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Os Arquivos e a Preservação da Memória Solange de Souza Coordenadora da Comissão Central de Avaliação de Documentos da UNESP Historiógrafa do CEDEM ssouza@cedem.unesp.br Marília, 2009 mailto:ssouza@cedem.unesp.br 2 Resumo Memória e Informação Instituições da memória e da informação Arquivo e Documento de Arquivo Ações e Conceitos da Gestão Documental Exigências de um Programa de Gestão Documental Metodologia do Programa de Gestão Documental Planejamento para a implantação de Programa de Gestão Documental Ações em curso na UNESP 3 Preservar documentos é preservar a memória? “Tornar-se senhores da memória e do esquecimento é uma das grandes preocupações das classes, dos grupos, dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades históricas. Os esquecimentos e os silêncios da história são reveladores desses mecanismos de manipulação da memória coletiva.” (Walter Benjamim) A preservação não pode ser confundida pelo cunho nostálgico, muito menos com a restauração da história oficial. Qual o legado que queremos deixar para as gerações futuras? 4 Memória Informação retrospectiva registrada em documentos textuais, iconográficos, publicações, audiovisuais, depoimentos, etc. Objeto da história. Elemento de identidade individual ou coletiva. Diálogo com a experiência acumulada. Sem memória não é possível conceituar, não é possível armazenar nem compreender a informação. As instituições podem ser vistas como possuidoras de memória, inteligência e capacidade de aprendizagem. O aprendizado de uma instituição é construído com base em conhecimentos e experiências passados, isto é, com base na memória. 5 Indústria da Informação ARMAZENAMENTO - TRANSMISSÃO – COMPREENSÃO Para a compreensão da informação não há necessidade de saber tudo, mas onde encontrá-la. Para a compreensão da informação é preciso organizá-la, garantindo seu acesso. 6 Dados -Informação - Conhecimento Dados: simples observações do estado das coisas e do mundo. Informação: dá aos dados relevância e propósito. Conhecimento: dá a informação um contexto, um significado e, principalmente, uma interpretação. 7 Lugares da Memória e da Informação Existem lugares onde a informação é conservada, organizada e disponibilizada e que portanto preservam a memória. Arquivos Bibliotecas Museus Centros de Documentação 8 Diferenças Formação do acervo Tipo de acervo Técnicas de organização Serviços 9 Biblioteca Documentação colecionada, conforme temas e campos do saber necessários ao desenvolvimento das atividades institucionais. Coleções de publicações institucionais e, eventualmente, de certos tipos de documentos de trabalho. Apoio informativo, principalmente a partir do acervo. 10 Centro de Documentação Documentação selecionada e colecionada (originais ou não) a partir das especializações estabelecidas. Geração de stores de informações. Geração de conjuntos documentais. Arquivos e coleções de origem não institucional. Apoio gerencial e informativo a partir dos acervos da biblioteca, do arquivo e de pesquisas. 11 Arquivo Documentação e informação oficial, produzida e acumulada pela instituição, no exercício de suas atividades. Conjuntos documentais sui generis, acumulados organicamente. Apoio gerencial, probatório ou informativo, a partir do acervo. 12 Documento Todo e qualquer registro de informação, independente de sua forma ou suporte físico (papel, negativos, filmes, fitas, disquetes) Registro da atividade humana. 13 Documento de Arquivo Todo e qualquer registro de informação, independente de sua forma, suporte físico ou gênero, produzido, recebido e/ou reunido por uma organização durante o curso de sua atuação e no cumprimento de seus objetivos. 14 Documento de Arquivo Entende-se que os documentos de arquivo atestam ações e transações, sendo criados como meios para objetivos práticos, e não para informar a posteridade, e que são fundamentais na constituição do patrimônio histórico de uma instituição, por conta de sua relação com as funções e atividades da mesma instituição. Este é o principio da organicidade dos documentos de arquivo. 15 Toda instituição produz cotidianamente um acervo documental, isto é, inúmeros documentos e informações que, por serem orgânicos, precisam ser preservados e acessados constantemente. Para que eles constituam um apoio efetivo ao desenvolvimento das atividades institucionais é preciso que os procedimentos de armazenamento e acesso aos documentos sejam regulares e contínuos. 