”, diz Natalia Polachi, do Sou da Paz.
[...]
FONTE: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51453837>. Acesso em: 4 jun. 2020. 
88
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que: 
• A Balística Forense é definida como disciplina autônoma que estuda as armas 
de fogo, munições, fenômenos e efeitos dos disparos destas armas com a 
finalidade de esclarecer a ocorrência de crimes, fornecendo elementos de 
interesse judicial.
• Cabe ao perito em Balística o exame detalhado e técnico nas armas e munições 
e todas as provas necessárias para a elaboração de provas materiais acerca de 
um possível delito. 
• Armas de fogo são definidas como aparatos formados por um conjunto de 
peças articuladas cuja finalidade é a de lançar um projétil no espaço pela força 
de propulsão e produzir um efeito.
• No Brasil, a Lei nᵒ 10.826/2003, modificada pelo Decreto nᵒ 9.785/2019 e, 
posteriormente, pelo Decreto nᵒ 10.030 de 30 de setembro de 2019, é o dispositivo 
legal que controla o porte e uso de arma de fogo, definindo rígidos critérios e 
controle em todo território nacional definindo os limites para o uso de armas de 
fogo, com a finalidade de proteger o bem jurídico mais importante que é a vida. 
89
AUTOATIVIDADE
1 O termo “arma” se refere a todo objeto que possui a característica de aumentar 
a capacidade de ataque ou defesa, podendo ser armas produzidas para tal fim 
como as espadas, punhais e armas de fogo, que são chamadas de armas próprias 
e outros artefatos que eventualmente podem ser usados para tal fim, chamadas 
de impróprias. Acerca das armas de fogo é CORRETO afirmar:
a) ( ) As armas de fogo, independente do estarem todos seus elementos 
constitutivos devidamente presentes, sempre será considerada como tal. 
b) ( ) As armas de fogo devem possuir como elementos constitutivos o 
aparato arremessador, carga de projeção e projétil.
c) ( ) Os projéteis podem produzir efeitos independentemente da existência 
de um aparato arremessador na arma.
d) ( ) A carga de projeção das armas de fogo não podem ser inflamáveis. 
2 As armas de fogo que são periciadas para a prática de crimes dolosos, lesões 
corporais, homicídios e suicídios podem ser consideradas como aparato 
construído por um conjunto de peças com a finalidade de lançar um projétil 
no espaço pela força de propulsão. Acerca das armas de fogo assinale a 
afirmação CORRETA:
a) ( ) As armas de fogo podem conter um ou dois canos, abertos em uma 
das extremidades e parcialmente fechados na parte de trás onde se 
coloca o projétil.
b) ( ) As armas de fogo não podem conter dois canos por não poderem 
produzir o efeito de propulsão do projétil.
c) ( ) O projétil é colocado na parte dianteira da arma e lançado através da 
força expansiva produzida pela combustão da pólvora. 
d) ( ) A pólvora não é utilizada em armas de fogo e sim em fogos de artifício. 
3 A Balística Forense divide-se em Externa, de Efeito e Subsequente. A 
Balística Interna estuda os fenômenos que se dão no interior de uma arma 
de fogo até que se produza o tiro. Acerca da Balística Interna assinale a 
afirmação CORRETA.
a) ( ) A Balística Interna investiga a estrutura, mecanismos e funcionamento 
das armas de fogo.
b) ( ) A Balística Interna estuda o que ocorre com o projétil em sua trajetória 
desde a saída da boca do cano.
c) ( ) A Balística Interna estuda os efeitos produzidos pelo projétil nos órgãos 
internos do corpo humano. 
d) ( ) A Balística Interna estuda o impacto produzido pelo projétil no interior 
dos ossos e tecidos humanos. 
90
4 O Estatuto do Desarmamento, Lei nᵒ 10.826/2003, estabelece o controle 
sobre uso e porte de armas de fogo em todo território nacional. O objetivo 
da referida Lei é evitar o uso ilegal e irresponsável de armas de fogo no 
país, estabelecendo as condições para o registro e o porte das armas de fogo 
e os crimes que decorrem de sua desobediência. Acerca da referida Lei é 
CORRETO afirmar: 
a) ( ) A Lei do Desarmamento impôs a obrigatoriedade de entrega de todas 
armas de fogo do país para a Polícia Federal.
b) ( ) Pela legislação o cidadão comum não pode requerer o porte de arma 
uma vez que apenas as forças policiais e armadas possuem tal direito.
c) ( ) O cidadão comum poderá obter o porte de arma se preencher os 
requisitos legais necessários. 
d) ( ) A Lei de Desarmamento proíbe o porte e uso de arma para caçadores 
de subsistência. 
91
TÓPICO 2
CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO, MUNIÇÃO E 
FERIMENTOS PRODUZIDOS POR ARMAS DE FOGO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, forneceremos importantes elementos para a compreensão 
de nossa disciplina uma vez que o objeto de estudo será sobre a classificação das 
armas de fogo, munições e ferimentos produzidos por armas de fogo. 
Iniciaremos com a classificação das armas de fogo utilizando como 
referência critérios técnicos-científicos que dizem respeito às características 
intrínsecas das armas. Você verá a complexidade necessária para a identificação 
primeira de uma arma de fogo e que exige, por parte do observador, conhecimento 
específico e familiaridade com os diferentes tipos de armamentos.
Aprofundando mais nossos estudos vamos, neste tópico, conhecer o calibre 
e munições das diferentes armas de fogo, a partir dos quais serão obtidos elementos 
fundamentais para a verificação do potencial poder de fogo de cada armamento. 
Ao final, de maneira breve, serão analisados os diferentes tipos de 
ferimentos produzidos por armas de fogo de acordo com variáveis relacionadas 
ao tipo de arma, de munição, distância, posicionamento do atirador etc. Embora 
esse tema seja específico da Medicina Legal, ao perito criminal cabe também o 
domínio de conceitos relacionados às lesões por estar relacionado diretamente ao 
campo da Balística Forense. 
2 CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO
Como já considerado, arma de fogo arremessa projétil como resultado da 
força expansiva dos gases gerados pela combustão de um propelente confinado 
em uma câmara que, normalmente, está presa a um cano que tem a função de dar 
continuidade à combustão do propelente, bem como também permitir direção e 
estabilidade ao projétil. 
 
Embora sejam vários os métodos utilizados para a classificação das armas 
de fogo, em geral, são utilizados critérios técnicos-científicos de acordo com as 
características intrínsecas das armas, os quais serão utilizados em nosso estudo. 
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
92
Você encontrará as definições de armas de fogo na Portaria nᵒ 60 – COLOG, 
de 15 de abril de 2020 (Ministério da Defesa), que estabelece os dispositivos de 
segurança, identificação e marcação de armas de fogo fabricadas no país, não 
havendo, por essa razão, divergências acerca da definição e classificação das 
armas de fogo. 
É importante você também consultar distintos manuais e apostilas que definem 
e classificam as armas de fogo. Verá que não há variações acerca dos conceitos, porque são 
legais, apenas variam os exemplos e ilustrações. Prefira sempre o material produzido por 
instituições confiáveis. Sugere-se: 
• Cartilha de Armamento e Tiro: http://www.pf.gov.br/servicos-pf/armas/cartilha-de-
armamento-e-tiro.pdf.
• Teoria do Armamento e Tiro. Departamento Penitenciário do Paraná: http://www.
espen.pr.gov.br/arquivos/File/Apostila_Arma_Curta.pdf.
• Manual de Armamento e Manuseio Seguro de Armas de Fogo. Tribunal de Justiça do 
Estado do Amazonas: https://www.tjam.jus.br/phocadownloadpap/manuseio_seguro_
arma_fogo-mar_2012.pdf.
 Você encontrará um rico e sintético material para seus estudos.
DICAS
2.1 QUANTO AO TAMANHO 
CURTA: são definidas como armas curtas aquelas que podem ser operadas 
com uma ou duas mãos, e não necessitam do apoio no ombro. Atualmente, são 
exemplos de armas curtas: revólveres e pistolas. Adiante diferenciaremos melhor 
cada uma delas. 
TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO, MUNIÇÃO E FERIMENTOS PRODUZIDOS POR ARMAS DE FOGO
93
FIGURA 10 – EXEMPLOS DE ARMAS CURTAS
FONTE: <http://1.bp.blogspot.com/-GwIFmKlT8HI/UORvYfGB03I/AAAAAAAABIk/zFhtrXN2Y-U/s400/revolver+x+pistola.jpg>. Acesso em: 4 jun. 2020.
LONGA: são consideradas armas longas aquelas de dimensões e peso 
maiores que as curtas podendo ser portáteis ou não portáteis.
FIGURA 11 – ARMAS LONGAS
FONTE: <http://3.bp.blogspot.com/_tBhoLp20pp0/S2bqj3F7wZI/AAAAAAAAACY/Uk7O0BeWxas/
s320/espingarda.jpg>. Acesso em: 4 jun. 2020.
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
94
2.2 QUANTO À PORTABILIDADE 
DE PORTE: são consideradas arma de fogo de dimensões e peso menor 
de forma a permitir serem portadas por um único indivíduo. Podem ser portadas 
em um coldre, que poderá ser ajustado ao corpo, e são disparadas facilmente 
com apenas uma das mãos pelo atirador. Nessa definição enquadram-se pistolas, 
revólveres e garruchas.
REVÓLVER: arma de fogo de porte, de repetição, dotada de um cilindro 
giratório posicionado atrás do cano, que serve de carregador, o qual contém 
perfurações paralelas e equidistantes do seu eixo e que recebem a munição, 
servindo de câmara. 
PISTOLA: arma de fogo de porte, em geral semiautomática, cuja única 
câmara faz parte do corpo do cano e cujo carregador, quando em posição fixa, 
mantém os cartuchos em fila e os apresenta sequencialmente para o carregamento 
inicial e após cada disparo; há pistolas de repetição que não dispõem de carregador 
e cujo carregamento é feito manualmente, tiro a tiro, pelo atirador. 
ARMAS DE PORTE
Pistolas: modernamente podemos conceituar pistola como arma curta, 
raiada, portátil, semiautomática ou automática, de ação simples, ação dupla, 
dupla ação e híbrida, com câmara no cano, a qual utiliza o carregador como 
receptáculo de munição. Existem pistolas de repetição que não dispõem de 
carregador e cujo carregamento é feito manualmente pelo atirador. Seu nome 
provém de Pistola, um velho centro de armeiros italianos. 
TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO, MUNIÇÃO E FERIMENTOS PRODUZIDOS POR ARMAS DE FOGO
95
Revólveres: arma curta de alma raiada ou lisa, portátil, de repetição, 
na qual os cartuchos são colocados em um cilindro giratório (tambor) atrás do 
cano, podendo o mecanismo de disparo ser de ação simples ou dupla. 
FONTE: <http://armacompanheirafiel.blogspot.com/2013/01/tipos-de-armas-de-fogo.html>. 
Acesso em: 4 jun. 2020. 
PORTÁTIL: as armas portáteis são aquelas cujo peso e cujas dimensões 
permitem que seja transportada por um único homem, porém não transportadas 
em um coldre. Em situações normais, para efetuar o disparo eficiente é necessário 
o uso de ambas as mãos.
 
CARABINA: arma de fogo portátil semelhante a um fuzil, de dimensões 
reduzidas, de cano longo – embora relativamente menor que o do fuzil – com 
alma raiada. No Brasil usualmente considera-se carabina as armas de fogo de 
cano longo raiado de calibres permitidos.
FUZIL: arma de fogo portátil, de cano longo e cuja alma do cano é raiada. 
Podem ser de repetição, semiautomáticos ou automáticos. 
ESPINGARDA: arma de fogo portátil, de cano longo com alma lisa, isto 
é, não raiada. 
METRALHADORA: trata-se de arma de fogo portátil, que realiza tiro 
somente no sistema automático. 
SUBMETRALHADORA: também é conhecida como metralhadora de 
mão, e, por essa razão, é uma arma de fogo portátil. Pode ser utilizada no sistema 
semiautomática ou automática, de tamanho reduzido para uso das mãos, sem 
fixação por tripé, que utiliza normalmente um calibre usual de pistola, como 9 
mm. ou 40, entre outros. 
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
96
ARMAS PORTÁTEIS
RIFLES: termo muito comum, de origem inglesa, que significa o 
mesmo que fuzil. Arma longa, portátil que pode ser de uso militar/policial ou 
desportivo; de repetição, semiautomática ou automática. 
FUZIL DE ASSALTO: fuzil Militar de fogo seletivo de tamanho 
intermediário entre um fuzil propriamente dito e uma carabina. 
CARABINA (CARBINE): geralmente uma versão mais curta de um 
fuzil de dimensões compactas, cujo cano é superior a 10 polegadas e inferior a 
20 polegadas (geralmente entre 16 e 18 polegadas). 
TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO, MUNIÇÃO E FERIMENTOS PRODUZIDOS POR ARMAS DE FOGO
97
SUBMETRALHADORA: também conhecida no meio Militar como 
metralhadora de mão, é classificada assim por possuir cano de até 10 
polegadas de comprimento e utilizar cartuchos de calibres equivalentes aos 
das pistolas semiautomáticas. 
METRALHADORA: arma automática, que utiliza cartuchos de 
calibres equivalentes ou superiores aos dos fuzis; geralmente necessita mais 
de uma pessoa para sua operação. 
FONTE: <http://armacompanheirafiel.blogspot.com/2013/01/tipos-de-armas-de-fogo.html>. 
Acesso em: 4 jun. 2020. 
NÃO PORTÁTIL: arma que, devido por suas dimensões ou ao seu peso, 
não pode ser transportada por um único homem, por exemplo, metralhadoras 
mais pesadas de grosso calibre (calibre 12,7 mm). Ou, ainda, pode-se citar como 
exemplo armas mais pesadas como canhões automáticos que se destinam, por 
exemplo, a combate de fogo antiaéreo, que são colocados sobre veículos blindados 
de infantaria. Entretanto, para o presente estudo tais armas não serão estudadas 
de maneira detalhada. 
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
98
FIGURA 12 – ARMA NÃO PORTÁTIL
FONTE: <http://www.espen.pr.gov.br/arquivos/File/Apostila_Arma_Curta.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2020.
2.3 QUANTO AO SISTEMA DE CARREGAMENTO 
ANTECARGA: são as armas de fogo cujo carregamento é feito pela 
boca do cano. 
FIGURA 13 – ARMA DE ANTECARGA
FONTE: <http://www.espen.pr.gov.br/arquivos/File/Apostila_Arma_Curta.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2020.
RETROCARGA MANUAL: são consideradas armas de retrocarga 
manual aquelas cujo carregamento é feito pela parte posterior do cano, com 
emprego da força muscular do atirador.
FIGURA 14 – ARMA DE RETROCARGA MANUAL
FONTE: <http://www.espen.pr.gov.br/arquivos/File/Apostila_Arma_Curta.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2020.
TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO, MUNIÇÃO E FERIMENTOS PRODUZIDOS POR ARMAS DE FOGO
99
RETROCARGA AUTOMÁTICA: são armas de retrocarga automática, 
aquelas em que o carregamento é feito pela parte posterior do cano, em regra por meio 
do aproveitamento da energia do disparo, dispensando a intervenção humana. 
FIGURA 15 – ARMA DE RETROCARGA AUTOMÁTICA
FONTE: <http://www.espen.pr.gov.br/arquivos/File/Apostila_Arma_Curta.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2020.
2.4 QUANTO AO FUNCIONAMENTO 
DE REPETIÇÃO: armas de repetição são aquelas que o atirador, após 
a realização de cada disparo, decorrente da sua ação sobre o gatilho, necessita 
empregar sua força física sobre um componente do mecanismo desta para 
concretizar as operações prévias e necessárias ao disparo seguinte, tornando-a 
pronta para realizá-lo (ex.: Espingarda Calibre 12).
SEMIAUTOMÁTICA: arma que realiza, automaticamente, todas as 
operações de funcionamento com exceção do disparo, o qual, para ocorrer, requer, 
a cada disparo, um novo acionamento do gatilho (ex.: pistola).
AUTOMÁTICA: arma em que o carregamento, o disparo e todas as 
operações de funcionamento ocorrem continuamente enquanto o gatilho estiver 
sendo acionado. É aquela que dá rajadas (ex.: metralhadora). 
2.5 QUANTO AO SISTEMA DE ACIONAMENTO 
AÇÃO SIMPLES: nas armas de ação simples para o acionamento do gatilho 
há apenas uma operação, após o qual ocorre o disparo, uma vez que a ação de armar o 
cão já foi efetuada com engatilhamento manual. Ex.: alguns tipos de pistola 
AÇÃO DUPLA: são as armas que possuem um sistema mecânico que 
somente podem ser disparadas após o acionamento do gatilho, não sendo possível 
o engatilhamento manual do mecanismo de disparo. Nesse sistema o gatilho 
exerce as duas funções: engatilha a arma e libera o cão ou sistema de percussão. 
Ex.: Revólver Taurus mod. RT 851 Multialloy, conforme figura a seguir.
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
100
FIGURA 16 – REVÓLVER TAURUS MOD. RT 851 MULTIALLOY
FONTE: <https://brasiltatica.vtexassets.com/arquivos/ids/155773-1200-auto?width=1200&height
=auto&aspect=true>. Acesso em: 4 jun. 2020.
DUPLA AÇÃO: define-se como sistema de acionamento de dupla ação 
o sistema mecânico de determinadas armasde fogo, que permite que elas sejam 
acionadas em ação simples ou dupla. Em caso de ação simples o mecanismo de 
disparo foi engatilhado e no acionamento do gatilho ocorre apenas o disparo. 
Na segunda situação, no acionamento do gatilho ocorre o engatilhamento e a 
liberação do cão ou sistema de percussão. Ex.: Revólveres Taurus em sua maioria 
e Pistolas Taurus PT 58 e PT 938 – Cal. 380, exemplificados nas figuras a seguir.
FIGURA 17 – PT 58 e PT 938 – Cal. 380.
FONTE: <https://images.tcdn.com.br/img/img_prod/620600/pistola_taurus_pt_938_
calibre_380_acp_oxidada_2146_1_20180726113257.jpg>. Acesso em: 4 jun. 2020.
2.6 QUANTO À ALMA DO CANO 
A alma é a parte oca do interior do cano de uma arma de fogo, que vai 
geralmente da câmara de explosão até a boca do cano, da culatra até a boca do cano, 
destinado a resistir pressão dos gases produzidos pela combustão da pólvora e outros 
explosivos com a finalidade de orientar o projétil. De acordo com o tipo de munição 
para o qual a arma foi projetada, podendo ser lisa ou raiada. 
ALMA LISA: aquelas cujo interior do cano é totalmente polido, sem 
raiamento, porque não há necessidade da estabilização dos projéteis.
TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO, MUNIÇÃO E FERIMENTOS PRODUZIDOS POR ARMAS DE FOGO
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FIGURA 18 – ARMA DE ALMA LISA
FONTE: <http://www.espen.pr.gov.br/arquivos/File/Apostila_Arma_Curta.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2020.
ALMA RAIADA: aquela cujo cano possui sulcos helicoidais responsáveis 
pela giroestabilização do projétil durante o percurso até o alvo.
FIGURA 19 – ALMA RAIADA
FONTE: <http://www.espen.pr.gov.br/arquivos/File/Apostila_Arma_Curta.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2020.
O QUE SÃO RAIAS?
 Raias: são sulcos feitos na parte interna (alma) dos canos ou tubos das armas de 
fogo, geralmente de forma helicoidal, que têm a finalidade de propiciar o movimento de 
rotação dos projéteis, ou granadas, que lhes garante estabilidade na trajetória. 
FONTE: <http://www.pf.gov.br/servicos-pf/armas/cartilha-de-armamento-e-tiro.pdf>. 
Acesso em: 4 jun. 2020.
INTERESSA
NTE
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
102
3 CALIBRE
O calibre de uma arma é a medida do diâmetro interno do cano. Há três 
nomenclaturas diferentes para definir o calibre das armas de fogo, sendo que cada 
uma delas representa uma medida, de acordo com o elemento interno do cano ou 
do projétil. Nas armas de cano com alma raiada é feita a seguinte distinção:
CALIBRE REAL: é a medida exata do diâmetro da parte interna do cano 
de uma arma, medido entre os cheios do raiamento. Para as armas de alma lisa é a 
medida interna do cano realizado pela boca (extremidade final). Há um diâmetro 
maior próximo à câmara de explosão e menor na boca do cano. É expresso em 
milímetros ou fração de polegadas. 
FIGURA 20 – CALIBRE REAL
FONTE: <http://www.espen.pr.gov.br/arquivos/File/Apostila_Arma_Curta.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2020.
CALIBRE DO PROJÉTIL: é a medida do diâmetro interno do cano de 
uma arma raiada, medido entre “fundos” das raias. É sempre igual ou levemente 
superior à medida do cano entre as raias (Vide a Figura 20). 
CALIBRE NOMINAL: é a dimensão usada para definir ou caracterizar 
um tipo de munição ou arma designada pelo fabricante, nem sempre tendo 
relação com o calibre real ou do projétil. É expresso em milímetros ou frações de 
polegada (centésimos ou milésimos). Podem ser frações de polegadas (centésimos 
ou milésimos) ou em milímetros (ex.: 9 mm).
TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO, MUNIÇÃO E FERIMENTOS PRODUZIDOS POR ARMAS DE FOGO
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QUADRO 1 – CALIBRE DAS ARMAS POLICIAIS
FONTE: <http://abordagempolicial.com/wp-content/uploads/2010/03/tabela.jpg>. 
Acesso em: 4 jun. 2020.
4 MUNIÇÕES
“Munição” é um termo que designa projétil e demais artefatos explosivos 
com os quais de carregam as armas de fogo. É, por outras palavras, o artefato 
completo para o carregamento e disparo de uma arma de fogo. 
FIGURA 21 – CARTUCHO
FONTE: <https://sindespe.org.br/portal/wp-content/uploads/2014/12/muni%C3%A7%C3%A3o-
300x284.png>. Acesso em: 4 jun. 2020.
ESTOJO: genericamente é o corpo sólido passível de ser arremessado 
que permite todos componentes do disparo fiquem unidos em uma única peça, 
facilitando o manejo da arma e acelera seu carregamento. 
ESPOLETA: recipiente localizado na base do estojo que contém uma 
mistura iniciadora que gera uma chama no momento da percussão.
PÓLVORA: é um tipo de propelente que, após ser iniciada a ação de uma 
chama, causa a expansão de gases arremessando o projétil para frente. 
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
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BUCHA: é um disco de material usado em um estojo para vedar, ou selar, 
os gases responsáveis por realizar a propulsão do projétil e para separar a pólvora 
dos projetis utilizadas.
PROJÉTIL: é, de maneira genérica, qualquer corpo sólido passível de ser 
arremessado. Para a munição é a parte do cartucho que é lançado através do cano, 
podendo ser chamado de bala ou ponta. 
FIGURA 22 – MECANISMO DO DISPARO
FONTE: <https://lh3.googleusercontent.com/eQhw2xablJHrvvN7BF_dxDIuLUa_
jUvOn6IhPWTSoV4_8_u-FJGWkw5CdYApHbLoooiB=s170>. Acesso em: 4 jun. 2020.
FIGURA 23 – DISPARO DE ARMA DE FOGO
FONTE: <http://www.simpatiafm.com.br/novo/wp-content/uploads/2020/05/disparo.jpg>. 
Acesso em: 4 jun. 2020.
FIGURA 24 – TIPOS DE MUNIÇÕES
FONTE: <http://twixar.me/yWmm>. Acesso em: 4 jun. 2020.
1- O percutor 
bate na 
espoleta
2- A espoleta 
inflama a 
pólvora
3- A queima 
libera 
gases
4- O projétil é 
empurrado 
no cano
TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO, MUNIÇÃO E FERIMENTOS PRODUZIDOS POR ARMAS DE FOGO
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TIPOS DE PROJÉTEIS
• Expansivo: o projétil tem uma ponta oca e riscos na parte de fora. Quando 
ele encontra um objeto aquoso ou gelatinoso como um órgão animal, abre 
como se fosse uma flor, fazendo uma verdadeira cratera dentro do alvo. O 
dano é tão grande que seu uso é proibido em guerras.
• Encamisado: o projétil tem um revestimento de cobre, náilon ou outro 
material que deslize pelo cano da arma melhor que o chumbo. Resultado: 
o tiro sai com mais velocidade, o que melhora a precisão e o alcance do 
disparo.
• Traçante: tem uma pequena quantidade de fósforo na base ou na ponta do 
projétil que se incendeia a quando da combustão da pólvora ou devido ao 
atrito com o ar deixando um rastro luminoso visível a olho nu na escuridão.
• Explosivo: após o disparo, a carga líquida contida no interior do projétil 
(normalmente mercúrio ou glicerina) sofre uma aceleração violenta, e se 
comprime para trás; quando atinge o alvo, a substância se expande para 
frente. Nesta expansão, o líquido empurra a ponta, que se projeta para 
frente. Com isso, o projétil se fragmenta tal qual uma granada, podendo 
causar ferimentos gravíssimos em um raio de até 20 centímetros a partir do 
ponto de impacto.
Tipos de pontas (Ogivas): 
• Ogival: uso geral, muito comum, tem boa penetração e pouca expansão.
• Canto-vivo: uso exclusivo para tiro ao alvo; tem carga reduzida e perfura o 
papel de forma mais nítida.
• Semi canto-vivo: uso geral.
• Ogival ponta plana: uso geral; muito usado no tiro prático (IPSC) por 
provocar menor número de “engasgos” com a pistola.
• Cone truncado: mesmo uso acima.
• Ponta oca: capaz de aumentar de diâmetro ao atingir um alvo humano 
(expansivo), produzindo assim maior destruição de tecidos.
FONTE: <https://sindespe.org.br/portal/instrucao-belica-iii-qual-a-melhor-municao-a-ser-usada/>. 
Acesso em: 4 jun. 2020. 
FIGURA 25 – TIPOS COMUNS DE PROJÉTEIS
FONTE: <http://cfpaula.files.wordpress.com/2012/02/img_muni_pistola_projeteis.png?w=700>. 
Acesso em: 4 jun. 2020.
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
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5 UM BREVE ESTUDO SOBRE OS FERIMENTOS 
PRODUZIDOS POR ARMA DE FOGO
A perícia, como já considerado, é meio de prova com base cientifica, 
necessária para avaliação de um fato de interesse investigatório quando este 
produz vestígios. Cabe ao perito o exame do exame a fim de colher a materialidade. 
O exame local é relevante por ser onde a prova possui uma maior robustez parao órgão julgador.
Em caso de morte a ciência forense busca as informações acerca das 
circunstâncias da morte, com base em dados de exame necrópsico, para estabelecer: 
• Identificação.
• Mecanismo da morte. 
• Causa da morte.
• Diagnóstico médico-legal (acidente, suicídio, homicídio ou morte de causa natural).
Os agentes causadores das lesões são divididos em: agentes de ordem 
mecânica e agentes de ordem física. 
AGENTES DE ORDEM MECÂNICA
São agentes que atuam por energia mecânica, essa energia modifica 
o estado de um corpo produzindo lesões em todo ou em parte do outro corpo. 
Agindo por contato direto sobre a superfície atingida de modo externo ou interno, 
atuando por: somente pressão; pressão e deslizamento; choque, com ou sem 
deslizamento. Causando então três tipos de lesões simples: 
 
