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Plano Aula-Português Instrum1

Plano de aula sobre ortografia e acentuação gráfica; apresenta objetivos, estrutura de conteúdo (acordo ortográfico vigente, mudanças na acentuação, emprego do hífen, usos de porquê), procedimentos de ensino e estratégias de aprendizagem.

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PORTUGUÊS INSTRUMENTAL - CCJ0129
Semana Aula: 1
ABORDAGEM NORMATIVA DA LÍNGUA: ORTOGRAFIA E ACENTUAÇÂO GRÁFICA
Tema
Aspectos da escrita: Ortografia e Acentuação Gráfica
Palavras-chave
Regras Ortográficas ? Acentuação Gráfica
Objetivos
· Conhecer as regras ortográficas da Língua Portuguesa.
· Reconhecer  que  a língua portuguesa não mudou: o que ocorreu basicamente foram alterações de natureza gráfica.
· Compreender as regras básicas da acentuação gráfica.
· Identificar a utilização correta de acentos gráficos na escrita e do sinal gráfico "hífen"
Estrutura de Conteúdo
As regras ortográficas da Língua Portuguesa:
1. O acordo ortográfico vigente.
2. Mudanças nas regras de acentuação gráfica.
3. Emprego do hífen. 
4. Uso do porquê: porque, porquê, por que, por quê
Procedimentos de Ensino
    Para o aluno incorporar as alterações gráficas que ocorreram com o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, é necessário que ele já conheça as regras anteriores, sabendo classificar as palavras pelo número de sílabas e pela posição da sílaba tônica, e diferenciar ditongos de hiatos.
    Deverão ser salientados os pontos em que a reforma atuou, ou seja, na acentuação das palavras paroxítonas, no acento diferencial, no uso do trema e na incorporação oficial das letras K, W e Y ao alfabeto da língua.
     É necessário também que o aluno saiba os processos básicos de formação de palavras por composição e por derivação prefixal (Formação de palavras).
     As regras de emprego do hífen eram e continuam sendo muito numerosas. O assunto é um dos mais complexos da língua portuguesa, com várias exceções, incoerências e até mesmo omissões. É indispensável, por isso, recomendar aos alunos que recorram constantemente a edições pós-acordo de bons dicionários ou a um guia ortográfico oficial da língua, como o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp).
    Para que o aluno possa distinguir que há quatro formas de grafia para o emprego do porquê, cada qual com um uso específico, o professor poderá utilizar as tiras abaixo como referência de pesquisa, para que o aluno, sempre que tiver necessidade de empregá-los, saiba exatamente a distinção entre cada uma delas
    O mais importante é não deixar o aluno se enganar pela solução tradicional e superficial de saber ?qual é o da pergunta e qual é o da resposta?.
    Com as explicações , não há mais como ter dúvidas. Basta utilizá-las . Observe:
                              
Fonte: http://www.leloca.com.br/,acessado em 12/10/2014
                              
                   Disponível em: http://www.analisedet extos.com.br/2013_09_01_archive.html. Acesso em 14/10/2014
 
Estratégias de Aprendizagem
1.   Use um ou mais quadros com as novas regras de acentuação, obedecendo a uma separação por casos: palavras paroxítonas (acentuação dos ditongos e dos hiatos), acento diferencial, uso do trema, deixando-o(s) em lugar visível para os alunos.
2.  Selecione um pequeno texto (simples, de fácil compreensão) que contenha palavras com os sinais de acentuação previstos antes da reforma, inclusive o trema.
Observação: Procure um texto que tenha palavras que abranjam a maior parte das regras ou redija   um texto fictício em que isso ocorra.
 
