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Copyright	©	 2015	 André	 Luis	 Fernandes	 Limeira,	 Carlos	 Alberto	 dos	 Santos	 Silva,	 Carlos	 Vieira,	 Raimundo	Nonato
Souza	Silva
Direitos	desta	edição	reservados	à
EDITORA	FGV
Rua	Jornalista	Orlando	Dantas,	37
22231-010	—	Rio	de	Janeiro,	RJ	—	Brasil
Tels.:	0800-021-7777	—	(21)	3799-4427
Fax:	(21)	3799-4430
e-mail:	editora@fgv.br	—	pedidoseditora@fgv.br
web	site:	www.fgv.br/editora
Todos	os	direitos	reservados.	A	reprodução	não	autorizada	desta	publicação,	no	todo	ou	em	parte,	constitui	violação	do
copyright	(Lei	no	9.610/98).
Os	conceitos	emitidos	neste	livro	são	de	inteira	responsabilidade	dos	autores.
1a	edição,	2012.	1a	edição	revista,	2014.	2a	edição,	2015.
Revisão	de	originais:	Sandra	Frank
Editoração	eletrônica:	FA	Studio
Revisão:	Aleidis	de	Beltran	e	Fatima	Caroni
Capa:	aspecto:design
Ilustração	de	capa:	Fesouza
Conversão	para	eBook:	Freitas	Bastos
Limeira,	André	Luis	Fernandes
Gestão	contábil	financeira	/	André	Luis	Fernandes	Limeira...	[et	al.].	–	2.	ed.	–	Rio	de	Janeiro	:	Editora	FGV,
2015.
196	p.	-	(Gestão	empresarial	(FGV	Management))
Em	colaboração	com	Carlos	Alberto	dos	Santos	Silva,	Carlos	Vieira,	Raimundo	Nonato	Souza	Silva.
Publicações	FGV	Management.
Inclui	bibliografia.
ISBN:	978-85-225-1649-0
1.	Contabilidade	gerencial.	2.	Análise	econômico-financeira.	 I.	Silva,	Carlos	Alberto	dos	Santos,	1947-	 .	 II.
Vieira,	Carlos.	III.	Silva,	Raimundo	Nonato	Souza.	IV.	FGV	Management.	V.	Fundação	Getulio	Vargas.	VI.	Título.
VII.	Série.
CDD	–	657.7
Aos	nossos	alunos	e	aos	nossos	colegas	docentes,
que	nos	levam	a	pensar	e	repensar	nossas	práticas.
Sumário
Capa
Folha	de	Rosto
Créditos
Dedicatória
Apresentação
Introdução
1	|	A	contabilidade	e	o	sistema	de	informação	contábil
Fundamentos	da	contabilidade
Usuários	das	informações	contábeis
A	informação	contábil
Objetivos	da	contabilidade
Conceitos	básicos	da	contabilidade
Limitações	da	contabilidade
A	contabilidade	financeira	e	a	contabilidade	gerencial
Estrutura	conceitual	para	apresentação	das	demonstrações	contábeis
Limitações	na	relevância	e	na	confiabilidade	das	informações
2	|	Estrutura	das	demonstrações	contábeis
Informação	e	demonstrações	contábeis
Balanço	patrimonial
Avaliação	dos	ativos
Avaliação	do	passivo
Procedimentos	necessários	para	elaboração	do	balanço	patrimonial
Apresentação	analítica	do	balanço	patrimonial
Demonstração	do	resultado	do	exercício	(DRE)
Demonstração	do	resultado	abrangente	total
Demonstração	dos	fluxos	de	caixa
Método	indireto
Método	direto
Demonstração	das	mutações	do	patrimônio	líquido
Demonstração	do	valor	adicionado
Notas	explicativas
Relatório	da	administração
Relatório	dos	auditores	independentes
3	|	Elaboração	das	demonstrações	contábeis	e	composição	do	patrimônio	líquido
Critérios	de	elaboração	das	demonstrações	contábeis
Patrimônio	líquido	e	sua	composição
Capital	social
Reservas	de	capital
Reservas	de	lucros
Reserva	legal
Reservas	estatutárias
Reserva	para	contingências
Reserva	de	lucros	a	realizar
Reservas	de	lucros	para	expansão	(retenção	de	lucros)
Reserva	de	Incentivos	fiscais
Reserva	especial	para	dividendo	obrigatório	não	distribuído
Lucros	e	prejuízos	acumulados
Fatores	que	modificam	o	patrimônio	líquido
Ajustes	de	avaliação	patrimonial
4	|	Análise	econômico-financeira
Objetivos	da	análise	econômico-financeira	e	principais	usuários
Preparação	do	balanço	patrimonial	para	a	análise	dinâmica
Composição	do	capital	circulante	líquido	(CCL)
Necessidade	de	capital	de	giro	(NCG)
Saldo	em	tesouraria	(ST)
Efeito	tesoura	(ET)
Critérios	de	análise	econômico-financeira
Análise	vertical
Análise	horizontal
Indicadores	econômico-financeiros
Índices	de	estrutura	de	capital
Índices	de	liquidez
Índices	de	lucratividade	e	rentabilidade
Índices	de	prazos	médios
Conclusão
Referências
Os	autores
André	Luis	Fernandes	Limeira
Carlos	Alberto	dos	Santos	Silva
Carlos	Vieira
Raimundo	Nonato	Souza	Silva
Apresentação
Este	 livro	 compõe	 as	 Publicações	 FGV	 Management,	 programa	 de	 educação	 continuada	 da
Fundação	Getulio	Vargas	(FGV).
A	FGV	é	uma	instituição	de	direito	privado,	com	mais	de	meio	século	de	existência,	gerando
conhecimento	por	meio	da	pesquisa,	transmitindo	informações	e	formando	habilidades	por	meio
da	 educação,	 prestando	 assistência	 técnica	 às	 organizações	 e	 contribuindo	 para	 um	 Brasil
sustentável	e	competitivo	no	cenário	internacional.
A	 estrutura	 acadêmica	 da	 FGV	 é	 composta	 por	 nove	 escolas	 e	 institutos,	 a	 saber:	 Escola
Brasileira	 de	 Administração	 Pública	 e	 de	 Empresas	 (Ebape),	 dirigida	 pelo	 professor	 Flavio
Carvalho	de	Vasconcelos;	Escola	de	Administração	de	Empresas	de	São	Paulo	(Eaesp),	dirigida
pela	 professora	 Maria	 Tereza	 Leme	 Fleury;	 Escola	 de	 Pós-Graduação	 em	 Economia	 (EPGE),
dirigida	pelo	professor	Rubens	Penha	Cysne;	Centro	de	Pesquisa	e	Documentação	de	História
Contemporânea	 do	Brasil	 (Cpdoc),	 dirigido	 pelo	 professor	Celso	Castro;	 Escola	 de	Direito	 de
São	Paulo	(Direito	GV),	dirigida	pelo	professor	Oscar	Vilhena	Vieira;	Escola	de	Direito	do	Rio	de
Janeiro	(Direito	Rio),	dirigida	pelo	professor	Joaquim	Falcão;	Escola	de	Economia	de	São	Paulo
(Eesp),	dirigida	pelo	professor	Yoshiaki	Nakano;	Instituto	Brasileiro	de	Economia	(Ibre),	dirigido
pelo	professor	Luiz	Guilherme	Schymura	de	Oliveira;	e	Escola	de	Matemática	Aplicada	(Emap),
dirigida	pela	professora	Maria	 Izabel	Tavares	Gramacho.	São	diversas	unidades	 com	a	marca
FGV,	trabalhando	com	a	mesma	filosofia:	gerar	e	disseminar	o	conhecimento	pelo	país.
Dentro	de	suas	áreas	específicas	de	conhecimento,	cada	escola	é	responsável	pela	criação	e
elaboração	dos	cursos	oferecidos	pelo	 Instituto	de	Desenvolvimento	Educacional	 (IDE),	criado
em	 2003,	 com	 o	 objetivo	 de	 coordenar	 e	 gerenciar	 uma	 rede	 de	 distribuição	 única	 para	 os
produtos	e	serviços	educacionais	produzidos	pela	FGV,	por	meio	de	suas	escolas.	Dirigido	pelo
professor	 Rubens	Mario	 Alberto	Wachholz,	 o	 IDE	 conta	 com	 a	Direção	 de	Gestão	 Acadêmica
pela	professora	Maria	Alice	da	Justa	Lemos,	com	a	Direção	da	Rede	Management	pelo	professor
Mário	Couto	Soares	Pinto,	com	a	Direção	dos	Cursos	Corporativos	pelo	professor	Luiz	Ernesto
Migliora,	 com	 a	 Direção	 dos	 Núcleos	 MGM	 Brasília	 e	 Rio	 de	 Janeiro	 pelo	 professor	 Silvio
Roberto	Badenes	 de	Gouvea,	 com	a	Direção	 do	Núcleo	MGM	São	Paulo	 pelo	 professor	 Paulo
Mattos	 de	 Lemos,	 com	 a	 Direção	 das	 Soluções	 Educacionais	 pela	 professora	 Mary	 Kimiko
Magalhães	Guimarães	Murashima	e	com	a	Direção	dos	Serviços	Compartilhados	pelo	professor
Gerson	Lachtermacher.	O	 IDE	engloba	o	programa	FGV	Management	 e	 sua	 rede	 conveniada,
distribuída	em	 todo	o	país	 e,	 por	meio	de	 seus	programas,	desenvolve	 soluções	em	educação
presencial	e	a	distância	e	em	treinamento	corporativo	customizado,	prestando	apoio	efetivo	à
rede	FGV,	de	acordo	com	os	padrões	de	excelência	da	instituição.
Este	 livro	 representa	 mais	 um	 esforço	 da	 FGV	 em	 socializar	 seu	 aprendizado	 e	 suas
conquistas.	 Ele	 é	 escrito	 por	 professores	 do	 FGV	Management,	 profissionais	 de	 reconhecida
competência	acadêmica	e	prática,	o	que	torna	possível	atender	às	demandas	do	mercado,	tendo
como	suporte	sólida	fundamentação	teórica.
A	FGV	espera,	com	mais	essa	iniciativa,	oferecer	a	estudantes,	gestores,	técnicos	e	a	todos
aqueles	 que	 têm	 internalizado	 o	 conceito	 de	 educação	 continuada,	 tão	 relevante	 na	 era	 do
conhecimento	na	qual	se	vive,	insumos	que,	agregados	às	suas	práticas,	possam	contribuir	para
sua	especialização,	atualização	e	aperfeiçoamento.
Rubens	Mario	Alberto	Wachholz
Diretor	do	Instituto	de	Desenvolvimento	Educacional
Sylvia	Constant	Vergara
Coordenadora	das	Publicações	FGV	Management
Introdução
O	mundo	dos	negócios	evolui	rapidamente	em	meio	a	um	período	que	pode	ser	considerado	a
nova	 economia,	 amparado	 pelo	 avanço	 tecnológico	 constante.	 Paradigmas	 têm	 sido
constantemente	 quebrados	 a	 uma	 velocidade	 ímpar,	 pois	 são	 completamente	 novas	 as
determinantes	de	valor	que	movem	o	competitivoambiente	empresarial.
Nessa	contínua	mudança,	percebe-se	o	crescimento	de	diversos	ambientes	de	negócios,	até
mesmo	em	função	da	redução	de	outros,	movidos	pela	percepção	de	valor,	aspecto	de	grande
importância	 para	 os	 consumidores	 de	 forma	 geral.	 Como	 consequência,	 nota-se	 também	 o
nascimento	 de	 múltiplos	 segmentos,	 que	 até	 pouco	 tempo	 permaneciam	 de	 certa	 forma
inexplorados.
O	nascimento	ou	crescimento	de	um	ambiente	de	negócios	pressupõe	a	existência	de	uma
organização	 que,	 sustentada	 pelo	 investimento	 inicial	 e	 pela	 contínua	 geração	 de	 lucros,
garante	não	só	a	geração	de	rendimentos	para	seus	acionistas	como,	principalmente,	a	geração
de	empregos	e	a	consequente	movimentação	da	economia.
Diante	dos	desafios	de	uma	eficiente	gestão	baseada	em	resultados,	os	executivos	necessitam
tomar	decisões	rápidas	e	eficientes,	de	forma	a	alavancar	negócios.	Esses	momentos	resultam
na	avaliação	de	diversas	hipóteses	que	apresentam	cenários	com	características	distintas,	como:
fusão,	aquisição	ou	incorporação	de	empresas;
redução	ou	incremento	de	portfólio	de	produtos;
novos	investimentos;
novos	projetos	de	inovação.
Qualquer	 uma	 dessas	 decisões	 implicará	 investimentos,	 que	 trarão	 crescimento	 na
onerosidade	em	função	dos	recursos	contratados,	recursos	esses	necessários	para	o	processo	de
crescimento	 contínuo.	A	decisão	de	 contratação	 ou	não	de	novas	 fontes	de	 recursos	 ocorrerá
com	base	em	números	captados	diretamente	de	um	eficiente	sistema	de	informações.
Nesse	momento	 entram	os	 conceitos	 de	 contabilidade,	 regidos	 pela	 ciência	 contábil	 e	 que
representam	 a	 base	 principal	 para	 qualquer	 sistema	 de	 informações	 confiável	 e	 de	 ampla
utilização.
Por	 isso,	 afirmamos	 que	 nada	 existiria	 sem	 o	 advento	 dessa	 ciência	 que,	 a	 cada	 dia,	 se
moderniza	e	se	reveste	de	características	irrestritas.	A	utilização	da	contabilidade	torna-se	cada
dia	mais	ampla,	principalmente	devido	à	atual	necessidade	de	transparência	na	divulgação	dos
resultados	das	empresas	como	fator	preponderante	para	a	fidelização	dos	acionistas,	clientes	e
até	mesmo	dos	empregados.
Este	 livro	 objetiva	 apresentar	 a	 importância	 da	 contabilidade	 no	 meio	 empresarial	 como
ferramenta	 fundamental	para	o	processo	decisório.	Nossa	 intenção	é	demonstrar	o	volume	de
informações	geradas	pela	contabilidade	através	da	interpretação	dos	relatórios	que	compõem	as
demonstrações	contábeis.	Tais	relatórios	possuem	informações	de	grande	utilidade	para	tomada
de	decisões	 em	diversas	 linhas	de	 avaliação	do	negócio.	Você	perceberá,	 ao	 longo	da	 leitura,
como	 extrair	 as	 informações	 das	 demonstrações	 contábeis,	 qual	 o	 critério	 adotado
universalmente	para	avaliação	dos	investimentos	societários	e	que	indicadores	de	desempenho
mapeiam	a	situação	econômica,	financeira	e	operacional	da	empresa.
Gestão	contábil	 financeira	 apresenta	 um	 conteúdo	 dividido	 em	 quatro	 capítulos,	 nos	 quais
propomos	a	discussão	ampla	do	tema,	numa	sequência	lógica	e	interligada,	que	possibilitará	o
contato	 com	 a	 temática	 contábil,	 tão	 importante	 para	 as	 organizações	 em	 um	 ambiente	 de
permanentes	mudanças.
Vejamos,	então,	como	estão	divididos	os	temas.
O	primeiro	capítulo	tem	a	finalidade	de	apresentar	as	funções	básicas	da	contabilidade.	No
processo	 contábil,	 verificaremos	 como	 os	 fatos	 contábeis	 se	 transformam	 em	 demonstrações
contábeis	e	quais	usuários	utilizam	essas	informações	para	suas	decisões,	que	têm	finalidades
múltiplas.	Veremos,	também,	os	conceitos	básicos	que	movem	o	sistema	contábil,	divididos	pelas
respectivas	demonstrações	contábeis.	Todos	os	conceitos	são	seguidos	de	exemplos	ilustrativos.
Encerramos	 o	 capítulo	 apresentando	 a	 nova	 estrutura	 conceitual	 básica	 da	 contabilidade
(framework),	 devidamente	 aprovada	 pela	 Comissão	 de	 Valores	 Mobiliários	 (CVM)	 e	 pelo
Conselho	 Federal	 de	 Contabilidade	 (CFC).	 Tal	 estrutura	 é	 apresentada	 por	 meio	 de
pronunciamentos	do	Comitê	de	Pronunciamentos	Contábeis	(CPC),	que	criam	as	regras	para	o
entendimento	 da	 ciência	 contábil,	 bem	 como	 apresentam	 as	 características	 qualitativas	 das
demonstrações	contábeis	e	suas	limitações.
O	 segundo	 capítulo	 tem	 como	 finalidade	 apresentar	 e	 discutir	 as	 cinco	 demonstrações
contábeis	exigidas	pela	Lei	das	Sociedades	por	Ações	 (Lei	no	 6.404/1976	alterada	pela	Lei	no
11.638/2007)	 utilizadas	 como	 base	 de	 informação.	 As	 demonstrações	 serão	 analiticamente
apresentadas,	 evidenciando	 cada	 uma	 das	 contas	 contábeis	 que	 as	 compõem,	 bem	 como	 sua
finalidade	e	utilização.	Discutiremos	amplamente	as	seguintes	demonstrações	contábeis:
balanço	patrimonial;
demonstração	de	resultados	do	exercício;
demonstração	do	resultado	abrangente;
demonstração	dos	fluxos	de	caixa;
demonstração	das	mutações	do	patrimônio	líquido;
demonstração	do	valor	adicionado;
notas	explicativas.
Ao	final	do	capítulo	discutiremos	os	relatórios	contábeis	que	complementam	as	informações	a
serem	divulgadas	pelas	empresas	e	que	observam	as	instruções	da	referida	lei,	quais	sejam:
relatório	da	administração;
parecer	dos	auditores	independentes;
parecer	do	conselho	fiscal.
O	terceiro	capítulo	tem	como	finalidade	apresentar	uma	metodologia	prática	para	elaboração
das	demonstrações	contábeis	e	discutir	o	patrimônio	líquido	e	sua	composição.	Desenvolvemos	o
modelo	de	registro	das	transações	por	meio	da	tabela	“simulação	patrimonial”,	com	o	intuito	de
substituir	 os	 razonetes,	 bem	 como	 a	 linguagem	 do	 “débito”	 e	 “crédito”,	 pela	 avaliação	 das
origens	e	aplicações	de	recursos	por	meio	da	soma	e/ou	diminuição	de	cada	conta.
O	quarto	capítulo	promoverá	uma	discussão	de	análise	econômico-financeira	a	ser	preparada
considerando	os	índices	específicos	para	cada	uma	das	demonstrações	contábeis.	Os	índices	ou
indicadores	 serão	 apresentados	 em	 quatro	 blocos,	 de	 forma	 a	 permitir	 uma	 visão	 da
performance	das	organizações	a	partir	dos	conceitos	que	cada	um	apresenta:
índices	de	estrutura	de	capital;
índices	de	liquidez;
índices	de	lucratividade	e	rentabilidade;
índices	de	prazos	médios.
Além	 disso,	 estudaremos	 a	 importância	 da	 aplicação	 das	 análises	 vertical	 e	 horizontal	 na
avaliação	da	situação	econômica	e	financeira	das	empresas.
Optamos	 por	 apresentar	 o	 exemplo	 de	 uma	 empresa	 fictícia	 denominada	 Estrela	 Solitária
S/A,	permitindo	a	você	observar	e	estudar	o	impacto	dos	diversos	índices	citados,	considerando
dois	períodos	simultaneamente.
Desejamos	 a	 você	 uma	 excelente	 sessão	 de	 estudos.	 Utilize	 os	 conceitos	 apresentados	 na
gestão	da	sua	empresa.	Não	se	esqueça	de	que	o	conceito	de	continuidade	da	sua	e	de	todas	as
organizações	está	fortemente	ligado	aos	conceitos	de	um	sistema	de	informações	contábeis	que,
sendo	 criteriosamente	 divulgado	 e	 analisado,	 permite	 uma	 eficiente	 e	 rápida	 tomada	 de
decisões.
Boa	leitura!
1
A	contabilidade	e	o	sistema	de	informação	contábil
Neste	primeiro	capítulo,	mostraremos	a	você	os	fundamentos	da	contabilidade,	sua	evolução	ao
longo	do	 tempo,	 assim	como	a	 importância	e	a	 contribuição	que	ela	 concede	aos	gestores	na
atualidade.	 Mostraremos,	 também,	 que	 é	 a	 contabilidade	 uma	 das	 ciências	 mais	 completas
existentes,	única	capaz	de	promover	registros	de	todos	os	fatos	mensuráveis	nas	organizações.
Fundamentos	da	contabilidade
A	contabilidade,	cujo	principal	objetivo	é	gerar	 informações	acerca	da	situação	econômica,
patrimonial	 e	 financeira	 da	 entidade,	 representa	 uma	 atividade	 de	 extrema	 importância	 no
processo	de	gestão	das	organizações.	As	informações	são	geradas	por	meio	das	demonstrações
contábeis,	 cujos	 dois	 principais	 relatórios	 são	 o	 balanço	 patrimonial	 e	 a	 demonstração	 de
resultado.
O	 conceito	 de	 balanço,	 cujo	 formato	 se	 parece	 com	 uma	 balança,	 que	 é	 uma	 palavra	 de
origem	 latina,	 surgiu	 há	 alguns	 séculos,	 originado	 da	 necessidade	 de	 criação	 de	 maiores
controles	 por	 parte	 das	 empresas.Agrupando	 os	 itens	 de	 forma	 adequada,	 chegou-se	 à
conclusão	de	que	eles	deveriam	ser	colocados	nos	lados	da	balança	da	seguinte	forma:
do	lado	esquerdo,	os	itens	que	geravam	as	atividades;
do	lado	direito,	as	origens	dos	recursos	obtidos	para	serem	aplicados	no	lado	esquerdo.
Como	primeiro	exercício,	pequenos	demonstrativos	foram	preparados,	conforme	o	quadro	1
permite	visualizar.
Quadro	1
DEMONSTRAÇÃO
Item Valor Item Valor
Caixa 3.000 Valores	a	pagar 3.000
Valores	a	receber 4.500 Patrimônio	líquido 12.500
Imóveis 8.000 	 	
Total 15.500 Total 15.500
A	ideia	principal	da	demonstração	era	evidenciar	a	situação	patrimonial	da	empresa	naquele
momento.
Em	 seguida,	 surgiu	 a	 necessidade	 de	 um	 ajuste	 no	 formulário	 criado,	 pois	 haviam	 sido
recebidas	 receitas	 oriundas	 de	 aluguel	 de	 algumas	 salas	 do	 imóvel	 que	 se	 encontravam
disponíveis.	 Tal	 fato	 alterou	 o	 formulário	 significativamente,	 pois	 o	 caixa	 aumentou,	 o	 que
deveria	ser	também	demonstrado	do	outro	lado	e,	como	não	se	tratava	de	valores	a	pagar,	foram
considerados	patrimônio	líquido.
O	formulário	passou	a	apresentar	a	situação	demonstrada	no	quadro	2.
Quadro	2
DEMONSTRAÇÃO	–	SEGUNDA	VERSÃO
Item Valor Item Valor
Caixa 3.500 Valores	a	pagar 3.000
Valores	a	receber 4.500 Patrimônio	líquido 13.000
Imóveis 8.000 	 	
Total 16.000 Total 16.000
Nesse	 momento	 percebeu-se	 a	 necessidade	 de	 anotar	 um	 registro	 que	 demonstrasse	 os
valores	 recebidos	 e	 que	 alteraram	 o	 caixa,	 porém	 somente	 mais	 tarde	 surgiu	 uma	 forma
eficiente	para	essas	anotações,	que	se	tornaram	a	base	para	a	demonstração	de	resultados	do
exercício.
Dessa	forma,	surgiu	o	conceito	de	ativo	(o	lado	esquerdo)	e	de	passivo	(o	lado	direito)	e,	por
consequência,	o	objetivo	da	demonstração,	que	passou	a	se	chamar	balanço	patrimonial.	Assim
como	 as	 demais	 demonstrações,	 que	 serão	 estudadas	 com	 detalhe	 no	 próximo	 capítulo,	 o
balanço	 patrimonial	 é	 resultado	 da	 aplicação	 do	 método	 de	 partidas	 dobradas,	 que	 preza	 o
conceito	de	duplo	registro,	a	saber:
a	indicação	de	onde	estão	aplicados	os	recursos,	ou	as	aplicações;
a	indicação	da	origem	desses	recursos.
Em	outras	palavras,	 o	método	de	partidas	dobradas	diz	que	para	 todo	crédito	 (ou	origem)
existe	um	débito	(ou	aplicação)	correspondente,	balanceando	a	situação.
Como	 exemplo	 de	 um	 lançamento	 contábil	 observando	 o	 método	 de	 partidas	 dobradas,
citamos	uma	aquisição	de	estoques,	com	pagamento	a	ser	efetuado	no	prazo	de	30	dias,	no	valor
de	R$	20.000,00.	Dessa	forma,	teremos	o	seguinte:
Ativo Passivo
Estoques R$	20.000,00 Fornecedores R$	20.000,00
A	simplicidade	da	 informação	gerada	 foi	aperfeiçoada	e	aprofundada	ao	 longo	dos	séculos.
Entretanto,	não	perdeu	o	objetivo	principal,	que	sempre	foi	o	de	mostrar	a	situação	patrimonial
das	 organizações,	 bem	 como	 a	 apuração	 periódica	 de	 seus	 resultados	 econômicos,	 a	 saber,
lucros	ou	prejuízos.
Nos	 tempos	 atuais,	 a	 informação	 contábil	 é	 de	 extrema	 importância	 para	 a	 segurança	dos
processos	decisórios,	 sejam	eles	envolvendo	compra	de	ativos,	 até	 fusões,	 incorporações	e/ou
aquisições	 de	 outras	 organizações.	 Podemos	 afirmar	 que,	 sem	 a	 utilização	 do	 sistema	 de
informação	contábil,	as	decisões	a	serem	tomadas	pelas	organizações	diariamente	demandariam
muito	mais	tempo	dos	executivos.
Define-se	a	contabilidade	como	“um	sistema	de	informações	e	avaliação	destinado	a	prover
seus	 usuários	 com	 demonstrações	 e	 análises	 de	 natureza	 econômica,	 financeira	 e	 de
produtividade	 com	 relação	 à	 entidade	 objeto	 de	 contabilização”	 (Perez	 Junior	 e	 Begalli,
1999:67).
Iudícibus	e	Marion	(1999:17)	citam	que:
A	 função	 fundamental	 da	 Contabilidade	 [...]	 tem	 permanecido	 inalterada	 desde	 os	 primórdios.	 Sua
finalidade	é	prover	os	usuá​rios	dos	demonstrativos	financeiros	com	informações	que	os	ajudarão	a	tomar
decisões.	Sem	dúvida,	tem	havido	mudanças	substanciais	nos	tipos	de	usuários	e	nas	formas	de	informação
que	 têm	 procurado.	 Todavia,	 esta	 função	 dos	 demonstrativos	 financeiros	 é	 fundamental	 e	 profunda.	 O
objetivo	 básico	 dos	 demonstrativos	 financeiros	 é	 prover	 informação	 útil	 para	 a	 tomada	 de	 decisões
econômicas.
É	interessante	observar	a	forma	contábil	e	compará-la	à	forma	de	um	sistema	de	informação.
A	 tecnologia	 da	 informação	 nos	 indica	 a	 transformação	 dos	 dados	 em	 informações,	 como	 a
figura	1	permite	visualizar.
Figura	1
SISTEMA	DE	INFORMAÇÃO
Se	verificarmos	a	 forma	como	o	 sistema	contábil	 se	 compõe,	 concluiremos	que	existe	uma
transformação	 de	 fatos	 contábeis	 em	 demonstrações	 contábeis,	 da	 mesma	 forma	 como	 num
sistema	de	informação,	que	apresenta	as	características	mostradas	na	figura	2.
Figura	2
SISTEMA	DE	INFORMAÇÃO	CONTÁBIL
O	sistema	de	informação	contábil	pode	ser	explicitado	como	se	segue.
Fatos	contábeis	correspondem	a	 transações	diversas	ocorridas	em	uma	organização.	Como
exemplos	podemos	citar,	entre	outros:
compra	e	venda	de	mercadorias;
pagamento	de	salários;
recebimentos	de	vendas	efetuadas;
aquisições	de	imobilizado;
contratação	e	pagamento	de	empréstimos;
despesas	incorridas;
impostos	pagos	ou	a	pagar.
Tais	fatos	contábeis	são,	portanto,	eventos	que	podem	ser	mensurados	de	forma	econômica	e
financeira,	trazendo	com	eles	os	seguintes	conceitos:
regime	de	caixa,	que	se	refere	aos	eventos	financeiros	e,	basicamente,	aos	registros	de	caixa.
No	caso,	a	receita	só	é	reconhecida	contabilmente	quando	ocorre	a	entrada	de	dinheiro,	e	o
mesmo	 acontece	 com	 a	 despesa.	 O	 regime	 de	 caixa	 talvez	 tenha	 tido	 muita	 utilidade	 há
algumas	décadas,	mas	não	atualmente,	pois	não	capta	a	realidade	das	operações	empresariais
em	que	ocorrem	múltiplas	situações	de	compras	e	vendas	a	prazo;
regime	de	competência,	que	se	refere	aos	eventos	econômicos,	ou	seja,	promove	o	registro	de
todos	os	fatos	na	ocasião	de	seu	fato	gerador,	independentemente	de	terem	ou	não	sido	pagos
e/ou	 recebidos.	 O	 regime	 de	 competência	 veio	 trazer	 uma	 clareza	 maior	 para	 as
demonstrações	 contábeis,	 pois	 não	 induz	 a	 erros	de	 interpretação	 em	 função	do	 registro	de
todos	os	eventos	ocorridos	na	empresa.
Podemos	afirmar	que	os	eventos	econômicos	transformam-se	em	eventos	financeiros,	a	não
ser	que	inadimplências	ocorram	no	percurso.	Como	exemplo,	citamos	vendas	efetuadas	a	prazo
que,	 após	 o	 vencimento,	 não	 foram	 pagas	 pelo	 cliente,	 gerando,	 dessa	 forma,	 uma	 perda
devidamente	contabilizada	após	o	necessário	instrumento	de	protesto	ocorrido.
Os	fatos	contábeis	são	divididos	em	duas	categorias,	a	saber:
fatos	 permutativos,	 que	 não	 alteram	 a	 situação	 patrimonial	 das	 empresas.	 Como	 exemplos,
podemos	citar	uma	compra	de	estoques	a	prazo	e	o	pagamento	de	um	empréstimo	contratado.
Ambos	 os	 exemplos	 envolvem	 somente	 eventos	 patrimoniais,	 sem	 alteração	 em	 lucros	 e/ou
prejuízos;
fatos	modificativos,	que	alteram	a	situação	patrimonial	das	empresas.	Como	exemplo	citamos	a
venda	 de	 produtos	 além	 dos	 custos	 incorridos	 na	 operação,	 o	 que	 gera	 uma	 alteração
patrimonial	com	apuração	do	lucro,	que	alterará	o	patrimônio	líquido.
Esses	fatos	contábeis	necessitam	ser	registrados.	Registro	corresponde	à	utilização	dos	livros
contábeis	obrigatórios,	como	o	diário	e	o	razão,	onde	os	fatos	são	registrados,	sempre	de	forma
diferenciada,	como	(Perez	Junior	e	Begalli,	1999):
no	livro	diário	as	transações	são	registradas	de	forma	cronológica;
no	livro	razão	as	transações	são	registradas	analítica	e	separadamente	por	tipo	de	evento.
Deve	 ser	 mencionado	 que	 o	 registro	 dos	 fatos	 contábeis	 nos	 livros	 obrigatórios	 é	 feito
mediante	a	utilização	de	uma	codificação	chamada	de	“contas	contábeis”.	O	conjunto	de	contas
contábeis,	 organizadas	 de	 forma	 racional	 e	 planificada,	 constitui	 o	 “plano	de	 contas”	 de	 uma
empresa,	objeto	de	estudo	do	próximo	capítulo.
O	plano	de	contas	de	uma	empresa	deve	ser	dimensionado	de	forma	coerente	com	o	tamanho
da	mesmae	 com	a	quantidade	de	 lançamentos	 contábeis	 efetuados	nos	períodos,	 evitando-se
uma	quantidade	de	contas	contábeis	maior	do	que	a	necessária.
Demonstrações	 contábeis	 constituem	 os	 retratos	 da	 situação	 econômica	 e	 financeira	 das
empresas	perante	a	sociedade.	Segundo	a	Lei	das	Sociedades	por	Ações	 (Lei	no	6.404/1976	e
suas	recentes	alterações	pela	Lei	no	11.638/2007),	as	demonstrações	contábeis	são:
balanço	patrimonial;
demonstração	de	resultado	do	exercício;
demonstração	do	fluxo	de	caixa;
demonstração	das	mutações	do	patrimônio	líquido;
demonstração	do	valor	adicionado;
demonstração	do	resultado	abrangente;
notas	explicativas.
As	demonstrações	contábeis	apresentam	 informações	úteis	aos	usuários	e	são	 interligadas.
Na	 seção	 que	 trata	 da	 informação	 contábil,	 mostraremos	 a	 interligação	 dos	 dois	 primeiros
demonstrativos	contábeis;	a	interligação	completa	entre	todos	os	demonstrativos	citados	acima
será	mostrada	no	próximo	capítulo	deste	livro.
Como	 falamos,	 o	 registro	 dos	 fatos	 contábeis	 ocorre	 em	 função	 do	 fluxo	 de	 recursos	 das
empresas,	explicitado	na	figura	3.
Figura	3
FLUXO	DE	RECURSOS	DAS	EMPRESAS
As	origens	são	consideradas	os	créditos	das	empresas.
Nas	demonstrações	contábeis,	podemos	observar,	por	exemplo,	que:
no	balanço	patrimonial,	representam	o	passivo	e	o	patrimônio	líquido;
no	demonstrativo	de	resultados	do	exercício,	representam	as	receitas	e	o	lucro.
As	aplicações	são	consideradas	os	débitos	das	empresas.
Nas	demonstrações	contábeis	podemos	observar,	por	exemplo,	que:
no	balanço	patrimonial,	representam	o	ativo;
no	demonstrativo	de	resultados	do	exercício,	representam	as	despesas	e	os	custos.
Se	 verificarmos	 que	 os	 recursos	 das	 empresas	 são	 obtidos	 com	 os	 sócios	 ou	 com	 bancos,
fornecedores	 e	 outros,	 chegaremos	 aos	 conceitos	 de	 capital	 próprio	 (recursos	 dos	 sócios)	 e
capital	de	terceiros	(recursos	de	outros,	externos	à	empresa).
Em	paralelo,	observemos	que	as	aplicações	podem	ser	feitas	para	o	giro	contínuo,	como:
estoques;
contas	a	receber;
aplicações	de	curto	prazo;
caixa	ou	disponível;
ou	em	imobilizado,	como:
máquinas;
veículos;
prédios,	entre	outros.
Chegamos,	 assim,	 aos	 conceitos	 de	 capital	 de	 giro	 e	 capital	 fixo.	Este	 último	 representa	 o
imobilizado.
Veja,	na	 figura	4,	o	 fluxo	de	recursos	das	empresas,	agora	separado	em	 itens	de	origens	e
itens	de	aplicações,	conforme	citado	acima.
Figura	4
ORIGENS	E	APLICAÇÕES	DE	RECURSOS
Uma	 vez	 compreendido	 o	 fluxo	 de	 recursos	 das	 empresas,	 torna-se	 necessário	 entender
quem	são	os	usuários	das	informações	contábeis.
Usuários	das	informações	contábeis
De	acordo	com	estudo	da	Fipecafi	(1995:59),	define-se	usuário	como
toda	pessoa	física	ou	jurídica	que	tenha	interesse	na	avaliação	da	situação	e	do	progresso	de	determinada
entidade,	seja	tal	entidade	empresa,	ente	de	finalidades	não	lucrativas,	ou	mesmo	patrimônio	familiar.
Os	usuários	das	informações	contábeis	podem	ser:
internos,	que	são	os	proprietários,	diretores,	gerentes	e	supervisores	das	empresas;
externos,	que	são	os	acionistas,	governo,	 fornecedores,	clientes,	entidades	 financeiras,	entre
outros.
Cada	 usuário	 está	 interessado	 em	um	determinado	 tipo	 de	 informação,	 conforme	 ilustra	 o
quadro	3.
Quadro	3
USUÁRIOS	DA	INFORMAÇÃO	CONTÁBIL	E	A	INFORMAÇÃO	DESEJADA
Usuário Natureza Informação	desejada
Alta	e	média	administração Interno Análise	de	forma	geral
Empregos	em	geral Interno Medição	de	desempenho
Acionistas Externo Fluxo	de	dividendos
Governo Externo Recolhimento	de	tributos
Fornecedores Externo Análise	para	concessão	de	crédito
Clientes Externo Pós-venda	dos	bens	adquiridos
Entidades	financeiras Externo Análise	para	concessão	de	crédito
Como	você	observou,	a	necessidade	de	 informações	varia	segundo	o	tipo	de	usuário,	razão
pela	qual	a	contabilidade	as	organiza	de	forma	a	atender	a	todos.
A	informação	contábil
As	 demonstrações	 contábeis	 serão	 amplamente	 estudadas	 no	 próximo	 capítulo;	 assim,
indicaremos	aqui	apenas	o	conceito	principal	de	cada	uma.	Observe	o	seguinte:
o	 balanço	 patrimonial	 indica	 a	 situação	 econômica	 e	 financeira	 de	 uma	 empresa	 em	 certo
momento,	ou	seja,	o	resultado	das	transações	que	envolvem	seus	bens,	direitos	e	obrigações;
a	 demonstração	 de	 resultado	 do	 exercício	 indica	 o	 resultado	 do	 confronto	 entre	 receitas,
custos	e	despesas;
a	demonstração	do	fluxo	de	caixa	indica	informações	sobre	a	movimentação	e	o	saldo	de	caixa
e	equivalentes	de	caixa;
a	 demonstração	 das	 mutações	 do	 patrimônio	 líquido	 indica	 as	 variações	 ocorridas	 no
patrimônio	 líquido	das	empresas,	bem	como	a	causa	delas	e	o	efeito	que	 tiveram	sobre	esse
patrimônio;
a	demonstração	do	valor	adicionado,	exigida	para	empresas	de	capital	aberto,	indica	o	valor	da
riqueza	gerada	pela	organização	e	sua	distribuição	entre	os	elementos	que	contribuíram	para	a
geração	dessa	riqueza;
a	demonstração	de	resultados	abrangentes	 indica	mudanças	no	patrimônio	 líquido,	resultado
de	outras	transações.
As	demonstrações	 contábeis	 resumem	 informações	diversas,	 que	observam	os	 objetivos	da
contabilidade.
Objetivos	da	contabilidade
A	informação	contábil	explicitada	destina-se	a	duas	finalidades:
controle,	que	é	o	processo	pelo	qual	a	empresa	se	certifica	que	está	agindo	de	acordo	com	os
planos	traçados;
planejamento,	 que	 é	 o	 processo	 pelo	 qual	 se	 decidem	 as	 ações	 a	 serem	 empreendidas	 no
futuro.
Tais	 finalidades	 são	 complementares,	 já	 que	 o	 controle	 das	 atividades	 atuais	 é	 a	 base	 de
dados	para	o	planejamento	futuro.
Da	 mesma	 forma,	 como	 controle	 admite-se	 que	 a	 informação	 contábil	 será	 resultado	 do
registro	 e	 acompanhamento	 de	 todo	 o	 ciclo	 operacional	 das	 empresas,	 que	 se	 resume	 nas
atividades	citadas	na	figura	5.
Figura	5
CICLO	OPERACIONAL	DAS	EMPRESAS
Fonte:	Perez	Junior	e	Begalli	(1999:80).
No	capítulo	4	deste	livro,	veremos	em	detalhes	como	mensurar	o	ciclo	operacional	em	dias	e
em	moeda,	além	de	como	otimizá-lo.
Conceitos	básicos	da	contabilidade
Para	melhor	entendimento	das	demonstrações	contábeis,	torna-se	necessário	o	conhecimento
dos	conceitos	que	se	seguem.	Dividiremos	os	conceitos	pelos	demonstrativos	contábeis	(Marion,
2005).
Na	demonstração	de	resultados	do	exercício,	temos	os	gastos,	que	se	apresentam	da	forma
como	na	figura	6.
Figura	6
GASTOS
Gastos	são	 todos	os	consumos	de	bens	e	serviços,	adquiridos	à	vista	ou	a	prazo,	efetuados
pelas	empresas.	Conforme	suas	características	podem	dividir-se	em	custos,	despesas,	perdas	e
investimentos.
Em	princípio,	 todo	 gasto,	 em	 algum	momento,	 gera	 um	desembolso.	Desembolso	 deve	 ser
conceituado	 como	 a	 saída	 de	 recursos	 financeiros	 para	 aquisição	 de	 bens	 e	 serviços	 ou
pagamento	de	obrigações	assumidas	anteriormente.
