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NOÇÕES DE CRIMIN ALÍSTICA
 
CRIMINALÍSTICA APLICADA
IDENTIF IC AÇÃO DO PR OFE SSOR:
VALTER JOAQUIM DOS SANTOS
PERITO OFICIAL CRIMINAL/POLITEC/SEJUSP/MT.
ATUAÇÃO: PROFESSOR/TUTOR/INSTRUTOR DA DISCIPLINA DE NOÇÕES DE 
CRIMINALÍSTICA EM CURSOS DE FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO DE POLICIAIS 
CIVIS E MILITARES DO ESTADO DE MATO GROSSO.
EXPERIÊNCIAS :
CURSO DE FORMAÇAO DE INVESTIGADOR DE POLÍCIA, 1986 (BARRA DO 
GARÇAS-MT), CURSOS DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS DA POLÍCIA MILITAR DE 
MATO GROSSO, 1990 a 2005, CURSO DE CAPACITAÇÃO DE INVESTIGADOR E 
ESCRIVÃES DE POLÍCIA, 2000, CURSO DE CAPACITAÇÃO PARA ESCRIVÃES 
DE POLÍCIA, 2004, PALESTRA: ENCONTRO REGIONAL MINISTÉRIO PÚBLICO 
E SEGURANÇA PÚBLICA, 2000, CURSO A DISTÂNCIA PELO NÚCLEO DE 
TECNOLOGIA EDUCACIONAL, CURSO DE INCLUSÃO DIGITAL PARA O OFÍCIO 
DE SEGURANÇA PÚBLICA DESTINADOS AOS AGENTES DE SEGURANÇA 
PÚBLICA (POLÍCIA CIVIL, POLÍCIA MILITAR, CORPO DE BOMBEIROS, 
PALESTRANTE NO VII – COMITE BRASILEIRO DE DOCUMENTOSCOPIA-II 
ENCONTRO INTERNACIONAL DE PERITOS EM DOCUMENTOS, 2006, TUTOR 
DA REDE NACIONAL DE ENSINO A DISTÂNCIA DA SENASP-MJ, 2008 e OBRA 
PUBLICADA: EVASÃO NO ENSINO A DISTÂNCIA: FORMAÇÃO CONTINUADA 
DOS AGENTES DE SEGURANÇA PÚBLICA, UNEMAT, 2008.
CURRÍCUL O
GRADUADO EM CIÊNCIAS, CIÊNCIAS BIOLÓGICAS (LICENCIATURA), 
CIÊNCIAS JURÍDICAS (BACHARELADO EM DIREITO), PÓS-GRADUADO EM 
PSICOPEDAGOGIA (Lato Sensu) , PÓS-GRADUADO EM INFORMÁTICA 
EDUCATIVA (Lato Sensu) E PÓS-GRADUADO EM GESTÃO DE SEGURANÇA 
PÚBLICA-CURSO SUPERIOR DE POLÍCIA (Lato Sensu) e MESTRADO EM 
CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO (Stricto Sensu).
SUMÁRIO
1
 
 1. INTRODUÇÃO 
1.1 CONCEITOS: 
1.2 OBJETIVOS DA CRIMINALÍSTICA: 
2. CONCEITO DE CORPO DELITO 
2.1 VESTÍGIOS: 
2.2 EXAME DE CORPO DE DELITO 
3. LOCAL DE CRIME 
3.1 Conceito 
3.2 Classificação: 
5. IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DOS LOCAIS DE CRIME NA FORMAÇÃO DA 
PROVA PERICIAL.
5.1 ISOLAMENTO E PRESERVAÇÃO DE LOCAL: 
5.1.1. TÉCNICAS A SEREM ADOTADAS:
5.1.2. LOCAL DE CRIMES CONTRA A PESSOA (MORTE VIOLENTA):
5.1.3. LOCAL DE ACIDENTE DE TRÁFEGO:
5.1.4 LOCAIS DE CRIME CONTRA PATRIMÔNIO
5.1.5 PROCEDIMENTOS POLICIAIS
5.1.6 RESPONSABILIDADE DO PRIMEIRO POLICIAL
5.1.7 A IMPRENSA NO LOCAL DO CRIME
6. LEVANTAMENTO DO LOCAL:
6.1. METODOLOGIA DE LEVANTAMENTO DE LOCAL:
6.1.1. OBSERVAÇÃO:
6.2. DESCRIÇÃO DO OBSERVADO: 
6.3. COLHEITA DE VESTÍGIOS: 
6.3.1. MATERIALIZAÇÃO DE VESTÍGIOS: 
7. EXAME DE CORPO DE DELITO AFEITO AO PERITO CRIMINAL 
8. O TRABALHO DO PERITO: 
9. RECOMENDAÇÃO PARA O POLICIAL: 
GLOSSÁRIO
1. INTRODUÇÃO
 
2
No princípio do século XIX, cabia à medicina legal, além dos exames de 
integridade física do corpo humano, toda a pesquisa, busca e demonstração de outros 
elementos relacionados com a materialidade do crime e demais evidências extrínsecas ao 
corpo humano.
Com o advento de novos conhecimentos e desenvolvimentos das áreas técnicas, 
como física, química, biologia, matemática, toxicologia, etc., tornaram-se necessidade real a 
criação de uma nova disciplina para a pesquisa, análise, interpretação dos vestígios materiais 
encontrados em locais de crime, tornando-se assim, fonte imperiosa de apoio à polícia e à 
justiça.
Surgiu, destarte, a criminalística como ciência independente em sua ação, como as 
demais que a constituem.
O nome criminalística foi utilizado pela primeira vez por Hans Gross, considerado 
o pai da criminalística, juiz de instruções e professor de direito penal, em 1893, na Alemanha, 
ao publicar seu livro como sistema de criminalística, Manual do juiz de instrução. 
 
1.1 CONCEITOS:
 A Criminalística é o conjunto de procedimentos científicos de que se vale a justiça 
moderna para averiguar o fato delituoso e suas circunstâncias, isto é, o estudo de todos os 
vestígios do crime, por meio de métodos adequados a cada um deles.
O termo criminalístico foi criado por FRANS VON LISZT, para designar a 
"Ciência total do Direito Penal".
Para Hans Gross criminalística seria "O estudo global do crime".
O 1º Congresso Nacional de Polícia Técnica aprovou a definição do Prof. JOSÉ 
DEL PICCHIA FILHO:
"Criminalística é a disciplina que tem por objetivo o reconhecimento e a 
interpretação dos indícios materiais extrínsecos, relativos ao crime ou à identidade do 
criminoso".
Por outro lado, no Rio Grande do Sul, um dos mais geniais peritos brasileiros, o Dr. 
ERALDO RABELLO assim definiu a criminalística: "É uma disciplina autônoma integrada 
pelos diferentes ramos do conhecimento técnico - científico, auxiliar e informativo das 
atividades policiais e judiciárias da investigação criminal.
Na atual conjuntura uma definição simples e concisa seria: 
3
CRIMINALISTICA É A CIÊNCIA QUE ANALISA SISTEMATICAMENTE OS 
ASPECTOS MATERIAIS DO ILÍCITO PENAL, VISANDO, NUMA SÍNTESE DE 
INDÍCIOS, ELUCIDAR O DELITO E DAR A SUA AUTORIA. 
 
1.2 OBJETIVOS DA CRIMINALÍSTICA:
 A Criminalística é uma ciência que tem por objetivos:
 a) dar a materialidade do fato típico, constatando a ocorrência do ilícito 
penal;
b) verificar os meios e os modos como foi praticado um delito, visando 
fornecer a dinâmica do fenômeno;
c) indicar a autoria do delito, quando possível;
d) elaborar a prova técnica, através da indiciologia material.
 