 3.    Reserve outra edição do mesmo texto, grafando as palavras segundo as novas regras do acordo.
 4.    Use material da mídia escrita em geral (bons jornais e revistas, sites de jornalismo) e conduza o aluno na comparação do que existia na grafia ou na acentuação de algumas palavras com o que passou a existir.
 5.    Use um pequeno texto sem as alterações previstas pelo acordo e peça que se façam as devidas correções pós-acordo: o aluno "trabalha" como se fosse revisor de um jornal ou de uma editora.
Observação: A atividade pode ser realizada individualmente ou em grupo.
ATENÇÃO!!!!
    O Professor da disciplina poderá, se assim o desejar, além das atividades obrigatórias que são propostas a cada Plano de Aula, apresentar exercícios próprios, seleção de textos adequados à produção textual em sua disciplina, filmes a ela correlacionados, dentre outras atividades, para enriquecimento de suas aulas. Também poderá alterar, se disso sentir necessidade, a ordem dos conteúdos a serem ministrados aula a aula (Planos de Aula).
   Em matéria de interpretação de texto e produção textual, o professor possui plena liberdade para selecionar textos ou atividades similares de sua própria autoria, ou extraídas de pesquisas feitas, que atendam aos interesses e especificidades dos vários cursos de graduação e, também, das turmas em que ministrar aulas, desde que estejam apropriados ao ensino do conteúdo abordado nos planos de aula.
    A exposição contextualizada dos conteúdos a serem ministrados aula a aula é um recurso bastante expressivo e enriquecedor, razão por que cada professor deve trabalhar com o texto com o qual mais se identificar e julgar ser o mais pertinente para cada aula.
   O importante é que o professor cumpra com os conteúdos a serem ministrados no decorrer do semestre letivo, tomando o plano de aula como um ponto de partida, como uma sugestão para a administração do conteúdo. Nada impede, entretanto que se utilize de diferentes estratégias didáticas. Respeita-se, assim, a autonomia de cada docente para o acréscimo de novas atividades diversificadas como enriquecimento aos planos de aula sugeridos (exercícios, textos para produção textual, filmes etc.).
Indicação de Leitura Específica
LEITE,Maria Tereza de Moura e PALADINO, Valquiria da Cunha. Português Instrumental. Rio de Janeiro: UNESA, 2014. Capítulo 1 - Aspectos da escrita: ortografia, acentuação e pontuação, p. 10-19, 116.
Recursos
Data show, quadro branco, TV/DVD, consulta e participação regular ao conteúdo interativo na Sala  Virtual de Aprendizagem (SAVA), leitura de capítulos indicados do livro Português Instrumental, consulta ao conteúdo interativo para que o aluno aprimore ainda mais  a sua competência linguística.
Aplicação: articulação teoria e prática
Veja como a colocação do acento modifica o sentido de uma palavra:
                                   "Uma sábia não sabia onde estava  sabiá."
1 - Leia o poema abaixo e acentue corretamente todas as palavras proparoxítonas.
A rosa de Hiroxima
        (Vinicius de Moraes)
Pensem nas crianças
Mudas telepaticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas calidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditaria
A rosa radioativa
Estupida e invalida
A rosa com cirrose
A antirrosa atomica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada. 
2 - Explique por que as palavras "creem"  e "voo" não estão acentuadas na imagem abaixo.
                                                 
                                                     
3 -  Todas as placas abaixo reproduzidas possuem palavras que não foram acentuadas de forma correta. Identifique-as e reescreva as placas, indicando a regra de acentuação que não foi observada.
                                                  
           
                                       
    
4 - Forme as palavras, aplicando as regras de utilização do hífen.
pseudo + herói 
auto + aprovação
ultra + radical
super + atleta
anti + caspa
ante + sala
ex + aluno
anti + hemorrágico
multi + idiomas
anti + inflamatório
neo + socialista
super + mercado
mega + computador
auto + retrato
multi + colorido
contra + regra
circum + mediterrâneo
auto + observação
co + autor
semi + integral
mini + hotel
micro + ondas
auto + análise
pré + natal
extra + oficial
pós + data
contra + cheque
extra + classe
inter + regional
5 - Complete o texto abaixo, utilizando corretamente por que / porque / por quê / porquê.
                                                            