16 Para que os documentos e informações de uma instituição estejam plenamente acessíveis e, portanto, sejam efetivamente compreendidos e utilizados como parte integrante de suas ações pretéritas e suportes das ações presentes, eles precisam estar organizados. 17 Os Arquivos das Universidades Qual o papel que representam os arquivos das universidades no acesso ao conhecimento e à informação social produzida pela universidade? Qual é a importância atribuída aos arquivos universitários? 18 Nos arquivos das instituições universitárias é possível encontrar todo o contexto da produção do conhecimento: as relações intra e inter institucionais, as demandas sociais, as diversas fases percorridas, as implicações políticas, locais ou não, as limitações de recursos, os comportamentos institucionais predominantes, as informações particularizadas sobre o perfil de alunos, professores e das comunidades em que se circunscrevem, as tendências de ensino e pesquisa ao longo do desenvolvimento institucional, enfim, todos os registros que informam, com caráter retrospectivo inclusive, o processo integral de construção do conhecimento. 19 Por isso, conjuntos documentais como atas, termos de convênio, acordos de cooperação, parcerias, correspondências, registros de eventos, relatórios de atividades, relatórios científicos finais e parciais, projetos de pesquisa (aprovados ou não), propostas de trabalho, estudos institucionais, planos de aula, programas e projetos de extensão, planejamentos, e tantos outros são parte integrante do conhecimento gerado por uma instituição universitária. 20 A implantação de um programa de organização de arquivos baseia-se no entendimento que dois são os aspectos que orientam a reflexão sobre o lugar destes nas instituições. O primeiro diz respeito ao uso da documentação e sua utilidade no cotidiano da administração. Se bem organizados, os arquivos transformam-se em espaços de fácil localização e recuperação de informações necessárias para o desenvolvimento de todas as atividades. 21 Se os arquivos da Universidade estão dispostos em uma rede estruturada tornam possível a articulação da área administrativa com a da informação finalística da instituição e, conseqüentemente, com a da memória institucional. Surge daí o segundo e fundamental aspecto: refere-se ao valor que a documentação possui como testemunho da vida da Universidade, como repositório de seus conhecimentos e experiências, indispensáveis à continuidade de suas ações presentes e futuras e como retorno social. 22 Um sistema de arquivos organizados visa articular o aspecto de gestão de documentos com as áreas de memória, administração e informação. Definindo políticas e práticas institucionais que permitam amplo uso social de suas informações, tanto pelos próprios grupos que integram as instituições (uso interno), como pelas comunidades e pela sociedade em nome das quais prestam seus serviços (uso externo). 23 Os documentos arquivísticos conferem aos órgãos e entidades a capacidade de: Conduzir as atividades de forma transparente, possibilitando a governança e o controle social das informações; Apoiar e documentar a elaboração de políticas e o processo de tomada de decisão; Possibilitara continuidade das atividades em caso de sinistros; Fornecer evidência em caso de litígios; Proteger os interesses do órgão ou entidade e os direitos dos funcionários e dos usuários ou clientes; Assegurar e documentar as atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, bem como a pesquisa histórica; Manter a memória corporativa e coletiva. 24 Para conferir essa capacidade, os documentos arquivísticos precisam ser confiáveis, autênticos, acessíveis, compreensíveis e serem preservados, o que só é possível por meio da implantação de um programa de gestão arquivística de documentos. Gestão Documental Ações e ConceitosAções e Conceitos 26 Informação Verbal (informal) Registrada (formal) Orgânica (elaborada, expedida ou recebida no âmbito da missão de uma organização) Não orgânica Informação orgânica registrada (em Informação orgânica registrada (em qualquer suporte) dá origem ao qualquer suporte) dá origem ao documento de arquivo.documento de arquivo. 27 Gestão da Informação Compreende processos distintos e inter-relacionados Identificação das necessidades informacionais Aquisição (Captura) de informação Organização e armazenamento da informação Desenvolvimento de produtos informacionais e serviços Distribuição da informação Uso da informação 28 Programas de Gestão da Informação Componente I Criação, Difusão e Acesso Componente II Classificação e Recuperação da Informação Componente III Proteção e Conservação 29 Gestão Documental Conjunto de procedimentos e operações técnicas referentes a produção, a classificação, a avaliação, a tramitação, ao uso e ao arquivamento dos documentos de arquivo, visando assegurar a racionalização e a eficiência dos arquivos e conferir autenticidadeautenticidade aos documentos de arquivo. Garantir o controle sistemático da produção, do uso, da manutenção e da eliminação de documentos. Instrumentos básicos: Plano de Classificação de Documentos e Tabela de Temporalidade e Destino. 