2. CONCEITO DE CORPO DELITO 
Todos os crimes materiais deixam vestígios, pois nestes delitos existe a 
necessidade de um resultado externo à ação, sendo relevante o resultado material para que os 
mesmos existam.
No lugar onde ocorreu uma morte violenta, por exemplo um homicídio, são 
vestígios materiais: o corpo da vítima em si, as lesões, indumentárias, a arma do crime, 
projéteis, marcas de sangue, pegadas, objetos diversos, etc... Ao conjunto de todos esses 
vestígios materiais dá-se o nome de Corpo de Delito.
Para Pimenta Bueno:
"Corpo de delito é o conjunto de elementos que constaram a existência do crime".
Para João Mendes:
Corpo de delito é o conjunto de elementos sensíveis do fato criminoso".
Para Farinácio:
"Corpo de delito é o conjunto de vestígios materiais deixados pelo crime".
 
2.1 VESTÍGIOS:
 VESTÍGIO:
 "Todo e qualquer elemento sensível encontrado no local do crime, na vítima ou no 
suspeito de ter sido o autor do ilícito penal".
 Quando um vestígio, através de sua interpretação puder levar a uma prova 
indiciaria, estamos diante do que tecnicamente denominamos indício.
4
 Ou seja, vestígio é o elemento material não necessariamente relacionado com o 
evento, é pressuposto de prova.
 Indício, pois, é todo vestígio relacionado diretamente com o evento. É um 
princípio de prova manifesto.
 Como regra geral, os vestígios materiais podem ser diretamente perceptíveis pelo 
sentidos (visão, olfato, tato, audição) ou imperceptíveis diretamente pelos sentidos, 
subdivididos estes em LATENTES (só podem ser percebidos sensorialemente depois de 
revelados) e MICROSCÓPICOS (são aqueles cujas dimensões estão aquém da capacidade de 
percepção do olho desarmado).
 Podem ainda os vestígios ser PERSISTENTES (durabilidade prolongada) ou 
FUGAZES (quando de fácil e rápido desaparecem).
 Em relação ao fato delituoso, osvestígios se classificam em:
a) verdadeiros;
b) forjados;
c) ilusórios.
 Os vestígios são VERDADEIROS quando estão diretamente relacionados com o 
evento.
 Os vestígios são forjados quando produzidos com a finalidade que possa iludir a 
investigação.
 O vestígio ilusório finalmente não tem nenhuma relação com o crime, podendo ser 
anteriores ou posteriores ao próprio delito.
 
2.2 EXAME DE CORPO DE DELITO
 Como definição, é correto afirmamos que o exame de corpo de delito é a 
comprovação pericial dos elementos objetivos do tipo; o exame inspecional do corpo de 
delito.
 A finalidade do exame de corpo de delito é comprovar a existência dos elementos 
do fato típico dos delitos "FACTI PERMANENTIS".
 O fundamento do exame de corpo de delito está na lei, mais precisamente nos Arts. 
158 e 564, III, b do Código de Processo Penal. Se o delito se incluir entre os que deixam 
vestígios, denominados por isso de "delito de fato permanente", a prova pericial é essencial, 
obrigatória, importando a sua ausência na absolvição do acusado por falta de prova quanto ao 
fato criminoso. 
5
Art. 386 - O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte 
dispositiva, desde que reconheça.
 .....................................................................................
 II - não haver prova da existência do fato;
 A confissão do indiciado como autor do crime não pode suprir a ausência do 
exame de corpo de delito quando se tratar de infração que deixa vestígio.
 Neste caso, a ausência do exame vai acarretar a própria nulidade do processo.
 Art. 564 - A nulidade ocorrerá nos seguintes casos:
 ...........................................................................................
 III - Por falta das fórmulas ou, termos seguintes:
 ...........................................................................................
 b) o exame de corpo de delito nos crimes que deixam 
 vestígios...
 Freqüente tem sido na doutrina o questionamento acerca da obrigatoriedade do 
exame de corpo de delito em contrafração ao princípio libertário, que dá ao juiz liberdade para 
valorar a prova.
 Pelo sistema da livre convicção não fixada uma hierarquia de prova, o que 
eqüivale dizer que um laudo pericial possui o mesmo valor probante que um depoimento de 
testemunha.
 Quanto à prova, é evidente a existência de uma antinomia, portanto, há uma 
contradição na lei, pois se o exame de corpo de delito é indispensável nos crimes que deixam 
vestígios, podendo sua ausência acarretar a própria nulidade do processo ou da causa à 
absolvição do réu pela não comprovação da existência do crime, patente fica que a perícia é a 
rainha das provas, ocupando de fato um patamar de hierarquia superior aos demais meios 
probatórios.
 O que é essencial tem um valor hierárquico superior ao que é simplesmente 
dispensável.
 A perícia somente se justifica quando existir a necessidade de emissão de uma 
opinião especializada sobre o crime.
 Embora o juiz não esteja vinculado ao resultado do exame de corpo de delito, ele 
somente pode rejeitá-lo em duas hipóteses devidamente comprovadas: quando houver dolo ou 
erro por parte do perito.
6
 AS ALTERAÇÕES DO ARTIGO 159 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL 
PELA LEI Nº 11.690, DE 9 DE JULHO DE 2008. 
 
