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Copyright © 2015 André Luis Fernandes Limeira, Carlos Alberto dos Santos Silva, Carlos Vieira, Raimundo Nonato Souza Silva Direitos desta edição reservados à EDITORA FGV Rua Jornalista Orlando Dantas, 37 22231-010 — Rio de Janeiro, RJ — Brasil Tels.: 0800-021-7777 — (21) 3799-4427 Fax: (21) 3799-4430 e-mail: editora@fgv.br — pedidoseditora@fgv.br web site: www.fgv.br/editora Todos os direitos reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação do copyright (Lei no 9.610/98). Os conceitos emitidos neste livro são de inteira responsabilidade dos autores. 1a edição, 2012. 1a edição revista, 2014. 2a edição, 2015. Revisão de originais: Sandra Frank Editoração eletrônica: FA Studio Revisão: Aleidis de Beltran e Fatima Caroni Capa: aspecto:design Ilustração de capa: Fesouza Conversão para eBook: Freitas Bastos Limeira, André Luis Fernandes Gestão contábil financeira / André Luis Fernandes Limeira... [et al.]. – 2. ed. – Rio de Janeiro : Editora FGV, 2015. 196 p. - (Gestão empresarial (FGV Management)) Em colaboração com Carlos Alberto dos Santos Silva, Carlos Vieira, Raimundo Nonato Souza Silva. Publicações FGV Management. Inclui bibliografia. ISBN: 978-85-225-1649-0 1. Contabilidade gerencial. 2. Análise econômico-financeira. I. Silva, Carlos Alberto dos Santos, 1947- . II. Vieira, Carlos. III. Silva, Raimundo Nonato Souza. IV. FGV Management. V. Fundação Getulio Vargas. VI. Título. VII. Série. CDD – 657.7 Aos nossos alunos e aos nossos colegas docentes, que nos levam a pensar e repensar nossas práticas. Sumário Capa Folha de Rosto Créditos Dedicatória Apresentação Introdução 1 | A contabilidade e o sistema de informação contábil Fundamentos da contabilidade Usuários das informações contábeis A informação contábil Objetivos da contabilidade Conceitos básicos da contabilidade Limitações da contabilidade A contabilidade financeira e a contabilidade gerencial Estrutura conceitual para apresentação das demonstrações contábeis Limitações na relevância e na confiabilidade das informações 2 | Estrutura das demonstrações contábeis Informação e demonstrações contábeis Balanço patrimonial Avaliação dos ativos Avaliação do passivo Procedimentos necessários para elaboração do balanço patrimonial Apresentação analítica do balanço patrimonial Demonstração do resultado do exercício (DRE) Demonstração do resultado abrangente total Demonstração dos fluxos de caixa Método indireto Método direto Demonstração das mutações do patrimônio líquido Demonstração do valor adicionado Notas explicativas Relatório da administração Relatório dos auditores independentes 3 | Elaboração das demonstrações contábeis e composição do patrimônio líquido Critérios de elaboração das demonstrações contábeis Patrimônio líquido e sua composição Capital social Reservas de capital Reservas de lucros Reserva legal Reservas estatutárias Reserva para contingências Reserva de lucros a realizar Reservas de lucros para expansão (retenção de lucros) Reserva de Incentivos fiscais Reserva especial para dividendo obrigatório não distribuído Lucros e prejuízos acumulados Fatores que modificam o patrimônio líquido Ajustes de avaliação patrimonial 4 | Análise econômico-financeira Objetivos da análise econômico-financeira e principais usuários Preparação do balanço patrimonial para a análise dinâmica Composição do capital circulante líquido (CCL) Necessidade de capital de giro (NCG) Saldo em tesouraria (ST) Efeito tesoura (ET) Critérios de análise econômico-financeira Análise vertical Análise horizontal Indicadores econômico-financeiros Índices de estrutura de capital Índices de liquidez Índices de lucratividade e rentabilidade Índices de prazos médios Conclusão Referências Os autores André Luis Fernandes Limeira Carlos Alberto dos Santos Silva Carlos Vieira Raimundo Nonato Souza Silva Apresentação Este livro compõe as Publicações FGV Management, programa de educação continuada da Fundação Getulio Vargas (FGV). A FGV é uma instituição de direito privado, com mais de meio século de existência, gerando conhecimento por meio da pesquisa, transmitindo informações e formando habilidades por meio da educação, prestando assistência técnica às organizações e contribuindo para um Brasil sustentável e competitivo no cenário internacional. A estrutura acadêmica da FGV é composta por nove escolas e institutos, a saber: Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape), dirigida pelo professor Flavio Carvalho de Vasconcelos; Escola de Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp), dirigida pela professora Maria Tereza Leme Fleury; Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE), dirigida pelo professor Rubens Penha Cysne; Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc), dirigido pelo professor Celso Castro; Escola de Direito de São Paulo (Direito GV), dirigida pelo professor Oscar Vilhena Vieira; Escola de Direito do Rio de Janeiro (Direito Rio), dirigida pelo professor Joaquim Falcão; Escola de Economia de São Paulo (Eesp), dirigida pelo professor Yoshiaki Nakano; Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), dirigido pelo professor Luiz Guilherme Schymura de Oliveira; e Escola de Matemática Aplicada (Emap), dirigida pela professora Maria Izabel Tavares Gramacho. São diversas unidades com a marca FGV, trabalhando com a mesma filosofia: gerar e disseminar o conhecimento pelo país. Dentro de suas áreas específicas de conhecimento, cada escola é responsável pela criação e elaboração dos cursos oferecidos pelo Instituto de Desenvolvimento Educacional (IDE), criado em 2003, com o objetivo de coordenar e gerenciar uma rede de distribuição única para os produtos e serviços educacionais produzidos pela FGV, por meio de suas escolas. Dirigido pelo professor Rubens Mario Alberto Wachholz, o IDE conta com a Direção de Gestão Acadêmica pela professora Maria Alice da Justa Lemos, com a Direção da Rede Management pelo professor Mário Couto Soares Pinto, com a Direção dos Cursos Corporativos pelo professor Luiz Ernesto Migliora, com a Direção dos Núcleos MGM Brasília e Rio de Janeiro pelo professor Silvio Roberto Badenes de Gouvea, com a Direção do Núcleo MGM São Paulo pelo professor Paulo Mattos de Lemos, com a Direção das Soluções Educacionais pela professora Mary Kimiko Magalhães Guimarães Murashima e com a Direção dos Serviços Compartilhados pelo professor Gerson Lachtermacher. O IDE engloba o programa FGV Management e sua rede conveniada, distribuída em todo o país e, por meio de seus programas, desenvolve soluções em educação presencial e a distância e em treinamento corporativo customizado, prestando apoio efetivo à rede FGV, de acordo com os padrões de excelência da instituição. Este livro representa mais um esforço da FGV em socializar seu aprendizado e suas conquistas. Ele é escrito por professores do FGV Management, profissionais de reconhecida competência acadêmica e prática, o que torna possível atender às demandas do mercado, tendo como suporte sólida fundamentação teórica. A FGV espera, com mais essa iniciativa, oferecer a estudantes, gestores, técnicos e a todos aqueles que têm internalizado o conceito de educação continuada, tão relevante na era do conhecimento na qual se vive, insumos que, agregados às suas práticas, possam contribuir para sua especialização, atualização e aperfeiçoamento. Rubens Mario Alberto Wachholz Diretor do Instituto de Desenvolvimento Educacional Sylvia Constant Vergara Coordenadora das Publicações FGV Management Introdução O mundo dos negócios evolui rapidamente em meio a um período que pode ser considerado a nova economia, amparado pelo avanço tecnológico constante. Paradigmas têm sido constantemente quebrados a uma velocidade ímpar, pois são completamente novas as determinantes de valor que movem o competitivoambiente empresarial. Nessa contínua mudança, percebe-se o crescimento de diversos ambientes de negócios, até mesmo em função da redução de outros, movidos pela percepção de valor, aspecto de grande importância para os consumidores de forma geral. Como consequência, nota-se também o nascimento de múltiplos segmentos, que até pouco tempo permaneciam de certa forma inexplorados. O nascimento ou crescimento de um ambiente de negócios pressupõe a existência de uma organização que, sustentada pelo investimento inicial e pela contínua geração de lucros, garante não só a geração de rendimentos para seus acionistas como, principalmente, a geração de empregos e a consequente movimentação da economia. Diante dos desafios de uma eficiente gestão baseada em resultados, os executivos necessitam tomar decisões rápidas e eficientes, de forma a alavancar negócios. Esses momentos resultam na avaliação de diversas hipóteses que apresentam cenários com características distintas, como: fusão, aquisição ou incorporação de empresas; redução ou incremento de portfólio de produtos; novos investimentos; novos projetos de inovação. Qualquer uma dessas decisões implicará investimentos, que trarão crescimento na onerosidade em função dos recursos contratados, recursos esses necessários para o processo de crescimento contínuo. A decisão de contratação ou não de novas fontes de recursos ocorrerá com base em números captados diretamente de um eficiente sistema de informações. Nesse momento entram os conceitos de contabilidade, regidos pela ciência contábil e que representam a base principal para qualquer sistema de informações confiável e de ampla utilização. Por isso, afirmamos que nada existiria sem o advento dessa ciência que, a cada dia, se moderniza e se reveste de características irrestritas. A utilização da contabilidade torna-se cada dia mais ampla, principalmente devido à atual necessidade de transparência na divulgação dos resultados das empresas como fator preponderante para a fidelização dos acionistas, clientes e até mesmo dos empregados. Este livro objetiva apresentar a importância da contabilidade no meio empresarial como ferramenta fundamental para o processo decisório. Nossa intenção é demonstrar o volume de informações geradas pela contabilidade através da interpretação dos relatórios que compõem as demonstrações contábeis. Tais relatórios possuem informações de grande utilidade para tomada de decisões em diversas linhas de avaliação do negócio. Você perceberá, ao longo da leitura, como extrair as informações das demonstrações contábeis, qual o critério adotado universalmente para avaliação dos investimentos societários e que indicadores de desempenho mapeiam a situação econômica, financeira e operacional da empresa. Gestão contábil financeira apresenta um conteúdo dividido em quatro capítulos, nos quais propomos a discussão ampla do tema, numa sequência lógica e interligada, que possibilitará o contato com a temática contábil, tão importante para as organizações em um ambiente de permanentes mudanças. Vejamos, então, como estão divididos os temas. O primeiro capítulo tem a finalidade de apresentar as funções básicas da contabilidade. No processo contábil, verificaremos como os fatos contábeis se transformam em demonstrações contábeis e quais usuários utilizam essas informações para suas decisões, que têm finalidades múltiplas. Veremos, também, os conceitos básicos que movem o sistema contábil, divididos pelas respectivas demonstrações contábeis. Todos os conceitos são seguidos de exemplos ilustrativos. Encerramos o capítulo apresentando a nova estrutura conceitual básica da contabilidade (framework), devidamente aprovada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Tal estrutura é apresentada por meio de pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que criam as regras para o entendimento da ciência contábil, bem como apresentam as características qualitativas das demonstrações contábeis e suas limitações. O segundo capítulo tem como finalidade apresentar e discutir as cinco demonstrações contábeis exigidas pela Lei das Sociedades por Ações (Lei no 6.404/1976 alterada pela Lei no 11.638/2007) utilizadas como base de informação. As demonstrações serão analiticamente apresentadas, evidenciando cada uma das contas contábeis que as compõem, bem como sua finalidade e utilização. Discutiremos amplamente as seguintes demonstrações contábeis: balanço patrimonial; demonstração de resultados do exercício; demonstração do resultado abrangente; demonstração dos fluxos de caixa; demonstração das mutações do patrimônio líquido; demonstração do valor adicionado; notas explicativas. Ao final do capítulo discutiremos os relatórios contábeis que complementam as informações a serem divulgadas pelas empresas e que observam as instruções da referida lei, quais sejam: relatório da administração; parecer dos auditores independentes; parecer do conselho fiscal. O terceiro capítulo tem como finalidade apresentar uma metodologia prática para elaboração das demonstrações contábeis e discutir o patrimônio líquido e sua composição. Desenvolvemos o modelo de registro das transações por meio da tabela “simulação patrimonial”, com o intuito de substituir os razonetes, bem como a linguagem do “débito” e “crédito”, pela avaliação das origens e aplicações de recursos por meio da soma e/ou diminuição de cada conta. O quarto capítulo promoverá uma discussão de análise econômico-financeira a ser preparada considerando os índices específicos para cada uma das demonstrações contábeis. Os índices ou indicadores serão apresentados em quatro blocos, de forma a permitir uma visão da performance das organizações a partir dos conceitos que cada um apresenta: índices de estrutura de capital; índices de liquidez; índices de lucratividade e rentabilidade; índices de prazos médios. Além disso, estudaremos a importância da aplicação das análises vertical e horizontal na avaliação da situação econômica e financeira das empresas. Optamos por apresentar o exemplo de uma empresa fictícia denominada Estrela Solitária S/A, permitindo a você observar e estudar o impacto dos diversos índices citados, considerando dois períodos simultaneamente. Desejamos a você uma excelente sessão de estudos. Utilize os conceitos apresentados na gestão da sua empresa. Não se esqueça de que o conceito de continuidade da sua e de todas as organizações está fortemente ligado aos conceitos de um sistema de informações contábeis que, sendo criteriosamente divulgado e analisado, permite uma eficiente e rápida tomada de decisões. Boa leitura! 1 A contabilidade e o sistema de informação contábil Neste primeiro capítulo, mostraremos a você os fundamentos da contabilidade, sua evolução ao longo do tempo, assim como a importância e a contribuição que ela concede aos gestores na atualidade. Mostraremos, também, que é a contabilidade uma das ciências mais completas existentes, única capaz de promover registros de todos os fatos mensuráveis nas organizações. Fundamentos da contabilidade A contabilidade, cujo principal objetivo é gerar informações acerca da situação econômica, patrimonial e financeira da entidade, representa uma atividade de extrema importância no processo de gestão das organizações. As informações são geradas por meio das demonstrações contábeis, cujos dois principais relatórios são o balanço patrimonial e a demonstração de resultado. O conceito de balanço, cujo formato se parece com uma balança, que é uma palavra de origem latina, surgiu há alguns séculos, originado da necessidade de criação de maiores controles por parte das empresas.Agrupando os itens de forma adequada, chegou-se à conclusão de que eles deveriam ser colocados nos lados da balança da seguinte forma: do lado esquerdo, os itens que geravam as atividades; do lado direito, as origens dos recursos obtidos para serem aplicados no lado esquerdo. Como primeiro exercício, pequenos demonstrativos foram preparados, conforme o quadro 1 permite visualizar. Quadro 1 DEMONSTRAÇÃO Item Valor Item Valor Caixa 3.000 Valores a pagar 3.000 Valores a receber 4.500 Patrimônio líquido 12.500 Imóveis 8.000 Total 15.500 Total 15.500 A ideia principal da demonstração era evidenciar a situação patrimonial da empresa naquele momento. Em seguida, surgiu a necessidade de um ajuste no formulário criado, pois haviam sido recebidas receitas oriundas de aluguel de algumas salas do imóvel que se encontravam disponíveis. Tal fato alterou o formulário significativamente, pois o caixa aumentou, o que deveria ser também demonstrado do outro lado e, como não se tratava de valores a pagar, foram considerados patrimônio líquido. O formulário passou a apresentar a situação demonstrada no quadro 2. Quadro 2 DEMONSTRAÇÃO – SEGUNDA VERSÃO Item Valor Item Valor Caixa 3.500 Valores a pagar 3.000 Valores a receber 4.500 Patrimônio líquido 13.000 Imóveis 8.000 Total 16.000 Total 16.000 Nesse momento percebeu-se a necessidade de anotar um registro que demonstrasse os valores recebidos e que alteraram o caixa, porém somente mais tarde surgiu uma forma eficiente para essas anotações, que se tornaram a base para a demonstração de resultados do exercício. Dessa forma, surgiu o conceito de ativo (o lado esquerdo) e de passivo (o lado direito) e, por consequência, o objetivo da demonstração, que passou a se chamar balanço patrimonial. Assim como as demais demonstrações, que serão estudadas com detalhe no próximo capítulo, o balanço patrimonial é resultado da aplicação do método de partidas dobradas, que preza o conceito de duplo registro, a saber: a indicação de onde estão aplicados os recursos, ou as aplicações; a indicação da origem desses recursos. Em outras palavras, o método de partidas dobradas diz que para todo crédito (ou origem) existe um débito (ou aplicação) correspondente, balanceando a situação. Como exemplo de um lançamento contábil observando o método de partidas dobradas, citamos uma aquisição de estoques, com pagamento a ser efetuado no prazo de 30 dias, no valor de R$ 20.000,00. Dessa forma, teremos o seguinte: Ativo Passivo Estoques R$ 20.000,00 Fornecedores R$ 20.000,00 A simplicidade da informação gerada foi aperfeiçoada e aprofundada ao longo dos séculos. Entretanto, não perdeu o objetivo principal, que sempre foi o de mostrar a situação patrimonial das organizações, bem como a apuração periódica de seus resultados econômicos, a saber, lucros ou prejuízos. Nos tempos atuais, a informação contábil é de extrema importância para a segurança dos processos decisórios, sejam eles envolvendo compra de ativos, até fusões, incorporações e/ou aquisições de outras organizações. Podemos afirmar que, sem a utilização do sistema de informação contábil, as decisões a serem tomadas pelas organizações diariamente demandariam muito mais tempo dos executivos. Define-se a contabilidade como “um sistema de informações e avaliação destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira e de produtividade com relação à entidade objeto de contabilização” (Perez Junior e Begalli, 1999:67). Iudícibus e Marion (1999:17) citam que: A função fundamental da Contabilidade [...] tem permanecido inalterada desde os primórdios. Sua finalidade é prover os usuários dos demonstrativos financeiros com informações que os ajudarão a tomar decisões. Sem dúvida, tem havido mudanças substanciais nos tipos de usuários e nas formas de informação que têm procurado. Todavia, esta função dos demonstrativos financeiros é fundamental e profunda. O objetivo básico dos demonstrativos financeiros é prover informação útil para a tomada de decisões econômicas. É interessante observar a forma contábil e compará-la à forma de um sistema de informação. A tecnologia da informação nos indica a transformação dos dados em informações, como a figura 1 permite visualizar. Figura 1 SISTEMA DE INFORMAÇÃO Se verificarmos a forma como o sistema contábil se compõe, concluiremos que existe uma transformação de fatos contábeis em demonstrações contábeis, da mesma forma como num sistema de informação, que apresenta as características mostradas na figura 2. Figura 2 SISTEMA DE INFORMAÇÃO CONTÁBIL O sistema de informação contábil pode ser explicitado como se segue. Fatos contábeis correspondem a transações diversas ocorridas em uma organização. Como exemplos podemos citar, entre outros: compra e venda de mercadorias; pagamento de salários; recebimentos de vendas efetuadas; aquisições de imobilizado; contratação e pagamento de empréstimos; despesas incorridas; impostos pagos ou a pagar. Tais fatos contábeis são, portanto, eventos que podem ser mensurados de forma econômica e financeira, trazendo com eles os seguintes conceitos: regime de caixa, que se refere aos eventos financeiros e, basicamente, aos registros de caixa. No caso, a receita só é reconhecida contabilmente quando ocorre a entrada de dinheiro, e o mesmo acontece com a despesa. O regime de caixa talvez tenha tido muita utilidade há algumas décadas, mas não atualmente, pois não capta a realidade das operações empresariais em que ocorrem múltiplas situações de compras e vendas a prazo; regime de competência, que se refere aos eventos econômicos, ou seja, promove o registro de todos os fatos na ocasião de seu fato gerador, independentemente de terem ou não sido pagos e/ou recebidos. O regime de competência veio trazer uma clareza maior para as demonstrações contábeis, pois não induz a erros de interpretação em função do registro de todos os eventos ocorridos na empresa. Podemos afirmar que os eventos econômicos transformam-se em eventos financeiros, a não ser que inadimplências ocorram no percurso. Como exemplo, citamos vendas efetuadas a prazo que, após o vencimento, não foram pagas pelo cliente, gerando, dessa forma, uma perda devidamente contabilizada após o necessário instrumento de protesto ocorrido. Os fatos contábeis são divididos em duas categorias, a saber: fatos permutativos, que não alteram a situação patrimonial das empresas. Como exemplos, podemos citar uma compra de estoques a prazo e o pagamento de um empréstimo contratado. Ambos os exemplos envolvem somente eventos patrimoniais, sem alteração em lucros e/ou prejuízos; fatos modificativos, que alteram a situação patrimonial das empresas. Como exemplo citamos a venda de produtos além dos custos incorridos na operação, o que gera uma alteração patrimonial com apuração do lucro, que alterará o patrimônio líquido. Esses fatos contábeis necessitam ser registrados. Registro corresponde à utilização dos livros contábeis obrigatórios, como o diário e o razão, onde os fatos são registrados, sempre de forma diferenciada, como (Perez Junior e Begalli, 1999): no livro diário as transações são registradas de forma cronológica; no livro razão as transações são registradas analítica e separadamente por tipo de evento. Deve ser mencionado que o registro dos fatos contábeis nos livros obrigatórios é feito mediante a utilização de uma codificação chamada de “contas contábeis”. O conjunto de contas contábeis, organizadas de forma racional e planificada, constitui o “plano de contas” de uma empresa, objeto de estudo do próximo capítulo. O plano de contas de uma empresa deve ser dimensionado de forma coerente com o tamanho da mesmae com a quantidade de lançamentos contábeis efetuados nos períodos, evitando-se uma quantidade de contas contábeis maior do que a necessária. Demonstrações contábeis constituem os retratos da situação econômica e financeira das empresas perante a sociedade. Segundo a Lei das Sociedades por Ações (Lei no 6.404/1976 e suas recentes alterações pela Lei no 11.638/2007), as demonstrações contábeis são: balanço patrimonial; demonstração de resultado do exercício; demonstração do fluxo de caixa; demonstração das mutações do patrimônio líquido; demonstração do valor adicionado; demonstração do resultado abrangente; notas explicativas. As demonstrações contábeis apresentam informações úteis aos usuários e são interligadas. Na seção que trata da informação contábil, mostraremos a interligação dos dois primeiros demonstrativos contábeis; a interligação completa entre todos os demonstrativos citados acima será mostrada no próximo capítulo deste livro. Como falamos, o registro dos fatos contábeis ocorre em função do fluxo de recursos das empresas, explicitado na figura 3. Figura 3 FLUXO DE RECURSOS DAS EMPRESAS As origens são consideradas os créditos das empresas. Nas demonstrações contábeis, podemos observar, por exemplo, que: no balanço patrimonial, representam o passivo e o patrimônio líquido; no demonstrativo de resultados do exercício, representam as receitas e o lucro. As aplicações são consideradas os débitos das empresas. Nas demonstrações contábeis podemos observar, por exemplo, que: no balanço patrimonial, representam o ativo; no demonstrativo de resultados do exercício, representam as despesas e os custos. Se verificarmos que os recursos das empresas são obtidos com os sócios ou com bancos, fornecedores e outros, chegaremos aos conceitos de capital próprio (recursos dos sócios) e capital de terceiros (recursos de outros, externos à empresa). Em paralelo, observemos que as aplicações podem ser feitas para o giro contínuo, como: estoques; contas a receber; aplicações de curto prazo; caixa ou disponível; ou em imobilizado, como: máquinas; veículos; prédios, entre outros. Chegamos, assim, aos conceitos de capital de giro e capital fixo. Este último representa o imobilizado. Veja, na figura 4, o fluxo de recursos das empresas, agora separado em itens de origens e itens de aplicações, conforme citado acima. Figura 4 ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS Uma vez compreendido o fluxo de recursos das empresas, torna-se necessário entender quem são os usuários das informações contábeis. Usuários das informações contábeis De acordo com estudo da Fipecafi (1995:59), define-se usuário como toda pessoa física ou jurídica que tenha interesse na avaliação da situação e do progresso de determinada entidade, seja tal entidade empresa, ente de finalidades não lucrativas, ou mesmo patrimônio familiar. Os usuários das informações contábeis podem ser: internos, que são os proprietários, diretores, gerentes e supervisores das empresas; externos, que são os acionistas, governo, fornecedores, clientes, entidades financeiras, entre outros. Cada usuário está interessado em um determinado tipo de informação, conforme ilustra o quadro 3. Quadro 3 USUÁRIOS DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL E A INFORMAÇÃO DESEJADA Usuário Natureza Informação desejada Alta e média administração Interno Análise de forma geral Empregos em geral Interno Medição de desempenho Acionistas Externo Fluxo de dividendos Governo Externo Recolhimento de tributos Fornecedores Externo Análise para concessão de crédito Clientes Externo Pós-venda dos bens adquiridos Entidades financeiras Externo Análise para concessão de crédito Como você observou, a necessidade de informações varia segundo o tipo de usuário, razão pela qual a contabilidade as organiza de forma a atender a todos. A informação contábil As demonstrações contábeis serão amplamente estudadas no próximo capítulo; assim, indicaremos aqui apenas o conceito principal de cada uma. Observe o seguinte: o balanço patrimonial indica a situação econômica e financeira de uma empresa em certo momento, ou seja, o resultado das transações que envolvem seus bens, direitos e obrigações; a demonstração de resultado do exercício indica o resultado do confronto entre receitas, custos e despesas; a demonstração do fluxo de caixa indica informações sobre a movimentação e o saldo de caixa e equivalentes de caixa; a demonstração das mutações do patrimônio líquido indica as variações ocorridas no patrimônio líquido das empresas, bem como a causa delas e o efeito que tiveram sobre esse patrimônio; a demonstração do valor adicionado, exigida para empresas de capital aberto, indica o valor da riqueza gerada pela organização e sua distribuição entre os elementos que contribuíram para a geração dessa riqueza; a demonstração de resultados abrangentes indica mudanças no patrimônio líquido, resultado de outras transações. As demonstrações contábeis resumem informações diversas, que observam os objetivos da contabilidade. Objetivos da contabilidade A informação contábil explicitada destina-se a duas finalidades: controle, que é o processo pelo qual a empresa se certifica que está agindo de acordo com os planos traçados; planejamento, que é o processo pelo qual se decidem as ações a serem empreendidas no futuro. Tais finalidades são complementares, já que o controle das atividades atuais é a base de dados para o planejamento futuro. Da mesma forma, como controle admite-se que a informação contábil será resultado do registro e acompanhamento de todo o ciclo operacional das empresas, que se resume nas atividades citadas na figura 5. Figura 5 CICLO OPERACIONAL DAS EMPRESAS Fonte: Perez Junior e Begalli (1999:80). No capítulo 4 deste livro, veremos em detalhes como mensurar o ciclo operacional em dias e em moeda, além de como otimizá-lo. Conceitos básicos da contabilidade Para melhor entendimento das demonstrações contábeis, torna-se necessário o conhecimento dos conceitos que se seguem. Dividiremos os conceitos pelos demonstrativos contábeis (Marion, 2005). Na demonstração de resultados do exercício, temos os gastos, que se apresentam da forma como na figura 6. Figura 6 GASTOS Gastos são todos os consumos de bens e serviços, adquiridos à vista ou a prazo, efetuados pelas empresas. Conforme suas características podem dividir-se em