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PATOLOGIAS DO ESÔFAGO

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em anel de sinete: 
 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
O risco de transformação maligna é maior na NIE de alto grau. A coexistência de NIE de alto grau e 
adenoca chega em 65% dos casos mesmo quando não há lesão macroscópica visível. 
 NEOPLASIAS MALIGNAS DO ESÔFAGO 
Os carcinomas são as mais frequentes. Dentre elas, o carcinoma espinocelular (epidermoide – 95% 
dos casos) e adenocarcinoma (5%). 
• Adenocarcinoma de Esôfago 
A maioria dos adenocarcinomas esofágicos surge do esôfago de Barrett. Dessa forma, o 
aumento das taxas de adenocarcinoma esofágico pode ter como motivo parcial o aumento da 
incidência do refluxo gastroesofágico relacionado à obesidade e o esôfago de Barrett. 
Fatores de risco adicionais incluem tabagismo e exposição à radiação. São muito mais comuns em 
homens brancos. 
A progressão do esôfago de Barrett para o adenocarcinoma ocorre durante um longo período, com 
aquisição gradual de alterações genéticas e epigenéticas. Esse modelo é 
justificado pela observação de que clones epiteliais identificados na metaplasia de Barrett não 
displásica persistem e acumulam mutações durante a progressão para a displasia e para carcinoma 
invasivo. 
O adenocarcinoma esofágico geralmente ocorre no terço distal do esôfago e pode invadir a cárdia 
adjacente 
Alternativamente, os tumores podem se infiltrar 
difusamente ou ulcerar e invadir profundamente. 
Microscopicamente, o esôfago de Barrett 
frequentemente aparece adjacente ao tumor. 
Os tumores produzem mais comumente mucina e 
formam glândulas geralmente com morfologia 
semelhante ao tipo intestinal; menos 
frequentemente, os tumores são compostos de 
células em anel de sinete, infiltrantes, difusas 
(similares àquelas vistas nos cânceres gástricos 
difusos) ou, em casos raros, células pequenas, pouco 
diferenciadas (similares ao carcinoma de pequenas 
células do pulmão). 
Embora os adenocarcinomas esofágicos sejam ocasionalmente descobertos na avaliação da DRGE, 
ou na vigilância do esôfago de Barrett, eles se apresentam mais comumente com dor ou dificuldade 
de deglutição, perda de peso progressiva, hematêmese, dor torácica ou vômitos. Quando os 
sintomas aparecem, o tumor geralmente já se disseminou para os vasos linfáticos submucosos. 
• Carcinoma Espinocelular do Esôfago (CEC) 
Está entre os 10 tumores mais incidentes no Brasil. A mortalidade é alta pelo diagnóstico tardio. 
Também mais frequente em homens. 
Fatores de risco incluem uso de álcool e tabaco, pobreza, lesões esofágicas cáusticas, acalásia, 
tilose, síndrome de Plummer-Vinson, dietas deficientes em frutas e vegetais e o consumo frequente 
de bebidas muito quentes. 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
O início do carcinoma de células escamosas esofágicas é insidioso e apresenta-se mais comumente 
com disfagia, odinofagia (dor à deglutição) ou obstrução. Os pacientes se adaptam 
subconscientemente à obstrução, que aumenta progressivamente, alterando suas dietas de 
alimentos sólidos para líquidos. 
Em contraste ao adenocarcinoma, metade dos carcinomas de células escamosas ocorre no terço 
médio do esôfago. O carcinoma de células escamosas se inicia como uma lesão in situ chamada de 
displasia escamosa (esta lesão é conhecida como uma neoplasia intraepitelial ou carcinoma in 
situ em outras regiões). 
Tem origem no epitélio de revestimento plano estratificado não-cornificado. A maioria são polipoides 
(exofíticos). Quando endofíticos podem causar estenose (reação desmoplásica) e infiltrar a camada 
muscular própria com atonia e dilatação da luz. 
Invasão precoce de estruturas mediastinais nobres – a ressecção cirúrgica completa difícil ou 
impossível – letalidade alta. A invasão do brônquio direito causa fístula esôfago-brônquica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
Fatores predisponentes ao carcinoma espinocelular do esôfago: tabagismo, etilismo, dieta pobre 
em vegetais e frutas (com deficiência de vitamina A C e riboflavina (B2) parecem predispor a 
mucosa esofágica à ação dos carcinógenos. 
Além disso a estenose cáustica do esôfago também aumenta muito o risco de desenvolver CEC (até 
3000x mais que a população em geral). Intervalo de tempo acima de 10 anos da ingesta. O CEC 
ocorre no local da estenose. 
 
Na de alto grau temos mais de 1/3 do epitélio afetado. São lesões silenciosas, o paciente que faz 
endoscopia já está com sintomas (então já é invasiva). 
Lesões que invadem a mucosa e submucosa tem melhor prognóstico que as profundas (CEC 
superficial). 
 
No câncer superficial eu não sei se tem metástase linfonodal ou não. No precoce eu sei que NÃO 
TEM metástases nos linfonodos regionais – melhor prognóstico. 
 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
 
O carcinoma superficial pode dar metástases linfonodais (cervicais, mediastinais e abdominais). 
Os carcinomas avançados tem forte tendencia a crescer pela submucosa do esofago e dar 
metastases ganglionares. Invasão de bronquios, traqueia, aorta. 
Físturas taqueo-esofágicas de natureza neoplásica são quase sempre devidas a carcinoma do 
esôfago, porque os carcinomas broncogenicos habitualmente não invadem o esôfago. 
 
 
Os CEC predominam no terço proximal e médio do esofago, enquanto os adenoca são mais distais. 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
 
Estadiamento TNM: 
 
Pacientes com cancer avançado e superficial com maior risco de metastase são tratados com 
esofagectomia. Os demais casos fazem ressecção endoscópica. 
Metástase regional diminui a sobrevida em 5 anos para 43% e metástases distantes reduzem para 
5%.