Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

FUNDAMENTOS 
HISTÓRICOS 
E TEÓRICO- 
METODOLÓGICOS 
DO SERVIÇO 
SOCIAL
Professora Me. Aline Cristtine Marroco França Bertti
Professora Me. Maria Cristina Araújo de Brito Cunha
GRADUAÇÃO
Unicesumar
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a 
Distância; BERTTI, Aline Cristtine Marroco França; CUNHA, Maria 
Cristina Araújo de Brito.
 Fundamentos Históricos e Teórico-Metodológicos do Serviço 
Social. Aline Cristtine Marroco França Bertti; Maria Cristina Araújo 
de Brito Cunha.
 Maringá-Pr.: UniCesumar, 2014. Reimpresso em 2020.
 120p. 
“ Graduação - EaD”.
 
 1.Metodologia. 2. História. 3. Serviço Social. 4. EaD. I.Título.
ISBN 978-85-8084-956-1
CDD 22ª Ed. 362
NBR 12899 - AACR/2 
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário 
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828
Impresso por:
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor Executivo de EAD
William Victor Kendrick de Matos Silva
Pró-Reitor de Ensino de EAD
Janes Fidélis Tomelin
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Diretoria Executiva
Chrystiano Minco�
James Prestes
Tiago Stachon 
Diretoria de Graduação
Kátia Coelho
Diretoria de Pós-graduação 
Bruno do Val Jorge
Diretoria de Permanência 
Leonardo Spaine
Diretoria de Design Educacional
Débora Leite
Head de Curadoria e Inovação
Tania Cristiane Yoshie Fukushima
Gerência de Processos Acadêmicos
Taessa Penha Shiraishi Vieira
Gerência de Curadoria
Carolina Abdalla Normann de Freitas
Gerência de de Contratos e Operações
Jislaine Cristina da Silva
Gerência de Produção de Conteúdo
Diogo Ribeiro Garcia
Gerência de Projetos Especiais
Daniel Fuverki Hey
Supervisora de Projetos Especiais
Yasminn Talyta Tavares Zagonel
Coordenador de Conteúdo
Maria Cristina Araújo de Brito Cunha
Designer Educacional
Camila Zaguini Silva
Larissa Finco
Maria Fernanda Canova Vasconcelos
Nádila de Almeida Toledo
Rossana Costa Giani
Projeto Gráfico
Jaime de Marchi Junior
José Jhonny Coelho
Arte Capa
Arthur Cantareli Silva
Ilustração Capa
Bruno Pardinho
Editoração
Fernando Henrique Mendes
Qualidade Textual
Ana Paula da Silva
Flaviana Bersan Santos
Jaquelina Kutsunugi
Keren Pardini
Nayara Valenciano
Viviane Favaro Notari
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos 
com princípios éticos e profissionalismo, não so-
mente para oferecer uma educação de qualidade, 
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in-
tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos 
em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e 
espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos 
de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 
100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: 
nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, 
Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos 
EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e 
pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros 
e distribuímos mais de 500 mil exemplares por 
ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma 
instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos 
consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos 
educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos educa-
dores soluções inteligentes para as necessidades 
de todos. Para continuar relevante, a instituição 
de educação precisa ter pelo menos três virtudes: 
inovação, coragem e compromisso com a quali-
dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de 
Engenharia, metodologias ativas, as quais visam 
reunir o melhor do ensino presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferentes 
áreas do conhecimento, formando profissionais 
cidadãos que contribuam para o desenvolvimento 
de uma sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
profissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu-
nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de 
alcançar um nível de desenvolvimento compatível com 
os desafios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica 
e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con-
tribuindo no processo educacional, complementando 
sua formação profissional, desenvolvendo competên-
cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em 
situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado 
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal 
objetivo “provocar uma aproximação entre você e o 
conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento 
da autonomia em busca dos conhecimentos necessá-
rios para a sua formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cresci-
mento e construção do conhecimento deve ser apenas 
geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos 
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. 
Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu 
Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns 
e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis-
cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe 
de professores e tutores que se encontra disponível para 
sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de 
aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui-
lidade e segurança sua trajetória acadêmica.
Prof.ª Me. Aline Cristtine Marroco França Bertti
Possui graduação em Serviço Social, pela Faculdade Estadual de Ciências 
Econômicas de Apucarana (2007); é especialista em Ética e Política, pela 
Fundação Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Mandaguari (2009); 
mestre em Ciências Sociais, pela Universidade Estadual de Maringá. 
Atualmente, é assistente social do Centro de Triagens e Obras Sociais do Vale 
do Ivaí e professora do curso presencial e a distância de Serviço Social da 
Unicesumar – Maringá. 
Prof.ª Me. Maria Cristina Araújo de Brito Cunha
Graduada em Serviço Social, pela Universidade Federal do Amazonas; 
Especialista em Administração de recursos Humanos, pela Universidade 
Federal da Paraíba; Mestre em Gerontologia Social, pela Pontifícia 
Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP. Coordenadora do Curso de 
Serviço Social presencial e na modalidade a distância da Unicesumar – Centro 
Universitário Cesumar.
A
U
TO
RE
S
SEJA BEM-VINDO(A)!
Caro(a) aluno(a), é um grande prazer e satisfação podermos trabalhar com você esta 
disciplina tão importante para sua formação profissional. O material elaborado o(a) au-
xiliará no estudo da disciplina de Fundamentos Históricos Teórico Metodológicos do 
Serviço Social.
Faremos, no decorrer de nossos estudos, uma análise da fundamentação teórica do sur-
gimento do Serviço Social.
Posto isso, no decorrer das cinco unidades deste material, você analisará questões em 
que propomos reflexão e, com isso, uma ampliação de seu conhecimento, formando, 
assim, um profissional capacitado para a compreensão do início de nossa profissão.
Durante a elaboração deste livro, propusemos criar um material que abordasse a funda-
mentação sócio-histórica da profissão de um modo claro e de fácil compreensão.
Agora, farei um breve relato do conteúdo que iremos abordar no decorrer de nosso 
estudo.
Na Unidade I, veremos os elementos para entendermos o capitalismo, a relação entre 
proletariado e burguesia e o surgimento do Serviço Social na Europa.
Na Unidade II, abordaremos sobre as protoformas do Serviço Social, o surgimento das 
primeiras escolas de Serviço Social no Brasil e o conservadorismo religioso e as bases 
teórico-metodológicas.
Na Unidade III, veremos a influência do Serviço Social de Caso, Grupo e Comunidade e a 
relação entre positivismo e funcionalismo naprofissão.
Já na Unidade IV, abordaremos a defesa da qualificação profissional e a mobilização da 
categoria.
Finalizando nosso livro, na Unidade V, o assunto será o Serviço Social e a Ditadura, a 
incorporação da profissão na esfera da burocracia e tecnocracia. E, encerrando, aborda-
remos o Serviço Social e o processo de questionamento da prática profissional.
Prezado(a) aluno(a), é de extrema importância que você faça a leitura do material pre-
viamente e resolva todas as questões propostas no final de cada Unidade, pois isso con-
tribuirá amplamente para seu processo de aprendizagem, no qual estaremos pronta-
mente disponíveis em atendê-lo(a).
Deixamos aqui nossos sinceros agradecimentos em poder compartilhar nosso conheci-
mento e contribuir para o processo de sua formação profissional.
Desejamos um ótimo estudo e sucesso a você!