1- Punctória: instrumento atua por pressão em ponto afastando as fibras do 
tecido, podendo ser causado por agentes físicos de abertura pouco estreita 
como pregos, alfinetes, garfos etc.
Obs.: pode ter trajetória retilínea, predominando a profundidade 
(comprimento) sobre o diâmetro. Termina em fundo seco (lesão penetrante). 
Podendo ser também transfixante (com orifício de entrada e saída). 
Figura – Lesão punctória produzida em hospitais por agulha de grosso calibre
Fonte: malthus.com.br
TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO, MUNIÇÃO E FERIMENTOS PRODUZIDOS POR ARMAS DE FOGO
107
2- Incisa: produzida por ação deslizante com certa pressão por objeto de 
gume afiado, seus agentes causadores são navalhas, bisturi, linha de cerol, 
estilhaços de vidro etc.
Obs.: sendo subdividida em Esgorjamento; Degolamento; Decaptação; 
Evisceração; e Lesões de defesa. 
3- Contusa: o agente contundente força a epiderme de encontro à derme e está 
de encontro ao osso. A epiderme é arrancada e as fibras da derme deslocadas. 
Obs.: as lesões podem se dá de modo ativo quando o instrumento é projetado 
contra a vítima; de modo passivo quando a vítima vai ao encontro do objeto 
e de modo misto quando ambos estão em movimentação. 
Figura 2 – Ferida pérfuro-incisa
Fonte: malthus.com.br
FONTE: FLORENTINO, A. H.; SILVA, D. S. R. da. Traumatologia Forense: a importância do estudo das 
lesões para o direito. Revista Derecho y Cambio Social, n. 56, abr./jun. 2019. p. 7-8. Disponível em: 
https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/6967917.pdf. Acesso em: 4 jun. 2020. 
Figura 3 – Lesão contusa produzida por "tijolada"
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
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Quando ocorre a ação combinada, conjunta, dos agentes de ordem 
mecânica a lesão passa a ser chamada de mista sendo classificada em:
• Perfurocortantes: facas, canivetes, punhais etc. 
• Cortocontundente: machado, enxada, facão etc. 
• Pérfurocontundente: PAF-projetil de arma de fogo, ponta de ferro, ponteira de 
um guarda-chuva. 
• Lácerocontundente: acidentes com trem ou automóveis. 
AGENTES DE ORDEM FÍSICA
Anteriormente, podemos observar as energias de ordem mecânica 
que em sua modalidade de ação é capaz de alterar o estado físico dos corpos 
resultando em um dano corporal, dano à saúde ou até mesmo a morte. Já as 
energias de ordem física são mais comuns, como: temperatura, eletricidade, 
pressão atmosférica, luz e som. 
• Calor: possui contato direto com a pele causando queimaduras, irradiação 
solar desidratação. 
• Queimaduras: são lesões produzidas através de agentes físicos com 
temperatura elevada de ações como: chama; calor irradiante; gases 
superaquecidos; líquidos escaldantes etc. Subdividindo-se em: 
◦ Primeiro grau: apenas a epiderme é afetada, mantendo a epiderme em 
vermelho vivo. 
◦ Segundo grau: possui formação de bolhas que suspendem a epiderme, 
produzindo um líquido amarelo-claro transparente. 
◦ Terceiro grau: formam-se manchas de cor castanha, ou cinza amarelada, 
indicando a morte da derme permitindo a fixação de cicatrizes 
proeminentes. 
◦ Quarto grau: ocorre a carbonização do plano ósseo sendo este parcial ou 
total, desidratando e assim ocorrendo a redução do volume do cadáver. 
• Insolação: decorre de ação da temperatura do calor ambiental em local aberto. 
• Intermação: tem maior incidência em lugares mal arejados, confinados ou 
pouco abertos, sem a necessária ventilação, surgindo de forma acidental. 
• Frio: também chamada de “geladura ou úlcera de frio” esta modalidade de 
queimadura é mais comum em regiões do corpo onde não possui proteção 
sob a ação de temperaturas negativas. 
• Pressão: os principais resultados das alterações da pressão são as baropatias, 
aumento e diminuição da pressão causando rarefação do ar em grandes 
altitudes e o aumento da pressão em casos de mergulhadores devido a 
rápida subida a superfície lhe causando embolia gasosa. 
TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO, MUNIÇÃO E FERIMENTOS PRODUZIDOS POR ARMAS DE FOGO
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• Eletricidade: são lesões que se ocasionam pelo efeito de corrente ou descarga 
elétrica dividindo-se em duas modalidades sendo elas: 
◦ Eletricidade natural: na qual age letalmente sobre o ser humano 
denominando-se “fulminação; quando está provoca apenas lesão 
corporal chama-se “fulguração” e também com aspecto arboriforme, 
“sinal de lichtenberg”. 
◦ Eletricidade artificial ou industrial: pode ser proposital em casos de 
eletrocussão de condenados, ou por modo acidental a eletroplessão. A 
lesão mais comum denomina-se de marca elétrica de jellineck, os efeitos 
da lesão se devem à intensidade da amperagem da corrente. 
• Veneno: o emprego de determinada substância que causa dano a integridade 
do indivíduo ou cause-lhe a morte, podendo ser por medicamento ou veneno 
conceituando-se intimamente na dose que é ministrada. Podendo ser por 
meio de medicamentos; produtos químicos; planta toxica e animais. Seu 
ciclo toxicológico é iniciado pela absorção seja por via oral ou administrado, 
ocorrendo assim à distribuição da substancia pelos tecidos, e instalando-se no 
órgão onde irá agir, daí o organismo age contra os venenos transformando-
os em derivados menos tóxicos, por fim, a eliminação causando-lhe a morte 
ou a eliminação das substancias no caso de auxílio médico adequado. 
FONTE: FLORENTINO, A. H.; SILVA, D. S. R. da. Traumatologia Forense: a importância do estudo das 
lesões para o direito. Revista Derecho y Cambio Social, n. 56, abr./jun. 2019. p. 9-10. Disponível em: 
https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/6967917.pdf. Acesso em: 4 jun. 2020. 
Você já deve concluído que as lesões produzidas pelas armas de fogo são 
tipos de lesão de ordem mecânica do tipo pérfurocontundentes, pois, ao mesmo 
tempo pressiona e contunda. O tipo de lesão produzida por arma de fogo depende 
de alguns fatores, tais como: 
• Tipo do projetil:
◦ Ponta arredonda, chumbo mole como a arma não transfixante, como projétil 
de borracha (para intimidar o agressor).
◦ Ponta menos arredondada.
◦ Ponta fina.
◦ Gases empurram o projetil (impulsionam), após a combustão da pólvora.
◦ Distância percorrida pelo projetil depende de vários fatores: quantidade do 
propelente, tamanho do cano, dureza do projétil. 
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
110
FIGURA 26 – LESÃO DE ENTRADA – MICROLACERAÇÃO EM PROJETIL DE BAIXA ENERGIA
FONTE: <http://twixar.me/Kvmm>. Acesso em: 4 jun. 2020.
FIGURA 27 – PONTO FINAL DO PROJÉTIL DA ARMA DE FOGO
FONTE: <https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn%3AANd9GcT8wWMHq2qINzbk6J1
msJf7RNZh1hkc-vqrTcft-OtOKNyTVQLP&usqp=CAU>. Acesso em: 4 jun. 2020.
TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO, MUNIÇÃO E FERIMENTOS PRODUZIDOS POR ARMAS DE FOGO
111
• Distância do tiro: 
TIRO À QUEIMA-ROUPA OU CURTA DISTÂNCIA
O tiro à queima-roupa é disparado a menos de 40 ou de 50 centímetros 
da vítima (conforme a bibliografia utilizada), mas não está o cano da arma 
encostado na pessoa. Os efeitos do projétil são somados aos da explosão nesse 
pequeno intervalo entre o cano e a pessoa. O sinal característico desse tiro é a 
tatuagem produzida pelo disparo em volta do orifício de entrada. Os efeitos 
da explosão, também chamados de zona são os seguintes:1) Zona de tatuagem verdadeira: a tatuagem verdadeira é chamada assim 
porque não sai quando em contato com a água. É resultante dos corpúsculos 
de pólvora que não foram queimados e são jogados contra o corpo da vítima, 
formando pontos pretos (tatuagem).
2) Zona de tatuagem falsa (esfumaçamento): o local fica manchado pela 
fumaça, fuligem, pólvora e gases. É chamada de tatuagem falsa, pois é 
facilmente retirada com água.
3) Zona de queimadura (chamuscamento): na explosão pode haver um lampejo 
de fogo que sai do cano e queima o local, motivo que é chamado de tiro à 
queima-roupa, pois queima mesmo.
4) Zona de depressão: a zona de depressão é mais difícil de ser encontrada. É 
decorrente de um jato de gás sob alta pressão, que causa depressão na pele.
No orifício de entrada são observadas também as orlas:
5) ORLA DE CONTUSÃO: a pele se invagina e se rompe devido à diferença de 
elasticidade de derme e epiderme (sempre ocorre no tiro a curta distância);
6) ORLA EQUIMÓTICA: zona da hemorragia oriunda da ruptura de 
pequenos vasos;
7) ORLA DE ENXUGO: zona de cor escura que se adaptou às faces do projétil, 
limpando-os dos resíduos da pólvora (sempre ocorre no tiro à curta distância). 
FONTE: <https://www.facebook.com/ivopaulodeoliveiraadvogado/posts/466722816782884>. 
Acesso em: 4 jun. 2020. 
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
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FIGURA 28 – TIRO À CURTA DISTÂNCIA
FONTE: <https://bit.ly/2BFOsyF>. Acesso em: 4 jun. 2020.
• Tiro a distância:
Nos tiros a distância, por exemplo, por espingardas, observa-se a dispersão 
dos bagos, sendo proporcional a distância entre a boca do cano da arma de fogo 
e a vítima, podendo produzir múltiplas lesões. 
FIGURA 29 – LESÕES CUTÂNEAS DE ENTRADAS DE DISPARO DE ESPINGARDA A DISTÂNCIA
FONTE: <http://www.malthus.com.br/mg_8298/dsc08331_b.jpg>. Acesso em: 4 jun. 2020.
TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO, MUNIÇÃO E FERIMENTOS PRODUZIDOS POR ARMAS DE FOGO
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FIGURA 30 – TABELA GERAL: FERIMENTO E DISTÂNCIA
FONTE: <http://revodonto.bvsalud.org/img/revistas/rctbmf/v13n4/a10tab02.jpg>. Acesso em: 4 jun. 2020.
É BOM SABER!
 
