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2. PARTE ESPECIAL – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 
 
1.1 Obrigações e atos unilaterais de vontade 
 
É possível exigir o cumprimento de prestação, diante de declaração unilateral 
de vontade, como uma promessa de recompensa? 
Na relação que se desenvolve quando há uma declaração unilateral de 
vontade, como nos casos de promessa de recompensa, gestão de negócios, 
pagamento indevido e enriquecimento sem causa, não há um contrato propriamente 
dito, ou relações bilaterais. 
Há uma assunção ao cumprimento de determinada prestação decorrente de 
ato unilateral, gerando a obrigação, e comprometendo-se à cumpri-la. Inclusive, 
tendo o beneficiário direito de exigir o cumprimento da satisfação. 
 
1.2 Obrigação e contrato 
 
As figuras da obrigação e do contrato quase se confundem, encontrando a 
distinção no fato de que contrato é fonte de obrigações, ou seja, os negócios 
bilaterais são as principais formas de geração de obrigações. 
 
1.3 Obrigações e direitos reais 
 
As obrigações se diferenciam dos direitos reais quanto à dois aspectos 
principais. É necessário ter em mente que a obrigação é uma relação que envolve o 
cumprimento de prestação, sendo que os direitos reais também possuem essa 
característica de vinculação prestacional. 
Quanto ao primeiro ponto de divergência, a obrigação possui como objeto 
uma conduta humana, enquanto que na obrigação real o direito se infere sobre 
coisas corpóreas e determinadas. 
Em segundo lugar, temos como critério diferenciador o tempo do direito. Na 
obrigação, é característica peculiar a transitoriedade, pois, cumprida a prestação, 
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cessa a obrigação. Seu prazo de duração se exaure na medida de cumprimento da 
prestação. 
O direito real, por outro lado, se liga à coisa e dela se torna indissolúvel, i.e., 
permanece enquanto permanecer a coisa, sendo duradouro e absoluto, e 
prevalecendo erga omnes. 
 
1.4 Obrigações e moral 
 
A moral não se constitui em elemento de exigibilidade jurídica, ou seja, a 
moral não é capaz de originar obrigações junto ao direito. 
Não obstante, a relação obrigacional surge da moral, pois é pelo aspecto 
moral que o devedor comprometia-se e cumpria a obrigação. Não podendo cumpri-
la, o devedor subjugava-se a condição de escravo, cumprindo a prestação e, 
principalmente, mantendo a sua honra. 
As obrigações decorrem do comprometimento moral à satisfação daquilo que 
fora pactuado entre duas partes. 
Mesmo que não se possa exigir o cumprimento de obrigação moral, este 
lança sua influência sobre todo o ordenamento jurídico, pois é com base nessa que 
são prescritas as condutas em nosso sistema. 
 
1.5 Estrutura das obrigações 
 
a) Os elementos das obrigações 
É possível identificar, dentro das características das obrigações, elementos 
que lhe são necessários para sua própria caracterização. 
A obrigação decorre de uma relação entre duas ou mais pessoas, tendo como 
centro um objeto (prestação), sendo uma delas o sujeito ativo (credor) e outra o 
sujeito passivo (devedor), da relação. 
Mesmo nas declarações unilaterais de vontade, uma das partes se 
compromete em cumprir determinada obrigação, podendo o credor dessa obrigação 
exigir o seu cumprimento. 
 
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Há situações em que as figuras de credor e devedor se confundem, pois cada 
um é devedor e credor ao mesmo tempo. 
É o caso, por exemplo, da contratação de construção de uma casa, com 
pagamento parcelado, onde o empreiteiro da obra se obriga a construir a casa, ao 
mesmo tempo em que é credor da prestação mensal. Por outro lado, o dono do 
imóvel se obriga ao adimplemento da parcela mensal, ao mesmo tempo que pode 
exigir o cumprimento da construção do imóvel no prazo estabelecido. 
 
b) O sujeito ativo 
Sujeito ativo é aquele que possui a obrigação a ser satisfeita; é aquele que 
pode exigir o cumprimento da obrigação. Enfim, é o credor. Trata-se daquele que 
confia no cumprimento da obrigação pelo devedor. 
Credor pode assim ser chamado aquele que possui qualquer relação 
obrigacional em seu favor, podendo-se envolver valores em espécie, bens, 
obrigações de fazer e não fazer, dar, etc. 
Qualquer pessoa poderá ser credora: seja ela capaz ou incapaz (menor de 
idade, tutelado, curatelado, doente mental, etc.) 
Quando um incapaz faz parte de determinada relação obrigacional, é o 
incapaz que é considerado o credor (e até mesmo devedor), porém é representado 
ou assistido por alguém (que não vai lhe tomar o posto de parte na relação 
negocial). 
Também é possível que sejam credores pessoas físicas e jurídicas, sejam 
elas de direito público ou privado. Também as associações civis se legitimam como 
credoras para pleitear em ações coletivas (ex. IDEC). 
Ponto de interesse é a possibilidade de modificação posterior do credor, como 
é o caso dos títulos de crédito, que, em uma nota promissória não se indica o credor; 
ou então no cheque, que deve ser pago ao portador. 
 
c) Sujeito passivo 
Sujeito passivo é aquela pessoa obrigada pela relação jurídica, ou seja, é 
aquela que deve cumprir a obrigação assumida com o credor. É o devedor. 
 
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Quando se trata de bem, a condição de devedor decorre desta titularidade, ou 
seja, a situação de devedor pode ser transferida com a coisa. Cite-se como exemplo 
a venda de um apartamento, onde o novo proprietário passa a ser o devedor das 
taxas de condomínio que se vencerem a partir de então. 
Assim como no caso de credores, há possibilidade de haver vários devedores 
de uma mesma obrigação, para com um ou vários credores. Também aqui podem 
ser devedores pessoas físicas e jurídicas, capazes ou incapazes. 
 
d) Objeto da obrigação 
O objeto da obrigação é o bem (material ou imaterial) pelo qual credor e 
devedor estabelecem a obrigação. É aquilo que deve ser realizado, cumprido, 
omitido, prestado, etc. Trata-se da própria obrigação. 
Qualquer coisa pode ser objeto de vínculo obrigacional, desde que cumpra as 
determinações dos arts. 104, II e 166, II, ambos do CC (objeto lícito, possível e 
determinado ou determinável – valor econômico ou moral), sob pena de nulidade ou 
invalidade do negócio jurídico. 
Lembre-se: licitude se refere à não vedação ou existência de amparo legal 
quanto ao objeto (afasta-se, por exemplo, negociações de drogas ilícitas); 
possibilidade se refere à capacidade humana, permissão legal e comerciabilidade do 
bem; valor econômico ou moral, que refere ou valoração econômica ou imaterial 
(como obrigação de preservação ambiental). 
 
e) O vínculo obrigacional 
O vínculo obrigacional é a relação jurídica que liga credor e devedor para com 
o objeto desta obrigação. É a perfectibilização da obrigação. É relação jurídica por 
que, para ser obrigação tutelada pelo direito, deve ser adequar a estes moldes (art. 
104 do CC/02). 
O vínculo obrigacional nasce tanto do acordo de vontades com de atos 
jurídicos ilícitos, como de um acidente de trânsito1. 
 
 
 
1 RIZZARDO, Arnaldo. Direito das Obrigações. 2.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2006. 
 
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1.6 Modalidades das obrigações 
 
ASPECTOS GERAIS 
A realização de uma classificação das obrigações tem por objetivo distinguir 
aspectos como sua eficácia, objeto, e assim, por diante. De modo a facilitar o 
estudo, tomaremos as distinções recepcionadas pelo Código Civil de 2002. 
 
a) Obrigações civis 
Obrigações civis ou empresariais são as obrigações que possuem todas as 
qualidades necessárias para a sua exigibilidade, ou seja, emitem seus efeitos no 
mundo jurídico com plenitude. 
Na obrigação civil, o devedor assume a obrigação para com o credor, que 
pode ser positiva ou negativa, obrigando-se a cumpri-la. Em caso de não 
cumprimento, o credor poderá buscar, através do Poder Judiciário, a satisfação 
dessa obrigação. 
Temos como exemplo de obrigação civil a realização de um contrato, na 
forma do art. 104 do CC; a assinatura de um título de crédito; a realização de umnegócio; e assim por diante. 
A obrigação civil é formada por todos os elementos já transcrito em outros 
momentos (material adicional já inserido no site), que são: sujeito ativo (credor), 
sujeito passivo (devedor), objeto da obrigação e vínculo jurídico suficiente a permitir 
a exigibilidade judicial do cumprimento da obrigação (ação material e ação 
processual). 
 
b) Obrigações morais 
A obrigação moral é a obrigação que decorre exclusivamente de liberalidade 
da pessoa, que, sem qualquer vínculo jurídico, cumpre o dever moralmente 
assumido para com outrem. 
É o caso, por exemplo, do cumprimento de disposição de última vontade que 
não constou no testamento; ou então de socorrer pessoas necessitadas2. 
 
2 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro. 2.v. 20.ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 62. 
 
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Porém, uma vez cumprida a obrigação, não é possível a sua repetição, ou 
seja, não pode o devedor, após cumprir a obrigação moral, tentar a restituição da 
obrigação. 
 
c) Obrigação natural 
A obrigação natural possui todos os elementos da obrigação civil, com 
exceção, apenas, do direito de ação. Ou seja, a obrigação natural se equipara à 
obrigação civil por possuir credor, devedor e objeto da obrigação. 
Porém, não terá o credor direito de ação em face do credor: não poderá 
ajuizar ação pretendendo a cobrança ou execução de uma obrigação natural. 
A obrigação natural também se equipara à obrigação moral, no sentido da 
irreversibilidade de prestação cumprida: se o devedor cumpre espontaneamente a 
sua obrigação, não poderá discutir o cumprimento desta ou buscar a restituição da 
obrigação. 
O seu diferencial perante as obrigações morais é que as obrigações naturais 
possuem previsão expressa no ordenamento jurídico. No caso do nosso Código 
Civil, temos as obrigações prescritas (art. 882 do CC); dívidas de jogo e aposta (art. 
814 a 817 do CC); empréstimo feito à menor (art. 588 – verificar exceções do art. 
589 do CC). 
Como exceção à regra da previsão, a concessão de gorjetas e o pagamento 
de comissões para alguém não profissional que intermediou a venda, também são 
obrigações naturais. 
A obrigação natural, assim, não pode ser exigida, porém, uma vez cumprida 
pelo devedor, não poderá ser objeto de repetição (reversão do adimplemento). 
 
d) Obrigação principal e obrigação acessória 
É a obrigação existente por si, abstrata ou concretamente, sem que haja 
dependência ou sujeição para com outras obrigações (relações jurídicas). 
É caso da obrigação assumida pelo inquilino em devolver o imóvel, findo o 
contrato de locação; também é a obrigação ao pagamento de certa quantia em 
dinheiro, decorrente de título de crédito. 
 
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Já a obrigação acessória é aquela obrigação cuja existência depende de 
outra relação jurídica, ou seja, é a obrigação cuja existência depende da existência 
de outra obrigação. 
 
 
 
Podemos apontar como exemplo o contrato de fiança para garantia de 
contrato de locação, sendo a fiança acessório deste (art. 818 a 839 do CC); os juros 
de um empréstimo (art. 323, 406 e 407 do CC); a cláusula penal, por ser uma pena 
imposta pelo descumprimento do contrato (art. 408 do CC). 
A natureza principal ou acessória das obrigações pode ser em decorrência de 
acordo entre as partes ou em decorrência de lei. 
 
1.7 Obrigações propter rem 
 
As obrigações propter rem, também denominadas de obrigação com eficácia 
real, são aquelas decorrentes de algum direito real, mas que vinculam o detentor de 
tal direito. 
Temos como típico exemplo de tal obrigação aquelas decorrentes da 
propriedade de imóvel, quais sejam o pagamento de IPTU e da taxa condominial. 
Trata-se, portanto, de vínculo obrigacional pessoal, que, antes de ser fonte de 
pacto específico com outra pessoa, nasce com a estipulação de um direito real. 
nesse passo, vale citar a posição de alguns doutrinadores acerca desse instituto: 
Para Maria Helena Diniz, a obrigação propter rem gera a “vinculação a um 
direito real, ou seja, a determinada coisa de que o devedor é proprietário ou 
possuidor", com "possibilidade de exoneração do devedor pelo abandono do direito 
real, renunciando o direito sobre a coisa", e onde ocorre a "transmissibilidade por 
meio de negócios jurídicos, caso em que a obrigação recairá sobre o adquirente". 
No dizer de Sílvio Rodrigues, tal obrigação “prende o titular de um direito real, 
seja ele quem for, em virtude de sua condição de proprietário ou possuidor", onde "o 
devedor se livra da obrigação pelo abandono do direito real"; de modo que "a 
obrigação se transmite aos sucessores a título singular do devedor". 
LEMBRE-SE: Uma vez que extinta a relação jurídica principal (obrigação principal), extingue-se a 
obrigação acessória. 
 
 
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Por fim, Silvio de Salvo Venosa refere que "trata-se de relação obrigacional 
que se caracteriza por sua vinculação à coisa", sendo que "o nascimento, a 
transmissão e a extinção da obrigação propter rem seguem o direito real, com uma 
vinculação de acessoriedade"; ao passo que "a obrigação dita real forma, de certo 
modo, parte do conteúdo do direito real, e sua eficácia perante os sucessores 
singulares do devedor confere estabilidade ao conteúdo do direito". 
Importante citar, como complemento, que a extinção da obrigação real se dá 
pelo abandono do referido direito, assim como também poderá ser transmitido à 
terceiros, a título gratuito, oneroso ou por sucessão. 
Por fim, a obrigação real acompanha o bem onde quer e com quer que ele se 
encontre, de tal modo que a responsabilidade pelo seu adimplemento irá 
acompanhar o bem, mesmo em caso de alienação ou sucessão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
XXVI EXAME DE ORDEM 
A sociedade empresária Fictícia Produções Ltda. (Fictícia) vendeu um imóvel de 
sua propriedade à Diversão Produções Artísticas Ltda. (DPA), que passou a 
funcionar no local. Dois meses após o registro da compra no cartório de registro 
de imóveis e início das atividades da DPA, a nova proprietária é surpreendida por 
uma ação de cobrança de cotas condominiais anteriores à aquisição e não pagas 
pela Fictícia. Inconformado com o fato, e diante da previsão contratual na qual a 
sociedade empresária Fictícia se responsabiliza por débitos relativos ao período 
anterior à imissão na posse de sua empresa, o diretor Ronaldo procura uma 
orientação jurídica especializada. Sobre a hipótese narrada, responda aos itens a 
seguir. 
A) As cotas condominiais anteriores à aquisição são devidas pela atual 
proprietária do imóvel? (Valor: 0,60) 
B) Qual a medida processual mais célere, econômica e adequada para exigir da 
sociedade empresária Fictícia, nos mesmos autos, a responsabilização pela 
dívida? (Valor: 0,65) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do 
dispositivo legal não confere pontuação. 
 
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GABARITO COMENTADO: 
A) Sim, tendo em vista o caráter propter rem da obrigação, DPA é devedora das 
cotas, conforme o Art. 1.345 do CC. 
 
B) Denunciação da lide (Art.125, inciso II, do CPC), a fim de obter da sociedade 
empresária Fictícia Produções os valores que eventualmente tiver que arcar com 
o processo em razão da responsabilidade contratual. 
 
Distribuição de pontos 
 
ITEM PONTUAÇÃO PONTUAÇÃO DO ALUNO 
a) Sim, tendo em vista o caráter propter rem da obrigação (0,50), 
conforme o art. 1.345 do CC (0,10). 
0,00 / 0,50 / 0,60 
 
 b) Denunciação da lide (0,30), em razão da responsabilização 
contratual (0,25), na forma do art. 125, inciso II, do CPC (0,10). 
 
0,00 / 0,30 / 0,40 / 
0,55 / 0,65 
 
 TOTAL: 0 
 
 
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1.8 Obrigações de dar 
Obrigação de dar é aquela que envolve a entrega de algo pelo devedor ao 
credor. Se subdivide em quatro formas distintas: 
a) obrigação de dar (strictosenso): é a obrigação que envolve a 
transferência de domínio ou de outros direitos reais (posse, propriedade, etc.) para o 
credor. É a obrigação que envolve a entrega de determinado bem, sob o fundamento 
de transferência de seu domínio. Exemplo dessa obrigação ocorre em um contrato 
de compra e venda, no qual o vendedor se compromete a entregar o imóvel (posse 
e propriedade) para o comprador. 
b) obrigação de restituir: na obrigação de restituir, não há a transferência da 
propriedade, mas apenas a posse do bem. Verificamos este tipo de obrigação nos 
contratos de locação, por exemplo, onde o inquilino se obriga a restituir o imóvel ao 
locador (art. 59 ao 66 da Lei nº 8245/91). Previsão dos art. 238 ao 242 do CC. 
Se a coisa se perder sem culpa do devedor este não terá responsabilidade 
pela coisa, sendo sua responsabilidade restrita à obrigação. Por exemplo os 
encargos de aluguéis até o dia em que temporal arrancou a casa inteira, que estava 
sendo locada. 
Relativamente aos melhoramentos, o devedor somente terá direito se houver 
contribuído para isso, como a realização de reformas, o devedor terá direito à 
restituição do valor, se estiver de boa-fé, de acordo com o disposto nos art. 1.219 a 
1.222 do Código Civil. 
Da mesma forma ocorre em relação aos frutos, tendo o devedor direito se 
estiver agindo de boa-fé, também de acordo com os citados dispositivos. 
Fica excluída dessa regra, no entanto, a obrigação decorrente de comodato, 
conforme dispõe o art. 584 do CC. 
c) obrigação de contribuir: são as obrigações que impõem o dever de 
contribuição por parte do devedor, como no caso do condomínio (art. 1315, 1334, I, 
1336, I e §1º, todos do CC); e da manutenção das despesas da família (art. 1568 e 
1688 do CC). 
Cada um, proporcionalmente à sua cota ou capacidade, deve contribuir para 
a manutenção do condomínio ou das despesas familiares, respectivamente. 
 
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d) obrigação de solver dívida em dinheiro: são as obrigações que se 
estabelecem pelo valor, ou seja, representam determinado valor para seu 
adimplemento. 
É o caso do pagamento do aluguel; do preço do contrato de compra e venda; 
das perdas e danos (quando do inadimplemento); e do pagamento dos juros 
(quando de mútuo – empréstimo). 
As obrigações de dar, após esta primeira classificação, são diferenciadas 
também pela determinabilidade de seu objeto. Classificação essa adotada pelo 
Código Civil de 2002. 
 
1.8.1 Obrigações de dar coisa certa 
 
A obrigação de dar coisa certa constitui-se na obrigação assumida para a 
entrega de bem certo e determinado, como por exemplo a entrega do veículo placas 
AAA0000. 
Assim, a obrigação recai apenas e tão somente sobre a coisa objeto da 
contratação, não sendo o credor obrigado a receber prestação diversa daquela que 
foi pactuada (art. 313 do CC). Está prevista nos art. 233 à 237 do CC. 
No caso da obrigação de dar coisa certa, a obrigação principal abrangerá os 
acessórios desta, salvo se diversamente tiverem estipulado as partes (art. 233 do 
CC). 
Como há a transferência de propriedade, até que a coisa deva ser entregue, 
os frutos (percebidos) e melhoramentos pertencerão ao devedor, inclusive com 
direito à aumento do preço ou resolução do negócio (art. 237). 
Por exemplo: na compra e venda de uma plantação de maças, as maças que 
maturarem até o dia da transferência da posse pertencerão ao devedor, e as verdes, 
que maturarem após a data, pertencerão ao credor. 
Ainda, se a coisa a ser entregue se perder antes de sua entrega, ou mesmo 
sofrer deterioração, sem que o devedor tenha culpa no evento, a obrigação se 
resolverá, com a devolução de valores pagos, ou então, poderá o credor receber a 
coisa com o respectivo abatimento (art. 234 e 235 do CC). 
 
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Por outro lado, tendo o devedor culpa na perda ou deterioração da coisa, 
poderá o credor exigir o seu equivalente, ou o desconto da deterioração, além de 
indenização por perdas e danos (art. 236 do CC). 
É o caso do devedor que se obrigou a entregar um terreno com a casa. Se o 
devedor não efetuou a manutenção do imóvel, vindo este a desabar, responderá 
pelo valor da casa também, além de eventuais perdas e danos que o não 
cumprimento da prestação tenha causado (como a necessidade do credor pagar 
aluguéis de um outro imóvel até construir novamente a casa). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
XXV Exame – Aplicação Porto Alegre / RS 
Renato contratou a compra de uma obra de arte de Sebastião, mediante documento 
particular escrito e assinado pelas partes e duas testemunhas. Do contrato constou cláusula para 
a efetiva entrega do bem no prazo de um ano contado a partir da assinatura do contrato, em cujo 
momento Renato pagaria o restante do preço, equivalente a 30% do valor avençado. Passado 
esse prazo, Renato, embora não tenha quitado a parcela final, notifica Sebastião para que 
entregue o bem e, diante da resistência do mesmo, moveu ação de execução para entrega de 
coisa, objetivando haver o bem. Citado regularmente no processo de execução instaurado, 
Sebastião pretende apresentar resistência, ante a ausência do pagamento do saldo. Diante da 
situação descrita, responda aos itens a seguir. 
A) Qual o instrumento processual adequado para o executado resistir? Fundamente, 
apresentando os requisitos que devem ser preenchidos para sua admissão. (Valor: 0,70) 
Resposta: O executado, para defender seus interesses, poderá se valer dos Embargos à 
Execução, previstos no Art. 914 do CPC/15. Os embargos têm natureza de ação e, para o seu 
oferecimento, devem ser preenchidos os requisitos genéricos da petição inicial, previstos no Art. 
319 e no Art. 320, ambos do CPC/15, instruídos com cópias das peças processuais relevantes da 
execução, que poderão ser declaradas autênticas pelo advogado (Art. 914, § 1º, do CPC/15) além 
do requisito da tempestividade previsto no Art. 915 do CPC/15. 
 
B) Para defender a resistência descrita, qual fundamento pode ser apresentado? (Valor: 
0,55) 
Resposta: Sebastião deve fundamentar os Embargos à Execução na exceção do 
contrato não cumprido, na forma do Art. 477 do CC, cuja matéria é própria para o incidente, na 
forma do Art. 917 do CPC/15. 
 
 
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DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS 
A1. O instrumento adequado são os Embargos à Execução (0,20), 
previstos no Art. 914 do CPC/15 (0,10) 
0,00/0,20/0,30 
A2 Devem ser preenchidos os requisitos genéricos da petição 
inicial (0,10), previstos no Art. 319 E no Art. 320 (OU, nesse último, 
Art. 914, § 1º), todos do CPC/15 (0,10) 
0,00/0,10/0,20 
A3, Deve ser observado o prazo de 15 dias (0,10), previsto no Art. 
915 do CPC/15 (0,10) 
0,00/0,10/0,20 
B. Sebastião deve fundamentar os Embargos à Execução na 
exceção do contrato não cumprido (0,45), segundo o Art. 477 do 
CC (0,10). 
0,00/0,45/0,55 
 
1.8.2 Obrigações de dar coisa incerta 
 
A obrigação de dar coisa incerta é a obrigação assumida elo devedor em 
relação à um objeto provisoriamente indeterminado, mas que é determinável, e cuja 
determinação ocorrerá no decorrer do cumprimento da obrigação. 
Assim, trata-se de obrigação cujo objeto será estabelecido apenas na 
espécie, porém a sua individualização ocorrerá no cumprimento da obrigação. Outra 
importante característica, além da designação da espécie (consta gênero do CC, art. 
243), é a quantidade. 
Podemos citar como exemplo a obrigação assumida para a entrega de 20 
sacas de milho. A espécie (ou gênero, segundo o código), é designada pelo 
identificação de milho, enquanto que a quantidade é identificada pelas 20 sacas. 
Quando do cumprimento da obrigação, o devedor irá indicar quais são as sacas a 
serem entregues para o credor, apartando-as. 
Esse ato de definição, identificação e determinação do objeto exato da 
obrigação é chamado de concentração. Via de regra, caberá ao devedor fazer esta 
escolha, salvo se as partes estabelecerem de forma diversa, para que o credor ou 
mesmo terceirofaça a escolha (art. 244 e 485 do CC). 
Importante observar que a indeterminação do objeto é transitória, pois a há 
data limite estabelecida para terminar: a data do adimplemento. 
Com a concentração, ou individualização do objeto da obrigação, a obrigação 
de dar coisa incerta passa para obrigação de dar coisa certa, pois já está 
estabelecido, com exatidão, o objeto da obrigação. Portanto, com a concentração, 
 
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as disposições inerentes à obrigação de dar coisa certa passam a incidir sobre a 
obrigação. 
O ato de identificação do objeto exato da obrigação pode ocorrer a qualquer 
tempo antes do adimplemento. Deve ser efetuado de maneira que o credor saiba da 
escolha, ou seja, a concentração deve ser feita com a ciência de ambas as partes. 
Na determinação do objeto, o Código Civil estabelece que a coisa não poderá 
ser a de pior qualidade, mas o devedor não está obrigado a entregar a de melhor 
qualidade, conforme art. 244. 
Fato importante na obrigação de dar coisa incerta está na impossibilidade de 
alegação, pelo devedor, antes da escolha, de perda ou deterioração da coisa como 
fundamento para desobrigar-se da obrigação. 
Exemplo: se o devedor está obrigado a entregar 10 sacas de café ao credor 
e, antes de efetuada a escolha, por granizo, toda a lavoura e os estoques do galpão 
são danificados, com perda total do produto, ainda assim persistirá a obrigação 
como se nada houvesse ocorrido. 
Por outro lado, caso a escolha já tenha sido feita, e o credor anuiu com a 
escolha, estando as 10 sacas de café separadas já, dentro do galpão, que, com o 
granizo é destruído, destruindo também o café, incidirão as disposições do art. 235 
do CC. 
 
1.8.3 Ação de execução para entrega de coisa certa e incerta 
 
Tratando-se de obrigação que está lastreada em título executivo, é adequada 
a ação de execução. No caso da obrigação de dar coisa certa e incerta, são ritos 
processuais próximos, mas diferentes. Necessário identificar, no problema, 
justamente qual é a natureza da coisa (se certa ou incerta), bem como se é 
obrigação quérable ou portable. Para a obrigação de dar coisa incerta, ver quem tem 
a prerrogativa da escolha da coisa. 
 
CASO BASE: TICIO comprou de CAIO, um veículo, placas ZZZ0000, tendo pago o 
valor de R$ 25.000,00 à vista, conforme escritura pública apresentada. CAIO 
deveria entregar o veículo na casa do comprador TÍCIO em até 48h após firmado o 
 
16 
 
negócio, conforme escritura pública de compra e venda. Contudo, não houve a 
entrega do bem, sendo necessária demanda judicial para obter o bem. Qual ação 
seria cabível em favor de TÍCIO? Caso verificado danos no veículo durante o prazo 
de inadimplemento, o que deve ser postulado? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL 
DA COMARCA DE ... 
 
TÍCIO..., nacionalidade..., estado civil..., profissão..., portador da Cédula de 
identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço eletrônico..., residente e 
domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., CEP..., por intermédio 
de seu procurador constituído (procuração em anexo), OAB..., endereço 
eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de Processo 
Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a presente 
 
AÇÃO DE EXECUÇÃO PARA ENTREGA DE COISA CERTA, com fundamento 
no art. 797 e 806 a 810 do CPC/15, em face de 
 
CAIO..., nacionalidade..., estado civil..., profissão..., portador da Cédula 
de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço eletrônico..., residente 
e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., CEP..., pelas razões 
de fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Narrar o que ocorreu no mundo dos fatos que ensejou a propositura da 
ação, conforme problema fornecido pela FGV. Demonstrar o descumprimento da 
obrigação de dar coisa certa e enfatizar que se houver deterioração da coisa, 
necessária sua reparação. 
Conforme se verifica na escritura pública anexa, o Autor adquiriu o veículo 
placas ZZZ0000 pelo preço certo, ajustado e já pago de R$ 25.000,00. 
Ocorre, contudo, que apesar de estipulado o prazo de 48h para 
adimplemento da obrigação de dar (coisa certa), o requerido não fora levar o bem 
até o Autor, restando, assim, inadimplida tal obrigação. 
 
 
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2. DOS FUNDAMENTOS: 
Expor como fundamentos: 
a) A qualidade do título executivo da escritura pública, nos termos do art. 784, II 
do CPC; 
b) A condição de inadimplemento da obrigação, conforme art. 394 do CC; 
c) A necessidade de imposição de multa e cumprimento da obrigação de entrega 
do bem, nos termos do art. 806, §1º, do CPC; 
d) A fixação de prazo e multa para o cumprimento da ordem, bem como 
astreintes para o caso de descumprimento, de acordo com o art. 806, §1º, do 
CPC; 
 
No caso em tela, é possível o manejo da ação de execução de título 
extrajudicial, pois o contrato fora firmado através de escritura pública, atendendo 
o disposto no art. 784, II do CPC. 
Quanto ao inadimplemento da obrigação, sendo esta portable, deveria o 
demandado ter entregue o bem no prazo pactuado, o que não ocorreu, 
ofendendo o disposto no art. 233 do Código Civil. 
Assim, a pretensão exposta na presente demanda é a entrega da coisa 
certa no prazo de 15 dias, conforme estabelece o art. 806 do Código de Processo 
Civil. 
Ainda, visando dar eficácia à ordem judicial, requer a fixação de multa por 
dia de atraso na entrega, conforme art. 806, §1º do CPC; 
Por fim, caso verificado danos no veículo, requer, de acordo com o art. 389 
e 395 do Código Civil, que seja determinada a reparação dos danos causados ao 
Autor. 
 
3. DOS PEDIDOS: 
Ante o exposto, requer: 
a) O recebimento e distribuição da demanda, com a citação do requerido para 
que, no prazo de 15 dias, efetue a entrega do bem, nos termos do art. 806 do 
CPC; 
 
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b) a fixação de multa diária para o caso de atraso, conforme art. 806, §1º, do 
CPC. 
 
c) Em caso de não entrega ou deterioração da coisa, requer a conversão do feito 
em perdas e danos, nos termos do art. 809 do CPC; 
 
d) A extinção da execução, ao final, na forma do art. 924, II do CPC; 
 
e) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e 
honorários advocatícios, na forma do art. 85 do Código de Processo Civil. 
 
f) Protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, tais 
como prova pericial, testemunhal e documental, conforme art. 319, VI do CPC. 
 
g) Informa o recolhimento das custas processuais iniciais OU Requer a 
concessão do benefício de justiça gratuita, na forma dos art. 98 e 99 do Código 
de Processo Civil. 
 
Valor da causa R$: 25.000,00 (art. 292, V, do Código de Processo Civil). 
 
Termos em que, 
Pede e espera deferimento. 
 
Local..., Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
 
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1.9 Obrigação de entrega de coisa incerta 
No caso de obrigação de entrega de coisa incerta, é necessário fundamentar 
a pretensão nos art. 811 ao 813 do CPC/15, bem como identificar quem tem a 
prerrogativa de realizar a escolha. 
Se a escolha for do credor, este deve indicar na própria inicial, tornando-se 
obrigação de dar coisa certa para com o devedor. 
Se a escolha for do devedor, necessário conceder prazo para ele manifestar a 
escolha, e entregar o bem; ou então, se omisso, o credor poderá realizar a escolha. 
 
ATENÇÃO: devemos estar atentos à forma deentrega de bens, observando-se o 
disposto nos art. 798 a 800 do CPC: 
 
Art. 798. Ao propor a execução, incumbe ao exequente: 
I - instruir a petição inicial com: 
a) o título executivo extrajudicial; 
b) o demonstrativo do débito atualizado até a data de propositura da ação, 
quando se tratar de execução por quantia certa; 
c) a prova de que se verificou a condição ou ocorreu o termo, se for o caso; 
d) a prova, se for o caso, de que adimpliu a contraprestação que lhe 
corresponde ou que lhe assegura o cumprimento, se o executado não for 
obrigado a satisfazer a sua prestação senão mediante a contraprestação do 
exequente; 
II - indicar: 
a) a espécie de execução de sua preferência, quando por mais de um modo 
puder ser realizada; 
b) os nomes completos do exequente e do executado e seus números de 
inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da 
Pessoa Jurídica; 
c) os bens suscetíveis de penhora, sempre que possível. 
Parágrafo único. O demonstrativo do débito deverá conter: 
I - o índice de correção monetária adotado; 
II - a taxa de juros aplicada; 
III - os termos inicial e final de incidência do índice de correção monetária e 
da taxa de juros utilizados; 
IV - a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso; 
V - a especificação de desconto obrigatório realizado. 
Art. 799. Incumbe ainda ao exequente: 
I - requerer a intimação do credor pignoratício, hipotecário, anticrético ou 
fiduciário, quando a penhora recair sobre bens gravados por penhor, 
hipoteca, anticrese ou alienação fiduciária; 
II - requerer a intimação do titular de usufruto, uso ou habitação, quando a 
penhora recair sobre bem gravado por usufruto, uso ou habitação; 
III - requerer a intimação do promitente comprador, quando a penhora recair 
sobre bem em relação ao qual haja promessa de compra e venda 
registrada; 
IV - requerer a intimação do promitente vendedor, quando a penhora recair 
sobre direito aquisitivo derivado de promessa de compra e venda registrada; 
 
21 
 
V - requerer a intimação do superficiário, enfiteuta ou concessionário, em 
caso de direito de superfície, enfiteuse, concessão de uso especial para fins 
de moradia ou concessão de direito real de uso, quando a penhora recair 
sobre imóvel submetido ao regime do direito de superfície, enfiteuse ou 
concessão; 
VI - requerer a intimação do proprietário de terreno com regime de direito de 
superfície, enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou 
concessão de direito real de uso, quando a penhora recair sobre direitos do 
superficiário, do enfiteuta ou do concessionário; 
VII - requerer a intimação da sociedade, no caso de penhora de quota social 
ou de ação de sociedade anônima fechada, para o fim previsto no art. 876, 
§ 7o; 
VIII - pleitear, se for o caso, medidas urgentes; 
 
IX - proceder à averbação em registro público do ato de propositura da 
execução e dos atos de constrição realizados, para conhecimento de 
terceiros. 
Art. 800. Nas obrigações alternativas, quando a escolha couber ao devedor, 
esse será citado para exercer a opção e realizar a prestação dentro de 10 
(dez) dias, se outro prazo não lhe foi determinado em lei ou em contrato. 
§ 1o Devolver-se-á ao credor a opção, se o devedor não a exercer no prazo 
determinado. 
§ 2o A escolha será indicada na petição inicial da execução quando couber 
ao credor exercê-la. 
 
 
Lembre-se que a elaboração de uma peça depende da análise do caso 
concreto e respectiva solução jurídica aplicável ao caso. 
 
1.10 Critérios de diferenciação entre obrigações de dar e fazer 
É necessário fazer um parâmetro de distinção entre obrigações de dar e 
fazer, de modo a evitar confusões. Deste modo, alguns pontos principais de 
distinção surgem: 
a) na obrigação de dar, há um objeto a ser entregue pelo devedor ao credor, 
enquanto que na obrigação de fazer, é o devedor que estará construindo ou 
elaborando este objeto para ser entregue ao credor; 
b) na obrigação de dar, temos a tradição como ato imprescindível, sendo que 
na obrigação de fazer nem sempre ocorre; 
c) na obrigação de dar, a pessoa do devedor fica em segundo plano, pois 
basta que alguém entregue a coisa, para ela se considerar cumprida. Já na 
obrigação de fazer, a figura do devedor adquire especial importância, pois será o 
devedor o responsável pelo ato, e somente excepcionalmente terceiro cumprirá a 
obrigação; 
 
22 
 
d) diante do inadimplemento, via de regra, a obrigação de dar comporta 
execução (execução para entrega de coisa), enquanto que na obrigação de fazer, 
descumprida a obrigação, via de regra teremos apenas a resolução por perdas e 
danos (art. 389 do CC). 
Como exemplos da distinção entre obrigação de dar e obrigação de fazer 
podemos citar: a) na compra e venda, o vendedor tem obrigação de entregar a coisa 
(dar) e responde pelos vícios redibitórios (fazer); b) na empreitada, o empreiteiro se 
compromete a fornecer a mão de obra (fazer) e fornecer os materiais (dar). 
 
1.11 Obrigações de fazer e não fazer 
 
a) Obrigações de fazer 
A obrigação de fazer é aquela que decorre da obrigação à determinada 
atitude. Ou seja, é quando alguém se compromete a realizar determinada tarefa 
física (como o empreiteiro que se obriga à pintura de um prédio), intelectual (como o 
escritor que se compromete a escrever artigos para um jornal) ou um ato jurídico 
(como o vendedor que se compromete a outorgar a escritura definitiva em contrato 
de compra e venda). 
A obrigação de fazer não se confunde com obrigação de dar, haja vista que 
esta demanda na entrega de algo, enquanto que a primeira se refere à atitude 
positiva que pode ou não envolver uma entrega (pode ser a realização de 
determinada tarefa, por exemplo). 
Podemos citar vários exemplos, como as obrigações de cunho contratual, 
prestação de serviços, prestação de um fato, realização de obras, realização de obra 
imaterial, obrigações decorrentes de lei ou da vida (dever de prestar alimentos e 
amparo). 
Via de regra, as obrigações de fazer devem ser cumpridas pelo devedor, tal 
como assumido em contrato, haja vista que é da essência da relação jurídica que 
essa fique adstrita às partes envolvidas. Ou seja, em princípio, as obrigações de 
fazer seguem a infungibilidade. 
 
23 
 
Da mesma forma que o devedor tem a obrigação de cumprir esta, em virtude 
da pessoalidade, ao credor não é possível impor receber o cumprimento da 
prestação de terceiro que não o devedor (art. 247, CC). 
Eventual impossibilidade de cumprimento pessoal, quando infungível a 
obrigação, se resolverá em perdas e danos, conforme estabelecido no art. 247 e 402 
e ss. do CC/2002. 
Relativamente à inadimplência obrigacional, temos duas soluções distintas: 
segundo prescreve o art. 248 do Código Civil, tornando-se impossível a obrigação 
sem culpa do devedor, resolve-se a obrigação. 
Tendo o devedor colaborado para a inadimplência, este responderá não 
apenas pelo que já recebera (tendo que devolver), mas também por perdas e danos 
que a inadimplência tenha causado. 
Importante lembrar que em se tratando de obrigação inadimplida no momento 
oportuno, é possível buscar o cumprimento e, somente quando for impossível o 
cumprimento, é que se converterá em perdas e danos. 
Outro aspecto importante quanto ao cumprimento das obrigações, está 
contido no direito do consumidor, em especial no art. 35 da Lei 8.078/1990. 
No caso de negativa em cumprir a obrigação, a simples mora autoriza, caso 
fungível a obrigação, a busca de outra pessoa, de imediato, para executar a 
prestação às custas do devedor, na forma do art. 249 do CC/02. Neste caso, o 
credor poderá buscar ainda perdas e danos. 
A ação para o cumprimento de obrigação de fazer é a execução, prevista no 
art. 815 e ss. do novo CPC. Para a execução, é fixado prazo para o devedor cumprir 
a obrigação (art. 816 do novo CPC). 
Não sendo cumprida pelo devedor, poderá requerer judicialmente a 
designação de terceiro para cumprir a obrigação àscustas do devedor – art. 819 do 
novo CPC. Poderá ainda o próprio exequente realizar a prestação – art. 819 e 817 
do novo CPC. 
Após a realização da obrigação, efetuar-se-á a liquidação dos valores, 
podendo ser executados como quantia certa. Tudo isso se processa nos próprios 
autos da execução. 
 
24 
 
No caso de obrigação infungível, somente é possível buscar o cumprimento 
contra o próprio devedor. É possível buscar a fixação de astreintes (art. 536, § 1° do 
novo CPC), mas, via de regra, converter-se-á em perdas e danos – art. 821 do 
NCPC. 
 
b) Obrigações de não fazer 
Nas obrigações de não fazer, o objeto da prestação é uma atitude de 
omissão, ou melhor, o dever de se abster à realização de determinada conduta. 
Temos como exemplo a obrigação negativa de sublocação em um contrato de 
locação; obrigação de servidão (art. 1378 e 1383 do CC); indisponibilidade de uso 
do bem depositado (art. 640 do CC); não construção de edifícios em um loteamento; 
e assim por diante. 
A título de divisão, temos três espécies de obrigação de não fazer: 1. De 
não fazer algo (como não construir uma casa de festas em imóvel vendido); 2. De 
tolerar fato natural ou atividade alheia (como receber águas do terreno superior – art. 
563 do Código Civil); 3. De consentir a prática de determinado ato (como a vistoria 
para venda de imóvel locado). 
Havendo situações específicas em que não se pode evitar o inadimplemento 
da prestação, opera-se a resolução da obrigação de não fazer, conforme art. 250 do 
CC. 
São situações como em um contrato de locação, sendo vedada a moradia de 
mais pessoas além do locatário, surge a necessidade de acolher um familiar que 
não possui outro local para se abrigar. 
Com o inadimplemento involuntário, pode o credor reclamar a resolução do 
contrato, ou desfazimento às custas do devedor (art. 251 do CC). 
Deverá o devedor responder ainda por perdas e danos, independentemente 
de ter obrado ou não com culpa, porém a partir de apuração caso a caso. 
Poderá o credor, ainda, em caso de urgência, desfazer ele próprio, ou 
terceiro, o ato feito pelo devedor, mesmo sem autorização judicial. 
Para a execução (desfazimento da ação), aplica-se o disposto no art. 822 e 
823 do novo CPC. Há praticamente uma transformação da obrigação de não fazer 
 
25 
 
para uma obrigação de fazer, na medida em que o devedor será compelido ao 
desfazimento do seu ato, que gerou o inadimplemento da obrigação. 
Cite-se como exemplo a determinação judicial para abstenção de protesto ou 
restrição creditícia até o julgamento de processo judicial: trata-se de determinação 
judicial e, havendo descumprimento, responderá por este o devedor da obrigação 
assim como por eventuais prejuízos. 
Ainda, podemos citar como exemplo a necessidade de destruição de beiral de 
casa que avança no terreno vizinho – art. 1.300 do CC. 
Novamente aqui, nas obrigações de não fazer, se aplica com propriedade a 
fixação de astreintes, na forma do art. 536, § 1º do novo CPC. 
 
c) Ação de obrigação de fazer e/ou não fazer (com e sem tutela) 
A ação que pretende o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer é 
aquela em que se verifica tal dever (fazer ou não fazer), mas que não está lastreada 
por um título executivo. 
Caso houvesse, evidentemente, seria o caso de propositura de ação de 
execução de obrigação de fazer/não fazer. 
Relativamente às questões específicas, tratando-se de uma ação para obter o 
cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer, este deverá ser o seu pedido. 
 
CASO BASE: TICIO contratou CAIO, famoso pintor, para realizar a pintura de um 
quadro especial de sua esposa, conforme contrato que deve instruir a peça. CAIO, 
contudo, apesar de já receber o valor de R$100.000,00 não realizou a pintura, 
mesmo vencido o prazo estabelecido. 
As partes firmaram contrato sem testemunhas acerca do fato, mas que prova 
o pagamento e o prazo inadimplido para entrega da pintura. 
Há previsão de cláusula penal de 12% sobre o valor do contrato. 
TICIO tem receio que CAIO irá fugir com o dinheiro pago, pois este já deu 
entrevista que está indo morar no exterior na próxima semana, correndo-se risco 
iminente de perda do valor pago. 
 
 
 
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MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL 
DA COMARCA DE ... 
 
TÍCIO..., nacionalidade..., estado civil..., profissão..., portador da Cédula de 
identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço eletrônico..., residente e 
domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., CEP..., por intermédio 
de seu procurador constituído (procuração em anexo), OAB..., endereço 
eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de Processo 
Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a presente 
 
AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER, com fundamento no art. 247 do Código 
Civil, cumulada com PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA, na forma do art. 300 
do Código de Processo Civil, e alternativamente, conversão em perdas e danos, 
na forma do art. 389 do Código Civil, em face de 
 
CAIO..., nacionalidade..., estado civil..., profissão..., portador da Cédula de 
identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço eletrônico..., residente e 
domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., CEP..., pelas razões de 
fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Narrar o que ocorreu no mundo dos fatos que ensejou a propositura da 
ação, conforme problema fornecido pela FGV. Fazer complemento acerca dos 
termos do contrato e a obrigação que postulada, além do vínculo jurídico entre as 
partes. 
Ticio contratou Caio, famoso pintor, para realização de uma pintura de sua 
esposa, pelo preço certo e já adimplido de R$1000.000,00, conforme contrato 
anexo. Ocorre que, prevista a entrega do quadro em data específica, o 
demandado não adimpliu a obrigação, sendo que, após contatado, não deu 
expectativas da entrega da pintura. 
 
 
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Soube-se recentemente que o mesmo irá mudar-se para a Europa, de 
modo que levará consigo o valor já pago, sem adimplir a obrigação, causando 
indiscutível prejuízo ao Autor. 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Expor como fundamentos: 
a) afirmação de existência da relação contratual, envolvendo obrigação de fazer 
infungível; 
b) O inadimplemento da obrigação; 
c) A pretensão de satisfação da obrigação, com a fixação de prazo para 
cumprimento e astreites em caso de descumprimento; 
d) A sua conversão em perdas e danos, em caso de inadimplemento (obrigação 
de fazer infungível – art. 389 do Código Civil). 
Segundo se verifica da natureza do contrato, trata-se de típica obrigação 
de fazer infungível, onde, nos termos do art. 247 do Código Civil, onde apenas o 
próprio devedor tem a obrigação de realizar a pintura. 
No caso, pretende o Autor que o Requerido efetue o pagamento da 
obrigação, ou seja, que faça a pintura de acordo com o exposto no contrato 
firmado pelas partes. 
Assim, pretende o Autor que o juízo determine ao Requerido a realização 
da pintura, em prazo a ser fixado pelo juízo, nos termos do art. 701...CPC, sob 
pena de astreintes diárias por inadimplemento. 
Caso o Requerido não atenda a determinação judicial, requer, como 
pedido alternativo, a conversão do presente feito em perdas e danos, nos termos 
do art. 389 do Código Civil. 
 
3. TUTELA DE URGÊNCIA 
Narrar que há risco de dano iminente com a saída do pintor do Brasil – 
pedir o bloqueio do valor de R$ 100.000,00. Expor os elementos essenciais para 
o deferimento da tutela de urgência, na forma do art. 300 do CPC (probabilidade 
do direitoe perigo de dano). 
 
 
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Conforme estabelece o art. 300 do CPC/15, é possível a concessão da 
tutela de urgência quando caracterizada a probabilidade do direito e o perigo do 
dano. 
No caso, a probabilidade do direito está calçada na existência de negócio 
jurídico formalizado, no pagamento da obrigação por parte do Autor e no 
inadimplemento verificado com a relação à obrigação do requerido. 
Por outro lado, temos também a caracterização do perigo de dano, na 
medida em que o requerido manifestou publicamente que está mudando de 
endereço para a Europa já na próxima semana, frustrando tanto o adimplemento 
da obrigação constante no contrato em anexo, como também ressarcimento do 
valor. 
Assim, para evitar que ocorra frustração no resultado prático do processo, 
requer que seja concedida a tutela de urgência para o fim de determinar o arresto 
cautelar de R$ 100.000,00 em contas bancárias do Requerido, evitando-se 
prejuízos maiores ao Autor e amparo a eventual conversão do feito em perdas e 
danos. 
 