custos, despesas, perdas e investimentos. Em princípio, todo gasto, em algum momento, gera um desembolso. Desembolso deve ser conceituado como a saída de recursos financeiros para aquisição de bens e serviços ou pagamento de obrigações assumidas anteriormente. Vejamos exemplos para os itens citados: custos são os gastos (consumo de bens e serviços) efetuados com o objetivo de gerar bens ou prestação de serviços. Podemos exemplificar como: matérias-primas, mão de obra, custos indiretos etc.; insumos utilizados na produção de bens e serviços e demais insumos, como energia elétrica, depreciações e outros podem ser classificados em estoques, investimentos ou imobilizado; estoques: bens adquiridos ou produtos destinados a revenda; despesas representam o consumo de bens e serviços, adquiridos à vista ou a prazo, com o objetivo de gerar receitas. Como exemplos, citamos: despesas de vendas, tais como fretes, comissões, propaganda, entre outras; despesas administrativas, tais como salários e encargos do pessoal administrativo, aluguéis; despesas financeiras, tais como juros e encargos; despesas tributárias, tais como imposto de renda e contribuição social; perdas correspondem aos gastos anormais ou involuntários efetuados pelas empresas que não geram novos bens ou serviços e tampouco receitas. Podem ser citadas a inadimplência de clientes, a perda total de veículos avariados etc.;investimentos correspondem à aquisição de bens que serão ativados. Como exemplos, podemos citar: bens destinados à geração de renda, tal como aluguéis; imobilizado: bens destinados ao uso nas atividades produtivas (máquinas e equipamentos) ou administrativas e comerciais (móveis e utensílios). Assim, afirma-se que os custos e as despesas são considerados itens referentes a operações continuadas das empresas; as perdas são consideradas operações não continuadas ou descontinuadas. Por outro lado, as receitas representam os valores que uma empresa recebe ou tem direito a receber, provenientes de suas operações de vendas, de prestação de serviços ou de aplicações financeiras. Como exemplos de receitas, podemos citar: receita de vendas de produtos; receita de vendas de serviços; receitas de aluguéis; receitas financeiras. O encontro das receitas com as despesas e os custos gera lucro ou prejuízo, conforme explicitado na demonstração de resultados do exercício. Esse resultado representa a riqueza gerada pela empresa em certo período e irá incorporar o patrimônio líquido, no balanço patrimonial. O balanço patrimonial indica uma equação em que o ativo equivale ao passivo, que é resultado do somatório de passivo e patrimônio líquido, como o quadro 4 permite visualizar. Quadro 4 EQUAÇÃO DO BALANÇO PATRIMONIAL Ativo Passivo Patrimônio líquido Como ativo entende-se a aplicação de recursos, que as empresas utilizarão para geração de benefícios econômicos e financeiros futuros. Dessa forma, o ativo representa os bens e os direitos da entidade. Como exemplo de bens, citamos os estoques; como exemplo de direitos, as duplicatas a receber. Como veremos no próximo capítulo, o ativo terá seus valores alterados cada vez que ocorrer o reconhecimento contábil de uma receita, bem como pela obtenção de recursos com terceiros (capital de terceiros) ou com os acionistas da empresa (capital próprio). Como passivo entendem-se as origens de recursos que são financiados por terceiros e que representarão desembolsos futuros. Citamos, como exemplos, os empréstimos, os pagamentos a fornecedores, os impostos a pagar, os salários a pagar, entre outros. São entendidos como patrimônio líquido os recursos financiados pelos acionistas. Ele representa, de forma estática, as obrigações das empresas para com seus sócios. A figura 7 indica com clareza a geração de riqueza apurada pela demonstração de resultados do exercício por meio do lucro, que é incorporado ao patrimônio líquido logo em seguida. Deve ser também observado o fato de que os estoques transformaram-se em custos de produtos vendidos após a devida baixa pelas vendas dos produtos. Figura 7 INTERLIGAÇÃO ENTRE O BALANÇO PATRIMONIAL E A DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO Podemos então deduzir que ambas as demonstrações estão interligadas pela geração de lucros obtidos no período. Entretanto, muitas vezes há ocorrências qualitativas, não mensuráveis, que acabam por evidenciar certas limitações da contabilidade. Limitações da contabilidade O método da contabilidade a torna capaz de registrar fatos que são mensurados monetariamente com muita clareza, conforme exposto. Dessa forma, pode ocorrer que algumas decisões tomadas pelos usuários das informações contábeis sejam influenciadas por aspectos qualitativos que normalmente escapam do alcance da contabilidade. Estamos aqui nos referindo a variáveis como investimentos sociais, custo de oportunidade e agregação de valor para os clientes, entre outras, que não conseguem ser mensuradas pela contabilidade Tais limitações, no entanto, não invalidam o método contábil; apenas indicam ao usuário que as informações devem ser utilizadas levando-se em conta as limitações do método que as gerou. A contabilidade financeira e a contabilidade gerencial Como vimos até aqui, a contabilidade financeira apura e prepara a elaboração das informações econômicas e financeiras das empresas, divulgando-as a uma vasta clientela denominada usuários externos, entre os quais citamos: bancos, fornecedores, clientes, governo e entidades reguladoras. Como consequência, observa-se que é a contabilidade financeira direcionada por regras e normas, citadas anteriormente, e pelos postulados contábeis que serão citados a seguir. No entanto, os empresários necessitam utilizar uma informação contábil mais gerencial e mais detalhada, que será a base de dados para o processo decisório diário. Tais decisões são reações aos efeitos que as variáveis do macroambiente causam nos negócios e englobam informações que incluem, entre outros: clientes e mercados; inovações em produtos e serviços; qualidade total, tempo de processamento e custo dos processos internos críticos; capacidade dos funcionários e dos sistemas das empresas. As decisões têm reflexos diretos na lucratividade das organizações e garantem sua continuidade, por meio da geração contínua de novos recursos. Percebe-se claramente que a contabilidade gerencial está dimensionada para atender a duas funções fundamentais: o controle e a decisão. Como auxílio ao controle, a contabilidade gerencial contribui mediante o fornecimento de informações para o estabelecimento de padrões, orçamentos e outros tipos de previsões. Como auxílio às tomadas de decisões, contribui por meio de alimentação de informações relevantes, que dizem respeito às consequências de curto e longo prazos sobre medidas de eliminação de portfólio de produtos e de departamentos, ampliação de atividades, terceirização etc. As principais diferenças entre a contabilidade financeira e a contabilidade gerencial estão apresentadas no quadro 5. Quadro 5 DIFERENÇAS ENTRE A CONTABILIDADE FINANCEIRA E A CONTABILIDADE GERENCIAL Fatores Contabilidade financeira Contabilidade gerencial Principais usuários Investidores e credores. Administradores de vários níveis da organização. Liberdade de escolha Postulados e pressupostos contábeis. Nenhuma restrição além do custo x benefício. Enfoque no tempo Avaliação histórica. Visão do passado. Orientação para o futuro. Orçamentos e registros históricos. Relatórios Resumidos. Preocupação com a empresa como um todo. Detalhados. Preocupação com partes da empresa. Objetivos dos relatórios Análise financeira. Planejamento, controle, avaliação de desempenho. Prazos Menos flexíveis Mais flexíveis Bases de mensuração Moeda corrente. Várias bases correntes. Índices. Visão da empresa Empresa como um todo. Interesse nas partes. A informação é Precisa e objetiva. Rápida, com aproximações. A informação busca Objetividade. Utilidade. Diante do exposto, pode-se concluir que as diferenças entre contabilidade financeira e contabilidade gerencial giram em torno da utilização das informações geradas pelos diversos usuários e de seus diferentes objetivos. Estrutura conceitual para apresentação das demonstrações contábeis Conforme mencionado, a Lei das Sociedades por Ações foi modificada pela Lei no 11.638/2007. A partir dessa alteração, vários pronunciamentos foram emitidos; no entanto, em janeiro de 2008, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) emitiu um pronunciamento (CPC 00), atualizado em dezembro de 2011 (CPC 00 (R1)), que define a estrutura conceitual básica para a elaboração das demonstrações contábeis. Os demais pronunciamentos serão citados nos capítulos seguintes do livro. A finalidade dessa estrutura conceitual é: dar suporte ao desenvolvimento de novos Pronunciamentos Técnicos, Interpretações e Orientações e à revisão dos já existentes, quando necessário; dar suporte à promoção da harmonização das regulações, das normas contábeis e dos procedimentos relacionados à apresentação das demonstrações contábeis, provendouma base para a redução do número de tratamentos contábeis alternativos permitidos pelos Pronunciamentos, Interpretações e Orientações; dar suporte aos órgãos reguladores nacionais; auxiliar os responsáveis pela elaboração das demonstrações contábeis na aplicação dos Pronunciamentos Técnicos, Interpretações e Orientações e no tratamento de assuntos que ainda não tenham sido objeto desses documentos; auxiliar os auditores independentes a formar sua opinião sobre a conformidade das demonstrações contábeis com os Pronunciamentos Técnicos, Interpretações e Orientações; auxiliar os usuários das demonstrações contábeis na interpretação de informações nelas contidas, elaboradas em conformidade com os Pronunciamentos Técnicos, Interpretações e Orientações; e, proporcionar aos interessados informações sobre o enfoque adotado na formulação dos Pronunciamentos Técnicos, das Interpretações e das Orientações. A referida estrutura não é um Pronunciamento Técnico propriamente dito e, portanto, não define normas ou procedimentos para qualquer questão particular sobre aspectos de mensuração ou divulgação. Nada nesta Estrutura Conceitual substitui qualquer Pronunciamento Técnico, Interpretação ou Orientação [CPC 00 (R1)]. Portanto, o objetivo do Pronunciamento Conceitual Básico – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro – é apoiar como fonte para as premissas básicas e fundamentais na preparação e utilização das demonstrações contábeis através daqueles pronunciamentos técnicos. Assim, para observar e preparar a elaboração e apresentação das demonstrações contábeis, o CFC aprovou a Resolução no 2011/1.374 – NBC TG Estrutura Conceitual. A referida NBC foi publicada no Diário Oficial da União em 16 de dezembro de 2011. Essa resolução entrou em vigor em 1o de janeiro de 2011. Dela, devem-se observar os seguintes aspectos: premissa subjacente da continuidade; características qualitativas fundamentais (relevância e representação fidedigna) e características qualitativas de melhoria (comparabilidade, verificabilidade, tempestividade e compreensibilidade). Antes de prosseguirmos com o estudo da premissa subjacente e características qualitativas, fazemos uma breve explanação sobre a antiga característica qualitativa de confiabilidade, a característica essência sobre a forma e a característica da prudência (conservadorismo). A característica qualitativa confiabilidade foi redenominada de representação fidedigna; as justificativas constam das bases para conclusões. A característica essência sobre a forma foi formalmente retirada da condição de componente separado da representação fidedigna por ser isso considerado uma redundância. A representação pela forma legal que difira da substância econômica não pode resultar em representação fidedigna, conforme citam as Bases para Conclusões. Assim, essência sobre a forma continua, na realidade, bandeira insubstituível nas normas do IASB. A característica prudência (conservadorismo) foi também retirada da condição de aspecto da representação fidedigna por ser inconsistente com a neutralidade. Subavaliações de ativos e superavaliações de passivos, segundo os Boards mencionam nas Bases para Conclusões, com consequentes registros de desempenhos posteriores inflados, são incompatíveis com a informação que pretende ser neutra [CFC, 2011]. Premissa subjacente à elaboração dos relatórios contábil-financeiros: a elaboração dos relatórios contábil-financeiros tem como premissa a continuidade (going concern) da entidade. A entidade foi concebida como algo em marcha, ou seja, suas operações irão ocorrer por um futuro previsível. E qualquer ameaça a essa continuidade deverá ser informada aos diversos usuários da contabilidade (stakeholders) interessados na informação contábil. Caso a empresa entre num processo de liquidação, as demonstrações contábeis deverão ser elaboradas em bases diferentes daquelas entidades em continuidade. Como exemplo de ameaça à continuidade de uma entidade pode-se mencionar: determinada empresa vendeu 90% da sua receita para um determinado cliente e esse cliente solicitou uma concordata. Portanto, caso a empresa não consiga rapidamente localizar potenciais novos clientes, a continuidade da empresa ficará sensivelmente ameaçada. Portanto, a omissão do fato da continuidade pode influenciar as decisões que os usuários tomam com base na informação contábil-financeira. As características qualitativas são consideradas os atributos que fazem as demonstrações contábeis se tornarem úteis aos seus usuários. Foram definidas de modo a ter mais utilidade, fornecendo informações que auxiliem o processo decisório no melhor entendimento das empresas que as apresentam. De acordo com o CPC 00 (R1), de dezembro 2011, as características qualitativas, separadas em dois grupos, são as reputadas como mais úteis e fundamentais (A) e as que também auxiliam na escolha quando de alternativas equivalentes em termos de relevância e representação fidedigna (B). As características qualitativas das demonstrações contábeis podem ser visualizadas no quadro 6. Quadro 6 CARACTERÍSTICAS QUALITATIVAS (A) Reputadas como mais úteis e fundamentais Característica Descrição Relevância As informações são relevantes quando fazem a diferença nas decisões econômicas dos usuários, ajudando-os a avaliar o impacto de eventos passados, ou corrigindo as suas avaliações anteriores (valor confirmatório), ou ajudando-os nos processos para predizer resultados futuros (valor preditivo). A relevância depende da natureza e da materialidade do item em discussão. Representação fidedigna Diz respeito a três atributos: a informação precisa ser completa, neutra e livre de erro. Para ser completa, precisa conter o necessário para que o usuário compreenda o fenômeno sendo retratado. Para ser neutra, precisa estar desprovida de viés na seleção ou na apresentação, não podendo ser distorcida para mais ou para menos. Para ser livre de erro, precisa que o processo para obtenção da informação tenha sido selecionado e aplicado livre de erros. No caso de estimativa, ela é considerada tendo representação fidedigna se, além disso, o montante for claramente descrito como estimativa e se a natureza e as limitações do processo forem devidamente reveladas. (B) Características que também auxiliam na escolha quando de alternativas equivalentes em termos de relevância e representação fidedigna Característica Descrição Comparabilidade Permite a identificação e compreensão de similaridades e diferenças entre os itens. Comparabilidade implica, também, fazer com que coisas diferentes não pareçam iguais ou coisas iguais não pareçam diferentes. Comparabilidade é diferente da consistência, pois é o objetivo, enquanto a consistência é um auxílio na obtenção desse objetivo. Verticabilidade Implica diferentes observadores poderem chegar a um consenso sobre o retrato de uma realidade econômica, podendo, em certas circunstâncias, representar uma faixa de possíveis montantes com suas respectivas probabilidades. Pode ser direta ou indireta e, às vezes, se restringir à análise das premissas subjacentes a uma estimativa sobre o futuro. Tempestividade Significa estar a informação disponível a tempo de influenciar o usuário em sua decisão. Compreensibilidade Significa que a classificação, a caracterização e a apresentação da informação são feitas com clareza e concisão, tornando-a compreensível. Os relatórios contábil-financeiros são elaborados na presunção de que o usuário tem conhecimento razoável de negócios e que age diligentemente, mas isso não exclui a necessidade de ajuda de consultor para fenômenos complexos. Limitações na relevância e na confiabilidade das informações As limitações apresentadas no pronunciamento contábil são três, a saber: tempestividade,equilíbrio entre custo e benefício e equilíbrio entre características qualitativas. Tais limitações, que podem ser visualizadas no quadro 7, referem-se a todas as características qualitativas, não só àquelas sugeridas pela interpretação textual do pronunciamento. Quadro 7 LIMITAÇÕES NA RELEVÂNCIA E NA CONFIABILIDADE DAS INFORMAÇÕES Limitações Descrição Tempestividade Quando há demora indevida na divulgação de uma informação, é possível que ela perca a relevância. A administração da entidade necessita ponderar os méritos relativos entre a tempestividade da divulgação e a confiabilidade da informação fornecida. Para fornecer uma informação na época oportuna pode ser necessário divulgá-la antes que todos os aspectos de uma transação ou evento sejam conhecidos, prejudicando assim sua confiabilidade. Por outro lado, se para divulgar a informação a entidade aguardar até que todos os aspectos se tornem conhecidos, a informação pode ser altamente confiável, porém de pouca utilidade para os usuários que tenham tido necessidade de tomar decisões nesse ínterim. Para atingir o adequado equilíbrio entre a relevância e a confiabilidade, o princípio básico consiste em identificar qual a melhor forma para satisfazer as necessidades do processo de decisão econômica dos usuários. Equilíbrio entre custo e benefício Limitação de ordem prática, em vez de uma característica qualitativa. Os benefícios decorrentes da informação devem exceder o custo de produzi-la. Equilíbrio entre características qualitativas Na prática, é frequentemente necessário um balanceamento entre as características qualitativas. Geralmente, o objetivo é atingir um equilíbrio apropriado entre as características, a fim de satisfazer aos objetivos das demonstrações contábeis. A importância relativa das características em diferentes casos é uma questão de julgamento profissional. Fonte: Perez Junior e Begalli (2009:36). A aplicação de forma adequada do conjunto de conceitos citados deve fazer com que as demonstrações contábeis apresentem informações verdadeiras e apropriadas da posição patrimonial e financeira da empresa. Por fim, deve ser também citado o conceito geral de visão verdadeira e visão adequada. Estamos nos referindo à apresentação adequada, segundo a qual a essência econômica deve prevalecer sobre a forma jurídica. Assim, a aplicação das características qualitativas e de normas de contabilidade aceitas resulta em demonstrações contábeis que devem refletir o que se entende como apresentação verdadeira e adequada das informações de uma entidade. Como você viu, a contabilidade é um sistema de informações relevantes para as empresas em seus processos decisórios. Para situar você no contexto da ciência contábil, abordamos sua origem e evolução, os principais conceitos, as demonstrações contábeis, os pressupostos básicos, assim como as características dos usuários que necessitam dessas informações. Abordamos, também, as principais diferenças entre a contabilidade financeira e a contabilidade gerencial. No próximo capítulo, estudaremos com detalhes as demonstrações contábeis e as informações por elas geradas. 2 Estrutura das demonstrações contábeis A dinâmica dos mercados financeiros e dos mercados de capitais exerce papel fundamental no desenvolvimento econômico e na evolução das atividades empresariais. Aliado a isso, cabe destacar que a busca constante de melhoria na administração das entidades passa pelo conhecimento da contabilidade, sem o qual a gestão e o conjunto de informações necessárias para o processo da tomada da decisão ficariam inviabilizados. Tendo por objetivo demonstrar as mutações na estrutura patrimonial de entidades com finalidades lucrativas, caberá à contabilidade contemplar os diversos usuários interessados em informações sobre determinada entidade com demonstrações contábeis que permitirão aos mesmos conhecer sua situação econômica e financeira e, dessa forma, tomar suas decisões. Neste capítulo, apresentaremos o produto final da contabilidade, ou seja, o conjunto de relatórios que tem por finalidade evidenciar as modificações ocorridas na estrutura do patrimônio em decorrência dos fatos associados às tomadas de decisões por parte dos gestores e demais responsáveis pela administração e condução da entidade, cabendo também ficarem evidenciadas nos relatórios as mutações decorrentes de eventos não associados ao conjunto das decisões. Informação e demonstrações contábeis Para que as demonstrações contábeis tenham credibilidade e, ao mesmo tempo, gerem confiança por parte dos usuários, a informação deverá ser completa, demonstrando com fidedignidade todas as operações e outros fatos, sem erros em sua elaboração. Para tanto, o reconhecimento das transações e acontecimentos deverá ser registrado com base na substância e realidade dos fatos econômicos, e não de forma puramente legal, com total neutralidade e com o cuidado na elaboração das demonstrações contábeis. Estamos comprometidos com a fidedignidade, transparência e responsabilidade da informação a ser passada sobre a situação econômico-financeira, de modo a atender à demanda dos investidores que, ao alocar seus recursos em determinada atividade, buscam maximizar sua riqueza. As entidades com finalidade lucrativa nascem tendo por objetivo remunerar seus investidores, ou seja, nascem da alternativa de investimento por parte de determinadas pessoas. A variabilidade na estrutura patrimonial dessas entidades tem como fundamentação o processo de decisão por parte dos tomadores de decisão, fatores tecnológicos, políticas governamentais, concorrência, abertura de mercado e tantos outros que poderão impactar, de maneira positiva ou negativa, a estrutura do patrimônio da entidade. Compete à contabilidade elaborar demonstrações para que as decisões possam ser tomadas com o propósito de dar continuidade ao processo de gestão da entidade e contemplar os investidores e demais interessados com informações para que os mesmos possam decidir de modo a atender a suas demandas individuais ou coletivas. As demonstrações contábeis representam o produto final da contabilidade. Delas fluem valiosas informações, evidenciando a realidade de uma estrutura patrimonial que é fruto de determinada gestão. As demonstrações contábeis são relatórios acompanhados de informações complementares, que correspondem a determinado período, contendo aspectos qualitativos e quantitativos como consequência dos métodos aplicados na contabilização dos respectivos fatos. Geram informações financeiras sobre a entidade, sendo que seu principal objetivo é proporcionar informações sobre a posição financeira e o desempenho – além de demonstrar as modificações em sua posição financeira – que possam atender a um vasto número de usuários na tomada de decisão. As demonstrações contábeis são geradas em decorrência do registro de um grande número de fatos e eventos, que são agregados em grupos e subgrupos em função da sua natureza. Ao término serão apresentadas as demonstrações contábeis que são: balanço patrimonial; demonstração do resultado; demonstração do resultado abrangente; demonstração das mutações do patrimônio líquido; demonstração dos fluxos de caixa; demonstração do valor adicionado; notas explicativas, compreendendo o resumo das políticas contábeis significativas e outras informações explanatórias. As demonstrações interagem entre si e possuem objetivos definidos, conforme apresentado nas próximas seções. Balanço patrimonial O balanço patrimonial proporciona informações referentes à posição patrimonial e financeira da entidade em uma determinada data, evidencia as fontes de financiamentos representadas pelo capital próprio (capital social mais ou menos oresultado acumulado e pelo capital de terceiros). O capital próprio é representado pelo patrimônio líquido (PL) enquanto o capital de terceiros é representado pelo passivo. Essas fontes dão origem aos investimentos da entidade, ou seja, ao seu ativo. Temos que o balanço patrimonial da entidade é a relação de seus ativos, passivos e patrimônio líquido em uma data específica. Conforme pronunciamento CPC 00 (R1), itens 4.8/4.23, temos: (a) ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual se espera que fluam futuros benefícios econômicos para a entidade. (b) passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos passados, cuja liquidação se espera que resulte na saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos. (c) patrimônio líquido é o interesse residual nos ativos da entidade depois de deduzidos todos os seus passivos. Os elementos que compõem a estrutura do balanço patrimonial, os bens, os direitos, as obrigações e os elementos do patrimônio líquido são representados por contas patrimoniais. No ativo temos os bens e os direitos, que serão representados dentro da estrutura do balanço patrimonial em função do grau de liquidez de cada conta; no passivo representaremos as obrigações em função do grau de exigibilidade; e o patrimônio líquido será a diferença entre o ativo e o passivo. A representação do balanço patrimonial é feita considerando o ativo ao lado do passivo e do patrimônio líquido, como demonstrado no quadro 8. Quadro 8 FORMAÇÃO E REPRESENTAÇÃO DA ESTRUTURA PATRIMONIAL Balanço patrimonial Ativo Passivo + patrimônio líquido Bens Representam tudo que a empresa possui em termos corpóreos ou incorpóreos. Obrigações Representam os débitos – tudo que a empresa tiver a pagar. Direitos Representam os créditos – tudo que a empresa tiver a receber. Patrimônio líquido Representa a diferença entre o total do ativo menos o passivo. De forma bastante objetiva, podemos interpretar o balanço patrimonial pela ótica das origens e aplicações de recursos, conforme o quadro 9 permite visualizar. Quadro 9 ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS NA FORMAÇÃO DA ESTRUTURA PATRIMONIAL Investimentos Aplicações de recursos Balanço patrimonial Origens de recursos Fontes de financiamentos Ativo Passivo Bens Obrigações Caixa Liquidez Exigibilidade Direitos Patrimônio líquido Capital Total Total A informação deverá ser gerada de modo a atender a um conjunto heterogêneo de usuários, fato que nos leva a estruturar as demonstrações contábeis de modo a lhes permitir extrair as informações necessárias para a tomada da decisão. Na estrutura do balanço patrimonial, os ativos e passivos foram divididos em grupos, cada grupo dividido em subgrupos, sendo que dentro de cada subgrupo encontramos as respectivas contas, que representam os diversos elementos da estrutura patrimonial – no caso do ativo, os bens e os direitos; no passivo, as obrigações com terceiros e o patrimônio líquido. Tanto no ativo quanto no passivo teremos os elementos circulantes e não circulantes, que serão representados como grupos de contas separados no balanço patrimonial, exceto quando uma apresentação baseada na liquidez proporcionar informação confiável e mais relevante. Quando essa exceção for aplicável, todos os ativos e passivos devem ser apresentados por ordem de liquidez. Qualquer que seja o método de apresentação adotado, a entidade deve divulgar o montante esperado a ser recuperado ou liquidado em até 12 meses ou mais do que 12 meses, após o período de reporte, para cada item do ativo e passivo. O CPC 26 (R1) não prescreve a ordem ou o formato que deva ser utilizado na apresentação das contas do balanço patrimonial; entretanto, na Lei das S/A, no ativo, as contas são dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, isto é, dos itens de maior para os de menor liquidez. A doutrina contábil adota critério semelhante para o passivo: ordem decrescente de exigibilidade. Para tornar a informação ainda mais clara, devemos apresentar as informações do balanço patrimonial de acordo com o grau de liquidez e nível de exigibilidade, conforme os quadros 10 e 11. Quadro 10 REPRESENTAÇÃO DE ACORDO COM O GRAU DE LIQUIDEZ E NÍVEL DE EXIGIBILIDADE Balanço patrimonial Ativo Passivo Caixa Fornecedor Bancos Financiamentos a pagar Duplicatas a receber Patrimônio líquido Mercadorias Capital Veículos Reserva de lucro Imóveis Prejuízo acumulado Total Total Quadro 11 REPRESENTAÇÃO DO BALANÇO PATRIMONIAL DE FORMA SINTÉTICA Balanço patrimonial Ativo Passivo + patrimônio líquido Ativo circulante Disponível Créditos Estoque Impostos a recuperar Ativo não circulante Realizável a longo prazo Investimentos Imobilizado Intangível Passivo circulante Obrigações Passivo não circulante Obrigações Patrimônio líquido Capital social Reservas de capital Reservas de lucro Ajustes de avaliação patrimonial Prejuízo acumulado Total Total Conforme pronunciamento CPC 26 (R1), item 66, a entidade deve classificar um ativo como circulante quando: esperar realizar o ativo, ou pretender vendê-lo ou consumi-lo durante o ciclo operacional normal da entidade; o ativo for mantido essencialmente com a finalidade de negociação; esperar realizar o ativo no período de até 12 meses após a data das demonstrações contábeis; o ativo for caixa ou equivalente de caixa, a menos que sua troca ou uso para liquidação de passivo seja restrita durante pelo menos 12 meses após a data das demonstrações contábeis. A entidade deve classificar todos os outros ativos como não circulantes. Quando o ciclo operacional normal da entidade não for claramente identificável, presume-se que sua duração seja de 12 meses. Conforme pronunciamento CPC 26 (R1), item 69, a entidade deve classificar um passivo como circulante quando: esperar liquidar o passivo durante o ciclo operacional normal da entidade; o passivo for mantido essencialmente para a finalidade de negociação; o passivo for exigível no período de até 12 meses após a data das demonstrações contábeis; a entidade não tiver direito incondicional de diferir a liquidação do passivo durante pelo menos 12 meses após a data de divulgação. Os demais passivos serão classificados pela entidade como não circulantes. No patrimônio líquido, incluímos os recursos aportados pelos investidores, assim como os recursos gerados pela própria entidade, ou seja, os lucros formalmente incorporados à atividade como fonte de financiamento. No patrimônio líquido deveremos incluir: capital social; reservas de capital; ajustes de avaliações patrimoniais; reservas de lucros; ações em tesouraria; prejuízo acumulado. Avaliação dos ativos De acordo com o art. 183 da Lei no 6.404/1976 e suas subsequentes modificações, os elementos dos ativos serão avaliados conforme apresentado a seguir. Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: I. as aplicações em instrumentos financeiros, inclusive derivativos, e em direitos e títulos de créditos, classificados no ativo circulante ou no realizável a longo prazo: (a) pelo seu valor justo quando se tratar de aplicações destinadas a negociação ou disponíveis para venda; e (b) pelo custo de aquisição ou valor de emissão, atualizado conforme disposições legais ou contratuais, ajustado ao valor provável de realização, quando este for inferior, no caso das demais aplicações e os direitos e títulos de crédito; II. os direitos que tiverem por objeto mercadorias e produtos de comércio da companhia, assim como matérias-primas, produtos em fabricação e bens em almoxarifado, pelo custo de aquisição ou produção, deduzido de provisão para ajustá-lo ao valor de mercado, quando este for inferior; III. os investimentos em participação no capital social de outras sociedades,ressalvado o disposto nos arts. 248 a 250, pelo custo de aquisição, deduzido de provisão para perdas prováveis na realização do seu valor, quando essa perda estiver comprovada como permanente, e que não será modificado em razão do recebimento, sem custo para a companhia, de ações ou quotas bonificadas; IV. os demais investimentos, pelo custo de aquisição, deduzido de provisão para atender às perdas prováveis na realização do seu valor, ou para redução do custo de aquisição ao valor de mercado, quando este for inferior; V. os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão; VI. (revogado); VII. os direitos classificados no intangível, pelo custo incorrido na aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de amortização; VIII. os elementos do ativo decorrentes de operações de longo prazo serão ajustados a valor presente, sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante. Para efeito do disposto no art. 183 da Lei no 6.404/1976, §1o, alterado pela Lei no 11.941/2009, considera-se valor justo: (a) das matérias-primas e dos bens em almoxarifado, o preço pelo qual possam ser repostos, mediante compra no mercado; (b) dos bens ou direitos destinados à venda, o preço líquido de realização mediante venda no mercado, deduzidos os impostos e demais despesas necessárias para a venda, e a margem de lucro; (c) dos investimentos, o valor líquido pelo qual possam ser alienados a terceiros; (d) dos instrumentos financeiros, o valor que se pode obter em um mercado ativo, decorrente de transações não compulsórias realizadas entre partes independentes; e, na ausência de um mercado ativo para um determinado instrumento financeiro: 1) o valor que se pode obter em um mercado ativo com a negociação de outro instrumento financeiro de natureza, prazo e risco similares; 2) o valor presente líquido dos fluxos de caixa futuros para instrumentos financeiros de natureza, prazo e risco similares; ou 3) o valor obtido por meio de modelos matemático-estatísticos de precificação de instrumentos financeiros. De acordo com o §2o do art. 183 da Lei no 6.404/1976, a diminuição do valor dos elementos do ativo imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação na natureza ou obsolescência; (b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; (c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Conforme pronunciamento CPC 01 (R1), periodicamente a entidade deverá efetuar uma análise sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado e no intangível, a fim de que sejam: registradas as perdas de valor do capital aplicado quando houver decisão de interromper os empreendimentos ou atividade a que se destinavam ou quando comprovado que não poderão produzir resultados suficientes para recuperação desse valor; revisados e ajustados os critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, amortização e exaustão. Os estoques de mercadorias fungíveis destinadas à venda poderão ser avaliados pelo valor de mercado, quando esse for o costume mercantil aceito pela técnica contábil. Avaliação do passivo Os elementos dos passivos serão avaliados conforme definido no art. 184 da Lei no 6.404/1976: I. as obrigações, encargos e riscos, conhecidos ou calculáveis, inclusive o imposto sobre a renda a pagar com base no resultado do exercício, serão comutados pelo valor atualizado até a data do balanço; II. as obrigações em moeda estrangeira, com cláusula de paridade cambial, serão convertidas em moeda nacional à taxa de câmbio em vigor na data do balanço; III. as obrigações, os encargos e os riscos classificados no passivo não circulante serão ajustados ao seu valor presente, sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante. Procedimentos necessários para elaboração do balanço patrimonial Após a verificação do saldo atual das contas patrimoniais e de resultado, faz-se a análise detalhada da posição individual de cada elemento e, nada mais havendo a ser feito, apura-se o resultado, a fim de apresentar a demonstração do resultado e o balanço patrimonial correspondente ao referido período. Apresentação analítica do balanço patrimonial Conhecer a situação econômico-financeira é fundamental para a tomada de decisões a respeito de determinada entidade. O balanço patrimonial apresentado a seguir é uma das peças necessárias dentro do conjunto do produto final da contabilidade. Balanço patrimonial Ativo Ativo circulante Disponibilidades Caixa Bancos conta movimento Aplicações de liquidez imediata Créditos Duplicatas a receber (–) Ajuste a valor presente (–) Perda estimada em créditos de liquidação duvidosa Outros créditos Títulos a receber Aplicações financeiras Adiantamentos a empregados Estoque Matérias-primas Produtos em processo de fabricação Material de embalagem Produtos acabados Mercadorias Material de escritório (–) Provisão para ajuste a valor de mercado Despesas do exercício seguinte Prêmios de seguros a apropriar Juros a apropriar Ativo não circulante Realizável a longo prazo Créditos Duplicatas a receber Outros créditos Depósitos judiciais Depósitos compulsórios Valores a receber de pessoas ligadas Investimentos Participações permanentes em outras sociedades (–) Provisões estimadas Propriedades para investimentos Imóveis de renda Imobilizado Veículos Móveis e utensílios Prédios (–) Depreciação acumulada Intangível Marcas e nomes de produtos Fundos de comércio Desenvolvimento de software Goodwill (–) Amortização acumulada (–) Perda por irrecuperabilidade Total do ativo Passivo Passivo circulante Obrigações Fornecedores Duplicatas descontadas (–) Encargos financeiros a transcorrer Salários a pagar Impostos a recolher Passivo não circulante Exigível a longo prazo Obrigações Empréstimos a pagar Financiamentos a pagar Debêntures a pagar Impostos a recolher Patrimônio líquido Capital social Capital subscrito (–) Capital a subscrever Reservas Reservas de capital Reservas de lucro Ajustes de avaliação patrimonial (–) Ações em tesouraria (–) Prejuízo acumulado Total do passivo + patrimônio líquido Apresentamos a formação da estrutura patrimonial de uma entidade, seus elementos ativos, passivos e patrimônio líquido, a lógica de enquadramentos e avaliação desses diversos elementos. Demonstração do resultado do exercício (DRE) Essa demonstração apresentará informações relativas a um determinado período de apuração, enquanto no balanço patrimonial a informação corresponde ao dia da apresentação. Na demonstração do resultado, a informação corresponde ao intervalo de tempo entre os dois balanços. Na DRE, encontraremos todos os elementos que se caracterizam como receitas e despesas reconhecidas dentro do período. O confronto entre as receitas e as despesas evidenciará o resultado da entidade no respectivo momento da apuração. O resultado, quer dizer, o lucro ou o prejuízo do exercício será determinado pela diferença entre as receitas reconhecidas menos as despesas incorridas. O quadro 12 apresenta a representação simplificada da demonstração de resultado. Quadro 12 REPRESENTAÇÃO SIMPLIFICADA DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO Demonstração do resultado Receitas(–) Despesas (=) Lucro ou prejuízo do exercício Como disposto no art. 187 da Lei no 6.404/1976, serão apresentados na demonstração do resultado do exercício: I. a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II. a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e dos serviços vendidos e o lucro bruto; III. as despesas com vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas e outras despesas operacionais; IV. o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; V. o resultado do exercício antes do imposto de renda e a provisão para imposto; VI. as participações de debenturistas, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; VII. o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ações do capital social. A Lei no 11.941/2009, no art. 187, inciso IV, substituiu a expressão “receitas e despesas não operacionais” por “outras receitas e despesas”, ficando, dessa forma, em consonância com as normas internacionais; eliminou-se a expressão “não operacional”. Os ganhos ou as perdas na venda de ativos não circulantes que fazem parte do investimento, imobilizado ou intangível irão compor outras receitas ou outras despesas. É importante destacar a diferença entre o reconhecimento das receitas e o fluxo de caixa, as entradas de recursos provenientes das receitas geradas. O fato de haver receitas não se caracteriza, necessariamente, como fluxo positivo para nosso caixa, visto que as receitas serão reconhecidas quando da sua ocorrência e não quando do recebimento dos recursos. O fato de haver receita não significa que a entidade possua liquidez, sendo necessário, muitas das vezes, buscar fontes de financiamentos para atender a sua demanda de recursos. Equilibrar as receitas com a demanda de fluxo positivo de caixa não é tarefa nada fácil. Requer uma política extremamente racional de realização das vendas e respectivas cobranças, um esforço muito grande por parte dos gestores. A contabilização dos fatos é feita com base no regime de competência. As receitas serão reconhecidas quando de sua ocorrência e não quando de seu recebimento, assim como os gastos relacionados a essas receitas serão reconhecidos quando de sua ocorrência e não quando de seu pagamento. Pode-se perceber que o resultado da entidade em determinado período é apurado confrontando-se as receitas e os ganhos gerados, independentemente de seu recebimento, com as despesas, os encargos ou as perdas incorridos, independentemente do respectivo pagamento. O quadro 13 apresenta a representação analítica da demonstração do resultado com os diversos grupos de contas integrantes de sua estrutura. Quadro 13 REPRESENTAÇÃO ANALÍTICA DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO (CLASSIFICADO POR FUNÇÃO) Receita operacional líquida (–) Custo (=) Lucro bruto (–) Despesas operacionais Despesas administrativas e gerais Despesas comerciais (+/–) Outras receitas e despesas operacionais (+/–) Resultado da equivalência patrimonial Receitas de aluguéis (+/–) Resultado financeiro Despesas financeiras Receitas financeiras (=) Resultado operacional líquido (+) Outras receitas (–) Outras despesas (=) Resultado líquido antes da contribuição social e imposto de renda (–) Contribuição social sobre o lucro líquido e imposto de renda (=) Resultado do exercício depois dos impostos (–) Participações (=) Resultado líquido do exercício Ao término dessa demonstração, no caso das sociedades por ações, é obrigatório demonstrar o lucro ou prejuízo por ação do capital social. Vamos descrever a composição dos diversos grupos de contas integrantes dessa demonstração: receita operacional líquida; custo; lucro bruto; despesas operacionais – necessárias à estrutura de funcionamento da entidade, estão associadas às atividades principais e secundárias; outras receitas e despesas operacionais; resultado financeiro; resultado operacional líquido; outras receitas ou outras despesas; resultado líquido antes da contribuição social e do imposto de renda; contribuição social sobre o lucro e imposto de renda – tributos; participações – distribuição, a quem de direito, da parte que lhe cabe no resultado da empresa; resultado líquido do exercício – representa o lucro líquido da empresa proveniente daquele período de apuração. É obrigatória a indicação do lucro ou do prejuízo por ação, por força do disposto no art. 187, inciso VII, da Lei no 6.404/1976. Demonstração do resultado abrangente total Resultado abrangente total é a mudança no patrimônio líquido, durante o período, que resulta de transações e outros eventos que não os derivados de transações com os proprietários na sua capacidade de proprietários. A seguir, detalharemos cada elemento que o compõe: resultado do período – é o total das receitas deduzido das despesas, exceto os itens reconhecidos como outros resultados abrangentes no patrimônio líquido; ajuste de reclassificação – é o valor reclassificado para o resultado no período corrente que foi inicialmente reconhecido como outros resultados abrangentes, no período corrente ou em período anterior; o resultado abrangente total compreende todos os componentes da demonstração do resultado e da demonstração dos outros resultados abrangentes. O quadro 14 permite visualizar a estrutura da demonstração do resultado abrangente total. Quadro 14 ESTRUTURA DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE TOTAL Resultado líquido do exercício Outros resultados abrangentes (+/–) Acréscimos/decréscimos de PL que não transitaram pelo resultado nem vieram de sócios (+/–) Ajustes de avaliação patrimonial (=) Resultado abrangente total do exercício A linha outros resultados abrangentes compreende itens de receita e despesa (incluindo ajustes de reclassificação) que não são reconhecidos na demonstração do resultado como requerido ou permitido pelos pronunciamentos, interpretações e orientações emitidos pelo CPC. Os componentes dos outros resultados abrangentes incluem: variações na reserva de reavaliação quando permitidas legalmente (veja pronunciamentos técnicos CPC 27 – Ativo imobilizado e CPC 04 (R1) – Ativo intangível); ganhos e perdas atuariais em planos de pensão com benefício definido, reconhecidos conforme item 93A do Pronunciamento Técnico CPC 33 – Benefícios a empregados; ganhos e perdas derivados de conversão de demonstrações contábeis de operações no exterior (veja Pronunciamento Técnico CPC 02 (R2) – Efeitos das mudanças nas taxas de câmbio e conversão de demonstrações contábeis); ajuste de avaliação patrimonial relativo aos ganhos e perdas na remensuração de ativos financeiros disponíveis para venda (veja Pronunciamento Técnico CPC 38 – Instrumentos financeiros: reconhecimento e mensuração); ajuste de avaliação patrimonial relativo à efetiva parcela de ganhos ou perdas de instrumentos de hedge em hedge de fluxo de caixa (ver também Pronunciamento Técnico CPC 38). Apresentamos a formação e estrutura da demonstração do resultado da entidade e demonstração do resultado abrangente total, os tipos de receitas, ganhos, custos, despesas e perdas, além de critérios de reconhecimento das receitas e despesas. Demonstração dos fluxos de caixa Essa demonstração substitui a demonstração das origens e aplicações de recursos. Sua obrigatoriedade se deu pela Lei no 11.638/2007, art. 176, inciso IV, e as normas para sua elaboração foram definidas por meio do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC 03). O art. 1o da Lei no 11.638/2007 altera o §6o do art. 176 da Lei no 6.404/1976 ao determinar que companhiasfechadas com patrimônio líquido, na data do balanço, inferior a R$ 2 milhões não serão obrigadas à elaboração e publicação dessa demonstração. Por meio da demonstração dos fluxos de caixa, teremos condição de identificar as modificações ocorridas no fluxo de disponibilidades da entidade durante determinado período. É importante lembrar que quando nos referimos a fluxo de caixa não estamos falando somente da conta caixa, mas também dos equivalentes de caixa, como: numerários em mãos, depósitos bancários disponíveis, aplicações de curto prazo e aplicações de alta liquidez. No caso da demonstração das origens e aplicações de recursos, o objetivo era determinar a variação no capital circulante líquido de certo período. A demonstração do fluxo de caixa tem por objetivo apresentar os fatos que acarretam modificação no nível de disponibilidade, que é a base para avaliação financeira da entidade e sua capacidade de arcar como os pagamentos das suas obrigações. Será possível identificar: onde a entidade conseguiu captar os recursos; quanto dos recursos financeiros foi gerado internamente; como foi financiada a expansão com a compra de ativos imobilizados; se a entidade está se expandindo em ritmo mais acelerado do que sua geração de recursos; se a política de distribuição de dividendos está em equilíbrio com a geração operacional; quais os movimentos financeiros com os acionistas e os financiadores. Por meio da demonstração do resultado, a entidade apura seu resultado que, por sua vez, não evidencia necessariamente o real fluxo de caixa operacional do período, uma vez que o reconhecimento das receitas e das despesas é feito em consonância com o regime de competência. Sua elaboração poderá ser feita por meio do método direto ou indireto, sendo que a diferenciação ocorre no fluxo de caixa operacional. A entidade deve apresentar seus fluxos de caixa decorrentes das atividades operacionais, investimentos e financiamento da forma que seja mais apropriada a seus negócios. A classificação por atividade proporciona informações que permitem aos usuários avaliar o impacto de tais atividades sobre a posição financeira da entidade e o montante de seu caixa e equivalentes de caixa. Essas informações podem também ser usadas para avaliar a relação entre essas atividades. Um único fato pode incluir fluxos de caixa classificados em tais atividades. Por exemplo, quando o desembolso de caixa para pagamento de um empréstimo inclui tanto os juros quanto o principal, a parte dos juros pode ser classificada como atividade operacional, mas a parte do principal deve ser classificada como atividade de financiamento. O quadro 15 permite visualizar a demonstração dos fluxos de caixa em que os recebimentos e pagamentos são registrados nas três atividades distintas. Quadro 15 DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA Atividades operacionais Os fluxos de caixa advindos das atividades operacionais são basicamente derivados das principais atividades geradoras de receita da entidade. Portanto, eles geralmente resultam de transações e de outros eventos que entram na apuração do lucro líquido ou prejuízo. Exemplos de fluxos de caixa que decorrem das atividades operacionais são: recebimentos de caixa pela venda de mercadorias e pela prestação de serviços; recebimentos de caixa decorrentes de royalties, honorários, comissões e outras receitas; pagamentos de caixa a fornecedores de mercadorias e serviços; pagamentos de caixa a empregados ou por conta de empregados; recebimentos e pagamentos de caixa, por seguradora, de prêmios e sinistros, anuidades e outros benefícios da apólice; pagamentos ou restituição de caixa de impostos sobre a renda, a menos que possam ser especificamente identificados com as atividades de financiamento ou de investimento; recebimentos e pagamentos de caixa de contratos mantidos para negociação imediata ou disponíveis para venda futura. Atividades de investimentos A divulgação em separado dos fluxos de caixa advindos das atividades de investimento é importante em função de tais fluxos de caixa representarem a extensão em que os dispêndios de recursos são feitos pela entidade com a finalidade de gerar lucros e fluxos de caixa no futuro. Somente desembolsos que resultam em ativo reconhecido nas demonstrações contábeis são passíveis de classificação como atividades de investimento. Exemplos de fluxos de caixa advindos das atividades de investimento são: pagamentos em caixa para aquisição de ativo imobilizado, intangíveis e outros ativos de longo prazo. Esses pagamentos incluem aqueles relacionados aos custos de desenvolvimento ativados e aos ativos imobilizados de construção própria; recebimentos de caixa resultantes da venda de ativo imobilizado, intangíveis e outros ativos de longo prazo; pagamentos em caixa para aquisição de instrumentos patrimoniais ou instrumentos de dívida de outras entidades e participações societárias em joint ventures (exceto aqueles pagamentos referentes a títulos considerados equivalentes de caixa ou aqueles mantidos para negociação imediata ou futura); recebimentos de caixa provenientes da venda de instrumentos patrimoniais ou instrumentos de dívida de outras entidades e participações societárias em joint ventures (exceto aqueles recebimentos referentes aos títulos considerados equivalentes de caixa e aqueles mantidos para negociação imediata ou futura); adiantamentos em caixa e empréstimos feitos a terceiros (exceto aqueles adiantamentos e empréstimos feitos por instituição financeira); recebimentos de caixa pela liquidação de adiantamentos ou amortização de empréstimos concedidos a terceiros (exceto aqueles adiantamentos e empréstimos de instituição financeira); pagamentos em caixa por contratos futuros, a termo, de opção e swap, exceto quando tais contratos forem mantidos para negociação imediata ou futura, ou os pagamentos forem classificados como atividades de financiamento; e recebimentos de caixa por contratos futuros, a termo, de opção e swap, exceto quando tais contratos forem mantidos para negociação imediata ou venda futura, ou os recebimentos forem classificados como atividades de financiamento. Atividades de financiamentos A divulgação separada dos fluxos de caixa advindos das atividades de financiamento é importante por ser útil na predição de exigências de fluxos de caixa futuros por parte de fornecedores de capital à entidade. Exemplos de fluxos de caixa advindos das atividades de financiamento são: caixa recebido pela emissão de ações ou outros instrumentos patrimoniais; pagamentos em caixa a investidores para adquirir ou resgatar ações da entidade; caixa recebido pela emissão de debêntures, empréstimos, notas promissórias, outros títulos de dívida, hipotecas e outros empréstimos de curto e longo prazos; amortização de empréstimos e financiamentos; pagamentos em caixa pelo arrendatário para redução do passivo relativo a arrendamento mercantil financeiro. Fonte: transcrito de CPC 03 (R2) – Demonstração dos fluxos de caixa, itens 14, 16 e 17. Há dois modelos de fluxo de caixa: o direto e o indireto. Método indireto Esse método tem uma grande capacidade informacional, permitindo visualizar a relação entre o lucro e o caixa. Há, também, a possibilidade de identificar e analisar o efeito das políticas de administração do capital circulante sobre o fluxo de caixa. Nessa evidenciação, é efetuada uma forma de conciliação entre o resultado obtido na demonstração do resultado e o caixa gerado pelas atividades operacionais. Tal informação é muito importante para o entendimento da situação da empresa e para efetuar projeções. O quadro 16 apresenta o modelo de papel de trabalho para elaboração do fluxo de caixa. Quadro 16 MODELO DE PAPEL DE TRABALHO PARA ELABORAÇÃO DA DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA Variações no caixa Contas Ano anterior Ano atual Origens Aplicações Ativo Ativocirculante Disponível Créditos Mercadorias Ativo não circulante Investimentos Participações societárias Total ativo Passivo Passivo circulante Empréstimos a pagar Contas a pagar Passivo não circulante Patrimônio líquido Capital Reserva de lucro Total passivo + PL Total das variações O quadro 17 permite visualizar o modelo analítico da demonstração dos fluxos de caixa pelo método indireto. Quadro 17 MODELO ANALÍTICO DA DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA PELO MÉTODO INDIRETO Fluxo de caixa das atividades operacionais Lucro líquido do exercício Despesas (receitas) que não afetam o caixa: Provisão para créditos de liquidação duvidosa Depreciação e amortização Variações monetárias de longo prazo líquidas Equivalência patrimonial Variações no ativo circulante Créditos de clientes Outros créditos Estoques Pagamentos antecipados Variações no passivo circulante Fornecedores Salários a pagar Tributos e contribuições sociais Outras contas a pagar Caixa líquido gerado pelas atividades operacionais Fluxo de caixa das atividades de investimentos Adições em investimentos Aquisição de bens do ativo imobilizado Acréscimos do ativo intangível Venda de bens do ativo imobilizado Caixa líquido utilizado nas atividades de investimentos Fluxo de caixa das atividades de financiamento Aumento do capital Obtenção de empréstimos e financiamentos Pagamentos de financiamentos Pagamento de dividendos Caixa líquido gerado pelas atividades de financiamento Variação do caixa (aumento ou diminuição) Saldo atual Saldo anterior Variação do caixa Método direto Na elaboração do fluxo de caixa pelo método direto, faz-se uma descrição de entradas e saídas no disponível durante o exercício. Vejamos sua estrutura por meio do quadro 18. Quadro 18 MODELO ANALÍTICO DA DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA PELO MÉTODO DIRETO Fluxos das atividades operacionais Recebimento de duplicatas Recebimento de juros Recebimento de aluguel Pagamentos a fornecedores Pagamentos de impostos, taxas e contribuições Pagamentos de despesas operacionais Fluxos das atividades de investimentos Recebimento do principal de empréstimos concedidos Recebimento do resgate de investimentos temporários Recebimento da alienação de participações societárias Desembolso de empréstimos e financiamentos concedidos Pagamento na aquisição à vista de participações societárias Pagamento na aquisição à vista de imobilizados Fluxos das atividades de financiamentos Aporte de capital em espécie Recebimento de empréstimos obtidos Recebimento de financiamentos obtidos Pagamento do principal de empréstimo obtido Pagamento do principal de financiamento obtido Variação do caixa (aumento/diminuição) Atual Anterior Variação do caixa Apresentamos a estrutura da demonstração dos fluxos de caixa e os respectivos critérios de elaboração e avaliação das fontes de financiamentos e investimentos. Demonstração das mutações do patrimônio líquido Por meio dessa demonstração teremos condições de identificar as modificações ocorridas nos elementos que compõem o patrimônio líquido da entidade, bem como os fatos que as causaram. Os diversos tipos de operações patrimoniais podem afetar ou não o patrimônio líquido. São operações que afetam o total do patrimônio: acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício; redução por dividendo; acréscimo por integralização de capital; acréscimo pelo recebimento de valor que exceda o valor nominal das ações subscritas e integralizadas ou o preço de emissão das ações sem valor nominal; redução por ações próprias adquiridas ou acréscimo por sua venda; acréscimo ou redução por ajustes de exercícios anteriores. São operações que não afetam o total do patrimônio líquido: aumento de capital com utilização de lucros e reservas; redução do saldo de lucros acumulados para formação de reservas, tais como reserva legal, reserva estatutária, reserva para contingência e outras; reversão de reservas de lucros para a conta de prejuízo acumulado; compensação de prejuízos com reservas e outros. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC 26 (R1)) determina que a entidade apresente na demonstração das mutações do patrimônio líquido: (a) o resultado abrangente do período, apresentando separadamente o montante total atribuível aos proprietários da entidade controladora e o montante correspondente à participação de não controladores; (b) para cada componente do patrimônio líquido, os efeitos das alterações nas políticas contábeis e as correções de erros reconhecidas de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 23 – Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro; (c) para cada componente do patrimônio líquido, a conciliação do saldo no início e no final do período, demonstrando-se separadamente as mutações decorrentes: I. do resultado líquido; II. de cada item dos outros resultados abrangentes; III. de transações com os proprietários realizadas na condição de proprietário, demonstrando separadamente suas integralizações e as distribuições realizadas, bem como modificações nas participações em controladas que não implicaram perda do controle [CPC 26 (R1), item 106]. O patrimônio líquido deve apresentar o capital social, as reservas de capital, os ajustes de avaliação patrimonial, as reservas de lucros, as ações ou quotas em tesouraria, os prejuízos acumulados, se legalmente admitidos os lucros acumulados e as demais contas exigidas pelos pronunciamentos técnicos emitidos pelo CPC [CPC 26 (R1), item 106B]. O quadro 19 permite visualizar o modelo da demonstração das mutações do patrimônio líquido. Quadro 19 DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital realizado Reservas Prejuízo acumulado Total Saldo inicial Eventos ... ... Saldo final Apresentamos a estrutura e os critérios para elaboração da demonstração das mutações do patrimônio líquido. Demonstração do valor adicionado Normalmente, quando investimos buscamos agregar valor à nossa estrutura patrimonial, ou seja, proporcionar aumento de nossa riqueza. Como é do conhecimento da grande maioria das pessoas que a estrutura de crescimento dos patrimônios dependerá de sua capacidade de gerar individualmente riqueza em determinado período, temos que o valor adicionado ou valor agregado será representado pela riqueza que cada patrimônio cria, e o somatório das importâncias agregadas representa a soma das riquezas criadas. O produto interno bruto é calculado pelo somatório dos valores agregados que os agentes econômicos geram, estes representados pelas pessoas físicas, jurídicas com fins lucrativos, entidades sem fins lucrativos, governo, associações, fundações e outros. A soma dos diversos valores agregados representará a riqueza gerada de um país. A demonstração do valor adicionado indicará quanto da riqueza gerada caberá a cada um dos agentes que contribuíram para sua formação, ou seja, quanto caberá aos sócios ou acionistas, aos financiadores (capital de terceiros) e aos empregados, bem como a parte que pertence ao governo. Do conjunto das demonstrações contábeis apresentadas não se pode inferir a parcela de riqueza criada, já que as demonstrações financeiras evidenciam, para seus usuários, um conjunto de informações de natureza fundamentalmente econômico-financeira. A demonstração do resultado evidencia as informações no contexto de fluxo de receitas e despesas. O balanço patrimonial, assim como as demais demonstrações, evidencia as fontes de financiamentos, suas alocações e o patrimônio. Em síntese, segundo Silvério das Neves e Paulo Eduardo Viceconti (2001:72): (a) a demonstração do resultado do exercício identifica apenas qual a parcela dariqueza criada que efetivamente permanece na empresa na forma de lucro; logo, não identifica as demais gerações de riquezas (valores adicionados ou agregados); (b) as demais demonstrações financeiras também não são capazes de indicar quanto de valor (riqueza) a entidade está adicionando ou agregando às mercadorias ou insumos que adquire; (c) as demonstrações mencionadas não identificam, ainda, quanto e de que forma foram distribuídos os valores adicionados ou agregados (ou seja, não identificam de que forma foram distribuídas as riquezas criadas pela empresa). A elaboração da demonstração do valor adicionado se fará com base no saldo das contas fornecidas pela contabilidade e constantes das demonstrações publicadas. A dificuldade que o usuário externo tem para elaborar a demonstração do valor adicionado reside no fato de que as empresas não têm o hábito de apresentar a formação dos custos dos produtos ou serviços vendidos nem dos estoques, assim como as despesas. Para decompor esses custos e despesas é preciso saber: o custo da matéria-prima; o custo da mão de obra; o custo dos gastos gerais de fabricação; a origem dos elementos que estão sendo aplicados no processo de formação dos custos; se os materiais aplicados foram adquiridos no mercado ou gerados internamente; se os serviços são de terceiros ou foram obtidos internamente; os elementos que compõem as despesas de vendas; os elementos que compõem as despesas administrativas; os elementos que compõem as despesas financeiras; os elementos que compõem outras despesas operacionais. Vale destacar que ao valor dos insumos adquiridos de terceiros utilizados no processo produtivo deve-se somar o valor do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS) e do imposto sobre produtos industrializados (IPI), excluído na elaboração da demonstração do resultado. O valor a ser destinado ao governo, representado pelos custos tributários, será a diferença entre os impostos e contribuições incidentes sobre as receitas e os respectivos valores incidentes sobre os itens considerados “insumos adquiridos de terceiros”. Cumpre ainda ressaltar que na elaboração da DVA deve ser utilizado o regime de competência – nesse caso os impostos incidentes sobre as vendas devem ser confrontados com os impostos incidentes sobre os produtos vendidos e não sobre as compras. O quadro 20 permite visualizar o conjunto de elementos que compõem a demonstração do valor adicionado da empresa, conforme apresentado pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC 09). Quadro 20 MODELO DA DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO 1 – Receitas 1.1 – Vendas de mercadorias, produtos e serviços 1.2 – Outras receitas 1.3 – Receitas relativas à construção de ativos próprios 1.4 – Prov. p/ créd. liq. duvidosa – reversão/(constituição) 2 – Insumos adquiridos de terceiros (incluem ICMS, PIS, Cofins e IPI) 2.1 – Custos dos produtos, mercadorias e serviços 2.2 – Materiais, energia, serviços de terceiros e outros 2.3 – Perdas/recuperação de valores ativos 2.4 – Outros (especificar) 3 – Valor adicionado bruto (1 – 2) 4 – Depreciação, amortização e exaustão 5 – Valor adicionado líquido produzido pela entidade (3 – 4) 6 – Valor adicionado recebido em transferência 6.1 – Resultado da equivalência patrimonial 6.2 – Receitas financeiras 6.3 – Outros 7 – Valor adicionado total a distribuir (5 + 6) 8 – Distribuição do valor adicionado 8.1 – Pessoal 8.1.1 – Remuneração direta 8.1.2 – Benefícios 8.1.3 – FGTS 8.2 – Impostos, taxas e contribuições 8.2.1 – Federais 8.2.2 – Estaduais 8.2.3 – Municipais 8.3 – Remuneração de capitais de terceiros 8.3.1 – Juros 8.3.2 – Aluguéis 8.3.3 – Outras 8.4 – Remuneração de capitais próprios 8.4.1 – Juros sobre capital próprio 8.4.2 – Dividendos 8.4.3 – Lucros retidos/prejuízo do exercício 8.4.4 – Participação dos não controladores nos lucros retidos A demonstração do valor adicionado deverá apresentar, de maneira detalhada, a riqueza criada pela entidade. A receita corresponde ao faturamento bruto e inclui os valores dos tributos incidentes sobre essas receitas, ou seja, o ICMS, o IPI, o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para Fins Sociais (Cofins). Na demonstração do valor adicionado, o IPI será computado no total da receita, diferentemente do que acontece na demonstração do resultado do exercício. As outras receitas são representadas pela alienação de ativos não circulantes, como a venda de imobilizados, participações societárias e outras transações incluídas na demonstração do resultado do exercício que não evidenciem transferência à companhia de riqueza criada por outras entidades. As receitas relativas à construção de ativos próprios e os juros pagos ou creditados que tenham sido incorporados aos valores dos ativos de longo prazo, diferentemente dos critérios contábeis, farão parte da demonstração do valor adicionado. Os materiais e serviços apresentados logo abaixo das receitas compreendem os gastos com terceiros, consumidos na formação do custo de produção das mercadorias vendidas ou dos serviços prestados no referido período. São também considerados os outros materiais e serviços que, nesse caso, estão representados pelas despesas administrativas e outras despesas com vendas. No modelo apresentado, trabalha-se com o conceito de valor adicionado líquido, pois considera-se a depreciação retenção de valor adicionado para repor capital físico. Ao valor adicionado recebido em transferência adicionaremos o resultado da equivalência patrimonial e as receitas financeiras. Apresentamos a estrutura e os critérios para elaboração da demonstração do valor adicionado. Notas explicativas As notas explicativas contêm informação adicional em relação à apresentada nas demonstrações contábeis. Elas oferecem descrições narrativas ou segregações e aberturas de itens divulgados nessas demonstrações e informação acerca de itens que não se enquadram nos critérios de reconhecimento nas demonstrações contábeis. De acordo com a Lei no 11.941/2009 e a Lei no 6.404/1976, art. 176, §5o, as notas explicativas devem: I. apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações financeiras e das práticas contábeis específicas selecionadas e aplicadas para negócios e eventos significativos; II. divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis adotadas no Brasil que não estejam apresentadas em nenhuma outra parte das demonstrações financeiras; III. fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demonstrações financeiras e consideradas necessárias para uma apresentação adequada [Lei no 6.404/1976, art. 176, §5o]. O rol de notas explicativas apresentadas, que não elimina a necessidade de divulgar outras informações relevantes aqui contempladas, compreende: ações em tesouraria; ágio/deságio; ajustes de exercícios anteriores; alteração de método ou critério contábil; ativo contingente; capacidade ociosa; capital social; capital social autorizado; continuidade normal dos negócios; critérios de avaliação; debêntures; demonstração em moeda de capacidade aquisitiva constante; demonstrações condensadas; demonstrações contábeis consolidadas; destinações constantes em acordo de acionistas; dividendo por ação; dividendos propostos; empreendimentos em fase de implantação; equivalência patrimonial; estoques; eventos subsequentes; fundo imobiliário; imposto de renda e contribuição social; incorporação, fusão e cisão; instrumentos financeiros; investimentos societários no exterior; juros sobre o capital próprio; lucro ou prejuízo por ação; obrigações de longo prazo; ônus, garantias e responsabilidades eventuais e contingentes; opções de compra de ações; plano de aposentadoria e pensão; programa de desestatização; provisão para créditos de liquidação duvidosa; Refis; remuneração dos administradores; reservas – detalhamento;reserva de lucros a realizar; retenção de lucros; seguros; transações com partes relacionadas; variação cambial; vendas ou serviços a realizar; voto múltiplo. Apresentamos a estrutura e os critérios para elaboração das notas explicativas. Relatório da administração Deverá ser publicado juntamente com as demonstrações contábeis do encerramento do exercício social, fornecendo dados e informações complementares para que os usuários possam melhor compreender a entidade e, assim, tomar suas decisões com maior fundamentação. O quadro 21 evidencia o modelo do relatório da administração. Quadro 21 MODELO DE RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO Senhoras e senhores acionistas, Apresentamos, a seguir, relatório das principais atividades no exercício de 2t10, juntamente com as demonstrações contábeis elaboradas em conformidade com a legislação societária, acrescidas de demonstrativos complementares e anexos que consideramos importantes para mostrar o desempenho da nova companhia para a sociedade, parceiros e clientes. [Poderemos comentar sobre: cenário econômico no qual se insere a atividade empresarial; indicadores de qualidade e produtividade; desenvolvimento tecnológico; política social; política ambiental; eventos subsequentes e expectativas com relação ao futuro; planos de expansão; desempenho em relação aos concorrentes, responsabilidade social etc.; dados estatísticos em geral.] Registramos nossos agradecimentos aos membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal pelo apoio prestado ao debate e encaminhamento das questões de mais interesse da companhia. Nosso reconhecimento à dedicação e ao empenho do quadro funcional, extensivamente a todos os demais que, direta ou indiretamente, contribuíram para o cumprimento da missão da companhia. Apresentamos a estrutura e os critérios para elaboração do relatório da diretoria. Relatório dos auditores independentes O relatório dos auditores reflete seu entendimento acerca dos dados que examinaram, de uma forma padrão e resumida, que dê aos leitores em geral uma noção dos trabalhos que realizaram e, principalmente, o que concluíram. Trata-se de parecer, que independe dos diretores e funcionários da entidade, sobre as demonstrações contábeis. A seguir, é apresentado, no quadro 22, um modelo de parecer dos auditores independentes. Quadro 22 MODELO DE RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES Ao Conselho de Administração e acionistas da companhia, 1. Examinamos os balanços patrimoniais da companhia levantados em 31 de dezembro de 2011 e 2010, apresentados sob os títulos da legislação societária e em moeda de capacidade aquisitiva constante, bem como as respectivas demonstrações de resultado, das mutações do patrimônio líquido e da demonstração do fluxo de caixa correspondentes aos anos findos naquelas datas, elaborados sob a responsabilidade de sua administração. Nossa responsabilidade é expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis. 2. Nossos exames foram conduzidos de acordo com as normas brasileiras de auditoria e compreenderam: (a) o planejamento dos trabalhos, considerando a relevância dos saldos, o volume das transações, os sistemas contábeis e os controles internos da companhia; (b) a constatação, com base em testes, das evidências e dos registros que suportam os valores e as informações contábeis divulgadas; (c) a avaliação das práticas e das estimativas contábeis mais representativas adotadas pela administração da companhia, bem como das demonstrações contábeis tomadas em conjunto. 3. Em nossa opinião, as demonstrações contábeis, conformes com a legislação societária, mencionadas no primeiro parágrafo, representam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da companhia em 31 de dezembro de 2011 e 2010, o resultado de suas operações, as mutações de seu patrimônio líquido e as modificações no fluxo de caixa referentes aos anos findos naquelas datas, de acordo com as práticas contábeis emanadas da legislação societária brasileira. 4. A nosso ver, as demonstrações contábeis em moeda de capacidade aquisitiva constante, mencionadas no primeiro parágrafo, refletem adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da companhia nas referidas datas, os resultados das suas operações, as mutações do seu patrimônio líquido e as variações no fluxo de caixa, e estão de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade aplicados no Brasil. 5. Essas informações foram por nós examinadas de acordo com os procedimentos de auditoria mencionados no segundo parágrafo e, em nossa opinião, estão adequadamente apresentadas, em todos os aspectos relevantes, em relação às demonstrações contábeis tomadas em conjunto. Rio de Janeiro, (Dados dos responsáveis pela auditoria) Como você observou, este capítulo teve como objetivo demonstrar a importância das demonstrações contábeis no processo de gestão das empresas. A interpretação dos relatórios que as compõem é de vital importância para o gestor, que, baseado nas informações obtidas, poderá tomar decisões sobre a situação econômica e financeira da organização, política de investimentos, captação de recursos, custeio dos produtos, distribuição dos resultados, bem como contribuir significativamente para o desenvolvimento do planejamento orçamentário. Apresentamos detalhadamente o que significa e quais os objetivos de cada relatório componente das demonstrações contábeis, e que tipo de informações é possível obter dessas ferramentas. Demonstramos, de acordo com a legislação em vigor (Lei no 11.638/2007 e Lei no 11.941/2009) e com os pronunciamentos do CPC, o balanço patrimonial, a demonstração de resultado do exercício, a demonstração dos fluxos de caixa, a demonstração das mutações do patrimônio líquido, a demonstração do valor adicionado e as notas explicativas. Além desses, evidenciamos o relatório da administração e o modelo do relatório dos auditores independentes. A partir da leitura deste capítulo, você terá embasamento suficiente para compreender o que apresentaremos nos capítulos seguintes, ou seja, a elaboração das demonstrações contábeis, o patrimônio líquido e sua composição e os critérios de análise econômico-financeira. 3 Elaboração das demonstrações contábeis e composição do patrimônio líquido Este capítulo abordará as técnicas para elaboração das demonstrações contábeis e a composição do patrimônio líquido. Nosso objetivo é expor o conteúdo da contabilidade em linguagem prática por meio da apresentação dos lançamentos contábeis em uma tabela denominada simulação patrimonial. Desenvolvemos a simulação patrimonial com o intuito de substituir os razonetes, bem como a linguagem do “débito” e “crédito” no registro das transações, objetivando facilitar a aprendizagem da contabilidade por meio da soma e/ou diminuição dos recursos de cada conta, com o pensamento focado nas fontes e aplicações de recursos. Elaboramos a tabela simulação patrimonial inspirados no modelo desenvolvido por Szuster et al. (2013:34), tratado como matriz de lançamentos, em que os autores enfatizam que “através da Matriz de Lançamentos conseguimos tornar mais imediato o raciocínio realizado nos razonetes”. A partir da tabela simulação patrimonial serão elaboradas as demonstrações contábeis fundamentais: balanço patrimonial, demonstração de resultado, demonstração dos fluxos de caixa e demonstração das mutações do patrimônio líquido. Critérios de elaboração das demonstrações contábeis Como vimos no primeiro capítulo, a contabilidade é a ciência que tem por objetivo registrar as transações ocorridas na entidade para gerar informações em níveis econômico e financeiro que auxiliem os gestores na tomada de decisões. Essas informações são geradas por meio das demonstrações contábeis, que norteiam os usuários internos sobre osrumos que devem ser trilhados pela organização, e os usuários externos sobre as decisões de investimentos, captação de recursos, avaliação da liquidez, grau de endividamento, lucratividade, rentabilidade, entre outros. Apresentaremos o processo de elaboração das demonstrações contábeis por meio de dois exemplos hipotéticos, o da empresa comercial BETA e o da empresa industrial GAMA. Considerando o uso da tabela simulação patrimonial para o registro das transações, faremos sua aplicação integral elaborando a demonstração de resultado, o balanço patrimonial, a demonstração dos fluxos de caixa e a demonstração das mutações do patrimônio líquido em 31/12/x5 da empresa comercial BETA, baseados nos seguintes dados: Saldos do balancete de verificação da empresa BETA em 30/11/x5: BALANCETE DE VERIFICAÇÃO – EMPRESA BETA Contas Ativo Contas Passivo + PL Caixa 3.500 Fornecedores 1.000 Clientes 4.500 Empréstimos 2.500 Estoques 1.000 Capital 4.000 Lucros acumulados 1.500 9.000 9.000 Informações adicionais: o estoque inicial de mercadorias é composto de 20 unidades por $ 50,00 cada. A empresa adota o custo médio ponderado móvel para avaliação do estoque; distribuição do lucro acumulado no encerramento do exercício, da seguinte maneira: Dividendos provisionados 25%: Reservas de lucros 75%: Transações realizadas no mês de dezembro/x5: 1. compra de 30 unidades de mercadoria para revenda por $ 60 cada, sendo pagos 40% à vista e o restante em 90 dias; 2. venda de 40 unidades do estoque disponível por $ 80 cada, sendo 80% à vista e 20% a prazo; 3. recebimento de 50% do saldo de clientes; 4. compra de 20 unidades de mercadoria para revenda por $ 65 cada, com pagamento à vista; 5. pagamento de despesas administrativas no valor de $ 85; 6. pagamento dos juros sobre empréstimos referentes a 0,6% do capital financiado; 7. venda de 25 unidades do estoque disponível por $ 100 cada, sendo 90% à vista e 10% a prazo; 8. pagamento referente a gastos com propaganda e publicidade no valor de $ 190; 9. pagamento de 50% da dívida com fornecedores; 10. aplicação de 80% da disponibilidade financeira em fundos de investimentos; 11. transferência do resultado do exercício para a conta lucros acumulados. Apresentação dos saldos iniciais da simulação patrimonial: Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros acumulados Resultado Saldos em 30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0 9.000 9.000 Registro de cada transação na simulação patrimonial: 1. Compra de 30 unidades de mercadoria para revenda por $ 60 cada, sendo pagos 40% à vista e o restante em 90 dias: aumento de bens no ativo – conta estoque; aumento de obrigações com terceiros no passivo – conta fornecedores; diminuição de bens no ativo – conta caixa. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros acumulados Resultado Saldos em 30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0 1. Compra mercad. –720 1.800 1.080 Saldo final 2.780 4.500 2.800 2.080 2.500 4.000 1.500 0 10.080 10.080 2. Venda de 40 unidades do estoque disponível por $ 80 cada, sendo 80% à vista e 20% a prazo: aumento de bens no ativo – conta caixa; aumento de direitos no ativo – conta clientes; aumento de receitas no resultado – conta vendas; aumento de despesas no resultado – conta custo das mercadorias vendidas; diminuição de bens no ativo – conta estoque. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros acumulados Resultado Saldos em 30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0 1. Compra mercadoria –720 1.800 1.080 2. Venda mercadoria 2.560 640 3.200 2.1. Baixa estoque -2.240 –2.240 Saldo final 5.340 5.140 560 2.080 2.500 4.000 1.500 960 11.040 11.040 3. Recebimento de 50% do saldo de clientes: aumento de bens no ativo – conta caixa; diminuição de direitos no ativo – conta clientes. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros acumulados Resultado Saldos em 30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0 1. Compra mercadoria –720 1.800 1.080 2. Venda mercadoria 2.560 640 3.200 2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240 3. Recbto. clientes 2.570 –2.570 Saldo final 7.910 2.570 560 2.080 2.500 4.000 1.500 960 11.040 11.040 4. Compra de 20 unidades de mercadoria para revenda por $ 65 cada, com pagamento à vista: aumento de bens no ativo – conta estoque; diminuição de bens no ativo – conta caixa. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros acumulados Resultado Saldos em 30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0 1. Compra mercadoria –720 1.800 1.080 2. Venda mercadoria 2.560 640 3.200 2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240 3. Recbto. clientes 2.570 –2.570 4. Compra mercadoria –1.300 1.300 Saldo final 6.610 2.570 1.860 2.080 2.500 4.000 1.500 960 11.040 11.040 5. Pagamento de despesas administrativas no valor de $ 85: aumento de despesas no resultado – conta despesas administrativas; diminuição de bens no ativo – conta caixa. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros acumulados Resultado Saldos em 30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0 1. Compra mercadoria –720 1.800 1.080 2. Venda mercadoria 2.560 640 3.200 2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240 3. Recbto. clientes 2.570 –2.570 4. Compra mercadoria -1.300 1.300 5. Pgto. desp. adm. –85 –85 Saldo final 6.525 2.570 1.860 2.080 2.500 4.000 1.500 875 10.955 10.955 6. Pagamento dos juros sobre empréstimos referentes a 0,6% do capital financiado: aumento de despesas no resultado – conta despesas financeiras; diminuição de bens no ativo – conta caixa. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros acumulados Resultado Saldos em 30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0 1. Compra mercadoria –720 1.800 1.080 2. Venda mercadoria 2.560 640 3.200 2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240 3. Recbto. clientes 2.570 –2.570 4. Compra mercadoria –1.300 1.300 5. Pgto. desp. adm. –85 –85 6. Pgto. desp. fin. –15 –15 Saldo final 6.510 2.570 1.860 2.080 2.500 4.000 1.500 860 10.940 10.940 7. Venda de 25 unidades do estoque disponível por $ 100 cada, sendo 90% à vista e 10% a prazo: aumento de bens no ativo – conta caixa; aumento de direitos no ativo – conta clientes; aumento de receitas no resultado – conta vendas; aumento de despesas no resultado – conta custo das mercadorias vendidas; diminuição de bens no ativo – conta estoque. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros acumulados Resultado Saldos em 30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0 1. Compra mercadoria –720 1.800 1.080 2. Venda mercadoria 2.560 640 3.200 2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240 3. Recbto. clientes 2.570 –2.570 4. Compra mercadoria –1.300 1.300 5. Pgto. desp. adm. –85 –85 6. Pgto. desp. fin. –15 –15 7. Venda mercadoria 2.250 250 2.500 7.1. Baixa estoque –1.550 –1.550 Saldo final 8.760 2.820 310 2.080 2.500 4.000 1.500 1.810 11.890 11.890 8. Pagamento referente a gastos com propaganda e publicidade no valor de $ 190: aumento de despesas no resultado – conta despesas comerciais; diminuição de bens no ativo – conta caixa. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros acumulados Resultado Saldos em 30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0 1. Compra mercadoria–720 1.800 1.080 2. Venda mercad. 2.560 640 3.200 2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240 3. Recbto. clientes 2.570 –2.570 4. Compra mercadoria –1.300 1.300 5. Pgto. desp. adm. –85 –85 6. Pgto. desp. fin. –15 –15 7. Venda mercadoria 2.250 250 2.500 7.1. Baixa estoque –1.550 –1.550 8. Pgto. desp. com. –190 –190 Saldo final 8.570 2.820 310 2.080 2.500 4.000 1.500 1.620 11.700 11.700 9. Pagamento de 50% da dívida com fornecedores: diminuição de obrigações com terceiros no passivo – conta fornecedores; diminuição de bens no ativo – conta caixa. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros acumulados Resultado Saldos em 30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0 1. Compra mercadoria –720 1.800 1.080 2. Venda mercadoria 2.560 640 3.200 2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240 3. Recbto. clientes 2.570 –2.570 4. Compra mercadoria –1.300 1.300 5. Pgto. desp. adm. –85 –85 6. Pgto. desp. fin. –15 –15 7. Venda mercadoria 2.250 250 2.500 7.1. Baixa estoque –1.550 –1.550 8. Pgto. desp. com. –190 –190 9. Pgto. fornecedores –1.040 –1.040 Saldo final 7.530 2.820 310 1.040 2.500 4.000 1.500 1.620 10.660 10.660 10. Aplicação de 80% da disponibilidade financeira em fundos de investimentos: aumento de direitos no ativo – conta fundos de investimentos; diminuição de bens no ativo – conta caixa. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Clientes Estoques Fundos Fornec. Emprést. Capital Lucros acumulados Resultado Saldos em 30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0 1. Compra mercad. –720 1.800 1.080 2. Venda mercad. 2.560 640 3.200 2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240 3. Recbto. clientes 2.570 –2.570 4. Compra mercad. –1.300 1.300 5. Pgto. desp. adm. –85 –85 6. Pgto. desp. fin. –15 –15 7. Venda mercad. 2.250 250 2.500 7.1. Baixa estoque –1.550 –1.550 8. Pgto. desp. com. –190 –190 9. Pgto. forneced. –1.040 –1.040 10. Aplic. fundos –6.024 6.024 Saldo final 1.506 2.820 310 6.024 1.040 2.500 4.000 1.500 1.620 10.660 10.660 11. Transferência do resultado do exercício para a conta lucros acumulados: aumento de patrimônio líquido – conta lucros acumulados; diminuição no resultado – lucro líquido. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Clientes Estoques Fundos Fornec. Emprést. Capital Lucros acumulados Resultado Saldos em 30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0 1. Compra mercad. –720 1.800 1.080 2. Venda mercad. 2.560 640 2.200 2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240 3. Recbto. clientes 2.570 –2.570 4. Compra mercad. –1.300 1.300 5. Pgto. desp. adm. –85 –85 6. Pgto. desp. fin. –15 –15 7. Venda mercad. 