1- Somente aponte sua arma, carregada ou não, para onde pretenda atirar.
2- NUNCA engatilhe a arma se não for atirar.
3- A arma NUNCA deverá ser apontada em direção que não ofereça segurança.
4- Trate a arma de fogo como se ela SEMPRE estivesse carregada.
5- Antes de utilizar uma arma, obtenha informações sobre como manuseá-la com um 
instrutor credenciado.
6- Mantenha seu dedo estendido ao longo do corpo da arma até que você esteja 
realmente apontando para o alvo e pronto para o disparo.
7- Ao sacar ou coldrear uma arma, faça-o SEMPRE com o dedo estendido ao longo 
da arma.
8- SEMPRE se certifique de que a arma esteja descarregada antes de qualquer limpeza.
9- NUNCA deixe uma arma de forma descuidada.
10- Guarde armas e munições separadamente e em locais fora do alcance de crianças.
11- NUNCA teste as travas de segurança da arma, acionando a tecla do gatilho.
12- As travas de segurança da arma são apenas dispositivos mecânicos e não substitutos 
do bom senso.
13- Certifique-se de que o alvo e a zona que o circunda sejam capazes de receber os 
impactos de disparos com a máxima segurança.
IMPORTANT
E
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
114
14- NUNCA atire em superfícies planas e duras ou em água, porque os projéteis 
podem ricochetear.
15- NUNCA pegue ou receba uma arma, com o cano apontado em sua direção.
16- SEMPRE que carregar ou descarregar uma arma, faça com o cano apontado para 
uma direção segura.
17- Caso a arma “negue fogo”, mantenha-a apontada para o alvo por aproximadamente 
30 segundos. Em alguns casos, pode haver um retardamento de ignição do cartucho.
18- SEMPRE que entregar uma arma a alguém, entregue-a descarregada.
19- SEMPRE que pegar uma arma, verifique se ela está realmente descarregada.
20- Verifique se a munição corresponde ao tamanho e ao calibre da arma.
21- Quando a arma estiver fora do coldre e empunhada, NUNCA a aponte para qualquer parte 
de seu corpo ou de outras pessoas ao seu redor, só a aponte na direção do seu alvo.
22- Revólveres desprendem lateralmente gases e alguns resíduos de chumbo na folga 
existente entre o cano e o tambor. Pistolas e Rifles ejetam estojos quentes lateralmente; 
quando estiver atirando, mantenha as mãos livres dessas zonas e as pessoas afastadas.
23- Tome cuidado com possíveis obstruções do cano da arma quando estiver atirando. 
Caso perceba algo de anormal com o recuo ou com o som da detonação, interrompa 
imediatamente os disparos, descarregue a arma e verifique cuidadosamente a existência 
de obstruções no cano; um projétil ou qualquer outro objeto deve ser imediatamente 
removido, mesmo em se tratando de lama, terra, graxa etc., a fim de evitar danos à arma e/
ou ao atirador.
24- SEMPRE utilize óculos protetores e abafadores de ruídos quando estiver atirando.
25- NUNCA modifique as características originais da arma, e nos casos onde houver a 
necessidade o faça através armeiro profissional qualificado.
26- NUNCA porte sua arma quando estiver sob efeito de substâncias que diminuam sua 
capacidade de percepção (álcool, drogas ilícitas, medicamentos).
27- NUNCA transporte ou coldreie sua arma com o cão armado.
28- Munição velha ou recarregada NÃO é confiável, podendo ser perigosa. 
FONTE: <http://www.espen.pr.gov.br/arquivos/File/Apostila_Arma_Curta.pdf>. 
Acesso em: 4 jun. 2020.
115
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que: 
• Embora existirem diversos métodos para a classificação as armas de fogo, em geral, 
utilizando critérios técnicos-científicos e as características intrínsecas as armas de 
fogo são classificadas de acordo com tamanho, portabilidade, portátil e não portátil, 
quanto ao sistema de carregamento, quanto ao funcionamento, quanto ao sistema 
de acionamento, quanto à alma do cano. A classificação da arma.
• O calibre da arma de fogo, de acordo com a medida do diâmetro interno do 
cano, são três as nomenclaturas para definir o calibre. São eles: calibre real, 
calibre do projétil e calibre nominal. 
• Munição é o artefato completo para o carregamento e disparo da arma de fogo. 
É de extrema relevância a identificação de cada um dos tipos de munição a fim 
de ser identificada a origem da arma e seus efeitos. 
• Os ferimentos produzidos pelas armas de fogo são vestígios que devem ser 
periciados a fim de estabelecer os elementos que envolvem o delito cometido. Os 
ferimentos produzidos por arma de fogos são do tipo pérfurocontundente e varia de 
acordo com inúmeros fatores, tais como tipo de projétil e distância do tiro. 
116
AUTOATIVIDADE
1 O calibre de uma arma de fogo é a medida do diâmetro interno do cano, de 
acordo com o elemento interno do cano ou do projetil. Nas armas de cano 
com alma raiada é feita a distinção entre calibre real, calibre do projétil e 
calibre nominal. O calibre nominal de uma espingarda indica:
a) ( ) A exata dimensão do diâmetro interno do cano.
b) ( ) O diâmetro expresso em milímetro ou frações de polegada caracterizada, 
por exemplo, pelo tipo de munição.
c) ( ) O nome do fabricante da arma.
d) ( ) O número de esferas de chumbo do calibre. 
2 Os sulcos internos na parte interna dos canos ou tubos de armas de fogo, 
que têm a finalidade de orientar o projétil ou granada de forma a garantir a 
estabilidade da trajetória é denominada: 
a) ( ) Raia.
b) ( ) Alma. 
c) ( ) Tambor.
d) ( ) Cão
3 Arma de fogo é um aparato que arremessa um projétil como resultado 
da força expansiva dos gases gerados pela combustão de um propelente 
confinado em uma câmara que, normalmente, está presa a um cano que tem 
a função de dar continuidade à combustão do propelente, bem como também 
permitir direção e estabilidade ao projétil. Com relação aos cartuchos das 
armas de fogo é CORRETO afirmar: 
a) ( ) O estojo é a embalagem de acondicionamento das pistolas que pode ser 
de couro ou material sintético.
b) ( ) A espoleta é o recipiente localizado na base do estojo que contémuma 
mistura iniciadora que gera uma chama no momento da percussão.
c) ( ) A pólvora não é componente do cartucho.
d) ( ) A bucha é o tipo de propelente que causa a expansão de gases 
arremessando o projétil para frente. 
4 Os ferimentos produzidos por armas de fogo devem ser periciados a fim 
de que sejam verificados os vestígios de forma a identificar elementos 
relevantes para servirem de meios de prova judicial. Os projéteis de arma de 
fogo produzem ferimentos: 
a) ( ) Perfurocortantes.
b) ( ) Cortocontundentes.
c) ( ) Pérfurocontundentes.
d) ( ) Lácerocontundentes.
117
TÓPICO 3
PRÁTICAS PERICIAIS EM BALÍSTICA FORENSE
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Chegando no último tópico de nossos estudos em Balística Forense, após os 
conhecimentos obtidos, analisaremos as práticas periciais mais comuns realizadas pelo 
perito, que são o de confronto microbalístico e resíduos de armas de fogo.
O exame de confronto microbalístico é realizado com o projétil coletado na 
cena de um crime (peça motivo) e uma arma apreendida durante a investigação. 
Veremos que usando técnicas apropriadas é possível coletar uma amostra das 
características do cano dessa arma simplesmente efetuando um disparo com um 
cartucho de mesmas características e resgatando esse projétil (peça padrão) que é 
em seguida confrontado com a peça-motivo. 
Com relação aos resíduos, os expelidos no momento do tiro além do 
projétil, que são tanto sólidos como gasosos, são depositados em superfícies tais 
como as mãos e braços do atirador. Com esse exame é possível relacionar a arma 
do crime e o atirador, o que é de extrema importância para fornecer elementos 
probantes para conjunto de provas processuais que servirão para formar o 
convencimento do julgador.
Ao final, é feito um interessante estudo de caso quando então você terá a 
oportunidade de, na prática, conhecer a importância dos exames periciais. 
2 CONFRONTO MICROBALÍSTICO
No Tópico 2, vimos que a saída do projétil em direção ao alvo resulta de um 
mecanismo articulado e, necessariamente, o projétil obrigatoriamente entra em contato 
direito com a superfície interna do cano. Nesse contato do projétil com a parte interna 
do cano ele incorpora marcas e micro estriamentos em sua superfície. 
 
A arma de fogo possui um sistema de raiamento construído no momento de 
fabricação do cano da arma e nesse processo de fabricação é feito um raiamento em cada 
cano produzido o que introduz no cano uma característica única, que irá diferenciar 
aquela arma produzida de todas as outras. Essa característica única é transferida ao 
projétil disparado por essa arma, como uma espécie de “impressão digital” da arma, e 
é esse efeito no projétil que tem grande importância na perícia.
118
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
Portanto, quando um projétil é coletado na cena de um crime (peça motivo) 
e uma arma é apreendida durante a investigação, usando técnicas apropriadas, é 
possível coletar uma amostra das características do cano dessa arma simplesmente 
efetuando um disparo com um cartucho de mesmas características e resgatando 
esse projétil(peça padrão) que é em seguida confrontado com a peça-motivo. 
FIGURA 31 – RAIAMENTO
FONTE: <http://www.quimica.net/emiliano/artigos/2007fev_forense3.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2020.
À esquerda da linha preta, a bala em questão e à direita da mesma linha 
o padrão de marcas observado nos testes com a arma de fogo. As setas indicam 
as marcas que coincidem, o que confirma que os projéteis foram expelidos pela 
mesma arma.
FIGURA 32 – TIRO EM TÚNEL PERICIAL
FONTE: <http://twixar.me/54mm>. Acesso em: 4 jun. 2020.
Cada arma possui um conjunto único de micro estrias. Ainda que a arma 
seja “lisa”, sem raias, sempre vai possuir minúsculas imperfeições, por exemplo, 
diferenças de densidade e dureza do aço, dentre outros aspectos, que dão um 
caráter único à arma, fazendo com que exista uma espécie de “impressão digital”, 
às marcas existentes nos projéteis expelidos por uma arma de fogo, sendo possível 
o confronto microbalístico.
TÓPICO 3 | PRÁTICAS PERICIAIS EM BALÍSTICA FORENSE
119
Entretanto, o confronto microbalístico não se limita apenas aos projéteis. 
Por exemplo, em caso de haver cápsulas de cartuchos deflagradas na cena do 
crime, é possível analisar as marcas do percutor – pino fixo no culote de um 
tubo, contra o qual é lançada a munição – e as ranhuras produzidas na culatra, 
conforme a figura a seguir.
FIGURA 33 – MARCAS FEITAS PELO PERCUTOR E PELA CULATRA
FONTE: <http://www.quimica.net/emiliano/artigos/2007fev_forense3.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2020.
Em síntese, pode-se dizer que o Confronto Microbalístico é uma 
comparação realizada entre os componentes das marcas e microestriamentos 
dos canos, percutores e culatras produzidos pelos projéteis e nas cápsulas, uma 
comparação de microestriamentos dos projéteis expelidos por arma de fogo, que 
tem como objetivo identificar a arma de fogo que os deflagrou. 
A análise de confronto microbalístico poderá ser genérica ou específica. 
A genérica é aquela que permite a identificação do fabricante da arma, modelo, 
tipo de munição etc. Já através da específica se pode constatar se um projétil foi 
ou não expelido pela arma examinada, a fim de verificar a “impressão digital” da 
arma, conforme já estudado. 
Observe bem a figura a seguir. Você verá como é possível identificar 
exatamente a relação entre o projétil e a arma. 
Marcas da culatra
Marcas de percussão
120
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
FIGURA 34 – O “DNA” DA BALA
FONTE: <http://files.1cas2015.webnode.com/200000226-3ba973ca4d/Tiro%20Policial.pdf>. 
Acesso em: 20 maio 2020.
Leia o breve texto a seguir acerca do exame comparativo nos projéteis. 
Será muito útil para você compreender melhor sobre a perícia em projéteis e será 
muito útil na elaboração e análise de um laudo pericial balístico. 
Os exames comparativos nos projetis podem ser macroscópicos e 
microscópicos, contudo deve-se ressaltar que são sempre realizados os dois, 
sendo primeiro o macroscópico e depois o microscópico para que os peritos 
possam descrever e responder os requisitos formulados pelos operadores 
do Direito, nos termos do artigo 160 do Código de Processo Penal: “os 
peritos elaborarão o laudo pericial, onde descreverão minuciosamente o que 
examinarem, e responderão aos quesitos formulados”.
 
