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Contabilidade Societária Professor Me. Matheus Henrique Delmonaco Professor Me. Rodrigo Gaspar de Almeida Diretor Geral Gilmar de Oliveira Diretor de Ensino e Pós-graduação Daniel de Lima Diretor Administrativo Renato Valença Correia Coordenador NEAD - Núcleo de Educação a Distância Jorge Van Dal Coordenador do Núcleo de Pesquisa Victor Biazon Secretário Acadêmico Tiago Pereira da Silva Projeto Gráfico e Editoração André Dudatt Revisão Textual Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Caroline da Silva Marques Geovane Vinícius da Broi Maciel Jéssica Eugênio de Azevedo Kauê Berto Web Designer Thiago Azenha UNIFATECIE Unidade 1 Rua Getúlio Vargas, 333, Centro, Paranavaí-PR (44) 3045 9898 UNIFATECIE Unidade 2 Rua Candido Berthier Fortes, 2177, Centro Paranavaí-PR (44) 3045 9898 UNIFATECIE Unidade 3 Rua Pernambuco, 1.169, Centro, Paranavaí-PR (44) 3045 9898 UNIFATECIE Unidade 4 BR-376 , km 102, Saída para Nova Londrina Paranavaí-PR (44) 3045 9898 www.unifatecie.edu.br/site As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir do site ShutterStock FICHA CATALOGRÁFICA UNIFATECIE - CENTRO UNIVERSITÁRIO EAD. Núcleo de Educação a Distância; DELMONACO, Matheus Henrique. ALMEIDA. Rodrigo Gaspar de. Contabilidade Societária. Matheus Henrique. Delmonaco. Rodrigo Gaspar de. Almeida. Paranavaí - PR.: Fatecie, 2019. 90 p. Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Zineide Pereira dos Santos. Professor Me. Matheus Henrique Delmonaco Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis da Universidade Estadual de Maringá (PCO/UEM) - Linha de pesquisa: contabilidade para usuários externos (2018). Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) (2015). Participou como bolsista em projeto de pesquisa voltado à Iniciação Científica para Ensino Médio (PIBIC-EM) - (2011), na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Atualmen- te atua como Coordenador dos Cursos de Bacharelado em Ciências Contábeis e Ciências Econômicas - EAD, do Centro Universitário Cidade Verde – UNIFCV. Tenho interesse em pesquisas relacionadas ao Mercado Financeiro, Mercado de Ações e Fraudes. Professor Me. Rodrigo Gaspar de Almeida Mestre em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de Maringá (2018), Especialista em Administração pela Universidade Paranaense (2010), possui duas gradua- ções: Gestão Estratégica pela Universidade Paranaense (2010) e Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de Maringá (2015). Atuou em organizações industriais e prestadoras de serviço: controladoria, planejamento, orçamento, auditoria interna e jurídico (gestão de contratos). No ano de 2017, realizou o curso nível profissional de Relato Integrado na BSD Consulting em São Paulo/SP. A partir de 2018, ministrou disciplinas nos cursos de Ciências Contábeis e Gestão Financeira da Educação a Distância (EAD) do UniCesumar. AUTORES Caro(a) aluno(a), sejam bem-vindos ao Livro de Contabilidade Societária! Organizamos este material visando contribuir com a sua formação neste curso superior e sua atuação no âmbito empresarial. Nesse sentido, reunimos conceitos e legisla- ções atualizadas, os quais já são convergentes às Normas Internacionais de Contabilidade. O foco deste material reside na estruturação das demonstrações contábeis, as quais são um conjunto de informações compulsórias que as organizações evidenciam aos usuários externos, visando elucidar sua posição patrimonial, financeira, econômica e social. Nesta perspectiva, na Unidade I, você irá conhecer como é o processo de apro- vação de uma norma brasileira de contabilidade (as quais convergem com as normas internacionais de contabilidade), conhecerá as características qualitativas da informação contábil-financeira e conhecerá o pressuposto da continuidade, o regime de competência e o regime de caixa. Ainda, na Unidade I, será apresentado o Balanço Patrimonial, os seus grupos e contas e será enfatizado sobre a sua estrutura segundo a legislação contábil. Na Unidade II, será discorrido sobre a Demonstração do Resultado, a qual evidencia as Receitas e Despesas do período. Prosseguindo, será abordado sobre a Demonstração do Resultado Abrangente, a qual evidencia as alterações no Lucro do Período derivadas de outros resultados abrangentes (equivalências patrimoniais, ganhos ou perdas atuariais, ganhos ou perdas cambiais). Ainda, na Unidade II, você conhecerá a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, as quais enfatizam a movimentação do Patrimônio Líquido. Na Unidade III, o foco será em 2 demonstrações contábeis: Demonstração do Fluxo de Caixa e a Demonstração do Valor Adicionado. A Demonstração do Fluxo de Caixa evi- dencia a geração do fluxo de caixa decorrente de atividades operacionais, de financiamento e de investimento. A Demonstração do Valor Adicionado relaciona as riquezas criadas e distribuídas pela organização, desta forma, torna-se uma demonstração contábil que con- grega informações financeiras, econômicas e sociais. A Unidade IV enfatiza as Notas Explicativas. Trata-se de uma demonstração con- tábil que traz informações complementares à todas as demais demonstrações. As Notas Explicativas discorrem sobre as políticas contábeis e as bases de mensuração de ativos, passivos,. itens patrimoniais, receitas e despesas. Por este fato, torna-se indispensável para a análise das demonstrações contábeis. Esperamos que sua jornada nesta disciplina seja proveitosa e que você possa ter êxito na sua conclusão. Bons estudos! APRESENTAÇÃO DO MATERIAL SUMÁRIO UNIDADE I ...................................................................................................... 6 Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial UNIDADE II ................................................................................................... 29 Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro UNIDADE III .................................................................................................. 50 Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado UNIDADE IV .................................................................................................. 71 Notas Explicativas 6 Objetivos de Aprendizagem • Discorrer sobre a Lei 6.404/1976 e as principais alterações introduzidas pela Lei 11.638/2007. • Conhecer as características qualitativas da informação contábil da NBC TG Estrutura Conceitual: fundamentais e de melhoria. • Compreender sobre o Regime de Caixa e Regime de Competência. • Conhecer o Conjunto Completo das Demonstrações Contábeis. • Discorrer sobre o Balanço Patrimonial: critérios de classificação de grupos e contas. • Conhecer a estrutura do Balanço Patrimonial conforme a Lei Societária brasileira. Plano de Estudo • A Lei 6.404/1976 e as principais alterações introduzidas pela Lei 11.638/2007. • Características da informação contábil da NBC TG Estrutura Conceitual: fundamentais e de melhoria. • Pressuposto da Continuidade Regime de Caixa e Regime de Competência. • Conjunto Completo das Demonstrações Contábeis. • Balanço Patrimonial: critérios de classificação de grupos e contas. • Balanço Patrimonial: estrutura conforme a Lei Societária brasileira. UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial Professor Me. Matheus Henrique Delmonaco Professor Me. Rodrigo Gaspar de Almeida 7UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), na Unidade 1, do livro da disciplina de Contabilidade Societária, será abordado sobre as características gerais das demonstrações contábeis e sobre o Balanço Patrimonial. Primeiramente, será discorrido sobre a Lei 6.404/1976 e as principais alterações introduzidas pela Lei 11.638/2007 e 11.941/2009. Ressalta-se que a Lei 6.404/1976 é a Lei que trata das Sociedades Anônimas, enquanto que a Lei 11.638/2007pelas companhias que para avaliam seus investimentos permanentes em coligadas e controladas, pelo método de equivalência patrimonial se torna muito útil para tomada de decisões. O Pronunciamento Técnico CPC 26 - R1 (2011) – Apresentação das Demonstrações Contábeis, traz os requisitos gerais, estruturas e conteúdo básico para apresentação da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, segundo o item 106 do CPC 26 - R1 (2011), “A entidade deve apresentar na demonstração das mutações do patrimônio líquido”: 43UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro • O resultado abrangente do período, apresentando separadamente o montante total atribuível aos proprietários da entidade controladora e o montante correspondente à participação de não controladores; • Para cada componente do patrimônio líquido, os efeitos da aplicação re- trospectiva ou da reapresentação retrospectiva, reconhecidos de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 23 – Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro; • Para cada componente do patrimônio líquido, a conciliação do saldo no início e no final do período, demonstrando-se separadamente (no míni- mo) as mutações decorrentes: • do resultado líquido; • de cada item dos outros resultados abrangentes; e • de transações com os proprietários realizadas na condição de pro- prietário, demonstrando separadamente suas integralizações e as distribuições realizadas, bem como modificações nas participações em controladas que não implicaram perda do controle. Segundo o CPC 26 – R1 (2011), para cada componente do patrimônio líquido, a entidade deve apresentar, ou na demonstração das mutações do patrimônio líquido ou nas notas explicativas, uma análise dos outros resultados abrangentes por item. O patrimônio líquido deve apresentar o capital social, as reservas de capital, os ajustes de avaliação patrimonial, as reservas dos lucros, as ações ou quotas em tesouraria, os prejuízos acu- mulados, se legalmente admitidos os lucros acumulados e as demais contas exigidas pelos Pronunciamentos Técnicos emitidos pelo CPC. A entidade deve apresentar, na demons- tração das mutações do patrimônio líquido ou nas notas explicativas, o montante de divi- dendos reconhecidos como distribuição aos proprietários durante o período e o respectivo montante dos dividendos por ação. A preparação da DMPL traz de forma simples e coordenada, as movimentações que ocorreram durante o exercício nas diversas contas ou subgrupos do Patrimônio Líquido, como: Capital Social, Reservas de Capital, Reservas de Lucros, Reservas de Reavaliação (quanto permitida por Lei), Ajustes de Avaliação Patrimonial, Lucros ou Prejuízos Acumula- dos etc. Essa movimentação deve ser extraída dos registros contábeis. As contas que estão classificadas no Patrimônio Líquido podem ser impactadas por variações de inúmeros motivos, na quais podem ou não afetar o patrimônio total. Dos itens que afetam o patrimônio total de acordo do CFC (2011a) são: • Acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício. • Redução por dividendos. • Redução por pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio. • Acréscimo por reavaliação de ativos (quando permitida por Lei). • Acréscimo por doações e subvenções para investimentos recebidos (após transitarem pelo resultado). 44UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro • Acréscimo por subscrição e integralização de capital. • Acréscimo pelo recebimento de valor que exceda o valor nominal das ações integralizadas ou o preço de emissão das ações sem valor nomi- nal. • Acréscimo pelo valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição. • Acréscimo por prêmio recebido na emissão de debêntures (após transitar pelo resultado). • Redução por ações próprias adquiridas ou acréscimo por sua venda. • Acréscimo ou redução por ajustes de exercícios anteriores. • Redução por reversão da Reserva de Lucros a Realizar para a conta de dividendos a pagar. • Acréscimo ou redução por outros resultados abrangentes. • Redução por gastos na emissão de ações. • Ajuste de avaliação patrimonial. • Ganhos ou perdas acumulados na conversão etc. Dos itens que NÃO afetam o patrimônio total de acordo do CFC (2011a) são: • Aumento de capital com utilização de lucros e reservas. • Apropriações do lucro líquido do exercício, por meio da conta de Lucros Acumulados, para a formação de reservas, como Reserva Legal, Reser- va de Lucros a Realizar, Reserva para Contingência e outras. • Reversões de reservas patrimoniais para a conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados (conta transitória). • Compensação de Prejuízos com Reservas etc. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido pode ser elaborada de duas formas segundo o CPC 26 – R1 (2011), com ou sem a evidenciação da Demonstração do Resultado Abrangente (DRA). Quadro 06: Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) Capital So- cial Integra- lizado Reservas de Capital, Opções Outor- gadas e Ações em Tesouraria (1) Reser- vas de Lucros (2) Lucros ou Prejuízos Acumula- dos Outros Re- sultados Abrangen- tes (3) Patrimônio Líquido Consolida- do Saldos Iniciais Aumento de Capital Gastos com Emissão de Ações Opções Outorgadas Re- conhecidas 45UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro Ações em Tesouraria Ad- quiridas Ações em Tesouraria Vendidas Dividendos Transações de Capital com os Sócios Lucro Líquido do Pe- ríodo Ajustes Instrumentos Fi- nanceiros Tributos s/ Ajustes Ins- trumentos Financeiros Equiv. Patrim. s/ Ganhos Abrang. de Coligadas Ajustes de Conversão do Período Tributos s/ Ajustes de Conversão do Período Outros Resultados Abrangentes Reclassific. p/ Resultado – Aj. Instrum. Financ. Resultado Abrangente Total Constituição de Reser- vas Realização da Reserva Reavaliação Tributos sobre a Realiza- ção da Reserva de Rea- valiação Saldos Finais Fonte: Modelo adaptado do Apêndice A do CPC 26 – R1 (2011) Observa-se que, no modelo apresentado pelo CPC 26 (R1), a coluna de Lucros ou Prejuízos Acumulados evidencia as informações que seriam divulgadas pela Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), prevista na Lei n o 6.404/76, mas caída em desuso, por Deliberação da CVM e Resolução do CFC citadas anteriormente, quando a DMPL passou a ser incluída como uma demonstração contábil obrigatória. Pode se seguir os procedimentos abaixo para a elaboração da DMPL: a) abrir um papel de trabalho, ou uma planilha eletrônica, dividido em colunas, no qual se transcrevem, no topo de cada coluna, os nomes das contas ou sub- grupos, reservando espaço na primeira coluna para descrição da natureza das transações, e a coluna final para o patrimônio líquido total; no caso de demons- tração consolidada, há a coluna da subsoma das contas que representam o 46UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro patrimônio líquido dos sócios da controladora, o que como regra é o patrimônio líquido da própria controladora. b) saldo de abertura – transcrever os saldos de cada conta ou subgrupo na data do Balanço final do exercício anterior. Somar os saldos por conta/subgrupo para preencher a coluna patrimônio líquido total; c) adicionar ou subtrair os movimentos ocorridos nas referidas contas, no período, abrindo linhas para cada natureza de transação, primeiramente as relativas às transações de capital com os sócios; d) adicionar ou subtrair os movimentos ocorridos nas contas próprias relativas aos resultados abrangentes, começando pelo resultado líquido do período, depois os demais resultados abrangentes e, finalmente, as reclassificações para o resultado; e) adicionar ou subtrair os movimentos das demais mutações internas do patrimô- nio líquido; f) totalizar, ao final, as colunas, cujos saldos devem coincidir com os saldos do Balanço Patrimonial, e totalizar também as linhas. Ao analisar o momento de decidirquais contas serão apresentadas de forma ana- lítica na própria estrutura da DMPL ou em quadros e notas complementares, a companhia deve levar em consideração a relevância e materialidade. A divulgação de uma quantidade excessiva de colunas na DMPL, incluindo contas que não apresentam saldos materiais, não contribui para maior transparência e relevância das demonstrações contábeis, já que difi- culta a visualização e compreensão das mutações patrimoniais que ocorreram no período. A companhia, visando, dar maior transparência as suas informações a divulgação de forma analítica podem serem feitas tanto em notas explicativas quanto em quadros auxiliares. 47UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro Caro(a) aluno(a), na Unidade 2, foi abordado sobre as demonstrações que envolvem as movimentações que afetam o Patrimônio Líquido. Analisamos os conceitos que envol- vem a Demonstração do Resultado (DR), Demonstração do Resultado Abrangente (DRA), Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados (DLPA) e Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Tais conhecimentos corroboram para a sua aprendizagem na disciplina Contabilidade Societária e no âmbito da Contabilidade de forma geral. Vimos que a Demonstração do Resultado é um tipo de demonstração que tem como objetivo principal compilar as informações da companhia a fim de formar o resultado líquido do exercício, ou seja, o lucro ou prejuízo do período. A DRA demonstra as variações sofridas no patrimônio líquido que poderão futuramente transitar pelo resultado ou serem alocados diretamente para a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados. A DLPA é utilizada para mostrar as mudanças que ocorreram no Patrimônio Líquido no período e onde ele foi aplicado. A DMPL demonstra todas as movimentações ocorridas no patrimônio líquido da organização em determinado período, além da formação de todas as reservas. Essas demonstrações tem um papel fundamental na tomada de decisões por parte usuários da contabilidade, pois concentram informações de relevantes para a tomada de decisões. CONSIDERAÇÕES FINAIS 48UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro Leitura Complementar Caso Eron: Um dos maiores escândalos contábeis Schmitt, Cecília. Entenda o Caso Enron. O ano de 2001 pode ser considerado como determinante para a economia mundial. Não só pelo atentado ao World Trade Center, mas por um acontecimento que mudará para sempre a relação entre empresas e investidores. Tão alarmada e discutida (motivo de mais de 50 reportagens em publicações de peso), a queda da Enron abala o mercado mais do que a queda das torres gêmeas. Com seu pedido de concordata, suas ações que já haviam caído de 90 dólares (agosto de 2000) atingiram um mínimo de 11 centavos em janeiro de 2002. Como pode um gigante com capitalização de mais de 50 bilhões de dólares implodir em apenas um ano? A 6° maior empresa de energia do mundo em capitalização de merca- do. Um conglomerado sediado em Houston, Texas, que faturou US$101 bilhões de dólares em 2000. A 7° maior empresa dos EUA em faturamento segundo a publicação Fortune 500. A Enron tem 25.000 milhas de gasodutos e uma rede de fibra óptica de 18.000 milhas. Para entender o caso todo, que envolve os movimentos contábeis utilizados pela Enron, acesse: http://www.provedor.nuca.ie.ufrj.br/eletrobras/artigos/schmitt1.htm 49UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro Material Complementar LIVRO Curso de Contabilidade Avançada em IFRS e CPC Autor: Marcelo Cavalcanti Almeida Editora: Atlas. FILME Margin Call - O Dia Antes do Fim Ano: 2011 Sinopse: O filme retrata a crise financeira de 2008 e o papel dos responsáveis em todo o processo. A trama se passa durante as 24 horas que antecederam o início da crise e tem como palco central uma corretora imobiliária. Destarte, serão vislumbrados como agem os tomadores de decisão, que são os usuários da Contabi- lidade Societária. VÍDEO Neste vídeo é comentado sobre um assunto polêmico no mundo contábil, qual seja o pa- trimônio líquido. É explicado se o Patrimônio Líquido é um grupo contábil (juntamente com Ativos e Passivos) ou se é subgrupo do Passivo. Disponível em: . Acesso em: 14 mai. 2019. 