30 Teoria da Três Idades Segundo essa teoria, os documentos passam por três idades, a saber: Corrente: refere-se aos documentos que estão em curso, isto é, tramitando ou que foram arquivados, mas que são objeto de consultas freqüentes; eles são conservados nos locais onde foram produzidos sob a responsabilidade do órgão produtor. Intermediária: refere-se aos documentos que não são mais de uso corrente mas que, por conservarem ainda algum interesse administrativo, aguardam, no arquivo intermediário, o cumprimento do prazo estabelecido em tabela de temporalidade e destinação para serem eliminados ou recolhidos ao arquivo permanente. Permanente: refere-se aos documentos que devem ser definitivamente preservados devido a seu valor histórico, probatório ou informativo. 31 A gestão arquivística de documentos compreende: definição da política arquivística designação de responsabilidades planejamento do programa de gestão implantação do programa de gestão 32 O planejamento envolve o levantamento e a análise da realidade institucional, o estabelecimento das diretrizes e procedimentos a serem cumpridos pelo órgão ou entidade, o desenho do sistema de gestão arquivística de documentos e a elaboração de instrumentos e manuais. Exigências a serem cumpridas pelo programa de gestão arquivística de documentos. 34 O documento arquivístico deve: refletir corretamente o que foi comunicado, decidido ou a ação implementada; conter os metadados necessários para documentar a ação; ser capaz de apoiar as atividades; prestar contas das atividades realizadas. 35 O programa de gestão arquivística de documentos deve: contemplar o ciclo de vida dos documentos; garantir a acessibilidade dos documentos; manter os documentos em ambiente seguro; reter os documentos somente pelo período estabelecido na tabela de temporalidade e destinação; implementar estratégias de preservação dos documentos desde sua produção pelo tempo que for necessário. garantir as seguintes qualidades de um documento arquivístico: organicidade, unicidade, confiabilidade, autenticidade e acessibilidade. 36 Organicidade O documento arquivístico se caracteriza pela organicidade, ou seja, pelas relações que mantém com os demais documentos do órgão ou entidade e que refletem suas funções e atividades. Os documentos arquivísticos não são coletados artificialmente, mas estão ligados uns aos outros por um elo que se materializa no plano de classificação, o qual os contextualiza no conjunto a que pertencem. Os documentos arquivísticos apresentam um conjunto de relações que devem ser mantidas. Exigência: Os procedimentos de gestão arquivística devem registrar e manter as relações entre os documentos e a seqüência das atividades realizadas por meio da aplicação de um plano de classificação. 37 Unicidade O documento arquivístico é único no conjunto documental ao qual pertence; podem existir cópias em um ou mais grupos de documentos, mas cada cópia é única em seu lugar, porque o conjunto de suas relações com os demais documentos do grupo é sempre único. Exigência: o programa de gestão arquivística deve prever a identificação de cada documento individualmente, sem perder de vista o conjunto de relações que o envolve. 38 Confiabilidade Um documento arquivístico confiável é aquele que tem a capacidade de sustentar os fatos que atesta. A confiabilidade está relacionada ao momento em que o documento é produzido e à veracidade do seu conteúdo. Para tanto há que ser dotado de completeza (Completeza se refere à presença, no documento arquivístico, de todos os elementos intrínsecos e extrínsecos exigidos pela organização produtora e pelo sistema jurídico- administrativo ao qual pertence, de maneira que esse mesmo documento possa ser capaz de gerar conseqüências) e ter seus procedimentos de criação bem controlados. Dificilmente pode-se assegurar a veracidade do conteúdo de um documento, ela é inferida a partir da completeza e dos procedimentos de criação. Exigência: para garantir a confiabilidade, o programa de gestão arquivística deve assegurar que os documentos arquivísticos sejam produzidos da seguinte forma: no momento em que ocorre a ação, ou imediatamente após, por pessoas diretamente envolvidas na condução das atividades e devidamente autorizadas; com o grau de completeza requerido tanto pelo próprio órgão ou entidade como pelo sistema jurídico. 