TÓPICO 3 | PRÁTICAS PERICIAIS EM BALÍSTICA FORENSE
121
A caracterização e identificação do material em exame devem ser feita 
por descrição completa e pormenorizada e acompanhada de fotografias que 
deixem registrado o estado em que foi recebido o material. Após isso será 
realizada a limpeza, com remoção de matérias orgânicas ou outras substâncias 
residuais. Após isso se inicia o exame comparativo macroscópico. No exame 
macroscópico se analisa a forma, a massa, o comprimento, o diâmetro, bem 
como o número de inclinação e largura dos ressaltos e cavalos. Para este 
teste são utilizados uma balança de precisão – devendo medir até centésimos 
de gramas, um paquímetro ou micrômetro – para determinar o diâmetro e 
cumprimento do projétil, projeto horizontal de perfil, e lupas manuais.
O exame microscópico é o mais importante e decisivo para a comparação 
dos projetis, sendo através dele estabelecer com certeza a identificação 
individual de uma arma.
Selecionados os projeteis-padrão de cada arma suspeita, será realizada 
a comparação microscópica entre eles, por observação direta na(s) ocular(es) do 
microscópico de comparação, buscando identificar elementos característicos e 
próprios do raiamento de cada arma, impressos na superfície dos projetis-padrão.
Identificados os elementos característicos, realiza-se o confronto com 
o projétil suspeito, também por observação direta. Com este exame, busca-
se localizar as características microscópicas, principalmente as estrias ou 
microestrias convergentes. A respeito das convergências é importante ressaltar: 
nunca serão perfeitas nem totais, porque, mesmo que se disparem vários tiros 
com a mesmaarma, sempre haverá diferenças ínfimas: o cano oxida-se, começa 
a ficar gasto – efetivamente, dentro dele produzem-se deflagrações e de uma 
para outra, podem dar-se modificações.
Se na conclusão de exame os peritos tiverem convicção de que 
determinado projétil foi expelido de um cano de uma arma, terão identificado 
indiretamente que arma expeliu o projétil objeto de exame.
Quando os projetis em análise forem produzidos por impacto contra o 
alvo resistente ou por ricochete, serão observadas deformações acidentais que 
poderão preservar microelementos suficientes nas partes não danificadas para 
a identificação da arma.
A conclusão dos exames comparativos deve ser clara e precisa, 
permitindo que outro perito que não o que tenha realizado os exames, possa a 
qualquer momento chegar às mesmas conclusões.
122
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
A comprovação das convergências macroscópicas indica apenas a 
possibilidade de o projétil questionado ter sido expelido por uma determinada 
arma, mas como há outras armas da mesma marca e calibre, não é possível ter 
certeza. Portanto as convergências macroscópicas não são suficientes para a 
identificação individual da arma de fogo.
Por isso a importância de se realizar os exames microscópicos. Contudo 
haverá casos que o projétil não terá condições para tal exame, devido à ausência 
de microelementos, ou estar parcial ou totalmente deformado ou alisado. 
Tal situação deve constar no laudo pericial, apesar de ser uma conclusão 
categórica, é inconclusivo.
Quando não for possível concluir em termos categóricos, é possível 
concluir o exame em termos de probabilidade, quando a quantidade de 
microelementos susceptíveis de comparação é pequena, mas mesmo assim 
contiver vários microelementos convergentes com os projeteis- padrão.
Contudo, ainda haverá casos em que a ausência ou insuficiência de 
microvestígios de valor criminalístico tornando impossível chegar a uma 
conclusão. Esta situação também deve ser relatada no lado, e o perito deve 
explicar por que não conseguiu concluir o laudo”.
FONTE: <https://dalletvidal.jusbrasil.com.br/artigos/687699597/balistica-forense?ref=serp>. 
Acesso em: 4 jun. 2020.
3 RESÍDUOS DE ARMA DE FOGO
No momento do tiro é expelido, além do projétil, diversos resíduos sólidos 
(provenientes do projétil, da detonação da mistura iniciadora e da pólvora) e produtos 
gasosos (monóxido e dióxido de carbono, vapor d’água, óxidos de nitrogênio e outros) 
também são expelidos (REIS et al., 2003). Observe a figura a seguir: 
FIGURA 35 – RESÍDUOS EXPELIDOS
FONTE: <http://twixar.me/0lmm>. Acesso em: 4 jun. 2020.
TÓPICO 3 | PRÁTICAS PERICIAIS EM BALÍSTICA FORENSE
123
Os resíduos que compõem os resíduos de disparo são compostos 
por materiais diversos, partículas do projétil e partículas não queimadas ou 
parcialmente queimadas de pólvora. Tais materiais são expelidos pelo cano da 
arma, formando uma nuvem cônica de gases e partículas. 
Lentamente, devido a ação de resistência do ar, as partículas vão se depositando 
e as mais pesadas atingem distâncias maiores. Ainda, os resíduos podem “escapar” 
através de outras aberturas da arma, conforme ilustra a figura a seguir. 
FIGURA 36 – RESÍDUOS DE DISPARO E CHAMA QUE ESCAPAM APÓS O DISPARO
FONTE: <https://static.wixstatic.com/media/e58fa1_56dca745a3e74de3819e6f13a3c9c9a1.jpg/v1/fill/
w_308,h_216,al_c,q_80/e58fa1_56dca745a3e74de3819e6f13a3c9c9a1.webp>. Acesso em: 4 jun. 2020.
Os resíduos são de extrema relevância para se determinar a gama a que 
pertence a arma disparada, a distância da arma em relação a vítima e, ainda, a 
identificação do atirador pela presença dos resíduos no indivíduo. 
Casos em que é possível relacionar a arma do crime e o atirador deve-se fazer 
o exame dos resíduos resultantes da detonação, para além da saída do projétil que 
são uma mistura de monóxido de carbono, pólvora, vapor de água etc. Esses resíduos 
podem ficar impregnados nas mãos, braços, cabelos, roupa etc. 
FIGURA 37 – COLETA DE RESÍDUOS
FONTE: < https://lh3.googleusercontent.com/H2gf7eEzZSVsZtL7R0FxAPZ4ZJetPMZWzaHv7u2_
qvSEs8IF4m97ZY37B72uV_qU_Y2_=s85 >. Acesso em: 4 jun. 2020.
124
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
Veja, na figura a seguir, as regiões da mão de atiradores quando submetidos 
à coleta de resíduo: a) palma, b) dorso, c) região de pinça palmar, d) região de 
pinça dorsal. 
FIGURA 38 – MARCAS DE REGISTRO DE RESÍDUO NAS MÃOS
FONTE: Adaptado de <https://www.scielo.br/img/revistas/qn/v27n3/20167f2.jpg>. Acesso em: 4 jun. 2020.
Cabe esclarecer que há variações na condensação dos resíduos de acordo 
com a arma empregada no disparo. Por exemplo, revólveres produzem mais 
partículas esféricas do que pistolas. Ainda outro fator que causa variação é o 
calibre. Quanto maior o calibre, maior o tamanho médio das partículas. Ainda a 
composição pode variar, dependendo dos explosivos da espoleta. 
4 ESTUDO DE CASO: QUANDO O EXAME 
EM RESÍDUO É RELEVANTE
Para finalizar nossos estudos trazemos um estudo de caso. O caso Bernardo. 
Entretanto, vamos nos centrar não na morte do menino Bernardo que chocou todo 
país, mas na morte da mãe de Bernardo que havia ocorrido poucos anos antes. 
A mãe de Bernardo, Odilaine Ugulini, segundo as investigações oficiais, 
havia cometido suicídio com arma de fogo no consultório de seu marido, o pai e 
assassino de Bernardo, Leandro Boldrini. 
Com a descoberta do crime cometido por Leandro e sua personalidade 
assassina, familiares exigem a reabertura de investigação da morte de Odiliane 
porque nunca haviam acreditado que ela havia se suicidado.
A principal prova que sustou a dúvida da família foi o exame de resíduo de 
pólvora nas mãos de Olidiane. Leia, reflita, use os conhecimentos obtidos e conclua.
TÓPICO 3 | PRÁTICAS PERICIAIS EM BALÍSTICA FORENSE
125
Síntese do caso: 
Em abril de 2014, o menino Bernardo Uglione Boldrini, nascido em 
Santa Maria (Rio Grande do Sul), à época com 11 anos de idade foi dado como 
desaparecido. O pai, Leandro Boldrini comunicou à polícia que seu filho havia 
ido dormir na casa de um amigo no dia 4, mas quando foi à casa do amigo, 
no dia 6, tomou conhecimento que o menino não havia chegado lá. Após o 
início das buscas a polícia chega a Edelvânia, amiga da madrasta de Bernardo, 
Graciele, e descobre que na tarde do dia 4 de abril daquele ano havia sido 
multada por excesso de velocidade entre os municípios de Tenente Portela e 
Palmitinho, cerca de 50 km da cidade de Três Passos com o menino Bernardo no 
banco de trás. Seguia para Frederico Wetphalen, onde encontraria Edelvânia 
Wirganovicz. A investigação chegando até Edelvânia em sua casa foram 
encontradas uma pá e cavadeira. Por fim, Edelvânia confessa onde o corpo 
estava enterrado e afirmou que o menino havia sido morto com uma injeção 
letal. Imediatamente foi expedida ordem de prisão para o pai e madrasta 
de Bernardo. No exame cadavérico foi encontrada a droga Midazolam no 
fígado, rins e estômago do menino. Ao final, entre os dias 11 a 15 de março 
de 2019 feito o julgamento e chegou à sentença de condenação de Leandro foi 
condenado a 33 anos e 8 meses de prisão em regime fechado por homicídio 
doloso quadruplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade 
ideológica. Graciele foi condenada a 34 anos e 7 meses de prisão em regime 
fechado por homicídio quadruplamente qualificado e ocultação de cadáver. 
Edelvânia foi condenada a 22 anos e 10 meses de prisão em regime fechado 
por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Evandro foi 
condenado a 9 anos e 6 meses em regime semiaberto por homicídio simples 
e ocultação de cadáver. Evandro, que já cumpria pena há 5 anos, cumprirá o 
restante no regime semiaberto. 
Ocorre que a mãe de Bernardo, Odilaine Ugulini havia cometido suicídio 
em 2010 com arma de fogo no consultório do pai de Bernanrdo, que era médico. 
Entretanto, após a morte de Bernardo foi levantada a suspeita de que Odilaine não 
havia se suicidado, mas sim morta pelo mesmo assassino de seu filho. 
Então,foi requerida reabertura de investigação policial com base no 
exame residuográfico feito nas mãos de Odiliane. 
FONTE: Adaptado de <http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/04/bernardo-morreu-
dia-4-de-abril-de-forma-violenta-diz-atestado-de-obito.html>. Acesso em: 5 jun. 2020. 
A seguir, leia o que foi divulgado pela imprensa sobre o laudo. 
126
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
“APÓS VER LAUDO, ADVOGADO VOLTA A CONTESTAR 
SUICÍDIO DE MÃE DE BERNARDO”
Ilustração de laudo demonstra o trajeto da bala que matou Odilaine (Foto: Reprodução)
Após acessar a íntegra do inquérito sobre a morte da mãe de Bernardo 
Boldrini, de 11 anos, o advogado Marlon Taborda, defensor da avó materna do 
menino, promete ingressar na Justiça para solicitar a reabertura da investigação 
policial, que em 2010 apontou para um suicídio de Odilaine Uglione. Segundo 
ele, entre as informações novas que colocariam em xeque a versão oficial está 
um exame residuográfico indicando presença de pólvora na mão esquerda da 
mulher, enquanto ela era destra.
De acordo com o inquérito da polícia, Odilaine cometeu suicídio com 
um tiro na boca dentro do consultório do pai de Bernardo, Leandro Boldrini, 
no dia 10 de fevereiro de 2010. No documento, consta que ela comprou 
um revólver calibre 38 pouco antes de ir à clínica. Além disso, também há 
o registro de um bilhete em que a secretária do médico, Andressa Wagner, 
entregaria ao patrão, alertando sobre a chegada de Odilaine. O processo conta 
com depoimentos de testemunhas que estavam na sala de espera no dia da 
morte e com documentos referentes a uma possível divisão da pensão a ser 
paga após o processo de separação do casal.
TÓPICO 3 | PRÁTICAS PERICIAIS EM BALÍSTICA FORENSE
127
Laudo pericial atesta presença de pólvora na mão esquerda, mas, segundo Taborda, Odilaine 
era destra (Foto: Reprodução)
Ao voltar a questionar o inquérito nesta sexta-feira (2) mediante a análise 
de laudos periciais, o advogado da avó materna de Bernardo também avaliou que 
a polícia teria ignorado informações sobre o percurso da bala que matou Odilaine. 
“A perícia diz que a perfuração do palato (céu da boca) superior esquerdo se deu de 
baixo para cima indo à direção esquerda do crânio. Fazer isso com a mão esquerda, 
em tese, é humanamente impossível”, avaliou o defensor.
Para Taborda, contudo, o dado mais relevante para provocar a reabertura 
da investigação seria a identificação de resquícios de pólvora na mão esquerda. "O 
exame residual refere duas coisas: ela poderia estar com a mão próxima da arma 
ou poderia estar fazendo movimento de defesa. Ela não era canhota e sim, destra. 
E o laudo diz de forma categórica que pode ter sido outra [pessoa] ou uma reação 
de defesa. O laudo diz isso", enfatizou. Taborda listou outras duas informações 
que, segundo ele, constam no inquérito e poderiam gerar uma reviravolta no caso: 
documentos apontam para a existência de uma informação anônima, vinda de 
alguém com voz de mulher, que teria o objetivo de direcionar a investigação. Além 
disso, o acesso ao inquérito lhe permitiu concluir que o caso foi encerrado antes da 
chegada de laudos da perícia.
FONTE: <http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/caso-bernardo-boldrini/noticia/2014/05/apos-
ver-laudo-advogado-volta-contestar-suicidio-de-mae-de-bernardo.html>. Acesso em: 4 jun. 2020. 
Nesse caso, especificamente sobre a morte da mãe de Bernardo o exame 
residuográfico foi relevante por colocar em dúvida a versão oficial. Veja que 
Odiliane era destra, ou seja, utilizava como mão preferencial a direita, então 
pergunta-se: por que os resíduos de pólvora estavam na mão esquerda? 
128
UNIDADE 2 | BALÍSTICA FORENSE
LEITURA COMPLEMENTAR
“A BALÍSTICA FORENSE E O PERITO CRIMINAL”
Dentre os muitos ramos do trabalho da Perícia Criminal Oficial, hoje 
traremos algumas informações sobre a Balística Forense. É a área de conhecimento 
que analisa as armas de fogo, a munição e os efeitos dos tiros. Obviamente para 
ser motivo de encaminhamento para algum órgão pericial esta evidência deverá 
ter alguma relação com delitos apurados pelas forças de segurança.
Inicialmente, é bom lembrar que a ação da arma de fogo se dá por meio de 
reações químicas, neste caso, ação dos gases. A partir de um elemento propulsor/
propelente (pólvora) a força gerada dentro da arma é destinada para lançar 
projéteis. Ou seja, a munição é o projétil a ser disparado incluindo o cartucho 
(estojo) com um propelente no seu interior. Em sua ponta fica o projétil e na base 
o elemento de iniciação (espoleta). No momento da ignição da reação há uma 
explosão dentro do estojo no qual os gases se expandem muito rapidamente e 
com a força para empurrar o projétil na direção apontada pela arma.
A balística forense pode ser dividida em três linhas de análises: Balística 
Interna (estuda a estrutura, mecanismos e funcionamentos das armas); Balística 
Externa (estuda a trajetória do projétil, desde a arma até o anteparo final); e a 
Balística dos Efeitos (estudas os efeitos gerados pelo projétil, também conhecida 
como balística do ferimento).
Atuando dentro da área da Balística Interna, por motivos de segurança, a 
primeira ação a ser tomada pelo perito ao analisar uma arma de fogo é verificar se ela 
está desmuniciada. Verifica-se o tambor, carregadores removidos, munição na câmara 
de explosão e se não ficou alguma munição no cano da arma após algum defeito 
durante o disparo anterior. Em seguida, na análise direta ou imediata, aquela feita na 
própria arma utilizada no delito, é definido se o artefato realmente tem condições de 
efetuar disparos por meio do Exame de Eficiência e Prestabilidade.
Após a análise, o perito deverá informar se a arma pode disparar algum 
tiro. Caso não possa, será necessário apresentar o motivo da ineficiência. De 
qualquer maneira, o trabalho de identificação deverá ser minucioso para 
descrever a arma, objetos e munições analisados. Espera-se do laudo dados como 
formato, aparência, dimensões, marcas, sinais aparentes, numerações, estado 
de conservação, além de outras informações consideradas necessárias para o 
trabalho pericial e policial.
Com relação aos projéteis os itens a serem levantados são: constituição 
(formato e material), o peso (massa em gramas), diâmetro da base, comprimento, 
calibre, número e orientação de ressaltos e cavados e deformações acidentais.
FONTE: <https://www.periciacriminalbr.com/post/balistica_e_perito>. Acesso em: 4 jun. 2020. 
129
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que: 
• Após a saída do projétil em direção a um alvo o projétil entra em contato direito com 
a superfície do cano, quando então o projétil incorpora em sua superfície marcas e 
micro estriamentos em sua superfície. Colhido o projétil e a arma na cena de um 
crime é feito um exame chamado de Confronto Microbalístico que permite com 
exatidão determinar a arma utilizada, ângulo do atirador e distância.
• As armas de fogo ao efetuarem o disparo além do projétil são expelidos resíduos 
sólidos e gasosos que formam uma nuvem cônica de gases e partículas que acabam 
se depositando. Através do exame de tais resíduos que se depositam no atirador é 
possível conhecer a autoria de um crime praticado com arma de fogo. 
• Utilizando um estudo de caso pode-se compreender, não apenas a relevância 
do trabalho do perito, como também como uma investigação oficial de uma 
morte pode ser elucidada. 
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
130
1 A saída do projétil de uma arma de fogo em direção ao alvo resulta de 
um mecanismo articulado que produz contato entre o projétil e a superfície 
interna do cano. Nesse contato, o projétil fica com uma “impressão digital” da 
arma por ficar marcado pela parte interna do cano e por micro estriamentos 
em sua superfície. O exame pericial realizado no projétil raiado e outro 
produzidopela superfície pela arma relacionada ao crime chama-se:
a) ( ) Confronto Armado.
b) ( ) Raiamento Pericial.
c) ( ) Confronto Balístico
d) ( ) Confronto Microbalístico. 
2 Através do exame de confronto microbalístico é possível ser determinada 
as marcas deixadas no projétil quando, no momento do disparo, entra em 
contato com o cano da arma. Mesmo nas armas sem raias internas é possível 
ser feito o exame porque: 
a) ( ) Sempre haverá minúsculas imperfeições, diferenças de densidade e 
dureza do aço dão um caráter único a arma.
b) ( ) Nas armas sem raia o projétil é arremessado sem nenhuma imperfeição.
c) ( ) O exame de confronto microbalístico nas armas sem raias não é possível. 
d) ( ) As armas sem raia não são utilizadas para exames de confronto microbalístico. 
3 No momento do tiro são expelidos resíduos sólidos e gasosos que formam 
uma espécie de “nuvem”. Devido a ação de resistência do ar os resíduos 
se depositam no atirador. O exame dos resíduos do disparo realizado nas 
mãos de um suposto atirador chama-se:
a) ( ) Exame Datiloscópio.
b) ( ) Exame Radiológico.
c) ( ) Exame Residuográfico.
d) ( ) Exame Digital. 
4 Os resíduos que compõem os resíduos de disparo são compostos por 
materiais diversos, partículas do projétil e partículas não queimadas ou 
parcialmente queimadas de pólvora. Sobre o “escape” dos resíduos é 
CORRETO afirmar: 
a) ( ) Os resíduos podem “escapar” através de outras aberturas da arma além 
da boca do cano.
b) ( ) Os resíduos não escapam por isso pode ser feito exame residual na arma.
c) ( ) A resistência do ar não é responsável pelo depósito de resíduo de 
disparo e sim a distância em que o tiro é dado. 
d) ( ) Os resíduos apenas escapam apenas pelo cano da arma. 
AUTOATIVIDADE
131
UNIDADE 3
DOS CRIMES RELACIONADOS 
À PERÍCIA VEICULAR E SEUS 
ELEMENTOS IDENTIFICADORES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender a diferença entre os crimes de roubo e furto, precisamente de 
veículos e suas respectivas consequências;
• perceber os elementos identificadores dos veículos;
• compreender quais são e onde podem ser observados os caracteres da 
codificação do chassi, a decodificação das numerações de motores, 
câmbios, eixos e vidros e suas formas de adulteração;
• identificar a codificação original adulterada.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR
TÓPICO 2 – ELEMENTOS IDENTIFICADORES DOS VEÍCULOS
TÓPICO 3 – FORMAS DE ADULTERAÇÃO DA CODIFICAÇÃO ORIGINAL
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
132
133
TÓPICO 1
DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Na maioria dos casos em que se pode observar a ocorrência de adulteração 
ou obstrução de sinais de veículos automotores, percebe-se que decorrem de um 
crime antecedente. Geralmente, esses crimes são de furto ou roubo de veículos.
Para tanto, é necessário saber, pormenorizadamente, a respeito destes 
delitos, isto é, quando se caracterizam, quem pode cometê-los, qual a distinção 
entre eles e suas respectivas sanções.
Após o estudo deste tópico, acadêmico, temos certeza de que você 
perceberá que, muitas vezes, costumeiramente, falou ou ouviu algum conhecido 
dizer que foi roubado, sendo que o correto seria furtado ou vice-versa.
Agora, passamos à análise a fim de não pairar mais dúvidas sobre esse tema! 
2 CRIME DE FURTO DE VEÍCULOS 
O crime de furto está tipificado em nosso Código Penal, em seu artigo 155, 
no título que trata sobre os crimes contra o patrimônio. É um tipo penal comum, 
isso quer dizer que qualquer pessoa pode ser sujeito ativo e passivo do crime.
O legislador brasileiro, ao criar o referido delito, visou proteger o 
patrimônio individual de todo cidadão. Devido a isso, o bem jurídico a ser 
tutelado, ou seja, a ser protegido pelo nosso código ao nos referirmos ao crime de 
furto, é o patrimônio de cada um. O Código Penal Brasileiro (1940), em seu artigo 
155, conceitua furto:
Furto
Art. 155 – Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 1o - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante 
o repouso noturno.
§ 2o - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, 
o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la 
de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.
§ 3o - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra 
que tenha valor econômico.
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
134
Nas palavras de Guilherme de Souza Nucci (2018, s.p.), podemos 
compreender cada elementar exigida para a configuração do delito:
Subtrair significa tirar, fazer desaparecer ou retirar e, somente em 
última análise, apoderar-se. O elemento normativo do tipo alheia é toda 
coisa que pertence a outrem, seja a posse ou a propriedade. Quanto ao 
conceito de móvel, para os fins penais, é a coisa que se desloca de um 
lugar para o outro. Trata-se do sentido real, e não jurídico […]. Coisa 
é tudo aquilo que existe, podendo tratar-se de objetos inanimados ou 
de semoventes […].
Como se vê, o delito de furto é baseado na clandestinidade. É a subtração 
da coisa sem a observância da vítima. É o retirar algo sem o seu consentimento e 
de forma oculta, secreta, subterrânea. 
 
No presente estudo, significa dizer que furto de veículo é a subtração 
dele, em qualquer local que esteja, que foi retirado da esfera de vigilância do seu 
proprietário e/ou possuidor e sem o seu consentimento. Para esse delito, nosso 
código institui a pena de um a quatro anos de reclusão, e multa.
Diante disso, observamos e conceituamos a figura típica do furto simples. Além 
do tipo penal na forma simples, temos o furto majorado, que é quando o Código Penal 
acrescenta à figura do furto simples algumas condições como forma de ação. 
 
Assim, podemos observar no §1ᵒ do artigo citado, um aumento de pena 
de 1/3, no caso de furto de veículo ter ocorrido durante o repouso noturno.
Justifica-se esse aumento pela circunstância especial que, no decorrer da 
noite, as pessoas exercem menor vigilância sobre seus bens, pois estão repousando 
e, consequentemente, há uma menor movimentação na sociedade, o que acaba 
por facilitar a perpetração do crime.
No artigo 155, §§ 4ᵒ, 4ᵒ-A, 5ᵒ, 6ᵒ e 7ᵒ do Código Penal (1940), temos a figura 
do furto qualificado, que é quando, em decorrência de situações acrescidas pelo 
nosso código, a pena do crime é maior que a do furto simples. Vejamos:
Furto	qualificado
§ 4o - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
I- com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
II- com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
III- com emprego de chave falsa;
IV- mediante concurso de duas ou mais pessoas.
§ 4o - A A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se 
houver emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo 
comum.
§ 5o - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de 
veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou 
para o exterior.
§ 6o - A pena é de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos se a subtração 
for de semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou 
dividido em partes no local da subtração.
§ 7o - A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se a 
subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta 
ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. 
 
TÓPICO 1 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR
135
Exemplificando, acadêmico, caso um veículo seja furtado em frente a sua 
casano decorrer do dia, o agente causador incorrerá no tipo penal descrito no 
artigo 155, na forma simples. Caso esse mesmo crime ocorra na calada da noite, o 
sujeito ativo incorrerá no artigo 155, §1ᵒ do Código Penal, na sua forma majorada. 
Agora, caso o delito tenha sido cometido nas mesmas circunstâncias, durante 
o dia, mas por duas pessoas, incorrerão no furto qualificado, ou seja, na figura 
típica do artigo 155, §4ᵒ, inciso IV. Percebam que em todas situações a pena do 
delito será diferenciada.
A intenção do legislador foi buscar uma proporcionalidade entre as condutas 
e a respectiva sanção. Ou seja, quem comete o furto na forma mais grave não merece 
receber a pena do furto simples, mas sim com o seu devido aumento. 
É possível a ocorrência de furto de coisas abandonadas ou não pertencentes 
a ninguém? Não, pois coisas abandonadas ou que não pertencem a uma determinada 
pessoa não são capazes de integrar o patrimônio de alguém, o que, por consequência, não 
são bens tutelados pelo tipo penal de furto.
IMPORTANT
E
3 DO CRIME DE ROUBO DE VEÍCULOS
Assim como o crime de furto, o delito de roubo está compreendido no 
título que trata sobre os crimes contra o patrimônio, contudo, tipificado em nosso 
Código Penal, em seu artigo 157.
O bem jurídico tutelado no crime de roubo, assim como no delito de furto, 
é o patrimônio de todo cidadão. Contudo, por se tratar de um crime complexo, 
se protege de forma mediata, a integridade física, a liberdade e a vida, quando 
tratamos do roubo qualificado com lesão corporal e com resultado morte. 
 
Mirabete (2001, p. 235) fala sobre o tema ao afirmar que por se tratar de um 
crime complexo, objeto jurídico imediato do roubo é o patrimônio. Tutelam-se, também, 
a integridade corporal, a liberdade e, no latrocínio, a vida do sujeito passivo. 
É um tipo penal comum, o que significa dizer que não há exigência pelo 
nosso ordenamento jurídico de alguma circunstância do agente causador, por 
exemplo, para os crimes de peculato, em que se exige a figura do funcionário 
público ou para os crimes de aborto, em que é necessário a mulher grávida para a 
caracterização. Nesse sentido, qualquer pessoa poderá ser agente ativo e passivo 
do crime de roubo. 
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
136
De forma geral, consideramos roubo a subtração de algo com o emprego de 
violência, ou mesmo após subtraída a coisa, o agente da ação reduz a possibilidade de 
resistência pelo seu dono. A coisa subtraída, no caso em análise, o veículo automotor, 
pode ser para si ou para pessoa diversa. Vejamos como diz o Código:
Roubo
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante 
grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer 
meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
O conceito de subtrair, coisa móvel e alheia são os mesmos trabalhados no 
delito de furto. Entretanto, Nucci (2018, s.p.) explana sobre a elementar exigida 
para a configuração do delito de roubo:
[…] Grave ameaça é o prenúncio de um acontecimento desagradável, 
com força intimidativa, desde que importante e sério. O termo violência, 
quando mencionado nos tipos penais, como regra, é traduzido como 
forma de constrangimento físico voltado à pessoa humana. 
Como se vê, o que diferem os delitos é a presença da grave ameaça ou 
violência investida contra a pessoa (sujeito passivo/vítima). Cabe ainda esclarecer 
que essa violência não necessariamente precisa ser contra o possuidor da coisa, 
mas pode recair sobre um terceiro a fim de obter o bem de outro.
Assevera Fragoso (2003, p. 342): “a execução deve dar-se, porém, 
mediante violência à pessoa (esforço corporal sobre a vítima), ameaça (violência 
moral) ou por qualquer meio que reduza a vítima à impossibilidade de resistir 
(narcóticos, estupefacientes)”. 
Diante disso, conforme o tipo penal, a violência poderá vir antes ou depois 
da subtração da coisa, mas obrigatoriamente tem que estar empregada contra a 
pessoa. Poderá ainda ser de diversas formas, como violência física, intimidativa, 
moral ou qualquer outro meio capaz causar temor na vítima. 
Portanto, observamos e conceituamos a figura típica do roubo simples, o 
qual é punido com pena de quatro a dez anos de reclusão. 
Assim como no furto, além do tipo penal na forma simples, temos o roubo 
majorado, que é quando o Código Penal acrescenta à figura do roubo simples 
algumas condições como forma de ação. Essas condições são consideradas 
somente as definidas nos parágrafos e incisos do próprio artigo 157. 
 
