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Resumo de Livro “O Príncipe” de Maquiavel
A leitura e análise do clássico de Maquiavel têm como finalidade nos introduzir no campo da política, dando-nos noções básicas da formação do Estado e estimulando olhar crítico a respeito de quem nos governa e como o faz, além de atentar para o fato de que algo escrito em meados do século XVI ainda se faz atual no século XXI.
Seu pensamento em O Príncipe é tão importante que levou à criação do adjetivo ‘’maquiavélico’’ que significa sem escrúpulos, tal qual deveria ser um bom príncipe segundo Maquiavel.
Na análise da obra, farei por capítulos, começando pelo primeiro capítulo:
“Todos os Estados, todos os governos que tiveram e têm autoridade sobre os homens, foram e são ou repúblicas ou principados. Os principados são: ou hereditários, quando seu sangue senhorial é nobre há já longo tempo, ou novos. Os novos podem ser totalmente novos, como foi Milão com Francisco Sforza, ou o são como membros acrescidos ao Estado hereditário do príncipe que os adquire, como é o reino de Nápoles em relação ao rei da Espanha. Estes domínios assim obtidos estão acostumados, ou a viver submetidos a um príncipe, ou a ser livres, sendo adquiridos com tropas de outrem ou com as próprias, bem como pela fortuna ou por virtude.’’
Maquiavel inicia seu livro com uma dedicatória ao governante, Lorenzo Dei Medici. A princípio define os tipos de principado como ou hereditários, nos quais seus senhores são príncipes pelo sangue, ou que ganham com armas de outrem ou com as própria graças a fortuna ou mérito. 
No capítulo II ele fala sobre os principados hereditários:
            "(...) para a preservação dos Estados hereditários e afeiçoados à linhagem de seu príncipe, as dificuldades são assaz menores que nos novos, pois é bastante não preterir os costumes dos antepassados e, depois, contemporizar com os acontecimentos fortuitos, de forma que, se tal príncipe for dotado de ordinária capacidade sempre se manterá no poder, a menos que uma extraordinária e excessiva força dele venha a privá-lo; e, uma vez dele destituído, ainda que temível seja o usurpador, volta a conquistá-lo. (...)
Os principados hereditários são mais fáceis de manter que os novos, pois basta conservar a ordem estabelecida por seus antepassados. O príncipe natural tende a ser menos odiado, pois tem menos razões e menor necessidade de humilhar os seus súditos.
Nos dias atuais a percepção coletiva da humanidade está mais apurada devido a facilidade de acesso aos conhecimentos, às ciências, aos acontecimentos mundiais, a sociedade hoje não é mais moldada pelo poder absoluto.
Já no capítulo V, explica como se deve governar as cidades ou principados que, anteriormente à sua ocupação, viviam no respeito ás próprias leis: ‘’Quando aqueles Estados que se conquistam, como foi dito, estão habituados a viver com suas próprias leis e em liberdade, existem três modos de conservá-los: o primeiro, arruiná-los; o outro, ir habitá-los pessoalmente; o terceiro, deixá-los viver com suas leis, arrecadando um tributo e criando em seu interior um governo de poucos, que se conservam amigos, porque, sendo esse governo criado por aquele príncipe, sabe que não pode permanecer sem sua amizade e seu poder, e há que fazer tudo por conservá-los. Querendo preservar uma cidade habituada a viver livre, mais facilmente que por qualquer outro modo se a conserva por intermédio de seus cidadãos. (...) 
Quando as cidades ou as províncias estão acostumadas a viver sob um príncipe, extinta a dinastia, sendo de um lado afeitas a obedecer e de outro não tendo o príncipe antigo, dificilmente chegam a acordo para escolha de outro príncipe, não sabem viver em liberdade.
   Sobre o capítulo VI, ‘’Não se admire alguém se, na exposição que irei fazer a respeito dos principados completamente novos de príncipe e de Estado, apontar exemplos de grandes personagens; por que, palmilhando os homens, quase sempre, as estradas batidas pelos outros, procedendo nas suas ações por imitações, não sendo possível seguir fielmente as trilhas alheias nem alcançar a virtude do que se imita, deve um homem prudente seguir sempre pelas sendas percorridas pelos que se tornaram grandes e imitar aqueles que foram excelentes, isto para que, não sendo possível chegar à virtude destes, pelo menos daí venha a auferir algum proveito; deve fazer como os arqueiros hábeis que, considerando muito distante o ponto que desejam atingir e sabendo até onde vai a capacidade de seu arco, fazem mira bem mais alto que o local visado, não para alcançar com sua flecha tanta altura, mas para poder com o auxílio de tão elevada mira atingir o seu alvo.
