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MELHORAMENTO GENÉTICO 
EM SUÍNOS 
 
• Em monogástricos, o melhoramento 
genético já é muito diferente do que os 
ruminantes. 
• Tiveram uma contribuição genética muito 
boa em relação ao programa. 
• Há muitos preconceitos em relação a carne 
de porco, principalmente na américa 
latina: muita gordura, faz mal, suja, 
contaminada etc. 
• O melhoramento genético em suínos fez 
com que eles evoluíssem MUITO 
 
No Brasil: há picos de consumo de carne suína em 
junho, julho, agosto (abaixa a temperatura) e no 
final do ano, nas festas típicas (São Paulo é 
exceção, pelo alto consumo de feijoada e pratos 
que envolvam bisteca durante alguns dias 
específicos da semana). 
Cozimento da carne: importante, pois pode 
conter tênias, em que algumas formas (cisticerco) 
que podem se alojar até no sistema nervoso. 
Porém, se tiver uma boa inspeção e origem não há 
esse risco. Contudo, esse ainda é um tabu muito 
presente. 
NÍVEIS DE CONSUMO 
É a carne mais consumida no mundo, 
principalmente na Europa, Ásia e EUA 
O consumo de carne de frango tem aumentado 
muito, e há expectativa de que supere a carne 
suína no mundo, porém, os asiáticos ainda têm 
muito preferência pelo porco. 
PRODUÇÃO NO BRASIL 
No Brasil é a terceira mais consumida, perdendo 
para a carne de frango e de bovino. 
Maiores centros produtores do Brasil: São os 
estados do Sul que responde por mais de 70% da 
carne suína produzida no país. 
 
Esse fato está muito vinculado com a 
colonização, já que essa região foi colonizada por 
europeus, que trouxeram essa tradição consigo. 
Maior exportador: EUA, Brasil está entre 4º e 5º. 
O Brasil não é um grande exportador pois ainda há 
muitos entraves sanitários (vacinação, peste 
suína etc.) no país. 
Nosso modelo de produção é muito parecido com 
o americano e europeu → tecnologia muito 
elevada na suinocultura. 
 
Padrão de qualidade da carne no Brasil: ótimo e 
semelhante ao padrão da Europa e EUA. Grande 
atrativo, e pode ser exportada 
 
HISTÓRICO DO MELHORAMENTO GENETICO 
“Porco” → Eram criados em chiqueiros, na criação 
antiga, por isso esse nome. O suíno não tem 
glândula sudorípara e usa muito a lama para se 
refrescar, além do consumo comum da lavagem 
como alimento, que foram grandes motivos para 
gerar preconceitos com o animal. Porém, é um 
animal que gosta muito mais de ambientes limpos 
Antigamente era produzido com objetivo de obter 
gordura (banha) e a sua carne era um subproduto. 
Era um animal que tinha uma GRANDE deposição 
de gordura pelo corpo todo, na qual chegava até 
20cm de altura. 
 
Com o direcionamento do consumidor, e o 
desenvolvimento de óleos vegetais, o uso da banha 
do suíno acabou. 
Contudo, o animal passou a ser direcionado para 
a produção de carne 
Suíno moderno, recoberto com tecido muscular, 
sem grande deposição de tecido adiposo, que 
surgiu após o melhoramento: 
 
A genética pegou um animal que era direcionado 
para produção de gordura e selecionou, para que 
houvesse menos deposição de gordura 
Atualmente, é uma carne magra, tanto que para 
cozinhara-la é essencial adicionar óleos 
Porém, a suinocultura precisou repensar, pois 
atualmente, com os hobbies de cozinhar em casa 
os pratos gourmetzados exigem mais 
palatabilidade. Pelo fato porco ter pouco gordura, 
ele peca nesse aspecto. 
O criador está tendo que regredir um pouco, para 
resgatar raças que tenham a capacidade de 
marmorizar gordura. 
➔ Importância de o profissional de 
melhoramento genético estar ciente das 
exigências atuais de mercado, até poque 
essas modificações nos animais demoram 
gerações para aparecer. 
 