Vejamos	exemplos	para	os	itens	citados:
custos	são	os	gastos	(consumo	de	bens	e	serviços)	efetuados	com	o	objetivo	de	gerar	bens	ou
prestação	de	serviços.	Podemos	exemplificar	como:
matérias-primas,	mão	de	obra,	custos	indiretos	etc.;
insumos	 utilizados	 na	 produção	 de	 bens	 e	 serviços	 e	 demais	 insumos,	 como	 energia
elétrica,	 depreciações	 e	 outros	 podem	 ser	 classificados	 em	 estoques,	 investimentos	 ou
imobilizado;
estoques:	bens	adquiridos	ou	produtos	destinados	a	revenda;
despesas	 representam	 o	 consumo	 de	 bens	 e	 serviços,	 adquiridos	 à	 vista	 ou	 a	 prazo,	 com	 o
objetivo	de	gerar	receitas.	Como	exemplos,	citamos:
despesas	de	vendas,	tais	como	fretes,	comissões,	propaganda,	entre	outras;
despesas	 administrativas,	 tais	 como	 salários	 e	 encargos	 do	 pessoal	 administrativo,
aluguéis;
despesas	financeiras,	tais	como	juros	e	encargos;
despesas	tributárias,	tais	como	imposto	de	renda	e	contribuição	social;
perdas	correspondem	aos	gastos	anormais	ou	involuntários	efetuados	pelas	empresas	que	não
geram	 novos	 bens	 ou	 serviços	 e	 tampouco	 receitas.	 Podem	 ser	 citadas	 a	 inadimplência	 de
clientes,	a	perda	total	de	veículos	avariados	etc.;investimentos	correspondem	à	aquisição	de	bens	que	serão	ativados.	Como	exemplos,	podemos
citar:
bens	destinados	à	geração	de	renda,	tal	como	aluguéis;
imobilizado:	bens	destinados	ao	uso	nas	atividades	produtivas	(máquinas	e	equipamentos)
ou	administrativas	e	comerciais	(móveis	e	utensílios).
Assim,	afirma-se	que	os	custos	e	as	despesas	são	considerados	itens	referentes	a	operações
continuadas	 das	 empresas;	 as	 perdas	 são	 consideradas	 operações	 não	 continuadas	 ou
descontinuadas.
Por	outro	lado,	as	receitas	representam	os	valores	que	uma	empresa	recebe	ou	tem	direito	a
receber,	provenientes	de	suas	operações	de	vendas,	de	prestação	de	serviços	ou	de	aplicações
financeiras.	Como	exemplos	de	receitas,	podemos	citar:
receita	de	vendas	de	produtos;
receita	de	vendas	de	serviços;
receitas	de	aluguéis;
receitas	financeiras.
O	 encontro	 das	 receitas	 com	 as	 despesas	 e	 os	 custos	 gera	 lucro	 ou	 prejuízo,	 conforme
explicitado	 na	 demonstração	 de	 resultados	 do	 exercício.	 Esse	 resultado	 representa	 a	 riqueza
gerada	 pela	 empresa	 em	 certo	 período	 e	 irá	 incorporar	 o	 patrimônio	 líquido,	 no	 balanço
patrimonial.
O	 balanço	 patrimonial	 indica	 uma	 equação	 em	 que	 o	 ativo	 equivale	 ao	 passivo,	 que	 é
resultado	do	somatório	de	passivo	e	patrimônio	líquido,	como	o	quadro	4	permite	visualizar.
Quadro	4
EQUAÇÃO	DO	BALANÇO	PATRIMONIAL
Ativo
Passivo
Patrimônio	líquido
Como	ativo	entende-se	a	aplicação	de	recursos,	que	as	empresas	utilizarão	para	geração	de
benefícios	 econômicos	 e	 financeiros	 futuros.	 Dessa	 forma,	 o	 ativo	 representa	 os	 bens	 e	 os
direitos	da	entidade.
Como	 exemplo	 de	 bens,	 citamos	 os	 estoques;	 como	 exemplo	 de	 direitos,	 as	 duplicatas	 a
receber.
Como	veremos	no	próximo	capítulo,	o	ativo	terá	seus	valores	alterados	cada	vez	que	ocorrer
o	reconhecimento	contábil	de	uma	receita,	bem	como	pela	obtenção	de	recursos	com	terceiros
(capital	de	terceiros)	ou	com	os	acionistas	da	empresa	(capital	próprio).
Como	passivo	entendem-se	as	origens	de	recursos	que	são	 financiados	por	 terceiros	e	que
representarão	desembolsos	futuros.	Citamos,	como	exemplos,	os	empréstimos,	os	pagamentos	a
fornecedores,	os	impostos	a	pagar,	os	salários	a	pagar,	entre	outros.
São	 entendidos	 como	 patrimônio	 líquido	 os	 recursos	 financiados	 pelos	 acionistas.	 Ele
representa,	de	forma	estática,	as	obrigações	das	empresas	para	com	seus	sócios.
A	figura	7	indica	com	clareza	a	geração	de	riqueza	apurada	pela	demonstração	de	resultados
do	exercício	por	meio	do	lucro,	que	é	incorporado	ao	patrimônio	líquido	logo	em	seguida.	Deve
ser	 também	 observado	 o	 fato	 de	 que	 os	 estoques	 transformaram-se	 em	 custos	 de	 produtos
vendidos	após	a	devida	baixa	pelas	vendas	dos	produtos.
Figura	7
INTERLIGAÇÃO	ENTRE	O	BALANÇO	PATRIMONIAL	E	A	DEMONSTRAÇÃO	DE	RESULTADOS	DO	EXERCÍCIO
Podemos	 então	 deduzir	 que	 ambas	 as	 demonstrações	 estão	 interligadas	 pela	 geração	 de
lucros	obtidos	no	período.
Entretanto,	 muitas	 vezes	 há	 ocorrências	 qualitativas,	 não	 mensuráveis,	 que	 acabam	 por
evidenciar	certas	limitações	da	contabilidade.
Limitações	da	contabilidade
O	 método	 da	 contabilidade	 a	 torna	 capaz	 de	 registrar	 fatos	 que	 são	 mensurados
monetariamente	com	muita	clareza,	conforme	exposto.	Dessa	forma,	pode	ocorrer	que	algumas
decisões	 tomadas	 pelos	 usuários	 das	 informações	 contábeis	 sejam	 influenciadas	 por	 aspectos
qualitativos	que	normalmente	escapam	do	alcance	da	contabilidade.
Estamos	aqui	nos	referindo	a	variáveis	como	investimentos	sociais,	custo	de	oportunidade	e
agregação	 de	 valor	 para	 os	 clientes,	 entre	 outras,	 que	 não	 conseguem	 ser	 mensuradas	 pela
contabilidade
Tais	limitações,	no	entanto,	não	invalidam	o	método	contábil;	apenas	indicam	ao	usuário	que
as	informações	devem	ser	utilizadas	levando-se	em	conta	as	limitações	do	método	que	as	gerou.
A	contabilidade	financeira	e	a	contabilidade	gerencial
Como	 vimos	 até	 aqui,	 a	 contabilidade	 financeira	 apura	 e	 prepara	 a	 elaboração	 das
informações	 econômicas	 e	 financeiras	 das	 empresas,	 divulgando-as	 a	 uma	 vasta	 clientela
denominada	usuários	externos,	entre	os	quais	citamos:	bancos,	fornecedores,	clientes,	governo
e	 entidades	 reguladoras.	 Como	 consequência,	 observa-se	 que	 é	 a	 contabilidade	 financeira
direcionada	por	regras	e	normas,	citadas	anteriormente,	e	pelos	postulados	contábeis	que	serão
citados	a	seguir.
No	 entanto,	 os	 empresários	 necessitam	 utilizar	 uma	 informação	 contábil	 mais	 gerencial	 e
mais	detalhada,	que	 será	a	base	de	dados	para	o	processo	decisório	diário.	Tais	decisões	 são
reações	 aos	 efeitos	 que	 as	 variáveis	 do	 macroambiente	 causam	 nos	 negócios	 e	 englobam
informações	que	incluem,	entre	outros:
clientes	e	mercados;
inovações	em	produtos	e	serviços;
qualidade	total,	tempo	de	processamento	e	custo	dos	processos	internos	críticos;
capacidade	dos	funcionários	e	dos	sistemas	das	empresas.
As	 decisões	 têm	 reflexos	 diretos	 na	 lucratividade	 das	 organizações	 e	 garantem	 sua
continuidade,	por	meio	da	geração	contínua	de	novos	recursos.
Percebe-se	claramente	que	a	contabilidade	gerencial	está	dimensionada	para	atender	a	duas
funções	 fundamentais:	 o	 controle	 e	 a	 decisão.	 Como	 auxílio	 ao	 controle,	 a	 contabilidade
gerencial	contribui	mediante	o	fornecimento	de	informações	para	o	estabelecimento	de	padrões,
orçamentos	 e	 outros	 tipos	 de	 previsões.	 Como	 auxílio	 às	 tomadas	 de	 decisões,	 contribui	 por
meio	de	alimentação	de	informações	relevantes,	que	dizem	respeito	às	consequências	de	curto	e
longo	 prazos	 sobre	 medidas	 de	 eliminação	 de	 portfólio	 de	 produtos	 e	 de	 departamentos,
ampliação	de	atividades,	terceirização	etc.
As	 principais	 diferenças	 entre	 a	 contabilidade	 financeira	 e	 a	 contabilidade	 gerencial	 estão
apresentadas	no	quadro	5.
Quadro	5
DIFERENÇAS	ENTRE	A	CONTABILIDADE	FINANCEIRA	E	A	CONTABILIDADE	GERENCIAL
Fatores Contabilidade	financeira Contabilidade	gerencial
Principais	usuários Investidores	e	credores. Administradores	de	vários	níveis	da	organização.
Liberdade	de	escolha Postulados	e	pressupostos	contábeis. Nenhuma	restrição	além	do	custo	x	benefício.
Enfoque	no	tempo Avaliação	histórica.	Visão	do	passado. Orientação	para	o	futuro.	Orçamentos	e	registros
históricos.
Relatórios Resumidos.	Preocupação	com	a	empresa	como	um
todo.
Detalhados.	Preocupação	com	partes	da	empresa.
Objetivos	dos
relatórios
Análise	financeira. Planejamento,	controle,	avaliação	de	desempenho.
Prazos Menos	flexíveis Mais	flexíveis
Bases	de
mensuração
Moeda	corrente. Várias	bases	correntes.	Índices.
Visão	da	empresa Empresa	como	um	todo. Interesse	nas	partes.
A	informação	é Precisa	e	objetiva. Rápida,	com	aproximações.
A	informação	busca Objetividade. Utilidade.
Diante	 do	 exposto,	 pode-se	 concluir	 que	 as	 diferenças	 entre	 contabilidade	 financeira	 e
contabilidade	 gerencial	 giram	em	 torno	 da	 utilização	 das	 informações	 geradas	 pelos	 diversos
usuários	e	de	seus	diferentes	objetivos.
Estrutura	conceitual	para	apresentação	das	demonstrações	contábeis
Conforme	 mencionado,	 a	 Lei	 das	 Sociedades	 por	 Ações	 foi	 modificada	 pela	 Lei	 no
11.638/2007.	A	partir	dessa	alteração,	vários	pronunciamentos	foram	emitidos;	no	entanto,	em
janeiro	 de	 2008,	 o	 Comitê	 de	 Pronunciamentos	 Contábeis	 (CPC)	 emitiu	 um	 pronunciamento
(CPC	00),	 atualizado	 em	dezembro	 de	 2011	 (CPC	00	 (R1)),	 que	 define	 a	 estrutura	 conceitual
básica	 para	 a	 elaboração	 das	 demonstrações	 contábeis.	 Os	 demais	 pronunciamentos	 serão
citados	nos	capítulos	seguintes	do	livro.
A	finalidade	dessa	estrutura	conceitual	é:
dar	 suporte	 ao	 desenvolvimento	 de	 novos	Pronunciamentos	Técnicos,	 Interpretações	 e	Orientações	 e	 à
revisão	dos	já	existentes,	quando	necessário;
dar	 suporte	 à	 promoção	 da	 harmonização	 das	 regulações,	 das	 normas	 contábeis	 e	 dos	 procedimentos
relacionados	à	apresentação	das	demonstrações	contábeis,	provendouma	base	para	a	redução	do	número
de	tratamentos	contábeis	alternativos	permitidos	pelos	Pronunciamentos,	Interpretações	e	Orientações;
dar	suporte	aos	órgãos	reguladores	nacionais;
auxiliar	os	responsáveis	pela	elaboração	das	demonstrações	contábeis	na	aplicação	dos	Pronunciamentos
Técnicos,	 Interpretações	 e	Orientações	 e	no	 tratamento	de	 assuntos	que	ainda	não	 tenham	sido	 objeto
desses	documentos;
auxiliar	 os	 auditores	 independentes	 a	 formar	 sua	 opinião	 sobre	 a	 conformidade	 das	 demonstrações
contábeis	com	os	Pronunciamentos	Técnicos,	Interpretações	e	Orientações;
auxiliar	 os	 usuários	 das	 demonstrações	 contábeis	 na	 interpretação	 de	 informações	 nelas	 contidas,
elaboradas	em	conformidade	com	os	Pronunciamentos	Técnicos,	Interpretações	e	Orientações;	e,
proporcionar	aos	interessados	informações	sobre	o	enfoque	adotado	na	formulação	dos	Pronunciamentos
Técnicos,	das	Interpretações	e	das	Orientações.
A	referida	estrutura	não	é	um	Pronunciamento	Técnico	propria​mente	dito	e,	portanto,	não	define	normas
ou	procedimentos	para	qualquer	questão	particular	 sobre	aspectos	de	mensuração	ou	divulgação.	Nada
nesta	Estrutura	Conceitual	substitui	qualquer	Pronunciamento	Técnico,	Interpretação	ou	Orientação	[CPC
00	(R1)].
Portanto,	 o	 objetivo	 do	 Pronunciamento	 Conceitual	 Básico	 –	 Estrutura	 Conceitual	 para
Elaboração	 e	 Divulgação	 de	 Relatório	 Contábil-Financeiro	 –	 é	 apoiar	 como	 fonte	 para	 as
premissas	 básicas	 e	 fundamentais	 na	 preparação	 e	 utilização	 das	 demonstrações	 contábeis
através	daqueles	pronunciamentos	técnicos.
Assim,	para	observar	e	preparar	a	elaboração	e	apresentação	das	demonstrações	contábeis,
o	CFC	aprovou	a	Resolução	no	2011/1.374	–	NBC	TG	Estrutura	Conceitual.	A	referida	NBC	foi
publicada	no	Diário	Oficial	da	União	 em	16	de	 dezembro	de	 2011.	Essa	 resolução	 entrou	 em
vigor	em	1o	de	janeiro	de	2011.	Dela,	devem-se	observar	os	seguintes	aspectos:
premissa	subjacente	da	continuidade;
características	 qualitativas	 fundamentais	 (relevância	 e	 representação	 fidedigna)	 e
características	 qualitativas	 de	 melhoria	 (comparabilidade,	 verificabilidade,	 tempestividade	 e
compreensibilidade).
Antes	de	prosseguirmos	com	o	estudo	da	premissa	subjacente	e	características	qualitativas,
fazemos	 uma	 breve	 explanação	 sobre	 a	 antiga	 característica	 qualitativa	 de	 confiabilidade,	 a
característica	essência	sobre	a	forma	e	a	característica	da	prudência	(conservadorismo).
A	característica	qualitativa	 confiabilidade	 foi	 redenominada	de	 representação	 fidedigna;	 as	 justificativas
constam	das	bases	para	conclusões.
A	característica	essência	sobre	a	forma	foi	formalmente	retirada	da	condição	de	componente	separado	da
representação	fidedigna	por	ser	isso	considerado	uma	redundância.	A	representação	pela	forma	legal	que
difira	da	substância	econômica	não	pode	resultar	em	representação	fidedigna,	 conforme	 citam	as	Bases
para	Conclusões.	Assim,	essência	sobre	a	forma	continua,	na	realidade,	bandeira	insubstituível	nas	normas
do	IASB.
A	 característica	 prudência	 (conservadorismo)	 foi	 também	 retirada	 da	 condição	 de	 aspecto	 da
representação	 fidedigna	 por	 ser	 inconsistente	 com	 a	 neutralidade.	 Subavaliações	 de	 ativos	 e
superavaliações	de	passivos,	segundo	os	Boards	mencionam	nas	Bases	para	Conclusões,	com	consequentes
registros	 de	 desempenhos	 posteriores	 inflados,	 são	 incompatíveis	 com	 a	 informação	 que	 pretende	 ser
neutra	[CFC,	2011].
Premissa	 subjacente	 à	 elaboração	 dos	 relatórios	 contábil-financeiros:	 a	 elaboração	 dos
relatórios	contábil-financeiros	tem	como	premissa	a	continuidade	(going	concern)	da	entidade.
A	entidade	 foi	 concebida	como	algo	em	marcha,	 ou	 seja,	 suas	operações	 irão	ocorrer	por	um
futuro	 previsível.	 E	 qualquer	 ameaça	 a	 essa	 continuidade	 deverá	 ser	 informada	 aos	 diversos
usuários	da	contabilidade	(stakeholders)	 interessados	na	 informação	contábil.	Caso	a	empresa
entre	 num	 processo	 de	 liquidação,	 as	 demonstrações	 contábeis	 deverão	 ser	 elaboradas	 em
bases	diferentes	daquelas	entidades	em	continuidade.
Como	exemplo	de	ameaça	à	continuidade	de	uma	entidade	pode-se	mencionar:	determinada
empresa	vendeu	90%	da	sua	receita	para	um	determinado	cliente	e	esse	cliente	solicitou	uma
concordata.	 Portanto,	 caso	 a	 empresa	 não	 consiga	 rapidamente	 localizar	 potenciais	 novos
clientes,	a	continuidade	da	empresa	ficará	sensivelmente	ameaçada.	Portanto,	a	omissão	do	fato
da	continuidade	pode	 influenciar	as	decisões	que	os	usuários	 tomam	com	base	na	 informação
contábil-financeira.
As	 características	 qualitativas	 são	 consideradas	 os	 atributos	 que	 fazem	 as	 demonstrações
contábeis	se	 tornarem	úteis	aos	seus	usuários.	Foram	definidas	de	modo	a	 ter	mais	utilidade,
fornecendo	 informações	 que	 auxiliem	 o	 processo	 decisório	 no	 melhor	 entendimento	 das
empresas	que	as	apresentam.
De	acordo	com	o	CPC	00	(R1),	de	dezembro	2011,	as	características	qualitativas,	separadas
em	dois	grupos,	são	as	reputadas	como	mais	úteis	e	fundamentais	(A)	e	as	que	também	auxiliam
na	 escolha	 quando	 de	 alternativas	 equivalentes	 em	 termos	 de	 relevância	 e	 representação
fidedigna	(B).
As	 características	 qualitativas	 das	 demonstrações	 contábeis	 podem	 ser	 visualizadas	 no
quadro	6.
Quadro	6
CARACTERÍSTICAS	QUALITATIVAS
(A)	Reputadas	como	mais	úteis	e	fundamentais
Característica Descrição
Relevância
	
As	informações	são	relevantes	quando	fazem	a	diferença	nas	decisões	econômicas	dos	usuários,	ajudando-os
a	avaliar	o	impacto	de	eventos	passados,	ou	corrigindo	as	suas	avaliações	anteriores	(valor	confirmatório),	ou
ajudando-os	nos	processos	para	predizer	resultados	futuros	(valor	preditivo).	A	relevância	depende	da
natureza	e	da	materialidade	do	item	em	discussão.
Representação
fidedigna
Diz	respeito	a	três	atributos:	a	informação	precisa	ser	completa,	neutra	e	livre	de	erro.	Para	ser	completa,
precisa	conter	o	necessário	para	que	o	usuário	compreenda	o	fenômeno	sendo	retratado.	Para	ser	neutra,
precisa	estar	desprovida	de	viés	na	seleção	ou	na	apresentação,	não	podendo	ser	distorcida	para	mais	ou
para	menos.	Para	ser	livre	de	erro,	precisa	que	o	processo	para	obtenção	da	informação	tenha	sido
selecionado	e	aplicado	livre	de	erros.	No	caso	de	estimativa,	ela	é	considerada	tendo	representação	fidedigna
se,	além	disso,	o	montante	for	claramente	descrito	como	estimativa	e	se	a	natureza	e	as	limitações	do
processo	forem	devidamente	reveladas.
(B)	Características	que	também	auxiliam	na	escolha	quando	de	alternativas	equivalentes	em	termos	de	relevância	e
representação	fidedigna
Característica Descrição
Comparabilidade Permite	a	identificação	e	compreensão	de	similaridades	e	diferenças	entre	os	itens.	Comparabilidade	implica,
também,	fazer	com	que	coisas	diferentes	não	pareçam	iguais	ou	coisas	iguais	não	pareçam	diferentes.
Comparabilidade	é	diferente	da	consistência,	pois	é	o	objetivo,	enquanto	a	consistência	é	um	auxílio	na
obtenção	desse	objetivo.
Verticabilidade Implica	diferentes	observadores	poderem	chegar	a	um	consenso	sobre	o	retrato	de	uma	realidade	econômica,
podendo,	em	certas	circunstâncias,	representar	uma	faixa	de	possíveis	montantes	com	suas	respectivas
probabilidades.	Pode	ser	direta	ou	indireta	e,	às	vezes,	se	restringir	à	análise	das	premissas	subjacentes	a
uma	estimativa	sobre	o	futuro.
Tempestividade Significa	estar	a	informação	disponível	a	tempo	de	influenciar	o	usuário	em	sua	decisão.
Compreensibilidade Significa	que	a	classificação,	a	caracterização	e	a	apresentação	da	informação	são	feitas	com	clareza	e
concisão,	tornando-a	compreensível.	Os	relatórios	contábil-financeiros	são	elaborados	na	presunção	de	que	o
usuário	tem	conhecimento	razoável	de	negócios	e	que	age	diligentemente,	mas	isso	não	exclui	a	necessidade
de	ajuda	de	consultor	para	fenômenos	complexos.
Limitações	na	relevância	e	na	confiabilidade	das	informações
As	 limitações	 apresentadas	 no	 pronunciamento	 contábil	 são	 três,	 a	 saber:	 tempestividade,equilíbrio	entre	custo	e	benefício	e	equilíbrio	entre	características	qualitativas.	Tais	limitações,
que	podem	ser	visualizadas	no	quadro	7,	referem-se	a	todas	as	características	qualitativas,	não
só	àquelas	sugeridas	pela	interpretação	textual	do	pronunciamento.
Quadro	7
LIMITAÇÕES	NA	RELEVÂNCIA	E	NA	CONFIABILIDADE	DAS	INFORMAÇÕES
Limitações Descrição
Tempestividade Quando	há	demora	indevida	na	divulgação	de	uma	informação,	é	possível	que	ela	perca	a	relevância.	A	administração	da
entidade	necessita	ponderar	os	méritos	relativos	entre	a	tempestividade	da	divulgação	e	a	confiabilidade	da	informação
fornecida.	Para	fornecer	uma	informação	na	época	oportuna	pode	ser	necessário	divulgá-la	antes	que	todos	os	aspectos	de
uma	transação	ou	evento	sejam	conhecidos,	prejudicando	assim	sua	confiabilidade.	Por	outro	lado,	se	para	divulgar	a
informação	a	entidade	aguardar	até	que	todos	os	aspectos	se	tornem	conhecidos,	a	informação	pode	ser	altamente	confiável,
porém	de	pouca	utilidade	para	os	usuários	que	tenham	tido	necessidade	de	tomar	decisões	nesse	ínterim.	Para	atingir	o
adequado	equilíbrio	entre	a	relevância	e	a	confiabilidade,	o	princípio	básico	consiste	em	identificar	qual	a	melhor	forma	para
satisfazer	as	necessidades	do	processo	de	decisão	econômica	dos	usuários.
Equilíbrio	entre
custo	e
benefício
Limitação	de	ordem	prática,	em	vez	de	uma	característica	qualitativa.	Os	benefícios	decorrentes	da	informação	devem	exceder
o	custo	de	produzi-la.
Equilíbrio	entre
características
qualitativas
Na	prática,	é	frequentemente	necessário	um	balanceamento	entre	as	características	qualitativas.	Geralmente,	o	objetivo	é
atingir	um	equilíbrio	apropriado	entre	as	características,	a	fim	de	satisfazer	aos	objetivos	das	demonstrações	contábeis.	A
importância	relativa	das	características	em	diferentes	casos	é	uma	questão	de	julgamento	profissional.
Fonte:	Perez	Junior	e	Begalli	(2009:36).
A	 aplicação	 de	 forma	 adequada	 do	 conjunto	 de	 conceitos	 citados	 deve	 fazer	 com	 que	 as
demonstrações	 contábeis	 apresentem	 informações	 verdadeiras	 e	 apropriadas	 da	 posição
patrimonial	e	financeira	da	empresa.
Por	 fim,	 deve	 ser	 também	 citado	 o	 conceito	 geral	 de	 visão	 verdadeira	 e	 visão	 adequada.
Estamos	 nos	 referindo	 à	 apresentação	 adequada,	 segundo	 a	 qual	 a	 essência	 econômica	 deve
prevalecer	sobre	a	forma	jurídica.
Assim,	 a	 aplicação	 das	 características	 qualitativas	 e	 de	 normas	 de	 contabilidade	 aceitas
resulta	 em	demonstrações	 contábeis	que	devem	 refletir	 o	que	 se	 entende	 como	apresentação
verdadeira	e	adequada	das	informações	de	uma	entidade.
Como	você	viu,	a	contabilidade	é	um	sistema	de	informações	relevantes	para	as	empresas	em
seus	processos	decisórios.
Para	 situar	 você	 no	 contexto	 da	 ciência	 contábil,	 abordamos	 sua	 origem	 e	 evolução,	 os
principais	 conceitos,	 as	 demonstrações	 contábeis,	 os	 pressupostos	 básicos,	 assim	 como	 as
características	dos	usuários	que	necessitam	dessas	informações.
Abordamos,	 também,	 as	 principais	 diferenças	 entre	 a	 contabilidade	 financeira	 e	 a
contabilidade	gerencial.
No	 próximo	 capítulo,	 estudaremos	 com	 detalhes	 as	 demonstrações	 contábeis	 e	 as
informações	por	elas	geradas.
2
Estrutura	das	demonstrações	contábeis
A	dinâmica	dos	mercados	financeiros	e	dos	mercados	de	capitais	exerce	papel	fundamental	no
desenvolvimento	 econômico	 e	 na	 evolução	 das	 atividades	 empresariais.	 Aliado	 a	 isso,	 cabe
destacar	 que	 a	 busca	 constante	 de	 melhoria	 na	 administração	 das	 entidades	 passa	 pelo
conhecimento	da	contabilidade,	 sem	o	qual	a	gestão	e	o	conjunto	de	 informações	necessárias
para	o	processo	da	tomada	da	decisão	ficariam	inviabilizados.	Tendo	por	objetivo	demonstrar	as
mutações	 na	 estrutura	 patrimonial	 de	 entidades	 com	 finalidades	 lucrativas,	 caberá	 à
contabilidade	contemplar	os	diversos	usuários	interessados	em	informações	sobre	determinada
entidade	 com	 demonstrações	 contábeis	 que	 permitirão	 aos	 mesmos	 conhecer	 sua	 situação
econômica	e	financeira	e,	dessa	forma,	tomar	suas	decisões.	Neste	capítulo,	apresentaremos	o
produto	 final	 da	 contabilidade,	 ou	 seja,	 o	 conjunto	 de	 relatórios	 que	 tem	 por	 finalidade
evidenciar	 as	 modificações	 ocorridas	 na	 estrutura	 do	 patrimônio	 em	 decorrência	 dos	 fatos
associados	 às	 tomadas	 de	 decisões	 por	 parte	 dos	 gestores	 e	 demais	 responsáveis	 pela
administração	e	condução	da	entidade,	cabendo	também	ficarem	evidenciadas	nos	relatórios	as
mutações	decorrentes	de	eventos	não	associados	ao	conjunto	das	decisões.
Informação	e	demonstrações	contábeis
Para	 que	 as	 demonstrações	 contábeis	 tenham	 credibilidade	 e,	 ao	 mesmo	 tempo,	 gerem
confiança	 por	 parte	 dos	 usuá​rios,	 a	 informação	 deverá	 ser	 completa,	 demonstrando	 com
fidedignidade	 todas	 as	 operações	 e	 outros	 fatos,	 sem	 erros	 em	 sua	 elaboração.	 Para	 tanto,	 o
reconhecimento	das	transações	e	acontecimentos	deverá	ser	registrado	com	base	na	substância
e	realidade	dos	fatos	econômicos,	e	não	de	forma	puramente	legal,	com	total	neutralidade	e	com
o	 cuidado	 na	 elaboração	 das	 demonstrações	 contábeis.	 Estamos	 comprometidos	 com	 a
fidedignidade,	transparência	e	responsabilidade	da	 informação	a	ser	passada	sobre	a	situação
econômico-financeira,	 de	 modo	 a	 atender	 à	 demanda	 dos	 investidores	 que,	 ao	 alocar	 seus
recursos	em	determinada	atividade,	buscam	maximizar	sua	riqueza.	As	entidades	com	finalidade
lucrativa	nascem	tendo	por	objetivo	remunerar	seus	investidores,	ou	seja,	nascem	da	alternativa
de	 investimento	 por	 parte	 de	 determinadas	 pessoas.	 A	 variabilidade	 na	 estrutura	 patrimonial
dessas	entidades	tem	como	fundamentação	o	processo	de	decisão	por	parte	dos	tomadores	de
decisão,	 fatores	 tecnológicos,	 políticas	 governamentais,	 concorrência,	 abertura	 de	mercado	 e
tantos	outros	que	poderão	impactar,	de	maneira	positiva	ou	negativa,	a	estrutura	do	patrimônio
da	entidade.	Compete	à	contabilidade	elaborar	demonstrações	para	que	as	decisões	possam	ser
tomadas	com	o	propósito	de	dar	continuidade	ao	processo	de	gestão	da	entidade	e	contemplar
os	investidores	e	demais	interessados	com	informações	para	que	os	mesmos	possam	decidir	de
modo	 a	 atender	 a	 suas	 demandas	 individuais	 ou	 coletivas.	 As	 demonstrações	 contábeis
representam	o	produto	final	da	contabilidade.	Delas	fluem	valiosas	informações,	evidenciando	a
realidade	de	uma	estrutura	patrimonial	que	é	fruto	de	determinada	gestão.
As	demonstrações	contábeis	são	relatórios	acompanhados	de	 informações	complementares,
que	correspondem	a	determinado	período,	contendo	aspectos	qualitativos	e	quantitativos	como
consequência	 dos	 métodos	 aplicados	 na	 contabilização	 dos	 respectivos	 fatos.	 Geram
informações	 financeiras	 sobre	 a	 entidade,	 sendo	 que	 seu	 principal	 objetivo	 é	 proporcionar
informações	sobre	a	posição	financeira	e	o	desempenho	–	além	de	demonstrar	as	modificações
em	sua	posição	financeira	–	que	possam	atender	a	um	vasto	número	de	usuários	na	tomada	de
decisão.
As	demonstrações	contábeis	são	geradas	em	decorrência	do	registro	de	um	grande	número
de	fatos	e	eventos,	que	são	agregados	em	grupos	e	subgrupos	em	função	da	sua	natureza.	Ao
término	serão	apresentadas	as	demonstrações	contábeis	que	são:
balanço	patrimonial;
demonstração	do	resultado;
demonstração	do	resultado	abrangente;
demonstração	das	mutações	do	patrimônio	líquido;
demonstração	dos	fluxos	de	caixa;
demonstração	do	valor	adicionado;
notas	 explicativas,	 compreendendo	 o	 resumo	 das	 políticas	 contábeis	 significativas	 e	 outras
informações	explanatórias.
As	demonstrações	 interagem	entre	si	e	possuem	objetivos	definidos,	conforme	apresentado
nas	próximas	seções.
Balanço	patrimonial
O	balanço	patrimonial	proporciona	informações	referentes	à	posição	patrimonial	e	financeira
da	 entidade	 em	 uma	 determinada	 data,	 evidencia	 as	 fontes	 de	 financiamentos	 representadas
pelo	 capital	 próprio	 (capital	 social	 mais	 ou	 menos	 oresultado	 acumulado	 e	 pelo	 capital	 de
terceiros).	O	capital	próprio	é	representado	pelo	patrimônio	líquido	(PL)	enquanto	o	capital	de
terceiros	é	representado	pelo	passivo.	Essas	fontes	dão	origem	aos	investimentos	da	entidade,
ou	seja,	ao	seu	ativo.	Temos	que	o	balanço	patrimonial	da	entidade	é	a	relação	de	seus	ativos,
passivos	e	patrimônio	líquido	em	uma	data	específica.
Conforme	pronunciamento	CPC	00	(R1),	itens	4.8/4.23,	temos:
(a)	ativo	é	um	recurso	controlado	pela	entidade	como	resultado	de	eventos	passados	e	do	qual	se	espera
que	fluam	futuros	benefícios	econômicos	para	a	entidade.
(b)	passivo	é	uma	obrigação	presente	da	entidade,	derivada	de	eventos	passados,	cuja	liquidação	se	espera
que	resulte	na	saída	de	recursos	da	entidade	capazes	de	gerar	benefícios	econômicos.
(c)	patrimônio	 líquido	 é	 o	 interesse	 residual	 nos	 ativos	 da	 entidade	 depois	 de	 deduzidos	 todos	 os	 seus
passivos.
Os	 elementos	 que	 compõem	 a	 estrutura	 do	 balanço	 patrimonial,	 os	 bens,	 os	 direitos,	 as
obrigações	e	os	elementos	do	patrimônio	líquido	são	representados	por	contas	patrimoniais.	No
ativo	 temos	 os	 bens	 e	 os	 direitos,	 que	 serão	 representados	 dentro	 da	 estrutura	 do	 balanço
patrimonial	 em	 função	 do	 grau	 de	 liquidez	 de	 cada	 conta;	 no	 passivo	 representaremos	 as
obrigações	em	função	do	grau	de	exigibilidade;	e	o	patrimônio	líquido	será	a	diferença	entre	o
ativo	e	o	passivo.
A	representação	do	balanço	patrimonial	é	feita	considerando	o	ativo	ao	lado	do	passivo	e	do
patrimônio	líquido,	como	demonstrado	no	quadro	8.
Quadro	8
FORMAÇÃO	E	REPRESENTAÇÃO	DA	ESTRUTURA	PATRIMONIAL
Balanço	patrimonial
Ativo Passivo	+	patrimônio	líquido
Bens
Representam	tudo	que	a	empresa	possui	em	termos	corpóreos
ou	incorpóreos.
Obrigações
Representam	os	débitos	–	tudo	que	a	empresa
tiver	a	pagar.
Direitos
Representam	os	créditos	–	tudo	que	a	empresa	tiver	a	receber.
Patrimônio	líquido
Representa	a	diferença	entre	o	total	do	ativo
menos	o	passivo.
De	forma	bastante	objetiva,	podemos	interpretar	o	balanço	patrimonial	pela	ótica	das	origens
e	aplicações	de	recursos,	conforme	o	quadro	9	permite	visualizar.
Quadro	9
ORIGENS	E	APLICAÇÕES	DE	RECURSOS	NA	FORMAÇÃO	DA	ESTRUTURA	PATRIMONIAL
Investimentos Aplicações	de	recursos
Balanço	patrimonial
Origens	de	recursos Fontes	de	financiamentos
Ativo Passivo
Bens Obrigações
Caixa 	
Liquidez Exigibilidade
Direitos
Patrimônio	líquido
	 Capital
Total Total
A	informação	deverá	ser	gerada	de	modo	a	atender	a	um	conjunto	heterogêneo	de	usuários,
fato	que	nos	 leva	a	estruturar	as	demonstrações	contábeis	de	modo	a	 lhes	permitir	extrair	as
informações	necessárias	para	a	tomada	da	decisão.
Na	estrutura	do	balanço	patrimonial,	os	ativos	e	passivos	 foram	divididos	em	grupos,	cada
grupo	dividido	em	subgrupos,	sendo	que	dentro	de	cada	subgrupo	encontramos	as	respectivas
contas,	que	representam	os	diversos	elementos	da	estrutura	patrimonial	–	no	caso	do	ativo,	os
bens	e	os	direitos;	no	passivo,	as	obrigações	com	terceiros	e	o	patrimônio	líquido.
Tanto	 no	 ativo	 quanto	 no	 passivo	 teremos	 os	 elementos	 circulantes	 e	 não	 circulantes,	 que
serão	representados	como	grupos	de	contas	separados	no	balanço	patrimonial,	exceto	quando
uma	apresentação	baseada	na	liquidez	proporcionar	informação	confiável	e	mais	relevante.
Quando	essa	exceção	 for	aplicável,	 todos	os	ativos	e	passivos	devem	ser	apresentados	por
ordem	de	liquidez.
Qualquer	que	seja	o	método	de	apresentação	adotado,	a	entidade	deve	divulgar	o	montante
esperado	 a	 ser	 recuperado	 ou	 liquidado	 em	 até	 12	meses	 ou	mais	 do	 que	 12	meses,	 após	 o
período	de	reporte,	para	cada	item	do	ativo	e	passivo.
O	CPC	26	(R1)	não	prescreve	a	ordem	ou	o	formato	que	deva	ser	utilizado	na	apresentação
das	contas	do	balanço	patrimonial;	entretanto,	na	Lei	das	S/A,	no	ativo,	as	contas	são	dispostas
em	ordem	decrescente	de	grau	de	liquidez	dos	elementos	nelas	registrados,	isto	é,	dos	itens	de
maior	para	os	de	menor	liquidez.	A	doutrina	contábil	adota	critério	semelhante	para	o	passivo:
ordem	decrescente	de	exigibilidade.
Para	tornar	a	 informação	ainda	mais	clara,	devemos	apresentar	as	 informações	do	balanço
patrimonial	de	acordo	com	o	grau	de	liquidez	e	nível	de	exigibilidade,	conforme	os	quadros	10	e
11.
Quadro	10
REPRESENTAÇÃO	DE	ACORDO	COM	O	GRAU	DE	LIQUIDEZ	E	NÍVEL	DE	EXIGIBILIDADE
Balanço	patrimonial
Ativo Passivo
Caixa Fornecedor
Bancos Financiamentos	a	pagar
Duplicatas	a	receber Patrimônio	líquido
Mercadorias Capital
Veículos Reserva	de	lucro
Imóveis Prejuízo	acumulado
Total Total
Quadro	11
REPRESENTAÇÃO	DO	BALANÇO	PATRIMONIAL	DE	FORMA	SINTÉTICA
Balanço	patrimonial
Ativo Passivo	+	patrimônio	líquido
Ativo	circulante
Disponível
Créditos
Estoque
Impostos	a	recuperar
Ativo	não	circulante
Realizável	a	longo	prazo
Investimentos
Imobilizado
Intangível
Passivo	circulante
Obrigações
Passivo	não	circulante
Obrigações
Patrimônio	líquido
Capital	social
Reservas	de	capital
Reservas	de	lucro
Ajustes	de	avaliação	patrimonial
Prejuízo	acumulado
Total Total
Conforme	pronunciamento	CPC	26	(R1),	item	66,	a	entidade	deve	classificar	um	ativo	como
circulante	quando:
esperar	 realizar	 o	 ativo,	 ou	 pretender	 vendê-lo	 ou	 consumi-lo	 durante	 o	 ciclo	 operacional
normal	da	entidade;
o	ativo	for	mantido	essencialmente	com	a	finalidade	de	negociação;
esperar	realizar	o	ativo	no	período	de	até	12	meses	após	a	data	das	demonstrações	contábeis;
o	 ativo	 for	 caixa	 ou	 equivalente	 de	 caixa,	 a	menos	que	 sua	 troca	 ou	uso	para	 liquidação	de
passivo	seja	restrita	durante	pelo	menos	12	meses	após	a	data	das	demonstrações	contábeis.
A	 entidade	 deve	 classificar	 todos	 os	 outros	 ativos	 como	 não	 circulantes.	 Quando	 o	 ciclo
operacional	normal	da	entidade	não	 for	claramente	 identificável,	presume-se	que	sua	duração
seja	de	12	meses.
Conforme	 pronunciamento	 CPC	 26	 (R1),	 item	 69,	 a	 entidade	 deve	 classificar	 um	 passivo
como	circulante	quando:
esperar	liquidar	o	passivo	durante	o	ciclo	operacional	normal	da	entidade;
o	passivo	for	mantido	essencialmente	para	a	finalidade	de	negociação;
o	passivo	for	exigível	no	período	de	até	12	meses	após	a	data	das	demonstrações	contábeis;
a	entidade	não	tiver	direito	incondicional	de	diferir	a	liquidação	do	passivo	durante	pelo	menos
12	meses	após	a	data	de	divulgação.
Os	demais	passivos	serão	classificados	pela	entidade	como	não	circulantes.
No	 patrimônio	 líquido,	 incluímos	 os	 recursos	 aportados	 pelos	 investidores,	 assim	 como	 os
recursos	gerados	pela	própria	entidade,	ou	seja,	os	lucros	formalmente	incorporados	à	atividade
como	fonte	de	financiamento.	No	patrimônio	líquido	deveremos	incluir:
capital	social;
reservas	de	capital;
ajustes	de	avaliações	patrimoniais;
reservas	de	lucros;
ações	em	tesouraria;
prejuízo	acumulado.
Avaliação	dos	ativos
De	 acordo	 com	 o	 art.	 183	 da	 Lei	 no	 6.404/1976	 e	 suas	 subsequentes	 modificações,	 os
elementos	dos	ativos	serão	avaliados	conforme	apresentado	a	seguir.