 “Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito 
oficial, portador de diploma de curso superior.
 § 1º Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas idôneas, 
portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área específica, dentre as que 
tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame.
 § 2º Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e fielmente 
desempenhar o encargo.
 § 3º Serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente de acusação, ao 
ofendido, ao querelante e ao acusado a formulação de quesitos e indicação de assistente 
técnico.
 § 4º O assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz e após a 
conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos peritos oficiais, sendo as partes intimadas 
desta decisão.
 § 5º Durante o curso do processo judicial, é permitido às partes, quanto à perícia:
 I – requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a 
quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas 
sejam encaminhados com antecedência mínima de 10 (dez) dias, podendo apresentar as 
respostas em laudo complementar;
 II – indicar assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres em prazo a ser 
fixado pelo juiz ou ser inquiridos em audiência.
 § 6 º Havendo requerimento das partes, o material probatório que serviu de base à 
perícia será disponibilizado no ambiente do órgão oficial, que manterá sempre sua guarda, e 
na presença de perito oficial, para exame pelos assistentes, salvo se for impossível a sua 
conservação.
 § 7º Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de 
conhecimento especializado, poder-se-á designar a atuação de mais de um perito oficial, e a 
parte indicar mais de um assistente técnico.” 
 O exame de corpo de delito se classifica em direito e indireito.
 Como os vestígios são, em face de sua essência, fugazes pode ocorrer que os 
mesmos desapareçam antes da realização do exame de corpo de delito.
7
 Na hipótese do desaparecimento dos vestígios admite a lei a realização de exame 
de corpo de delito de forma indireta, se valendo de depoimentos de testemunhas "diretas" que 
tenha "visto" a cena do crime.
 Dois são, portanto, os requisitos de admissibilidade do exame de corpo de delito 
indireto, a saber:
a) terem os vestígios desaparecidos;
b) existir pelo menos uma testemunha direta do crime. 
 O exame de corpo de delito indireto não possui nenhuma formalidade especial. 
Não existe "termo de compromisso", mas tão somente uma advertência do crime de falso 
testemunho, identicamente feito em qualquer depoimento testemunhal.
 É elaborado um "auto de exame de corpo de delito indireto" no qual a autoridade 
questiona a testemunha acercada materialidade do crime, pois a sua finalidade é exatamente 
fazer prova da existência do delito.
 A testemunha tem que ser direta, deve ter visto os vestígios para poder dizer dos 
mesmos ainda que tenha chegado ao local do crime após a consumação do ilícito.
 Uma outra modalidade de exame de corpo de delito indireto é a denominada 
"reprodução simulada do fato". Esta é uma peça pericial, realizada por perito oficial, na qual o 
experto emite um juízo de valor sobre a versão apresentada do crime.
 A reprodução simulada do fato é uma encenação do delito com atores 
representado,cena por cena, o itinerário da ação criminosa do acusado.
 O perito realiza a reprodução simulada do fato, materializa fotograficamente as 
cenas e no final, analisa as possibilidades técnicas, bem como, a coerência lógica das versões 
apresentadas.
 Na reprodução simulada do fato, que trata de um exame de corpo de delito 
especial, indireto, o perito conclui sobre a viabilidade da versão, sobre a possível veracidade 
desta.
 Na reprodução simulada do fato, o perito emite um juízo de valor, uma opinião 
técnica acerca das versões.
a) do acusado;
b) de testemunha direta;
c) da vítima.
 Na realização de corpo de delito o Código de Processo Penal adotou o princípio da 
perícia oficial.
8
 O perito oficial é aquele que exerce profissionalmente os misteres da perícia, 
ocupando cargo público de perito.
 Porém, em nem todas as cidades o Estado consegue manter um perito oficial. 
Assim, onde não houver tal funcionário público deve a autoridade nomear "AD HOC". 
 Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas idôneas, 
portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área específica, dentre as que 
tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame (Art. 159, parágrafo 1º do 
CPP, alterado).
.
 Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenhar 
o encargo (Art. 159, parágrafo 2º, do CPP, alterado).
 São essas pessoas, nomeadas para um caso concreto de crime, denominadas de 
peritos não oficiais.
 Deve as mesmas elaborar um laudo pericial ou um auto de exame de corpo de 
delito, que deve ir para o Inquérito ou Processo conjuntamente com o termo de compromisso.
 Para cada perícia, um termo de compromisso, que no caso é considerado como 
uma formalidade que constitui elemento essencial do ato processual.
 O único fato que justifica a realização do exame de corpo de delito por perito não 
oficial é a inexistência na cidade de perito oficial.
 A oportunidade da realização da perícia depende da decisão da autoridade policial 
ou judiciária, pois o perito jamais pode realizá-la sem a devida requisição.
 A autoridade requisita a realização do exame de corpo de delito, que é obrigatório 
por lei nos crimes que deixam vestígios.
 O princípio da imediatidade justifica célere realização do exame de corpo de delito 
ainda na fase de investigação do Inquérito Policial, pois ante a fugacidade dos vestígios, a sua 
não realização imediata prejudicaria a eficácia da perícia, muito embora esta seja um ato de 
instrução.
 Das peças investigatórias dos Inquéritos Policiais, os atos de valor judicial são 
apenas os representados pelos autos de corpo de delito.
 Todavia, se ainda persistir algum vestígio do delito a autoridade judiciária, ou 
mesmo, a policial, poderá requisitar um novo exame de corpo de delito por outro perito que 
não aquele que já o fez.
9
 Pode também a autoridade requisitar laudo complementar ao já emitido, visando 
esclarecer ou complementar o laudo quando entender que nele exista omissão de ponto 
relevante, obscuridade na conclusão ou até mesmo contradição.
 Na redação do artigo 181 do Código de Processo Penal, diz:
"No caso de inobservância de formalidade, ou no caso de omissões, obscuridade ou 
contradições, a autoridade judiciária mandará suprir a formalidade, complementar ou 
esclarecer o laudo".
 Todavia, para tal mister que a autoridade tenha noções de Criminalística, pois 
somente assim poderá discernir quando necessário se fizer sua salutar intervenção, em prol do 
fim maior que é a Justiça, ao requisitar nova perícia.
 Não é deselegante a atividade da autoridade que assim procede, pois a sua conduta 
nesse sentido é uma imposição do artigo 181 do Código de Processo Penal.
 Deselegante entendemos ser a conduta da autoridade, que demonstrando falta de 
humildade não procura o perito que elaborou o exame de corpo de delito, para dele questionar 
diretamente as dúvidas, que muitas vezes existem unicamente por falta de conhecimentos 
mínimos de Criminalística.
 Do contato da autoridade com o perito, este poderá inclusive auxiliar aquela na 
elaboração de quesitos a serem respondidos em laudo complementar. Neste caso, tal laudo 
poderia carrear para os autos um posicionamento mais próximo do mundo jurídico, mais 
clarificando da verdade do fato; se resguardando da máxima que expressa não estar no mundo 
jurídico o que não estiver nos autos.
 
3. LOCAL DE CRIME
3.1 Conceito 
 "Local de crime é toda área onde tenha ocorrido um fato que assuma a 
configuração de delito e que portanto exija as providências da Polícia Judiciária". 
 Neste conceito estão compreendidos, naturalmente, os crimes de qualquer espécie, 
bem como, todo fato que, não constituindo crime, deva chegar ao conhecimento da polícia, a 
fim de ser convenientemente esclarecido.
 Para Eraldo Rabello - "O local de crime gira em torno da área onde tenha ocorrido 
uma infração penal e deixou marcas capazes de ser levantadas. 
 
10
3.2 Classificação: 
 Vários são os critérios que podem ser adotados para se classificar os locais, 
todavia de maneira prática sem qualquer detrimento de outras. Assim, os locais podem ser 
considerados:
1. Quanto a área onde ocorreu o fato:
a) Local interno: aquele situado no interior de edifícios, residências, lojas, 
pátios de estacionamento, garagens, etc;
b) Local externo: aquele localizado em campo aberto, cerrado, fazenda, rua, 
praça, etc;
1.1. O que diferencia os locais em internos e externos é a existência ou não 
de delimitação física do espaço;
1.2. Todavia a classificação do local interno ou externo não acarreta 
conseqüência relevante, a não ser quanto ao aspecto de sua preservação;
1.3. Os locais internos e externos são subdivididos em:
1.3.1. Ambiente imediato: é o local onde ocorreu o fato, ou seja, o local 
propriamente dito.
1.3.2. Ambiente mediato: compreende vizinhanças da área onde foi praticado o 
delito.
2. Quanto a localização: saber se a área é urbana, rural, etc.
3. Quanto a natureza do fato: o local é estudado tendo-se em vista o seu 
aspecto;
3.1. Determinar a natureza da área onde o mesmo ocorreu;
3.2. Determinar a natureza do fato ocorrido (se de morte violenta, se de furto 
qualificado, se de acidente, etc.)
Em resumo, quanto a natureza ou local, responder as indagações:
- Onde ocorreu o fato?
- A natureza do fato ocorrido?
- O que aconteceu? 
4. Quanto aos vestígios existentes no local:
 Com relação aos vestígios, pode ainda ser o local de crime:
4.1.Locais idôneos: preservados ou não violados:
 Quando são mantidos na integridade ou originalida com que foram 
deixados pelo agente após a prática da infração penal, até a chegada dos 
peritos. 
11
4.2- Locais inidôneos, não apropriados ou violados: 
 Quando são devassados após a prática da infração penal e antes da 
chegada dos peritos ao local, em detrimento da perícia. Pode haver adição e 
subtraçãode evidências, prejudicando portanto, a interpretação dos vestígios. 
 4.3. Locais relacionados: 
 São aqueles que se referem a uma mesma ocorrência, isto é quando duas 
ou mais áreas diferentes se associam ou se completam na configuração do 
delito. É o que ocorre, por exemplo, na falsificação, num local se prepara o 
material falsificado e em outro ele é negociado. 
 
5. IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DOS LOCAIS DE CRIME NA FORMAÇÃO DA 
PROVA PERICIAL. 
 A eficiência do trabalho policial na investigação do delito está na razão direta das 
provas que encontra para o seu devido esclarecimento. A prova tem por objetivo transformar a 
suspeita, em certeza.
 Sem dúvida alguma a fase mais importante para a investigação criminal é a 
preservação do local do crime, assegurando, em conseqüência o levantamento das provas.
 O primeiro cuidado que um policial deve tomar num lugar onde tem que intervir, 
para comprovar a existência de um delito, é evitar que o local onde este se produziu seja 
destruído. Deve-se evitar a permanência de pessoas estranhas à investigação, pois um toque 
em uma marca pode levar a um não esclarecimento do sucedido.
 O segundo cuidado, via de regra não oferecem grande dificuldade de 
interpretação, são sim difíceis de colher, dada a extrema facilidade com que se perdem para 
sempre, quando não forem tomadas as precauções adequadas para protegê-lo em sua 
integridade.
 A possibilidade de produzir provas cientificamente depende quase em sua maior 
parte do correto procedimento dos policiais incumbidos da preservação do local até a chegada 
no mesmo dos técnicos, e da perícia deste último na realização de um exame eficaz.
 Antes de se compreender perfeitamente bem a obrigação que se tem de proteger e 
conservar os vestígios encontrados, o policial deve saber o que é um local de crime, 
conhecendo a sua extensão e entender a necessidade proteger todo esse local, porque ele é o 
mais frutífero manancial de informações e, na maioria dos casos, todo êxito emana de uma 
apreciação inteligente que permitiram ao perito oportunas conclusões.
12
 Se uma investigação termina em fracasso, a causa é comumente um inadequado 
exame do local de crime.
 