OS PORQUÊS DO PORQUINHO
 
    Aconteceu na Grécia!
 Era uma vez um jovem porquinho, belo e bom, muito pequenino, cuja vida foi dedicada à procura dos ____________________ da floresta. Tal porquinho, incansável em sua busca, passava o dia percorrendo matas,cavernas e savanas perguntando aos bichos e aos insetos que encontrava pelo caminho todos os tipos de ____________________ que lhes viessem à cabeça.
    _ ____________________ você tem listras pretas se os cavalos não as têm ? - perguntava gentilmente o porquinho às zebras.
    _ Pernas compridas ____________________, se outros pássaros não as têm? - indagava às siriemas, de forma perspicaz.
    _ ____________________ isso? ____________________ aquilo?
    Era um festival de ____________________, dia após dia, ano após ano, sem que ele encontrasse respostas adequadas aos seus questionamentos de porquinho.
    Por exemplo, sempre que se deparava com uma abelha trabalhando arduamente, ele perguntava ____________________. E a pergunta era sempre a mesma:
    _ Saberias, por acaso, ____________________ fazes o mel, oh querida abelhinha?
    E a abelha, com seus conhecimentos de abelha, sempre respondia assim ao ____________________:
    _ Fabrico o mel porque tenho que alimentar a colmeia.
    Mas a resposta das abelhas não o satisfazia, ____________________ eram os ursos os maiores beneficiados com aquela atividade.
    _ Alguma coisa deve estar muito errada, ____________________ eram os ursões que ficavam com quase todo o mel, sem ter produzido um pingo.- pensava o porquinho.
    Então, valente como os porquinhos de sua época, seguia pela floresta à procura de ursões, fortes e poderosos, ansioso por que eles soubessem a resposta. Quando encontrava um, perguntava:
    _ Senhor, grande e esperto ursão, poderias me dizer a razão e solucionar o ____________________ da questão?
    E alguns ursos, mais exibidos, até tentavam responder, ____________________ de mel eles entendiam muito, mas sobre trabalho... as respostas eram sempre do senso comum de ursão e não resolviam a questão.
    Elas fabricam o mel _____________________ ele é muito gostoso. - diziam uns.
    _ Elas o fabricam ____________________ o mel é delicioso. - diziam outros.
    Havia aqueles que se limitavam a olhar feio e, ainda, aqueles que até ameaçavam o pobre porquinho e iam embora, sem dizer ____________________. Apesar disso, o porquinho seguia em frente.
    Um dia - porque toda história têm um dia especial - o porquinho encontrou um oráculo em seu caminho e resolveu elaborar o seu mais profundo ____________________. Afinal, oráculo é para essas coisas. Então, ele perguntou com sua voz fininha, mas de modo firme e sonoro
    _ ____________________ existo?
    Houve um profundo silêncio na floresta e o porquinho pensou que aquele ____________________ nunca seria respondido, afinal.
    Mas de repente, o oráculo falou, estrondosamente, ____________________ era oráculo.
    _ Procure o Sr. Leão, rei da floresta, e pergunte a ele ____________________ você existe. Só ele lhe dará uma resposta adequada.
    Então, feliz, animado e saltitante, lá se foi o porquinho à casa do grande e sábio rei da floresta, carregando o seu também grande e sábio ____________________.
    Ao chegar à casa do leão, o porquinho bateu à porta e, quando foi atendido por sua realeza, tratou logo de lascar o seu _____________________ mais precioso:
    _ Sr. Leão, rei dos reis, sábio dos sábios, poderia Vossa Alteza me dizer ____________________ existo?
    E o leão, ____________________ era leão, respondeu mais que depressa.
    Nhac.
    ____________________ é o da história!
    Fim
                    (http://www.gentequeeduca.org.br/planos-de-aula/introducao-gramatica-com-o-texto-os-porques-do-porquinho) 
PRODUÇÃO TEXTUAL
 
