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EXCELENTISSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO XXXXXX INQUÉRITO POLICIAL Nº: XXX AUTORIDADE COAUTORA: MINISTÉRIO PUBLICO DO ESTADO XXX xxxxxxxxxxxxxxx, brasileiro, advogado, inscrito na OAB XXX sob o nº _____, com escritório na rua ______nº ____, bairro, na cidade de XXX, onde recebe intimações, vem, respeitosamente, à presença de vossa excelência, com fundamento no artigo º LXVIII, da Constituição Federal, impetrar ordem de HABEAS CORPUS Em favor de JOÃO FERNANDO ALBUQUERQUE FILHO, brasileiro, estado civil, profissão, residente e domiciliado na rua ________ nº ___, bairro, na cidade de XXX, contra ato do MINISTÉRIO PÚBLICO, por meio do promotor XXX, pelos motivos e fatos a seguir: 1-DOS FATOS O paciente foi acusado, pela sua genitora, Marisa Albuquerque, de ter cometido o delito de furto simples, artigo 155, caput, CP, subtraindo, supostamente, um relógio de ouro pertencente ao seu genitor, João Fernando Albuquerque. Desta forma, a genitora buscou o Ministério Público com o intuito de denunciar o filho. O M.P., por meio de seu promotor, requereu ao Delegado de polícia a abertura do inquérito fundamentado pelo relato da genitora do paciente. Requisição à qual o delegado atendeu, abrindo e instaurando o inquérito policial contra o paciente. 2- DO DIREITO As escusas absolutórias ou imunidades penais absolutas, são aquelas descritas no artigo 181 do código penal brasileiro, no qual, por determinadas condições, os crimes contra o patrimônio gozam de excludente pessoal na punibilidade ou negativa de punibilidade do agente. O caso em tela, ensejador deste recurso, utiliza-se do que está disposto no artigo 181 do C.P.: Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em prejuízo: I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural. Sendo, desta forma, classificado como caso de imunidade penal absoluta. A doutrina afirma que uma causa extintiva de punibilidade traz consigo o efeito da não instauração de um inquérito policial, e muito menos de ação penal por falta de interesse de agir, visto que não se permite a instauração de um procedimento quando não se pode impor a sanção penal. Considerando que o caso em tela, da mesma forma, garante-se no que é exigido pela redação do artigo 183, C.P.: Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores: I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave ameaça ou violência à pessoa; II - ao estranho que participa do crime. III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. Visto que não houve nenhuma forma de situação que se enquadre em algum dos incisos do 183, e com o que aqui foi exposto, os envolvidos no requerimento e instauração do inquérito policial agiram sem que houvesse JUSTA CAUSA para a instauração da mesma. O Inquérito Penal foi instaurado, embora presente causa excludente de punibilidade do art. 181, II, do CP (escusa absolutória), que isenta de pena quem comete crime patrimonial sem violência em prejuízo de ascendente. Trata-se de imunidade absoluta. O delegado teve de instaurar o referido Inquérito Penal, vez que o Ministério Público requisitou a instauração, e ele não poderia recusá-lo (art. 5º, II, do CPP, e art. 129, VIII, da CF/88). 3 – DOS PEDIDOS Diante do exposto, resta induvidoso que a paciente sofreu constrangimento ilegal por ato da autoridade coatora, o Juiz de Direito da xx Vara Criminal da Circunscrição Judiciária de Cidade/XX, circunstância “contra legem” que deve ser remediada por esse Colendo Tribunal. Isto posto, com base no artigo 5º, LXVIII, da CF, c/c artigos 647 e 648 do CPP, requer: a) - a oitiva da Douta Procuradoria de Justiça na condição de "custos legis", para que apresente parecer; b) - a requisição de informações ao Meritíssimo Juiz da XX Vara Criminal da Comarca de XXXXXX/XX, ora apontado como autoridade coatora; c) - a confirmação no mérito da liminar pleiteada para que se consolide, em favor da paciente Lilian, a competente ordem de “habeas corpus”, para fazer impedir o constrangimento ilegal que a mesmo vem sofrendo, como medida da mais inteira Justiça, expedindo-se, imediatamente, o competente ALVARÁ DE SOLTURA, e que seja concedida a ordem, trancando-se o Inquérito Penal; d) – A intimação pessoal do Douto Advogado para a sustentação oral, a ser marcada em dia e hora por esta Colenda Câmara. Nesses termos, Pede e aguarda deferimento. Cidade/XX 5 de outubro de 2020 Advogado OAB XX/XXX