5.1 ISOLAMENTO E PRESERVAÇÃO DE LOCAL:
 a) Considerações iniciais:
 b) Um dos grandes e graves problemas das perícias em locais onde ocorrem 
crimes, é a quase inexistente preocupação das autoridades em isolar e preservar 
adequadamente um local de infração penal, de maneira a garantir as condições de se realizar 
um exame pericial da melhor forma possível.
 No Brasil, não possuímos uma cultura e nem mesmo preocupação sistemática com 
esse importante fator, que é um correto isolamento do local do crime e respectiva preservação 
dos vestígios naquele ambiente. 
 Essa problemática abrange três fases distintas.
 A primeira compreende o período entre a ocorrência do crime até a chegada do 
primeiro policial. Esse período é o mais grave de todos, pois ocorrem diversos problemas em 
função da curiosidade natural das pessoas em verificar de perto o ocorrido, além do total 
desconhecimento (por parte das pessoas) do dano que estão causando pelo fato de estarem se 
deslocando na cena do crime.
 A segunda fase compreende o período desde a chegada do primeiro policial até o 
comparecimento do delegado de polícia. Esta fase, apesar de menos grave que a anterior, 
também apresenta muitos problemas em razão da falta de conhecimento técnico de alguns 
policiais para a importância que representa um local de crime bem isolado e adequadamente 
preservado. Em razão disso, em muitas situações, deixam de observar regras primárias que 
poderiam colaborar decisivamente para o sucesso de uma perícia bem feita. 
 E, a terceira fase, é aquela desde o momento que a autoridade policial já está no 
local, até a chegada dos peritos criminais. Também nessa fase, ocorrem diversas falhas, em 
função da pouca atenção e da falta de percepção – em muitos casos – daquela autoridade 
quanto a importância que representa para ele um local bem preservado, o que irá contribuir 
para o conjunto final das investigações, da qual ele é o responsável geral como presidente do 
Inquérito.
 Com a vigência da Lei 8862/94, a questão do isolamento e preservação de local de 
crime mudou de patamar, passando a fazer parte da preocupação daqueles que são elencados 
como os responsáveis por essa tarefa, ou seja, por intermédio da autoridade policial.
13
 Tais determinações legais que garantem esse novo status para o local de crime, estão 
previstos nos dispositivos a seguir transcritos, do Código de Processo Penal.
 Art. 6º. Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade 
policial deverá:
 I – dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e 
conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais;
 II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos 
peritos criminais; 
 Art. 169. Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a 
autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a 
chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos com fotografias, desenhos ou 
esquemas elucidativos.
 Parágrafo Único. Os peritos registrarão, no laudo, as alterações do estado das 
coisas e discutirão, no relatório, as conseqüências dessas alterações na dinâmica dos 
fatos. 
 Como podemos observar, a questão do isolamento e preservação de local de crime 
está, a partir da Lei nº 8862/94, tratada devidamente e a altura da importância no contexto das 
investigações periciais e policiais.
 O isolamento e a conseqüente preservação do local de infração penal são garantia que 
o perito terá de encontrar a cena do crime conforme fora deixado pelo (s) infrator (es0 e pela 
vítima (s) e, com isso, ter condições técnicas de analisar todos os vestígios. É também uma 
garantia para a investigação como um todo, pois teremos muito mais elementos e analisar e 
carrear para o inquérito e, posteriormente, para o processo criminal.
 No entanto, mesmo com a previsão legal, a preservação do local de crime é 
primeiramente uma questão de formação profissional dos próprios policiais que, por sua vez, 
quando passarem – todos – a proceder corretamente, estamos iniciando uma cultura de 
isolamento e preservação capaz de se fazer respeitar pela própria comunidade. Só depois de 
todos esse trabalho é que poderemos dizer que haverá um perfeito isolamento e preservação 
dos locais de crime. 
 Qualquer investigação começará com muito mais probabilidade de sucesso se for 
observados dois fatores básicos, conforme discutiremos a seguir:
 - Iniciar imediatamente as investigações a partir do local onde ocorreu aquele delito, 
pois será ali que teremos mais chance de encontrar alguma informação, tanto sob os aspectos 
da prova pericial, quanto das demais investigações subjetivas, tais como, testemunhas, relato 
14
diversos de observadores ocasionais, visualização da área para avaliar possíveis outras 
informações de suspeitos, etc.
 - o tempo é fator que trabalha contra os investigadores e peritos para esclarecer 
qualquer delito. Quanto mais tempogastamos ou demorarmos para iniciar determinada 
investigação, fatalmente estaremos perdendo informações valiosas que em muitos casos 
poderão ser essenciais para o resultado final da investigação. 
 A perícia, nesse mesmo diapasão, fundamenta o seu trabalho principal nos exames 
periciais efetuados diretamente no local onde ocorreu a infração penal. É, a partir do exame 
do local do crime, que poderemos ter uma visão global de todo o ocorrido.
 
5.1.1. TÉCNICAS A SEREM ADOTADAS:
 Neste tópico queremos abordar, principalmente, as áreas que devem ser delimitadas e 
isoladas, para os casos distintos de crimes de morte violenta, de acidente de tráfego e de 
crimes contra o patrimônio.
 Evidentemente que a preservação dos vestígios será uma conseqüência inicial do 
correto isolamento (delimitação) da área, além da conduta firme e vigilante do policial em não 
permitir nenhum acesso ao interior da área isolada.
 Para que as autoridades policiais e quaisquer outros policiais tenham condições de 
fazer um correto isolamento e conseqüente preservação nos locais de crime, é preciso que 
detenham conhecimentos gerais de criminalística para, no mínimo, saberem distinguir tudo o 
que possa ser vestígio e, portanto, de grande importância ao exame dos peritos. Dada a 
precariedade de grande parte dos cursos de formação policial nas Academias, é compreensível 
até observarmos erros de avaliação por parte dos policiais nesse campo pericial.
 
5.1.2. LOCAL DE CRIMES CONTRA A PESSOA (MORTE VIOLENTA): 
 A área a ser isolada nos casos de crimes contra a pessoa compreenderá, a partir do 
ponto onde esteja o cadáver ou de maior concentração dos vestígios até além do limite onde 
se encontre o último vestígio que seja visualizado numa primeira observação. Essa área terá 
formato irregular, pois dependerá da disposição dos vestígios e também não se pode 
estabelecer tamanho ou espaços prévios. 
 Dependerá sempre da visualização que o policial fará na área, com o objetivo de 
observar até onde possam existir vestígios. Como prudência, é de bom termo proceder ao 
isolamento tomando-se um pequeno espaço além do limite dos últimos vestígios, pois nesses 
15
tipos de ocorrência poderá haver elementos técnicos a serem buscados em áreas adjacentes, os 
chamados mediatos.
 Nesses locais de morte violenta, a visualização de alguns vestígios, em determinados 
casos, não é tarefa fácil, dada as variedades e sutilezas desses elementos presentes numa cena 
de crime.
 Nas situações em que haja vítima no local, a única providência é quanto à verificação 
se realmente a vítima está morta. A partir dessa constatação, não se deve tocar mais no 
cadáver, evitando-se uma prática muito comum de mexer na vítima e em seus pertences para 
estabelecer a sua identificação.
 