50 Objetivos de Aprendizagem ● Conhecer a Demonstração dos Fluxos de Caixa. ● Calcular o Fluxo de Caixa conforme o método direto e método indireto. ● Compreender conceitos sobre a Demonstração do Valor Adicionado ● Elaborar uma Demonstração do Valor Adicionado. Plano de Estudo ● Demonstração do Fluxo de Caixa. ● Estrutura da Demonstração do Fluxo de Caixa conforme Método Direto e Indireto. ● Demonstração do Valor Adicionado. ● Estrutura da Demonstração do Valor Adicionado conforme legislação societária. UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado Professor Me. Matheus Henrique Delmonaco. Professor Me. Rodrigo Gaspar de Almeida. 51UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), na Unidade III, será discorrido sobre a Demonstração do Fluxo de Caixa e sobre a Demonstração do Valor Adicionado. O montante apurado como Caixa é um indicador financeiro que representa o valor disponível para transferência a qualquer organização ou pessoa, para que a organização possa atingir os seus objetivos. E o Valor Adicionado, é uma forma de a organização demonstrar à sociedade e demais stakeholders qual é a sua contribuição (riqueza distribuída) em valores monetários. Primeiramente, você irá conhecer a Demonstração do Fluxo de Caixa, nesse senti- do, você terá contato com as definições de Caixa e Equivalentes de Caixa, e será abordado sobre a norma contábil específica para apurar o fluxo de caixa das organizações, qual seja a NBC TG 3 – Demonstração do Fluxo de Caixa. Nesse tópico, você conhecerá as definições dos três tipos de fluxo de caixa das organizações. Prosseguindo, você irá conhecer como calcular o Fluxo de Caixa de acordo com a legislação societária. Ressalta-se que o Fluxo de Caixa é obtido pela soma dos 3 fluxos de caixa quais sejam fluxos operacionais, investimentos e financiamentos. Os métodos para apuração do fluxo de caixa são: método direto e método indireto. O tópico seguinte servirá para compreender conceitos sobre a Demonstração do Valor Adicionado, a qual também faz parte das demonstrações contábeis, no entanto, não é compulsória para todas as organizações, apenas para um grupo restrito de organizações. Nesse sentido, você irá conhecer o que é valor adicionado, o que é riqueza gerada, riqueza distribuída, entre outros conceitos abordados na NBC TG 09 – Demonstração do Valor Adicionado, o qual é específico dessa demonstração contábil. Por fim, você irá compreender como elaborar uma Demonstração do Valor Adiciona- do, assim, você irá calcular os montantes de riqueza gerada, bem como resolver exercícios sobre distribuição de riqueza, além de conhecer a estrutura da Demonstração do Valor Adicionado segundo legislação societária. Bons estudos! 52UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado 1. DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA. Caro(a) aluno(a), até a Unidade II, as demonstrações contábeis apresentadas, foram elaboradas sob o Princípio da Competência, o qual determina que a organização deve reconhecer receitas e despesas assim que os critérios de reconhecimento forem sa- tisfeitos (mesmo sem ter o efetivo recebimento dos fluxos de caixa, por exemplo as vendas a prazo). Assim, o valor apurado como Lucro pode não corresponder ao valor de Caixa nas organizações. Nesta Unidade, você aprenderá a calcular o Fluxo de Caixa das organizações, que é um indicador financeiro das atividades da organização e necessário para honrar os compromissos financeiros das organizações. Se uma organização vende seus produtos a prazo e paga seus fornecedores de matéria-primaà vista, se não tiver cuidado pode ter dificuldades financeiras em período futuros e ter que recorrer a empréstimos bancários para saldar suas dívidas. Menciona-se que antes da Lei 11.638/2007, as organizações apresentavam as informações sobre os Fluxos de Caixa na Demonstração das Origens e Aplicações dos Recursos (D.O.A.R). Com o advento das normas internacionais de Contabilidade e dada a Relevância do tema Caixa nas organizações, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 03 – Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) (CFC, 2016). Assim, a DFC é um dos relatórios que compõem o conjunto das demonstrações contábeis. O CFC (2016) traz as seguintes definições para Caixa das Organizações (Quadro 01): 53UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado Quadro 01: Definições e Termos envolvendo Fluxo de Caixa do CPC 03. Caixa Compreende numerário em espécie e depósitos bancários dis- poníveis. Equivalentes de Caixa São aplicações financeiras de curto prazo, de alta liquidez, que são prontamente conversíveis em montante com baixos riscos. Fluxos de caixa Referem-se as entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa. Fonte: elaborado com base em CFC (2016 p. 3). O montante de Caixa ou equivalente de Caixa, representa um montante que pode ser transferido facilmente a qualquer indivíduo ou organização. Diferente de um item do estoque ou um item do imobilizado o qual demora a se tornar caixa ou fluxo de caixa (possui menor liquidez). Além disso, as informações sobre o Caixa são relevantes para os usuários da informação, tendo em vista que o reconhecimento de despesas e receitas pelo regime de competência pode acarretar distorções na apuração do Lucro (por exemplo os accruals). O CFC (2016) denotou que existem 3 tipos de fluxos de caixa nas organizações (Quadro 02): Quadro 02: Tipos de Fluxo do Caixa das organizações conforme o CPC 03. Fluxo de Caixa das Ativi- dades operacionais São as principais atividades geradoras de receita da entidade e outras atividades que não são de investimento e tampouco de financiamento. Fluxo de Caixa das Ativi- dades de Investimento Referem-se à aquisição e à venda de ativos de longo prazo e de outros investimentos não incluídos nos equivalentes de caixa. Fluxo de Caixa das Ativi- dades de Financiamento Resultam em mudanças no tamanho e na composição do capi- tal próprio e no capital de terceiros da entidade. Fonte: elaborado com base em CFC (2016, p. 3). Os 3 fluxos de caixa (operacionais, financiamento e investimento) são somados e resultam no fluxo de Caixa do Período (CFC, 2016). São exemplos de atividades que geram entradas e saídas de Fluxo de Caixa das atividades operacionais (Quadro 03): 54UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado Quadro 03: Exemplos de entradas e saídas de Caixa das atividades operacionais Entradas de Caixa das atividades operacio- nais Saídas de Caixa das atividades opera- cionais Recebimentos de caixa pela venda de produ- tos, mercadorias e prestação de serviços Pagamentos de caixa a fornecedores de matéria-prima ou outro insumo de produ- ção. Recebimentos de caixa decorrentes de royal- ties, honorários, comissões e outras receitas. Pagamentos de salários dos funcionários Recebimentos de caixa por seguradora ou ou- tros benefícios da apólice Pagamentos de impostos sobre o fatura- mento Fonte: elaborado com base em CFC (2016, p. 5). São exemplos de atividades que geram entradas e saídas de Fluxo de Caixa das atividades de investimento (Quadro 04): Quadro 04: Exemplos de entradas e saídas de Caixa das atividades de investimento Entradas de Caixa das atividades de investi- mento Saídas de Caixa das atividades de investimento Recebimentos de caixa resultantes da venda de equipamentos ou outros imobilizados. Pagamentos em caixa para aquisição de ativo imobilizado ou intangíveis de longo prazo. Recebimentos de caixa provenientes da venda de instrumentos patrimoniais ou de dívida. Pagamentos em caixa para aquisição de instrumentos patrimoniais ou de dí- vida de outras entidades. Recebimentos de caixa pela liquidação de adian- tamentos ou amortização de empréstimos conce- didos a terceiros. Adiantamentos em caixa e emprésti- mos feitos a terceiros. Fonte: elaborado com base em CFC (2016, p. 6). São exemplos de atividades que geram entradas de Fluxo de Caixa das atividades de financiamento (Quadro 05): Quadro 05: Exemplos de entradas e saídas de Caixa das atividades de financiamento Entradas de Caixa das atividades de finan- ciamento Saídas de Caixa das atividades de financiamento Caixa recebido pela emissão de ações ou ou- tros instrumentos patrimoniais. Pagamentos em caixa a investidores para adquirir ou resgatar ações da enti- dade. Caixa recebido pela emissão de debêntures, empréstimos, notas promissórias e outros títu- los de dívida. Amortização de empréstimos e financia- mentos. Fonte: elaborado com base em CFC (2016, p. 7-8). 55UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado Outrossim, a apuração do montante de lucro, considera receitas e despesas que não provocam entradas ou saídas de caixa, no entanto, diminuem o lucro. São exemplos de receitas e despesas que não provocam a saída de caixa, mas que reduzem o valor do Lucro: despesas com depreciação de ativos imobilizados, reconhecimento de provisões para perdas com processos judiciais, provisão para férias e 13º salários, entre outros. Assim, a DFC irá demonstrar aos usuários quais recebimentos e pagamentos foram efetivamente realizados no período de apuração. A importância da gestão de Caixa de uma organização se justifica pelo fato de que uma organização que negligencia os prazos de pagamento junto aos fornecedores, clientes ou instituições de crédito pode incorrer em des- pesas financeiras (pagamento de juros e multa) e dependendo do valor, pode apresentar um desencaixe no fluxo financeiro da organização. Destarte, um alto montante em Caixa não sinaliza uma boa gestão Financeira, haja vista que aquele montante poderia estar aplicado e rendendo juros (receitas financeiras). Para que você possa aplicar os conceitos abordados acima, será apresentado um exercício resolvido, que exemplificará a apuração do saldo de fluxo de caixa. Cabe men- cionar, que ainda não se trata da estrutura da DFC, é apenas um exemplo de apuração de caixa. Exercício Resolvido 1 A organização Varejista LTDA (fictícia) deseja apurar o saldo em caixa em 31/12/20x1. Ocorreram as seguintes entradas de fluxos de caixa decorrentes das atividades operacionais: Outubro/20x1 – Receitas de Venda de Mercadorias R$ 400.000,00, sendo que até 31/10/20x1, foram recebidos R$ 140.000,00 e em 10/11/20x1 serão recebidos R$ 260.000,00. Novembro/20x1: Receitas de Venda de Mercadorias R$ 500.000,00, sendo que até 30/11/20x1, foram recebidos R$ 200.000,00 e em 10/12/20x1 serão recebidos R$ 300.000,00. Dezembro/20x1: Receitas de Venda de Mercadorias R$ 600.000,00 sendo que até 30/12/20x1, R$ 300.000,00 e em 10/01/20x2 serão recebidos R$ 300.000,00 (esse valor não vai compor o fluxo de caixa, porque é referente ao próximo período, irá ser informado no Balanço Patrimonial como duplicatas a receber). Ocorreram as seguintes saídas de fluxos de caixa decorrentes das atividades ope- racionais: 56UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado Outubro/20x1: compra de matéria prima por R$ 60.000,00, sendo que 50% foram pagos à vista (em 10/10/20x1) e os demais para pagamento em 10/11/20x1. Mão de Obra (Funcionários): R$ 88.000,00. Aluguel: R$ 6.000,00. Pagamento de Impostos sobre a Re- ceita: R$ 122.660,00. Pagamento de Impostos sobre o Lucro R$ 50.000,00. Novembro/20x1 – compra de matéria prima por R$ 50.000,00, sendo que 50% foram pagos à vista (até 30/11/20x1) e os demais para pagamento em 10/12/20x1. Mão de Obra (Funcionários):R$ 88.000,00. Aluguel: R$ 6.000,00. Pagamento de Impostos sobre a Receita: R$ 122.660,00. Pagamento de Impostos sobre o Lucro R$ 40.000,00. Dezembro/20x1 – compra de matéria prima por R$ 40.000,00, sendo que 50% foram pagos à vista (até 31/12/20x1) e os demais para pagamento em 10/01/20x2. Mão de Obra (Funcionários): R$ 88.000,00. Aluguel: R$ 6.000,00. Pagamento de Impostos sobre a Receita: R$ 140.500,00. Pagamento de Impostos sobre o Lucro R$ 36.000,00. Em 01/10/20x1, a organização Varejista possuía um saldo em Caixa de R$ 10.000,00. Com base nestas informações, qual foi o saldo em Caixa da Varejista LTDA? Resolução = Perceba que nos meses de novembro de dezembro haverá recebi- mentos e pagamentos referentes a receitas e despesas de meses anteriores. Ademais, há a informação de um saldo inicial de R$ 10.000,00. Para melhor visualização do fluxo de caixa e para auxiliar no cálculo do saldo de caixa de dezembro/20x1, vamos elaborar um quadro com os valores de receitas e despesas fornecidos: Quadro 06: Apuração do Saldo do Caixa da Varejista LTDA. Mês Descrição Outubro Novembro Dezembro Saldo Inicial R$ 10.000,00 - (R$ 146.600,00) R$ 1.740,00 (+) Entradas de Cai- xa R$ 140.000,00 R$ 460.000,00 R$ 600.000,00 Recebimentos á Vista de Serviços R$ 140.000,00 (30/10/20x1) R$ 200.000,00 (30/11/20x1) R$ 300.000,00 (30/12/20x1) Recebimentos a Pra- zo de Serviços R$ 0,00 R$ 260.000,00 (10/11/20x1) R$ 300.000,00 (10/12/20x1) (-) Saídas de Caixa (R$ 296.660,00) (R$ 311.600,00) (R$ 315.500,00) Compras de Insumos à vista R$ 30.000,00 (31/10/20x1) R$ 25.000,00 (30/11/20x1) R$ 20.000,00 (30/12/20x1) Compras de Insumos a prazo R$ 0,00 R$ 30.000,00 (10/11/20x1) R$ 25.000,00 (10/12/20x1) Mão de Obra R$ 88.000,00 R$ 88.000,00 R$ 88.000,00 57UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado Aluguel R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 Impostos sobre a Re- ceita R$ 122.660,00 R$ 122.600,00 R$ 140.500,00 Impostos sobre o Lucro R$ 50.000,00 R$ 40.000,00 R$ 36.000,00 (=) Saldo Final (- R$ 146.660,00) R$ 1.740,00 R$ 286.240,00 Fonte: elaborado pelos autores. O saldo do Caixa em 31/12/20x1 é R$ 286.240,00. Caso o gestor da Varejista LTDA fosse avaliado pelo objetivo de manter o saldo positivo em todos os meses do último trimestre de 20x1, no mês de outubro/20x1, não teria cumprido seu objetivo porque teve um caixa negativo. Caro(a) aluno(a), da mesma forma que nos exercícios anteriores, perceba que o saldo inicial de um mês é o saldo final do mês anterior. No exercício resolvido, o saldo inicial do mês de novembro foi o saldo final de outubro, o saldo inicial de dezembro foi o saldo final de novembro. Conforme já foi enfatizado nas Unidades anteriores, as atividades operacionais das organizações são as que merecem maior atenção dos gestores dessas organizações. Desse modo, o gerenciamento do fluxo de caixa das atividades operacionais deve receber maior atenção. Os fatores que podem afetar o fluxo de caixa operacional são o prazo de recebimento dos serviços, o prazo de pagamento de fornecedores, entre outras. Todavia, as atividades operacionais não são as únicas que compõem o fluxo de caixa total das organizações, têm-se ainda as atividades de investimento e atividades de financiamento (CFC, 2016). A seguir, serão apresentados 2 exercícios resolvidos para ilustrar o cálculo desses dois tipos de fluxos de caixa. Exercício Resolvido 2 A organização Industrial LTDA deseja apurar o seu fluxo de Investimento em 20x1. Ocorreram os seguintes fatos na Industrial LTDA: R$ 150.000,00 relativos à venda de imo- bilizado, R$ 15.000,00 referentes a recebimento de adiantamentos feitos a funcionários, R$ 200.000,00 referentes a pagamento de compra de imobilizado. Qual foi o saldo final do caixa da Industrial LTDA? 58UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado R= O primeiro passo é separar as atividades de entradas e saídas de caixa: Entradas R$ 165.000,00: R$ 150.000,00 venda de imobilizado R$ 15.000,00 recebimento de adiantamento. Saídas R$ 200.000,00: R$ 200.000,00 referentes a compra de imobilizado. Somando as entradas e subtraindo as saídas: R$ 165.000,00 – R$ 200.000,00 Fluxo de Caixa dos Investimentos: (R$ 35.000,00). O saldo em 20x1 referente ao fluxo de investimento da Industrial LTDA é um prejuí- zo de R$ 35.000,00. Isso significa que as atividades de investimento reduziram o Caixa da Industrial LTDA em 20x1. Exercício Resolvido 3 A organização Atacadista S/A deseja apurar o seu fluxo de Financiamento em 20x1. Ocorreram os seguintes fatos na Atacadista S/A: recebimento de R$ 30.000,00 relativos a emissão de ações na bolsa de valores, R$ 1.500,00 referentes a emissão de títulos de dívida, R$ 20.000,00 referentes a pagamento de amortizações de empréstimos. Qual foi o saldo final do fluxo de caixa de financiamento da Atacadista S/A? R= O primeiro passo é separar as atividades de entradas e saídas de caixa: Entradas R$ 31.500,00: R$ 30.000,00 emissão de ações R$ 1.500,00 emissão de título de dívidas. Saídas R$ 20.000,00: R$ 20.000,00 referentes a amortização de empréstimos. Somando as entradas e subtraindo as saídas: R$ 31.500,00 – R$ 20.000,00 Fluxo de Caixa dos Investimentos: R$ 11.500,00. O saldo em 20x1 referente ao fluxo de financiamento da Atacadista S/A é R$ 11.500,00. Exercício Resolvido 4 A organização Alvo Certo LTDA deseja conhecer o seu fluxo de caixa total de 20x1. Sabe-se que ela teve os seguintes resultados em 20x1: saldo do fluxo operacional: R$ 59UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado 286.240,00, saldo do fluxo de investimento (R$ 35.000,00) (prejuízo) e saldo do fluxo de financiamento R$ 11.500,00. Qual o fluxo de caixa de 20x1 da Alvo Certo LTDA? R= Para apurar o fluxo de caixa total, soma-se os 3 tipos de fluxos de caixa, quais sejam: operacional, investimento e financiamento. Fluxo de Caixa Total: R$ 286.240,00 – R$ 35.000,00 + R$ 11.500,00 Fluxo de Caixa Total: R$ 262.740,00 O Fluxo de Caixa Total da Alvo Certo LTDA em 20x1 foi R$ 262.740,00. Mais uma vez, reforça-se que as organizações necessitam reconhecer os seus fluxos de caixa, porque há diferenças entre os montantes reconhecidos como lucro e os va- lores efetivamente recebidos. A negligência da gestão financeira pode tornar a organização inadimplente, acarretar o pagamento de multas e juros, etc (CPC, 2016). No próximo tópico, será apresentada a estrutura da Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) conforme as normas brasileiras de contabilidade, nesse sentido, serão apre- sentados os métodos: direto e indireto. REFLITA O Caixa ou equivalente de Caixa têm como característica possuir alta liquidez. Fonte: o autor. 60UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado 2. ESTRUTURA DA DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA CONFORME MÉ- TODO DIRETO E INDIRETO. Com relação à estrutura de elaboração da DFC, o CFC (2016), nos itens 18 a 21, enfatiza-se que a organização deve apresentar os 3 tipos de fluxo de caixa, quais sejam: atividades operacionais, de investimento e financiamento. Especificamente, o fluxo de caixa das atividades operacionais pode ser elabora- do segundo o Método Direto (demonstra as principais classes de recebimentos brutos e pagamentos brutos) e Método Indireto (evidencia ajustes ao lucro líquido ou o prejuízo é ocasionados pelos efeitos de transações que não envolvem caixa) (CFC, 2016). Logo, quando a organização apresentar o fluxo operacional pelo método direto, a DFC é classificada como DFC elaborada pelo método direto, da mesma maneira, quando o fluxo operacional é elaborado pelo método indireto, a DFC é classificada como DFC elaborada pelo método indireto. (CFC, 2016) Conforme o CFC (2016),quando a organização elabora a DFC pelo método direto, apresenta as informações sobre as principais classes de recebimentos brutos e de paga- mentos brutos. São exemplos de contas apresentadas: montante de vendas, dos custos dos produtos, mercadorias ou serviços vendidos. Quando a organização apresenta a DFC pelo método indireto, inicia a demons- tração pelo fluxo de caixa líquido advindo das atividades operacionais, o qual é apurado ajustando ao lucro líquido (ou prejuízo), os efeitos de: (a) variações ocorridas no período nos estoques e nas contas operacionais a receber e a pagar; (b) itens que não afetam o caixa, tais como depreciação, provisões, tributos diferidos, ganhos e perdas cambiais não realizados e resultado de equivalência patrimonial quando aplicável. Ressalta-se que a organização pode apresentar a DFC por ambos os métodos. Mas, quando optar pelo Método Direto, deve apresentar em notas explicativas a conciliação entre o lucro líquido e o fluxo de caixa líquido das atividades operacionais. Tal conciliação deve apresentar, separadamente, por categoria, os principais itens dos ajustes ao lucro líquido ou prejuízo para apurar o fluxo de caixa líquido das atividades operacionais. A seguir, apresenta-se os 2 métodos de elaboração da DFC conforme o CFC (2016). No Quadro 07, refere-se ao modelo indireto da DFC e o Quadro 08, refere-se ao método direto da DFC. 61UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado Quadro 07: Exemplo de DFC elaborada pelo Método Direto. Demonstração do Fluxo de Caixa elaborada pelo Método Direito Organização Exemplo LTDA Período: 01/01/20x1 a 31/12/20x1 (em reais) 20x1 20x0 Fluxo de Caixa das atividades operacionais (+) Recebimentos de clientes (-) Pagamento a fornecedores e empregados (-) Juros pagos (-) Imposto de renda e contribuição social pagos (-) Imposto de renda na fonte sobre dividendos recebidos (=) Caixa líquido gerado pelas atividades operacionais Fluxos de Caixa das atividades de investimento (-) Compra de Imobilizado (+) Recebimento pela venda de equipamento (+) Juros recebidos (+) Dividendos Recebidos (=) Caixa líquido consumido pelas atividades de investimento Fluxo de caixa das atividades de financiamento (+) Recebimento pela emissão de ações (+) Recebimento por empréstimo a longo prazo (-) Pagamento de passivo por arrendamento (-) Dividendos pagos (=) Caixa líquido consumido pelas atividades de financiamento Aumento líquido* de Caixa e equivalentes de caixa *(aqui, soma-se os 3 tipos de caixas líquidos) Caixa e equivalentes de caixa no início do período Caixa e equivalentes de caixa no fim do período Fonte: elaborado pelos autores com base em CFC (2016). Quadro 08: Exemplo de DFC elaborada pelo Método Indireto. Demonstração do Fluxo de Caixa elaborada pelo Método Indireto Organização Exemplo LTDA Período: 01/01/20x1 a 31/12/20x1 (em reais) 20x1 20x0 Fluxo de Caixa das atividades operacionais Lucro líquido antes do IR e CSLL Ajustes por: Depreciação Perda cambial Resultado de equivalência patrimonial Despesas de juros Aumento nas contas a receber de clientes e outros Diminuição nos estoques 62UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado Diminuição nas contas a pagar – fornecedores Juros pagos Imposto de renda e contribuição social pagos Imposto de renda na fonte sobre dividendos recebidos (=) Caixa líquido gerado pelas atividades operacionais Fluxos de caixa das atividades de investimento Compra de Imobilizado Recebimento pela venda de equipamento (+) Juros recebidos (+) Dividendos Recebidos (=) Caixa líquido consumido pelas atividades de investimento Fluxo de caixa das atividades de financiamento (+) Recebimento pela emissão de ações (+) Recebimento por empréstimo a longo prazo (-) Pagamento de passivo por arrendamento (-) Dividendos pagos (=) Caixa líquido consumido pelas atividades de financiamento Aumento líquido* de Caixa e equivalentes de caixa *(aqui, soma-se os 3 tipos de caixas líquidos) Caixa e equivalentes de caixa no início do período Caixa e equivalentes de caixa no fim do período Fonte: elaborado pelos autores com base em CFC (2016). Perceba que da mesma forma que as outras demonstrações contábeis, a DFC apresenta informações referente ao período anterior para que haja comparabilidade das informações. A Demonstração do Fluxo de Caixa é compulsória para todas as organizações con- forme a NBC TG 26 e compõe o grupo das demonstrações contábeis. No próximo tópico será apresentada a Demonstração do Valor Adicionado (DVA). 3. DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO. A Demonstração de Valor Adicionado (DVA) é uma demonstração Compulsória para as Sociedades Anônimas (artigo 176 da Lei das S/A). As demais organizações não têm a obrigação de apresenta-la junto ao conjunto de demonstrações contábeis, contudo a sua apresentação é incentivada pelos órgãos reguladores e legisladores (BRASIL, 1976; CFC, 2008). Dentre o conjunto das normas brasileiras de Contabilidade, as quais são conver- gentes às normas internacionais de Contabilidade, há um pronunciamento específico sobre a DVA, qual seja, o NBC TG 09 – Demonstração do Valor Adicionado (CFC, 2008). Isso se 63UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado dá ao fato do alto poder informativo da DVA aos usuários da informação. A DVA deve proporcionar informações relativas à riqueza criada pela entidade em determinado período e a forma como tais riquezas foram distribuídas. Desta forma, enten- de-se que as informações da DVA são, além de financeiras, informações econômicas e sociais. Um exemplo é a contribuição da organização para a formação do Produto Interno Bruto de um município, ou estado, ou País (CFC, 2008). Conforme o CFC (2008), Valor adicionado representa a riqueza criada pela organi- zação, a qual é mensurada pela diferença entre o valor das vendas e os insumos adquiridos de terceiros. O Valor adicionado também contempla o valor adicionado recebido em trans- ferência, ou seja, produzido por terceiros e transferido à entidade como o recebimento de dividendos, recebimento de doações ou subvenções governamentais. Outra definição específica da DVA, abordada em CFC (2008) é em relação a Re- ceita de venda de mercadorias e produtos. No CFC (2008) é enfatizado que as receitas representam os valores reconhecidos na contabilidade como Receitas pelo regime de competência e incluídos na demonstração do resultado do período (CFC, 2008). Segundo o CFC (2008), um insumo adquirido de terceiros representa os valores relativos às aquisições de matérias-primas, mercadorias, materiais, energia, serviços, etc. que tenham sido transformados em despesas do período. Ressalta-se que os insumos permanecem nos estoques antes de serem incorporados aos produtos, nessas situações, não compõem a formação da riqueza criada e distribuída da DVA. Conforme o CFC (2008), para enfatizar a distribuição da riqueza, a DVA deve deta- lhar, ao menos, as seguintes informações: • pessoal e encargos; • impostos, taxas e contribuições; • juros e aluguéis; • juros sobre o capital próprio (JCP) e dividendos; • lucros retidos/prejuízos do exercício. Um exemplo de utilização da DVA é quando uma prefeitura decide apoiar a instala- ção de uma fábrica na sua cidade devido a riqueza criada pela organização. Nestes casos, a apresentação da DVA pode subsidiar uma decisão sobre a instalação de uma empresa em uma comunidade (Município, Estado e a própria Federação) (CFC, 2008). Outra característica da DVA é que ela pode ser adaptada e ser elaborada por seg- mento (tipo de clientes, atividades, produtos, área geográfica e outros) (CFC, 2008). No próximo tópico será apresentada a estrutura da DVA segundo a legislação societária. 64UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado 4. ESTRUTURA DA DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO CONFORME LEGISLAÇÃO SOCIETÁRIA. No Anexo I, do CFC (2008), é apresentadoum modelo da estrutura da DVA, o qual está exposto no Quadro 9: Quadro 09: Modelo de Estrutura da DVA. DESCRIÇÃO Em mi- lhares de reais 20X1 Em mi- lhares de reais 20X0 1 – RECEITAS 1.1) Vendas de mercadorias, produtos e serviços 1.2) Outras receitas 1.3) Receitas relativas à construção de ativos próprios 1.4) Provisão para créditos de liquidação duvidosa – Reversão / (Constituição) 2 – INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (inclui os valores dos impostos – ICMS, IPI, PIS e COFINS) 2.1) Custos dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos 2.2) Materiais, energia, serviços de terceiros e outros 2.3) Perda / Recuperação de valores ativos 2.4) Outras (especificar) 3 – VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2) 4 – DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO E EXAUSTÃO 5 – VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3-4) 6 – VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA 6.1) Resultado de equivalência patrimonial 6.2) Receitas financeiras 6.3) Outras 7 – VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6) 8 – DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO 8.1) Pessoal 8.1.1 – Remuneração direta 8.1.2 – Benefícios 8.1.3 – F.G.T.S 8.2) Impostos, taxas e contribuições 8.2.1 – Federais 8.2.2 – Estaduais 8.2.3 – Municipais 8.3) Remuneração de capitais de terceiros 8.3.1 – Juros 8.3.2 – Aluguéis 8.3.3 – Outras 65UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado 8.4) Remuneração de capitais próprios 8.4.1 – Juros sobre o capital próprio 8.4.2 – Dividendos 8.4.3 – Lucros retidos / Prejuízo do exercício 8.4.4 – Participação dos não-controladores nos lucros retidos (só p/ consolidação) Fonte: CFC (2008). A DVA, portanto, é elaborada em 2 blocos: a Formação da Riqueza (até o item 8 do Quadro 9) e a Distribuição da Riqueza (item 8 do Quadro 9). E os montantes apurados como (a) Formação da Riqueza e (b) Distribuição de Riqueza devem ser iguais (CFC, 2008). Com relação à primeira parte da DVA, a qual enfatiza a criação de riqueza, ela evi- dencia, principalmente, as Receitas, Insumos adquiridos de terceiros e valores recebidos por transferências. As receitas compreendem: venda de mercadorias e produtos e serviços (inclui os valores dos tributos incidentes sobre essas receitas como o ICMS, IPI, PIS e COFINS), Outras receitas e provisão para créditos de liquidação duvidosa (CFC, 2008). Já os insumos adquiridos por terceiros, representam os montantes de custos dos produtos vendidos, materiais, energia-elétrica, serviços de terceiros, perda e recuperação de ativos, depreciação, amortização e exaustão (CFC, 2008). O valor adicionado recebido em transferência evidenciam o resultado antes da equivalência patrimonial (pode ser receita ou despesa), receitas financeiras (receitas finan- ceiras e variações cambiais) e outras receitas (dividendos recebidos por investimentos em coligadas) (CFC, 2008). Exercício Resolvido 4. A organização Lucro Certo S/A, deseja apurar o montante de Valor Adicionado Total a Distribuir da sua DVA. Têm-se os seguintes saldos apurados na Demonstração do Resultado: Venda de Mercadorias R$ 150.000,00 Provisão para crédito de liquidação duvidosa R$ 1.000,00 Custos dos produtos vendidos R$ 80.000,00 Energia Elétrica R$ 2.500,00 Receitas Financeiras R$ 1.000,00 Dividendos Recebidos R$ 5.000,00 66UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado Qual é o valor adicionado total a distribuir? Resolução = O primeiro passo é verificar se todas as contas compõem o grupo de valor adicionado a distribuir, para tanto, elas têm que ser: receitas, insumo de terceiros ou valor recebido em transferência de terceiros. Neste exercício, todos os valores se enquadram em uma das três categorias, por- tanto, basta somá-los: Receitas = R$ 151.000,00 (R$ 150.000,00 + R$ 1.000,00). Insumos adquiridos por terceiros = R$ 82.500,00 (R$ 80.000,00 + R$ 2.500,00) Valor Recebido em Transferências = R$ 6.000,00 Total = R$ 239.500,00. O valor total adicionado é R$ 239.500,00. A segunda parte da DVA evidencia a distribuição da riqueza. Nesta parte da DVA é que a organização consegue demonstrar a sua contribuição para pessoal (funcionários), governo, para terceiros e para os proprietários. Com relação ao Pessoal, ou funcionários, os dados da DVA são extraídos da De- monstração do Resultado. São exemplos: Remuneração direta (valores relativos a salários, 13º salário, honorários da administração, férias, comissões, horas extras, participação de empregados nos resultados, etc), Benefícios (assistência médica, alimentação, transporte, planos de aposentadoria, etc) e FGTS (valores depositados em conta vinculada dos em- pregados). Esta parte da DVA enfatiza a riqueza criada para os funcionários (CFC, 2008). A riqueza distribuída ao Governo é enfatizada pelos montantes de Impostos, taxas e contribuições. Aqui são demonstrados os valores relativos ao imposto de renda, contribui- ção social sobre o lucro, contribuições ao INSS. É subdivido em Impostos Federais: IRPJ, CSSL, IPI, CIDE, PIS, COFINS. Inclui também a contribuição sindical patronal; Estaduais: o ICMS e o IPVA. Municipais: o ISS e o IPTU (CFC, 2008). A Remuneração de capitais de terceiros referem-se aos valores pagos ou creditados aos financiadores externos de capital. São exemplos: Juros, Aluguéis, royalties, franquia, direitos autorais, etc (CFC, 2008). A Remuneração de capitais próprios são os valores relativos à remuneração atribuí- da aos sócios e acionistas. São exemplos: Juros sobre o capital próprio (JCP) e dividendos, Lucros retidos e prejuízos do exercício (CFC, 2008). 67UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado Exercício Resolvido 5. A organização Lucro Certo S/A, apurou o montante de R$ 239.500,00 como Valor Adicionado Total a Distribuir e deseja conhecer o montante que cada grupo receberá. Pessoal 40% Governo 35% Remuneração de Capital de Terceiros 20% Remuneração de Capital Próprio 5% Qual é o valor adicionado distribuído a cada um dos grupos na DVA? Resolução = para resolver este exercício, basta aplicar os percentuais sobre o montante valor a distribuir, qual seja R$ 239.500,00. Assim: Pessoal = R$ 95.800,00 (R$ 239.500,00 x 40%). Governo = R$ 83.825,00 (R$ 239.500,00 x 35%). Remuneração de Capital de Terceiros = R$ 47.900,00 (R$ 239.500,00 x 20%). Remuneração de Capital Próprio = R$ 11.975,00 (R$ 239.500,00 x 5%). Total = R$ 239.500,00. A seguir, serão dispostas as considerações finais da Unidade III. 68UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado Caro(a) aluno(a), na Unidade III, foi discorrido sobre a Demonstração do Fluxo de Caixa e sobre a Demonstração do Valor Adicionado. Conforme foi visto a apuração do Caixa é um indicador financeiro que representa o valor disponível para transferência a qualquer organização ou pessoa, para que a organização possa atingir os seus objetivos. E o Valor Adicionado, é uma forma de a organização demonstrar à sociedade e demais stakeholders qual é a sua contribuição (riqueza distribuída) em valores monetários. Num primeiro momento, você conheceu a Demonstração do Fluxo de Caixa, nesse sentido, você teve contato com as definições de Caixa e Equivalentes de Caixa, e foi abor- dado A NBC TG 03 – Demonstração do Fluxo de Caixa. Nesse tópico, você conheceu as definições dos três tipos de fluxo de caixa das organizações, quais sejam: operacional, de investimento e financiamento. Prosseguindo, você conheceu como calcular o Fluxo de Caixa de acordo com a legislação societária. Ressalta-se que o Fluxo de Caixa é obtido pela soma dos 3 fluxos de caixa quais sejam fluxos operacionais, investimentos e financiamentos. Os métodos para apuração do fluxo de caixa são: método direto e método indireto. O tópico seguinte serviu para compreender conceitos sobre a Demonstração do Valor Adicionado, a qual também faz parte das demonstrações contábeis. Nesse sentido, você conheceu o que é valor adicionado, o que é riquezagerada, riqueza distribuída, entre outros conceitos abordados no CPC 09 – Demonstração do Valor Adicionado, o qual é específico dessa demonstração contábil. Por fim, você irá compreendeu como elaborar uma Demonstração do Valor Adicio- nado, assim, você calculou os montantes de riqueza gerada, bem como resolveu exercícios sobre distribuição de riqueza, além disso, foi demonstrada a estrutura da Demonstração do Valor Adicionado segundo legislação societária. Bons estudos! CONSIDERAÇÕES FINAIS 69UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado Leitura Complementar RESPONSABILIDADE SOCIAL E A DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO Em um artigo publicado em 2008, no periódico Desenvolvimento em Questão, os autores César Eduardo Stevens Kroetz e Marguit Neumann, verificaram a relação entre a Responsabilidade Social Corporativa e a Demonstração do Valor Adicionado. Adicional- mente, os autores discorreram sobre a Teoria dos Stakeholders. A relação entre a Responsabilidade Social Corporativa e a Demonstração do Valor Adicionado, se dá pelo interesse da organização em questões além das financeiras, como o interesse por aspectos ambientais e sociais. A relação entre a Teoria dos Stakeholders e a Demonstração do Valor Adicionado reside na necessidade da entidade relatar aos stakeholders como ela entende e trata as questões em que eles estão envolvidos. Portanto a Demonstração do Valor Adicionado, não pode ser vista apenas como um instrumento de cumprimento da legislação societária. Dado o potencial informativo da DVA, a mesma pode ser utilizada para propiciar o engajamento da organização com os stakeholders e para relatar práticas de Responsabilidade Social Corporativa. Exemplos de informações que a DVA propicia para a organização: riqueza distri- buída para funcionários, riqueza distribuída para governo (estadual, municipal e federal), riqueza para distribuída para terceiros financiadores da organização e riqueza distribuída para funcionários. Para muitas organizações, a DVA não é compulsória, e a sua elaboração reforça a intenção da organização em se preocupar com questões sociais e ambientais. Fonte: KROETZ; NEUMANN (2008). 70UNIDADE III Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado Material Complementar LIVRO Gestão do Fluxo de Caixa: perspectivas estratégica e tática. Autor: Fábio Frezatti Editora: Atlas. Sinopse: O objetivo do livro é discorrer sobre o fluxo de caixa das organizações. Traz a discussão de conceitos e proporciona a visão de como elaborar fluxo de caixa de forma detalhada. Destarte, traz exemplos de análises gerenciais envolvendo finanças, liquidez, capital de giro, entre outros. FILME Capital C: The Crowdfunding Revolution Ano: 2013. Sinopse: O filme Capital C é o primeiro documento dedicado ao movimento do crowdfunding (financiamento coletivo). Neste sen- tido, o filme foca nas armadilhas que a era digital pode propiciar a estes tipos de investimentos. WEB Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). No link abaixo do site do SEBRAE consta uma planilha que as organizações podem utilizar para estruturar seu fluxo de caixa. Salienta-se que o SEBRAE é uma Instituição voltada para assessoria no controle das atividades das organizações. WEB: Disponível em: . Acesso em: 14 abr. 2019. 