39 Autenticidade Um documento arquivístico autêntico é aquele que é o que diz ser, independente de se tratar de minuta, original ou cópia, e que é livre de adulterações ou qualquer outro tipo de corrupção. Enquanto a confiabilidade está relacionada ao momento da produção, a autenticidade está ligada à transmissão do documento e à sua preservação e custódia. Um documento autêntico é aquele que se mantém da mesma forma como foi produzido e, portanto, apresenta o mesmo grau de confiabilidade que tinha no momento de sua produção. Exigência: para assegurar a autenticidade dos documentos arquivísticos, o programa de gestão arquivística tem que garantir sua identidade e integridade. Para tanto deve implementar e documentar políticas e procedimentos que controlem a transmissão, a manutenção, a avaliação, a destinação e a preservação dos documentos, garantindo que os mesmos estejam protegidos contra acréscimos, supressão, alteração, uso e ocultação indevidos. 40 Acessibilidade Um documento arquivístico acessível é aquele que pode ser localizado, recuperado, apresentado e interpretado. Exigência: para assegurar a acessibilidade, o programa de gestão arquivística deve garantir a transmissão de documentospara outros sistemas sem perda de informação e de funcionalidade. O sistema deve ser capaz de recuperar qualquer documento, em qualquer tempo e de apresentá-lo com a mesma forma que tinha no momento da sua criação. Metodologia do programa de gestão 42 a) Levantamento preliminar Consiste em identificar e registrar atos normativos, legislação, regimento e regulamento. O objetivo deste primeiro passo é gerar o conhecimento necessário sobre a missão, a estrutura organizacional e o contexto jurídico- administrativo no qual o órgão ou entidade opera, de forma que possa identificar as exigências para produzir e manter documentos. 43 b) Análise das funções, das atividades desenvolvidas e dos documentos produzidos Consiste em identificar, documentar e classificar cada função e atividade, bem como identificar e documentar os fluxos de trabalho e os documentos produzidos. O objetivo deste passo é desenvolver um modelo conceitual sobre o que o órgão ou entidade faz e como faz, demonstrando como os documentos se relacionam com a missão e as atividades. O modelo subsidiará a definição dos procedimentos de produção, captura, controle, armazenamento, acesso e destinação dos documentos. Os produtos resultantes deste passo podem incluir: esquema de classificação das funções e atividades; mapa dos fluxos de trabalho que mostre quando e quais documentos são produzidos ou recebidos como resultado das atividades desenvolvidas. 44 A análise das funções e atividades fornece a base para desenvolver ferramentas de gestão arquivística de documentos, que podem incluir: tesauro e vocabulário controlado para identificar e indexar documentos de uma atividade específica; código de classificação para contextualizar os documentos produzidos e recebidos; tabela de temporalidade e destinação que define os prazos de guarda e as ações de destinação dos documentos. 45 c) Identificação das exigências a serem cumpridas para a produção de documentos Consiste em identificar que documentos devem ser produzidos, determinar a forma documental que melhor satisfaça cada função ou atividade desempenhada, e definir quem está autorizado a produzir cada documento. O objetivo deste passo é assegurar que somente os documentos realmente necessários sejam produzidos, que sua produção seja obrigatória e que sejam feitos de forma completa e correta. Os produtos resultantes deste passo podem incluir: lista das exigências a serem cumpridas para a produção e manutenção de documentos; relatório de avaliação dos riscos decorrentes da falta de registro de uma atividade em documento arquivístico; documento formal, regulamentando as exigências a serem cumpridas para a produção e manutenção de documentos, ou seja, quais documentos devem ser produzidos, que forma documental devem apresentar e os níveis de permissão de acesso. 