5.1.3. LOCAL DE ACIDENTE DE TRÁFEGO:
 O isolamento e a preservação dos locais de acidente de tráfego sofre com as 
deficiências verificadas no tópico anterior. Também esse tipo de ocorrência deve merecer todo 
o cuidado e atenção para tão importante requisito ao bom exame pericial.
 Para esses tipos de locais já há uma dificuldade natural no que diz respeito ao fluxo do 
sistema de trânsito, onde vários riscos são verificados no dia-a-dia, chegando a situações em 
que os locais são desfeitos por estarem prejudicando o fluxo do tráfego ou estarem oferecendo 
risco de ocorrência de outros acidentes. Para tais situações existe a Lei 5.970/73 que autoriza 
desfazer o local.
 “Art. 1º - Em caso de acidente de trânsito, a autoridade ou agente policial que 
primeiro tomar conhecimento do fato poderá autorizar, independentemente de exame do 
local, a imediata remoção das pessoas que tenham sofrido lesão, bem como, dos veículos 
nele envolvidos, se estiverem no leito da via pública e prejudicarem o tráfego.
 Parágrafo único – “Para autorizar a remoção, a autoridade ou agente policial lavrará 
boletim da ocorrência, nele consignando o fato, as testemunhas que o presenciaram e todas 
as demais circunstâncias necessárias ao esclarecimento da verdade”. 
 Esse dispositivo tem prejudicado sobremaneira os exames periciais em locais de 
acidente de tráfego, uma vez que a exceção virou regra, onde inúmeras situações que não 
justificariam tal medida acabam tendo os locais desfeitos pelas Polícias Militares e, 
principalmente, pelas Polícias Rodoviárias.
 À vista disso (supomos) e desobedecendo as determinações contidas no Código de 
Processo Penal, o Executivo Federal atribuiu à Policia Rodoviária Federal a tarefa de realizar 
“perícias” nos acidentes de tráfego ocorridos nas rodovias federais. Nesse sentido editou o 
Decreto nº 1.655, de 03/10/1995, inserindo no artigo 1º, o inciso V (V – realizar perícias, 
16
levantamentos de locais, boletins de ocorrências, investigações, testes de dosagem alcoólica 
e outros procedimentos estabelecidos em leis e regulamentos imprescindíveis à elucidação 
dos acidentes de trânsito), numa clara afronta ao CPP, que determina expressamente que todas 
as perícias criminais sejam realizadas por peritos oficiais, abrindo somente a exceção ao 
perito “ad hoc” com formação universitária quando não houver perito oficial. 
 
5.1.4 LOCAIS DE CRIME CONTRA PATRIMÔNIO
 Esses tipos de ocorrências são tão diversificados que fica difícil estabelecermos um 
parâmetro básico para o isolamento e preservação do local. Por essa razão, vamos nos ater 
aqueles mais conhecidos e de maior incidência, qual seja veículos, furtos com arrombamento 
e roubos.
 Os veículos objeto de exames periciais, quando forem produtos de furto ou roubo, 
devem ser devidamente preservados em todo seu estado como foi encontrado, evitando-se ao 
máximo interferir nos vestígios que possam ter em sua estrutura.
 Há uma tendência (ou vício) natural dos próprios policiais em abrir o veículo ou entrar 
em seu interior, procedimento errado se considerarmos que, fatalmente, com esse tipo de ação 
estarão sendo produzidos outros tipos de vestígios que, no caso, serão ilusórios e nada terão a 
ver com os originalmente produzidos pelo delinqüente.
 Nesse contexto dos vestígios que possam existir em um veículo produto de furto ou 
roubo, um dos que mais está sujeito a ser destruídos são os fragmentos de impressão digital. 
Também outros vestígios que poderão estar no interior do veículo, correm esse risco de serem 
alterados ou perdidos totalmente pela falta de cuidado com a preservação dos vestígios. No 
caso de veículos, em sendo possível, o ideal é que a equipe de perícia faça os exames no local 
onde fora encontrado, deixando-se quaisquer outros procedimentos para depois da perícia, tais 
como a sua remoção ou chamar o proprietário para buscar o veículo. 
 Na prática esses procedimentos são difíceis de serem implementados e razão da falta de 
estrutura adequada da perícia em atender prontamente a todas as perícias requisitadas, o que 
leva a polícia a providenciar o guinchamento do veículo até o pátio da delegacia ou até o 
Instituto de Criminalística a fim de ser periciado. E neste manuseio do veículo que os policias 
envolvidos na operação devem ter muita cautela e consciência da importância em terem o 
máximo de cuidado para preservar os vestígios naquele veículo.
 Os locais de roubos (assaltos) trazem, normalmente, muita dificuldade para a perícia, 
tendo em vista a exigüidade de vestígios. Os mais encontrados, quando se trata de roubos em 
17
ambientes fechados,são os objetos e móveis em completo desalinho, causado pela 
movimentação de procura de coisas a serem roubadas.
 Nesses casos, toda essa disposição dos objetos em desalinho deve ser mantida para que 
os peritos possam fazer os exames de toda a situação deixada pelos assaltantes. Os vestígios 
de fragmentos de impressão digital são também muito prováveis de serem encontrados, 
necessitando de rigorosa preservação. Portanto, caberá aos policiais orientarem aos moradores 
para que não toquem em nada do que fora manuseado pelos delinqüentes.
 Nos furtos com arrombamento nós temos a maior incidência dentro dessa classificação 
de crimes contra patrimônios. São os chamados locais de arrombamento, que ocorrem nas 
residências ou prédios públicos e comerciais, um dos que mais ocorrem no cotidiano da 
sociedade.
 Nesses locais os policias deverão orientar as vítimas a não tocarem em nada, a fim de 
evitar a adulteração ou destruição dos vestígios. Preferencialmente, seria conveniente que as 
pessoas (vítimas) de uma residência furtada sequer entrassem no recinto até que os peritos 
tenham realizado a respectiva perícia.
 No entanto, voltando a nossa realidade de alta demanda e poucos meios para atende-la, 
acontecem casos em que a perícia leva várias horas até atender determinada ocorrência dessa 
natureza. É nesses casos, principalmente, que os policiais devem explicar as dificuldades 
estruturais e pedir a colaboração das pessoas na preservação dos vestígios.
 Imaginem a dificuldade de se preservar os vestígios, se tivermos as pessoas transitando 
pelo interior do recinto. Essa é a parte primordial de orientação que os policiais devem passar 
aos moradores e/ou responsáveis pelo ambiente arrombado. 
 
5.1.5 PROCEDIMENTOS POLICIAIS
 Quando ocorre um delito fatalmente chegará ao conhecimento da polícia, tanto a militar 
quanto a civil. Normalmente numa seqüência rotineira, quem primeiro é chamada a atender a 
locais de crime é a Polícia Militar, tendo em vista o próprio telefone 190 que é muito 
conhecido.
 Porém, isso não é regra sempre, pois qualquer policial que for comunicado de um 
possível fato delituoso, deverá de imediato tomar as providências para averiguar a ocorrência.
 