Extinguiu a velha milícia, organizou a nova, abandonou as antigas amizades, conquistou novas; e, como teve amizades e soldados seus, pode, sobre tais fundamentos, erigir as obras que desejou: tanto que custou-lhe muita fadiga para conquistar e pouca para manter.’’
    Ele julga prudente um homem que escolhe os trilhos já percorridos pelos grandes homens e os imita. Ele diz que mais do que a sorte, é necessário também sabedoria e virtude para reter e manter o poder. 
Os obstáculos surgem das novas leis estabelecidas, porque há muitos defensores das velhas instituições, os antigos beneficiados, enquanto se fazem tímidos os defensores das novas instituições. 
Mais adiante, no capítulo X, vemos como os governantes devem medir as forças dos principados: ‘’(...) se um príncipe tem Estado tão grande e forte que possa, precisando, manter-se por si mesmo, ou então se tem sempre necessidade da defesa de outrem. Para esclarecer melhor esta parte, digo julgar como podendo manter-se por si mesmos aqueles que podem, por abundância de homens e de dinheiro, organizar um exército à altura do perigo.
Um príncipe, que tenha uma cidade forte e não se faça odiar, não pode ser atacado e, existindo alguém que o assaltasse, retirar-se-ia com vergonha, eis que as coisas do mundo são assim tão variadas que é quase impossível alguém pudesse ficar com os exércitos ociosos por um ano, a assediá-lo. 
A quem replicasse que, tendo as suas propriedades fora da cidade e vendo-as a arder, o povo não terá paciência e o longo assédio e a piedade de si mesmo o farão esquecer o príncipe. Ele diferencia Estados que são capazes de se defender contra possíveis ataques dos que não são, necessitando da proteção de outrem. 
Para conseguir se defender, o príncipe deve ter sua cidade fortificada, provida com exército e alimentos, além de não se fazer odiado pelos seus súditos. Dessa forma, ele dificilmente será atacado e mesmo que o seja, seu inimigo não obterá êxito. Ele cita como exemplo as cidades da Alemanha, que eram fortificadas e bem preparadas por isso tinham mais liberdade e segurança.
Dos Capítulos I a XI, trata da análise dos diversos grupo de principados e meios de obtenção e manutenção, Maquiavel mostra, através de claros exemplos, a importância do exército, a dominação completa do novo território através de sua estadia neste; a necessidade da eliminação do inimigo que no país dominado encontrava-se e como lidar com as leis pré-existentes à sua chegada; o consentimento da prática da violência e de crueldades a obter resultados satisfatórios.
Os Capítulos XII a XIV dispõe sobre a discussão da análise militar do Estado, reflete sobre os perigos e dificuldades que tem o príncipe com suas tropas, compostas de forças auxiliares, mistas e nacionais, e destaca a importância da guerra para com o desenvolvimento do espírito patriótico e nacionalista que vem a unir os cidadãos de seu Estado, de forma a torná-lo forte.
No capítulo XV, o autor retrata os motivos pelos quais os homens, e especialmente os príncipes são louvados ou injuriados:
 “Resta ver agora quais devam ser os modos e o proceder de um príncipe para com os súditos e os amigos e, por que sei que muitos já escreveram a respeito, duvido não ser considerado presunçoso escrevendo ainda sobre o mesmo assunto, máxime quando irei disputar essa matéria à orientação já por outros dada aos príncipes. Mas, sendo minha intenção escrever algo de útil paraquem por tal se interesse, pareceu-me mais conveniente ir em busca da verdade extraída dos fatos e não à imaginação dos mesmos, pois muitos conceberam repúblicas e principados jamais vistos ou conhecidos como tendo realmente existido. 
Há tanta diferença de como se vive e como se deveria viver, que aquele que abandone o que se faz por aquilo que se deveria fazer, aprenderá antes o caminho de sua ruína do que o de sua preservação, eis que um homem que queira em todas as suas palavras fazer profissão de bondade, perder-se-á em meio a tantos que não são bons. Donde é necessário, a um príncipe que queira se manter, aprender a poder não ser bom e usar ou não da bondade, segundo a necessidade. 