Cruzou-se o javali (muita gordura) com um suíno 
de menor gordura = javaporco. Atente o mercado 
enquanto o melhoramento genético ainda busca 
um animal que atenda o mercado consumidor. 
 
Passado: Pernil seco. Produzia de 2 a 3 filhotes a 
cada gestação. 
1950: Animal destinado a ter muita produção de 
banha 
1999: Muito mais gordura de cobertura no pernil. 
Produz uma média de 13 filhotes a cada gestação 
Isso tudo é resultado da combinação entre 
melhoramento genético e melhorias ambientais. 
 
ESTRUTURAS DE MG DE SUÍNOS 
 
Alguns modelos que são parecidos com as demais 
cadeias produtivas, mas também há algumas mais 
avançadas e modernas. 
Existem 3 principais propostas de estruturas: 
1) UTILIZANDO FÊMEAS F1 – SISTEMA TRI CROSS 
1. Macho “A” X Fêmea ”B” 
Resultados: F1 → de machos e fêmeas. 
Machos: meio-sangues (F1) que nasceram NÃO 
PODEM SER UTILIZADOS COMO REPRODUTOR (se 
não, segrega a gênese) → direcionados ao abate 
Fêmea: F1, meio sangue, na suinocultura, é usada 
como matriz, já que ela tem uma alta habilidade 
maternal, heterose etc. 
2. Fêmea F1 x Macho “C” 
Na suinocultura, é comum que o criador compre 
um outro macho puro, de uma terceira raça (“C”) 
(para que pegue ainda mais qualidades e novas 
características para agregar) e cruze com as 
fêmeas F1 → todos os animais que saírem desse 
cruzamento são destinados ao abate, já que é um 
animal que tem uma carcaça que atende a 
demanda do mercado 
O modelo é chamado de tri cross, pois temos três 
raças envolvidas no processo. 
 
2) A PARTIR DE MESTIÇOS 
Híbrido: Qualquer animal cruzado. Mas, nem todo 
híbrido é um composto/mestiço/sintético. 
Mestiço/ sintético/composto: raça estabilizada 
que se originou a partir do cruzamento de 
diferentes raças (3,4,5 raças etc.). Exemplo: 
Pitbull. 
1. Macho “D” X fêmea “E” 
Resultados: F1 → de machos e fêmeas. 
Macho: (F1) meio-sangue é descartado 
Fêmea: (F1) meio-sangue fica como matriz. 
2. Ocorre um novo cruzamento: Fêmea F1 
(meio sangue) X Macho “F” (diferente raça) 
Resultados: geração F2 → de machos e fêmeas 
Novamente terá machos que vão ser descartados. 
3. Esse sistema segue até que se alcance uma 
raça mestiça (nova) 
Mas dessa raça mestiça, quem será 
comercializado (vendidas ao produtor) serão 
apenas os machos, já que a fêmea permanece no 
programa. 
Portanto, o objetivo foi: utilizar machos que sejam 
híbridos, sintecos, estáveis e comercializáveis. 
 
Diferença entre as propostas: 
Proposta 1 (macho puro): tem a heterose (valor 
adaptativo do híbrido em relação a média dos seus 
pais) menor 
Proposta 2 (macho mestiço): heterose será maior, 
já que teve origem de muitas mais raças juntas. 
 