2.250 250 2.500 7.1. Baixa estoque –1.550 –1.550 8. Pgto. desp. com. –190 –190 9. Pgto. forneced. –1.040 –1.040 10. Aplic. fundos –6.024 6.024 11. Transf. lucro 1.620 –1.620 Saldo final 1.506 2.820 310 6.024 1.040 2.500 4.000 3.120 0 10.660 10.660 Após todos os lançamentos efetuados na simulação patrimonial, imediatamente podemos constatar o somatório dos saldos das contas do ativo igual ao somatório dos saldos das contas do passivo e patrimônio líquido. O próximo passo na sequência dos registros das transações efetuados na simulação patrimonial é a elaboração das demonstrações contábeis. Iniciaremos pela elaboração da demonstração dos fluxos de caixa, relatório que demonstra os fatos que geraram mutações no disponível da entidade durante o exercício. Para elaboração desse relatório, tomaremos como base a primeira coluna da simulação patrimonial, que demonstra a movimentação da conta caixa. Apresentaremos a demonstração dos fluxos de caixa pelo método direto, atendendo às determinações do CPC 03, que, em seu sumário, item 13, apresenta a seguinte posição: As entidades são encorajadas a divulgar os Fluxos de Caixa decorrentes das atividades operacionais usando o método direto, o qual proporciona informações que podem ser úteis para estimar fluxos de caixa e que não estão disponíveis para o uso do método indireto. A seguir, apresentamos a demonstração dos fluxos de caixa da empresa BETA. Demonstração dos fluxos de caixa (método direto) – empresa BETA Itens $ Fluxo de caixa das atividades operacionais 4.030 Compra de mercadorias –3.060 Vendas de mercadorias 7.380 Pagamento de despesas administrativas –85 Pagamento de despesas financeiras –15 Pagamento de despesas comerciais –190 Fluxo de caixa das atividades de investimentos –6.024 Aplicação em fundos de investimentos –6.024 Fluxo de caixa das atividades de financiamentos 0 Variação do saldo de caixa –1.994 Saldo inicial dos fluxos de caixa 3.500 Saldo final dos fluxos de caixa 1.506 Uma vez apresentada a demonstração dos fluxos de caixa, daremos início à elaboração da demonstração de resultado, que evidencia a situação econômica da entidade. Tomaremos como base os dados apresentados na coluna de resultado da simulação patrimonial. A seguir, apresentamos a demonstração de resultado da empresa BETA: Demonstração de resultado – empresa BETA $ Receita bruta 5.700 (–) Impostos sobre vendas – (–) Abatimentos comerciais – (–) Devoluções de vendas – Receita líquida 5.700 (–) Custo das mercadorias vendidas –3.790 (=) Lucro bruto 1.910 (–) Despesas operacionais –275 Com vendas –190 Administrativas –85 Outras receitas e despesas – (=) Resultado antes das receitas/despesas financeiras 1.635 Receitas financeiras – Despesas financeiras –15 (=) Lucro antes do IR e CSLL 1.620 (–) IR e CSLL – (=) Lucro líquido do exercício 1.620 Elaboraremos na sequência, baseados nas informações apresentadas na simulação patrimonial, o balanço patrimonial, que evidencia informações referentes à situação patrimonial e financeira da entidade. Por meio do balanço patrimonial temos condições de avaliar se a entidade tem maior dependência de recursos próprios ou recursos de terceiros no financiamento do ativo, além de verificar em que grupo do ativo a empresa efetua as maiores aplicações – se em capital de giro ou ativo não circulante. Os lucros acumulados, conforme relatado nos dados da empresa BETA, serão distribuídos em dividendos, reserva legal e reservas para investimentos, da seguinte forma: Lucros acumulados: $ 3.120 Dividendos provisionados (25%) $ 780 Reservas de lucros (75%) $ 2.340 Assim sendo, o balanço patrimonial é apresentado a seguir: Balanço patrimonial – empresa BETA Ativo Passivo +PL Ativo circulante 10.660 Passivo circulante 4.320 Caixa 1.506 Fornecedores 1.040 Aplic. fin. (Fundos) 6.024 Empréstimos 2.500 Clientes 2.820 Dividendos a pagar 780 Estoque 310 Ativo não circulante 0 PL 6.340 Capital social 4.000 Reservas de lucros 2.340 Total do ativo 10.660 Total do passivo + PL 10.660 Para finalizar, elaboraremos a demonstração das mutações do patrimônio líquido. Conforme informado, os lucros acumulados do período foram distribuídos na forma de dividendos e reinvestidos por meio da constituição de reservas de lucros, conforme apresentado a seguir: Lucros acumulados: $ 3.120 Dividendos (25%) $ 780 Reservas de lucros (75%) $ 2.340 Apresentamos a demonstração das mutações do patrimônio líquido da empresa BETA: Demonstração das mutações do patrimônio líquido – empresa BETA Itens Capital social Reservas de lucros Lucros acumulados Total Saldo inicial 4.000 1.500 5.500 Lucro líquido 1.620 1.620 Reservas de lucros 2.340 –2.340 0 Dividendos a distribuir–780 –780 Saldo final 4.000 2.340 0 6.340 Apresentaremos, a seguir, outro exemplo, baseado numa empresa com atividade industrial, a fim de demonstrar a elaboração das demonstrações contábeis fundamentadas no registro das transações efetuadas na simulação patrimonial. As transações apresentadas referem-se à empresa hipotética GAMA, de atividade industrial: 1. constituição da empresa GAMA com integralização do capital, no montante de $ 10.000, em dinheiro; 2. captação de empréstimo bancário, no montante de $ 5.000; 3. aquisição de máquinas para serem utilizadas na fabricação do produto, no montante de $ 4.500, à vista; 4. aquisição de matéria-prima para fabricação do produto, no montante de $ 3.000, a prazo; 5. transferência de 80% da matéria-prima disponível para fabricação do produto; 6. pagamento de mão de obra direta agregada na fabricação do produto, no valor de $ 2.000; 7. pagamento de gastos gerais de fabricação, no valor de $ 1.600, referente a seguro da fábrica, manutenção das máquinas e aluguel do galpão da fábrica; 8. produção encerrada no período correspondente a 70% dos produtos em elaboração; 9. venda à vista de 60% dos produtos acabados, por $ 5.000; 10. pagamento de propaganda e publicidade, no montante de $ 1.000; 11. pagamento de juros sobre empréstimos correspondente a 5% do montante captado; 12. venda do estoque remanescente dos produtos acabados por $ 4.000, a prazo; 13. pagamento de despesas administrativas, no montante de $ 1.000; 14. pagamento de 40% da dívida com os fornecedores; 15. recebimento de clientes correspondente a 70% do saldo de contas a receber; 16. aplicação de 80% da disponibilidade financeira em fundos de investimentos. Informações adicionais: IR e CSLL incidentes sobre o lucro de 30%; distribuição do lucro da seguinte forma: Dividendos provisionados 25% Reserva legal 5% Reserva estatutária 15% Reserva para investimentos 55% Registro das transações na simulação patrimonial: 1. Constituição da empresa GAMA com integralização do capital, no montante de $ 10.000: aumento de bens no ativo – conta caixa; aumento de obrigações com acionistas no PL – conta capital social. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Capital 1. Integral. capital 10.000 10.000 Total 10.000 10.000 10.000 10.000 2. Captação de empréstimo bancário, no montante de $ 5.000: aumento de bens no ativo – conta caixa; aumento de obrigações com terceiros no passivo – conta empréstimos. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Capital Emprést. 1. Integral. capital 10.000 10.000 2. Captação emprést. 5.000 5.000 Total 15.000 10.000 5.000 15.000 15.000 3. Aquisição de máquinas para serem utilizadas na fabricação do produto no montante de $ 4.500, à vista: aumento de bens no ativo – conta máquinas e equipamentos; diminuição de bens no ativo – conta caixa. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Máq. equip. Capital Emprést. 1. Integral. capital 10.000 10.000 2. Captação emprést. 5.000 5.000 3. Aquisição máquinas –4.500 4.500 Total 10.500 4.500 10.000 5.000 15.000 15.000 4. Aquisição de matéria-prima para fabricação do produto, no montante de $ 3.000, a prazo: aumento de bens no ativo – conta estoque de matéria-prima; aumento de obrigações com terceiros no passivo – conta fornecedores. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Máq. equip. EMP Capital Emprést. Fornec. 1 Integral. capital 10.000 10.000 2. Captação emprést. 5.000 5.000 3. Aquisição máquinas –4.500 4.500 4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000 Total 10.500 4.500 3.000 10.000 5.000 3.000 18.000 18.000 5. Transferência de 80% da matéria-prima disponível para fabricação do produto: aumento de bens no ativo – conta estoque de produto em processo; diminuição de bens no ativo – conta estoque de matéria- -prima. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Máq. equip. EMP EPP Capital Emprést. Fornec. 1. Integral. capital 10.000 10.000 2. Captação emprést. 5.000 5.000 3. Aquisição máquinas –4.500 4.500 4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000 5. Transf. mat.-prima –2.400 2.400 Total 10.500 4.500 600 2.400 10.000 5.000 3.000 18.000 18.000 6. Pagamento de mão de obra direta agregada na fabricação do produto, no valor de $ 2.000: aumento de bens no ativo – conta estoque de produto em processo; diminuição de bens no ativo – conta caixa. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Máq. equip. EMP EPP Capital Emprést. Fornec. 1. Integral. capital 10.000 10.000 2. Captação emprést. 5.000 5.000 3. Aquisição máquinas –4.500 4.500 4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000 5. Transf. mat.-prima –2.400 2.400 6. Pgto. mão de obra –2.000 2.000 Total 8.500 4.500 600 4.400 10.000 5.000 3.000 18.000 18.000 7. Pagamento de gastos gerais de fabricação, no valor de $ 1.600, referente a seguro da fábrica, manutenção das máquinas e aluguel do galpão da fábrica: aumento de bens no ativo – conta estoque de produto em processo; diminuição de bens no ativo – conta caixa. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Máq. equip. EMP EPP Capital Emprést. Fornec. 1. Integral. capital 10.000 10.000 2. Captação emprést. 5.000 5.000 3. Aquisição máquinas –4.500 4.500 4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000 5. Transf. mat.-prima –2.400 2.400 6. Pgto. mão de obra –2.000 2.000 7. Pgto. gastos gerais –1.600 1.600 Total 6.900 4.500 600 6.000 10.000 5.000 3.000 18.000 18.000 8. Produção encerrada no período correspondente a 70% dos produtos em elaboração: aumento de bens no ativo – conta estoque de produto acabado; diminuição de bens no ativo – conta estoque de produto em processo. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Máq. equip. EMP EPP EPA Capital Emprést. Fornec. 1. Integral. capital 10.000 10.000 2. Captação emprést. 5.000 5.000 3. Aquisição máquinas –4.500 4.500 4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000 5. Transf. mat.-prima –2.400 2.400 6. Pgto. mão de obra –2.000 2.000 7. Pgto. gastos gerais –1.600 1.600 8. Transf. prod. acabado –4.200 4.200 Total 6.900 4.500 600 1.800 4.200 10.000 5.000 3.000 18.000 18.000 9. Venda à vista de 60% dos produtos acabados, por $ 5.000: aumento de bens no ativo – conta caixa; aumento de receitas no resultado – conta vendas; aumento de despesas no resultado – conta custo das mercadorias vendidas; diminuição de bens no ativo – conta estoque de produtos acabados. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Máq. equip. EMP EPP EPA Capital Emprést. Fornec. 1. Integral. capital 10.000 10.000 2. Captação emprést. 5.000 5.000 3. Aquisição máquinas –4.500 4.500 4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000 5. Transf. mat.-prima –2.400 2.400 6. Pgto. mão de obra –2.000 2.000 7. Pgto. gastos gerais –1.600 1.600 8. Transf. prod. acabado –4.200 4.200 9. Venda mercadorias 5.000 5.000 9.1. Baixa do estoque –2.520 –2.520 Total 11.900 4.500 600 1.800 1.680 10.000 5.000 3.000 2.480 20.480 20.480 10. Pagamento de propaganda e publicidade no montante de $ 1.000: aumento de despesas no resultado – conta despesas comerciais;diminuição de bens no ativo – conta caixa. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Máq. EMP EPP EPA Capital Emprést. Fornec. Resultado equip. 1. Integral. capital 10.000 10.000 2. Captação emprést. 5.000 5.000 3. Aquisição máquinas –4.500 4.500 4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000 5.Transf. mat.-prima –2.400 2.400 6. Pgto. mão de obra –2.000 2.000 7. Pgto. gastos gerais –1.600 1.600 8. Transf. prod. acabado –4.200 4.200 9. Venda mercadorias 5.000 5.000 9.1. Baixa do estoque –2.520 –2.520 10. Pgto. prop. publ. –1.000 –1.000 Total 10.900 4.500 600 1.800 1.680 10.000 5.000 3.000 1.480 19.480 19.480 11. Pagamento de juros sobre empréstimos correspondente a 5% do montante captado: aumento de despesas no resultado – conta despesas financeiras; diminuição de bens no ativo – conta caixa. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Máq. equip. EMP EPP EPA Capital Emprést. Fornec. Resultado 1. Integral. capital 10.000 10.000 2. Captação emprést. 5.000 5.000 3. Aquisição máquinas –4.500 4.500 4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000 5. Transf. mat.-prima –2.400 2.400 6. Pgto. mão de obra –2.000 2.000 7. Pgto. gastos gerais –1.600 1.600 8. Transf. prod. acabado –4.200 4.200 9. Venda mercadorias 5.000 5.000 9.1. Baixa do estoque –2.520 –2.520 10. Pgto. prop. publ. –1.000 –1.000 11. Pgto. juros –250 –250 Total 10.650 4.500 600 1.800 1.680 10.000 5.000 3.000 1.230 19.230 19.230 12. Venda do estoque remanescente dos produtos acabados por $ 4.000, a prazo: aumento de bens no ativo – conta clientes; aumento de receitas no resultado – conta vendas; aumento de despesas no resultado – conta custo das mercadorias vendidas; diminuição de bens no ativo – conta estoque de produtos acabados. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Máq. equip. EMP EPP EPA Clientes Capital Emprést. Fornec. Resultado 1. Integral. capital 10.000 10.000 2. Captação emprést. 5.000 5.000 3. Aquisição máquinas –4.500 4.500 4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000 5. Transf. mat.-prima –2.400 2.400 6. Pgto. mão de obra –2.000 2.000 7. Pgto. gastos gerais –1.600 1.600 8. Transf. prod. acabado –4.200 4.200 9. Venda mercadorias 5.000 5.000 9.1. Baixa do estoque –2.520 –2.520 10. Pgto. prop. publ. –1.000 –1.000 11. Pgto. juros –250 –250 12. Venda mercadorias 4.000 4.000 12.1. Baixa do estoque –1.680 –1.680 Total 10.650 4.500 600 1.800 0 4.000 10.000 5.000 3.000 3.550 21.550 21.550 13. Pagamento de despesas administrativas, no montante de $ 1.000: aumento de despesas no resultado – conta despesas administrativas; diminuição de bens no ativo – conta caixa. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Máq. equip. EMP EPP EPA Clientes Capital Emprést. Fornec. Resultado 1. Integral. capital 10.000 10.000 2. Captação emprést. 5.000 5.000 3. Aquisição máquinas –4.500 4.500 4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000 5. Transf. mat.-prima –2.400 2.400 6. Pgto. mão de obra –2.000 2.000 7. Pgto. gastos gerais –1.600 1.600 8. Transf. prod. acabado –4.200 4.200 9. Venda mercadorias 5.000 5.000 9.1. Baixa do estoque –2.520 –2.520 10. Pgto. prop. publ. –1.000 –1.000 11. Pgto. juros –250 –250 12. Venda mercadorias 4.000 4.000 12.1. Baixa do estoque –1.680 –1.680 13. Pgto. desp. adm. –1.000 –1.000 Total 9.650 4.500 600 1.800 0 4.000 10.000 5.000 3.000 2.550 20.550 20.550 14. Pagamento de 40% da dívida com os fornecedores: diminuição de obrigações com terceiros no passivo – conta fornecedores; diminuição de bens no ativo – conta caixa. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Máq. equip. EMP EPP EPA Clientes Capital Emprést. Fornec. Resultado 1. Integral. capital 10.000 10.000 2. Captação emprést. 5.000 5.000 3. Aquisição máquinas –4.500 4.500 4. Aquisição mat-prima 3.000 3.000 5. Transf. mat.-prima –2.400 2.400 6. Pgto. mão de obra –2.000 2.000 7. Pgto. gastos gerais –1.600 1.600 8. Trans. prod. acabado –4.200 4.200 9. Venda mercadorias 5.000 5.000 9.1. Baixa do estoque –2.520 –2.520 10. Pgto. prop. public. –1.000 –1.000 11. Pgto. juros –250 –250 12. Venda mercadorias 4.000 4.000 12.1. Baixa do estoque –1.680 –1.680 13. Pgto. desp. adm. –1.000 –1.000 14. Pgto. fornecedores –1.200 –1.200 Total 8.450 4.500 600 1.800 0 4.000 10.000 5.000 1.800 2.550 19.350 19.350 15. Recebimento de clientes referente a 70% do saldo de contas a receber: aumento de bens no ativo – conta caixa; diminuição de direitos no ativo – conta clientes. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Máq. equip. EMP EPP EPA Clientes Capital Emprést. Fornec. Resultado 1. Integral. capital 10.000 10.000 2. Captação emprést. 5.000 5.000 3. Aquisição máquinas –4.500 4.500 4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000 5. Transf. mat.-prima –2.400 2.400 6. Pgto. mão de obra –2.000 2.000 7. Pgto. gastos gerais –1.600 1.600 8. Transf. prod. acabado –4.200 4.200 9. Venda mercadorias 5.000 5.000 9.1. Baixa do estoque –2.520 –2.520 10. Pgto. prop. publ. –1.000 –1.000 11. Pgto. juros –250 –250 12. Venda mercadorias 4.000 4.000 12.1. Baixa do estoque –1.680 –1.680 13. Pgto. desp. adm. –1.000 –1.000 14. Pgto. fornecedores –1.200 –1.200 15. Recbto. clientes 2.800 –2.800 Total 11.250 4.500 600 1.800 0 1.200 10.000 5.000 1.800 2.550 19.350 19.350 16. Aplicação de 80% da disponibilidade financeira em fundos de investimentos: aumento de direitos no ativo – conta fundos de investimentos; diminuição de bens no ativo – conta caixa. Ativo Passivo + PL Eventos Caixa Máq. equip. EMP EPP EPA Clientes Fundos Capital Emprést. Fornec. Resultado 1. Integral. capital 10.000 10.000 2. Captação emprést. 5.000 5.000 3. Aquisição máquinas –4.500 4.500 4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000 5. Transf. mat.-prima –2.400 2.400 6. Pgto. mão de obra –2.000 2.000 7. Pgto. gastos gerais –1.600 1.600 8. Transf. prod. acabado –4.200 4.200 9. Venda mercadorias 5.000 5.000 9.1. Baixa do estoque –2.520 –2.520 10. Pgto. prop. publ. –1.000 –1.000 11. Pgto. juros –250 –250 12. Venda mercadorias 4.000 4.000 12.1. Baixa do estoque –1.680 –1.680 13. Pgto. desp. adm. –1.000 –1.000 14. Pgto. fornecedores –1.200 –1.200 15. Recbto. clientes 2.800 –2.800 16. Aplicação fundos –9.000 9.000 Total 2.250 4.500 600 1.800 0 1.2009.000 10.000 5.000 1.800 2.550 19.350 19.350 Após efetuarmos os registros das transações na simulação patrimonial, iniciaremos a elaboração do balancete de verificação. Balancete de verificação – empresa GAMA Contas Saldos devedores Contas Saldos credores Caixa 2.250 Capital 10.000 Máquinas e equip. 4.500 Empréstimos 5.000 Estoque (MP) 600 Fornecedores 1.800 Estoque (PP) 1.800 Vendas 9.000 Estoque (PA) 0 Clientes 1.200 Fundos de invest. 9.000 CMV 4.200 Desp. propaganda 1.000 Desp. juros 250 Desp. administrativas 1.000 25.800 25.800 O próximo passo é elaborar a demonstração dos fluxos de caixa. Para tanto, tomaremos como base a primeira coluna da simulação patrimonial. Demonstração dos fluxos de caixa (método direto) – empresa GAMA Itens $ Fluxo de caixa das atividades operacionais 750 Vendas de produtos 7.800 Custo de mão de obra –2.000 Gastos gerais de fabricação –1.600 Despesas comerciais –1.000 Despesas financeiras –250 Despesas administrativas –1.000 Pagamento aos fornecedores –1.200 Fluxo de caixa das atividades de investimentos –13.500 Aquisição de máquinas e equipamentos –4.500 Aplicação em fundos de investimentos –9.000 Fluxo de caixa das atividades de financiamentos 15.000 Integralização de capital 10.000 Captação de empréstimos bancários 5.000 Variação do saldo de caixa 2.250 Saldo inicial dos fluxos de caixa 0 Saldo final dos fluxos de caixa 2.250 Partiremos, agora, para a elaboração da demonstração de resultado. A base utilizada é a última coluna da simulação patrimonial, a coluna de resultado. Demonstração de resultado – empresa GAMA $ Receita bruta 9.000 (–) Impostos sobre vendas – (–) Abatimentos comerciais – (–) Devoluções de vendas – Receita líquida 9.000 (–) Custo das mercadorias vendidas –4.200 (=) Lucro bruto 4.800 (–) Despesas operacionais –2.000 Comerciais –1.000 Administrativas –1.000 Outras receitas e despesas – (=) Resultado antes das receitas/despesas financeiras 2.800 Receitas financeiras – Despesas financeiras –250 (=) Lucro antes do IR e CSLL 2.550 (–) IR e CSLL –765 (=) Lucro líquido do exercício 1.785 O lucro líquido do exercício, conforme relatado nos dados da empresa GAMA, será distribuído em dividendos, reserva legal, reserva estatutária e reservas para investimentos da seguinte forma: Lucro líquido: $ 1.785,00 Dividendos provisionados (25%) $ 446,25 Reserva legal (5%) $ 89,25 Reserva estatutária (15%) $ 267,75 Reserva para investimentos (55%) $ 981,75 Com base nessas informações, podemos elaborar o balanço patrimonial da empresa GAMA: Balanço patrimonial – empresa GAMA Ativo Passivo + PL Ativo circulante 14.850 Passivo circulante 8.011,25 Caixa 2.250 Fornecedores 1.800 Aplic. fin. (fundos) 9.000 Empréstimos 5.000 Clientes 1.200 Dividendos a pagar 446,25 Estoque (PA) 0 IR e CSLL a pagar 765 Estoque (PP) 1.800 PL 11.338,75 Estoque (MP) 600 Capital social 10.000 Ativo não circulante 4.500 Reserva legal 89,25 Imobilizado 4.500 Reserva estatutária 267,75 Máquinas e equip. 4.500 Reserva para investimentos 981,75 Total do ativo 19.350 Total do passivo + PL 19.350 Para finalizar, elaboraremos a demonstração das mutações do patrimônio líquido da empresa GAMA. Demonstração das mutações do patrimônio líquido – empresa GAMA Itens Capital social Reserva legal Reserva estatutária Reserva p/ investimentos Lucros acumulados Total Saldo inicial – – – – Integralização de capital 10.000 10.000 Lucro líquido 1.785 1.785 Reserva legal 89,25 –89,25 0 Reserva estatutária 267,75 –267,75 0 Reserva para investimentos 981,75 –981,75 0 Dividendos a distribuir –446,25 –446,25 Saldo final 10.000 89,25 267,75 981,75 0 11.338,75 Com os dois exemplos apresentados, certamente conseguimos demonstrar que o uso da tabela simulação patrimonial contribui para tornar o entendimento da contabilidade mais prático, fácil e acessível. No próximo tópico, descreveremos os itens componentes do capital próprio da entidade, representado pelo patrimônio líquido. Patrimônio líquido e sua composição O patrimônio líquido, definido pelo CPC 00 (R1) em seu item 4.4, é o “interesse residual nos ativos da entidade depois de deduzidos todos os seus passivos”. Também pode ser entendido como os recursos dos proprietários investidos na empresa ou, simplesmente, a diferença entre o ativo e o passivo de uma entidade. Pela teoria da entidade contábil, o patrimônio líquido de uma empresa pertence a ela, e não aos sócios, exceto a parte do lucro que é distribuída (dividendos). Essa teoria pressupõe, evidentemente, uma entidade em continuidade, pois na hipótese de descontinuidade o patrimônio líquido pertenceria aos sócios. Vale salientar que embora o patrimônio líquido seja definido como interesse residual, consta no Pronunciamento Técnico CPC 00 (R1) que ele pode ter subclassificações no balanço patrimonial. Na sociedade por ações, por exemplo, recursos aportados pelos sócios, reservas resultantes de retenções de lucros e reservas representando ajustes para manutenção do capital podem ser demonstrados separadamente. Tais classificações podem ser relevantes para a tomada de decisão dos usuários das demonstrações contábeis quando indicarem restrições legais ou de outra natureza sobre a capacidade que a entidade tem de distribuir ou aplicar de outra forma os seus recursos patrimoniais. Podem também refletir o fato de que determinadas partes com direitos de propriedade sobre a entidade têm direitos diferentes com relação ao recebimento de dividendos ou ao reembolso de capital [CPC 00 (R1), item 4.20]. Consta ainda nesse pronunciamento técnico que a constituição de reservas é, por vezes, exigida pelo estatuto ou por lei para dar à entidade e seus credores uma margem maior de proteção contra os efeitos de prejuízos [...] [e que] a existência e o tamanho de tais reservas legais, estatutárias e fiscais representam informações que podem ser importantes para a tomada de decisão dos usuários [CPC 00 (R1), item 4.21]. O montante pelo qual o patrimônio líquido é apresentado no balanço patrimonial depende da mensuração dos ativos e passivos. Normalmente, o montante agregado do patrimônio líquido somente por coincidência corresponde ao valor de mercado agregado das ações da entidade ou da soma que poderia ser obtida pela venda dos seus ativos líquidos numa base de item-por-item, ou da entidade como um todo, tomando por base a premissa da continuidade [mencionada antes] [CPC 00 (R1), item 4.22]. De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1), item 106B, o patrimônio líquido é formado pelo capital social, as reservas de capital, os ajustes de avaliação patrimonial, as reservas de lucros, as ações ou quotas em tesouraria, os prejuízos acumulados, se legalmente admitidos os lucros acumulados, e as demais contas exigidas pelos Pronunciamentos Técnicos emitidos pelo CPC. Capital social Corresponde a todo o investimento realizado na empresa pelos sócios ou acionistas, incluindo o capital inicial e a integralização de novos recursos, bem como a parte do lucro e outras reservas não distribuídas e incorporadas ao capital em virtude de decisões dos sócios. De acordo com o art. 182 da Lei no 6.404/1976, “a conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada”. Capital subscrito é aquele prometido pelos acionistas. No momento em que os acionistas entregam à empresa as parcelas prometidas em bens ou direitos, tem-se a realização ou integralização do capital. Vale ressaltar as ações em tesouraria. Em determinado momento a empresa poderá efetuar a compra de suas próprias ações. O registro contábil das ações que foram adquiridas pela própria empresa, ou seja, ações em tesouraria, será lançado como dedução do patrimônio líquido. Menciona-se ainda que, em conformidade com o CPC08, a contabilização dos aumentos de capital através de captação de recursos e as operações de compra e venda de ações próprias devem ser tratadas em conjunto com os custos necessários para realizar essas operações. Reservas de capital São as que não se originam do resultado do exercício, isto é, não são apuradas e, portanto, não transitam pela demonstração de resultado do exercício. As reservas de capital não decorrem das operações da companhia, mas de operações como o ágio na emissão de ações. A Lei no 11.638/2007 revogou expressamente a possibilidade de classificação, como reserva de capital, das contas que registravam prêmio na emissão de debêntures e também aquelas resultantes de doações e subvenções para investimentos (ver, a seguir, a destinação de parcela do lucro decorrente de doações ou subvenções governamentais à conta de reserva de incentivos fiscais). Ressalta-se que o prêmio recebido na emissão de debêntures normalmente faz parte das condições de sua negociação, em função da atratividade desse papel ou da sua precificação, como a fixação de taxa de juros acima da média do mercado. Nesse caso, o prêmio recebido configura uma receita não realizada, que deveria ser classificada como [...] [receita diferida], para apropriação ao resultado em função do prazo das debêntures e do reconhecimento também no resultado das despesas de juro [CVM, 2008]. Ele corresponde, economicamente, a uma redução da taxa efetiva de juros dessa dívida. Assim, no plano de contas, a classificação das reservas de capital, como definido no §1o do art. 182 da Lei no 6.404/1976, com redação alterada pela Lei no 11.638/2007, será composta de: ágio na emissão de ações; alienação de partes beneficiárias; alienação de bônus de subscrição. Reservas de lucros Consistem na retenção de parte do lucro com finalidade específica.Com a alteração realizada pela Lei no 11.638/2007 no art. 199 da Lei das Sociedades por Ações, o saldo da reserva de lucros não poderá ultrapassar o capital social e, uma vez atingido este limite, tal valor deverá ser distribuído como dividendos aos acionistas ou utilizado para integralização ou aumento de capital da companhia, exceto nos montantes aplicáveis às contingências de lucros a realizar e contingências de incentivos fiscais. As reservas de lucros são discriminadas a seguir: reserva legal; reserva estatutária; reservas para contingências; reservas de lucros a realizar; reservas de lucros para expansão; reservas de incentivos fiscais; reserva especial para dividendos obrigatórios. Reserva legal Do lucro líquido do exercício, 5% serão aplicados, antes de qualquer outra destinação, na constituição de reserva legal, que não poderá exceder 20% do capital social. A reserva legal tem por finalidade assegurar a integridade do capital social e somente poderá ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar o capital. Vale ressaltar os seguintes parágrafos do art. 193 da Lei no 6.404/1976: §1o. A companhia poderá deixar de constituir a reserva legal no exercício em que o saldo dessa reserva, acrescido do montante das reservas de capital de que trata o §1o do artigo 182, exceder de 30% (trinta por cento) do capital social. §2o. A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do capital social e somente poderá ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar o capital. Reservas estatutárias As reservas estatutárias são constituídas por determinação do estatuto da companhia e como destinação de uma parcela dos lucros do exercício. Como definido na Lei das S/A: Art. 194. O estatuto poderá criar reservas desde que, para cada uma: I. indique, de modo preciso e completo, a sua finalidade; II. fixe os critérios para determinar a parcela anual dos lucros líquidos que não será destinada à sua constituição; III. estabeleça o limite máximo da reserva. Reserva para contingências Art. 195. A assembleia geral poderá [...] destinar parte do lucro líquido à formação de reserva com a finalidade de compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável, cujo valor possa ser estimado. [...] §2o. A reserva será revertida no exercício em que deixarem de existir as