5.1.6 RESPONSABILIDADE DO PRIMEIRO POLICIAL
 Quando o primeiro policial chega num local de infração penal, ele terá que observar 
uma rotina de procedimentos, a fim de não prejudicar as investigações futuras.
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 Os procedimentos levam em conta se existem vítimas no local ou se, se trata apenas de 
um delito sem vítimas a serem socorridas.
 Num local onde existam vítimas no local, a primeira preocupação do policial deverá 
ser em providenciar o respectivo socorro, a fim de encaminhar para o hospital de atendimento 
de emergência. Tomadas as providências de socorro, o policial deve isolar o local e garantir a 
sua preservação, não permitindo nenhum acesso ao interior daquela área. Deve ainda, sempre 
que possível, rememorar a sua movimentação na área do delito, a fim de informar aos peritos 
quando do exame pericial, no sentido de colaborar com eles para que não percam tempo 
analisando possíveis vestígios (ilusórios) deixados pelo policial e que nada terá a ver com os 
vestígios do crime, mas que demandará tempo de análise por parte dos peritos até chegarem a 
essa conclusão.
 Outra situação de local é quando há vítima aparentemente morta. Nesses casos, deve o 
policial dirimir qualquer dúvida (mesmo por excesso de zelo), verificando se a vítima 
realmente já está morta. Falamos isso porque existem casos em que os policiais não fizeram 
tal averiguação e, somente quando os peritos chegaram ao local é, ao checarem, verificaram 
que a vítima ainda estava viva.
 Porém, para adentrar no local onde está a vítima deve faze-lo mediante deslocamento 
em linha reta. Chegando junto à vítima, fará as verificações para constatar o óbito. Caso esteja 
viva, deverá providenciar o socorro o mais urgente possível, deixando de se preocupar – nesta 
fase – com possíveis preservações dos vestígios, pois o mais importante é aquela vida que 
deve ser salva. No entanto, constatando que a vítima está morta, deve então se preocupar 
exclusivamente com a preservação dos vestígios.
 Neste caso, não deverá movimentar o cadáver e nem toca-lo por qualquer motivo, pois, 
a partir daquele momento, somente os peritos que devem trabalhar naquele local, até a sua 
liberação à autoridade policial. Assim, deve voltar de maneira mais lenta pelo mesmo trajeto 
feito quando da entrada e, ao mesmo tempo, observar o seu percurso para verificar o 
acréscimo ou adulteração de qualquer vestígio que ele tenha produzido naquela sua 
movimentação. Guardará essas informações para repassar aos peritos quando chegarem ao 
local.
 Atingindo a área externa da cena do crime, observará visualmente todo o espaço que 
possa ter algum vestígio e providenciará o isolamento de toda a área, utilizando fitas 
amarelas, cordas ou quaisquer instrumentos que possam propiciar a delimitação da área, no 
sentido de demarcar os limites de acesso de quaisquer outras pessoas, inclusive os próprios 
19
policiais. Este policial será o responsável por qualquer irregularidade que venha a ocorrer 
nesse espaço de tempo, até a chegada da autoridade policial ou seu representante.
 Se esse policial tiver que sair do local por motivos quaisquer, deve passar para a 
autoridade policial as informações relativas ao seu deslocamento no interior da cena do crime, 
a fim de que esta repasse aos peritos. Caso permaneça no local, ele mesmo dará as 
informações aos peritos. 
5.1.7 A IMPRENSA NO LOCAL DO CRIME
 A presença dos profissionais de imprensa nos locais de crime traz alguns problemas, 
mas também determinados benefícios do ponto de vista da investigação pericial. 
 Os problemas que ocorrem tem – em regra – as mesmas razões já discutidas quanto ao 
desconhecimento da importância da preservação do local de crime. Se a maioria dos policiais 
desconhece as corretas técnicas de isolamento e preservação, é compreensível que jornalistas 
também a desconheçam. 
 Isso pode até ser verificado quando ocorre um problema dessa natureza e os peritos, ao 
chamarem a atenção para determinado fato, aproveitem para esclarecer ao jornalista sobre as 
técnicas de isolamento e preservação e sua conseqüente importância no contexto da 
investigação pericial.
 É compreensível que a imprensa tem o direito de informar e que o seu trabalho é quase 
sempre executado numa corrida contra o tempo. Este último fato é que nos leva a entender o 
por que do jornalista ter toda a pressa em registrar os fatos no local.
 Nessa pressa, ele acaba prejudicando o trabalho da perícia em alguns casos, quando 
adentra no local de crime antes do exame pericial. Na grande maioria das vezes, não há 
necessidade do jornalista agir dessa forma, pois em se tratando de fotografia ou imagens de 
vídeo, é possível operar de uma certa distância sem ter contato com os vestígios.
 Como não há uma preocupação sistemática dos policiais e da própria perícia, no sentido 
de esclarecer aos jornalistas sobre tais limitações, fica a cargo do bom senso e da experiência 
de cada um desses profissionais em não prejudicar o trabalho da perícia ao alterarem ou 
destruírem vestígios na cena do crime, em conseqüência de deslocamentos inadequados 
naquela área.
 A presença da imprensa no local de crime não é só problema,existem algumas situações 
em que esses profissionais colaboram em muito com a perícia e com a polícia.
 Em todos os meus contatos com jornalistas em local de crime, onde foi necessário 
esclarecer tais fatos, fomos prontamente compreendidos e, de nossa parte também a urgência 
20
de realização de seu trabalho, tendo sido possível, com a nossa orientação, a equipe de 
reportagem se deslocar na cena do crime sem prejudicar o trabalho da perícia.
 Também nesse trabalho de parceria com a imprensa e considerando muitas situações de 
precariedade das condições de trabalho da perícia, são inúmeros exemplos em que os 
profissionais da imprensa colaboram com os peritos na iluminação de locais durante a noite, 
operam fotografias ou emprestam filmes, fornecem cópia de imagens filmadas, etc.
 Um outro aspecto que conflita algumas relações com a imprensa é o fato do policial ser 
cauteloso nas informações e entrevistas que venha a fornecer.
 O perito, pela natureza técnica do seu trabalho, onde o exame do local é apenas parte do 
conjunto de dados a serem analisados, não pode adiantar conclusões precipitadas sob risco de 
desacreditar o resultado do seu laudo posteriormente, em razão de poder chegar a outras 
conclusões quando da análise geral de todos os dados do evento.
 A imprensa por desconhecer tais razões técnicas, fica sem entender essa relutância (às 
vezes entendido até como má vontade em colaborar com a imprensa) do perito dar entrevistas 
no local do crime.
 A solução para mudarmos esse quadro é simples também. Basta que o perito esclareça o 
jornalista dessa sua limitação técnica no local. Para tanto, qualquer informação que passar, 
deve ressaltar que não se trata de qualquer conclusão.
 No entanto, o melhor procedimento é combinar com a autoridade policial que estiver 
presente, para que ela ao final dos exames periciais, após ouvir algumas considerações dos 
peritos, conversar com os jornalistas. Para tanto, deve também ter o cuidado de não adiantar 
informações das quais não tenham absoluta certeza do resultado, tanto das investigações 
periciais, quanto às demais que estão a seu cargo diretamente. Ao delegado de polícia fica 
fácil falar sobre informações periciais, desde que não queira adiantar conclusões, limitando-se 
a informar que as informações da perícia só poderão ser adiantadas com a divulgação do 
Laudo Pericial correspondente.
 Finalmente, porém não menos importante, é preciso que peritos, delegados de polícia, 
demais policiais e promotores de justiça quando no local de crime, aproveitem essas 
oportunidades de contato com os órgãos de imprensa – tanto no local do crime, como em 
outras situações – para esclarecerem a eles o quanto é necessário a correta preservação de um 
local de crime, solicitando-lhes que divulguem em seus veículos de comunicação para que a 
população em geral passe a também respeitar e preservar esses locais. 
 