  O texto abaixo ?REDASSÃO, UM ATO DE EXCREVER?  foi produzido por um candidato em prova de vestibular. A linguagem usada pelo estudante está inadequada ao padrão culto da língua. Foram cometidos erros de ortografia e de concordância; uso de gírias; ausência ou emprego incorreto de sinais de pontuação. Além disso, duas informações estão incorretas (procure no 1º parágrafo) e outras afirmativas feitas ao longo da redação não têm fundamento, isto é, os argumentos não têm consistência, pois são produtos de uma visão simplista e distorcida da realidade.
REDASSÃO, UM ATO DE EXCREVER.
      Como eu vejo este problema? Eu não vejo. Num tá com nada quem andou espalhando por aí que nós não temos o hábito de leitura. A gente não tem hábito por causa que ninguém escreve pros jovens. Uma vez em 1977 eu entrei numa livraria  e só tinha livro pra adulto e pra criança. Aí eu pedi um livro para mim e o vendedor trouxe um, dum cara chamado Robson Cruzeiro que morava numa ilha deserta e teve um caso com um índio. Aí eu disse pro vendedor: escuta meu irmão, isso não tem nada a ver, eu moro na Barata Ribeiro e não tem índio em Copacabana.
    Acho que os jovens e os livros transaram um encontro errado: os jovens foram prum lado e os livros pro outro. Mas os adultos é que devem responder a essa pergunta. Se vocês, caras, que são adultos não sabem, se soubessem não tavam perguntando, que dirá eu que nunca li nem um livro de cheque. Aliás, tô achando esse tema muito devagar. Livro num tá com nada. Meu avô me disse que o mundo era muito melhor quando não havia livros. Os astecas nunca leram um livro fizeram uma civilização porreta. Os incas também nunca entraram numa livraria. Deviam mais era pegar esses caras que se metem a escrever livros e jogar na lavoura. Se por cada página de livro fosse plantado um pé de tomate tava resolvido o problema da fome. Depois que todo mundo acabasse de comer aí então a gente ia fazer a digestão lendo um livrinho que pode ser, deixa ver se me lembro de algum? Ah, sim, podia ser o Livro de Ouro da minha avó.
    Acho também que a falta de hábito de leitura é por causa que ler não é fácil. Ler é uma transa muito complicada. Tanto é, que no Brasil tem mais de 50 milhões de pessoas que não sabem ler. A gente tinha que mudar esse alfabeto. Fazer umas letras e umas palavras que o analfabeto também pudesse entender. Esse alfabeto é muito careta, antigão e quadrado. O mundo mudou muito nestas últimas décadas só o alfabeto continua o mesmo. Eu não agento mais. A televisão que começou muito depois do livro tá mandando ver. Há dez anos que a gente já tem tevê a cores. O livro continua em preto e branco. A gente abre, é aquela coisa monótona, as páginas brancas e as letrinhas pretas. Só a capa é que é bonita. Por isso eu só gosto de ler capa de livro. 		     Acho que os jovens iam ler mais se os livros só tivessem capa.
Propostas de Trabalho
1ª opção:
1. Reescrever todo o texto corrigindo os erros cometidos.
2. Substituir as duas informações erradas pelas corretas.
3. Identificar uma das afirmações sobre o assunto do tema que carece de fundamento.
4. Rebater a afirmação identificada com argumentos plausíveis, defendendo o seu ponto de vista.
2ª opção:
1. Fazer outra redação a respeito do mesmo tema.
TEMA: ?São frequentes os comentários sobre a falta de hábito de leitura dos jovens. Como você vê este problema? Que fatores estarão dificultando o encontro dos jovens com os livros??
 
Avaliação
Gabarito
1 - telepáticas - cálidas - hereditária - estúpida - inválida - atômica
2 - Segundo o Novo Acordo Ortográfico, não se utilizam mais acentos em palavras terminadas com "eem" e "oo"(s).
3 - Respostas: 
Placa 1 - "melancia" é palavra paroxítona terminada com hiato.
Placa 2 - "obras a 1000m.": antes de numeral cardinal não se utiliza crase; a placa apresenta mais um desvio ao utilizar o acento agudo.
Placa 3 - "móveis" é palavra paroxítona terminada em ditongo, portanto, deve ter acento.
Placa 4 - "voo" não possui acento, pois é palavra terminada em "oo".
Placa 5 - "passeio a cavalo", sem crase, que não deve ser utilizada antes de palavra masculina.
Placa 6 - "a entidades" não possui crase, tendo em vista que a palavra após a preposição "a" encontra-se no plural
4 - Respostas:
pseudo-herói; autoaprovação; ultrarradical; superatleta; anticaspa; antessala; ex-aluno; anti-hemorrágico; multi-idiomas; 
anti-inflamatório; neossocialista; supermercado; megacomputador; autorretrato; multicolorido; contrarregra; 
circum-mediterrâneo; auto-observação;coautor; semi-integral; mini-hotel; micro-ondas; autoanálise; pré-natal; extraoficial; pós-data; contracheque; extraclasse; inter-regional
5 - Gabarito
             