Art.	183.	No	balanço,	os	elementos	do	ativo	serão	avaliados	segundo	os	seguintes	critérios:
I.	 as	 aplicações	 em	 instrumentos	 financeiros,	 inclusive	 derivativos,	 e	 em	 direitos	 e	 títulos	 de	 créditos,
classificados	no	ativo	circulante	ou	no	realizável	a	longo	prazo:
(a)	pelo	seu	valor	justo	quando	se	tratar	de	aplicações	destinadas	a	negociação	ou	disponíveis	para	venda;
e
(b)	 pelo	 custo	 de	 aquisição	 ou	 valor	 de	 emissão,	 atualizado	 conforme	disposições	 legais	 ou	 contratuais,
ajustado	ao	valor	provável	de	 realização,	quando	este	 for	 inferior,	no	caso	das	demais	aplicações	e	os
direitos	e	títulos	de	crédito;
II.	 os	 direitos	 que	 tiverem	 por	 objeto	 mercadorias	 e	 produtos	 de	 comércio	 da	 companhia,	 assim	 como
matérias-primas,	produtos	em	 fabricação	e	bens	em	almoxarifado,	pelo	custo	de	aquisição	ou	produção,
deduzido	de	provisão	para	ajustá-lo	ao	valor	de	mercado,	quando	este	for	inferior;
III.	os	investimentos	em	participação	no	capital	social	de	outras	sociedades,ressalvado	o	disposto	nos	arts.
248	a	250,	pelo	custo	de	aquisição,	deduzido	de	provisão	para	perdas	prováveis	na	realização	do	seu	valor,
quando	 essa	 perda	 estiver	 comprovada	 como	 permanente,	 e	 que	 não	 será	 modificado	 em	 razão	 do
recebimento,	sem	custo	para	a	companhia,	de	ações	ou	quotas	bonificadas;
IV.	 os	 demais	 investimentos,	 pelo	 custo	 de	 aquisição,	 deduzido	 de	 provisão	 para	 atender	 às	 perdas
prováveis	na	realização	do	seu	valor,	ou	para	redução	do	custo	de	aquisição	ao	valor	de	mercado,	quando
este	for	inferior;
V.	os	direitos	classificados	no	imobilizado,	pelo	custo	de	aquisição,	deduzido	do	saldo	da	respectiva	conta
de	depreciação,	amortização	ou	exaustão;
VI.	(revogado);
VII.	 os	 direitos	 classificados	 no	 intangível,	 pelo	 custo	 incorrido	 na	 aquisição,	 deduzido	 do	 saldo	 da
respectiva	conta	de	amortização;
VIII.	 os	 elementos	 do	 ativo	 decorrentes	 de	 operações	 de	 longo	 prazo	 serão	 ajustados	 a	 valor	 presente,
sendo	os	demais	ajustados	quando	houver	efeito	relevante.
Para	 efeito	 do	 disposto	 no	 art.	 183	 da	 Lei	 no	 6.404/1976,	 §1o,	 alterado	 pela	 Lei	 no
11.941/2009,	considera-se	valor	justo:
(a)	 das	matérias-primas	 e	 dos	 bens	 em	 almoxarifado,	 o	 preço	 pelo	 qual	 possam	 ser	 repostos,	mediante
compra	no	mercado;
(b)	dos	bens	ou	direitos	destinados	à	venda,	o	preço	 líquido	de	 realização	mediante	venda	no	mercado,
deduzidos	os	impostos	e	demais	despesas	necessárias	para	a	venda,	e	a	margem	de	lucro;
(c)	dos	investimentos,	o	valor	líquido	pelo	qual	possam	ser	alienados	a	terceiros;
(d)	 dos	 instrumentos	 financeiros,	 o	 valor	 que	 se	 pode	 obter	 em	 um	 mercado	 ativo,	 decorrente	 de
transações	não	compulsórias	realizadas	entre	partes	independentes;	e,	na	ausência	de	um	mercado	ativo
para	um	determinado	instrumento	financeiro:
1)	o	valor	que	se	pode	obter	em	um	mercado	ativo	com	a	negociação	de	outro	instrumento	financeiro	de
natureza,	prazo	e	risco	similares;
2)	o	valor	presente	líquido	dos	fluxos	de	caixa	futuros	para	instrumentos	financeiros	de	natureza,	prazo	e
risco	similares;	ou
3)	o	valor	obtido	por	meio	de	modelos	matemático-estatísticos	de	precificação	de	instrumentos	financeiros.
De	acordo	com	o	§2o	do	art.	183	da	Lei	no	6.404/1976,	a	diminuição	do	valor	dos	elementos
do	ativo	imobilizado	e	intangível	será	registrada	periodicamente	nas	contas	de:
(a)	 depreciação,	 quando	 corresponder	 à	 perda	 do	 valor	 dos	 direitos	 que	 têm	 por	 objeto	 bens	 físicos
sujeitos	a	desgaste	ou	perda	de	utilidade	por	uso,	ação	na	natureza	ou	obsolescência;
(b)	 amortização,	 quando	 corresponder	 à	 perda	 do	 valor	 do	 capital	 aplicado	 na	 aquisição	 de	 direitos	 da
propriedade	industrial	ou	comercial	e	quaisquer	outros	com	existência	ou	exercício	de	duração	limitada,
ou	cujo	objeto	sejam	bens	de	utilização	por	prazo	legal	ou	contratualmente	limitado;
(c)	exaustão,	quando	corresponder	à	perda	do	valor,	decorrente	da	sua	exploração,	de	direitos	cujo	objeto
sejam	recursos	minerais	ou	florestais,	ou	bens	aplicados	nessa	exploração.
Conforme	 pronunciamento	 CPC	 01	 (R1),	 periodicamente	 a	 entidade	 deverá	 efetuar	 uma
análise	sobre	a	recuperação	dos	valores	registrados	no	imobilizado	e	no	intangível,	a	fim	de	que
sejam:
registradas	as	perdas	de	valor	do	capital	aplicado	quando	houver	decisão	de	 interromper	os
empreendimentos	ou	atividade	a	que	se	destinavam	ou	quando	comprovado	que	não	poderão
produzir	resultados	suficientes	para	recuperação	desse	valor;
revisados	 e	 ajustados	 os	 critérios	 utilizados	 para	 determinação	 da	 vida	 útil	 econômica
estimada	e	para	cálculo	da	depreciação,	amortização	e	exaustão.
Os	estoques	de	mercadorias	fungíveis	destinadas	à	venda	poderão	ser	avaliados	pelo	valor	de
mercado,	quando	esse	for	o	costume	mercantil	aceito	pela	técnica	contábil.
Avaliação	do	passivo
Os	 elementos	 dos	 passivos	 serão	 avaliados	 conforme	 definido	 no	 art.	 184	 da	 Lei	 no
6.404/1976:
I.	as	obrigações,	encargos	e	riscos,	conhecidos	ou	calculáveis,	 inclusive	o	imposto	sobre	a	renda	a	pagar
com	base	no	resultado	do	exercício,	serão	comutados	pelo	valor	atualizado	até	a	data	do	balanço;
II.	as	obrigações	em	moeda	estrangeira,	com	cláusula	de	paridade	cambial,	serão	convertidas	em	moeda
nacional	à	taxa	de	câmbio	em	vigor	na	data	do	balanço;
III.	as	obrigações,	os	encargos	e	os	riscos	classificados	no	passivo	não	circulante	serão	ajustados	ao	seu
valor	presente,	sendo	os	demais	ajustados	quando	houver	efeito	relevante.
Procedimentos	necessários	para	elaboração	do	balanço	patrimonial
Após	 a	 verificação	 do	 saldo	 atual	 das	 contas	 patrimoniais	 e	 de	 resultado,	 faz-se	 a	 análise
detalhada	da	posição	individual	de	cada	elemento	e,	nada	mais	havendo	a	ser	feito,	apura-se	o
resultado,	 a	 fim	 de	 apresentar	 a	 demonstração	 do	 resultado	 e	 o	 balanço	 patrimonial
correspondente	ao	referido	período.
Apresentação	analítica	do	balanço	patrimonial
Conhecer	 a	 situação	 econômico-financeira	 é	 fundamental	 para	 a	 tomada	 de	 decisões	 a
respeito	de	determinada	entidade.	O	balanço	patrimonial	apresentado	a	seguir	é	uma	das	peças
necessárias	dentro	do	conjunto	do	produto	final	da	contabilidade.
Balanço	patrimonial
Ativo
Ativo	circulante
Disponibilidades
Caixa
Bancos	conta	movimento
Aplicações	de	liquidez	imediata
Créditos
Duplicatas	a	receber
(–)	Ajuste	a	valor	presente
(–)	Perda	estimada	em	créditos	de	liquidação	duvidosa
Outros	créditos
Títulos	a	receber
Aplicações	financeiras
Adiantamentos	a	empregados
Estoque
Matérias-primas
Produtos	em	processo	de	fabricação
Material	de	embalagem
Produtos	acabados
Mercadorias
Material	de	escritório
(–)	Provisão	para	ajuste	a	valor	de	mercado
Despesas	do	exercício	seguinte
Prêmios	de	seguros	a	apropriar
Juros	a	apropriar
Ativo	não	circulante
Realizável	a	longo	prazo
Créditos
Duplicatas	a	receber
Outros	créditos
Depósitos	judiciais
Depósitos	compulsórios
Valores	a	receber	de	pessoas	ligadas
Investimentos
Participações	permanentes	em	outras	sociedades
(–)	Provisões	estimadas
Propriedades	para	investimentos
Imóveis	de	renda
Imobilizado
Veículos
Móveis	e	utensílios
Prédios
(–)	Depreciação	acumulada
Intangível
Marcas	e	nomes	de	produtos
Fundos	de	comércio
Desenvolvimento	de	software
Goodwill
(–)	Amortização	acumulada
(–)	Perda	por	irrecuperabilidade
Total	do	ativo
Passivo
Passivo	circulante
Obrigações
Fornecedores
Duplicatas	descontadas
(–)	Encargos	financeiros	a	transcorrer
Salários	a	pagar
Impostos	a	recolher
Passivo	não	circulante
Exigível	a	longo	prazo
Obrigações
Empréstimos	a	pagar
Financiamentos	a	pagar
Debêntures	a	pagar
Impostos	a	recolher
Patrimônio	líquido
Capital	social
Capital	subscrito
(–)	Capital	a	subscrever
Reservas
Reservas	de	capital
Reservas	de	lucro
Ajustes	de	avaliação	patrimonial
(–)	Ações	em	tesouraria
(–)	Prejuízo	acumulado
Total	do	passivo	+	patrimônio	líquido
Apresentamos	a	formação	da	estrutura	patrimonial	de	uma	entidade,	seus	elementos	ativos,
passivos	 e	 patrimônio	 líquido,	 a	 lógica	 de	 enquadramentos	 e	 avaliação	 desses	 diversos
elementos.
Demonstração	do	resultado	do	exercício	(DRE)
Essa	 demonstração	 apresentará	 informações	 relativas	 a	 um	 determinado	 período	 de
apuração,	enquanto	no	balanço	patrimonial	a	informação	corresponde	ao	dia	da	apresentação.
Na	demonstração	do	resultado,	a	 informação	corresponde	ao	intervalo	de	tempo	entre	os	dois
balanços.	 Na	 DRE,	 encontraremos	 todos	 os	 elementos	 que	 se	 caracterizam	 como	 receitas	 e
despesas	 reconhecidas	 dentro	 do	 período.	 O	 confronto	 entre	 as	 receitas	 e	 as	 despesas
evidenciará	 o	 resultado	 da	 entidade	 no	 respectivo	 momento	 da	 apuração.	 O	 resultado,	 quer
dizer,	 o	 lucro	 ou	 o	 prejuízo	 do	 exercício	 será	 determinado	 pela	 diferença	 entre	 as	 receitas
reconhecidas	menos	as	despesas	incorridas.
O	quadro	12	apresenta	a	representação	simplificada	da	demonstração	de	resultado.
Quadro	12
REPRESENTAÇÃO	SIMPLIFICADA	DA	DEMONSTRAÇÃO	DO	RESULTADO
Demonstração	do	resultado
	 Receitas(–) Despesas
(=) Lucro	ou	prejuízo	do	exercício
Como	 disposto	 no	 art.	 187	 da	 Lei	 no	 6.404/1976,	 serão	 apresentados	 na	 demonstração	 do
resultado	do	exercício:
I.	a	receita	bruta	das	vendas	e	serviços,	as	deduções	das	vendas,	os	abatimentos	e	os	impostos;
II.	a	receita	líquida	das	vendas	e	serviços,	o	custo	das	mercadorias	e	dos	serviços	vendidos	e	o	lucro	bruto;
III.	 as	 despesas	 com	 vendas,	 as	 despesas	 financeiras,	 deduzidas	 das	 receitas,	 as	 despesas	 gerais	 e
administrativas	e	outras	despesas	operacionais;
IV.	o	lucro	ou	prejuízo	operacional,	as	outras	receitas	e	as	outras	despesas;
V.	o	resultado	do	exercício	antes	do	imposto	de	renda	e	a	provisão	para	imposto;
VI.	 as	 participações	 de	 debenturistas,	 empregados,	 administradores	 e	 partes	 beneficiárias,	 mesmo	 na
forma	 de	 instrumentos	 financeiros,	 e	 de	 instituições	 ou	 fundos	 de	 assistência	 ou	 previdência	 de
empregados,	que	não	se	caracterizem	como	despesa;
VII.	o	lucro	ou	prejuízo	líquido	do	exercício	e	o	seu	montante	por	ações	do	capital	social.
A	Lei	no	11.941/2009,	no	art.	187,	inciso	IV,	substituiu	a	expressão	“receitas	e	despesas	não
operacionais”	por	“outras	 receitas	e	despesas”,	 ficando,	dessa	 forma,	em	consonância	com	as
normas	internacionais;	eliminou-se	a	expressão	“não	operacional”.	Os	ganhos	ou	as	perdas	na
venda	de	ativos	não	circulantes	que	fazem	parte	do	investimento,	imobilizado	ou	intangível	irão
compor	outras	receitas	ou	outras	despesas.
É	importante	destacar	a	diferença	entre	o	reconhecimento	das	receitas	e	o	fluxo	de	caixa,	as
entradas	 de	 recursos	 provenientes	 das	 receitas	 geradas.	 O	 fato	 de	 haver	 receitas	 não	 se
caracteriza,	necessariamente,	como	fluxo	positivo	para	nosso	caixa,	visto	que	as	receitas	serão
reconhecidas	quando	da	sua	ocorrência	e	não	quando	do	recebimento	dos	recursos.	O	fato	de
haver	receita	não	significa	que	a	entidade	possua	liquidez,	sendo	necessário,	muitas	das	vezes,
buscar	fontes	de	financiamentos	para	atender	a	sua	demanda	de	recursos.	Equilibrar	as	receitas
com	 a	 demanda	 de	 fluxo	 positivo	 de	 caixa	 não	 é	 tarefa	 nada	 fácil.	 Requer	 uma	 política
extremamente	 racional	 de	 realização	 das	 vendas	 e	 respectivas	 cobranças,	 um	 esforço	 muito
grande	por	parte	dos	gestores.
A	 contabilização	 dos	 fatos	 é	 feita	 com	 base	 no	 regime	 de	 competência.	 As	 receitas	 serão
reconhecidas	quando	de	sua	ocorrência	e	não	quando	de	seu	recebimento,	assim	como	os	gastos
relacionados	a	essas	receitas	serão	reconhecidos	quando	de	sua	ocorrência	e	não	quando	de	seu
pagamento.	Pode-se	perceber	que	o	resultado	da	entidade	em	determinado	período	é	apurado
confrontando-se	as	receitas	e	os	ganhos	gerados,	independentemente	de	seu	recebimento,	com
as	despesas,	os	encargos	ou	as	perdas	incorridos,	independentemente	do	respectivo	pagamento.
O	 quadro	 13	 apresenta	 a	 representação	 analítica	 da	 demonstração	 do	 resultado	 com	 os
diversos	grupos	de	contas	integrantes	de	sua	estrutura.
Quadro	13
REPRESENTAÇÃO	ANALÍTICA	DA	DEMONSTRAÇÃO	DO	RESULTADO	(CLASSIFICADO	POR	FUNÇÃO)
Receita	operacional	líquida
(–)	Custo
(=)	Lucro	bruto
(–)	Despesas	operacionais
Despesas	administrativas	e	gerais
Despesas	comerciais
(+/–)	Outras	receitas	e	despesas	operacionais
(+/–)	Resultado	da	equivalência	patrimonial
Receitas	de	aluguéis
(+/–)	Resultado	financeiro
Despesas	financeiras
Receitas	financeiras
(=)	Resultado	operacional	líquido
(+)	Outras	receitas
(–)	Outras	despesas
(=)	Resultado	líquido	antes	da	contribuição	social	e	imposto	de	renda
(–)	Contribuição	social	sobre	o	lucro	líquido	e	imposto	de	renda
(=)	Resultado	do	exercício	depois	dos	impostos
(–)	Participações
(=)	Resultado	líquido	do	exercício
Ao	término	dessa	demonstração,	no	caso	das	sociedades	por	ações,	é	obrigatório	demonstrar
o	lucro	ou	prejuízo	por	ação	do	capital	social.
Vamos	 descrever	 a	 composição	 dos	 diversos	 grupos	 de	 contas	 integrantes	 dessa
demonstração:
receita	operacional	líquida;
custo;
lucro	bruto;
despesas	 operacionais	 –	 necessárias	 à	 estrutura	 de	 funcionamento	 da	 entidade,	 estão
associadas	às	atividades	principais	e	secundárias;
outras	receitas	e	despesas	operacionais;
resultado	financeiro;
resultado	operacional	líquido;
outras	receitas	ou	outras	despesas;
resultado	líquido	antes	da	contribuição	social	e	do	imposto	de	renda;
contribuição	social	sobre	o	lucro	e	imposto	de	renda	–	tributos;
participações	–	distribuição,	a	quem	de	direito,	da	parte	que	lhe	cabe	no	resultado	da	empresa;
resultado	 líquido	 do	 exercício	 –	 representa	 o	 lucro	 líquido	 da	 empresa	 proveniente	 daquele
período	de	apuração.
É	obrigatória	a	indicação	do	lucro	ou	do	prejuízo	por	ação,	por	força	do	disposto	no	art.	187,
inciso	VII,	da	Lei	no	6.404/1976.
Demonstração	do	resultado	abrangente	total
Resultado	 abrangente	 total	 é	 a	 mudança	 no	 patrimônio	 líquido,	 durante	 o	 período,	 que
resulta	de	transações	e	outros	eventos	que	não	os	derivados	de	transações	com	os	proprietários
na	sua	capacidade	de	proprietários.	A	seguir,	detalharemos	cada	elemento	que	o	compõe:
resultado	 do	 período	 –	 é	 o	 total	 das	 receitas	 deduzido	 das	 despesas,	 exceto	 os	 itens
reconhecidos	como	outros	resultados	abrangentes	no	patrimônio	líquido;
ajuste	de	reclassificação	–	é	o	valor	reclassificado	para	o	resultado	no	período	corrente	que	foi
inicialmente	 reconhecido	 como	 outros	 resultados	 abrangentes,	 no	 período	 corrente	 ou	 em
período	anterior;
o	resultado	abrangente	total	compreende	todos	os	componentes	da	demonstração	do	resultado
e	da	demonstração	dos	outros	resultados	abrangentes.
O	quadro	14	permite	visualizar	a	estrutura	da	demonstração	do	resultado	abrangente	total.
Quadro	14
ESTRUTURA	DA	DEMONSTRAÇÃO	DO	RESULTADO	ABRANGENTE	TOTAL
Resultado	líquido	do	exercício
Outros	resultados	abrangentes
(+/–)	Acréscimos/decréscimos	de	PL	que	não	transitaram	pelo	resultado	nem	vieram	de	sócios
(+/–)	Ajustes	de	avaliação	patrimonial
(=)	Resultado	abrangente	total	do	exercício
A	 linha	 outros	 resultados	 abrangentes	 compreende	 itens	 de	 receita	 e	 despesa	 (incluindo
ajustes	 de	 reclassificação)	 que	 não	 são	 reconhecidos	 na	 demonstração	 do	 resultado	 como
requerido	ou	permitido	pelos	pronunciamentos,	interpretações	e	orientações	emitidos	pelo	CPC.
Os	componentes	dos	outros	resultados	abrangentes	incluem:
variações	 na	 reserva	 de	 reavaliação	 quando	 permitidas	 legalmente	 (veja	 pronunciamentos
técnicos	CPC	27	–	Ativo	imobilizado	e	CPC	04	(R1)	–	Ativo	intangível);
ganhos	e	perdas	atuariais	em	planos	de	pensão	com	benefício	definido,	reconhecidos	conforme
item	93A	do	Pronunciamento	Técnico	CPC	33	–	Benefícios	a	empregados;
ganhos	e	perdas	derivados	de	conversão	de	demonstrações	contábeis	de	operações	no	exterior
(veja	 Pronunciamento	 Técnico	 CPC	 02	 (R2)	 –	 Efeitos	 das	 mudanças	 nas	 taxas	 de	 câmbio	 e
conversão	de	demonstrações	contábeis);
ajuste	 de	 avaliação	 patrimonial	 relativo	 aos	 ganhos	 e	 perdas	 na	 remensuração	 de	 ativos
financeiros	 disponíveis	 para	 venda	 (veja	 Pronunciamento	 Técnico	 CPC	 38	 –	 Instrumentos
financeiros:	reconhecimento	e	mensuração);
ajuste	de	avaliação	patrimonial	relativo	à	efetiva	parcela	de	ganhos	ou	perdas	de	instrumentos
de	hedge	em	hedge	de	fluxo	de	caixa	(ver	também	Pronunciamento	Técnico	CPC	38).
Apresentamos	 a	 formação	 e	 estrutura	 da	 demonstração	 do	 resultado	 da	 entidade	 e
demonstração	do	 resultado	 abrangente	 total,	 os	 tipos	de	 receitas,	 ganhos,	 custos,	 despesas	 e
perdas,	além	de	critérios	de	reconhecimento	das	receitas	e	despesas.
Demonstração	dos	fluxos	de	caixa
Essa	 demonstração	 substitui	 a	 demonstração	 das	 origens	 e	 aplicações	 de	 recursos.	 Sua
obrigatoriedade	 se	 deu	 pela	 Lei	 no	 11.638/2007,	 art.	 176,	 inciso	 IV,	 e	 as	 normas	 para	 sua
elaboração	foram	definidas	por	meio	do	Comitê	de	Pronunciamentos	Contábeis	(CPC	03).	O	art.
1o	 da	 Lei	 no	 11.638/2007	 altera	 o	 §6o	 do	 art.	 176	 da	 Lei	 no	 6.404/1976	 ao	 determinar	 que
companhiasfechadas	com	patrimônio	 líquido,	na	data	do	balanço,	 inferior	a	R$	2	milhões	não
serão	obrigadas	à	elaboração	e	publicação	dessa	demonstração.
Por	 meio	 da	 demonstração	 dos	 fluxos	 de	 caixa,	 teremos	 condição	 de	 identificar	 as
modificações	ocorridas	no	fluxo	de	disponibilidades	da	entidade	durante	determinado	período.	É
importante	lembrar	que	quando	nos	referimos	a	fluxo	de	caixa	não	estamos	falando	somente	da
conta	 caixa,	 mas	 também	 dos	 equivalentes	 de	 caixa,	 como:	 numerários	 em	 mãos,	 depósitos
bancários	disponíveis,	aplicações	de	curto	prazo	e	aplicações	de	alta	liquidez.
No	caso	da	demonstração	das	origens	e	aplicações	de	recursos,	o	objetivo	era	determinar	a
variação	no	capital	circulante	 líquido	de	certo	período.	A	demonstração	do	 fluxo	de	caixa	tem
por	objetivo	apresentar	os	fatos	que	acarretam	modificação	no	nível	de	disponibilidade,	que	é	a
base	para	avaliação	financeira	da	entidade	e	sua	capacidade	de	arcar	como	os	pagamentos	das
suas	obrigações.	Será	possível	identificar:
onde	a	entidade	conseguiu	captar	os	recursos;
quanto	dos	recursos	financeiros	foi	gerado	internamente;
como	foi	financiada	a	expansão	com	a	compra	de	ativos	imobilizados;
se	a	entidade	está	se	expandindo	em	ritmo	mais	acelerado	do	que	sua	geração	de	recursos;
se	a	política	de	distribuição	de	dividendos	está	em	equilíbrio	com	a	geração	operacional;
quais	os	movimentos	financeiros	com	os	acionistas	e	os	financiadores.
Por	meio	da	demonstração	do	resultado,	a	entidade	apura	seu	resultado	que,	por	sua	vez,	não
evidencia	 necessariamente	 o	 real	 fluxo	 de	 caixa	 operacional	 do	 período,	 uma	 vez	 que	 o
reconhecimento	 das	 receitas	 e	 das	 despesas	 é	 feito	 em	 consonância	 com	 o	 regime	 de
competência.
Sua	 elaboração	 poderá	 ser	 feita	 por	 meio	 do	 método	 direto	 ou	 indireto,	 sendo	 que	 a
diferenciação	ocorre	no	fluxo	de	caixa	operacional.
A	 entidade	 deve	 apresentar	 seus	 fluxos	 de	 caixa	 decorrentes	 das	 atividades	 operacionais,
investimentos	 e	 financiamento	 da	 forma	 que	 seja	 mais	 apropriada	 a	 seus	 negócios.	 A
classificação	 por	 atividade	 proporciona	 informações	 que	 permitem	 aos	 usuá​rios	 avaliar	 o
impacto	de	tais	atividades	sobre	a	posição	financeira	da	entidade	e	o	montante	de	seu	caixa	e
equivalentes	 de	 caixa.	 Essas	 informações	 podem	 também	 ser	 usadas	 para	 avaliar	 a	 relação
entre	essas	atividades.
Um	 único	 fato	 pode	 incluir	 fluxos	 de	 caixa	 classificados	 em	 tais	 atividades.	 Por	 exemplo,
quando	o	desembolso	de	caixa	para	pagamento	de	um	empréstimo	inclui	tanto	os	juros	quanto	o
principal,	 a	parte	dos	 juros	pode	 ser	 classificada	como	atividade	operacional,	mas	a	parte	do
principal	deve	ser	classificada	como	atividade	de	financiamento.
O	quadro	15	permite	visualizar	a	demonstração	dos	fluxos	de	caixa	em	que	os	recebimentos	e
pagamentos	são	registrados	nas	três	atividades	distintas.
Quadro	15
DEMONSTRAÇÃO	DOS	FLUXOS	DE	CAIXA
Atividades	operacionais
Os	fluxos	de	caixa	advindos	das	atividades	operacionais	são	basicamente	derivados	das	principais	atividades	geradoras	de	receita
da	entidade.	Portanto,	eles	geralmente	resultam	de	transações	e	de	outros	eventos	que	entram	na	apuração	do	lucro	líquido	ou
prejuízo.	Exemplos	de	fluxos	de	caixa	que	decorrem	das	atividades	operacionais	são:
recebimentos	de	caixa	pela	venda	de	mercadorias	e	pela	prestação	de	serviços;
recebimentos	de	caixa	decorrentes	de	royalties,	honorários,	comissões	e	outras	receitas;
pagamentos	de	caixa	a	fornecedores	de	mercadorias	e	serviços;
pagamentos	de	caixa	a	empregados	ou	por	conta	de	empregados;
recebimentos	e	pagamentos	de	caixa,	por	seguradora,	de	prêmios	e	sinistros,	anuidades	e	outros	benefícios	da	apólice;
pagamentos	ou	restituição	de	caixa	de	impostos	sobre	a	renda,	a	menos	que	possam	ser	especificamente	identificados	com
as	atividades	de	financiamento	ou	de	investimento;
recebimentos	e	pagamentos	de	caixa	de	contratos	mantidos	para	negociação	imediata	ou	disponíveis	para	venda	futura.
Atividades	de	investimentos
A	divulgação	em	separado	dos	fluxos	de	caixa	advindos	das	atividades	de	investimento	é	importante	em	função	de	tais	fluxos	de
caixa	representarem	a	extensão	em	que	os	dispêndios	de	recursos	são	feitos	pela	entidade	com	a	finalidade	de	gerar	lucros	e
fluxos	de	caixa	no	futuro.	Somente	desembolsos	que	resultam	em	ativo	reconhecido	nas	demonstrações	contábeis	são	passíveis	de
classificação	como	atividades	de	investimento.	Exemplos	de	fluxos	de	caixa	advindos	das	atividades	de	investimento	são:
pagamentos	em	caixa	para	aquisição	de	ativo	imobilizado,	intangíveis	e	outros	ativos	de	longo	prazo.	Esses	pagamentos
incluem	aqueles	relacionados	aos	custos	de	desenvolvimento	ativados	e	aos	ativos	imobilizados	de	construção	própria;
recebimentos	de	caixa	resultantes	da	venda	de	ativo	imobilizado,	intangíveis	e	outros	ativos	de	longo	prazo;
pagamentos	em	caixa	para	aquisição	de	instrumentos	patrimoniais	ou	instrumentos	de	dívida	de	outras	entidades	e
participações	societárias	em	joint	ventures	(exceto	aqueles	pagamentos	referentes	a	títulos	considerados	equivalentes	de
caixa	ou	aqueles	mantidos	para	negociação	imediata	ou	futura);
recebimentos	de	caixa	provenientes	da	venda	de	instrumentos	patrimoniais	ou	instrumentos	de	dívida	de	outras	entidades
e	participações	societárias	em	joint	ventures	(exceto	aqueles	recebimentos	referentes	aos	títulos	considerados	equivalentes
de	caixa	e	aqueles	mantidos	para	negociação	imediata	ou	futura);
adiantamentos	em	caixa	e	empréstimos	feitos	a	terceiros	(exceto	aqueles	adiantamentos	e	empréstimos	feitos	por
instituição	financeira);
recebimentos	de	caixa	pela	liquidação	de	adiantamentos	ou	amortização	de	empréstimos	concedidos	a	terceiros	(exceto
aqueles	adiantamentos	e	empréstimos	de	instituição	financeira);
pagamentos	em	caixa	por	contratos	futuros,	a	termo,	de	opção	e	swap,	exceto	quando	tais	contratos	forem	mantidos	para
negociação	imediata	ou	futura,	ou	os	pagamentos	forem	classificados	como	atividades	de	financiamento;	e
recebimentos	de	caixa	por	contratos	futuros,	a	termo,	de	opção	e	swap,	exceto	quando	tais	contratos	forem	mantidos	para
negociação	imediata	ou	venda	futura,	ou	os	recebimentos	forem	classificados	como	atividades	de	financiamento.
Atividades	de	financiamentos
A	divulgação	separada	dos	fluxos	de	caixa	advindos	das	atividades	de	financiamento	é	importante	por	ser	útil	na	predição	de
exigências	de	fluxos	de	caixa	futuros	por	parte	de	fornecedores	de	capital	à	entidade.	Exemplos	de	fluxos	de	caixa	advindos	das
atividades	de	financiamento	são:
caixa	recebido	pela	emissão	de	ações	ou	outros	instrumentos	patrimoniais;
pagamentos	em	caixa	a	investidores	para	adquirir	ou	resgatar	ações	da	entidade;
caixa	recebido	pela	emissão	de	debêntures,	empréstimos,	notas	promissórias,	outros	títulos	de	dívida,	hipotecas	e	outros
empréstimos	de	curto	e	longo	prazos;
amortização	de	empréstimos	e	financiamentos;
pagamentos	em	caixa	pelo	arrendatário	para	redução	do	passivo	relativo	a	arrendamento	mercantil	financeiro.
Fonte:	transcrito	de	CPC	03	(R2)	–	Demonstração	dos	fluxos	de	caixa,	itens	14,	16	e	17.
Há	dois	modelos	de	fluxo	de	caixa:	o	direto	e	o	indireto.
Método	indireto
Esse	 método	 tem	 uma	 grande	 capacidade	 informacional,	 permitindo	 visualizar	 a	 relação
entre	 o	 lucro	 e	 o	 caixa.	 Há,	 também,	 a	 possibilidade	 de	 identificar	 e	 analisar	 o	 efeito	 das
políticas	de	administração	do	capital	circulante	sobre	o	fluxo	de	caixa.
Nessa	 evidenciação,	 é	 efetuada	 uma	 forma	 de	 conciliação	 entre	 o	 resultado	 obtido	 na
demonstração	 do	 resultado	 e	 o	 caixa	 gerado	 pelas	 atividades	 operacionais.	 Tal	 informação	 é
muito	importante	para	o	entendimento	da	situação	da	empresa	e	para	efetuar	projeções.
O	quadro	16	apresenta	o	modelo	de	papel	de	trabalho	para	elaboração	do	fluxo	de	caixa.
Quadro	16
MODELO	DE	PAPEL	DE	TRABALHO	PARA	ELABORAÇÃO	DA	DEMONSTRAÇÃO	DO	FLUXO	DE	CAIXA
	 Variações	no	caixa
Contas Ano	anterior Ano	atual Origens Aplicações
Ativo 	 	 	 	
Ativocirculante 	 	 	 	
Disponível 	 	 	 	
Créditos 	 	 	 	
Mercadorias 	 	 	 	
Ativo	não	circulante 	 	 	 	
Investimentos 	 	 	 	
Participações	societárias 	 	 	 	
Total	ativo 	 	 	 	
Passivo 	 	 	 	
Passivo	circulante 	 	 	 	
Empréstimos	a	pagar 	 	 	 	
Contas	a	pagar 	 	 	 	
Passivo	não	circulante 	 	 	 	
Patrimônio	líquido 	 	 	 	
Capital 	 	 	 	
Reserva	de	lucro 	 	 	 	
Total	passivo	+	PL 	 	 	 	
Total	das	variações 	 	 	 	
O	quadro	17	permite	visualizar	o	modelo	analítico	da	demonstração	dos	fluxos	de	caixa	pelo
método	indireto.
Quadro	17
MODELO	ANALÍTICO	DA	DEMONSTRAÇÃO	DOS	FLUXOS	DE	CAIXA	PELO	MÉTODO	INDIRETO
Fluxo	de	caixa	das	atividades	operacionais
Lucro	líquido	do	exercício
Despesas	(receitas)	que	não	afetam	o	caixa:
Provisão	para	créditos	de	liquidação	duvidosa
Depreciação	e	amortização
Variações	monetárias	de	longo	prazo	líquidas
Equivalência	patrimonial
Variações	no	ativo	circulante
Créditos	de	clientes
Outros	créditos
Estoques
Pagamentos	antecipados
Variações	no	passivo	circulante
Fornecedores
Salários	a	pagar
Tributos	e	contribuições	sociais
Outras	contas	a	pagar
Caixa	líquido	gerado	pelas	atividades	operacionais
Fluxo	de	caixa	das	atividades	de	investimentos
Adições	em	investimentos
Aquisição	de	bens	do	ativo	imobilizado
Acréscimos	do	ativo	intangível
Venda	de	bens	do	ativo	imobilizado
Caixa	líquido	utilizado	nas	atividades	de	investimentos
Fluxo	de	caixa	das	atividades	de	financiamento
Aumento	do	capital
Obtenção	de	empréstimos	e	financiamentos
Pagamentos	de	financiamentos
Pagamento	de	dividendos
Caixa	líquido	gerado	pelas	atividades	de	financiamento
Variação	do	caixa	(aumento	ou	diminuição)
Saldo	atual
Saldo	anterior
Variação	do	caixa
Método	direto
Na	 elaboração	 do	 fluxo	 de	 caixa	 pelo	 método	 direto,	 faz-se	 uma	 descrição	 de	 entradas	 e
saídas	no	disponível	durante	o	exercício.	Vejamos	sua	estrutura	por	meio	do	quadro	18.
Quadro	18
MODELO	ANALÍTICO	DA	DEMONSTRAÇÃO	DOS	FLUXOS	DE	CAIXA	PELO	MÉTODO	DIRETO
Fluxos	das	atividades	operacionais
Recebimento	de	duplicatas
Recebimento	de	juros
Recebimento	de	aluguel
Pagamentos	a	fornecedores
Pagamentos	de	impostos,	taxas	e	contribuições
Pagamentos	de	despesas	operacionais
Fluxos	das	atividades	de	investimentos
Recebimento	do	principal	de	empréstimos	concedidos
Recebimento	do	resgate	de	investimentos	temporários
Recebimento	da	alienação	de	participações	societárias
Desembolso	de	empréstimos	e	financiamentos	concedidos
Pagamento	na	aquisição	à	vista	de	participações	societárias
Pagamento	na	aquisição	à	vista	de	imobilizados
Fluxos	das	atividades	de	financiamentos
Aporte	de	capital	em	espécie
Recebimento	de	empréstimos	obtidos
Recebimento	de	financiamentos	obtidos
Pagamento	do	principal	de	empréstimo	obtido
Pagamento	do	principal	de	financiamento	obtido
Variação	do	caixa	(aumento/diminuição)
Atual
Anterior
Variação	do	caixa
Apresentamos	a	estrutura	da	demonstração	dos	fluxos	de	caixa	e	os	respectivos	critérios	de
elaboração	e	avaliação	das	fontes	de	financiamentos	e	investimentos.
Demonstração	das	mutações	do	patrimônio	líquido
Por	meio	dessa	demonstração	teremos	condições	de	identificar	as	modificações	ocorridas	nos
elementos	que	compõem	o	patrimônio	líquido	da	entidade,	bem	como	os	fatos	que	as	causaram.
Os	diversos	tipos	de	operações	patrimoniais	podem	afetar	ou	não	o	patrimônio	líquido.	São
operações	que	afetam	o	total	do	patrimônio:
acréscimo	pelo	lucro	ou	redução	pelo	prejuízo	líquido	do	exercício;
redução	por	dividendo;
acréscimo	por	integralização	de	capital;
acréscimo	 pelo	 recebimento	 de	 valor	 que	 exceda	 o	 valor	 nominal	 das	 ações	 subscritas	 e
integralizadas	ou	o	preço	de	emissão	das	ações	sem	valor	nominal;
redução	por	ações	próprias	adquiridas	ou	acréscimo	por	sua	venda;
acréscimo	ou	redução	por	ajustes	de	exercícios	anteriores.
São	operações	que	não	afetam	o	total	do	patrimônio	líquido:
aumento	de	capital	com	utilização	de	lucros	e	reservas;
redução	do	 saldo	de	 lucros	acumulados	para	 formação	de	 reservas,	 tais	 como	 reserva	 legal,
reserva	estatutária,	reserva	para	contingência	e	outras;
reversão	de	reservas	de	lucros	para	a	conta	de	prejuízo	acumulado;
compensação	de	prejuízos	com	reservas	e	outros.
O	Comitê	de	Pronunciamentos	Contábeis	(CPC	26	(R1))	determina	que	a	entidade	apresente
na	demonstração	das	mutações	do	patrimônio	líquido:
(a)	 o	 resultado	 abrangente	 do	 período,	 apresentando	 separadamente	 o	 montante	 total	 atribuível	 aos
proprietários	 da	 entidade	 controladora	 e	 o	 montante	 correspondente	 à	 participação	 de	 não
controladores;
(b)	 para	 cada	 componente	 do	 patrimônio	 líquido,	 os	 efeitos	 das	 alterações	 nas	 políticas	 contábeis	 e	 as
correções	de	erros	reconhecidas	de	acordo	com	o	Pronunciamento	Técnico	CPC	23	–	Políticas	Contábeis,
Mudança	de	Estimativa	e	Retificação	de	Erro;
(c)	para	 cada	 componente	do	patrimônio	 líquido,	 a	 conciliação	do	 saldo	no	 início	 e	no	 final	 do	período,
demonstrando-se	separadamente	as	mutações	decorrentes:
I.	do	resultado	líquido;
II.	de	cada	item	dos	outros	resultados	abrangentes;
III.	 de	 transações	 com	 os	 proprietários	 realizadas	 na	 condição	 de	 proprietário,	 demonstrando
separadamente	 suas	 integralizações	 e	 as	 distribuições	 realizadas,	 bem	 como	 modificações	 nas
participações	em	controladas	que	não	implicaram	perda	do	controle	[CPC	26	(R1),	item	106].
O	 patrimônio	 líquido	 deve	 apresentar	 o	 capital	 social,	 as	 reservas	 de	 capital,	 os	 ajustes	 de	 avaliação
patrimonial,	 as	 reservas	 de	 lucros,	 as	 ações	 ou	 quotas	 em	 tesouraria,	 os	 prejuízos	 acumulados,	 se
legalmente	admitidos	os	 lucros	acumulados	e	as	demais	contas	exigidas	pelos	pronunciamentos	técnicos
emitidos	pelo	CPC	[CPC	26	(R1),	item	106B].
O	 quadro	 19	 permite	 visualizar	 o	 modelo	 da	 demonstração	 das	 mutações	 do	 patrimônio
líquido.
Quadro	19
DEMONSTRAÇÃO	DAS	MUTAÇÕES	DO	PATRIMÔNIO	LÍQUIDO
	 Capital	realizado Reservas Prejuízo	acumulado Total
Saldo	inicial 	 	 	 	
Eventos 	 	 	 	
... 	 	 	 	
... 	 	 	 	
Saldo	final 	 	 	 	
Apresentamos	a	estrutura	e	os	critérios	para	elaboração	da	demonstração	das	mutações	do
patrimônio	líquido.
