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TCC - BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA: A possibilidade de análise subjetiva do requisito de miserabilidade.

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por LOAS.
Conforme Santos (2012) o benefício recebe esse nome – Benefício de Prestação Continuada (BPC), porque, se trata de prestação continuada, sendo pago mês a mês desde o termo inicial até o termo final. Insta mencionar que Tavares (2014) define o Benefício de Prestação Continuada como “[...] um plano de prestações sociais mínimas e gratuitas a cargo do Estado para prover pessoas necessitadas de condições dignas de vida”.
É possível constatar por meio dessa regra constitucional a garantia da concessão do benefício de prestação continuada, no valor de um salário mínimo ao idoso ou deficientes, que se encontrem na condição de miserabilidade, isto é, àqueles que comprovem não dispor de recursos para prover a própria manutenção ou tê-la provida por sua família, ainda que nunca tenham contribuído para a Previdência Social, conforme explicitamente descrito na lei.
Art. 1º. A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas. (BRASIL, Lei nº 8.742, art. 1º, 1993)
Sob esse prisma, vale menção aos princípios específicos da Assistência Social (BRASIL, LOAS, 1993):
Art. 4º. A assistência social rege-se pelos seguintes princípios:
I-supremacia do atendimento nas necessidades sócias sobre as exigências de rentabilidade econômica;
II-universalização dos direitos sociais, a fim de tornar o destinatário da ação assistencial alcançável pelas demais políticas públicas;
III-respeito à dignidade do cidadão, à sua autonomia e ao seu direito a benefícios e serviços de qualidade, bem como à convivência familiar e comunitária, vedando-se qualquer comprovação vexatória de necessidade;
IV-igualdade de direitos no acesso ao atendimento, sem discriminação de qualquer natureza, garantindo-se equivalência às populações urbanas e rurais;
V-divulgação ampla dos benefícios, serviços, programas e projetos assistenciais, bem como dos recursos oferecidos pelo Poder Público e dos critérios para sua concessão.
Pode-se dizer que tais princípios visam concretizar a função social da assistência aos necessitados, isto é, retirar o grupo de beneficiários da situação de miserabilidade, através de uma sociedade mais justa e mais respeitosa com o próximo. (SILVA, 2011).
O benefício de prestação continuada, regulamentado pela Lei n. º 8.742/93, explica os possíveis beneficiários em seu art. 20 (BRASIL, LOAS, 1993):
Art. 20. O benefício de prestação continuada é a garantia de um salário-mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família.
De acordo com o exposto, observa-se que o benefício de prestação continuada é destinado a idosos ou portadores de deficiência (primeiro requisito) que comprovem hipossuficiência econômica, isto é, miserabilidade (segundo requisito). 
Visto os direitos fornecidos pela lei, bem como quem são seus possíveis beneficiários, observará abaixo como é o benefício e seu deferimento perante a agência previdenciária.
Os parágrafos 1º, 2.º, 3.º do dispositivo acima referido trazem as mais importantes balizas para o deferimento do benefício, assim dispondo (BRASIL, LOAS, 1993):
§ 1o Para os efeitos do disposto no caput, a família é composta pelo requerente, o cônjuge ou companheiro, os pais e, na ausência de um deles, a madrasta ou o padrasto, os irmãos solteiros, os filhos e enteados solteiros e os menores tutelados, desde que vivam sob o mesmo teto. (Redação dada pela Lei nº 12.435, de 2011)
§ 2o Para efeito de concessão deste benefício, considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.  (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015).
§ 3o “Considera-se incapaz de prover a manutenção da pessoa com deficiência ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4 (um quarto) do salário-mínimo. “(Redação dada pela Lei nº 12.435, de 2011).
Dessa forma, diante do mencionado, importante observar que a própria lei definiu uma família que não possui meios de prover a subsistência do seu ente. Para fins de auferir a renda per capta da família do idoso ou da pessoa com deficiência, aplica-se o cálculo considerando quem faz parte do grupo familiar (também descrito em lei), bem como a obrigatoriedade do valor inferior a ¼ do salário mínimo.
Assim, a LOAS desenvolveu um benefício assistencial, elencando suas hipóteses de cabimento, as quais tem por objetivo alcançar a manutenção de um mínimo necessário para que viver dignamente. Porém, novamente se questiona acerca de tais hipóteses: deveriam as mesmas ser analisadas de forma subjetiva ou objetiva? 
3 CRITÉRIOS PARA A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO
Ao longo da vigência da lei LOAS, nota-se que a mesma sofreu consideradas mudanças, as quais alteraram e estipularam os requisitos básicos para a obtenção do benefício. Vale ressaltar que a concessão do mesmo visa conceder o mínimo necessário à existência financeira dos possíveis amparados. 
Entretanto, pressupõe o atendimento a alguns requisitos definidos em lei, sendo eles: a configuração da pessoa deficiente ou da pessoa idosa e a figura do estado de miserabilidade, os quais serão detalhados posteriormente.
3.1 REQUISITO MATERIAL – IDOSO OU DEFICIENTE 
Inicialmente, aos idosos e portadores de deficiência, a concessão do benefício está interligada com a configuração do pressuposto material. 
Vale mencionar a Constituição Federal que quis dar proteção aos indivíduos, logo, trata-se de um benefício de natureza assistencial que contempla aqueles cidadãos que são excluídos do processo de seleção de trabalho, não devido suas limitações ou pela idade, mas sim, pela ausência de meios para prover a própria manutenção ou tê-la provida pela família. (SANTOS, 2012)
Para o idoso, a idade a se considerar já foi tema de mudanças, atualmente regulada pelo Estatuto do Idoso conjuntamente com a Lei n. º 12.435/2011, os quais estabeleceram a idade mínima completa de 65 anos, conforme prevista na Lei n.º 10.741 de 2003 – Estatuto do Idoso, em seu art. 34 (BRASIL, 2003):
Art. 34. Aos idosos, a partir de 65 (sessenta e cinco) anos, que não possuam meios para prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família, é assegurado o benefício mensal de 1 (um) salário mínimo, nos termos da Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS
Por outro lado, aos portadores de deficiência, interessados em fruir do benefício, é necessário restar comprovada a deficiência que gere impedimento de longo prazo, conceituada no art. 20, §10 da Lei 8.742 (BRASIL, 1993) como: “aquele que produza efeitos pelo prazo mínimo de 2 (dois) anos”.
Conforme explica Kertzman (2015) e Santos (2012) o deferimento do benefício assistencial está condicionado à uma previa avaliação da deficiência – se é física, intelectual, mental – bem como de seu grau de impedimento para o labor e integração social. Tal verificação se dá por meio de uma avaliação médica realizada por peritos a cargo do Instituto Nacional de Seguro Social – INSS. Frisa o autor ainda que não a idade mínima, assim, quando verificada a condição de portador de deficiência desde o nascimento, e sendo este miserável, seu direito já está constituído.
Em relação a realização da avaliação médica realizada pelos peritos do INSS Vianna (2014. p. 40) esclarece: “[...] na hipótese de não existirem serviços no município de residência do beneficiário, fica assegurado, na forma prevista em regulamento, o seu encaminhamento ao município mais próximo que contar com tal estrutura.”
Outro fator que merece destaque é o fato de estar regulamentado que o benefício de prestação continuada não poderá ser cumulado com qualquer outro