razões que justificaram a sua constituição [...] [Lei no 6.404/1976, art. 195]. Note-se que, na constituição dessa reserva, o fato gerador ainda não ocorreu, o que a distingue de provisão para contingências. Reserva de lucros a realizar Essa reserva é constituída como uma destinação do lucro do exercício, sendo, todavia, optativa sua constituição. Tal reserva evidencia a parcela de lucros não realizada financeiramente. Seu objetivo é evitar a distribuição de dividendos sobre essa parcela. Entretanto, a Lei no 11.638/2007 alterou o art. 197 da Lei das S/A, para dispor que “o lucro, rendimento ou ganho líquidos em operações ou contabilização de ativo e passivo pelo valor de mercado, cujo prazo de realização financeira ocorra após o término do exercício social seguinte”, poderão ser considerados para o cálculo da parcela do lucro realizado. Com a nova redação da Lei no 6.404/1976, dada pela Lei no 11.638/2007, o procedimento de cálculo da reserva de lucros a realizar passa a ser em função do dividendo obrigatório e não mais das diversas reservas de lucro. A reserva de lucros a realizar será constituída quando não existirem lucros realizados suficientes para o pagamento do dividendo obrigatório. Portanto, antes do cálculo da reserva de lucros a realizar, os dividendos obrigatórios devem ser calculados, pois são parâmetros a serem utilizados nessa reserva (Iudícibus et al., 2010:352). Reservas de lucros para expansão (retenção de lucros) Essa reserva visa atender aos projetos de investimentos da companhia, conforme disposto no art. 196 da Lei no 6.404/1976. De acordo com Iudícibus et al. (2010:352), “essa retenção deverá estar justificada com o orçamento de capital da companhia, ser proposta pela administração e aprovada em assembleia geral. Entretanto essa reserva não pode ser constituída em detrimento do pagamento do dividendo obrigatório”. O art. 196 da Lei no 6.404/1976, em seu §1o, ressalta que esse orçamento deverá compreender todas as fontes de recursos e aplicações de capital, fixo ou circulante, e poderá durar até cinco exercícios, salvo no caso de execução, por prazo maior, de projeto de investimento. Reserva de Incentivos fiscais De acordo com a nova lei societária: A assembleia geral poderá, por proposta dos órgãos de administração, destinar para a reserva de incentivos fiscais a parcela do lucro líquido decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, que poderá ser excluída da base de cálculo do dividendo obrigatório (inciso I do caput do art. 202 desta Lei) [Art. 195-A da Lei no 6.404/1976]. A partir do exercício de 2008, conforme pronunciamento técnico CPC 07 e Deliberação CVM no 555 de 12 de novembro de 2008 que o aprova, as doações e subvenções recebidas pela companhia deverão transitar pelo resultado e terão seus registros contábeis determinados em função das constituições estabelecidas para recebimento dessas doações e subvenções. A criação dessa reserva visa permitir que as companhias abertas, a partir de regulação da CVM, registrem as doações e subvenções para investimento não mais como reserva de capital, e sim no resultado do exercício (de imediato ou em bases diferidas, como mencionado acima) como estabelece a norma internacional. Para que a companhia não perca o benefício fiscal da subvenção, está previsto no art. 195-A da lei societária que a parcela do lucro líquido que contiver esse benefício fiscal possa ser excluída da base de cálculo do dividendo obrigatório; caso contrário, a empresa estariadistribuindo recursos recebidos através de subvenção. A nova redação do art. 199 da lei societária determina que o saldo da reserva de incentivos fiscais, em conjunto com os saldos das reservas de contingências e de lucros a realizar, “não poderá ultrapassar o capital social. Atingindo esse limite, a assembleia deliberará sobre aplicação do excesso na integralização ou no aumento do capital social ou na distribuição de dividendos”. Reserva especial para dividendo obrigatório não distribuído Essa reserva é constituída para que a empresa possa vir a pagar, no futuro, os dividendos que deixou de distribuir por falta de condições financeiras, conforme a Lei no 6.404/1976, art. 202. Nesse caso, os lucros que deixarem de ser distribuídos [...] serão registrados como reserva especial e, se não absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deverão ser pagos como dividendo assim que permitir a situação financeira da companhia [Lei no 6.404/1976, art. 202, §5o]. Lucros e prejuízos acumulados A partir das modificações incorporadas à lei societária pela Lei no 11.638/2007, foi extinta a possibilidade de apresentação de saldos a título de lucros acumulados no balanço patrimonial, o que não significa que a referida conta deva ser extinta dos planos de contas dessas entidades, porque ela recebe o resultado do exercício e destina o total desse resultado a outras contas. Em suma, o lucro líquido do período deverá ser distribuído na forma de dividendos e retido na conta de reserva de lucros e não mais na conta lucros ou prejuízos acumulados. Fatores que modificam o patrimônio líquido Em que pese à grande dependência dos recursos provenientes do mercado de capitais, é inegável que a principal fonte de financiamento do patrimônio líquido é o lucro. A cada exercício social, a empresa apurará o resultado das operações. Esse resultado é calculado pela diferença entre receitas e despesas, podendo ser lucro ou prejuízo. A parcela retida do resultado e enviada para o patrimônio líquido, inicialmente para a conta lucros e prejuízos acumulados, é que o fortalecerá. À medida que a empresa obtém resultados positivos, a situação econômica se fortalece. Assim, a constante obtenção de lucro contribui para uma situação econômica mais sólida. De modo inverso, o prejuízo enfraquece a situação econômica. Ressalva-se que a parcela do lucro não distribuída aos proprietários é retida na empresa na forma de reservas fortalecendo sua situação econômica. Por outro lado, o patrimônio líquido pode também ser acrescido com novos investimentos de capital quando a situação econômica (e mesmo a situação financeira) exigir dos sócios uma intervenção a fim de equilibrá-la. Resumindo, veja na figura 8 as principais causas de variação do patrimônio líquido. Figura 8 PRINCIPAIS CAUSAS DE VARIAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO Ajustes de avaliação patrimonial A conta ajustes de avaliação patrimonial foi introduzida na contabilidade brasileira pela Lei no 11.638/2007 para receber as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos de ativo e passivo. Desse modo, a lei societária em vigor prevê, no §3o de seu art. 182, que serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuídos a elementos do ativo [...] e do passivo, em decorrência da sua avaliação [a valor justo]. É oportuno salientar que a conta ajuste de avaliação patrimonial não corresponde a uma conta de reserva, uma vez que seus valores não transitam pelo resultado do exercício. Sendo assim, ela não deverá ser considerada quando do cálculo do limite referente à proporção das reservas de lucros em relação ao capital (Iudícibus et al., 2010:348). Como você observou, este capítulo teve como objetivo apresentar os mecanismos para elaboração das demonstrações contábeis e simplificar a forma de registrar as transações, por meio da matriz de lançamentos, em que apresentamos a ótica do débito e crédito de forma simplificada por meio das origens e aplicações de recursos. Demonstramos também o patrimônio líquido e a sua composição e detalhamos todas as contas que compõem esse grupo do balanço patrimonial. Observamos a importância de interpretar os relatórios que compõem as demonstrações contábeis e como utilizar as informações para a tomada de decisões. No próximo capítulo, vamos abordar os critérios que devem ser adotados para análise das demonstrações contábeis. 4 Análise econômico-financeira O objetivo deste capítulo é apresentar a relevância da análise fundamentalista das demonstrações contábeis para o processo decisório das organizações através da aplicação dos critérios de análise horizontal, análise vertical e indicadores econômico-financeiros. Espera-se que, ao término da leitura, você seja capaz de perceber a importância das informações contidas nos relatórios que compõem as demonstrações contábeis das empresas, bem como de aplicar os critérios de avaliação utilizados em análise fundamentalista, objetivando desenvolver um relatório técnico sobre o desempenho econômico, financeiro e operacional das empresas. Objetivos da análise econômico-financeira e principais usuários Conforme você verificou, no primeiro capítulo procuramos demonstrar que o principal objetivo da contabilidade é prover informações para planejamento e controle, evidenciando dados referentes à situação patrimonial, econômica e financeira de uma empresa que suportam o gestor no processo de tomada de decisões. Essas informações são apresentadas por meio dos relatórios que compõem as demonstrações contábeis. No segundo capítulo, foram apresentadas as ferramentas que compõem as demonstrações contábeis, compostas pelos seguintes relatórios: balanço patrimonial, demonstração do resultado do exercício, demonstração das mutações do patrimônio líquido, demonstração dos fluxos de caixa e demonstração do valor adicionado, além das notas explicativas, que são parte integrante das demonstrações contábeis e que devem complementar os critérios de cálculo e mensuração dos itens que afetam o resultado e o patrimônio da entidade. Já no terceiro capítulo, foram explicitadas as técnicas de elaboração das demonstrações contábeis e os itens componentes do patrimônio líquido das organizações. A análise fundamentalista respalda-se nos assuntos tratados nesses dois últimos capítulos e, diante das informações absorvidas, procede-se, então, ao desenvolvimento de um relatório técnico sobre a situação econômica e financeira da empresa. O processo de análise é direcionado conforme o interesse do usuário da informação contábil e financeira. A comunicação da informação contábil tem como objetivo fundamentar o processo decisório de todas as partes relacionadas com a entidade – tais como os gestores, fornecedores, instituições financeiras, governo, investidores, colaboradores e toda a sociedade. Pela ótica da empresa, os usuários das demonstrações contábeis são divididos em dois grupos: usuários internos e usuários externos, conforme a seguir discriminado. usuários internos – correspondem aos responsáveis pela gestão da organização, ou seja, os executivos que estão intimamente relacionados com o processo decisório; usuários externos – correspondem aos bancos, fornecedores, clientes, investidores, governo, empresas subsidiárias, concorrentes, entre outros. Na realidade, o que se busca é extrair informações acerca da saúde financeira, estrutura de captação de recursos, lucratividade, rentabilidade e desempenho operacional, úteis para o processo decisório. Os interesses são múltiplos e,apenas para que você tenha uma ideia, são a seguir relacionados os principais envolvidos com a análise das demonstrações contábeis: sócios/acionistas – retorno sobre o capital, avaliação do custo de oportunidade, payback, lucratividade e determinação do fator de solvência, e grau de risco; fornecedores – pelo fato de serem um dos principais financiadores do capital de giro da empresa, necessitam avaliar sua estrutura patrimonial a fim de determinar o fator de risco e a capacidade de solvência; instituições financeiras – necessitam avaliar a estrutura patrimonial da empresa com o intuito de determinar a capacidade de endividamento e o fator de liquidez, visando obter maior segurança nas operações de financiamento, desconto de duplicatas e outras operações financeiras; clientes – necessitam conhecer a situação econômica e financeira de seus fornecedores para garantir o fornecimento dos bens e serviços adquiridos, bem como os prazos a serem cumpridos; governo – necessita obter informações sobre os resultados gerados pela entidade para avaliação da tributação e arrecadação de impostos, taxas e contribuições; acionistas minoritários – desejam extrair informações sobre o fluxo regular de dividendos; empregados – necessitam avaliar a estrutura financeira para verificar a capacidade de pagamento de salários e a situação econômica para análise das perspectivas de crescimento. Para que o processo de análise alcance o resultado desejado, é fundamental que as informações fornecidas tenham sido elaboradas de acordo com as normas contábeis em vigor, apresentando, assim, total grau de confiabilidade. Nesse caso, o relatório dos auditores independentes exerce papel importante. No entanto, tal relatório é obrigatório apenas para as companhias abertas. É por meio do relatório de auditoria que os auditores atestam a fidedignidade das informações contidas nas demonstrações contábeis e verificam os controles internos das empresas. É importante ressaltar que muitas empresas limitadas também são auditadas, mas não por questões legais. A auditoria independente para essas empresas normalmente atende a demanda de cotistas com o objetivo de não serem lesados na distribuição de dividendos, de bancos ao avaliarem a concessão de créditos, e fornecedores quando analisam o risco de financiamento das compras realizadas a prazo. Todas estas informações necessitam de bases confiáveis para serem avaliadas; portanto, o relatório dos auditores independentes representa ferramenta fundamental para validação das informações contidas nas demonstrações contábeis. O relatório preparado pela diretoria possui também seu grau de importância, pois é por meio desse documento que a alta cúpula fornece informações aos acionistas sobre os diversos aspectos do desempenho e das perspectivas da sociedade, relativas a estratégias de vendas, compras, expansão, produtos, legislação, política financeira, recursos humanos, resultados atingidos e estimativas globais. Em suma, esse relatório retrata todas as informações julgadas relevantes para o processo de interpretação e análise econômica e financeira da companhia. Para a realização da análise econômica e financeira, devem ser tomados como base os seguintes relatórios: balanço patrimonial (BP); demonstração dos resultados do exercício (DRE); demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL); demonstração dos fluxos de caixa (DFC); demonstração do valor adicionado (DVA); notas explicativas; relatório da administração; relatório dos auditores independentes. As notas explicativas representam informações que complementam as demonstrações contábeis, como critérios contábeis de avaliação de investimentos, avaliação e mensuração de estoques, métodos de depreciação, taxas de juros, garantias prestadas a terceiros, características das ações que compõem o capital social, eventos subsequentes à data do balanço que tenham efeitos relevantes sobre a situação da entidade, entre outros. De posse das demonstrações contábeis e informações complementares, recomenda-se a realização de ajustes com o intuito de padronizar as demonstrações para análise. Entre os itens a ajustar destacam-se as duplicatas descontadas e os empréstimos a diretores e subsidiárias. As contas do ativo e passivo circulante devem ser classificadas em dois grupos: financeiro e cíclico. O ativo circulante financeiro envolve os itens que representam disponibilidades (caixa e bancos) e aplicações financeiras. O passivo circulante financeiro engloba as contas representativas de dívidas em curto prazo que não fazem parte das atividades diárias da empresa. Normalmente, estão sujeitas a juros (empréstimos bancários, duplicatas descontadas, impostos renegociados, imposto de renda a recolher). O ativo circulante cíclico ou operacional compreende as aplicações de recursos em contas que estejam relacionadas com a atividade de compra, transformação e venda. Está relacionado com o ciclo operacional da empresa (clientes/duplicatas a receber, estoques, adiantamento a fornecedores etc.). O passivo circulante cíclico ou operacional compreende as contas que identificam os financiadores normais da atividade da empresa, constituindo fontes espontâneas de recursos (fornecedores, salários e encargos a pagar, impostos a recolher sobre vendas). A análise econômica e financeira deve ser discriminada da seguinte forma: como análise econômica, considera-se o estudo do resultado (lucro ou prejuízo) gerado nas operações da empresa, em um processo dinâmico. Já a análise financeira abarca o estudo do capital de giro avaliando a capacidade da empresa em saldar suas dívidas, ou seja, o estudo de liquidez, solvência e endividamento, em um processo estático. Na avaliação do capital de giro, também tratado como working capital, observa-se alguma confusão entre ele e o capital circulante líquido. Na realidade, o capital circulante líquido representa a folga ou a escassez de recursos de uma organização em curto prazo, representando, assim, o que se pode chamar de “grande caixa” da organização, demonstrado pela diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante. Por outro lado, o capital de giro abarca todo o ativo circulante e o realizável a longo prazo da entidade. Portanto, por essa abordagem obtém-se uma visão estratégica de longo prazo, que é um dos aspectos mais relevantes da análise do capital de giro. Nesse tipo de análise pode-se também determinar se a empresa opera com capital de giro próprio ou de terceiros, identificado da seguinte forma: se uma empresa apresenta, em seu balanço patrimonial, um montante de ativos realizáveis superior ao de passivos, significa que possui capital de giro próprio. Isso ocorre pelo fato de o capital próprio (patrimônio líquido) ser suficiente para cobrir o investimento efetuado no ativo não circulante, considerado aqui o somatório de investimentos, imobilizado e intangível, e haver sobra de recursos próprios, que está sendo utilizada para financiar os ativos realizáveis. Essa parcela de recursos próprios aplicada ao financiamento dos ativos realizáveis representa o capital de giro próprio. Já o capital de giro de terceiros configura-se quando o ativo não circulante (investimentos, imobilizado e intangível, excetuando-se o realizável a longo prazo, não considerado para esta análise) é financiado pela totalidade do capital próprio e por uma parcela de recursos de terceiros. Como o capital próprio não é suficiente para financiar os investimentos “permanentes” (investimentos, imobilizado e intangível), há a necessidade de complementar tais investimentos comrecursos de terceiros. Essa parcela complementar de recursos de terceiros, utilizada no financiamento dos ativos não circulantes, representa o capital de giro de terceiros. Uma versão mais aprofundada da análise financeira pode ser feita pela análise da dinâmica do capital de giro da empresa. Para a utilização do modelo dinâmico de análise financeira, é necessário reagrupar as contas do balanço patrimonial em ativos circulantes e não circulantes e, do mesmo modo, passivos circulantes e não circulantes. Os ativos circulantes devem ser classificados em circulantes operacionais (ou cíclicos) e em circulantes financeiros (ou erráticos). Os ativos não circulantes são representados pela soma dos ativos realizáveis de longo prazo com os investimentos, imobilizado e intangível. Do mesmo modo, os passivos circulantes devem ser classificados em circulantes operacionais (ou cíclicos) e em circulantes financeiros (ou erráticos). Os passivos não circulantes são representados pelas origens de recursos de longo prazo, tais como debêntures e financiamentos bancários. O patrimônio líquido é considerado uma fonte de recurso de longo prazo. O passivo permanente (PP) é definido como origens de recursos de longo prazo, composto pelo somatório do grupo de contas do passivo não circulante (PNC) e do patrimônio líquido (PL). O ativo circulante operacional (cíclico) é o investimento que tem origem nas atividades operacionais da empresa, como comprar, produzir e vender, enquanto o passivo circulante operacional (cíclico) é a fonte de recursos denominada passivo de funcionamento, representado este pelas contas operacionais (cíclicas) que apoiam o desenvolvimento das empresas em seus aspectos operacionais de compras, produção e venda. O ativo circulante financeiro representa as contas de natureza financeira, com os valores de disponibilidade imediata, tais como: caixa, banco e aplicações financeiras bem como os recursos de curto prazo da organização. Já o passivo circulante financeiro ou oneroso representa as fontes de financiamento referentes a empréstimos bancários, descontos de duplicatas e outras operações relacionadas ao ciclo financeiro da empresa. Preparação do balanço patrimonial para a análise dinâmica O balanço convencional é elaborado em conformidade com as normas estabelecidas pela Lei no 11.638/2007, conforme apresentado no quadro 23. Quadro 23 GRUPOS INTEGRANTES DO BALANÇO PATRIMONIAL Ativo Passivo e patrimônio líquido Ativo circulante (AC) Passivo circulante (PC) Ativo não circulante (ANC) Passivo não circulante (PNC) Patrimônio líquido (PL) Para efeito de análise dinâmica do capital de giro, o balanço patrimonial deverá ter a seguinte configuração mostrada no quadro 24. Quadro 24 CONFIGURAÇÃO DO BALANÇO PATRIMONIAL Aplicação de recursos Origem de recursos Ativo circulante financeiro (ACF) Passivo circulante financeiro (PCF) Ativo circulante operacional (ACO) ou ativo circulante cíclico (ACC) Passivo circulante operacional (PCO) ou passivo circulante cíclico (PCC) Ativo não circulante (ANC) Passivo não circulante (PNC) Composição do capital circulante líquido (CCL) O capital circulante líquido (CCL), conforme a abordagem dinâmica, é composto pela diferença entre os passivos não circulantes e o patrimônio líquido e os ativos não circulantes. No ativo não circulante estão incluídos os subgrupos: ativos realizáveis a longo prazo, investimentos, imobilizados e intangíveis. Assim, o CCL pode ser demonstrado pelas seguintes equações: visão clássica: CCL = AC (–) PC visão estratégica: CCL = (PNC + PL) (–) ANC Necessidade de capital de giro (NCG) A necessidade de capital de giro (NCG), ou investimento operacional em giro (IOG), representa os valores investidos em ativos operacionais, especialmente em estoques e créditos com clientes, cujo valor pode ser obtido pela diferença entre o ativo circulante operacional (ACO) e o passivo circulante operacional (PCO). A necessidade de capital de giro (NCG) é elemento fundamental para avaliar a situação financeira das empresas. Seu valor revela o montante de recursos para manter o giro dos negócios. As contas que compõem a NCG representam operações de curto prazo e de retornos rápidos, que são totalmente diferentes das contas que compõem o ativo não circulante, pois este resulta de decisões de longo prazo, com uma perspectiva bastante lenta para a recuperação do capital investido. Quaisquer alterações nas políticas de compra, estocagem e crédito podem produzir efeitos imediatos sobre o fluxo de caixa e na necessidade de capital de giro, corroborando, assim, a importância desse tipo de análise para caracterizar o equilíbrio financeiro de curto prazo das organizações. Se o saldo dessa variável for positivo, indica que um volume significativo do capital de giro líquido está na forma de aplicações em ativos operacionais, como estoques e contas a receber. Por outro lado, se for negativo (origem de recursos), entende-se que os recursos destinados ao capital de giro estão na forma de ativos líquidos, ou seja, em disponibilidades. A mensuração da NCG pode ser demonstrada pela seguinte fórmula: NCG = ACO (–) PCO Saldo em tesouraria (ST) Uma importante função da gerência financeira de uma empresa é acompanhar a evolução do saldo em tesouraria, a fim de evitar que permaneça constantemente negativo (origem) e crescente. A maioria das empresas que opera com saldo em tesouraria crescentemente negativo apresenta uma estrutura financeira inadequada, revelando uma dependência excessiva de empréstimos de curto prazo e descontos de duplicatas que poderá levá-las até mesmo ao estado de insolvência. De modo geral, essas empresas enfrentam sérias dificuldades para resgatar seus empréstimos de curto prazo quando os bancos, por qualquer motivo, recusam-se a renová-los. Por intermédio do saldo em tesouraria pode-se identificar o grau de utilização de recursos de terceiros de curto prazo para financiar as necessidades de capital de giro da empresa. Caso o saldo seja positivo, deduz-se que a organização possui folga financeira, ou seja, possui recursos financeiros aplicados em curto prazo. Se o saldo for negativo, significa que os recursos financeiros de curto prazo estão financiando as atividades operacionais da empresa, isso porque o saldo em tesouraria pode sinalizar o grau de adequação da política financeira empregada pela administração. Quando positivo, indica disponibilidade de recursos para garantir a liquidez de curtíssimo prazo do empreendimento. Caso seja negativo, pode evidenciar dificuldades financeiras iminentes, em especial, por ocasião da manutenção de saldos negativos sucessivos e crescentes. O acompanhamento da evolução do saldo em tesouraria no decorrer de exercícios sociais sucessivos, bem como das causas das eventuais alterações de tendências percebidas, representa o cerne do modelo da gestão dinâmica do capital de giro. O resultado da tesouraria deve ser analisado com cautela, pois, uma vez que exista folga financeira, esta deve representar o saldo em aplicações financeiras ou, até mesmo, o saldo de outros ativos com alta liquidez e apropriada remuneração. O mesmo não poderia ser dito para a tesouraria positiva, formada por elevados saldos em contas confusas, como outros créditos, adiantamentos, entre outras, que poderiam esconder recursos cujas realizações jamais se consolidarão. Do mesmo modo, uma tesouraria positiva, com elevados saldos em disponibilidades, expressa a inoperância da gerência de recursos financeiros, tendo em vista que os recursos disponíveis deveriam estar aplicados em outros ativos da empresa para a obtenção de maior rentabilidade. O saldo em tesouraria (ST) é demonstrado pela seguintefórmula: ST = ACF (–)PCF Efeito tesoura (ET) O efeito tesoura é um indicador que evidencia o descontrole no crescimento das fontes onerosas de recursos no curto prazo e ocorre quando o saldo em tesouraria apresenta-se em crescente negativo (origem) a cada exercício, variando em níveis superiores ao crescimento da necessidade de capital de giro. Desse modo, quando a necessidade de capital de giro cresce percentualmente a uma taxa superior ao capital de giro (CDG), observa-se a ocorrência do efeito tesoura, que representa a fragilização das condições de solvência da empresa. Caso o saldo em tesouraria se mostre crescentemente negativo, evidencia-se que a empresa poderá caminhar a passos largos para a insolvência. É importante observar que o fato de, em um único ano, o saldo em tesouraria ficar negativo não é preocupante. O problema é quando, ao longo de um período de pelo menos três anos, observa-se a tendência de diminuição ou perda do saldo. O efeito tesoura, portanto, é consequência de saldo de tesouraria cada vez mais negativo (origem de recursos), variando em proporção superior à necessidade de capital de giro. A tabela 1 exemplifica o efeito tesoura (ET). Tabela 1 EXEMPLO DO EFEITO TESOURA Anos NCG CDG ST* 2011 100 80 –20 2012 120 90 –30 2013 150 100 –50 (*) Aritmeticamente os valores são negativos (origem de recursos). Portanto, para que a diferença algébrica entre o CDG e a NCG reflita o efeito tesoura (veja tabela 1) foi trabalhado em módulo, ou seja, o ST de 2011, igual a 20 (negativo), é 20 (positivo) e assim por diante. Quanto aos valores do saldo em tesouraria, estes representam a diferença algébrica entre o valor do capital de giro e o da necessidade de capital de giro, e não estão na mesma escala matemática das variáveis (NCG e CDG) representadas no gráfico da figura 9. Figura 9 VARIÁVEIS DO EFEITO TESOURA Fonte: figura com dados gerados pelo autor para o exemplo citado. Pelo gráfico, observa-se que, nos três anos (2011 a 2013), o capital de giro (CDG), que é uma origem de recursos, não conseguiu financiar a necessidade de capital de giro (NCG), que é uma aplicação, pois os valores da NCG (conforme tabela) são maiores do que o CDG. O gap apresentado no gráfico da figura 9, portanto, é justamente o Saldo em Tesouraria (ST), evidenciando uma origem de recurso, ou seja, um recurso complementar do qual a empresa se utilizou para financiar o restante da NCG. Os saldos de tesouraria (gap de $ 20, $ 30 e $ 50), referentes ao período de 2011 a 2013, foram financiados por origens de recursos mais onerosas, aquelas financiadas por passivo circulante financeiro como empréstimos bancários. Normalmente as empresas financiam o gap do saldo em tesouraria com recursos de curto prazo e, como dito, normalmente esses são mais onerosos. Na sequência, apresenta-se um conjunto de representações gráficas da empresa ZHF, para exemplificar os conceitos relacionados à administração de capital de giro. A empresa ZHF Ltda. apresenta as variáveis de administração de capital de giro, no período de 2011 a 2013, indicadas no quadro 25. Quadro 25 VARIÁVEIS DE ADMINISTRAÇÃO DE CAPITAL DE GIRO Itens 2011 2012 2013 1. ACF 50 200 300 