4. DOS PEDIDOS: 
Em face do exposto, requer: 
a) O recebimento e distribuição da demanda com a citação do Requerido para 
contestar no prazo legal, sob pena de revelia. 
 
b) Em atendimento ao art. 319, VII, do CPC/15, manifesta, desde já seu ... na 
realização de audiência de mediação (conforme enunciado). 
 
c) O deferimento da tutela de urgência de natureza cautelar para o fim de arrestar 
o valor de R$ 100.000,00 em contas bancárias do demandado, na forma do art. 
300 do CPC. 
 
 
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d) A procedência da demanda para o fim de confirmar a tutela de urgência 
concedida, bem como condenar o requerido à realização de sua obrigação de 
fazer, em prazo fixado pelo juízo, conforme art. 247 do CC, sob pena de 
conversão da obrigação de fazer em perdas e danos nos termos do art. 389 do 
CC; 
 
e) protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do CPC; 
 
f) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e 
honorários advocatícios, na forma do art. 85 do CPC/15; 
 
g) Informa o recolhimento das custas de distribuição OU Requer a concessão da 
justiça gratuita, nos termos do art. 98 e seguintes do CPC/15 (somente se 
enunciado indicar pela hipossuficiência da parte). 
 
Valor da causa: R$ 100.000,00 
 
Termos em que pede e espera deferimento. 
 
Local... Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
30 
 
Obrigação de fazer ou não fazer – adaptação da peça 
No caso de obrigações de não fazer, a formatação da peça é semelhante, 
porém com o pedido de desfazimento de determinado ato: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
 
MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL 
DA COMARCA DE ... 
 
TÍCIO..., nacionalidade..., estado civil..., profissão..., portador da Cédula de 
identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço eletrônico..., residente e 
domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., CEP..., por intermédio 
de seu procurador constituído (procuração em anexo), OAB..., endereço 
eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de Processo 
Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a presente 
 
AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER, com fundamento no art. 251 do 
Código Civil, cumulada com PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA, na forma do 
art. 300 do Código de Processo Civil, e alternativamente, conversão em perdas e 
danos, na forma do art. 404 do Código Civil, em face de 
 
CAIO..., nacionalidade..., estado civil..., profissão..., portador da Cédula de 
identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço eletrônico..., residente e 
domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., CEP..., pelas razões de 
fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Narrar o que ocorreu no mundo dos fatos que ensejou a propositura da 
ação, conforme problema fornecido pela FGV. Fazer complemento acerca dos 
termos do contrato e a obrigação que é postulada, além do vínculo jurídico entre 
as partes. 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Expor como fundamentos: 
 
 
32 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
a) Afirmação da existência da relação contratual; 
b) O inadimplemento da obrigação; 
 c) A pretensão de satisfação da obrigação, com a fixação de prazo para 
desfazimento daquilo que gerou o inadimplemento. 
d) Sua conversão em perdas e danos em caso de inadimplemento da obrigação 
de não fazer, nos termos do art. 250 e 251 do Código Civil. 
 
3. TUTELA DE URGÊNCIA: 
Narras que há risco de dano iminente com o descumprimento da obrigação 
e, com isso, pedir ao juízo para determinar a cessão da ação, sob pena de 
astreintes; 
Expor os elementos essenciais para o deferimento da tutela de urgência, 
nos termos do art. 300 do CPC/15 (probabilidade do direito e perigo de dano). 
 
4. PEDIDOS: 
Em face do exposto, requer: 
 a) O recebimento da demanda com a designação ou não (indicar qual opção de 
acordo com o enunciado) de audiência de mediação, nos termos do art. 319, VII, 
do CPC/15; 
 
b) O deferimento da tutela de urgência para o fim de determinar a suspensão da 
ação sob pena de multa por descumprimento nos termos do art. 300 do CPC/15; 
 
c) A citação do demandado para comparecer à audiência de mediação e 
contestar o presente no prazo legal, na forma do art. 239 do CPC, sob pena de 
confissão e revelia, na forma do art. 344 do CPC; 
 
d) A procedência da demanda para o fim de confirmar a tutela de urgência para 
condenar o requerido ao cumprimento da obrigação de não fazer, sob pena de 
conversão da obrigação de não fazer em perdas e danos nos termos do art. 389 
do Código Civil; OU 
 
 
33 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
e) A procedência da ação para o fim de confirmar a tutela de urgência e condenar 
o Requerido ao cumprimento da obrigação de não fazer, sob pena de se desfazer 
o fato às custas e com responsabilidade pelas perdas e danos nos termos do art. 
251 do Código Civil. 
 
f) A condenação do requerido ao pagamento das custas e honorários 
advocatícios, na forma do art. 85 do CPC; 
 
g) protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do CPC; 
 
g) Informa o recolhimento das custas de distribuição OU Requer a concessão da 
justiça gratuita, nos termos do art. 98 e 99 do Código de Processo Civil (somente 
se enunciado indicar pela hipossuficiência da parte). 
 
Valor da causa: R$... 
Termos em que pede e espera deferimento. 
 
Local... Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
 
34 
 
CASO BASE: Tício contratou com Caio, famoso cantor, a realização de uma série 
de entrevistas exclusivas, pelo período de 6 meses seguidos, conforme contrato 
apresentado. Ficou acordado no contrato que, neste período, Caio não poderia 
conceder entrevista à qualquer outra pessoa ou empresa, haja vista que Tício estava 
a comercializar as entrevistas neste período. Ficou estipulado o pagamentode 
cláusula penal de R$50.000,00 em caso de descumprimento da obrigação. 
Ocorre que Caio resolvera conceder, neste espaço de tempo do contrato de 
exclusividade, uma entrevista especial à emissora X que anuncia que irá gravar 
entrevista e que irá exibir a mesma em 30 dias, dentro ainda do prazo do contrato. 
Como advogado de Tício, que recebeu o contrato entabulado entre as partes 
e também a gravação do anuncio de Caio, elabore a peça processual cabível para 
proteger o direito deste, considerando-se que o contrato particular firmado entre 
ambos não possui testemunhas, apesar de firma reconhecida. Ambos residem na 
cidade de São Paulo/SP. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
35 
 
MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL 
DA COMARCA DE SÃO PAULO / SP 
 
TÍCIO..., nacionalidade..., estado civil..., profissão..., portador da Cédula de 
identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço eletrônico..., residente e 
domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., CEP..., por intermédio 
de seu procurador constituído (procuração em anexo), OAB..., endereço 
eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de Processo 
Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a presente 
 
AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER, com fundamento no art. 251 do 
Código Civil, cumulada com PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA, na forma do 
art. 300 do Código de Processo Civil 
 
CAIO..., nacionalidade..., estado civil..., profissão..., portador da Cédula de 
identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço eletrônico..., residente e 
domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., CEP..., pelas razões de 
fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Expor brevemente os fatos narrados no enunciado. 
Fazer complemento acerca dos termos do contrato e obrigação que é 
postulada, além do vínculo jurídico entre as partes. 
Conforme se verifica do contrato em anexo, o autor e o requerido firmaram 
instrumento particular onde o segundo comprometeu-se a conceder entrevistas 
exclusivas ao autor, bem como comprometeu-se à abstenção de concessão de 
entrevistas à outras pessoas ou empresa durante do prazo pactuado de 6 meses. 
 
36 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ocorre que, conforme se verifica de anúncio (gravado em anexo), o cantor 
Caio manifesta que irá conceder entrevista à emissora X dentro de até 30 dias, e, 
portanto, ainda no decorrer do prazo do contrato de exclusividade (6 meses). 
Tal postura ofende o contrato e o direito do autor, demandando o 
ajuizamento da presente demanda. 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
a) Afirmação de existência da relação contratual; 
b) O inadimplemento da obrigação; 
c) A pretensão de satisfação da obrigação, com a fixação de prazo para 
desfazimento daquilo que gerou o inadimplemento; 
Conforme comprova contrato anexo, as partes celebraram contrato, nos 
termos do art. 104 do CC, e que, apesar de não ter força executiva, comprova o 
vínculo jurídico entre ambos. 
Houve-se por estipular obrigação de não fazer, qual seja a de Caio não 
conceder emitir qualquer entrevista à outras pessoas no decorrer do contrato. 
Contudo, o próprio demandado está anunciando que irá conceder entrevista à 
emissora X neste período, afrontando o disposto no art. 251 do CC 
Assim, mostra-se necessária a intervenção do judiciário para fazer o 
demandado abster-se da prática do ato que anuncia realizar. 
Ainda, considerando que há cláusula penal pactuada, necessário seja o 
demandado notificado à cumprir o pacto, sob pena de aplicação da cláusula penal 
referida, conforme estabelece o art. 408. 
 
3. DOS PEDIDOS: 
Em face do exposto, requer: 
a) o recebimento e distribuição da demanda, determinando-se a citação do 
requerido para comparecer em audiência de mediação, nos termos do art. 319, 
VII, do CPC, bem como para contestar a demanda sob pena de revelia e 
confissão ficta; 
 
 
37 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
b) protesta pela designação de audiência de mediação, nos termos do art. 319, VI 
do CPC; 
 
c) a procedência da demanda para o fim de determinar ao requerido a abstenção 
de concessão de entrevista durante o prazo contratual (obrigação de não fazer), 
nos termos do art. 251 do CC, sob pena de incidência de clausula penal prevista 
no contrato, bem como de astreintes diárias a ser fixadas pelo juízo; 
 
d) protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do CPC; 
 
e) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e 
honorários advocatícios, na forma do art. 85 do CPC/15; 
 
f) Informa o recolhimento das custas de distribuição OU Requer a concessão da 
justiça gratuita, nos termos do art. 98 e seguintes do CPC/15 (somente se 
enunciado indicar pela hipossuficiência da parte); 
 
Valor da causa: R$... (art. 292 do CPC/15) 
 
Local... Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
38 
 
1.12 Defesa na execução das obrigações de dar, fazer e não fazer 
 
A defesa no caso de execução, se dá como em qualquer outra execução, 
mediante embargos, ou por meio de outras formas processuais extraordinárias. 
Os embargos se regem pelo disposto no art. 914 e ss. do novo CPC (ver art. 
919 do novo CPC). 
 
1.13 Obrigações alternativas, simples e facultativas 
 
a) Obrigações simples 
Obrigações simples são aquelas que cuja prestação recai somente sobre uma 
coisa ou sobre um ato, liberando-se o devedor quando cumprir essa obrigação. 
Podemos dizer que uma obrigação é simples, também, quando não for 
cumulativa, alternativa ou facultativa. 
Temos como exemplo a obrigação para pagamento de um saco de cimento 
comprado em uma loja de materiais de construção. 
 
b) Obrigações alternativas 
É a obrigação que contém dois ou mais objetos distintos, onde o devedor se 
libera do vínculo obrigacional com o cumprimento de apenas um deles, mediante 
escolha sua, do credor ou de terceiros. 
Possui como características duas ou mais prestações para opção de serem 
escolhidas e, com o adimplemento de uma, exonera-se o devedor das demais. 
É o caso, por exemplo, da obrigação em que o devedor pode entregar uma 
carga de maças ou uma motocicleta para o credor, sendo que a entrega de apenas 
uma delas o exonera do encargo. 
A escolha deverá ser feita até o momento do adimplemento, cabendo 
inicialmente ao devedor este direito de escolha. Contudo, se as partes estipularem 
de forma diversa, poderá o credor ou mesmo terceiro efetuar a escolha – art. 252 do 
CC. 
Tão logo efetuada a escolha, está gera obrigatoriedade e a obrigação se 
concentra naquele objeto escolhido. A escolha é, além de obrigatória, irrevogável, 
 
39 
 
salvo se forem prestações periódicas, cuja opção ocorrerá à cada período art. 252, 
§2º do CC. 
O Código Civil, objetivando valorizar a boa-fé, veda que a obrigação seja 
comprida parte com um dos objetos e parte com outro, haja vista que o direito de 
escolha demanda na opção pela totalidade do objeto. 
Há situações onde, com ou sem culpa do devedor, haverá o perecimento de 
uma ou de todos os objetos de escolha, impossibilitando o cumprimento da 
obrigação. 
a) quando a escolha couber ao devedor: 
Se, sem culpa do devedor, uma das prestações não puder mais ser satisfeita, 
a obrigação se concentra na outra obrigação, devendo esta ser cumprida pelo 
devedor – art. 253 do CC. 
Se todas as prestaçõesse tornarem inexequíveis, sem culpa do devedor, a 
obrigação será extinta, resolvendo-se o contrato – art. 256 do CC. 
No entanto, se, por culpa do devedor, as prestações se tornarem 
inexequíveis, o devedor responderá pelo valor da última que se impossibilitou o 
cumprimento, bem como será responsável por perdas e danos em favor do credor – 
art. 254 do CC. 
b) quando a escolha couber ao credor: 
Se a escolha couber ao credor e, sem culpa do devedor, uma das prestações 
perecer, novamente a obrigação se concentra na prestação remanescente. 
Quando, por culpa do devedor, uma das prestações se tornar inexequível, o 
devedor será compelido ao cumprimento da prestação remanescente ou ao 
pagamento de indenização pelo valor da outra e perdas e danos. 
Caso, por culpa do devedor, ambas as prestações se tornem impossíveis de 
cumprimento, o credor poderá optar em exigir o valor de qualquer uma delas, bem 
como indenização por perdas e danos – art. 255 do CC. 
 
 
 
 
 
 
40 
 
c) Obrigação facultativa 
Obrigação facultativa é aquela cujo objeto, desde que permitida por lei ou 
pelo acordo entre as partes, pode ser substituído por outro, de forma a facilitar o 
adimplemento pelo devedor – artigo 643 do Código Civil Argentino 
Não se trata de possibilidade de escolha, mas sim de substituição do objeto. 
Não está prevista no ordenamento jurídico brasileiro, mas pode ser estipulada 
pelas partes. 
 
1.14 Obrigação divisível 
 
É aquela onde, havendo mais de um credor ou mais de um devedor, a 
prestação pode ser cumprida parcialmente, sem prejuízo da substância da coisa ou 
de seu valor. 
 
 
 
 
Em casos onde há diversos devedores, cada um dos devedores presumir-se-
á responsável por cota equivalente aos demais. Temos obrigações divisíveis em 
diversos artigos do Código Civil: 252, §2º; 455; 812; 776; 830; 831; 858; 1297, 1266; 
1272; 1326; 1968; 1997; e 1999. 
Por exemplo: havendo uma dívida dos devedores A, B, C, D e E para com o 
Credor X, no valor de R$.10.000,00, presume-se que cada um dos devedores é 
responsável por R$.2.000,00 perante o credor. 
Da mesma forma, se temos vários credores e apenas um devedor, presume-
se que deve a mesma quantia para cada credor: se o débito for de R$.50.000,00 e 
são 2 os credores, presume-se que o devedor deva R$25.000,00 para cada um dos 
credores. 
Portanto, a responsabilidade, na obrigação divisível, é parcial, sendo que o 
cumprimento parcial exonera o devedor que a cumpriu – art. 259 do CC. 
Em caso de remissão ou prescrição da obrigação, está se opera apenas em 
relação ao devedor que se beneficiou – art. 204 do CC. 
IMPORTANTE: A divisibilidade ou indivisibilidade se dá em relação à prestação e 
não à coisa (objeto da prestação). 
 
41 
 
Em caso de inadimplemento de um dos devedores, será o credor que arcará 
com o prejuízo, pois cada um dos devedores será responsável por sua cota parte 
apenas. 
 
1.15 Obrigação indivisível 
 
É a obrigação cuja prestação somente poderá ser cumprida por inteiro, que, 
em virtude da natureza, ordem econômica ou razão determinante do negócio 
jurídico, não comporta divisão – art. 257 do CC. 
Podemos dizer que há indivisibilidade quando a prestação perder a sua 
essência ou quando, em virtude da divisão, há perda da viabilidade econômica. 
Dessa forma, a indivisibilidade pode ser: 
a) física ou material: quando a prestação não pode ser dividida em virtude 
de suas características particulares, como no caso da entrega de um cavalo de 
corrida famoso. 
b) legal ou jurídica: se a prestação for indivisível por determinação legal, 
como no caso da impossibilidade de divisão de imóvel rural inferior ao módulo rural 
(conforme lei nº 4504/64). 
c) convencional ou contratual: quando a indivisibilidade da prestação é 
estabelecida pelas partes. Por exemplo: contrato de conta corrente onde os créditos 
e débitos se fundem num todo. 
d) Judicial: ocorre quando a indivisibilidade é determinada judicialmente. 
Na obrigação indivisível, a responsabilidade de qualquer dos devedores é 
pela dívida toda – art. 259 do CC. Aquele que adimplir a dívida, tomará o lugar do 
credor, podendo cobrar dos demais as respectivas cotas partes. 
 
Em caso de pluralidade de devedores, podemos destacar outras 
características: a) o credor não pode recusar pagamento por inteiro feito por um 
dos devedores; b) Nulidades estendem-se a todos; c) Insolvência de um devedor 
não prejudica o credor, pois poderá demandar dos demais o adimplemento da 
prestação indivisível. 
 
 
42 
 
Em caso de pluralidade de credores, o pagamento deverá ser feito a todos os 
credores conjuntamente, ou então, a um ou uns, desde que possuam caução de 
ratificação (autorização) dos demais credores – art. 260 do CC. 
Havendo insolvência, qualquer um dos credores poderá exigir o débito por 
inteiro, porém deverá reportar-se aos demais após o adimplemento forçado. 
Se apenas um dos credores se beneficiar da prestação, mesmo que com 
autorização dos demais, este deverá compensar os outros, em dinheiro, por suas 
respectivas partes – art. 261 do CC. 
Em caso de remissão, transação, novação, compensação ou confusão da 
dívida por parte de um dos credores, estes não produzirão efeitos perante o direito 
dos demais credores, que excluirão a parte deste credor apenas – art. 262 do CC. 
A indivisibilidade pode desaparecer por perda do motivo (como alteração de 
lei, revogação de ordem judicial, etc.), regulando-se, a partir daí, pelas regras da 
divisibilidade. 
Havendo inadimplemento e sendo impossível o cumprimento da prestação, 
está se resolverá em perdas e danos. Neste caso também ocorrerá a perda da 
indivisibilidade. 
Quando o inadimplemento ocorrer por culpa de todos os devedores, todos 
responderão, em partes iguais, pelas perdas e danos. No entanto, sendo apenas um 
deles o culpado, apenas o culpado responderá pelas perdas e danos – art. 263 do 
CC. 
Se as partes estipularam cláusula penal, todos os devedores, culpados ou 
não, responderão pelo valor da cláusula penal estabelecida, de acordo com suas 
respectivas cotas parte. Porém, somente poderá ser demandado o valor total da 
cláusula penal daquele devedor que tiver culpa pelo inadimplemento. 
 
 
 
 
 
 
 
43 
 
1.16 Obrigações solidárias 
 
a) Especificidades 
Obrigação solidária é aquela em que, havendo multiplicidade de credores ou 
devedores, ou de uns e outros, cada credor terá direito à totalidade da prestação, 
como se fosse o único credor, ou cada devedor estará obrigado pelo débito todo, 
como se fosse o único devedor (Maria Helena Diniz). 
A solidariedade implementa à obrigação uma garantia ao credor, de modo 
que obriga a todos os devedores quanto à totalidade da prestação obrigacional. 
A solidariedade adquire importância na medida em que representa elemento 
de grande segurança nas transações, convenções ou contratos celebrados no 
mundo jurídico. Há uma garantia bem maior quanto ao cumprimento das avenças e 
cláusulas, porquanto aos credores abre-se a faculdade de demandar qualquer um 
dos obrigados. Os patrimônios de todos os envolvidos ficam adstritos à garantia do 
cumprimento, até a sua satisfação integral. Diluem-se os riscos de inadimplência dos 
compromissos, o que enseja o incremento das relações econômicas (Arnaldo 
Rizzardo). 
A obrigação solidária se caracteriza pela pluralidade de relações jurídicas que 
se estabelecem entre credores e devedores, são as chamadas “relações externas”, 
onde cada devedor será obrigado pela sua parte e dos demais devedores para com 
o credor ou credores. De outro lado, existem “as relações internas”, isto é, entre os 
próprios credores ou devedores. Aquele que demandou o recebimento da totalidade 
do crédito deve transferir para os demais credores a parcela correspondente à sua 
quota. Do mesmo modo, ao que pagou por inteiro a dívida, faculta-se que reclame, 
perante os demais obrigados, a compensação da porção à parte que lhe cabiasatisfazer. Não convindo voluntariamente na reposição das quotas, reconhece-se o 
direito de agir regressivamente ao que pagou. 
 
Na obrigação solidária podemos ter: a) um credor e vários devedores; b) 
Vários credores e um devedor; c) Vários credores e vários devedores. 
 
 
 
44 
 
Como principais características da solidariedade, podemos apontar: 
a) pluralidade de sujeitos ativos (credores) e/ou passivos (devedores), 
sendo pois imprescindível a sua existência, haja vista que não há como cogitar de 
solidariedade sem que haja dois ou mais sujeitos envolvidos na relação; 
b) multiplicidade de vínculos, pois cada um dos devedores possui um 
vínculo com cada um dos credores; 
c) unidade de prestação, pois cada um dos devedores responde pela 
totalidade da obrigação e cada credor possui o direito de exigir a totalidade da 
obrigação; 
d) Co-responsabilidade ou responsabilidade comum dos interessados, 
na medida em que todo o pagamento feito por um dos devedores extingue a 
obrigação, enquanto que o recebimento por qualquer dos credores também põe 
termo ao vínculo obrigacional. 
Observação: não confundir a solidariedade com a indivisibilidade. Existem 
alguns pontos de semelhança, como a exigibilidade da obrigação inteira, ou não em 
partes, e a pluralidade de credores ou devedores, mas, na solidariedade tem-se um 
direito em todo o crédito, ou firma-se a obrigação sobre a dívida inteira. Já na 
indivisibilidade, a totalidade dos credores coloca-se no papel de exigir por força da 
inviabilidade de partir-se a obrigação ou a coisa, que se dividida tornar-se-ia 
imprestável ou sem utilidade. Na solidariedade se houver pluralidade passiva 
qualquer devedor poderá pagar e na ativa, qualquer credor poderá receber não 
necessitando apresentar nenhuma garantia de que irá repassar. Já na 
indivisibilidade o credor tem que apresentar a caução de ratificação que garante aos 
demais o direito à parte da prestação recebida. 
Art. 260 - se não tiver a caução ou pagar conjuntamente terá que pagar 
novamente. – Indivisibilidade. “Quem paga mal, paga duas vezes”. 
Art.264 - não necessita pagar aos demais - solidariedade. 
 
Princípios da solidariedade 
Como princípios norteadores da solidariedade, podemos elencar dois 
principais: 
 
45 
 
a) variabilidade do modo de ser da obrigação na solidariedade, pois a 
solidariedade admite a estipulação com condição, prazo e local diferenciados entre 
os credores ou devedores, sem que perca a sua essência. Circunstância essa que 
jamais poderá agravar a situação dos demais – art. 278 do CC; 
b) não presunção da solidariedade, pois, por ser encargo que agrava a 
situação dos devedores, deve a solidariedade ser decorrente de lei ou decorrente 
da vontade das partes, afastando-se a solidariedade presumida do ordenamento 
jurídico brasileiro – art. 265 do CC. 
Em caso de omissão legislativa ou falta de disposição expressa em contrato, 
não poderá haver solidariedade. 
 
b) Fontes das obrigações solidárias 
Conforme vimos acima, a solidariedade de nenhuma forma será presumida. 
Assim, somente terá como fontes a lei e a vontade entre as partes. 
No caso de previsão legislativa podemos verificar a determinação de 
solidariedade nos seguintes casos: responsabilidade dos comodatários (art. 585 do 
CC); responsabilidade dos gestores (art. 867, § único do CC); responsabilidade do 
fiador (art. 829 do CC); responsáveis do art. 942 do CC; e assim, por diante. 
Outro exemplo de solidariedade legal verifica na previsão do art. 12 da Lei nº 
8.078 de 11.09.1990 (Código de Defesa do Consumidor) que dispõe: “O fabricante, 
o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, 
independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos 
consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, 
montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus 
produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua 
utilização e riscos.” 
Observe-se que se tratam apenas de solidariedade passiva, haja vista a 
inexistência de casos de solidariedade ativa no ordenamento jurídico brasileiro. 
No caso de convenção entre as partes, podemos citar as disposições 
testamentais, contratos, etc. A disposição da solidariedade deve ser manifesta e 
expressa. 
 
46 
 
O art. 266 dispõe: “A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos 
cocredores ou codevedores, e condicional ou a prazo, ou pagável em lugar diferente 
para outro”. Nota-se que aparecem duas modalidades: a pura ou simples, e a 
condicional, ou a prazo, ou pagável em lugar diferente. No primeiro tipo, incluem-se 
aquelas que devem simplesmente ser cumpridas sem aguardar uma condição ou 
evento. Estabelecida a obrigação nasce o direito em exigi-la ou a imposição de 
cumpri-la. Já na condicional, ou a prazo (a termo), ou pagável em lugar diferente, 
aguarda-se que venha o fato ou a condição determinante para o cumprimento, ou a 
ocorrência de determinado evento; ou espera-se que ocorra a data prevista; ou é 
pagável em lugar diferente daquele que normalmente deveria ser, sendo consignado 
onde se fará. 
Por exemplo, estabelece-se que o empreiteiro é responsável (obrigação pura 
ou simples), mas que, se não concluírem a obra (condição) também serão 
responsabilizados o mestre-de-obras e os próprios subempreiteiros (obrigação 
condicional). 
 
c) Solidariedade ativa (de credores) 
Na solidariedade ativa, qualquer credor pode exigir a prestação por inteiro do 
devedor ou dos devedores, conforme art. 267 e 275 do CC. Da mesma forma, o 
pagamento pode ser a qualquer credor. 
Um exemplo clássico de solidariedade ativa está no contrato de depósito 
bancário em conjunto ou conta corrente conjunta. 
Este credor que receber a prestação dará quitação integral, ou seja, o 
pagamento feito pelo devedor ao credor solidário o desonera da obrigação, mesmo 
sem autorização dos demais credores. Este pagamento, porém, deve ser feito até 
que algum dos credores demande judicialmente a prestação – art. 268 e 269 do CC. 
Assim como qualquer credor pode receber a dívida por inteiro, poderá 
também ajuizar medidas que visem assegurar o adimplemento da obrigação, além 
da própria execução da prestação. 
Vindo a falecer o credor solidário, e ficando pendente o crédito de pagamento, 
transmite-se o direito que tinha o credor em sua integralidade para a herança. A 
herança (herdeiros em conjunto ou único herdeiro) tem a legitimidade para exigir a 
 
47 
 
totalidade do credito. Havendo mais de um herdeiro, não pode cada herdeiro ser 
considerado titular do crédito integral de seu pai (na relação interna), sendo 
proprietário apenas da cota-parte que lhes toca em quinhão, e, com muito maior 
razão, não o poderá ser do crédito total (na relação externa). Ou seja, os herdeiros 
não se revestem dos mesmos direitos assegurados ao credor originário. Não se 
estendem a eles as prerrogativas de receber a totalidade do crédito. Art. 270 CC. 
Quando houver compensação, transação, remissão e novação da dívida por 
qualquer um dos credores solidários, estas emitem seus efeitos para todas as 
relações, aproveitando-se a todos os demais devedores. 
Se, por exemplo, um dos credores perdoa a dívida do devedor, o devedor 
estará completamente exonerado da obrigação, sendo que este credor responderá 
perante os demais credores – art. 272 do CC. 
A constituição em mora de um credor prejudicará os demais, considerando-se 
todos em mora perante o devedor, e vice-versa. 
Convertendo-se a prestação em perdas e danos, a solidariedade 
permanecerá inalterada. 
As exceções pessoais que o devedor tiver com um dos credores não se 
estendem aos demais credores. Mesmo que um dos credores tenha uma obrigação 
pessoal para com o devedor, ou que este possua um crédito, não cabe abatimento 
ou compensação da dívida. Art. 273 CC. 
Todavia, se um dos credores move a ação própria,para a satisfação de seu 
crédito, e vindo alegada alguma defesa ou exceção pessoal, como a compensação, 
ou a ilegitimidade do credor para receber o crédito, a decisão favorável ao devedor 
não atinge os demais credores, que estão habilitados a promover o cumprimento da 
obrigação. O julgamento favorável, ao credor, contra o devedor, aproveita os demais 
credores, a menos que se funde em exceção pessoal própria do credor, como um 
crédito que o devedor alega possuir, e que a decisão judicial não o reconhece. – Art. 
274 CC. 
 
 
 
 
 
48 
 
d) Solidariedade passiva 
Na solidariedade passiva, temos pluralidade de devedores que, juntos ou 
individualmente, respondem pela integralidade da prestação. Podemos destacar os 
principais aspectos da solidariedade passiva: o credor poderá escolher entre os 
devedores, um ou todos, para o cumprimento da obrigação; podendo exigir o 
adimplemento total ou parcial de qualquer obrigado. 
Solidariedade passiva X Fiança 
Aparentemente, parece confundir-se a solidariedade com a fiança. Distintas, 
no entanto, as figuras, embora vizinhas e, em ambas seja possível reclamar a 
satisfação da dívida. A fiança é de sua natureza um contrato acessório, onde o 
fiador solve a obrigação do afiançado, ou do devedor e não a sua. Já na 
solidariedade, é satisfeita a dívida de quem solve a obrigação da dívida ou de seus 
coobrigados. O fiador pode invocar o benefício de ordem, ou postular que antes de 
seus bens sejam executados os do devedor principal o que não ocorre com o 
devedor solidário. 
O devedor solidário vem aparecendo com maior frequência em contratos, pois 
ao contrário da fiança não exige consentimento do cônjuge o que representa um 
risco maior para o credor já que em caso de execução o cônjuge poderá entrar com 
embargos e garantir sua meação. 
Uma vez demandado o devedor solidário, não cabe chamar a lide, ou 
reclamar a participação no feito, dos demais coobrigados. Ocorre que cada um é 
responsável pela totalidade da dívida, conforme art. 275 CC 
Em caso de falecimento de um dos devedores solidários, a solidariedade 
permanecerá, sendo que o espólio do falecido continuará respondendo pela 
integralidade da dívida. Os herdeiros do falecido, contudo, somente responderão até 
o limite de seu quinhão (totalidade do espólio), conforme art. 276 do CC. 
Em caso de pagamento parcial feito por um dos devedores, ou remissão por 
ele obtida, o saldo remanescente da prestação continuará sob responsabilidade de 
todos os devedores, mesmo daquele que já fez pagamento parcial – art. 277. 
Nenhuma cláusula ou disposição especial, estabelecida entre o credor e um 
dos devedores, poderá agravar a obrigação dos demais devedores sem a sua 
anuência (art. 278 do CC). 
 
49 
 
Em caso de renúncia da solidariedade pelo credor, em favor de apenas um 
dos devedores, apenas àquele se aproveita o benefício, permanecendo responsável, 
contudo, pela sua parte proporcional à parte dos demais coobrigados. 
Em caso de novação feita pelo devedor com apenas um dos devedores, sem 
a anuência dos demais, apenas este será responsável pela obrigação a partir de 
então, estando os demais devedores exonerados do encargo – art. 365 do CC. 
Da mesma forma, se ocorrer transação em relação à integralidade, apenas 
entre um devedor e o credor, extingue-se a obrigação perante os demais devedores 
– art. 844, §3º do CC. 
Em caso de cessão de crédito, este somente terá validade se todos os 
devedores forem notificados (assunto que será estudado nas próximas aulas). 
Quando apenas um dos devedores pagar a dívida, terá direito de buscar dos 
demais a quota equivalente de cada um deles, sub-rogando-se no direito do credor 
em relação à quota parte dos demais – art. 283 do CC. 
Se, dentre os devedores, houver um insolvente, os demais devedores, 
inclusive aqueles exonerados da solidariedade pelo credor, farão o rateio da parte 
do devedor insolvente – art. 284 do CC. 
Ocorrendo o inadimplemento, todos os devedores responderão pelos juros da 
mora. Porém o culpado responderá perante os demais devedores pelos encargos 
acrescidos à prestação – art. 280 do CC. 
Se a prestação se tornar impossível, por culpa de apenas um, todos 
responderão pelo valor equivalente a prestação. Apenas o devedor culpado 
responderá pelas perdas e danos – art. 279 do CC. 
 
e) Solidariedade recíproca ou mista 
Ocorre quando verificamos pluralidade de credores solidários e pluralidade de 
devedores solidários em um mesmo negócio (ou vínculo) jurídico. 
Aqui se aplicam as disposições inerentes à solidariedade ativa e passiva, 
acima transcritas. 
 
 
 
 
50 
 
1.17 Transmissão das obrigações 
 
a) Conceito de cessão 
Segundo Maria Helena Diniz, cessão “é a transferência negocial, a título 
gratuito ou oneroso, de um dever, de uma ação ou de um complexo de direitos, 
deveres e bens, com conteúdo predominantemente obrigatório, de modo que o 
adquirente (cessionário) exerça posição jurídica idêntica à do antecessor (cedente).” 
De maneira sintética podemos dizer que cessão, no direito das obrigações, é 
a transferência da obrigação, pelo credor, pelo devedor, ou mesmo de ambos, sendo 
que o cessionário passa a figurar na mesma condição do cedente, frente a relação 
jurídica objeto de cessão. 
Como referido no conceito de Maria Helena Diniz, pode ser gratuita ou 
onerosa, bem como pode ser de qualquer das partes envolvidas na obrigação. 
Assim, temos cessão de crédito (feita pelo credor); cessão de débito (feita 
pelo devedor), que também é chamada de assunção de dívida; e cessão de contrato 
(ou de crédito e débito), em que a relação jurídica estabelece crédito e débito para 
ambas as partes. 
 
b) Cessão de crédito 
Cessão de crédito é a transferência de um crédito, no todo ou em parte, pelo 
credor (cedente) a um cessionário que passa a figurar como credor, sendo, portanto, 
um negócio jurídico bilateral, gratuito ou oneroso, independentemente de 
consentimento do devedor, com todos os acessórios e garantias, sem que se opere 
a extinção do vínculo contratual. 
Gratuita é a cessão feita independente de pagamento pelo novo credor ao 
credor originário. Onerosa é quando esse crédito é repassado com algum ônus para 
o novo credor. 
É total quando engloba a totalidade do crédito (totalidade do valor de uma 
nota promissória, por exemplo), e parcial quando a cessão é feita de apenas parte 
do crédito existente. 
 
51 
 
A cessão não é fator de novação, pois a novação extingue a relação jurídica 
anterior, ao passo que na cessão há uma alteração de figura subjetiva, sem alterar o 
negócio em si. 
Não há necessidade de consentimento do devedor. No entanto, há 
necessidade de notificação do devedor sobre a cessão, de modo a cientificar-lhe a 
existência de novo destinatário do recebimento da prestação. 
Se não ocorrer a notificação, e o devedor pagar ao credor originário, o 
pagamento será considerado válido, pois, como o devedor desconhecia a 
transferência da obrigação, pagou àquele para com quem inicialmente se 
comprometera. O novo credor deverá buscar do credor originário a satisfação do 
crédito. 
No entanto, tendo sido notificado, o devedor deverá pagar ao novo credor, 
sob pena de ter que pagar duas vezes a prestação. 
Em caso de dúvidas, terá à disposição a ação de consignação em 
pagamento, depositando o valor e livrando-se de eventuais encargos por pagamento 
indevido. 
O cedente se responsabiliza, perante o cessionário, pela existência do 
crédito. Poderá se responsabilizar também pela existência do débito (o que deve ser 
expresso), salvo se a cessão decorrer de lei. 
Ao cessionário caberão todos os direitos que o credor originário possuía, 
inclusive acessórios, garantias, vantagens e ônus. Em caso de insolvência do 
devedor, arcará com o prejuízo (salvo em caso de estipulação expressa de 
responsabilidade). 
 
c) Cessão de crédito – Espécies 
A cessão de crédito poderá ser distinguida entre asseguintes formas: 
a) Convencional: quando decorre de acordo entre as partes, como na 
cessão de um título de crédito; 
b) Legal: quando determinada pela lei, tal como ocorre em relação aos 
acessórios do contrato (como juros e multa); 
c) Judicial: quando determinada pelo juiz, como na adjudicação de bem em 
processo que busca a extinção de condomínio. 
 
52 
 
Poderá, ainda, ser Pró-soluto, que é aquela cessão que dá quitação da 
negociação havida entre o credor originário e o novo credor; bem como pró-
solvendo, em que a quitação somente é válida com o efetivo recebimento do valor 
(exemplo do pagamento de um débito com cheque: com recibo pró-solvendo, 
somente haverá a quitação após a compensação do cheque). 
A cessão de crédito se diferencia da sub-rogação em alguns detalhes: o 
cessionário poderá exigir todos os direitos decorrentes do título objeto de cessão, 
enquanto que o sub-rogado somente poderá buscar aquilo que efetivamente 
dispensou para quitar a obrigação mais as despesas; o cedente assume a 
responsabilidade pela existência do crédito, o que não ocorre na sub-rogação; o 
sub-rogado adquire a qualidade de credor assim que pagar a prestação, enquanto 
que o cessionário somente terá a plenitude de seu direito a partir da notificação do 
devedor. 
Para a realização da cessão, é necessário o preenchimento de todos e 
quaisquer requisitos de um negócio jurídico: capacidade, forma legal e objeto 
adequado (art. 104 do CC). 
 
d) Cessão de débito – assunção de dívida 
Cessão de débito, ou assunção de dívida, é o meio de transferência de um 
débito pelo devedor à terceiro, com a anuência do credor, onde este terceiro assume 
a responsabilidade pela prestação. Trata-se de negócio jurídico bilateral. 
Temos como grande exemplo a transferência dos financiamentos do sistema 
financeiro de habitação. 
Também deve se operar sem a alteração da relação jurídica, pois do contrário 
configuraria novação. 
A concordância do credor é indispensável, pois o mesmo não poderá ser 
tolhido no seu crédito, bem como das garantias que o asseguram. 
A cessão de débito mantém o vínculo obrigacional, porém libera o devedor 
originário da obrigação, somente podendo ser novamente responsabilizado em caso 
de anulação da cessão de débito. 
 
53 
 
As garantias pessoais (como a fiança) que o devedor havia concedido se 
extinguem; no entanto, as garantias reais (como a hipoteca), permanecem íntegras, 
garantindo o contrato. 
Pode ocorrer a cessão de débito por: 
a) expromissão: decorre de acordo entre credor e terceiro, podendo ser 
liberatória (liberando o devedor primitivo) ou cumulativa (o novo devedor passa a 
responder pela obrigação conjuntamente com o devedor anterior); 
b) delegação: decorre de acordo entre devedor e terceiro, podendo ser 
privativa (exonera totalmente o devedor) ou simples (responsabilidade subsidiária do 
devedor originário). 
 
e) Cessão de contrato 
Cessão de contrato é a transferência dos direitos e deveres decorrentes de 
um contrato firmado por duas ou mais partes. 
É assim chamada por que, via de regra, em um contrato, ambas as partes 
assumem a posição de credor e devedor. 
Cite-se, por exemplo, o contrato de construção de uma casa, onde o 
contratante se compromete a pagar o valor (posição de devedor) em troca do 
comprimento da prestação de construção da casa (posição de credor). O construtor 
se compromete a construir (posição de devedor), em troca do cumprimento da 
obrigação pelo contratante de pagamento do valor (posição de credor). 
A cessão de contrato se rege pela forma estabelecida nas cessões de crédito 
e débito, antes referidas, no que for aplicável cada uma. 
 
1.18 Adimplemento obrigacional 
Ocorre o adimplemento das obrigações quando houver o seu pagamento, ou 
seja, quando a prestação for cumprida, ou então, de outra forma for extinta a 
obrigação. 
Podemos estabelecer duas formas de adimplemento das obrigações: modo 
direito e modo indireto de extinção das obrigações. 
No modo direto, temos o próprio pagamento, com o adimplemento da 
obrigação tal qual estabelecida. 
 
54 
 
No modo indireto, verificamos a extinção da obrigação através de outras 
formas que não o pagamento, tais como a novação, dação em pagamento, etc., 
diferindo a prestação entrega daquela que havia sido estabelecida inicialmente pelas 
partes. 
 
Pagamento 
Pagamento é o meio direto de extinção das obrigações, onde o devedor 
efetua a entrega da prestação obrigacional exata no tempo, lugar e forma 
convencionados. 
Para que ocorra o pagamento (concepção stricto sensu), deve haver: vontade 
de adimplir a prestação (animus solvendi), presença de quem paga (solvens) e de 
quem recebe (accipiens), vínculo obrigacional e satisfação exata da obrigação. 
O tempo do pagamento se refere à data fixada para o adimplemento da 
obrigação. 
Via de regra, a obrigação deverá ser satisfeita no prazo estabelecido, nem 
antes e nem depois. Há circunstâncias, como no código de defesa do consumidor 
(lei nº 8078) que estabelecem o benefício do devedor pagar antes o valor, com o 
direito ao abatimento de juros relativos ao período antecipado. 
Da mesma forma, por conveniência do devedor, poderá ser feito o pagamento 
antecipadamente (art. 133 do CC). 
Não havendo estipulação de prazo para vencimento da obrigação, o art. 331 
do CC permite ao credor exigi-la de imediato. Se for obrigação que depende de 
condição, será exigível a partir da chegada ou ocorrência da condição. 
 
Lugar do pagamento 
Quanto ao lugar do pagamento, trata-se da designação do local em que deve 
ser satisfeita a obrigação. Via de regra, não havendo estipulação expressa, entende-
se que a obrigação deve ser satisfeita no domicílio do devedor (dívida quérable). 
Havendo estipulação das partes, poderá ser designado o endereço do credor 
para a satisfação da obrigação. Geralmente consta o local do cumprimento da 
obrigação no título, o que deverá servir de base para o cumprimento. 
 
55 
 
Se os pagamentos de prestações periódicas ocorrerem em local diverso do 
estabelecido pelo contrato, entende-se que o credor renunciou ao local previsto, 
passando a ser considerado o novo local para adimplemento. 
 
Prova do pagamento 
No que se refere à prova do pagamento, trata-se esta da quitação 
propriamente dita (recibo). Este documento estabelece a data, local e forma do 
cumprimento da obrigação, sendo o comprovante de que a prestação fora satisfeita. 
A quitação é um direito do devedor e uma obrigação do credor, razão pela 
qual é lícito ao devedor reter o pagamento em caso de negativa de fornecimento da 
quitação. 
Há situações de presunção de pagamento, estabelecidas pelos artigos 322, 
323 e 324 do CC. 
Quando do pagamento, havendo negativa de quitação, terá o devedor, ao seu 
dispor, a consignação em pagamento para satisfazer a obrigação e evitar os 
encargos decorrentes de eventual mora. 
O objeto do pagamento deverá ser a prestação exata estabelecida pelas 
partes no negócio jurídico. Se o objeto do pagamento não atender à esse requisito, o 
credor não é obrigado a aceitar o adimplemento. 
No entanto, se receber parte do valor, é seu ônus emitir recibo de quitação da 
parte que fora adimplida. 
 
Pagamento indevido 
Por fim, em caso de pagamento indevido, trata-se de forma de 
enriquecimento ilícito, onde alguém recebera prestação que não era devida, ou 
então, prestação além do que fora estipulada (ex. cobrança de juros moratórios de 
uma prestação que ainda não vencera). 
Em caso de pagamento indevido, sem culpa daquele que pagou o valor, 
configura-se o enriquecimento indevido, e aquele que recebeu terá obrigação de 
restituir o valor indevidamente recebido. 
Ver art. 876 à 883 do CC. 
 
 
56 
 
1.19 Formas indiretas de adimplemento 
 
a) Pagamento em consignação 
O pagamento em consignação consiste no depósito judicial ou extrajudicial da 
prestação, diante de situações em que o credor não recebe ovalor, de acordo com 
os motivos previstos em lei. (CC, art. 334; novo CPC, art. 539, §§1º a 4º). 
Seu objetivo principal é fornecer ao devedor uma forma de quitação diante do 
adimplemento da prestação. 
Há situações onde o credor nega-se a receber a prestação, ou então, nega-se 
a prestar a quitação da prestação, servindo-se a ação consignatária como 
instrumento útil ao devedor para adimplir e prestação, evitando a incidência da mora 
e dos respectivos encargos. 
Além dessas hipóteses, é possível a consignação, ainda, quando a prestação 
esteja sendo judicialmente disputada, bem como quando haja dúvida quanto a quem 
deva receber. 
A consignação em pagamento apresenta, como pressupostos objetivos, a 
existência de débito líquido e certo, proveniente da relação negocial que se pretende 
extinguir; oferecimento real da totalidade da prestação devida; vencimento do termo 
convencionado em favor do credor, ou então quando o devedor, se estipulado em 
seu favor o prazo, poderá consignar em qualquer tempo após a tentativa frustrada 
de adimplemento (CC, art. 130, ou assim que se verificar a condição a que o débito 
estava subordinado (CC, art. 332); observância de todas as cláusulas estipuladas no 
negócio; obrigatoriedade de se fazer a oferta no local e forma convencionado para o 
pagamento (CC, arts. 891, parágrafo único, 894; CC, arts.337, 328, 341, 342); já 
como requisitos subjetivos, a consignatória deve dirigir-se contra o credor capaz de 
exigir ou contra seu representante legal ou mandatário (CC, art. 308); o pagamento 
em consignação deve ser feito pelo próprio devedor, pelo seu representante legal ou 
mandatário, ou, ainda, por terceiro (CC, arts. 304 a 307). 
Em caso de consignação extrajudicial, ocorre de acordo com os 
procedimentos previstos no art. 539, §1º ao 4º do novo CPC. Este procedimento 
pode ser usado quando a prestação se constituir em pecúnia, ou seja, em dinheiro. 
Se aceita a prestação, há a exoneração do encargo, com a quitação. 
 
57 
 
Não sendo aceito o valor da consignação extrajudicial, ou mesmo de forma 
imediata, é possível a consignação judicial da prestação. 
Tendo sido efetuado o depósito extrajudicial, o comprovante de depósito será 
a prova já da consignação, determinando-se de imediato a citação do demandado. 
Se o procedimento judicial é a primeira opção, o juiz despachará a inicial, 
fixando data para depósito (5 dias). Efetuado o depósito da prestação, será 
determinada a citação. 
O demandado poderá aceitar o valor e levantar o depósito, ou então, 
contestar a ação, arguindo: prestação incompleta, prestação vencida; inexistência de 
negativa de recebimento; inexistência de dúvida quanto ao credor. 
Julgada procedente a ação, está exonera o devedor dos encargos da mora, 
como juros, correção, multa e eventual responsabilidade por perda ou deterioração 
do objeto, passando os riscos para o credor. Ainda libera as garantias, impõe ao 
credor a obrigação de ressarcir despesas e danos causados por sua recusa, tais 
como custas e honorários advocatícios. 
No caso de improcedência, o devedor será considerado em mora ainda, 
arcando com as despesas processuais, além dos efeitos da mora (encargos e 
riscos). 
Necessário referir ainda que, em se tratando de obrigação a ser satisfeita no 
domicílio do devedor, é do credor o ônus de comprovar que tentou receber o crédito 
e que a prestação, portanto, não teria sido adimplida (obrigação quérable). Contudo, 
sendo obrigação portable (paga no domicílio do credor), é do devedor o encargo de 
provar que tentou adimplir a obrigação e que houve recusa do credor. 
 