46 d) Avaliação dos sistemas existentes Consiste em identificar e avaliar o sistema de gestão arquivística de documentos e outros sistemas de informação e comunicação existentes no órgão ou entidade. O objetivo deste passo é identificar as lacunas entre as exigências para a produção e manutenção de documentos e o desempenho do sistema de gestão arquivística de documentos e dos sistemas de informação e comunicação existentes. Os produtos resultantes deste passo podem ser: inventário do sistema de gestão arquivística de documentos e dos sistemas de informação e comunicação existentes no órgão ou entidade; relatório sobre o sistema de gestão arquivística de documentos e sistemas de informação existentes, avaliando até que ponto atendem às exigências a serem cumpridas para a produção e manutenção de documentos arquivísticos. 47 e) Identificação das estratégias para satisfazer as exigências a serem cumpridas para a produção de documentos arquivísticos Consiste em determinar as estratégias (padrões, procedimentos, práticas e ferramentas) que levem ao cumprimento das exigências para a produção de documentos arquivísticos. O objetivo deste passo é avaliar o potencial de cada estratégia em alcançar o resultado desejado e o risco, em caso de falha. Os produtos resultantes deste passo podem incluir: lista das estratégias selecionadas para satisfazer as exigências para produção dos documentos arquivísticos; documento a ser encaminhado à administração, recomendando a elaboração de um projeto de gestão arquivística de documentos e relacionando as estratégias a serem adotadas com as devidas justificativas. 48 f) Projeto do sistema de gestão arquivística de documentos Consiste em projetar um sistema de gestão arquivística de documentos que incorpore as estratégias selecionadas no passo anterior, que atenda às exigências identificadas e documentadas no passo “c” e que corrija quaisquer deficiências identificadas no passo “d”, redesenhando os procedimentos e os sistemas de informação e comunicação existentes e integrando-os ao sistema de gestão arquivística de documentos. O projeto de um sistema de gestão arquivística de documentos visa: projetar mudanças ou adaptações para sistemas informatizados, processos e práticas correntes; determinar como incorporar essas mudanças ou adaptações para melhorar a gestão dos documentos arquivísticos no órgão ou entidade; adaptar ou adotar soluções tecnológicas, considerando, o quanto possível, um plano estratégico de evolução que vise minimizar os efeitos da obsolescência tecnológica. 49 g) Implementação do sistema de gestão arquivística de documentos Consiste na execução do projeto por meio de: treinamento de pessoal; introdução do sistema de gestão arquivística de documentos ou adaptação do já existente; integração do sistema de gestão arquivística de documentos com os procedimentos e os sistemas de informação e comunicação existentes. Os produtos resultantes deste passo podem incluir: regulamentação das políticas, diretrizes e procedimentos, por meio de normas e manuais; material de treinamento; documentação dos processos de conversão e migração dos sistemas; relatórios sobre avaliação de desempenho do sistema de gestão arquivística de documentos. 50 h) Monitoramento e ajustes Consiste em recolher, de forma sistemática, informação sobre o desempenho do sistema de gestão arquivística de documentos. O objetivo deste passo é avaliar o desempenho do sistema, detectar possíveis deficiências e fazer os ajustes necessários. Este passo envolve: entrevistas com a administração, equipe e outros parceiros; aplicação de questionários para medir o desempenho do sistema de gestão arquivística de documentos; exame da documentação (manuais de procedimentos, material de treinamento) desenvolvida durante a implementação do sistema de gestão arquivística de documentos; observação, análise e auditoria das informações e dos procedimentos implementados. Os produtos resultantes deste passo podem incluir: desenvolvimento e aplicação de uma metodologia para avaliar objetivamente o sistema de gestão arquivística de documentos; documentação do desempenho do sistema de gestão arquivística de documentos; relatório para a administração com conclusões e recomendações. Planejamento 52 1) Produção Contexto de ProduçãoContexto de Produção Identificar o ato ou a ação que origina o documento Definir nível de autoridade para autorias Definir procedimentos administrativos Definir normas de criação Manual de Normas Processuais DocumentoDocumento Definir o documento essencial para o registro do ato ou ação Definir a espécie documental Definir o suporte Definir o conteúdo Definir a forma ou estrutura documentária(física e intelectual) Definir o tipo documental (série documental) Definir a nomenclatura (vocabulários) 53 2) Classificação Atividade intelectual de construção de instrumentos para a organização dos documentos e das informações. Informa sobre os vínculos orgânicos existentes entre os documentos e seu órgão produtor, expressando o contexto de produção dos documentos. Confere coerência interna aos arquivos, possibilitando o relacionamento entre os documentos. 