APRESENTAÇÃO
FUNDAMENTOS HISTÓRICOS E TEÓRICO- 
METODOLÓGICOS DO SERVIÇO SOCIAL 
SUMÁRIO
09
UNIDADE I
CAPITALISMO E SERVIÇO SOCIAL
13 Introdução
14 Capitalismo 
16 Capitalismo Monopolista 
19 Proletariado X Burguesia 
23 O Surgimento do Serviço Social na Europa 
27 Considerações Finais 
UNIDADE II
AS PROTOFORMAS E O SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL
35 Introdução
36 As Protoformas do Serviço Social 
40 As Primeiras Escolas de Serviço Social no Brasil 
53 Conservadorismo Religioso e Bases Teórico-Metodológicas 
57 Considerações Finais 
UNIDADE III
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL
63 Introdução
64 A Influência do Serviço Social de Caso, Grupo e Comunidade 
SUMÁRIO
69 Positivismo na Profissão 
72 Introdução do Funcionalismo no Serviço Social 
73 Considerações Finais 
UNIDADE IV
A CATEGORIA PROFISSIONAL
79 Introdução
79 Defesa da Qualificação Profissional 
89 A Mobilização Da Categoria 
93 Considerações Finais 
UNIDADE V
O SERVIÇO SOCIAL E A PRÁTICA PROFISSIONAL
99 Introdução
100 O Serviço Social e a Ditadura Militar 
107 A Incorporação da Profissão na Esfera da Burocracia e Tecnocracia 
108 O serviço social e o processo de questionamento da prática profissional 
112 Considerações Finais 
117 CONCLUSÃO
119 REFERÊNCIAS
U
N
ID
A
D
E I
Professora Me. Aline Cristtine Marroco França Bertti
CAPITALISMO E SERVIÇO 
SOCIAL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Identificar o surgimento do capitalismo e o capitalismo monopolista.
 ■ Analisar a relação entre proletariado e burguesia.
 ■ Refazer a trajetória do Serviço Social, estudando sobre o surgimento 
na Europa.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Capitalismo
 ■ Capitalismo Monopolista
 ■ Proletariado X Burguesia
 ■ O surgimento do Serviço Social na Europa
INTRODUÇÃO
Olá, caro(a) aluno(a)! É necessário desvendar o contexto histórico do capitalismo, 
suas raízes e condições, assim, notamos que sua formação está intimamente ligada 
com as origens do serviço social, que nos remete a analisar a linha do tempo e 
conhecer a estrutura social do sistema capitalista, reconhecendo a face da força 
de produção e a respectiva organização social, mais especificamente a divisão 
de classes no contexto econômico brasileiro.
Vamos verificar a história do capitalismo e a história das classes sociais, 
sendo que nesta reside o elemento essencial para fins de compreensão do capi-
talismo, tanto quanto para a consideração da marcha histórica da humanidade, 
relevantemente relacionada com conflitos, antagonismos e lutas, estas últimas, 
em particular, consideradas verdadeiras forças motrizes da referida marcha. O 
destaque desta luta, sistematizada por Marx, e suprema para Engels, reputou 
que ela tem para a história a mesma consideração que a lei da transformação de 
energia tem para a ciência natural.
A Unidade I focará no desenvolvimento do capitalismo e seus desdobramen-
tos nas relações entre o capital, o trabalho e o Serviço Social. Portanto, caro(a) 
aluno(a), convidamos você a fazer uma busca na trajetória histórica do Serviço 
Social, pois temos como propósito buscar a compreensão do capitalismo enquanto 
classe histórica e sua correlação com a produção e reprodução das relações sociais.
Para esse debate, vamos nos apoiar nos autores renomados do Serviço Social: 
Marilda Iamamoto, Raul de Carvalho, Maria Lucia Martinelli, Maria Lucia 
Barroco, entre outros.
Nesse sentido, se faz necessário um regresso no tempo, a fim de investigar 
a história e com ela discutir. Assim, apresentamos nossa abordagem nesta pri-
meira unidade. 
Vamos lá?