Da ação de consignação em pagamento 
A ação de consignação em pagamento é procedimento especial no CPC/15, 
eis que, dando azo à dupla natureza que possui (material e processual), tem a 
previsão de procedimento específico para a sua realização. 
Tal previsão envolve tanto a consignação extrajudicial (art. 539 do novo CPC) 
como a consignação judicial (art. 539 ao 549 do novo CPC). 
A ação de consignação em pagamento tem por objetivo viabilizar o 
adimplemento de uma obrigação, pelo devedor, quando o credor não puder ou não 
 
58 
 
quiser receber a prestação, ou mesmo quando nega-se a quitação ou quando não 
há certeza de quem é o credor ou onde se encontra. A se destacar, a consignação 
extrajudicial é possível apenas para obrigações financeiras, eis que o depósito 
deve ser realizado em conta corrente, preferencialmente junto a banco oficial. 
Por outro lado, a consignação judicial comporta o cumprimento de qualquer 
espécie de obrigação e, quando impossível o depósito físico do bem da vida, o 
mesmo pode ser colocado à disposição do juízo, satisfazendo-se, assim, a 
obrigação do devedor. 
 
QUESTÃO XXIV EXAME OAB. Enunciado 
 Após se aposentar, Álvaro, que mora com sua esposa em Brasília, adquiriu de Valério um 
imóvel, hipotecado, localizado na cidade do Rio de Janeiro, por meio de escritura pública de cessão 
de direitos e obrigações. Com a intenção de extinguir a hipoteca, Álvaro pretende pagar a dívida de 
Valério, mas encontra obstáculos para realizar o seu desejo, já que a instituição credora hipotecária 
não participou da aquisição do imóvel e alega que o pagamento não pode ser realizado por pessoa 
estranha ao vínculo obrigacional. Diante dessa situação, responda aos itens a seguir. 
 
A) Qual é a medida judicial mais adequada para assegurar o interesse de Álvaro? (Valor: 0,85) 
Resposta: Álvaro é terceiro interessado no pagamento desta dívida, sendo, portanto, parte legítima 
para ingressar com uma ação de consignação em pagamento, meio mais adequado conducente à 
exoneração do devedor, nos termos do Art. 304 do Código Civil. 
 
B) Qual o foro competente para processar e julgar a referida medida? (Valor: 0,40) Obs.: o(a) 
examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
Resposta: O foro competente é o da cidade do Rio de Janeiro, o lugar do pagamento, como 
prescreve o Artigo 540 do CPC/15. 
 
A ação de consignação em pagamento tem como fundamentação material o 
art. 334 e 335 do Código Civil, bem como os art. 539 a 549 do Código de Processo 
Civil. Importante observar que a ação de consignação em pagamento além dos 
requisitos do art. 319 do CPC, deve atender aos elementos previstos no art. 542 do 
CPC: 
 
 
 
59 
 
Art. 542. Na petição inicial, o autor requererá: 
I - o depósito da quantia ou da coisa devida, a ser efetivado no prazo de 5 
(cinco) dias contados do deferimento, ressalvada a hipótese do art. 539, § 
3o; 
II - a citação do réu para levantar o depósito ou oferecer contestação. 
Parágrafo único. Não realizado o depósito no prazo do inciso I, o processo 
será extinto sem resolução do mérito 
 
Considerando que já houve pedido de peça de consignação, vamos trabalhar 
com a elaboração da peça do XVII Exame da OAB: 
 
XVII EXAME OAB. PEÇA PROCESSUAL 
Enunciado: Mario e Henrique celebraram contrato de compra e venda, tendo por objeto uma 
máquina de cortar grama, ficando ajustado o preço de R$ 1.000,00 e definido o foro da comarca da 
capital do Rio de Janeiro para dirimir quaisquer conflitos. Ficou acordado, ainda, que o cheque nº 
007, da Agência nº 507, do Banco X, emitido por Mário para o pagamento da dívida, seria pós-datado 
para ser depositado em 30 dias. Ocorre, porém, que, nesse ínterim, Mário ficou desempregado. 
Decorrido o prazo convencionado, Henrique efetuou a apresentação do cheque, que foi devolvido por 
insuficiência de fundos. Mesmo após reapresentá-lo, o cheque não foi compensado pelo mesmo 
motivo, acarretando a inclusão do nome de Mário nos cadastros de inadimplentes. Passados dez 
meses, Mário conseguiu um novo emprego e, diante da inércia de Henrique, que permanece de 
posse do cheque, em cobrar a dívida, procurou-o a fim de quitar o débito. Entretanto, Henrique havia 
se mudado e Mário não conseguiu informações sobre seu paradeiro,o que inviabilizou o contato pela 
via postal. Mário, querendo saldar a dívida e restabelecer seu crédito perante as instituições 
financeiras procura um advogado para que sejam adotadas as providências cabíveis. Com base no 
caso apresentado, elabore a peça processual adequada. (Valor: 5,00) Obs.: o examinando deve 
fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação. 
 
PADRÃO DE RESPOSTA: A peça cabível consiste em uma Ação de Consignação em Pagamento, 
nos termos dos artigos 890 a 900 do CPC e dos artigos 334 a 345 do Código Civil. A demanda 
deverá ser proposta perante uma das Varas Cíveis da Comarca do Rio de Janeiro. Deverá Mário 
figurar no polo ativo e Henrique no polo passivo, atendendo-se aos requisitos previstos no Art. 282 do 
CPC. Na abordagem dos fatos e fundamentos, deve o examinando salientar a existência de relação 
jurídica contratual entre as partes, destacar a existência de dívida pendente e a pretensão de liberar-
se da obrigação pelo pagamento, o que não ocorreu em virtude do fato de que o credor reside em 
local desconhecido, o que autoriza a consignação. Deverá, ainda, requerer o depósito da quantia 
devida, pedindo-se a antecipação dos efeitos de tutela jurisdicional, com determinação da retirada do 
nome de Mário dos cadastros de inadimplentes, a citação por edital do réu para levantar a quantia 
 
60 
 
depositada ou oferecer resposta, deduzir pretensão declaratória de extinção da obrigação pelo 
pagamento, a condenação em custas e os honorários advocatícios e a produção de prova por todos 
os meios admitidos. Ao final, deve o examinando indicar o endereço do advogado, o valor da causa, o 
local, a data e a assinatura do advogado, além de comprovar o pagamento das custas. 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS: 
ITEM PONTUAÇÃO 
Endereçamento ao juízo correto: Juízo de uma das Varas Cíveis da 
comarca da capital do Rio de Janeiro (0,10) 
0,00 / 0,10 
Indicação correta do polo ativo (0,10) com qualificação (0,10) e passivo 
(0,10) com qualificação (0,10) 
0,00 / 0,10 / 0,20 / 0,30 / 
0,40 
Fundamentos legais: CPC, artigos 890 a 900 OU CC, artigos 334 a 345 
(0,20) Obs.: A simples menção ao dispositivo não pontua 
0,00 / 0,20 
Fundamentação: 
1 – afirmação de existência da relação contratual; (0,20) 
2 - existência de dívida pendente e o interesse em quitá-la.; (0,20) 
3 - não localização da residência do credor para receber o pagamento; 
(0,20) 
0,00 / 0,20 /0,40 / 0,60 / 
Demonstração do cumprimento dos requisitos da tutela antecipada 
(0,45), nos termos do disposto no art. 273 do CPC (0,15) Obs.: A 
simples menção ao dispositivo não pontua 
0,00 / 0,45 / 0,60 
Pedidos: 1 - depósito da quantia devida; (0,30) 0,00 / 0,30 / 
2 - citação do réu (0,10) por edital (0,10) para levantar o depósito ou 
oferecer resposta; (0,10) 
0,00 / 0,10 / 0,20 / 0,30 
3- Concessão de tutela antecipada, com determinação da retirada do 
nome de Mário dos cadastros de inadimplentes; (0,30) 
0,00 / 0,30 / 
4. a procedência da ação (0,20), conforme art. 269, I, do CPC (0,15) , 
para confirmar a antecipação de tutela (0,20) e declarar extinta a 
obrigação pelo pagamento (0,20) 
0,00 / 0,20 / 0,35 / 0,40 / 
0,55 /0,60 /0,75 
5 - a condenação do réu ao pagamento de custas (0,15) e honorários 
advocatícios; (0,15) 
0,00 /0,15 / 0,30 
Protesto pela produção de provas (Art. 282, do CPC) (0,20) 0,00 / 0,20 
Indicação de pagamento de custas processuais ou pedido de 
gratuidade de justiça (0,10) 
0,00 / 0,10 
Estruturação adequada da peça: Fato (0,10), fundamento (0,20) e 
pedido (0,25). 
0,00 /0,10 / 0,20/ 0,25, 
/0,30/ 0,35/ 0,45 /0,55 
Valor da Causa (Art. 282, do CPC) (0,20) 0,00 / 0,20 
Local, data, assinatura e OAB do advogado (0,10) 0,00 / 0,10 
 
 
 
 
 
 
61 
 
MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ENDEREÇAMENTO: EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO 
DA VARA CÍVEL DA COMARCA DO RIO DE JANEIRO 
 
QUALIFICAÇÃO: MÁRIO..., nacionalidade..., estado civil..., união 
estável..., profissão..., portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob 
nº..., com endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., 
Cidade..., Estado..., CEP..., por intermédio de seu procurador constituído 
(procuração em anexo), OAB..., endereço eletrônico... e endereço profissional na 
Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., onde recebe intimações, na forma do 
art. 287 do Código de Processo Civil, vem, respeitosamente, à presença de 
Vossa Excelência, propor a presente 
 
AÇÃO: AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO, com fundamento nos art. 
539 ao 549 do Código de Processo Civil e art. 334 a 345 do Código Civil, 
cumulada com pedido de TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA, na forma do 
art. 300 do Código de Processo Civil, em face de 
 
QUALIFICAÇÃO: HENRIQUE..., nacionalidade..., estado civil..., união 
estável..., profissão..., portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob 
nº..., com endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., 
Cidade..., Estado..., CEP..., pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Expor brevemente os fatos narrados no enunciado. Destacar o fato do 
desaparecimento do requerido e a intenção de pagamento de Mário. 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Expor como fundamentos os seguintes requisitos básicos: 
a) A afirmação da existência da relação contratual; 
b) Existência De dívida pendente e o interesse em quitá-la; 
 
62 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
c) Não localização da residência do credor para receber o pagamento. 
Informar os requisitos jurídicos para configurar a hipótese de consignação (art. 
335 do Código Civil) e a opção pela consignação judicial (art. 539 do Código de 
Processo Civil) 
 
3. TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA: 
Narrar que a situação está causando prejuízo e expor os elementos 
necessários e essenciais para o deferimento da tutela, conforme art. 300 do 
Código de Processo Civil. Deixar evidente ao probabilidade do direito e o perigo 
de dano. 
 
4. DOS PEDIDOS: 
 Ante o exposto, requer: 
a) O recebimento e distribuição da demanda com autorização para depósito do 
valor devido no prazo de 05 dias, conforme art. 542 do Código de Processo Civil; 
 
b) A citação do demandado, por edital, para levantar o depósito ou oferecer 
contestação no prazo legal, nos termos do art. 256 do Código de Processo Civil; 
 
c) A concessão da tutela provisória de urgência para o fim de determinar a 
retirada do nome do autor dos cadastros restritivos de crédito, nos termos do art. 
300 do CPC; 
 
d) A procedência da demanda, nos termos do art. 487, I do Código de Processo 
Civil para o fim de confirmar a tutela de urgência e declarar extinta a obrigação 
pelo pagamento. 
 
e) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e dos 
honorários advocatícios na forma do art. 85 do Código de Processo Civil. 
 
 
63 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
f) Protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do CPC; 
 
g) Informa o recolhimento das custas processuais iniciais OU Requer a 
concessão do benefício da justiça gratuita, nos termos do art. 98 e seguintes do 
Código de Processo Civil. 
 
Valor da causa (valor consignado): R$ 1.000,00 
 
Termos em que, 
Pede deferimento. 
 
Local... Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
64 
 
 RESOLUÇÃO DE ACORDO COM O CPC/15 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL 
DA COMARCADO RIO DE JANEIRO / RJ 
 
MÁRIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., por intermédio de seu procurador constituído (procuração em anexo), 
OAB..., endereço eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., 
Cidade..., Estado..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de 
Processo Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a 
presente 
 
AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO, com fundamento nos art. 539 ao 
549 do Código de Processo Civil e art. 334 a 345 do Código Civil, cumulada com 
pedido de TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA, na forma do art. 300 do 
Código de Processo Civil, em face de 
 
HENRIQUE..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Mário, autor da presente demanda, é devedor de Henrique na quantia de 
R$ 1.000,00 relativo a crédito representado por cheque emitido pelo Autor em 
favor do Requerido. Tal crédito teve como origem a realização do negócio jurídico 
entre as partes (compra e venda de roçadeira). 
Ocorre que Mário não conseguira adimplir o referido crédito na data 
entabulada entre as partes, qual seja, 30 dias após o negócio jurídico, conforme 
pré-datamento do cheque). 
 
 
65 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Passados 10 meses, o Autor, então, procurou o Requerido, com o objetivo 
de adimplir a sua obrigação, contudo, não o localizou, tendo tido notícias de que 
Henrique havia se mudado do local sem deixar qualquer informação acerca de 
seu novo endereço. 
Mario, então, está querendo adimplir sua obrigação, porém, não localiza o 
credor para o devido adimplemento. 
De modo complementar, como não está conseguindo liquidar a sua 
obrigação, o Autor está sofrendo prejuízos significativos com a manutenção de 
seu nome nos órgãos restritivos de crédito. 
O fato, em suma, é que o Autor pretende adimplir a sua obrigação, mas 
não está conseguindo tal intento e considerando que há prejuízo grave com a 
manutenção da restrição, pretende-se, também, a concessão da tutela provisória 
de urgência. 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Trata-se de relação jurídica estabelecida para compra e venda. O autor da 
ação está inadimplente, contudo, no presente momento, pretende satisfazer sua 
obrigação, mas está impossibilitado em razão da não localização do Réu. 
Nesse interim, o art. 335 do Código de Processo Civil permite ao devedor 
realizar a consignação em pagamento dos valores devidos quando o credor não é 
localizado, tal como no presente caso. 
Há, no caso, uma dívida pendente de R$ 1.000,00 cujo o pagamento é 
justamente a pretensão do Autor, nos termos do art. 539 e seguintes do Código 
de Processo Civil. 
Contudo, o Autor tentou localizar o Requerido em seu endereço conhecido, 
porém não o localizou de modo que se mostra infrutífera a citação postal. 
Requer, assim, a possibilidade de adimplir o valor devido, baixando-se as 
restrições creditícias. 
 
 
66 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. TUTELA DE URGÊNCIA: 
Conforme estabelece o art. 300 do Código de Processo Civil, a concessão 
da tutela de urgência demanda demonstração de probabilidade do direito e perigo 
de dano. 
No caso da presente demanda, o Autor irá depositar o valor do crédito à 
disposição do juízo, liquidando a obrigação nos termos do art. 335 do Código 
Civil. 
Ou seja, haverá adimplemento da obrigação que hoje gera a restrição 
creditícia ao Autor. 
Por outro lado, relativamente ao perigo de dano, é indiscutível que a 
manutenção indevida de restrições de crédito causa prejuízo aquele que detém a 
indevida restrição. 
É fato notório que a restrição de crédito causa prejuízos gerando a 
aplicação, inclusive, da responsabilidade por dano moral in ré ipsa, o que se 
aplica ao caso por analogia. 
Por isso, com o depósito do valor, requer ao juízo a concessão da tutela de 
urgência, de natureza antecipatória para o fim de determinar a baixa da restrição 
creditícia. 
 
4. DOS PEDIDOS: 
Ante o exposto, requer: 
a) O recebimento e distribuição da demanda com autorização para depósito do 
valor devido no montante de R$ 1.000,00, bem como juros e correção monetária, 
no prazo de 05 dias, conforme art. 542 do Código de Processo Civil; 
 
b) A citação do demandado, por edital, nos termos do art. 256 do Código de 
Processo Civil, para levantar o depósito ou oferecer contestação no prazo legal, 
nos termos do art. 542, II do Código de Processo Civil. 
 
c) A concessão da tutela provisória de urgência para o fim de determinar a 
retirada do nome do autor dos cadastros restritivos de crédito, nos termos do art. 
300 do CPC, a partir do depósito efetuado. 
 
 
67 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
d) A procedência da demanda, nos termos do art. 487, I do Código de Processo 
Civil para o fim de confirmar a tutela de urgência e declarar extinta a obrigação 
pelo pagamento. 
 
e) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e dos 
honorários advocatícios na forma do art. 85 do Código de Processo Civil. 
 
f) Protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do CPC; 
 
g) Requer a concessão da justiça gratuita, nos termos do art. 98 e seguintes do 
CPC/15. 
 
h) Em atendimento ao art. 319, VII, do CPC, informa que não tem interesse em 
audiência de mediação ou conciliação. 
 
Valor da causa: R$... (art. 292 do CPC) 
 
Local... Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
 
68 
 
b) Sub-rogação 
Sub-rogação é a substituição, nos direitos creditórios, da figura do credor por 
alguém que adimpliu a obrigação do devedor, ou que tenha emprestado o dinheiro 
ao devedor para esse adimplemento. 
A sub-rogação permite ao sub-rogado o poder de buscar do devedor a 
satisfação do que empregou na satisfação da obrigação, acrescido das despesas 
que tiver. 
No entanto, sendo sub-rogação legal, a limitação está na própria prestação 
cumprida, devendo ser o exato valor que fora pago ao credor (art. 250 do CC). 
Pode ocorrer tanto em decorrência da lei, conforme artigos 346, I, II e III CC; 
art. 40 Dec. 2.044/1908, bem como pode ser convencional (acordo entre as partes), 
tanto entre credor e terceiro, como entre devedor e terceiro. Sendo sub-rogação por 
pagamento feito por terceiro, aplicam-se as 
Via de regra, a sub-rogação legal é aquela em que um terceiro interessado 
paga a dívida do devedor originário. Por outro lado, na sub-rogação convencional, 
um terceiro não interessado assume o débito do devedor, seja pagando, seja 
emprestando-lhe o valor correspondente. 
 
c) Imputação do pagamento 
 
Quando houver, entre o mesmo credor e mesmo devedor, duas ou mais 
dívidas líquidas e vencidas, poderá o devedor, realizando o pagamento de apenas 
uma delas, indicar qual delas pretende adimplir. 
O objetivo da imputação do pagamento é fornecer ao devedor a possibilidade 
de estancar a dívida que possui maiores encargos. Tanto que, não sendo apontada, 
o art. 355 do CC expõe que a quitação se dará automaticamente da obrigação com 
maiores encargos. 
No entanto, se no ato de pagamento o credor passou a quitação de alguma 
delas e, não havendo rechaço imediato, o devedor não poderá apontarfuturamente 
a intenção de adimplemento de outra prestação. 
 
69 
 
É necessário, para ocorrer a imputação do pagamento, a existência de duas 
dívidas entre os mesmos credor e devedor, dívidas de mesma natureza e 
insuficiência de adimplemento de ambas. 
Com o adimplemento de uma das obrigações, esta será extinta, bem como 
todos os seus encargos e garantias (como fiança). 
 
ESPÉCIE DE IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO 
FEITA PELO DEVEDOR Art. 352 do Código Civil 
FEITA PELO CREDOR Art. 353 do Código Civil 
FEITA PELA LEI Art. 355 do Código Civil 
 
d) Dação em pagamento 
 
A dação em pagamento representa o adimplemento da obrigação assumida, 
porém com outro objeto que não aquele previsto no acordo firmado pelas partes. 
Cite-se como exemplo a utilização de um veículo para quitar a dívida de uma 
nota promissória (cuja prestação inicial era o pagamento do valor em dinheiro). 
A dação em pagamento necessita da concordância do credor, pois este não é 
obrigado a receber prestação diversa daquela recebida. Sendo firmada, extingue 
parte ou a totalidade do negócio jurídico. 
 
Requisitos e efeitos da dação em pagamento 
Seus requisitos são: existência de débito vencido; animus solvendi; 
diversidade do objeto oferecido em relação ao devido; concordância do credor na 
substituição. 
O objeto dado em pagamento admite a incidência dos efeitos oriundos da 
evicção, tornando sem efeito a quitação dada (CC, art. 359), bem como de vícios 
redibitórios. 
 
 
 
 
70 
 
XIV EXAME OAB. QUESTÃO PRÁTICA 
Em julho de 2011, Rufus, taxista, adquiriu um automóvel seminovo, obrigando-se perante 
Jonas, vendedor, a pagar o preço em 30 (trinta) prestações mensais de R$ 2.000,00 (dois mil reais). 
No contrato de compra e venda, constou expressamente que o atraso de mais de 5 (cinco) dias no 
pagamento de qualquer das parcelas provocaria a resolução automática do contrato, com a perda 
das parcelas pagas. 
Em novembro de 2013, Rufus, enfrentando dificuldade financeira, deixou de efetuar o 
pagamento da parcela devida. Passados 12 (doze) dias do vencimento, Rufus oferece a Jonas dois 
relógios no valor de R$ 1.000,00 cada um. Jonas recusa a oferta e propõe, em seguida, ação judicial 
de resolução do contrato, com pedido liminar de busca e apreensão do veículo. Responda, 
fundamentadamente, aos itens a seguir. 
A) A ação de resolução do contrato deve ter seu pedido julgado procedente? (Valor: 0,75) 
Gabarito comentado: Não. Como, em novembro de 2013, já terão sido pagas 28 das 30 parcelas, 
aplica-se aqui a teoria do adimplemento substancial. Tal teoria, embora não encontre expresso 
acolhimento no Código Civil, já se encontra sedimentada na jurisprudência. O adimplemento 
substancial impede o exercício do direito de resolução, por ser abusivo nas hipóteses em que o 
débito em aberto é pouco significativo diante da parcela da obrigação já adimplida. 
 
B) Jonas é obrigado a aceitar os relógios? (Valor: 0,50) 
 Gabarito comentado: Não. Jonas não é obrigado a aceitar os relógios. Trata-se de dação em 
pagamento, instituto que não prescinde do consentimento do credor (Código Civil, Art. 356 ou Art. 
313). Jonas pode continuar cobrando a dívida, estando impedido apenas de promover a resolução do 
contrato, medida excessivamente gravosa diante do percentual representado pelo inadimplemento. 
 
e) Novação 
Novação é o ato negocial realizado pelas partes que, sem que se efetue o 
pagamento da integralidade da obrigação, há a extinção da relação jurídica anterior 
(do negócio primário), criando um novo vínculo jurídico entre as partes. 
Mesmo que a obrigação originária não tenha sido satisfeita, extinguirão todos 
os seus efeitos, passando a ter validade apenas os novos termos fixados. 
Assim, de maneira sintética, podemos dizer que é a relação jurídica – negócio 
jurídico, que substitui um outro negócio jurídico, traçando novos parâmetros de 
contratação. 
Para que ocorra a novação é necessário que exista uma obrigação anterior 
(art. 367 do CC), haja intenção de novar (art. 361 do CC), se crie uma nova relação 
jurídica, em substituição ao negócio anterior, tendo ainda um novo elemento. 
 
71 
 
A novação pode substituir ou alterar a obrigação, ou então, substituir uma das 
partes – art. 360, I, II e III, e art. 362 do CC. 
 
Efeitos da novação 
Como efeitos da novação, há a extinção do débito anterior; cessação de 
juros, correção, multa, etc; extinção das garantias, fianças e acessórios – art. 837, 
365 e 366; desaparecimento da mora; exoneração do devedor e fiador que não anuir 
à novação; insolvência na nova obrigação não prejudica a novação; impossibilidade 
de discussão do débito anterior; perda, pelo devedor, das exceções que poderia 
levantar no vínculo jurídico anterior. 
Quanto ao último item, há exceções à essa regra quando verificada a 
incidência de nulidade que fulmine tanto a novação como a relação jurídica anterior, 
como no caso de contratos bancários: 
 
 
 
f) Compensação 
Compensação é o ato de adimplir um débito através de um crédito, entre duas 
pessoas que são, ao mesmo tempo, credor e devedor um do outro, em relação a 
dívidas de mesma natureza (art. 370 e 368 do CC). 
Será convencional aquela compensação feita por acordo entre as partes, 
liquidando uma obrigação (ou parte dela), com a utilização de um crédito oriundo de 
outra obrigação. 
Veja-se que a limitação da compensação convencional se opera nos limites 
da legalidade, ou seja, sendo ato jurídico válido e lícito, as partes podem negociar 
livremente a compensação. 
Poderá a compensação ser determinada pelo juiz (compensação judicial), 
quando preenchidos os requisitos para a compensação legal. Normalmente ocorre 
em sede de reconvenção ao processo principal. 
Por fim, a compensação poderá ser determinada por lei, ocorrendo mesmo 
em caso de negativa de vontade de compensar de uma das partes. 
 
SÚMULA 286 DO STJ: A negociação do contrato bancário ou a confissão da dívida não impede a 
possibilidade de discussão sobre eventuais ilegalidades dos contratos anteriores. 
 
72 
 
Requisitos à compensação 
Na compensação legal, para que seja operada, são necessários alguns 
requisitos: as dívidas devem ser líquidas e vencidas (exigíveis, portanto); não poderá 
ser oriunda de alimentos, depósito, comodato ou coisa impenhorável (art. 373 do 
CC); poderá haver renúncia prévia de uma das partes (renúncia ao direito de 
compensação); ou falta de estipulação quando for necessário (art. 375 do CC); 
compensação das despesas de pagamento, quando houverem (art. 378 do CC); 
aplicação da imputação de pagamento (art. 379 do CC); e deverá ser garantido 
direito de terceiro (art. 380 do CC). 
As partes podem estipular renúncia à compensação, o que impediria a 
compensação judicial, porém não a convencional. 
Não poderá impor-se a compensação de créditos de terceiros, ou seja, a 
compensação deve se operar entre credor e devedor recíprocos (isso na 
compensação legal), salvo o fiador, que também poderá buscar a compensação, 
haja vista que é obrigado ao adimplemento da prestação (art. 371 do CC). 
 
g) Confusão 
Confusão é a situação jurídica onde uma pessoa passa a figurar como 
credora e devedora de si própria, extinguindo-se automaticamente os 
débitos/créditos. 
Temos como exemplo a situação do filho, que deve para o pai, e esse vem a 
falecer, tendo portanto o filho créditos decorrentes da sucessão. Ao mesmo tempo 
em que deve para o espólio, receberá parte desse (inclusive o seu próprio débito). 
A confusão pode ocorrer em relação à totalidade da prestação (total ou 
própria) ou apenas em relação à parte da obrigação (parcial ou imprópria). 
Em caso de mais de um credor ou devedor, configurando-se a confusão em 
relação à um deles, a extinção da obrigação ocorre em relação apenas à sua parte 
no crédito/débito, permanecendo a obrigação em relação aos demais (art. 383 do 
CC). 
A confusão extingue a obrigação, bem como todos os respectivosacessórios, 
como as garantias. 
 
73 
 
Se por ventura for declarada ineficaz, restabelece-se a obrigação anterior em 
todos os seus termos. 
 
h) Remissão 
É a liberação graciosa (gratuita) da obrigação, total ou parcial, feita pelo 
credor em favor do devedor. 
Por mais benéfica que pareça, a remissão é negócio jurídico bilateral e, 
portanto, depende da vontade de ambas as partes: do credor que “perdoa” a 
obrigação, e do próprio devedor que recebe a remissão. Essa aceitação poderá ser 
expressa ou tácita (art. 385 do CC). 
A remissão pode ser expressa (como documento declarando a remissão), 
bem como presumida, que ocorre em caso de entrega do título da obrigação ou do 
objeto empenhado (art. 386 e 387 do CC). 
A remissão extingue a obrigação e os respectivos acessórios (como a fiança); 
exonera o devedor de sua cota-parte na solidariedade passiva; exonera toda a 
obrigação em caso de solidariedade ativa e remissão feita por um dos co-devedores. 
 
1.20 Transação 
 
A transação é uma forma de extinção do vínculo obrigacional, a partir do 
ajuste celebrado entre as partes contratantes. De modo geral, a transação poderá 
envolver qualquer objeto obrigacional, desde que gere a composição e parta do 
consenso – art. 104 e art. 840, ambos do CC. 
Convém destacar, porém, que o CC prevê a possibilidade de transação a 
partir da existência de limitação da transação à bens patrimoniais particulares, não 
podendo a mesma gerar transmissão senão apenas reconhecimento de direitos. 
Destaque-se que se uma cláusula da transação for nula, nula será a 
transação; ainda, também será nula a transação quanto à objeto litigioso já alvo de 
sentença quando esta não for de conhecimento de uma das partes – nesse sentido 
art. 842 a 850 CC. 
Quando pretendemos ‘criar’ negócio jurídico, fazemos um contrato; mas 
quando a execução do contrato está litigiosa, transacionamos a sua solução ou 
 
74 
 
modificação. Também transacionamos a solução para ato ilícito civil, desde que 
confortado pelos requisitos do art. 104 do CC. 
 
1.21 Inadimplemento das obrigações 
Inadimplemento é a inexecução da obrigação no tempo, lugar e forma 
convencionados pelas partes. É o descumprimento, voluntário ou involuntário, da 
obrigação firmada. 
O inadimplemento involuntário decorre de caso fortuito ou força maior. O 
inadimplemento voluntário ocorre quando o devedor, sem os motivos anteriores (de 
caso fortuito ou força maior), deixa de cumprir a obrigação. 
Inadimplemento absoluto: identificado quando a prestação, por não ter sido 
cumprida do modo combinado, tornou-se ineficaz para o credor, resolvendo-se a 
situação em perdas e danos. 
Inadimplemento relativo: ocorre quando a obrigação não foi cumprida, 
porém ainda é possível o seu cumprimento, acrescido dos encargos decorrentes da 
mora. 
 
XX EXAME OAB. QUESTÃO PRÁTICA 
Em 15 de janeiro de 2015, a Financeira X celebrou instrumento particular de contrato de mútuo com 
Rafael para financiar a aquisição, por este último, de veículo automotor vendido pela Concessionária 
B. De acordo com o contrato de mútuo, Rafael deveria pagar 30 (trinta) prestações mensais à 
Financeira X, no valor de R$ 2.000,00 cada, com vencimento no quinto dia útil do mês. Por meio do 
correspondente instrumento particular, devidamente anotado no certificado de registro do veículo, a 
propriedade deste último é alienada fiduciariamente à Financeira X, em garantia do pagamento do 
mútuo. Raphael, contudo, inadimpliu a 4ª prestação, tendo sido devidamente constituído em mora 
pela Financeira X. Com base na situação apresentada, responda aos itens a seguir. 
A) O inadimplemento da 4ª prestação autoriza o vencimento antecipado das prestações posteriores 
(da 5ª à 30ª prestação)? (Valor: 0,65) 
Gabarito comentado: Sim. Considera-se vencida a dívida quando as prestações não forem 
pontualmente pagas, de acordo com o Art. 2º, § 3º, do Decreto-Lei nº 911/69, em sua redação 
vigente, estabelece: “A mora e o inadimplemento de obrigações contratuais garantidas por alienação 
fiduciária, ou a ocorrência legal ou convencional de algum dos casos de antecipação de vencimento 
da dívida facultarão ao credor considerar, de pleno direito, vencidas todas as obrigações contratuais, 
independentemente de aviso ou notificação judicial ou extrajudicial”. 
 
 
75 
 
 
B) Para consolidar o domínio do veículo em seu nome e autorizar a alienação extrajudicial para a 
satisfação da dívida, qual o tipo de ação judicial que a financeira X deve mover? (Valor: 0,60) 
Gabarito comentado: Nos termos dos artigos 2º e 3º do Decreto-Lei nº 911/69, a ação cabível para o 
fim de consolidar o domínio do veículo em nome do credor e autorizar a alienação extrajudicial em 
pagamento da dívida é a ação de busca e apreensão. 
 
1.22 Mora 
Haverá mora quando o devedor ainda puder cumprir a obrigação, e 
inadimplemento absoluto se não houver tal possibilidade, por que a res debita 
pereceu ou se tornou inútil ao credor. A mora pode ser purgada, o mesmo não 
sucedendo com o inadimplemento absoluto. – Maria Helena Diniz. 
Mora é a falta de pagamento culposa da prestação obrigacional, bem como a 
recusa injustificada em receber a prestação, impondo ao credor ou devedor (o que 
estiver em mora) efeitos e encargos. 
Ocorrerá a mora do devedor quando este deixar de cumprir a obrigação no 
tempo, lugar e forma pactuados. É a mora solvendi. 
 
Mora do devedor 
No caso do devedor, poderemos ter mora ex re, que é aquela que decorre da 
inexecução no tempo pactuado, incidindo de imediato sobre a obrigação. Na mora 
ex persona, não há um tempo fixado, sendo necessária a notificação judicial ou 
extrajudicial para constituição do devedor em mora (art. 397, caput e § único do CC). 
Mesmo que se seja possível o adimplemento, também haverá, além dos 
encargos da mora, a responsabilidade por perdas e danos causados em decorrência 
do inadimplemento da obrigação pelo devedor. 
Ou seja, o devedor, que não cumpriu a obrigação, podendo ainda cumpri-la 
(como no caso do pagamento de valor – em dinheiro), poderá cumpri-la, pagando ao 
credor a obrigação, juros, correção monetária, despesas eventuais, e eventuais 
perdas e danos que seu atraso ocasionou (art. 395 do CC). 
Não cumprida a obrigação, mas sendo possível cumpri-la ainda, o credor 
poderá exigir a mesma, bem como os respectivos acréscimos. 
 
76 
 
Se o objeto da prestação se perder, mesmo que por caso fortuito ou força 
maior, após o termo, ou seja, estando o devedor em situação de mora ou 
inadimplência, o devedor será responsabilizado pela perda, respondendo, portanto, 
pelo principal e acréscimos. 
Em caso de ato ilícito, a mora e seus efeitos, incidem desde a data do ilícito – 
art. 398 do CC. 
 
Mora do credor 
Mora do credor, também chamada de mora accipiendi, é aquela que decorre 
na recusa injustificada do credor em receber a prestação no tempo, lugar e forma 
convencionados pelas partes. 
É necessário, para ocorrer, que a dívida já tenha alcançado o seu termo, 
tenha oferta real do devedor e a recusa seja injustificada. 
Se o credor nega-se em receber a prestação, ou mesmo a dar a quitação, 
estará se colocando em situação de mora, autorizando o devedor a ajuizar 
consignação em pagamento. 
A mora do credor libera o devedor da responsabilidade sobre o objeto da 
prestação; impõe ao credor a obrigação de ressarcir ao devedor as despesas que 
teve para a conservação da coisa; obriga o credor a receber a coisa pelo mais alto 
valor (se houver alterações entre o termo e data do efetivo pagamento). 
 
Mora recíproca 
Mora recíproca, ou mora de ambos os contratantes, ocorre quando ambos 
encontram-se em mora, pelo inadimplemento ou recusa em receber, em relação à 
obrigação. 
Em virtude da reciprocidade, as moras se anulam, retornando o negócio ao 
status quo, como se a mora não tivesse ocorrido. 
 
Purgação da mora 
Quando o inadimplemento for relativo, ou seja, quando aindafor possível o 
adimplemento da obrigação, mesmo com o atraso, poderá a parte que estiver em 
mora purgá-la. 
 
77 
 
Se for o devedor que estiver em mora, este purgará a mora cumprindo a 
obrigação acrescida dos encargos da mora e de eventuais prejuízos que tenham 
incidido em decorrência da mora (art. 401, I do CC). 
Se a mora for do credor, poderá este receber a prestação, no estado em que 
se encontra, descontados valores relativos à despesas e encargos decorrentes da 
mora. 
 
Cessação da mora 
A mora terá sua cessação com a extinção da obrigação, ou então, em 
decorrência de qualquer ato extintivo de efeitos pretéritos e futuros (como novação, 
renúncia, remissão, dação em pagamento, etc.). 
 
1.23 Juros moratórios 
 
Os juros correspondem à compensação e rendimento do capital de um valor 
ou bem que se tornou indisponível ao credor, servindo como meio de satisfação por 
esta indisponibilidade. 
São chamados de juros compensatórios os juros pactuados pelas partes e 
incidentes até a data prevista para o adimplemento da obrigação. Estão delimitados 
pelo art. 591, Dec. 22.626/33, e lei nº 1.521/51. 
Os juros moratórios são os juros que decorrem do inadimplemento da 
obrigação (tanto no inadimplemento relativo como no absoluto), incidindo, via de 
regra, a partir do termo da obrigação não cumprida, ou então, da constituição em 
mora do credor ou do devedor. 
Lembre-se que a mora pode ser ex re ou ex persona. 
Os juros moratórios podem ser convencionais (estabelecidos pelas partes), 
bem como legais (estabelecidos pelo art. 406 do CC). 
 
1.24 Perdas e danos 
 
Perdas e danos são instrumento de compensação ao credor pelo 
inadimplemento do devedor, decorrente do inadimplemento da obrigação (absoluto 
 
78 
 
ou relativo, total ou parcial), representado por uma quantia em dinheiro equivalente 
aos prejuízos e/ou danos causados pelo inadimplemento. 
Englobam tanto o que o credor perdeu, como o que deixou de ganhar diante 
do inadimplemento obrigacional. 
No caso das perdas e danos, os juros moratórios são contados desde a 
citação inicial (art. 405 do CC), salvo casos de ato ilícito (art. 398 do CC). 
Os danos são apurados em processo judicial, sendo fixados pelo juízo de 
acordo com sua extensão (art. 944 do CC). 
Se houver previsão de cláusula penal, esta já terá cunho reparatório. 
 
1.25 Cláusula penal 
 
A cláusula penal é verdadeiro pacto acessório, estabelecido pelas partes com 
a função de impor ônus à parte inadimplente da obrigação firmada, bem como 
estabelecer previamente a reparação de danos causados pelo inadimplemento. 
O valor da cláusula penal não poderá ultrapassar o valor da prestação 
principal, conforme art. 412 do CC. Se a obrigação for satisfeita em parte, poderá o 
juiz determinar a redução do valor da cláusula penal - art. 413 do CC. 
A incidência da cláusula penal independe de demonstração de prejuízos por 
parte do credor, o que ocorre somente quando for buscar indenização suplementar 
(ver abaixo). 
Quando houver diversos devedores, porém, se tratar de obrigação indivisível, 
todos responderão pela cláusula penal, conforme art. 414 do CC. Se a obrigação for 
divisível, somente o co-devedor culpado pelo inadimplemento responderá pela 
cláusula penal – art. 415 do CC. 
Se o valor da cláusula penal não for suficiente para cobrir os prejuízos e tendo 
sido convencionada a possibilidade, poderá o credor buscar indenização 
suplementar, ou seja, do valor excedente ao fixado na cláusula penal, cabendo ao 
credor a responsabilidade pela prova. 
A cláusula penal pode ser compensatória, quando se tratar de compensação 
pela obrigação não cumprida, substituindo a obrigação; ou moratória, incidente 
 
79 
 
cumulativamente à obrigação, podendo ser exigida conjuntamente com a obrigação 
principal. 
Para a incidência da cláusula penal é necessária uma obrigação principal 
(pois é pacto acessório), inexecução da obrigação, mora e imputabilidade (culpa) do 
devedor. 
 
XV EXAME OAB. QUESTÃO PRÁTICA 
João e José celebraram contrato de locação, por dois anos, de um veículo de propriedade de 
José, que seria utilizado por João para fazer passeios turísticos com seus clientes. 
No contrato de locação, foi estipulada cláusula penal de 10% do valor total do contrato para o 
caso de resolução por quaisquer das partes, em especial, a decorrente do não pagamento de dois 
alugueis. 
Diante de tal previsão, caso João tivesse incorrido em mora, dando causa à resolução, 
responda aos itens a seguir. 
 
A) Para a execução da cláusula penal, José tem que comprovar a existência de prejuízo 
equivalente ao seu montante? (Valor: 0,65) 
Gabarito comentado: No primeiro tópico, deve o candidato destacar que a incidência da cláusula 
penal independe da prova de prejuízo, conforme dispõe o Art. 416, caput, do Código Civil. 
 
B) Caso José consiga comprovar que o prejuízo excede ao valor da cláusula penal, poderia 
cobrar a cláusula penal e a indenização suplementar? (Valor: 0,60) 
Gabarito comentado: No segundo tópico deve o candidato destacar que, para José cobrar 
indenização suplementar, tem que haver previsão expressa dessa possibilidade no contrato diante do 
preceituado no parágrafo único, do Art. 416, do CC/02, hipótese em que, existindo tal cláusula, a 
cláusula penal serve de princípio indenizatório (indenização mínima). 
 
1.26 Arras ou sinal de negócio 
 
Arras, também chamada de sinal de negócio, constitui-se no repasse de 
determinado valor ou bem a título de confirmação do negócio entabulado pelas 
partes. 
Sua função e garantir a realização do negócio, porém servindo como valor de 
indenização pelo arrependimento, bem como de compensação dos danos causados 
pelo arrependimento da outra parte. 
As arras podem ser prestadas por uma ou por ambas as partes. 
 
80 
 
Se houver arrependimento da parte que prestou as arras, esta perderá as 
arras em favor da outra parte, como forma de indenização pelo arrependimento. 
Se o arrependimento ocorrer por quem recebeu as arras, deverá este 
devolver as arras mais o seu equivalente. 
Em caso de estipulação da possibilidade de arrependimento, as arras servirão 
como indenização, não sendo possível sua complementação. 
 
1.27 AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO 
 
A ação declaratória tem por objetivo reconhecer a existência ou inexistência 
de alguma relação jurídica. A partir da declaratória de inexistência de débito, se 
verificado algum prejuízo, é possível a busca de indenização e, eventualmente, 
cumprimento de obrigação de fazer (retirada de restrições indevidas de crédito). 
Perdemos, portanto, que essa pretensão (quando o caso falar em protesto 
indevido ou restrição indevida de crédito) que há três núcleos: a) A suspensão dos 
prejuízos pelo protesto / registro indevido; b) A declaração da inexistência de relação 
jurídica a amparar o protesto/registro; c) A reparação dos danos causados. 
Identificar, por fim, se não se trata de hipótese de dano moral in re ipsa. 
OBSERVAÇÃO: a reparação de ato ilícito civil requer demonstração de: a) 
fato; b) culpa; c) dano; d) nexo causal. A petição inicial, assim, deverá atender a 
esses pontos, além de atender aos demais requisitos previstos. 
 
CASO BASE: TICIO verificou, ao realizar uma compra na internet, que CAIO, lojista 
de sua cidade, havia efetuado registro negativo de crédito do primeiro, por conta da 
falta de pagamento de uma determinada fatura de compra de utensílios domésticos, 
no valor de R$10.000,00. A restrição havia sido realizada há 15 dias, e está 
visivelmente causando prejuízos à TÍCIO. Contudo, este não realizou qualquer 
compra na loja de CAIO, nem teve qualquer outra relação jurídica com CAIO. 
Pretende, TÍCIO, o reconhecimento da inexistência do débito e a reparação em 
R$5.000,00. Tício não tem interesse na realização de audiência de mediação. Qual 
ação seria cabível em favor de TÍCIO? 
 
 
81 
 
MODELO EXEMPLIFICATIVO– Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ENDEREÇAMENTO: EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO 
DA ... VARA CÍVEL DA COMARCA DE... 
 
QUALIFICAÇÃO: TICIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., 
profissão..., portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com 
endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., 
Estado..., CEP..., por intermédio de seu procurador constituído (procuração em 
anexo), OAB..., endereço eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., 
Bairro..., Cidade..., Estado..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do 
Código de Processo Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa 
Excelência, propor a presente 
 
AÇÃO: AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO, com base no 
art. 19, I, do Código de Processo Civil, cumulada com PEDIDO DE TUTELA DE 
URGÊNCIA, na forma do art. 300 do Código de Processo Civil e REPARAÇÃO 
POR DANO MORAL, na forma do art. 186 e 927 do Código Civil, em face de 
 
QUALIFICAÇÃO: CAIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., 
profissão..., portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com 
endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., 
Estado..., CEP..., pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Expor brevemente os fatos narrados no enunciado e fazer um 
complemento acerca da inexistência da relação jurídica entre as partes. Expor 
que a restrição está causando prejuízos – existência do dever de reparação civil. 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Expor como fundamentos os seguintes requisitos básicos: 
a) A inexistência da relação jurídica, nos termos do art. 19, I, do Código de 
Processo Civil; 
 
 
82 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Conforme narrativa fática, percebe-se que inexiste qualquer relação 
jurídica entre as partes. Assim, é cabível, no presente caso, o reconhecimento da 
inexistência dessa relação e sua declaração pelo juízo, na forma do art. 19, I, do 
Código de Processo Civil. 
 
b) A configuração da situação como típico ato ilícito civil, conforme art.186 do 
Código Civil. 
A partir da inexistência da relação jurídica percebemos que a restrição de 
crédito se mostra indevida por inexistir “causa debendi” o que torna, portanto, o 
ato de restrição um ato ilícito civil a teor do art. 186 do Código Civil. 
 
c) A demonstração do consequente dever de indenizar, conforme art. 927 do 
Código Civil, por dano moral in ré ipsa: 
Demonstrado que houve ato ilícito civil é dever do demandado a reparação 
de danos causados ao Autor, conforme preconiza o art. 927 do Código Civil. Com 
relação à prova do dano, veja-se que, conforme jurisprudência dominante, trata-
se no caso de dano moral in re ipsa, onde o prejuízo é presumível diante da 
negativação nos registros de crédito. 
 
d) A fixação do dano de acordo com o art. 944 do Código Civil, atribuindo-se o 
valor pretendido: 
Tendo em vista a exposição indevida do Autor, que teve seu nome inscrito 
indevidamente nos cadastros restritivos de crédito, requer seja o valor do dano 
moral atribuído no equivalente de R$ 5.000,00, nos termos do art. 944 do Código 
Civil. 
 
ESPECIAL: Abordar a necessidade de aplicação da delegação do ônus da prova 
ao demandado – prova da relação jurídica nos termos do art. 373, §1º, do Código 
de Processo Civil. 
 
 
83 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Requer, ainda, considerando que inexiste a relação jurídica exposta, bem 
como que se a mesma existir, o demandado poderia/deveria prova-la, requer que 
seja atribuído ao Requerido o ônus de provar a existência da relação jurídica ou 
causa debendi relativa ao valor do objeto da restrição creditícia, conforme art. 373 
§1º, do Código de Processo Civil. 
 
3. DA TUTELA DE URGÊNCIA: 
Narrar que há risco de dano iminente com a manutenção da restrição 
indevida. Expor os elementos essenciais para o deferimento da tutela de urgência 
na forma do art. 300 do Código de Processo Civil (probabilidade do direito e 
perigo de dano). 
 