Deixando de parte, assim, os assuntos relativos a um príncipe imaginário e falando daqueles que são verdadeiros, digo que todos os homens, máxime os príncipes por situados em posição mais preeminente, quando analisados, se fazem notar por alguns daqueles atributos que lhes acarretam ou reprovação ou louvor. 
Há um bom governante prudente e evita os vícios que o fariam perder o respeito perante a população ou até mesmo o poder, porém, Maquiavel também diz que aparenta ser uma virtude pode trazer problemas para o príncipe e que outra que tem aparência de vício pode dar origem à segurança e ao bem-estar. 
Os atributos de um príncipe podem lhe acarretar ou reprovação ou louvor, portanto, cabe a ele saber usar suas qualidades e defeitos no momento certo e da maneira apropriada.
No capítulo XVI, Maquiavel fala sobre as consequências de ser um príncipe pródigo, esbanjador ou de ser um príncipe parcimonioso.
Um príncipe deve gastar pouco para não precisar roubar seus súditos, para poder defender-se, para não ficar pobre e desprezado, para não ser forçado a tornar-se rapace, não se importando de incorrer na fama de miserável, porque esse é um daqueles defeitos que o fazem reinar. (...) se alguém replicasse que houve muitos príncipes, tidos como extremamente liberais, que realizaram grandes feitos com seus exércitos, responderia: ou o príncipe gasta do seu, ou de seus súditos, ou de outrem; no primeiro caso, deve ser parcimonioso; nos outros, não deve deixar de praticar nenhuma liberalidade. E aquele príncipe que vai com os exércitos, que se mantém de rapinagem, de saques e de resgates, maneja bens de outros, tem necessidade dessa liberalidade porque, do contrário, não será seguido pelos soldados. E, daquilo que não é teu nem de súditos teus, podes ser o mais generoso doador (...).
Um príncipe deve evitar o desprezo e o ódio, é melhor deixar-se passar por avarento, pois é preferível uma vergonha sem ódio. Para ganhar fama de liberal será preciso enfrentar a de ladrão, que leva a uma vergonha com ódio.
O capítulo XVII trata da indagação de que é melhor para o príncipe ser amado ou dele ser temido.
Um príncipe não deve, pois, temer a má fama de cruel, desde que por ela mantenha seus súditos unidos e leais, pois que, com mui poucos exemplos, ele será mais piedoso do que aqueles que, por excessiva piedade, deixam acontecer as desordens das quais resultam assassínios ou rapinagens: porque estes costumam prejudicar a comunidade inteira, enquanto aquelas execuções que emanam do príncipe atingem apenas um indivíduo. 
O príncipe, contudo, deve ser lento no crer e no agir, não se alarmar por si mesmo e proceder por forma equilibrada, com prudência e humanidade, buscando evitar que a excessiva confiança o torne incauto e a demasiada desconfiança o faça intolerável.
           Diante disso, pode-se dizer que é muito mais seguro ser temido do que amado, porque os homens, geralmente, que são ingratos, volúveis, tementes do perigo, ambiciosos de ganho; e, enquanto lhes fizeres bem, são todos teus, oferecem-te o próprio sangue, desde que, a necessidade esteja longe de ti. 
Deve o príncipe, não obstante, fazer-se temer de forma que, se não conquistar o amor, fuja ao ódio, mesmo porque podem muito bem coexistir o ser temido e o não ser odiado. 
Sobretudo, deve abster-se dos bens alheios, posto que os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do patrimônio. 
Mas quando o príncipe está à frente de seus exércitos e tem sob seu comando uma multidão de soldados, então é de todo necessário não se importar com a fama de cruel, eis que, sem ela, jamais se conservará exército unido e disposto a alguma empresa. 
Concluo que um príncipe sábio e amando, os homens como a eles agrada e sendo por eles temido como deseja, deve apoiar-se naquilo que é seu e não no que é dos outros; deve apenas empenhar-se em fugir ao ódio, como foi dito. ’’
Maquiavel concluí que para um príncipe ser bem sucedido em sua função, é preferível que este seja amado e temido por seus súditos, mas como isso é difícil, é mais seguro fazer-se temido do que amado. 