2. PCF 120 290 430 3. ST* = ACF (–) PCF –70 –90 –130 4. ACO 100 120 180 5. PCO 70 80 120 6. NCG = ACO (–) PCO 30 40 60 7. AC = ACF + ACO 150 320 480 8. PC = PCF + PCO 190 370 550 9. CCL = AC (–) PC –40 –50 –70 10. ANC 150 180 290 11. PNC 70 80 160 12. PL 40 50 60 13. PP = (PNC + PL) 110 130 220 14. Total do ativo 300 500 770 15. Total do passivo e patrimônio líquido 300 500 770 * ST, na representação gráfica, será apresentado em módulo. Portanto em 2011 o módulo de 70 (negativo) é 70 (positivo). Suponhamos que, a cada ano (de 2011 a 2013), a empresa: vem apresentando aumento no volume de vendas de bens e aumentando seu imobilizado – máquinas; toma empréstimos de curto prazo (mais onerosos) para financiar seu giro comercial (curto prazo) e também parte de seus ativos não circulantes (imobilizado – máquinas); incorre em juros de curto prazo que representam, em média, 40% das vendas. Figura 10 REPRESENTAÇÕES GRÁFICAS Fonte: figura desenvolvida pelo autor, com os dados gerados pelo autor. Obs.: o saldo em tesouraria se apresenta como margem de segurança quando o ativo circulante financeiro é maior que o passivo circulante financeiro (ACF > PCF). Dessa forma, podemos resumir que a empresa ZHF Ltda. não tem capital de giro (CDG), pois o passivo permanente (PP = PNC + PL) é menor que o ativo não circulante (ANC) no período de três anos (PP < ANC). Portanto, quando não há capital de giro é porque não houve sobra de recursos de longo prazo para financiar as aplicações (ativos) da empresa. Como observado no parágrafo anterior e nas representações gráficas (figura 10), a cada ano houve aumento do ativo não circulante (ANC) – imobilizado, máquinas –, porém seu crescimento de longo prazo está sendo financiado pelo passivo circulante financeiro (PCF), por meio do saldo em tesouraria (ST). Pelo fato de a empresa apresentar crescente necessidade de capital de giro (NCG) a cada ano, e considerando-se, por exemplo, a necessidade de compra de mais estoques, o saldo em tesouraria (ST) está sendo utilizado para financiar a necessidade de capital de giro total, uma vez que inexiste capital de giro, e também para financiar parte do ativo não circulante (ANC). Nesse caso, o saldo em tesouraria (ST) está gerando desequilíbrio financeiro, pois, como já explicitado, esse é um recurso de curto prazo (origem) e está financiando o ativo não circulante de longo prazo. Critérios de análise econômico-financeira São três os critérios utilizados em análise econômico-financeira: análise vertical; análise horizontal; indicadores econômico-financeiros (indicadores de desempenho). A seguir, trataremos de cada um desses critérios. Análise vertical Trata-se de metodologia de análise que mostra a participação percentual de cada um dos itens das demonstrações contábeis em relação ao somatório de seu grupo e, conforme cita Ribeiro (2009b:135), “este processo é também conhecido por análise por coeficientes”. Com esse instrumento, pode-se visualizar, de modo objetivo e direto, a representatividade de cada componente das demonstrações contábeis, identificando aqueles que mais contribuem para a formação do conjunto objeto da análise. A análise vertical é de grande importância, principalmente quando aplicada à demonstração de resultado do exercício, porque possibilita detectar a composição percentual das receitas, custos e despesas, evidenciando aquelas que mais influenciaram na formação do lucro ou prejuízo. Conforme citam Perez Junior e Begalli (1999:195), “essa análise em períodos sucessivos pode fornecer uma base para a projeção de uma demonstração de resultados”. A seguir, apresentam-se, no quadro 26, os dados do balanço patrimonial da empresa fictícia Estrela Solitária S/A referentes ao exercício de 2010, que servirão de base para exemplificarmos a análise vertical. Quadro 26 BALANÇO PATRIMONIAL DA EMPRESA ESTRELA SOLITÁRIA S/A (ANÁLISE VERTICAL) Ativo 2010 % Passivo + PL 2010 % Ativo circulante 16.600 38,0 Passivo circulante 15.800 36,1 Disponível 900 2,0 Empréstimos e financiamentos 5.400 12,3 Aplicações financeiras 2.700 6,7 Fornecedores 5.600 12,8 Clientes 7.200 16,4 Provisões sociais e tributárias 2.500 5,7 Estoques 5.800 13,2 Dividendos 2.300 5,2 Ativo não circulante 27.200 63,2 Passivo não circulante 5.000 11,4 Realizável a longo prazo 2.000 4,5 Empréstimos e financiamentos 2.800 6,4 Investimentos 11.100 25,3 Debêntures 2.200 5,0 Imobilizado 10.000 22,8 Intangível 4.100 9,4 Patrimônio líquido 23.000 52,5 Capital social 12.000 27,4 Reservas de lucros 11.000 25,1 Ativo total 43.800 100,0 Passivo + PL total 43.800 100,0 No quadro 27, apresentam-se os dados dademonstração dos resultados do exercício da empresa fictícia Estrela Solitária S/A referentes ao exercício de 2010, que servirão de base para exemplificarmos a análise vertical. Quadro 27 DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS DO EXERCÍCIO DA EMPRESA ESTRELA SOLITÁRIA S/A (ANÁLISE VERTICAL) 2010 % Receita operacional líquida 45.800 100,0 (–) CMV 16.100 35,2 Lucro bruto 29.700 64,8 (–) Despesas operacionais 13.100 28,6 Comerciais 5.700 12,4 Administrativas 5.300 11,6 Financeiras 2.100 4,6 Lucro operacional 16.600 36,2 (–) IR e CSLL 5.300 11,6 Lucro líquido do exercício 11.300 24,7 No balanço patrimonial, verifica-se o percentual que representa cada conta ou grupo de contas em relação ao ativo ou passivo total. Na demonstração dos resultados do exercício, faz-se a comparação de cada conta de despesa ou subtotal com a receita operacional líquida. Assim, pode-se avaliar a relevância ou representatividade de cada conta ou grupo em relação aos valores totais. Com base nas demonstrações contábeis da empresa Estrela Solitária S/A, pode-se concluir sobre uma série de fatores, como: as contas mais significativas do ativo são clientes (16,4%) e investimentos (25,3%); as contas mais relevantes do passivo são fornecedores (12,8%) e empréstimos e financiamentos (12,3%); já do patrimônio líquido, é o capital social (27,4%); o custo das mercadorias vendidas representa 35,2% do faturamento (receita operacional líquida) da empresa; as despesas operacionais (comerciais, administrativas e financeiras) representam 28,6% do faturamento da empresa; a margem bruta do produto, a margem operacional e a margem líquida da empresa representam 64,8%, 36,2% e 24,7%, respectivamente. Uma vez demonstrada a importância da análise vertical, apresentaremos, a seguir, o segundo critério de análise econômico-financeira – a análise horizontal. Análise horizontal A análise horizontal é efetuada tomando-se por base dois ou mais exercícios sociais, com a finalidade de observar a evolução ou involução dos componentes. Observe que é na análise horizontal que você pode identificar o comportamento dos diversos itens do patrimônio e, principalmente, dos índices, permitindo a análise de tendência. Segundo Perez Junior e Begalli (1999:195), “a análise horizontal enfatiza as modificações ou evoluções em cada conta das demonstrações financeiras em relação a uma demonstração básica, geralmente a mais antiga da série, a fim de caracterizar tendências”. No quadro 28 apresentamos os dados do balanço patrimonial da empresa fictícia Estrela Solitária S/A referentes aos exercícios de 2010 e 2009, que servirão de base para exemplificarmos a análise horizontal. O quadro 29 apresenta os dados da demonstração dos resultados dos exercícios da empresa fictícia Estrela Solitária S/A referentes aos exercícios de 2010 e 2009, que servirão de base para exemplificarmos a análise horizontal. Com as demonstrações estruturadas da forma anterior, você poderá fazer diversas análises comparativas, tanto da variação dos valores de cada conta ou grupo de contas ao longo dos exercícios quanto da variação dos índices apresentados pela empresa nos períodos analisados. A avaliação das modificações das contas poderá ser realizada por meio da comparação com: variações históricas da própria empresa; taxas de crescimento da economia; taxas de crescimento do setor a que pertence a empresa; taxa de variação da inflação oficial; variações nas contas idênticas das demonstrações contábeis de concorrentes. Quadro 28 BALANÇO PATRIMONIAL DA EMPRESA ESTRELA SOLITÁRIA S/A (ANÁLISE HORIZONTAL) Ativo 2010 % 2009 % Passivo + PL 2010 % 2009 % Ativo circulante 16.600 133 12.500 100 Passivo circulante 15.800 146 10.800 100 Disponível 900 150 600 100 Empréstimos/financiamentos 5.400 174 3.100 100 Aplicações financeiras 2.700 113 2.400 100 Fornecedores 5.600 133 4.200 100 Clientes 7.200 131 5.500 100 Provisões sociais/tributárias 2.500 108 2.300 100 Estoques 5.800 145 4.000 100 Dividendos 2.300 192 1.200 100 Ativo não circulante 27.200 118 23.000 100 Passivo não circulante 5.000 106 4.700 100 Realizável a longo prazo 2.000 111 1.800 100 Empréstimos/financiamentos 2.800 112 2.500 100 Investimentos 11.100 116 9.600 100 Debêntures 2.200 100 2.200 100 Imobilizado 10.000 119 8.400 100 Intangível 4.100 128 3.200 100 Patrimônio líquido 23.000 115 20.000 100 Capital social 12.000 100 12.000 100 Reservas de lucros 11.000 137 8.000 100 Ativo total 43.800 123 35.500 100 Passivo + PL total 43.800 123 35.500 100 Quadro 29 DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS DO EXERCÍCIO DA EMPRESA ESTRELA SOLITÁRIA S/A (ANÁLISE HORIZONTAL) 2010 % 2009 % Receita operacional líquida 45.800 139 33.000 100 (–) CMV 16.100 134 12.000 100 Lucro bruto 29.700 119 25.000 100 (–) Despesas operacionais 13.100 124 10.600 100 Comerciais 5.100 119 4.300 100 Administrativas 5.300 110 4.800 100 Financeiras 2.700 108 2.500 100 Lucro operacional 16.600 115 14.400 100 (–) IR e CSLL 5.300 110 4.800 100 Lucro líquido do exercício 11.300 118 9.600 100 A análise horizontal, conforme demonstrado, representa um critério interessante na análise econômico-financeira, gerando uma informação complementar à análise vertical. Entretanto, o critério mais completo e profundo, que gera o maior volume de informações para o analista, é o critério de indicadores econômico-financeiros. A seguir, apresentaremos detalhadamente esse critério de análise. Indicadores econômico-financeiros O nível de segurança que se obtém de um relatório técnico acerca da situação econômico- financeira de uma entidade está intimamente relacionado ao período que se utiliza para avaliação. Isso quer dizer que o gestor deve valer-se das demonstrações contábeis de, pelo menos, dois exercícios sociais, e delas extrair os diversos indicadores que lhe forneçam as informações desejadas. Ao usuário interno (gestor) da empresa importa, fundamentalmente, detectar problemas e pontos fortes existentes para, a partir daí, traçar estratégia no sentido de corrigir as falhas ou aproveitar as oportunidades. Já aos usuários externos (credores, investidores, fornecedores, entre outros) interessa avaliar a viabilidade ou não da aplicação de recursos na empresa, concessão de créditos e captação de recursos. Ou seja, a necessidade de informação do analista é que determinará os indicadores a serem avaliados e os caminhos a serem seguidos. Em um empréstimo de curto prazo, por exemplo, o gerente de um banco – interessado fundamentalmente em receber os valores referentes aos empréstimos concedidos – privilegiará os aspectos de liquidez, para avaliação de solvência, e endividamento, para determinação do fator de risco. Já em se tratando de empréstimo de longo prazo, o gerente dará ênfase também à capacidade de geração de lucro e à eficiência operacional da empresa, ou seja, ao enfoque da lucratividade e rentabilidade. De acordo com Perez Junior e Begalli (1999:196), “um dos principais instrumentos para se avaliarem certos aspectos dos desempenhos – passados, presentes e futuros – da empresa é a análise de índices econômico-financeiros”. Os índices ou indicadores estabelecem a relação entre contas ou grupo de contas das demonstrações contábeis visando evidenciar determinado aspecto da situação econômico- financeira de uma empresa. No entanto, cabe ressaltar que não é só a análise por meio de alguns índices que apresenta um resultado final sobre o desempenho da empresa. Para que seja desenvolvido o relatório final, torna-se necessária a utilização de vários componentes de análise específicos sobre a estrutura financeira e econômica da entidade. Dessa forma, o índice não deve ser considerado isoladamente, mas sim pelo aspecto dinâmico e dentro de um contextomais amplo, onde outros indicadores e variáveis devem ser interpretados. Exemplificando, um elevado grau de endividamento não significa, necessariamente, que a empresa esteja à beira da insolvência. Há empresas que convivem com níveis altos de endividamento sem comprometer sua solvência, já que há outros fatores que podem atenuar essa condição, como uma concentração maior desse endividamento no longo prazo através de fontes menos onerosas de recursos. Para melhor compreensão da influência de cada indicador na análise, você verá índices de estrutura de capital, de liquidez, de lucratividade, de rentabilidade, de prazos médios e necessidade de capital de giro. Cada um deles será, a seguir, discriminado: índices de estrutura de capital – avaliam a segurança oferecida pela empresa aos capitais de terceiros e revelam sua política de captação de recursos, bem como a alocação deles nos diversos itens do ativo; índices de liquidez – medem a posição financeira da empresa em termos de capacidade de pagamento; índices de lucratividade – demonstram as margens geradas sobre o faturamento líquido na avaliação do resultado; índices de rentabilidade – avaliam o desempenho global da empresa no que tange ao retorno gerado aos investidores, análise do custo de oportunidade do capital e determinação de payback; indicadores de prazos médios – revelam a política de compra, estocagem e venda da empresa; necessidade de capital de giro (NCG) – mostra a carência de capital de giro ou folga de caixa da empresa. Você verá, a seguir, no quadro 30, um exemplo de balanço patrimonial da empresa fictícia Estrela Solitária S/A, cujos dados servirão de base para o estudo dos indicadores econômico- financeiros. Quadro 30 BALANÇO PATRIMONIAL DA EMPRESA ESTRELA SOLITÁRIA S/A (INDICADORES ECONÔMICO-FINANCEIROS) Ativo 2010 2009 Passivo + PL 2010 2009 Ativo circulante 16.600 12.500 Passivo circulante 15.800 10.800 Disponível 900 600 Empréstimos e financiamentos 5.400 3.100 Aplicações financeiras 2.700 2.400 Fornecedores 5.600 4.200 Clientes 7.200 5.500 Provisões sociais e tributárias 2.500 2.300 Estoques 5.800 4.000 Dividendos 2.300 1.200 Ativo não circulante 27.200 23.000 Passivo não circulante 5.000 4.700 Realizável a longo prazo 2.000 1.800 Empréstimos e financiamentos 2.800 2.500 Investimentos 11.100 9.600 Debêntures 2.200 2.200 Imobilizado 10.000 8.400 Intangível 4.100 3.200 Patrimônio líquido 23.000 20.000 Capital social 12.000 12.000 Reservas de lucros 11.000 8.000 Ativo total 43.800 35.500 Passivo + PL total 43.800 35.500 Obs.: montante de compras: $ 54.000 em 2009 e $ 72.000 em 2010. No quadro 31 você verá um exemplo de demonstração dos resultados do exercício da empresa fictícia Estrela Solitária S/A, cujos dados servirão de base para o estudo dos indicadores econômico-financeiros. Quadro 31 DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS DO EXERCÍCIO DA EMPRESA ESTRELA SOLITÁRIA S/A (INDICADORES ECONÔMICO- FINANCEIROS) 2010 2009 Receita operacional líquida 45.800 33.000 (–) CMV 16.100 12.000 Lucro bruto 29.700 25.000 (–) Despesas operacionais 13.100 10.600 Comerciais 5.700 4.300 Administrativas 5.300 4.800 Financeiras 2.100 2.500 Lucro operacional 16.600 14.400 (–) IR e CSLL 5.300 4.800 Lucro líquido do exercício 11.300 9.600 Com base nos relatórios apresentados, aplicaremos os indicadores de análise econômico- financeira e discriminaremos cada índice. Índices de estrutura de capital Os índices de estrutura de capital avaliam a segurança que a empresa oferece aos capitais de terceiros e revelam sua política de captação de recursos e de alocação deles nos diversos itens do ativo. O ativo de uma empresa é financiado pelos capitais próprios (patrimônio líquido) e por capitais de terceiros (passivo circulante e passivo não circulante). Quanto maior for a participação de recursos de terceiros nos negócios de uma empresa, maior será o risco ao qual os credores (capitais de terceiros) estarão expostos. Os principais indicadores de estrutura de capital para avaliação do grau de endividamento e fator de risco de uma empresa são apresentados no quadro 32. Quadro 32 ÍNDICES DE ESTRUTURA DE CAPITAL Endividamento geral EG Composição do endividamento CE Imobilização do capital próprio IPL Imobilização de recursos não correntes IRNC Passivos onerosos sobre ativo Posa Cada um deles será, aqui, discriminado. ENDIVIDAMENTO GERAL (EG) (PC + PNC) ÷ Ativo total onde PC = passivo circulante e PNC = passivo não circulante. Esse índice demonstra a estrutura de capital da empresa apontando, assim, seu grau de endividamento. É por meio desse indicador que se identifica se a empresa tem maior dependência por capital próprio ou capital de terceiros no financiamento do ativo. Quanto maior a dependência de capital de terceiros, maior será o risco oferecido às instituições financeiras na concessão de créditos. Entretanto, é importante ressaltar que determinadas empresas convivem bem com endividamento elevado, principalmente quando esse endividamento apresenta um viés de longo prazo, ou quando, mesmo que de curto prazo, esses recursos são compostos por passivos não onerosos. Nesse caso, o fundamental é manter uma boa política de administração de prazos de pagamento com os bancos e fornecedores. A Estrela Solitária S/A apresenta um endividamento geral (EG) de 43,6% em 2009 [($ 10.800 + $ 4.700) ÷ $ 35.500 × 100] e 47,5% em 2010 [($ 15.800 + $ 5.000) ÷ $ 43.800 × 100]. Logo, pode-se concluir que: a empresa deve, em curto e longo prazos, o correspondente a 43,6% de seu ativo em 2009, aumentando para 47,5% em 2010; há uma predominância de capital próprio no financiamento do ativo, muito embora a captação de recursos de terceiros venha aumentando ao longo dos anos analisados; dos recursos investidos no ativo, 43,6% em 2009 provêm de terceiros (fornecedores, bancos, governo) e o restante (56,4%) são provenientes de recursos próprios (patrimônio líquido). Em 2010, a dependência de capital de terceiros aumentou para 47,5%, reduzindo assim a participação de capital próprio para 52,5%. Pelos indicadores apresentados nos dois exercícios pode-se concluir que a empresa vem aumentando a dependência de capital de terceiros no financiamento do ativo, sinalizando, assim, um aumento do grau de endividamento, o que contribui para elevar seu fator de risco. Entretanto, cabe ressaltar que a situação ainda é confortável, pois nos dois anos ainda há maior predominância de capital próprio. A análise da adequação desse índice para a empresa dependerá, entre outros aspectos, de comparações com os índices apresentados por outras empresas do mesmo setor econômico – conhecida como análise setorial –, da tendência demonstrada na análise de diversos exercícios, da composição do endividamento (curto ou longo prazo) e, ainda, do custo financeiro dessas dívidas. COMPOSIÇÃO DO ENDIVIDAMENTO (CE) PC ÷ (PC + PNC) O índice de composição do endividamento tem o objetivo de demonstrar a política adotada quanto à forma de captação de recursos de terceiros, ou seja, se a empresa concentra a maior parte de suas dívidas no curto ou no longo prazo. Admite-se que quanto maior a concentração de endividamento no curto prazo, maior será o risco oferecido pela empresa a seus credores. Por outro lado, um endividamento com perfil de longo prazo, principalmente para o financiamento do ativo não circulante, propicia à empresa situação mais confortável, podendo sinalizar, portanto, eficiente política de captação de recursos. A Estrela Solitária S/A apresenta uma composição do endividamento (CE) de 69,7% em 2009 [$ 10.800 ÷ ($ 10.800 + $ 4.700) × 100], ou seja, 69,7% do endividamento da empresa concentram-se no curto prazo. Ou, ainda, de cada $ 100 de dívidas totais, $ 69,7 estão concentradasno passivo circulante, o que configura elevado endividamento de curto prazo. Já em 2010, a composição da dívida é de 75,9% [$ 15.800 ÷ ($ 15.800 + $ 5.000) × 100], demonstrando crescimento da concentração do endividamento no curto prazo. Pode-se, então, concluir que, das dívidas totais da empresa, 75,9% vencerão dentro dos próximos 12 meses. IMOBILIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (IPL) (ANC – RLP) ÷ PL onde ANC = ativo não circulante; RLP = realizável a longo prazo; e PL = patrimônio líquido. É importante lembrar que o ativo não circulante é composto por quatro subgrupos: realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. Para esses dois indicadores em questão – imobilização do patrimônio líquido e imobilização de recursos não correntes – não levaremos em consideração o realizável a longo prazo. O índice exprime o quanto dos ativos investimentos, imobilizado e intangível da empresa é financiado pelo seu patrimônio líquido, evidenciando, dessa forma, a maior ou menor dependência de aporte de recursos de terceiros para manutenção de seus negócios. A correta administração dos recursos de uma empresa pressupõe uma adequada relação dos prazos das aplicações dos recursos com os prazos das origens desses recursos. Assim, convencionou-se dizer que os ativos investimentos, imobilizado e intangível são financiados pelo patrimônio líquido ou por financiamentos de longo prazo. Em princípio, o ideal é que as empresas imobilizem a menor parcela possível de seus recursos próprios. Assim, não ficarão na dependência de capitais de terceiros para a movimentação normal de seus negócios. O gestor deve atentar para os casos em que a empresa possui financiamentos de longo prazo para novos investimentos, como expansão ou modernização de seu parque fabril. Nesses casos, o índice de imobilização do capital próprio poderá apresentar-se em níveis muito elevados. A política de obtenção de fontes de longo prazo, porém, revela a decisão gerencial dos gestores. A Estrela Solitária S/A apresenta uma imobilização do capital próprio (IPL) de 106% em 2009 [$ 21.200 ÷ $ 20.000 × 100], o que indica que a empresa está imobilizando a totalidade do seu capital, necessitando, ainda, complementar tais investimentos com recursos de terceiros. Já em 2010, o IPL ficou em 109,6% [$ 25.200 ÷ $ 23.000 × 100]; logo, a dependência por capital de terceiros para complementar esses investimentos aumentou, devendo-se observar se os financiamentos de longo prazo estão financiando o permanente a um custo compatível com sua capacidade de gerar lucros. Diante da situação apresentada, haverá a necessidade de se aplicar mais um indicador, o grau de imobilização de recursos não correntes, a fim de se verificar se os recursos de terceiros de longo prazo foram suficientes para complementar os investimentos efetuados nos ativos investimentos, imobilizado e intangível. IMOBILIZAÇÃO DE RECURSOS NÃO CORRENTES (IRNC) (ANC – RLP) ÷ (PL + PNC) Esse indicador demonstra qual o percentual de recursos não correntes (passivo não circulante e patrimônio líquido) que foi revertido para aplicação nos ativos investimentos, imobilizado e intangível. Na prática, esse indicador tem papel fundamental quando o capital próprio (patrimônio líquido) demonstra-se insuficiente para cobrir as aplicações de recursos efetuadas em investimentos, imobilizado e intangível, o que faz com que a empresa necessite captar recursos de terceiros em longo prazo para financiar tal aplicação. A Estrela Solitária S/A demonstra um indicador de imobilização de recursos não correntes (IRNC) de 85,8% em 2009 [$ 21.200 ÷ ($ 20.000 + $ 4.700) × 100]. Como os recursos próprios não haviam sido suficientes para cobrir os investimentos efetuados nos ativos investimentos, imobilizado e intangível, houve a necessidade de recorrer a capital de terceiros de longo prazo para complementar tais investimentos. Pelo indicador apresentado, podemos concluir que os recursos de terceiros de longo prazo foram suficientes para complementar os investimentos efetuados nos ativos investimentos, imobilizado e intangível, não havendo a necessidade de envolver os recursos de terceiros de curto prazo no financiamento desse ativo, o que demonstra adequada alocação de recursos. Em 2010, o índice apresenta-se em 90% [$ 25.200 ÷ ($ 23.000 + $ 5.000) × 100], retratando a mesma situação identificada em 2009. PASSIVO ONEROSO SOBRE ATIVO (POSA) (PCF + PNC) ÷ Ativo total onde PCF = passivo circulante financeiro. Esse índice mostra a participação das fontes onerosas de capital no financiamento dos investimentos totais da empresa, revelando sua dependência de instituições financeiras. Supõe- se que todo exigível em longo prazo (passivo não circulante) seja oneroso; caso contrário, deve ser feita a exclusão da parcela não onerosa. Você deve observar que, quanto maior for esse índice, maiores serão as despesas financeiras incorridas, impactando o resultado do exercício. A Estrela Solitária S/A apresentou um passivo oneroso sobre ativo (Posa) de 15,8% em 2009 [($ 3.100 + $ 2.500) ÷ $ 35.500 × 100], o que significa que 15,8% das aplicações efetuadas no ativo estão sendo financiados por recursos onerosos de terceiros. Em princípio, este não é considerado um índice elevado. Entretanto, deve-se ponderar o custo financeiro incidente sobre os $ 2.500 de financiamentos em longo prazo, bem como sua finalidade. Observe que o gestor deve adotar um padrão como referência para análise. Os padrões são divulgados periodicamente através dos normativos das instituições financeiras. Em 2010, o Posa foi de 18,7% [($ 5.400 + $ 2.800) ÷ $ 43.800 × 100], também representando um índice relativamente baixo. Índices de liquidez Os índices de liquidez apontam a capacidade financeira da empresa para honrar os compromissos para com terceiros, ou seja, a capacidade da empresa para liquidar suas dívidas. Evidenciam quanto a empresa dispõe de recursos (capital de giro) em relação às obrigações assumidas no mesmo período. Os índices de liquidez mais aplicados em análise econômico- financeira são: liquidez imediata, liquidez corrente, liquidez seca e liquidez geral. Cada um fornece informações diferentes sobre a situação financeira da empresa. Em geral, presume-se que quanto maior for a liquidez, melhor será a situação financeira da empresa. Entretanto, não podemos aplicar isso como regra. Você deve ter em mente que um alto índice de liquidez não representa, necessariamente, boa saúde financeira. O cumprimento das obrigações nas datas previstas depende de uma adequada administração dos prazos de recebimento e de pagamento (índices de atividade). Assim, uma empresa que possui altos índices de liquidez, mas mantém mercadorias estocadas por períodos elevados, recebe com atraso suas vendas a prazo ou mantém duplicatas incobráveis na conta clientes poderá ter problemas de liquidez, ou seja, poderá ter dificuldades para honrar seus compromissos nos vencimentos. Discriminaremos, a seguir, no quadro 33, os indicadores de liquidez. Quadro 33 ÍNDICES DE LIQUIDEZ Liquidez imediata LI Liquidez corrente LC Liquidez seca LS Liquidez geral LG LIQUIDEZ IMEDIATA (LI) Disponível PC Também conhecido como liquidez instantânea, esse índice mede a capacidade financeira da empresa para honrar seus compromissos de curto prazo contando apenas com suas disponibilidades (caixa e bancos). Muller e Antonik (2008:131) informam que esse índice “mostra a capacidade imediata de cobertura do passivo circulante com as disponibilidades”. A liquidez imediata apresenta sempre um índice inferior à unidade, pois não é considerado normal a empresa manter um saldo de caixa e bancosem nível elevado visando garantir pagamentos que vencerão no curto prazo. Pode-se concluir, por esse indicador, que, uma vez em crescimento, a empresa pode estar imobilizando recursos em tesouraria deixando de gerar recursos no giro dos negócios. A Estrela Solitária S/A apresentou uma liquidez imediata, em 2009, de 0,06 ($ 600 ÷ $ 10.800). Isso equivale a dizer que a empresa poderá dispor de $ 0,06 de recursos disponíveis (caixa e bancos) para pagar cada $ 1,00 de dívidas de curto prazo (passivo circulante), sinalizando uma eficiente gestão de fluxo de caixa pelo fato de manter uma parcela reduzida de recursos em tesouraria para fazer frente ao seu endividamento circulante. Em 2010, a liquidez imediata da empresa apresentou-se no mesmo patamar, ou seja, 0,06 ($ 900 ÷ $ 15.800), indicando a mesma avaliação. LIQUIDEZ CORRENTE (LC) AC PC A liquidez corrente é um dos índices mais utilizados em análise financeira. Indica de quanto a empresa poderá dispor em termos de capital de giro (recursos de curto prazo, como disponibilidades, aplicações financeiras, clientes e estoques) para pagar suas dívidas circulantes (fornecedores, empréstimos, provisões sociais, provisões tributárias, dividendos, entre outras). De acordo com Muller e Antonik (2008:131) “o índice de liquidez corrente mostra a capacidade de liquidez ou pagamento da empresa”. A Estrela Solitária S/A apresentou uma liquidez corrente, em 2009, de 1,16 ($ 12.500 ÷ $ 10.800), o que significa que a empresa poderá dispor de $ 1,16 de capital de giro (recursos de curto prazo) para pagar cada $ 1,00 de dívidas de curto prazo (passivo circulante), revelando-se com capacidade de solvência. Em 2010, a liquidez corrente da empresa