                         Os porquês do porquinho                                                                           
    Aconteceu na Grécia!
    Era uma vez um jovem porquinho, belo e bom, muito pequenino, cuja vida foi dedicada à procura dos porquês da floresta.     Tal porquinho, incansável em sua busca, passava o dia percorrendo matas, cavernas e savanas perguntando aos bichos e aos insetos que encontrava pelo caminho todos os tipos de porquês que lhes viessem à cabeça.
    - Por que você tem listras pretas se os cavalos não as têm ? - perguntava gentilmente o porquinho às zebras.
    - Pernas compridas por quê, se outros pássaros não as têm? - indagava às siriemas, de forma perspicaz.
    - Por que isso? Por que aquilo?
    Era um festival de porquês, dia após dia, ano após ano, sem que ele encontrasse respostas adequadas aos seus questionamentos de porquinho.
    Por exemplo, sempre que se deparava com uma abelha trabalhando arduamente, ele perguntava por quê. E a pergunta era sempre a mesma:
    - Saberias, por acaso, por que fazes o mel, oh querida abelhinha?
    E a abelha, com seus conhecimentos de abelha, sempre respondia assim ao porquê:
    - Fabrico o mel porque tenho que alimentar a colmeia.
    Mas a resposta das abelhas não o satisfazia, porque eram os ursos os maiores beneficiados com aquela atividade.
    - Alguma coisa deve estar muito errada, porque eram os ursões que ficavam com quase todo o mel, sem ter produzido um pingo.- pensava o porquinho.
    Então, valente como os porquinhos de sua época, seguia pela floresta à procura de ursões, fortes e poderosos, ansioso por que eles soubessem a resposta. Quando encontrava um, perguntava:
    - Senhor, grande e esperto ursão, poderias me dizer a razão e solucionar o porquê da questão?
    E alguns ursos, mais exibidos, até tentavam responder, porque de mel eles entendiam muito, mas sobre trabalho... as respostas eram sempre do senso comum de ursão e não resolviam a questão.
    - Elas fabricam o mel porque ele é muito gostoso. - diziam uns.
    - Elas o fabricam porque o mel é delicioso. - diziam outros.
    Havia aqueles que se limitavam a olhar feio e, ainda, aqueles que até ameaçavam o pobre porquinho e iam embora, sem dizer por quê. Apesar disso, o porquinho seguia em frente.
    Um dia - porque toda história têm um dia especial - o porquinho encontrou um oráculo em seu caminho e resolveu elaborar o seu mais profundo porquê. Afinal, oráculo é para essas coisas. Então, ele perguntou com sua voz fininha, mas de modo firme e sonoro
    - Por que existo?
    Houve um profundo silêncio na floresta e o porquinho pensou que aquele porquê nunca seria respondido, afinal.
    Mas de repente, o oráculo falou, estrondosamente, porque era oráculo.
    - Procure o Sr. Leão, rei da floresta, e pergunte a ele por que você existe. Só ele lhe dará uma resposta adequada.
    Então, feliz, animado e saltitante, lá se foi o porquinho à casa do grande e sábio rei da floresta, carregando o seu também grande e sábio porquê.
    Ao chegar à casa do leão, o porquinho bateu à porta e, quando foi atendido por sua realeza, tratou logo de lascar o seu porquê mais precioso:
    - Sr. Leão, rei dos reis, sábio dos sábios, poderia Vossa Alteza me dizer por que existo?
    E o leão, porque era leão, respondeu mais que depressa.
    Nhac.
    Porque é o da história!
    Fim
 