4. DOS PEDIDOS 
Em face do exposto, requer: 
a) O recebimento e a distribuição da demanda, optando, desde já pela não 
realização da audiência de mediação, nos termos do art. 319, VII, do Código de 
Processo Civil. 
 
b) O deferimento da tutela de urgência de natureza antecipatória para determinar 
a obrigação de fazer (retirada do registro negativo) na forma do art. 300 do 
Código de Processo Civil. 
 
c) A citação do Requerido para audiência de conciliação ou mediação a ser 
designada por Vossa Excelência, manifestando seu interesse pelo cancelamento 
no prazo de 10 dias, na forma do §5º do artigo 334 do Código de Processo Civil; 
 
d) Caso não cancelada a audiência de conciliação, a intimação do autor por ser 
advogado para comparecer a audiência, na forma do §1º do artigo 334 do Código 
de Processo Civil; 
 
 
84 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
e) A procedência da demanda para o fim de confirmar a tutela de urgência bem 
como declarar a inexistência do debito de R$ 10.000,00 (dez mil reais) e condenar 
o Requerido à reparação do dano moral no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), 
nos termos do art. 186, 927 e 944 todos do Código Civil cumulados com o art. 19, 
I, do CPC/15. 
 
f) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e 
honorários advocatícios, na forma do art. 85 do Código de Processo Civil. 
 
g) Informa o recolhimento das custas de distribuição OU Requer A concessão da 
justiça gratuita, nos termos dos art. 98 e 99 do Código de Processo Civil. 
 
h) Protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do art. 
319, VI, do CPC; 
 
Valor da causa: R$ 15.000,00, na forma do art. 292, VI do CPC. 
 
Termos em que pede e espera deferimento. 
 
Local... Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
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MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ENDEREÇAMENTO: EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO 
DA ... VARA CÍVEL DA COMARCA DE... 
 
TICIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., por intermédio de seu procurador constituído (procuração em anexo), 
OAB..., endereço eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., 
Cidade..., Estado..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de 
Processo Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a 
presente 
 
AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO, com base no art. 19, I, 
do Código de Processo Civil, cumulada com PEDIDO DE TUTELA DE 
URGÊNCIA, na forma do art. 300 do Código de Processo Civil e REPARAÇÃO 
POR DANO MORAL, na forma do art. 186 e 927 do Código Civil, em face de 
 
CAIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
O Autor descobriu, ao realizar uma compra pela internet,que possuía uma 
restrição de crédito relativa a uma compra realizada com o Réu, no valor de R$ 
10.000,00. 
O Autor, ao verificar a restrição, ficou deveras surpreso, pois em verdade 
nunca realizou qualquer compra com Caio e desconhece completamente a dívida 
em questão. 
 
86 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Diante da verificação da restrição indevida, se mostra necessário buscar o 
judiciário para reconhecer a inexistência de relação jurídica, bem como, por 
conseguinte, declarar a nulidade da restrição e proporcionar ao Autor a reparação 
do dano moral causado. 
Ainda, necessário será a intervenção do judiciário para fazer baixar-se a 
restrição quanto ao seu nome, eis que está lhe causando significativa e indevida 
restrição. 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Conforme narrativa fática, percebe-se que inexiste qualquer relação jurídica 
entre as partes, eis que o Autor nunca comprou qualquer bem junto ao 
demandado, inexistindo lastro à pretensa cobrança. Assim, é cabível, no presente 
caso, o reconhecimento da inexistência dessa relação e sua declaração pelo 
juízo, na forma do art. 19, I, do Código de Processo Civil. 
A partir da inexistência de relação jurídica, percebemos, então, que a 
restrição de crédito se mostra indevida por inexistir “causa debeni”, o que torna, 
portanto, o ato da restrição um ato ilícito civil, a teor do art. 186 do Código Civil. 
Demonstrado que houve ato ilícito civil, é dever do demandado a reparação de 
danos causados ao Autor, conforme preconiza o art. 927 do Código Civil. 
Lembre-se que o direito à indenização decorre da demonstração de 
quatro elementos básicos na responsabilidade subjetiva: fato + dano + 
culpa + nexo causal. 
Com relação ao fato, o mesmo é provado através da narrativa e do protesto 
realizado. O dano é pressuposto a partir da exposição decorrente da restrição 
indevida – na situação, aplica-se o denominado dano moral in ré ipsa, conforme 
consolidação jurisprudencial. Nesse passo, com relação a prova do dano, veja-se 
que, conforme jurisprudência dominante, trata-se de dano moral in re ipsa, onde o 
prejuízo é presumível diante da negativação nos registros de crédito. 
Quanto a culpa, a mesma é evidenciada a partir da ação de emissão de 
título e protesto por parte do requerido sem que haja, no caso, suficiente lastro a 
demonstrar causa debendi. Ou seja, houve conduta descuidada quanto à emissão 
do título sem lastro. 
 
87 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Por fim, sobre o nexo causal, o mesmo se evidencia pela correlação entre 
fato (protesto), dano (exposição) e culpa (falta de causa debendi ou de relação 
jurídica a amparar o protesto). 
Verificado, assim, o dever de indenizar, necessário apontar o valor da 
indenização devida, conforme determina o art. 944 do Código Civil. 
Tendo em vista a exposição indevida do Autor, que teve seu nome inscrito 
indevidamente nos cadastros restritivos de crédito, requer que seja o valor do 
dano moral arbitrado no equivalente a R$ 5.000,00 nos termos do art. 944 do 
Código Civil. 
De modo especial, requer o autor a aplicação da delegação do ônus da 
prova ao demandado – quanto a prova da relação jurídica, nos termos do art. 
373, §1º, do Código de Processo Civil, haja vista que o mesmo terá, se existente 
a relação, o instrumento contratual, título de crédito ou outro documento que 
fundamente a emissão do título levado a protesto. 
Requer, assim, seja atribuído ao Requerido o ônus de provar a existência 
da relação jurídica ou causa debendi relativa ao valor do objeto de restrição 
creditícia, conforme art. 373, §1º, do Código de Processo Civil. 
Ao final, pretende, com essa demanda, o reconhecimento da inexistência 
de causa debendi para o débito de restrição creditícia, bem como seja condenado 
o Requerido ao pagamento de dano moral no valor de R$ 5.000,00, na forma 
acima exposta. 
 
3. DA TUTELA DE URGÊNCIA: 
Considerando que o Autor está com restrição indevida junto aos cadastros 
creditícios e considerando a clara demonstração da plausibilidade do direito, bem 
como considerando o prejuízo causado ao Autor, se mostra necessária tutela de 
urgência para estancar os prejuízos. 
Há claro e iminente dano com a manutenção da restrição, pelo que requer 
seja determinada a sua suspensão até a resolução da presente demanda, na 
forma do art. 300 do Código de Processo Civil. 
 
88 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. DOS PEDIDOS: 
Em face do exposto, requer: 
a) O recebimento e distribuição da demanda, manifestando a intenção de não 
realização de audiência de mediação, nos termos do art. 319, VII, do Código de 
Processo Civil. 
b) O deferimento da tutela de urgência de natureza antecipatória para determinar 
a obrigação de fazer, qual seja, a retirada do nome do autor dos órgãos de 
restrição de crédito, na forma do art. 300 do Código de Processos Civil. 
c) A citação do Requerido para audiência de conciliação ou mediação a ser 
designada por Vossa Excelência, manifestando seu interesse pelo cancelamento 
no prazo de 10 dias, na forma do §5º do artigo 334 do Código de Processo Civil; 
d) Caso não cancelada a audiência de conciliação, a intimação do autor por ser 
advogado para comparecer a audiência, na forma do §1º do artigo 334 do Código 
de Processo Civil; 
e) A procedência da demanda para o fim de confirmar a tutela de urgência bem 
como declarar a inexistência do debito de R$ 10.000,00 (dez mil reais), na forma 
do art. 19, I, do CPC e condenar o Requerido à reparação do dano moral no valor 
de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), nos termos do art. 186, 927 e 944 todos do 
Código Civil cumulados com o art. 19, I, do CPC/15. 
f) Protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do CPC; 
g) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e 
honorários advocatícios, na forma do art. 85 do Código de Processo Civil. 
h) Informa o recolhimento das custas de distribuição OU Requer A concessão da 
justiça gratuita, nos termos dos art. 98 e 99 do Código de Processo Civil. 
Valor da causa: R$15.000,00 (art. 292, VI, do CPC) 
Local... Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
89 
 
3. 
4. DIREITO DAS COISAS 
 
2.1 Bem jurídico 
Patrimonial: É tudo que seja útil, raro e apropriável, por isso, possua valor 
econômico. 
Não Patrimonial: São os direitos da personalidade, como honra, liberdade, 
que não possuem valor econômico, mas podem gerar indenização, ou seja, podem 
ser avaliados economicamente. 
 
2.2 Bem imóvel 
Art. 79 CC: “São bens imóveis o solo e tudo o quanto se lhe incorporar natural 
ou artificialmente.” 
Art. 80 e 81, ambos também, do CC também relacionam tipos de bens 
imóveis. 
• Sucessão aberta (incluindo móveis). 
• Edificações deslocadas do solo. 
• Materiais separados do prédio, mas que serão reempregados no mesmo. 
 
a) Espécies de bens imóveis 
Bens imóveis por sua natureza: abrange o solo com sua superfície, os seus 
acessórios e adjacências naturais, compreendendo as árvores e frutos pendentes, o 
espaço aéreo e o subsolo. 
 
 Bens imóveis por acessão física artificial: inclui tudo aquilo que o homem 
incorporar permanentemente ao solo, como a semente lançada à terra, os edifícios e 
construções, de modo que não se possa retirar sem destruição, modificação, fratura 
ou dano. 
 
Bens imóveis por acessão intelectual: são todas as coisas móveis que o 
proprietário do imóvel mantiver, intencionalmente, empregadas em sua exploração 
industrial, aformoseamento ou comodidade. 
0290 
 
 Bens imóveis por determinação legal: são direitos reais sobre imóveis 
(usufruto, uso, habitação, enfiteuse, anticrese, servidão predial), inclusive o penhor 
agrícola e as ações que o asseguram; apólices da dívida pública oneradas com a 
cláusula de inalienabilidade, decorrente de doação ou de testamento; o direito à 
sucessão aberta, ainda que a herança só seja formada de bens móveis. 
 
2.3 Bens móveis 
Para o NCC, (art. 82): são móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, 
ou remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação 
econômico-social. 
Segundo Diniz: são “os que, sem deterioração na substância ou na forma, 
podem ser transportados de um lugar para outro, por força própria ou estranha”. 
Consideram-se, ainda, como bens móveis (art. 83 e 84 do Código Civil): a) as 
energias que tenham valor econômico; b) Os direitos reais sobre objetos móveis e 
ações correspondentes; c) Os direitos pessoais de caráter patrimonial e as 
respectivas ações; d) Materiais destinados à construção antes de seu emprego e 
aquele originário de demolição. 
 
2.4 Classificação bens 
Fungíveis: são aqueles bens que podem ser substituídos por outros da 
mesma espécie, qualidade e quantidade. 
Infungíveis: não admitem substituição. 
Consumíveis: são os bens móveis cujo uso importa na destruição imediata 
da própria substância. 
Inconsumíveis: permanecem após a fruição. 
Divisíveis: são aqueles bens que podem ser fracionados sem alteração na 
sua substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se 
destinam. Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por 
determinação legal ou vontade das partes. 
Singulares: são os bens que, embora reunidos, se consideram de per si, 
independentemente dos demais; 
 
91 
 
Universalidade de fato: a pluralidade de bens singulares, que pertinentes à 
mesma pessoa, tenham destinação unitária; 
Universalidade de direito: é considerado o complexo de relações jurídicas 
de uma pessoa, dotadas de valor econômico. 
Principal: é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; 
Acessório: é aquele cuja existência supõe a do principal; 
Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal, não atingem as 
pertenças, salvo se estipulado por lei, vontade das partes ou das circunstâncias do 
caso. 
Pertenças: são bens acessórios, não ligados ao principal, mas que se 
destinam ao uso, serviço ou aformoseamento do bem principal. Exemplo: trator em 
relação à fazenda; móveis em relação à casa. 
Os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico, apesar de ainda 
não separados do bem principal. 
As benfeitorias podem ser voluptuárias, (mero deleite) úteis (aumentam ou 
facilitam o uso) ou necessárias (conservar o bem ou evitar que se deteriore); 
São públicos: os de propriedade das pessoas jurídicas de direito público; 
 Uso comum do povo (rios, mares estradas..) 
 Uso especial (edifícios... destinados à serviços e estabelecimentos 
públicos); 
 Os dominicais: não estão destinados nem a uma finalidade comum e 
nem a uma especial. 
“Constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como 
objeto de direito pessoal ou real, de cada uma dessas entidades” (art. 99, III do CC) 
– ex.: terras devolutas 
São privados: os de propriedade das pessoas físicas ou jurídicas de direito 
privado. 
Considerações: art. 100,101 e 102. 
Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são 
inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a Lei 
determinar; 
Os bens dominicais podem ser alienados, observadas as exigências legais; 
 
92 
 
O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme 
determinação legal. 
 
2.5 Direitos Reais 
São direitos que afetam a coisa de forma direta e imediata, seja sob alguns 
aspectos, ou mesmo sobre todos os aspectos e a segue em poder de quem quer 
que a detenha. 
É o vínculo jurídico que se cria entre a pessoa titular do direito real e a coisa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.6 Direito Pessoal 
Vínculo jurídico formado entre duas ou mais pessoas. 
Estabelece relação inter pars. 
Decorre de: negócio jurídico, lei ou ato ilícito. 
É o que depende de uma obrigação do devedor. 
É oponível somente contra certas pessoas (sujeito passivo), em razão da 
vontade externada (unilateral e bilateralmente), por ato ilícito (186 e 927 do CC) ou 
por determinação legal (ex. Alimentos). 
 
DIREITOS PESSOAIS (Jus ad rem) DIREITOS REAIS (Jus in re) 
Incidem sobre a pessoa Incidem sobre a coisa 
Ação contra o individuo Ação contra quem detiver a coisa 
Objeto: prestação Objeto: a coisa 
Relativo: inter partes Absoluto: erga omnes 
PRINCIPAIS ATRIBUTOS DOS DIREITOS 
REAIS 
Eficácia Erga Omnes; 
Direito a ação real. 
Direito de sequela. 
 
93 
 
Gozo: exige intermediário Gozo: direto pelo titular 
Transitório Permanente 
Extingue-se pela inércia Conserva-se até situação contrária em 
favor de outrem (sequela, abandono) 
Exemplo: compra de um objeto móvel Exemplo: compra de imóvel 
 
2.7 Características dos direitos reais 
a) Direito de sequela 
É o vínculo de subordinação da coisa e da pessoa. Esse vínculo vem 
alicerçado em dois princípios: 
a) Princípio da aderência: segundo o qual o titular do direito real pode ir 
atrás do bem aonde quer que ele se encontre (princípio positivo); 
b) Princípio da ambulatoriedade: segundo o qual todos os ônus da coisa 
(ex. tributos, despesas condominais) a acompanham (princípio negativo). 
 
b) Privilégio 
O crédito real não se submete à divisão, tendo em vista a existência de ordem 
entre os credores. Aquele que primeiro apresentar o crédito será o credor 
privilegiado. 
 
c) Prescrição aquisitiva 
Somente no direito real a passagem do tempo poderá gerar aquisição de 
direitos. 
 
d) Bem certo, determinado e existente 
Em decorrência do princípio da veracidade registral, o bem deve ter 
características de certo, determinado e existente. 
Ver: ações de retificação imobiliária. 
2.8 Princípios caracterizadores dos direitos reais 
a) da aderência ou especialização: vínculo sujeito/coisa. 
b) do absolutismo: eficácia erga omnes. 
c) da publicidade: transcrição + tradição. 
 
94 
 
d) da taxatividade: elenco de direitos reais limitado e taxativo – numerus 
clausus (direito obrigacional – numerus apertus). 
e) da tipificação: tipos legais. 
f) da perpetuidade: perda apenas por fator externo – mantem-se mesmo 
pelo não uso. 
g) da exclusividade: absorve apenas um direito real . 
h) do desmembramento: direitos reais sobre coisas alheias afastam-se do 
direito matriz. 
 
2.9 Classificação dos direitos reais (1ª classificação) 
a) Direito real sobre coisa própria 
O único direito real sobre coisa própria é a propriedade, que confere o título 
de dono ou domínio. Normalmente, a propriedade é ilimitada ou plena, conferindo 
poderes de uso, gozo, posse, reivindicação e disposição. 
 
b) Direito real sobre coisa alheia 
É o desmembramento do direito real sobre coisa própria. Poderá somente ser 
temporário, visto que, dentro do princípio da elasticidade, a coisa tende a voltar à 
situação original, que é a propriedade plena. Divide-se em três grupos: 
Direito real de fruição: é o desmembramento em relação ao uso da coisa. 
Pode ser enfiteuse, servidão, usufruto, uso e habitação. 
 
c) Direito real de garantia 
É o desmembramento em relação à disposição da coisa (limita o direito de 
dispor da coisa). Se não cumprida a obrigação principal, o credor irá dispor da coisa. 
Pode ser hipoteca, penhor e anticrese. 
 
d) Direito real de aquisição 
É o desmembramento do direito de aquisição. O titular transmite a 
propriedade para terceiros, paulatinamente. Pode ser compromisso irretratável de 
compra e venda, e alienação fiduciária em garantia. 
 
 
95 
 
2.10 Classificação dos direitos reais (2ª classificação) 
a) Direito de posse, uso, gozo e disposição: propriedade. 
b) Exteriorizaçãodo domínio: posse. 
c) Direito de posse, uso, gozo e disposição sujeitos à restrição oriunda 
de direito alheio: enfiteuse. 
d) Direitos reais de garantia: penhor, hipoteca e alienação fiduciária. 
e) Direito real de aquisição: promessa irrevogável de venda. 
f) Direito de usar e gozar do bem sem disposição: usufruto e anticrese. 
g) Direito limitado a certas utilidades do bem: servidão, uso e habitação. 
 
2.11 Posse, propriedade e detenção 
O Poder que o homem exerce sobre a coisa pode derivar de uma: 
SITUAÇÃO JURÍDICA: 
 
1.1 DIREITO REAL SOBRE COISA PRÓPRIA (art. 1228) 
a) Propriedade; b) Domínio 
 
1.2 DIREITO REAL SOBRE COISA ALHEIA (1225) 
a) superfície; b) servidão; c) usufruto; d) uso; e) habitação; f) promitente 
comprador; 
 
1.3 DIREITOS REAIS DE GARANTIA 
a) penhor; b) hipoteca; c) anticrese; d) alienação fiduciária. 
 
2. SITUAÇÃO DE FATO: 
2.1 Posse 
2.2 Detenção 
DISTINÇÃO: PROPRIEDADE X DOMÍNIO 
PROPRIEDADE 
É gênero do qual domínio é espécie. 
É a titularidade tanto de coisas corpóreas como incorpóreas. 
 
 
96 
 
DOMÍNIO 
É espécie do gênero propriedade. 
É a titularidade somente de coisas corpóreas. 
Relação com registro. 
 
DISTINÇÃO: POSSE X DETENÇÃO 
POSSE 
Art.1196 do CC. 
Relação de fato entre o sujeito e a coisa . 
Estado de aparência com efeitos jurídicos. 
Exteriorização do domínio. 
 
DETENÇÃO 
Art. 1198 do CC. 
Relação de fato entre o sujeito e a coisa. 
Estado de aparência sem efeitos jurídicos. 
Conservação da posse em nome de outrem ou em cumprimento de ordens ou 
instruções. Ex. Caseiro. 
 
HIERARQUIA DAS RELAÇÕES JURÍDICAS ENTRE A PESSOA E A 
COISA: 
1 Propriedade ou domínio; 
2 Posse; 
3 Detenção. 
 
2.12 Função social da propriedade 
Segundo Teori Albino Zavascki: (...) por função social da propriedade há de 
se entender o princípio que diz respeito à utilização dos bens, e não à sua 
titularidade jurídica, a significar que sua força normativa ocorre independentemente 
da específica consideração de quem detenha o título jurídico de proprietário.” 
Nesse passo, segundo a Constituição Federal de 1988, temos função social: 
 
97 
 
PROPRIEDADE URBANA: (Art. 182 da CF) – “quando atende às exigências 
fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.” 
PROPRIEDADE RURAL: (art.186 da CF): “quando atende, simultaneamente, 
segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, os seguintes requisitos: 
I – Aproveitamento racional e adequado; 
II – utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do 
meio ambiente; 
III – observância das disposições que regulam as relações de trabalho; 
IV – exploração que favoreça o bem estar dos proprietários e dos trabalhadores. 
 
2.13 Função social da posse 
A lei, em especial o CC, dá especial proteção à posse que se traduz em 
TRABALHO e MORADIA. 
A valorização da posse pelo direito brasileiro provém já do Código Civil de 
1916, através da viabilidade da conquista da propriedade em razão do exercício da 
posse. Ex. Usucapião, art. 1238, parágrafo único, 1239, 1240, 1242, parágrafo 
único. 
Nesse passo, a posse se reverte em instrumento de efetivação da função 
social da propriedade, pois através do aproveitamento de determinado bem, para o 
trabalho, moradia ou exploração comercial, viabiliza a obtenção da propriedade. 
 
2.14 Posse 
Posse: exercício de fato sobre determinado bem; 
Propriedade: situação jurídica envolvendo determinado bem; 
Objetivamente, não se enquadra nem como direito pessoal, nem como direito 
real. 
TEORIA SUBJETIVA – Fréderic Charles Savigny 
Representa o poder exercido sobre a coisa com a intenção de tê-la para si. 
Requer: corpus (detenção física do bem) + animus (vontade de ter a coisa 
como sua). 
TEORIA OBJETIVA – Rudolf Von Jhering 
Posse é exercício de fato dos poderes sobre a coisa. 
 
98 
 
Requer apenas corpus. 
Para Jhering, corpus é o exercício de fato; demanda conduta de dono. 
Adotada largamente pelo direito pátrio. 
Art. 1196 CC: Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o 
exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. 
 
TEORIA TRÍPTICA 
Estabelece a posse como um direito ‘misto’, mescla, de direito real, direito 
obrigacional e fato jurídico. A posse é exercida tanto em razão de direito real, direito 
obrigacional e de fato jurídico: 
 
Posse como direito real 
Uso e gozo por conta do domínio ou titularidade sobre o bem – exercício de 
direito inerente à propriedade – v.g. uso de imóvel próprio – posse direta. 
 
Posse como direito obrigacional 
Posse exercida em razão de vínculo obrigacional, por conta, v.g., de locação 
comodato, alienação fiduciária. 
 
Posse como fato jurídico 
A posse vista como fato natural 
Posse originária – prescrição ad usucapionem 
 
PONTES DE MIRANDA e MOREIRA ALVES: a posse originária não é fato 
jurídico enquanto não questionada como prescrição aquisitiva ou ofensiva à direito 
real (se houver proprietário anterior) 
Teoria tríptica: haverá Jus possessionis desde exercício fático da posse 
Embate entre mero fato x fato jurídico. 
 
TEORIA DAS QUATRO DIMENSÕES JURÍDICAS DA POSSE 
Natureza jurídica da posse envolve direito real, direito obrigacional, fato 
jurídico e direito da administração. 
Direito da administração - posse por: 
 
99 
 
A) ocupação temporária 
B) requisição administrativa 
Trata-se de uma posse provisória (diverge do instituto da desapropriação), 
pois a ocupação e a requisição são meramente temporários (exercício de posse). A 
desapropriação envolve a perda/aquisição da propriedade. 
 
2.15 Espécies de Posse 
Posse direta: fruição direta 
Posse indireta: ficção jurídica que conserva ao proprietário prerrogativas 
especialmente quanto a defesa da posse. 
Posse justa: Posse não maculada por violência, clandestinidade ou 
precariedade. CC: Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, clandestina ou 
precária. 
Posse injusta: Decorre da obtenção da posse em ofensa ao art. 1200 do CC. 
Posse violenta: Posse tomada mediante violência. 
Enquanto houver violência não há posse 
A posse será cessada a violência, injusta perante o proprietário, mas justa em 
face de terceiros. Gera prescrição ad usucapionem. 
Posse clandestina: Aquisição sorrateira da posse. Posse obtida sem 
violência, mas também sem consentimento. Injusta quanto ao proprietário, justa 
quanto a 3º. Gera prescrição ad usucapionem. 
Posse precária: Posse obtida com abuso de confiança. Manutenção de 
posse anteriormente justa. V.g. não devolução de bem em comodato e locação. 
Gera prescrição ad usucapionem. 
Posse de boa –fé: Exercida por quem ignora injustiça da posse. CC: Art. 
1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que 
impede a aquisição da coisa. Gera prescrição ad usucapionem. 
A posse de boa-fé gera direitos de: a) Retenção; b) Indenização de 
benfeitorias úteis e necessárias; c) Levantamento de benfeitorias voluptuárias; d) 
Faz jus aos frutos percebidos. 
Posse de má-fé: Exercida com ciência da injustiça da posse. Gera direito de 
indenização apenas das benfeitorias necessárias. Não gera direito de retenção e o 
 
100 
 
possuidor de má-fé ainda responde pelos frutos colhidos e pelos que deixou de 
colher; nesse caso terá direito apenas às despesas de produção. 
Posse nova: menos 01 ano e dia. 
Posse velha: com 01 ano e dia para mais. 
Ação de força nova: demanda reintegratória ajuizada dentro do período de 
posse nova. 
Ação de força velha: demanda proposta durante posse velha. 
Somente será possível a obtenção da reintegração de posse de forma liminar 
se houver posse nova. Não é obrigatória tal medida, mas, encerrada a posse nova, o 
procedimento de reintegração aguardará sentença. 
Posse ad interdicta: é a que pode ser defendida pelos interditos ou ações 
possessórias, quando molestada (ameaçada, turbada, esbulhada ou perdida), mas 
não conduz ao usucapião; 
Exercida pelos possuidores sem pretensãode aquisição – ex. locatário 
(inclusive contra o proprietário). 
Posse ad ucucapionem: é a que se prolonga por determinado lapso de 
tempo estabelecido na lei, e que, acompanhada de animus domini, exercício 
contínuo, manso e pacífico, com justo título e boa-fé, confere a seu titular a 
aquisição do domínio. 
Posse natural: é a que se constitui pelo exercício de poderes de fato sobre a 
coisa. Ex: A vende sua casa a B, mas continua no imóvel como inquilino; não 
obstante, B fica sendo possuidor da coisa (posse indireta), mesmo jamais tê-la 
ocupado fisicamente. 
Posse civil ou jurídica: é a que assim se considera por força da lei, sem 
necessidade de atos físicos ou materiais; é a que se transmite ou se adquire pelo 
título. 
 
2.16 Aquisição da posse 
CC art. 1.204: “Adquire-se a posse desde o momento em que se torna 
possível o exercício, em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à 
propriedade”. 
 
101 
 
A partir de tal pressuposto, podemos elencar as seguintes formas de 
aquisição da posse: 
 
a) Aquisição originária: 
Conceito: não há relação de causalidade, entre a posse atual e a anterior; é o 
que acontece quando há esbulho, e o vício, posteriormente, convalesce. 
Modos: arts. 1.196, 1.204 e 1.263. 
 
 Art. 1196 Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, 
pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. 
Art. 1.263. Quem se assenhorear de coisa sem dono para logo lhe adquire a 
propriedade, não sendo essa ocupação defesa por lei. 
 
b) Aquisição derivada: 
Conceito: requer existência de posse anterior, ou seja, transmitida ao 
adquirente. Ex: herança ou compra e venda. 
 
MODOS: 
Tradição 
Pressupõe um acordo de vontades, um negócio jurídico de alienação, quer a 
título gratuito, como na doação, quer a título oneroso, como na compra e venda. 
- Real: quando envolve a entrega efetiva e material da coisa. 
- Simbólica: quando representada por ato que traduz a alienação, como a 
entrega das chaves do apartamento vendido. 
- Ficta: no caso do constituo possessório, que ocorre, por ex., quando o 
vendedor, transferindo a outrem o domínio da coisa, conserva-a, todavia em seu 
poder, mas agora na qualidade de locatário. 
Posse por tradição traditio brevi manu: possuidor tem posse do bem alheio 
que passa a ser seu (v.g. locação seguida de compra do imóvel) 
 
Apreensão 
a) Apropriação unilateral de coisa “sem dono” (foi abandonada ou não tem 
proprietário); 
b) Coisa retirada de outrem sem permissão; 
 
102 
 
 
Exercício de direito 
Ex: servidão. Se constituída pela passagem de um aqueduto por terreno 
alheio, p. ex. adquire o agente a sua posse se o dono do prédio serviente 
permanece inerte pelo prazo de um ano e dia. (vide art. 1.379). 
 
Constituto possessório, art. 1.267, parágrafo único 
Noção: No constituto possessório, aquele que detém a posse direta não é 
mais proprietário da coisa, possuindo-a em nome de outrem. 
Subentende-se a tradição quando o transmitente continua a possuir pelo 
constituto possessório; quando cede ao adquirente o direito à restituição da coisa, 
que se encontra em poder de terceiro; ou quando o adquirente já está na posse da 
coisa, por ocasião do negócio jurídico. 
 
Acessão 
Através da qual a posse pode ser continuada pela soma do tempo do atual 
possuidor com o de seus antecessores. 
- Sucessão: O sucessor universal continua de direito a posse do seu 
antecessor. Art. 1.206. A posse transmite-se aos herdeiros ou legatários do 
possuidor com os mesmos caracteres. 
- União: sucessor singular é facultado unir sua posse à do antecessor, para 
os efeitos legais. 
2.17 Capacidade de aquisição da posse 
Tem capacidade para aquisição da posse a própria pessoa que a pretende, 
desde que capaz. Poderá ainda ser exercida: 
- não sendo capaz, poderá adquiri-la se estiver representada ou assistida por 
seu representante; 
- por meio de procurador ou mandatário, munido de poderes específicos; 
- por terceiro, mesmo sem mandato, dependendo de ratificação; 
- pelo "constituto possessório". 
 
 
103 
 
2.18 Objetos da posse 
Podemos considerar como objetos da posse: 
Bens corpóreos: salvo as que estiverem fora do comércio, ainda que 
gravadas com cláusula de inalienabilidade; 
Coisas acessórias: se puderem ser destacadas da principal sem alteração 
de sua substância; 
Coisas coletivas; 
Direitos reais de fruição: uso, usufruto, habitação e servidão (há dúvida 
quanto à enfiteuse); 
Direitos reais de garantia; 
Direitos pessoais patrimoniais ou de crédito. 
 
2.19 Exclusões da posse 
Não será considerado posse: 
A) Detenção – ex. caseiro 
B) os atos de mera permissão ou tolerância (art. 1.208). Ex: permissão 
para passar pelo jardim do vizinho; 
Também não há posse de bens públicos (CF - proíbe o usucapião especial), o uso 
do bem pelo particular não passa de mera detenção consentida. 
 
2.20 Exclusões da posse 
Segundo o doutrinador Orlando Gomes, a posse gera, através de seu 
exercício, 07 efeitos pontuais: 
1. Direito ao uso dos interditos (ou ações) possessórias: este é o principal 
efeito da posse. 
2. Direito à percepção dos frutos; 
3. Direito a indenização por benfeitorias, variando se de boa ou má-fé; 
4. Direito de retenção pela indenização de benfeitorias úteis e necessárias; 
5. "jus tollendi" (direito de retirar) em relação às benfeitorias voluptuárias; 
6. Direito de usucapir; 
7. Direito a indenização pelo esbulho ou turbação. 
 
 
104 
 
Ainda há o efeito da responsabilidade pela deterioração e perda da coisa, cuja 
inclusão no rol de efeitos parte de Maria Helena Diniz. 
 
2.21 Exercício da posse 
O exercício individual da posse é aquele desempenhado pelo possuidor 
exclusivo da coisa, ou seja, há apenas um possuidor e a posse é exercida por este. 
Há, porém, situações em que dois ou mais possuidores se veem na condição 
de ‘compartir’ os direitos e deveres inerentes à posse, alcançando a denominada 
Composse. 
Composse: situação pela qual duas ou mais pessoas exercem, 
simultaneamente, poderes possessórios sobre a mesma coisa. 
Art. 1.199. Ex: adquirentes de coisa comum, marido e mulher em regime de 
comunhão de bens ou coerdeiros antes da partilha. 
Qualquer dos possuidores pode valer-se dos interditos possessórios ou da 
legítima defesa. Diverge da concorrência de posses (posses de naturezas distintas, 
ex. posse direta e indireta sobre um mesmo bem). 
Composse pro-diviso: há uma divisão de fato para a utilização pacífica do 
direito de cada um. Havendo situação consolidada, proteção da posse se dá em 
relação à cada parte de cada composse. Em áreas comuns, proteção da posse 
pertence à todos os co-possuidores. 
Composse pro-indiviso: todos exercem o direito de possuidor ao mesmo 
tempo sobre a totalidade da coisa, haja vista a falta de divisão fática. Cite-se como 
exemplo a posse desempenhada por vários herdeiros de um imóvel que, sem 
divisões, está sob arrendamento para um terceiro: todos tem direito de proteger e 
velar pela posse e propriedade. 
 
2.22 Perda da posse: art. 1.223 e 1.224 do Código Civil 
Trata-se da perda da posse da coisa pelo possuidor. Os arts. 1223 e 1224 
estabelecem as formas de tal perda: 
1. Abandono do bem 
2. Tradição (negócio jurídico) 
3. Perda da própria coisa 
 
105 
 
4. Destruição da coisa 
5. Inalienabilidade 
6. Posse de outrem 
7. Constituto possessório 
8. Perda da posse de direitos: 
(i) Pelo seu desuso 
(ii) Pela impossibilidade de seu exercício 
9. Perda da posse para ausentes (após alcançando os períodos determinados 
pelo CC). Porém, quando cessada a ausência, a perda é repelida. 
 
QUESTÃO PRÁTICA – XXIII EXAME OAB 
Dalva, viúva, capaz e sem filhos, decide vender para sua amiga Lorena um apartamento de 
350 m2 que tinha com o marido em área urbana, o qual não visitava havia cerca de sete anos. Após a 
celebração do negócio, Lorena, a nova proprietária, é surpreendida com a presença de Roberto, um 
estranho, morandono imóvel. Este, por sua vez, explica para Lorena que “já se considera proprietário 
da casa” pela usucapião, pois, “conforme estudou”, apesar de morar ali apenas há 6 meses, “seus 
falecidos pais já moravam no local há mais de 5 anos”, o que seria suficiente, desde que a antiga 
proprietária “havia abandonado o imóvel”. Lorena, por sua vez, foi aconselhada por um vizinho a 
ajuizar uma ação pleiteando a sua imissão na posse para retirar Roberto da sua casa. Diante do 
exposto, responda aos itens a seguir. 
 
A) Roberto tem razão ao alegar que já usucapiu o imóvel? (Valor: 0.50) 
Resposta: Roberto não tem razão ao alegar que já usucapiu o imóvel, pois o prazo de 05 anos só 
seria suficiente se a área usucapida tivesse, no máximo, 250 m² e se ele tivesse morado no local 
durante todo o período aquisitivo, na forma dos artigos 183 da Constituição Federal e do art. 1.240 do 
Código Civil. 
 
B) Está correta a sugestão feita pelo vizinho de Lorena? Por quê? Qual a ação judicial mais 
recomendável na hipótese? (Valor: 0.75) 
Resposta: Não, pois, considerando que Roberto não tem qualquer vínculo jurídico com Dalva, a 
imissão na posse é medida incabível. A medida recomendável é a ação pelo procedimento comum 
com pedido reivindicatório, na forma dos art. 318 do Código de Processo Civil e art. 1.228 do Código 
Civil. 
 
 
 
 
106 
 
 
5. AÇÕES DE PROTEÇÃO POSSESSÓRIA 
 
3.1 Ação de manutenção de posse 
A ação de manutenção de posse tem por objeto manter o possuidor na posse 
quando em caso de turbação de sua posse. A fundamentação da ação está calcada 
na existência de turbação, conforme estabelecem os arts. 560 e ss do CPC, já 
citados anteriormente: 
 
Art. 560. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de 
turbação e reintegrado em caso de esbulho. 
Art. 561. Incumbe ao autor provar: 
I - a sua posse; 
II - a turbação ou o esbulho praticado pelo réu; 
III - a data da turbação ou do esbulho; 
IV - a continuação da posse, embora turbada, na ação de manutenção, ou a 
perda da posse, na ação de reintegração. 
 
Além dos requisitos do art. 319 do CPC, é necessário apontar, no caso da 
manutenção de posse, a existência de turbação, conforme art. 561 do CPC. 
Lembre-se que a turbação é a ação iminente de tentativa de tomada da posse 
do autor, porém ainda não ocorrida (se ocorrer, será esbulho). 
Ainda, lembre-se que a proteção, aqui, é da posse e não da propriedade do 
bem. 
 
CONSTRUÇÃO DA PEÇA PRÁTICA – AÇÃO DE MANUTENÇÃO DE POSSE 
 
CASO BASE: TÍCIO é comodatário de um imóvel pertencente à CAIO, e cujo 
contrato de comodato, que lhe apresenta, alcança um período total de 20 meses. 
Ocorre que, passados apenas 5 meses, CAIO passou a importunar diariamente 
TÍCIO para que este desocupe o imóvel. Ocorre que, em determinado dia, CAIO 
literalmente ‘acampa’ na porta do imóvel, tentando retomar à força a posse do bem. 
Considerando o caso, qual medida judicial seria cabível para proteção da posse de 
CAIO? Elabore a peça indicada. 
 
 
03 
 
107 
 
MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL 
DA COMARCA... 
 
TÍCIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., por intermédio de seu procurador constituído (procuração em anexo), 
OAB..., endereço eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., 
Cidade..., Estado..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de 
Processo Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a 
presente 
 
AÇÃO DE MANUTENÇÃO DE POSSE, com base no art. 560 do Código de 
Processo Civil e art. 1.210 do Código Civil, cumulada com PEDIDO LIMINAR, na 
forma do art. 562 do Código de Processo Civil, em face de 
 
CAIO ..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., nos termos que seguem: 
 
1. DOS FATOS: 
Narrar o que ocorreu no mundo dos fatos que ensejou a propositura da 
ação, conforme problema fornecido pela FGV. Fazer complemento acerca da 
inexistência da relação jurídica entre as partes. 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Expor como fundamentos: a relação jurídica envolvendo as partes; a 
configuração da situação de turbação, conforme art. 561 do Código de Processo 
Civil; fazer a indicação dos elementos de prova necessários a deferimento da 
liminar – art. 562 do Código de Processo Civil. 
 
 
108 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. DOS PEDIDOS: 
Em face do exposto, requer: 
a) O recebimento e distribuição da demanda, deferindo-se a manutenção da 
posse liminar nos termos do art. 560 e 562 do Código de Processo Civil, com a 
consequente expedição do respectivo mandado; 
 
b) Caso o juízo entenda insuficientes as provas para deferimento da liminar, 
requer, então, a designação de audiência de justificação nos termos do art. 562 
do Código de Processo Civil; 
 
c) Seja cominada multa ao Réu, nos termos do art. 555, parágrafo único, I, do 
Código de Processo Civil em valor fixado por Vossa Excelência, na hipótese de 
nova turbação; 
 
d) A citação do demandado para contestar a presente e comparecer a eventual 
audiência de justificação nos termos do art. 564 do Código de Processo Civil, sob 
pena de confissão e revelia; 
 
e) A tramitação preferencial do presente feito, tendo em vista o art... (verificar art. 
1.048 do Código de Processo Civil e legislação especial eventualmente cabível 
ao caso, ex: estatuto do idoso); 
 
f) A intervenção do Ministério Público (verificar se é caso de pedir, em uma das 
situações do artigo 178 e 565, §2º do Código de Processo Civil); 
 
g) protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do Código de Processo Civil; 
 
109 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
h) A procedência da demanda para o fim de confirmar a liminar, reintegrando o 
Autor em definitivo na posse do imóvel, nos termos do art. 487, I, do Código de 
Processo Civil. 
 
i) A condenação do requerido ao pagamento das custas processuais e honorários 
advocatícios na forma do art. 85 do CPC/15; 
 
j) O benefício da gratuidade da justiça, por ser o Autor pessoa pobre nos termos 
da lei, consoante previsão dos artigos 98 e 99 do Código de Processo Civil ou o 
recolhimento das custas iniciais, consoante previsão do art. 82 do Código de 
Processo Civil (conforme previsão do enunciado). 
 
Valor da causa R$... (art. 291 e 292 doo Código de Processo Civil) 
 
Termos em que, 
Pede e espera deferimento. 
Local... Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
110 
 
MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL 
DA COMARCA... 
 
TÍCIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., por intermédio de seu procurador constituído (procuraçãoem anexo), 
OAB..., endereço eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., 
Cidade..., Estado..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de 
Processo Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a 
presente 
 
AÇÃO DE MANUTENÇÃO DE POSSE, com base no art. 560 do Código de 
Processo Civil e art. 1.210 do Código Civil, cumulada com PEDIDO LIMINAR, na 
forma do art. 562 do Código de Processo Civil, em face de 
 
CAIO ..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., nos termos que seguem: 
 
1. DOS FATOS: 
O Autor Tício é comodatário de um imóvel pertencente ao Requerido Caio, 
através de contrato que segue em anexo, com prazo total de 20 meses de 
comodato. 
Ocorre que, passados 05 meses do inicio da vigência, o Requerido Caio 
passou a perturbar diariamente o Autor com o objetivo de retomar a posse do 
bem dado em comodato. No entanto, o Requerido, agora, acampou na porta do 
imóvel pretendendo a invasão à qualquer custo do bem. 
 
 
111 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Apesar de conversa mantida com o Requerido, o mesmo mantém a 
pretensão de invasão do imóvel, que só não ocorreu ainda em razão de 
proteção realizada pelo próprio Autor. Como, contudo, a intenção e tentativa de 
invenção permanecem, trata-se, no caso, de turbação à posse do Autor. 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
As partes mantêm contrato de comodato que assegura a posse do imóvel 
ao comodatário pelo período estabelecido no referido instrumento. 
Nos termos do art. 561 do Código de Processo Civil, relativamente aos 
requisitos para propositura da presenta demanda, temos a prova da posse a 
partir do próprio contrato de comodato. 
Quanto à turbação, a mesma resta comprovada pela ação do Requerido 
em tentar invadir o imóvel. 
A turbação, relativamente ao seu tempo, está ocorrendo neste momento, 
através da permanência do Requerido em frente ao imóvel, com investidas 
permanentes para ingresso/invasão do bem. Ou seja, a turbação está ocorrendo 
neste momento! 
Apesar das investidas, a posse permanece com o Autor, mas necessita, 
contudo, ação do judiciário para coibir as tentativas de invasão e tomada 
indevida da posse do Autor. 
 
3. DA LIMINAR: 
Nos termos do art. 562 do Código de Processo Civil, é possível a 
concessão de medida liminar para a manutenção da posse em favor do Autor. 
No caso, verificasse o cumprimento dos requisitos conforme exposto 
acima, que estão lastreados pelas provas anexas. 
Diante disso, pugna ao juízo a concessão de medida liminar para o fim de 
manter o Autor na posse do bem, assim como determinar ao Requerido o seu 
afastamento do imóvel objeto da discussão, nos termos do art. 555, parágrafo 
único, I do Código de Processo Civil, fixando-se multa diária em caso de 
inadimplemento da ordem judicial. 
 
 
112 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. DOS PEDIDOS: 
Em face do exposto, requer: 
a) O recebimento e distribuição da demanda, deferindo-se a manutenção de 
posse liminar, nos termos do art. 560 e 562 do Código de Processo Civil, bem 
como a determinação ao Requerido que se abstenha a qualquer outro ato de 
turbação, na forma do art. 555, parágrafo único, I, do Código de Processo Civil, 
sob pena de multa a ser fixada pelo juiz, com a consequente expedição do 
respectivo mandado; 
 
b) Caso o juízo entenda insuficientes as provas para deferimento da liminar, 
requer, então, a designação de audiência de justificação nos termos do art. 562 
do Código de Processo Civil. 
 
c) A citação do demandado para contestar a presente e comparecer a eventual 
audiência de justificação nos termos do art. 564 do Código de Processo Civil, sob 
pena de confissão e revelia; 
 
d) Seja cominada multa ao Réu, nos termos do art. 555, parágrafo único, I, do 
Código de Processo Civil em valor fixado por Vossa Excelência, na hipótese de 
nova turbação; 
 
e) protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do CPC (ver se enunciado informa rol de testemunhas); 
 
f) A procedência da demanda para o fim de confirmar a liminar, mantendo-se o 
Autor em definitivo na posse do imóvel, nos termos do art. 487, I, do Código de 
Processo Civil. 
 
113 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
g) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e 
honorários advocatícios, na forma do art. 85 do CPC/15; 
 
h) O benefício da gratuidade da justiça, por ser o Autor pessoa pobre nos termos 
da lei, consoante previsão dos artigos 98 e 99 do Código de Processo Civil. 
 
Valor da causa R$... (art. 291 e 292 do Código de Processo Civil) 
 
Local... Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
114 
 
3.2 Ação de reintegração de posse 
A ação de reintegração de posse tem por objeto o retorno do autor à posse 
que antes detinha, conforme dito alhures. 
A fundamentação da ação está calcada na existência de esbulho possessório, 
conforme estabelecem os arts. 560 e ss. do CPC: 
 
Art. 560. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de 
turbação e reintegrado em caso de esbulho. 
Art. 561. Incumbe ao autor provar: 
I - a sua posse; 
II - a turbação ou o esbulho praticado pelo réu; 
III - a data da turbação ou do esbulho; 
IV - a continuação da posse, embora turbada, na ação de manutenção, ou a 
perda da posse, na ação de reintegração. 
Art. 562. Estando a petição inicial devidamente instruída, o juiz deferirá, 
sem ouvir o réu, a expedição do mandado liminar de manutenção ou de 
reintegração, caso contrário, determinará que o autor justifique previamente 
o alegado, citando-se o réu para comparecer à audiência que for designada. 
Parágrafo único. Contra as pessoas jurídicas de direito público não será 
deferida a manutenção ou a reintegração liminar sem prévia audiência dos 
respectivos representantes judiciais. 
Art. 563. Considerada suficiente a justificação, o juiz fará logo expedir 
mandado de manutenção ou de reintegração. 
Art. 564. Concedido ou não o mandado liminar de manutenção ou de 
reintegração, o autor promoverá, nos 5 (cinco) dias subsequentes, a citação 
do réu para, querendo, contestar a ação no prazo de 15 (quinze) dias. 
Parágrafo único. Quando for ordenada a justificação prévia, o prazo para 
contestar será contado da intimação da decisão que deferir ou não a 
medida liminar. 
 
Além dos requisitos do art. 319 do CPC, é necessário apontar, no caso da 
reintegração de posse, a existência de esbulho possessório, conforme art. 561 do 
CPC. Lembre-se que o esbulho possessório é a retirada do possuidor da posse do 
bem. Ainda, lembre-se que a proteção, aqui, é da posse e não da propriedade do 
bem. 
ATENÇÃO: É possível a cumulação da ação possessória à pretensão de 
reparação de danos e de medidas preventivas à novas ações de turbação ou 
esbulho, conforme art. 555 do CPC: 
Art. 555. É lícito ao autor cumular ao pedido possessório o de: 
I - condenação em perdas e danos; 
II - indenização dos frutos. 
Parágrafo único. Pode o autor requerer, ainda, imposição de medida 
necessária e adequada para: 
I - evitar nova turbação ou esbulho; 
II - cumprir-se a tutela provisória ou final. 
 