Demonstração	do	valor	adicionado
Normalmente,	quando	investimos	buscamos	agregar	valor	à	nossa	estrutura	patrimonial,	ou
seja,	proporcionar	aumento	de	nossa	riqueza.	Como	é	do	conhecimento	da	grande	maioria	das
pessoas	que	a	estrutura	de	crescimento	dos	patrimônios	dependerá	de	sua	capacidade	de	gerar
individualmente	 riqueza	 em	 determinado	 período,	 temos	 que	 o	 valor	 adicionado	 ou	 valor
agregado	 será	 representado	 pela	 riqueza	 que	 cada	 patrimônio	 cria,	 e	 o	 somatório	 das
importâncias	agregadas	representa	a	soma	das	riquezas	criadas.
O	produto	 interno	bruto	é	 calculado	pelo	 somatório	dos	 valores	 agregados	que	os	 agentes
econômicos	 geram,	 estes	 representados	 pelas	 pessoas	 físicas,	 jurídicas	 com	 fins	 lucrativos,
entidades	 sem	 fins	 lucrativos,	 governo,	 associações,	 fundações	 e	 outros.	A	 soma	dos	diversos
valores	agregados	representará	a	riqueza	gerada	de	um	país.
A	demonstração	do	valor	adicionado	indicará	quanto	da	riqueza	gerada	caberá	a	cada	um	dos
agentes	que	contribuíram	para	sua	formação,	ou	seja,	quanto	caberá	aos	sócios	ou	acionistas,
aos	financiadores	(capital	de	terceiros)	e	aos	empregados,	bem	como	a	parte	que	pertence	ao
governo.
Do	 conjunto	 das	 demonstrações	 contábeis	 apresentadas	 não	 se	 pode	 inferir	 a	 parcela	 de
riqueza	 criada,	 já	 que	 as	 demonstrações	 financeiras	 evidenciam,	 para	 seus	 usuários,	 um
conjunto	de	informações	de	natureza	fundamentalmente	econômico-financeira.	A	demonstração
do	resultado	evidencia	as	 informações	no	contexto	de	 fluxo	de	receitas	e	despesas.	O	balanço
patrimonial,	assim	como	as	demais	demonstrações,	evidencia	as	fontes	de	financiamentos,	suas
alocações	 e	 o	 patrimônio.	Em	 síntese,	 segundo	Silvério	 das	Neves	 e	Paulo	Eduardo	Viceconti
(2001:72):
(a)	 a	 demonstração	 do	 resultado	 do	 exercício	 identifica	 apenas	 qual	 a	 parcela	 dariqueza	 criada	 que
efetivamente	 permanece	 na	 empresa	 na	 forma	 de	 lucro;	 logo,	 não	 identifica	 as	 demais	 gerações	 de
riquezas	(valores	adicionados	ou	agregados);
(b)	as	demais	demonstrações	financeiras	também	não	são	capazes	de	indicar	quanto	de	valor	(riqueza)	a
entidade	está	adicionando	ou	agregando	às	mercadorias	ou	insumos	que	adquire;
(c)	as	demonstrações	mencionadas	não	 identificam,	ainda,	quanto	e	de	que	 forma	 foram	distribuídos	os
valores	adicionados	ou	agregados	(ou	seja,	não	identificam	de	que	forma	foram	distribuídas	as	riquezas
criadas	pela	empresa).
A	 elaboração	 da	 demonstração	 do	 valor	 adicionado	 se	 fará	 com	 base	 no	 saldo	 das	 contas
fornecidas	pela	contabilidade	e	constantes	das	demonstrações	publicadas.	A	dificuldade	que	o
usuário	externo	tem	para	elaborar	a	demonstração	do	valor	adicionado	reside	no	fato	de	que	as
empresas	 não	 têm	 o	 hábito	 de	 apresentar	 a	 formação	 dos	 custos	 dos	 produtos	 ou	 serviços
vendidos	nem	dos	estoques,	assim	como	as	despesas.	Para	decompor	esses	custos	e	despesas	é
preciso	saber:
o	custo	da	matéria-prima;
o	custo	da	mão	de	obra;
o	custo	dos	gastos	gerais	de	fabricação;
a	origem	dos	elementos	que	estão	sendo	aplicados	no	processo	de	formação	dos	custos;
se	os	materiais	aplicados	foram	adquiridos	no	mercado	ou	gerados	internamente;
se	os	serviços	são	de	terceiros	ou	foram	obtidos	internamente;
os	elementos	que	compõem	as	despesas	de	vendas;
os	elementos	que	compõem	as	despesas	administrativas;
os	elementos	que	compõem	as	despesas	financeiras;
os	elementos	que	compõem	outras	despesas	operacionais.
Vale	 destacar	 que	 ao	 valor	 dos	 insumos	 adquiridos	 de	 terceiros	 utilizados	 no	 processo
produtivo	deve-se	somar	o	valor	do	imposto	sobre	circulação	de	mercadorias	e	serviços	(ICMS)
e	do	imposto	sobre	produtos	industrializados	(IPI),	excluído	na	elaboração	da	demonstração	do
resultado.	 O	 valor	 a	 ser	 destinado	 ao	 governo,	 representado	 pelos	 custos	 tributários,	 será	 a
diferença	entre	os	impostos	e	contribuições	incidentes	sobre	as	receitas	e	os	respectivos	valores
incidentes	 sobre	 os	 itens	 considerados	 “insumos	 adquiridos	 de	 terceiros”.	 Cumpre	 ainda
ressaltar	que	na	elaboração	da	DVA	deve	ser	utilizado	o	regime	de	competência	–	nesse	caso	os
impostos	incidentes	sobre	as	vendas	devem	ser	confrontados	com	os	impostos	incidentes	sobre
os	produtos	vendidos	e	não	sobre	as	compras.
O	quadro	20	permite	visualizar	o	conjunto	de	elementos	que	compõem	a	demonstração	do
valor	adicionado	da	empresa,	conforme	apresentado	pelo	Comitê	de	Pronunciamentos	Contábeis
(CPC	09).
Quadro	20
MODELO	DA	DEMONSTRAÇÃO	DO	VALOR	ADICIONADO
1	–	Receitas
1.1	–	Vendas	de	mercadorias,	produtos	e	serviços
1.2	–	Outras	receitas
1.3	–	Receitas	relativas	à	construção	de	ativos	próprios
1.4	–	Prov.	p/	créd.	liq.	duvidosa	–	reversão/(constituição)
2	–	Insumos	adquiridos	de	terceiros	(incluem	ICMS,	PIS,	Cofins	e	IPI)
2.1	–	Custos	dos	produtos,	mercadorias	e	serviços
2.2	–	Materiais,	energia,	serviços	de	terceiros	e	outros
2.3	–	Perdas/recuperação	de	valores	ativos
2.4	–	Outros	(especificar)
3	–	Valor	adicionado	bruto	(1	–	2)
4	–	Depreciação,	amortização	e	exaustão
5	–	Valor	adicionado	líquido	produzido	pela	entidade	(3	–	4)
6	–	Valor	adicionado	recebido	em	transferência
6.1	–	Resultado	da	equivalência	patrimonial
6.2	–	Receitas	financeiras
6.3	–	Outros
7	–	Valor	adicionado	total	a	distribuir	(5	+	6)
8	–	Distribuição	do	valor	adicionado
8.1	–	Pessoal
8.1.1	–	Remuneração	direta
8.1.2	–	Benefícios
8.1.3	–	FGTS
8.2	–	Impostos,	taxas	e	contribuições
8.2.1	–	Federais
8.2.2	–	Estaduais
8.2.3	–	Municipais
8.3	–	Remuneração	de	capitais	de	terceiros
8.3.1	–	Juros
8.3.2	–	Aluguéis
8.3.3	–	Outras
8.4	–	Remuneração	de	capitais	próprios
8.4.1	–	Juros	sobre	capital	próprio
8.4.2	–	Dividendos
8.4.3	–	Lucros	retidos/prejuízo	do	exercício
8.4.4	–	Participação	dos	não	controladores	nos	lucros	retidos
A	 demonstração	 do	 valor	 adicionado	 deverá	 apresentar,	 de	 maneira	 detalhada,	 a	 riqueza
criada	pela	entidade.
A	receita	corresponde	ao	faturamento	bruto	e	inclui	os	valores	dos	tributos	incidentes	sobre
essas	receitas,	ou	seja,	o	ICMS,	o	IPI,	o	Programa	de	Integração	Social	(PIS)	e	a	Contribuição
para	Fins	Sociais	(Cofins).	Na	demonstração	do	valor	adicionado,	o	IPI	será	computado	no	total
da	receita,	diferentemente	do	que	acontece	na	demonstração	do	resultado	do	exercício.
As	outras	receitas	são	representadas	pela	alienação	de	ativos	não	circulantes,	como	a	venda
de	 imobilizados,	 participações	 societárias	 e	 outras	 transações	 incluídas	 na	 demonstração	 do
resultado	 do	 exercício	 que	 não	 evidenciem	 transferência	 à	 companhia	 de	 riqueza	 criada	 por
outras	entidades.
As	 receitas	 relativas	 à	 construção	 de	 ativos	 próprios	 e	 os	 juros	 pagos	 ou	 creditados	 que
tenham	sido	 incorporados	aos	valores	dos	ativos	de	 longo	prazo,	diferentemente	dos	critérios
contábeis,	farão	parte	da	demonstração	do	valor	adicionado.
Os	materiais	e	serviços	apresentados	logo	abaixo	das	receitas	compreendem	os	gastos	com
terceiros,	 consumidos	 na	 formação	 do	 custo	 de	 produção	 das	 mercadorias	 vendidas	 ou	 dos
serviços	prestados	no	referido	período.	São	também	considerados	os	outros	materiais	e	serviços
que,	 nesse	 caso,	 estão	 representados	 pelas	 despesas	 administrativas	 e	 outras	 despesas	 com
vendas.
No	 modelo	 apresentado,	 trabalha-se	 com	 o	 conceito	 de	 valor	 adicionado	 líquido,	 pois
considera-se	a	depreciação	retenção	de	valor	adicionado	para	repor	capital	físico.
Ao	 valor	 adicionado	 recebido	 em	 transferência	 adicionaremos	 o	 resultado	 da	 equivalência
patrimonial	e	as	receitas	financeiras.
Apresentamos	 a	 estrutura	 e	 os	 critérios	 para	 elaboração	 da	 demonstração	 do	 valor
adicionado.
Notas	explicativas
As	 notas	 explicativas	 contêm	 informação	 adicional	 em	 relação	 à	 apresentada	 nas
demonstrações	contábeis.	Elas	oferecem	descrições	narrativas	ou	segregações	e	aberturas	de
itens	divulgados	nessas	demonstrações	e	informação	acerca	de	itens	que	não	se	enquadram	nos
critérios	de	reconhecimento	nas	demonstrações	contábeis.
De	acordo	com	a	Lei	no	11.941/2009	e	a	Lei	no	6.404/1976,	art.	176,	§5o,	as	notas	explicativas
devem:
I.	 apresentar	 informações	 sobre	 a	 base	 de	 preparação	 das	 demonstrações	 financeiras	 e	 das	 práticas
contábeis	específicas	selecionadas	e	aplicadas	para	negócios	e	eventos	significativos;
II.	 divulgar	 as	 informações	 exigidas	 pelas	 práticas	 contábeis	 adotadas	 no	 Brasil	 que	 não	 estejam
apresentadas	em	nenhuma	outra	parte	das	demonstrações	financeiras;
III.	fornecer	informações	adicionais	não	indicadas	nas	próprias	demonstrações	financeiras	e	consideradas
necessárias	para	uma	apresentação	adequada	[Lei	no	6.404/1976,	art.	176,	§5o].
O	rol	de	notas	explicativas	apresentadas,	que	não	elimina	a	necessidade	de	divulgar	outras
informações	relevantes	aqui	contempladas,	compreende:
ações	em	tesouraria;
ágio/deságio;
ajustes	de	exercícios	anteriores;
alteração	de	método	ou	critério	contábil;
ativo	contingente;
capacidade	ociosa;
capital	social;
capital	social	autorizado;
continuidade	normal	dos	negócios;
critérios	de	avaliação;
debêntures;
demonstração	em	moeda	de	capacidade	aquisitiva	constante;
demonstrações	condensadas;
demonstrações	contábeis	consolidadas;
destinações	constantes	em	acordo	de	acionistas;
dividendo	por	ação;
dividendos	propostos;
empreendimentos	em	fase	de	implantação;
equivalência	patrimonial;
estoques;
eventos	subsequentes;
fundo	imobiliário;
imposto	de	renda	e	contribuição	social;
incorporação,	fusão	e	cisão;
instrumentos	financeiros;
investimentos	societários	no	exterior;
juros	sobre	o	capital	próprio;
lucro	ou	prejuízo	por	ação;
obrigações	de	longo	prazo;
ônus,	garantias	e	responsabilidades	eventuais	e	contingentes;
opções	de	compra	de	ações;
plano	de	aposentadoria	e	pensão;
programa	de	desestatização;
provisão	para	créditos	de	liquidação	duvidosa;
Refis;
remuneração	dos	administradores;
reservas	–	detalhamento;reserva	de	lucros	a	realizar;
retenção	de	lucros;
seguros;
transações	com	partes	relacionadas;
variação	cambial;
vendas	ou	serviços	a	realizar;
voto	múltiplo.
Apresentamos	a	estrutura	e	os	critérios	para	elaboração	das	notas	explicativas.
Relatório	da	administração
Deverá	 ser	 publicado	 juntamente	 com	 as	 demonstrações	 contábeis	 do	 encerramento	 do
exercício	social,	fornecendo	dados	e	informações	complementares	para	que	os	usuários	possam
melhor	compreender	a	entidade	e,	assim,	tomar	suas	decisões	com	maior	fundamentação.
O	quadro	21	evidencia	o	modelo	do	relatório	da	administração.
Quadro	21
MODELO	DE	RELATÓRIO	DA	ADMINISTRAÇÃO
Senhoras	e	senhores	acionistas,
Apresentamos,	a	seguir,	relatório	das	principais	atividades	no	exercício	de	2t10,	juntamente	com	as	demonstrações	contábeis
elaboradas	em	conformidade	com	a	legislação	societária,	acrescidas	de	demonstrativos	complementares	e	anexos	que
consideramos	importantes	para	mostrar	o	desempenho	da	nova	companhia	para	a	sociedade,	parceiros	e	clientes.
[Poderemos	comentar	sobre:
cenário	econômico	no	qual	se	insere	a	atividade	empresarial;
indicadores	de	qualidade	e	produtividade;
desenvolvimento	tecnológico;
política	social;
política	ambiental;
eventos	subsequentes	e	expectativas	com	relação	ao	futuro;
planos	de	expansão;
desempenho	em	relação	aos	concorrentes,	responsabilidade	social	etc.;
dados	estatísticos	em	geral.]
Registramos	nossos	agradecimentos	aos	membros	do	Conselho	de	Administração	e	do	Conselho	Fiscal	pelo	apoio	prestado	ao
debate	e	encaminhamento	das	questões	de	mais	interesse	da	companhia.	Nosso	reconhecimento	à	dedicação	e	ao	empenho	do
quadro	funcional,	extensivamente	a	todos	os	demais	que,	direta	ou	indiretamente,	contribuíram	para	o	cumprimento	da	missão	da
companhia.
Apresentamos	a	estrutura	e	os	critérios	para	elaboração	do	relatório	da	diretoria.
Relatório	dos	auditores	independentes
O	 relatório	 dos	 auditores	 reflete	 seu	 entendimento	 acerca	 dos	 dados	 que	 examinaram,	 de
uma	 forma	 padrão	 e	 resumida,	 que	 dê	 aos	 leitores	 em	 geral	 uma	 noção	 dos	 trabalhos	 que
realizaram	e,	principalmente,	o	que	concluíram.
Trata-se	 de	 parecer,	 que	 independe	 dos	 diretores	 e	 funcionários	 da	 entidade,	 sobre	 as
demonstrações	contábeis.
A	seguir,	é	apresentado,	no	quadro	22,	um	modelo	de	parecer	dos	auditores	independentes.
Quadro	22
MODELO	DE	RELATÓRIO	DOS	AUDITORES	INDEPENDENTES
Ao	Conselho	de	Administração	e	acionistas	da	companhia,
1.	Examinamos	os	balanços	patrimoniais	da	companhia	levantados	em	31	de	dezembro	de	2011	e	2010,	apresentados	sob	os
títulos	da	legislação	societária	e	em	moeda	de	capacidade	aquisitiva	constante,	bem	como	as	respectivas	demonstrações	de
resultado,	das	mutações	do	patrimônio	líquido	e	da	demonstração	do	fluxo	de	caixa	correspondentes	aos	anos	findos	naquelas
datas,	elaborados	sob	a	responsabilidade	de	sua	administração.	Nossa	responsabilidade	é	expressar	uma	opinião	sobre	essas
demonstrações	contábeis.
2.	Nossos	exames	foram	conduzidos	de	acordo	com	as	normas	brasileiras	de	auditoria	e	compreenderam:	(a)	o	planejamento	dos
trabalhos,	considerando	a	relevância	dos	saldos,	o	volume	das	transações,	os	sistemas	contábeis	e	os	controles	internos	da
companhia;	(b)	a	constatação,	com	base	em	testes,	das	evidências	e	dos	registros	que	suportam	os	valores	e	as	informações
contábeis	divulgadas;	(c)	a	avaliação	das	práticas	e	das	estimativas	contábeis	mais	representativas	adotadas	pela	administração
da	companhia,	bem	como	das	demonstrações	contábeis	tomadas	em	conjunto.
3.	Em	nossa	opinião,	as	demonstrações	contábeis,	conformes	com	a	legislação	societária,	mencionadas	no	primeiro	parágrafo,
representam	adequadamente,	em	todos	os	aspectos	relevantes,	a	posição	patrimonial	e	financeira	da	companhia	em	31	de
dezembro	de	2011	e	2010,	o	resultado	de	suas	operações,	as	mutações	de	seu	patrimônio	líquido	e	as	modificações	no	fluxo	de
caixa	referentes	aos	anos	findos	naquelas	datas,	de	acordo	com	as	práticas	contábeis	emanadas	da	legislação	societária
brasileira.
4.	A	nosso	ver,	as	demonstrações	contábeis	em	moeda	de	capacidade	aquisitiva	constante,	mencionadas	no	primeiro	parágrafo,
refletem	adequadamente,	em	todos	os	aspectos	relevantes,	a	posição	patrimonial	e	financeira	da	companhia	nas	referidas
datas,	os	resultados	das	suas	operações,	as	mutações	do	seu	patrimônio	líquido	e	as	variações	no	fluxo	de	caixa,	e	estão	de
acordo	com	os	princípios	fundamentais	de	contabilidade	aplicados	no	Brasil.
5.	Essas	informações	foram	por	nós	examinadas	de	acordo	com	os	procedimentos	de	auditoria	mencionados	no	segundo	parágrafo
e,	em	nossa	opinião,	estão	adequadamente	apresentadas,	em	todos	os	aspectos	relevantes,	em	relação	às	demonstrações
contábeis	tomadas	em	conjunto.
Rio	de	Janeiro,
(Dados	dos	responsáveis	pela	auditoria)
Como	 você	 observou,	 este	 capítulo	 teve	 como	 objetivo	 demonstrar	 a	 importância	 das
demonstrações	contábeis	no	processo	de	gestão	das	empresas.	A	 interpretação	dos	 relatórios
que	as	compõem	é	de	vital	 importância	para	o	gestor,	que,	baseado	nas	 informações	obtidas,
poderá	 tomar	 decisões	 sobre	 a	 situação	 econômica	 e	 financeira	 da	 organização,	 política	 de
investimentos,	 captação	 de	 recursos,	 custeio	 dos	 produtos,	 distribuição	 dos	 resultados,	 bem
como	contribuir	significativamente	para	o	desenvolvimento	do	planejamento	orçamentário.
Apresentamos	 detalhadamente	 o	 que	 significa	 e	 quais	 os	 objetivos	 de	 cada	 relatório
componente	 das	 demonstrações	 contábeis,	 e	 que	 tipo	 de	 informações	 é	 possível	 obter	 dessas
ferramentas.	Demonstramos,	de	acordo	com	a	legislação	em	vigor	(Lei	no	11.638/2007	e	Lei	no
11.941/2009)	 e	 com	 os	 pronunciamentos	 do	 CPC,	 o	 balanço	 patrimonial,	 a	 demonstração	 de
resultado	do	exercício,	a	demonstração	dos	 fluxos	de	caixa,	a	demonstração	das	mutações	do
patrimônio	 líquido,	 a	 demonstração	 do	 valor	 adicionado	 e	 as	 notas	 explicativas.	 Além	desses,
evidenciamos	o	relatório	da	administração	e	o	modelo	do	relatório	dos	auditores	independentes.
A	partir	da	 leitura	deste	capítulo,	você	 terá	embasamento	suficiente	para	compreender	o	que
apresentaremos	nos	capítulos	seguintes,	ou	seja,	a	elaboração	das	demonstrações	contábeis,	o
patrimônio	líquido	e	sua	composição	e	os	critérios	de	análise	econômico-financeira.
3
Elaboração	das	demonstrações	contábeis	e	composição	do
patrimônio	líquido
Este	 capítulo	 abordará	 as	 técnicas	 para	 elaboração	 das	 demonstrações	 contábeis	 e	 a
composição	 do	 patrimônio	 líquido.	 Nosso	 objetivo	 é	 expor	 o	 conteúdo	 da	 contabilidade	 em
linguagem	 prática	 por	 meio	 da	 apresentação	 dos	 lançamentos	 contábeis	 em	 uma	 tabela
denominada	simulação	patrimonial.
Desenvolvemos	a	simulação	patrimonial	com	o	intuito	de	substituir	os	razonetes,	bem	como	a
linguagem	 do	 “débito”	 e	 “crédito”	 no	 registro	 das	 transações,	 objetivando	 facilitar	 a
aprendizagem	da	contabilidade	por	meio	da	soma	e/ou	diminuição	dos	recursos	de	cada	conta,
com	o	pensamento	focado	nas	fontes	e	aplicações	de	recursos.	Elaboramos	a	tabela	simulação
patrimonial	inspirados	no	modelo	desenvolvido	por	Szuster	et	al.	(2013:34),	tratado	como	matriz
de	 lançamentos,	 em	 que	 os	 autores	 enfatizam	 que	 “através	 da	 Matriz	 de	 Lançamentos
conseguimos	tornar	mais	imediato	o	raciocínio	realizado	nos	razonetes”.
A	 partir	 da	 tabela	 simulação	 patrimonial	 serão	 elaboradas	 as	 demonstrações	 contábeis
fundamentais:	 balanço	 patrimonial,	 demonstração	 de	 resultado,	 demonstração	 dos	 fluxos	 de
caixa	e	demonstração	das	mutações	do	patrimônio	líquido.
Critérios	de	elaboração	das	demonstrações	contábeis
Como	vimos	no	primeiro	capítulo,	a	contabilidade	é	a	ciência	que	tem	por	objetivo	registrar
as	transações	ocorridas	na	entidade	para	gerar	 informações	em	níveis	econômico	e	 financeiro
que	auxiliem	os	gestores	na	tomada	de	decisões.	Essas	informações	são	geradas	por	meio	das
demonstrações	 contábeis,	 que	 norteiam	 os	 usuários	 internos	 sobre	 osrumos	 que	 devem	 ser
trilhados	pela	organização,	e	os	usuários	externos	sobre	as	decisões	de	investimentos,	captação
de	 recursos,	 avaliação	da	 liquidez,	 grau	 de	 endividamento,	 lucratividade,	 rentabilidade,	 entre
outros.
Apresentaremos	 o	 processo	 de	 elaboração	 das	 demonstrações	 contábeis	 por	meio	 de	 dois
exemplos	hipotéticos,	o	da	empresa	comercial	BETA	e	o	da	empresa	industrial	GAMA.
Considerando	o	uso	da	tabela	simulação	patrimonial	para	o	registro	das	transações,	faremos
sua	 aplicação	 integral	 elaborando	 a	 demonstração	 de	 resultado,	 o	 balanço	 patrimonial,	 a
demonstração	 dos	 fluxos	 de	 caixa	 e	 a	 demonstração	 das	mutações	 do	 patrimônio	 líquido	 em
31/12/x5	da	empresa	comercial	BETA,	baseados	nos	seguintes	dados:
Saldos	do	balancete	de	verificação	da	empresa	BETA	em	30/11/x5:
BALANCETE	DE	VERIFICAÇÃO	–	EMPRESA	BETA
Contas Ativo 	 Contas Passivo	+	PL
Caixa 3.500 	 Fornecedores 1.000
Clientes 4.500 	 Empréstimos 2.500
Estoques 1.000 	 Capital 4.000
	 	 	 Lucros	acumulados 1.500
	 9.000 	 	 9.000
Informações	adicionais:
o	 estoque	 inicial	 de	mercadorias	 é	 composto	 de	 20	 unidades	 por	 $	 50,00	 cada.	 A	 empresa
adota	o	custo	médio	ponderado	móvel	para	avaliação	do	estoque;
distribuição	do	lucro	acumulado	no	encerramento	do	exercício,	da	seguinte	maneira:
Dividendos	provisionados 25%:
Reservas	de	lucros 75%:
Transações	realizadas	no	mês	de	dezembro/x5:
1.	compra	de	30	unidades	de	mercadoria	para	revenda	por	$	60	cada,	sendo	pagos	40%	à	vista	e
o	restante	em	90	dias;
2.	venda	de	40	unidades	do	estoque	disponível	por	$	80	cada,	sendo	80%	à	vista	e	20%	a	prazo;
3.	recebimento	de	50%	do	saldo	de	clientes;
4.	compra	de	20	unidades	de	mercadoria	para	revenda	por	$	65	cada,	com	pagamento	à	vista;
5.	pagamento	de	despesas	administrativas	no	valor	de	$	85;
6.	pagamento	dos	juros	sobre	empréstimos	referentes	a	0,6%	do	capital	financiado;
7.	 venda	 de	 25	 unidades	 do	 estoque	 disponível	 por	 $	 100	 cada,	 sendo	 90%	 à	 vista	 e	 10%	 a
prazo;
8.	pagamento	referente	a	gastos	com	propaganda	e	publicidade	no	valor	de	$	190;
9.	pagamento	de	50%	da	dívida	com	fornecedores;
10.	aplicação	de	80%	da	disponibilidade	financeira	em	fundos	de	investimentos;
11.	transferência	do	resultado	do	exercício	para	a	conta	lucros	acumulados.
Apresentação	dos	saldos	iniciais	da	simulação	patrimonial:
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros	acumulados Resultado
Saldos	em	30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
	 	 	 9.000 	 	 	 	 9.000
Registro	de	cada	transação	na	simulação	patrimonial:
1.	Compra	de	30	unidades	de	mercadoria	para	revenda	por	$	60	cada,	sendo	pagos	40%	à	vista
e	o	restante	em	90	dias:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	estoque;
aumento	de	obrigações	com	terceiros	no	passivo	–	conta	fornecedores;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros	acumulados Resultado
Saldos	em	30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
1.	Compra	mercad. –720 	 1.800 1.080 	 	 	 	
Saldo	final 2.780 4.500 2.800 2.080 2.500 4.000 1.500 0
	 	 	 10.080 	 	 	 	 10.080
2.	Venda	de	40	unidades	do	estoque	disponível	por	$	80	cada,	sendo	80%	à	vista	e	20%	a	prazo:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa;
aumento	de	direitos	no	ativo	–	conta	clientes;
aumento	de	receitas	no	resultado	–	conta	vendas;
aumento	de	despesas	no	resultado	–	conta	custo	das	mercadorias	vendidas;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	estoque.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros	acumulados Resultado
Saldos	em	30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
1.	Compra	mercadoria –720 	 1.800 1.080 	 	 	 	
2.	Venda	mercadoria 2.560 640 	 	 	 	 	 3.200
2.1.	Baixa	estoque 	 	 -2.240 	 	 	 	 –2.240
Saldo	final 5.340 5.140 560 2.080 2.500 4.000 1.500 960
	 	 	 11.040 	 	 	 	 11.040
3.	Recebimento	de	50%	do	saldo	de	clientes:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa;
diminuição	de	direitos	no	ativo	–	conta	clientes.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros	acumulados Resultado
Saldos	em	30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
1.	Compra	mercadoria –720 	 1.800 1.080 	 	 	 	
2.	Venda	mercadoria 2.560 640 	 	 	 	 	 3.200
2.1.	Baixa	estoque 	 	 –2.240 	 	 	 	 –2.240
3.	Recbto.	clientes 2.570 –2.570 	 	 	 	 	 	
Saldo	final 7.910 2.570 560 2.080 2.500 4.000 1.500 960
	 	 	 11.040 	 	 	 	 11.040
4.	Compra	de	20	unidades	de	mercadoria	para	revenda	por	$	65	cada,	com	pagamento	à	vista:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	estoque;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros	acumulados Resultado
Saldos	em	30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
1.	Compra	mercadoria –720 	 1.800 1.080 	 	 	 	
2.	Venda	mercadoria 2.560 640 	 	 	 	 	 3.200
2.1.	Baixa	estoque 	 	 –2.240 	 	 	 	 –2.240
3.	Recbto.	clientes 2.570 –2.570 	 	 	 	 	 	
4.	Compra	mercadoria –1.300 	 1.300 	 	 	 	 	
Saldo	final 6.610 2.570 1.860 2.080 2.500 4.000 1.500 960
	 	 	 11.040 	 	 	 	 11.040
5.	Pagamento	de	despesas	administrativas	no	valor	de	$	85:
aumento	de	despesas	no	resultado	–	conta	despesas	administrativas;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros	acumulados Resultado
Saldos	em	30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
1.	Compra	mercadoria –720 	 1.800 1.080 	 	 	 	
2.	Venda	mercadoria 2.560 640 	 	 	 	 	 3.200
2.1.	Baixa	estoque 	 	 –2.240 	 	 	 	 –2.240
3.	Recbto.	clientes 2.570 –2.570 	 	 	 	 	 	
4.	Compra	mercadoria -1.300 	 1.300 	 	 	 	 	
5.	Pgto.	desp.	adm. –85 	 	 	 	 	 	 –85
Saldo	final 6.525 2.570 1.860 2.080 2.500 4.000 1.500 875
	 	 	 10.955 	 	 	 	 10.955
6.	Pagamento	dos	juros	sobre	empréstimos	referentes	a	0,6%	do	capital	financiado:
aumento	de	despesas	no	resultado	–	conta	despesas	financeiras;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros	acumulados Resultado
Saldos	em	30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
1.	Compra	mercadoria –720 	 1.800 1.080 	 	 	 	
2.	Venda	mercadoria 2.560 640 	 	 	 	 	 3.200
2.1.	Baixa	estoque 	 	 –2.240 	 	 	 	 –2.240
3.	Recbto.	clientes 2.570 –2.570 	 	 	 	 	 	
4.	Compra	mercadoria –1.300 	 1.300 	 	 	 	 	
5.	Pgto.	desp.	adm. –85 	 	 	 	 	 	 –85
6.	Pgto.	desp.	fin. –15 	 	 	 	 	 	 –15
Saldo	final 6.510 2.570 1.860 2.080 2.500 4.000 1.500 860
	 	 	 10.940 	 	 	 	 10.940
7.	 Venda	 de	 25	 unidades	 do	 estoque	 disponível	 por	 $	 100	 cada,	 sendo	 90%	 à	 vista	 e	 10%	 a
prazo:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa;
aumento	de	direitos	no	ativo	–	conta	clientes;
aumento	de	receitas	no	resultado	–	conta	vendas;
aumento	de	despesas	no	resultado	–	conta	custo	das	mercadorias	vendidas;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	estoque.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros	acumulados Resultado
Saldos	em	30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
1.	Compra	mercadoria –720 	 1.800 1.080 	 	 	 	
2.	Venda	mercadoria 2.560 640 	 	 	 	 	 3.200
2.1.	Baixa	estoque 	 	 –2.240 	 	 	 	 –2.240
3.	Recbto.	clientes 2.570 –2.570 	 	 	 	 	 	
4.	Compra	mercadoria –1.300 	 1.300 	 	 	 	 	
5.	Pgto.	desp.	adm. –85 	 	 	 	 	 	 –85
6.	Pgto.	desp.	fin. –15 	 	 	 	 	 	 –15
7.	Venda	mercadoria 2.250 250 	 	 	 	 	 2.500
7.1.	Baixa	estoque 	 	 –1.550 	 	 	 	 –1.550
Saldo	final 8.760 2.820 310 2.080 2.500 4.000 1.500 1.810
	 	 	 11.890 	 	 	 	 11.890
8.	Pagamento	referente	a	gastos	com	propaganda	e	publicidade	no	valor	de	$	190:
aumento	de	despesas	no	resultado	–	conta	despesas	comerciais;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros	acumulados Resultado
Saldos	em	30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
1.	Compra	mercadoria–720 	 1.800 1.080 	 	 	 	
2.	Venda	mercad. 2.560 640 	 	 	 	 	 3.200
2.1.	Baixa	estoque 	 	 –2.240 	 	 	 	 –2.240
3.	Recbto.	clientes 2.570 –2.570 	 	 	 	 	 	
4.	Compra	mercadoria –1.300 	 1.300 	 	 	 	 	
5.	Pgto.	desp.	adm. –85 	 	 	 	 	 	 –85
6.	Pgto.	desp.	fin. –15 	 	 	 	 	 	 –15
7.	Venda	mercadoria 2.250 250 	 	 	 	 	 2.500
7.1.	Baixa	estoque 	 	 –1.550 	 	 	 	 –1.550
8.	Pgto.	desp.	com. –190 	 	 	 	 	 	 –190
Saldo	final 8.570 2.820 310 2.080 2.500 4.000 1.500 1.620
	 	 	 11.700 	 	 	 	 11.700
9.	Pagamento	de	50%	da	dívida	com	fornecedores:
diminuição	de	obrigações	com	terceiros	no	passivo	–	conta	fornecedores;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros	acumulados Resultado
Saldos	em	30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
1.	Compra	mercadoria –720 	 1.800 1.080 	 	 	 	
2.	Venda	mercadoria 2.560 640 	 	 	 	 	 3.200
2.1.	Baixa	estoque 	 	 –2.240 	 	 	 	 –2.240
3.	Recbto.	clientes 2.570 –2.570 	 	 	 	 	 	
4.	Compra	mercadoria –1.300 	 1.300 	 	 	 	 	
5.	Pgto.	desp.	adm. –85 	 	 	 	 	 	 –85
6.	Pgto.	desp.	fin. –15 	 	 	 	 	 	 –15
7.	Venda	mercadoria 2.250 250 	 	 	 	 	 2.500
7.1.	Baixa	estoque 	 	 –1.550 	 	 	 	 –1.550
8.	Pgto.	desp.	com. –190 	 	 	 	 	 	 –190
9.	Pgto.	fornecedores –1.040 	 	 –1.040 	 	 	 	
Saldo	final 7.530 2.820 310 1.040 2.500 4.000 1.500 1.620
	 	 	 10.660 	 	 	 	 10.660
10.	Aplicação	de	80%	da	disponibilidade	financeira	em	fundos	de	investimentos:
aumento	de	direitos	no	ativo	–	conta	fundos	de	investimentos;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fundos Fornec. Emprést. Capital Lucros	acumulados Resultado
Saldos	em	30/11/x5 3.500 4.500 1.000 	 1.000 2.500 4.000 1.500 0
1.	Compra	mercad. –720 	 1.800 	 1.080 	 	 	 	
2.	Venda	mercad. 2.560 640 	 	 	 	 	 	 3.200
2.1.	Baixa	estoque 	 	 –2.240 	 	 	 	 	 –2.240
3.	Recbto.	clientes 2.570 –2.570 	 	 	 	 	 	 	
4.	Compra	mercad. –1.300 	 1.300 	 	 	 	 	 	
5.	Pgto.	desp.	adm. –85 	 	 	 	 	 	 	 –85
6.	Pgto.	desp.	fin. –15 	 	 	 	 	 	 	 –15
7.	Venda	mercad. 2.250 250 	 	 	 	 	 	 2.500
7.1.	Baixa	estoque 	 	 –1.550 	 	 	 	 	 –1.550
8.	Pgto.	desp.	com. –190 	 	 	 	 	 	 	 –190
9.	Pgto.	forneced. –1.040 	 	 	 –1.040 	 	 	 	
10.	Aplic.	fundos –6.024 	 	 6.024 	 	 	 	 	
Saldo	final 1.506 2.820 310 6.024 1.040 2.500 4.000 1.500 1.620
	 	 	 	 10.660 	 	 	 	 10.660
11.	Transferência	do	resultado	do	exercício	para	a	conta	lucros	acumulados:
aumento	de	patrimônio	líquido	–	conta	lucros	acumulados;
diminuição	no	resultado	–	lucro	líquido.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fundos Fornec. Emprést. Capital Lucros	acumulados Resultado
Saldos	em	30/11/x5 3.500 4.500 1.000 	 1.000 2.500 4.000 1.500 0
1.	Compra	mercad. –720 	 1.800 	 1.080 	 	 	 	
2.	Venda	mercad. 2.560 640 	 	 	 	 	 	 2.200
2.1.	Baixa	estoque 	 	 –2.240 	 	 	 	 	 –2.240
3.	Recbto.	clientes 2.570 –2.570 	 	 	 	 	 	 	
4.	Compra	mercad. –1.300 	 1.300 	 	 	 	 	 	
5.	Pgto.	desp.	adm. –85 	 	 	 	 	 	 	 –85
6.	Pgto.	desp.	fin. –15 	 	 	 	 	 	 	 –15
7.	Venda	mercad. 2.250 250 	 	 	 	 	 	 2.500
7.1.	Baixa	estoque 	 	 –1.550 	 	 	 	 	 –1.550
8.	Pgto.	desp.	com. –190 	 	 	 	 	 	 	 –190
9.	Pgto.	forneced. –1.040 	 	 	 –1.040 	 	 	 	
10.	Aplic.	fundos –6.024 	 	 6.024 	 	 	 	 	
11.	Transf.	lucro 	 	 	 	 	 	 	 1.620 –1.620
Saldo	final 1.506 2.820 310 6.024 1.040 2.500 4.000 3.120 0
	 	 	 	 10.660 	 	 	 	 10.660
Após	 todos	 os	 lançamentos	 efetuados	 na	 simulação	 patrimonial,	 imediatamente	 podemos
constatar	o	somatório	dos	saldos	das	contas	do	ativo	igual	ao	somatório	dos	saldos	das	contas
do	passivo	e	patrimônio	líquido.
O	 próximo	 passo	 na	 sequência	 dos	 registros	 das	 transações	 efetuados	 na	 simulação
patrimonial	 é	 a	 elaboração	 das	 demonstrações	 contábeis.	 Iniciaremos	 pela	 elaboração	 da
demonstração	dos	fluxos	de	caixa,	relatório	que	demonstra	os	fatos	que	geraram	mutações	no
disponível	da	entidade	durante	o	exercício.
Para	 elaboração	 desse	 relatório,	 tomaremos	 como	 base	 a	 primeira	 coluna	 da	 simulação
patrimonial,	que	demonstra	a	movimentação	da	conta	caixa.
Apresentaremos	 a	 demonstração	 dos	 fluxos	 de	 caixa	 pelo	 método	 direto,	 atendendo	 às
determinações	do	CPC	03,	que,	em	seu	sumário,	item	13,	apresenta	a	seguinte	posição:
As	 entidades	 são	 encorajadas	 a	 divulgar	 os	 Fluxos	 de	 Caixa	 decorrentes	 das	 atividades	 operacionais
usando	o	método	direto,	o	qual	proporciona	informações	que	podem	ser	úteis	para	estimar	fluxos	de	caixa
e	que	não	estão	disponíveis	para	o	uso	do	método	indireto.
A	seguir,	apresentamos	a	demonstração	dos	fluxos	de	caixa	da	empresa	BETA.
Demonstração	dos	fluxos	de	caixa	(método	direto)	–	empresa	BETA
Itens $
Fluxo	de	caixa	das	atividades	operacionais 4.030
Compra	de	mercadorias –3.060
Vendas	de	mercadorias 7.380
Pagamento	de	despesas	administrativas –85
Pagamento	de	despesas	financeiras –15
Pagamento	de	despesas	comerciais –190
Fluxo	de	caixa	das	atividades	de	investimentos –6.024
Aplicação	em	fundos	de	investimentos –6.024
Fluxo	de	caixa	das	atividades	de	financiamentos 0
Variação	do	saldo	de	caixa –1.994
Saldo	inicial	dos	fluxos	de	caixa 3.500
Saldo	final	dos	fluxos	de	caixa 1.506
Uma	vez	apresentada	a	demonstração	dos	 fluxos	de	 caixa,	daremos	 início	 à	 elaboração	da
demonstração	de	resultado,	que	evidencia	a	situação	econômica	da	entidade.	Tomaremos	como
base	os	dados	apresentados	na	coluna	de	resultado	da	simulação	patrimonial.
