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A TELENOVELA COMO FONTE DE PESQUISA HISTORIOGRAFICA

Texto acadêmico que analisa a telenovela como fonte de pesquisa historiográfica, discutindo a TV na historiografia, a especificidade da telenovela como fonte e as dificuldades do historiador audiovisual. Usa como estudo de caso O Bem Amado (Dias Gomes, 1973).

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A TELENOVELA COMO FONTE DE PESQUISA 
HISTORIOGRÁFICA 
 
Emilla Grizende Garcia1 
 
INTRODUÇÃO 
 
A televisão se destaca como um dos principais meios de comunicação, tendo 
forte influência na formação cultural da sociedade contemporânea. No Brasil, desde a 
década de 1970, se constitui como um dos veículos midiáticos com inegável poder 
sócio-político e, devido sua abordagem da realidade, impetra uma grande fixação na 
memória social. 
Com o movimento da Nova História, o eixo de análise da historiografia 
modificou-se com a história cultural, ao repensar métodos e objetos de pesquisa através 
de conceitos de práticas e representações2. Todavia, ainda hoje, são restritos os estudos 
históricos que tomam a televisão como objeto de pesquisa ou que utilizam a produção 
televisiva como fonte para análise de temas relativos ao período mais contemporâneo. 
De acordo com Hagemeyer (2012:32) partir dos anos de 1970, a influência 
sócio-política da televisão não pode mais ser ignorada. Neste contexto, se desenvolve a 
Teoria Crítica, que ancorada sob os preceitos marxistas, concebe a televisão como um 
meio de comunicação de massa alienante e difusor da ideologia capitalista. A televisão e 
seus produtos foram considerados instrumentos de alienação das massas, na qual se 
reproduziam somente clichês, estando a serviço consumo na sociedade industrial. 
Segundo essa corrente de pensamento, tais produtos da indústria cultural anestesiariam 
a consciência e a capacidade crítica das massas, tornando-as incapazes de promover a 
luta de classes. Assim, a televisão passa a ser combatida, mais do que compreendida, 
restringindo a construção de conhecimento a respeito do meio e de suas produções 
(HAGEMEYER, 2012:35). 
 Enquanto eram desenvolvidas diversas teorias a respeito do cinema, analisando 
seu impacto do ponto de vista estético, sociocultural e mesmo político, a televisão não 
 
* Mestranda em História- Programa de Pós-graduação em História - Faculdade de Ciências 19806-900, 
Assis, São Paulo - Brasil. Bolsista CAPES. E-mail: milla_grizende@hotmail.com 
2 Ver: CHARTIER, Roger. História cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 1990. 
2 
 
 
passaria de uma simples vitrine de mercado, incapaz de qualquer criação artística. 
Programas televisivos - como a telenovela - seriam considerados, diferentemente do 
cinema, produtos de entretenimento vazio e alienante. Embora não seja possível ignorar 
seu poder sócio-político, a televisão e seus produtos escaparam por muito tempo do 
interesse do registro do historiador. Ao questionar a produção historiográfica relativa à 
TV o pesquisador Áureo Busetto (2010:156) afirma que há: 
 
[...] um desligamento da História com a TV e, por extensão, uma 
História sem sintonia a questões ligadas a um conjunto de amplas e 
constantes relações sociais, culturais e políticas que a televisão tem 
integrado na contemporaneidade. 
 
 A televisão enquanto instituição e seus produtos podem ser entendidos e/ou 
observados como férteis objetos e fontes para o conhecimento e compreensão histórica 
de comportamentos, valores, identidades, perspectivas, ideologias e representações. 
Representações estas que foram lançadas sobre a estrutura e a dinâmica social e cultural 
de uma dada sociedade, em um determinado período. Por meio da compreensão das 
imagens elaboradas e veiculadas pela tevê se torna possível, através da pesquisa 
histórica, apreender aspectos político-culturais de uma sociedade ou de um momento. 
Partindo das premissas apresentadas, serão abordados neste trabalho a TV na 
historiografia, a especificidade da telenovela enquanto fonte e objeto da pesquisa 
historiográfica e as dificuldades do historiador como pesquisador do audiovisual. Este 
estudo contempla parte da pesquisa de mestrado3 que toma por objeto e fonte de estudo 
a telenovela O Bem Amado, de autoria de Dias Gomes, exibida em 1973. 
 