54 “Classificações” usuais Ordem cronológica Assuntos sem orientação sistemática Ordem nominal (pessoas, empresas, fornecedores) Estrutura do órgão Emissor ou receptor Espécie documental 55 Pelo nome da empresa do grupo Pelo nome da empresa do grupo e data Pelo nome de empresa ou organização externa Pelo nome de várias empresas externas Pelo nome do fornecedor Por espécie documental Pelo nome do serviço contratado Pelo tipo de serviço Pelo nome de projeto realizado ou em andamento Pela atividade realizada Pela empresa e espécie documental Pela empresa e tipo de serviço Pela empresa e tipo de atividade Pelo nome de pessoas Quando a denominação é por serviço / atividade / assunto as entradas não são padronizadas. Ex.: Contabilização de despesas Movimento contabilizado Lançamentos contábeis Despesas contabilizadas Movimento contábil 56 Classificação arquivística A classificação arquivística deve espelhar a vida das instituições, ser uma virtualidade de suas estruturas, atribuições, objetivos, funções e atividades. Deve informar sobre os vínculos orgânicosorgânicos dos documentos com o organismo produtor. Deve expressar o contexto de produçãocontexto de produção dos documentos. No entendimento da relação entre as atividades e os documentos é que se elaborará um Plano de Plano de ClassificaçãoClassificação. 57 Classificação arquivística Nos esquemas de classificação arquivísticos as classes e subclasses são denominadas de fundos, subfundos, grupos, subgrupos, séries, subséries. Nos arquivos correntes também devem ser aplicados Planos de Classificação que estabeleçam categorias para os documentos. 58 Plano de Classificação Esquema elaborado a partir do estudo da instituição e dos documentos por ela produzidos, pelo qual se distribuem os documentos em classes preestabelecidas. 59 Função: 03 GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS Subfunção: 03.01 Planejamento e formulação de políticas de recursos humanos Atividade: 03.01.01 Elaboração de estudos e pesquisas Documentos: 03.01.01.01 Processo de estudo de política salarial 03.01.01.02 Processo de estudo para aperfeiçoamento de métodos e técnicas de recrutamento e seleção 03.01.01.03 Processo de estudo para classificação de cargos e funções 03.01.01.04 Processo de estudo para definição das exigências, requisitos, interstícios e demais procedimentos aplicáveis ao acesso 03.01.01.05 Processo de estudo para subsidiar as políticas de recrutamento e seleção 03.01.01.06 Processo de estudo sobre a necessidade de cursos 03.01.01.07 Processo de planejamento anual de concursos públicos e seleção 03.01.01.08 Processo de proposta de contratação e qualificação de recursos humanos 03.01.01.09 Processo de proposta de padrão de lotação 03.01.01.10 Relatório de pesquisa sobre mercado de trabalho 03.01.01.11 Relatório técnico de dimensionamento do quadro de pessoal 60 Atividade: 03.01.02 Classificação e cadastramento de cargos e funções Documentos: 03.01.02.01 Decreto de fixação, extinção ou relotação de postos de trabalho 03.01.02.02 Ficha de cadastro de cargos e funções 03.01.02.03 Organograma funcional 03.01.02.04 Processo de alteração de grade 03.01.02.05 Processo de criação de cargo 03.01.02.06 Processo de extinção de cargo 03.01.02.07 Processo de identificação e classificação de função 03.01.02.08 Processo de transformação de cargo 03.01.02.09 Quadro anual de pessoal, de cargos criados, providos e vagos 03.01.02.10 Quadro de cargos e funções 03.01.02.11 Quadro de classificação de cargos e funções 03.01.02.12 Relatório mensal de cargos e funções 03.02.01.12 Relação das contratações por tempo determinado 03.02.01.13 Relação de servidores e funcionários cedidos à Organização Social 61 FUNÇÃO: GESTÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL SUBFUNÇÕES ATIVIDADE Atender ao público Cadastramento de usuários Fornecimento de certidões Registro de consulta Controlar os bens culturais Catalogação do acervo Normalização técnico-legal Garantir o acesso aos bens culturais Elaboração de instrumentos Preservar os bens culturais Conservação e restauro do acervo Reprodução do acervo 62 FUNÇÃO: GESTÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL SUBFUNÇÕES ATIVIDADE DOCUMENTOS Atender ao público Cadastramento de usuários Fornecimento de certidões Registro de consulta Controlar os bens culturais Catalogação do acervo Normalização técnico-legal Garantir o acesso aos bens culturais Elaboração de instrumentos Preservar os bens culturais Conservação e restauro do acervo Reprodução do acervo 63 Nomeação Nomear é designar um nome para algo ou alguém. Dar nome a, denominar, nominar. Vocabulário controlado de termos. 