 
115 
 
CONSTRUÇÃO DA PEÇA PRÁTICA - AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
XXVI EXAME DE ORDEM 
Aline é proprietáriade uma pequena casa situada na cidade de São Paulo, residindo no 
imóvel há cerca de 5 anos, em terreno constituído pela acessão e por um pequeno pomar. Pouco 
antes de iniciar obras no imóvel, Aline precisou fazer uma viagem de emergência para o interior de 
Minas Gerais, a fim de auxiliar sua mãe que se encontrava gravemente doente, com previsão de 
retornar dois meses depois a São Paulo. Aline comentou a viagem com vários vizinhos, dentre os 
quais, João Paulo, Nice, Marcos e Alexandre, pedindo que “olhassem” o imóvel no período. 
Ao retornar da viagem, Aline encontrou o imóvel ocupado por João Paulo e Nice, que nele 
ingressaram para fixar moradia, acreditando que Aline não retornaria a São Paulo. No período, 
João Paulo e Nice danificaram o telhado da casa ao instalar uma antena “pirata” de televisão a 
cabo, o que, devido às fortes chuvas que caíram sobre a cidade, provocou graves infiltrações no 
imóvel, gerando um dano estimado em R$ 6.000,00 (seis mil reais). Além disso, os ocupantes vêm 
colhendo e vendendo boa parte da produção de laranjas do pomar, causando um prejuízo 
estimado em R$ 19.000,00 (dezenove mil reais) até a data em que Aline, 15 dias após tomar 
ciência do ocorrido, procura você, como advogado. 
Na qualidade de advogado(a) de Aline, elabore a peça processual cabível voltada a 
permitir a retomada do imóvel e a composição dos danos sofridos no bem. (Valor: 5,00) 
Gabarito comentado: 
A peça processual cabível na espécie é uma Petição Inicial. Considerando que ocorreu 
esbulho possessório, na forma do Art. 1.210 do CC, deve ser proposta Ação de Reintegração de 
Posse. Como o esbulho ocorreu há menos de ano e dia da propositura da demanda (Art. 558 do 
CPC), pois Aline tomou conhecimento do esbulho dentro deste prazo, deve ser requerida a 
adoção do procedimento previsto no Art. 560 e seguintes do CPC. A peça deve ser endereçada a 
um dos juízos cíveis da Comarca de São Paulo, considerando a competência absoluta do foro de 
situação do imóvel para a ação possessória imobiliária (Art. 47, § 2º, do CPC). 
No mérito, deve ser afirmada a existência de esbulho possessório, bem como a 
caracterização da posse de João Paulo e Nice como posse de má-fé, nos termos do Art. 1.201 do 
CC, considerando sua clandestinidade. Também deve ser demonstrada a extensão dos danos 
sofridos no imóvel. 
Deve ser formulado requerimento de concessão de liminar em ação possessória, na forma 
do Art. 562 do CPC, eis que preenchidos os requisitos do Art. 561 do CPC. 
Deve ser requerida, além da reintegração de posse, a condenação dos réus ao 
pagamento de indenização por perdas e danos e pelos frutos colhidos, na forma do Art. 1.216 e do 
Art. 1.218, ambos do CC, considerando a caracterização da posse como posse de má-fé. Tal 
cumulação objetiva é possível com fulcro no Art. 555, caput, incisos I e II, do CPC/15. 
Quanto às provas, deve ser requerida a produção de prova testemunhal, a fim de 
demonstrar a clandestinidade da posse. Da mesma forma, deve ser requerida a produção de 
prova pericial, para comprovação da ocorrência dos danos sofridos no imóvel, e em razão da 
coleta e alienação dos frutos naturais do imóvel. 
O valor da causa deve corresponder a R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais), nos termos 
do Art. 292, inciso VI, do CPC. Por fim, o fechamento, com a indicação de local, data, assinatura 
e inscrição OAB. 
 
 
116 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS 
ITEM PONTUAÇÃO 
Endereçamento 
1. A petição deve ser endereçada a um dos juízos cíveis da Comarca de São Paulo (0,10). 0,00/0,10 
Nome e qualificação das partes: autora Aline (0,10); réus João Paulo e Nice (0,10) 0,00/0,10/0,20 
Cabimento da ação possessória 
2. Indicar que é uma ação de reintegração de posse (0,30), com base no Art. 560 do CPC 
OU no Art. 1210 do CC (0,10). 0,00/0,30/0,40 
3. Adoção do procedimento especial para a tutela da posse, pois o esbulho ocorreu há 
menos de ano e dia (0,30), segundo o artigo 558 do CPC (0,10), 0,00/0,30/0,40 
Fundamentação Jurídica/Legal 
4. Afirmação de esbulho possessório OU perda da posse OU que Aline era possuidora do 
bem anteriormente (0,40), cumprindo-se o disposto no Art. 561 do CPC (0,10). 0,00/0,40/0,50 
5. Direito à reintegração na posse (0,20) em razão da posse de má-fé dos réus (0,40), nos 
termos do Art. 1.201 do CC (0,10) OU injusta (0,40), nos termos do Art. 1200 do CC (0,10). 
0,00/0,20/0,40/0,50/ 
0,60/0,70 
6. Direito à indenização pela ocorrência dos danos ao imóvel e sua indicação (0,30), na 
forma do Art. 1.218 do CC (0,10) 0,00/0,30/0,40 
7. Direito à indenização pela perda dos frutos (0,30), por força do Art. 1.216 do CC (0,10). 0,00/0,30/0,40 
8. Direito à reintegração provisória liminar na posse (0,40), com base no Art. 562 do CPC 
(0,10). 0,00/0,40/0,50 
Formular corretamente os pedidos: 
9. Pedido de concessão de liminar em ação possessória, determinando a reintegração 
provisória de Aline na posse do imóvel (0,30). 
 
0,00/0,30 
10. Pedido de produção de prova testemunhal (0,10). 0,00/0,10 
11. Pedido de produção de prova pericial (0,10). 0,00/0,10 
12. Pedido de reintegração definitiva na posse do imóvel (0,30). 0,00/0,30 
13. Pedido de condenação dos réus ao pagamento de indenização de R$ 6.000,00 em 
razão dos danos materiais ocasionados ao telhado do imóvel (0,20). 
 
0,00/0,20 
14. Pedido de condenação dos réus ao pagamento de indenização de R$19.000,00, pelos 
frutos colhidos e percebidos (0,20). 
 
0,00/0,20 
15. Dar à causa o valor de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) (0,10). 0,00/0,10 
Fechamento 
16. Local, data, assinatura e OAB (0,10) 0,00/0,10 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
117 
 
MODELO EXEMPLIFICATIVO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DOUTO JUÍZO DA ... VARA CÍVEL DA COMARCA DE SÃO PAULO 
 
ALINE..., nacionalidade..., estado civil..., profissão..., portadora da cédula de identidade 
nº..., inscrita no CPF sob nº..., com endereço eletrônico..., residente e domiciliada na Rua..., nº..., 
Bairro..., Cidade de São Paulo, Estado..., CEP..., por intermédio de seu procurador constituído 
(procuração em anexo), OAB..., endereço eletrônico..., com escritório profissional na Rua..., nº..., 
Bairro...., Cidade..., Estado..., CEP..., onde recebe intimações, vem à presença de Vossa 
Excelência, com fundamento no art. 560 do Código de Processo Civil e art. 1.210 do Código Civil, 
propor pelo procedimento especial, a presente 
 
AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE COM PEDIDO LIMINAR, em face de 
 
JOÃO PAULO..., nacionalidade..., estado civil..., profissão..., portador da cédula de 
identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço eletrônico..., residente e domiciliado na 
Rua..., nº..., Bairro..., Cidade de São Paulo, Estado..., CEP..., e 
NICE... nacionalidade..., estado civil..., profissão..., portadora da cédula de identidade 
nº..., inscrita no CPF sob nº..., com endereço eletrônico..., residente e domiciliada na Rua..., nº..., 
Bairro..., Cidade de São Paulo, Estado..., CEP..., pelas razões de fato e de direito a seguir 
expostas: 
 
1. DOS FATOS 
A autora é proprietária de uma pequena casa situada na cidade de São Paulo, local onde 
reside há cerca de 05 anos em um terreno constituído por acessão e por um pequeno pomar. 
Pouco antes de iniciar obras no imóvel, a Autora precisou fazer uma viagem de emergência com 
previsão de duração de dois meses para o interior de Minas Gerais, a fim de auxiliar sua mãe que 
se encontrava gravemente doente. 
A viagem foi comunicada a vários vizinhos da Autora, dentre os quais os Réus e, também, 
Marcos e Alexandre, solicitando que olhassem o imóvel durante o período da viagem. Contudo, 
ao retornar de viagem, a Autora encontrou o imóvel ocupado pelos Réus João Paulo e Nice, que 
nele ingressaram para fixar moradia acreditando que a Autora não retornaria a São Paulo. 
Ocorre, Excelência, que a permanência dos Réus na residência da Autora causaram 
prejuízos no montante de R$ 25.000,00 (vinte e cincomil reais), advindos do fato de os Réus 
terem danificado o telhado da casa da Autora ao instalarem uma antena “pirata” de televisão, o 
que, devido às fortes chuvas que caíram sobre a cidade, provocou graves infiltrações no imóvel, 
gerando um dano no valor de R$ 6.000,00 (seis mil reais) e, ainda, os Réus vêm colhendo e 
vendendo boa parte da produção de laranjas do pomar, causando um prejuízo estimado em 
 
 
118 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 R$ 19.000,00 (dezenove mil reais). Diante de tudo o que foi exposto, a Autora deve ser 
reintegrada na posse do imóvel e indenizada pelos prejuízos sofridos, conforme exposto a seguir. 
 
2. CABIMENTO DA AÇÃO POSSESSÓRIA 
A ação de reintegração de posse é cabível quando ocorrido o esbulho possessório, neste 
caso, evidenciado pela perda da posse do imóvel da Autora diante da ocupação de seus vizinhos 
enquanto a Autora realizava uma viagem de emergência para auxiliar sua mãe que padece de 
uma doença grave. 
O art. 1.210 do Código Civil prevê que o possuidor tem direito de ser restituído em posse 
em caso de esbulho e, por sua vez, o art. 560 do Código de Processo Civil prevê que o possuidor 
tem direito de ser reintegrado na posse em caso de esbulho. Portanto, adequada a propositura da 
presente demanda. 
 
3. DA ADOÇÃO DO PROCEDIMENTO ESPECIAL 
Conforme se verifica dos fatos, a perda da posse ocorreu há no máximo 2 meses, período 
em que a Autora esteve em viagem, tendo o esbulho ocorrido nesse prazo, estando caracterizada, 
desta forma, a ação por força nova. 
Assim sendo, tendo em vista que a presente demanda foi proposta dentro de ano e dia da 
data do esbulho, pois Aline tomou conhecimento do esbulho dentro deste prazo, requer a adoção 
do procedimento especial previsto nos art. 554 a 566 do Código de Processo Civil, consoante 
previsão do art. 558 do Código de Processo Civil. 
 
4. FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA 
4.1 COMPROVAÇÃO DA POSSE E DO ESBULHO POSSESSÓRIO 
Conforme narrado anteriormente, a Autora é proprietária de um imóvel onde reside há 
cerca de cinco anos. Devido ao estado de saúde de sua genitora, precisou realizar uma viagem 
de emergência com duração prevista de dois meses para o estado de Minas Gerais, comunicando 
o fato aos seus vizinhos e requerendo, inclusive, que esses olhassem o imóvel durante o período 
da viagem. 
Contudo, ao retornar de sua viagem, a Autora deparou-se com seu imóvel ocupado pelos 
vizinhos João Paulo e Nice, ora Réus, que acreditando que a Autora não retornaria de sua 
viagem, resolveram ocupar indevidamente o imóvel com intuito de fixar moradia. 
Destaca-se que a ocupação do imóvel pelos Réus foi totalmente de má-fé visto que tinham ciência 
da viagem emergencial da Autora e da data de seu retorno, de modo que ocuparam o imóvel de 
forma injusta, caracterizado pela clandestinidade, na forma dos art. 1.200 e 1.201 do Código Civil. 
A Clandestinidade justamente ocorreu pelo fato dos Réus ingressarem de forma 
escondida no imóvel, sem autorização da Autora. 
 
119 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Assim, resta demonstrado os requisitos previstos no art. 561 do Código de Processo Civil, 
quais sejam: a) a posse da autora; b) o esbulho praticado pelo réu; c) a data do esbulho; d) perda 
da posse da autora. 
 
4.2 DO DIREITO À REINTEGRAÇÃO DA POSSE: 
Deste modo, comprovado a posse anterior da Autora bem como o esbulho possessório, 
requer a reintegração da autora na posse do imóvel. Isso, porque, o artigo 1.210 do Código Civil 
estabelece que é direito do possuidor a reintegração de posse quando houver esbulho 
caracterizado pela posse injusta ou de má-fé como se deu no caso dos Réus, consoante previsto 
nos artigos 1.200 e 1.201 do Código Civil, uma vez que obtida mediante clandestinidade. 
 
4.3 DO DIREITO A INDENIZAÇÃO PELOS DANOS AO IMÓVEL 
Além de ser reintegrada, a Autora faz jus à indenização pelos danos que os Réus 
causaram no imóvel. Isso, porque, no período em que os Réus permaneceram no imóvel fizeram 
a instalação de uma antena “pirata” de televisão a cabo, o que, devido às fortes chuvas que 
caíram sobre a cidade, provocou infiltrações no imóvel, gerando um dano à Autora no valor de R$ 
6.000,00 (seis mil reais). 
Tendo em vista a posse de má-fé dos ocupantes, esses devem responder pela 
deterioração do imóvel, ainda que acidentais, na forma do art. 1.218 do Código Civil. 
 
4.4 DO DIREITO À INDENIZAÇÃO PELA PERDA DOS FRUTOS: 
A Autora faz jus também à indenização pela perda dos frutos. Ou seja, os Réus vêm 
colhendo e vendendo boa parte da produção de laranjas do pomar, causando um prejuízo 
estimado em R$ 19.000,00 (dezenove) mil reais. 
Assim sendo, conforme preconiza o artigo 1.216 do Código Civil, a Autora faz jus à 
indenização pelos frutos colhidos pelos Réus, visto que o possuidor de má-fé responde por todos 
os frutos colhidos e percebidos. 
Diante disso, requer a condenação dos demandados ao pagamento do total de 
R$25.000,00 (vinte e cinco mil reais) a título de indenização pelos danos causados. Verifica-se 
que a cumulação da reintegração de posse com indenização pelos danos e pelos frutos é 
cumulativa, consoante previsão do artigo 555, incisos I e II do Código de Processo Civil. 
 
4.5 DA LIMINAR DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE 
Com a comprovação da posse anterior da Autora e do esbulho possessório ocorrido a 
menos de ano e dia, bem como a perda da posse da Autora pela clandestinidade, requer-se a 
concessão da liminar de reintegração de posse provisória sem oitiva dos Réus a fim de possibilitar 
que a Autora seja reintegrada na posse do imóvel, na forma do art. 562 do Código de Processo 
Civil, eis que o esbulho se deu menos de ano e dia da propositura da presente ação. 
 
 
 
120 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5. DOS PEDIDOS: Diante do exposto, requer a Autora: 
a) O recebimento da presente demanda; 
 
b) A concessão de liminar em ação possessória, na forma do art. 562 do CPC, determinando a 
reintegração provisória da autora na posse do imóvel, eis que o esbulho se deu menos de ano e 
dia; 
 
c) A total procedência da ação, com a reintegração definitiva da Autora na posse do imóvel, 
confirmando-se a liminar concedida, na forma do art. 562 do CPC; 
 
d) A total procedência da ação para condenar ainda os Réus ao pagamento de indenização no 
valor de R$ 6.000,00 em razão dos danos materiais cumulado com a condenação na indenização 
no valor de R$ 19.000,00 pelos frutos colhidos e percebidos (ambos na forma do art. 555, I e II do 
CPC); 
 
e) A produção de todos os meios de prova em direito admitidas, em especial a prova testemunhal 
e pericial, na forma do art. 319, VI, do CPC; 
 
e) Requer a concessão do benefício da justiça gratuita a autora, na forma do art. 98 e 99 do 
Código de Processo Civil; 
 
f) Condenação dos Requeridos nas custas processuais e honorários advocatícios, consoante 
previsão do art. 85 do Código de Processo Civil. 
 
Valor da causa: R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais). 
 
Termos em que, 
Pede e espera deferimento. 
 
Local..., Data... 
Advogado...OAB... 
 
121 
 
3.3 Ação de interdito proibitório 
A ação de interdito proibitório tem natureza preventiva, quando há indicativos 
de que o possuidor direto ou indireto (autor) será molestado em sua posse. 
Podemos dizer que se aplica quando há risco de ações futuras do requerido em 
esbulhar ou turbar a posse do autor. 
A fundamentação da ação está calcada na existência de receio de moléstia à 
posse do autor, conforme estabelecem os arts. 567, bem como art. 560 e ss. do 
CPC: 
Art. 567. O possuidor direto ou indireto que tenha justo receio de ser 
molestado na posse poderá requerer ao juiz que o segure da turbação ou 
esbulho iminente, mediante mandado proibitório em que se comine ao réudeterminada pena pecuniária caso transgrida o preceito. 
Art. 568. Aplica-se ao interdito proibitório o disposto na Seção II deste 
Capítulo. 
 
Além dos requisitos do art. 319 do CPC, é necessário apontar, no caso do 
interdito proibitório, a existência de justo receio de ser o autor molestado na posse, 
conforme art. 567 do CPC. 
Novamente aqui a proteção é da posse e não da propriedade do bem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
122 
 
MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL 
DA COMARCA DE ... 
 
TÍCIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., por intermédio de seu procurador constituído (procuração em anexo), 
OAB..., endereço eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., 
Cidade..., Estado..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de 
Processo Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a 
presente 
 
AÇÃO INTERDITO PROIBITÓRIO, com base no art. 567 do Código de Processo 
Civil e art. 1.210 do Código Civil cumulada com PEDIDO DE LIMINAR, na forma 
do art. 562 do Código de Processo Civil, em face de 
 
CAIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Expor brevemente os fatos narrados no enunciado e fazer complemento 
acerca da inexistência da relação jurídica entre as partes. 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Expor como fundamentos: a relação jurídica envolvendo as partes, a 
configuração de justo receio de ser molestado conforme art. 567 do Código de 
Processo Civil. 
 
123 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Indicar o preenchimento dos requisitos do art. 561 no que for aplicável: prova da 
posse, justo receio de ser molestado (art. 567), data dos elementos que mostram 
o justo receito da posse ser molestada de modo iminente, manutenção da posse. 
Indicar, ainda, os elementos de prova necessários ao deferimento da liminar, 
conforme art. 562 e 567 do Código de Processo Civil. 
 
3. DOS PEDIDOS: 
Em face do exposto, requer: 
a) O recebimento e distribuição da demanda, deferindo-se mandado proibitório, 
com medida liminar, nos termos do art. 562 do Código de Processo Civil, além de 
fixação de multa por descumprimento (arbitrada pelo juiz), nos termos do art. 567 
do Código de Processo Civil; 
 
b) A citação do Requerido para contestar a presente, nos termos do art. 564 do 
Código de Processo Civil, sob pena de confissão e revelia; 
 
c) A tramitação preferencial do presente feito, tendo em vista o art... (verificar art. 
1.048 do Código de Processo Civil e legislação especial eventualmente cabível 
ao caso, ex: estatuto do idoso); 
 
d) A intervenção do Ministério Público (verificar se é caso de pedir, em uma das 
situações do artigo 178 do CPC); 
 
e) protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do CPC; 
 
f) A procedência da demanda para o fim de confirmar a liminar, assegurando-se a 
posse do autor, nos termos do art. 487, I, do Código de Processo Civil. 
 
 
 
124 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
g) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e 
honorários advocatícios, na forma do art. 85 do CPC/15; 
 
h) O benefício da gratuidade da justiça, por ser o Autor pessoa pobre nos termos 
da lei, consoante previsão dos artigos 98 e 99 do Código de Processo Civil ou o 
recolhimento das custas iniciais, consoante previsão do art. 82 do Código de 
Processo Civil (conforme previsão do enunciado). 
 
Valor da causa R$: ... (art. 291 e 292 do Código de Processo Civil). 
 
Termos em que, 
Pede e espera deferimento. 
 
Local..., Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
125 
 
6. 
7. AÇÃO DE DIVISÃO E DEMARCAÇÃO DE TERRAS 
A ação de divisão e a demarcação de terras tem por objetivo primordial 
estabelecer a divisão e a individualização (demarcar) dos limites de bens 
contiguamente situados. 
Há, porém, diferença entre a divisão que se estabelece especialmente 
quando a coisa indivisa pretende ser dividida entre condôminos, de tal modo que, 
pela ação de divisão, será realizado o mapeamento e a divisão do imóvel entre os 
proprietários. Automaticamente, nesse caso, teremos a demarcação das divisas dos 
imóveis, de acordo com o que dispõe o art. 1.297 do CC: 
 
Art. 1.297. O proprietário tem direito a cercar, murar, valar ou tapar de 
qualquer modo o seu prédio, urbano ou rural, e pode constranger o seu 
confinante a proceder com ele à demarcação entre os dois prédios, a 
aviventar rumos apagados e a renovar marcos destruídos ou arruinados, 
repartindo-se proporcionalmente entre os interessados as respectivas 
despesas. 
§ 1o Os intervalos, muros, cercas e os tapumes divisórios, tais como sebes 
vivas, cercas de arame ou de madeira, valas ou banquetas, presumem-se, 
até prova em contrário, pertencer a ambos os proprietários confinantes, 
sendo estes obrigados, de conformidade com os costumes da localidade, a 
concorrer, em partes iguais, para as despesas de sua construção e 
conservação. 
§ 2o As sebes vivas, as árvores, ou plantas quaisquer, que servem de marco 
divisório, só podem ser cortadas, ou arrancadas, de comum acordo entre 
proprietários. 
§ 3o A construção de tapumes especiais para impedir a passagem de 
animais de pequeno porte, ou para outro fim, pode ser exigida de quem 
provocou a necessidade deles, pelo proprietário, que não está obrigado a 
concorrer para as despesas. 
Art. 1.298. Sendo confusos, os limites, em falta de outro meio, se 
determinarão de conformidade com a posse justa; e, não se achando ela 
provada, o terreno contestado se dividirá por partes iguais entre os prédios, 
ou, não sendo possível a divisão cômoda, se adjudicará a um deles, 
mediante indenização ao outro. 
 
A divisão, em verdade, encontra estofo especialmente no art. 1.320 do CC, o 
qual estabelece a possibilidade de individualização da propriedade comum: 
 
Art. 1.320. A todo tempo será lícito ao condômino exigir a divisão da coisa 
comum, respondendo o quinhão de cada um pela sua parte nas despesas 
da divisão. 
§ 1o Podem os condôminos acordar que fique indivisa a coisa comum por 
prazo não maior de cinco anos, suscetível de prorrogação ulterior. 
04 
 
126 
 
§ 2o Não poderá exceder de cinco anos a indivisão estabelecida pelo doador 
ou pelo testador. 
§ 3o A requerimento de qualquer interessado e se graves razões o 
aconselharem, pode o juiz determinar a divisão da coisa comum antes do 
prazo. 
 
Não obstante, percebe-se que a realização da demarcação pode ocorrer na 
divisão, mas também pode ocorrer quando há confusão ou inexatidão nos limites 
entre propriedades. 
A peculiaridades dessas demandas está na necessidade de citação de todos 
os condôminos (divisão) e de todos os confinantes (demarcação), haja vista a 
realização de fixação de áreas e limites. 
Assim, os fatos trazem a situação de condomínio (divisão) ou de imprecisão 
das divisas (demarcação). Estabelecer ainda as áreas objeto de divisão ou 
demarcação.Nos fundamentos, trazer a referência aos dispositivos citados (art. 1320 ou 
art. 1297). 
Nos pedidos, delimitar a pretensão pela: 
a) citação dos condôminos/confinantes; 
b) procedência para o fim de dividir e demarcar os imóveis (art. 1320 do CC), 
ou apenas demarcar (art. 1297 do CC). 
Quanto aos procedimentos, estão previstos nos art. 569 e ss do CPC. 
Na ação demarcatória, a inicial terá por base também o art. 574 e 576 do 
CPC: 
 
Art. 574. Na petição inicial, instruída com os títulos da propriedade, 
designar-se-á o imóvel pela situação e pela denominação, descrever-se-ão 
os limites por constituir, aviventar ou renovar e nomear-se-ão todos os 
confinantes da linha demarcanda. 
Art. 575. Qualquer condômino é parte legítima para promover a 
demarcação do imóvel comum, requerendo a intimação dos demais para, 
querendo, intervir no processo. 
Art. 576. A citação dos réus será feita por correio, observado o disposto 
no art. 247. 
Parágrafo único. Será publicado edital, nos termos do inciso III do art. 259. 
Art. 577. Feitas as citações, terão os réus o prazo comum de 15 (quinze) 
dias para contestar. 
 
Na ação de divisão, a inicial terá por base também o art. 588 e 589 do CPC: 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art247
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art259ii
 
127 
 
Art. 588. A petição inicial será instruída com os títulos de domínio do 
promovente e conterá: 
I - a indicação da origem da comunhão e a denominação, a situação, os 
limites e as características do imóvel; 
II - o nome, o estado civil, a profissão e a residência de todos os 
condôminos, especificando-se os estabelecidos no imóvel com benfeitorias 
e culturas; 
III - as benfeitorias comuns. 
Art. 589. Feitas as citações como preceitua o art. 576, prosseguir-se-á na 
forma dos arts. 577 e 578. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art576
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art577
 
128 
 
MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ENDEREÇAMENTO: EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO 
DA ... VARA CÍVEL DA COMARCA DE... 
 
QUALIFICAÇÃO: TICIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., 
profissão..., portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com 
endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., 
Estado..., CEP..., por intermédio de seu procurador constituído (procuração em 
anexo), OAB..., endereço eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., 
Bairro..., Cidade..., Estado..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do 
Código de Processo Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa 
Excelência, propor a presente 
 
AÇÃO: AÇÃO DE DEMARCAÇÃO, com fundamento no art. 1.297 do Código 
Civil e art. 569 e seguintes do Código de Processo Civil, em face de 
 
QUALIFICAÇÃO: CAIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., 
profissão..., portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com 
endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., 
Estado..., CEP..., pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Expor brevemente os fatos narrados no enunciado; Individualizar a 
propriedade que está sendo demarcada ou pretendida a divisão e posterior 
demarcação. Atender requisitos do art. 547 se demarcação. No caso de divisão, 
incluir informações do art. 558. Juntar mapas e propostas de divisão e 
demarcação (conforme informações do enunciado). 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Expor, como fundamentos: a) a origem e fundamento do direito buscado – 
colocar direito; b) material e/ou processual e/ou súmula; c) Expor o direito 
sonegado e a pretensão de satisfação. 
 
129 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. DOS PEDIDOS: 
Em face do exposto, requer: 
a) O recebimento e distribuição da demanda, com a publicação de edital acerca 
do presente, na forma do art. 576, parágrafo único (demarcação e divisão); 
 
b) A citação dos condôminos na ação divisória; 
 
c) A citação dos confinantes na divisão e na demarcação para apresentação de 
contestação, querendo; 
 
d) Em atendimento ao art. 319, VII, do Código de Processo Civil. manifesta, 
desde já, se (des) interesse na realização de audiência de mediação (conforme 
enunciado); 
 
e) A procedência da demanda para o fim de determinar a divisão e/ou 
demarcação das divisas/propriedade, conforme art. 581 do Código de Processo 
Civil (se demarcação) e art. 597 do Código de Processo Civil (se divisão); 
 
f) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e 
honorários advocatícios, na forma do art. 85 do Código de Processo Civil. 
 
g) Protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do Código de Processo Civil; 
 
h) Informa o recolhimento das custas processuais OU Requer a concessão da 
justiça gratuita. Nos termos do art. 98 e seguintes do Código de Processo Civil 
(somente se o enunciado indicar pela hipossuficiência da parte). 
 
 
130 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Valor da causa: R$... (art. 292 do Código de Processo Civil) 
 
Termos em que pede e espera deferimento. 
 
Local... Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
131 
 
8. 
9. AÇÃO REIVINDICATÓRIA 
 
Trata-se de ação que pretende a obtenção de posse de imóvel onde o autor 
tem a propriedade, mas o bem está na posse indevida de outra pessoa. 
A ação está calcada essencialmente no art. 1228 do CC, tendo como 
requisitos elementares da ação: a) a demonstração do domínio do bem pelo autor; 
b) a individualização da coisa pretendida; c) o exercício de posse injusta pelo 
requerido. 
Assim, ação reivindicatória, em linha geral (há rara insuficiência da 
expressão) é aquela ação do proprietário sem posse contra o possuidor não 
proprietário, onde este (o possuidor) detém injustamente a posse. Ainda, 
seguindo Ovídio Baptista da Silva (Curso de Processo Civil.v.1. t.1. 6.ed. Rio de 
Janeiro: Forense, 2008, pg.141), a ação reivindicatória é ação de natureza real e 
executiva. 
É de natureza real pois o proprietário busca a defesa da posse de coisa 
corpórea integrante de seu patrimônio. 
Na análise do jurista Ovídio Baptista da Silva (Ação de imissão de posse. 
3.ed. São Paulo: RT, 2001, pg. 77), tendo em vista que a ação reivindicatória tem, 
em si própria, força de satisfação na sentença (pois o pleito é de entrega do direito 
existente, in casu, a propriedade e seus elementos), a ação reivindicatória, assim, é 
ação executiva (sentença executiva lato sensu), ao passo que a pretensão do 
autor da ação independe de cumprimento de sentença para alcançar-se o direito 
postulado, eis que o direito pretendido é alcançado através da própria demanda 
reivindicatória. É ação executiva lato sensu como também o são a ação divisória, a 
ação de preempção/preferência e ação de despejo. 
De modo prático, na sentença de procedência da reivindicatória irá determinar 
a expedição de mandado para que o autor ingresse na posse do imóvel, o que 
demonstra sua natureza executiva lato sensu (Ovídio Baptista da Silva Curso de 
Processo Civil.v.1. t.1. 6.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2008, pg.142 e 148). 
05 
 
132 
 
Assim, podemos dizer que a reivindicatória é: ação que pretende a posse dacoisa 
reivindicada, a partir da propriedade (proprietário sem posse) em face do possuidor 
(possuidor injusto sem propriedade), com natureza de ação executiva lato sensu. 
Quanto à legitimidade ativa, será daquele que tiver a propriedade/domínio da 
coisa reivindicada. 
Quanto à legitimidade passiva, será do possuidor injusto sem a posse. 
É importante destacar, conforme Ovídio Baptista, ao citar Carvalho Santos e 
Corrêa Teles (Ação de imissão de posse. 3.ed. São Paulo: RT, 2001, pg. 77 e 78, 
passim), destaca que, como meio de defesa de ação reivindicatória, o demandado 
poderá levantar: 
a) que o réu não possui a posse da coisa; 
b) que o autor não é titular dominial da coisa; 
c) que o réu é o verdadeiro proprietário; 
d) que, apesar da propriedade do autor, o réu também é proprietário com domínio 
igual ou melhor que o do autor; 
e) nulidade do título do autor, do o registro do título do autor; 
f) que há vício no direito do autor; 
g) que há direito de retenção em favor do réu; 
h) que há direito real a garantir a sua posse (como direito de uso ou usufruto); 
i) que há obrigação contratual a garantir o direito de posse do réu em face do autor; 
j) que a ação de reivindicação está prescrita; 
k) que a coisa perdeu-se ou consumiu-se sem culpa do réu (de boa-fé); 
l) existência de prescrição aquisitiva; 
m) inépcia da inicial (falta de demonstração de requisitos outros da reivindicatória); 
n) extinção do direito de propriedade do autor (por quaisquer motivos); 
o) indeterminação do direito de propriedade do autor (como necessidade preliminar 
de ação divisória); 
p) outras possibilidades procedimentais. 
Esses elementos devem estar nos fundamentos da demanda, após narrativa 
fática relativa à situação envolvendo as partes. 
 
133 
 
Quanto ao pedido, o mesmo deve ser de procedência para o fim de, nos 
termos do art. 1228 do CC, determinar a preservação da posse a partir da 
propriedade. 
Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da 
coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente 
a possua ou detenha. 
§ 1o O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as 
suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, 
de conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as 
belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, 
bem como evitada a poluição do ar e das águas. 
§ 2o São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer 
comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar 
outrem. 
§ 3o O proprietário pode ser privado da coisa, nos casos de desapropriação, 
por necessidade ou utilidade pública ou interesse social, bem como no de 
requisição, em caso de perigo público iminente. 
§ 4o O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel 
reivindicado consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de boa-fé, 
por mais de cinco anos, de considerável número de pessoas, e estas nela 
houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços 
considerados pelo juiz de interesse social e econômico relevante. 
§ 5o No caso do parágrafo antecedente, o juiz fixará a justa indenização 
devida ao proprietário; pago o preço, valerá a sentença como título para o 
registro do imóvel em nome dos possuidores. 
Vale lembrar que quando se trata de posse justa, mesmo que havendo mora 
do devedor, não cabe ordinariamente a reivindicatória (como em locação, 
arrendamento, etc.). 
Por fim, saliente-se que é possível a realização de pedidos cumulativos de 
reparação de danos, tutela de urgência, etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
134 
 
MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL 
DA COMARCA DE ... 
 
TÍCIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., por intermédio de seu procurador constituído (procuração em anexo), 
OAB..., endereço eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., 
Cidade..., Estado..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de 
Processo Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a 
presente 
 
AÇÃO REIVINDICATÓRIA, com fundamento no art. 318 e 319 do Código de 
Processo Civil cumulado com art. 1.228 do Código Civil, em face de 
 
CAIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Narrar o que ocorreu no mundo dos fatos que ensejou a propositura da 
ação, conforme problema fornecido pela FGV. Lembre-se de expor o domínio do 
Autor, a individualização da coisa e a posse injusta do Requerido. 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Trazer a fundamentação legal da ação demonstrando seu cabimento. 
Demonstrar a origem e fundamento do direito buscado, indicando o direito 
material, processual e súmulas pertinentes ao caso, destacando o direito 
sonegado e a pretensão de satisfação. 
 
 
135 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. DOS PEDIDOS: 
Ante o exposto, requer: 
a) O recebimento e distribuição da demanda; 
 
b) O benefício da gratuidade da justiça, por ser o Autor pessoa pobre nos termos 
da lei, consoante previsão dos artigos 98 e 99 do Código de Processo Civil ou o 
recolhimento das custas iniciais, consoante previsão do art. 82 do Código de 
Processo Civil (conforme previsão do enunciado). 
 
c) Requer a concessão da tutela provisória de... para o fim de... (verificar se é o 
caso de tutela provisória conforme enunciado); 
 
d) A tramitação preferencial do presente feito, tendo em vista o art... (Verificar art. 
1.048 do Código de Processo Civil e legislação especial eventualmente cabível 
ao caso, ex: estatuto do idoso); 
 
e) A intervenção do Ministério Público (verificar se é caso de pedir, em uma das 
situações do artigo 178 do CPC); 
 
f) Em atendimento ao art. 319, VII, do Código de Processo Civil, manifesta, desde 
já, seu (des)interesse na realização de audiência de mediação ou conciliação 
(conforme enunciado). 
 
g) Requer a citação do Réu para comparecer à audiência de conciliação ou 
mediação a ser designada por Vossa Excelência com antecedência de 30 dias na 
forma do art. 334 do Código de Processo Civil, e, posteriormente, caso não obtida 
a autocomposição, ofereça contestação no prazo legal, consoante previsão do 
art. 335, I do Código de Processo Civil; 
 
h) Requer a intimação do procurador do Autor para que tome ciência da data 
aprazada para audiência de mediação e conciliação; 
 
 
136 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
i) A procedência da demanda para o fim de acolher a reivindicação, preservando 
a propriedade do Autor e imitindo na posse do bem, conforme previsão do art. 
1.228 do Código Civil. 
 
j) Protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do CPC; 
 
k) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e 
honorários advocatícios, na forma do art. 85 do Código de Processo Civil. 
 
Valor da causa R$: ... (art. 291 e 292 do Código de ProcessoCivil). 
 
Termos em que, 
Pede e espera deferimento. 
Local..., Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
137 
 
 
10. AÇÃO DE IMISSÃO NA POSSE 
 
A ação de imissão de posse tem por objetivo colocar o autor na posse de 
determinado bem, quando, em decorrência de algum vínculo jurídico a posse 
deveria ser sua, porém ainda não lhe fora transferida a mesma. 
Difere da ação de reintegração de posse porque, na reintegração, o autor da 
ação teve a posse anterior mas não está nela, o que ocorre, por exemplo, quando há 
comodato de imóvel e, findo o prazo de devolução do bem, não ocorrendo 
espontaneamente a devolução do mesmo, o proprietário do bem deverá lançar mão 
da reintegração de posse para retomada do bem. 
Segundo Ovídio Baptista da Silva (Curso de Processo Civil.v.1. t.1. 6.ed. Rio 
de Janeiro: Forense, 2008, pg.151), a ação de imissão de posse não é possessória, 
não visa a defender a posse contra uma agressão, ou ameaça de agressão, 
praticada pelo demandado. Ela é, ao contrário das possessórias, uma ação 
petitória, concedida à quem tenha “direito a obter posse”. Desse modo, 
percebemos que a ação de imissão de posse carrega dois elementos fundamentais: 
É petitória, e, em razão disso, busca o direito de posse, e não a defesa da posse (a 
qual é defendida pelas ações possessórias). 
 
A ação de imissão de posse tem lugar, assim, conforme Ovídio, nos seguintes 
casos: 
a) o adquirente tem ação de imissão de posse em face do alienante, para obter 
desse a posse dos bens adquiridos, se diferenciando da reivindicatória por que será 
legitimado passivo o próprio alienante (e por isso se aplica a imissão de posse); 
 
b) aquele que, não sendo adquirente, tiver obtido o direito a haver a posse de certo 
bem, contra quem se obrigara a transferir este, também poderá propor a ação de 
imissão de posse. 
 
Cite-se, aqui, como exemplo, a seguinte situação: promessa de compra e 
venda, onde promitente vendedor compromete a entrega do bem imóvel em até 15 
06 
 
138 
 
dias após assinatura da promessa. Findo o prazo, diante da não transferência da 
posse, terá o promitente comprador ação de imissão de posse para obter a mesma 
junto ao promitente vendedor. 
Também é importante distinguir o direito real da imissão de posse e 
pretensões decorrentes de vínculo obrigacional. A ação de imissão de posse (ação 
real) tem direito à (posse da) coisa, e não apenas direito obrigacional de posse 
sobre a coisa. 
Na imissão de posse, o autor deverá provar que tem direito à posse (como no 
caso da promessa de compra e venda com posse imediata) e não que o réu deve 
cumprir obrigação de entrega de coisa (como quando há contrato de comodato, 
porém sem data de entrega do bem pelo comodante ao comodatário). 
Aliás, vale aqui um exemplo: se, em uma locação, o contrato prever que o 
imóvel será entregue na data XX, a não entrega gera direito de imissão de posse, 
pois já está caracterizado o direito à posse, no entanto, se o contrato não prever a 
data em que o locatário deva ingressar no imóvel, haverá necessidade de buscar o 
cumprimento de obrigação de entrega da coisa, ainda não fixado – nesse caso, em 
que há apenas obrigação de dar, será adequada a obrigação de dar coisa certa 
(vínculo obrigacional). (Ovídio Baptista da Silva, Curso de Processo Civil.v.1. t.1. 
6.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2008, pg. 156 e 157). 
Acerca do cabimento, segue excerto jurisprudencial: 
 
Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. POSSE. BENS 
IMÓVEIS. AÇÃO DE IMISSÃO NA POSSE. PROCEDÊNCIA QUE MERECE 
SER RATIFICADA. A ação de imissão de posse tem por fundamento a 
propriedade, mas de quem nunca teve a posse. Caso dos autos em que a 
parte autora comprovou a propriedade, a ausência da sua posse, e a 
ocupação indevida pela parte ré. Indenização por benfeitorias. 
Descabimento no caso. Ausência de comprovação da realização e gastos 
com benfeitorias necessárias. Ademais, os réus sempre estiveram cientes 
da sua condição de não proprietários e admitiram ter interrompido o 
pagamento das parcelas de financiamento que havia assumido, de modo 
que, a realização de eventuais benfeitorias ocorreu por conta e risco dos 
apelantes Condenação ao pagamento de alugueis desde a citação até a 
efetiva desocupação. Manutenção. Alegação de inexistência de ocupação 
indevida em razão da desocupação no ato do cumprimento do mandado de 
citação e imissão na posse que apenas torna inócua referida condenação. 
APELAÇÃO DESPROVIDA. (Apelação Cível Nº 70071878938, Décima 
Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Heleno Tregnago 
Saraiva, Julgado em 12/12/2016) 
 
 
139 
 
É importante salientar que a imissão de posse pode ocorrer como pedido 
complementar à uma ação, como ocorre na desapropriação, ou mesmo como 
pretensão principal. Acerca de ambas as situações, lembrar das súmulas do STF: 
 
 
 
A ação de imissão de posse tem por fundamentação material o art. 233 do 
Código Civil, bem como os art. 538, 625 e 806 do CPC. 
 
Art. 538. Não cumprida a obrigação de entregar coisa no prazo 
estabelecido na sentença, será expedido mandado de busca e 
apreensão ou de imissão na posse em favor do credor, conforme se 
tratar de coisa móvel ou imóvel. 
§ 1o A existência de benfeitorias deve ser alegada na fase de conhecimento, 
em contestação, de forma discriminada e com atribuição, sempre que 
possível e justificadamente, do respectivo valor. 
§ 2o O direito de retenção por benfeitorias deve ser exercido na 
contestação, na fase de conhecimento. 
§ 3o Aplicam-se ao procedimento previsto neste artigo, no que couber, as 
disposições sobre o cumprimento de obrigação de fazer ou de não fazer. 
 
Art. 806. O devedor de obrigação de entrega de coisa certa, constante de 
título executivo extrajudicial, será citado para, em 15 (quinze) dias, 
satisfazer a obrigação. 
§ 1o Ao despachar a inicial, o juiz poderá fixar multa por dia de atraso no 
cumprimento da obrigação, ficando o respectivo valor sujeito a alteração, 
caso se revele insuficiente ou excessivo. 
§ 2o Do mandado de citação constará ordem para imissão na posse ou 
busca e apreensão, conforme se tratar de bem imóvel ou móvel, cujo 
cumprimento se dará de imediato, se o executado não satisfizer a 
obrigação no prazo que lhe foi designado. 
 
Lembre-se de observar se há título executivo ou não. 
Além dos requisitos do art. 319 do CPC, deve a ação indicar o bem que se 
pretende ser imitido na posse e a origem dessa obrigação (contrato ou sentença). 
Alguns casos em que é cabível a imissão de posse: 
 
Art. 625. O inventariante removido entregará imediatamente ao substituto 
os bens do espólio e, caso deixe de fazê-lo, será compelido mediante 
mandado de busca e apreensão ou de imissão na posse, conforme se 
tratar de bem móvel ou imóvel, sem prejuízo da multa a ser fixada pelo 
juiz em montante não superior a três por cento do valor dos bens 
inventariados. 
 
Art. 877. Transcorrido o prazo de 5 (cinco) dias, contado da última 
intimação, e decididas eventuais questões, o juiz ordenará a lavratura do 
auto de adjudicação. 
SÚMULA 164 DO STF: No processo de desapropriação são devidos juros compensatórios desde 
a antecipada imissão de posse, ordenada pelo juiz, por motivos de urgência. 
 
140 
 
§ 1o Considera-se perfeita e acabada a adjudicação com a lavratura e a 
assinatura do auto pelo juiz, pelo adjudicatário, pelo escrivão ou chefe de 
secretaria, e, se estiver presente, pelo executado, expedindo-se: 
I - a carta de adjudicação e o mandado de imissão na posse, quando se 
tratar de bem imóvel; 
 
Art. 901. A arrematação constará de auto que será lavrado de imediato e 
poderá abranger bens penhorados em mais de uma execução, nele 
mencionadas as condições nas quais foi alienado o bem. 
§ 1o A ordem de entrega do bem móvel ou a carta de arrematação do bem 
imóvel, com o respectivo mandado de imissão na posse, será expedida 
depois de efetuado o depósito ou prestadas as garantias pelo arrematante, 
bem como realizado o pagamentoda comissão do leiloeiro e das demais 
despesas da execução. 
 
Art. 903. Qualquer que seja a modalidade de leilão, assinado o auto pelo 
juiz, pelo arrematante e pelo leiloeiro, a arrematação será considerada 
perfeita, acabada e irretratável, ainda que venham a ser julgados 
procedentes os embargos do executado ou a ação autônoma de que trata o 
§ 4o deste artigo, assegurada a possibilidade de reparação pelos prejuízos 
sofridos. 
(...) 
§ 3o Passado o prazo previsto no § 2o sem que tenha havido alegação de 
qualquer das situações previstas no § 1o, será expedida a carta de 
arrematação e, conforme o caso, a ordem de entrega ou mandado de 
imissão na posse. 
 
Lembre-se que a imissão de posse pode ser buscada em uma ação de 
conhecimento (se não há título executivo) ou através de cumprimento de sentença e 
execução de título extrajudicial. 
Considerando os requisitos para a ação, vamos à elaboração da peça 
processual. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
141 
 
IMISSÃO DE POSSE – PETIÇÃO INICIAL 
 
CASO BASE: TICIO adquiriu de CAIO, construtor, uma unidade imobiliária ‘na 
planta’ (apartamento no 7º andar), sendo fixado o prazo de entrega do imóvel em 12 
meses, conforme contrato escrito formulado entre as partes. Valor do negócio 
(R$100.000,00) pagos integralmente à vista. Passado o período, o comprador visita 
a construção e percebe que o seu apartamento está pronto, mas sendo utilizado 
como moradia por um pintor que trabalhou na obra do prédio. Questionado, o pintor 
informa que CAIO havia dito para ficar ali morando pelos próximos meses, pois não 
teria vendido o bem, fazendo ainda o uso irresponsável do bem (virando tinta no 
chão, estragando pintura, paredes e móveis sob medida). Questionado por TICIO 
sobre o assunto, mesmo que já efetuada a escritura e o registro na matrícula do 
imóvel da aquisição, CAIO nega-se a entregar o bem, pois pretende deixar o seu 
pintor residindo no local, à sua ordem. 
Considerando o caso exposto, você, como advogado de TÍCIO, deve elaborar 
a ação cabível para que possa tomar a posse do imóvel. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
142 
 
MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL 
DA COMARCA DE ... 
 
TÍCIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., por intermédio de seu procurador constituído (procuração em anexo), 
OAB..., endereço eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., 
Cidade..., Estado..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de 
Processo Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a 
presente 
 
AÇÃO DE EXECUÇÃO PARA ENTREGA DE COISA CERTA – IMISSÃO DE 
POSSE, com fundamento no art. 806, caput e §2º do Código de Processo Civil, 
cumulado com PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA, na forma do art. 300 do 
Código de Processo Civil, em face de 
 
CAIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Narrar o que ocorreu no mundo dos fatos que ensejou a propositura da 
ação, conforme problema fornecido pela FGV. Lembre-se de expor os termos do 
contrato e a obrigação que é postulada, além do vínculo entre as partes. 
 