21
6. LEVANTAMENTO DO LOCAL: 
 Um local de crime é um lugar especial para a Criminalística.
 Dentro de suas limitações físicas se contém todo o corpo de delito, com vestígios à 
espera do perito para que este os interprete e concatene, num processo lógico que culmina em 
indiciologia material.
 A finalidade do comparecimento do perito ao local de crime é levantar os vestígios 
componentes do corpo de delito.
 Como a materialidade dos delitos tem a fugacidade como característica inerente a sua 
própria essência, mister se faz que os vestígios sejam levantados antes que desapareçam.
 Levantar os vestígios é exatamente retirá-los do local e conduzi-los até os outros do 
processo, quer de forma normal quer artificial, para que o juiz os conheça através do laudo 
pericial.
 No levantamento do local o perito faz um estudo sistemático do corpo de delito; 
observa, descreve, colhe e materializa vestígios fugazes ou não colhíveis.
 No local de crime o perito:
- colhe impressões diretas e pessoais;
- observa o corpo de delito;
- aceita ou refuta informações sobre o crime;
- faz uma ideação do delito.
 A colheita dos vestígios forma a base da investigação criminal que termina expressa na 
conclusão do laudo pericial.
 É muito útil para formar a convicção necessária à emissão do juízo de valor pericial um 
questionário denominado heptâmero das circunstâncias, atribuído a Quintilhiano (35-95 DC):
 O quê?
 Quando?
 Onde?
 As três perguntam acima citadas, quando respondidas pelo perito, dão a materialidade 
do fato, diz de sua existência em espécie (o que), de sua circunstância temporal (quando) e de 
sua localização espacial (onde).
 Com o quê?
 De que modo?
 As perguntas acima citadas servem para o perito idealizar a dinâmica do crime; para 
decifrar o desenrolar espaço-temporal da conduta delituosa, descobrindo o tipo de instrumento 
22
utilizado pelo criminoso (com o que); assim como, para descobrir a maneira pela qual foi o 
instrumento utilizado (de que modo).
 Por quê?
 Quem?
 As duas últimas perguntas se destinam a iniciar o perito a perquirir sobre a autoria do 
delito, procurando informar da causa que levou o criminoso à ação delituosa (por que), bem 
como, questionando incisivamente sobre a elucidação do delito; sobre a identificação do autor 
da ação ilícita (quem). 
 
6.1. METODOLOGIA DE LEVANTAMENTO DE LOCAL:
 Para levantar os vestígios do corpo de delito presentes em local de crime, o perito se 
vale de uma metodologia que é própria da Criminalística.
 Quatro são os métodos à disposição do perito, todos destinados a um fim único que é a 
realização do exame de corpo de delito, mas nenhum suficiente por si só para tal: deve o 
experto combiná-los adequadamente levando em conta a natureza do delito e os meios à sua 
disposição. 
 
6.1.1. OBSERVAÇÃO:
 A perícia é um ato personalíssimo do perito; ninguém pode ver por ele os vestígios 
quanto se tratar de exame de corpo de delito direto.
 Assim, é a observação pessoal dos vestígios componentes do corpo de delito não pode o 
perito emitir um juízo de valor sobre a materialidade do crime.
 Todavia, somente observar os vestígios parece insuficiente para configurar um método 
de levantamento de local.
 Porém, deixa de sê-lo em face do "princípio da troca", que na seqüência será exposto.
 Quando o perito observar um vestígio qualquer ele estará vendo algo que os olhos de um 
leigo em Criminalística não consegue ver.
 O perito é um ser distinto do vestígio, sendo aquele o ser que quer conhecer e este o ser 
que quer ser conhecido.
 Do contato do perito com o vestígio ocorre uma troca: este oferece informações sobre si 
e aquele retribui retirando-o do anonimato para promovê-lo à categoria de indício material.
 Tal é possível porque entre os dois seres, perito e vestígio, existe uma linguagem 
comum.
 O vestígio se expressa no mundo fático graças a uma linguagem própria.
23
 O perito, por sua vez, entende a linguagem dos vestígios.
 Concretizada a troca, deixa o vestígio a sua condição inferior de anonimato, se 
separando do substrato amorfo e difuso no qual se assenta o corpo de delito, para ganhar o 
prestígio de ser classificado como indício, desta forma entrando em cena para ser valorado.
 O método da observação pessoal não é autônomo. Não se pode somente com ele realizar 
o levantamento do local,pois lhe faltaria uma forma para expressar. 
 
6.2. DESCRIÇÃO DO OBSERVADO: 
 A descrição dos vestígios observados é o segundo método de levantamento de local.
 Este método também não possui autonomia. Exige como pressuposto o método da 
observação pessoal, deste sendo sua expressão.
 Ninguém descreve o que não observou, a menos que altere a verdade.
 No local, antes da observação pessoal dos vestígios pelo perito tudo é duvida.
 Somente com a observação pode surgir a verdade sobre um vestígio qualquer, pode ser 
esclarecido a dúvida existente.
 Todavia, a descrição de um vestígio observado pressupõe a apreensão do mesmo pelo 
perito, portanto, está sujeito a fatores limitativos do experto.
 A apreensão dos vestígios é personalíssima.
 Destarte, a manifestação pericial acerca do corpo de delito depende de fatores que 
limitam o próprio perito, a saber:
a) como os vestígios são apreendidos (percepção pessoal dos vestígios);
b) como a apreensão dos vestígios é conservada na memória (memorização dos 
vestígios);
c) a capacidade de recordação da apreensão (recordação dos vestígios);
d) a maneira como quer expressar a apreensão (vontade de expressão);
e) o modo como é possível expressar a apreensão (possibilidade de expressão 
dos vestígios). 
 Destarte, dúvida não deve restar que o exame de corpo de delito deve ser analisado em 
função do perito, pois sendo a perícia um ato personalíssimo evidente fica os caracteres 
pessoais de cada profissional quando da emissão do juízo de valor.
 Esses caracteres pessoais estão diretamente relacionados com a apreensão, 
memorização, recordação e expressão dos vestígios componentes do corpo de delito.
24
 A apreensão e a memorização dos vestígios se contêm no método da observação 
(VISUM), enquanto a recordação e a expressão estão contidos no método da descrição 
(REPERTUM).
 
6.3. COLHEITA DE VESTÍGIOS:
 A colheita de vestígios é o terceiro método de levantamento de local.
 Em regra, os vestígios ficam dispersos no substrato do corpo de delito.
 Como os dois métodos anteriores, VISUM ET REPERTUM, são insuficientes em alguns 
casos para a elaboração da prova material do delito, mister se faz, então, coletar no local 
vestígios especiais para exames posteriores ou mesmo para anexar ao laudo pericial para 
servir de mais um elemento de convicção ao magistrado no ato deste valor a prova material.
 Certos vestígios podem ser colhidos simplesmente subtraindo-os do substrato do corpo 
de delito. Tal ocorre quando o perito colhe no local um projétil de arma de fogo, ou recolhe, 
num suporte apropriado, uma impressão digital para análise.
 Alguns vestígios, porém, são impossíveis de serem colhidos por subtração direta do 
corpo de delito. Devem os mesmos, quando possível, serem coletados por moldagem.
 Quando o vestígio for uma pegada na areia, por exemplo, deve o mesmo ser colhido 
pelo processo de moldagem com gesso.
 Subtração direta e moldagem são as duas maneiras de colher vestígios presentes em local 
de crime. 
 
6.3.1. MATERIALIZAÇÃO DE VESTÍGIOS:
 Existem vestígios que não podem ser colhidos, mas que podem ser materializados 
artificialmente por desenhos, fotografias ou filmagem e, desta forma, chegar até ao juiz como 
um anexo do laudo pericial, com este formando a prova material do delito.
 Diversos fatores impossibilitam a colheita de vestígios, a saber:
a) estado físico (um vestígio sólido ou líquido pode ser colhido, mas um gasoso, 
tal qual o odor de combustível, não poder ser coletado, nem materializado 
artificialmente por desenho ou fotografia);
b) dimensão física (um macro-vestígio componente do corpo de delito não pode 
ser colhido quando inviável o transporte em face de sua dimensão, como é o 
caso, por exemplo, de partes de um edifício incendiado);
c) aderência ao substrato (um macrovestígio que adere ao substrato do corpo de 
delito, tal qual uma marca de frenagem, não pode sr colhido);
25
d) fugacidade (um vestígio fugaz, que se deteriora ou deixa de existir com o 
traspasse do tempo, tal como ocorre com as lesões em um cadáver, não poder 
ser colhido);
e) forma (um vestígio em estado líquido em forma de mancha sobre o substrato 
de corpo de delito não pode ser colhido, por exemplo, respingos de sangue).
 