71 Objetivos de Aprendizagem • Apresentar conceitos e definições das Notas Explicativas. • Discorrer sobre o conteúdo mínimo a ser divulgado nas Notas Explicativas. • Abordar as alterações introduzidas nas Notas Explicativas pela OCPC 07. Plano de Estudo • Conceitos e Definições sobre Notas Explicativas. • Conteúdo mínimo das Notas Explicativas. • Alterações introduzidas nas Notas Explicativas pela OCPC 07. UNIDADE IV Notas Explicativas Professor Me. Matheus Henrique Delmonaco. Professor Me. Rodrigo Gaspar de Almeida. 72UNIDADE IV Notas Explicativas INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), na Unidade 4, do livro da disciplina de Contabilidade Societária, falaremos sobre as notas explicativas e sua importância para os usuários das demonstra- ções contábeis. A evidenciação das informações está ligada a quantidade e qualidade das informações que atende as necessidades dos usuários das demonstrações contábeis. As notas explicativas surgem como forma de complementar às demonstrações, sendo parte integrante das mesmas. Veremos que as notas explicativas podem estar expressas na forma descritiva, quadros ou até mesmo englobar as demonstrações contábeis, visando esclarecer as informações e a situação da organização. Discorreremos sobre o conteúdo mínimo exigido, que devem ser divulgados nas notas explicativos, pelos órgãos reguladores e pela Lei das Sociedades por Ações. Tra- remos um exemplo de nota explicativa publicado por uma companhia listada na bolsa de valores do Brasil, para demonstrar a forma como é expresso a informação aos usuários das demonstrações. Será abordado também sobre a OCPC 07 - Evidenciação na Divulgação dos Relatórios Contábil-Financeiro de Propósito Geral, que busca orientar no momento de elaborar uma nota explicativa, sendo primordial existir materialidade e relevância. As notas explicativas são fundamentais e necessárias para que os usuários da contabilidade tenham informações materiais e relevantes que podem auxiliar na tomada de decisões, elas complementam as demonstrações contábeis. Ao elaborar uma nota explicativa busca-se pela facilitação da compreensão das informações pelos usuários das informações contábeis, visando reduzir as dúvidas e possíveis questionamentos desses usuários, em relação aos meios pelos quais determinados resultados foram obtidos. Bons estudos! 73UNIDADE IV Notas Explicativas CONCEITOS E DEFINIÇÕES SOBRE NOTAS EXPLICATIVAS A contabilidade tem grandes desafios, um deles é em relação à evidenciação das demonstrações. Com a intenção de evidenciar aos usuários da contabilidade com infor- mações materiais e relevantes, surgem as notas explicativas que são informações com- plementares às demonstrações contábeis, mas que é parte integrante das mesmas. Ela é considerada importante no processo de informação, pois tem resultado numa divulgação mais ampla de eventos e dados relevantes (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 2010). As Notas Explicativas são parte obrigatória e importante do processo de divulgação, uma vez que contribuem para um melhor entendimento do conteúdo das demonstrações contábeis. Nelas estão presentes informações que são fundamentais para se realizar uma análise realmente informativa sobre a saúde financeira de uma empresa, pois contêm as principais práticas contábeis utilizadas pela companhia (LOURENÇO, 2014). Segundo Hungarato e Costa (2005) para que as necessidades dos usuários das demonstrações contábeis sejam atendidas e a evidenciação é um dos objetivos da contabi- lidade, as Notas explicativas são informações complementares que buscam esclarecer de modo transparente os resultados e a situação financeira da empresa. É fundamental que as empresas prestem informações das variações do seu patrimônio. A quantidade e principalmente a qualidade de informações que visam atender às necessidades dos usuários das demonstrações contábeis. Segundo Bernardo (2015) a qualidade das notas explicativas é uma preocupação de usuários, preparadores e audi- 74UNIDADE IV Notas Explicativas tores. A partir disso, diferentes órgãos internacionais têm expedido orientações técnicas com o objetivo de aperfeiçoá-las. De acordo com Gelbcke et al (2018) as notas explicativas devem conter informações objetivas, sem excesso de informações irrelevantes. O excesso prejudica a evidenciação e não propicia uma base adequada de informação para o usuário, que é a razão de ser da Contabilidade. Para Hendriksen e VanBreda (2010) existem algumas vantagens e desvantagens sobre as notas explicativas, conforme a figura 1 abaixo: Figura 1: Vantagens e desvantagens de notas explicativas Fonte: Adaptado de Hendriksen e Van Breda (2010) Segundo Hendriksen e Van Breda (2010) as notas explicativas não devem de ser usados como substituto de classificação, avaliação e descrição apropriadas nas demonstra- ções, tampouco devem contradizer ou repetir informações já contidas nas demonstrações. No próximo tópico falaremos sobre como as notas explicativas devem ser divul- gadas, o conteúdo mínimo exigido pela Lei das Sociedades por Ações regulamente que devem ser evidenciadas nas notas explicativas, e quais informações os Pronunciamentos Técnicos – CPC e o Conselho Federal de Contabilidade – CFC recomendam evidenciar nas notas explicativas. 75UNIDADE IV Notas Explicativas CONTEÚDO MÍNIMO DAS NOTAS EXPLICATIVAS A Lei das Sociedades por Ações prevê, em seu art. 176, que as notas explicativas com informações relevantes referentes às Demonstrações Contábeis, sejam publicadas. As- sim a Lei estabelece que “as demonstrações serão complementadas por Notas Explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessárias para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício” (BRASIL,1976). As Notas Explicativas visam fornecer as informações necessárias para esclareci- mento da situação patrimonial, ou seja, de determinada conta, saldo ou transação, ou de valores ou itens relevantes relativos aos resultados do exercício, ou, ainda, para menção de fatos que podem alterar futuramente tal situação patrimonial. Uma nota explicativa também pode estar relacionada as Demonstrações Contá- beis, como Demonstração do Valor Adicionado, Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados. É o exemplo do valor relativo a Ajustes de Exercícios Anteriores por mudança de prática contábil, ou por retificação de erros de exercícios anteriores, que deverá ser esclarecido por uma nota explicativa. O art. 176 da Lei das Sociedades por Ações menciona as bases gerais e as notas explicativas a serem incluídas nas demonstrações contábeis: I – apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações financeiras e das práticas contábeis específicas selecionadas e aplicadas para negócios e eventos significativos; II – divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis adotadas no Brasil que não estejam apresentadas em nenhuma outra parte das demons- trações financeiras; 76UNIDADE IV Notas Explicativas III – fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demonstra- ções financeiras e consideradas necessárias para uma apresentação ade- quada; e IV – indicar: a) os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, especial- mente estoques, dos cálculos de depreciação, amortização e exaustão, de constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos ajustes para atender a perdas prováveis na realização dos elementos do ativo; b) os investimentos em outras sociedades, quando relevantes (art. 247, pa- rágrafo único); c) o aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações (art. 182, § 3o); d) os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias presta- das a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes; e) a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo; f) o número, espécies e classes das ações do capital social; g) as opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício; h) os ajustes de exercícios anteriores (art. 186, § 1o); i) os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resulta- dos futuros da companhia. (BRASIL,1976). Ainda em seu artigo 177 a Lei das Sociedades por Ações menciona estabelece que devem ser indicados em Notas Explicativas os efeitos das mudanças de critérios contábeis. De acordo com a Lei 6.404/76 os principais fatos que ocasionam ou devem ser expressos em notas explicativas estão relacionados a seguir. A entidade deve divulgar em suas demonstrações contábeis os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais. Mas deve apenas divulgar os critérios que se re- firam a itens que sejam materiais ou relevantes. O objetivo de divulgar uma nota explicativa explicando as práticas exercidas pela entidade permite aos usuários o conhecimento das práticas contábeis que possam interferir numa melhor compreensão da situação patrimonial e financeira da empresa e de suas operações. Essa informação é útil, pois, dependendo das práticas contábeis utilizadas pela empresa, os resultados poderão sofrer variações. Assim, permite aos usuários determinarem a comparabilidade das demonstrações contábeis da empresa de um para outro período ou a comparação da posição financeira e dos resultados das operações dessa empresa com a de outras. Portanto, a companhia deve divulgar as práticas contábeis adotadas para todas as suas principais operações e elementos patrimo- niais. (BRASIL,1976). A entidade deve divulgar, nas notas explicativas, informação acerca dos pressupos- tos relativos ao futuro e outras fontes principais de incerteza nas estimativas ao término do 77UNIDADE IV Notas Explicativas período de reporte que possuam risco significativo de provocar ajuste material nos valores contábeis de ativos e passivos ao longo do próximo exercício social. De acordo com o art. 243 da lei 6404/76 outro item sobre o qual há necessidade de divulgação de informações nas notas explicativas, referem-se especificamente aos in- vestimentos em coligadas e controladas. Assim, estabelece ainda que o relatório anual da administração deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificações ocorridas durante o exercício. Devem ser preci- sas e detalhadas as informações sobre as sociedades coligadas e controladas, bem como sobre suas relações com a companhia. (BRASIL,1976). A entidade deve divulgar os ônus reais constituídos sobre os elementos do ativo, as garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes. Os ônus e as garantias estão normalmente ligadas a empréstimos e financiamentos contraídos pela entidade, ou mesmo por fornecedores de equipamentos, que exigem, como garantia à liquidação do empréstimo, a hipoteca dos bens financiados ou mesmo de outros bens imóveis, de maquinismos, de equipamentos ou de outros bens da empresa. Devem estar expressas em nota a forma de atualização (correção monetária, variação cambial etc.), a taxa de juros, as datas de vencimentos e as garantias das obrigações a longo prazo. Se a entidade obtiver outras responsabilidades ou contingências, deverão estar expressas em notas explicas, fazendo menção a sua origem. As contingências fiscais ou trabalhistas, são oriundas de autuações fiscais ou de práticas adotadas pela empresa, quando há dúvidas sobre sua legalidade ou sobre a adequação de seu procedimento fiscal. De acordo com o art. 176 da Lei no 6.404/76 (BRASIL,1976)., devem ser divulga- dos em nota explicativa: o número, as espécies e as classes das ações que compõem o capital social, e, para cada espécie e classe, a respectiva quantidade e, se houver o valor nominal. De forma adicional, devem ser divulgadas, também, as vantagens e preferências conferidas às diversas classes de ações, conforme norma estatutária. De acordo com a Lei 6.404/76 deve ser especificado em nota explicativa: • O limite de aumento autorizado, em valor do capital e em número de ações, e as espécies e classes que poderão ser emitidas; • O órgão competente para deliberar sobre as emissões (Assembleia Geral ou Conselho de Administração); • As condições a que estiverem sujeitas as emissões; • Os casos ou as condições em que os acionistas terão direito de preferênciapara subscrição, ou de inexistência desse direito; • Opção de compra de ações se houver, aos administradores, empregados ou 78UNIDADE IV Notas Explicativas pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou sociedade sob seu controle. Existe também a obrigatoriedade da menção, em nota específica, dos Ajustes de Exercícios Anteriores, contabilizados no exercício diretamente na conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados. Os ajustes se referem ao efeito de mudanças de práticas contá- beis inseridas durante o exercício pela sociedade, ou à retificação de erros de exercícios anteriores não atribuíveis a fatos subsequentes, ou a mudanças de estimativas contábeis. Quando houver tais ajustes, a empresa deverá mencioná-los em uma nota específica, descrevendo-os. Os eventos subsequentes são itens particularmente importantes a serem divulga- dos em notas explicativas, quando houver fatos ocorridos subsequentemente à data de encerramento do exercício até a elaboração para publicação, que tenham efeito relevante sobre a situação patrimonial ou financeira da empresa ou efeitos sobre seus Resultados Futuros. Segundo o CPC 24 (2009), os eventos subsequentes são aqueles que, favoráveis ou desfavoráveis, ocorrem entre a data final referente a um período das demonstrações contábeis e a data de autorização para emitir as demonstrações. O CPC 24 (2009) que se referem aos eventos subsequentes, não específica o que seriam os eventos favoráveis e desfavoráveis. Dessa forma, pelo entendimento que se tem sobre as orientações dos pro- nunciamentos emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos de Contábeis, as demonstrações emitidas pela empresa têm por finalidade informar os usuários da contabilidade sobre os eventos que ocorrem e afetam a empresa. Assim, os eventos subsequentes favoráveis e desfavoráveis são os que trazem aspectos positivos e negativos respectivamente aos resultados da empresa. O CPC 24 (2009) faz distinção entre aqueles eventos subsequentes que originam ajustes e os que não originam ajuste nas demonstrações. Os eventos subsequentes que originam ajustes nas demonstrações devem ser reconhecidos nas demonstrações an- teriores, uma vez que tais eventos estão conectados com situações que já existiam na data final do período contábil, como é o caso de algumas provisões. Quando identificado um evento subsequente que origina ajustes, os valores reconhecidos anteriormente nas demonstrações devem ser corrigidos. Já os eventos subsequentes que não originam ajus- tes nas demonstrações são aqueles eventos relevantes que aconteceram após o final do período contábil e antes da autorização das demonstrações, onde sua não divulgação pode influenciar as decisões econômicas dos usuários das demonstrações contábil-financeira elaborada pela entidade. Tais eventos subsequentes devem ser divulgados em notas ex- plicativas, contendo a natureza do evento subsequente e a declaração do efeito financeiro, 79UNIDADE IV Notas Explicativas não originando ajustes nas demonstrações contábeis. Alguns exemplos de eventos subsequentes que são relevantes de serem divulga- dos em notas explicativas: • ocorrência de um sinistro por incêndio nas dependências da empresa, ocorrido posteriormente à data do Balanço, mas antes da data de sua publicação; • processo em andamento na Justiça, que tenha tido uma solução definitiva, ou algum novo fato importante relativo a esse processo, ocorrido no período poste- rior à data do Balanço e antes; • alteração na legislação fiscal que possa trazer reflexos significativos para a empresa, favoráveis ou desfavoráveis; • importantes negociações em andamento, como a contratação de novos emprés- timos, ou mesmo o reescalonamento de dívidas já existentes ou renegociações das taxas de juros; • decisão tomada pela empresa de paralisação de determinada linha de produção ou mesmo do lançamento de novo produto no mercado, que possa afetar subs- tancialmente as operações futuras da companhia; • lançamento no mercado, por concorrente, de produto que substitua integral- mente produto da companhia, afetando substancialmente suas operações; • venda do controle acionário ou de parcela significativa das ações da empresa ou incorporação de outra empresa; • variações bruscas nas taxas de câmbio e seus reflexos nas demonstrações contábeis e informações trimestrais, indicando: (I) composição das obrigações em moeda estrangeira; (II) variação da moeda estrangeira usada no empréstimo ou financiamento, em relação à moeda brasileira; (III) variação dos principais indexadores aplicados aos empréstimos e financiamentos em moeda nacional, para fins de comparação com a variação cambial no mesmo período; (IV) os montantes dos ativos e passivos em moeda estrangeira, os riscos envolvidos, o grau de exposição a esses riscos, as políticas e instrumentos financeiros ado- tados para diminuição do risco, bem como o montante das receitas e despesas decorrentes da variação cambial. O Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) sobre a Apresentação das Demonstrações Contábeis, aprovado pela Deliberação CVM no 676/11 e pela Resolução CFC no 1.376/11 dispõe que as notas explicativas devem seguir alguns critérios: apresentar informação acerca da base para a elaboração das demonstrações contábeis e das políticas contábeis específicas utilizadas, de acordo com os itens 117 a 124; divulgar a informação requerida 80UNIDADE IV Notas Explicativas pelos Pronunciamentos Técnicos, Orientações e Interpretações do CPC que não tenha sido apresentada nas demonstrações contábeis; e prover informação adicional que não tenha sido apresentada nas demonstrações contábeis, mas que seja relevante para sua compreensão. As notas explicativas devem ser apresentadas de forma sistemática, assim a enti- dade deve considerar os efeitos sobre a compreensibilidade e comparabilidade das suas demonstrações contábeis. Cada item das demonstrações contábeis deve ter referência cruzada com a respectiva informação apresentada nas notas explicativas. O CPC 26 R1 (2011) ainda dar exemplos de ordenação ou agrupamento sistemático das notas explicativas, na qual incluem: a) dar destaque para as áreas de atividades que a entidade considera mais relevantes para a compreensão do seu desempenho financeiro e da posi- ção financeira, como agrupar informações sobre determinadas atividades operacionais; b) agrupar informações sobre contas mensuradas de forma semelhante, como os ativos mensurados ao valor justo; ou c) seguir a ordem das contas das demonstrações do resultado e de outros resultados 12 abrangentes e do balanço patrimonial, tais como: i) declaração de conformidade com os Pronunciamentos Técnicos, Orientações e Interpretações