Frise-se que, em nenhuma hipótese serão admitidas outras formas além 
das descritas no rol do código, sob pena de estarmos legislando em matéria penal, 
o que é extremamente proibido em decorrência do princípio da reserva legal. Por 
isso, dizemos que o rol é taxativo. Vejamos quais são essas condições:
TÓPICO 1 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR
137
§ 2ᵒ A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade:
I- (revogado); 
II- se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III- se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente 
conhece tal circunstância.
IV- se a subtração for de veículo automotor que venha a ser 
transportado para outro Estado ou para o exterior; 
V- se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade. 
VI- se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios 
que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, 
montagem ou emprego. 
VII- se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de 
arma branca.
2ᵒ-A. A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços): 
I- se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo; 
II- se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego 
de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. 
§ 2ᵒ-B. Se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de 
arma de fogo de uso restrito ou proibido, aplica-se em dobro a pena 
prevista no caput deste artigo.
 
Pode-se perceber que as condições estipuladas no § 2ᵒ possuem um aumento 
da pena de roubo em 1/3 até a metade, já as do § 2ᵒ-A sofrem um aumento de 2/3. 
A intenção do legislador foi buscar uma proporcionalidade entre as condutas e a 
respectiva sanção. Ou seja, quem comete o roubo na forma mais grave não merece 
receber a mesma pena do roubo simples, mas sim com o seu devido aumento. 
 
A título de exemplo, imaginemos um roubo de um veículo automotor 
realizado no estado de Santa Catarina e, posteriormente, transportado para outro 
estado brasileiro ou até mesmo para o Paraguai. Nesses casos, o agente infrator 
responderá pelo crime de roubo majorado com pena aumentada de 1/3 (um terço) 
até metade, pois presente a circunstância do § 2ᵒ, inciso IV.
 
Caso o crime seja tão-somente o roubo do veículo de uma cidade para 
outra ou com a permanência neste local, o agente responderá apenas pelo roubo 
simples. Ressalta-se que para a configuração do crime de roubo, como visto 
anteriormente, é necessário a presença da grave ameaça ou violência a pessoa.
Fragoso (2003, p. 342) reforça o entendimento quando diz que “a distinção 
conceitual entre furto e roubo é que no primeiro a subtração é clandestina; no 
segundo, o arrebatamento é público e violento”.
 
Agora que já se sabe o conceito do crime de roubo e quando ele se torna 
majorado, ou seja, com o aumento de pena, deixamos claro que temos ainda no 
§ 3ᵒ do artigo 157, a figura do roubo qualificado. Contudo, por não ser objeto do 
nosso estudo, não nos aprofundaremos no tema, mas é importante que saibam 
que é quando do cometimento do crime de roubo resulta em um novo crime, 
como lesão corporal grave ou até mesmo a morte, possuindo assim penas maiores 
do que o roubo simples, de 07 a 18 anos e, de 20 a 30 anos, respectivamente.
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
138
O crime de roubo (Art. 157) possui as mesmas características do delitode furto 
(Art. 155). O que os diferem é a exigência da presença da grave ameaça ou violência à pessoa. 
ATENCAO
Em uma pesquisa realizada por Cecere (2010), constatou-se que há um equilíbrio 
entre a ocorrência de furtos de veículos. Os veículos mais antigos, ou seja, com mais de 10 
anos, são mais furtados. E, quando mais novos os veículos, são objetos de roubo.
IMPORTANT
E
4 CRIME DE ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR 
DE VEÍCUO AUTOMOTOR 
Além dos crimes de furto e roubo de veículos, outro delito que 
ocasionalmente encontramos quando se refere à perícia veicular é o tipo penal 
instituído no artigo 311, ou seja, a adulteração de sinal identificador de veículo 
automotor. Em conformidade ao artigo citado, vemos que é crime:
Adulteração de sinal identificador de veículo automotor
Art. 311 - Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer 
sinal identificador de veículo automotor, de seu componente ou 
equipamento:
Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa. 
§ 1ᵒ - Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em 
razão dela, a pena é aumentada de um terço. 
§ 2ᵒ - Incorre nas mesmas penas o funcionário público que contribui 
para o licenciamento ou registro do veículo remarcado ou adulterado, 
fornecendo indevidamente material ou informação oficial. 
O delito de adulteração de sinal de veículos é um crime que independe de 
outro tipo penal, ou seja, de furto ou roubo de veículos e/ou do crime de receptação. 
Pode-se afirmar que é um crime autônomo, bastando a sua adulteração para a 
configuração da infração.
O bem jurídico tutelado deste tipo penal, diferente dos delitos de furto e 
roubo, é o da fé pública. O tipo penal visa proteger a identificação do veículo e 
seus sinais identificadores, bem como a propriedade e segurança no registro de 
automóveis. Devido a isso, tem como sujeito passivo o Estado, pois é ele quem se 
torna prejudicado com a consumação desse delito.
 
TÓPICO 1 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR
139
Diz-se fé pública, conforme Masson (2017), por ser necessária a 
credibilidade e a autenticidade de certos atos, documentos, sinais e símbolos 
empregados nas relações diárias. Não se trata de proteção de bens particulares 
e privados, mas sim na confiabilidade de documentos e atos para as relações 
coletivas. Para o autor, este é o motivo da tutela penal do Estado, eis que sem a fé 
pública, a ordem jurídica teria sérios problemas.
 
É também um crime comum, no qual pode ser cometido por qualquer 
pessoa. Contudo, caso o autor do delito possua a qualidade de funcionário 
público, aplicam-se as majorantes dos §§ 1ᵒ e 2ᵒ.
 
Como visto no descrito pelo Código Penal, considera-se como conduta 
típica deste delito, a adulteração ou remarcação de chassi ou qualquer sinal 
identificador de veículo automotor. 
Entende-se como ações nucleares do tipo penal, a adulteração (falsificação, 
mudança, modificação) ou remarcação (marcar novamente, tornar a marcar) 
qualquer sinal de identificação do veículo automotor. 
Quais seriam esses sinais identificadores, acadêmico? O que é um chassi? 
Veremos esse tema, detalhadamente, no próximo tópico desta unidade. 
 
Entretanto, podemos adiantar que, de forma análoga, um chassi e esses 
sinais identificadores dos veículos é como a nossa carteira de identidade. É nela 
que constam as informações que nos diferem das demais pessoas. Por mais que 
existam pessoas homônimas, isto é, com nomes iguais, comuns, por exemplo, 
João da Silva, o que irá diferenciá-lo dos outros são os sinais identificadores, como 
CPF, paternidade, maternidade, local de nascimento etc. Assim também são os 
veículos. Vemos diversas marcas e modelos iguais, mas são os chassis, placas do 
carro e a sua documentação que diferem uns dos outros.
 
Quando há, intencionalmente, a remarcação ou adulteração desses sinais 
sem a devida autorização do Departamento de Trânsito, temos a caracterização 
deste crime. Podemos citar como exemplos mais corriqueiros, a alteração e ou 
violação dos números do chassi e clonagem das placas identificadoras.
Acadêmico, e a fita adesiva utilizada na placa do veículo pode ser 
considerada uma adulteração ou remarcação de sinal identificador do veículo? 
Há grandes divergências jurisprudenciais e na doutrina nesse sentido. Em alguns 
julgados, vemos sim, que é considerada uma adulteração, independente do fim 
específico da conduta. Contudo, outra linha diverge no sentido de que a utilização 
da fita isolante é temporária e de fácil percepção por qualquer pessoa. Para estes, 
por ser uma adulteração temporária não configura o crime. 
Para nossos estudos, nos basearemos na decisão do Superior Tribunal de 
Justiça (2018) sobre o tema, que considera crime:
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
140
Recurso Especial. Crime de Adulteração de Sinal Identificador 
de Veículo Automotor. Uso de Fita Adesiva para Alterar a Placa 
do Automóvel. Conduta Típica. Posicionamento Consolidado do 
STJ. Precedentes. Parecer pelo Provimento do Recurso Especial do 
Ministério Público. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, 10 
de abril de 2018.
Como visto, o artigo 311 do Código Penal nos diz que a conduta do sujeito 
ativo do crime recai sobre qualquer sinal identificar do veículo. Sendo assim, 
passaremos a analisar que sinais são esses no nosso próximo tópico. 
 
Vamos em frente, acadêmico!
Nos artigos 114 ao 135 do Código de Trânsito Brasileiro, temos as regras de 
identificação, registro e licenciamento dos veículos. É imprescindível, acadêmico, que você 
faça uma leitura para o engrandecimento do seu estudo. Poderá consultar no site: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503.htm.
DICAS
141
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• Crime de furto e roubo são distintos, cada qual com sua conduta e características.
• As sanções aplicadas aos agentes ativos desses crimes são individualizadas e 
de forma diferenciada.
• Os sujeitos ativos e passivos desses delitos podem ser quaisquer pessoas, sem 
necessidade de qualidade específica.
• Há diversos tipos penais como simples, majorados e qualificados.
• Determinadas ações podem ser consideradas como típicas no crime de 
adulteração de sinal identificador de veículo automotor.
142
1 Sobre os crimes de Furto e Roubo, analise os itens a seguir:
I- O crime de furto cujo objeto de tutela jurídica é a propriedade e a posse 
tem ação típica que consiste em subtrair, para si ou para outrem, coisa 
alheia móvel.
II- Roubo qualificado, segundo o Código Penal, artigo 155, é aquele que 
ocorre com destruição ou rompimento de obstáculo; abuso de confiança, 
ou mediante fraude, escalada ou destreza; emprego de chave falsa ou 
mediante concurso de duas ou mais pessoas.
III- Em se tratando de furto, equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou 
qualquer outra que tenha valor econômico.
IV- A pena para o crime de roubo, tipificado no artigo 157, é de reclusão de 
quatro a dez anos, e multa.
Analisados os itens, é CORRETO afirmar que:
a) ( ) Apenas o item I está incorreto.
b) ( ) Apenas o item II está incorreto.
c) ( ) Apenas o item IV está incorreto.
d) ( ) Todos os itens estão corretos.
2 João da Silva é considerado culpado pela prática do crime de roubo 
capitulado no Código Penal. Nos termos das normas aplicáveis, sua pena 
será acrescida de 1/3 quando:
a) ( ) Há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de 
explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum.
b) ( ) A subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado 
para outro Estado ou para o exterior.
c) ( ) Qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou morte.
d) ( ) A violência é exercida com arma de fogo.
3 A conduta de quem utiliza fita isolante para adulteração do número de 
identificação da placa de veículo automotor, em conformidade com o 
entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça é considerada:
a) ( ) Figura atípica.
b) ( ) Crimede adulteração de sinal de veículo automotor, previsto no artigo 
311 do Código Penal.
c) ( ) Crime de falsificação de documento particular.
d) ( ) Crime de falsificação de documento público.
AUTOATIVIDADE
143
TÓPICO 2
ELEMENTOS IDENTIFICADORES DOS VEÍCULOS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Em um aspecto global, a criminalidade tem aumentado consideravelmente. 
Crimes como clonagem de veículos, adulteração, receptação de automóveis e 
suas peças furtadas e roubadas, desmanches etc., fazem parte, praticamente, de 
infrações diárias ocorridas mundialmente.
Como medida de verificação da materialidade desses delitos, temos 
características que são insubstituíveis e imutáveis, salvo com autorização dos 
órgãos responsáveis, ordenadas em obediência à legislação. 
 
Diante disso, acadêmico, se passa a analisar quais são essas características, 
o que tratam as resoluções e normas legais sobre o assunto e como identificar 
esses elementos.
2 DOS SINAIS IDENTIFICADORES DE VEÍCULO AUTOMOTOR
Como estudado anteriormente, o tipo penal do artigo 311 tem como objeto 
material a proteção do número do chassi ou outro sinal identificador de veículo 
automotor, de seu componente ou equipamento. 
Inicialmente, acadêmico, temos que definir e conceituar o que seriam 
esses sinais identificadores de veículo automotor. Para Nucci (2006, p. 231), 
“é qualquer marca inserida no veículo para individualizá-lo, ou seja, torná-lo 
próprio e único”. 
 
É claro que, para fins da materialização do delito, não poderá ser qualquer 
marca aleatória, como um adesivo, um arranhão ou um amassado que o diferencie 
dos demais veículos, mas sim uma marca definida pela legislação assegurando da 
sua autenticidade.
 
A fim de facilitar o estudo, dividiremos esses sinais identificadores em 
subtópicos. Vamos ao aprendizado! 
144
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
2.1 DO DOCUMENTO DO VEÍCULO 
O documento do veículo é outro sinal de identificação com base no Código 
de Trânsito Brasileiro. Conforme previsão legal dos artigos 120 e seguintes, é com 
o Certificado de Registro de Veículos e o seu devido licenciamento que dá a sua 
condição de circulação. 
 
O controle de informações dos veículos, de forma nacional e padronizada, 
foi instituído pelo Ministério da Justiça, com a criação do RENAVAM (Registro 
Nacional de Veículos Automotores). 
Assim, as informações sobre os veículos e proprietários ficam sob 
responsabilidade das Delegacias de Trânsito de cada Estado (DETRANs), que, de 
forma nacional, integram esse sistema automatizado. 
Cecere (2010, p. 24) nos descreve o procedimento de inscrição na base de 
índice nacional (BIN) do sistema RENAVAM e seus respectivos módulos:
[...] os veículos são inseridos na Base de Índice Nacional (BIN) pelas 
informações fornecidas pelas montadoras (pré-cadastramento) e 
são utilizados pelos DETRANs na emissão dos documentos dos 
respectivos veículos. 
O Sistema RENAVAM foi concebido em módulos, com as seguintes 
finalidades: 
a) pré-cadastramento – os dados de veículos nacionais são fornecidos 
pelas montadoras e os de veículos importados pelas unidades 
aduaneiras da Secretaria da Receita Federal e são inseridos na base 
de Índice Nacional (BIN); 
b) atualização cadastral – registro de todas as atualizações ocorridas 
com os dados cadastrados do veículo, desde o primeiro registro 
até a sua baixa final, incluindo mudança de propriedade, mudança 
de características e transferência para outra Unidade da Federação, 
com ou sem troca de proprietário;
c) roubos/furtos – registro através dos órgãos de segurança estaduais, 
das informações de ocorrência de roubo/furto, recuperação ou 
devolução de um veículo; 
d) multas – permite aos órgãos autuadores o controle e a cobrança 
efetiva das multas resultantes de infrações cometidas por um 
veículo em outra Unidade da Federação, que não a de seu 
licenciamento ou em Rodovias Federais; 
e) controle de fronteiras – controla a permanência, em território 
nacional, de veículos licenciados em outros países, inclusive 
com a cobrança de multas de infrações de trânsito cometidas por 
seus condutores, e a saída de veículos licenciados no país para o 
estrangeiro; 
f) estatísticas – a partir das informações disponíveis, são geradas 
estatísticas, que ficam disponíveis em terminais para consultas e 
em relatórios editados periodicamente; 
g) consultas – permitem o acesso às informações existentes por 
qualquer usuário devidamente credenciado pelo DENATRAN; 
h) controle gerencial – fornece ao DENATRAN informações 
atualizadas sobre o processamento do sistema, permitindo o 
controle sobre quem acessa ou fornece as informações.
 
TÓPICO 2 | ELEMENTOS IDENTIFICADORES DOS VEÍCULOS
145
A implantação do sistema nacional foi um grande marco e um dos principais 
avanços acerca da fiscalização por parte dos Estados, eis que anteriormente não 
se tinha acesso a outras bases de dados, o que acabava por permitir a circulação 
de veículos com documentos fraudulentos.
É diante dessas informações que os DETRANs estaduais emitem os 
CRV (Certificado de Registro do Veículo) e o CRLV (Certificado de Registro e 
Licenciamento do Veículo). A seguir, vislumbra-se um documento de veículo:
FIGURA 1 – DOCUMENTO DE VEÍCULO
FONTE: <http://twixar.me/x9mm>. Acesso em: 4 jun. 2020. 
Como se vê, temos um campo específico para a inserção do código 
RENAVAM e outro para placa de identificação, que deve ser a mesma comparando-a 
com a placa física no veículo. Ainda, como segurança documental, o papel utilizado 
para impressão é emitido pela Casa da Moeda com marcas de segurança, como a 
estampa latente na lateral direita e o relevo em todo documento.
146
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
2.2 VIN – NÚMERO DE IDENTIFICAÇÃO VEICULAR OU CHASSI
O Código de Trânsito Brasileiro (1997), em seu artigo 114, nos diz que:
Art. 114. O veículo será identificado obrigatoriamente por caracteres 
gravados no chassi ou no monobloco, reproduzidos em outras partes, 
conforme dispuser o CONTRAN.
§ 1ᵒ A gravação será realizada pelo fabricante ou montador, de modo 
a identificar o veículo, seu fabricante e as suas características, além do 
ano de fabricação, que não poderá ser alterado.
§ 2ᵒ As regravações, quando necessárias, dependerão de prévia 
autorização da autoridade executiva de trânsito e somente serão 
processadas por estabelecimento por ela credenciado, mediante 
a comprovação de propriedade do veículo, mantida a mesma 
identificação anterior, inclusive o ano de fabricação.
§ 3ᵒ Nenhum proprietário poderá, sem prévia permissão da autoridade 
executiva de trânsito, fazer, ou ordenar que se faça, modificações da 
identificação de seu veículo.
Art. 115. O veículo será identificado externamente por meio de placas 
dianteira e traseira, sendo esta lacrada em sua estrutura, obedecidas as 
especificações e modelos estabelecidos pelo CONTRAN.
§ 1ᵒ Os caracteres das placas serão individualizados para cada veículo e o 
acompanharão até a baixa do registro, sendo vedado seu reaproveitamento.
Diante disso, como menciona nossa legislação vigente, a identificação do 
veículo se dá pelos caracteres gravados no chassi ou no monobloco e, de forma 
externa, pelas placas traseira e dianteira.
Mesmo havendo diversos modelos de automóveis igual ao seu, é o VIN 
(número de identificação veicular), que vai identificar e tornar o seu veículo único. 
No Brasil, é também chamado por chassi. É composto de três partes: identificador 
do fabricante mundial; seção descritiva do veículo e; seção indicadora do veículo. 
De forma detalhada, ele é caracterizado por uma sequência alfanumérica 
de 17 caracteres, que compõe as informações do modelo, onde e quando ele foi 
produzido. O padrão adotado pelo Brasil é o mesmo para todo o mundo. 
 
Vamos passar à análise do chassi e de como fazer sua leitura:
TÓPICO 2 | ELEMENTOS IDENTIFICADORES DOS VEÍCULOS
147
FIGURA 2 – LEITURA DE CHASSI
FONTE:<https://revistacarro.com.br/wp-content/uploads/2019/11/N%C3%BAmero-do-chassi_
carro-1024x614.jpg>. Acesso em: 4 jun. 2020.
Como podemos perceber, o primeiro número se refere à área geográfica. O 
segundo caractere é do país de origem. Por seguinte, o terceiro caractere se trata da 
marca do veículo, seguido pelo modelo, versão e motorização. Após, o ano/modelo do 
veículo, seguido pela planta de fabricação. E, por fim, o número de série. 
 