143 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Trazer a fundamentação legal da ação demonstrando seu cabimento. 
Expor, como fundamentos: a afirmação de existência da relação contratual, 
envolvendo a obrigação de dar coisa certa (imóvel) e qualidade do título como 
título executivo. 
Demonstrar, ainda, o inadimplemento da obrigação e a pretensão de 
satisfação com a fixação de prazo para cumprimento e astreintes em caso de 
descumprimento – art. 806, §2º do Código de Processo Civil. 
 
3. TUTELA DE URGÊNCIA: 
Narras que há risco de dano iminente pelo uso irresponsável do imóvel, 
postular a determinação de desocupação do imóvel, postular a determinação de 
desocupação do imóvel e imissão imediata. 
Expor os elementos essenciais para o deferimento da tutela de urgência, 
conforme o art. 300 do Código de Processo Civil (probabilidade do direito e perigo 
de dano ou risco ao resultado útil do processo). 
 
4. DOS PEDIDOS: 
Ante o exposto, requer: 
a) O recebimento e distribuição da presente ação de execução, nos termos do art. 
798 do Código de Processo Civil. 
 
b) O deferimento da tutela de urgência para o fim de determinar a imediata 
desocupação do imóvel pelo Pintor e a Imissão liminar na posse, na forma do art. 
300 do Código de Processo Civil; 
 
c) A tramitação preferencial do presente feito, tendo em vista o art... (verificar art. 
1.048 do Código de Processo Civil e legislação especial eventualmente cabível 
ao caso, ex: estatuto do idoso); 
 
 
144 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
d) O benefício da gratuidade da justiça, por ser o Autor pessoa pobre nos termos 
da lei, consoante previsão dos artigos 98 e 99 do Código de Processo Civil ou o 
recolhimento das custas iniciais, consoante previsão do art. 82 do Código de 
Processo Civil (conforme previsão do enunciado). 
 
e) Requer a citação do Réu para... 
 
f) A intervenção do Ministério Público (verificar se é caso de pedir, em uma das 
situações do artigo 178 do CPC); 
 
g) protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do CPC; 
 
h) A procedência de demanda para o fim de confirmar a antecipação de tutela, 
bem como determinar ao requerido o cumprimento de obrigação de entregar 
coisa certa (apartamento) nos termos do art. 806, §2º, do Código de Processo 
Civil. 
 
i) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e 
honorários advocatícios, na forma do art. 85 do Código de Processo Civil. 
 
Valor da causa R$: ... (art. 291 e 292 do Código de Processo Civil). 
 
Termos em que, 
Pede e espera deferimento. 
Local..., Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
145 
 
PEÇA RESOLVIDA: AÇÃO DE EXECUÇÃO PARA ENTREGA DE COISA CERTA 
– IMISSÃO DE POSSE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL 
DA COMARCA DE ... 
 
TÍCIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., por intermédio de seu procurador constituído (procuração em anexo), 
OAB..., endereço eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., 
Cidade..., Estado..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de 
Processo Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a 
presente 
 
AÇÃO DE EXECUÇÃO PARA ENTREGA DE COISA CERTA – IMISSÃO 
DE POSSE, com fundamento no art. 806, caput e §2º do Código de Processo 
Civil, cumulado com PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA, na forma do art. 300 
do Código de Processo Civil, em face de 
 
CAIO..., nacionalidade..., estado civil...,união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Ticio adquiriu de Caio, mediante contrato particular de promessa de 
compra e venda, o apartamento nº ... 7º andar, do edifício..., ainda na planta, com 
prazo de 12 meses para conclusão. 
Passados os 12 meses, a obra fora concluída, bem como, diante do 
pagamento integral, houve a realização de escritura pública de compra e venda, 
já registrada na matrícula do imóvel. 
 
146 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ocorre que, ao ir até o apartamento, já vencido o prazo de entrega, para 
tomar posse do mesmo, o Autor identificou que o Requerido havia colocado outra 
pessoa para utilizar o imóvel, sob sua ordem e responsabilidade. 
A posse do imóvel não havia sido entregue, mas já deveria ter ocorrido, 
conforme contrato, especialmente, porque já vencido o prazo e já pago todo o 
valor de R$ 100.000,00. 
Para piorar, o pintor que está no imóvel age de modo descuidado e está 
causando danos ao imóvel em clara conduta irresponsável para com o mesmo, 
gerando enormes prejuízos. 
Registra-se que houve contato com o Requerido para realizar a entrega do 
bem, porém sem sucesso. 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Conforme se verifica no contrato firmada pelas partes, há obrigação de 
entrega de coisa certa, por parte do demandado relativamente ao apartamento 
antes referido, conforme estabelece o art. 233 do Código Civil. 
Tal obrigação tem natureza de título executivo, tendo em vista sua 
condição de escritura pública, conforme art. 784, II do Código de Processo Civil. 
A mora do demandado em entregar o imóvel está comprovada através do 
decurso do prazo de 12 meses para a entrega do bem, assim como pelo uso do 
imóvel por outra pessoa, frustrando, assim, a obrigação de entrega da coisa que 
estava ajustada no contrato. 
No caso, postula-se que seja determinada a entrega do bem imóvel ao 
Autor, nos termos do art. 806, §2º, do CPC, fixando-se astreintes para o caso de 
inadimplemento da entrega do bem após a ordem judicial. 
 
3. DA TUTELA DE URGÊNCIA: 
No caso em tela, percebe-se que está ocorrendo o uso irresponsável do 
imóvel, ou seja, a pessoa que está no imóvel sob ordens do demandado, está 
causando danos ao piso, paredes e móveis, o que irá gerar danos significativos 
ao bem objeto da presente demanda. 
 
 
147 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É fato que na execução para entrega de coisa certa, há intimação com 
prazo de 15 dias para o cumprimento da obrigação, conforme preceitua o art. 806 
do CPC, contudo, no presente caso, considerando a irresponsável utilização do 
imóvel pelo pintor, se mostra imprescindível a tomada da posse de modo 
imediato, evitando-se prejuízos ainda maiores para o Autor, o que evidencia o 
perigo de dano, na forma do art. 300 do CPC. 
Quanto a probabilidade do direito, está evidenciada através da propriedade 
do bem pelo Autor, assim como pelo contrato/escritura ´pública, que comprova o 
prazo de entrega do bem e o consequente inadimplemento. 
 
4. DOS PEDIDOS: 
a) O recebimento e distribuição da presente ação de execução, nos termos do art. 
797 do CPC, bem como nos termos do art. 806 do CPC; 
 
b) O deferimento da tutela de urgência para o fim de determinar a imediata 
imissão do Autor na posse do imóvel objeto da presente, na forma do art. 300 do 
CPC. 
 
c) A tramitação preferencial do presente feito, tendo em vista o art... (verificar art. 
1.048 do Código de Processo Civil e legislação especial eventualmente cabível 
ao caso, ex: estatuto do idoso); 
 
d) O benefício da gratuidade da justiça, por ser o Autor pessoa pobre nos termos 
da lei, consoante previsão dos artigos 98 e 99 do Código de Processo Civil ou o 
recolhimento das custas iniciais, consoante previsão do art. 82 do Código de 
Processo Civil (conforme previsão do enunciado). 
 
e) Requer a citação do Réu para... 
 
f) A intervenção do Ministério Público (verificar se é caso de pedir, em uma das 
situações do artigo 178 do CPC); 
 
 
 
148 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Lembrar de adaptar aos dados do problema. 
Se a pretensão é a constituição de um título executivo, lembre-se de propor 
como ação inicial, cumprindo os requisitos do art. 319 do CPC, tendo como base 
ainda o art. 233 do CC. 
 
 
 
 
 
g) protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do CPC; 
 
h) A procedência de demanda para o fim de confirmar a antecipação de tutela, 
bem como determinar ao requerido o cumprimento de obrigação de entregar 
coisa certa (apartamento) nos termos do art. 806, §2º, do Código de Processo 
Civil. 
 
i) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e 
honorários advocatícios, na forma do art. 85 do Código de Processo Civil. 
 
Valor da causa R$ 100.000,00. 
Termos em que, 
Pede e espera deferimento. 
Local..., Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
149 
 
 
11. PROPRIEDADE 
Considera-se propriedade o direito que pessoa, física ou jurídica, detém 
quanto ao uso, gozo e disposição de bem, corpóreo ou incorpóreo. Gera direito à 
proteção e reivindicação do bem, junto à quem o detenha. 
Questões históricas: 
Roma: propriedade envolvia terras e escravos – direito de uso, gozo e 
destruição; 
Lei das doze tábuas: uso da propriedade de acordo com o direito; 
Idade média: directum + utile; 
Directum: senhores feudais; utile – vassalos; 
Final da idade média: concentração da propriedade no monarca – cobrança 
de tributos (motivação revolução francesa); 
Rev. Francesa + Locke: propriedade como direito natural = caráter 
individualista; 
Proudhon: propriedade originalmente pertence ao estado; 
Marx: extinção da propriedade privada como fator de igualdade; 
Contemporaneidade: manutenção da propriedade privada, mas com 
preservação de sua função social; 
 
7.1 Elementos constitutivos da propriedade 
Jus utendi: direito de uso; 
Jus fruendi: direito de gozo ou usufruto – direito à obtenção de frutos; 
Jus disponendi ou abutendi: direito de dispor; 
Reivindicatio: direito de reivindicar o bem – envolve tutela da propriedade 
(ação reivindicatória); 
 
Propriedade plena: Direito de usar, gozar, dispor e reaver. 
 
Propriedade limitada (nua propriedade): limitada em uma ou algumas 
das suas formas elementares. 
 
07 
 
150 
 
7.2 Características do instituto da propriedade 
Trata-se de um direito ilimitado, absoluto. É direito exclusivo – direito restrito 
ao proprietário. Tratando-se de condomínio, a propriedade sempre será da 
totalidade sobre a respectiva fração ideal. 
É Direito irrevogável ou perpétuo – mantêm-se inclusive pelo não uso. 
Nos casos de desapropriação, usucapião ou perecimento, a propriedade está 
sendo fustigada por um fato novo, externo, que decorre não do não uso, mas pela 
ação da administração pública, pela não preservação da posse e exercício da posse 
por outrem, ou mesmo por um fato extraordinário que gere o perecimento do bem. 
É elástica – adapta-se de acordo com ampliação ou redução de destacáveis. 
 
7.3 Objeto da propriedade 
 
Poderão ser objeto da propriedade: 
a) bens corpóreos (materiais), móveis ou imóveis; e 
Ex: CC, art. 1.299 e 1.232 
CF, art. 176 
Ver: PCHs + jazidas de areia e argila/caulim 
 
b) Bens incorpóreos (imateriais) 
Lei nº 9.610/98; CF, art. 5º, XXIX e XXVII 
Lei nº 9279 –LPI e Lei nº 9609/98 
 
Decisão sobre a Proteção da propriedade: 
 
Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIVÓRCIO. PEDIDO LIMINAR DE 
REINTEGRAÇÃO DE POSSE EM IMÓVEL DE RESIDÊNCIA DO CASAL. 
INDEFERIMENTO. O agravante pede a reintegração de posse, alegando 
estar provada sua propriedade exclusiva do imóvel em discussão. Contudo, 
na reintegração de posse, ao requerente não basta provar a 
propriedade/domínio. Sabido que para reintegração da posse, necessário 
prova bastante do exercício da posse e do esbulho. Tendo em conta que o 
próprio agravante informa que o imóvel em discussão era a casa em que 
"residia o casal", há fundada dúvida do esbulho possessório, que 
fundamente a reintegração em sede liminar. De resto, a própria alegação da 
propriedade exclusiva sobre o imóvel deve ser melhor elucidada no decorrer 
das ações evolvendo as partes. NEGARAM PROVIMENTO. UNÂNIME. 
 
151 
 
(Agravo de Instrumento Nº 70042016030, Oitava Câmara Cível, Tribunal de 
Justiça do RS, Relator: Rui Portanova, Julgado em 18/08/2011) 
 
Decisão sobre a proteção da propriedade - requisitos: 
 
Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REIVINDICATÓRIA. REQUISITOS. 
AUSÊNCIA DE TÍTULO HÁBIL A COMPROVAR O DOMÍNIO DOS 
AUTORES SOBRE A COISA REIVINDICADA. Em se tratando de ação 
reivindicatória, três são os requisitos essenciais para o reconhecimento do 
pedido: a prova da propriedade do demandante, a posse injusta exercida 
pelo réu, e a perfeita individuação do imóvel. Cumpria aos autores exibir 
título de domínio, que por si só comprovasse o direito de propriedade sobre 
área certa e determinada, indicando as divisas e especificando em que elas 
consistem. Não acostado tal documento, inviável o pleito reivindicatório. 
Autores que instruíram a inicial apenas com escritura pública de cessão e 
transferência de direitos hereditários sobre fração ideal de imóvel. Área que 
não se encontra localizada e individualizada. Ausentes as condições 
indispensáveis, incabível a reivindicação. NEGARAM PROVIMENTO AO 
RECURSO. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70037370103, Décima Oitava 
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Nelson José Gonzaga, 
Julgado em 28/07/2011) 
 
7.4 Espécies de propriedade 
Quanto a extensão do direito do titular: 
Propriedade plena: presença de todos os elementos; 
Propriedade restrita: quando ocorre o desmembramento de alguns de seus 
poderes (v.g., nua propriedade). 
 
Quanto à perpetuidade do domínio: 
Propriedade perpétua: duração ilimitada; 
Propriedade resolúvel: condição resolutiva 
a) Restrição prevista no próprio título 
b) Cláusula resolutiva (antigo pacto comissório) 
 
7.5 Responsabilidade civil do proprietário 
Responsabilidade objetiva x subjetiva: 
Responsabilidade subjetiva Fato + dano + culpa + nexo causal 
Responsabilidade objetiva Fato + dano + nexo causal 
 
 
 
152 
 
Aplicação das disposições contidas nos art. 937 e 186, ambos do CC: 
 
Art. 937. O dono de edifício ou construção responde pelos danos que 
resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja 
necessidade fosse manifesta. 
 
Também há responsabilidade pelos objetos que do prédio caírem ou jogados. 
 
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou 
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que 
exclusivamente moral, comete ato ilícito. 
 
XII EXAME OAB QUESTÃO PRÁTICA 
José, proprietário de imóvel situado na Av. Itália, 120, na cidade de Salvador/BA, concluiu a 
edificação de 100 baias destinadas à criação de porcos, sem a observância de lei municipal que 
proíbe a atividade em bairro residencial. Não bastasse o descumprimento da lei municipal, a 
malcheirosa atividade vem atraindo ratos e moscas para a residência de João, vizinho contíguo. 
Diante da situação, João pretende ajuizar demanda em face de José. Com base em tal situação, 
responda aos itens a seguir, utilizando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal 
pertinente ao caso. 
A) A partir dos elementos de direito material constantes no enunciado, a pretensão de João será 
cabível? (Valor: 0,65) 
Resposta: A pretensão de João é viável. João pode pleitear a cessação da interferência prejudicial à 
saúde dos que habitam seu imóvel com base no §1 do Art. 1228 ou no Art. 1.277 ou Art. 1280, 
Código Civil, ou no Art. 461 do CPC/73 (art. 497 CPC/15), vez que a atividade está a trazer pragas, 
configurando-se o uso anormal da propriedade por José. 
B) Caso o não atendimento da lei municipal fosse detectado pelo Município de Salvador durante a 
edificação das baias, qual solução jurídica processual típica poderia ser requerida? (Valor 0,60) 
Resposta: Poder-se-ia ajuizar ação de nunciação de obra nova, com base no Art. 934, do CPC/73, 
demonstrando que obra em curso contraria a legislação municipal. 
 
 
 
 
 
 
 
153 
 
7.6 Aquisição da propriedade imobiliária 
A. Aquisição originária 
Propriedade ‘original’: usucapião e acessão. 
 
B. Aquisição derivada 
Aquisição por transmissão: Causa mortis (sucessão) ou inter vivos 
(transmissão). 
 
C. Aquisição da propriedade imobiliária pelo registro 
Transmissão da propriedade se dá registro do título translativo 
Efeitos a partir do registro – CC art. 1246 
 
Art. 1.246. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o 
título ao oficial do registro, e este o prenotar no protocolo. 
 
Falência do alienante – art. 215 lei 6015 
 
Art. 215 - São nulos os registros efetuados após sentença de abertura de 
falência, ou do termo legal nele fixado, salvo se a apresentação tiver sido 
feita anteriormente. 
 
Anulação do registro: 
 
Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o 
interessado reclamar que se retifique ou anule. Parágrafo único. Cancelado 
o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da 
boa-fé ou do título do terceiro adquirente. 
 
Princípios da aquisição da propriedade pelo registro: 
I. Da unitariedade matricial 
II. Da instância ou solicitação 
III. Da publicidade 
IV. Da fé pública 
V. Da legalidade 
VI. Da prioridade 
VII. Da especialidade (individualização) 
VIII. Da continuidade 
 
154 
 
IX. Da disponibilidade 
X. De retificação 
 
Efeitos da aquisição pelo registro: 
• Constitutivo 
• De publicidade 
• De legalidade do direito do proprietário 
• De força probante 
 
CC Art. 1245 § 2o Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a 
decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o 
adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. 
 
• De continuidade 
• De obrigatoriedade 
• De retificação ou anulação para eventual alteração 
 
Art. 216 - O registro poderá também ser retificado ou anulado por sentença 
em processo contencioso, ou por efeito do julgado em ação de anulação ou 
de declaração de nulidade de ato jurídico, ou de julgado sobre fraude à 
execução 
 
D. Aquisição imobiliária por acessão natural 
Modo de aquisição originária. Envolve as coisas que se unem ou se 
incorporam ao bem, de forma natural. 
Requisitos: 
a) Conjunção entre duas coisas até então separadas 
b) Caráter assessório de uma dessas coisas, em relação à outra 
c) Aquisição imobiliária pela acessão natural 
d) União ou incorporação em razão de acontecimento natural 
 
Verificamos a aquisição por acessão nas seguintes hipóteses: 
a) formação de ilhas 
b) aluvião (acessão à margem de rio) 
c) avulsão (deslocamento de terra) 
d) abandono de álveo (leito do rio) 
 
155 
 
Art. 1.252. O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários 
ribeirinhos das duas margens, sem que tenham indenização os donos dos 
terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendo-se que os 
prédios marginais se estendem até o meio do álveo. 
 
 
XVIII EXAME OAB QUESTÃO PRÁTICA 
Em ação petitória ajuizada por Marlon em face de Ana, o juiz titular da Vara Cível de Iúna/ES concluiu 
a audiência de instrução e julgamento, estando o processo pronto para julgamento. Na referida 
audiência,Ana comprovou por meio da oitiva do perito do juízo, ter ocorrido o desprendimento de 
porção considerável de terra situada às margens de rio não navegável, que faz divisa das fazendas 
das partes, vindo a, natural e subitamente, se juntar ao imóvel da requerida há, aproximadamente, 
um ano e oito meses. No dia seguinte à conclusão dos autos para prolatação de sentença, o 
advogado Juliano, filho do juiz titular, requereu a juntada de substabelecimento sem reservas 
assinado pelo então advogado de Marlon, com o propósito de passar a figurar como novo e exclusivo 
advogado deste no feito. Diante do caso apresentado, responda aos itens a seguir, apresentando o 
fundamento legal. 
A) Existe impedimento do juiz em proferir sentença? (Valor: 0,60) 
Resposta: Não. Embora não exista impedimento do juiz, o Art. 134, parágrafo único, do CPC/73, 
veda que o advogado apresente petição nos autos juntando substabelecimento em causa onde seu 
genitor figure como juiz. Assim, é vedada a juntada de substabelecimento aos autos, de modo a 
restringir a intencional posterior criação de impedimento do juiz. 
B) Verificado o desprendimento da porção de terras, Ana terá direito a permanecer com a porção 
acrescida mediante pagamento de indenização a Marlon? (Valor: 0,65) 
Resposta: Ana poderá permanecer titularizando a avulsão, contudo, sem obrigação de indenizar, 
pois decorrido o prazo de um ano para reclame de Marlon, conforme o Art. 1.251 do CC. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
156 
 
E. Aquisição imobiliária por acessão artificial 
Verifica-se tal aquisição pela incorporação de móvel ao imóvel, envolvendo 
uma ação ou trabalho humano. Tem, assim, caráter oneroso. 
Presume-se pertencente ao proprietário: 
 
Art. 1.256. Se de ambas as partes houve má-fé, adquirirá o proprietário as 
sementes, plantas e construções, devendo ressarcir o valor das acessões. 
Parágrafo único. Presume-se má-fé no proprietário, quando o trabalho de 
construção, ou lavoura, se fez em sua presença e sem impugnação sua. 
 
 
F. Aquisição imobiliária pela usucapião 
Aquisição pela posse prolongada e animus domini. Trata-se de um modo de 
aquisição originária haja vista que ‘inaugura’ a formalidade da propriedade, sem que 
tenha ocorrido qualquer espécie de transmissão/sucessão. 
São situações consolidadas de posse que geram a prescrição ad 
usucapionem, estabelecendo, pelo preenchimento dos requisitos e reconhecimento 
da aquisição, segurança jurídica. 
 
REQUISITOS 
a) Pessoais: animus domini 
b) Reais: bem usucapível (exclusão dos não sujeitos a usucapião) 
c) Formais: elementos do instituto (posse mansa, pacífica e contínua; lapso de 
tempo; justo título e boa-fé; e sentença judicial ou ato de cunho judicial; 
 
 
 
Aquisição imobiliária pela usucapião - espécies 
f.1 Usucapião extraordinária – CC art. 1238 
Necessita de posse mansa, pacífica e contínua exercida com animus domini. 
Decurso de prazo: 15 anos e 10 anos 
 
Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos 
se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou 
nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. 
 
Súmula 237 STF: O usucapião pode ser arguido em defesa. 
 
157 
 
Dispensa prova de justo título e boa-fé. Requer sentença declaratória de 
aquisição do domínio ou ato jurisdicional equivalente (ver projeto more legal da CGJ; 
Registro cartorário imobiliário da sentença 
 
f.2 Usucapião ordinária – CC art. 1242 
Necessita de posse mansa, pacífica e contínua exercida com animus domini. 
Decurso de prazo: 10 anos e 5 anos. 
 
Art. 1.242. Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e 
incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos. 
Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o 
imóvel houver sido adquirido, onerosamente, com base no registro 
constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que os 
possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado 
investimentos de interesse social e econômico. 
 
Requer justo título e boa-fé. Requer sentença declaratória de aquisição do 
domínio ou ato jurisdicional equivalente). Requer registro cartorário imobiliário da 
sentença. 
 
XX EXAME OAB QUESTÃO PRÁTICA 
Mauro ajuizou ação reivindicatória em face de Joabe, alegando ser proprietário de terreno com 
1000m² , situado na cidade de São Paulo/SP. Citado, Joabe manifesta discordância com a pretensão 
autoral, alegando, em sua contestação, que, dos 1000m², teria adquirido 600m², por meio de escritura 
pública, e 400m² lhe foram transferidos por Fernando, que possuía a referida porção do imóvel, sem 
qualquer questionamento, por aproximadamente 18 anos. Ocorre que Vânia, vizinha das partes 
litigantes, constatou que, na ação reivindicatória em que litigam Mauro e Joabe, especificamente a 
porção de 600m² que ambos alegam ser proprietários, 200m² são de sua propriedade. Com base na 
hipótese apresentada, responda aos itens a seguir. 
A) Qual é a peça processual a ser manejada por Vânia em face dos litigantes, com vistas a 
resguardar seus direitos de proprietária e intervir no feito? (Valor: 0,55) 
R: Deverá utilizar-se da oposição, prevista no Art. 682 do CPC/15. A oposição tem lugar para que 
Vânia contraponha seu interesse jurídico de proprietária dos 200m² do terreno, pretendendo 
parcialmente a coisa sobre a qual controvertem Mauro e Joabe. 
B) No tocante à metragem adquirida por Joabe junto a Fernando, qual alegação pode ser utilizada por 
Joabe para conferir propriedade originária sobre a área? (Valor: 0,70) 
 
158 
 
R: Joabe poderá alegar a aquisição da propriedade sobre 400m² por usucapião, na forma do Art. 
1.238 do CC OU do Enunciado 237 da Súmula do STF. A posse do antecessor Fernando poderá ser 
utilizada por Joabe, conforme o Art. 1.243 do CC. 
XVII EXAME OAB QUESTÃO PRÁTICA 
Josué, que não tinha lugar para morar com a família, ocupou determinada área urbana de 500 metros 
quadrados. Como ignorava a titularidade do imóvel, o qual se encontrava sem demarcação e 
aparentemente abandonado, nele construiu uma casa de alvenaria, com três quartos, furou um poço, 
plantou grama, e, como não possuía outro imóvel, fixou residência com a mulher e os cinco filhos, por 
cerca de dois anos, sem ser molestado. Matusalém, proprietário do imóvel, ao tomar conhecimento 
da ocupação, ajuizou ação de reintegração de posse em face de Josué. Diante de tal situação, 
responda, fundamentadamente, às seguintes indagações a seguir. 
A) Na contestação, Josué poderia requerer a indenização pelas benfeitorias realizadas? (Valor: 0,65) 
R: Josué, por ser possuidor de boa-fé, poderá suscitar, em contestação, o direito à indenização por 
benfeitorias necessárias e úteis, nos termos do Art. 1.219 do Código Civil. 
B) Qual seria o prazo necessário para que pudesse arguir a usucapião em seu favor e qual a sua 
espécie? (Valor: 0,60). 
R: Josué teria que ter a posse mansa e pacífica do imóvel por 10 (dez) anos para a aquisição da 
propriedade pela usucapião extraordinária, nos termos do Art. 1.238, parágrafo único, do Código Civil. 
 
f.3 Usucapião especial urbana 
Posse mansa, pacífica e contínua exercida com animus domini. 
Requer também a configuração do estabelecimento de moradia no objeto da 
usucapião. 
Decurso de prazo: 5 anos e 2 anos; 
Imóvel urbano até 250m²; 
Requer sentença declaratória de aquisição do domínio (ou ato jurisdicional 
equivalente) e Registro cartorário imobiliário da sentença; 
Permitido uma única vez e desde que o postulante não tenha outros bens; 
Concedido à qualquer ou ambos os cônjuges; 
Usucapião pro habitacio: 2 anos: posse em relação ao cônjuge que 
abandonou lar. 
 
f.4 Usucapião pro labore ou especial rural ou constitucional 
 
159 
 
Posse mansa, pacífica e contínua, exercida com animus domini e uso 
produtivo/moradia, e com área máxima de 50 hás. 
 
CF Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvelrural ou urbano, 
possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, 
em zona rural, não superior a cinqüenta hectares, tornando-a produtiva por 
seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a 
propriedade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7.7 Perda da propriedade imóvel por modo voluntário 
 
 
1. Alienação: Transmissão do direito à outrem. Trata-se de um ato bilateral. 
CC 1275: Parágrafo único. Nos casos dos incisos I e II, os efeitos da perda 
da propriedade imóvel serão subordinados ao registro do título transmissivo 
ou do ato renunciativo no Registro de Imóveis. 
 
2. Renúncia – ato unilateral e voluntário abrindo mão da coisa 
Ver: renúncia de herança 
3. Abandono – ato unilateral e voluntário abandonando a coisa 
4. Perecimento do imóvel 
5. Perda, deterioração 
6. Desapropriação - Necessidade de interesse social 
7. Requisição administrativa 
 
160 
 
Entendimento: perda provisória da posse gera perda da propriedade? Há 
divergência. Subsiste responsabilidade por danos causados 
8. Desapropriação judicial 
 
Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, 
e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou 
detenha. 
§ 4o O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel 
reivindicado consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de boa-fé, 
por mais de cinco anos, de considerável número de pessoas, e estas nela 
houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços 
considerados pelo juiz de interesse social e econômico relevante. 
 
 
7.8 Aquisição da propriedade móvel 
 
1. Usucapião ordinária: CC art. 1260 
Posse mansa, pacífica e contínua exercida com animus domini. 
 
Art. 1260: Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e 
incontestadamente durante três anos, com justo título e boa-fé, adquirir-lhe-
á a propriedade. 
 
Requer: 
a) Justo título e boa-fé 
b) Decurso de prazo: 3 anos 
c) Sentença declaratória de aquisição do domínio e Registro cartorário 
imobiliário da sentença 
 
2. Usucapião extraordinária – CC art.1261 
Cabível quando há posse mansa, pacífica e contínua exercida com animus 
domini. 
Art. 1261: Se a posse da coisa móvel se prolongar por cinco anos, produzirá 
usucapião, independentemente de título ou boa-fé. 
 
Não requer Justo título e boa-fé. 
Requer: 
a) Decurso de prazo: 5 anos 
b) sentença declaratória de aquisição do domínio e Registro cartorário 
imobiliário da sentença 
 
161 
 
 
As ações de usucapião de bem móvel são realizadas conforme mesmo molde 
das ações de usucapião de bem imóvel, porém com o ajuste necessário á 
adequação da fundamentação e requisitos. 
 
3. Ocupação: 
Apropriação por conta de inexistência de dono ou abandono. 
 
Art. 1.263. Quem se assenhorear de coisa sem dono para logo lhe adquire a 
propriedade, não sendo essa ocupação defesa por lei. 
 
Ocorre mediante: 
a) Res nullius – aquisição original 
b) Res derelictae – coisa abandonada por outrem (v.g. animal bravio 
4. Achado de tesouro 
 
5. Tradição 
 
6. Especificação (transformação – industrialização) 
 
7. Confusão (mistura coisas líquidas - inseparáveis) 
 
8. Comistão (mistura de coisas sólidas ou secas - inseparáveis) 
 
9. Adjunção: justaposição de coisas que se tornam imbricadas 
 
 
7.9 Perda da propriedade móvel 
 
Modos voluntários 
• Alienação 
• Renúncia 
• Abandono 
 
 
 
162 
 
Modos involuntários 
• Perda 
• Perecimento 
• Requisição 
• Desapropriação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
163 
 
 
12. AÇÃO DE USUCAPIÃO 
 
 
A ação de usucapião tem por foco o reconhecimento de requisitos definidos 
em lei para aquisição da propriedade móvel ou imóvel. Trata-se de situação em que 
há aquisição originária da propriedade, sendo necessário o estrito cumprimento dos 
requisitos previstos na respectiva modalidade de usucapião. 
Há, contudo, peculiaridades inerentes à ação de usucapião, como a 
necessidade de citação de confinantes (lindeiros), bem como das fazendas públicas 
municipal, estadual e federal, haja vista a necessidade de oportunidade de 
contraditório em caso de direito de terceiros. 
Quanto à fundamentação jurídica, a usucapião poderá ser extraordinária, 
ordinário, especial, rural, urbano, pro labore e pro habitacio. 
 
Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, 
possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, 
independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o 
declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de 
Registro de Imóveis. 
Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos 
se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou 
nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. 
Art. 1.239. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, 
possua como sua, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra 
em zona rural não superior a cinqüenta hectares, tornando-a produtiva por 
seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a 
propriedade. 
Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e 
cinqüenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem 
oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o 
domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
§ 1o O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem 
ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. 
§ 2o O direito previsto no parágrafo antecedente não será reconhecido ao 
mesmo possuidor mais de uma vez. 
Art. 1.240-A. Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem 
oposição, posse direta, com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 
250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja propriedade divida 
com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para 
sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que 
não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. (Incluído pela Lei 
nº 12.424, de 2011) 
§ 1o O direito previsto no caput não será reconhecido ao mesmo possuidor 
mais de uma vez. 
§ 2o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011) 
Art. 1.241. Poderá o possuidor requerer ao juiz seja declarada adquirida, 
mediante usucapião, a propriedade imóvel. 
08 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12424.htm#art9
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12424.htm#art9
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Msg/VEP-203.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12424.htm#art9
 
164 
 
Parágrafo único. A declaração obtida na forma deste artigo constituirá título 
hábil para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. 
Art. 1.242. Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e 
incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos. 
Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o 
imóvel houver sido adquirido, onerosamente, com base no registro 
constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que os 
possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado 
investimentos de interesse social e econômico. 
Art. 1.243. O possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos 
artigos antecedentes, acrescentar à sua posse a dos seus antecessores 
(art. 1.207), contanto que todas sejam contínuas, pacíficas e, nos casos do 
art. 1.242, com justo título e de boa-fé. 
Art. 1.244. Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca 
das causas que obstam, suspendem ou interrompem a prescrição, as quais 
também se aplicam à usucapião. 
 
Repita-se, por fim, que além dos requisitos do art. 319 do CPC, é necessário 
apontar os requisitos específicos da espécie deusucapião que está sendo abordado 
Considerando que já houve pedido de peça de consignação, vamos trabalhar 
com a elaboração da peça do XVII Exame da OAB: 
 
VIII EXAME OAB. PEÇA PROCESSUAL 
Norberto da Silva, pessoa desprovida de qualquer bem material, adquiriu de terceiro, há nove anos e 
meio, posse de terreno medindo 240m² em área urbana, onde construiu moradia simples para sua 
família. O terreno está situado na Rua Cardoso Soares nº 42, no bairro de Lírios, na cidade de 
Condonópolis, no estado de Tocantins. São seus vizinhos do lado direito Carlos, do esquerdo 
Ezequiel e, dos fundos, Edgar. A posse é exercida ininterruptamente, de forma mansa e pacífica, sem 
qualquer oposição. No último ano o bairro passou por um acelerado processo de valorização devido à 
construção de suntuosos projetos imobiliários. Em razão disso, Norberto tem sido constantemente 
sondado a se retirar do local, recebendo ofertas de valor insignificante, já que as construtoras alegam 
que o terreno sequer pertence a ele, pois está registrado em nome de Cândido Gonçalves. Norberto 
não tem qualquer interesse em aceitar tais ofertas; ao contrário, com setenta e dois anos de idade, 
viúvo e acostumado com a vida na localidade, demonstra desejo de lá permanecer com seus filhos. 
Por não ter qualquer documentação oficial que lhe resguarde o direito de propriedade do imóvel, 
Norberto procura um advogado a fim de que seja intentada medida judicial. Elabore a peça 
processual cabível in caso, indicando os seus requisitos e fundamentos nos termos da legislação 
vigente. 
 
PADRÃO DE RESPOSTA (DE ACORDO DOM CPC/73): 
 
A medida judicial é AÇÃO DE USUCAPIÃO ESPECIAL URBANO, regido pela Lei n. 10.257/01 c/c art. 
1.240 do CC e artigos 941 a 945 do CPC/73, pelo rito sumário (art. 14 da Lei n. 10.257/01). O 
 
165 
 
examinando deverá dirigir a petição inicial ao juízo cível competente para conhecer e julgar a medida, 
que é o da comarca de Condonópolis, à luz da competência territorial absoluta em razão do disposto 
no art. 95 do CPC. No bojo da petição inicial deverá indicar corretamente os polos passivo (Cândido 
Gonçalves) e ativo (Norberto da Silva), qualificando as partes, e o nome correto da ação, observando 
que o procedimento a ser adotado é o sumário (art. 14 da Lei n. 10.257/01 c/c art. 275, II, h, do 
CPC/73), e por isso deve indicar, desde logo, o rol de testemunhas. O endereço profissional para 
onde deverão ser encaminhadas as intimações também deve ser apresentado em atenção ao que 
dispõe o art. 39, I, do CPC/73. 
Por se tratar o autor de pessoa idosa e desprovida de recursos materiais, deve ser apresentada 
fundamentação para a concessão da prioridade na tramitação do feito (art. 71 da Lei n. 10.74/01 – 
Estatuto do Idoso – OU art. 1.211-A do CPC) e que justifique a concessão dos benefícios da Justiça 
Gratuita (Lei n. 1.060/50), inclusive no âmbito do cartório do registro de imóveis (§ 2o do art. 12 da Lei 
n. 10.257/01). Além da narrativa dos fatos com clareza, devem ser apresentados os fundamentos 
jurídicos compreendendo, em razão da natureza da causa, a exposição do exercício prolongado da 
posse, sem oposição, de maneira ininterrupta e para fins de moradia, além do aponte da inexistência 
de outro bem de propriedade do autor, bem como a demonstração de que o imóvel é inferior 250m² 
nos termos da planta do imóvel anexada (art. 942 do CPC), tudo nos moldes do art. 183 da CRFB/88 
OU 1.240 e seguintes do CC OU 9º da Lei n. 10.257/01. 
No pedido, deverá ser requerida a concessão dos benefícios da gratuidade de justiça e da prioridade 
na tramitação; a citação do réu, dos confinantes pessoalmente (Súmula 391 do STF) e dos 
interessados, por edital; intimação das Fazendas Públicas (art. 943 do CPC) e do Ministério Público 
(art. 944 do CPC) e a produção de provas. Ao final, a procedência do pedido para declarar a 
propriedade do imóvel e a condenação em honorários e custas processuais. Por fim, deverá indicar o 
valor da causa e apontar o rol de testemunhas (art. 14 da Lei n. 10.257/01 c/c art. 276 do CPC). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
166 
 
Distribuição dos pontos – Lembre-se que o VIII Exame usava o CPC/73. 
QUESITO AVALIADO VALORES 
Endereçamento correto: Juízo da comarca de Condonópolis com competência 
cível (0,15) OBS.: Se o candidato indicar juízo materialmente incompetente, não 
pontua. 
0,00 / 0,15 
Indicação correta do polo ativo Norberto da Silva (0,15) e do polo passivo 
Cândido Gonçalves (0,15); indicação de qualificação das partes (0,10). 
0,00/0,15/0,25/0,30/0,40 
Indicação correta da ação cabível (0,10). 0,00/0,10 
Adoção do Rito Sumário(0,15) na forma do art. 14 da Lei n. 10.257/01 ou art. 275, 
II, h, do CPC. (0,10). OBS.: A mera menção do dispositivo legal não pontua. 
0,00/0,15/0,25 
Indicação do endereço para as intimações (art. 39, I, do CPC).(0,10) 0,00/0,10 
Fatos e Fundamentos jurídicos: Exercício prolongado da posse; (0,20) 
Inexistência de propriedade de outro bem imóvel; (0,20) Imóvel inferior a 250m² 
conforme documento anexo; (0,20) Destinação do imóvel. (0,20) 
0,00/0,20/0,40/0,60/0,80 
 
Fundamentos legais: Art. 941 do CPC (0,20) Art. 183 da CF/88 OU Art. 1240 do 
CC OU Art. 9º da Lei 10.257/01 (0,20) 
0,00/0,20/0,40 
Fundamentação para a concessão de gratuidade de justiça nos termos da Lei n. 
1.060/50 (0,25) e pedido para benefício da Justiça Gratuita (0,10) 
0,00/0,10/0,25/0,35 
Fundamentação para concessão de prioridade na tramitação por se tratar de 
pessoa idosa, na forma do art. 1.211-A do CPC ou art. 71 da Lei n. 10.741/03. 
(0,25) e pedido de prioridade na tramitação, na forma do art. 1.211-A do CPC, por 
se tratar de idoso. (0,10) 
0,00/0,10/0,25/0,35 
Requerimentos: I. Citação do réu; II. Citação dos confinantes Carlos, Ezequiel e 
Edgar (art. 942 do CPC); III. Citação dos interessados por edital; IV. Intimação da 
Fazenda Pública da União, do Estado e do Município; V. Intimação do Ministério 
Público (art. 944 do CPC); VI. Produção de provas 
0,00/0,20/0,40/0,60/ 
0,80/1,00/1,20 
Pedidos: I. Procedência do Pedido para declarar a propriedade do imóvel. (0,35) 
II. Pedido de condenação em honorários e custas processuais. (0,10) 
0,00/0,10/0,35/0,45 
Valor da causa. 0,00/0,20 
Rol de testemunhas (art. 14 da Lei n. 10.257/01 c/c art. 276 do CPC). 0,00/0,25 
 
 
 
 
 
167 
 
CONSTRUÇÃO DA PEÇA PRÁTICA – ADAPTADA PARA O NOVO CPC – AÇÃO 
DE USUCAPIÃO ESPECIAL URBANO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL 
DA COMARCA DE CONDONÓPOLIS / TO 
 
NORBERTO DA SILVA..., nacionalidade..., estado civil viúvo, união 
estável..., profissão..., portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob 
nº..., com endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., 
Cidade..., Estado..., CEP..., por intermédio de seu procurador constituído 
(procuração em anexo), OAB..., endereço eletrônico... e endereço profissional na 
Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., onde recebe intimações, na forma do 
art. 287 do Código de Processo Civil, vem, respeitosamente, à presença de 
Vossa Excelência, propor a presente 
 
AÇÃO DE USUCAPIÃO ESPECIAL URBANO, com fundamento no art. 318 e 
319 do Código de Processo Civil cumulado com art. 1.240 do Código Civil, em 
face de 
 
CANDIDO GONÇALVES..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., 
profissão..., portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com 
endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., 
Estado..., CEP..., pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Expor brevemente os fatos narrados no enunciado. Discorrer sobre o 
demandado e sua condição. Fazer complemento acerca da inexistência da 
relação jurídica entre as partes. Individualizar o imóvel e a posse sobre o mesmo. 
O autor é possuidor do imóvel abaixotranscrito há 09 anos e 06 meses, de modo 
manso, pacífico, ininterrupto, onde estabeleceu a sua moradia e de sua família. 
O imóvel, conforme mapa e memorial descritivo anexos, possui as seguintes 
características:... 
 
168 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Expor, como fundamentos: A relação jurídica envolvendo as partes; a 
configuração da situação de posse nos termos do art. 1.240 do Código Civil; 
Posse mansa, pacífica e ininterrupta; Metragem do imóvel; Animus Domini; 
Inexistência de outro imóvel; Tempo de posse ininterrupta; Indicar os elementos 
da prova necessários – rol de testemunhas (conforme enunciado). 
 
3. DOS PEDIDOS: 
Em face do exposto, requer: 
a) O recebimento e distribuição da demanda, nos termos do art. 1.240 do Código 
Civil; 
 
b) A citação do Requerido, proprietário registral do imóvel, para contestar a 
presente, no prazo legal, sob pena de confissão e revelia; 
 
c) A citação dos confinantes (Carlos, Ezequiel e Edgar – endereços em anexo) 
pessoalmente, na forma do art. 246, §3º, do Código de Processo Civil; 
 
d) A publicação de edital, nos termos do art. 259, I, do Código de Processo Civil; 
 
e) A intimação da Fazenda Pública Municipal, Estadual e Federal, bem como do 
Ministério Público, acerca do presente; 
 
f) protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do CPC; 
 
g) A procedência da demanda para o fim de declarar a propriedade do imóvel em 
favor do Autor, nos termos do art. 487, I do Código de Processo Civil, bem como 
art. 1.240 do Código Civil; 
 
 
169 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
h) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e 
honorários advocatícios, na forma do art. 85 do CPC/15; 
 
i) protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do CPC; 
 
j) Por fim, postula que seja determinada a tramitação preferencial do presente, 
por orça do art. 71 da Lei 10.741/2003 e art. 1.048, I do Código de Processo Civil. 
 
Valor da causa R$... (art. 291 e 292 do Código de Processo Civil) 
 
Local..., Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
170 
 
13. AÇÃO DE AJUDICAÇÃO COMPULSÓRIA 
 
A ação de adjudicação compulsória tem por objetivo, ou pedido, a realização 
de transferência de um bem, móvel ou imóvel, a partir da mora de comprador ou 
vendedor em realizar a transferência definitiva após pagamento do preço em 
contrato ou escritura pública de promessa de compra e venda ou outro meio 
contratual preliminar. 
Seu objetivo, assim, é postular ao juízo que imponha à parte adversa a 
realização da transferência do bem (adjudicação compulsória), ante a negativa do 
vendedor em firmar escritura pública definitiva ou omissão do comprador em realizar 
a transferência do bem. 
Sendo autor o adquirente, a partir da comprovação do negócio e de sua 
quitação, a pretensão é de que o juízo expeça a carta de adjudicação, hábil à 
transferência do bem para o autor. 
Tratando-se o autor de alienante do bem, a pretensão é o depósito do bem 
juízo, à conta e risco do comprador, retirando-se os encargos e responsabilidades 
daí decorrentes. 
Podemos citar como exemplo, aqui, para bem imóvel, a pretensão de 
adjudicação de promitente comprador de imóvel, onde o vendedor se nega, faleceu 
ou desapareceu, impedindo a realização de contrato definitivo para transferência. 
Nesse caso, há súmula afastando a necessidade de registro prévio para viabilizar a 
adjudicação: 
 
SÚMULA 239 STJ: “O direito a adjudicação compulsória não se condiciona ao 
registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis”. 
 
Especificamente acerca da adjudicação em promessa de compra e venda, a 
fundamentação da ação está centrada nos art. 15 a 17 do Dec. Lei 58/1.937: 
 
Art. 15. Os compromissários têm o direito de, antecipando ou ultimando o 
pagamento integral do preço, e estando quites com os impostos e taxas, 
exigir a outorga da escritura de compra e venda. 
Art. 16. Recusando-se os compromitentes a outorgar a escritura definitiva 
no caso do artigo 15, o compromissário poderá propor, para o cumprimento 
09 
 
171 
 
da obrigação, ação de adjudicação compulsória, que tomará o rito 
sumaríssimo. (Redação dada pela Lei nº 6.014, de 1973) 
 § 1 º A ação não será acolhida se a parte, que a intentou, não cumprir 
a sua prestação nem a oferecer nos casos e formas legais. (Redação dada 
pela Lei nº 6.014, de 1973) 
 § 2 º Julgada procedente a ação a sentença, uma vez transitada em 
julgado, adjudicará o imóvel ao compromissário, valendo como título para a 
transcrição. (Redação dada pela Lei nº 6.014, de 1973) 
 § 3 º Das sentenças proferidas nos casos deste artigo, caberá 
apelação. (Redação dada pela Lei nº 6.014, de 1973) 
§ 4º Das sentenças proferidas nos casos dêste artigo caberá o recurso de 
agravo de petição. 
§ 5º Estando a propriedade hipotecada, cumprido o dispositivo do § 3º, do 
art. 1º, será o credor citado para, no caso dêste artigo, autorizar o 
cancelamento parcial da inscrição, quanto aos lotes comprometidos. 
Art. 17. Pagas todas as prestações do preço, é lícito ao compromitente 
requerer a intimação judicial do compromissário para, no prazo de trinta 
dias, que correrá em cartório, receber a escritura de compra e venda. 
Parágrafo único. Não sendo assinada a escritura nesse prazo, depositar-se-
á o lote comprometido por conta e risco do compromissário, respondendo 
este pelas despesas judiciais e custas do depósito. 
 
Outro exemplo comum é o uso da adjudicação movida por vendedor de 
veículo em face de comprador que não realiza o registro da venda no órgão 
executivo de trânsito, a qual é movida especialmente para desobrigar de impostos e 
penalidades de trânsito. 
Na essência, a ação pretende o cumprimento de obrigação de fazer de uma 
parte em relação à outra. 
O pedido, na ação, será de procedência da demanda, com a adjudicação 
compulsória do bem em favor do autor/réu. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6014.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6014.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6014.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6014.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6014.htm#art1
 
172 
 
MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL 
DA COMARCA DE ... 
 