Ele dá algumas razões para tal pensamento, primeiro, quando não há necessidade, os homens não se importam em temer o príncipe e, segundo, os homens têm menos escrúpulo em ofender alguém estimado do que alguém temido. 
Dos Capítulos XV a XIX, trata das estimativas sobre a conduta de um Príncipe, se vê a necessidade de uma certa versatilidade que deve adotar o governante em relação ao seu modo de ser e de pensar a fim de que se adapte às circunstâncias momentânea, em certas ocasiões, mostram-se não tão eficazes quanto aos defeitos, que nesse caso, tornam-se virtudes; da medida de precaução à revolta popular; da utilização da força sobreposta à lei quanto disso dependeram condições mais favoráveis ao seu desempenho; e da sua boa imagem em face aos cidadãos e Estados estrangeiros, de modo a evitar possíveis conspirações.
Sobre o capítulo XXII, tratamos dos ministros que o príncipe têm junto de si.
 ‘’Não é de pouca importância para um príncipe a escolha dos ministros, os quais são bons ou não, segundo a prudência daquele. E a primeira conjetura que se faz da inteligência de um senhor, resulta da observação dos homens que o cercam; quando são capazes e fiéis, sempre se pode reputá-lo sábio, porque soube reconhecê-los competentes e conservá-los. 
Mas, para que um príncipe possa conhecer o ministro, existe um método que não falha. Quando vires o ministro pensar mais em si do que em ti, e que em todas as ações procura o seu interesse próprio, podes concluir que este jamais será um bom ministro e nele nunca poderás confiar; aquele que tem o Estado de outrem em suas mãos não deve pensar nunca em si, mas sim e sempre no príncipe, não lhe recordando nunca coisa que não seja da sua competência. 
Por outro lado, o príncipe, para conservá-lo bom ministro, deve pensar nele, honrando-o, fazendo-o rico, obrigando-se-lhe, fazendo-o participar das honrarias e cargos, a fim de que veja que não pode ficar sem sua proteção, e que as muitas honras não o façam desejar mais honras, as muitas riquezas não o façam desejar maiores riquezas e os muitos cargos o façam temer as mudanças. Quando, pois, os ministros, e os príncipes com relação àqueles, estão assim preparados, podem confiar um no outro; quando não for assim, o fim será sempre danoso ou para um ou para o outro.
Neste capítulo, o autor tem por objetivo mostrar que os homens que estão ao redor do governante de um Estado influenciam sobre a imagem que faz destes sendo que se forem capazes e fiéis, o príncipe é julgado como inteligente por fazer uma boa escolha de seus ministros e deve reconhecer-lhes as capacidades e mantê-los fiéis. Porém se os ministros não assim forem não é feito um bom juízo do príncipe visto que cometeu um erro ao fazer tal escolha.
Nos XX a XXIII, elenca os conselhos de especial interesse ao Príncipe com um questionamento das utilidade das fortalezas e outros meios de proteção do Príncipe; como deve agir para obter confiança e maior estima entre seus súditos; a importância da boa escolha de seus ministros; e uma espécie de guia sobre o que fazer com os conselhos dados, estes, raramente úteis, quando se considera o interesse oculto de quem os dá.
Já nos capítulos XXIV a XXVI, dispõe sobre a reflexão da conjuntura da Itália à sua época, quando Maquiavelfoge de sua análise "maquiavélica", de modo que esta adote resoluções em favor da libertação da Itália, dominada então pelos bárbaros.
Ao escrever O Príncipe, Maquiavel expressou nitidamente os seus sentimentos de desejo de ver uma Itália poderosa e unificada, além da necessidade de um monarca determinado que fosse um legítimo rei e que defendesse seu povo sem escrúpulos e nem medir esforços.
Para Maquiavel, um príncipe não devia medir esforços nem hesitar, mesmo que diante da crueldade ou da trapaça, se o que estiver em jogo for a integridade nacional e o bem do seu povo.
Tinha o desejo de guiar os governantes, alertando-os sobre as armadilhas da política. 
O tema central do livro é o de que para permanecer no poder, o líder deve estar disposto a desrespeitar qualquer consideração moral, e recorrer inteiramente à força e ao poder da decepção. Um país deve ser militarmente forte e que um exército pode confiar somente nos cidadãos de seu país.