No intuito de prevenção ao comércio ilegal de peças, delito geralmente 
praticado após o furto e/ou roubo do veículo e anterior ao crime de receptação, 
outros componentes do veículo podem possuir o número identificador, como: o 
motor, vidros, caixa de marcha e demais peças. 
A fim de complementar o descrito pelo Código de Trânsito, as Resoluções 
do CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito) estabelecem quais são os 
principais pontos de identificação veicular. Vejamos:
a) motor do veículo;
b) a gravação do número sequencial de produção (setor VIS do 
número VIN) em seis dos seus vidros (para-brisa, vidro traseiro e 
dois laterais de cada lado), quando existentes, de acordo com o tipo 
de veículo. 
c) a gravação numérica de identificação sequencial de produção do 
automóvel (VIS) em chapas ou plaquetas destrutíveis quando da 
tentativa de remoção (localizadas no batente da porta dianteira 
direita e no compartimento do motor), quando existentes, conforme 
o tipo de veículo. 
d) a colocação numérica de identificação do veículo (VIN) na estrutura 
do veículo, na profundidade mínima de 0,2 mm, em um ou dois 
pontos, conforme o tipo de veículo.
e) as placas de identificação do veículo.
Ele pode ser encontrado em diversos pontos do veículo automotor. 
Observe a imagem:
148
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
FIGURA 3 – VIN – LOCALIZAÇÃO DO VIN NOS VEÍCULOS DE PASSEIO NACIONAL
FONTE: <https://reader015.pdfslide.net/reader015/html5/0301/5a976868e984b/5a9768833b97f.jpg>. 
Acesso em: 4 jun. 2020. 
Ressalta-se que as siglas abordadas nas resoluções do CONTRAN, VIS e 
VIN significam, respectivamente, número sequencial de produção e número de 
identificação veicular (chassi). 
2.3 PLACAS DE IDENTIFICAÇÃO DO VEÍCULO
Outro elemento de identificação são as placas do veículo, hoje, adotadas 
pelo Brasil, em dois modelos: o antigo e o padrão Mercosul.
No padrão antigo, temos os modelos e especificações definidos pela 
Resolução do CONTRAN nᵒ 231/2007, com alterações realizadas pelas Resoluções 
241, 288, 309, 372 e pelas Deliberações 74/08; 122/11 e 176/19. Extrai-se:
Art. 1ᵒ Após o registro no órgão de trânsito, cada veículo será identificado 
por placas dianteira e traseira, afixadas em primeiro plano e integrante 
do mesmo, contendo 7 (sete) caracteres alfanuméricos individualizados 
sendo o primeiro grupo composto por 3 (três), resultante do arranjo, 
com repetição de 26 (vinte e seis) letras, tomadas três a três, e o segundo 
grupo composto por 4 (quatro), resultante do arranjo, com repetição, de 
10 (dez) algarismos, tomados quatro a quatro.
§ 1ᵒ Além dos caracteres previstos neste artigo, as placas dianteira 
e traseira deverão conter, gravados em tarjetas removíveis a elas 
afixadas, a sigla identificadora da Unidade da Federação e o nome do 
Município de registro do veículo, exceção feita às placas dos veículos 
oficiais, de representação, aos pertencentes a missões diplomáticas, às 
repartições consulares, aos organismos internacionais, aos funcionários 
estrangeiros administrativos de carreira e aos peritos estrangeiros de 
cooperação internacional. 
[...] 
§ 3ᵒ A placa traseira será obrigatoriamente lacrada à estrutura do 
veículo, juntamente com a tarjeta, em local de visualização integral. 
§ 4ᵒ Os caracteres das placas de identificação serão gravados em alto relevo.
As especificações técnicas para as placas de identificação constam no 
anexo da resolução citada, com as devidas atualizações já citadas. Ali se pode 
encontrar altura, comprimento, cor da placa, lacre. Vejamos: 
TÓPICO 2 | ELEMENTOS IDENTIFICADORES DOS VEÍCULOS
149
Anexo
Especificações técnicas para as placas de identificação de veículos:
1- Veículos particulares, de aluguel, oficial, de experiência, de aprendizagem e 
de fabricante serão identificados na forma e dimensões em milímetros das 
placas traseiras e dianteira, conforme figura nᵒ 1 nas dimensões: 
a) Altura (h) = 130
b) Comprimento (c) = 400
c) Quando a placa não couber no receptáculo a ela destinado no veículo o 
DENATRAN poderá autorizar, desde que devidamente justificado pelo seu 
fabricante ou importador, redução de até 15% (quinze por cento) no seu 
comprimento, mantida a altura dos caracteres alfanuméricos e os espaços a 
eles destinados. 
2- Dimensões dos caracteres da placa em mm:
Altura (h) = 63; espessura do traço (d) = 10
s = discriminado na tabela a seguir.
3- motocicleta, motoneta, ciclomotor e triciclos motorizados serão identificados 
nas formas e dimensões da figura nᵒ 2 deste Anexo.
a) dimensões da placa em milímetros: h = 136; c= 187
b) dimensões dos caracteres da placa em milímetros: h = 42; d = 6
s = discriminado na tabela a seguir.
3.1- Motocicleta, motoneta, ciclomotor e triciclos motorizados, fabricados ou 
quando da mudança de município, a partir de 1o de abril de 2012, serão 
identificados nas formas e dimensões da figura nᵒ 2 deste Anexo.
a) dimensões da placa em milímetros: h = 170; C = 200
b) Altura do corpo dos caracteres da placa em milímetros: h = 53.
4- A Tipologia dos caracteres das placas e tarjetas devem seguir o modelo 
abaixo especificado na fonte: Mandatory
150
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
As cores utilizadas para placas e caracteres deverão manter seu 
contraste em todo período de vida útil de utilização do veículo.
5.2- Sistema de Pintura:
Utilização de tinta exclusivamente na cobertura dos caracteres 
alfanuméricos das placas e tarjetas veiculares, podendo ser substituída por 
produtos adesivos com aplicação por calor para a mesma finalidade.
6- dimensões dos caracteres das tarjetas em milímetros:
5- Especificações das Cores e do Sistema da Pintura
5.1- Cores
TÓPICO 2 | ELEMENTOS IDENTIFICADORES DOS VEÍCULOS
151
7- O código de cadastramento do fabricante da placa e tarjeta será composto por 
um número de três algarismos, seguida da sigla da Unidade da Federação 
e dos dois últimos algarismos do ano de fabricação, gravado em alto ou 
baixo relevo, em cor igual a do fundo da placa e cujo conjunto de caracteres 
deverá medir em milímetros:
a) placa: h = 8; c = 30
b) tarjeta: h = 3; c = 15
8- Lacre: os veículos após identificados deverão ter suas placas lacradas 
à estrutura, com lacres de uso exclusivo, em material sintético virgem 
(polietileno) ou metálico (chumbo). Estes deverão possuir características de 
inviolabilidade e identificado o Órgão Executivo de Trânsito dos estados e 
do Distrito Federal em sua face externa, permitindo a passagem do arame 
por seu interior.
- dimensões mínimas: 15 x 15 x 4 mm.
9- Arame: O arame galvanizado utilizado para a lacração da placa deverá ser 
trançado.
- dimensões: 3 X BWG 22 (têmpera mole).
10- Material:
I- O material utilizado na confecção das placas de identificação de veículos 
automotores poderá ser chapa de ferro laminado a frio, bitola 22, SAE I 
008, ou em alumínio (não galvanizado) bitola 1 mm.
II- O material utilizado na confecção das tarjetas, dianteiras e traseiras, poderá 
ser em chapa de ferro, bitola 26, SAE 1008, ou em alumínio bitola 0,8.
III- Uso de películas.
A película refletiva deverá cobrir integralmente a superfície da placa 
sendo flexível com adesivo sensível à pressão, conformável para suportar 
elongação necessária no processo produtivo de placas estampadas. Os valores 
mínimos de refletividade da película, conforme norma ASTM E-810, devem 
estar de acordo com a tabela a seguir e não poderão exceder o limite máximo 
de refletividade de 150 cd/lux/m2 no ângulo deobservação de 1,5ᵒ, para os 
ângulos de entrada de -5ᵒ e +5ᵒ, -30ᵒ e +30ᵒ, -45ᵒ e +45ᵒ:
Tabela 1. Valores mínimos de retrorrefletividade, medido em cd/lux/m2
152
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
A referência de cor é estipulada na Tabela 2 a seguir, em que os quatro 
pares de coordenadas de cromaticidade deverão determinar a cor aceitável 
nos termos do Sistema Colorimétrico padrão CIE 1931, com iluminante D65 
e Método ASTM E-1164 com valores determinados em um equipamento 
Espectrocolorimetro HUNTER LAB LABSCAN II 0/45, com opção CMR559, 
avaliação esta realizada de acordo com a norma E-308.
Especificação do coeficiente mínimo de retrorrefletividade em candelas 
por Lux por metro quadrado (orientação 0 e 90ᵒ).
Os coeficientes de retrorrefletividade não deverão ser inferiores aos 
valores mínimos especificados. As medições serão feitas de acordo com o 
método ASTME-810. Todos os ângulos de entrada, deverão ser medidos nos 
ângulos de observação de 0,2ᵒ e 0,5ᵒ. A orientação 90ᵒ é definida com a fonte de 
luz girando na mesma direção em que o dispositivo será afixado no veículo.
Tabela 2. Pares de coordenadas de cromaticidade e luminância
O Adesivo da película refletiva deverá atender às exigências do ensaio 
de adesão conforme Norma ASTM D 4956.
A película refletiva deverá ser homologada pelo DENATRAN e ter 
suas características atestadas por entidade reconhecida por este órgão e deverá 
exibir em sua construção uma marca de segurança comprobatória desse laudo 
com a gravação das palavras APROVADO DENATRAN, com 3 mm (três 
milímetros) de altura e 50 mm (cinquenta milímetros) de comprimento, ser 
legível em todos os ângulos, indelével, incorporada na construção da película, 
não podendo ser impressa. A marca de segurança deverá aparecer, no mínimo, 
duas vezes em cada placa, conforme figuras ilustrativas a seguir: 
TÓPICO 2 | ELEMENTOS IDENTIFICADORES DOS VEÍCULOS
153
11- Codificação das cores dos caracteres alfanuméricos:
COR CÓDIGO RAL
BRANCO 9010
PRETO 9011
12- O ilhós ou rebites utilizados para a fixação das tarjetas deverá ser em alumínio.
(MÍNIMO)
ESPAÇO DESTINADO
AOS CARACTERES
ALFABÉTICOS
ESPAÇO DESTINADO
AOS CARACTERES
NUMÉRICOS
(MÍNIMO)
(MÍNIMO)
FURO ORLONGO DE 6 x 6 SEPARADOR
TARJETA
REBAIXO PARA FIXAÇÃO 
DA TARJETA
8
8
13
0
8
2010
316
410
400
85 85
166152
10
6
9 10
3
2211
8
16
10
01
05
1010
R
 –
 3
0
8
FONTE: CONTRAN. Resolução nᵒ 231, de 15 março de 2007. Estabelece o Sistema de Placas 
e Identificação de Veículos. Disponível em: https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=106667. 
Acesso em: 9 jun. 2020. 
154
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
Ressalta-se, acadêmico, que esse modelo deixará de ser utilizado a partir 
de 1ᵒ de janeiro de 2024, o qual foi revogado pela Resolução 729/18. Dito isso, o 
modelo padrão Mercosul será o único adotado, salvo atualizações futuras. 
A citada resolução nos traz informações a respeito dessas mudanças. A 
seguir, colacionamos as novas diretrizes: 
Art. 1ᵒ - Estabelecer sistema de Placas de Identificação de Veículos 
no padrão disposto na Resolução MERCOSUL do Grupo Mercado 
Comum nᵒ 33/2014.
§ 1ᵒ Após o registro no respectivo Órgão ou Entidade Executivo 
de Trânsito do Estados ou do Distrito Federal, cada veículo será 
identificado por Placas de Identificação Veicular –PIV dianteira e 
traseira, no padrão estabelecido para o MERCOSUL, de acordo com os 
requisitos estabelecidos nesta Resolução.
§ 2ᵒ. Os reboques, semirreboques, motocicletas, triciclos, motonetas, 
ciclo elétricos, quadriciclos, ciclomotores e tratores destinados a puxar 
ou arrastar maquinaria de qualquer natureza ou a executar trabalhos 
agrícolas e de construção, de pavimentação ou guindastes, estes 
quando couber, serão identificados apenas por placa traseira.
§ 3ᵒ. As Placas de Identificação Veicular de que trata o caput deste 
artigo deverão:
I- Ter fundo branco com a margem superior azul, contendo ao lado 
esquerdo o logotipo do MERCOSUL, ao lado direito a Bandeira do 
Brasil e ao centro o nome BRASIL;
II- Ser afixadas em primeiro plano, sem qualquer tipo de obstrução a 
sua visibilidade e legibilidade;
III- Conter 7 (sete) caracteres alfanuméricos estampados em alto 
relevo, com combinação aleatória, a ser fornecida e controlada pelo 
DENATRAN, com o último caractere obrigatoriamente numeral e 
com distribuição equânime.
§ 4ᵒ. As especificações das Placas de Identificação Veicular de que trata 
o caput deste artigo constam no Anexo I desta Resolução.
§ 5ᵒ. É obrigatório o uso da segunda placa traseira de identificação 
lacrada nos veículos equipados com engates para reboques, ou 
transportando carga autorizada por outras regulamentações do 
CONTRAN, que cobrirem, total ou parcialmente, a placa traseira 
do veículo, devendo ser disposta em local visível, ao lado direito 
da traseira do veículo, podendo ser instalada no para-choque ou na 
carroceria, admitida a utilização de suportes adaptadores, lacrada na 
parte estrutural do veículo em que estiver instalada.
§ 6ᵒ. Estarão dispensadas da utilização dos lacres de segurança as placas 
que possuírem tecnologia que permita a identificação do veículo, 
nos termos do § 9ᵒ do art. 115 do Código de Trânsito Brasileiro, em 
conformidade com o Sistema Nacional de Identificação Automática 
de Veículos –SINIAV, desde que atendidas às especificações quanto à 
sua funcionalidade, segurança e interoperabilidade estabelecidas pelo 
CONTRAN, devendo ser observados os seguintes aspectos:
I- As placas de identificação veicular – PIV deverão ser submetidas 
ao processo de homologação junto ao DENATRAN, para fins de 
garantia de sua funcionalidade, segurança e interoperabilidade, 
segundo as especificações do SINIAV, na forma regulamentada 
pelo CONTRAN.
II- Os testes realizados com o chip embarcado na PIV, cuja 
personalização e criptografia em favor do DENATRAN possuirão 
o caráter de um selo fiscal federal, terão validade para fins de 
homologação de fornecedor de tecnologia SINIAV.
TÓPICO 2 | ELEMENTOS IDENTIFICADORES DOS VEÍCULOS
155
Art. 2ᵒ As Placas de Identificação Veicular deverão ser revestidas no 
seu anverso com película retrorrefletiva, sendo recobertas nas áreas 
estampadas, da combinação alfanumérica e bordas, com filme térmico 
aplicado por processo de estampagem por calor (hot stamp), contendo 
inscrições das palavras “MERCOSUR BRASIL MERCOSUL”, nos 
termos do Anexo I desta Resolução.
[...]
Art. 7ᵒ Todas as placas de identificação veicular deverão possuir 
códigos de barras bidimensionais dinâmicos (Quick Response Code 
-QR Code) contendo números de série e acesso às informações do banco 
de dados do fabricante, especificados no Anexo I desta Resolução, 
com a finalidade de controlar a produção, logística, estampageme 
instalação das placas nos respectivos veículos, além da verificação da 
autenticidade das placas.
Parágrafo Único –Todos os processos que envolverem a produção de 
placas de identificação veicular deverão incluir a informação dos seriais 
das placas utilizados, na forma a ser prevista no Manual do RENAVAM.
Art.8ᵒ A Placa de Identificação Veicular no padrão MERCOSUL 
deverá ser implementada até 31 de dezembro de 2023, pelos Órgãos 
ou Entidades Executivos de Trânsito dos Estados e do Distrito Federal.
Diante dessa alteração, a ser implementada até dia 31 de dezembro de 
2023, as placas padrão Mercosul terão o aspecto a seguir. Atualmente, já podemos 
observar alguns veículos transitando com esse novo modelo. 
FIGURA 4 – PLACA DE VEÍCULO PADRÃO MERCOSUL
156
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
FIGURA 5 – PLACA DE MOTOCICLETAS, TRICICLOS, MOTONETAS, QUADRICICLOS, 
CICLO ELÉTRICOS E CICLOMOTORES
FONTE: <https://infraestrutura.gov.br/images/Resolucoes/Resolucao7292018.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2020.
TÓPICO 2 | ELEMENTOS IDENTIFICADORES DOS VEÍCULOS
157
Algumas características de segurança devemser observadas, como as 
cores e marcas d´água da película retrorrefletiva. 
FIGURA 6 – CORES DA PLACA E MARCA D´ÁGUA
FONTE: <https://infraestrutura.gov.br/images/Resolucoes/Resolucao7292018.pdf>. 
Acesso em: 4 jun. 2020.
158
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
Por fim, por ser também um elemento identificador, caso haja duplicidade 
nas placas dos veículos se pode constatar uma clonagem do automóvel ou até a 
falsificação e/ou adulteração na sua produção. 
Para informações das especificações da placa padrão Mercosul, como altura, 
largura, cor, fixação da placa etc., acesse o site: https://infraestrutura.gov.br/images/
Resolucoes/Resolucao7292018.pdf e consulte os seus anexos.
DICAS
Agora que você já aprendeu quais são os sinais identificadores dos 
veículos, acadêmico, faça as autoatividades para fixação do conteúdo. 
159
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que: 
• Há determinados elementos capazes de identificar um veículo.
• Um chassi possui diversos pontos capazes de reconhecer a sua identificação.
• A sequência alfanumérica de chassi possui um significado e não é somente um 
número aleatório.
• O RENAVAM possui um conceito e finalidade.
• As características, exigências e especificações das placas de identificação de 
veículo existem para a sua identificação e possuem o propósito de garantir a 
segurança de propriedade.
160
AUTOATIVIDADE
1 Para a configuração de adulteração de sinais identificadores de veículos 
é preciso que estejam presentes algumas características. Com base nessa 
afirmação, analise as assertivas a seguir:
I- É preciso que estejam presentes, sem exceção, todos os sinais identificadores, 
como: número de chassi, documentação do veículo e adulteração da placa.
II- Basta a presença de apenas um sinal identificador.
III- É necessário, pelo menos, dois sinais identificadores.
IV- Deve haver a presença de adulteração de chassi juntamente com qualquer 
outro sinal identificador.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Apenas a I está correta.
b) ( ) Apenas a II está correta.
c) ( ) As assertivas III e IV estão corretas.
d) ( ) Apenas a assertiva IV está correta.
2 Atualmente, temos no Brasil dois modelos de placas de identificação de 
veículos, o modelo antigo e o padrão Mercosul. Quanto às características do 
modelo padrão Mercosul, assinale V para VERDADEIRO e F para FALSO 
nas afirmações a seguir:
( ) Há marcas d´água de película retrorrefletiva.
( ) As cores definidas podem sofrer diferenças em decorrência da 
disponibilidade dos fornecedores.
( ) Devem ser implementadas em todo território nacional até a data de 31 de 
dezembro de 2023.
( ) O modelo deixará de ser utilizado a partir de 1ᵒ de janeiro de 2024.
Está CORRETA a alternativa com a seguinte ordem: 
a) ( ) V, F, V, F.
b) ( ) V, V, F, F.
c) ( ) V, F, F, F.
d) ( ) V, F, V, V.
3 O VIN – número de identificação veicular –, também chamado por CHASSI, 
no Brasil, é caracterizado por uma sequência alfanumérica de 17 caracteres. 
Essa sequência é dividida em três partes. Assinale a alternativa abaixo que 
corresponde essa divisão:
a) ( ) Compõe a identificação do motor, vidros e caixa de marcha.
b) ( ) Compõe a numeração do motor, dos vidros e eixos.
c) ( ) Compõe a identificação do fabricante mundial, a seção descritiva do 
veículo e a seção indicadora do veículo.
d) ( ) Compõe a numeração do CHASSI, o documento do veículo e as placas 
de identificação.
161
TÓPICO 3
FORMAS DE ADULTERAÇÃO DA CODIFICAÇÃO ORIGINAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Os critérios de identificação de veículos utilizados no Brasil ocorrem da 
mesma forma há vários anos. Com isso, por serem bastante conhecidos, a sua 
prática de adulteração se tornou fácil e corriqueira.
 