do CPC); ii) políticas contábeis significativas aplicadas; iii) informação de suporte de itens apresentados nas demonstrações contábeis pela ordem em que cada demonstração e cada rubrica se- jam apresentadas; e iv) outras divulgações, incluindo: 1) passivos contingentes e compromissos contratuais não reco- nhecidos; e 2) divulgações não financeiras, por exemplo, os objetivos e as políticas de gestão do risco financeiro da entidade. De acordo com o CPC 26 – R1 (2011) os principais fatos que ocasionam ou devem ser expressos em notas explicativas estão relacionadas a seguir • Composição de contas; • Demonstração do cálculo por ação; • Lucro por ação e dividendo por ação; • Segregação entre circulante e não circulante; • Seguros; • Arrendamento mercantil; • Transações entre partes relacionadas; • Tributos sobre o lucro; • Variações cambiais e conversão de demonstrações contábeis; • Demonstrações contábeis consolidadas; 81UNIDADE IV Notas Explicativas • Debêntures; • Subvenções governamentais; • Benefícios a empregados (planos de aposentadoria e pensões); • Divulgação de Instrumentos Financeiros; • Disponibilidades; • Ações em tesouraria; • Empresas em fase pré-operacional; • Capacidade ociosa; • Continuidadenormal dos negócios; • Remuneração dos administradores; • Vendas ou serviços a realizar; • Juros sobre capital próprio; • Estoques; • Ativos especiais; • Equivalência patrimonial; • Demonstrações condensadas; • Ativo intangível; • Incorporação, fusão e cisão; • Voto múltiplo; • Custos de transação e prêmio na emissão de papéis; • Programa de recuperação fiscal (REFIS); • Ativo imobilizado; • Perdas estimadas em créditos de liquidação duvidosa; • Opções de compra de ações; • Despesas e receitas financeiras; • Instrumentos financeiros derivativos; • Adoção de nova prática contábil e mudança de política contábil; • Correção de erros de períodos anteriores; • Mudanças em estimativas contábeis; • Informações por segmento de negócio; • Informações sobre concessões; • Ativo não circulante mantido para venda e operação descontinuada; • Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes; • Entidades de propósito específico (EPEs); • Paradas programadas; • Redução ao valor recuperável de ativos; • Contratos de seguro; • Ajuste a valor presente; 82UNIDADE IV Notas Explicativas • Combinação de negócios; • Investimento em coligada e em controlada; • Demonstração intermediária; • Evento subsequente; • Propriedade para investimento; • Ativo biológico e produto agrícola; • Receitas; e • Demonstrações separadas; Para que os usuários das demonstrações contábeis possam avaliar a situação da empresa e seus resultados, podendo analisar os índices de rentabilidade, de liquidez e en- tre outros para sua tomada de decisão, é muito importante que se conheça qual é o objetivo social da empresa, ou seja, qual é sua atividade, suas bases de operações e mercado e qual o estágio do empreendimento, se a empresa estiver em implantação ou em expansão. Por esse fato, é muito oportuna e necessária essa divulgação. Exemplo de nota explicativa, divulgada por uma entidade de capital aberto na bolsa de valores do Brasil na B3: Figura 02:Notas Explicativas Banco do Brasil Fonte: Notas Explicativas Banco do Brasil (2017) A figura acima demonstra a evidenciação dos Benefícios a Empregados que o Banco do Brasil adota, assim como suas políticas de distribuição. 83UNIDADE IV Notas Explicativas ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS NAS NOTAS EXPLICATIVAS PELA OCPC 07 Como o processo de elaboração das notas explicativas não é algo trivial e nem rigidamente padronizado, os contadores, profissionais incumbidos de tal missão, devem constantemente ponderar: o que, quando e como divulgar. No entanto, comumente, perce- be-se a elaboração de notas explicativas com conteúdo irrelevante, com informação dema- siada ou com uma literatura tão complexa, que o usuário da contabilidade não consegue compreender as informações veiculadas nesses demonstrativos (Dias Filho, 2000). A partir da Orientação - OCPC 07 (2014), notoriamente deixou clara a elaboração das notas explicativas, num trabalho inédito em nível mundial, resumindo tudo o que as normas dizem a respeito de evidenciação, com a já clássica conclusão: só se deve divulgar o que for relevante, ou seja, o que puder influenciar usuários externos em suas decisões. O que não for relevante simplesmente não deve ser divulgado. A OCPC 07 (2014) foi elaborada considerando as diretrizes propostas pelo CPC 00 – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro, do CPC 26 (R1) – Apresentação das Demonstrações Contábeis e da Lei das Sociedades por Ações n° 6.404/76, visando estabelecer que as informações materiais e relevantes devem sempre ser divulgadas e evidenciadas nas demonstrações contábeis-financeiras. Caso a entidade não tenha informações relevantes e materiais a serem divulgadas, não deve a entidade fazer divulgação daquilo que não seja útil ou material. O que é explicito no item 31 do CPC 26 (R1): “A entidade não precisa fornecer uma divulgação específica, requerida por 84UNIDADE IV Notas Explicativas um Pronunciamento Técnico, Interpretação ou Orientação do CPC, se a informação não for material.” De acordo com o OCPC 07 (2014) o objetivo do relatório contábil-financeiro de pro- pósito geral, “é fornecer informações contábil-financeiras acerca da entidade que reporta essa informação que sejam úteis a investidores existentes e em potencial, a credores por empréstimos e a outros credores, quando da tomada de decisão ligada ao fornecimento de recursos para a entidade”. As informações consideradas úteis são aquelas revestidas das características qualitativas fundamentais do relatório contábil-financeiro. Essas características, conforme esse mesmo Pronunciamento Conceitual Básico, item QC5, são “relevância e representa- ção fidedigna”. Dessa forma uma informação contábil-financeira relevante é aquela capaz de fazer diferença nas decisões que possam ser tomadas pelos usuários. E a informação é material se a sua omissão ou sua divulgação distorcida puder influenciar decisões que os usuários tomam com base na informação contábil-financeira acerca de entidade específica que reporta a informação. De acordo com a orientação OCPC 07 (2014) a ordem de apresentação das notas explicativas, após aquelas relativas ao contexto operacional e à declaração de confor- midade, pode seguir a ordem de relevância dos assuntos tratados, obedecida sempre a exigência de referência cruzada entre as notas e os itens das demonstrações contábeis ou a outras notas a que se referem. E enquanto na redação das notas não deve haver, na medida do possível, repetição de fatos, políticas e informações outras para fins de não desvio da atenção do usuário. 85UNIDADE IV Notas Explicativas Caro(a) aluno(a), chegamos ao fim desta unidade. Verificamos a importância que as notas explicativas exercem dentro das demonstrações contábeis, e sua essência para tomada de decisões pelos usuários das demonstrações. As Notas Explicativas visam for- necer as informações necessárias para esclarecimento da situação patrimonial, ou seja, de determinada conta, saldo ou transação, ou de valores relativos aos resultados do exercício, ou para menção de fatos que podem alterar futuramente tal situação patrimonial. As notas explicativas tem como objetivo evidenciar informações referentes as demonstrações con- tábeis. Vimos como a orientação OCPC 07 (2014) busca orientar no momento de elabora- ção de uma nota explicativa, pois é primordial que uma nota explicativa só seja divulgada se existir materialidade e relevância. Dessa forma as informações que não exista materia- lidade, relevância e que não afetará o usuário das informações, não deverá ser divulgado. Outro ponto que a OCPC 07 (2014) orienta é a não repetição de conteúdo dentro das de- monstrações contábeis, ou de informações que possam confundir os usuários a tomarem decisões. Ao longo das unidades verificamos como as demonstrações contábeis são distribuídas, quais delas são exigidas pela legislação brasileira 6.404/76, 11638/07, quais são recomendados pelo Pronunciamento Técnico CPC 26 – R1 (2011) e Conselho Fede- ral de Contabilidade (CFC), e como as demonstrações são importantes para os usuários da informações contábeis. As demonstrações contábeis são uma representação monetária estruturada da posição patrimonial e financeira em determinada data e das transações rea- lizadas por uma entidade durante um período. O objetivo das demonstrações contábeis é fornecer informações sobre a posição pa- trimonial e financeira, o resultado e o fluxo financeiro de uma entidade, que são úteis para uma ampla variedade de usuários na tomada de decisões. As demonstrações contábeis também mostram os resultados do gerenciamento, pela Administração, dos recursos que lhe são confiados CONSIDERAÇÕES FINAIS 86UNIDADE IV Notas Explicativas Leitura Complementar Demonstrações Financeiras de companhias listadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3) Os links direcionarão o(a) aluno(a) às demonstrações contábeis-financeiras divul- gadas por algumas companhias listadas na Bolsainseriu o Brasil no movimento das normas internacionais de Contabilidade, provocando alterações na estrutura das demonstrações contábeis. Num próximo momento, você irá conhecer as ca- racterísticas da informação contábil da NBC TG Estrutura Conceitual: que são as caracte- rísticas fundamentais (relevância e representação fidedigna) e características de melhoria (Comparabilidade, verificabilidade, tempestividade e compreensibilidade), as quais ajudam a tornar a informação útil e relevante para fins decisoriais. Prosseguindo, você irá compreender sobre o Princípio da Continuidade, Regime de Caixa (reconhecer receitas e despesas no momento em houve o efetivo ingresso ou saída de caixa ou equivalente de caixa da organização) e Regime de Competência (reco- nhecer receitas e despesas no momento em que as mesmas ocorreram), nesse sentido, serão apresentados exemplos de contabilização de fatos geradores de cada um desses regimes contábeis. Ainda, você irá conhecer qual é o conjunto completo das Demonstra- ções Contábeis, ou seja, quais demonstrações contábeis as organizações são obrigadas (compulsoriamente) a evidenciar. Nos últimos tópicos da Unidade, será discorrido sobre o Balanço Patrimonial, uma das demonstrações contábeis mais conhecidas pelos usuários da informação. Num pri- meiro momento, serão vistos os critérios de classificação de grupos e contas do Balanço Patrimonial. Por fim, você vai conhecer a estrutura do Balanço Patrimonial conforme a Lei Societária brasileira. Bons estudos! 8UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial 1. A LEI 6.404/1976 E AS PRINCIPAIS ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS PELA LEI 11.638/2007. Caro(a) aluno(a), bem-vindo(a) a Unidade 1 do Livro de Contabilidade Societária. Antes de adentrarmos nas especificidades de cada uma das demonstrações contábeis, iremos discorrer sobre a Lei 6.404/1976 e sobre as alterações introduzidas pela Lei 11.638/2007. A Lei 6.404/1976 é conhecida como a Lei das S/A, ou seja, é a Lei que dispõe sobre as Sociedades por Ações. No âmbito brasileiro, a Lei das S/A é considerada a grande revo- lução do mundo contábil no Século XX. A partir do Capítulo XV, a Lei 6.404/1976 enfatiza a estrutura das demonstrações contábeis, as quais serão tratadas neste material didático (BRASIL, 1976; CORBARI; MATTOS; FREITAG, 2012). Até o ano de 2007, a Lei das S/A servia como referência para que as organizações (principalmente as sociedades anônimas) estruturassem e publicassem as demonstrações contábeis (BRASIL, 1976). Contudo, a partir de 2007, o Brasil se inseriu no movimento mundial de harmonização às Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS), e devido ao processo de harmonização contábil, no qual o Brasil está inserido, houve uma ruptura nos paradigmas envolvendo a Contabilidade Societária, e a Lei 6404/1976 foi atualizada para incorporar essas adequações (CORBARI; MATTOS; FREITAG, 2012). Um exemplo das mudanças trazidas pela harmonização do Brasil às normas inter- nacionais emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB) é o surgimento do 9UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial órgão Comitê dos Pronunciamentos Contábeis (CPC) em 2005. Órgão CPC é responsável por discutir e traduzir as normas internacionais de contabilidade (IFRS) no âmbito nacional. Em outras palavras, o órgão CPC, emite os Pronunciamentos Técnicos com base nas IFRS (CORBARI; MATTOS; FREITAG, 2012). Para que os CPCs (ou Pronunciamentos Técnicos) sejam aplicados nas organi- zações brasileiras, há necessidade dos mesmos serem aprovados pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). A partir do momento, em que o CFC aprova um Pronunciamento Técnico, este se torna uma Norma Brasileira de Contabilidade, que deve ser aplicada pelas organizações para elaboração de suas demonstrações contábeis (Figura 1). Figura 1: Fluxograma de aprovação de uma Norma brasileira de Contabilidade. Fonte: elaborado pelos autores (2019). O CPC, apesar de ser um Pronunciamento Técnico, tem como característica a abordagem por princípios e não regras. Isso significa que as Normas Internacionais de Contabilidade trouxeram a possibilidade de o contador realizar julgamentos, por exemplo, ao definir as bases de uma estimativa, provisão ou ao aplicar uma política contábil. Em suma, o contador tem que aplicar o princípio da essência sobre a forma, e abandonar os princípios da prudência e conservadorismo (os quais são característicos do período pré-convergência às Normas Internacionais de Contabilidade) (CFC, 2011a; CORBARI; MATTOS; FREITAG, 2012). Para que você saiba um pouco mais sobre os CPC e o movimento mundial de harmonização contábil, do qual o Brasil faz parte, no Quadro 1, estão relacionados os Pronunciamentos Técnicos (ou CPCs) aprovados pelo CFC (até 2019), com a respectiva resolução do CFC: 10UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial Quadro 01: Normas Brasileiras de Contabilidade. Documento Título Data Aprovação Resolução do CFC CPC 00 Estrutura Conceitual para Elaboração e Divul- gação de Relatório Contábil-Financeiro 02/12/2011 NBC TG ESTRU- TURA CONCEI- TUAL CPC 01 Redução ao Valor Recuperável de Ativos 06/08/2010 NBC TG 01 (R4) CPC 02 Efeitos das mudanças nas taxas de câmbio e conversão de demonstrações contábeis 03/09/2010 NBC TG 02 (R3) CPC 03 Demonstração dos Fluxos de Caixa 03/09/2010 NBC TG 03 (R3) CPC 04 Ativo Intangível 05/11/2010 NBC TG 04 (R4) CPC 05 Divulgação sobre Partes Relacionadas 03/09/2010 NBC TG 05 (R3) CPC 06 Operações de Arrendamento Mercantil 06/10/2017 NBC TG 06 (R3) CPC 07 Subvenção e Assistência Governamentais 05/11/2010 NBC TG 07 (R2) CPC 08 Custos de Transação e Prêmios na Emissão de Títulos e Valores Mobiliários 03/12/2010 NBC TG 08 CPC 09 Demonstração do Valor Adicionado (DVA) 30/10/2008 NBC TG 09 CPC 10 Pagamento Baseado em Ações 03/12/2010 NBC TG 10 (R3) CPC 11 Contratos de Seguro 05/12/2008 NBC TG 11 (R2) CPC 12 Ajuste a Valor Presente 05/12/2008 NBC TG 12 CPC 13 Adoção Inicial da Lei nº. 11.638/07 e da Medi- da Provisória nº. 449/08 05/12/2008 NBC TG 13 CPC 15 Combinação de Negócios 03/06/2011 NBC TG 15 (R4) CPC 16 Estoques 08/05/2009 NBC TG 16 (R2) CPC 18 Investimento em Coligada, em Controlada e em Empreendimento Controlado em Conjunto 07/12/2012 NBC TG 18 (R3) CPC 19 Negócios em Conjunto 09/11/2012 NBC TG 19 (R2) CPC 20 Custos de Empréstimos 02/09/2011 NBC TG 20 (R2) CPC 21 Demonstração Intermediária 02/09/2011 NBC TG 21 (R4) CPC 22 Informações por Segmento 26/06/2009 NBC TG 22 (R2) CPC 23 Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro 26/06/2009 NBC TG 23 (R2) CPC 24 Evento Subsequente 17/07/2009 NBC TG 24 (R2) CPC 25 Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes 26/06/2009 NBC TG 25 (R2) CPC 26 Apresentação das Demonstrações Contábeis 02/12/2011 NBC TG 26 (R5) CPC 27 Ativo Imobilizado 26/06/2009 NBC TG 27 (R4) CPC 28 Propriedade para Investimento 26/06/2009 NBC TG 28 (R4) CPC 29 Ativo Biológico e Produto Agrícola 07/08/2009 NBC TG 29 (R2) CPC 31 Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada 17/07/2009 NBC TG 31 (R4) CPC 32 Tributos sobre o Lucro 17/07/2009 NBC TG 32 (R4) CPC 33 Benefícios a Empregados 07/12/2012 NBC TG 33 (R2) CPC 35 Demonstrações Separadas 31/10/2012 NBC TG 35 (R2) CPC 36 Demonstrações Consolidadas 07/12/2012 NBC TG 36 (R3) CPC 37 Adoção Inicial das Normas Internacionais de Contabilidade 05/11/2010 NBC TG 37 (R5) CPC 39 Instrumentos Financeiros: Apresentação 02/10/2009 NBC TG 39 (R5) CPC 40 Instrumentos Financeiros: Evidenciação 01/06/2012 NBC TG 40 (R3) CPC 41 Resultado por Ação 08/07/2010 NBC TG 41 (R2) 11UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial CPC 42 Contabilidade em Economia Hiperinflacionária 07/12/2018 NBC TG 42 CPC 43 Adoção Inicial dos Pronunciamentos Técnicos CPCs 15 a 41 03/12/2010 NBC TG 43 CPC 44 Demonstrações Combinadas 02/12/2011 NBC TG 44 CPC 45 Divulgação de Participaçõesde Valores do Brasil - B3, dentro delas será possível notar como as demonstrações e as notas explicativas estão integradas. Magazine Luiza: https://ri.magazineluiza.com.br/Download/ITR-DFP-?=Tp4bxceKH46nJfI7OQiGCg== Sanepar: http://ri.sanepar.com.br/ptb/1720/RelatriodeAdmeDemonstraesContbeis2018.pdf Vale: http://www.vale.com/PT/investors/information-market/financial-statements/FinancialState- mentsDocs/BRGAAP%204T18%20-%20Final.pdf Itaú: https://www.itau.com.br/relacoes-com-investidores/Download.aspx?Arquivo=EintnpeHiG- DhGHpP/+MJjw== 87UNIDADE IV Notas Explicativas Material Complementar LIVRO Manual de Contabilidade Societária Autor: Moisés Melo; Sergio Barbosa. Editora: Freitas Bastos Editora. FILME Enron — Os mais espertos da sala Ano: 2006 Sinopse: O filme traz a história da Enron, uma empresa norte americana que ficou famosa devido escândalos envolvendo as suas finanças. O filme tem a capacidade de contribuir com a sua aprendizagem em Contabilidade Societária ao ilustrar os efeitos da evidenciação de indicadores (ou números) incorretos. VÍDEO Este vídeo traz uma animação, na qual os personagens explicam sobre as Notas Explicati- vas, as quais compõem as demonstrações contábeis. Disponível em: . Acesso em: 14 mai. 2019. 88UNIDADE IV Notas Explicativas REFERÊNCIAS _____. NBC TG 09 – DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO. Ano: 2008. Disponível em: . Acesso em: 20 jun. 2019. _______. NBC TG 26 (R5). Disponível em: . Acesso em: 03 jun. 2019. Ano: 2011a. _______. NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL. Disponível em: . Acesso em: 03 jun. 2019. Ano: 2011. BRASIL. Lei n°. 11.941/09, de 27 de maio de 2009. Disponível em: . Acesso em 03 jun. 2019. BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de Dezembro de 1976. Disponível em: . Acesso em: 03 jun. 2019. BRASIL. Lei nº. 11.638/07. Brasília, de 28 de dezembro de 2007. Acesso em: 03 jun. 2019. COMITE DOS PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS (CPC). Site do CPC, aba Conheça o CPC. Disponível em: . Ano: 2019. Conselho Federal de Contabilidade (CFC). NBC TG 03 (R2) – DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA. Ano: 2016. Disponível em: . Acesso em: 20 jun. 2019. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). Site do CFC, normas completas. Disponível em: https://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de- contabilidade/normas-completas/. Acesso em: 03 jun. 2019. Ano: 2019. CORBARI, Ely Célia; MATTOS, Marinei Abreu; FREITAG, Viviane da Costa. Contabilidade Socie- tária. Curitiba-Pr: InterSaberes, 2012. Dias Filho, J. M. (2000). A linguagem utilizada na evidenciação contábil: uma análise de sua compreensibilidade à luz da teoria da comunicação. Caderno de Estudos, FIPECAFI, 13(24), 38-49. GELBCKE, Ernesto Rubens et al. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as socieda- des de acordo com as normas internacionais e do CPC. 2018. HUNGARATO, Arildo; COSTA, Alexander Ferreira. Uma Contribuição para Entendimento das Notas Explicativas das Empresas Brasileiras do Setor Elétrico de Distribuição sob a Ótica da Contabilidade Societária. 2005. KROETZ, C, S..; NEUMANN, M. (2008). Responsabilidade Social e a Demonstração do Valor Adicionado. Desenvolvimento em Questão, 6 (11), 153-178. Lourenço, I. C. (2014). Notas explicativas: uma visão internacional. Revista FIPECAFI, 1(1), 10-15. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade intermediária. Editora Saraiva, 2017. 89UNIDADE IV Notas Explicativas CONCLUSÃO Caro(a) aluno(a), chegamos ao final do Livro de Contabilidade Societária! O objetivo das demonstrações contábeis é evidenciar informações úteis e relevan- tes aos usuários externos, para demonstrar sua posição patrimonial, financeira, econômica e social. Na Unidade I, você você verificou que as Normas Brasileiras de Contabilidade são aprovadas pelo Conselho Federal de Contabilidade, e aprendeu que existem 2 tipos de características qualitativas da informação quais sejam fundamentais e de melhorias. Ademais, você teve contato com os conceitos de continuidade, regime de competência e regime de caixa. Ainda, na Unidade I, você conheceu o Balanço Patrimonial, os ativos (circulante e não circulante), passivos (circulante e não circulante) e patrimônio líquido. Na Unidade II, você conheceu a Demonstração do Resultado, a qual evidencia o desempenho (ou performance) da organização e a Demonstração do Resultado Abran- gente a qual evidencia as alterações no Lucro do Período derivadas de outros resultados abrangentes (equivalências patrimoniais, ganhos ou perdas atuariais, ganhos ou perdas cambiais). Por fim, na Unidade II, você verificou que a Demonstração dos Prejuízos ou Lu- cros Acumulados pode ser incluída na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (porque ambas tratam do Patrimônio Líquido e a última é mais completa). Na Unidade III, o foco residiu em 2 demonstrações contábeis: Demonstração do Fluxo de Caixa e a Demonstração do Valor Adicionado. Nesse sentido, você compreendeu como apurar o Fluxo de Caixa de uma organização pelo método Direto e Indireto da De- monstração do Fluxo de Caixa. Outrossim, você aprendeu a estruturar uma Demonstração do Valor Adicionado demonstrando as riquezas criadas e distribuídas pela organização. A Unidade IV enfatizou as Notas Explicativas, as quais contêm informações des- critivas e complementares às Demonstrações Contábeis. Foi demonstrado a estrutura das Notas Explicativas e discorrido sobre a OCPC 07. Esperamos ter contribuído para a sua formação. Bons estudos!em outras Enti- dades 07/12/2012 NBC TG 45 (R3) CPC 46 Mensuração do Valor Justo 07/12/2012 NBC TG 46 (R2) CPC 47 Receita de Contrato com Cliente 04/11/2016 NBC TG 47 CPC 48 Instrumentos Financeiros 04/11/2016 NBC TG 48 CPC 49 Contabilização e Relatório Contábil de Planos de Benefícios de Aposentadoria 06/04/2018 NBC TG 49 CPC PME Contabilidade para Pequenas e Médias Em- presas com Glossário de Termos 04/12/2009 NBC TG 1000 (R1) Nota 1: A sigla NBC TG significa Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas Gerais. Nota 2: O R em frente ao número da norma indica que a norma sofreu revisão: R1, primeira revisão; R2, se- gunda revisão; R3, terceira revisão; R4, quarta revisão; Fonte: elaborado com base em CFC (2019). Analisando o Quadro 01, é possível notar que existem pronunciamentos gerais (ou amplos) como a NBC TG Estrutura Conceitual: e a NBC TG 26 (R5), e pronunciamentos que são específicos a grupos como: Estoques, Imobilizado, Intangível, e outros pronuncia- mentos que se referem a contas ou transações específicas como Receitas dos Contratos, Contabilização de Seguros, Benefícios a Empregados, entre outros (CFC, 2011, 2011a). Nesta disciplina, não iremos tratar de todos os Pronunciamentos Técnicos ou CPCs, visto que alguns deles tratam de situações bem específicas e serão estudados com maior profundidade em outras disciplinas do curso como: Contabilidade Intermediária, Contabili- dade Avançada, entre outras. No próximo tópico será explicado sobre as características fundamentais e de me- lhoria das informações contábeis. 2. CARACTERÍSTICAS DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL DO CPC 00: FUNDA- MENTAIS E DE MELHORIA. As informações contábeis são a matéria-prima das demonstrações contábeis, desse modo, elas devem possuir certas características para se tornarem úteis e relevantes para a tomada de decisão. A NBC TG Estrutura Conceitual traz quais são as características qualitativas das informações contábeis, as quais estão apresentadas na Figura 02: 12UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial Figura 02: Características da Informação Contábil Fonte: CFC (2011). Conforme o CFC (2011), o primeiro grupo de características qualitativas da infor- mação contábil são as características fundamentais. Portanto, as informações contábeis devem possuir (i) relevância e (ii) representar fidedignamente um fenômeno. Para que uma informação contábil possa ser considerada (i) relevante, ela deve ser capaz de fazer diferença nas decisões que possam ser tomadas pelos usuários, para tanto, deve ter valor preditivo, valor confirmatório ou ambos. O valor preditivo é a capacidade de ser utilizada como dado de entrada em processos empregados pelos usuários para reali- zar projeções. A informação contábil tem valor confirmatório se retroalimentar – servir de feedback (confirmá-las ou alterá-las). A característica da relevância engloba o conceito de Materialidade, a qual diz que uma informação é material se a sua omissão ou sua divulga- ção distorcida puder influenciar decisões que os usuários tomam com base na informação (CFC, 2011). Com relação a (ii) representação fidedigna, o CFC (2011) enfatizou que as informa- ções representam fidedignamente um fenômeno se ela for completa, neutra e livre de erro. Uma Informação Completa significa que o usuário deve compreender o fenômeno retra- tado, com as descrições e explicações necessárias. Uma informação neutra é desprovida de distorções que possa dar maior ou menor peso ou qualquer outro tipo de manipulação que torne a informação contábil favorável ou desfavorável. Por fim, uma informação livre de 13UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial erros significa que não há erros ou omissões no fenômeno retratado. Complementando as características qualitativas fundamentais, têm-se as carac- terísticas qualitativas de melhoria da informação, as quais devem ser aplicadas sempre que for possível. Elas são: a) comparabilidade, b) verificabilidade, c) tempestividade e d) compreensibilidade. A comparabilidade (a), é a característica qualitativa que permite que os usuários identifiquem e compreendam similaridades dos itens e diferenças entre eles (CFC, 2011). Já a verificabilidade (b), significa que diferentes usuários, podem chegar a um consenso, embora não cheguem necessariamente a um completo acordo, quanto ao re- trato de um fato empresarial. A tempestividade (c) significa ter informação disponível para tomadores de decisão a tempo de poder influenciá-los em suas decisões. Por último, a compreensibilidade (d) consiste em apresentar a informação com clareza e concisão (CFC, 2011). Ademais, é discorrido em CFC (2011), que as organizações tem que observar o princípio do custo x benefício ao elaborar as informações contábeis. Na aplicação da restrição do custo, avalia-se se os benefícios proporcionados pela elaboração e divulgação de informação em particular são provavelmente justificados pelos custos incorridos para fornecimento e uso dessa informação. 14UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial 3. PRESSUPOSTO DA CONTINUIDADE, REGIME DE COMPETÊNCIA E REGI- ME DE CAIXA. Os usuários externos avaliam as demonstrações contábeis com o objetivo de veri- ficar se a organização vai continuar operando no futuro, ou seja, se conseguirá quitar seus compromissos financeiros, receber as suas vendas a prazo, adquirir matéria-prima e outras atividades necessárias à sua sobrevivência. Além disso, o usuário necessita perceber se a organização tem a intenção de negociar seus ativos (vender os ativos) ou continuar operan- do. Tais informações se referem ao princípio da Continuidade (CFC, 2011, 2011a). A aplicação do pressuposto de Continuidade é apropriada, quando a administração concluir que a organização tem capacidade de continuar operando no período mínimo de doze meses a partir da data do balanço. O grau de consideração depende dos fatos de cada caso. Caso a organização identifique que não tem condição de continuar operando nos próximos períodos, deve divulgar tal fato nas demonstrações contábeis (CFC, 2011). Quanto ao regime contábil, as demonstrações contábeis são elaboradas sob o regime de competência, exceto para a demonstração dos fluxos de caixa, as qual utiliza o regime de caixa (CFC, 2011a). Segundo o CFC (2011a), o regime de competência é utilizado, quando os itens do ativo, passivo, patrimônio líquido, receitas e despesas satisfazem as definições e os critérios de reconhecimento e não por ocasião do pagamento ou recebimento dos fluxos de caixa. Já o regime de caixa, demanda que as organizações registrem os itens do ativo, 15UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial passivo, patrimônio líquido, receitas e despesas quando ocorrer o efetivo pagamento ou recebimento dos fluxos de caixa. Para compreender a distinção entre os 2 regimes de competência observe o exemplo abaixo. Exemplo 1 Em janeiro de 20x1, a Cia Mutante LTDA está elaborando suas demonstrações con- tábeis para o exercício de 20x0 e para tanto, precisa contabilizar uma venda de mercadorias de R$ 100.000,00 ocorrida em dez/20x0. O valor referente a essa venda foi negociado em 2 parcelas: 50% referente a uma entrada (à vista) e 50% para fevereiro de 20x1. Qual o montante seria reconhecido nas demonstrações contábeis de 20x0 se a Mutante LTDA utilizar o regime de competência? E se a Mutante LTDA utilizar o regime de caixa? Resposta: Se a Mutante LTDA utilizar o regime de competência, vai reconhecer em 20x0 os R$ 100.000,00 (reconhece no período onde ocorreu a venda). Por outro lado, se a Mutante LTDA utilizar o regime de caixa, reconhecerá R$ 50.000,00 em dezembro de 20x0, e os outros R$ 50.000,00 em fevereiro de 20x1 (reconhe- ce no período em que recebeu os fluxos de caixa). Exemplo 2 Em janeiro de 20x1, a Cia Vingadora LTDA está elaborando suas demonstrações contábeis para o exercício de 20x0 e para tanto, precisa contabilizaruma compra de mer- cadorias de R$ 300.000,00 ocorrida em novembro/20x0. O valor referente a essa venda foi negociado em 3 parcelas: 20% referente a uma entrada (à vista) e 40% para dezembro de 20x0 e 40% para janeiro de 20x1. Qual o montante seria reconhecido nas demonstrações contábeis de 20x0 se a Vingadora LTDA utilizar o regime de competência? E se a Vingadora LTDA utilizar o regime de caixa? Resposta: Se a Vingadora LTDA utilizar o regime de competência, vai reconhecer os R$ 300.000,00 em 20x0 (período onde ocorreu a compra). Por outro lado, se a Vingadora LTDA utilizar o regime de caixa, reconhecerá R$ 180.000,00 em 20x0, e os outros R$ 120.000,00 em 20x1 (período em que houve o desem- bolso dos fluxos de caixa). 4. CONJUNTO COMPLETO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. As demonstrações contábeis são um conjunto de relatórios, os quais evidenciam a situação patrimonial, econômica, financeira e até operacionais. Conforme a NBC TG 26 16UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial (R5) (CFC, 2011a) o conjunto completo das Demonstrações Contábeis, inclui: • Balanço Patrimonial (BP); • Demonstração do Resultado (DR); • Demonstração do Resultado Abrangente (DRA); • Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) • Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA); • Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC); • Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e • Notas Explicativas. As demonstrações contábeis devem ser publicadas, no mínimo, anualmente. As organizações de capital aberto, por exemplo, apresentam as informações trimestralmente e anualmente (CFC, 2011a). Ainda, as sociedades anônimas necessitam auditar as suas demonstrações con- tábeis antes de publicá-las (por um auditor independente) e publicá-las em um jornal de grande circulação (ou de circulação nas dependências da organização) (CFC, 2011a). Outras demonstrações (ou relatórios) que são elaborados pelas organizações são: Formulário de Referência, Relatórios de Administração e Relatórios de Sustentabilidade, porém, esses relatórios não integram o conjunto das Demonstrações Contábeis conforme as normas societárias brasileiras (CFC, 2011). No decorrer do livro, iremos abordar cada uma das demonstrações contábeis, relacionando suas características, especificidades e modelos de estrutura conforme a legislação contábil. 17UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial 5. BALANÇO PATRIMONIAL: CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DE GRUPOS E CONTAS. O Balanço Patrimonial é uma demonstração contábil que enfatiza a posição patri- monial e financeira da organização em um período específico do tempo (CORBARI; MAT- TOS; FREITAG, 2012). Destarte, o Balanço Patrimonial demonstra a origem dos recursos (passivo e patrimonio líquido) e respectivas aplicações (ativos) (Figura 3): Figura 03: Relação entre Ativos, Passivos e Patrimônio Líquido. Fonte: elaborado pelos autores com base na NBC TG Estrutura Conceitual (CFC, 2011). A Figura 03, enfatiza que o total do Ativo será a soma entre o Passivo e o Patrimônio Líquido (CORBARI; MATTOS; FREITAG, 2012). São exemplos de cada um dos itens que são evidenciados no Balanço Patrimonial, conforme CFC (2011a) (Quadro 02): Quadro 02: Exemplos de itens do Balanço Patrimonial. Ativos Passivo Patrimônio Líquido • caixa e equivalentes de caixa; • duplicatas a receber; • estoques; • ativos financeiros; • investimentos; • imobilizado; • intangível; • contas a pagar (comer- ciais e outras); • provisões; • obrigações financeiras; • participação de não con- troladores apresentada de forma destacada den- tro do patrimônio líquido; • capital social inte- gralizado • reservas de lucro. • resultado do perío- do. • ações em tesoura- ria. Fonte: elaborado com base em CFC (2011a). Conforme a NBC TG Estrutura Conceitual:, para que um item possa ser considera- do como ativo tem que ser: (i) um recurso controlado pela organização como (ii) resultado de eventos passados, do qual se espera que (iii) fluam futuros benefícios econômicos para 18UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial a entidade, além disso, é necessário que (iv) a entidade controle os principais riscos asso- ciados ao ativo. O benefício econômico futuro incorporado a um ativo é o seu potencial em contribuir, direta ou indiretamente, para o fluxo de caixa ou equivalentes de caixa para a entidade (CFC, 2011; CORBARI; MATTOS; FREITAG, 2012). Um ativo geralmente é conversível em caixa ou equivalentes de caixa ou pode ter a capacidade de reduzir as saídas de caixa, (reduzir os custos de produção). São exemplos de ativos: caixa, bancos, aplicações financeiras, duplicatas a receber, adiantamento a funcionários (CFC, 2011a). Ademais, os ativos podem ter forma física ou não. Os itens do imobilizado, como equipamentos de produção, prédio da organização, veículos, instalações e computadores têm forma física. Os itens classificados como Intagíveis, não possuem substância física, entretanto, têm a capacidade de produzir benefícios econômicos futuros para a entidade. São exemplos de intangíveis: royalties, patentes e os direitos autorais (CFC, 2011a). A ausência de gasto relacionado ao Ativo, não impede que um item se qualifique para reconhecimento no balanço patrimonial. Por exemplo, um terreno doado à organização (sem ter provocado nenhum gasto para a organização) pode satisfazer à definição de ativo (CFC, 2011a). O passivo é uma (i) obrigação presente da entidade, derivada de eventos passa- dos, que (ii) pode ser mensurada em valores monetários e (ii) cuja liquidação se espera que resulte na saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos. São exemplos de passivos: contas a pagar por bens e serviços recebidos, impostos a recolher, empréstimos e financiamentos (CFC, 2011a). A liquidação de um passivo pode ocorrer, por meio de: pagamento em caixa; transferência de outros ativos (troca ou permuta); prestação de serviços; substituição da obrigação por outra; conversão da obrigação em item do patrimônio líquido (pagamentos baseados em ações) (CFC, 2011a). Alguns passivos somente podem ser mensurados por meio do emprego de signifi- cativo grau de estimativa. No Brasil, os passivos reconhecimentos por meio de estimativas são as provisões. São exemplos: provisão para férias, provisão para 13º salário e provisão para passivos judiciais (CFC, 2011a). O patrimônio líquido é o interesse residual nos ativos da entidade depois de dedu- zidos todos os seus passivos. Por exemplo, na sociedade por ações, recursos aportados pelos sócios, reservas resultantes de retenções de lucros e reservas representando ajustes para manutenção do capital podem ser demonstrados separadamente. Tais classificações podem ser relevantes para a tomada de decisão dos usuários das demonstrações contábeis 19UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial quando indicarem restrições legais ou de outra natureza sobre a capacidade que a entidade tem de distribuir ou aplicar de outra forma os seus recursos patrimoniais. Podem também refletir o fato de que determinadas partes com direitos de propriedade sobre a entidade têm direitos diferentes com relação ao recebimento de dividendos ou ao reembolso de capital (CFC, 2011a). A constituição de reservas é, por vezes, exigida pelo estatuto ou por lei para dar à entidade e seus credores uma margem maior de proteção contra os efeitos de prejuízos. Outras reservas podem ser constituídas em atendimento a leis que concedem isenções ou reduções nos impostos a pagar quando são feitas transferências para tais reservas. A exis- tência e o tamanho de tais reservas legais, estatutárias e fiscais representam informações que podem ser importantes para a tomada de decisão dos usuários. As transferências de saldos para tais reservas são apropriações de lucros acumulados, portanto, não constituem despesas (CFC, 2011a). 