64 Nomeação Espécie Documental + Ação + Objeto Processo + Aquisição + Material de Consumo Processo + Pagamento + Contas de utilidade pública 65 Ordenação Estabelecer critérios para determinar a disposição física dos documentos constantes de uma determinada série ou subsérie documental. Ordenar é unir fisicamente todos os elementos de cada grupo, estabelecendo uma unidade-ordem, que pode ser a data, o alfabeto, o tamanho ou o número. 66 3) Avaliação Indicar a temporalidade (prazos de prazos de guardaguarda) por meio da indicação da Série Documental a qual o documento pertence. Indicar a destinação – quais documentos serão eliminados; quais serão preservados (temporária ou permanentemente); quais necessitam mudar de suporte. 67 Ciclo Vital dos Documentos de Arquivo (Teoria das Três Idades) 1ª. idade 2ª.idade 3ª. Idade 100% 60 a 40% 20 a 4% TT TT Arquivos Correntes Arquivos Intermediários Arquivos Permanentes Tramitação Aguardando prazos de guarda Guarda Permanente - Uso freqüente - Uso eventual 1a. eliminação 2a. eliminação 68 Tabelas de Temporalidade de Documentos Instrumento para o gerenciamento dos documentos. Estabelece a temporalidade dos documentos. Estabelece o destino dos documentos. 69 Função: 03 GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS Subfunção: 03.01 Planejamento e formulação de políticas de recursos humanos ATIVIDADES DOCUMENTOS Prazos de Guarda Destinação Obs. Unidade Produtora Unidade com atribuição de arquivo Eliminação Guarda Permanente 03.01.01 Elaboração de estudos e pesquisas 03.01.02 Classificação e cadastramento de cargos e funções 70 4) Tramitação Estabelecer e controlar o fluxo dos documentos interna ou externamente à instituição, para que os encaminhamentos necessários à ação que gerou o documento se cumpram. 71 5) Uso Estabelecer instrumentos para o registro, o controle, a recuperação e o acesso ao documento (atividades de protocolo e de organização dos arquivos). Definir os níveis de acesso. Garantir a confiabilidade do documento. Garantir a confidencialidade do documento. 72 Descrição É a elaboração de instrumentos referenciais que possam estabelecer um elo entre o documento e o pesquisador. Em outras palavras, descrição arquivística é um processo para estabelecer um controle intelectual sobre os documentos por meio da preparação de instrumentos de pesquisa.73 Instrumentos de Busca Guia Inventário Catálogo Edição de fontes Banco de dados Plano de Classificação – principalmente para os arquivos correntes 74 Indexação Processo pelo qual se relacionam de forma sistemática descritores ou palavras-chaves que permitem a recuperação posterior do conteúdo dos documentos. Índices: Temáticos Onomásticos Geográficos Cronológicos A importância do vocabulário controlado de termos. 75 6) Arquivamento Definir o arquivamento do documento no sistema de arquivo da instituição, de acordo com o ciclo de vida dos documentos. Definir os procedimentos para o tratamento técnico dos documentos nos arquivos. Definir as ações de preservação e conservação dos documentos. Ações em curso 77 Plano de Classificação e da Tabela de Temporalidade de Documentos da Administração Pública do Estado de São Paulo: Atividades-Meio. Decreto 48.897, de 27 de agosto de 2004 Decreto 48.898, de 27 de agosto de 2004 Manual de Normas Processuais da Unesp, estabelecendo conceitos e procedimentos. Portaria UNESP nº 284, de 18 de junho de 2008. (Acesso no Portal UNESP) 78 GT das Universidades Públicas Estaduais de São Paulo para elaborar Instrumentos de Gestão Documental conjuntos. GT Repositório Digital da Unesp. Comitê Gestor do Sistema de Protocolo e Gestão Documental da Unesp. Grupo de Instrumentalização de RH. 79 Comissão Central de Avaliação de Documentos - CCAD Instituída pela Portaria UNESP nº 283 de 18 de junho de 2008, junto ao Gabinete do Reitor. Responsável pela determinação da temporalidade e destino dos documentos de arquivo da UNESP. Responsável pela elaboração e aprovação dos Instrumentos de Gestão Documental: Planos de Classificação e Tabelas de Temporalidade. 