Percebe-se que os crimes mais comuns são os de alteração e/ou violação 
dos números do chassi, além das clonagens das placas identificadoras. Na sua 
maioria, os números são incompatíveis com os apresentados no CRLV (certificado 
de registro e licenciamento de veículo).
 
Com essa forma de criminalidade, temos como consequências um valor 
elevado dos seguros de veículos em decorrência de maiores casos de furtos e 
roubos, um custo econômico com atividades de política criminal, e ainda, gastos 
empregados pela sociedade civil em segurança. Dito isso, passaremos à análise 
dessas adulterações.
2 IDENTIFICAÇÃO DA ADULTERAÇÃO NOS VEÍCULOS
Como se viu até agora, acadêmico, muitos veículos são objetos de furtos e 
roubos para diversas finalidades. Caccavali (2006) apresenta três:
• Ser utilizado para a realização de outros delitos e abandonado posteriormente, 
sendo devolvido ao verdadeiro proprietário após sua localização, sem alteração 
dos respectivos pontos de identificação.
• Ser comercializado com outra identificação após a adulteração dos respectivos 
pontos de identificação.
• Ser desmontado para comercialização de suas peças com a destruição dos 
respectivos pontos de identificação.
 
Para o estudo do presente tópico, abordaremos apenas as suas formas de 
adulteração, não ingressando nas demais temáticas.
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
162
2.1 ADULTERAÇÃO DO DOCUMENTO DO VEÍCULO
Partindo da ideia de um furto ou roubo de um veículo, após realizada 
as adulterações nas peças de identificação, Cecere (2010) demonstra que, para o 
veículo adquirir condições de venda novamente, é preciso que ele apresente um 
documento correspondente à nova identificação. Em razão disso, é imprescindível 
a realização do exame da documentação do veículo.
Para assegurar a autenticidade dos documentos do veículo, o autor ainda 
divide o procedimento em três etapas. Vejamos:
• A primeira constitui na verificação da originalidade do “espelho”. Denomina-
se “espelho” o documento impresso com os campos estruturados a serem 
preenchidos com os dados do veículo e do proprietário. O Ministério das Cidades 
providencia a impressão desses espelhos e distribui para os diversos Estados 
da União conforme a necessidade. Cada Estado é responsável pela custódia 
e preenchimento destes espelhos. O espelho onde são impressos os dados 
relativos ao veículo apresenta diversos dispositivos de segurança, destacando-
se a impressão por calcografia, imagem latente, fundo com impressão 
offset, filigrana, fundo invisível, microtexto, papel de segurança e número 
identificador. Trata-se de uma peça com elevado nível técnico de confecção 
e de segurança, necessitando do examinador um treinamento específico e o 
uso de equipamentos adequados para verificação de sua autenticidade. Em 
operações de fiscalização de campo, dificilmente o agente terá condições e 
tempo de realizar o exame utilizando todos os recursos necessários, focando 
sua verificação em vestígios de adulteração mais evidentes, como rasuras 
na identificação do número do espelho e do Estado emissor e a ausência de 
calcografia e imagem latente. 
• A segunda verifica a autenticidade dos dados inseridos no documento. Com 
a implantação do sistema RENAVAM, pode-se verificar a autenticidade dos 
dados existentes no documento do veículo apresentado quando da atuação 
fiscalizadora. Dentre os diversos dados cadastrais existentes nesse documento, 
as principais informações a serem confrontadas pelo agente fiscalizador, tendo 
como base de pesquisa a placa de identificação, são as características do veículo, 
seu número de identificação (VIN), a data de impressão do documento e o 
número de identificação do espelho. Em alguns Estados da União, o respectivo 
DETRAN insere no documento a respectiva identificação do motor do veículo. 
• Finalmente, na terceira etapa temos a verificação da autenticidade da forma de 
preenchimento do documento. A maioria dos DETRANs do Brasil preenche os 
documentos dos veículos por meio de sistema automatizado, deixando nesta 
impressão características que permitem o seu rastreamento. Com treinamento 
específico, o agente fiscalizadorpode determinar se o documento examinado 
atende às características de impressão do respectivo DETRAN. 
Com isso, a primeira etapa é na verificação da originalidade do papel e seus 
dispositivos de segurança, seguido pela observação da autenticidade dos dados 
preenchidos e, finalizando com a autenticidade da forma de preenchimento. 
 
TÓPICO 3 | FORMAS DE ADULTERAÇÃO DA CODIFICAÇÃO ORIGINAL
163
Na verificação da originalidade do papel, o perito deve se ater aos 
diversos dispositivos de segurança, como a impressão por calcografia, imagem 
latente, fundo com impressão offset, filigrana, fundo invisível, microtexto, papel 
de segurança e número identificador. 
 
A impressão por calcografia é a mesma forma para impressão das cédulas 
de dinheiro e documentos de identificação. É realizada através de um processo de 
aquecimento entre 40 ᵒC e 50 ᵒC que visa garantir o preenchimento dos grafismos da 
forma de impressão. Essa forma de produção permite um relevo característico ao papel 
e possui diversas vantagens com relação à segurança, o que dificulta bastante a sua 
falsificação. Na figura a seguir, podemos observar os diversos tipos de segurança:
FIGURA 7 – DISPOSITIVOS DE SEGURANÇA DOCUMENTO VEICULAR
FONTE: <https://infraestrutura.gov.br/images/Resolucoes/Resolucao7292018.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2020.
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
164
FIGURA 8 – PERSONALIZAÇÃO ELETRÔNICA
FONTE: <https://infraestrutura.gov.br/images/Resolucoes/Resolucao7292018.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2020.
Para acessar as características, tamanho, fonte de preenchimento e 
demais especificidades, este é o link: http://infraestrutura.gov.br/images/Resolucoes/
Resolucao5992016R.pdf.
DICAS
Como se vê, há diversas maneiras de adulteração de um documento de 
veículo, entretanto, o mais comum é o adulterador utilizar um “espelho” original 
– furtado ou extraviado do DETRAN –, e preencher com os dados de identificação 
do veículo adulterado.
TÓPICO 3 | FORMAS DE ADULTERAÇÃO DA CODIFICAÇÃO ORIGINAL
165
2.2 ADULTERAÇÃO DO NÚMERO DO CHASSI 
Como já abordado no Tópico 2, Subtópico 2.2, quando trata dos sinais de 
identificação do veículo, temos o número VIN, o qual trataremos pela expressão 
costumeira “número do CHASSI”.
A adulteração do número de identificação ocorre de diversas maneiras, tanto 
na parte exterior, como interior do veículo. Além do CHASSI, pode-se encontrar 
modificações, rasuras, adulterações nos acessórios ou componentes do veículo que 
também apresentam a identificação, como: vidros, caixa de marcha, eixo. 
 
O processo de adulteração é compreendido por meio de várias condutas, 
podendo ocorrer através de ausência de numeração de chassi, da sua regravação, 
adulteração simples, substituição de peça, remontagem, enfim, diversas ações de 
modificação. Caccavali (2006), exemplifica as ações:
• AUSÊNCIA DA NUMERAÇÃO DE CHASSI: neste processo a numeração do 
chassi é removida por meio de uso de instrumento atuante a guisa de abrasivo, 
de percussão ou de corte, com o objetivo de dificultar a identificação do veículo. 
• REGRAVAÇÃO: consiste na remoção parcial ou total da numeração de 
identificação do veículo, normalmente por meio do uso de instrumento 
abrasivo, para posterior gravação de outra numeração. 
• ADULTERAÇÃO SIMPLES: é aquela em que um ou mais caracteres sofre a 
alteração em sua configuração inicial por meio de rebatimento por sobreposição, 
dando origem a leitura de outro. É o caso da alteração do caractere “3” para 
“8”, “5” para “6”, “F” para “E”, “P” para “R” e outros. 
• RECOBRIMENTO DA PEÇA SUPORTE: é o recobrimento parcial ou total 
da numeração de identificação do chassi por meio do uso de massa plástica, 
estanho etc., para posterior gravação de outra numeração. 
• COLOCAÇÃO DE CHAPA METÁLICA SOBRE A SUPERFÍCIE DA GRAVAÇÃO 
ORIGINAL: consiste no recobrimento parcial ou total da numeração de identificação 
do CHASSI por meio de chapa metálica (utilizando solda ou material adesivo) onde 
será efetuada a nova gravação de identificação do veículo. 
• SUBSTITUIÇÃO DA PEÇA SUPORTE: neste processo ocorre a substituição parcial 
ou total da região onde se encontra gravada a numeração de identificação do 
CHASSI. Também conhecida no meio policial como “transplante” ou “implante”. 
• OCULTAÇÃO DA NUMERAÇÃO ORIGINAL E REGRAVAÇÃO PRÓXIMA 
AO LOCAL: consiste na remoção da numeração original do CHASSI e 
regravação em local próximo. Este processo também é utilizado nos casos 
em que o local da gravação da numeração de identificação do chassi sofreu 
alteração pela montadora. 
• REMONTAGEM: é o aproveitamento de uma das partes do veículo, dianteira 
ou traseira, onde se encontra a gravação do chassi para ser remontada em 
veículo produto de furto ou roubo.
 
Para ilustrar melhor as situações, a seguir podemos visualizar algumas imagens: 
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
166
FIGURA 9 – REMARCAÇÃO DE CHASSI
FONTE: <https://www.certilaudo.com.br/wp-content/themes/basic/themify/img.php?src=http://www.
certilaudo.com.br/wp-content/uploads/chassi-adulterado.jpg&w=756&h=274>. Acesso em: 4 jun. 2020.
FIGURA 10 – RASPAGEM DE CHASSI
Toyota 4-Runnwe, ano 1992. Marcação do chassi adulterado: 
JT111VND009098708. Dígitos falsos <9 8 7><8>, dígitos originais 
<1 7 4><7>. Marcação recuperada do chassi: JT111VND009017407
FONTE: <http://www.certilaudo.com.br/wp-content/themes/basic/themify/img.php?src=http://www.
certilaudo.com.br/wp-content/uploads/raspagem-de-chassi.jpg&w=756&h=274>. Acesso em: 4 jun. 2020.
Destas ações, em uma pesquisa realizada por Cecere junto ao Instituto de 
Criminalística de São Paulo (2010, p. 30), se concluiu que os tipos de adulterações 
podem ser divididos em três grandes ramos, ou seja: 
a regravação na qual o adulterador modifica todos os pontos de 
identificação de um veículo produto de furto/roubo, transformando-o 
em um “dublê” de um veículo existente e em condições normais de 
circulação, o transplante ou implante, ou seja, o adulterador possui 
um veículo legalizado que, por algum motivo apresenta baixo valor 
comercial (acidente de trânsito, por exemplo), e retira deste veículo 
todos seus pontos de identificação, implantando em outro veículo 
produto de furto/roubo e a ausência da numeração do chassi, onde 
não se deseja modificar as identificações do veículo para futura 
comercialização, promovendo, apenas, a destruição dos seus pontos 
de identificação com o objetivo de dificultar a obtenção de sua 
identificação original. 
TÓPICO 3 | FORMAS DE ADULTERAÇÃO DA CODIFICAÇÃO ORIGINAL
167
Diante disso, quando se há um veículo objeto de furto e/ou roubo, o 
adulterador não irá revendê-lo com as informações originais, pois será facilmente 
encontrado pela polícia. Em decorrência, irá modificar os sinais de identificação 
para esconder que é fruto de uma ação ilícita.
 
Como se viu, o sistema Renavam não permite a inserção de um número 
qualquer, ou seja, a criação de um novo, sendo assim, o adulterador utilizará de 
um veículo já existente, criando assim um “veículo dublê”. 
Para atestar essa adulteração, a ação pode ser observada, segundo Cecere 
(2010, p. 32) pelo:
[...] revestimento de e pintura que recobre a região da gravação do 
número de identificação do veículo utilizando-se solvente adequado, 
uma vez que a pintura original do fabricante não sofre a ação deste 
solvente, pela verificação do verso da chapa onde se encontra a 
gravação, buscando vestígios de rebatimento, pela análise do processo 
de confecção da gravação (cunhagem, ponto a ponto, ponto sobre 
ponto e a laser) e pela configuração dos respectivos caracteres e ainda 
corroborada pelo ataque químico (exame metalográfico) na respectiva 
superfície de gravação, objetivando a revelação de caracteres latentes.
Outra forma de adulteração é o transplante do número de identificação 
através de soldas realizadas na carroceira do veículo. Observa-se:
FIGURA 11 – TÉCNICAMAGRAIDER – TRANSPLANTE DO VIN
FONTE: <https://www.assindelp.org.br/files/conteudo_arquivo/12175/identificacao-
veicular-m05.pdf>. Acesso em: 8 jun. 2020. 
Ainda, além destas, podemos observar a adulteração do número 
identificador pelos vidros dos veículos, pelo número sequencial de produção 
gravado nas etiquetas de identificação e número de identificação do motor. 
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
168
2.3 ADULTERAÇÃO DA PLACA DE IDENTIFICAÇÃO 
As placas de identificação de veículos são, geralmente, as falsificações e/
ou adulterações mais fáceis de se perceber, não necessitando tanto de um rigor 
técnico para a sua observação, isso porque, são mais visíveis. Entretanto, em nada 
diminui a gravidade lesiva da ação.
 
Essas adulterações podem partir, de como dito no Tópico 1, desde uma 
fita isolante acrescida na numeração para a sua alteração, como por exemplo, 
transformar um número 3 para 8 ou 6 para 8, letras F para E, como no caso da 
imagem abaixo, até a utilização de placas ´frias´ ou com lacre falsificado.
FIGURA 12 – ADULTERAÇÃO DAS LETRAS COM FITA ISOLANTE
FONTE: <https://www.portalaz.com.br/arquivos/5d82775b57807.jpg>. Acesso em: 4 jun. 2020. 
FIGURA 13 – ADULTERAÇÃO GROSSEIRA DOS CARACTERES ALFANUMÉRICOS
FONTE: <https://files.nsctotal.com.br/styles/paragraph_image_style/s3/imagesrc/23817548.jpg?GFb57
KghD7T9lPkaZVkH08sg7WF9Bg.i&itok=KIz-xm1S&width=750>. Acesso em: 4 jun. 2020.
TÓPICO 3 | FORMAS DE ADULTERAÇÃO DA CODIFICAÇÃO ORIGINAL
169
Esse tipo de adulteração das placas, em sua grande maioria, ocorre para 
burlar a fiscalização de trânsito, como radares, rodízios de veículos e, também, 
no intuito de praticar outros crimes sem que sejam os autores responsabilizados. 
Outra espécie de delito que envolve as placas de identificação, segundo 
Cecere (2010, p. 31), é o caso de encontrar um veículo ilícito (adulterado ou 
produto de furto/roubo) com as placas de identificação original. Neste caso, 
a placa corresponde ao veículo original e foi produzido dentro dos critérios 
previstos na legislação, inclusive com uso do lacre, ocasionando a existência de 
duas placas de identificação originais com a mesma série alfanumérica, sendo um 
instalado no veículo original e o outro no veículo ilegal. 
 
O problema do caso citado acima está diretamente relacionado com o 
serviço de confecção de placas e lacração dos veículos. Esse serviço é prestado 
de forma terceirizada por empresas particulares, vinculadas aos órgãos de 
fiscalização dos Estados. 
 
Ocorrendo comprovações de quaisquer casos de irregularidades ou 
ilicitudes, essas empresas são responsabilizadas e descredenciadas junto ao 
Departamento de Trânsito estadual.
Ainda, temos como outras hipóteses de adulteração das placas de 
identificação, como o lacre e o respectivo arame e as devidas características de 
fabricação, conforme previstas na legislação e já explanadas no Tópico 1. 
 
Após todo o exposto, acadêmico, encerramos a nossa Unidade sobre Perícia 
Veicular. Faça as autoatividades descritas para melhor fixação do conteúdo.
Bons estudos!
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
170
LEITURA COMPLEMENTAR
RECEPTAÇÃO E CRIMES ANTECEDENTES: A ADULTERAÇÃO 
DE VEÍCULO AUTOMOTOR COMO CRIME ANTERIOR PARA 
CONFIGURAÇÃO DA INFRAÇÃO PENAL DE RECEPTAÇÃO
Nathan Glina 
INTRODUÇÃO
O crime de receptação, delito de natureza patrimonial em que, em busca do 
lucro fácil, o receptador estimula e fomenta a prática de inúmeros outros delitos, 
inclusive aqueles praticados com violência ou grave ameaça contra a pessoa, foi 
tipificado pelo legislador no art. 180 do Código Penal com a elementar de que, 
necessariamente, para sua caracterização, além da prática de algum dos verbos do 
tipo penal incriminador, tenha ocorrido um crime anterior, e o agente saiba que a 
coisa que recepta é produto de crime. 
Não é incomum o Promotor de Justiça se deparar com inquéritos policiais 
em que há a apreensão de veículo automotor com seus sinais identificadores 
adulterados, sendo tão profissional a forma de execução desse delito, que a perícia 
realizada pela autoridade policial não elucida os números originais, por exemplo, 
de motor e chassis, inviabilizando-se a prova direta por meio de laudo técnico, de 
que se trate de produto de crime patrimonial anterior. 
Nesses casos, quando for desconhecida a autoria do crime de adulteração 
do sinal identificador do veículo, o delito remanescente, pelo qual o Promotor de 
Justiça pode promover o início da persecução penal em Juízo, é o de receptação, 
caso identificado quem praticou tal crime, como aquele que recebeu, adquiriu ou 
conduzia o automóvel ou motocicleta apreendida. 
Existe um posicionamento restritivo, segundo o qual o crime de adulteração 
do sinal identificador não seria suficiente para configurar que o veículo automotor 
se trate de produto de crime anterior, devendo-se provar de qual crime patrimonial 
específico o veículo é produto. 
Ocorre que esse posicionamento, data máxima vênia, fomenta uma série de 
delitos, gera impunidade e premia aquele que pratica conduta mais grave. 
O tipo penal do art. 180 do Código Penal não exige, em sua literalidade, 
que o agente saiba especificamente qual foi o crime anterior praticado, nem exige 
que o referido delito seja de natureza patrimonial. E ao exegeta cabe analisar o 
real conteúdo, significado e extensão da norma penal, para, por meio de correta 
interpretação, aplicá-la em relação aos casos concretos com que se depare o 
operador do Direito. 
Pretende-se, portanto, neste artigo, contribuir para que a interpretação do 
dispositivo penal de interesse seja feita de forma a atender aos fins a que se destina. 
TÓPICO 3 | FORMAS DE ADULTERAÇÃO DA CODIFICAÇÃO ORIGINAL
171
1 BREVE ANÁLISE DE ALGUNS DADOS ESTATÍSTICOS 
[...]
 