Propostas de Trabalho
1ª  opção. Questões 1 e 2
Redação, um ato de escrever.
	Como eu vejo este problema? Eu não vejo. Não conhece nada de jovens quem andou espalhando por aí que nós não temos o hábito de leitura. Nós não temos o hábito de ler porque ninguém escreve para os jovens. Uma vez, em 1977, eu entrei numa livraria  e só tinha livro para adulto e para criança. Aí eu pedi um livro para mim e o vendedor trouxe um, que tinha um personagem chamado Robson Crusué que morava numa ilha deserta e conheceu um índio. Aí eu disse para o vendedor: ?- Escuta, meu irmão, isso não tem nada a ver comigo! Eu moro na Barata Ribeiro e não tem índio em Copacabana.?
	Acho que os jovens e os livros tiveram um encontro errado: os jovens foram para um lado e os livros para outro. Mas os adultos é que devem responder a essa pergunta. Se vocês, que são adultos não sabem, e se soubessem não estariam perguntando, que dirá eu que nunca li nem um livro de cheque. Aliás, estou achando esse tema muito devagar. Livro não é importante. Meu avô me disse que o mundo era muito melhor quando não haviam livros. Os astecas, que nunca leram um livro, fizeram uma civilização muito adiantada. Os incas também nunca entraram numa livraria. Deviam mais era pegar essas pessoas que se metem a escrever livros e levá-los para a lavoura. Se para cada página de livro fosse plantado um pé de tomate estava resolvido o problema da fome. Depois que todo mundo acabasse de comer, aí então iríamos fazer a digestão lendo um livrinho que pode ser, deixa ver se me lembro de algum? Ah, sim, podia ser o Livro de Ouro da minha avó.
	Acho também que a falta de hábito de leitura é porque ler não é fácil. Ler é uma tarefa muito complicada. Tanto é, que no Brasil tem mais de 50 milhões de pessoas que não sabem ler. Alguém tinha que mudar esse alfabeto. Fazer umas letras e umas palavras que o analfabeto também pudesse entender. Esse alfabeto é muito careta, antigão e quadrado. O mundo mudou muito nestas últimas décadas, só o alfabeto continua o mesmo. Eu não aguento mais. A televisão que começou muito depois do livro é mais vista e aceita. Há dez anos que a gente já tem tevê a cores. O livro continua em preto e branco. A gente abre, é aquela coisa monótona, as páginas brancas e as letrinhas pretas. Só a capa é que é bonita. Por isso eu só gosto de ler capa de livro. 	Acho que os jovens iam ler mais se os livros só tivessem capa.
Questão 3 - Afirmativas sem fundamentos:
a) A gente não tem hábito por causa que ninguém escreve pros jovens.
b) Meu avô me disse que o mundo era muito melhor quando não havia livros.
c) Deviam mais era pegar esses caras que se metem a escrever livros e jogar na lavoura. Se por cada página de livro fosse plantado um pé de tomate tava resolvido o problema da fome.
d) A falta de hábito de leitura é por causa que ler não é fácil. Ler é uma transa muito complicada.
e) A gente tinha que mudar esse alfabeto. Fazer umas letras e umas palavras que o analfabeto também pudesse entender.
f) O livro continua em preto e branco. A gente abre, é aquela coisa monótona, as páginas brancas e as letrinhas pretas. Só a capa é que é bonita. Por isso eu só gosto de ler capa de livro. Acho que os jovens iam ler mais se os livros só tivessem capa.
Questão 4
O aluno deverá rebater as afirmativas com argumentos centrados em fatos conhecidos e demonstrados de maneira clara e coerente.
2ª opção
    A redação deve partir de uma afirmação que concorde ou não concorde com a frase inicial do tema. A partir daí, deverão ser colocados os argumentos que apoiam a afirmativa dada. O fechamento deve indicar qual a solução que você encontra para a situação.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
 
Considerações Adicionais
                                                            O CABOCLO, O PADRE E O ESTUDANTE
                                                                                                                      Luís da Câmara Cascudo 
        Um estudante e um padre vêm de muito longe pelas estradas do sertão, discutindo sobre os mais variados assuntos tendo um caboclo como bagageiro. Ao cair da tarde e depois de muito andar, veem ao longe, uma casinha onde poderiam descansar e recarregar as energias para continuar a caminhada do dia seguinte.
       Ao chegar à casa, uma mulher muito simples lhes oferece uma rede para cada um repousar, uma jarra com água e um pequeno e único queijo de cabra. Não sabendo como dividir o queijo, mesmo porque daria um minúsculo pedaço para cadaum, o padre sugere que todos durmam e o queijo será daquele que tiver o sonho mais bonito durante a noite, pensando enganar a todos com seus discursos oratórios.
       Como eles não têm outra opção, aceitam a proposta e dormem. O caboclo, ao ouvir os roncos dos companheiros, levanta-se durante a noite, vai até o queijo e come-o por inteiro.
        No dia seguinte, todos se sentam à mesa para contar os sonhos que tiveram.
      O padre diz ter sonhado com a escada de Jacó e descreveu-se nela brilhantemente. Por ela subia triunfantemente para o céu. O estudante então, narra que sonhara já dentro do céu à espera do padre que subia. O caboclo então sorri e diz:
     ? Eu sonhei que via Seu padre subindo a escada e Seu doutor lá dentro do céu, rodeado de amigos. Eu ficava na terra e gritava: ?Seu doutor, Seu padre, o queijo! Vosmincês esqueceram o queijo?. Então vosmincês respondiam de longe, do céu: ?Come o queijo, caboclo! Come o queijo, caboclo! Nós estamos no céu, não queremos o queijo?. O sonho foi tão forte que eu pensei que era verdade, me levantei, enquanto vosmincês dormiam, e comi o queijo...
                                 Adaptado de Câmara Cascudo. Contos tradicionais do Brasil. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1967.
Observação: Verificar a relação de 55 filmes sugeridos na Aula 15 que poderão ser utilizados pelo professor no decorrer de algumas aulas, se assim o desejar.

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