13
Introdução
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
CAPITALISMO E SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
I
CAPITALISMO
O capitalismo é um modo de produção baseado na divisão societária em duas 
classes: a dos capitalistas (proprietários da matéria-prima do trabalho), que 
detêm o poder de compra da força do trabalho, e a dos proletariados (não pos-
suem acesso aos meios de produção), que são forçados a venderem sua força de 
trabalho por não terem acesso aos meios de produção.
Aqui, há a posse particular dos mecanismos de produção por uma classe que 
explora a força de trabalho daqueles que não os possuem, e esta fragmentação 
entre meios de produção e produtor é resultado da subordinação direta deste ao 
dono do capital, onde se permite a instauração do ciclo de vida do capitalismo 
e o seu processo de acúmulo primitivo.
Na produção e reprodução dos meios de vida, os homens organizam deter-
minados vínculos de interações recíprocas e, por intermédio dos quais, realizam 
uma ação transformadora da natureza realizando a produção.
Dessa maneira, a produção social não trata apenas de produção objetiva de 
matérias, mas também de relações sociais entre as pessoas, entre classes sociais 
que personificam certa categoria econômica.
O capital social, enquanto relação social, supõe o outro termo da relação, o 
trabalho assalariado, da mesma forma que supõe o capital. A transformação do 
dinheiro em capital requer, portanto, que os possuidores do dinheiro enxerguem 
no mercado não apenas os meios objetivos de produção como mercadoria, mas 
também uma mercadoria especial, a qual faz referência à força de trabalho, cujo 
valor de utilização tem a qualidade de ser fonte de valor, ou seja, onde há o con-
sumo e, concomitantemente, a materialização de trabalho e, por isso, a criação 
de valor que se realiza na dinâmica do processo produtivo e na relação de com-
pra e venda da força de trabalho.
É por meio dessa relação que o capitalismo é impulsionado a encontrar no 
mercado o trabalhador livre, ou seja, livre de qualquer outra relação de domina-
ção econômica, sendo proprietário de suas pessoas, com a finalidade de que possa 
enfrentar-se no mercado com seus possuidores do dinheiro, em uma interação 
entre possuidores juridicamente iguais de mercadorias, por meio da qual entre 
em relação o proprietário da força de trabalho e ceda-a ao comprador para a sua 
©shutterstock
15
Capitalismo
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
utilização durante determinado período de tempo. Essa é a condição elementar 
para que seja mantido enquanto proprietário de sua mercadoria, podendo tornar 
a vendê-la. Tal condição se associa outra, ou seja, se encontra obrigado a vender, 
para suprir suas necessidades, o único bem que possui, qual seja, a sua força de 
trabalho. Isto é, alienar parte de si mesmo, já que do outro lado se enfrentam, 
como propriedade alheia de todos os meios produtivos, condições de trabalhos 
essenciais à materialização de seu trabalho bem como os meios imprescindíveis 
à sua sobrevivência.
Desse modo, a partir do momento 
em que o capitalista transforma parte 
de seu capital em força de trabalho, o 
que adquire com isso é a exploração de 
todo o seu capital. Conquistabenefícios 
não apenas do que retira do trabalha-
dor, mas de tudo aquilo que transfere 
à classe trabalhadora na forma de salá-
rio. O processo capitalista de produção 
exibe o trabalhador separado das con-
dições de trabalho, o apresenta como o 
trabalhador assalariado. Este benefício 
econômico se disfarça pela ocorrência 
da renovação periódica da alienação da força de trabalho, seja devido à subs-
tituição de patrões individuais, seja por culpa das oscilações de preço da força 
de trabalho no mercado. No entanto, o próprio processo elabora as aparências 
mistificadoras que impedem a expressão da revolta, garantindo, dessa forma, a 
continuidade do curso de produção.
O capital supõe o monopólio dos meios de produção e de subsistência por 
uma parte da sociedade – a classe trabalhista – em confronto com os trabalha-
dores desprovidos das condições materiais necessárias à materialização de seu 
trabalho. Supõe ao trabalhador que para sobreviver tem a vender sua força de 
trabalho. O capital supõe o trabalho assalariado e este o capita (MARX, 1975, 
p. 4-101).