A	seguir,	apresentamos	a	demonstração	de	resultado	da	empresa	BETA:
Demonstração	de	resultado	–	empresa	BETA
	 $
Receita	bruta 5.700
(–)	Impostos	sobre	vendas –
(–)	Abatimentos	comerciais –
(–)	Devoluções	de	vendas –
Receita	líquida 5.700
(–)	Custo	das	mercadorias	vendidas –3.790
(=)	Lucro	bruto 1.910
(–)	Despesas	operacionais –275
Com	vendas –190
Administrativas –85
Outras	receitas	e	despesas –
(=)	Resultado	antes	das	receitas/despesas	financeiras 1.635
Receitas	financeiras –
Despesas	financeiras –15
(=)	Lucro	antes	do	IR	e	CSLL 1.620
(–)	IR	e	CSLL –
(=)	Lucro	líquido	do	exercício 1.620
Elaboraremos	 na	 sequência,	 baseados	 nas	 informações	 apresentadas	 na	 simulação
patrimonial,	o	balanço	patrimonial,	que	evidencia	informações	referentes	à	situação	patrimonial
e	 financeira	 da	 entidade.	 Por	 meio	 do	 balanço	 patrimonial	 temos	 condições	 de	 avaliar	 se	 a
entidade	 tem	 maior	 dependência	 de	 recursos	 próprios	 ou	 recursos	 de	 terceiros	 no
financiamento	do	ativo,	além	de	verificar	em	que	grupo	do	ativo	a	empresa	efetua	as	maiores
aplicações	–	se	em	capital	de	giro	ou	ativo	não	circulante.
Os	lucros	acumulados,	conforme	relatado	nos	dados	da	empresa	BETA,	serão	distribuídos	em
dividendos,	reserva	legal	e	reservas	para	investimentos,	da	seguinte	forma:
Lucros	acumulados: $	3.120
Dividendos	provisionados	(25%) $	780
Reservas	de	lucros	(75%) $	2.340
Assim	sendo,	o	balanço	patrimonial	é	apresentado	a	seguir:
Balanço	patrimonial	–	empresa	BETA
Ativo Passivo	+PL
Ativo	circulante 10.660 Passivo	circulante 4.320
Caixa 1.506 Fornecedores 1.040
Aplic.	fin.	(Fundos) 6.024 Empréstimos 2.500
Clientes 2.820 Dividendos	a	pagar 780
Estoque 310 	 	
Ativo	não	circulante 0 PL 6.340
	 	 Capital	social 4.000
	 	 Reservas	de	lucros 2.340
Total	do	ativo 10.660 Total	do	passivo	+	PL 10.660
Para	finalizar,	elaboraremos	a	demonstração	das	mutações	do	patrimônio	líquido.
Conforme	 informado,	 os	 lucros	 acumulados	 do	 período	 foram	 distribuídos	 na	 forma	 de
dividendos	e	reinvestidos	por	meio	da	constituição	de	reservas	de	lucros,	conforme	apresentado
a	seguir:
Lucros	acumulados: $	3.120
Dividendos	(25%) $	780
Reservas	de	lucros	(75%) $	2.340
Apresentamos	a	demonstração	das	mutações	do	patrimônio	líquido	da	empresa	BETA:
Demonstração	das	mutações	do	patrimônio	líquido	–	empresa	BETA
Itens Capital	social Reservas	de	lucros Lucros	acumulados Total
Saldo	inicial 4.000 	 1.500 5.500
Lucro	líquido 	 	 1.620 1.620
Reservas	de	lucros 	 2.340 –2.340 0
Dividendos	a	distribuir–780 –780
Saldo	final 4.000 2.340 0 6.340
Apresentaremos,	a	seguir,	outro	exemplo,	baseado	numa	empresa	com	atividade	industrial,	a
fim	de	demonstrar	a	elaboração	das	demonstrações	 contábeis	 fundamentadas	no	 registro	das
transações	efetuadas	na	simulação	patrimonial.
As	transações	apresentadas	referem-se	à	empresa	hipotética	GAMA,	de	atividade	industrial:
1.	constituição	da	empresa	GAMA	com	integralização	do	capital,	no	montante	de	$	10.000,	em
dinheiro;
2.	captação	de	empréstimo	bancário,	no	montante	de	$	5.000;
3.	 aquisição	 de	máquinas	 para	 serem	 utilizadas	 na	 fabricação	 do	 produto,	 no	montante	 de	 $
4.500,	à	vista;
4.	aquisição	de	matéria-prima	para	fabricação	do	produto,	no	montante	de	$	3.000,	a	prazo;
5.	transferência	de	80%	da	matéria-prima	disponível	para	fabricação	do	produto;
6.	pagamento	de	mão	de	obra	direta	agregada	na	fabricação	do	produto,	no	valor	de	$	2.000;
7.	pagamento	de	gastos	gerais	de	fabricação,	no	valor	de	$	1.600,	referente	a	seguro	da	fábrica,
manutenção	das	máquinas	e	aluguel	do	galpão	da	fábrica;
8.	produção	encerrada	no	período	correspondente	a	70%	dos	produtos	em	elaboração;
9.	venda	à	vista	de	60%	dos	produtos	acabados,	por	$	5.000;
10.	pagamento	de	propaganda	e	publicidade,	no	montante	de	$	1.000;
11.	pagamento	de	juros	sobre	empréstimos	correspondente	a	5%	do	montante	captado;
12.	venda	do	estoque	remanescente	dos	produtos	acabados	por	$	4.000,	a	prazo;
13.	pagamento	de	despesas	administrativas,	no	montante	de	$	1.000;
14.	pagamento	de	40%	da	dívida	com	os	fornecedores;
15.	recebimento	de	clientes	correspondente	a	70%	do	saldo	de	contas	a	receber;
16.	aplicação	de	80%	da	disponibilidade	financeira	em	fundos	de	investimentos.
Informações	adicionais:
IR	e	CSLL	incidentes	sobre	o	lucro	de	30%;
distribuição	do	lucro	da	seguinte	forma:
Dividendos	provisionados 25%
Reserva	legal 5%
Reserva	estatutária 15%
Reserva	para	investimentos 55%
Registro	das	transações	na	simulação	patrimonial:
1.	Constituição	da	empresa	GAMA	com	integralização	do	capital,	no	montante	de	$	10.000:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa;
aumento	de	obrigações	com	acionistas	no	PL	–	conta	capital	social.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa 	 	 	 	 	 	 Capital 	 	 	
1.	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
Total 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
	 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	 10.000
2.	Captação	de	empréstimo	bancário,	no	montante	de	$	5.000:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa;
aumento	de	obrigações	com	terceiros	no	passivo	–	conta	empréstimos.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa 	 	 	 	 	 	 Capital Emprést. 	 	
1.	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
2.	Captação	emprést. 5.000 	 	 	 	 	 	 	 5.000 	 	
Total 15.000 	 	 	 	 	 	 10.000 5.000 	 	
	 	 	 	 	 	 	 15.000 	 	 	 15.000
3.	 Aquisição	 de	máquinas	 para	 serem	 utilizadas	 na	 fabricação	 do	 produto	 no	montante	 de	 $
4.500,	à	vista:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	máquinas	e	equipamentos;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Máq.
equip.
	 	 	 	 	 Capital Emprést. 	 	
1.	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
2.	Captação	emprést. 5.000 	 	 	 	 	 	 	 5.000 	 	
3.	Aquisição	máquinas –4.500 4.500 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Total 10.500 4.500 	 	 	 	 	 10.000 5.000 	 	
	 	 	 	 	 	 	 15.000 	 	 	 15.000
4.	Aquisição	de	matéria-prima	para	fabricação	do	produto,	no	montante	de	$	3.000,	a	prazo:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	estoque	de	matéria-prima;
aumento	de	obrigações	com	terceiros	no	passivo	–	conta	fornecedores.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Máq.
equip.
EMP 	 	 	 	 Capital Emprést. Fornec. 	
1	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
2.	Captação	emprést. 5.000 	 	 	 	 	 	 	 5.000 	 	
3.	Aquisição	máquinas –4.500 4.500 	 	 	 	 	 	 	 	 	
4.	Aquisição	mat.-prima 	 	 3.000 	 	 	 	 	 	 3.000 	
Total 10.500 4.500 3.000 	 	 	 	 10.000 5.000 3.000 	
	 	 	 	 	 	 	 18.000 	 	 	 18.000
5.	Transferência	de	80%	da	matéria-prima	disponível	para	fabricação	do	produto:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	estoque	de	produto	em	processo;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	estoque	de	matéria-	-prima.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Máq.
equip.
EMP EPP 	 	 	 Capital Emprést. Fornec. 	
1.	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
2.	Captação	emprést. 5.000 	 	 	 	 	 	 	 5.000 	 	
3.	Aquisição	máquinas –4.500 4.500 	 	 	 	 	 	 	 	 	
4.	Aquisição	mat.-prima 	 	 3.000 	 	 	 	 	 	 3.000 	
5.	Transf.	mat.-prima 	 	 –2.400 2.400 	 	 	 	 	 	 	
Total 10.500 4.500 600 2.400 	 	 	 10.000 5.000 3.000 	
	 	 	 	 	 	 	 18.000 	 	 	 18.000
6.	Pagamento	de	mão	de	obra	direta	agregada	na	fabricação	do	produto,	no	valor	de	$	2.000:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	estoque	de	produto	em	processo;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Máq.
equip.
EMP EPP 	 	 	 Capital Emprést. Fornec. 	
1.	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
2.	Captação	emprést. 5.000 	 	 	 	 	 	 	 5.000 	 	
3.	Aquisição	máquinas –4.500 4.500 	 	 	 	 	 	 	 	 	
4.	Aquisição	mat.-prima 	 	 3.000 	 	 	 	 	 	 3.000 	
5.	Transf.	mat.-prima 	 	 –2.400 2.400 	 	 	 	 	 	 	
6.	Pgto.	mão	de	obra –2.000 	 	 2.000 	 	 	 	 	 	 	
Total 8.500 4.500 600 4.400 	 	 	 10.000 5.000 3.000 	
	 	 	 	 	 	 	 18.000 	 	 	 18.000
7.	Pagamento	de	gastos	gerais	de	fabricação,	no	valor	de	$	1.600,	referente	a	seguro	da	fábrica,
manutenção	das	máquinas	e	aluguel	do	galpão	da	fábrica:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	estoque	de	produto	em	processo;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Máq.
equip.
EMP EPP 	 	 	 Capital Emprést. Fornec. 	
1.	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
2.	Captação	emprést. 5.000 	 	 	 	 	 	 	 5.000 	 	
3.	Aquisição	máquinas –4.500 4.500 	 	 	 	 	 	 	 	 	
4.	Aquisição	mat.-prima 	 	 3.000 	 	 	 	 	 	 3.000 	
5.	Transf.	mat.-prima 	 	 –2.400 2.400 	 	 	 	 	 	 	
6.	Pgto.	mão	de	obra –2.000 	 	 2.000 	 	 	 	 	 	 	
7.	Pgto.	gastos	gerais –1.600 	 	 1.600 	 	 	 	 	 	 	
Total 6.900 4.500 600 6.000 	 	 	 10.000 5.000 3.000 	
	 	 	 	 	 	 	 18.000 	 	 	 18.000
8.	Produção	encerrada	no	período	correspondente	a	70%	dos	produtos	em	elaboração:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	estoque	de	produto	acabado;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	estoque	de	produto	em	processo.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Máq.
equip.
EMP EPP EPA 	 	 Capital Emprést. Fornec. 	
1.	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
2.	Captação	emprést. 5.000 	 	 	 	 	 	 	 5.000 	 	
3.	Aquisição	máquinas –4.500 4.500 	 	 	 	 	 	 	 	 	
4.	Aquisição	mat.-prima 	 	 3.000 	 	 	 	 	 	 3.000 	
5.	Transf.	mat.-prima 	 	 –2.400 2.400 	 	 	 	 	 	 	
6.	Pgto.	mão	de	obra –2.000 	 	 2.000 	 	 	 	 	 	 	
7.	Pgto.	gastos	gerais –1.600 	 	 1.600 	 	 	 	 	 	 	
8.	Transf.	prod.	acabado 	 	 	 –4.200 4.200 	 	 	 	 	 	
Total 6.900 4.500 600 1.800 4.200 	 	 10.000 5.000 3.000 	
	 	 	 	 	 	 	 18.000 	 	 	 18.000
9.	Venda	à	vista	de	60%	dos	produtos	acabados,	por	$	5.000:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa;
aumento	de	receitas	no	resultado	–	conta	vendas;
aumento	de	despesas	no	resultado	–	conta	custo	das	mercadorias	vendidas;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	estoque	de	produtos	acabados.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Máq.
equip.
EMP EPP EPA 	 	 Capital Emprést. Fornec. 	
1.	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
2.	Captação	emprést. 5.000 	 	 	 	 	 	 	 5.000 	 	
3.	Aquisição	máquinas –4.500 4.500 	 	 	 	 	 	 	 	 	
4.	Aquisição	mat.-prima 	 	 3.000 	 	 	 	 	 	 3.000 	
5.	Transf.	mat.-prima 	 	 –2.400 2.400 	 	 	 	 	 	 	
6.	Pgto.	mão	de	obra –2.000 	 	 2.000 	 	 	 	 	 	 	
7.	Pgto.	gastos	gerais –1.600 	 	 1.600 	 	 	 	 	 	 	
8.	Transf.	prod.	acabado 	 	 	 –4.200 4.200 	 	 	 	 	 	
9.	Venda	mercadorias 5.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 5.000
9.1.	Baixa	do	estoque 	 	 	 	 –2.520 	 	 	 	 	 –2.520
Total 11.900 4.500 600 1.800 1.680 	 	 10.000 5.000 3.000 2.480
	 	 	 	 	 	 	 20.480 	 	 	 20.480
10.	Pagamento	de	propaganda	e	publicidade	no	montante	de	$	1.000:
aumento	de	despesas	no	resultado	–	conta	despesas	comerciais;diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Máq. EMP EPP EPA 	 	 Capital Emprést. Fornec. Resultado
equip.
1.	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
2.	Captação	emprést. 5.000 	 	 	 	 	 	 	 5.000 	 	
3.	Aquisição	máquinas –4.500 4.500 	 	 	 	 	 	 	 	 	
4.	Aquisição	mat.-prima 	 	 3.000 	 	 	 	 	 	 3.000 	
5.Transf.	mat.-prima 	 	 –2.400 2.400 	 	 	 	 	 	 	
6.	Pgto.	mão	de	obra –2.000 	 	 2.000 	 	 	 	 	 	 	
7.	Pgto.	gastos	gerais –1.600 	 	 1.600 	 	 	 	 	 	 	
8.	Transf.	prod.	acabado 	 	 	 –4.200 4.200 	 	 	 	 	 	
9.	Venda	mercadorias 5.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 5.000
9.1.	Baixa	do	estoque 	 	 	 	 –2.520 	 	 	 	 	 –2.520
10.	Pgto.	prop.	publ. –1.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –1.000
Total 10.900 4.500 600 1.800 1.680 	 	 10.000 5.000 3.000 1.480
	 	 	 	 	 	 	 19.480 	 	 	 19.480
11.	Pagamento	de	juros	sobre	empréstimos	correspondente	a	5%	do	montante	captado:
aumento	de	despesas	no	resultado	–	conta	despesas	financeiras;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Máq.
equip.
EMP EPP EPA 	 	 Capital Emprést. Fornec. Resultado
1.	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
2.	Captação	emprést. 5.000 	 	 	 	 	 	 	 5.000 	 	
3.	Aquisição	máquinas –4.500 4.500 	 	 	 	 	 	 	 	 	
4.	Aquisição	mat.-prima 	 	 3.000 	 	 	 	 	 	 3.000 	
5.	Transf.	mat.-prima 	 	 –2.400 2.400 	 	 	 	 	 	 	
6.	Pgto.	mão	de	obra –2.000 	 	 2.000 	 	 	 	 	 	 	
7.	Pgto.	gastos	gerais –1.600 	 	 1.600 	 	 	 	 	 	 	
8.	Transf.	prod.	acabado 	 	 	 –4.200 4.200 	 	 	 	 	 	
9.	Venda	mercadorias 5.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 5.000
9.1.	Baixa	do	estoque 	 	 	 	 –2.520 	 	 	 	 	 –2.520
10.	Pgto.	prop.	publ. –1.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –1.000
11.	Pgto.	juros –250 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –250
Total 10.650 4.500 600 1.800 1.680 	 	 10.000 5.000 3.000 1.230
	 	 	 	 	 	 	 19.230 	 	 	 19.230
12.	Venda	do	estoque	remanescente	dos	produtos	acabados	por	$	4.000,	a	prazo:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	clientes;
aumento	de	receitas	no	resultado	–	conta	vendas;
aumento	de	despesas	no	resultado	–	conta	custo	das	mercadorias	vendidas;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	estoque	de	produtos	acabados.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Máq.
equip.
EMP EPP EPA Clientes 	 Capital Emprést. Fornec. Resultado
1.	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
2.	Captação	emprést. 5.000 	 	 	 	 	 	 	 5.000 	 	
3.	Aquisição	máquinas –4.500 4.500 	 	 	 	 	 	 	 	 	
4.	Aquisição	mat.-prima 	 	 3.000 	 	 	 	 	 	 3.000 	
5.	Transf.	mat.-prima 	 	 –2.400 2.400 	 	 	 	 	 	 	
6.	Pgto.	mão	de	obra –2.000 	 	 2.000 	 	 	 	 	 	 	
7.	Pgto.	gastos	gerais –1.600 	 	 1.600 	 	 	 	 	 	 	
8.	Transf.	prod.	acabado 	 	 	 –4.200 4.200 	 	 	 	 	 	
9.	Venda	mercadorias 5.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 5.000
9.1.	Baixa	do	estoque 	 	 	 	 –2.520 	 	 	 	 	 –2.520
10.	Pgto.	prop.	publ. –1.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –1.000
11.	Pgto.	juros –250 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –250
12.	Venda	mercadorias 	 	 	 	 	 4.000 	 	 	 	 4.000
12.1.	Baixa	do	estoque 	 	 	 	 –1.680 	 	 	 	 	 –1.680
Total 10.650 4.500 600 1.800 0 4.000 	 10.000 5.000 3.000 3.550
	 	 	 	 	 	 	 21.550 	 	 	 21.550
13.	Pagamento	de	despesas	administrativas,	no	montante	de	$	1.000:
aumento	de	despesas	no	resultado	–	conta	despesas	administrativas;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Máq.
equip.
EMP EPP EPA Clientes 	 Capital Emprést. Fornec. Resultado
1.	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
2.	Captação	emprést. 5.000 	 	 	 	 	 	 	 5.000 	 	
3.	Aquisição	máquinas –4.500 4.500 	 	 	 	 	 	 	 	 	
4.	Aquisição	mat.-prima 	 	 3.000 	 	 	 	 	 	 3.000 	
5.	Transf.	mat.-prima 	 	 –2.400 2.400 	 	 	 	 	 	 	
6.	Pgto.	mão	de	obra –2.000 	 	 2.000 	 	 	 	 	 	 	
7.	Pgto.	gastos	gerais –1.600 	 	 1.600 	 	 	 	 	 	 	
8.	Transf.	prod.	acabado 	 	 	 –4.200 4.200 	 	 	 	 	 	
9.	Venda	mercadorias 5.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 5.000
9.1.	Baixa	do	estoque 	 	 	 	 –2.520 	 	 	 	 	 –2.520
10.	Pgto.	prop.	publ. –1.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –1.000
11.	Pgto.	juros –250 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –250
12.	Venda	mercadorias 	 	 	 	 	 4.000 	 	 	 	 4.000
12.1.	Baixa	do	estoque 	 	 	 	 –1.680 	 	 	 	 	 –1.680
13.	Pgto.	desp.	adm. –1.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –1.000
Total 9.650 4.500 600 1.800 0 4.000 	 10.000 5.000 3.000 2.550
	 	 	 	 	 	 	 20.550 	 	 	 20.550
14.	Pagamento	de	40%	da	dívida	com	os	fornecedores:
diminuição	de	obrigações	com	terceiros	no	passivo	–	conta	fornecedores;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Máq.
equip.
EMP EPP EPA Clientes 	 Capital Emprést. Fornec. Resultado
1.	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
2.	Captação	emprést. 5.000 	 	 	 	 	 	 	 5.000 	 	
3.	Aquisição	máquinas –4.500 4.500 	 	 	 	 	 	 	 	 	
4.	Aquisição	mat-prima 	 	 3.000 	 	 	 	 	 	 3.000 	
5.	Transf.	mat.-prima 	 	 –2.400 2.400 	 	 	 	 	 	 	
6.	Pgto.	mão	de	obra –2.000 	 	 2.000 	 	 	 	 	 	 	
7.	Pgto.	gastos	gerais –1.600 	 	 1.600 	 	 	 	 	 	 	
8.	Trans.	prod.	acabado 	 	 	 –4.200 4.200 	 	 	 	 	 	
9.	Venda	mercadorias 5.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 5.000
9.1.	Baixa	do	estoque 	 	 	 	 –2.520 	 	 	 	 	 –2.520
10.	Pgto.	prop.	public. –1.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –1.000
11.	Pgto.	juros –250 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –250
12.	Venda	mercadorias 	 	 	 	 	 4.000 	 	 	 	 4.000
12.1.	Baixa	do	estoque 	 	 	 	 –1.680 	 	 	 	 	 –1.680
13.	Pgto.	desp.	adm. –1.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –1.000
14.	Pgto.	fornecedores –1.200 	 	 	 	 	 	 	 	 –1.200 	
Total 8.450 4.500 600 1.800 0 4.000 	 10.000 5.000 1.800 2.550
	 	 	 	 	 	 	 19.350 	 	 	 19.350
15.	Recebimento	de	clientes	referente	a	70%	do	saldo	de	contas	a	receber:
aumento	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa;
diminuição	de	direitos	no	ativo	–	conta	clientes.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Máq.
equip.
EMP EPP EPA Clientes 	 Capital Emprést. Fornec. Resultado
1.	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
2.	Captação	emprést. 5.000 	 	 	 	 	 	 	 5.000 	 	
3.	Aquisição	máquinas –4.500 4.500 	 	 	 	 	 	 	 	 	
4.	Aquisição	mat.-prima 	 	 3.000 	 	 	 	 	 	 3.000 	
5.	Transf.	mat.-prima 	 	 –2.400 2.400 	 	 	 	 	 	 	
6.	Pgto.	mão	de	obra –2.000 	 	 2.000 	 	 	 	 	 	 	
7.	Pgto.	gastos	gerais –1.600 	 	 1.600 	 	 	 	 	 	 	
8.	Transf.	prod.	acabado 	 	 	 –4.200 4.200 	 	 	 	 	 	
9.	Venda	mercadorias 5.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 5.000
9.1.	Baixa	do	estoque 	 	 	 	 –2.520 	 	 	 	 	 –2.520
10.	Pgto.	prop.	publ. –1.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –1.000
11.	Pgto.	juros –250 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –250
12.	Venda	mercadorias 	 	 	 	 	 4.000 	 	 	 	 4.000
12.1.	Baixa	do	estoque 	 	 	 	 –1.680 	 	 	 	 	 –1.680
13.	Pgto.	desp.	adm. –1.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –1.000
14.	Pgto.	fornecedores –1.200 	 	 	 	 	 	 	 	 –1.200 	
15.	Recbto.	clientes 2.800 	 	 	 	 –2.800 	 	 	 	 	
Total 11.250 4.500 600 1.800 0 1.200 	 10.000 5.000 1.800 2.550
	 	 	 	 	 	 	 19.350 	 	 	 19.350
16.	Aplicação	de	80%	da	disponibilidade	financeira	em	fundos	de	investimentos:
aumento	de	direitos	no	ativo	–	conta	fundos	de	investimentos;
diminuição	de	bens	no	ativo	–	conta	caixa.
	 Ativo Passivo	+	PL
Eventos Caixa Máq.
equip.
EMP EPP EPA Clientes Fundos Capital Emprést. Fornec. Resultado
1.	Integral.	capital 10.000 	 	 	 	 	 	 10.000 	 	 	
2.	Captação	emprést. 5.000 	 	 	 	 	 	 	 5.000 	 	
3.	Aquisição	máquinas –4.500 4.500 	 	 	 	 	 	 	 	 	
4.	Aquisição	mat.-prima 	 	 3.000 	 	 	 	 	 	 3.000 	
5.	Transf.	mat.-prima 	 	 –2.400 2.400 	 	 	 	 	 	 	
6.	Pgto.	mão	de	obra –2.000 	 	 2.000 	 	 	 	 	 	 	
7.	Pgto.	gastos	gerais –1.600 	 	 1.600 	 	 	 	 	 	 	
8.	Transf.	prod.	acabado 	 	 	 –4.200 4.200 	 	 	 	 	 	
9.	Venda	mercadorias 5.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 5.000
9.1.	Baixa	do	estoque 	 	 	 	 –2.520 	 	 	 	 	 –2.520
10.	Pgto.	prop.	publ. –1.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –1.000
11.	Pgto.	juros –250 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –250
12.	Venda	mercadorias 	 	 	 	 	 4.000 	 	 	 	 4.000
12.1.	Baixa	do	estoque 	 	 	 	 –1.680 	 	 	 	 	 –1.680
13.	Pgto.	desp.	adm. –1.000 	 	 	 	 	 	 	 	 	 –1.000
14.	Pgto.	fornecedores –1.200 	 	 	 	 	 	 	 	 –1.200 	
15.	Recbto.	clientes 2.800 	 	 	 	 –2.800 	 	 	 	 	
16.	Aplicação	fundos –9.000 	 	 	 	 	 9.000 	 	 	 	
Total 2.250 4.500 600 1.800 0 1.2009.000 10.000 5.000 1.800 2.550
	 	 	 	 	 	 	 19.350 	 	 	 19.350
Após	 efetuarmos	 os	 registros	 das	 transações	 na	 simulação	 patrimonial,	 iniciaremos	 a
elaboração	do	balancete	de	verificação.
Balancete	de	verificação	–	empresa	GAMA
Contas Saldos	devedores Contas Saldos	credores
Caixa 2.250 Capital 10.000
Máquinas	e	equip. 4.500 Empréstimos 5.000
Estoque	(MP) 600 Fornecedores 1.800
Estoque	(PP) 1.800 Vendas 9.000
Estoque	(PA) 0 	
Clientes 1.200 	
Fundos	de	invest. 9.000 	
CMV 4.200 	
Desp.	propaganda 1.000 	
Desp.	juros 250 	
Desp.	administrativas 1.000 	
	 25.800 	 25.800
O	próximo	passo	é	elaborar	a	demonstração	dos	fluxos	de	caixa.	Para	tanto,	tomaremos	como
base	a	primeira	coluna	da	simulação	patrimonial.
Demonstração	dos	fluxos	de	caixa	(método	direto)	–	empresa	GAMA
Itens $
Fluxo	de	caixa	das	atividades	operacionais 750
Vendas	de	produtos 7.800
Custo	de	mão	de	obra –2.000
Gastos	gerais	de	fabricação –1.600
Despesas	comerciais –1.000
Despesas	financeiras –250
Despesas	administrativas –1.000
Pagamento	aos	fornecedores –1.200
Fluxo	de	caixa	das	atividades	de	investimentos –13.500
Aquisição	de	máquinas	e	equipamentos –4.500
Aplicação	em	fundos	de	investimentos –9.000
Fluxo	de	caixa	das	atividades	de	financiamentos 15.000
Integralização	de	capital 10.000
Captação	de	empréstimos	bancários 5.000
Variação	do	saldo	de	caixa 2.250
Saldo	inicial	dos	fluxos	de	caixa 0
Saldo	final	dos	fluxos	de	caixa 2.250
Partiremos,	 agora,	 para	 a	 elaboração	 da	 demonstração	 de	 resultado.	 A	 base	 utilizada	 é	 a
última	coluna	da	simulação	patrimonial,	a	coluna	de	resultado.
Demonstração	de	resultado	–	empresa	GAMA
	 $
Receita	bruta 9.000
(–)	Impostos	sobre	vendas –
(–)	Abatimentos	comerciais –
(–)	Devoluções	de	vendas –
Receita	líquida 9.000
(–)	Custo	das	mercadorias	vendidas –4.200
(=)	Lucro	bruto 4.800
(–)	Despesas	operacionais –2.000
Comerciais –1.000
Administrativas –1.000
Outras	receitas	e	despesas –
(=)	Resultado	antes	das	receitas/despesas	financeiras 2.800
Receitas	financeiras –
Despesas	financeiras –250
(=)	Lucro	antes	do	IR	e	CSLL 2.550
(–)	IR	e	CSLL –765
(=)	Lucro	líquido	do	exercício 1.785
O	 lucro	 líquido	 do	 exercício,	 conforme	 relatado	 nos	 dados	 da	 empresa	 GAMA,	 será
distribuído	em	dividendos,	 reserva	 legal,	 reserva	estatutária	e	reservas	para	 investimentos	da
seguinte	forma:
Lucro	líquido: $	1.785,00
Dividendos	provisionados	(25%) $	446,25
Reserva	legal	(5%) $	89,25
Reserva	estatutária	(15%) $	267,75
Reserva	para	investimentos	(55%) $	981,75
Com	base	nessas	informações,	podemos	elaborar	o	balanço	patrimonial	da	empresa	GAMA:
Balanço	patrimonial	–	empresa	GAMA
Ativo Passivo	+	PL
Ativo	circulante 14.850 Passivo	circulante 8.011,25
Caixa 2.250 Fornecedores 1.800
Aplic.	fin.	(fundos) 9.000 Empréstimos 5.000
Clientes 1.200 Dividendos	a	pagar 446,25
Estoque	(PA) 0 IR	e	CSLL	a	pagar 765
Estoque	(PP) 1.800 PL 11.338,75
Estoque	(MP) 600 Capital	social 10.000
Ativo	não	circulante 4.500 Reserva	legal 89,25
Imobilizado 4.500 Reserva	estatutária 267,75
Máquinas	e	equip. 4.500 Reserva	para	investimentos 981,75
Total	do	ativo 19.350 Total	do	passivo	+	PL 19.350
Para	finalizar,	elaboraremos	a	demonstração	das	mutações	do	patrimônio	líquido	da	empresa
GAMA.
Demonstração	das	mutações	do	patrimônio	líquido	–	empresa	GAMA
Itens Capital
social
Reserva
legal
Reserva
estatutária
Reserva	p/
investimentos
Lucros
acumulados
Total
Saldo	inicial – 	 	 – – –
Integralização	de
capital
10.000 	 	 	 	 10.000
Lucro	líquido 	 	 	 	 1.785 1.785
Reserva	legal 	 89,25 	 	 –89,25 0
Reserva	estatutária 	 	 267,75 	 –267,75 0
Reserva	para
investimentos
	 	 	 981,75 –981,75 0
Dividendos	a	distribuir 	 	 	 	 –446,25 –446,25
Saldo	final 10.000 89,25 267,75 981,75 0 11.338,75
Com	 os	 dois	 exemplos	 apresentados,	 certamente	 conseguimos	 demonstrar	 que	 o	 uso	 da
tabela	 simulação	 patrimonial	 contribui	 para	 tornar	 o	 entendimento	 da	 contabilidade	 mais
prático,	fácil	e	acessível.
No	 próximo	 tópico,	 descreveremos	 os	 itens	 componentes	 do	 capital	 próprio	 da	 entidade,
representado	pelo	patrimônio	líquido.
Patrimônio	líquido	e	sua	composição
O	patrimônio	líquido,	definido	pelo	CPC	00	(R1)	em	seu	item	4.4,	é	o	“interesse	residual	nos
ativos	 da	 entidade	depois	 de	 deduzidos	 todos	 os	 seus	 passivos”.	 Também	pode	 ser	 entendido
como	os	recursos	dos	proprietários	investidos	na	empresa	ou,	simplesmente,	a	diferença	entre	o
ativo	e	o	passivo	de	uma	entidade.
Pela	teoria	da	entidade	contábil,	o	patrimônio	líquido	de	uma	empresa	pertence	a	ela,	e	não
aos	 sócios,	 exceto	 a	 parte	 do	 lucro	 que	 é	 distribuída	 (dividendos).	 Essa	 teoria	 pressupõe,
evidentemente,	 uma	 entidade	 em	 continuidade,	 pois	 na	 hipótese	 de	 descontinuidade	 o
patrimônio	líquido	pertenceria	aos	sócios.
Vale	salientar	que	embora	o	patrimônio	líquido	seja	definido	como	interesse	residual,	consta
no	 Pronunciamento	 Técnico	 CPC	 00	 (R1)	 que	 ele	 pode	 ter	 subclassificações	 no	 balanço
patrimonial.	Na	sociedade	por	ações,	por	exemplo,
recursos	 aportados	 pelos	 sócios,	 reservas	 resultantes	 de	 retenções	 de	 lucros	 e	 reservas	 representando
ajustes	para	manutenção	do	 capital	 podem	ser	demonstrados	 separadamente.	 Tais	 classificações	podem
ser	 relevantes	 para	 a	 tomada	 de	 decisão	 dos	 usuários	 das	 demonstrações	 contábeis	 quando	 indicarem
restrições	legais	ou	de	outra	natureza	sobre	a	capacidade	que	a	entidade	tem	de	distribuir	ou	aplicar	de
outra	forma	os	seus	recursos	patrimoniais.	Podem	também	refletir	o	fato	de	que	determinadas	partes	com
direitos	de	propriedade	sobre	a	entidade	têm	direitos	diferentes	com	relação	ao	recebimento	de	dividendos
ou	ao	reembolso	de	capital	[CPC	00	(R1),	item	4.20].
Consta	ainda	nesse	pronunciamento	técnico	que
a	constituição	de	reservas	é,	por	vezes,	exigida	pelo	estatuto	ou	por	lei	para	dar	à	entidade	e	seus	credores
uma	margem	maior	de	proteção	contra	os	efeitos	de	prejuízos	[...]	[e	que]	a	existência	e	o	tamanho	de	tais
reservas	legais,	estatutárias	e	fiscais	representam	informações	que	podem	ser	importantes	para	a	tomada
de	decisão	dos	usuários	[CPC	00	(R1),	item	4.21].
O	montante	pelo	qual	o	patrimônio	líquido	é	apresentado	no	balanço	patrimonial	depende	da	mensuração
dos	ativos	e	passivos.	Normalmente,	o	montante	agregado	do	patrimônio	líquido	somente	por	coincidência
corresponde	ao	valor	de	mercado	agregado	das	ações	da	entidade	ou	da	soma	que	poderia	ser	obtida	pela
venda	dos	seus	ativos	 líquidos	numa	base	de	 item-por-item,	ou	da	entidade	como	um	todo,	 tomando	por
base	a	premissa	da	continuidade	[mencionada	antes]	[CPC	00	(R1),	item	4.22].
De	acordo	com	o	Pronunciamento	Técnico	CPC	26	 (R1),	 item	106B,	o	patrimônio	 líquido	é
formado	pelo
capital	social,	as	reservas	de	capital,	os	ajustes	de	avaliação	patrimonial,	as	reservas	de	lucros,	as	ações	ou
quotas	em	tesouraria,	os	prejuízos	acumulados,	se	legalmente	admitidos	os	lucros	acumulados,	e	as	demais
contas	exigidas	pelos	Pronunciamentos	Técnicos	emitidos	pelo	CPC.
Capital	social
Corresponde	a	todo	o	investimento	realizado	na	empresa	pelos	sócios	ou	acionistas,	incluindo
o	 capital	 inicial	 e	 a	 integralização	 de	 novos	 recursos,	 bem	 como	 a	 parte	 do	 lucro	 e	 outras
reservas	 não	 distribuídas	 e	 incorporadas	 ao	 capital	 em	 virtude	 de	 decisões	 dos	 sócios.	 De
acordo	com	o	art.	182	da	Lei	no	6.404/1976,	“a	conta	do	capital	social	discriminará	o	montante
subscrito	e,	por	dedução,	a	parcela	ainda	não	realizada”.	Capital	subscrito	é	aquele	prometido
pelos	acionistas.	No	momento	em	que	os	acionistas	entregam	à	empresa	as	parcelas	prometidas
em	bens	ou	direitos,	tem-se	a	realização	ou	integralização	do	capital.
Vale	ressaltar	as	ações	em	tesouraria.	Em	determinado	momento	a	empresa	poderá	efetuar	a
compra	de	suas	próprias	ações.	O	registro	contábil	das	ações	que	foram	adquiridas	pela	própria
empresa,	ou	seja,	ações	em	tesouraria,	será	lançado	como	dedução	do	patrimônio	líquido.
Menciona-se	ainda	que,	em	conformidade	com	o	CPC08,	a	contabilização	dos	aumentos	de
capital	através	de	captação	de	recursos	e	as	operações	de	compra	e	venda	de	ações	próprias
devem	ser	tratadas	em	conjunto	com	os	custos	necessários	para	realizar	essas	operações.
Reservas	de	capital
São	as	que	não	se	originam	do	resultado	do	exercício,	isto	é,	não	são	apuradas	e,	portanto,
não	 transitam	 pela	 demonstração	 de	 resultado	 do	 exercício.	 As	 reservas	 de	 capital	 não
decorrem	das	operações	da	companhia,	mas	de	operações	como	o	ágio	na	emissão	de	ações.	A
Lei	no	 11.638/2007	 revogou	 expressamente	 a	 possibilidade	 de	 classificação,	 como	 reserva	 de
capital,	 das	 contas	 que	 registravam	 prêmio	 na	 emissão	 de	 debêntures	 e	 também	 aquelas
resultantes	de	doações	e	subvenções	para	investimentos	(ver,	a	seguir,	a	destinação	de	parcela
do	lucro	decorrente	de	doações	ou	subvenções	governamentais	à	conta	de	reserva	de	incentivos
fiscais).
Ressalta-se	que
o	prêmio	recebido	na	emissão	de	debêntures	normalmente	faz	parte	das	condições	de	sua	negociação,	em
função	da	atratividade	desse	papel	ou	da	sua	precificação,	como	a	fixação	de	taxa	de	juros	acima	da	média
do	 mercado.	 Nesse	 caso,	 o	 prêmio	 recebido	 configura	 uma	 receita	 não	 realizada,	 que	 deveria	 ser
classificada	como	[...]	[receita	diferida],	para	apropriação	ao	resultado	em	função	do	prazo	das	debêntures
e	do	reconhecimento	também	no	resultado	das	despesas	de	juro	[CVM,	2008].
Ele	 corresponde,	 economicamente,	 a	 uma	 redução	 da	 taxa	 efetiva	 de	 juros	 dessa	 dívida.
Assim,	no	plano	de	contas,	a	classificação	das	reservas	de	capital,	como	definido	no	§1o	do	art.
182	da	Lei	no	6.404/1976,	com	redação	alterada	pela	Lei	no	11.638/2007,	será	composta	de:
ágio	na	emissão	de	ações;
alienação	de	partes	beneficiárias;
alienação	de	bônus	de	subscrição.
Reservas	de	lucros
Consistem	na	retenção	de	parte	do	lucro	com	finalidade	específica.Com	a	alteração	realizada
pela	 Lei	 no	 11.638/2007	 no	 art.	 199	 da	 Lei	 das	 Sociedades	 por	Ações,	 o	 saldo	 da	 reserva	 de
lucros	não	poderá	ultrapassar	o	capital	social	e,	uma	vez	atingido	este	limite,	tal	valor	deverá
ser	distribuído	como	dividendos	aos	acionistas	ou	utilizado	para	 integralização	ou	aumento	de
capital	da	companhia,	exceto	nos	montantes	aplicáveis	às	contingências	de	 lucros	a	realizar	e
contingências	de	incentivos	fiscais.
As	reservas	de	lucros	são	discriminadas	a	seguir:
reserva	legal;
reserva	estatutária;
reservas	para	contingências;
reservas	de	lucros	a	realizar;
reservas	de	lucros	para	expansão;
reservas	de	incentivos	fiscais;
reserva	especial	para	dividendos	obrigatórios.
Reserva	legal
Do	 lucro	 líquido	 do	 exercício,	 5%	 serão	 aplicados,	 antes	 de	 qualquer	 outra	 destinação,	 na
constituição	de	reserva	legal,	que	não	poderá	exceder	20%	do	capital	social.	A	reserva	legal	tem
por	 finalidade	 assegurar	 a	 integridade	 do	 capital	 social	 e	 somente	 poderá	 ser	 utilizada	 para
compensar	prejuízos	ou	aumentar	o	capital.	Vale	ressaltar	os	seguintes	parágrafos	do	art.	193
da	Lei	no	6.404/1976:
§1o.	A	companhia	poderá	deixar	de	constituir	a	reserva	 legal	no	exercício	em	que	o	saldo	dessa	reserva,
acrescido	do	montante	das	reservas	de	capital	de	que	trata	o	§1o	do	artigo	182,	exceder	de	30%	(trinta	por
cento)	do	capital	social.
§2o.	A	reserva	legal	tem	por	fim	assegurar	a	integridade	do	capital	social	e	somente	poderá	ser	utilizada
para	compensar	prejuízos	ou	aumentar	o	capital.
Reservas	estatutárias
As	reservas	estatutárias	são	constituídas	por	determinação	do	estatuto	da	companhia	e	como
destinação	de	uma	parcela	dos	lucros	do	exercício.
Como	definido	na	Lei	das	S/A:
Art.	194.	O	estatuto	poderá	criar	reservas	desde	que,	para	cada	uma:
I.	indique,	de	modo	preciso	e	completo,	a	sua	finalidade;
II.	 fixe	 os	 critérios	 para	 determinar	 a	 parcela	 anual	 dos	 lucros	 líquidos	 que	 não	 será	 destinada	 à	 sua
constituição;
III.	estabeleça	o	limite	máximo	da	reserva.
Reserva	para	contingências
Art.	 195.	 A	 assembleia	 geral	 poderá	 [...]	 destinar	 parte	 do	 lucro	 líquido	 à	 formação	 de	 reserva	 com	 a
finalidade	de	compensar,	em	exercício	futuro,	a	diminuição	do	lucro	decorrente	de	perda	julgada	provável,
cujo	valor	possa	ser	estimado.
