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INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO
Invalidade é sanção civil à desconformidade com a lei. Invalidar é retirar valor, é recusar efeitos jurídicos a certo negócio, por não atender a algum requisito legal. É diferente de limitar efeitos por iniciativa/interesse das partes (elementos acidentais).
Graus de invalidade:
1.Nulidade (nulidade absoluta): é a invalidade plena, que retira do ato qualquer possibilidade de produção de efeitos. O nulo contraria norma de ordem pública, de natureza cogente. É a sanção invalidante mais grave.
2.Anulabilidade (nulidade relativa): é sanção invalidante menos grave porque, em certa medida, o negócio jurídico anulável pode produzir efeitos. São casos em que o negócio jurídico viola norma protetora de interesses privados. A anulação dependerá da iniciativa/opção do titular do direito envolvido.
Classificações complementares da invalidade:
1.Invalidade originária e invalidade sucessiva: a invalidade originária está presente na formação do negócio jurídico, no seu nascimento. São as nulidades e as anulabilidades. A sucessiva é a invalidade que decorre de causa superveniente, por exemplo, a resilição e a resolução dos contratos. Fora esse momento, no estudo do negócio jurídico, evita-se a expressão “invalidade sucessiva.”
2.Invalidade total e invalidade parcial: focalizando apenas a invalidade originária, ela será total quando contamina o negócio jurídico por inteiro, porque diz respeito a aspectos fundamentais dele, à essência do negócio realizado. A parcial atinge aspectos secundários do negócio. Pode-se cogitar, por exemplo, da nulidade de uma cláusula do contrato, mas não da nulidade dele por inteiro. Na invalidade parcial, em nome do princípio da conservação, pode-se aplicar a chamada redução do negócio jurídico:
Art. 184: “Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal.”
Exemplos: a prestação de fiança sem anuência do cônjuge a torna anulável (art. 1647, III, e art. 1649), mas a locação em que foi prestada pode subsistir. A nulidade do pacto antenupcial não induz a do casamento (artigos 1640 e 1653).
No âmbito da invalidade parcial pode ocorrer, também, a invalidade instrumentária:
Art. 183: “A invalidade do instrumento não induz a do negócio jurídico sempre que este puder provar-se por outro meio.”
Instrumento é o meio físico no qual se grava a realização de um negócio jurídico. Foi elaborado justamente para demonstrar a realização do negócio. A nulidade de uma escritura pública contamina o negócio jurídico a que se referia, se essa forma era essencial ao ato (art. 108); mas um cheque simplesmente representa uma dívida e, se for invalidado por defeito formal (ex. rasura), a dívida subsiste.
NULIDADE
É o regime invalidante mais grave. O nulo não pode surtir efeitos. O nulo viola norma de ordem pública.
Casos de nulidade. Art. 166: “É nulo o negócio jurídico quando:”
I – celebrado por pessoa absolutamente incapaz. Referência ao art. 3º. Atos praticados sem a necessária representação dos pais ou tutor. Atenção com a Lei 13.146/2015.
II – for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto.
a) Ilicitude do objeto.
b) Impossibilidade do objeto: - se for relativa, a princípio não invalida. Art. 106.
 - se for absoluta, é caso de nulidade.
c) Indeterminação do objeto: - se for relativa, a princípio não invalida. Objeto determinável.
 (negócios jurídicos aleatórios. Art. 458 e ss.)
 - se for absoluta, é caso de nulidade.
III – o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito. Atipicidade na estrutura normativa brasileira. Importância pontual da causa. Parte da doutrina entende que é uma referência à simulação maliciosa, porque o ilícito se caracteriza em lesar terceiros (art. 186).
IV – não revestir a forma prescrita em lei;
V – for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
Há uma pequena distinção entre forma (a escritura pública nos casos do art. 108, a forma escrita da fiança do art. 819) e solenidade que se refere a rito/procedimento de celebração (casamento, art. 1533 e ss; testamento, art. 1864 e ss.)
VI – tiver por objetivo fraudar lei imperativa. Exemplos: burlar a legislação trabalhista, CLT, art. 9º; disposição testamentária em favor de cúmplice de adultério (art. 1801, III, e art.1.802). Doação entre cônjuges no regime da separação obrigatória de bens (art. 1641).
VII – a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção.
Exemplos: nulidade de certas doações (artigos 548 e 549), nulidade de certos atos do tutor (art. 1749). Art. 1863: proibição ao testamento conjuntivo. Art. 426.proibição ao contrato sobre herança de pessoa viva.

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