CAPITALISMO E SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
I
CAPITALISMO MONOPOLISTA
O capitalismo dos Monopólios é a fase que segue o processo do capitalismo con-
correncial, onde é imprescindível uma “exportação dos capitais”. Nele (capitalismo 
dos monopólios) acontece a centralização e a concentração do capital em níveis 
maiores, aumentando, dessa maneira, a exploração, alienação, a desigualdade e 
a exclusão social. Essa época é a de agudizamento de todas as contrariedades 
pertinentes ao sistema, ou seja, contradições existentes entre a relação Capital e 
Trabalho, acentuando e afiando, dessa forma, as expressões da “questão social”.
As análises do Capitalismo Monopolista nas interações sociais são pífias, 
remetendo a sociedade e o mundo à barbárie, por exemplo, na 1ª e 2ª guerra 
mundial, holocausto, nazismo, fascismo etc. A finalidade do Estado, na era 
Imperialista, era ser apenas um “comitê executivo” da burguesia, sempre atenden-
do-a e favorecendo-a. Em suas contrariedades e dinâmicas, a classe dominante 
captura o Estado, passando a ser seu, buscando por meio do jogo democrático a 
falsa democracia, a fim de se legitimar (o Estado) tanto politicamente quanto ide-
ologicamente. Em síntese, pode-se dizer que, nesta sociedade, o Estado trabalha 
com o propósito de ofertar condições necessárias à acumulação e à valoriza-
ção do capital monopolista. De acordo com a ordem monopólica, ele invade o 
espaço dos indivíduos e da sociedade de forma integral, originando propostas 
para redefinir características pessoais com estratégias e terapias de ajustamento. 
Partindo desse processo, o Serviço Social vai surgindo, e para atender às procu-
ras daquela conjuntura, possuía uma atividade bastante funcionalista de “acertar” 
o indivíduo ao meio.
Podemos perceber que o Serviço Social, enquanto profissão, está relacio-
nado ao surgimento da “questão social”, dirigido por condutas assistencialistas 
e filantrópicas, com uma base da doutrina social da Igreja Católica, isto é, ori-
ginado como resposta ao agravamento das contrariedades capitalistas em sua 
fase monopolista, para o “controle” da classe trabalhadora e para legitimação 
dos setores dominantes e do Estado. O serviço social se origina e se efetiva por 
meio da ordem monopólica, relacionando-se ainda com as mazelas próprias à 
ordem burguesa, à altura do capitalismo monopolista.
A política social é um dos principais mecanismos de intervenção nas 
©shutterstock
17
Capitalismo Monopolista
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
demonstrações da “questão social”, sendo resultado da capacidade de mobiliza-
ção e reunião da classe operária e do aglomerado de trabalhadores. Diante disso, 
o Estado a usa como ferramenta e atende a procura enquanto tática também para 
a reprodução e manutenção do sistema atual, preservando e controlando a mer-
cadoria mais importante para o modo de produção capitalista, ou seja, a força 
de trabalho. É como dar com uma mão e retirar com a outra. A política social 
pode ser compreendida ainda como um acordo existente entre a burguesia e a 
classe operária, fragmentando e fragilizando a organização da classe operária e 
legítima do Estado Burguês. E com a ideologia neoliberal, que só intensifica o 
sistema capitalista, o entendimento da culpabilização do sujeito é cada vez mais 
usado, excluindo a conjuntura do próprio sistema, que em sua oposição acar-
reta riqueza excedente, entretanto, esta fica reunida e/ou concentrada nas mãos 
de poucos, enquanto a maioria se encontra à margem do sistema.