 
 
 
 
3) MODELO EM NÚCLEO - LINHAGEM 
É o mais moderno e utilizado. 
Primeiro, temos que entender sobre as linhagens. 
O termo linhagem (que tem o mesmo 
entendimento de raça) é muito utilizado na 
suinocultura. 
Linhagem paterna/pai/paternal: Dentro dessa 
linhagem, só objetivamos produzir o melhor pai. 
Exemplo: Macho A X Fêmea B 
Nasce F1: descarta o macho para o abate, e usa a 
fêmea 
Macho C x Fêmea F1 
Nasce F2: descarta macho para o abate, e usa a 
fêmea 
Esse processo ocorre até que se chegue em uma 
combinação genética do melhor pai → raça 
estabilizada = 5/8 (cinco oitavos) 
Ou seja, a fêmea tem que ter características que 
o macho transmite, já que para todas as espécies, 
há características que o macho transmite mais, e 
características que a fêmea transmite mais. 
Características que o macho mais transmite 
(atributos): quantidade de massa muscular, 
rendimento de carcaça, porcentagem de gordura, 
ganho de peso, marmorização e conversão 
alimentar. → É isso que tem que procurar nas 
fêmeas. 
 
Linhagem materna (mãe/maternal): Dentro dessa 
linhagem, só objetivamos produzir a melhor mãe. 
Exemplo: Macho F x Fêmea G 
Nasce F1: descarta o macho para o abate, e usa a 
fêmea 
Macho H x Fêmea F1 
Nasce F2: F1: descarta o macho para o abate, e 
usa a fêmea 
No final, independente de quantas vezes fizer isso, 
o objetivo é produzir a melhor mãe. A questão é: 
procurar nos animais, tanto fêmeas quanto 
machos, atributos de mãe. 
Características que a fêmea mais transmite 
(atributos): número de filhotes nascidos,peso de 
nascimento, produção de leite, habilidade 
maternal. 
Produzir a melhor mãe para que fique com o 
melhor pai da linhagem paterna. Essa estrutura 
de linha paterna e materna é utilizada em todo o 
mundo. 
Nas demais espécies: fazia cruzamentos, mas com 
1 ou 2 raças. Aqui, não há limites para o uso de 
raças. 
Por que não faz isso com as demais raças?: pois é uma 
estrutura cara e o ciclo de produção de 
ruminantes é mais longo e difícil (lá, no máximo, 
faz só o animal sintético). Eles têm o ganho 
genético mais lento. Já a gestação do suíno dura 
em média 3 meses, 3 semanas e 3 dias. 
Núcleos: 
Agora que se entendeu as linhagens, precisa 
entender a aplicação dos núcleos. Na suinocultura 
essa particularidade quem funciona muito. 
Quem financia o núcleo é um grupo de produtores, 
uma empresa ou um centro de pesquisa. São 
estruturas muito compartimentalizadas. 
 
I) NÚCLEO DE MG 
É composto por muitas pequenas propriedades 
que tem a responsabilidade de desenvolver, 
através de pesquisas, todas as linhas (paterna e 
materna). Se descobre a melhor forma de fazer o 
pai e a melhor forma de fazer a mãe. 
Nesse núcleo há as raças puras utilizadas para 
desenvolver a fórmula do pai e da mãe. Porém, há 
fazendas responsáveis só pela linha maternal e 
outra só pela linha paternal (elas não se 
misturam). 
Ou seja → número pequeno de animais com alta 
intensidade seletiva (troca-se rapidamente os 
reprodutores). Mas como há um número pequeno 
de animais, consigo ter um giro rápido, sem custo 
grande e alto diferencial de seleção. 
Em propriedade normal: o macho é substituído a 
cada quatro anos. A fêmea fica de quatro a seis 
anos se reproduzindo. 
No núcleo de MG: macho fica seis meses e é 
descartado. A fêmea fica de seis a oito meses só. 
Depois de se descobrir a melhor forma de fazer o 
pai e a mãe, são transferidos ao núcleo 
multiplicador 
II) NÚCLEO MULTIPLICADOR: 
Ocorre a amplificação do material genético (ainda 
não ocorre o cruzamento). 
Exemplo: se no núcleo de MG foi desenvolvido 1000 
fêmeas e 10 mil fêmeas. No núcleo multiplicador, 
produzirei 100 mil machos e 600 mil fêmeas. → 
amplificar o número de animais. 
Depois que já conseguem muitos animais... 
 