[...]
§2o.	 A	 reserva	 será	 revertida	 no	 exercício	 em	 que	 deixarem	 de	 existir	 as	 razões	 que	 justificaram	 a	 sua
constituição	[...]	[Lei	no	6.404/1976,	art.	195].
Note-se	 que,	 na	 constituição	 dessa	 reserva,	 o	 fato	 gerador	 ainda	 não	 ocorreu,	 o	 que	 a
distingue	de	provisão	para	contingências.
Reserva	de	lucros	a	realizar
Essa	 reserva	 é	 constituída	 como	 uma	 destinação	 do	 lucro	 do	 exercício,	 sendo,	 todavia,
optativa	sua	constituição.
Tal	reserva	evidencia	a	parcela	de	lucros	não	realizada	financeiramente.	Seu	objetivo	é	evitar
a	distribuição	de	dividendos	sobre	essa	parcela.	Entretanto,	a	Lei	no	11.638/2007	alterou	o	art.
197	da	Lei	das	S/A,	para	dispor	que	“o	 lucro,	 rendimento	ou	ganho	 líquidos	em	operações	ou
contabilização	 de	 ativo	 e	 passivo	 pelo	 valor	 de	mercado,	 cujo	 prazo	 de	 realização	 financeira
ocorra	após	o	término	do	exercício	social	seguinte”,	poderão	ser	considerados	para	o	cálculo	da
parcela	do	lucro	realizado.
Com	a	nova	redação	da	Lei	no	6.404/1976,	dada	pela	Lei	no	11.638/2007,	o	procedimento	de
cálculo	da	 reserva	de	 lucros	a	 realizar	passa	a	 ser	em	 função	do	dividendo	obrigatório	e	não
mais	das	diversas	reservas	de	lucro.	A	reserva	de	lucros	a	realizar	será	constituída	quando	não
existirem	 lucros	 realizados	 suficientes	 para	 o	 pagamento	 do	 dividendo	 obrigatório.	 Portanto,
antes	 do	 cálculo	 da	 reserva	 de	 lucros	 a	 realizar,	 os	 dividendos	 obrigatórios	 devem	 ser
calculados,	pois	são	parâmetros	a	serem	utilizados	nessa	reserva	(Iudícibus	et	al.,	2010:352).
Reservas	de	lucros	para	expansão	(retenção	de	lucros)
Essa	reserva	visa	atender	aos	projetos	de	investimentos	da	companhia,	conforme	disposto	no
art.	196	da	Lei	no	6.404/1976.
De	 acordo	 com	 Iudícibus	 et	 al.	 (2010:352),	 “essa	 retenção	 deverá	 estar	 justificada	 com	 o
orçamento	de	capital	da	companhia,	ser	proposta	pela	administração	e	aprovada	em	assembleia
geral.	 Entretanto	 essa	 reserva	 não	 pode	 ser	 constituída	 em	 detrimento	 do	 pagamento	 do
dividendo	obrigatório”.
O	 art.	 196	 da	 Lei	 no	 6.404/1976,	 em	 seu	 §1o,	 ressalta	 que	 esse	 orçamento	 deverá
compreender	 todas	as	 fontes	de	recursos	e	aplicações	de	capital,	 fixo	ou	circulante,	e	poderá
durar	 até	 cinco	 exercícios,	 salvo	 no	 caso	 de	 execução,	 por	 prazo	 maior,	 de	 projeto	 de
investimento.
Reserva	de	Incentivos	fiscais
De	acordo	com	a	nova	lei	societária:
A	 assembleia	 geral	 poderá,	 por	 proposta	 dos	 órgãos	 de	 administração,	 destinar	 para	 a	 reserva	 de
incentivos	 fiscais	 a	 parcela	do	 lucro	 líquido	decorrente	de	doações	 ou	 subvenções	governamentais	 para
investimentos,	que	poderá	ser	excluída	da	base	de	cálculo	do	dividendo	obrigatório	(inciso	I	do	caput	do
art.	202	desta	Lei)	[Art.	195-A	da	Lei	no	6.404/1976].
A	partir	do	exercício	de	2008,	conforme	pronunciamento	técnico	CPC	07	e	Deliberação	CVM
no	 555	 de	 12	 de	 novembro	 de	 2008	 que	 o	 aprova,	 as	 doações	 e	 subvenções	 recebidas	 pela
companhia	deverão	transitar	pelo	resultado	e	terão	seus	registros	contábeis	determinados	em
função	das	constituições	estabelecidas	para	recebimento	dessas	doações	e	subvenções.
A	criação	dessa	reserva	visa	permitir	que	as	companhias	abertas,	a	partir	de	regulação	da
CVM,	registrem	as	doações	e	subvenções	para	investimento	não	mais	como	reserva	de	capital,	e
sim	 no	 resultado	 do	 exercício	 (de	 imediato	 ou	 em	 bases	 diferidas,	 como	mencionado	 acima)
como	estabelece	a	norma	internacional.	Para	que	a	companhia	não	perca	o	benefício	fiscal	da
subvenção,	 está	 previsto	 no	 art.	 195-A	 da	 lei	 societária	 que	 a	 parcela	 do	 lucro	 líquido	 que
contiver	 esse	 benefício	 fiscal	 possa	 ser	 excluída	 da	base	 de	 cálculo	 do	 dividendo	 obrigatório;
caso	contrário,	a	empresa	estariadistribuindo	recursos	recebidos	através	de	subvenção.
A	nova	redação	do	art.	199	da	lei	societária	determina	que	o	saldo	da	reserva	de	incentivos
fiscais,	 em	conjunto	 com	os	 saldos	das	 reservas	de	 contingências	e	de	 lucros	a	 realizar,	 “não
poderá	 ultrapassar	 o	 capital	 social.	 Atingindo	 esse	 limite,	 a	 assembleia	 deliberará	 sobre
aplicação	do	excesso	na	 integralização	ou	no	aumento	do	 capital	 social	 ou	na	distribuição	de
dividendos”.
Reserva	especial	para	dividendo	obrigatório	não	distribuído
Essa	 reserva	é	constituída	para	que	a	empresa	possa	vir	a	pagar,	no	 futuro,	os	dividendos
que	deixou	de	distribuir	por	falta	de	condições	financeiras,	conforme	a	Lei	no	6.404/1976,	art.
202.
Nesse	caso,
os	 lucros	 que	 deixarem	 de	 ser	 distribuídos	 [...]	 serão	 registrados	 como	 reserva	 especial	 e,	 se	 não
absorvidos	 por	 prejuízos	 em	 exercícios	 subsequentes,	 deverão	 ser	 pagos	 como	 dividendo	 assim	 que
permitir	a	situação	financeira	da	companhia	[Lei	no	6.404/1976,	art.	202,	§5o].
Lucros	e	prejuízos	acumulados
A	partir	das	modificações	incorporadas	à	lei	societária	pela	Lei	no	11.638/2007,	foi	extinta	a
possibilidade	de	apresentação	de	saldos	a	título	de	lucros	acumulados	no	balanço	patrimonial,	o
que	não	significa	que	a	referida	conta	deva	ser	extinta	dos	planos	de	contas	dessas	entidades,
porque	ela	recebe	o	resultado	do	exercício	e	destina	o	total	desse	resultado	a	outras	contas.
Em	suma,	o	lucro	líquido	do	período	deverá	ser	distribuído	na	forma	de	dividendos	e	retido
na	conta	de	reserva	de	lucros	e	não	mais	na	conta	lucros	ou	prejuízos	acumulados.
Fatores	que	modificam	o	patrimônio	líquido
Em	 que	 pese	 à	 grande	 dependência	 dos	 recursos	 provenientes	 do	mercado	 de	 capitais,	 é
inegável	que	a	principal	fonte	de	financiamento	do	patrimônio	líquido	é	o	lucro.	A	cada	exercício
social,	a	empresa	apurará	o	resultado	das	operações.	Esse	resultado	é	calculado	pela	diferença
entre	 receitas	 e	 despesas,	 podendo	 ser	 lucro	 ou	 prejuízo.	 A	 parcela	 retida	 do	 resultado	 e
enviada	para	o	patrimônio	 líquido,	 inicialmente	para	a	conta	 lucros	e	prejuízos	acumulados,	é
que	o	fortalecerá.
À	 medida	 que	 a	 empresa	 obtém	 resultados	 positivos,	 a	 situação	 econômica	 se	 fortalece.
Assim,	a	 constante	obtenção	de	 lucro	contribui	para	uma	situação	econômica	mais	 sólida.	De
modo	inverso,	o	prejuízo	enfraquece	a	situação	econômica.	Ressalva-se	que	a	parcela	do	lucro
não	 distribuída	 aos	 proprietários	 é	 retida	 na	 empresa	 na	 forma	 de	 reservas	 fortalecendo	 sua
situação	econômica.
Por	outro	lado,	o	patrimônio	líquido	pode	também	ser	acrescido	com	novos	investimentos	de
capital	 quando	 a	 situação	 econômica	 (e	 mesmo	 a	 situação	 financeira)	 exigir	 dos	 sócios	 uma
intervenção	a	fim	de	equilibrá-la.
Resumindo,	veja	na	figura	8	as	principais	causas	de	variação	do	patrimônio	líquido.
Figura	8
PRINCIPAIS	CAUSAS	DE	VARIAÇÃO	DO	PATRIMÔNIO	LÍQUIDO
Ajustes	de	avaliação	patrimonial
A	conta	ajustes	de	avaliação	patrimonial	foi	introduzida	na	contabilidade	brasileira	pela	Lei
no	11.638/2007	para	receber	as	contrapartidas	de	aumentos	ou	diminuições	de	valor	atribuído	a
elementos	de	ativo	e	passivo.
Desse	modo,	a	lei	societária	em	vigor	prevê,	no	§3o	de	seu	art.	182,	que
serão	 classificadas	 como	 ajustes	 de	 avaliação	 patrimonial,	 enquanto	 não	 computadas	 no	 resultado	 do
exercício	 em	 obediência	 ao	 regime	 de	 competência,	 as	 contrapartidas	 de	 aumentos	 ou	 diminuições	 de
valor	atribuídos	a	elementos	do	ativo	[...]	e	do	passivo,	em	decorrência	da	sua	avaliação	[a	valor	justo].
É	 oportuno	 salientar	 que	 a	 conta	 ajuste	 de	 avaliação	 patrimonial	 não	 corresponde	 a	 uma
conta	de	 reserva,	uma	vez	que	seus	valores	não	 transitam	pelo	 resultado	do	exercício.	Sendo
assim,	ela	não	deverá	ser	considerada	quando	do	cálculo	do	 limite	 referente	à	proporção	das
reservas	de	lucros	em	relação	ao	capital	(Iudícibus	et	al.,	2010:348).
Como	 você	 observou,	 este	 capítulo	 teve	 como	 objetivo	 apresentar	 os	 mecanismos	 para
elaboração	das	demonstrações	contábeis	e	simplificar	a	 forma	de	registrar	as	 transações,	por
meio	 da	matriz	 de	 lançamentos,	 em	 que	 apresentamos	 a	 ótica	 do	 débito	 e	 crédito	 de	 forma
simplificada	 por	 meio	 das	 origens	 e	 aplicações	 de	 recursos.	 Demonstramos	 também	 o
patrimônio	líquido	e	a	sua	composição	e	detalhamos	todas	as	contas	que	compõem	esse	grupo
do	balanço	patrimonial.
Observamos	 a	 importância	 de	 interpretar	 os	 relatórios	 que	 compõem	 as	 demonstrações
contábeis	 e	 como	 utilizar	 as	 informações	 para	 a	 tomada	 de	 decisões.	 No	 próximo	 capítulo,
vamos	abordar	os	critérios	que	devem	ser	adotados	para	análise	das	demonstrações	contábeis.
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Análise	econômico-financeira
O	 objetivo	 deste	 capítulo	 é	 apresentar	 a	 relevância	 da	 análise	 fundamentalista	 das
demonstrações	contábeis	para	o	processo	decisório	das	organizações	através	da	aplicação	dos
critérios	de	análise	horizontal,	análise	vertical	e	 indicadores	econômico-financeiros.	Espera-se
que,	ao	término	da	leitura,	você	seja	capaz	de	perceber	a	importância	das	informações	contidas
nos	relatórios	que	compõem	as	demonstrações	contábeis	das	empresas,	bem	como	de	aplicar	os
critérios	 de	 avaliação	 utilizados	 em	 análise	 fundamentalista,	 objetivando	 desenvolver	 um
relatório	técnico	sobre	o	desempenho	econômico,	financeiro	e	operacional	das	empresas.
Objetivos	da	análise	econômico-financeira	e	principais	usuários
Conforme	 você	 verificou,	 no	 primeiro	 capítulo	 procuramos	 demonstrar	 que	 o	 principal
objetivo	 da	 contabilidade	 é	 prover	 informações	 para	 planejamento	 e	 controle,	 evidenciando
dados	referentes	à	situação	patrimonial,	econômica	e	financeira	de	uma	empresa	que	suportam
o	gestor	no	processo	de	tomada	de	decisões.	Essas	informações	são	apresentadas	por	meio	dos
relatórios	que	compõem	as	demonstrações	contábeis.	No	segundo	capítulo,	foram	apresentadas
as	 ferramentas	 que	 compõem	 as	 demonstrações	 contábeis,	 compostas	 pelos	 seguintes
relatórios:	 balanço	 patrimonial,	 demonstração	 do	 resultado	 do	 exercício,	 demonstração	 das
mutações	 do	 patrimônio	 líquido,	 demonstração	 dos	 fluxos	 de	 caixa	 e	 demonstração	 do	 valor
adicionado,	além	das	notas	explicativas,	que	são	parte	integrante	das	demonstrações	contábeis
e	 que	 devem	 complementar	 os	 critérios	 de	 cálculo	 e	 mensuração	 dos	 itens	 que	 afetam	 o
resultado	e	o	patrimônio	da	entidade.	Já	no	terceiro	capítulo,	foram	explicitadas	as	técnicas	de
elaboração	 das	 demonstrações	 contábeis	 e	 os	 itens	 componentes	 do	 patrimônio	 líquido	 das
organizações.
A	análise	fundamentalista	respalda-se	nos	assuntos	tratados	nesses	dois	últimos	capítulos	e,
diante	 das	 informações	 absorvidas,	 procede-se,	 então,	 ao	 desenvolvimento	 de	 um	 relatório
técnico	sobre	a	situação	econômica	e	financeira	da	empresa.
O	processo	de	análise	é	direcionado	conforme	o	interesse	do	usuário	da	informação	contábil
e	financeira.	A	comunicação	da	informação	contábil	tem	como	objetivo	fundamentar	o	processo
decisório	de	todas	as	partes	relacionadas	com	a	entidade	–	tais	como	os	gestores,	fornecedores,
instituições	financeiras,	governo,	investidores,	colaboradores	e	toda	a	sociedade.
Pela	 ótica	 da	 empresa,	 os	 usuários	 das	 demonstrações	 contábeis	 são	 divididos	 em	 dois
grupos:	usuários	internos	e	usuários	externos,	conforme	a	seguir	discriminado.
usuários	 internos	 –	 correspondem	 aos	 responsáveis	 pela	 gestão	 da	 organização,	 ou	 seja,	 os
executivos	que	estão	intimamente	relacionados	com	o	processo	decisório;
usuários	 externos	 –	 correspondem	aos	bancos,	 fornecedores,	 clientes,	 investidores,	 governo,
empresas	subsidiárias,	concorrentes,	entre	outros.
Na	realidade,	o	que	se	busca	é	extrair	informações	acerca	da	saúde	financeira,	estrutura	de
captação	 de	 recursos,	 lucratividade,	 rentabilidade	 e	 desempenho	 operacional,	 úteis	 para	 o
processo	decisório.	Os	interesses	são	múltiplos	e,apenas	para	que	você	tenha	uma	ideia,	são	a
seguir	relacionados	os	principais	envolvidos	com	a	análise	das	demonstrações	contábeis:
sócios/acionistas	 –	 retorno	 sobre	 o	 capital,	 avaliação	 do	 custo	 de	 oportunidade,	 payback,
lucratividade	e	determinação	do	fator	de	solvência,	e	grau	de	risco;
fornecedores	 –	 pelo	 fato	 de	 serem	 um	 dos	 principais	 financiadores	 do	 capital	 de	 giro	 da
empresa,	necessitam	avaliar	sua	estrutura	patrimonial	a	fim	de	determinar	o	fator	de	risco	e	a
capacidade	de	solvência;
instituições	financeiras	–	necessitam	avaliar	a	estrutura	patrimonial	da	empresa	com	o	intuito
de	 determinar	 a	 capacidade	 de	 endividamento	 e	 o	 fator	 de	 liquidez,	 visando	 obter	 maior
segurança	 nas	 operações	 de	 financiamento,	 desconto	 de	 duplicatas	 e	 outras	 operações
financeiras;
clientes	–	necessitam	conhecer	a	situação	econômica	e	 financeira	de	seus	 fornecedores	para
garantir	 o	 fornecimento	 dos	 bens	 e	 serviços	 adquiridos,	 bem	 como	 os	 prazos	 a	 serem
cumpridos;
governo	 –	 necessita	 obter	 informações	 sobre	 os	 resultados	 gerados	 pela	 entidade	 para
avaliação	da	tributação	e	arrecadação	de	impostos,	taxas	e	contribuições;
acionistas	minoritários	–	desejam	extrair	informações	sobre	o	fluxo	regular	de	dividendos;
empregados	 –	 necessitam	 avaliar	 a	 estrutura	 financeira	 para	 verificar	 a	 capacidade	 de
pagamento	de	salários	e	a	situação	econômica	para	análise	das	perspectivas	de	crescimento.
Para	 que	 o	 processo	 de	 análise	 alcance	 o	 resultado	 desejado,	 é	 fundamental	 que	 as
informações	 fornecidas	 tenham	sido	elaboradas	de	acordo	com	as	normas	contábeis	em	vigor,
apresentando,	 assim,	 total	 grau	 de	 confiabilidade.	 Nesse	 caso,	 o	 relatório	 dos	 auditores
independentes	exerce	papel	importante.	No	entanto,	tal	relatório	é	obrigatório	apenas	para	as
companhias	 abertas.	 É	 por	 meio	 do	 relatório	 de	 auditoria	 que	 os	 auditores	 atestam	 a
fidedignidade	das	 informações	contidas	nas	demonstrações	contábeis	e	verificam	os	controles
internos	 das	 empresas.	 É	 importante	 ressaltar	 que	 muitas	 empresas	 limitadas	 também	 são
auditadas,	 mas	 não	 por	 questões	 legais.	 A	 auditoria	 independente	 para	 essas	 empresas
normalmente	atende	a	demanda	de	cotistas	com	o	objetivo	de	não	serem	lesados	na	distribuição
de	dividendos,	de	bancos	ao	avaliarem	a	concessão	de	créditos,	e	fornecedores	quando	analisam
o	risco	de	financiamento	das	compras	realizadas	a	prazo.	Todas	estas	 informações	necessitam
de	 bases	 confiáveis	 para	 serem	 avaliadas;	 portanto,	 o	 relatório	 dos	 auditores	 independentes
representa	ferramenta	fundamental	para	validação	das	informações	contidas	nas	demonstrações
contábeis.
O	relatório	preparado	pela	diretoria	possui	também	seu	grau	de	importância,	pois	é	por	meio
desse	 documento	 que	 a	 alta	 cúpula	 fornece	 informações	 aos	 acionistas	 sobre	 os	 diversos
aspectos	 do	 desempenho	 e	 das	 perspectivas	 da	 sociedade,	 relativas	 a	 estratégias	 de	 vendas,
compras,	 expansão,	 produtos,	 legislação,	 política	 financeira,	 recursos	 humanos,	 resultados
atingidos	e	estimativas	globais.	Em	suma,	esse	relatório	retrata	todas	as	informações	julgadas
relevantes	para	o	processo	de	interpretação	e	análise	econômica	e	financeira	da	companhia.
Para	 a	 realização	 da	 análise	 econômica	 e	 financeira,	 devem	 ser	 tomados	 como	 base	 os
seguintes	relatórios:
balanço	patrimonial	(BP);
demonstração	dos	resultados	do	exercício	(DRE);
demonstração	das	mutações	do	patrimônio	líquido	(DMPL);
demonstração	dos	fluxos	de	caixa	(DFC);
demonstração	do	valor	adicionado	(DVA);
notas	explicativas;
relatório	da	administração;
relatório	dos	auditores	independentes.
As	 notas	 explicativas	 representam	 informações	 que	 complementam	 as	 demonstrações
contábeis,	como	critérios	contábeis	de	avaliação	de	 investimentos,	avaliação	e	mensuração	de
estoques,	 métodos	 de	 depreciação,	 taxas	 de	 juros,	 garantias	 prestadas	 a	 terceiros,
características	das	ações	que	compõem	o	capital	social,	eventos	subsequentes	à	data	do	balanço
que	tenham	efeitos	relevantes	sobre	a	situação	da	entidade,	entre	outros.
De	 posse	 das	 demonstrações	 contábeis	 e	 informações	 complementares,	 recomenda-se	 a
realização	de	ajustes	com	o	intuito	de	padronizar	as	demonstrações	para	análise.	Entre	os	itens
a	ajustar	destacam-se	as	duplicatas	descontadas	e	os	empréstimos	a	diretores	e	subsidiárias.
As	contas	do	ativo	e	passivo	circulante	devem	ser	classificadas	em	dois	grupos:	financeiro	e
cíclico.
O	 ativo	 circulante	 financeiro	 envolve	 os	 itens	 que	 representam	 disponibilidades	 (caixa	 e
bancos)	e	aplicações	financeiras.
O	passivo	circulante	financeiro	engloba	as	contas	representativas	de	dívidas	em	curto	prazo
que	 não	 fazem	 parte	 das	 atividades	 diárias	 da	 empresa.	Normalmente,	 estão	 sujeitas	 a	 juros
(empréstimos	 bancários,	 duplicatas	 descontadas,	 impostos	 renegociados,	 imposto	 de	 renda	 a
recolher).
O	ativo	 circulante	 cíclico	 ou	 operacional	 compreende	 as	 aplicações	de	 recursos	 em	contas
que	estejam	relacionadas	com	a	atividade	de	compra,	transformação	e	venda.	Está	relacionado
com	 o	 ciclo	 operacional	 da	 empresa	 (clientes/duplicatas	 a	 receber,	 estoques,	 adiantamento	 a
fornecedores	etc.).
O	 passivo	 circulante	 cíclico	 ou	 operacional	 compreende	 as	 contas	 que	 identificam	 os
financiadores	 normais	 da	 atividade	 da	 empresa,	 constituindo	 fontes	 espontâneas	 de	 recursos
(fornecedores,	salários	e	encargos	a	pagar,	impostos	a	recolher	sobre	vendas).
A	 análise	 econômica	 e	 financeira	 deve	 ser	 discriminada	 da	 seguinte	 forma:	 como	 análise
econômica,	 considera-se	 o	 estudo	 do	 resultado	 (lucro	 ou	 prejuízo)	 gerado	 nas	 operações	 da
empresa,	em	um	processo	dinâmico.	Já	a	análise	financeira	abarca	o	estudo	do	capital	de	giro
avaliando	 a	 capacidade	 da	 empresa	 em	 saldar	 suas	 dívidas,	 ou	 seja,	 o	 estudo	 de	 liquidez,
solvência	e	endividamento,	em	um	processo	estático.
Na	avaliação	do	capital	de	giro,	 também	 tratado	como	working	capital,	 observa-se	 alguma
confusão	 entre	 ele	 e	 o	 capital	 circulante	 líquido.	 Na	 realidade,	 o	 capital	 circulante	 líquido
representa	 a	 folga	 ou	 a	 escassez	 de	 recursos	 de	 uma	 organização	 em	 curto	 prazo,
representando,	assim,	o	que	 se	pode	chamar	de	 “grande	caixa”	da	organização,	demonstrado
pela	diferença	entre	o	ativo	circulante	e	o	passivo	circulante.	Por	outro	lado,	o	capital	de	giro
abarca	 todo	 o	 ativo	 circulante	 e	 o	 realizável	 a	 longo	 prazo	 da	 entidade.	 Portanto,	 por	 essa
abordagem	 obtém-se	 uma	 visão	 estratégica	 de	 longo	 prazo,	 que	 é	 um	 dos	 aspectos	 mais
relevantes	da	análise	do	capital	de	giro.
Nesse	 tipo	de	análise	pode-se	 também	determinar	se	a	empresa	opera	com	capital	de	giro
próprio	 ou	 de	 terceiros,	 identificado	 da	 seguinte	 forma:	 se	 uma	 empresa	 apresenta,	 em	 seu
balanço	patrimonial,	 um	montante	de	ativos	 realizáveis	 superior	ao	de	passivos,	 significa	que
possui	capital	de	giro	próprio.	Isso	ocorre	pelo	fato	de	o	capital	próprio	(patrimônio	líquido)	ser
suficiente	 para	 cobrir	 o	 investimento	 efetuado	 no	 ativo	 não	 circulante,	 considerado	 aqui	 o
somatório	de	 investimentos,	 imobilizado	e	 intangível,	e	haver	sobra	de	recursos	próprios,	que
está	 sendo	 utilizada	 para	 financiar	 os	 ativos	 realizáveis.	 Essa	 parcela	 de	 recursos	 próprios
aplicada	ao	financiamento	dos	ativos	realizáveis	representa	o	capital	de	giro	próprio.	Já	o	capital
de	 giro	 de	 terceiros	 configura-se	 quando	 o	 ativo	 não	 circulante	 (investimentos,	 imobilizado	 e
intangível,	 excetuando-se	 o	 realizável	 a	 longo	 prazo,	 não	 considerado	 para	 esta	 análise)	 é
financiado	pela	totalidade	do	capital	próprio	e	por	uma	parcela	de	recursos	de	terceiros.	Como	o
capital	próprio	não	é	suficiente	para	financiar	os	investimentos	“permanentes”	(investimentos,
imobilizado	e	intangível),	há	a	necessidade	de	complementar	tais	investimentos	comrecursos	de
terceiros.	Essa	parcela	complementar	de	recursos	de	terceiros,	utilizada	no	financiamento	dos
ativos	não	circulantes,	representa	o	capital	de	giro	de	terceiros.
Uma	versão	mais	aprofundada	da	análise	financeira	pode	ser	feita	pela	análise	da	dinâmica
do	 capital	 de	 giro	 da	 empresa.	 Para	 a	 utilização	 do	modelo	 dinâmico	 de	 análise	 financeira,	 é
necessário	reagrupar	as	contas	do	balanço	patrimonial	em	ativos	circulantes	e	não	circulantes
e,	 do	 mesmo	 modo,	 passivos	 circulantes	 e	 não	 circulantes.	 Os	 ativos	 circulantes	 devem	 ser
classificados	 em	 circulantes	 operacionais	 (ou	 cíclicos)	 e	 em	 circulantes	 financeiros	 (ou
erráticos).	Os	ativos	não	circulantes	são	representados	pela	soma	dos	ativos	realizáveis	de	longo
prazo	com	os	investimentos,	imobilizado	e	intangível.	Do	mesmo	modo,	os	passivos	circulantes
devem	ser	classificados	em	circulantes	operacionais	 (ou	cíclicos)	e	em	circulantes	 financeiros
(ou	erráticos).
Os	passivos	não	circulantes	são	representados	pelas	origens	de	recursos	de	longo	prazo,	tais
como	debêntures	e	financiamentos	bancários.	O	patrimônio	líquido	é	considerado	uma	fonte	de
recurso	 de	 longo	 prazo.	 O	 passivo	 permanente	 (PP)	 é	 definido	 como	 origens	 de	 recursos	 de
longo	prazo,	composto	pelo	somatório	do	grupo	de	contas	do	passivo	não	circulante	(PNC)	e	do
patrimônio	líquido	(PL).
O	 ativo	 circulante	 operacional	 (cíclico)	 é	 o	 investimento	 que	 tem	 origem	 nas	 atividades
operacionais	 da	 empresa,	 como	 comprar,	 produzir	 e	 vender,	 enquanto	 o	 passivo	 circulante
operacional	(cíclico)	é	a	fonte	de	recursos	denominada	passivo	de	funcionamento,	representado
este	pelas	contas	operacionais	(cíclicas)	que	apoiam	o	desenvolvimento	das	empresas	em	seus
aspectos	operacionais	de	compras,	produção	e	venda.
O	ativo	circulante	financeiro	representa	as	contas	de	natureza	financeira,	com	os	valores	de
disponibilidade	imediata,	tais	como:	caixa,	banco	e	aplicações	financeiras	bem	como	os	recursos
de	 curto	 prazo	 da	 organização.	 Já	 o	 passivo	 circulante	 financeiro	 ou	 oneroso	 representa	 as
fontes	de	financiamento	referentes	a	empréstimos	bancários,	descontos	de	duplicatas	e	outras
operações	relacionadas	ao	ciclo	financeiro	da	empresa.
Preparação	do	balanço	patrimonial	para	a	análise	dinâmica
O	balanço	convencional	é	elaborado	em	conformidade	com	as	normas	estabelecidas	pela	Lei
no	11.638/2007,	conforme	apresentado	no	quadro	23.
Quadro	23
GRUPOS	INTEGRANTES	DO	BALANÇO	PATRIMONIAL
Ativo Passivo	e	patrimônio	líquido
Ativo	circulante	(AC) Passivo	circulante	(PC)
Ativo	não	circulante	(ANC) Passivo	não	circulante	(PNC)
	 Patrimônio	líquido	(PL)
Para	 efeito	 de	 análise	 dinâmica	 do	 capital	 de	 giro,	 o	 balanço	 patrimonial	 deverá	 ter	 a
seguinte	configuração	mostrada	no	quadro	24.
Quadro	24
CONFIGURAÇÃO	DO	BALANÇO	PATRIMONIAL
Aplicação	de	recursos Origem	de	recursos
Ativo	circulante	financeiro	(ACF) Passivo	circulante	financeiro	(PCF)
Ativo	circulante	operacional	(ACO)	ou	ativo	circulante	cíclico
(ACC)
Passivo	circulante	operacional	(PCO)	ou	passivo	circulante	cíclico
(PCC)
Ativo	não	circulante	(ANC) Passivo	não	circulante	(PNC)
Composição	do	capital	circulante	líquido	(CCL)
O	 capital	 circulante	 líquido	 (CCL),	 conforme	 a	 abordagem	 dinâmica,	 é	 composto	 pela
diferença	entre	os	passivos	não	circulantes	e	o	patrimônio	 líquido	e	os	ativos	não	circulantes.
No	 ativo	 não	 circulante	 estão	 incluídos	 os	 subgrupos:	 ativos	 realizáveis	 a	 longo	 prazo,
investimentos,	 imobilizados	e	intangíveis.	Assim,	o	CCL	pode	ser	demonstrado	pelas	seguintes
equações:
visão	clássica:
CCL	=	AC	(–)	PC
visão	estratégica:
CCL	=	(PNC	+	PL)	(–)	ANC
Necessidade	de	capital	de	giro	(NCG)
A	 necessidade	 de	 capital	 de	 giro	 (NCG),	 ou	 investimento	 operacional	 em	 giro	 (IOG),
representa	os	valores	investidos	em	ativos	operacionais,	especialmente	em	estoques	e	créditos
com	 clientes,	 cujo	 valor	 pode	 ser	 obtido	 pela	 diferença	 entre	 o	 ativo	 circulante	 operacional
(ACO)	 e	 o	 passivo	 circulante	 operacional	 (PCO).	 A	 necessidade	 de	 capital	 de	 giro	 (NCG)	 é
elemento	 fundamental	 para	 avaliar	 a	 situação	 financeira	 das	 empresas.	 Seu	 valor	 revela	 o
montante	 de	 recursos	 para	 manter	 o	 giro	 dos	 negócios.	 As	 contas	 que	 compõem	 a	 NCG
representam	operações	de	curto	prazo	e	de	retornos	rápidos,	que	são	totalmente	diferentes	das
contas	que	compõem	o	ativo	não	circulante,	pois	este	resulta	de	decisões	de	longo	prazo,	com
uma	perspectiva	bastante	 lenta	para	a	recuperação	do	capital	 investido.	Quaisquer	alterações
nas	políticas	de	compra,	estocagem	e	crédito	podem	produzir	efeitos	imediatos	sobre	o	fluxo	de
caixa	 e	 na	 necessidade	 de	 capital	 de	 giro,	 corroborando,	 assim,	 a	 importância	 desse	 tipo	 de
análise	 para	 caracterizar	 o	 equilíbrio	 financeiro	 de	 curto	 prazo	 das	 organizações.	 Se	 o	 saldo
dessa	variável	for	positivo,	indica	que	um	volume	significativo	do	capital	de	giro	líquido	está	na
forma	de	aplicações	em	ativos	operacionais,	como	estoques	e	contas	a	receber.	Por	outro	lado,
se	for	negativo	(origem	de	recursos),	entende-se	que	os	recursos	destinados	ao	capital	de	giro
estão	na	forma	de	ativos	líquidos,	ou	seja,	em	disponibilidades.	A	mensuração	da	NCG	pode	ser
demonstrada	pela	seguinte	fórmula:
NCG	=	ACO	(–)	PCO
Saldo	em	tesouraria	(ST)
Uma	importante	função	da	gerência	financeira	de	uma	empresa	é	acompanhar	a	evolução	do
saldo	 em	 tesouraria,	 a	 fim	 de	 evitar	 que	 permaneça	 constantemente	 negativo	 (origem)	 e
crescente.	A	maioria	das	empresas	que	opera	com	saldo	em	tesouraria	crescentemente	negativo
apresenta	 uma	 estrutura	 financeira	 inadequada,	 revelando	 uma	 dependência	 excessiva	 de
empréstimos	de	curto	prazo	e	descontos	de	duplicatas	que	poderá	levá-las	até	mesmo	ao	estado
de	insolvência.	De	modo	geral,	essas	empresas	enfrentam	sérias	dificuldades	para	resgatar	seus
empréstimos	de	curto	prazo	quando	os	bancos,	por	qualquer	motivo,	recusam-se	a	renová-los.
Por	intermédio	do	saldo	em	tesouraria	pode-se	identificar	o	grau	de	utilização	de	recursos	de
terceiros	de	curto	prazo	para	financiar	as	necessidades	de	capital	de	giro	da	empresa.	Caso	o
saldo	seja	positivo,	deduz-se	que	a	organização	possui	folga	financeira,	ou	seja,	possui	recursos
financeiros	 aplicados	 em	 curto	 prazo.	 Se	 o	 saldo	 for	 negativo,	 significa	 que	 os	 recursos
financeiros	de	curto	prazo	estão	financiando	as	atividades	operacionais	da	empresa,	isso	porque
o	saldo	em	tesouraria	pode	sinalizar	o	grau	de	adequação	da	política	financeira	empregada	pela
administração.	Quando	positivo,	 indica	disponibilidade	de	recursos	para	garantir	a	 liquidez	de
curtíssimo	 prazo	 do	 empreendimento.	 Caso	 seja	 negativo,	 pode	 evidenciar	 dificuldades
financeiras	iminentes,	em	especial,	por	ocasião	da	manutenção	de	saldos	negativos	sucessivos	e
crescentes.	O	acompanhamento	da	evolução	do	saldo	em	tesouraria	no	decorrer	de	exercícios
sociais	 sucessivos,	 bem	 como	 das	 causas	 das	 eventuais	 alterações	 de	 tendências	 percebidas,
representa	o	cerne	do	modelo	da	gestão	dinâmica	do	capital	de	giro.
O	 resultado	 da	 tesouraria	 deve	 ser	 analisado	 com	 cautela,	 pois,	 uma	 vez	 que	 exista	 folga
financeira,	esta	deve	representar	o	saldo	em	aplicações	financeiras	ou,	até	mesmo,	o	saldo	de
outros	ativos	com	alta	liquidez	e	apropriada	remuneração.	O	mesmo	não	poderia	ser	dito	para	a
tesouraria	 positiva,	 formada	 por	 elevados	 saldos	 em	 contas	 confusas,	 como	 outros	 créditos,
adiantamentos,	 entre	 outras,	 que	 poderiam	 esconder	 recursos	 cujas	 realizações	 jamais	 se
consolidarão.	 Do	 mesmo	 modo,	 uma	 tesouraria	 positiva,	 com	 elevados	 saldos	 em
disponibilidades,	 expressa	 a	 inoperância	 da	 gerência	 de	 recursos	 financeiros,	 tendo	 em	 vista
que	 os	 recursos	 disponíveis	 deveriam	 estar	 aplicados	 em	 outros	 ativos	 da	 empresa	 para	 a
obtenção	de	maior	rentabilidade.
O	saldo	em	tesouraria	(ST)	é	demonstrado	pela	seguintefórmula:
ST	=	ACF	(–)PCF
Efeito	tesoura	(ET)
O	 efeito	 tesoura	 é	 um	 indicador	 que	 evidencia	 o	 descontrole	 no	 crescimento	 das	 fontes
onerosas	de	 recursos	no	 curto	prazo	e	ocorre	quando	o	 saldo	em	 tesouraria	 apresenta-se	em
crescente	negativo	(origem)	a	cada	exercício,	variando	em	níveis	superiores	ao	crescimento	da
necessidade	 de	 capital	 de	 giro.	Desse	modo,	 quando	 a	 necessidade	 de	 capital	 de	 giro	 cresce
percentualmente	a	uma	taxa	superior	ao	capital	de	giro	(CDG),	observa-se	a	ocorrência	do	efeito
tesoura,	que	representa	a	fragilização	das	condições	de	solvência	da	empresa.
Caso	o	saldo	em	tesouraria	se	mostre	crescentemente	negativo,	evidencia-se	que	a	empresa
poderá	caminhar	a	passos	 largos	para	a	 insolvência.	É	 importante	observar	que	o	 fato	de,	em
um	único	ano,	o	saldo	em	tesouraria	ficar	negativo	não	é	preocupante.	O	problema	é	quando,	ao
longo	de	um	período	de	pelo	menos	três	anos,	observa-se	a	tendência	de	diminuição	ou	perda	do
saldo.	O	efeito	tesoura,	portanto,	é	consequência	de	saldo	de	tesouraria	cada	vez	mais	negativo
(origem	de	recursos),	variando	em	proporção	superior	à	necessidade	de	capital	de	giro.
A	tabela	1	exemplifica	o	efeito	tesoura	(ET).
Tabela	1
EXEMPLO	DO	EFEITO	TESOURA
Anos NCG CDG ST*
2011 100 80 –20
2012 120 90 –30
2013 150 100 –50
(*)	Aritmeticamente	os	valores	são	negativos	(origem	de	recursos).
Portanto,	para	que	a	diferença	algébrica	entre	o	CDG	e	a	NCG	reflita	o	efeito	tesoura	(veja
tabela	1)	foi	trabalhado	em	módulo,	ou	seja,	o	ST	de	2011,	igual	a	20	(negativo),	é	20	(positivo)
e	assim	por	diante.	Quanto	aos	valores	do	saldo	em	tesouraria,	estes	representam	a	diferença
algébrica	entre	o	valor	do	capital	de	giro	e	o	da	necessidade	de	capital	de	giro,	e	não	estão	na
mesma	escala	matemática	das	variáveis	(NCG	e	CDG)	representadas	no	gráfico	da	figura	9.
Figura	9
VARIÁVEIS	DO	EFEITO	TESOURA
Fonte:	figura	com	dados	gerados	pelo	autor	para	o	exemplo	citado.
Pelo	gráfico,	observa-se	que,	nos	três	anos	(2011	a	2013),	o	capital	de	giro	(CDG),	que	é	uma
origem	de	recursos,	não	conseguiu	financiar	a	necessidade	de	capital	de	giro	(NCG),	que	é	uma
aplicação,	 pois	 os	 valores	 da	 NCG	 (conforme	 tabela)	 são	 maiores	 do	 que	 o	 CDG.	 O	 gap
apresentado	 no	 gráfico	 da	 figura	 9,	 portanto,	 é	 justamente	 o	 Saldo	 em	 Tesouraria	 (ST),
evidenciando	uma	origem	de	recurso,	ou	seja,	um	recurso	complementar	do	qual	a	empresa	se
utilizou	para	financiar	o	restante	da	NCG.
Os	saldos	de	tesouraria	(gap	de	$	20,	$	30	e	$	50),	referentes	ao	período	de	2011	a	2013,
foram	 financiados	 por	 origens	 de	 recursos	 mais	 onerosas,	 aquelas	 financiadas	 por	 passivo
circulante	financeiro	como	empréstimos	bancários.	Normalmente	as	empresas	financiam	o	gap
do	saldo	em	tesouraria	com	recursos	de	curto	prazo	e,	como	dito,	normalmente	esses	são	mais
onerosos.
Na	sequência,	apresenta-se	um	conjunto	de	representações	gráficas	da	empresa	ZHF,	para
exemplificar	os	conceitos	relacionados	à	administração	de	capital	de	giro.
A	empresa	ZHF	Ltda.	apresenta	as	variáveis	de	administração	de	capital	de	giro,	no	período
de	2011	a	2013,	indicadas	no	quadro	25.