20UNIDADE I DemonstraçõesContábeis e Balanço Patrimonial 6. BALANÇO PATRIMONIAL: ESTRUTURA CONFORME A LEI SOCIETÁRIA BRASILEIRA. A estrutura do Balanço Patrimonial considera a premissa de que o Ativo é a soma do Passivo e do Patrimônio Líquido. Outrossim, há uma ordem para apresentação de tais itens ou grupos nessa demonstração contábil. A primeira classificação dos ativos e passivos no Balanço Patrimonial é a sua distinção entre circulante e não circulante. O Patrimônio Líquido, devido ser considerado residual, é um grupo que possui característica de longo prazo, visto que a organização possui a intenção de continuar operando (Figura 04). Figura 04: Representação Gráfica do Balanço Patrimonial. Fonte: elaborado com base em CFC (2011a). Usualmente, a distinção entre circulante e não circulante considera o período de 12 meses. Por exemplo: se o ativo for realizado em um período inferior a 12 meses é considerado ativo circulante, já quando é realizado em um período superior a 12 meses é considerado ativo não circulante. A mesma lógica aplica-se ao passivo circulante. Para as organizações que fornecem bens ou serviços dentro de ciclo operacional claramente identificável, a classificação separada de ativos e passivos circulantes e não circulantes no balanço patrimonial destaca os ativos que se espera sejam realizados dentro do ciclo operacional corrente, bem como os passivos que devam ser liquidados dentro do mesmo período. Por exemplo, a organização identificou que seu ciclo operacional é de 1,5 ano, neste caso, a separação entre ativo circulante e não circulante, consideraria o período de realização de 1,5 ano, igualmente para os passivos. Uma exceção aplica-se às Instituições Financeiras, as quais evidenciam seus 21UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial ativos e passivos por ordem crescente ou decrescente de liquidez, visto que é uma infor- mação confiável e mais relevante do que a apresentação em circulante e não circulante considerando que tais entidades não fornecem bens ou serviços dentro de ciclo operacional claramente identificável. Um ativo é classificado como circulante quando satisfizer qualquer um dos seguin- tes critérios: • espera-se que seja realizado, vendido ou consumido dentro do ciclo operacional da entidade (geralmente, dozes meses); • está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado; • é caixa ou equivalente de caixa (a menos que sua troca ou uso para liquidação de passivo se encontre vedada durante pelo menos doze meses). Todos os demais ativos devem ser classificados como não circulantes. Os ativos não circulantes incluem os ativos tangíveis, intangíveis e ativos financeiros ou outros ativos de natureza associada a longo prazo. No Balanço Patrimonial o ativo não circulante deve ser subdividido em realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. Exemplo 3 Em janeiro de 20x1, a Cia Ativa LTDA está elaborando suas demonstrações con- tábeis para o exercício de 20x0 e para tanto, precisa classificar seus ativos em circulantes e nao circulantes. Sabe-se que organização efetuou uma venda a prazo de R$ 3.600,00 em dez/20x0 para recebimento em 36 parcelas mensais de R$ 100,00, a primeira parcela vende em jan/20x1. Qual o montante seria reconhecido nas demonstrações contábeis da Ativa LTDA como ativo circulante e não circulante? Resposta: A Ativa LTDA está elaborando seu Balanço Patrimonial para 31/12/20x0, portanto, o montante a ser reconhecido como circulante, são os valores a receber até 31/12/20x1, no caso, 12 parcelas mensais de R$ 100,00, o restante das parcelas (24 par- celas) serão reconhecidas como não circulantes. Desta forma, R$ 1.200,00 (12 parcelas de R$ 100,00) seria considerado como Ativo Circulante e R$ 2.400,00 (24 parcelas de R$ 100,00) seria considerado como Ativo Não Circulante. Exemplo 4 Em janeiro de 20x2, a Cia Ativa LTDA está elaborando suas demonstrações contá- beis para o exercício de 20x1 e para tanto, precisa classificar seus ativos em circulantes e nao circulantes. Sabe-se que organização efetuou uma venda a prazo de R$ 3.600,00 em dez/20x0 para recebimento em 36 parcelas mensais de R$ 100,00. Durante o exercício de 22UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial 20x1, a Ativa recebeu 12 parcelas. Qual o montante seria reconhecido nas demonstrações contábeis da Ativa LTDA em 31/12/20x1 como ativo circulante e não circulante? Resposta: A Ativa LTDA está elaborando seu Balanço Patrimonial para 31/12/20x1, dessa forma, ela deve baixar o valor recebido, ou seja, o montante a receber será R$ 2.400,00 (R$ 3.600,00 – R$ 1.200,00). O montante a ser reconhecido como ativo circulante, são os valores a receber até 31/12/20x2, no caso, 12 parcelas mensais de R$ 100,00, o restante das parcelas (12 parcelas) serão reconhecidas como ativo não circulante. Desta forma, R$ 1.200,00 (12 parcelas de R$ 100,00) seria considerado como Ativo Circulante e R$ 1.200,00 (12 parcelas de R$ 100,00) seria considerado como Ativo Não Circulante. O Passivo deve ser classificado como circulante quando satisfizer qualquer dos seguintes critérios: • espera-se que seja liquidado durante o ciclo operacional da entidade (geralmen- te doze meses); • está mantido essencialmente para a finalidade de ser negociado; • a entidade não tem direito incondicional de diferir a liquidação do passivo duran- te pelo menos doze meses após a data do balanço. Todos os outros passivos devem ser classificados como não circulantes. Por exem- plo, os passivos financeiros, que proporcionem financiamento em longo prazo (ou seja, não façam parte do capital circulante usado no ciclo operacional normal da entidade) e cuja liquidação não esteja prevista para o período de até doze meses após a data do balanço, são passivos não circulantes. Exemplo 5 Em janeiro de 20x1, a Cia Passiva LTDA está elaborando suas demonstrações contábeis para o exercício de 20x0 e para tanto, precisa classificar seus passivos em circu- lantes e nao circulantes. Sabe-se que organização contraiu um empréstimo de R$ 7.200,00 em dez/20x0 para pagamento em 36 parcelas mensais de R$ 200,00, a primeira parcela vende em jan/20x1. Qual o montante seria reconhecido nas demonstrações contábeis da Passiva LTDA como passivo circulante e não circulante? Resposta: A Passiva LTDA está elaborando seu Balanço Patrimonial para 31/12/20x0, portanto, o montante a ser reconhecido como circulante, são os valores a pagar até 31/12/20x1, no caso, 12 parcelas mensais de R$ 200,00, o restante das parcelas (24 parcelas) serão reconhecidas como não circulantes. Desta forma, R$ 2.400,00 (12 parcelas de R$ 200,00) seria considerado como Passivo Circulante e R$ 4.800,00 (24 parcelas de 23UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial R$ 200,00) seria considerado como Passivo Não Circulante. Exemplo 6 Em janeiro de 20x2, a Cia Passiva LTDA está elaborando suas demonstrações con- tábeis para o exercício de 20x1 e para tanto, precisa classificar seus ativos em circulantes e nao circulantes. Sabe-se que organização contraiu um empréstimo de R$ 7.200,00 em dez/20x0 para pagamento em 36 parcelas mensais de R$ 200,00. Durante o exercício de 20x1, a Passiva pagou 12 parcelas. Qual o montante seria reconhecido nas demonstrações contábeis da Passiva LTDA em 31/12/20x1 como passivo circulante e não circulante? Resposta: A Passiva LTDA está elaborando seu Balanço Patrimonial para 31/12/20x1, dessa forma, ela deve baixar o valor pago, ou seja, o montante a pagar será R$ 4.800,00 (R$ 7.200,00 – R$ 2.400,00). O montante a ser reconhecido como passivo circu- lante, são os valores a receber até 31/12/20x2, no caso, 12 parcelas mensais de R$ 200,00, o restante das parcelas (12 parcelas) serão reconhecidas como passivo não circulante. Desta forma, R$ 2.400,00 (12 parcelas de R$ 200,00) seria considerado como Passivo Circulante e R$ 2.400,00 (12 parcelas de R$ 200,00) seriaclassificado como Passivo Não Circulante. De acordo com a NBC TG Estrutura Conceitual: o grupo do Balanço Patrimonial, Patrimônio Líquido, refere-se ao interesse residual nos ativos da entidade depois de dedu- zidos todos os seus passivos. São exemplos de itens classificados como Patrimônio Líquido: capital social (re- cursos aportados pelos sócios), reservas de lucros e reservas para manutenção do capital. As informações evidenciadas no Patrimônio Líquido permitem que os usuários identifiquem quais os montantes referem-se a direitos sobre o desempenho da organização, como o recebimento de dividendos. Por vezes, a constituição de reservas é exigida pelo estatuto ou por lei para dar à organização e seus credores uma margem maior de proteção contra os efeitos de pre- juízos. A existência e o tamanho das reservas legais, estatutárias e fiscais representam informações importantes para a tomada de decisão dos usuários. Exemplo 7 Em janeiro de 20x1, a Cia Residual LTDA está elaborando suas demonstrações contábeis para o exercício de 20x0 e para tanto, precisa classificar apurar o valor do Patri- mônio Líquido. Sabe-se que organização possui um Ativo Total de R$ 200.000,00, possui R$ 50.000,00 classificados como passivo circulante e R$ 40.000,00 como passivo não 24UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial circulante. Qual o montante seria reconhecido nas demonstrações contábeis da Residual LTDA como Patrimônio Líquido? Resposta: O valor do Patrimônio Líquido da Residual LTDA em 31/12/20x0, será a diferença entre o Ativo e o Passivo. Considerando que a Residual LTDA possui um Ativo de R$ 200.000,00 e um Passivo de R$ 90.000,00 (R$ 40.000,00 + R$ 50.000,00), o valor classificado como Patrimônio Líquido será R$ 110.000,00 (R$ 200.000,00 – R$ 90.000,00). Na Figura 05, consta um exemplo de estrutura do Balanço Patrimonial elaborado de acordo com as normas societárias: Figura 05: Estrutura do Balanço Patrimonial conforme a Legislação Societária. Fonte: elaborado com base em CFC (2011a). Conforme se observa na Figura 05, as contas do Balanço Patrimonial são agrega- das conforme a sua natureza. No ativo, a ordem é a de liquidez, por isso inicia-se pelo ativo circulante (itens mais líquidos). No Passivo e Patrimônio, por ordem de exigibilidade, nesse sentido, as contas que possuem vencimento em menor período de tempo são apresentadas primeiramente, seguidas das obrigações que possuem prazo maior de vencimento. A seguir, apresentam-se as considerações finais desta Unidade. 25UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial Caro(a) aluno(a), na Unidade 1, foi abordado sobre as características gerais das demonstrações contábeis e sobre o Balanço Patrimonial. Tais conhecimentos corroboram para a sua aprendizagem na disciplina Contabilidade Societária e no âmbito da Contabili- dade de forma geral. Primeiramente, foi discorrido sobre a Lei 6.404/1976 e as principais alterações introduzidas pela Lei 11.638/2007, por exemplo: a extinção do Ativo Permanente, a cria- ção do Ativo Imobilizado, a separação entre Ativo Circulante e Não Circulante, etc. Num próximo momento, você conheceu as características da informação contábil do CPC 00, nesse sentido você entendeu que as características fundamentais devem estar presentes no processos de produção de informações contábeis, ao passo que as características de melhoria corroboram para compreensão da informação evidenciada. Prosseguindo, você compreendeu a diferença entre o Regime de Caixa e o Regime de Competência. Ainda, você conheceu o conjunto completo das Demonstrações Contábeis, que são: Balanço Patrimonial (BP), Demonstração do Resultado (DR), Demonstração do Resultado Abrangente (DRA), Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e Notas Explicativas. Nos últimos tópicos da Unidade, foi discorrido sobre o Balanço Patrimonial, uma de- monstração estática, ou seja, representa o conjunto de bens, direito e obrigações (situação patrimonial) em um dado período do tempo. Você conheceu os critérios de classificação de grupos e contas do Balanço Patrimonial (tempo de liquidação do ativo ou realização do passivo). Por fim, você conheceu a estrutura do Balanço Patrimonial conforme a Lei Societária brasileira, a qual compreende Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. Bons estudos! CONSIDERAÇÕES FINAIS 26UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial Leitura Complementar Usuários Externos da Informação. Caro(a) durante a Unidade I, foi enfatizado que as demonstrações contábeis são voltadas para os usuários externos. Nesta leitura complementar, você conhecerá quem são os usuários externos. As demonstrações contábeis referem-se ao mínimo de informações necessárias que precisam ser evidenciadas pelas organizações para o bom funcionamento do mercado. Os usuários internos, têm acesso à informações mais detalhadas (ou então têm acesso à todas as transações e fatos relevantes), por isso, estes podem estruturar seus relatórios conforme a sua necessidade informacional. Nesta perspectiva, os usuários externos têm acesso à informações limitadas e não se encontram em posição de julgar maiores detalhamentos, porque a organização poderia retê-las se não houvesse a obrigação legal de divulgação. São exemplos de usuários externos das demonstrações contábeis: • Acionistas ou investidores: os quais podem ter interesse em conhecer os mon- tantes apurados como lucros, destinação de lucros para reservas e valores a serem distribuídos a títulos de dividendos. • Fornecedores: os quais podem ter interesse em informações sobre Estoques de produtos, bem como aspectos relacionados a liquidez ou endividamento. • Credores: neste grupo podem ser incluídos bancos comerciais ou outros finan- ciadores, os quais têm interesse em informações sobre a liquidez e rentabilidade das organizações. • Governo: este usuário tem interesse na evolução patrimonial, nos valores apu- rados como Receita de Vendas, Lucros, Folha de pagamento, os quais são base de cálculo para tributação, ou seja, recolhimento de impostos. • Comunidade: trata-se de um público afetado pelas atividades da organização, nesse sentido, buscam informações sobre projetos sociais na comunidade, redução de impactos ao meio ambiente, estratégias de conservação do meio ambiente, os quais podem ser apresentadas nas demonstrações contábeis. • Pesquisadores: estes usuários incluem alunos de graduação ou de outros cur- sos que acessam as demonstrações contábeis para efetuar estudos científicos. 27UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial • Analistas de Mercado: tal grupo de usuários acessam as demonstrações con- tábeis para efetuar estimativas de lucro, projeções e indicar a compra ou venda de títulos patrimoniais (ou ações). • Para que as demonstrações contábeis consigam satisfazer as distintas necessi- dades destes inúmeros tipos de usuários externos, há a necessidade das mes- mas serem elaboradas conforme a estrutura societária, por isso, o arcabouço legislativo da Contabilidade Societária. Fonte: elaborado pelos professores com base em CFC (2011). 28UNIDADE I Demonstrações Contábeis e Balanço Patrimonial Material Complementar LIVRO Manual de Contabilidade Societária Autor: Ernesto Rubens Gelbcke; Ariovaldo dos Santos; Sérgio de Iudícibus; Eliseu Martins. Editora: Atlas. FILME Fome de Poder Ano: 2017 Sinopse: O filme retrata a história do empresário que revolucio- nou o modelo de negócios de uma organização mundial do setor alimentício. Este filme poderá contribuir com a sua formação ao abordar facetas do mundo de negócio e ao enfatizar questões relativas a marca e ativo intangível. VÍDEO No link abaixo há explicações sobre a diferença entre os Ativos Circulantes e Ativos Não Circulantes, os quais são subgrupos do Balanço Patrimonial. Disponível em:zaoJY7KggA10YP3TG44&index=4>. Acesso em: 14 mai. 2019. 29 Objetivos de Aprendizagem • Discorrer sobre a Demonstração do Resultado (DR). • Discorrer sobre a Demonstração do Resultado Abrangente (DRA). • Abordar sobre a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA). • Apresentar a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Plano de Estudo • Demonstração do Resultado (DR). • Demonstração do Resultado Abrangente (DRA). • Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA). • Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro Professor Me. Matheus Henrique Delmonaco. Professor Me. Rodrigo Gaspar de Almeida. 30UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), na Unidade 2, do livro da disciplina de Contabilidade Societária, damos continuidade as demonstrações contábeis. Nesta Unidade, discorreremos sobre a Demonstração do Resultado (DR), as normas que embasam essa demonstração, como deve ser estruturada, e as informações nela contida. Prosseguiremos com a Demonstração do Resultado Abrangente (DRA) que demonstra as alterações no patrimônio líquido de uma sociedade durante um período, decorrente de transações e outros eventos e circunstâncias não originadas dos sócios. Na sequência será abordado sobre a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), essa demonstração evidencia as alterações e movi- mentações ocorridas no saldo da conta de lucros ou prejuízos acumulados, no Patrimônio Líquido. E por fim será explanado sobre a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), demonstrará as alterações (aumento ou redução) do patrimônio líquido da entidade durante um período. Essas demonstrações contábeis podem auxiliar na tomada de decisões dos usuários da contabilidade, pois contém informações relevantes sobre as companhias. Bons estudos! 31UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro 1. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO (DR) De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1), que tratada da Apresenta- ção das Demonstrações Contábeis, as companhias devem apresentar todas as mutações do patrimônio líquido reconhecidas em cada exercício que não representem transações entre a empresa e seus sócios em duas demonstrações, para que isso seja possível, duas demonstrações: Demonstração do Resultado do Período e a Demonstração do Resultado Abrangente do Período. A partir da Lei 6.404/1976 que rege as Sociedades por Ações, instituiu a Demons- tração do Resultado do Exercício – DRE, como obrigatória para as empresas. Dessa forma, essa demonstração traz consigo o resultado econômico. A Demonstração do Resultado (DR) é a apresentação, em forma resumida, das receitas e despesas decorrentes das operações realizadas pela empresa, durante um período, podendo ser o exercício social, com o objetivo de demonstrar a composição do resultado líquido do período. De acordo com o art. 187 da Lei das Sociedades por Ações (6404/76) para fins de publicação da Demonstração do Resultado do Exercício, devesse seguir uma ordem de apresentação das receitas, custos e despesas. A demonstração do resultado do exercício discriminará: “I - a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abati- mentos e os impostos; II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e servi- 32UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro ços vendidos e o lucro bruto; III - as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das re- ceitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despe- sas;(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V - o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracte- rizem como despesa;(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII - o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemen- te da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, cor- respondentes a essas receitas e rendimentos.” (BRASIL, 1976). A partir desses conceitos dados pela Lei, pode se perceber que se enquadram no pressuposto do Regime de Competência no CPC 00 (R1) – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro, que implica na confrontação entre as receitas e as despesas, conforme descrito no item 95 do Pronunciamento Técnico do CPC supracitado: “As despesas são reconhecidas na demonstração do resultado com base na associação direta entre elas e os correspondentes itens de receita. Esse pro- cesso, usualmente chamado de confrontação entre despesas e receitas (Re- gime de Competência), envolve o reconhecimento simultâneo ou combinado das receitas e despesas que resultem diretamente das mesmas transações ou outros eventos; (...)” (CPC 00, 2011) Dessa forma, a receita de venda é contabilizada por ocasião da transferência do controle, e não quando de seu recebimento; o custo do produto vendido, que englobaria material, mão de obra e demais custos de sua fabricação; as despesas incorridas, sejam de comercialização ou de administração; a despesa de pessoal (salários e seus encargos) é reconhecida no mês em que se recebeu tal prestação de serviços, mesmo sendo paga no mês seguinte; a despesa do Imposto de Renda é registrada no mesmo período dos lucros a que se refere e não no exercício seguinte, quando é declarada e paga. De forma complementar à Lei nº 6.404/76, o CPC 26 - R1 (2011) estabelece uma estrutura mínima para a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), obedecidas tam- bém as determinações legais, deve ser composto por: 33UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro • receitas; • custo dos produtos, das mercadorias ou dos serviços vendidos; • lucro bruto; • despesas com vendas, gerais, administrativas e outras despesas e receitas operacionais; parcela dos resultados de empresas investidas reconhecida por meio do método de equivalência patrimonial; • resultado antes das receitas e despesas financeiras; • despesas e receitas financeiras; • resultado antes dos tributos sobre o lucro; • despesa com tributos sobre o lucro; • resultado líquido das operações continuadas; valor líquido dos seguintes itens: ▪ resultado líquido após tributos das operações descontinuadas; ▪ resultado após os tributos decorrente da mensuração ao valor justo menos despesas de venda ou na baixa dos ativos ou do grupo de ativos à disposição para venda que constituem a unidade operacional descontinuada; • resultado líquido do período; • resultados líquidos atribuíveis: ▪ à participação de sócios não controladores; ▪ e aos detentores do capital próprio da empresa controladora Exemplo 1: A companhia Lactose LTDA apresentou os seguintes dados extraídos de sua contabilidade em 2018: Quadro 01: Dados extraídos de sua contabilidade em 2018 Lactose LTDA. Lactose S/A - contas em 2018 Valores em R$ Despesas Comerciais 25.000,00 Despesas Administrativas 15.000,00 Receita Bruta 300.000,00 CMV (Custo das Mercadorias Vendidas) 50.000,00 Receitas Financeiras 30.000,00 Depreciação e Amortização 15.000,00 IR e CSLL 35.000,00 Impostos sobre as vendas 75.000,00 Fonte: Elaborado pelos autores (2019) Sabendo dos valores apresentados pela companhia, estruture a Demonstração do Resultado do Exercício de 2018: 34UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro Quadro 02: Demonstração do Resultado do Exercício de 2018 LactoseLTDA. Demonstração do Resultado do Exercício de 2018: Valores em R$ Receita Bruta 300.000,00 (-) Impostos sobre as vendas (75.000,00) (=) Receita Líquida 225.000,00 (-) CMV (Custo das Mercadorias Vendidas) (50.000,00) (=) Lucro Bruto 175.000,00 (-) Despesas Operacionais Despesas Comerciais (25.000,00) Despesas Administrativas (15.000,00) Depreciação e Amortização (15.000,00) (±) Despesas ou Receitas Financeiras Receitas Financeiras 30.000,00 (=) Lucro ou Prejuízo Operacional 150.000,00 (=) Resultado Operacional antes do IR e CSLL 150.000,00 (-) IR e CSLL (35.000,00) (=) Lucro Líquido do Exercício 115.000,00 Fonte: Elaborado pelos autores (2019) O modelo de Demonstração do Resultado apresentado no quadro 2, remetesse ao modelo proposto pelo o art. 187 da Lei 6.404/76. De acordo com essa legislação estabelece a DRE inicie com o valor total da receita bruta apurada nas operações de vendas e ser- viços, subtraindo-se as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos sobre estas receitas, apurando-se a receita líquida das vendas e serviços. Entretanto, as normas internacionais de contabilidade, a partir do CPC 47 (2016) que discorre sobre Receita de Contrato com Cliente, determinam que a divulgação se inicie pelas receitas líquidas, para conciliar o determinado pela Lei das Sociedade por Ações, bem como o exigido pela legislação fiscal, escrituram-se as receitas brutas e as diminui- ções destas receitas, mas a demonstração é feita a partir das receitas líquidas, sendo que a conciliação entre ambas é evidenciada em notas explicativas. Ao analisar as normas contábeis, até 2014, os Pronunciamentos Técnicos do CPC continham várias normas que abordavam questões relacionadas à identificação, reconhe- cimento, mensuração e divulgação de receita de vendas, todos os pronunciamentos foram substituídos pelo CPC 47/IFRS 15. Tais substituições foram necessárias, devido a grande quantidade de normas que orientavam sobre as receitas, porem se tornavam insuficientes para orientar a contabilização de receitas oriundas de transações mais complexas. De forma geral, o CPC 47 (2016) é aplicado na contabilização de receitas de to- 35UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro dos os contratos com clientes, nos quais se vendam produtos ou serviços, inclusive de construção, porém algumas transações de compra e venda estão fora desse pronuncia- mento, são elas: Contratos de arrendamento dentro do alcance do CPC 06 – Operações de Arrendamento Mercantil; Contratos de seguro dentro do alcance do CPC 11 – Contratos de Seguro; Instrumentos financeiros e outros direitos ou obrigações contratuais dentro do alcance do CPC 38 – Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração, do CPC 36 – Demonstrações Consolidadas, do CPC 19 – Negócios em Conjunto, do CPC 35 – Demonstrações Separadas e do CPC 18 – Investimento em Coligada, em Controlada e em Empreendimento Controlado em Conjunto; e permutas não monetárias entre entidades na mesma linha de negócios para facilitar vendas a clientes ou clientes potenciais. Por exemplo, este pronunciamento não se aplica a contrato entre duas empresas do setor de óleo e gás que pactuem a permuta de petróleo para satisfazer a demanda de seus clientes em diferentes locais especificados, de forma tempestiva. 36UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro 2. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE (DRA) O CFC (2011a), seguindo as normas internacionais de contabilidade e CPC 26 - R1 (2011), instituiu a obrigatoriedade de elaboração da Demonstração do Resultado Abran- gente (DRA). Essa demonstração apresenta as receitas, despesas e outras mutações que afetam o patrimônio líquido, mas que não são reconhecidas (ou não foram reconhecidas ainda) na Demonstração do Resultado, seguindo o que determinam os Pronunciamentos, Interpretações e Orientações que regulam a atividade contábil. Tais receitas e despesas são identificadas como “outros resultados abrangentes” e, de acordo com o CPC 26 - R1 (2011) compreendem os seguintes itens: a) variações na reserva de reavaliação quando permitidas legalmente (veja Pronunciamentos Técnicos CPC 27 – Ativo Imobilizado e CPC 04 – Ativo Intangível); b) ganhos e perdas atuariais em planos de pensão com benefício definido reconhecidos conforme item 93A do Pronunciamento Técnico CPC 33 – Be- nefícios a Empregados; c) ganhos e perdas derivados de conversão de demonstrações contábeis de operações no exterior (ver Pronunciamento Técnico CPC 02 – Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis); d) ajuste de avaliação patrimonial relativo aos ganhos e perdas na remen- suração de ativos financeiros disponíveis para venda (ver Pronunciamento Técnico CPC 48 – Instrumentos Financeiros); e) ajuste de avaliação patrimonial relativo à efetiva parcela de ganhos ou perdas de instrumentos de hedge em hedge de fluxo de caixa (ver também CPC 48). A Demonstração do Resultado Abrangente pode ser apresentada dentro da De- monstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), como veremos no mais para frente, ou através de relatório próprio, sendo que o CPC sugere que se faça uso da apre- sentação na DMPL. Quando apresentada em demonstrativo próprio, a DRA tem como valor inicial o resultado líquido do período apurado na DRE, seguido dos outros resultados abrangentes, conforme estrutura mínima para a Demonstração do Resultado Abrangente estabelecida pelo CPC 26 (R1): • resultado líquido do período; • cada item dos outros resultados abrangentes classificados conforme sua natu- reza (exceto montantes relativos ao item c; • parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas reconhecida por meio do método de equivalência patrimonial; e • resultado abrangente do período. 37UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro A DRA, pelas normas internacionais, pode ainda ser apresentada como continuida- de da DRE, mas no Brasil o CPC determinou que fosse como um relatório à parte. Quadro 03: Demonstração do Resultado Abrangente de 2018. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE EM 31.12.X0 - R$ Lucro Líquido do Exercício 272.000,00 Parcela dos Sócios da Controladora 250.000,00 Parcela dos Não controladores 22.000,00 (-) Ajustes de Instrumentos Financeiros 60.000,00 Tributos sobre Ajustes de Instrumentos Financeiros 20.000,00 Equivalência Patrimonial sobre Ganhos Abrangentes de Coligadas 30.000,00 Ajustes de Conversão do Período 260.000,00 (-) Tributos sobre Ajustes de Conversão do Período 90.000,00 Outros Resultados Abrangentes Antes da Reclassificação 160.000,00 Ajustes de Instrumentos Financeiros Reclassificados para Resultado 10.600,00 Outros Resultados Abrangentes 170.600,00 Parcela dos Sócios da Controladora 164.600,00 Parcela dos Não Controladores 6.000,00 Resultado Abrangente Total (6) 442.600,00 Parcela dos Sócios da Controladora 414.600,00 Parcela dos Não Controladores 28.000,00 Fonte: Modelo adaptado do Apêndice A do CPC 26 – R1 (2011) 38UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro 3. DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS (DLPA) A Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados é uma das demonstrações obrigatórias para as sociedades limitadas e outros tipos de empresas que são tributadas com base no Lucro Real, de acordo com a legislação do Imposto de Renda. De acordo com o Art. 176 da lei n° 6.404/76: “Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na es- crituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I - balanço patrimonial; II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; III - demonstração do resultado do exercício; IV - demonstração dos fluxos de caixa; e (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) V - se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. (Incluídopela Lei nº 11.638,de 2007)” (BRASIL, 1976). Essa demonstração segundo Ribeiro (2017) é um relatório contábil que evidencia o movimento ocorrido na conta Lucros ou Prejuízos Acumulados durante o exercício social. De acordo com o § 2º do artigo 186 da Lei nº 6.404/76 a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados poderá ser incluída na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), se elaborada e divulgada pela companhia, pois não inclui somente o mo- vimento da conta dos lucros ou prejuízos acumulados, mas também o de todas as demais 39UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro contas do patrimônio líquido. Veremos sobre a DMPL na seção 4 desse capítulo. As empresas brasileiras lidam com uma série de obrigações acessórias, que de- vem ser evidenciadas para o Governo, tornando esse trabalho burocrático. Além disso, ao informar estes dados aumenta a transparência do empreendimento, dando credibilidade à empresa. A Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DPLA) fornece infor- mações de extrema importância para os usuários da contabilidade, pois a partir dessa de- monstração é possível identificar os períodos em qual houve lucros e prejuízos, facilitando o entendimento da viabilidade econômica para determinados investimentos, pode-se citar como exemplo, a compra de novos equipamentos ou a expansão do negócio. Na seção IV da lei n° 6.404/76 o Art.186 explica o que a demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados deverá discriminar: “I - o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a corre- ção monetária do saldo inicial; II - as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício; III - as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros in- corporada ao capital e o saldo ao fim do período. § 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes. § 2º A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital social e poderá ser incluída na demonstração das mutações do patrimônio líquido, se elaborada e publicada pela companhia.” (BRASIL, 1976). A partir da Lei n° 11.638/07, a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados foram ex- cluídos do Patrimônio Líquido, mantendo apenas a conta Prejuízos Acumulados. A partir dessa nova legislação, as companhias de sociedade por ações, devem destinar todo o lucro líquido apurado no final de cada exercício social, utilizando-o na compensação de prejuízos acumulados, para constituir reservas, para o aumento de capital ou na distribuição aos acionistas. Por orientação do Conselho Federal de Contabilidade – CFC, essa proibição fi- cou restrita às sociedades por ações. Assim, as demais companhias constituídas sob outra forma jurídica que não a de sociedade por ações, podem manter no Balanço Patrimonial, a conta Lucro Acumulados ou a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados com saldo credor para futuras destinações. Para se elaborar a DLPA, basta coletar os dados diretamente do Livro Razão das contas envolvidas. A DLPA pode ser apresentada no seguinte Modelo, conforme o Quadro 4 a seguir: 40UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro Quadro 04: Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA). Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) Companhia: Exercício findo em: Descrição X0 X1 1. Saldo no Início do Período 2. Ajustes de Exercícios Anteriores 3. Saldo Ajustado 4. Lucro ou Prejuízo do Exercício 5. Reversão de Reservas 6. Saldo a Disposição 7. Destinação do Exercício Reserva Legal Reserva Estatutária Reserva para Contingência Outras Reservas Dividendos Obrigatórios (R$ por ação) Juros sobre Capital Próprio 8. Saldo no Fim do Exercício Fonte: Elaborado pelos autores (2019) A seguir temos um exemplo de DLPA: A companhia Lactose S/A apurou um lucro líquido de R$ 650.000,00 no exercício de 2018. Sabe-se que a companhia tinha R$ 21.000,00 de Reserva para Contingência e R$35.000,00 de Reserva Legal no período anterior (2017). Segundo o estatuto da compa- nhia, ela deve destinar para Reserva Legal 5% do lucro líquido do exercício, para Reserva Contingência 3%, e o restante a companhia distribui em Dividendos Obrigatórios, sabendo que a empresa tem 1.000.000 (um milhão) de ações. Elabore a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados do exercício de 2018: 41UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro Quadro 05: Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) 2018 Lactose LTDA. Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) Companhia: Lactose LTDA Exercício findo em: 31 de Dezembro de 2018 Descrição 2017 2018 1. Saldo no Início do Período 2. Ajustes de Exercícios Anteriores 3. Saldo Ajustado 4. Lucro ou Prejuízo do Exercício R$700.000,00 R$ 650.000,00 5. Reversão de Reservas 6. Saldo a Disposição 7. Destinação do Exercício Reserva Legal Reserva Estatutária Reserva para Contingência Outras Reservas Dividendos Obrigatórios (R$ por ação) Juros sobre Capital Próprio R$ 35.000,00 R$ 21.000,00 R$ 0,642 R$ 32.500,00 R$ 19.500,00 R$0,598 8. Saldo no Fim do Exercício R$ 0,00 R$ 0,00 Fonte: Elaborado pelos autores (2019) No exemplo da companhia Lactose S/A, por se tratar de uma sociedade por ações, o seu lucro do período deve ser distribuído, não podendo ser acumulado, de acordo com Lei n° 11.638/07. Dessa forma o saldo no final do exercício sempre será R$ 0,00 em períodos em que a companhia tiver lucro. 42UNIDADE II Demonstrações Contábeis Relacionadas ao Lucro 4. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido evidencia as alterações que ocorreram no patrimônio líquido das organizações em termos globais (novas integralizações de capital, resultado do exercício, ajustes de exercícios anteriores, dividendos, ajuste de avaliação patrimonial etc.) e em termos de mutações internas (incorporações de reservas ao capital, transferências de lucros acumulados para reservas e vice-versa etc.) A DMPL nunca foi obrigatória pela Lei das Sociedades Anônimas n°6.404/76, mas a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a partir da Instrução n° 59/86 passou a exigir das companhias de capital aberto a publicação. A partir do Pronunciamento Técnico CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis, aprovado pela CVM em sua Delibera- ção n°595/09 e pelo CFC n° 1.185/09. Assim, a DMPL passou a fazer parte do conjunto completo das demonstrações contábeis, sendo assim, obrigatória às companhias de capital aberto, substituindo a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA). As informações disponibilizadas na DMPL são de suma importância para a tomada de decisão dos usuários da contabilidade, uma vez que indica as movimentações ocorridas durante o período nas diversas contas que compõe o Patrimônio Líquido, demonstrando a o fluxo de uma conta para outra, indicando o valor de origem, acréscimo ou diminuição no Patrimônio Líquido. Ao entender o conceito da DMPL, pode se verificar que essa demons- tração é mais importante que a DLPA, pois além de evidenciar a movimentação de todas as contas do Patrimônio Líquido, e não somente dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, também indica claramente a formação e a utilização de todas as reservas, e não apenas das originadas por lucros. A DMPL complementa as demais demonstrações, como o Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado, pois ela pode ser utilizada para tomada de decisão dos usuários contábeis. Essa demonstração é importante para as companhias que possuem um Patrimônio Liquido formado por diversas contas com muitas transações. A formação e a utilização das reservas, originadas ou não pelos lucros estarão disponibilizadas na DMPL. A utilização dessa demonstração