apresentou-se em 1,05 ($ 16.600 ÷ $ 15.800) indicando que, muito embora tenha ocorrido queda da capacidade de pagamento, a empresa ainda apresenta capital de giro suficiente para honrar suas dívidas circulantes. LIQUIDEZ SECA (LS) AC – Estoque PC Esse índice é uma medida mais rigorosa para avaliação da liquidez da empresa, tratado por muitos especialistas como “teste do ácido”. Indica de quanto a empresa poderá dispor em termos de capital de giro, sem levar em consideração seus estoques, para fazer frente a suas dívidas de curto prazo. É natural que, ao aplicar esse índice em empresas comerciais ou industriais, ou até mesmo em empresas de serviço que necessitem de estoque para desempenhar sua atividade (empresas do ramo hospitalar, por exemplo, que dependem de materiais médicos e medicamentos para atender os pacientes), o indicador se apresente abaixo da unidade. Isoladamente, esse índice não diz muita coisa. Seu maior objetivo é identificar o grau de dependência do estoque para saldar as dívidas de curto prazo. Significa dizer que um indicador de liquidez corrente muito elevado pode estar comprometido por um alto grau de dependência do estoque, que para se realizar depende de mercado. Dessa forma, conclui-se que nem sempre a liquidez corrente muito elevada retrata uma situação financeira confortável; a necessidade de se avaliar o estoque, que representa um dos principais componentes do capital de giro, é relevante, a fim de não se obter uma visão míope sobre a capacidade de liquidez da empresa. A Estrela Solitária S/A apresentou, em 2009, uma liquidez seca de 0,79 [($ 12.500 – $ 4.000) ÷ $ 10.800], o que demonstra que a empresa apresenta dependência de seus estoques para saldar suas dívidas de curto prazo. Paralelamente, conforme comentado, é fundamental verificar o grau de dependência do estoque para saldar suas obrigações. Com base no indicador apresentado, o grau de dependência do estoque é de 32% [(1,16 – 0,79) ÷ 1,16], o que é considerado um fator aceitável, não comprometendo, assim, o fator de liquidez da empresa. Em 2010, a empresa apresenta uma liquidez seca de 0,68 [($ 16.600 – $ 5.800) ÷ $ 15.800], gerando um grau de dependência do estoque de 35% [(1,05 – 0,68) ÷ 1,05], acompanhando o patamar apresentado em 2009. LIQUIDEZ GERAL (LG) AC + RLP PC + PNC onde RLP = realizável a longo prazo. A liquidez geral, ou índice de solvência geral, é uma medida da capacidade da empresa para honrar todas as suas obrigações (de curto e longo prazos) contando, para isso, com seus recursos realizáveis em curto e longo prazos. A Estrela Solitária S/A apresentou uma liquidez geral de 0,92 [($ 12.500 + $ 1.800) ÷ ($ 10.800 + $ 4.700)], ou seja, para cada $ 1,00 de dívidas totais, a empresa dispõe de $ 0,92 de recursos de curto e longo prazos. Embora o indicador se apresente abaixo da unidade, isso não representa um fator preocupante em função de a empresa estar financiando o ativo com boa parcela de recursos de longo prazo – o que é uma boa política de captação – e pelo fato de, no gargalo (curto prazo), apresentar folga financeira, revelando-se com capacidade de solvência. Em 2010, a liquidez geral apresentou-se em 0,89 [($ 16.600 + $ 2.000) ÷ ($ 15.800 + $ 5.000)], o que demonstra uma ligeira queda pelo fato de a empresa ter aumentado ainda mais a captação de recursos de longo prazo no financiamento do ativo. Índices de lucratividade e rentabilidade A partir deste momento, passa-se a utilizar, para a análise aqui realizada, não somente o balanço patrimonial, mas também a demonstração dos resultados do exercício. Os índices de lucratividade têm a finalidade de avaliar as margens auferidas no resultado da empresa, sejam relacionadas ao produto ou à eficiência do negócio. Já os índices de rentabilidade têm por objetivo avaliar o desempenho final da empresa. Todos os índices de lucratividade e rentabilidade devem ser considerados “quanto maior, melhor”. Os principais índices de lucratividade e rentabilidade utilizados são apresentados no quadro 34. Quadro 34 ÍNDICES DE LUCRATIVIDADE E RENTABILIDADE Margem bruta MB Margem operacional MO Margem líquida ML Giro do ativo GA Rentabilidade do patrimônio líquido RPL Rentabilidade dos investimentos RI A seguir discriminaremos cada indicador. MARGEM BRUTA (MB) Lucro bruto Receita operacional líquida ×100 A margem bruta representa a lucratividade auferida sobre a mercadoria, produto ou serviço comercializado pela empresa. Numa análise complementar, esse indicador revela o percentual remanescente do faturamento líquido após a dedução do custo das mercadorias ou produtos vendidos ou dos serviços prestados para cobrir as despesas operacionais e ainda, se possível, gerar lucro. A Estrela Solitária S/A apresentou, em 2009, uma margem bruta de 75,8% [($ 25.000 ÷ $ 33.000) × 100]. Significa dizer que a empresa obteve 75,8% de lucratividade sobre o produto comercializado, ou seja, há uma sobra de 75,8% do faturamento líquido para arcar com as despesas operacionais e ainda gerar, se possível, lucro. Em 2010, apresentou uma margem bruta de 64,8% [($ 29.700 ÷ $ 45.800) × 100], o que demonstra redução da lucratividade auferida sobre o produto e menor parcela do faturamento líquido para absorção das despesas operacionais. MARGEM OPERACIONAL (MO) Lucro operacional Receita operacional líquida ×100 A margem operacional avalia o ganho operacional da empresa em relação a seu faturamento líquido. Esse indicador mensura a eficiência operacional do negócio, medido exclusivamente em função das suas operações normais (comerciais, administrativas e financeiras) realizadas para manutenção da atividade-fim. A Estrela Solitária S/A apresentou, em 2009, uma margem operacional de 43,6% [($ 14.400 ÷ $ 33.000) × 100], ou seja, a empresa obteve 43,6% de retorno operacional sobre seu faturamento líquido. Já em 2010, gerou margem operacional de 36,2% [($ 16.600 ÷ $ 45.800)× 100], o que representa queda de eficiência no negócio. Margem líquida (ML) Lucro líquido Receita operacional líquida ×100 A exemplo do índice anterior, a margem líquida é uma medida da lucratividade obtida pela empresa. Entretanto, esse índice demonstra o retorno líquido da empresa sobre seu faturamento líquido, diferindo da margem operacional em função de deduzir do lucro operacional o impacto do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, além das participações no resultado. A Estrela Solitária S/A apresentou uma margem líquida de 29,1% em 2009 [($ 9.600 ÷ $ 33.000) × 100], ou seja, um retorno sobre o faturamento líquido equivalente a 29,1%. Em 2010, a margem líquida auferida foi de 24,7% [($ 11.300 ÷ $ 45.800) × 100], acompanhando a queda refletida na margem operacional. GIRO DO ATIVO (GA) Vendas líquidas Ativo total Esse indicador demonstra se o faturamento líquido gerado no período foi suficiente para cobrir o investimento total realizado na empresa. Seu maior objetivo é avaliar quantas vezes a empresa recuperou o montante aplicado no ativo por meio de vendas durante um determinado período. Gitman (1997:115) ressalta que “geralmente, quanto maior o giro do ativo total da empresa, mais eficientemente seus ativos foram usados”. Esse índice é bastante dependente do setor de atuação da empresa, não sendo possível estabelecer padrões, e sua análise deve sempre ser combinada com a análise dos indicadores de lucratividade apresentados anteriormente. A Estrela Solitária S/A demonstrou, em 2009, um giro do ativo de 0,93 ($ 33.000 ÷ $ 35.500). Significa dizer que a empresa vendeu $ 0,93 para cada $ 1,00 investido, ou seja, o faturamento líquido não foi suficiente para recuperar os investimentos totais efetuados. Já em 2010, o giro do ativo é de 1,05 ($ 45.800 ÷ $ 43.800), o que significa que o faturamento líquido gerado durante o período foi suficiente para cobrir os investimentos efetuados. RENTABILIDADE DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (RPL) Lucro líquido Patrimônio líquido ×100 A rentabilidade do patrimônio líquido, também conhecida como retorno sobre o capital próprio, mede a remuneração dos capitais próprios investidos na empresa, ou seja, quanto foi adicionado ao patrimônio líquido decorrente do resultado do período. Esse indicador é muito conhecido como return on equity (ROE) e, embora esta seja uma expressão em inglês, por hábito também é utilizada no mercado nacional. Do ponto de vista de quem investe em uma empresa, o RPL ou ROE é considerado o índice mais importante. A rentabilidade do patrimônio líquido permite, além de avaliar a remuneração do capital próprio, analisar se esse rendimento é compatível com outras alternativas de aplicação, como fundos de investimentos, aluguéis e ações de empresas concorrentes. Um investidor, por exemplo, avaliando a rentabilidade do patrimônio líquido, poderá optar por uma aplicação no mercado financeiro em vez de aplicar em uma empresa que está oferecendo baixa rentabilidade. Esse tipo de análise resulta na avaliação do custo de oportunidade do capital aplicado pelo investidor, pois avalia a remuneração que se deixa de auferir em função de oportunidade de investimento descartada. A Estrela Solitária S/A apresentou, em 2009, uma rentabilidade do patrimônio líquido de 48% [($ 9.600 ÷ $ 20.000) × 100], o que significa que os acionistas obtiveram uma remuneração de 48% sobre o capital investido na empresa. Em 2010, a rentabilidade aumentou para 49,1% [($ 11.300 ÷ $ 23.000) × 100]. A partir do indicador apresentado nos dois exercícios, pode-se proceder à avaliação do custo de oportunidade do capital comparando-se o retorno gerado sobre o capital próprio com a rentabilidade do mercado financeiro de renda fixa e concluir se é vantajoso aplicar recursos nessa empresa. RENTABILIDADE DOS INVESTIMENTOS (RI) Lucro líquido Ativo total ×100 A rentabilidade dos investimentos também é chamada de return on investments (ROI) ou poder de ganho e reflete o quanto a empresa está obtendo de retorno em relação aos investimentos totais. Conforme cita Ribeiro (2009b:171), “este quociente evidencia o potencial de geração de lucros por parte da empresa”. Por meio desse índice pode-se, também, determinar o payback do negócio, ou seja, em quanto tempo se recuperam os investimentos totais efetuados na entidade. A Estrela Solitária S/A apresentou, em 2009, um retorno sobre os investimentos de 27% [($ 9.600 ÷ $ 35.500) × 100], ou seja, o lucro líquido do exercício representa 27% do total investido na empresa. Adicionalmente, pode-se concluir que a empresa consegue recuperar os investimentos totais efetuados no ativo (payback) em aproximadamente 3,7 anos (100% ÷ 27%), considerando-se apenas o resultado gerado em suas operações. Em 2010, o retorno sobre os investimentos apresentou-se em 25,8% [($ 11.300 ÷ $ 43.800) × 100] com um payback de 3,9 anos (100% ÷ 25,8%). Índices de prazos médios Os indicadores de prazos médios, também conhecidos como índices de atividade, demonstram a dinâmica de alguns itens relevantes do patrimônio, isto é, quantos dias eles levam para girar durante o exercício (rotação). Não devem ser analisados individualmente, mas sempre em conjunto. A análise dos prazos médios constitui importante instrumento para você conhecer a política de compra, estocagem e venda adotada pela empresa. A partir dela, é possível constatar a eficiência com que os recursos estão sendo administrados (estoques, fornecedores e clientes). De acordo com Gitman (1997:111), “os índices de atividade podem ser usados para medir a rapidez com que as contas circulantes – estoques, duplicatas a receber e duplicatas a pagar – são convertidas em caixa”. Todos os indicadores de prazos médios pressupõem que os valores utilizados como numerador (estoques, fornecedores e clientes) não sofrem grandes alterações durante o exercício. Assim, por exemplo, se a conta estoques apresenta o valor de $ 300,00 no balanço patrimonial, pressupõe-se que a empresa mantém um estoque médio desse valor durante o exercício. Os índices de prazos médios comumente utilizados são apresentados no quadro 35. Quadro 35 ÍNDICES DE PRAZOS MÉDIOS Prazo médio de compras PMC Prazo médio de estoques PME Prazo médio de recebimentos PMR Ciclo operacional CO Ciclo financeiro CF PRAZO MÉDIO DE COMPRAS (PMC) Fornecedores Montante de compras ×360 O prazo médio de compras, também conhecido por prazo médio de pagamento, exprime quanto tempo a empresa leva para pagar aos fornecedores suas obrigações decorrentes das compras de matérias-primas ou mercadorias. Assim, pode-se dizer que o prazo médio de pagamento corresponde ao número de dias que decorre, em média, entre a compra e o respectivo pagamento. Quanto mais dilatado for o prazo médio de pagamento, mais satisfatória será a situação da empresa, pois estará financiando seu giro com recursos não onerosos. Caso o montante de compras (MC) não seja fornecido, este valor poderá ser determinado da seguinte forma: MC = CVM + estoque final – estoque inicial A Estrela Solitária S/A apresenta um prazo médio de compras de 28 dias [($ 4.200 ÷ $ 54.000) × 360], o que quer dizer que a empresa leva, em média, 28 dias para liquidar seus compromissos junto aos fornecedores. Em 2010, a empresa apresenta um prazo médio de pagamento de 28 dias [($ 5.600 ÷ $ 72.000) × 360], equivalente ao do exercício de 2009, mantendo, dessa forma, o período médio para liquidar suas obrigações para com os fornecedores. PRAZO MÉDIO DE ESTOQUES (PME) Estoques Custo das mercadorias vendidas ×360 O PME exprime quantos diasa empresa leva, em média, para realizar seus estoques. O estoque se realiza por meio do giro que, por sua vez, ocorre em função das vendas. Assim, o prazo médio de estoque é o tempo decorrido entre a compra e a venda das mercadorias. Esse índice torna-se ainda mais relevante quando comparado a empresas de um mesmo segmento, pois, conforme salienta Gitman (1997:113), “o giro resultante é significativo somente quando comparado ao de outras empresas pertencentes à mesma indústria ou ao giro passado dos estoques da empresa”. Deve-se levar em consideração que, quanto menor for o período de manutenção dos estoques, maior será o giro e, consequentemente, a empresa reduzirá seus custos de estocagem e armazenagem. A Estrela Solitária S/A apresentou um prazo médio de estoques, em 2009, de 120 dias [($ 4.000 ÷ $ 12.000) × 360], ou seja, a empresa mantém a mercadoria em estoque, em média, por 120 dias desde a compra até a venda, o que, em geral, representa um período bastante elevado. Em 2010, o prazo médio de estoques apresenta-se em 130 dias [($ 5.800 ÷ $ 16.100) × 360], aumentando ainda mais o período de manutenção das mercadorias em estoque, o que certamente contribui para o aumento do custo de estocagem, relacionado não só ao custo de armazenagem como também ao custo financeiro. PRAZO MÉDIO DE RECEBIMENTOS (PMR) Clientes Receita operacional líquida ×360 O prazo médio de recebimentos retrata quanto tempo a empresa leva para receber dos seus clientes, indicando o tempo decorrido entre a venda e o efetivo ingresso dos recursos. Quanto menor for o prazo de recebimento, melhor para a empresa, pois tais recursos contribuirão para a redução da necessidade de capital de giro, podendo resultar até mesmo numa folga de caixa. Esse indicador, conforme abordado por Gitman (1997:113), “é útil na avaliação das políticas de crédito e cobrança”. Deve-se ressaltar que, no montante de clientes, deverão estar contidos os créditos de curto e longo prazos. A Estrela Solitária S/A apresentou, em 2009, um prazo médio de recebimentos de 60 dias [($ 5.500 ÷ $ 33.000) × 360]. Logo, a empresa leva, em média, 60 dias para receber de seus clientes. Em 2010, verifica-se uma melhora do prazo médio de recebimentos, reduzido para um período de 57 dias [($ 7.200 ÷ $ 45.800) × 360]. CICLO OPERACIONAL (CO) CO = PME + PMR Indica o período decorrido entre a compra da mercadoria ou matéria-prima e o recebimento efetivo referente às vendas efetuadas. Graficamente, pode ser representado pela figura 11, para o exercício de 2010. Figura 11 CICLO OPERACIONAL CICLO FINANCEIRO (CF) CF = CO – PMC Exprime o período decorrido entre o momento do pagamento aos fornecedores referente à compra da mercadoria ou matéria-prima e o efetivo recebimento referente às vendas efetuadas aos clientes. O ciclo financeiro tem como intuito demonstrar o período em que a empresa necessita, ou não, de financiamento complementar do seu ciclo operacional, gerando, assim, necessidade de capital de giro ou folga de caixa. A figura 12 permite visualizar o ciclo financeiro. Figura 12 CICLO FINANCEIRO O ciclo financeiro é gerado pela diferença entre o ciclo operacional (PME + PMR) e o prazo médio de compras (PMC), e corresponde ao período decorrido entre o pagamento ao fornecedor e o momento em que a empresa recebe efetivamente do cliente. Para esse período (ciclo financeiro), a empresa pode necessitar ou não de financiamento complementar. Caso necessite de financiamento complementar, este normalmente é suportado por capital próprio ou por recursos de terceiros onerosos (o que é mais comum). Um dos pontos fundamentais para uma eficiente gestão financeira concentra-se na administração dos prazos médios expressos através do ciclo financeiro. A Estrela Solitária S/A apresentou um CF de 159 dias [PME (130) + PMR (57) – PMC (28)]. Significa que a empresa paga seus fornecedores 28 dias após a compra e somente 159 dias após esse pagamento recebe o montante referente às vendas realizadas para os clientes. Para financiar seus clientes por 57 dias e arcar com um ciclo financeiro de 159 dias a empresa poderá, então, utilizar-se de recursos próprios, recorrer a desconto de duplicatas ou a outros empréstimos para capital de giro. Como você pôde observar, este capítulo tratou de apresentar os principais critérios utilizados em análise fundamentalista, apontando os indicadores mais relevantes para que se possa desenvolver uma análise conclusiva sobre a capacidade de liquidez, estrutura de capital, alavancagem financeira e rentabilidade gerada sobre o capital aplicado. Espera-se que, após a leitura e estudo deste capítulo, você seja capaz de realizar avaliações de solvência, determinação do risco, lucratividade do negócio, payback e custo de oportunidade do capital, o que certamente lhe respaldará em decisões de investimentos, política de captação de recursos e avaliação financeira. É importante salientar que a análise econômico-financeira de uma entidade por meio dos indicadores de desempenho apresentados também contribuirá para o bom desenvolvimento do planejamento orçamentário. Conclusão Durante a elaboração do livro, nosso maior objetivo foi evidenciar a função da contabilidade como ferramenta fundamental para o processo decisório das organizações. Procuramos demonstrar que tipo de informações o gestor consegue extrair dos relatórios que compõem as demonstrações contábeis e como utilizar tais informações para o planejamento, controle e geração de resultados. Buscamos, também, apresentar a criação e o desenvolvimento da ciência contábil ao longo dos séculos, desde a ideia inicial de um simples registro até as mais recentes atualizações, ocorridas em função das alterações na Lei das Sociedades por Ações com o advento das Leis no 11.638/2007 e no 11.941/2009. No Brasil, a partir de 2010, houve um grande avanço da contabilidade em função do processo de convergência das normas brasileiras às normas internacionais de contabilidade. Tal fato vem contribuindo de maneira significativa para que o Brasil passe a adotar a linguagem universal da contabilidade, utilizando normas semelhantes às aplicadas nas principais economias do mundo. Em cada capítulo, procuramos apresentar, de forma detalhada, a estrutura da contabilidade, as informações geradas nos relatórios que compõem as demonstrações contábeis, os critérios para elaboração das demonstrações contábeis e os indicadores de desempenho aplicados para análise econômico-financeira. Com o intuito de tornar mais clara e eficiente a fixação dos conceitos, desenvolvemos, no capítulo de encerramento do livro, um exemplo prático de uma empresa fictícia em que aplicamos os critérios de análise econômico-financeira para avaliação. Por meio de análise vertical, análise horizontal e indicadores de desempenho desenvolvemos comentários sobre a situação econômica, financeira e operacional dessa empresa. Desejamos finalizar sua leitura retornando ao ponto de partida deste livro, em nossa introdução, e uma vez mais enfatizar a eficácia da informação contábil no ambiente empresarial. Todo o processo decisório das empresas depende de uma consulta aos resultados gerados através da área de contabilidade, que recheia o sistema de informações das empresas com análises de natureza econômica e financeira, sejam elas oficiais ou de cunho estritamente gerencial. Citamos situações desde a aquisição de novos equipamentos para ampliação de atividades comerciais e industriais, passando por adicionamento de valor para os clientes, até a aplicação de investimentos em participações societárias objetivando a diversificação e expansão dos negócios. Demonstramos que a diversidade deinformações extraídas das demonstrações contábeis contribui para o embasamento técnico suficiente para se proceder à aplicação dos indicadores de desempenho a fim de se obter a percepção sobre o desempenho das organizações, bem como sobre a situação econômico-financeira, que respaldam as projeções orçamentárias e o planejamento estratégico. A contabilidade tornou-se, assim, a base de informações das organizações e a maior prestadora de serviços a seus clientes internos e externos. Dessa forma, ao término da leitura você terá condições de utilizar a ferramenta contábil como base fundamental para decisões de captação de recursos, concessão de créditos, financiamento de operações, avaliação das melhores alternativas de investimentos, entre outras decisões, buscando alavancar as operações de seu negócio. Referências ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Manual prático de interpretação contábil da lei societária. São Paulo: Atlas, 2010. BRAGA, Hugo Rocha. Demonstrações financeiras: estrutura, análise e interpretação. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1990. ______.; ALMEIDA, Marcelo C. Mudanças contábeis da lei societária: Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. São Paulo: Atlas, 2008. BRASIL. Lei das sociedades por ações: Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976: legislação complementar. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1996. ______. Lei no 10.303, de 31 de outubro de 2001. Altera e acrescenta dispositivos na Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que dispõe sobre as Sociedades por Ações, e na Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, que dispõe sobre o mercado de valores mobiliários e cria a Comissão de Valores Mobiliários. Brasília, DF, Diário Oficial da União, 1 nov. 2001. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10303.htm>. Acesso em: 3 fev. 2011. ______. Lei no 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Brasília, DF, Diário Oficial da União, 28 dez. 2007. E. extra. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11638.htm>. Acesso em: 3 fev. 2011. ______. Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Altera a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários; concede remissão nos casos em que especifica; institui regime tributário de transição, alterando... Brasília, DF, Diário Oficial da União, 28 fev. 2009. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l11941.htm> Acesso em: 15 fev. 2011. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS (CPC). Pronunciamento conceitual básico – Estrutura conceitual para a elaboração e apresentação das demonstrações contábeis. Brasília, DF: CPC, 2008a. ______. Pronunciamento técnico CPC 03. Demonstração dos fluxos de caixa. Brasília, DF: CPC, 2008b. ______. Pronunciamento técnico CPC 07. Subvenção e assistência governamentais. Brasília, DF: CPC, 2008c. ______. Pronunciamento técnico CPC 09. Demonstração do valor adicionado. Brasília, DF: CPC, 2008d. ______. Pronunciamento técnico CPC 18. Investimento em coligada e em controlada. Brasília, DF: CPC, 2009a. ______. Pronunciamento técnico CPC 23. Políticas contábeis, mudança de estimativa e retificação de erro. Brasília, DF: CPC, 2009b. ______. Pronunciamento técnico CPC 27. Ativo imobilizado. Brasília, DF: CPC, 2009c. ______. Pronunciamento técnico CPC 31. Ativo não circulante mantido para venda e operação descontinuada. Brasília, DF: CPC, 2009d. ______. Pronunciamento técnico CPC 33. Benefícios a empregados. Brasília, DF: CPC, 2009e. ______. Pronunciamento técnico CPC 38. Instrumentos financeiros: reconhecimento e mensuração. Brasília, DF: CPC, 2009f. ______. Pronunciamento técnico CPC 01 (R1). Redução ao valor recuperável de ativos. Brasília, DF: CPC, 2010a. ______. Pronunciamento técnico CPC 02 (R2). Efeitos das mudanças nas taxas de câmbio e conversão de demonstrações contábeis. Brasília, DF: CPC, 2010b. ______. Pronunciamento técnico CPC 03 (R2). Demonstração dos fluxos de caixa. Brasília, DF: CPC, 2010c. ______. Pronunciamento técnico CPC 04 (R1). Ativo intangível. Brasília, DF: CPC, 2010d. ______. Pronunciamento técnico CPC 08 (R1). Custos de transação e prêmios na emissão de títulos e valores mobiliários. Brasília, DF: CPC, 2010e. ______. Pronunciamento técnico CPC 00 (R1). Estrutura conceitual para elaboração e divulgação de relatório contábil-financeiro. Brasília, DF: CPC, 2011a. ______. Pronunciamento técnico CPC 15 (R1). Combinação de negócios. Brasília, DF: CPC, 2011b. ______. Pronunciamento técnico CPC 19 (R1). Investimento em empreendimento controlado em conjunto (joint venture). Brasília, DF: CPC, 2011c. ______. Pronunciamento técnico CPC 26 (R1). Apresentação das demonstrações contábeis. Brasília, DF: CPC, 2011d. ______. Pronunciamento técnico CPC 35 (R1). Demonstrações separadas. Brasília, DF: CPC, 2011e. ______. Pronunciamento técnico CPC 36 (R2). Demonstrações consolidadas. Brasília, DF: CPC, 2011f. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). Resolução no 2011/1.374: dá nova redação à NBC TG Estrutura Conceitual – Estrutura conceitual para elaboração e divulgação de relatório contábil-financeiro. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 16 dez. 2011. CREPALDI, Silvio Aparecido. Curso básico de contabilidade. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999. DE LUCA, Márcia M. Mendes. Demonstração do valor adicionado. São Paulo: Atlas, 1998. FREIRE, Marcos Guimarães. Análise das demonstrações financeiras. Brasília: Vest-Con, 1996. FUNDAÇÃO INSTITUTO DE PESQUISAS CONTÁBEIS, ATUARIAIS E FINANCEIRAS (FIPECAFI). Manual de contabilidade das sociedades por ações. São Paulo: Atlas, 1995. GITMAN, Lawrence J. Princípios de administração financeira. 7. ed. São Paulo: Harbra, 1997. HENDRIKSEN, Elton; VAN BREDA, Michael. Teoria da contabilidade. São Paulo: Atlas, 1999. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Análise de balanços. 7. ed. São Paulo: Atlas, 1998. ______. Teoria da contabilidade. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2004. ______; MARION, José Carlos. 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Os autores André Luis Fernandes Limeira Mestre em ciências contábeis pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Contador pela Faculdade de Ciências Contábeis e Administrativas Moraes Júnior/Mackenzie. Atuou como auditor da Deloitte Touche Tohmatsu. Foi professor da Escola Naval e de diversas universidades nos cursos de administração e ciências contábeis. Coordenador acadêmico dos MBAs em gestão empresarial e gestão financeira, controladoria e auditoria do FGV Management. Professor convidado do FGV Management. Coautor dos livros Contabilidade para executivos e Gestão de custos. Carlos Alberto dos Santos Silva Mestre em ciências contábeis pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), doutor em administração de empresas pela Florida Christian University (FCU), especialista em administração de empresas pela Faculdade de Economia São Luiz (SP), onde também graduou- se em economia e contabilidade. Foi diretor financeiro da Alcatel Telecomunicações do Brasil e executivo financeiro de Laboratórios Anakol e Letraset Brasil. Coautor dos livros Controladoria estratégica, Gestão de clínicas e hospitais, Gestão de custos e Contabilidade para executivos. Professor convidado do FGV Management. Carlos Vieira Mestre em ciências contábeis pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Especialista em finanças pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Pós- graduado em ciências contábeis pelo Instituto Superior de Estudos Sociais Clóvis Bevilácqua e graduado em economia pela Universidade Gama Filho. Professor convidado do FGV Management. Consultor de empresas nas áreas de contabilidade e finanças. Raimundo Nonato Souza Silva Doutor em engenharia de produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em ciências contábeis pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Pós-graduado em contabilidade e graduado em ciências contábeis pelas Faculdades Integradas Colégio Moderno (Unama). Professor do Departamento de Contabilidade da UFRJ. Coautor dos livros Gestão de custos: contabilidade, controle e análise, Gestão empresarial com ênfase em custos e Contabilidade para executivos. Professor convidado do FGV Management.