A TELEVISÃO NA HISTORIOGRAFIA 
 
A Nova História possibilitou a articulação de diversos caminhos da pesquisa 
histórica contemporânea apresentando novos problemas, novas abordagens e novos 
objetos contribuindo para uma ampliação dos domínios já consolidados na História. A 
pesquisa histórica da televisão, seja analisada a partir do meio ou de sua programação 
 
3 Pesquisa aprovada pelo Programa de Pós-Graduação em História Unesp/Assis intitulada: “Isto deve ser 
obra da esquerda, comunista, marronzista e badernenta”: a sociedade e política na telenovela O Bem 
Amado. 
3 
 
 
possibilita a percepção de como a sociedade tem representado suas transformações nos 
últimos 50 anos. De acordo com Jacques Le Goff e Pierre Nora (1976: 12), o 
movimento desencadeado a partir da Nova História permitiu aos pesquisadores redefinir 
o relativismo de sua ciência, uma vez que: 
 
A história não é o absoluto dos historiadores do passado, 
providencialistas ou positivistas, mas o produto de uma situação, de 
uma história. Esse caráter singular de uma ciência que possui apenas 
um único termo para seu objeto e para si própria, que oscila entre a 
história vivida e a história constituída, sofrida e fabricada, obriga os 
historiadores, já conscientes dessa relação original, a se interrogarem 
novamente sobre os fundamentos epistemológicos de sua disciplina. 
 
 
A história que se apresenta como nova, propôs objetos que respondem às 
necessidades do presente, como os produtos midiáticos que, anteriormente, escapavam 
do olhar do historiador. 
Todavia, mesmo que o campo da pesquisa historiográfica tenha vivenciado, há 
mais de quadro décadas, amplas inovações inseridas pela Nova História, ainda hoje, são 
restritos os estudos que tomam a televisão como objeto de pesquisa ou que utilizam a 
produção televisiva como fonte para análise de temas relativos ao período mais 
contemporâneo. A maior parte das análises sobre a televisão está centralizada nas áreas 
da comunicação social e da sociologia. Fato este que, distância as pesquisas voltadas à 
televisão de um feixe de relações sócio-históricas que estabeleceram o seu passado e a 
possibilitaram de se configurar como um dos meios de comunicação mais influentes na 
atualidade. (BUSETTO, 2008:15). 
Os pioneiros a incluir a televisão nos objetos de estudo no âmbito 
historiográfico são Jean-Noël Jeanneney e Asa Briggs. Ambos preconizam que o 
pesquisador da televisão primeiramente deve ser um historiador do social e da cultura, 
devendo, sempre, levar em consideração o aspecto da interdisciplinaridade. Jeanneney 
analisa, em países europeus e nos EUA, o desenvolvimento da televisão a partir de sua 
criação, no período entreguerras, até o momento que se torna o principal veículo de 
comunicação (BUSETTO, 2010: 158-159). O historiador francês ressalta que, desde seu 
surgimento, a televisão foi um meio de comunicação utilizado tanto pelo poder político 
quanto pelo poder econômico. E ao observar a formação e o desenvolvimento da 
4 
 