Um dos temas mais importantes é o debate sobre: “é preferível que um líder seja amado ou temido?” Ele responde que é importante ser amado e temido, porém, é melhor ser temido que amado, pois o amor é um sentimento volúvel e inconstante, já que as pessoas são naturalmente egoístas e podem mudar sua lealdade, porém, o medo de ser punido é um sentimento que não pode ser modificado ou ignorado tão facilmente.
Após a análise da obra O Príncipe, concluímos que o modo de pensar de Maquiavel ainda é válido é utilizado por muitos governantes ao redor do mundo, há vários problemas citados por ele que ainda são relacionados ao poder persistem nos Estados atuais, portanto, a obra de Maquiavel ainda é atual e por isso pode ser usada como guia para fazer um bom governo.
A política, para Maquiavel, justifica seus meios em prol de um bem maior, que é a estabilidade do Estado, e o príncipe, não sendo indiferente ao bem e ao mal, e ainda que valorize os princípios morais, compreende que o que para o indivíduo particular é ruim, mas é fundamental para o funcionamento da política. 
O maquiavelismo resume em justificar os meios para chegar-se aos fins, independente da pacificidade nos meios. "O Príncipe" revela o interior do homem, pondo a nu os instintos da cobiça, da avareza, do mando, ou seja, por muitas vezes, os meios utilizados não serão honestos ou pacíficos, devido à natureza egoísta dos homens.
A política tem que ser baseada em fatos reais, concretos e assim, decretando-se o que se pode fazer pela sociedade, não o que se poderia. 
Para proteger seu Estado, seu território de ataques e de invasões, o príncipe deve manter suas possessões providas com um bom exército e alimentos, além de não se fazer odiado pelos seus súditos. 
Sobre o ódio, Maquiavel também ensina como evita-lo, nunca deve usurpar os bens dos súditos, deve evitar a fama de leviano, covarde ou indeciso. 
O príncipe deverá analisar a situação e ver qual atitude caberá ao momento, um governante não pode agir utilizando apenas leis ou resolver os problemas só impondo a força. 
A relatividade do poder está, mais uma vez, presente nas ideias de Maquiavel quando ele fala quais qualidades um príncipe deve possuir. Pois ele fala que para ser um príncipe não é preciso ser perfeito, ter todas as qualidades necessárias, mas é importante que pareça tê-las e que se houver necessidade, saiba tornar-se inverso. 
Um bom governante não deve ter ‘’vícios’’, ele deve aprender a usar de seus vícios e virtudes de maneira correta, pois uma virtude pode acarretar problemas e um vício pode até trazer bem estar. O príncipe que quiser ser honesto com os seus súditos e não passar por necessidades, não deve importar-se com a fama de miserável. Isso evitará o desprezo e o ódio da população. 
E a questão fundamental, se é melhor para um príncipe ser temido ou amado, Maquiavel mais uma vez usa de uma visão inescrupulosa, é melhor ser os dois, mas como isso é quase impossível, é melhor então ser temido. 
Maquiavel fala que se o príncipe não conquistar o amor do povo, deve fugir do ódio. Ele faz isso por não tomar os bens dos homens ou derramar sangue desnecessariamente. 
Outro fator importante para manter um bom governo é manter bons ministros. Se os ministros forem bons, o príncipe será tido como inteligente, mas se forem ruins, essa escolha será tido como um erro da parte do príncipe. 
Nicolau ainda fala sobre o que devemos fazer para conhecer os ministros: o príncipe deve analisar as prioridades dos que ocupam os cargos ao seu redor, pois um bom ministro se preocupa mais com seu príncipe e o Estado, deixa em segundo plano a busca pelo proveito pessoal. 
Vemos que a obra de Maquiavel ultrapassa o tempo, seus conselhos ainda são válidos, apesar de serem tidos como tirânicos. O príncipe deve fazer de tudo para manter o seu poder. 
Como diz a frase atribuída ao pensamento de Maquiavel: os fins justificam os meios, e se o fim é manter o poder, qualquer atitude é aceita. 
A essência do pensamento maquiavélico fez com que sua obra sobrevivesse por mais de quatro séculos e até hoje fosse objeto de estudo e precursor da ciência política.

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