80 CCAD Representante do CEDEM: Solange de Souza. (Coordenadora) Representante das Seções de Comunicações das Unidades Universitárias: Vagner Roberto de Moraes/ IB Rio Claro. Representante da Assessoria Jurídica: Laís Maria de Rezende Ponchio. Representante da Assessoria de Planejamento Orçamentário: Rogério Luiz Buccelli. Representante da Assessoria de Informática: Maisa Alves Ribeiro. Representante da Secretaria Geral: Márcia Aparecida Maschio Rossi. Representante da Pró-Reitoria de Administração: Maria Cristina de Carvalho. Representante da Pró-Reitoria de Graduação: Leonor Maria Tanuri. Representante da Pró-Reitoria de Pós-Graduação: Margarida Moreni. Representante da Pró-Reitoria de Pesquisa: Rogéria Aragão de Souza. Representante da Pró-Reitoria de Extensão Universitária: Sandra Marasco. Assessoria técnica permanente à Comissão: Coordenador do Curso de Arquivologia/Departamento de Ciência da Informação – FFC-UNESP/Campus de Marília representado por Maria Leandro Bizello. Coordenador da Coordenadoria Geral de Bibliotecas – CGB representado por Marta Lígia Pomim Valentim. (Acesso no Portal UNESP) 81 Centro de Documentação e Memória CEDEM Órgão técnico normativo para as questões relativas à gestão de documentos da Universidade. Órgão técnico orientador na área de gestão e organização de acervos arquivísticos. Não recebe documentos permanentes das Unidades e deve ter somente acervos de projetos específicos e determinados. 82 Seções de Comunicações (Portaria UNESP Nº 89 - 5 de março de 2009) Exercer a competência de órgão responsável pelas atividades de gestão dos documentos em suas Unidades. Ter espaço de arquivamento, equipamentos, materiais e servidores adequados para a guarda da documentação intermediária e a documentação permanente das Unidades. Ter Sistema de Protocolo para o registro, controle e acesso dos documentos adequado e compatível às normas processuais vigentes na Universidade. Atuar em parceria com o CEDEM e com a Comissão Central de Avaliação de Documentos da UNESP na resolução dos problemas referentes à implantação de modelos de gestão de documentos. Atuar em parceria com o CEDEM e com a Comissão Central de Avaliação de Documentos da UNESP nas políticas de preservação da memória da Universidade. Cabe a UNESP, por meio de seus órgãos competentes, estabelecer as providências necessárias para o cumprimento dessas atribuições. 83 PDI – Dimensão Gestão Objetivo: Elaborar política de informação e gerenciamento de documentos. Ações: Implantar política de gestão de documentos, com metodologias que considerem sua produção, tramitação, arquivamento, avaliação e uso. Implantar a rede de arquivos com definição dos arquivos correntes, intermediários e permanentes, visando a aplicação da gestão documental e a preservação da memória da UNESP. Os Arquivos e a Preservação da Memória Resumo Preservar documentos é preservar a memória?� Memória Indústria da Informação Dados -Informação - Conhecimento Lugares da Memória e da Informação Diferenças Biblioteca Centro de Documentação Arquivo Documento Documento de Arquivo Documento de Arquivo Número do slide 15 Número do slide 16 Os Arquivos das Universidades Número do slide 18 Número do slide 19 Número do slide 20 Número do slide 21 Número do slide 22 Número do slide 23 Número do slide 24 Gestão Documental Informação Gestão da Informação Programas de Gestão da Informação Gestão Documental Teoria da Três Idades A gestão arquivística de documentos compreende:� Número do slide 32 Exigências a serem cumpridas pelo programa de gestão arquivística de documentos.� Número do slide 34 Número do slide 35 Organicidade Unicidade Confiabilidade Autenticidade� Acessibilidade� Metodologia do programa de gestão a) Levantamento preliminar� b) Análise das funções, das atividades desenvolvidas e dos documentos produzidos� Número do slide 44 c) Identificação das exigências a serem cumpridas para a produção de documentos� d) Avaliação dos sistemas existentes e) Identificação das estratégias para satisfazer as exigências a serem cumpridas para a produção de documentos arquivísticos f) Projeto do sistema de gestão arquivística de documentos g) Implementação do sistema de gestão arquivística de documentos h) Monitoramento e ajustes� Planejamento 1) Produção 2) Classificação “Classificações” usuais Número do slide 55 Classificação arquivística Classificação arquivística Plano de Classificação Número do slide 59 Número do slide 60 Número do slide 61 Número do slide 62 Nomeação Nomeação Ordenação 3) Avaliação Ciclo Vital dos Documentos de Arquivo�(Teoria das Três Idades) Tabelas de Temporalidade de Documentos Número do slide 69 4) Tramitação 5) Uso Descrição Instrumentos de Busca Indexação 6) Arquivamento Ações em curso Número do slide 77 Número do slide 78 Comissão Central de Avaliação de Documentos - CCAD CCAD Centro de Documentação e Memória CEDEM Seções de Comunicações (Portaria UNESP Nº 89 - 5 de março de 2009) PDI – Dimensão Gestão