 
televisão em países como França, Alemanha, Inglaterra e EUA, Jeanneey percebe a 
estruturação e a abrangência alcançada por este veículo de comunicação e sua influência 
no setor político, modelando mentalidades e atitudes sociais (JEANNEEY, 1996: 216-
218). 
O livro Uma história social da mídia de Asa Briggs, em parceria com Peter 
Burke (2006), apresenta uma análise histórica dos meios de comunicação, destacando os 
contextos sociais e culturais e as mudanças tecnológicas ocorridas junto à mídia. É 
delineada a história das diferentes mídias, desde Gutenberg até à internet, e das novas 
linguagens estabelecidas pelos diversos veículos de comunicação. Asa Briggs (2006: 
233-241), ao abordar a televisão, destaca os avanços científicos e tecnológicos no 
período do entre guerras, que possibilitaram as primeiras emissões regulares na Europa 
e nos EUA e os novos investimentosem tecnologia que possibilitaram o 
desenvolvimento desse meio de comunicação no pós-Segunda Guerra, chegando ao 
século XXI com as de transmissões via satélite e a criação da TV a cabo. 
O historiador Pierre Sorlin (2009: 50) constata que “as imagens 
cuidadosamente exploradas oferecem uma gama de informações que não foram nunca 
verdadeiramente exploradas pelos discursos históricos tradicionais”. 
No Brasil, apenas recentemente foram produzidas pesquisas que buscam 
historicizar a televisão, considerando as relações sociais e políticas que envolvem este 
meio. Nesta tendência destaca-se o historiador Áureo Busetto, que há alguns anos vem 
se esforçando em enquadrar a televisão como um dos objetos de pesquisa 
historiográfica. As pesquisas conduzidas por Busetto envolvem temáticas como: 
televisão como objeto de ensino e aprendizagem (BUSETTO, 2005; 2006); a análise 
sobre as relações presentes entre a televisão e a política do Brasil contemporâneo 
(BUSETTO, 2007a; 2007b; 2009). Também busca, através de considerações teórico-
metodológicas, estabelecer a televisão como um dos objetos e fontes da pesquisa 
historiográfica (BUSETTO, 2008; 2010; 2011). 
 Ao abordar as fontes audiovisuais Marcos Napolitano (2011) expõe métodos, 
técnicas e mesmo desafios aos historiadores, com o intuito de percebê-las a partir de 
seus códigos internos, em suas estruturas de linguagem e mecanismos de representação. 
5 
 
 
 O historiador Rafael Hagemeyer, em seu livro História e audiovisual 
(2012:105), apresenta um estudo que fornece ferramentas sobre a utilização do registro 
audiovisual em suas diversas formas de narrativa histórica. Segundo o historiador, a 
pesquisa com produtos televisivos, como a telenovela, deixa de ser monopólio das áreas 
de comunicação e sociologia, passando a integrar o rol de objetos e ferramentas para a 
construção do conhecimento histórico fato este que: 
 
[...] permite que historiadores não apenas teorizem a respeito da 
história dos meios de comunicação e seu papel social, ou tomem 
registros audiovisuais como fonte para sua análise escrita, mas que 
eles próprios se utilizem dessas linguagens como forma de expressão 
do conhecimento histórico. 
 
A historiadora Mônica de Almeida Kornis, desenvolve pesquisas sobre imagem 
e narrativas históricas, em especial sobre o cinema e televisão (KORNIS, 2008). Sua 
pesquisa sobre a TV é marcada pelo trabalho pioneiro desenvolvido em seu doutorado 
(KORNIS, 2001), no qual busca analisar seis minisséries veiculadas pela Rede Globo, a 
partir do processo da “redemocratização” do país e as representações históricas contidas 
neste produto televisivo. Neste enfoque, a pesquisadora tem procurado realizar uma 
análise sobre a formação de uma memória histórica coletiva advinda destas produções 
televisivas que possibilitam um diagnóstico de nação (KORNIS, 2011; 2004). Além da 
análise das minisséries, os resultados de seus estudos, colaboram na multiplicação das 
reflexões sobre o meio, como as estratégias narrativas de inclusão social em seriados 
ficcionais (KORNIS, 2006). Ademais são tratadas questões como teórico-metodológicas 
referentes à pesquisa com audiovisuais oferecendo caminhos férteis para o 
desenvolvimento de estudos históricos, que tem como objeto os produtos televisivos e, 
em especial, a telenovela (KORNIS, 2008). 
 