Para Iamamoto (2004), o serviço social não deve ser interpretado apenas como 
uma nova maneira de realizar a caridade, mas sim, como uma forma de inter-
venção ideológica na vida dos trabalhadores, ainda que seu fundamento seja 
a atividade assistencial; no entanto, os efeitos produzidos são essencialmente 
políticos, por meio do “enquadramento” dos trabalhadores nas relações sociais 
vigentes, reforçando a recíproca colaboração entre capital e trabalho. 
CAPITALISMO E SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
I
Na evolução capitalista, destacamos: 
Capitalismo Comercial: surgiu com as grandes navegações e com as anti-
gas grandes potências Espanha e Portugal, que estavam dispostas a explorar seus 
novos territórios recém-conquistados.
Mas qual foi a forma que essas potências encontraram para essa exploração? 
Um sistema chamado de Plantation foi instalado nas colônias, que consiste 
em uma grande parcela de terra voltada para a monocultura, ou seja, um único 
produto agrícola; também caracterizado pelo uso da força de trabalho escravo 
e por todos os produtos serem destinados ao mercado externo, com a condição 
de que as colônias só estabelecessem relações mercantilistas com suas respecti-
vas metrópoles, esse era o pacto colonial.
Isso ocorreu em grande parte da América do sul, mas nas terras que hoje 
correspondem aos Estados Unidos e ao Canadá se deu outro tipo de coloniza-
ção, eram as chamadas colônias de povoamento. Neste modelo adotado, eram 
pequenas propriedades de policultura, ou seja, vários produtos agrícolas, a mão 
de obra era assalariada e os produtos eram para enriquecer o comércio interno. 
Porém, não foi assim em todo o território, ao sul dos Estados Unidos, as colônias 
eram de exploração, isso devido ao clima semelhante ao tropical que favorecia 
a aplicação das Plantations.
Eram sistemas muito diferentes coexistindo, mas isso trouxe consequências, 
afinal, após a primeira metade do século XVIII, ocorreu a Primeira Revolução 
Industrial e a Inglaterra começou a necessitar de muitos produtos têxteis para 
abastecer suas indústrias. Uma série de eventos e abusos acabou levando à 
independência dos Estados Unidos, em 1776, conduzindo ao próximo modelo 
capitalista que vamos conhecer.
O Capitalismo Industrial: ocorreu com a chegada da Revolução Industrial e 
as suas fábricas, que inovaram e intensificaram as relações comercias e as produ-
ções. Era um mundo de produção onde a coisa mais notável era a exploração do 
homem pelo próprio homem, aqui o trabalhador não tem consciência de como 
as coisas que são feitas industrialmente ocorrem como um todo, ele apenas sabe 
uma pequena parte da linha de montagem, e apenas a figura do burguês, dono 
das fábricas, sabe o processo completo.
Os trabalhadores se sujeitavam a uma carga de trabalho muito grande para 
19
Proletariado X Burguesia
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
receber muito pouco dinheiro na época.
Capitalismo Financeiro: vem com a substituição das máquinas a vapor 
pelo motor à combustão interna, na Segunda Revolução Industrial,e essas novas 
máquinas foram substituindo os transportes, as fábricas ultrapassadas e o setor 
agrícola, gerando uma aceleração enorme no campo tecnológico em todas essas 
áreas; esse modelo irá perdurar até a Grande Crise da Bolsa de Valores de Nova 
York, em 1929. 
Capitalismo Especulativo: é o modelo como conhecemos hoje em dia, onde, 
por meio de sociedades anônimas, os capitalistas investem na especulação de 
títulos, como as ações de uma empresa, afinal, abrir uma empresa gera gastos e 
nem sempre traz os lucros esperados.
PROLETARIADO X BURGUESIA
Caro(a) aluno(a), está claro que de fato residimos em um meio social capitalista. 
Nossa sociedade apresenta divisão de classes e desigualdades sem igual. Na socie-
dade capitalista, existem inúmeras desigualdades, basta ter olhos para enxergar. 