Quadro	25
VARIÁVEIS	DE	ADMINISTRAÇÃO	DE	CAPITAL	DE	GIRO
Itens 2011 2012 2013
1.	ACF 50 200 300
2.	PCF 120 290 430
3.	ST*	=	ACF	(–)	PCF –70 –90 –130
4.	ACO 100 120 180
5.	PCO 70 80 120
6.	NCG	=	ACO	(–)	PCO 30 40 60
7.	AC	=	ACF	+	ACO 150 320 480
8.	PC	=	PCF	+	PCO 190 370 550
9.	CCL	=	AC	(–)	PC –40 –50 –70
10.	ANC 150 180 290
11.	PNC 70 80 160
12.	PL 40 50 60
13.	PP	=	(PNC	+	PL) 110 130 220
14.	Total	do	ativo 300 500 770
15.	Total	do	passivo	e	patrimônio	líquido 300 500 770
*	ST,	na	representação	gráfica,	será	apresentado	em	módulo.	Portanto	em	2011	o	módulo	de	70	(negativo)	é	70	(positivo).
Suponhamos	que,	a	cada	ano	(de	2011	a	2013),	a	empresa:
vem	 apresentando	 aumento	 no	 volume	 de	 vendas	 de	 bens	 e	 aumentando	 seu	 imobilizado	 –
máquinas;
toma	 empréstimos	 de	 curto	 prazo	 (mais	 onerosos)	 para	 financiar	 seu	 giro	 comercial	 (curto
prazo)	e	também	parte	de	seus	ativos	não	circulantes	(imobilizado	–	máquinas);
incorre	em	juros	de	curto	prazo	que	representam,	em	média,	40%	das	vendas.
Figura	10
REPRESENTAÇÕES	GRÁFICAS
Fonte:	figura	desenvolvida	pelo	autor,	com	os	dados	gerados	pelo	autor.
Obs.:	o	saldo	em	tesouraria	se	apresenta	como	margem	de	segurança	quando	o	ativo	circulante	financeiro	é	maior	que	o	passivo	circulante
financeiro	(ACF	>	PCF).
Dessa	forma,	podemos	resumir	que	a	empresa	ZHF	Ltda.	não	tem	capital	de	giro	(CDG),	pois
o	passivo	permanente	(PP	=	PNC	+	PL)	é	menor	que	o	ativo	não	circulante	(ANC)	no	período	de
três	anos	 (PP	<	ANC).	Portanto,	quando	não	há	capital	de	giro	é	porque	não	houve	 sobra	de
recursos	de	longo	prazo	para	financiar	as	aplicações	(ativos)	da	empresa.
Como	observado	no	parágrafo	anterior	e	nas	representações	gráficas	(figura	10),	a	cada	ano
houve	aumento	do	ativo	não	circulante	(ANC)	–	imobilizado,	máquinas	–,	porém	seu	crescimento
de	longo	prazo	está	sendo	financiado	pelo	passivo	circulante	financeiro	(PCF),	por	meio	do	saldo
em	tesouraria	(ST).
Pelo	 fato	de	 a	 empresa	apresentar	 crescente	necessidade	de	 capital	 de	giro	 (NCG)	 a	 cada
ano,	e	 considerando-se,	por	exemplo,	 a	necessidade	de	compra	de	mais	estoques,	o	 saldo	em
tesouraria	(ST)	está	sendo	utilizado	para	financiar	a	necessidade	de	capital	de	giro	total,	uma
vez	que	inexiste	capital	de	giro,	e	também	para	financiar	parte	do	ativo	não	circulante	(ANC).
Nesse	caso,	o	saldo	em	tesouraria	(ST)	está	gerando	desequilíbrio	financeiro,	pois,	como	já
explicitado,	esse	é	um	recurso	de	curto	prazo	(origem)	e	está	financiando	o	ativo	não	circulante
de	longo	prazo.
Critérios	de	análise	econômico-financeira
São	três	os	critérios	utilizados	em	análise	econômico-financeira:
análise	vertical;
análise	horizontal;
indicadores	econômico-financeiros	(indicadores	de	desempenho).
A	seguir,	trataremos	de	cada	um	desses	critérios.
Análise	vertical
Trata-se	 de	metodologia	 de	 análise	 que	mostra	 a	 participação	 percentual	 de	 cada	 um	 dos
itens	 das	 demonstrações	 contábeis	 em	 relação	 ao	 somatório	 de	 seu	 grupo	 e,	 conforme	 cita
Ribeiro	(2009b:135),	“este	processo	é	também	conhecido	por	análise	por	coeficientes”.
Com	esse	instrumento,	pode-se	visualizar,	de	modo	objetivo	e	direto,	a	representatividade	de
cada	 componente	 das	 demonstrações	 contábeis,	 identificando	 aqueles	 que	 mais	 contribuem
para	a	formação	do	conjunto	objeto	da	análise.
A	análise	vertical	é	de	grande	importância,	principalmente	quando	aplicada	à	demonstração
de	 resultado	 do	 exercício,	 porque	 possibilita	 detectar	 a	 composição	 percentual	 das	 receitas,
custos	 e	 despesas,	 evidenciando	 aquelas	 que	 mais	 influenciaram	 na	 formação	 do	 lucro	 ou
prejuízo.	 Conforme	 citam	 Perez	 Junior	 e	 Begalli	 (1999:195),	 “essa	 análise	 em	 períodos
sucessivos	pode	fornecer	uma	base	para	a	projeção	de	uma	demonstração	de	resultados”.
A	seguir,	apresentam-se,	no	quadro	26,	os	dados	do	balanço	patrimonial	da	empresa	fictícia
Estrela	Solitária	S/A	referentes	ao	exercício	de	2010,	que	servirão	de	base	para	exemplificarmos
a	análise	vertical.
Quadro	26
BALANÇO	PATRIMONIAL	DA	EMPRESA	ESTRELA	SOLITÁRIA	S/A	(ANÁLISE	VERTICAL)
Ativo 2010 % Passivo	+	PL 2010 %
Ativo	circulante 16.600 38,0 Passivo	circulante 15.800 36,1
Disponível 900 2,0 Empréstimos	e	financiamentos 5.400 12,3
Aplicações	financeiras 2.700 6,7 Fornecedores 5.600 12,8
Clientes 7.200 16,4 Provisões	sociais	e	tributárias 2.500 5,7
Estoques 5.800 13,2 Dividendos 2.300 5,2
	 	 	 	
Ativo	não	circulante 27.200 63,2 Passivo	não	circulante 5.000 11,4
Realizável	a	longo	prazo 2.000 4,5 Empréstimos	e	financiamentos 2.800 6,4
Investimentos 11.100 25,3 Debêntures 2.200 5,0
Imobilizado 10.000 22,8 	 	
Intangível 4.100 9,4 Patrimônio	líquido 23.000 52,5
	 	 	 Capital	social 12.000 27,4
	 	 	 Reservas	de	lucros 11.000 25,1
	 	 	 	 	
Ativo	total 43.800 100,0 Passivo	+	PL	total 43.800 100,0
No	 quadro	 27,	 apresentam-se	 os	 dados	 dademonstração	 dos	 resultados	 do	 exercício	 da
empresa	fictícia	Estrela	Solitária	S/A	referentes	ao	exercício	de	2010,	que	servirão	de	base	para
exemplificarmos	a	análise	vertical.
Quadro	27
DEMONSTRAÇÃO	DOS	RESULTADOS	DO	EXERCÍCIO	DA	EMPRESA	ESTRELA	SOLITÁRIA	S/A	(ANÁLISE	VERTICAL)
	 2010 %
Receita	operacional	líquida 45.800 100,0
(–)	CMV 16.100 35,2
Lucro	bruto 29.700 64,8
(–)	Despesas	operacionais 13.100 28,6
Comerciais 5.700 12,4
Administrativas 5.300 11,6
Financeiras 2.100 4,6
Lucro	operacional 16.600 36,2
(–)	IR	e	CSLL 5.300 11,6
Lucro	líquido	do	exercício 11.300 24,7
No	 balanço	 patrimonial,	 verifica-se	 o	 percentual	 que	 representa	 cada	 conta	 ou	 grupo	 de
contas	em	relação	ao	ativo	ou	passivo	total.	Na	demonstração	dos	resultados	do	exercício,	faz-se
a	comparação	de	cada	conta	de	despesa	ou	subtotal	com	a	receita	operacional	 líquida.	Assim,
pode-se	 avaliar	 a	 relevância	 ou	 representatividade	 de	 cada	 conta	 ou	 grupo	 em	 relação	 aos
valores	totais.
Com	base	nas	demonstrações	contábeis	da	empresa	Estrela	Solitária	S/A,	pode-se	concluir
sobre	uma	série	de	fatores,	como:
as	contas	mais	significativas	do	ativo	são	clientes	(16,4%)	e	investimentos	(25,3%);
as	 contas	 mais	 relevantes	 do	 passivo	 são	 fornecedores	 (12,8%)	 e	 empréstimos	 e
financiamentos	(12,3%);	já	do	patrimônio	líquido,	é	o	capital	social	(27,4%);
o	 custo	 das	 mercadorias	 vendidas	 representa	 35,2%	 do	 faturamento	 (receita	 operacional
líquida)	da	empresa;
as	 despesas	 operacionais	 (comerciais,	 administrativas	 e	 financeiras)	 representam	 28,6%	 do
faturamento	da	empresa;
a	 margem	 bruta	 do	 produto,	 a	 margem	 operacional	 e	 a	 margem	 líquida	 da	 empresa
representam	64,8%,	36,2%	e	24,7%,	respectivamente.
Uma	vez	demonstrada	a	importância	da	análise	vertical,	apresentaremos,	a	seguir,	o	segundo
critério	de	análise	econômico-financeira	–	a	análise	horizontal.
Análise	horizontal
A	análise	horizontal	é	efetuada	tomando-se	por	base	dois	ou	mais	exercícios	sociais,	com	a
finalidade	 de	 observar	 a	 evolução	 ou	 involução	 dos	 componentes.	 Observe	 que	 é	 na	 análise
horizontal	 que	 você	 pode	 identificar	 o	 comportamento	 dos	 diversos	 itens	 do	 patrimônio	 e,
principalmente,	dos	índices,	permitindo	a	análise	de	tendência.	Segundo	Perez	Junior	e	Begalli
(1999:195),	 “a	 análise	 horizontal	 enfatiza	 as	 modificações	 ou	 evoluções	 em	 cada	 conta	 das
demonstrações	financeiras	em	relação	a	uma	demonstração	básica,	geralmente	a	mais	antiga	da
série,	 a	 fim	 de	 caracterizar	 tendências”.	 No	 quadro	 28	 apresentamos	 os	 dados	 do	 balanço
patrimonial	da	empresa	fictícia	Estrela	Solitária	S/A	referentes	aos	exercícios	de	2010	e	2009,
que	servirão	de	base	para	exemplificarmos	a	análise	horizontal.
O	quadro	29	apresenta	os	dados	da	demonstração	dos	resultados	dos	exercícios	da	empresa
fictícia	Estrela	Solitária	S/A	referentes	aos	exercícios	de	2010	e	2009,	que	servirão	de	base	para
exemplificarmos	a	análise	horizontal.
Com	as	demonstrações	estruturadas	da	forma	anterior,	você	poderá	fazer	diversas	análises
comparativas,	 tanto	 da	 variação	 dos	 valores	 de	 cada	 conta	 ou	 grupo	 de	 contas	 ao	 longo	 dos
exercícios	quanto	da	variação	dos	índices	apresentados	pela	empresa	nos	períodos	analisados.
A	avaliação	das	modificações	das	contas	poderá	ser	realizada	por	meio	da	comparação	com:
variações	históricas	da	própria	empresa;
taxas	de	crescimento	da	economia;
taxas	de	crescimento	do	setor	a	que	pertence	a	empresa;
taxa	de	variação	da	inflação	oficial;
variações	nas	contas	idênticas	das	demonstrações	contábeis	de	concorrentes.
Quadro	28
BALANÇO	PATRIMONIAL	DA	EMPRESA	ESTRELA	SOLITÁRIA	S/A	(ANÁLISE	HORIZONTAL)
Ativo 2010 % 2009 % Passivo	+	PL 2010 % 2009 %
Ativo	circulante 16.600 133 12.500 100 Passivo	circulante 15.800 146 10.800 100
Disponível 900 150 600 100 Empréstimos/financiamentos 5.400 174 3.100 100
Aplicações	financeiras 2.700 113 2.400 100 Fornecedores 5.600 133 4.200 100
Clientes 7.200 131 5.500 100 Provisões	sociais/tributárias 2.500 108 2.300 100
Estoques 5.800 145 4.000 100 Dividendos 2.300 192 1.200 100
	 	
Ativo	não	circulante 27.200 118 23.000 100 Passivo	não	circulante 5.000 106 4.700 100
Realizável	a	longo	prazo 2.000 111 1.800 100 Empréstimos/financiamentos 2.800 112 2.500 100
Investimentos 11.100 116 9.600 100 Debêntures 2.200 100 2.200 100
Imobilizado 10.000 119 8.400 100 	
Intangível 4.100 128 3.200 100 Patrimônio	líquido 23.000 115 20.000 100
	 Capital	social 12.000 100 12.000 100
	 Reservas	de	lucros 11.000 137 8.000 100
	 	
Ativo	total 43.800 123 35.500 100 Passivo	+	PL	total 43.800 123 35.500 100
Quadro	29
DEMONSTRAÇÃO	DOS	RESULTADOS	DO	EXERCÍCIO	DA	EMPRESA	ESTRELA	SOLITÁRIA	S/A	(ANÁLISE	HORIZONTAL)
	 2010 % 2009 %
Receita	operacional	líquida 45.800 139 33.000 100
(–)	CMV 16.100 134 12.000 100
Lucro	bruto 29.700 119 25.000 100
(–)	Despesas	operacionais 13.100 124 10.600 100
Comerciais 5.100 119 4.300 100
Administrativas 5.300 110 4.800 100
Financeiras 2.700 108 2.500 100
Lucro	operacional 16.600 115 14.400 100
(–)	IR	e	CSLL 5.300 110 4.800 100
Lucro	líquido	do	exercício 11.300 118 9.600 100
A	análise	horizontal,	conforme	demonstrado,	representa	um	critério	interessante	na	análise
econômico-financeira,	gerando	uma	informação	complementar	à	análise	vertical.	Entretanto,	o
critério	mais	completo	e	profundo,	que	gera	o	maior	volume	de	informações	para	o	analista,	é	o
critério	 de	 indicadores	 econômico-financeiros.	 A	 seguir,	 apresentaremos	 detalhadamente	 esse
critério	de	análise.
Indicadores	econômico-financeiros
O	nível	de	segurança	que	se	obtém	de	um	relatório	 técnico	acerca	da	situação	econômico-
financeira	 de	 uma	 entidade	 está	 intimamente	 relacionado	 ao	 período	 que	 se	 utiliza	 para
avaliação.	 Isso	 quer	 dizer	 que	 o	 gestor	 deve	 valer-se	 das	 demonstrações	 contábeis	 de,	 pelo
menos,	 dois	 exercícios	 sociais,	 e	 delas	 extrair	 os	 diversos	 indicadores	 que	 lhe	 forneçam	 as
informações	desejadas.
Ao	 usuário	 interno	 (gestor)	 da	 empresa	 importa,	 fundamentalmente,	 detectar	 problemas	 e
pontos	fortes	existentes	para,	a	partir	daí,	traçar	estratégia	no	sentido	de	corrigir	as	falhas	ou
aproveitar	 as	 oportunidades.	 Já	 aos	 usuários	 externos	 (credores,	 investidores,	 fornecedores,
entre	 outros)	 interessa	 avaliar	 a	 viabilidade	 ou	 não	 da	 aplicação	 de	 recursos	 na	 empresa,
concessão	de	créditos	e	captação	de	recursos.	Ou	seja,	a	necessidade	de	informação	do	analista
é	que	determinará	os	indicadores	a	serem	avaliados	e	os	caminhos	a	serem	seguidos.
Em	 um	 empréstimo	 de	 curto	 prazo,	 por	 exemplo,	 o	 gerente	 de	 um	 banco	 –	 interessado
fundamentalmente	em	receber	os	valores	referentes	aos	empréstimos	concedidos	–	privilegiará
os	 aspectos	 de	 liquidez,	 para	 avaliação	 de	 solvência,	 e	 endividamento,	 para	 determinação	 do
fator	de	risco.	Já	em	se	tratando	de	empréstimo	de	longo	prazo,	o	gerente	dará	ênfase	também	à
capacidade	de	geração	de	lucro	e	à	eficiência	operacional	da	empresa,	ou	seja,	ao	enfoque	da
lucratividade	 e	 rentabilidade.	 De	 acordo	 com	 Perez	 Junior	 e	 Begalli	 (1999:196),	 “um	 dos
principais	 instrumentos	 para	 se	 avaliarem	 certos	 aspectos	 dos	 desempenhos	 –	 passados,
presentes	e	futuros	–	da	empresa	é	a	análise	de	índices	econômico-financeiros”.
Os	 índices	 ou	 indicadores	 estabelecem	 a	 relação	 entre	 contas	 ou	 grupo	 de	 contas	 das
demonstrações	 contábeis	 visando	 evidenciar	 determinado	 aspecto	 da	 situação	 econômico-
financeira	 de	 uma	 empresa.	 No	 entanto,	 cabe	 ressaltar	 que	 não	 é	 só	 a	 análise	 por	 meio	 de
alguns	índices	que	apresenta	um	resultado	final	sobre	o	desempenho	da	empresa.	Para	que	seja
desenvolvido	o	relatório	final,	torna-se	necessária	a	utilização	de	vários	componentes	de	análise
específicos	 sobre	 a	 estrutura	 financeira	 e	 econômica	 da	 entidade.	 Dessa	 forma,	 o	 índice	 não
deve	 ser	 considerado	 isoladamente,	mas	 sim	pelo	 aspecto	 dinâmico	 e	 dentro	 de	 um	 contextomais	amplo,	onde	outros	 indicadores	e	variáveis	devem	ser	 interpretados.	Exemplificando,	um
elevado	grau	de	endividamento	não	significa,	necessariamente,	que	a	empresa	esteja	à	beira	da
insolvência.	Há	empresas	que	convivem	com	níveis	 altos	de	endividamento	 sem	comprometer
sua	 solvência,	 já	 que	 há	 outros	 fatores	 que	 podem	 atenuar	 essa	 condição,	 como	 uma
concentração	maior	desse	endividamento	no	longo	prazo	através	de	fontes	menos	onerosas	de
recursos.
Para	melhor	compreensão	da	 influência	de	cada	 indicador	na	análise,	você	verá	 índices	de
estrutura	 de	 capital,	 de	 liquidez,	 de	 lucratividade,	 de	 rentabilidade,	 de	 prazos	 médios	 e
necessidade	de	capital	de	giro.	Cada	um	deles	será,	a	seguir,	discriminado:
índices	de	estrutura	de	capital	–	avaliam	a	segurança	oferecida	pela	empresa	aos	capitais	de
terceiros	 e	 revelam	 sua	 política	 de	 captação	 de	 recursos,	 bem	 como	 a	 alocação	 deles	 nos
diversos	itens	do	ativo;
índices	 de	 liquidez	 –	medem	 a	 posição	 financeira	 da	 empresa	 em	 termos	 de	 capacidade	 de
pagamento;
índices	 de	 lucratividade	 –	 demonstram	 as	margens	 geradas	 sobre	 o	 faturamento	 líquido	 na
avaliação	do	resultado;
índices	de	rentabilidade	–	avaliam	o	desempenho	global	da	empresa	no	que	tange	ao	retorno
gerado	 aos	 investidores,	 análise	 do	 custo	 de	 oportunidade	 do	 capital	 e	 determinação	 de
payback;
indicadores	de	prazos	médios	–	revelam	a	política	de	compra,	estocagem	e	venda	da	empresa;
necessidade	de	capital	de	giro	(NCG)	–	mostra	a	carência	de	capital	de	giro	ou	folga	de	caixa
da	empresa.
Você	verá,	a	 seguir,	no	quadro	30,	um	exemplo	de	balanço	patrimonial	da	empresa	 fictícia
Estrela	Solitária	S/A,	 cujos	dados	 servirão	de	base	para	 o	 estudo	dos	 indicadores	 econômico-
financeiros.
Quadro	30
BALANÇO	PATRIMONIAL	DA	EMPRESA	ESTRELA	SOLITÁRIA	S/A	(INDICADORES	ECONÔMICO-FINANCEIROS)
Ativo 2010 2009 Passivo	+	PL 2010 2009
Ativo	circulante 16.600 12.500 Passivo	circulante 15.800 10.800
Disponível 900 600 Empréstimos	e	financiamentos 5.400 3.100
Aplicações	financeiras 2.700 2.400 Fornecedores 5.600 4.200
Clientes 7.200 5.500 Provisões	sociais	e	tributárias 2.500 2.300
Estoques 5.800 4.000 Dividendos 2.300 1.200
	 	
Ativo	não	circulante 27.200 23.000 Passivo	não	circulante 5.000 4.700
Realizável	a	longo	prazo 2.000 1.800 Empréstimos	e	financiamentos 2.800 2.500
Investimentos 11.100 9.600 Debêntures 2.200 2.200
Imobilizado 10.000 8.400 	
Intangível 4.100 3.200 Patrimônio	líquido 23.000 20.000
	 Capital	social 12.000 12.000
	 Reservas	de	lucros 11.000 8.000
	 	
Ativo	total 43.800 35.500 Passivo	+	PL	total 43.800 35.500
Obs.:	montante	de	compras:	$	54.000	em	2009	e	$	72.000	em	2010.
No	 quadro	 31	 você	 verá	 um	 exemplo	 de	 demonstração	 dos	 resultados	 do	 exercício	 da
empresa	 fictícia	 Estrela	 Solitária	 S/A,	 cujos	 dados	 servirão	 de	 base	 para	 o	 estudo	 dos
indicadores	econômico-financeiros.
Quadro	31
DEMONSTRAÇÃO	DOS	RESULTADOS	DO	EXERCÍCIO	DA	EMPRESA	ESTRELA	SOLITÁRIA	S/A	(INDICADORES	ECONÔMICO-
FINANCEIROS)
	 2010 2009
Receita	operacional	líquida 45.800 33.000
(–)	CMV 16.100 12.000
Lucro	bruto 29.700 25.000
(–)	Despesas	operacionais 13.100 10.600
Comerciais 5.700 4.300
Administrativas 5.300 4.800
Financeiras 2.100 2.500
Lucro	operacional 16.600 14.400
(–)	IR	e	CSLL 5.300 4.800
Lucro	líquido	do	exercício 11.300 9.600
Com	 base	 nos	 relatórios	 apresentados,	 aplicaremos	 os	 indicadores	 de	 análise	 econômico-
financeira	e	discriminaremos	cada	índice.
Índices	de	estrutura	de	capital
Os	índices	de	estrutura	de	capital	avaliam	a	segurança	que	a	empresa	oferece	aos	capitais	de
terceiros	e	revelam	sua	política	de	captação	de	recursos	e	de	alocação	deles	nos	diversos	itens
do	ativo.	O	ativo	de	uma	empresa	é	financiado	pelos	capitais	próprios	(patrimônio	líquido)	e	por
capitais	 de	 terceiros	 (passivo	 circulante	 e	 passivo	 não	 circulante).	 Quanto	 maior	 for	 a
participação	de	recursos	de	terceiros	nos	negócios	de	uma	empresa,	maior	será	o	risco	ao	qual
os	credores	(capitais	de	terceiros)	estarão	expostos.	Os	principais	 indicadores	de	estrutura	de
capital	 para	 avaliação	 do	 grau	 de	 endividamento	 e	 fator	 de	 risco	 de	 uma	 empresa	 são
apresentados	no	quadro	32.
Quadro	32
ÍNDICES	DE	ESTRUTURA	DE	CAPITAL
Endividamento	geral EG
Composição	do	endividamento CE
Imobilização	do	capital	próprio IPL
Imobilização	de	recursos	não	correntes IRNC
Passivos	onerosos	sobre	ativo Posa
Cada	um	deles	será,	aqui,	discriminado.
ENDIVIDAMENTO	GERAL	(EG)
(PC	+	PNC)	÷	Ativo	total
onde	PC	=	passivo	circulante	e	PNC	=	passivo	não	circulante.
Esse	 índice	 demonstra	 a	 estrutura	 de	 capital	 da	 empresa	 apontando,	 assim,	 seu	 grau	 de
endividamento.	 É	 por	 meio	 desse	 indicador	 que	 se	 identifica	 se	 a	 empresa	 tem	 maior
dependência	por	capital	próprio	ou	capital	de	terceiros	no	financiamento	do	ativo.	Quanto	maior
a	dependência	de	capital	de	terceiros,	maior	será	o	risco	oferecido	às	instituições	financeiras	na
concessão	de	créditos.	Entretanto,	é	importante	ressaltar	que	determinadas	empresas	convivem
bem	com	endividamento	elevado,	principalmente	quando	esse	endividamento	apresenta	um	viés
de	 longo	 prazo,	 ou	 quando,	 mesmo	 que	 de	 curto	 prazo,	 esses	 recursos	 são	 compostos	 por
passivos	não	onerosos.	Nesse	caso,	o	fundamental	é	manter	uma	boa	política	de	administração
de	prazos	de	pagamento	com	os	bancos	e	fornecedores.
A	Estrela	Solitária	S/A	apresenta	um	endividamento	geral	(EG)	de	43,6%	em	2009	[($	10.800
+	$	4.700)	÷	$	35.500	×	100]	e	47,5%	em	2010	[($	15.800	+	$	5.000)	÷	$	43.800	×	100].	Logo,
pode-se	concluir	que:
a	empresa	deve,	em	curto	e	 longo	prazos,	o	 correspondente	a	43,6%	de	 seu	ativo	em	2009,
aumentando	para	47,5%	em	2010;
há	uma	predominância	de	capital	próprio	no	financiamento	do	ativo,	muito	embora	a	captação
de	recursos	de	terceiros	venha	aumentando	ao	longo	dos	anos	analisados;
dos	recursos	 investidos	no	ativo,	43,6%	em	2009	provêm	de	terceiros	(fornecedores,	bancos,
governo)	e	o	restante	(56,4%)	são	provenientes	de	recursos	próprios	(patrimônio	líquido).	Em
2010,	 a	 dependência	 de	 capital	 de	 terceiros	 aumentou	 para	 47,5%,	 reduzindo	 assim	 a
participação	de	capital	próprio	para	52,5%.
Pelos	 indicadores	 apresentados	 nos	 dois	 exercícios	 pode-se	 concluir	 que	 a	 empresa	 vem
aumentando	 a	 dependência	 de	 capital	 de	 terceiros	 no	 financiamento	 do	 ativo,	 sinalizando,
assim,	um	aumento	do	grau	de	endividamento,	o	que	contribui	para	elevar	seu	 fator	de	risco.
Entretanto,	cabe	ressaltar	que	a	situação	ainda	é	confortável,	pois	nos	dois	anos	ainda	há	maior
predominância	de	capital	próprio.
A	análise	da	adequação	desse	 índice	para	a	empresa	dependerá,	entre	outros	aspectos,	de
comparações	 com	os	 índices	 apresentados	por	 outras	 empresas	do	mesmo	 setor	 econômico	 –
conhecida	como	análise	setorial	–,	da	tendência	demonstrada	na	análise	de	diversos	exercícios,
da	 composição	 do	 endividamento	 (curto	 ou	 longo	 prazo)	 e,	 ainda,	 do	 custo	 financeiro	 dessas
dívidas.
COMPOSIÇÃO	DO	ENDIVIDAMENTO	(CE)
PC	÷	(PC	+	PNC)
O	 índice	de	composição	do	endividamento	 tem	o	objetivo	de	demonstrar	a	política	adotada
quanto	à	forma	de	captação	de	recursos	de	terceiros,	ou	seja,	se	a	empresa	concentra	a	maior
parte	de	suas	dívidas	no	curto	ou	no	longo	prazo.	Admite-se	que	quanto	maior	a	concentração
de	endividamento	no	curto	prazo,	maior	será	o	 risco	oferecido	pela	empresa	a	seus	credores.
Por	 outro	 lado,	 um	 endividamento	 com	 perfil	 de	 longo	 prazo,	 principalmente	 para	 o
financiamento	do	ativo	não	circulante,	propicia	à	empresa	situação	mais	confortável,	podendo
sinalizar,	portanto,	eficiente	política	de	captação	de	recursos.
A	Estrela	Solitária	S/A	apresenta	uma	composição	do	endividamento	(CE)	de	69,7%	em	2009
[$	 10.800	 ÷	 ($	 10.800	 +	 $	 4.700)	 ×	 100],	 ou	 seja,	 69,7%	 do	 endividamento	 da	 empresa
concentram-se	 no	 curto	 prazo.	 Ou,	 ainda,	 de	 cada	 $	 100	 de	 dívidas	 totais,	 $	 69,7	 estão
concentradasno	passivo	circulante,	o	que	configura	elevado	endividamento	de	curto	prazo.	Já
em	 2010,	 a	 composição	 da	 dívida	 é	 de	 75,9%	 [$	 15.800	 ÷	 ($	 15.800	 +	 $	 5.000)	 ×	 100],
demonstrando	crescimento	da	concentração	do	endividamento	no	curto	prazo.	Pode-se,	então,
concluir	que,	das	dívidas	totais	da	empresa,	75,9%	vencerão	dentro	dos	próximos	12	meses.
IMOBILIZAÇÃO	DO	PATRIMÔNIO	LÍQUIDO	(IPL)
(ANC	–	RLP)	÷	PL
onde	ANC	=	ativo	não	circulante;	RLP	=	realizável	a	longo	prazo;	e	PL	=	patrimônio	líquido.
É	importante	lembrar	que	o	ativo	não	circulante	é	composto	por	quatro	subgrupos:	realizável
a	longo	prazo,	investimentos,	imobilizado	e	intangível.	Para	esses	dois	indicadores	em	questão	–
imobilização	do	patrimônio	líquido	e	imobilização	de	recursos	não	correntes	–	não	levaremos	em
consideração	o	realizável	a	longo	prazo.
O	 índice	exprime	o	quanto	dos	ativos	 investimentos,	 imobilizado	e	 intangível	da	empresa	é
financiado	 pelo	 seu	 patrimônio	 líquido,	 evidenciando,	 dessa	 forma,	 a	 maior	 ou	 menor
dependência	de	aporte	de	recursos	de	terceiros	para	manutenção	de	seus	negócios.	A	correta
administração	dos	recursos	de	uma	empresa	pressupõe	uma	adequada	relação	dos	prazos	das
aplicações	 dos	 recursos	 com	 os	 prazos	 das	 origens	 desses	 recursos.	 Assim,	 convencionou-se
dizer	 que	 os	 ativos	 investimentos,	 imobilizado	 e	 intangível	 são	 financiados	 pelo	 patrimônio
líquido	 ou	 por	 financiamentos	 de	 longo	 prazo.	 Em	 princípio,	 o	 ideal	 é	 que	 as	 empresas
imobilizem	 a	 menor	 parcela	 possível	 de	 seus	 recursos	 próprios.	 Assim,	 não	 ficarão	 na
dependência	de	capitais	de	terceiros	para	a	movimentação	normal	de	seus	negócios.	O	gestor
deve	atentar	para	os	casos	em	que	a	empresa	possui	financiamentos	de	longo	prazo	para	novos
investimentos,	como	expansão	ou	modernização	de	seu	parque	fabril.	Nesses	casos,	o	índice	de
imobilização	 do	 capital	 próprio	 poderá	 apresentar-se	 em	 níveis	muito	 elevados.	 A	 política	 de
obtenção	de	fontes	de	longo	prazo,	porém,	revela	a	decisão	gerencial	dos	gestores.
A	Estrela	Solitária	S/A	apresenta	uma	imobilização	do	capital	próprio	(IPL)	de	106%	em	2009
[$	21.200	÷	$	20.000	×	100],	o	que	indica	que	a	empresa	está	imobilizando	a	totalidade	do	seu
capital,	necessitando,	ainda,	complementar	tais	investimentos	com	recursos	de	terceiros.	Já	em
2010,	o	IPL	ficou	em	109,6%	[$	25.200	÷	$	23.000	×	100];	logo,	a	dependência	por	capital	de
terceiros	 para	 complementar	 esses	 investimentos	 aumentou,	 devendo-se	 observar	 se	 os
financiamentos	de	longo	prazo	estão	financiando	o	permanente	a	um	custo	compatível	com	sua
capacidade	de	gerar	lucros.
Diante	 da	 situação	 apresentada,	 haverá	 a	 necessidade	 de	 se	 aplicar	mais	 um	 indicador,	 o
grau	de	imobilização	de	recursos	não	correntes,	a	fim	de	se	verificar	se	os	recursos	de	terceiros
de	 longo	 prazo	 foram	 suficientes	 para	 complementar	 os	 investimentos	 efetuados	 nos	 ativos
investimentos,	imobilizado	e	intangível.
IMOBILIZAÇÃO	DE	RECURSOS	NÃO	CORRENTES	(IRNC)
(ANC	–	RLP)	÷	(PL	+	PNC)
Esse	 indicador	 demonstra	 qual	 o	 percentual	 de	 recursos	 não	 correntes	 (passivo	 não
circulante	 e	 patrimônio	 líquido)	 que	 foi	 revertido	 para	 aplicação	 nos	 ativos	 investimentos,
imobilizado	 e	 intangível.	 Na	 prática,	 esse	 indicador	 tem	 papel	 fundamental	 quando	 o	 capital
próprio	 (patrimônio	 líquido)	 demonstra-se	 insuficiente	 para	 cobrir	 as	 aplicações	 de	 recursos
efetuadas	em	 investimentos,	 imobilizado	e	 intangível,	 o	que	 faz	com	que	a	empresa	necessite
captar	recursos	de	terceiros	em	longo	prazo	para	financiar	tal	aplicação.
A	Estrela	Solitária	S/A	demonstra	um	 indicador	de	 imobilização	de	 recursos	não	correntes
(IRNC)	de	85,8%	em	2009	[$	21.200	÷	($	20.000	+	$	4.700)	×	100].	Como	os	recursos	próprios
não	 haviam	 sido	 suficientes	 para	 cobrir	 os	 investimentos	 efetuados	 nos	 ativos	 investimentos,
imobilizado	e	intangível,	houve	a	necessidade	de	recorrer	a	capital	de	terceiros	de	longo	prazo
para	 complementar	 tais	 investimentos.	 Pelo	 indicador	 apresentado,	 podemos	 concluir	 que	 os
recursos	 de	 terceiros	 de	 longo	 prazo	 foram	 suficientes	 para	 complementar	 os	 investimentos
efetuados	 nos	 ativos	 investimentos,	 imobilizado	 e	 intangível,	 não	 havendo	 a	 necessidade	 de
envolver	os	recursos	de	terceiros	de	curto	prazo	no	financiamento	desse	ativo,	o	que	demonstra
adequada	alocação	de	recursos.	Em	2010,	o	índice	apresenta-se	em	90%	[$	25.200	÷	($	23.000
+	$	5.000)	×	100],	retratando	a	mesma	situação	identificada	em	2009.
PASSIVO	ONEROSO	SOBRE	ATIVO	(POSA)
(PCF	+	PNC)	÷	Ativo	total
onde	PCF	=	passivo	circulante	financeiro.
Esse	 índice	 mostra	 a	 participação	 das	 fontes	 onerosas	 de	 capital	 no	 financiamento	 dos
investimentos	totais	da	empresa,	revelando	sua	dependência	de	instituições	financeiras.	Supõe-
se	que	todo	exigível	em	longo	prazo	(passivo	não	circulante)	seja	oneroso;	caso	contrário,	deve
ser	 feita	 a	 exclusão	 da	 parcela	 não	 onerosa.	 Você	 deve	 observar	 que,	 quanto	maior	 for	 esse
índice,	maiores	serão	as	despesas	financeiras	incorridas,	impactando	o	resultado	do	exercício.
A	Estrela	Solitária	S/A	apresentou	um	passivo	oneroso	sobre	ativo	(Posa)	de	15,8%	em	2009
[($	3.100	+	$	2.500)	÷	$	35.500	×	100],	o	que	significa	que	15,8%	das	aplicações	efetuadas	no
ativo	 estão	 sendo	 financiados	 por	 recursos	 onerosos	 de	 terceiros.	 Em	 princípio,	 este	 não	 é
considerado	um	índice	elevado.	Entretanto,	deve-se	ponderar	o	custo	financeiro	incidente	sobre
os	$	2.500	de	financiamentos	em	longo	prazo,	bem	como	sua	finalidade.	Observe	que	o	gestor
deve	 adotar	 um	 padrão	 como	 referência	 para	 análise.	 Os	 padrões	 são	 divulgados
periodicamente	 através	 dos	 normativos	 das	 instituições	 financeiras.	 Em	 2010,	 o	 Posa	 foi	 de
18,7%	[($	5.400	+	$	2.800)	÷	$	43.800	×	100],	também	representando	um	índice	relativamente
baixo.
Índices	de	liquidez
Os	 índices	 de	 liquidez	 apontam	 a	 capacidade	 financeira	 da	 empresa	 para	 honrar	 os
compromissos	para	com	terceiros,	ou	seja,	a	capacidade	da	empresa	para	liquidar	suas	dívidas.
Evidenciam	 quanto	 a	 empresa	 dispõe	 de	 recursos	 (capital	 de	 giro)	 em	 relação	 às	 obrigações
assumidas	 no	 mesmo	 período.	 Os	 índices	 de	 liquidez	 mais	 aplicados	 em	 análise	 econômico-
financeira	 são:	 liquidez	 imediata,	 liquidez	 corrente,	 liquidez	 seca	 e	 liquidez	 geral.	 Cada	 um
fornece	 informações	diferentes	sobre	a	situação	 financeira	da	empresa.	Em	geral,	presume-se
que	quanto	maior	for	a	liquidez,	melhor	será	a	situação	financeira	da	empresa.	Entretanto,	não
podemos	aplicar	 isso	como	regra.	Você	deve	ter	em	mente	que	um	alto	 índice	de	 liquidez	não
representa,	 necessariamente,	 boa	 saúde	 financeira.	O	 cumprimento	 das	 obrigações	 nas	 datas
previstas	depende	de	uma	adequada	administração	dos	prazos	de	recebimento	e	de	pagamento
(índices	de	atividade).	Assim,	uma	empresa	que	possui	altos	 índices	de	 liquidez,	mas	mantém
mercadorias	 estocadas	 por	 períodos	 elevados,	 recebe	 com	 atraso	 suas	 vendas	 a	 prazo	 ou
mantém	 duplicatas	 incobráveis	 na	 conta	 clientes	 poderá	 ter	 problemas	 de	 liquidez,	 ou	 seja,
poderá	 ter	 dificuldades	 para	 honrar	 seus	 compromissos	 nos	 vencimentos.	Discriminaremos,	 a
seguir,	no	quadro	33,	os	indicadores	de	liquidez.
Quadro	33
ÍNDICES	DE	LIQUIDEZ
Liquidez	imediata LI
Liquidez	corrente LC
Liquidez	seca LS
Liquidez	geral LG
LIQUIDEZ	IMEDIATA	(LI)
Disponível
PC
Também	conhecido	como	liquidez	instantânea,	esse	índice	mede	a	capacidade	financeira	da
empresa	 para	 honrar	 seus	 compromissos	 de	 curto	 prazo	 contando	 apenas	 com	 suas
disponibilidades	 (caixa	 e	 bancos).	 Muller	 e	 Antonik	 (2008:131)	 informam	 que	 esse	 índice
“mostra	a	capacidade	imediata	de	cobertura	do	passivo	circulante	com	as	disponibilidades”.	A
liquidez	imediata	apresenta	sempre	um	índice	inferior	à	unidade,	pois	não	é	considerado	normal
a	empresa	manter	um	saldo	de	caixa	e	bancosem	nível	elevado	visando	garantir	pagamentos
que	 vencerão	 no	 curto	 prazo.	 Pode-se	 concluir,	 por	 esse	 indicador,	 que,	 uma	 vez	 em
crescimento,	 a	 empresa	 pode	 estar	 imobilizando	 recursos	 em	 tesouraria	 deixando	 de	 gerar
recursos	no	giro	dos	negócios.
A	 Estrela	 Solitária	 S/A	 apresentou	 uma	 liquidez	 imediata,	 em	 2009,	 de	 0,06	 ($	 600	 ÷	 $
10.800).	 Isso	equivale	a	dizer	que	a	empresa	poderá	dispor	de	$	0,06	de	recursos	disponíveis
(caixa	 e	 bancos)	 para	 pagar	 cada	 $	 1,00	 de	 dívidas	 de	 curto	 prazo	 (passivo	 circulante),
sinalizando	uma	eficiente	gestão	de	fluxo	de	caixa	pelo	fato	de	manter	uma	parcela	reduzida	de
recursos	em	tesouraria	para	fazer	frente	ao	seu	endividamento	circulante.	Em	2010,	a	liquidez
imediata	 da	 empresa	 apresentou-se	 no	 mesmo	 patamar,	 ou	 seja,	 0,06	 ($	 900	 ÷	 $	 15.800),
indicando	a	mesma	avaliação.
LIQUIDEZ	CORRENTE	(LC)
AC
PC
A	liquidez	corrente	é	um	dos	índices	mais	utilizados	em	análise	financeira.	Indica	de	quanto	a
empresa	 poderá	 dispor	 em	 termos	 de	 capital	 de	 giro	 (recursos	 de	 curto	 prazo,	 como
disponibilidades,	aplicações	financeiras,	clientes	e	estoques)	para	pagar	suas	dívidas	circulantes
(fornecedores,	empréstimos,	provisões	sociais,	provisões	tributárias,	dividendos,	entre	outras).