 Quando for impossível colher o vestígio, o mesmo pode ser materializado 
artificialmente por imagem ou descrição.
 No caso, quem decide da necessidade de materializar o vestígio é o perito. Este possui 
faculdade dada por lei, de ilustrar o laudo, desenhos, esquemas, fotografias, etc.
 Portanto, pode o perito se valer apenas dos dois primeiros dos métodos para levantar o 
local (VISUM ET REPERTUM), ou aprimorar um pouco mais seu trabalho e empregar os 
demais.
 
7. EXAME DE CORPO DE DELITO AFEITO AO PERITO CRIMINAL 
 De um modo geral cabe ao perito criminal o levantamento dos seguintes locais:
1- Perícias externas (dinâmicas) 
 Aquelas que o técnico desloca-se até o local ou fato para a realização de vistorias e 
exames, isto é, quando realiza levantamento em local de:
- morte violenta (homicídio, suicídio e acidente);
- crime contra o patrimônio;
- acidente de tráfego (com vítima e/ou envolvendo viatura 
oficial que ocasiona danos ao patrimônio público);
- desabamento;
- incêndio;
- outros. 
 2- Perícias internas (estáticas):
 Aquelas em que o perito realiza em seu gabinete, dentre elas destacamos:
- Exame balístico;
- Exame documentoscópico;
- Exame metalográfico;
- Exame em peças e objetos;
- Exame laboratorial;
26
- Exame de Audiovisual, Fonética e Informática (crimes de 
informática).
 OBS.: I - Os exames de corpo de delito indireto tanto podem ser classificados como 
perícias estáticas (pareceres técnicos, avaliações, constatações, etc...) como dinâmicas 
(reproduções simuladas).
 II - Nas perícias ditas estáticas, o perito pode refazer os exames, consultar colegas, fazer 
pesquisa, o que via de regra não ocorre nas perícias externas (dinâmicas), pois uma vez 
realizado o levantamento de local o mesmo é desfeito. 
 
 8. O TRABALHO DO PERITO: 
 Ante um fato concreto de crime, do qual remanesce o corpo de delito, a Criminalística 
se manifesta através da ação pericial do experto.
 O trabalho do perito sobre o corpo de delito se concretiza pela ação pericial, a qual é 
sempre um pressuposto necessário à emissão do laudo.
 Sem ação pericial inexiste laudo, pois este documento público que exige uma motivação 
para que possa existir validamente.
 Todavia, a ação pericial necessita de um suporte doutrinário que a fundamente, que dê 
sustentação ao trabalho pericial.
 Quatro princípios fundamentais compõem o sistema doutrinário da perícia na área 
criminal, formando os pilares que sustentam a ação pericial. São eles:
a) princípio da independência ideológica do perito;
b) princípio da autonomia técnica da Criminalística;
c) princípio da fé pública do laudo;
d) princípio da verdade da prova pericial.
 
 O princípio da independência ideológica do perito se traduz na liberdade de escolha de 
teorias científicas e não vinculação política mediante pressão.
 O perito necessita ser livre paraà justiça. Não pode sofrer coação no sentido de ter seu 
trabalho e dirigido a um fim qualquer que divirja de sua própria convicção interior.
 O princípio da autonomia técnica da Criminalística decorre de sua própria condição de 
ciência: por ter método próprio e específico ascende, em igualdade, ao patamar das ciências 
naturais.
 O princípio da fé pública do laudo decorre de lei, pois este tem presunção de verdade até 
prova em contrário.
27
 O princípio da verdade da prova pericial advém do embasamento científico da perícia, 
pois não se admite que uma ciência natural possa ser falsa quando se manifesta concretamente 
numa situação específica.
 Do exposto fica fácil perceber que a conduta profissional do perito deve se balizar entre 
a ciência e a lei, nunca desta fugindo e daquela se esquecendo.
 
 9. RECOMENDAÇÃO PARA O POLICIAL: 
 1º) Não fumar no local do crime;
 2º) Não deve deixar-se fotografar atuando no local;.
 3º) Não deve prestar qualquer informação a quem quer que seja, sob 
qualquer pretexto;
 4º) Não deve emitir o seu ponto de vista a respeito do caso, aos repórteres ou outras 
pessoas a quem não deva obediência, na razão de sua função. Especialmente, em caso de um 
crime misterioso, não deve dizer nem insinuar de que sabe quem é o autor;
 5º) Só relata suas conclusões às autoridades a que estiver subordinado, guardando 
inteiro sigilo sobre os fatos;
 6°) Não fazer quaisquer tipo de experiência com as evidências no local do crime, sem a 
presença do perito;
 7º) Prestará, entretanto, informações solicitadas pelos peritos. 
 
GLOSSÁRIO 
CORPO DE DELITO: é o conjunto de elementos que constatam a existência do crime; é o 
conjunto de vestígios materiais deixando pelo crime.
EVIDÊNCIA FÍSICA: o termo evidência física abrange todos e quaisquer objetos vivos e 
inanimados, sólidos, líquidos e gasosos e todas as relações entre estes objetos pertencentes ao 
problema em questão (Crime); 
INDÍCIO: são vestígios capazes de se elevarem à categoria de prova; 
PRESERVAÇÃO: locais que foram isolados e protegidos adequadamente, tão logo que a 
polícia tomou o conhecimento do acontecimento, são considerados idôneos para fins de 
exames periciais. 
SUBSTRATO: o que forma a parte essencial do ser; aquilo que repousa as qualidades. 
VESTÍGIOS: é o sinal que o homem ou animal deixa no lugar por onde passa, por exemplo: 
rastro, pegada, substâncias (restos de alimentos, vômito, urina, esperma, sangue), vestes, 
cadáveres, armas, pêlos, impressões digitais sinais de luta, etc.).
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BIBLIOGRAFIA
Cavalcante, Ascendino. Criminalística Básica, Editora Litoral, 1ª Ed., 1983.
Código de Processo Penal Brasileiro;
Tratado de perícias criminalísticas – Porto Alegre, 1ª ed, Editora Sagra, 1995.
Apostilas de Curso de Formação de Peritos Criminais, Academias PC/MS e SEJUSP/MT.
Coletâneas de material técnico em Criminalística pelo autor no período de 1984 a 2008. 
Artigo 159 do CPP alterado pela Lei nº 11.690, de 9 de julho de 2008.
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	1.  INTRODUÇÃO
	1.1CONCEITOS:
	1.2OBJETIVOS DA CRIMINALÍSTICA:
	2.   CONCEITO DE CORPO DELITO 
	2.1VESTÍGIOS:
	2.2EXAME DE CORPO DE DELITO
	3.      LOCAL DE CRIME
	3.1Conceito
	3.2Classificação:
	5. IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DOS LOCAIS DE CRIME NA FORMAÇÃO DA PROVA PERICIAL.    
	5.1    ISOLAMENTO E PRESERVAÇÃO DE LOCAL:
	5.1.1. TÉCNICAS A SEREM ADOTADAS:
	5.1.2. LOCAL DE CRIMES CONTRA A PESSOA (MORTE VIOLENTA): 
	5.1.3. LOCAL DE ACIDENTE DE TRÁFEGO:
	5.1.4 LOCAIS DE CRIME CONTRA PATRIMÔNIO
	5.1.5 PROCEDIMENTOS POLICIAIS
	5.1.6 RESPONSABILIDADE DO PRIMEIRO POLICIAL
	5.1.7 A IMPRENSA NO LOCAL DO CRIME
	6. LEVANTAMENTO DO LOCAL: 
	6.1. METODOLOGIA DE LEVANTAMENTO DE LOCAL:
	6.1.1. OBSERVAÇÃO:
	6.2.DESCRIÇÃO DO OBSERVADO: 
	6.3.COLHEITA DE VESTÍGIOS:
	6.3.1.MATERIALIZAÇÃO DE VESTÍGIOS:
	7.   EXAME DE CORPO DE DELITO AFEITO AO PERITO CRIMINAL  
	 9.   RECOMENDAÇÃO PARA O POLICIAL: 
	GLOSSÁRIO 
	BIBLIOGRAFIA

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