ESPECIFICIDADE DA TELENOVELA ENQUANTO FONTE E OBJETO 
 
 A análise histórica da telenovela, como os demais produtos audiovisuais, segue 
as mesmas premissas do documento escrito com relação à objetividade, visto que 
nenhum documento fala por si mesmo. Na prática historiográfica contemporânea todas 
as fontes, sejam elas escritas ou audiovisuais, contém a parcialidade e a 
6 
 
 
intencionalidade. As fontes audiovisuais são, como as demais, evidências de um 
processo ou evento ocorrido e contém representações socialmente constituídas que 
podem ser interpretadas através de múltiplas variáveis (NAPOLITANO, 2011: 239-
240). 
Segundo Armand e Michelle Mattelard (1989:19), as telenovelas latino-
americanas, particularmente as brasileiras, estão inseridas em uma teia de continuidades 
e rupturas com outras linguagens da história cultural. O melodrama televisual está 
presente na memória social dos países latino-americanos e constituem-se elemento de 
fundamental importância para a reflexão histórica. tanto sobre o meio televisivo como 
sobre seu conteúdo. 
O poder catártico do gênero (telenovela) e sua empatia com o público o 
definem como um fato excepcional de comunicação, fato ecumênico e 
transclassista. Porém, não se pode esquecer do caráter social do que é 
representado (MATTELARD, 1989: 113). 
 Todavia, deve-se estar atento ao fato de que a imagem não representa 
diretamente a realidade, sendo uma construção dotada de um sentido próprio que, como 
as demais fontes históricas, seleciona eventos e personagens a serem lembrados ou 
esquecidos (NAPOLITANO, 2011: 279). Ao trabalhar imagens em uma ficção 
televisiva, o historiador tem um registro de memória, pois neles estão contidos 
enunciados ideológicos, representações e práticas sociais, nas quais os personagens 
podem ser entendidos como uma alegoria de seu próprio tempo. Nas palavras de 
Hagemeyer (2012: 46) “[...] não se trata de fazer “histórias das imagens e sons”, mas 
sim “histórias com imagens e sons”, buscando informações difundidas pelo rádio, pela 
televisão, pelo cinema e demais meios de difusão”. 
 Partindo dos apontamentos de Busetto (2005: 166), para uma análise 
histórica mais expandida deste gênero ficcional, o pesquisador deve procurar uma 
perspectiva relacional, considerando a pluralidade de relações sociais inerentes ao 
campo televisivo como também as estruturas - econômica, política, social e cultural - 
nas quais a obra ficcional está inserida, articulando-as na relação tempo e espaço. Trata-
se de desvendar os projetos ideológicos com os quais a obra dialoga e estabelece 
contato, considerando sua singularidade dentro de seu contexto histórico-social. 
7 
 
 
Para uma pesquisa mais ampla da telenovela, se faz necessário o cruzamento 
de informações inseridas em outras fontes como: jornais, documentos oficiais, 
entrevistas, memórias, sinopses, scripts, índices de audiência, documentação 
institucional das empresas televisuais (faturamento, normas, documentos internos etc.). 
Ao compreender a linguagem técnico-estética, o historiador deve decodificar 
os códigos internos de funcionamento, a fim de captar a linguagem do gênero ficcional 
a ser analisado. Assim, é de fundamental importância, a contribuição da área de 
Comunicação Social para a análise da telenovela. Estudos interdisciplinares são 
defendidos por Rémond (1996), que afirma ser “[...] uma verdade geral a utilidade, para 
todo ramo do saber, de abrir-se a outros e acolher contribuições externas” (REMÓND, 
1996: 29). Vários elementos inerentes à linguagem técnica devem ser observados no 
caso específico da análise do gênero melodramático como: enquadramentos, cortes, 
delineamento da imagem, planos de câmera, construção de narrativas lineares e visuais 
por meio de planos e sequências simples e encadeadas. Por parte do telespectador é 
sentida maior compreensão da narrativa e experiências sensoriais fortes, conseguidos 
graças às estratégias de reiteração da narrativa, por meio da decupagem rigorosa da 
mensagem e construção de estereótipos próprios do gênero melodramático. 
(NAPOLITANO, 2011: 278). Pode-se observar também elementos estéticos que 
conferem um significado específico à obra, como a iluminação, a utilização ou não da 
cor, figurino e trilha sonora. 
A telenovela, ao ser incorporada pelos estudos históricos como fonte e objeto 
pode ser entendida a partir de suas estruturas internas – representações políticas e 
sociais, ou por questões de recepção dado o grande impacto social do meio. Michel de 
Certeau(1998) propõe um novo axioma com relação à recepção que supera o conceito 
de telespectador teleguiado pelos interesses ideológicos do produtor da informação, por 
um receptor dotado de uma cultura única, capaz de absorver as informações e as 
decodificar, produzindo um sentido próprio. 
Napolitano (2011: 277) pontua que o historiador deve realizar o fichamento do 
material televisual a ser analisado observando as características inerentes ao gênero do 
programa, a linguagem, o público alvo, e a função do programa, constituindo campos de 
registro, informação e comentário. No que tange a telenovela, o fichamento deve conter: 
8 
 
 
o argumento geral, a descrição dos planos de câmera e personagens e a sinopse. Com 
relação à telenovela, Marcos Napolitano (2011: 278) afirma que é imprescindível a: 
 