2 FUNDAMENTAÇÃO 
A interpretação do disposto no art. 180 do Código Penal não pode ser 
feita de forma restritiva em relação à vontade do legislador, ao fim social a que se 
destina e no que toca às normas jurídicas de hierarquia superior no Ordenamento 
Jurídico, das quais ela extrai sua validade e legitimidade. 
Acerca da receptação como delito autônomo, Reale Junior (2013) ressalta, 
inclusive citando Noronha e Mantovani, que: 
A receptação passou a ser tratada como figura autônoma com o Código 
Penal de 1940, pois antes constituía uma forma de cumplicidade e 
favorecimento. Atinge a receptação, primacial mente, o patrimônio do 
legítimo possuidor da coisa objeto de crime antecedente (furto, roubo), 
mas não deixa de constituir, como ressalta NORONHA, um crime 
também contra a Administração da Justiça por tornar mais árdua a 
tarefa da autoridade, pois dificulta a apreensão da coisa (REALE 
JUNIOR, 2013, p. 2). 
[...]
O delito de receptação é mola propulsora de inúmeros outros delitos, como 
roubos, extorsões, furtos, peculatos e estelionatos, além, é claro, da adulteração 
de sinal identificador de veículo automotor, constituindo verdadeiro flagelo que 
vulnera o direito fundamental e transindividual à segurança pública, previsto no 
art. 6ᵒ da Constituição Federal, cuja finalidade social visada pela norma jurídica 
penal incriminadora é prevenir a prática dos delitos dos quais o bem receptado 
seja produto. 
O art. 180 do Código Penal em nenhum momento restringe sua aplicação aos 
bens produtos apenas de crime patrimonial anterior, pois, apesar de se encontrar 
no Título II, Dos Crimes Contra o Patrimônio, daquele diploma legal, visa também, 
e em especial, inibir que o receptador fomente a prática de crimes. 
Aliás, se outro fosse o entendimento, não poderia ser responsabilizado por 
receptação, também, aquele que adquire bem produto de peculato ou produto 
de contrafação. 
É possível afirmar que ninguém pratica a adulteração do sinal identificador 
do veículo automotor com a supressão de seus sinais identificadores numéricos 
de chassis e motor por outro motivo senão o de acobertarsua origem criminosa, 
visando à impunidade do delito de receptação, pois não existe nenhuma outra 
razão para essa conduta. 
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
172
Nenhuma pessoa imputável realizaria tal ação por mero deleite ou sem 
pretensão alguma. 
É descabido alegar que a adulteração se justificaria para obstar 
responsabilização por infrações administrativas, pois ela constitui infração 
administrativa mais gravosa, que enseja, inclusive, a apreensão veicular. Nesse 
sentido, dispõe o art. 230 do Código de Trânsito Brasileiro: 
Art. 230. Conduzir o veículo:
I– com o lacre, a inscrição do chassi, o selo, a placa ou qualquer outro 
elemento de identificação do veículo violado ou falsificado;
[...]
Infração – gravíssima;
Penalidade – multa e apreensão do veículo; Medida administrativa – 
remoção do veículo; [...]. 
A adulteração de placas, quando única no veículo automotor, até poderia 
ser justificada concretamente pela finalidade de obstar a responsabilização por 
infrações administrativas, porém não impede a identificação do veículo como 
produto de infração penal anterior por meio de seus demais sinais identificadores, 
pelo que não interessa para a análise que se faz nesta breve exposição. 
Assim, a prática do delito do art. 311 do Código Penal, com a supressão 
ou outra forma de adulteração dos sinais identificadores a ponto de inviabilizar a 
descoberta das numerações originais e identificação correta do veículo automotor, 
comprova, por si só (res in ipsaloquitur), que o bem se trata de produto de crime 
patrimonial anterior, ainda que não se possa individualizá-lo.
 
Deixar de denunciar aquele que recepta o bem que teve adulteração 
profissional de sinais identificadores em grau que impeça até mesmo sua descoberta 
por meio pericial, é premiar a conduta mais grave, estimulando que a adulteração 
seja feita de forma cada vez mais aperfeiçoada, com a certeza da impunidade e de 
que, no Brasil, o crime compensa. 
Nada impede que um automóvel produto de crime anterior também 
seja objeto material do crime de adulteração de seu sinal identificador. Aliás, é 
justamente por esse motivo de tentar acobertar a origem criminosa patrimonial 
do automóvel, e somente por ele, que se adulteram os seus sinais identificadores 
de forma a inviabilizar a descoberta das identificações originais. 
E inexiste qualquer razão aceitável, sob a ótica da proteção dos bens jurídicos 
da sociedade, da ordem pública, da paz social e das funções preventiva e repressiva 
da norma penal, para não se considerar o automóvel adulterado como produto de 
crime, ainda que em sentido lato para quem assim entender. 
Frise-se que se o tipo penal não exige que o crime anterior seja de natureza 
patrimonial, o crime de adulteração definido no art. 311 do Código Penal pode e 
deve ser considerado crime pressuposto. 
E, acerca da possibilidade de que outros crimes de natureza não patrimonial 
sejam considerados crime precedente, Jesus (2000, p. 653) leciona: 
TÓPICO 3 | FORMAS DE ADULTERAÇÃO DA CODIFICAÇÃO ORIGINAL
173
Natureza do crime anterior 
Não é preciso que seja contra o patrimônio. Assim, o sujeito pode 
adquirir objeto material de peculato, que não constitui delito contra o 
patrimônio. Neste sentido: RT, 441:242 e 565:407; RTJ, 102:610. Contra: 
TACrimSP, ACrim 456.089, RT, 621:331. 
No mesmo sentido é a lição de Delmanto et al. (2002, p. 428) ao afirmar 
que, “quanto à natureza ou objetividade do crime original, pode ele ser contra o 
patrimônio ou não, admitindo-se, até que haja receptação de receptação. A doutrina 
aceita como o produto de crime o que o substitui”. 
Da mesma forma, Mirabete e Fabbrini (2007, p. 344) assim expõem: 
Não exige a lei que o crime antecedente esteja relacionado entre os 
crimes patrimoniais. Pode-se praticar receptação de coisa produto de 
peculato, lenocínio, falsidade, contrabando, descaminho (JSTJ 29/295; 
RSTJ 27/86), e mesmo de receptação (RF 265/363). Se a coisa, porém, for 
adquirida por terceiro de boa-fé, que por sua vez a transmite a outrem, 
não cometer esta receptação, ainda que tenha conhecimento de que a 
coisa provém de crime (RT 508/382). 
Por fim, conforme já julgou a 1ª Câmara Criminal Extraordinária do Tribunal 
de Justiça do Estado de São Paulo, o veículo automotor com sinal de identificação 
adulterado insere-se no conceito de “produto de crime” e, portanto, é objeto do delito 
de receptação, porque o Código Penal não estabeleceu distinção alguma nesse sentido, 
não cabendo ao intérprete fazê-lo. A razão de ser do crime de receptação é inibir a 
prática de ilícitos anteriores (quaisquer que sejam), assim sendo, mostra-se de todo 
justificável obstar a transferência do objeto do crime (no caso, veículo automotor com 
sinal de identificação adulterado), porque, assim, esvaziar-se-ia, em grande medida, o 
interesse daquele que pratica o delito a fim de, por meio da transferência do bem, obter 
vantagem a isso correlata. 
Nesse sentido: 
Apelação. Receptação de veículo automotor com sinal de identificação 
adulterado. Reconhecimento da tipicidade penal da conduta. 
Possibilidade. Dolo do agente não comprovado. Condenação. 
Impossibilidade. Alteração do fundamento da absolvição. Reformatio 
in pejus. Impossibilidade. Recurso desprovido. 
1- O veículo automotor com sinal de identificação adulterado insere-se 
no conceito de “produto de crime” e, portanto, deve ser considerado 
apto a configurar o objeto do delito de receptação. Não se fala, aqui, 
em atipicidade da conduta, em que pese não estar comprovada a 
prática de anterior crime contra o patrimônio ou contra a ordem 
econômica. O Código Penal não estabeleceu qualquer distinção 
neste sentido, não cabendo ao intérprete fazê-lo. 
2- Conquanto típica a conduta descrita na denúncia, “in casu”, não foi 
suficientemente comprovado que o réu tinha ciência quanto à origem 
espúria do bem. Não cabe, pois, condenação por receptação dolosa. 
3- A modificação do fundamento legal da absolvição (de atipicidade 
da conduta para insuficiência de provas) caracterizaria “reformatio 
in pejus”, razão pela qual não pode ser empreendida à falta de 
reclamo da Acusação. 
4- Recurso Ministerial desprovido. 
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
174
Da mesma forma, os seguintes julgados podem ser elencados: 
DIREITO PENAL. RECEPTAÇÃO. CONDENAÇÃO. RECURSO DO 
RÉU. ABSOLVIÇÃO POR FALTA DE PROVAS OU AUSÊNCIA DE 
DOLO. IMPOSSIBILIDADE. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO. 
1. INVIÁVEL O PLEITO ABSOLUTÓRIO SE O CONJUNTO PROBA- 
TÓRIO É FORTE E COESO NO SENTIDO DE QUE O RÉU/APELANTE 
PRATICOU O CRIME DE RECEPTAÇÃO DE VEÍCULO COM 
NUMERAÇÃO ADULTERADA, EIS QUE PARA A CONFIGURAÇÃO 
DO CRIME DE RECEPTAÇÃO, A LEI PENAL NÃO EXIGE QUE O 
CRIME PRINCIPAL SEJA CONTRA O PATRIMÔNIO. 
2. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO DO RÉU. 
 
APELAÇÃO – Art. 304 c/c 297 ambos do CP Pena de 02 anos de 
reclusão e 10 dias-multa, regime aberto, substituída a pena privativa 
de liberdade por 02 restritivas de direitos. Apelante/ apelado foi detido 
quando conduzia o veículo GM/VECTRA, produto de crime, eis que 
adulterado mediante a colocação de faixas azuis sobrepostas à pintura 
do veículo, e adulteração da cor das placas de identificação para 
assemelhar-se aos taxis desta Cidade, sabendo o apelante/apelado 
de tais irregularidades. O apelante/apelado utilizava selos do IPEM/ 
RJ e do SMTR falsificados no referido veículo GM/VECTRA, a fim 
de trafegar livremente. Sem razão a Defesa: Impossível a absolvição: 
Autoria e materialidade cabalmente comprovadas. O Laudo de Exame 
de Documentos, prova contundente neste processo, demonstra que os 
selos apreendidos são falsos com capacidade de iludir terceiros como 
se fossem verdadeiros. Depoimento do policial constitui elemento de 
prova hábil a formar o convencimento do magistrado – Súmula 70 do 
ETJERJ. Com razão o Ministério Público para condenar o apelante / 
apelado pelo crime de receptação: Autoriae materialidade restaram 
comprovadas. Para a configuração do crime de receptação deve-se ter 
a existência de crime antecedente e não necessariamente que seja um 
crime patrimonial. No presente caso, temos o crime de adulteração de 
sinal identificador de veículo automotor em decorrência da adulteração 
da cor da placa e a colocação de faixas azuis sobre a pintura do 
veículo a fim de que o apelante/apelado utilizasse o veículo particular 
passando por um táxi pirata. É cediço que nos delitos de receptação, a 
prova da cognição da origem ilícita do bem se extrai das circunstâncias 
que envolvem o fato, bem como da própria conduta do agente. É 
um delito que se caracteriza até por prova indiciária. Equivocada a 
sentença de 1o Grau. O delito de receptação atribuído ao acusado 
JORGE deve integrar o decreto condenatório, uma vez que cabalmente 
comprovado que o mesmo conduzia o veículo caracterizado de táxi, 
com a placa de identificação alterada e com selos falsificados para 
conseguir trafegar livremente como se um táxi fosse. Restou, portanto, 
plenamente caracterizado o delito previsto no artigo 180, caput, 
do Código Penal, eis que satisfeitos os seus requisitos objetivos e 
subjetivos. Não é crível que um taxista com experiência de 20 anos 
nesta profissão, não tivesse ciência de que o veículo era “pirata” pela 
aparência do carro, pelo fato de o proprietário reter a documentação 
do veículo, pelo fato de ter colocado a autorização afixada no vidro 
pertencente a outro táxi. Logo, dou provimento ao recurso ministerial 
e condeno JORGE CORREA JUNIOR nas penas do art. 180, caput, do 
CP, passando à dosimetria da pena: 1a fase: Atenta as circunstâncias 
previstas no art. 59 do CP, verifico pela sua FAC juntada aos autos, 
que há motivos para exasperação da pena em virtude de seus maus 
antecedentes. Possui duas sentenças condenatórias, sem que configure 
TÓPICO 3 | FORMAS DE ADULTERAÇÃO DA CODIFICAÇÃO ORIGINAL
175
a reincidência em função do lapso temporal trans- corrido. Assim 
fixo a pena-base acima do mínimo legal em 01 (um) ano e 06 (seis) 
meses de reclusão e 10 (dez) dias-multa. 2a fase: Não há atenuantes 
ou agravantes. 3a fase: Não há causas especiais ou gerais de aumento 
ou diminuição de pena, razão pela qual torno a pena base definitiva 
em 01 (um) ano e 06 (seis) meses de reclusão e 10 (dez) dias-multa. 
Na forma do art. 69 do CP, procedo ao somatório global das sanções, 
ficando o ora apelante/apelado definitivamente condenado às penas 
de 03 (três) anos e 06 (seis) meses de reclusão e 20 (vinte) dias-multa, 
regime aberto e mantida a substituição da pena privativa de liberdade 
por restritiva de direitos. Mantidos os demais termos da sentença. 
DESPROVIMENTO DO RECURSO DEFENSIVO E PROVIMENTO 
DO RECURSO MINISTERIAL. 
CONCLUSÃO 
À medida que a sociedade evolui, as organizações criminosas alteram 
com recorrência os seus meios e modos de atuação, mas a receptação, seja dolosa 
simples ou qualificada, continua sendo, assim como o tráfico ilícito de drogas, 
grande mola propulsora e o elemento de estímulo à prática de inúmeros delitos, 
inclusive daqueles de natureza patrimonial, com ou sem violência ou grave ameaça 
contra a pessoa. 
Veículos automotores são roubados e furtados em número cada vez maior 
no Estado de São Paulo, conforme dados já expostos, o que bem espelha a realidade 
nacional. As quadrilhas e organizações criminosas, por sua vez, aperfeiçoam cada 
vez mais os métodos de adulteração para que não sejam aferidos os dados originais 
de identificação de veículos automotores produtos de crimes e, assim, alcancem 
a impunidade de todos os elementos que as integram, bem como do receptador 
final que venha a ser preso adquirindo, recebendo, conduzindo, ocultando ou 
praticando outro dos verbos do tipo penal incriminador. 
Nesse contexto, a aplicação do disposto no comando legal sobre o crime de 
receptação deve ser feita de forma a efetivamente proteger o bem jurídico penalmente 
tutelado, não se esvaziando o conteúdo da norma penal em concreto. É, portanto, 
dever do exegeta, ao analisar as normas penais, promover o direito fundamental de 
todos à segurança pública. Aliás, dispõe a Lei de Introdução às normas do Direito 
Brasileiro, Decreto-Lei nᵒ 4.657, de 4 de setembro de 1942, com a redação dada pela Lei 
nᵒ 12.376/2010, antes denominado “Lei de Introdução ao Código Civil”, nomenclatura 
corretamente alterada: “Art. 5ᵒ Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais 
a que ela se dirige e às exigências do bem comum.”. E é exigência do bem comum 
que se promova a segurança pública, direito de todos. 
Ante o exposto, conclui-se que, para o exercício do direito de ação para 
a responsabilização criminal por delito de receptação, bem como para o édito 
condenatório, é prescindível comprovar que tenha havido crime patrimonial anterior, 
podendo ser aceitos, como crimes pressupostos, delitos de natureza distinta. 
UNIDADE 3 | DOS CRIMES RELACIONADOS À PERÍCIA VEICULAR E SEUS ELEMENTOS IDENTIFICADORES
176
E, da mesma forma, a interpretação do art. 180 do Código Penal que melhor 
se coaduna com a tutela da segurança pública, com a finalidade social e a mens 
legis desta norma penal, é a que admite, para fins de infração penal pressuposta, 
também, a adulteração do sinal identificador do veículo automotor. 
Por fim, ressalte-se que é critério de hermenêutica afastar resultados 
interpretativos que levem ao absurdo. E gerar impunidade de quem pratica 
dolosamente verbo do art. 180 do Código Penal em que não se consegue descobrir 
os sinais originais de veículos automotores diante da sofisticada forma de sua 
adulteração é um resultado absurdo, não somente pelo senti- mento de impunidade 
que desperta no autor do delito e na sociedade, mas também pela grave violação 
da segurança pública que causa. 
FONTE: <http://www.revistajustitia.com.br/revistas/cy6ywc.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2020.
177
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• Todos os veículos possuem elementos de identificação e quais são.
• Para a conferência da originalidade e autenticidade de um documento de 
veículo, bem como do número de chassi e das placas dos automóveis, é preciso 
analisá-los conforme descrevem as resoluções e portarias.
• Cada item possui características específicas de confecção, para assim serem 
identificados como legítimos ou não. 
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
178
AUTOATIVIDADE
1 Sabe-se que o documento do veículo é considerado um sinal identificador. 
A sua confecção é composta por diversos dispositivos de segurança a fim de 
evitar a falsificação e adulteração, como a impressão por calcografia, imagem 
latente, fundo com impressão offset, filigrana, fundo invisível, microtexto, 
papel de segurança e número identificador. Com base no exposto, assinale a 
alternativa que faz referência ao processo de calcografia:
a) ( ) É a forma utilizada para impressão das cédulas de dinheiro e 
documentos de identificação.
b) ( ) É uma forma utilizada que pode ser facilmente reproduzida, e por isso, 
alvo de críticas pelos profissionais de segurança.
c) ( ) É através dela que se pode observar as marcas latentes nos documentos.
d) ( ) É técnica utilizada para o preenchimento do documento, o qual 
seleciona fonte e tamanho dos caracteres.
2 A adulteração do número identificador do veículo, chassi, pode ocorrer de diversas 
formas. Pode-se citar, por regravação, ausência de numeração, transplante, 
adulteração simples e entre outras. Analise as afirmativas abaixo e assinale V para 
VERDADEIRO e F para FALSO, a respeito da técnica que caracteriza o transplante:
( ) É quando modifica todos os pontos de identificação de um veículo 
transformando-o em um dublê de outro existente.
( ) O adulterador possui um veículo legalizado que, por algum motivo 
apresenta baixo valor comercial, eretira deste veículo todos seus pontos 
de identificação, implantando em outro veículo furtado ou roubado.
( ) É quando ocorre a destruição dos seus pontos de identificação com o 
objetivo de dificultar a obtenção de sua identificação original.
( ) É a técnica também conhecida como implante.
Está CORRETA a alternativa com a seguinte ordem: 
a) ( ) F, V, F, V.
b) ( ) V, V, F, F.
c) ( ) F, F, V, F.
d) ( ) V, F, V, V.
3 As placas de identificação de veículos são, geralmente, falsificações e/ou 
adulterações mais fáceis de se perceber, não necessitando de um rigor técnico 
para a sua observação. Com base nessa afirmação, podemos afirmar que:
a) ( ) A falsificação grosseira, como o uso da fita isolante, não constitui 
nenhum ilícito.
b) ( ) A gravidade lesiva da ação é que irá definir se a conduta é típica ou não.
c) ( ) A adulteração das placas, mesmo ocorrendo apenas para burlar 
a fiscalização de trânsito, como radares, rodízios de veículos, é 
considerada uma adulteração do sinal identificador do veículo.
d) ( ) As empresas que fabricam as placas de identificação, em nenhuma 
hipótese, poderão ser descredenciada dos órgãos de Trânsito Estadual. 
179
REFERÊNCIAS
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balísticos e sua trajetória. São Paulo: Blucher, 2017.
BITENCOURT, C. R. Código penal comentado. 10. ed. São Paulo: Saraiva 
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BRASIL. Portaria	nᵒ	60	–	COLOG,	de	15	de	abril	de	2020. Estabelece os 
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176, de 4 de novembro de 2019. Restaura a vigência dos artigos 1ᵒ a 10 da 
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CONTRAN nᵒ 241, de 22 de junho de2007, nᵒ 309, de 6 de março de 2009, e nᵒ 
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