TICIO..., nacionalidade..., estado civil viúvo, união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., por intermédio de seu procurador constituído (procuração em anexo), 
OAB..., endereço eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., 
Cidade..., Estado..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de 
Processo Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a 
presente 
 
AÇÃO DE ADJUDICAÇÃO COMPULSÓRIA, com fundamento no art. 318 e 319 
do Código de Processo Civil cumulado com art. 16 do Decreto-Lei nº 58/37, em 
face de 
 
CAIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPFsob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Expor brevemente os fatos narrados no enunciado. 
O autor vendeu ao demandado um imóvel mediante promessa de compra e 
venda. O valor do R$... Já foi integralmente quitado. Ocorre, contudo, que o 
requerido, apesar de diversas vezes chamado a transferir o imóvel nega-se à 
fazê-lo, o que está gerando a incidência de tributos, bem como riscos diversos em 
prejuízo do Autor. 
O Autor, assim, pretende que seja imposto ao Requerido o dever de 
transferir o bem, que já está na sua posse desde a assinatura do contrato. 
 
 
173 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Expor como fundamentos: a origem e o fundamento do direito buscando, 
indicando o direito material, processual e súmulas pertinentes ao caso. Expor o 
direito sonegado e a pretensão de satisfação. 
Conforme se verifica no art. 16 do Decreto-Lei nº 58/37, é direito da parte 
contratante exigir da contratada a transferência do bem tão logo liquidado o preço 
pactuado em promessa de compra e venda. 
Segundo o dispositivo citado, é direito do vendedor exigir do comprador a 
transferência do bem, especialmente no caso em tela, em que a desídia do 
comprador está gerando débitos em nome do vendedor e ora Autor, além dos 
riscos naturais da coisa por responsabilidade civil. 
Necessário dizer que o bem está individualizado no contrato anexo, bem 
como constam as negativas necessárias para transferência, sendo a omissão do 
Requerido imotivada. 
Vale dizer, ainda, que houve notificação formal do demandado para 
transferir, o que, contudo, não foi atendido. 
 
3. DOS PEDIDOS: 
Em face do exposto, requer: 
a) O recebimento e distribuição da demanda; 
 
b) O benefício da gratuidade da justiça, por ser o Autor pessoa pobre nos termos 
da lei, consoante previsão dos artigos 98 e 99 do Código de Processo Civil ou o 
recolhimento das custas iniciais, consoante previsão do art. 82 do Código de 
Processo Civil (conforme previsão do enunciado). 
 
c) Requer a concessão da tutela provisória de... para o fim de... (verificar se é o 
caso de tutela provisória conforme enunciado); 
 
d) A tramitação preferencial do presente feito, tendo em vista o art... (verificar art. 
1.048 do Código de Processo Civil e legislação especial eventualmente cabível 
ao caso); 
 
 
174 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
e) A intervenção do Ministério Público (verificar se é caso de pedir, em uma das 
situações do artigo 178 do CPC); 
 
f) Nos termos do art. 319, VII do Código de Processo Civil, manifesta o Autor o 
seu ... na realização da audiência de conciliação ou mediação (de acordo com o 
enunciado da FGV); 
 
g) Requer a citação do Réu para comparecer à audiência de conciliação ou 
mediação a ser designada por Vossa Excelência com antecedência de 30 dias na 
forma do art. 334 do Código de Processo Civil, e, posteriormente, caso não obtida 
a autocomposição, ofereça contestação no prazo legal, consoante previsão do 
art. 335, I do Código de Processo Civil; 
 
h) Requer a intimação do procurador do Autor para que tome ciência da data 
aprazada para audiência de mediação e conciliação; 
 
i) protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do CPC; 
 
j) A procedência da demanda para o fim de condenar o Requerido a transferir o 
imóvel para si em prazo fixado pelo juízo, sob pena de astreintes diárias, na 
forma do art. 16 do Decreto-Lei 58/37; 
 
k) A procedência da demanda para o fim de declarar a propriedade do imóvel em 
favor do Autor, nos termos do art. 487, I do Código de Processo Civil, bem como 
art. 1.240 do Código Civil; 
 
l) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e 
honorários advocatícios, na forma do art. 85 do CPC/15; 
 
 
175 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Valor da causa R$... (art. 291 e 292 do Código de Processo Civil) 
 
Termos em que, 
Pede e espera deferimento. 
 
Local..., Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
176 
 
14. AÇÃO CONFESSÓRIA 
 
A ação confessória tem por escopo o reconhecimento ou a proteção de 
servidão, quando o dono do prédio serviente passa a negar ou embaraçar a 
servidão, sendo, portanto, uma ação movida tipicamente pelo dono do prédio 
dominante – ou detentor da servidão; 
É importante lembrar a existência da ação negatória que, ao contrário, tem 
por escopo viabilizar o reconhecimento de inexistência de servidão, ou mesmo a sua 
limitação em caso de uso depreciativo da servidão pelo dominante ou sua ampliação 
imotivada. 
A fundamentação jurídica da ação confessória está calcada no art. 1383 do 
Código Civil, que viabiliza o manejo da referida ação: 
 
Art. 1.383. O dono do prédio serviente não poderá embaraçar de modo 
algum o exercício legítimo da servidão. 
 
O pedido a ser formulado na ação confessória relaciona-se à pretensão, ou 
seja, será de reconhecimento da servidão e a sua preservação da lesão praticada 
pelo demandado: “...requer a procedência da demanda para o fim de reconhecer e 
preservar a servidão, com a condenação do demandado à cessação da lesão, sob 
pena de multa pecuniária”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
177 
 
MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL 
DA COMARCA DE ... 
 
TICIO..., nacionalidade..., estado civil viúvo, união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., por intermédio de seu procurador constituído (procuração em anexo), 
OAB..., endereço eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., 
Cidade..., Estado..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de 
Processo Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a 
presente 
 
AÇÃO CONFESSÓRIA, com fundamento no art. 1.383 do Código Civil, em face 
de 
 
CAIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Narrar o que ocorreu no mundo dos fatos que ensejou a propositura da 
ação, conforme problema fornecido pela FGV. 
No caso, importante demonstrar justamente que o dono do prédio serviente 
está causando embaraço ao exercício da servidão, a partir de citação de 
elementos que constam no enunciado. 
Demonstrar qual é a tutela de proteção pretendida (normalmente a 
abstenção do requerido quanto ao embaraço da servidão). 
 
 
178 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Trazer a fundamentação legal da ação, demonstrando seu cabimento. 
Especificamente, importante citar o art. 1383 do Código Civil, que 
estabelece a prerrogativa de proteção da servidão pelo dono do prédio 
dominante. 
Art. 1.383. O dono do prédio serviente não poderá embaraçar de modo 
algum o exercício legítimo da servidão. 
Ver se é o caso de postular-se tutela de urgência,com o que, então, criar 
novo item acerca do pedido e demonstração de seus requisitos (art. 300 do 
Código de Processo Civil). 
 
3. DOS PEDIDOS: 
Diante do exposto, requer o Autor: 
a) O recebimento da presente demanda, com base no art. 1383 do Código Civil; 
 
b) Requer a concessão da tutela provisória de... para o fim de... (verificar se é o 
caso de tutela provisória conforme enunciado); 
 
c) Nos termos do art. 319, VII do Código de Processo Civil, manifesta o Autor o 
seu ... na realização da audiência de conciliação ou mediação (de acordo com o 
enunciado da FGV); 
 
d) Requer a citação do Réu para comparecer à audiência de conciliação ou 
mediação a ser designada por Vossa Excelência com antecedência de 30 dias na 
forma do art. 334 do Código de Processo Civil, e, posteriormente, caso não obtida 
a autocomposição, ofereça contestação no prazo legal, consoante previsão do 
art. 335, I do Código de Processo Civil; 
 
e) Requer a intimação do procurador do Autor para que tome ciência da data 
aprazada para audiência de mediação e conciliação; 
 
 
179 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
f) Requer a concessão do benefício da gratuidade da justiça, por ser o Autor 
pessoa pobre nos termos da lei, consoante previsão dos artigos 98 e 99 do 
Código de Processo Civil ou o recolhimento das custas iniciais, consoante 
previsão do art. 82 do Código de Processo Civil (conforme previsão do 
enunciado). 
 
g) Seja ao final julgada totalmente procedente a ação, para o fim de, confirmando 
a tutela de urgência, proteger a servidão em favor do autor, com a determinação 
judicial ao demandado de respeito á mesma, sob pena de multa diária por 
descumprimento e/ou crime de desobediência à ordem judicial, com estofo no art. 
1.383 do Código Civil; 
 
h) Requer a condenação do Requerido nas custas processuais e honorários 
advocatícios, na forma do art. 85 do Código de Processo Civil; 
 
i) protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do Código de Processo Civil; 
 
Valor da causa: Dá a causa o valor de R$... (ART. 292 do Código de Processo 
Civil) 
 
Termos em que, 
Pede deferimento. 
Local..., Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
180 
 
15. AÇÃO NEGATÓRIA 
 
A ação negatória, relativamente à propriedade, tem por foco, a pretensão de 
preservação de propriedade, buscando-se, através da mesma, o reconhecimento de 
inexistência de servidão ou outro ônus real. 
O objetivo da negatória é a preservação da propriedade em favor do autor, 
diante de situação de turbação desta. 
É necessário destacar que há muita proximidade desta com as ações 
possessórias, pois em ambas é o titular do direito real que busca a sua preservação; 
contudo, tratando-se de das ações possessória, a pretensão é a preservação da 
posse, enquanto que a ação negatória pretende a preservação da propriedade em 
relação à pretensão alheia de ônus reais (como a citada servidão ou usucapião). 
A fundamentação jurídica da negatória está calcada na preservação da 
propriedade, pelo que, pode-se citar, o art. 1228 do CC como referência: 
 
Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, 
e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou 
detenha. 
 
É tipicamente uma ação do proprietário possuidor em face de pretendente à 
turbação de sua propriedade: 
 
Além da ação tuteladora por excelência, do direito de propriedade – a rei 
uindicatio (utilizável quando o proprietário é privado da posse da coisa 
intenta recupera-la) -, da actio negatória (de que se vale o proprietário para 
negar a existência de direito real de outrem sobre sua coisa) e dos 
diferentes meios de tutela dos direitos de vizinhança, dispõe ainda, o 
proprietário dos interditos possessórios, de ações de caráter penal (...) e de 
outras ações (ALVES, José Carlos Moreira, Direito Romano – Rio de 
Janeiro; Forense, p. 316, 2004) 
 
Quanto aos fundamentos, demonstrar a propriedade e a tentativa de sua 
turbação. Quanto aos pedidos, requerer a procedência da demanda, com a 
confirmação da propriedade e a sua preservação em face do demandado. 
 
 
 
11 
 
181 
 
MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL 
DA COMARCA DE ... 
 
TICIO..., nacionalidade..., estado civil viúvo, união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., por intermédio de seu procurador constituído (procuração em anexo), 
OAB..., endereço eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., 
Cidade..., Estado..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de 
Processo Civil, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a 
presente 
 
AÇÃO NEGATÓRIA, com fundamento no art. 318 e 319 do Código de Processo 
Civil cumulado com art. 1.228 DO Código Civil , em face de 
 
CAIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Narrar o que ocorreu no mundo dos fatos que ensejou a propositura da 
ação, conforme problema fornecido pela FGV. 
 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Trazer a fundamentação legal da ação demonstrando seu cabimento. 
Mencionar a origem e o fundamento do direito buscado, incluindo o direito 
material, processual e súmulas para justificar seu pleito. Demonstrar o direito 
sonegado e a pretensão de satisfação; 
 
 
182 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. DOS PEDIDOS: 
Ante o exposto, requer: 
a) O recebimento e distribuição da demanda; 
 
b) O benefício da gratuidade da justiça, por ser o Autor pessoa pobre nos termos 
da lei, consoante previsão dos artigos 98 e 99 do Código de Processo Civil ou o 
recolhimento das custas iniciais, consoante previsão do art. 82 do Código de 
Processo Civil (conforme previsão do enunciado). 
 
c) Requer a concessão da tutela provisória de... para o fim de... (verificar se é o 
caso de tutela provisória conforme enunciado); 
 
d) A tramitação preferencial do presente feito, tendo em vista o art... (verificar art. 
1.048 do Código de Processo Civil e legislação especial eventualmente cabível ao 
caso); 
 
e) A intervenção do Ministério Público (verificar se é caso de pedir, em uma das 
situações do artigo 178 do CPC); 
 
f) Nos termos do art. 319, VII do Código de Processo Civil, manifesta o Autor o 
seu ... na realização da audiência de conciliação ou mediação (de acordo com o 
enunciado da FGV); 
 
g) Requer a citação do Réu para comparecer à audiência de conciliação ou 
mediação a ser designada por Vossa Excelência com antecedência de 30 dias na 
forma do art. 334 do Código de Processo Civil, e, posteriormente, caso não obtida 
a autocomposição, ofereça contestação no prazo legal, consoante previsão do art. 
335, I do Código de Processo Civil; 
 
h) Requer a intimação do procurador do Autor para que tome ciência da data 
aprazada para audiência de mediação e conciliação; 
 
 
183 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
i) protesta por provar o alegado por meiode todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do 
art. 319, VI, do CPC; 
 
j) A procedência da demanda para o fim de manter hígida a propriedade do Autor, 
com todos os seus atributos, nos termos do art. 1.228 do Código Civil, bem como 
determinar ao Requerido a cessão da lesão causada por si, sob pena de 
astreintes. 
 
k) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e 
honorários advocatícios, na forma do art. 85 do CPC/15; 
 
Valor da causa R$... (art. 291 e 292 do Código de Processo Civil) 
 
Termos em que, 
Pede e espera deferimento. 
 
Local..., Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
184 
 
16. NUNCIAÇÃO DE OBRA NOVA 
 
A ação de nunciação de obra nova tem por objetivo obstar/impedir a 
realização de obra em desacordo com norma legal ou pacto contratual. 
No CPC há apenas singela referência no art. 47, ao referir que o foro de 
competência será no domicílio do imóvel: 
 
Art. 47. Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente 
o foro de situação da coisa. 
§ 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição 
se o litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, 
divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova. 
 
Assim a base legislativa para a presente ação será a própria referência de 
direito material, podendo, assim, encaixar-se no código civil, plano diretor da cidade, 
código de obras. 
No caso do CC, podemos ter por base, v.g., os art. 1299 e ss: 
 
Art. 1.299. O proprietário pode levantar em seu terreno as construções que 
lhe aprouver, salvo o direito dos vizinhos e os regulamentos administrativos. 
Art. 1.300. O proprietário construirá de maneira que o seu prédio não 
despeje águas, diretamente, sobre o prédio vizinho. 
Art. 1.301. É defeso abrir janelas, ou fazer eirado, terraço ou varanda, a 
menos de metro e meio do terreno vizinho. 
 
É importante ter em mente que essa ação visa suspender a execução de obra 
irregular, forçando a correção da obra ou o atendimento á norma específica, dando 
ao lindeiro a prerrogativa de agir. 
 Como requisitos, deve conter: a) A demonstração da correlação do autor para 
com a obra; b) A irregularidade da obra; c) A citação do dono do imóvel (é possível 
postular a intimação do construtor para suspender/paralisar a obra); A irregularidade 
da obra; d) O pedido final de ordem de suspensão até ajuste ou mesmo 
desfazimento se impossível o ajuste. 
 
 
 
 
 
12 
 
185 
 
MODELO EXEMPLIFICATIVO – Observar a necessidade de adaptação ao caso concreto! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL DA 
COMARCA DE ... 
 
TICIO..., nacionalidade..., estado civil viúvo, união estável..., profissão..., 
portador da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., 
CEP..., por intermédio de seu procurador constituído (procuração em anexo), OAB..., 
endereço eletrônico... e endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., 
Estado..., onde recebe intimações, na forma do art. 287 do Código de Processo Civil, 
vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a presente 
 
AÇÃO DE NUNCIAÇÃO DE OBRA NOVA, com fundamento no art. 318 e 319 do 
Código de Processo Civil cumulado com art. ... (do Código Civil ou Código de Obras 
ou Código de posturas, etc...), em face de... 
 
CAIO..., nacionalidade..., estado civil..., união estável..., profissão..., portador 
da Cédula de identidade nº..., inscrito no CPF sob nº..., com endereço eletrônico..., 
residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., CEP..., pelas 
razões de fato e de direito a seguir expostas: 
 
1. DOS FATOS: 
Narrar o que ocorreu no mundo dos fatos que ensejou a propositura da ação, 
conforme problema fornecido pela FGV. Demonstrar a correlação do Autor para com 
a obra; 
2. DOS FUNDAMENTOS: 
Trazer a fundamentação legal da ação demonstrando seu cabimento. Expor, como 
fundamentos: a origem e fundamento do direito buscado (colocar o direito material, 
súmulas, processual), a ofensa à norma da obra, a necessidade de sua suspensão e, 
ao final, ajuste ou desfazimento definitivo e fundamentar com o artigo de lei que esta 
sendo descumprido na construção. 
 
 
186 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. DA TUTELA DE URGÊNCIA: 
Expor eventual necessidade de tutela de urgência, na forma do art. 300 do 
Código de Processo Civil (normalmente, será pedido para suspender a realização da 
obra para evitar a perda do objeto). 
Demonstrar a probabilidade do direito e o perigo de dano ou/e perda do objeto da 
demanda. 
 
4. DOS PEDIDOS: 
Ante o exposto, requer: 
a) O recebimento e distribuição da demanda com deferimento da tutela de urgência 
para suspender a obra, na forma do art. 300 do Código de Processo Civil, intimando-
se o construtor e obreiros imediatamente da suspensão da obra. 
 
b) O benefício da gratuidade da justiça, por ser o Autor pessoa pobre nos termos da 
lei, consoante previsão dos artigos 98 e 99 do Código de Processo Civil ou o 
recolhimento das custas iniciais, consoante previsão do art. 82 do Código de 
Processo Civil (conforme previsão do enunciado). 
 
c) A tramitação preferencial do presente feito, tendo em vista o art... (verificar art. 
1.048 do Código de Processo Civil e legislação especial eventualmente cabível ao 
caso); 
 
d) A intervenção do Ministério Público (verificar se é caso de pedir, em uma das 
situações do artigo 178 do CPC); 
 
e) Nos termos do art. 319, VII do Código de Processo Civil, manifesta o Autor o seu 
... na realização da audiência de conciliação ou mediação (de acordo com o 
enunciado da FGV); 
 
 
187 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
f) Requer a citação do Réu para comparecer à audiência de conciliação ou 
mediação a ser designada por Vossa Excelência com antecedência de 30 dias na 
forma do art. 334 do Código de Processo Civil, e, posteriormente, caso não obtida 
a autocomposição, ofereça contestação no prazo legal, consoante previsão do art. 
335, I do Código de Processo Civil; 
 
g) Requer a intimação do procurador do Autor para que tome ciência da data 
aprazada para audiência de mediação e conciliação; 
 
h) protesta por provar o alegado por meio de todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial pela produção de prova documental, depoimento pessoal, 
testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e 
demais meios que se fizerem necessários, sob pena de confesso, na forma do art. 
319, VI, do CPC; 
 
i) A procedência da demanda para o fim de confirmar a tutela de urgência 
concedida e determinar a suspensão em definitivo da obra até correção ou 
determinar o desfazimento da obra, conforme art... 
 
j) A condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e honorários 
advocatícios, na forma do art. 85 do CPC/15; 
 
Valor da causa R$... (art. 291 e 292 do Código de Processo Civil) 
 
Termos em que, 
Pede e espera deferimento. 
Local..., Data... 
Advogado... 
OAB... 
 
 
188 
 
17. DIREITO DE VIZINHANÇA 
 
O direito de vizinhança compreende a delimitação de uso da propriedade em 
respeito à preservação do mesmo direito de uso de propriedade lindeira. A partir de 
tal perspectiva, o código civil estabelece linhas determinativas para uso regular da 
propriedade, bem como medidas que viabilizam esse uso. 
a) uso regular da propriedade: definido entre os artigos 1277 e 1281,compreende a determinação de uso adequado da propriedade, sendo vedado seu 
uso de modo a, gratuitamente, causar prejuízos aos lindeiros, bem como solicitar 
demolição em caso de risco, realização de obras em caso de risco, etc. 
b) árvores limítrofes: o CC estabelece, entre os art. 1282 e 1284, que as 
árvores situadas em linhas limítrofes de imóveis pertencem à ambos, sendo que a 
passagem de raízes e galhos para imóvel lindeiro permite o seu corte. 
c) passagem forçada: trata-se de disposição dada ao proprietário lindeiro que 
fazer com que o proprietário consinta com a passagem para acesso á via pública, 
porto ou fonte, quando não houver outro acesso – art. 1285. Diverge da servidão, 
quanto à espécie, pelo tempo e formalização desta. 
d) passagem de cabos e tubulações: trata-se de possibilidade de solicitação 
de passagem de cabos e tubulações, porém pelo local menos gravoso possível e 
mediante indenização – art. 1286/1287. 
e) das águas: estabelece a obrigatoriedade de imóveis lindeiros receber 
águas de imóveis em nível superior, porém sem que tal seja agravado pelo detentor 
do imóvel mais elevado. Também estabelece obrigação de preservação da 
qualidade de águas, possibilidade de seu represamento, construção de canais 
(aquedutos), onde há, em contrapartida, justa indenização pelo beneficiário em favor 
dos proprietários atingidos. Art. 1288 a 1296 CC. 
f) Limites entre prédios e direito de tapagem: o direito de tapagem 
corresponde à possibilidade de construção de muros, valas, cercas ou tapumes para 
delimitação de imóveis, além da realização de reparos e renovação de marcos e 
divisas. Quando a construção ocorrer por sobre os limites, em regra há 
responsabilidade pelo custeio equivalente entre os proprietários/possuidores. Art. 
1297 e 1298. 
13 
 
189 
 
g) direito de construir: corresponde à possibilidade de construir por sobre 
imóvel próprio, porém limitado ao uso regular e respeito à propriedade adversa, com 
limitação à construção de janeiras, eirados, varandas (art. 1.301), porém com 
possibilidade de uso do imóvel lindeiro (mediante indenização) para viabilizar 
construção/reforma. Art. 1299 a 1313. 
 
Quando direito de vizinhança for desrespeitado é possível o manejo de ação 
de nunciação de obra nova para suspender uso irregular da propriedade. Outras 
ações são possíveis conforme pedido. 
 
XX EXAME DA OAB - QUESTÃO PRÁTICA 
Patrícia e sua vizinha Luiza estão sempre em conflito, pois Nick, o cachorro de Luiza, frequentemente 
pula a cerca entre os imóveis e invade o quintal de Patrícia, causando diversos danos à sua horta. 
Patrícia já declarou inúmeras vezes que deseja construir uma divisória para evitar as constantes 
invasões de Nick, mas não quer assumir sozinha o custo da alteração, ao passo que Luiza se recusa 
a concordar com a mudança da cerca limítrofe entre os terrenos. Em determinado dia, Nick acabou 
preso no quintal de Patrícia que, bastante irritada com toda a situação, recusou-se a devolvê-lo e não 
permitiu que Luiza entrasse em seu terreno para resgatá-lo. Sobre a situação descrita, responda aos 
itens a seguir. 
 
A) Tendo se recusado a devolvê-lo, pode Patrícia impedir a entrada de Luiza em sua propriedade 
com o intuito de resgatar o cachorro? (Valor: 0,50) 
R: A questão envolve problema de limite entre prédios e direito de tapagem, bem como disposições 
sobre direitos de vizinhança constantes na seção do Código Civil que versa sobre o direito de 
construir. Com relação à primeira pergunta, não pode Patrícia impedir que Luiza entre em seu 
terreno, mediante aviso prévio, a fim de resgatar o cachorro Nick, conforme dispõe o art. Art. 1.313, 
inciso II, do Código Civil, a não ser que o devolva por conta própria, o que não ocorreu no caso em 
tela. 
B) Com relação ao pleito de Patrícia acerca da divisória entre os imóveis, é possível exigir de Luiza a 
concordância com a alteração da cerca? Em caso positivo, de quem seriam os custos da colocação 
da nova divisória? (Valor: 0,75) 
R: Já se levando em conta o pleito de Patrícia sobre a alteração da divisória entre os imóveis, 
observa-se que esse direito pode ser exigido pelo proprietário de um terreno a fim de evitar a 
passagem de animais de pequeno porte, sendo responsável pelas despesas aquele que provocou a 
necessidade dos tapumes especiais, ou seja, no presente caso, Luiza, nos termos do art. 1.297, § 3º, 
do Código Civil. 
 
190 
 
18. 
19. CONDOMÍNIO 
 
Segundo Caio Mário da Silva Pereira, condomínio ocorre quando a mesma 
coisa pertence a mais de uma pessoa, cabendo a cada uma delas igual direito 
idealmente sobre o todo e cada uma de suas partes. 
Ou seja, trata-se de propriedade conjunta sobre o mesmo bem, seja ele móvel 
ou imóvel, de tal modo que cada consorte é proprietário da coisa toda, delimitado 
pelos iguais direitos dos demais condôminos, na medida de suas cotas 
O condomínio pode ser estabelecido por modo voluntário, lei ou decisão 
judicial, vinculando os condôminos à co-propriedade e co-responsabilidade pelo bem 
objeto de propriedade fracionada. 
A figura jurídica do condomínio sofre algumas classificações, quanto a 
origem, necessidade, forma. Sua classificação representa, portanto, formas distintas 
de sua gênese, bem como aplicação e manutenção. 
 
Quanto a origem: 
a) Convencional: resultante de acordo entre as partes. Exemplo: compra 
conjunta de imóvel; 
b) Incidente ou eventual: Quando ocorrer em razão de causa alheia à 
vontade dos condôminos. Exemplo: herança deixada a vários herdeiros; 
c) Forçado ou legal: quando ocorrer em razão de determinação legal. 
Exemplo: compáscuo (comunhão de pastos – vários donos de terrenos 
contíguos que ajustam que seus animais irão ‘compartilhar’ os pastos) 
 
Quanto ao objeto: 
a) Universal: Se compreender a totalidade do bem, inclusive frutos e 
rendimentos. 
b) Particular: Se restringir-se a determinadas coisas ou efeitos, ficando livres 
os demais. 
 
 
14 
 
191 
 
Quanto a sua necessidade: 
a) Ordinário ou transitório: Se puder cessar a qualquer momento; 
b) Permanente: Quando não pode extinguir-se em razão de lei ou de sua 
natureza indivisível (condomínio forçado). 
 
Quanto à forma: 
a) Pro diviso: A comunhão existe juridicamente mas não de fato (condomínio 
em edifícios de apartamentos); 
b) Pro indiviso: a comunhão perdura de fato e de direito . 
 
DIREITOS E DEVERES DOS CONDÔMINOS 
 
Segundo nos indica a autora Maria Helena Diniz, os condomínios possuem, 
na sua inter-relação, direitos e deveres recíprocos, de modo a preservar hígida e 
regular da relação. 
Necessário destacar que o condomínio naturalmente é uma fonte de 
impasses, de modo que o direito de ocupa dos detalhes de tal relação, visando a 
prevenção e encaminhamento de resolução de tais conflitos. 
Nesse passo, cada condômino pode: 
a) Art. 1314 CC: usar livremente a coisa conforme seu destino e sobre ela 
exercer todos os direitos compatíveis com a indivisão – art. 1315 e 1319 
do CC. 
b) Cada condômino pode alienar a respectiva parte indivisa, com respeito à 
preferência – art. 504, § único, e 1322 e § único CC. 
c) Direito de gravar a parte indivisa, com relação à sua fração. 
d) Responsabilidade pela dívida contraída – art. 1318 e 1317 CC. 
e) Direito de reivindicar a coisa comum de terceiros (1318 CC) e defender a 
posse (1199). 
f) Impossibilidade de conceder posse, uso ou gozo da coisa para estranhos 
sem anuência dos demais – art. 1314, § único. 
g) Direito de retomada do imóvel - 1323. 
 
 
192 
 
Quanto a administração do condomínio, todos os consortes poderão usar da 
coisa, dentro dos limites de sua destinação econômica, auferindo vantagens sem 
prejuízo de qualquer deles. 
Se impossível o uso comum, necessário deliberação entre condôminos sobre 
venda, aluguel e administração – art. 1323 ao 1326 CC. 
 
EXTINÇÃO DO CONDOMÍNIO 
O condomínio poderá ser extinto pela divisão da coisa, ou então pela suavenda. 
a) Divisão: Tratando-se de condomínio ordinário, as partes podem exigir, a 
qualquer tempo, a sua divisão – art. 1320 e 1321. 
Divisão amigável: efetivada por escritura pública, quando todos os 
condôminos forem maiores e capazes 
Divisão judicial: quando não houver acordo ou houver incapaz 
b) Venda: 
Amigável: necessita de unanimidade de intenção de venda entre os 
condôminos – art. 1322, 1ª parte. 
Judicial: quando não há consenso e há interesse na venda – art. 1322, fine, 
1113 e 1118 do CC. 
 
CONDOMÍNIOS ESPECIAIS 
São quatro, iniciando-se pelo CONDOMÍNIO NECESSÁRIO: 
Condomínio em paredes: envolve a divisão de cercas, muros e valas. Art. 
1327, 1297, § 1º, 1328, 1329 e 1330 CC. 
 
CONDOMÍNIO EDILÍCIO 
Segunda espécie de condomínio especial. 
Origem: tem sua origem a partir da segunda guerra mundial, em razão da 
crise de habitação pelo desenvolvimento das cidades – melhorar aproveitamento do 
solo. Art. 1331 ao 1358 
 
193 
 
Natureza Jurídica: tem por característica a justaposição de propriedades 
distintas e exclusivas ao lado de condomínio de partes que necessariamente são 
comuns – art. 1331, § 1º ao 5º 
 
Forma de instituição – art. 1332, I a III: 
A) Por destinação do proprietário do edifício (não necessariamente 
construtor), mediante escritura pública, realizada antes ou depois da obra 
B) Por incorporação imobiliária, através da venda de futuras unidades, e cujo 
valor será usado para construir o prédio 
C) Por testamento, em que o prédio é recebido, na herança, para ter essa 
formatação 
D) Por constituição do regime por vários herdeiros 
E) Por arrematação em hasta pública, doação, dote, compra de frações do 
edifício 
F) Por sentença judicial, em ação de divisão. 
Constituição: art. 1333 e 1334 
 
Direitos dos condôminos: definidos no ato de constituição do condomínio, ou 
seja, na “Convenção de Condomínio” – art. 1335 
A convenção de condomínio vincula tanto os proprietários como os que 
utilizam o edifício, pois é averbada junto a matrícula do imóvel e celebra verdadeiro 
‘contrato’ de convivência. 
Deveres dos condôminos – art. 1336 e ss.: 
Observar as regras de boa vizinhança; 
Não alterar o prédio externamente a não ser com a licença dos consortes; 
Não decorar as partes e esquadrias externas com tons diversos da fachada; 
Não destinar a unidade à uso diverso da finalidade do prédio; 
Não praticar ato que ameace a segurança do prédio ou prejudique a higiene 
Não embaraçar o uso das partes comuns 
Não alienar a garagem a pessoa estranha ao condomínio, salvo autorização 
expressa na convenção 
Submeterem-se às sanções se transgredirem seus deveres 
 
194 
 
Concorrer com sua quota para as despesas de condomínio, sob pena de 
sujeitar-se às sanções previstas na convenção condominial e legislação civil. 
 
Administração: realizada essencialmente pelo síndico 
Síndico: pessoa que defende os direitos e interesses comuns dos 
condôminos, que os representa, que admite e demite empregados, arrecada 
contribuições e aplica deliberações da Assembleia. 
Administrador: pessoa a quem o síndico delega certas funções 
administrativas 
Subsíndico: auxiliar do síndico. 
Conselho Fiscal: composto de três membros que dão pareceres sobre as 
contas do síndico. 
Órgão deliberativo: Assembleia geral, constituída por todos os condôminos. 
Extinção: formas de extinção do condomínio edilício. 
a) Desapropriação do edifício – art. 1358. 
b) Confusão: se todas as partes autônomas forem adquiridas por uma só 
pessoa. 
c) Destruição do imóvel por qualquer acontecimento (natural ou caso fortuito 
ou culpa) – art. 1357. 
d) Demolição voluntária do prédio – art. 1357. 
e) Alienação e reconstrução de todo o prédio – art. 1357, § 1º e 2º. 
 
CONDOMÍNIOS POR MULTIPROPRIEDADE IMOBILIÁRIA E FECHADO 
Condomínio por multipropriedade: Propriedade de tempo compartilhado de 
locais de lazer – pool de locações. 
Condomínio fechado: condomínio onde a propriedade possui unidades 
independentes e frações ideais. 
Condomínio horizontal com propriedade privada e partes comuns – regras 
delimitadas também pela convenção. 
Regrado pela lei 4591/64 – art. 8º. 
 
 
 
195 
 
 
20. PROPRIEDADE RESOLÚVEL 
Propriedade resolúvel, segundo Clóvis é aquela que encerra, no próprio título 
constitutivo, o princípio que a tem de extinguir, realizada a condição resolutória, ou 
vindo o termo extintivo, seja por força da declaração de vontade, seja por 
determinação de lei. Ex.: CC, arts. 505, 509, 504 e 1.953 
O objetivo da instituição da propriedade resolúvel é a viabilidade de 
cumprimento de determinada o obrigação sob a garantia da resolução da 
propriedade, como é o caso do pagamento do bem, implemento de condição ou 
outra obrigação. 
 
Art. 1.359. Resolvida a propriedade pelo implemento da condição ou pelo 
advento do termo, entendem-se também resolvidos os direitos reais 
concedidos na sua pendência, e o proprietário, em cujo favor se opera a 
resolução, pode reivindicar a coisa do poder de quem a possua ou detenha. 
Art. 1.360. Se a propriedade se resolver por outra causa superveniente, o 
possuidor, que a tiver adquirido por título anterior à sua resolução, será 
considerado proprietário perfeito, restando à pessoa, em cujo benefício 
houve a resolução, ação contra aquele cuja propriedade se resolveu para 
haver a própria coisa ou o seu valor. 
 
Jurisprudências de destaque: 
 
Ementa: PROCESSO DE EXECUÇÃO. DÍVIDA GARANTIDA COM 
CLÁUSULA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. PENHORA SOBRE O BEM 
ALEINADO. FACULDADE DO CREDOR. A ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM 
GARANTIA CONSISTE NA TRANSFERÊNCIA, FEITA PELO DEVEDOR 
AO CREDOR, DA PROPRIEDADE RESOLÚVEL E DA POSSE INDIRETA 
DE UM BEM COMO GARANTIA DE SEU DÉBITO. ASSIM, FICA A 
CRITÉRIO DO CREDOR INDICAR OUTROS BENS PARA A PENHORA 
OU ACEITAR QUE RECAIA SOBRE O PRÓPRIO BEM ALIENADO QUE, 
ENTRETANTO, JÁ É DE SUA PROPRIEDADE. ALEGAÇÃO DE 
IMPENHORABILIDADE E DE EXCESSO DE PENHORA NÃO APRECIADA 
NO PRIMEIRO GRAU. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO SOB 
PENA DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO DESPROVIDO. (Agravo 
de Instrumento Nº 70053099560, Décima Terceira Câmara Cível, Tribunal 
de Justiça do RS, Relator: Vanderlei Teresinha Tremeia Kubiak, Julgado em 
15/02/2013) 
 
Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REVISÃO DE CONTRATO. 
COMPRA E VENDA. BEM IMÓVEL. COMPLEXO INDUSTRIAL DE 
LIMPEZA, SECAGEM, ARMAZENAGEM DE GRÃOS. SILOS METÁLICOS 
ARMAZENADORES. ESCRITURA PÚBLICA. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. 
PROPRIEDADE RESOLÚVEL. (LEI 9.514/97). PREÇO PARCELADO. 
INADIMPLÊNCIA. INEXISTENTE ABUSO CONTRATUAL. NEGADO 
PROVIMENTO À APELAÇÃO. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 
70030167019, Décima Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, 
Relator: Nara Leonor Castro Garcia, Julgado em 24/09/2009) 
15 
 
196 
 
 
Efeitos da propriedade resolúvel 
Dentro da propriedade resolúvel, é possível identificar duas possibilidades de 
efeitos, se operada a resolução da propriedade: 
EX TUNC – Se a causa de resolução da propriedade constar do próprio título 
constitutivo, nos termos do art. 1.395 do CC. 
EX NUNC – Conforme disposto no art. 1.360 do CC , se a sua extinção se der 
por motivo superveniente. Ex.: CC, arts. 557 e 563. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
197 
 
 
21. SERVIDÕES PREDIAIS 
 
São direitos de gozo sobre imóveis que, em virtude de lei ou vontade das 
partes, se impõem sobre o prédio serviente em benefício do dominante. 
Tem por finalidade proporcionar uma valorização do prédio dominante, 
tornando-o mais útil, agradável ou cômodo, implicando, por outro lado, uma 
desvalorização econômica do prédio serviente, levando-se em consideração que as 
servidões prediais são perpétuas, acompanhando sempre os imóveis quando 
transferidos. 
 
Princípios fundamentais: É uma relação entre prédios vizinhos; Não há 
servidão sobre a própria coisa; A servidão serve a coisa e não ao dono; Não se pode 
de uma servidão construir outra; Servidão não se presume;servidão é alienável. 
 
Natureza jurídica: É um direito real de gozo ou fruição sobre imóvel alheio de 
caráter acessório, perpétuo, indivisível e inalienável. 
 
Modos de constituição 
- Ato jurídico inter vivos ou causa mortis (CC, art. 1.378; Dec.-lei n. 1000/69, 
art. 167, X). 
- Sentença judicial (CPC, arts. 596, II, e 597, § 4º, III). 
- Usucapião (CC, art. 1379, parágrafo único; CPC, art. 259). 
- Destinação do proprietário. 
 
Classificação 
- Quanto à natureza: rústicas e urbanas. 
- Quanto ao modo de exercício: 
- Contínuas e Descontínuas. 
- Positivas e Negativas. 
- Ativas e Passivas. 
- Quanto à exteriorização: aparentes e não-aparentes. 
16 
 
198 
 
- Quanto à origem: 
- Legais. 
- Naturais. 
- Convencionais . 
 
Direitos e deveres do proprietário do prédio dominante 
Direito - Usar e gozar da servidão. 
- Realizar obras necessárias à sua conservação e uso (CC, art. 1380; Cód. de 
Águas, art. 128). 
- Exigir ampliação da servidão para facilitar a exploração do prédio dominante 
(CC, art. 1385, § 3º). 
Renunciar a servidão (CC, art. 1388, I) e removê-la (CC, art. 1384, in fine). 
 
Deveres - Pagar todas as obras feitas para uso e conservação da servidão 
(CC, art. 1381). 
- Exercer a servidão civiliter modo (CC, art. 1385). 
- Indenizar o dono do prédio servientes pelo excesso do uso da servidão em 
caso de necessidade (CC, art. 1385, § 3º ). 
- Exonerar-se de pagar as despesas com o uso e conservação da servidão, 
desde que abandone total ou parcial a propriedade em favor do dono do prédio 
dominante (CC, art. 1382, parágrafo único). 
- Remover a servidão de um local para o outro. 
- Impedir que o proprietário do dominante efetive qualquer mudança na forma 
de utilização da servidão, pois este de manter sua destinação (CC, art. 1385, § 3º). 
- Cancelar a servidão nos casos dos arts. 1388 e 1389 do Código Civil. 
 
Obrigações: 
- Permitir que o dono do prédio dominante realize obras necessárias à 
conservação e utilização da servidão (CC, art. 1380). 
- Respeitar o uso normal e legítimo da servidão (CC, art. 1383). 
 
199 
 
- Pagar despesas com a remoção da servidão e não prejudicar ou diminuir as 
vantagens do prédio dominante, que decorrerem dessa mudança (CC, art. 1384) – 
desde que realizada em razão do prédio serviente. 
 
Proteção Jurídica 
A proteção do direito real de servidão se dá através dos instrumentos 
disponíveis para proteção de outros direitos reais, como ação de manutenção e 
reintegração. 
Importante destacar que tal direito segue a mesma lógica de instituição e 
proteção de outros direitos reais. 
Quanto às ações, enumeram-se: 
- Ação confessória 
- Ação negatória 
- Ação de manutenção de posse ou de reintegração de posse e interdito 
proibitório. 
- Nunciação de obra nova (CPC, art. 259). 
- Ação usucapião. 
 
Extinção 
A extinção da servidão é o meio pelo qual a mesma deixa de ser fruída ou 
usufruída pelo prédio dominante, podendo ocorrer por meio voluntário ou 
involuntário, senão vejamos: 
- Renúncia do titular (CC, art. 1388, I). 
- Cessação de sua utilidade (CC, art. 1388, II). 
- Resgate (CC, art. 1388, III). 
- Confusão (CC, art. 1389, I). 
- Supressão das respectivas obras (CC, art. 1389, II). 
- Desuso (CC, art. 1389, III). 
- Perecimento do objeto. 
- Decurso do prazo ou implemento da condição. 
- Desapropriação. 
- Convenção. 
 
200 
 
- Preclusão do direito da servidão. 
- Resolução do domínio do prédio serviente. 
 
XVI EXAME OAB QUESTÃO PRÁTICA. 
João e Maurício são proprietários e moradores de imóveis vizinhos, situados na Cidade do 
Rio de Janeiro. Embora o seu imóvel disponha de acesso próprio à via pública, há mais de vinte anos 
João atravessa diariamente o terreno de Maurício para chegar ao ponto de ônibus mais próximo da 
sua moradia, pois esse é o trajeto mais curto existente. Ademais, o caminho utilizado por João é 
pavimentado e conta com sistema de drenagem para as águas pluviais. Além disso, na cerca que 
separa os dois imóveis, há uma porteira, de onde tem início o caminho. Determinado dia, Maurício 
decide impedir João de continuar a atravessar o seu terreno. Com esse intuito, instala uma grade no 
lugar da porteira existente na cerca que separa os dois imóveis. Inconformado, João decide consultar 
um advogado. Na condição de advogado(a) consultado(a) por João, responda aos itens a seguir. 
A) Tem João direito a constranger Maurício a lhe dar passagem forçada, de modo a continuar 
a usar o caminho existente no terreno de Maurício? (Valor: 0,60) 
R: A resposta é negativa, tendo em vista que, nos termos do Art. 1.285 do Código Civil, o direito à 
passagem forçada assiste apenas ao dono do prédio que não tiver acesso à via pública. No caso 
descrito no enunciado, resta claro que o imóvel de João tem acesso próprio à via pública. 
 B) Independentemente da resposta ao item anterior, pode João ingressar em juízo para que 
seja reconhecida a aquisição de direito real de servidão de passagem, por meio de usucapião? 
(Valor: 0,65) 
R: A resposta é afirmativa, uma vez que se tem, no caso, uma servidão de trânsito, que proporciona 
utilidade para o prédio dominante de João e grava o prédio serviente pertencente a Maurício. Além 
disso, encontram-se reunidos os requisitos estabelecidos no Art. 1.379 do Código Civil, caput e 
parágrafo único, para a aquisição de direito real de servidão por meio de usucapião. A servidão é 
aparente, tendo em vista a presença de obras exteriores (pavimentação, sistema de drenagem e 
porteira). De outra parte, houve o exercício contínuo e inconteste da servidão por vinte anos (prazo 
estabelecido no Art. 1.379, parágrafo único, do Código Civil). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
201 
 
 
22. USUFRUTO 
Trata-se de um direito real sobre coisa alheia, em que o nu proprietário (assim 
chamado por conta do próprio usufruto) deixa de ter a possibilidade de uso e fruição 
do bem em favor do usufrutuário. 
O usufruto condiciona o exercício da propriedade, na medida em que a posse 
direta concentra-se na figura do usufrutuário, pelo período do usufruto (determinado 
ou indeterminado), permanecendo a posse indireta, contudo, com o nu proprietário. 
Durante o usufruto o nu proprietário detém os direitos de dispor e de proteção 
da propriedade, respeitado, porém, o usufruto. 
 
Objeto: 
- Móveis infungíveis e inconsumíveis (CC, art. 1392, § 1º). 
- Imóveis (CC, arts. 1391 e 1392). 
- Patrimônio (CC, art. 1405). 
- Direitos, desde que transmissíveis. 
 
Caracteres jurídicos: 
- Direito real sobre a coisa alheia. 
- É temporário. 
- É intransmissível e inalienável. 
- É impenhorável. 
 
Espécies: 
- Quanto à origem: legal e convencional. 
- Quanto ao objeto: próprio e impróprio. 
- Quanto a extensão: - universal ou particular e pleno ou restrito. 
- Quanto à duração: temporário, vitalício e simultâneo. 
 
Modos constitutivos: 
- Por lei. 
- Por ato jurídico inter vivos ou causa mortis. 
17 
 
202 
 
- Por sub-rogação real. 
- Por usucapião. 
- Por sentença (CPC, arts. 867 a 869). 
 
Usufruto e enfiteuse: Na enfiteuse, o foreiro pode dispor do domínio útil; no 
usufruto, o usufrutuário não poderá transmitir seu direito, ele é alienável, podendo 
tão somente, ceder seu exercício; a enfiteuse é perpétua, o usufruto, temporário; e 
enfiteuse recai sobre terrenos para agricultura e edificação, o usufruto incide sobre 
bens móveis, imóveis e direitos; a enfiteuse é onerosa, o usufruto é gratuito. 
 
Usufruto e fideicomisso: No usufruto, o domínio é do nu-proprietário, o 
usufrutuário só pode usar e gozar do bem; no fideicomisso o bem é transmitido pelo 
fideicomitente ao fiduciário, que o recebe na qualidade de dono, com o encargo de 
transmiti-lo a outrem por sua morte ou após certo tempo. No usufruto, o usufrutuário 
e o nu-proprietário são titulares de direito simultâneos; no fideicomisso, o fiduciário e 
o fideicomissário são titulares sucessivos dos direitos.No usufruto, o usufrutuário 
não pode vender a nua-propriedade, porque esta não lhe pertence; no fideicomisso 
o fiduciário poderá alienar os bens fideicomitidos. O usufruto extingue-se com a 
morte do usufrutuário, no fideicomisso, com o falecimento do fiduciário, dá-se a sua 
transmissão a seus herdeiros para que estes o entreguem na forma instituída pelo 
fideicomissário. O usufruto permanece havendo morte do nu-proprietário, pois a nua-
proprietária transmite-se a seus herdeiros; no fideicomisso com o óbito do 
fideicomissário consolida-se nas mãos do fiduciário o domínio resolúvel, que 
passará a ser perpétuo. O usufruto é direito real sobre coisa alheia; o fideicomisso é 
forma de substituição restrita ao direito das sucessões. 
 
Usufruto e locação: O usufruto é direito real oponível erga omnes e a 
locação, pessoal; o usufruto recai sobre coisas corpóreas ou incorpóreas e a 
locação, sobre bens corpóreos; o usufruto nasce da lei, ato jurídico inter vivos ou 
causa mortis, usucapião etc.; a locação, somente do contrato; o usufruto é gratuito e 
a locação, onerosa. 
 
 
203 
 
Usufruto – direitos e obrigações do usufrutuário 
Direitos: 
- À posse, uso, administração e percepção dos frutos naturais pendentes no 
início do usufruto (CC, art. 1394). 
- De cobrar as dívidas e empregar as importâncias recebidas (CC, art. 1395 e 
parágrafo único). 
- De gozar de renda oriunda de títulos de crédito, aplicando-os após a 
cobrança do débito em apólices de dívida pública (CC, art. 1395 e parágrafo único, 
2ª parte). 
- De ter parte em tesouro achado por outrem e de receber meação em 
tesouro e em paredes, cerca, muro, vala (CC, art. 1392, § 3º) sendo usufruto de 
universalidade ou quota-parte de bens. 
- Não ser obrigado a pagar deteriorações da coisa decorrentes do exercício 
regular do usufruto (CC, art. 1402). 
 