III) NÚCLEO COMERCIAL 
O produtor compra o pai e a mãe. 
Há o cruzamento entre o melhor pai e a melhor 
mãe. Todos os animais que nascerem a partir 
desse cruzamento vão para o abate. → nível 
máximo de heterose. 
Ou seja, o núcleo comercial é responsável por 
produzir os animais que serão abatidos. 
 
RELAÇÃO COM O PRODUTOR 
O animal com ganho genético sempre ganha mais 
e tem mais potencial de gerar lucro. Contudo, 
como vender essa ideia ao produtor? 
Dentro do programa de MG genético suíno, os 
principais objetivos são: 
 
Essas melhorias geram um ganho de 1-3% a cada 
geração, (ao ano) o que é pouco. Mas para o 
programa, tem que pensar a longo prazo, pois é 
um ganho contínuo. 
 
 
EXEMPLO 1: 
 
✓ convencer o produtor a comprar um 
cachaço (mestiço reprodutor) melhorado 
geneticamente. 
Está melhorado para apenas uma característica, 
a conversão alimentar, que nesse caso, melhora 
100g no gasto de normal 
✓ Animal normal: precisa comer 2kg de ração 
para ganhar 1kg de peso vivo. 
✓ Esse animal melhorado: precisa comer 
1,9kg de ração para ganhar 1kg de peso 
vivo. 
A granja vai comprar só o cachaço, e vai usar 
outras 20 fêmeas da própria propriedade. 
Cada fêmea desse criador produz 20 leitões por 
ano. 
Vai ficar com o cachaço por 2 anos. 
O ganho (ou seja, o cachaço, com 20 fêmeas, por 
2 anos vai produzir): 
 
Como vai trabalhar só com macho melhorado, não 
se sabe se a fêmea também é boa. Ao invés de 
100g, vamos trabalhar só com 0,5g, que é a porção 
do pai (a outra porção não é considerada pois não 
se sabe se a fêmea vai conseguir suprir). 
 
 
O fato de coloca um cachaço fez com que o 
produtor economizasse 5kg de ração para cada 
animal produzido na propriedade 
 
Como são 800 animais economizando 5kg, ao final 
de 2 anos ele vai ter economizado 4000kg de 
ração, alterando apenas UMA característica. 
Vamos supor que o kg da ração custe R$1,50. 
4000x1,50 = R$ 6000,00 de economia em dois anos. 
Um cachaço custa em média R$3000,00. 
 
EXEMPLO 2: 
 
PORCA NORMAL MELHORADA 
PARI 7-8 filhotes 10-12 filhotes 
(20% a mais) 
ALEITAMENTO 30 dias 21 dias 
PROLIFICIDADE 
(nº de leitões 
por ano) 
14-16 por ano 22-24 por ano 
CONVERSÃO 
ALIMENTAR. 
3,5kg para cada 
1kg de peso vivo. 
2,5kg para cada 
1kg de peso 
vivo. 
A principal característica produtiva é a conversão 
alimentar, com isso, o produtor economiza mil 
gramas de ração por animal. 
 
Ou seja, o objetivo é produzir mais gastando 
menos, lembrando que a melhora genética sempre 
necessita de mudanças ambientais 
 
Características melhoradas no suíno: 
 
 
HERDAILIDADES DAS PRINCIAPAIS 
CARACTERISTICAS TRABALHADAS: 
 
Média a moderada herdabilidade – Elas dependem 
muito do ambiente. 
RAÇA: 
Duroc: Muito usada como pai → Carcaça excelente 
 
Large White e Landrace: Muito utilizadas como mãe, 
tanto individualmente quanto principalmente o 
cruzamento entre elas, do qual são produzidas 
quase todas as fêmeas F1 do mundo todo. 
 
 
Hampishire e Wessex: Muito utilizadas por 
americanos: 
 
Pietrain: Composto/sintético produzido no Brasil: 
 
Moura e Piau: nativas do Brasil. Os Piau são 
comumente vendidos no Brasil como mini-pig, 
apesar de serem gigantes.