[...] identificação dos núcleos dramáticos e sua teia de relações 
ficcionais, pois normalmente esses núcleos condensam características 
e valores sociológicos num conjunto de personagens bem 
estereotipados, sendo um canal para perceber os valores ideológicos 
que estão em jogo e as formas de encenação da sociedade e suas 
tensões. 
 
Destaca ainda que o pesquisador deve deter-se cuidadosamente na primeira semana de 
exibição, pois esta é de fundamental importância para o desenrolar da trama e a 
definição de papéis. 
É importante ressaltar que, na análise do audiovisual, o historiador deve 
realizar o recorte observando não só as opções teórico-metodológicas, mas também a 
disponibilidade da fonte audiovisual, visto as dificuldades de sistematização para acesso 
ao público dos acervos audiovisuais. 
 
DIFICULDADES DO TRABALHO DO HISTORIADOR 
 
Tanto no Brasil quanto no exterior, os historiadores ainda possuem grandes 
problemas em utilizarem a televisão e seus produtos como objetos de pesquisa. Marcos 
Napolitano (2011: 247), bem como o pesquisador Áureo Busetto (2010: 167), afirmam 
que isto se deve ao caráter volátil da produção televisiva e a dificuldade de acesso 
sistemático e organizado às fontes. Os arquivos públicos ainda não assumiram dentro de 
sua política de preservação de patrimônio a guarda e a sistematização para acesso ao 
público dos acervos audiovisuais. A maioria dos arquivos existentes é de propriedade 
privada das emissoras que, em grande parte, utilizam esse acervo como desdobramento 
de suas atividades comerciais na venda de produtos da indústria cultural. No Brasil, a 
Rede Globo de TV é um exemplo desta prática. Através do Projeto Memória Globo, são 
desenvolvidas estratégias de venda de suas produções – especialmente telenovelas e 
minisséries em formato de DVD. 
As dificuldades de mapeamento, tanto do contexto de exibição das obras 
quanto de seus produtores, são ampliadas se o pesquisador considerar que, ao analisar 
9 
 
 
os produtos televisivos, se deparará com: escassez de políticas públicas voltadas à 
preservação de acervos audiovisuais; dificuldade de acesso e consulta de arquivos 
televisivos; imprecisão e a falta de referências das imagens catalogadas com o caráter 
fragmentário de sua programação; e a falta de registros de audiência (HAGEMEYER, 
2012: 42). 
Como alternativa às dificuldades apresentadas ao historiador que toma a 
telenovela como fonte e objeto, pode recorrer aos produtos culturais editados 
disponíveis à venda em formato de Dvds, considerando o contexto de formatação deste. 
Pode, também, recorrer a sites de compartilhamento de imagens e vídeos como o 
Youtube (BUSETTO, 2005: 172). Contudo, este website geralmente apresenta um 
conteúdo fragmentado. 
 
 CONCLUSÃO 
 
Em função das questões levantadas neste trabalho, pode-se reconhecer que as 
fontes audiovisuais, como a telenovela, compartilham das mesmas limitações que se 
observam em outros documentos históricos, nos quais são desconstruídos os fatos 
descritos ou narrados, pois estes são reflexos de um conjunto de operações de registro, 
edição e seleção. 
Assim, é possível perceber as fontes audiovisuais, como a telenovela, em suas 
estruturas internas de linguagem e seus mecanismos de representação da realidade 
analisando sua condição de “evidência” de uma experiência histórica e social. Também, 
pode-se observar que a representação da realidade social na telenovela pode conter 
intensões políticas e ideológicas, muitas vezes implícitas. 
 
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