Obrigações: 
- Inventariar as suas expensas os bens móveis que receber, determinando o 
estado em que se acham e estimando o seu valor. 
- Dar caução real e fidejussória, se lhe exigir o dono, de velar-lhes pela 
conservação e entrega-los findo o usufruto (CC, arts. 1400, 2ª parte, 1402 e 1401). 
- Gozar da coisa frutuária com moderação. 
- Conservar a destinação que lhe deu o proprietário. 
- Fazer despesas ordinárias e comuns de conservação dos bens no estado 
em que os recebeu. 
- Defender a coisa usufruída, repelindo todas as usurpações de terceiros, 
impedindo que se constituam situações jurídicas contrárias ao nu-proprietário. 
- Evitar perecimento de servidões ativas e impedir que se criem servidões 
passivas. 
- Abster-se de tudo que possa danificar o bem frutuário. 
- Pagar certas contribuições (CC, arts. 1403, II, 1407, 1408 E 1409) e os juros 
dos débitos que onerem o patrimônio, ou parte dele, de que é objeto de usufruto 
(CC, art. 1405). 
 
204 
 
- Restituir o bem usufruído, findo o usufruto no estado em que o recebeu, 
como o inventariou ou como se obrigou a conservá-lo. 
Direitos e deveres do nu proprietário 
Direitos: 
- Exigir que o usufrutuário conserve a coisa. 
- Exigir que o usufrutuário preste caução fidejussória ou real (CC, art. 1400). 
- Administrar o usufruto, se o usufrutuário não quiser ou não puder dar caução 
(CC, art. 1401). 
- Receber remuneração por essa administração (CC, art. 1401). 
- Receber metade do tesouro achado no bem frutuário por terceiros salvo se 
ocorrer a hipótese do CC, art. 1392, § 3º, caso em que tal direito caberá ao 
usufrutuário. 
- Perceber os frutos naturais pendentes ao tempo em que cesse o usufruto 
(CC, art. 1396, parágrafo único). 
- Aos frutos civis vencidos na data inicial do usufruto ( CC, art. 1398). 
- Autorizar a mudança da destinação da coisa usufruída (CC, art. 1399). 
- Prefixar a extensão do gozo e do modo da exploração de minas e florestas 
dadas em usufruto (CC, art. 1392, § 1º). 
- Exigir o equivalente em gênero, qualidade e quantidade quando se tem 
usufruto impróprio (CC, 1392, § 1º). 
- Receber juros do capital despendido com as reparações necessárias à 
conservação da coisa frutuária ou que lhe aumentarem o rendimento (CC, art. 1404). 
- Ir contra o segurador, quando segurada a coisa é objeto do usufruto (CC, 
art. 1407, § 1º). 
- Não restabelecer o usufruto se, por sua conta, reconstruir o prédio destruído 
sem culpa sua (CC, art. 1408). 
- Reclamar a extinção do usufruto, quando o usufrutuário alienar, arruinar ou 
deteriorar a coisa frutuária (CPC, arts. 725, VI e 730). 
 
Deveres: 
- Não obstar o uso da coisa usufruída nem lhe diminuir a utilidade. 
 
205 
 
- Entregar ao usufrutuário mediante caução o rendimento dos bens frutuários 
que estiverem sob sua administração, deduzidas as despesas dessa administração 
(CC, art. 1401). 
- Fazer as reparações extraordinárias e as que não forem de custo módico 
necessárias à conservação da coisa dada em usufruto (CC, art. 1404, § 2º). 
- Respeitar o usufruto estabelecido devido ao fato de prédio usufruído ter sido 
reconstruído com a indenização do seguro (CC, art. 1408). 
- Respeitar a sub-rogação de indenização de danos causados por terceiros ou 
do valor da desapropriação no ônus do usufruto (CC, art. 1409). 
 
Extinção (CPC, art. 725, VI, e Lei n. 7.608/81). 
O usufruto poderá ser extinto nas seguintes hipóteses: 
- Pela morte do usufrutuário (CC, art. 1410 I e III). 
- Pelo advento do termo de sua duração (CC, art. 1410, II). 
- Pelo implemento de condição resolutiva. 
- Pela cessação do motivo de que se origina (CC, art. 1410, IV). 
- Pela destruição da coisa não sendo fungível (CC, art. 1410, V). 
- Pela consolidação (CC, art. 1410, VI). 
- Pelo não-uso da coisa sobre a qual recai o usufruto (CC, art. 1410, VIII). 
- Pela culpa do usufrutuário (CC, art. 1410, I). 
- Pela resolução do domínio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
206 
 
 
23. DIREITO DE USO 
Conceito: Direito real que, a título gratuito ou oneroso, autoriza uma pessoa a 
retirar, temporariamente, de coisa alheia, todas as utilidades para atender às suas 
próprias necessidades e às de sua família. 
Caracteres: 
- É direito real sobre a coisa alheia. 
- É temporário. 
- É indivisível. 
- É intransmissível. 
- É personalíssimo. 
Modos de constituição: 
- Ato jurídico inter vivos e causa mortis. 
- Sentença judicial. 
- Usucapião. 
 
Objeto: 
- Bens móveis (infungíveis e inconsumíveis) e imóveis. 
- Bens corpóreos e incorpóreos. 
 
Art. 1.412. O usuário usará da coisa e perceberá os seus frutos, quanto o 
exigirem as necessidades suas e de sua família. 
§ 1o Avaliar-se-ão as necessidades pessoais do usuário conforme a sua 
condição social e o lugar onde viver. 
§ 2o As necessidades da família do usuário compreendem as de seu 
cônjuge, dos filhos solteiros e das pessoas de seu serviço doméstico. 
Art. 1.413. São aplicáveis ao uso, no que não for contrário à sua natureza, 
as disposições relativas ao usufruto. 
 
Concessão de uso especial para fins de moradia e concessão de direito 
real de uso: 
- CC, art. 1225, XI e XIII, 1473, VIII e IX e § 2º. 
- MP n. 2220/2001, arts. 1º a 9º. 
- Lei n. 9636/98, arts. 6º, § 1º, 7º, § 7º, 18, § 6º, III, 22 – A, com redação da 
Lei n. 11481/2007. 
- Lei n. 8666/93, art. 17, I, f e h, com alteração da Lei n. 11481/2007. 
18 
 
207 
 
- Decreto-Lei n. 271/67, art. 7º, com redação da Lei n. 11481/2007. 
Lei n. 11481/2007, art. 25. 
Lei n. 6015/73, arts. 167, I, n.37 e 40, e 290-A, I e II, §§ 1º e 2º. 
 
Direitos e deveres do usuário 
Direitos: 
- Fruir a utilidade da coisa. 
- Extrair do bem todos os frutos para atender às suas próprias necessidades e 
às de sua família. 
- Praticar todos os atos indispensáveis à satisfação de suas necessidades e 
às de sua família, sem comprometer a substância e a destinação do objeto. 
- Melhorar o bem introduzindo benfeitorias que o tornem mais cômodo ou 
agradável. 
- Administrar a coisa. 
 
Deveres: 
- Conservar a coisa. 
- Não retirar rendimentos ou utilidadesque excedam à prevista em lei. 
- Proteger o bem com os remédios possessórios. 
- Não dificultar ou impedir o exercício dos direitos do proprietário. 
- Restituir a coisa, pois só detém a sua posse direta, a título precário, uma vez 
que o uso é temporário. 
 
Extinção: 
- Morte do usuário. 
- Advento do prazo final. 
- Perecimento do objeto. 
- Consolidação. 
- Renúncia. 
 
 
 
 
208 
 
Jurisprudência: 
 
Ementa: APELAÇÕES CÍVEIS. AGRAVO RETIDO. AÇÃO DECLARATÓRIA 
DO DIREITO DE HABITAÇÃO. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. 1. 
AGRAVO RETIDO. CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRENTE. 
CONEXÃO. INSTRUÇÃO E JULGAMENTO CONJUNTOS DE AMBOS OS 
FEITOS. 2. PRIMEIRA APELAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO 
PEDIDO NÃO VERIFICADA. USUFRUTO VITALICIO. EXTINÇÃO. NU-
PROPRIETÁRIO. POSSE INDIRETA. LEGITIMIDADE PARA A 
PRETENSÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. EXCEÇÃO DE 
USUCAPIÃO. IMPROCEDENTE. COABITAÇÃO. ATO DE MERA 
CONCESSÃO DE USO. NÃO CONFIGURAÇÃO DO ANIMUS DOMINI. 
MÉRITO. PRETENSÃO DE DECLARAÇÃO DE DIREITOREAL DE 
HABITAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. "FILHA DE CRIAÇÃO". AUSÊNCIA DE 
PREVISÃO LEGAL. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. REQUISITOS 
PREENCHIDOS. LOCATIVOS PELO USODO IMÓVEL. DEVIDOS. 
COMPENSAÇÃO PELA INDISPONIBILIZAÇÃO DO BEM. 3. SEGUNDA 
APELAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. PRINCÍPIO DA SINGULARIDADE 
OU UNIRRECORRIBILIDADE. REJEITADA A PRELIMINAR. NEGADO 
PROVIMENTO AO AGRAVO RETIDO. SEGUNDA APELAÇÃO NÃO 
CONHECIDA. NEGADO PROVIMENTO À PRIMEIRA APELAÇÃO. 
UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70046106597, Décima Oitava Câmara Cível, 
Tribunal de Justiça do RS, Relator: Nara Leonor Castro Garcia, Julgado em 
16/02/2012) 
 
Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE CIVIL. 
ASSOCIAÇÃO HOSPITALAR DE NOVO HAMBURGO. CRIAÇÃO, PELA 
LEI Nº 469/2001, DE AUTARQUIA MUNICIPAL. ILEGITIMIDADE PASSIVA. 
EXTINÇÃO DA CONCESSÃO REAL DE USO. A Associação Hospitalar de 
Novo Hamburgo é parte ilegítima para figurar no polo passivo de demanda 
visando à indenização por suposto erro médico após a criação, pela Lei nº 
469/2001, de autarquia municipal que se responsabilizou pela administração 
do nosocômio. Com a extinção da concessão real de uso do Hospital Geral, 
por parte da Associação, não há como responsabilizar a parte agravada por 
evento ocorrido após a regulamentação da lei municipal, com a edição de 
decreto regulamentando a gestão da autarquia. Não se aplica ao caso 
concreto o art. 1.115 do CC, referente à transformação das sociedades. 
Suporte fático que não possui relação com a situação do caso concreto. 
Hipótese de concessão real de uso, prevista como direito real no art. 1225, 
XII, CC. Precedentes. AGRAVO DE INSTRUMENTO DESPROVIDO. 
(Agravo de Instrumento Nº 70039730056, Nona Câmara Cível, Tribunal de 
Justiça do RS, Relator: Leonel Pires Ohlweiler, Julgado em 26/01/2011) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
209 
 
 
24. DIREITO DE SUPERFICIE 
O direito de superfície constitui-se em verdadeira evolução da enfiteuse, onde 
o superficiário irá fruir da superfície de terreno pertencente à outrem, por prazo 
determinado, mediante remuneração específica. Não se confunde, porém, com a 
locação. 
Vem sendo utilizado especialmente quando proprietário não tem recursos ou 
interesse em edificação, bem como nos casos de impossibilidade de alienação do 
imóvel (v.g. concessão de áreas costeiras, pela marinha, para construção de portos). 
 
Art. 1.369. O proprietário pode conceder a outrem o direito de construir ou 
de plantar em seu terreno, por tempo determinado, mediante escritura 
pública devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis. 
Parágrafo único. O direito de superfície não autoriza obra no subsolo, salvo 
se for inerente ao objeto da concessão. 
 
Art. 1.370. A concessão da superfície será gratuita ou onerosa; se onerosa, 
estipularão as partes se o pagamento será feito de uma só vez, ou 
parceladamente. 
 
Art. 1.371. O superficiário responderá pelos encargos e tributos que 
incidirem sobre o imóvel. 
 
Art. 1.372. O direito de superfície pode transferir-se a terceiros e, por morte 
do superficiário, aos seus herdeiros. 
Parágrafo único. Não poderá ser estipulado pelo concedente, a nenhum 
título, qualquer pagamento pela transferência. 
 
Art. 1.373. Em caso de alienação do imóvel ou do direito de superfície, o 
superficiário ou o proprietário tem direito de preferência, em igualdade de 
condições. 
 
Art. 1.374. Antes do termo final, resolver-se-á a concessão se o superficiário 
der ao terreno destinação diversa daquela para que foi concedida. 
 
Art. 1.375. Extinta a concessão, o proprietário passará a ter a propriedade 
plena sobre o terreno, construção ou plantação, independentemente de 
indenização, se as partes não houverem estipulado o contrário. 
 
Art. 1.376. No caso de extinção do direito de superfície em conseqüência de 
desapropriação, a indenização cabe ao proprietário e ao superficiário, no 
valor correspondente ao direito real de cada um. 
 
Art. 1.377. O direito de superfície, constituído por pessoa jurídica de direito 
público interno, rege-se por este Código, no que não for diversamente 
disciplinado em lei especial. 
 
 
 
19 
 
210 
 
Distinção entre direito de superfície e enfiteuse. 
A enfiteuse acabou sendo extinta pelo código civil de 2002, mantendo, porém, 
vigentes todas as instituições já realizadas. Sua substituição pelo direito de 
superfície demonstra que não comportava mais a demanda contratual da atualidade. 
Nesse passo, o CC atual migrou para o direito de superfície. 
Quanto à sua distinção, esta é percebida justamente pela duração de cada 
um dos institutos, pois enquanto o direito de superfície possui prazo determinado, a 
enfiteuse tinha por característica essencial a perpetuidade. Vejamos, a respeito, o 
texto de Leandro Barboza Bezerra: 
(...) A enfiteuse é perpetua sendo feita por ato de ultima vontade ou inter 
vivos, no caso da superfície deve obrigatoriamente ser temporário (não existe norma 
limitando o tempo que irá perdurar a obrigação, mas deve obrigatoriamente ser 
estipulado no contrato o termino do contrato) podendo também ser feito pelo ato 
inter vivos ou ato de ultima vontade. 
 O direito de superfície pode ser oneroso ou gratuito, ou seja, pode o dono do 
solo transferir temporariamente a posse da propriedade para terceiro sem que esse 
tenha obrigação de pagar o cânon para o proprietário, na enfiteuse o pagamento do 
foro anual é obrigatório. 
 A enfiteuse em regra é indivisível, contudo pode ocorrer sua divisão em 
glebas no caso de herança, nesse caso, haveria o chamado cabecel, ele é o 
administrador, escolhido pelos demais foreiros ou pelo senhorio do solo, fica 
responsável pela cobrança do foro, na superfície o próprio superficiário é o 
administrador do solo. 
 Ambos devem ter seu contrato registrado no cartório de registro de imóveis 
para que se torne um contrato valido tendo esse todas as garantias dos direitos 
reais. 
 
 
 
 
 
 
 
211 
 
 
25. DIREITO DE LAGE 
 
O direito de laje corresponde à direito real (assim na classificação), onde é 
estipulada a possibilidade de conceder o direito a ‘uso/construção’ sobre a laje de 
imóvel. 
Por se aproximar muito da figura do direito de superfície, alguns autores o 
consideram como uma espécie do direito de superfície, eis que se trata de 
verdadeira concessão de parte (superior) de imóvel. 
A utilização, a configuração jurídica, a preferência entre as partes 
contratantes para aquisição, etc., se assemelham ao direito de superfície, conforme 
legislação aplicável: 
 
DA LAJE 
(Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
Art. 1.510-A. O proprietário de uma construção-base poderá ceder a 
superfície superior ou inferior de sua construção a fim de que o titular da laje 
mantenha unidade distinta daquela originalmente construída sobre o 
solo. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
§ 1o O direito real de laje contempla o espaço aéreo ou o subsolo de 
terrenos públicos ou privados, tomados em projeção vertical, como unidade 
imobiliáriaautônoma, não contemplando as demais áreas edificadas ou não 
pertencentes ao proprietário da construção-base. (Incluído pela 
Lei nº 13.465, de 2017) 
§ 2o O titular do direito real de laje responderá pelos encargos e tributos 
que incidirem sobre a sua unidade. (Incluído pela Lei nº 13.465, 
de 2017) 
§ 3o Os titulares da laje, unidade imobiliária autônoma constituída em 
matrícula própria, poderão dela usar, gozar e dispor. (Incluído 
pela Lei nº 13.465, de 2017) 
§ 4o A instituição do direito real de laje não implica a atribuição de fração 
ideal de terreno ao titular da laje ou a participação proporcional em áreas já 
edificadas. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
§ 5o Os Municípios e o Distrito Federal poderão dispor sobre posturas 
edilícias e urbanísticas associadas ao direito real de laje. (Incluído 
pela Lei nº 13.465, de 2017) 
§ 6o O titular da laje poderá ceder a superfície de sua construção para a 
instituição de um sucessivo direito real de laje, desde que haja autorização 
expressa dos titulares da construção-base e das demais lajes, respeitadas 
as posturas edilícias e urbanísticas vigentes. (Incluído pela Lei nº 
13.465, de 2017) 
Art. 1.510-B. É expressamente vedado ao titular da laje prejudicar com 
obras novas ou com falta de reparação a segurança, a linha arquitetônica 
ou o arranjo estético do edifício, observadas as posturas previstas em 
legislação local. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
Art. 1.510-C. Sem prejuízo, no que couber, das normas aplicáveis aos 
condomínios edilícios, para fins do direito real de laje, as despesas 
necessárias à conservação e fruição das partes que sirvam a todo o edifício 
20 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
 
212 
 
e ao pagamento de serviços de interesse comum serão partilhadas entre o 
proprietário da construção-base e o titular da laje, na proporção que venha a 
ser estipulada em contrato. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
§ 1o São partes que servem a todo o edifício: (Incluído pela Lei nº 
13.465, de 2017) 
I - os alicerces, colunas, pilares, paredes-mestras e todas as partes 
restantes que constituam a estrutura do prédio; (Incluído pela Lei 
nº 13.465, de 2017) 
II - o telhado ou os terraços de cobertura, ainda que destinados ao uso 
exclusivo do titular da laje; (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
III - as instalações gerais de água, esgoto, eletricidade, aquecimento, ar 
condicionado, gás, comunicações e semelhantes que sirvam a todo o 
edifício; e (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
IV - em geral, as coisas que sejam afetadas ao uso de todo o 
edifício. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
§ 2o É assegurado, em qualquer caso, o direito de qualquer interessado em 
promover reparações urgentes na construção na forma do parágrafo único 
do art. 249 deste Código. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
Art. 1.510-D. Em caso de alienação de qualquer das unidades sobrepostas, 
terão direito de preferência, em igualdade de condições com terceiros, os 
titulares da construção-base e da laje, nessa ordem, que serão cientificados 
por escrito para que se manifestem no prazo de trinta dias, salvo se o 
contrato dispuser de modo diverso. (Incluído pela Lei nº 13.465, 
de 2017) 
§ 1o O titular da construção-base ou da laje a quem não se der 
conhecimento da alienação poderá, mediante depósito do respectivo preço, 
haver para si a parte alienada a terceiros, se o requerer no prazo 
decadencial de cento e oitenta dias, contado da data de 
alienação. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
§ 2o Se houver mais de uma laje, terá preferência, sucessivamente, o titular 
das lajes ascendentes e o titular das lajes descendentes, assegurada a 
prioridade para a laje mais próxima à unidade sobreposta a ser 
alienada. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
Art. 1.510-E. A ruína da construção-base implica extinção do direito real de 
laje, salvo: (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
I - se este tiver sido instituído sobre o subsolo; (Incluído pela Lei 
nº 13.465, de 2017) 
II - se a construção-base não for reconstruída no prazo de cinco 
anos. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
Parágrafo único. O disposto neste artigo não afasta o direito a eventual 
reparação civil contra o culpado pela ruína. (Incluído pela Lei nº 
13.465, de 2017) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm#art55
 
213 
 
 
26. DIREITO REAL DE HABITAÇÃO 
 
O direito de habitação é um direito real restrito ao uso do bem imóvel para fins 
de moradia, como o próprio nome sugere. 
Sobre o tema, vale trazer a contribuição do autor Bráulio Dinarte Pinto: 
O direito real de habitação não é um instituto novo, criado pela Lei 10.406, de 
09 de janeiro de 2.002. Já era conhecido pelo Direito Sucessório Brasileiro, uma vez 
que o art. 1.611, parágrafo segundo, do Código Civil anterior, lhe contemplava desde 
o advento da Lei 4.121/64 – Estatuto da Mulher Casada – assegurando esse tipo de 
sucessão ao cônjuge sobrevivente, casado pelo regime da comunhão universal de 
bens. 
Vale dizer ainda que o direito de habitação poderá ser instituído 
voluntariamente, ser decorrente de relacionamento afetivo ou ser instituído por 
decisão judicial. Nesse passo, referemos artigos 1414 – 1426 do CC: 
 
Art. 1.414. Quando o uso consistir no direito de habitar gratuitamente casa 
alheia, o titular deste direito não a pode alugar, nem emprestar, mas 
simplesmente ocupá-la com sua família. 
Art. 1.415. Se o direito real de habitação for conferido a mais de uma 
pessoa, qualquer delas que sozinha habite a casa não terá de pagar aluguel 
à outra, ou às outras, mas não as pode inibir de exercerem, querendo, o 
direito, que também lhes compete, de habitá-la. 
Art. 1.416. São aplicáveis à habitação, no que não for contrário à sua 
natureza, as disposições relativas ao usufruto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
214 
 
 
27. PROMESSA DE COMPRA E VENDA 
 
A promessa de compra e venda foi erigida a condição de direito real a partir 
do dec. Lei 58/37, quando passou a ser protegido como verdadeiro direito real de 
aquisição (não obstante essa classificação seja recente). 
A tutela da promessa de compra e venda ocorre através da possibilidade do 
promitente comprador levar à registro o contrato particular, bem como, tão logo pago 
o preço prometido, exigir a transferência dominial do bem objeto da compra e venda, 
conforme prevê o atual código civil: 
 
Art. 1.417. Mediante promessa de compra e venda, em que se não pactuou 
arrependimento, celebrada por instrumento público ou particular, e 
registrada no Cartório de Registro de Imóveis, adquire o promitente 
comprador direito real à aquisição do imóvel. 
Art. 1.418. O promitente comprador, titular de direito real, pode exigir do 
promitente vendedor, ou de terceiros, a quem os direitos deste forem 
cedidos, a outorga da escritura definitiva de compra e venda, conforme o 
disposto no instrumento preliminar; e, se houver recusa, requerer ao juiz a 
adjudicação do imóvel. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
215 
 
 
28. DIREITO DE AUTOR 
 
O direito autoral é uma modalidade de propriedade. É uma propriedade 
incorpórea, imaterial ou intelectual (Kohler, Ihering, Dernburg, Ahrens, Dabin, 
Caselli). É um poder de senhoria de um bem intelectual que contém poderes de 
ordem pessoal e patrimonial. Qualificando-se como um direito pessoal – patrimonial 
(CF, arts. 5º, XXII, IX, XIII, XXIX, XXVII e XXVIII, b; Lei nº 9.610/98). 
Para Antônio Chaves é o direito de autor um conjunto de prerrogativas de 
ordem não-patrimonial e de ordem pecuniária que a lei reconhece a todo criador de 
obras literárias, artísticas e científicas de alguma originalidade, no que diz respeito à 
sua paternidade e a seu ulterior aproveitamento, por qualquer meio durante toda sua 
vida e aos sucessores, ou pelo prazo que ela fixar. 
A disciplina do direito de autor está prevista essencialmente na lei 9610/98, 
em especial nos seus arts. 7º, 8º, 9º, 10, 12, 14 a 17, 19, 23, 32, e 42. 
 
Direitos morais e patrimoniais dos direitos autorais. 
Direitos Morais: São aqueles que se reconhece ao autor a paternidade da 
obra, sendo, portanto, inseparáveis de seu autor, perpétuos, inalienáveis, 
imprescritíveis e impenhoráveis, uma vez que são atributos da personalidade do 
autor. 
Direitos patrimoniais: São direitos de utilizar-se economicamente da obra, 
publicando-a, difundindo-a, traduzindo-a, transferindo-a, autorizado sua utilização, 
no todo ou em parte, por terceiro. 
Limitações aos direitos: Lei nº 9.610/98, arts. 46, 68, 70, 76 e 79. 
Duração dos direitos do autor: Lei nº 9.610/98, arts. 41 a 45. 
Cessão dos direitos do autor: Lei nº 9.610/98, arts. 49, 50, e 52; CP, art. 
185. 
Sanções à violação dos direitos autorais: Lei 9.610/98, arts. 102 a 110; CP 
art. 184, §§ 1º a 4º. 
Desapropriação de obras publicadas: Decreto-lei nº 3.365/41, art. 5º, o; CF, 
art. 216, III, § 1º. 
23 
 
216 
 
 
29. DIREITOS REAIS DE GARANTIA 
 
A) PENHOR 
É um direito real que consiste na tradição de uma coisa móvel ou imobilizável, 
suscetível de alienação, realizada pelo devedor ou por terceiro ao credor, a fim de 
garantir o pagamento do débito (CC, art. 1431). 
Caracteres: é um direito real de garantia; é direito acessório, depende da 
tradição (exceto nos casos do art. 1431, parágrafo único, do CC; Lei n. 2666/55, art. 
1º; Dec.-lei n. 413/69, art. 28); recai sobre coisa móvel; exige alienabilidade do 
objeto; o bem empenhado deve ser da propriedade do devedor (salvo o disposto nos 
arts. 1420, § 1º, e 1427 do CC); não admite pacto comissório; é direito real uno e 
indivisível; é temporário. 
 
Modos constitutivos: Constitui-se por convenção ou lei. 
 
PENHOR – DIREITOS E DEVERES DO CREDOR PIGNORATÍCIO 
Direitos: 
Investir na posse da coisa empenhada 
Invocar proteção possessória 
Reter o objeto empenhado até o implemento da obrigação ou até ser 
reembolsado das despesas com sua conservação (CC, art. 1433, II). 
Excutir o bem gravado 
Ser pago, preferencialmente, com o produto da venda judicial. 
Exigir reforço da garantia se a coisa empenhada se deteriorar ou perecer. 
Ressarcir-se de qualquer dano que venha a sofrer por vício do bem gravado 
(CC, art. 1433, III). 
Receber o valor do seguro da coisa; indenização a que estiver sujeito o 
causador da perda ou deterioração dos bens, preço da desapropriação ou requisição 
dos bens. 
Apropriar-se dos frutos da coisa empenhada (CC, art. 1433, V). 
24 
 
217 
 
Promover venda antecipada com autorização judicial (CC, art. 1433, VI e 
parágrafo único). 
Não ser constrangido a devolver, a coisa ou parte dela, antes de ser 
integralmente pago (CC, art. 1434). 
 
Deveres: 
Não usar a coisa empenhada. 
Custódia. 
Ressarcir a perda ou deterioração de que for culpado. 
Restituir o bem gravado, uma vez paga a dívida, com os respectivos frutos e 
acessões. 
Entregar o que sobeje do preço, quando a dívida for paga por excussão 
judicial ou venda amigável. 
Defender a posse do bem empenhado (CC, art. 1435, II). 
Imputar o valor dos frutos nas despesas de guarda e conservação, nos juros e 
no capital da obrigação garantida (CC, art. 1435, III). 
 
DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO DEVEDOR PIGNORATÍCIO 
Direitos: 
Não perder a propriedade da coisa. 
Conservar a posse indireta do bem gravado. 
Impedir que o credor faça uso do bem. 
Exigir ressarcimento do prejuízo que vier a sofrer com a perda ou 
deterioração da coisa por culpa do credor. 
Receber o remanescente do preço na venda judicial. 
Reaver o objeto dado em garantia, quando pagar o seu débito. 
Socorrer-se do processo sumaríssimo do art. 275, II, c, do Código Civil, se o 
credor se recusar a devolver o bem, quando a dívida for paga. 
Remir o bem empenhado. 
 
 
 
 
218 
 
Obrigações: 
Pagar despesas feitas pelo credor com a guarda, conservação e defesa do 
bem gravado. 
Indenizar o credor de todos os prejuízos causados por vícios ou defeitos 
ocultos da coisa empenhada. 
Reforçar o ônus real, nos casos em que for necessário. 
Obter licença do credor para alienar bem onerado, sob pena de sofrer a 
sanção do art. 171, § 2º, III, do Código Penal. 
Pagar a dívida e exigir todos os bens empenhados na execução do penhor sob pena 
de sujeitar-se à prisão administrativa. 
 
ESPÉCIES DE PENHOR 
Penhor legal: 
1 – CC, arts. 1467, I, 1468, 1469, 1470 e 1471; CPC, arts. 703 a 706; CP, art. 
176. 
2 – CC, arts. 1467, II, 964, VI, 1471 e 1472. 
3 – Lei n. 6533/78, art. 31. 
4 – Decreto-lei n. 4191/42; Decreto-lei n. 413/69, art. 46; Lei n. 6015/73, art. 
167, I, n. 4. 
 
Penhor rural: 
Penhor agrícola – arts. 1442 e 1443 do CC. 
Penhor pecuário – arts. 1444 a 1446 do CC. 
- Objeto: móveis ou imóveis por acessão física ou intelectual. 
- Dispensa tradição 
- Posse direta (devedor) e indireta (credor). 
Registro: Lei n. 6015, art. 167, I, n. 15; Lei n. 492, arts. 2º e 10, parágrafo 
único; Decreto-lei n. 2612/40; Lei n. 492, arts. 15, 16, 18, 19, 20 e 22, Decreto-lei n. 
167/67, arts. 30 a 38. 
- Prazo = Penhor agrícola e pecuário (CC, art. 1439). 
- Excussão judicial – Lei n. 492, arts. 22 e s. 
 
 
219 
 
Penhor Industrial:CC, arts. 1447, 1431, parágrafo único, 1448, 1449 e 1450. 
 
Penhor mercantil: 
Decreto n. 1102/1903; CC, arts. 1447 a 1450. 
Caracteres: recai sobre coisa móvel; requer tradição; é contrato acessório; é 
indivisível; deve constar de instrumento público ou particular; independente de 
registro. 
 
Penhor de direitos: 
CC, arts. 1451 a 1457; Lei n. 6404/76, art. 9º; Decreto-lei n. 2063/40, art. 13; 
Decreto-lei n. 36/66; Decreto-lei n. 3182/41; Patente de invenção; direito autoral, 
direito de crédito. 
 
Penhor de títulos de crédito: 
CC, arts.1458 a 1460. 
Objeto: é o próprio título em que se documenta o direito. 
O penhor de títulos de crédito particular requer tradição e registro no cartório 
de Títulos e Documentos – CC, art. 1458. 
O penhor de títulos de dívidas públicas requer assento no Registro de Títulos 
e Documentos – Lei n. 6015/73, art. 127, III. 
Compete ao credor, em penhor de título de crédito: 
- Conservar a posse do título (CC, art. 1459, I). 
- Recuperar a posse do título contra qualquer detentor e empregar todos os 
meios processuais para assegurar seus direitos ( CC, art. 1459, I e II). 
- Fazer intimar ao devedor que não pagar ao seu credor, enquanto durar a 
caução (CC, arts. 1459, III e 1460). 
- Receber a importância dos títulos caucionados e restituí-los ao devedor 
quando este solver a obrigação por eles garantida (CC, art. 1459, IV). 
- CC, art. 1460 e parágrafo único. 
 
 
 
220 
 
Penhor de veículos: 
CC, arts. 1461 a 1466 e Decreto-lei n. 413/69. 
 
EXTINÇÃO DO PENHOR 
O penhor se extingue a partir de: 
- Extinção da dívida (CC, art. 1436, I). 
- Perecimento do objeto empenhado (CC, art. 1436, II). 
- Renúncia do credor (CC, arts. 1436, III e § 1º, e 386). 
- Confusão (CC, art. 1436, IV e § 2º). 
- Adjudicação judicial, remição ou venda do penhor feita ou autorizada pelo 
credor (CC, art. 1436, V; Lei de Falências, art. 22, III, m; CPC, arts. 835, 854). 
- Resolução da propriedade. 
- Nulidade da obrigação principal. 
- Prescrição da obrigação principal. 
- Escoamento do prazo. 
- Reivindicação do bem gravado. 
- Remissão da dívida. 
 
B) ANTICRESE 
Conceito: Para Clóvis, é o direito real sobre imóvel alheio, em virtude do qual 
o credor obtém a posse da coisa a fim de perceber-lhe os frutos e imputá-los no 
pagamento da dívida, juros e capital, sendo, porém, permitido estipular que os frutos 
sejam, na sua totalidade, percebidos à conta de juros. 
Caracteres: é o direito real de garantia; requer capacidade das partes; não 
confere preferência ao anticresista no pagamento do crédito com a importância 
obtida na excussão do bem onerado, pois só lhe é conferido o direito de retenção; o 
credor anticrético só poderá aplicar as rendas que auferir com a retenção do bem de 
raiz, no pagamento da obrigação garantida; requer para sua constituição: escritura 
pública e registro no cartório imobiliário. 
Lei n. 6015/73, art. 167, I, n. 11; incide sobre a coisa imóvel alienável; requer 
tradição real do imóvel. 
 
 
221 
 
DIREITOS E DEVERES DO CREDOR ANTICRÉTICO 
Direitos: 
Reter o imóvel (CC, arts. 1423 e 1507, § 2º). 
Ter a posse do imóvel, para dele usar e gozar (CC, arts. 1506 e 1507, § 2º). 
Vindicar seus direitos contra o adquirente do imóvel e credores quirografários 
e hipotecários posteriores ao registro da anticrese (CC, art. 1509). 
Administrar o imóvel (CC, art. 1507 e § 1º). 
Preferência (CC, art. 1509, §§ 1º e 2º). 
Haver do produto da venda do bem gravado em caso de falência do devedor 
e remir, em prol da massa, bens apenhados, penhorados ou legalmente retidos (Lei 
n. 11.101/2005, arts. 22, III, m, 83, II, § 1º, e 108, § 5º). 
Adjudicar os bens penhorados (CPC, arts. 835, 854 e 843). 
Defender sua posse. 
Liquidar o débito, mediante a percepção da renda do imóvel do devedor. 
 
Deveres: 
Guardar e conservar o imóvel como se fosse seu. 
Responder pelas deteriorações que, por culpa sua, o imóvel vier a sofrer, bem 
como pelos frutos que deixar de perceber por negligência, desde que ultrapassem, 
no valor, o montante do seu crédito (CC, art. 1508). 
Prestar contas de sua administração. 
Restituir o imóvel, findo o prazo contratado ou quando o débito for liquidado. 
 
DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO DEVEDOR ANTICRÉTICO 
Direitos: 
Permanecer como proprietário do bem gravado. 
Exigir do anticresista a conservação do prédio. 
Ressarcir-se das deteriorações causadas ao imóvel, culposamente, pelo 
credor, bem como o valor dos frutos que este deixou de perceber por negligência. 
Pedir contas da gestão do credor. 
Reaver o seu imóvel assim que o débito se liquidar. 
 
 
222 
 
Obrigações: 
Transferir a posse do imóvel ao anticresista. 
Solver o débito, deixando que o imóvel anticrético permaneça com o seu 
credor até que se lhe complete o pagamento. 
Ceder ao credor o direito de perceber os frutos e rendimentos do imóvel que 
lhe pertence. 
Respeitar o contrato até o final. 
 
EXTINÇÃO 
Pelo pagamento da dívida 
Pelo término do prazo legal (CC, art. 1423). 
Pelo perecimento do bem anticrético (CC, art. 1509, § 2º). 
Pela desapropriação (CC, art. 1509, § 2º). 
Pela renuncia do anticresista. 
Pela excussão de outros credores quando o anticrético não opuser seu direito 
de retenção (CC, art. 1509, § 1º, e CPC, arts. 854 e 843). 
Pelo resgate feito pelo adquirente do imóvel gravado (CC, art. 1510; CPC, art. 
826). 
 
C) ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA 
Conceito: É quando o adquirente de um bem transfere o domínio do mesmo 
ao credor que emprestou o dinheiro até pagar-lhe o preço, continuando o devedor 
com a posse do bem, confirmando-se a propriedade para o adquirente quando do 
pagamento da totalidade do preço. 
 
Inadimplemento: Ocorrendo o não pagamento do financiamento o bem se 
integra automaticamente ao patrimônio do credor, podendo este buscá-lo via judicial. 
 
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BEM IMÓVEL 
Regulado pela Lei 9514/97 
É o negócio jurídico através do qual o adquirente de um bem imóvel transfere 
o domínio do mesmo ao credor que emprestou o dinheiro para pagar-lhe o preço , 
 
223 
 
continuando, entretanto, o adquirente (alienante) a possuí-lo pelo constituto 
possessório, resolvendo-se o domínio do credor, quando for ele pago de seu crédito. 
A plenitude do domínio pelo credor será alcançada no momento que ocorrer a 
inadimplência do financiado (adquirente-alienante). 
Ocorrendo a inadimplência, ou seja, deixando o financiado de pagar as 
prestações do financiamento a coisa alienada fiduciariamente se integra 
automaticamente ao patrimônio do credor, podendo este buscar a posse direta via 
judicial (busca e apreensão) a fim de vender-lhe e pagar-lhe o crédito. 
-Compra e venda sob condição resolutiva. O negócio se aperfeiçoa desde 
logo, gera todos os efeitos e se resolve se ocorrer a condição futura e incerta, o 
pagamento do débito. 
-É negócio solene, deve ser por contrato escrito, onde deve constar o total da 
dívida, o local de pagamento, a taxa de juros, comissões, correção monetária, 
cláusula penal e a descrição do bem. 
- Não há necessidade do leilão judicial, pode o credor vender a terceiros a 
coisa apreendida e pagar-se o seu crédito, entregando ao devedor eventual saldo, 
se houver. 
-Comprovada a mora no pagamento de uma das prestações, as demais se 
vencem por antecipação e o credor pode, desde logo, requerer a busca e apreensão 
da coisa, a qual será concedida liminarmente. 
 
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE VEÍCULOS 
Previsão contida no dec. Lei 911/69, viabiliza financiamento de veículos com 
a reserva da propriedade ao agente fiduciante. 
Retomada do bem por busca e apreensão 
Necessidade de mora ex persona (notificação pessoal) 
Perda da propriedade em caso de busca e apreensão (após consolidação) 
Possibilidade de elisão da dívida até 05 dias, mediante adimplemento dívida 
pendente. 
 
 
224 
 
D) HIPOTECA 
Se a coisa dada em garantia é imóvel, cuja posse foi transmitida ao credorpara que este a explore e se pague com a renda produzida pelo prédio, há a 
ANTICRESE. 
Se a coisa que garante a dívida é imóvel, e este continua na posse do 
devedor, embora respondendo precipuamente pelo pagamento do débito, há a 
HIPOTECA ou ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BEM IMÓVEL. 
 
HIPOTECA X ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE IMÓVEL 
Em ambos o bem fica na posse e propriedade do devedor e/ou garantidor 
Na hipoteca se houver inadimplemento o bem é penhorado e levado a 
praceamento e na alienação fiduciária o bem é apreendido liminarmente e vendido 
sem execução judicial. 
 
PLURALIDADE DAS HIPOTECAS 
A lei permite ao dono do imóvel hipotecado constituir sobre ele, mediante 
novo título, uma ou mais hipotecas sucessivas. 
O direito do credor primitivo não sofrerá prejuízo, eis que seu crédito possui 
preferência para resgate. 
A preferência entre os credores hipotecários se dá pela ordem de inscrição. 
Mesmo que se vença a Segunda hipoteca não poderá o credor desta executá-
la antes de vencida a anterior. (1477). 
 
E) TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL: 
Há teoria que trata da impossibilidade de busca e apreensão ou de 
consolidação de propriedade de bem quando o devedor realizou o chamado 
adimplemento substancial. Ou seja, é quando o devedor efetua o pagamento de 
quase todo o valor devido. 
Ainda, pela teoria, em razão desse adimplemento substancial, não será 
deferida a busca e apreensão ou consolidação da propriedade de imediato, devendo 
ser buscada a penhora de bens pelo credor em caso de inadimplemento do devedor. 
 
225 
 
Não há, para a hipótese, regra expressa, mas sim construção jurisprudencial, 
e que entende como adimplemento substancial pagamentos superiores a 70% ou 
80% do valor do bem objeto de alienação fiduciária. 
O STJ, outrora havia consolidado a aplicação de tal teoria para todos os 
contratos de alienação fiduciária. Porém, em mudança de entendimento, 
estabelecera que a alienação fiduciária de veículos não está sujeita à aplicação da 
teoria, ou seja, não há impeditivo à busca e apreensão do bem. Nesse sentido: 
 
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. CONTRATO DE 
FINANCIAMENTO DE VEÍCULO, COM ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA 
REGIDO PELO DECRETO-LEI 911/69. INCONTROVERSO INADIMPLEMENTO DAS 
QUATRO ÚLTIMAS PARCELAS (DE UM TOTAL DE 48). EXTINÇÃO DA AÇÃO DE 
BUSCA E APREENSÃO (OU DETERMINAÇÃO PARA ADITAMENTO DA INICIAL, 
PARA TRANSMUDÁ-LA EM AÇÃO EXECUTIVA OU DE COBRANÇA), A 
PRETEXTO DA APLICAÇÃO DA TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL. 
DESCABIMENTO. 1. ABSOLUTA INCOMPATIBILIDADE DA CITADA TEORIA COM 
OS TERMOS DA LEI ESPECIAL DE REGÊNCIA. RECONHECIMENTO. 2. 
REMANCIPAÇÃO DO BEM AO DEVEDOR CONDICIONADA AO PAGAMENTO DA 
INTEGRALIDADE DA DÍVIDA, ASSIM COMPREENDIDA COMO OS DÉBITOS 
VENCIDOS, VINCENDOS E ENCARGOS APRESENTADOS PELO CREDOR, 
CONFORME ENTENDIMENTO CONSOLIDADO DA SEGUNDA SEÇÃO, SOB O 
RITO DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS (REsp n. 1.418.593/MS). 3. 
INTERESSE DE AGIR EVIDENCIADO, COM A UTILIZAÇÃO DA VIA JUDICIAL 
ELEITA PELA LEI DE REGÊNCIA COMO SENDO A MAIS IDÔNEA E EFICAZ PARA 
O PROPÓSITO DE COMPELIR O DEVEDOR A CUMPRIR COM A SUA 
OBRIGAÇÃO (AGORA, POR ELE REPUTADA ÍNFIMA), SOB PENA DE 
CONSOLIDAÇÃO DA PROPRIEDADE NAS MÃOS DO CREDOR FIDUCIÁRIO. 4. 
DESVIRTUAMENTO DA TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL, 
CONSIDERADA A SUA FINALIDADE E A BOA-FÉ DOS CONTRATANTES, A 
ENSEJAR O ENFRAQUECIMENTO DO INSTITUTO DA GARANTIA FIDUCIÁRIA. 
VERIFICAÇÃO. 5. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 
1. A incidência subsidiária do Código Civil, notadamente as normas gerais, em 
relação à propriedade/titularidade fiduciária sobre bens que não sejam móveis 
infugíveis, regulada por leis especiais, é excepcional, somente se afigurando possível 
no caso em que o regramento específico apresentar lacunas e a solução ofertada 
pela "lei geral" não se contrapuser às especificidades do instituto regulado pela lei 
especial (ut Art. 1.368-A, introduzido pela Lei n. 10931/2004). 
1.1 Além de o Decreto-Lei n. 911/1969 não tecer qualquer restrição à utilização da 
ação de busca e apreensão em razão da extensão da mora ou da proporção do 
inadimplemento, é expresso em exigir a quitação integral do débito como condição 
imprescindível para que o bem alienado fiduciariamente seja remancipado. Em seus 
termos, para que o bem possa ser restituído ao devedor, livre de ônus, não basta que 
ele quite quase toda a dívida; é insuficiente que pague substancialmente o débito; é 
necessário, para esse efeito, que quite integralmente a dívida pendente. 
2. Afigura-se, pois, de todo incongruente inviabilizar a utilização da ação de busca e 
apreensão na hipótese em que o inadimplemento revela-se incontroverso 
desimportando sua extensão, se de pouca monta ou se de expressão considerável, 
quando a lei especial de regência expressamente condiciona a possibilidade de o 
bem ficar com o devedor fiduciário ao pagamento da integralidade da dívida 
pendente. Compreensão diversa desborda, a um só tempo, do diploma legal 
exclusivamente aplicável à questão em análise (Decreto-Lei n. 911/1969), e, por via 
transversa, da própria orientação firmada pela Segunda Seção, por ocasião do 
 
226 
 
julgamento do citado Resp n. 1.418.593/MS, representativo da controvérsia, segundo 
a qual a restituição do bem ao devedor fiduciante é condicionada ao pagamento, no 
prazo de cinco dias contados da execução da liminar de busca e apreensão, da 
integralidade da dívida pendente, assim compreendida como as parcelas vencidas e 
não pagas, as parcelas vincendas e os encargos, segundo os valores apresentados 
pelo credor fiduciário na inicial. 
3. Impor-se ao credor a preterição da ação de busca e apreensão (prevista em lei, 
segundo a garantia fiduciária a ele conferida) por outra via judicial, evidentemente 
menos eficaz, denota absoluto descompasso com o sistema processual. Inadequado, 
pois, extinguir ou obstar a medida de busca e apreensão corretamente ajuizada, para 
que o credor, sem poder se valer de garantia fiduciária dada (a qual, diante do 
inadimplemento, conferia-lhe, na verdade, a condição de proprietário do bem), intente 
ação executiva ou de cobrança, para só então adentrar no patrimônio do devedor, por 
meio de constrição judicial que poderá, quem sabe (respeitada o ordem legal), recair 
sobre esse mesmo bem (naturalmente, se o devedor, até lá, não tiver dele se 
desfeito). 
4. A teoria do adimplemento substancial tem por objetivo precípuo impedir que credor 
resolva a relação contratual em razão de inadimplemento de ínfima parcela da 
obrigação. A via judicial para esse fim é a ação de resolução contratual. 
Diversamente, o credor fiduciário, quando promove ação de busca e apreensão, de 
modo algum pretende extinguir a relação contratual. Vale-se da ação de busca e 
apreensão com o propósito imediato de dar cumprimento aos termos do contrato, na 
medida em que se utiliza da garantia fiduciária ajustada para compelir o devedor 
fiduciante a dar cumprimento às obrigações faltantes, assumidas contratualmente (e 
agora, por ele, reputadas ínfimas). A consolidação da propriedade fiduciária nas 
mãos do credor apresenta-se como consequência da renitência do devedor fiduciante 
de honrar seu dever contratual, e não como objetivo imediato da ação. E, note-se 
que, mesmo nesse caso, a extinção do contrato dá-se pelo cumprimento da 
obrigação, ainda que de modo compulsório, por meio da garantia fiduciária ajustada. 
4.1 É questionável, se não inadequado, supor que a boa-fé contratual estaria ao lado 
de devedor fiduciante que deixa de pagar uma ou até algumas parcelas por ele 
reputadas ínfimas � mas certamente de expressão considerável, na ótica do credor, 
que já cumpriu integralmente a sua obrigação, e, instado extra e judicialmente para 
honrar o seu dever contratual, deixa de fazê-lo, a despeito de ter a mais absolut 
ciência dos gravosos consectários legais advindos da propriedade fiduciária. A 
aplicação da teoria do adimplemento substancial, para obstar a utilização da ação de

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