De	acordo	com	Muller	e	Antonik	(2008:131)	“o	índice	de	liquidez	corrente	mostra	a	capacidade
de	liquidez	ou	pagamento	da	empresa”.
A	Estrela	Solitária	S/A	apresentou	uma	 liquidez	corrente,	em	2009,	de	1,16	 ($	12.500	÷	$
10.800),	o	que	significa	que	a	empresa	poderá	dispor	de	$	1,16	de	capital	de	giro	(recursos	de
curto	prazo)	para	pagar	cada	$	1,00	de	dívidas	de	curto	prazo	(passivo	circulante),	revelando-se
com	capacidade	de	solvência.	Em	2010,	a	liquidez	corrente	da	empresa	apresentou-se	em	1,05
($	 16.600	÷	 $	 15.800)	 indicando	 que,	muito	 embora	 tenha	 ocorrido	 queda	 da	 capacidade	 de
pagamento,	 a	 empresa	 ainda	 apresenta	 capital	 de	 giro	 suficiente	 para	 honrar	 suas	 dívidas
circulantes.
LIQUIDEZ	SECA	(LS)
AC	–	Estoque
PC
Esse	índice	é	uma	medida	mais	rigorosa	para	avaliação	da	liquidez	da	empresa,	tratado	por
muitos	 especialistas	 como	 “teste	 do	 ácido”.	 Indica	 de	 quanto	 a	 empresa	 poderá	 dispor	 em
termos	de	capital	de	giro,	 sem	 levar	em	consideração	seus	estoques,	para	 fazer	 frente	a	suas
dívidas	de	curto	prazo.
É	natural	que,	ao	aplicar	esse	índice	em	empresas	comerciais	ou	industriais,	ou	até	mesmo
em	empresas	de	serviço	que	necessitem	de	estoque	para	desempenhar	sua	atividade	(empresas
do	 ramo	 hospitalar,	 por	 exemplo,	 que	 dependem	 de	materiais	médicos	 e	medicamentos	 para
atender	os	pacientes),	 o	 indicador	 se	 apresente	abaixo	da	unidade.	 Isoladamente,	 esse	 índice
não	diz	muita	 coisa.	 Seu	maior	 objetivo	 é	 identificar	 o	 grau	de	 dependência	 do	 estoque	para
saldar	as	dívidas	de	 curto	prazo.	Significa	dizer	que	um	 indicador	de	 liquidez	 corrente	muito
elevado	 pode	 estar	 comprometido	 por	 um	 alto	 grau	 de	 dependência	 do	 estoque,	 que	 para	 se
realizar	 depende	 de	 mercado.	 Dessa	 forma,	 conclui-se	 que	 nem	 sempre	 a	 liquidez	 corrente
muito	 elevada	 retrata	 uma	 situação	 financeira	 confortável;	 a	 necessidade	 de	 se	 avaliar	 o
estoque,	que	representa	um	dos	principais	componentes	do	capital	de	giro,	é	relevante,	a	fim	de
não	se	obter	uma	visão	míope	sobre	a	capacidade	de	liquidez	da	empresa.
A	Estrela	Solitária	S/A	apresentou,	em	2009,	uma	liquidez	seca	de	0,79	[($	12.500	–	$	4.000)
÷	 $	 10.800],	 o	 que	 demonstra	 que	 a	 empresa	 apresenta	 dependência	 de	 seus	 estoques	 para
saldar	suas	dívidas	de	curto	prazo.	Paralelamente,	conforme	comentado,	é	fundamental	verificar
o	 grau	 de	 dependência	 do	 estoque	 para	 saldar	 suas	 obrigações.	 Com	 base	 no	 indicador
apresentado,	 o	 grau	 de	 dependência	 do	 estoque	 é	 de	 32%	 [(1,16	 –	 0,79)	 ÷	 1,16],	 o	 que	 é
considerado	um	fator	aceitável,	não	comprometendo,	assim,	o	fator	de	liquidez	da	empresa.	Em
2010,	 a	 empresa	 apresenta	 uma	 liquidez	 seca	 de	 0,68	 [($	 16.600	 –	 $	 5.800)	 ÷	 $	 15.800],
gerando	um	grau	de	dependência	do	estoque	de	35%	[(1,05	–	0,68)	÷	1,05],	acompanhando	o
patamar	apresentado	em	2009.
LIQUIDEZ	GERAL	(LG)
AC	+	RLP
PC	+	PNC
onde	RLP	=	realizável	a	longo	prazo.
A	liquidez	geral,	ou	índice	de	solvência	geral,	é	uma	medida	da	capacidade	da	empresa	para
honrar	 todas	 as	 suas	 obrigações	 (de	 curto	 e	 longo	 prazos)	 contando,	 para	 isso,	 com	 seus
recursos	realizáveis	em	curto	e	longo	prazos.
A	Estrela	 Solitária	 S/A	 apresentou	 uma	 liquidez	 geral	 de	 0,92	 [($	 12.500	+	 $	 1.800)	÷	 ($
10.800	+	$	4.700)],	ou	seja,	para	cada	$	1,00	de	dívidas	totais,	a	empresa	dispõe	de	$	0,92	de
recursos	de	curto	e	longo	prazos.	Embora	o	indicador	se	apresente	abaixo	da	unidade,	isso	não
representa	um	 fator	preocupante	 em	 função	de	 a	 empresa	 estar	 financiando	o	 ativo	 com	boa
parcela	de	recursos	de	longo	prazo	–	o	que	é	uma	boa	política	de	captação	–	e	pelo	fato	de,	no
gargalo	 (curto	prazo),	 apresentar	 folga	 financeira,	 revelando-se	 com	capacidade	de	 solvência.
Em	2010,	a	liquidez	geral	apresentou-se	em	0,89	[($	16.600	+	$	2.000)	÷	($	15.800	+	$	5.000)],
o	 que	 demonstra	 uma	 ligeira	 queda	 pelo	 fato	 de	 a	 empresa	 ter	 aumentado	 ainda	 mais	 a
captação	de	recursos	de	longo	prazo	no	financiamento	do	ativo.
Índices	de	lucratividade	e	rentabilidade
A	 partir	 deste	momento,	 passa-se	 a	 utilizar,	 para	 a	 análise	 aqui	 realizada,	 não	 somente	 o
balanço	 patrimonial,	mas	 também	a	 demonstração	 dos	 resultados	 do	 exercício.	Os	 índices	 de
lucratividade	têm	a	finalidade	de	avaliar	as	margens	auferidas	no	resultado	da	empresa,	sejam
relacionadas	 ao	 produto	 ou	 à	 eficiência	 do	 negócio.	 Já	 os	 índices	 de	 rentabilidade	 têm	 por
objetivo	 avaliar	 o	 desempenho	 final	 da	 empresa.	 Todos	 os	 índices	 de	 lucratividade	 e
rentabilidade	 devem	 ser	 considerados	 “quanto	 maior,	 melhor”.	 Os	 principais	 índices	 de
lucratividade	e	rentabilidade	utilizados	são	apresentados	no	quadro	34.
Quadro	34
ÍNDICES	DE	LUCRATIVIDADE	E	RENTABILIDADE
Margem	bruta MB
Margem	operacional MO
Margem	líquida ML
Giro	do	ativo GA
Rentabilidade	do	patrimônio	líquido RPL
Rentabilidade	dos	investimentos RI
A	seguir	discriminaremos	cada	indicador.
MARGEM	BRUTA	(MB)
Lucro	bruto
Receita	operacional	líquida
	×100
A	margem	bruta	representa	a	lucratividade	auferida	sobre	a	mercadoria,	produto	ou	serviço
comercializado	pela	empresa.	Numa	análise	complementar,	esse	 indicador	revela	o	percentual
remanescente	 do	 faturamento	 líquido	 após	 a	 dedução	 do	 custo	 das	mercadorias	 ou	 produtos
vendidos	ou	dos	serviços	prestados	para	cobrir	as	despesas	operacionais	e	ainda,	se	possível,
gerar	lucro.
A	Estrela	Solitária	S/A	apresentou,	em	2009,	uma	margem	bruta	de	75,8%	 [($	25.000	÷	$
33.000)	×	100].	Significa	dizer	que	a	empresa	obteve	75,8%	de	 lucratividade	sobre	o	produto
comercializado,	 ou	 seja,	 há	 uma	 sobra	 de	 75,8%	 do	 faturamento	 líquido	 para	 arcar	 com	 as
despesas	 operacionais	 e	 ainda	 gerar,	 se	 possível,	 lucro.	 Em	 2010,	 apresentou	 uma	 margem
bruta	 de	 64,8%	 [($	 29.700	 ÷	 $	 45.800)	 ×	 100],	 o	 que	 demonstra	 redução	 da	 lucratividade
auferida	sobre	o	produto	e	menor	parcela	do	faturamento	 líquido	para	absorção	das	despesas
operacionais.
MARGEM	OPERACIONAL	(MO)
Lucro	operacional
Receita	operacional	líquida
	×100
A	margem	operacional	avalia	o	ganho	operacional	da	empresa	em	relação	a	seu	faturamento
líquido.	Esse	indicador	mensura	a	eficiência	operacional	do	negócio,	medido	exclusivamente	em
função	das	suas	operações	normais	(comerciais,	administrativas	e	financeiras)	realizadas	para
manutenção	da	atividade-fim.
A	Estrela	Solitária	S/A	apresentou,	em	2009,	uma	margem	operacional	de	43,6%	[($	14.400
÷	 $	 33.000)	 ×	 100],	 ou	 seja,	 a	 empresa	 obteve	 43,6%	 de	 retorno	 operacional	 sobre	 seu
faturamento	líquido.	Já	em	2010,	gerou	margem	operacional	de	36,2%	[($	16.600	÷	$	45.800)×
100],	o	que	representa	queda	de	eficiência	no	negócio.
Margem	líquida	(ML)
Lucro	líquido
Receita	operacional	líquida
	×100
A	exemplo	do	índice	anterior,	a	margem	líquida	é	uma	medida	da	lucratividade	obtida	pela
empresa.	 Entretanto,	 esse	 índice	 demonstra	 o	 retorno	 líquido	 da	 empresa	 sobre	 seu
faturamento	 líquido,	 diferindo	 da	 margem	 operacional	 em	 função	 de	 deduzir	 do	 lucro
operacional	 o	 impacto	 do	 imposto	 de	 renda	 e	 da	 contribuição	 social	 sobre	 o	 lucro,	 além	 das
participações	no	resultado.
A	 Estrela	 Solitária	 S/A	 apresentou	 uma	margem	 líquida	 de	 29,1%	 em	 2009	 [($	 9.600	÷	 $
33.000)	×	100],	ou	seja,	um	retorno	sobre	o	faturamento	líquido	equivalente	a	29,1%.	Em	2010,
a	margem	líquida	auferida	foi	de	24,7%	[($	11.300	÷	$	45.800)	×	100],	acompanhando	a	queda
refletida	na	margem	operacional.
GIRO	DO	ATIVO	(GA)
Vendas	líquidas
Ativo	total
Esse	 indicador	 demonstra	 se	 o	 faturamento	 líquido	 gerado	 no	 período	 foi	 suficiente	 para
cobrir	o	investimento	total	realizado	na	empresa.	Seu	maior	objetivo	é	avaliar	quantas	vezes	a
empresa	recuperou	o	montante	aplicado	no	ativo	por	meio	de	vendas	durante	um	determinado
período.	 Gitman	 (1997:115)	 ressalta	 que	 “geralmente,	 quanto	 maior	 o	 giro	 do	 ativo	 total	 da
empresa,	mais	eficientemente	seus	ativos	foram	usados”.	Esse	índice	é	bastante	dependente	do
setor	 de	 atuação	 da	 empresa,	 não	 sendo	 possível	 estabelecer	 padrões,	 e	 sua	 análise	 deve
sempre	 ser	 combinada	 com	 a	 análise	 dos	 indicadores	 de	 lucratividade	 apresentados
anteriormente.
A	Estrela	Solitária	S/A	demonstrou,	em	2009,	um	giro	do	ativo	de	0,93	($	33.000	÷	$	35.500).
Significa	dizer	que	a	empresa	vendeu	$	0,93	para	cada	$	1,00	investido,	ou	seja,	o	faturamento
líquido	não	foi	suficiente	para	recuperar	os	investimentos	totais	efetuados.	Já	em	2010,	o	giro	do
ativo	é	de	1,05	($	45.800	÷	$	43.800),	o	que	significa	que	o	faturamento	líquido	gerado	durante
o	período	foi	suficiente	para	cobrir	os	investimentos	efetuados.
RENTABILIDADE	DO	PATRIMÔNIO	LÍQUIDO	(RPL)
Lucro	líquido
Patrimônio	líquido
	×100
A	 rentabilidade	 do	 patrimônio	 líquido,	 também	 conhecida	 como	 retorno	 sobre	 o	 capital
próprio,	mede	a	remuneração	dos	capitais	próprios	 investidos	na	empresa,	ou	seja,	quanto	 foi
adicionado	 ao	 patrimônio	 líquido	 decorrente	 do	 resultado	 do	 período.	Esse	 indicador	 é	muito
conhecido	 como	 return	 on	 equity	 (ROE)	 e,	 embora	 esta	 seja	 uma	 expressão	 em	 inglês,	 por
hábito	 também	 é	 utilizada	 no	mercado	 nacional.	Do	 ponto	 de	 vista	 de	 quem	 investe	 em	uma
empresa,	o	RPL	ou	ROE	é	considerado	o	índice	mais	importante.	A	rentabilidade	do	patrimônio
líquido	permite,	além	de	avaliar	a	remuneração	do	capital	próprio,	analisar	se	esse	rendimento
é	 compatível	 com	outras	 alternativas	 de	 aplicação,	 como	 fundos	 de	 investimentos,	 aluguéis	 e
ações	 de	 empresas	 concorrentes.	 Um	 investidor,	 por	 exemplo,	 avaliando	 a	 rentabilidade	 do
patrimônio	líquido,	poderá	optar	por	uma	aplicação	no	mercado	financeiro	em	vez	de	aplicar	em
uma	empresa	que	está	oferecendo	baixa	rentabilidade.	Esse	tipo	de	análise	resulta	na	avaliação
do	custo	de	oportunidade	do	capital	aplicado	pelo	investidor,	pois	avalia	a	remuneração	que	se
deixa	de	auferir	em	função	de	oportunidade	de	investimento	descartada.
A	Estrela	Solitária	S/A	apresentou,	em	2009,	uma	rentabilidade	do	patrimônio	líquido	de	48%
[($	9.600	÷	$	20.000)	×	100],	o	que	significa	que	os	acionistas	obtiveram	uma	remuneração	de
48%	sobre	o	capital	investido	na	empresa.	Em	2010,	a	rentabilidade	aumentou	para	49,1%	[($
11.300	 ÷	 $	 23.000)	 ×	 100].	 A	 partir	 do	 indicador	 apresentado	 nos	 dois	 exercícios,	 pode-se
proceder	à	avaliação	do	custo	de	oportunidade	do	capital	comparando-se	o	retorno	gerado	sobre
o	 capital	 próprio	 com	 a	 rentabilidade	 do	 mercado	 financeiro	 de	 renda	 fixa	 e	 concluir	 se	 é
vantajoso	aplicar	recursos	nessa	empresa.
RENTABILIDADE	DOS	INVESTIMENTOS	(RI)
Lucro	líquido
Ativo	total
	×100
A	 rentabilidade	 dos	 investimentos	 também	 é	 chamada	 de	 return	 on	 investments	 (ROI)	 ou
poder	 de	 ganho	 e	 reflete	 o	 quanto	 a	 empresa	 está	 obtendo	 de	 retorno	 em	 relação	 aos
investimentos	totais.	Conforme	cita	Ribeiro	(2009b:171),	“este	quociente	evidencia	o	potencial
de	 geração	 de	 lucros	 por	 parte	 da	 empresa”.	 Por	 meio	 desse	 índice	 pode-se,	 também,
determinar	 o	payback	 do	 negócio,	 ou	 seja,	 em	 quanto	 tempo	 se	 recuperam	 os	 investimentos
totais	efetuados	na	entidade.
A	Estrela	Solitária	S/A	apresentou,	em	2009,	um	retorno	sobre	os	investimentos	de	27%	[($
9.600	÷	$	35.500)	×	100],	ou	seja,	o	lucro	líquido	do	exercício	representa	27%	do	total	investido
na	 empresa.	 Adicionalmente,	 pode-se	 concluir	 que	 a	 empresa	 consegue	 recuperar	 os
investimentos	totais	efetuados	no	ativo	(payback)	em	aproximadamente	3,7	anos	(100%	÷	27%),
considerando-se	 apenas	 o	 resultado	 gerado	 em	 suas	 operações.	 Em	2010,	 o	 retorno	 sobre	 os
investimentos	apresentou-se	em	25,8%	[($	11.300	÷	$	43.800)	×	100]	com	um	payback	de	3,9
anos	(100%	÷	25,8%).
Índices	de	prazos	médios
Os	 indicadores	 de	 prazos	 médios,	 também	 conhecidos	 como	 índices	 de	 atividade,
demonstram	 a	 dinâmica	 de	 alguns	 itens	 relevantes	 do	 patrimônio,	 isto	 é,	 quantos	 dias	 eles
levam	para	girar	durante	o	exercício	(rotação).	Não	devem	ser	analisados	individualmente,	mas
sempre	em	conjunto.	A	análise	dos	prazos	médios	constitui	 importante	 instrumento	para	você
conhecer	 a	 política	 de	 compra,	 estocagem	 e	 venda	 adotada	 pela	 empresa.	 A	 partir	 dela,	 é
possível	 constatar	 a	 eficiência	 com	 que	 os	 recursos	 estão	 sendo	 administrados	 (estoques,
fornecedores	e	clientes).	De	acordo	com	Gitman	(1997:111),	“os	índices	de	atividade	podem	ser
usados	para	medir	a	rapidez	com	que	as	contas	circulantes	–	estoques,	duplicatas	a	receber	e
duplicatas	 a	 pagar	 –	 são	 convertidas	 em	 caixa”.	 Todos	 os	 indicadores	 de	 prazos	 médios
pressupõem	que	os	valores	utilizados	como	numerador	(estoques,	fornecedores	e	clientes)	não
sofrem	 grandes	 alterações	 durante	 o	 exercício.	 Assim,	 por	 exemplo,	 se	 a	 conta	 estoques
apresenta	o	valor	de	$	300,00	no	balanço	patrimonial,	pressupõe-se	que	a	empresa	mantém	um
estoque	médio	desse	valor	durante	o	exercício.
Os	índices	de	prazos	médios	comumente	utilizados	são	apresentados	no	quadro	35.
Quadro	35
ÍNDICES	DE	PRAZOS	MÉDIOS
Prazo	médio	de	compras PMC
Prazo	médio	de	estoques PME
Prazo	médio	de	recebimentos PMR
Ciclo	operacional CO
Ciclo	financeiro CF
PRAZO	MÉDIO	DE	COMPRAS	(PMC)
Fornecedores
Montante	de	compras
	×360
O	 prazo	 médio	 de	 compras,	 também	 conhecido	 por	 prazo	 médio	 de	 pagamento,	 exprime
quanto	 tempo	 a	 empresa	 leva	 para	 pagar	 aos	 fornecedores	 suas	 obrigações	 decorrentes	 das
compras	 de	 matérias-primas	 ou	 mercadorias.	 Assim,	 pode-se	 dizer	 que	 o	 prazo	 médio	 de
pagamento	 corresponde	 ao	 número	 de	 dias	 que	 decorre,	 em	 média,	 entre	 a	 compra	 e	 o
respectivo	pagamento.	Quanto	mais	dilatado	for	o	prazo	médio	de	pagamento,	mais	satisfatória
será	a	situação	da	empresa,	pois	estará	financiando	seu	giro	com	recursos	não	onerosos.	Caso	o
montante	de	compras	(MC)	não	seja	fornecido,	este	valor	poderá	ser	determinado	da	seguinte
forma:
MC	=	CVM	+	estoque	final	–	estoque	inicial
A	 Estrela	 Solitária	 S/A	 apresenta	 um	 prazo	 médio	 de	 compras	 de	 28	 dias	 [($	 4.200	 ÷	 $
54.000)	×	 360],	 o	 que	 quer	 dizer	 que	 a	 empresa	 leva,	 em	média,	 28	 dias	 para	 liquidar	 seus
compromissos	 junto	 aos	 fornecedores.	 Em	 2010,	 a	 empresa	 apresenta	 um	 prazo	 médio	 de
pagamento	 de	 28	 dias	 [($	 5.600	 ÷	 $	 72.000)	 ×	 360],	 equivalente	 ao	 do	 exercício	 de	 2009,
mantendo,	 dessa	 forma,	 o	 período	 médio	 para	 liquidar	 suas	 obrigações	 para	 com	 os
fornecedores.
PRAZO	MÉDIO	DE	ESTOQUES	(PME)
Estoques
Custo	das	mercadorias	vendidas
	×360
O	 PME	 exprime	 quantos	 diasa	 empresa	 leva,	 em	 média,	 para	 realizar	 seus	 estoques.	 O
estoque	se	 realiza	por	meio	do	giro	que,	por	 sua	vez,	ocorre	em	 função	das	vendas.	Assim,	o
prazo	médio	de	estoque	é	o	tempo	decorrido	entre	a	compra	e	a	venda	das	mercadorias.	Esse
índice	 torna-se	ainda	mais	 relevante	quando	comparado	a	empresas	de	um	mesmo	segmento,
pois,	 conforme	 salienta	Gitman	 (1997:113),	 “o	 giro	 resultante	 é	 significativo	 somente	 quando
comparado	 ao	 de	 outras	 empresas	 pertencentes	 à	 mesma	 indústria	 ou	 ao	 giro	 passado	 dos
estoques	 da	 empresa”.	 Deve-se	 levar	 em	 consideração	 que,	 quanto	 menor	 for	 o	 período	 de
manutenção	 dos	 estoques,	 maior	 será	 o	 giro	 e,	 consequentemente,	 a	 empresa	 reduzirá	 seus
custos	de	estocagem	e	armazenagem.
A	Estrela	Solitária	S/A	apresentou	um	prazo	médio	de	estoques,	 em	2009,	de	120	dias	 [($
4.000	÷	$	12.000)	×	360],	ou	seja,	a	empresa	mantém	a	mercadoria	em	estoque,	em	média,	por
120	dias	desde	a	compra	até	a	venda,	o	que,	em	geral,	representa	um	período	bastante	elevado.
Em	2010,	o	prazo	médio	de	estoques	apresenta-se	em	130	dias	[($	5.800	÷	$	16.100)	×	360],
aumentando	 ainda	 mais	 o	 período	 de	 manutenção	 das	 mercadorias	 em	 estoque,	 o	 que
certamente	contribui	para	o	aumento	do	custo	de	estocagem,	 relacionado	não	 só	ao	custo	de
armazenagem	como	também	ao	custo	financeiro.
PRAZO	MÉDIO	DE	RECEBIMENTOS	(PMR)
Clientes
Receita	operacional	líquida
	×360
O	prazo	médio	de	recebimentos	retrata	quanto	tempo	a	empresa	leva	para	receber	dos	seus
clientes,	 indicando	o	tempo	decorrido	entre	a	venda	e	o	efetivo	ingresso	dos	recursos.	Quanto
menor	for	o	prazo	de	recebimento,	melhor	para	a	empresa,	pois	tais	recursos	contribuirão	para
a	redução	da	necessidade	de	capital	de	giro,	podendo	resultar	até	mesmo	numa	folga	de	caixa.
Esse	indicador,	conforme	abordado	por	Gitman	(1997:113),	“é	útil	na	avaliação	das	políticas	de
crédito	e	cobrança”.	Deve-se	ressaltar	que,	no	montante	de	clientes,	deverão	estar	contidos	os
créditos	de	curto	e	longo	prazos.
A	Estrela	Solitária	S/A	apresentou,	em	2009,	um	prazo	médio	de	recebimentos	de	60	dias	[($
5.500	 ÷	 $	 33.000)	 ×	 360].	 Logo,	 a	 empresa	 leva,	 em	 média,	 60	 dias	 para	 receber	 de	 seus
clientes.	Em	2010,	verifica-se	uma	melhora	do	prazo	médio	de	recebimentos,	reduzido	para	um
período	de	57	dias	[($	7.200	÷	$	45.800)	×	360].
CICLO	OPERACIONAL	(CO)
CO	=	PME	+	PMR
Indica	o	período	decorrido	entre	a	compra	da	mercadoria	ou	matéria-prima	e	o	recebimento
efetivo	referente	às	vendas	efetuadas.	Graficamente,	pode	ser	representado	pela	figura	11,	para
o	exercício	de	2010.
Figura	11
CICLO	OPERACIONAL
CICLO	FINANCEIRO	(CF)
CF	=	CO	–	PMC
Exprime	o	período	decorrido	entre	o	momento	do	pagamento	aos	 fornecedores	referente	à
compra	da	mercadoria	ou	matéria-prima	e	o	efetivo	recebimento	referente	às	vendas	efetuadas
aos	 clientes.	 O	 ciclo	 financeiro	 tem	 como	 intuito	 demonstrar	 o	 período	 em	 que	 a	 empresa
necessita,	 ou	 não,	 de	 financiamento	 complementar	 do	 seu	 ciclo	 operacional,	 gerando,	 assim,
necessidade	de	capital	de	giro	ou	folga	de	caixa.
A	figura	12	permite	visualizar	o	ciclo	financeiro.
Figura	12
CICLO	FINANCEIRO
O	ciclo	financeiro	é	gerado	pela	diferença	entre	o	ciclo	operacional	(PME	+	PMR)	e	o	prazo
médio	de	compras	(PMC),	e	corresponde	ao	período	decorrido	entre	o	pagamento	ao	fornecedor
e	 o	 momento	 em	 que	 a	 empresa	 recebe	 efetivamente	 do	 cliente.	 Para	 esse	 período	 (ciclo
financeiro),	a	empresa	pode	necessitar	ou	não	de	financiamento	complementar.	Caso	necessite
de	 financiamento	 complementar,	 este	 normalmente	 é	 suportado	 por	 capital	 próprio	 ou	 por
recursos	de	terceiros	onerosos	(o	que	é	mais	comum).	Um	dos	pontos	fundamentais	para	uma
eficiente	gestão	financeira	concentra-se	na	administração	dos	prazos	médios	expressos	através
do	ciclo	financeiro.
A	Estrela	Solitária	S/A	apresentou	um	CF	de	159	dias	[PME	(130)	+	PMR	(57)	–	PMC	(28)].
Significa	que	a	empresa	paga	seus	fornecedores	28	dias	após	a	compra	e	somente	159	dias	após
esse	 pagamento	 recebe	 o	 montante	 referente	 às	 vendas	 realizadas	 para	 os	 clientes.	 Para
financiar	 seus	 clientes	 por	 57	 dias	 e	 arcar	 com	 um	 ciclo	 financeiro	 de	 159	 dias	 a	 empresa
poderá,	 então,	utilizar-se	de	 recursos	próprios,	 recorrer	a	desconto	de	duplicatas	ou	a	outros
empréstimos	para	capital	de	giro.
Como	você	pôde	observar,	este	capítulo	tratou	de	apresentar	os	principais	critérios	utilizados
em	 análise	 fundamentalista,	 apontando	 os	 indicadores	 mais	 relevantes	 para	 que	 se	 possa
desenvolver	 uma	 análise	 conclusiva	 sobre	 a	 capacidade	 de	 liquidez,	 estrutura	 de	 capital,
alavancagem	financeira	e	rentabilidade	gerada	sobre	o	capital	aplicado.	Espera-se	que,	após	a
leitura	 e	 estudo	 deste	 capítulo,	 você	 seja	 capaz	 de	 realizar	 avaliações	 de	 solvência,
determinação	do	risco,	lucratividade	do	negócio,	payback	e	custo	de	oportunidade	do	capital,	o
que	certamente	lhe	respaldará	em	decisões	de	investimentos,	política	de	captação	de	recursos	e
avaliação	 financeira.	 É	 importante	 salientar	 que	 a	 análise	 econômico-financeira	 de	 uma
entidade	 por	 meio	 dos	 indicadores	 de	 desempenho	 apresentados	 também	 contribuirá	 para	 o
bom	desenvolvimento	do	planejamento	orçamentário.
Conclusão
Durante	 a	 elaboração	do	 livro,	 nosso	maior	 objetivo	 foi	 evidenciar	 a	 função	da	 contabilidade
como	 ferramenta	 fundamental	 para	 o	 processo	 decisório	 das	 organizações.	 Procuramos
demonstrar	que	tipo	de	informações	o	gestor	consegue	extrair	dos	relatórios	que	compõem	as
demonstrações	 contábeis	 e	 como	 utilizar	 tais	 informações	 para	 o	 planejamento,	 controle	 e
geração	de	resultados.
Buscamos,	 também,	apresentar	a	criação	e	o	desenvolvimento	da	ciência	contábil	ao	 longo
dos	 séculos,	 desde	 a	 ideia	 inicial	 de	 um	 simples	 registro	 até	 as	 mais	 recentes	 atualizações,
ocorridas	em	função	das	alterações	na	Lei	das	Sociedades	por	Ações	com	o	advento	das	Leis	no
11.638/2007	e	no	11.941/2009.
No	Brasil,	a	partir	de	2010,	houve	um	grande	avanço	da	contabilidade	em	função	do	processo
de	convergência	das	normas	brasileiras	às	normas	internacionais	de	contabilidade.	Tal	fato	vem
contribuindo	de	maneira	significativa	para	que	o	Brasil	passe	a	adotar	a	linguagem	universal	da
contabilidade,	utilizando	normas	semelhantes	às	aplicadas	nas	principais	economias	do	mundo.
Em	cada	capítulo,	procuramos	apresentar,	de	forma	detalhada,	a	estrutura	da	contabilidade,
as	 informações	geradas	nos	 relatórios	que	compõem	as	demonstrações	contábeis,	os	critérios
para	elaboração	das	demonstrações	contábeis	e	os	 indicadores	de	desempenho	aplicados	para
análise	 econômico-financeira.	 Com	 o	 intuito	 de	 tornar	 mais	 clara	 e	 eficiente	 a	 fixação	 dos
conceitos,	 desenvolvemos,	 no	 capítulo	 de	 encerramento	do	 livro,	 um	exemplo	prático	de	uma
empresa	fictícia	em	que	aplicamos	os	critérios	de	análise	econômico-financeira	para	avaliação.
Por	meio	 de	 análise	 vertical,	 análise	 horizontal	 e	 indicadores	 de	 desempenho	 desenvolvemos
comentários	sobre	a	situação	econômica,	financeira	e	operacional	dessa	empresa.
Desejamos	 finalizar	 sua	 leitura	 retornando	 ao	 ponto	 de	 partida	 deste	 livro,	 em	 nossa
introdução,	e	uma	vez	mais	enfatizar	a	eficácia	da	informação	contábil	no	ambiente	empresarial.
Todo	 o	 processo	 decisório	 das	 empresas	 depende	 de	 uma	 consulta	 aos	 resultados	 gerados
através	 da	 área	 de	 contabilidade,	 que	 recheia	 o	 sistema	 de	 informações	 das	 empresas	 com
análises	 de	 natureza	 econômica	 e	 financeira,	 sejam	 elas	 oficiais	 ou	 de	 cunho	 estritamente
gerencial.	 Citamos	 situações	 desde	 a	 aquisição	 de	 novos	 equipamentos	 para	 ampliação	 de
atividades	comerciais	e	industriais,	passando	por	adicionamento	de	valor	para	os	clientes,	até	a
aplicação	de	investimentos	em	participações	societárias	objetivando	a	diversificação	e	expansão
dos	 negócios.	 Demonstramos	 que	 a	 diversidade	 deinformações	 extraídas	 das	 demonstrações
contábeis	 contribui	 para	 o	 embasamento	 técnico	 suficiente	 para	 se	 proceder	 à	 aplicação	 dos
indicadores	 de	 desempenho	 a	 fim	 de	 se	 obter	 a	 percepção	 sobre	 o	 desempenho	 das
organizações,	 bem	 como	 sobre	 a	 situação	 econômico-financeira,	 que	 respaldam	 as	 projeções
orçamentárias	e	o	planejamento	estratégico.
A	 contabilidade	 tornou-se,	 assim,	 a	 base	 de	 informações	 das	 organizações	 e	 a	 maior
prestadora	de	serviços	a	seus	clientes	internos	e	externos.	Dessa	forma,	ao	término	da	leitura
você	terá	condições	de	utilizar	a	ferramenta	contábil	como	base	fundamental	para	decisões	de
captação	 de	 recursos,	 concessão	 de	 créditos,	 financiamento	 de	 operações,	 avaliação	 das
melhores	alternativas	de	investimentos,	entre	outras	decisões,	buscando	alavancar	as	operações
de	seu	negócio.
Referências
ALMEIDA,	Marcelo	Cavalcanti.	Manual	 prático	 de	 interpretação	 contábil	 da	 lei	 societária.	 São	 Paulo:	 Atlas,
2010.
BRAGA,	Hugo	Rocha.	Demonstrações	financeiras:	 estrutura,	 análise	e	 interpretação.	2.	 ed.	São	Paulo:	Atlas,
1990.
______.;	ALMEIDA,	Marcelo	C.	Mudanças	contábeis	da	lei	societária:	Lei	n.	11.638,	de	28	de	dezembro	de	2007.
São	Paulo:	Atlas,	2008.
BRASIL.	Lei	das	sociedades	por	ações:	Lei	no	6.404,	de	15	de	dezembro	de	1976:	legislação	complementar.	2.
ed.	São	Paulo:	Atlas,	1996.
______.	Lei	no	 10.303,	de	31	de	outubro	de	2001.	Altera	e	acrescenta	dispositivos	na	Lei	no	 6.404,	 de	15	de
dezembro	de	1976,	que	dispõe	sobre	as	Sociedades	por	Ações,	e	na	Lei	no	6.385,	de	7	de	dezembro	de	1976,
que	 dispõe	 sobre	 o	 mercado	 de	 valores	 mobiliários	 e	 cria	 a	 Comissão	 de	 Valores	Mobiliários.	 Brasília,	 DF,
Diário	 Oficial	 da	 União,	 1	 nov.	 2001.	 Disponível	 em:
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dezembro	de	1976,	e	da	Lei	no	6.385,	de	7	de	dezembro	de	1976,	e	estende	às	 sociedades	de	grande	porte
disposições	 relativas	à	elaboração	e	divulgação	de	demonstrações	 financeiras.	Brasília,	DF,	Diário	Oficial	 da
União,	 28	 dez.	 2007.	 E.	 extra.	 Disponível	 em:	 <www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2007/lei/l11638.htm>.	Acesso	em:	3	fev.	2011.
______.	Lei	no	11.941,	de	27	de	maio	de	2009.	Altera	a	 legislação	tributária	 federal	relativa	ao	parcelamento
ordinário	de	débitos	tributários;	concede	remissão	nos	casos	em	que	especifica;	 institui	regime	tributário	de
transição,	 alterando...	 Brasília,	 DF,	 Diário	 Oficial	 da	 União,	 28	 fev.	 2009.	 Disponível	 em:
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COMITÊ	 DE	 PRONUNCIAMENTOS	 CONTÁBEIS	 (CPC).	 Pronunciamento	 conceitual	 básico	 –	 Estrutura
conceitual	para	a	elaboração	e	apresentação	das	demonstrações	contábeis.	Brasília,	DF:	CPC,	2008a.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	03.	Demonstração	dos	fluxos	de	caixa.	Brasília,	DF:	CPC,	2008b.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	07.	Subvenção	e	assistência	governamentais.	Brasília,	DF:	CPC,	2008c.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	09.	Demonstração	do	valor	adicionado.	Brasília,	DF:	CPC,	2008d.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	18.	Investimento	em	coligada	e	em	controlada.	Brasília,	DF:	CPC,	2009a.
______.	 Pronunciamento	 técnico	 CPC	 23.	 Políticas	 contábeis,	 mudança	 de	 estimativa	 e	 retificação	 de	 erro.
Brasília,	DF:	CPC,	2009b.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	27.	Ativo	imobilizado.	Brasília,	DF:	CPC,	2009c.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	31.	Ativo	não	circulante	mantido	para	venda	e	operação	descontinuada.
Brasília,	DF:	CPC,	2009d.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	33.	Benefícios	a	empregados.	Brasília,	DF:	CPC,	2009e.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	38.	Instrumentos	financeiros:	reconhecimento	e	mensuração.	Brasília,	DF:
CPC,	2009f.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	01	(R1).	Redução	ao	valor	recuperável	de	ativos.	Brasília,	DF:	CPC,	2010a.
______.	 Pronunciamento	 técnico	 CPC	 02	 (R2).	 Efeitos	 das	 mudanças	 nas	 taxas	 de	 câmbio	 e	 conversão	 de
demonstrações	contábeis.	Brasília,	DF:	CPC,	2010b.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	03	(R2).	Demonstração	dos	fluxos	de	caixa.	Brasília,	DF:	CPC,	2010c.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	04	(R1).	Ativo	intangível.	Brasília,	DF:	CPC,	2010d.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	08	(R1).	Custos	de	 transação	e	prêmios	na	emissão	de	 títulos	e	valores
mobiliários.	Brasília,	DF:	CPC,	2010e.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	00	(R1).	Estrutura	conceitual	para	elaboração	e	divulgação	de	relatório
contábil-financeiro.	Brasília,	DF:	CPC,	2011a.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	15	(R1).	Combinação	de	negócios.	Brasília,	DF:	CPC,	2011b.
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venture).	Brasília,	DF:	CPC,	2011c.
______.	Pronunciamento	 técnico	CPC	26	 (R1).	Apresentação	das	demonstrações	contábeis.	Brasília,	DF:	CPC,
2011d.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	35	(R1).	Demonstrações	separadas.	Brasília,	DF:	CPC,	2011e.
______.	Pronunciamento	técnico	CPC	36	(R2).	Demonstrações	consolidadas.	Brasília,	DF:	CPC,	2011f.
CONSELHO	 FEDERAL	 DE	 CONTABILIDADE	 (CFC).	 Resolução	 no	 2011/1.374:	 dá	 nova	 redação	 à	 NBC	 TG
Estrutura	 Conceitual	 –	 Estrutura	 conceitual	 para	 elaboração	 e	 divulgação	 de	 relatório	 contábil-financeiro.
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Os	autores
André	Luis	Fernandes	Limeira
Mestre	em	ciências	contábeis	pela	Universidade	do	Estado	do	Rio	de	Janeiro	(Uerj).	Contador
pela	Faculdade	de	Ciências	Contábeis	e	Administrativas	Moraes	Júnior/Mackenzie.	Atuou	como
auditor	da	Deloitte	Touche	Tohmatsu.	Foi	professor	da	Escola	Naval	e	de	diversas	universidades
nos	cursos	de	administração	e	ciências	contábeis.	Coordenador	acadêmico	dos	MBAs	em	gestão
empresarial	 e	 gestão	 financeira,	 controladoria	 e	 auditoria	 do	 FGV	 Management.	 Professor
convidado	do	FGV	Management.	Coautor	dos	livros	Contabilidade	para	executivos	e	Gestão	de
custos.
Carlos	Alberto	dos	Santos	Silva
Mestre	em	ciências	contábeis	pela	Universidade	do	Estado	do	Rio	de	Janeiro	(Uerj),	doutor
em	 administração	 de	 empresas	 pela	 Florida	 Christian	 University	 (FCU),	 especialista	 em
administração	de	empresas	pela	Faculdade	de	Economia	São	Luiz	(SP),	onde	também	graduou-
se	em	economia	e	contabilidade.	Foi	diretor	financeiro	da	Alcatel	Telecomunicações	do	Brasil	e
executivo	financeiro	de	Laboratórios	Anakol	e	Letraset	Brasil.	Coautor	dos	livros	Controladoria
estratégica,	Gestão	de	clínicas	e	hospitais,	Gestão	de	custos	 e	Contabilidade	 para	 executivos.
Professor	convidado	do	FGV	Management.
Carlos	Vieira
Mestre	 em	 ciências	 contábeis	 pela	 Universidade	 do	 Estado	 do	 Rio	 de	 Janeiro	 (Uerj).
Especialista	em	finanças	pela	Pontifícia	Universidade	Católica	do	Rio	de	Janeiro	(PUC-Rio).	Pós-
graduado	em	ciências	contábeis	pelo	Instituto	Superior	de	Estudos	Sociais	Clóvis	Bevilácqua	e
graduado	 em	 economia	 pela	 Universidade	 Gama	 Filho.	 Professor	 convidado	 do	 FGV
Management.	Consultor	de	empresas	nas	áreas	de	contabilidade	e	finanças.
Raimundo	Nonato	Souza	Silva
Doutor	 em	 engenharia	 de	 produção	 pela	Universidade	Federal	 do	Rio	 de	 Janeiro	 (UFRJ)	 e
mestre	 em	 ciências	 contábeis	 pela	 Fundação	 Getulio	 Vargas	 (FGV).	 Pós-graduado	 em
contabilidade	e	graduado	em	ciências	contábeis	pelas	Faculdades	Integradas	Colégio	Moderno
(Unama).	Professor	do	Departamento	de	Contabilidade	da	UFRJ.	Coautor	dos	 livros	Gestão	de
custos:	 contabilidade,	 controle	 e	 análise,	 Gestão	 empresarial	 com	 ênfase	 em	 custos	 e
Contabilidade	para	executivos.	Professor	convidado	do	FGV	Management.

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