Uma pequena quantidade de pessoas concentra considerável número de 
bens em seu poder, quais sejam: dinheiro, propriedades, mansões e carros. De 
maneira oposta, grande parte das pessoas possui apenas o mínimo e, às vezes, 
menos que isso para sobreviver. Vivemos apertados em questões pertinentes à 
alimentação, casa, roupas, escola, transportes, saúde, lazer etc. Vemos, ainda, 
tantos efeitos trágicos desse meio social, como a subnutrição, doenças endêmi-
cas, mortalidade infantil, desemprego, prostituição etc.
É fato que entre os dois grupos existem camadas médias, as quais são 
Lembre-se que foi a diferença entre os modelos capitalistas nos Estados Uni-
dos, entre o norte e o sul, que com o passar do tempo gerou as tensões que 
levaram à guerra civil americana!
©
sh
ut
te
rs
to
ck
CAPITALISMO E SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
I
denominadas “classe média”. Mas não é esta classe que determina a natureza da 
sociedade capitalista, pois na referida sociedade, as classes sociais elementares 
são a burguesia e o proletariado.
A burguesia é a classe dos proprietários das fábricas, das fazendas, das minas, 
dos bancos etc. Resumindo, são os donos particulares dos meios de produção, 
ou seja, os possuidores do capital, dessa forma, são chamados de capitalistas. 
Esses mecanismos de produção constituem um capital, pois são usados dentro 
de uma relação de exploração.
Diante desse panorama, a classe proletária aos poucos vai se rebelando, 
dadas as condições de exploração a que estava submetida, ao elevado aumento 
da jornada de trabalho, associado à queda do padrão de vida dos assalariados. 
E considerando os altos custos sociais provocados pela prática do cresci-
mento econômico, era necessário criar mecanismos, por parte do Estado, de 
contenção da classe operária, que vem requerer seus direitos sociais. É nesse 
cenário econômico e político que o assistente social é requisitado para intervir 
na realidade social, por meio das políticas sociais, em resposta às reivindicações 
da classe trabalhadora. 
©shutterstock
21
Proletariado X Burguesia
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
A denominação de burguesia se deve ao motivo pelo qual quando essa classe se 
formou, ainda no término do feudalismo europeu, tratava-se de comerciantes e 
pequenos industriais que habitavam as pequenas cidades (conhecidas como bur-
gos). Não eram pessoas nobres, nem eram mais servos responsáveis por lavrar 
a terra nos feudos, eram apenas um tipo de classe média, posteriormente trans-
formada em classe predominante.
É bem verdade que dentro do pro-
letariado existem trabalhadores que 
recebem vantagens em relação aos 
demais. No entanto, ambos vivem 
e dependem do seu trabalho.
A denominação “proletária” já 
se fazia presente na antiga Roma, 
designando aquelas pessoas que 
nada possuíam, a não ser seus des-
cendentes, ou seja, seus próprios 
filhos. Nos primórdios da socie-
dade capitalista, o proletariado se 
originou mediante antigos servos 
que saiam dos feudos e iam para os burgos, sem qualquer bem em sua posse; e, 
ainda, artesãos que não estavam munidos de condições para competir com as 
máquinas da classe dominante. Dessa maneira, os proletários são homens livres 
sob duas vertentes: não estão mais presos aos feudos e também não possuem 
nada a não ser a sua própria força de trabalho.
Assim, na sociedade capitalista, existe uma fragmentação entre o capital e o 
trabalho. Aquele que trabalha diretamente não possui os meios de produção, e 
aquele que possui os meios de produção não trabalha diretamente. A classe domi-
nante usa a força de trabalho dos proletários para fazer funcionar seus meios de 
produção e, dessa forma, produzir mercadorias com a finalidade de obter lucros. 
Com esse lucro, além de viver com qualidade, os burgueses melhoram em quan-
tidade e qualidade os seus mecanismos produtivos, com o propósito de produzir 
mais mercadorias e obter, com isso, maiores lucros.
CAPITALISMO E SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
I
Esse curso repetido, diariamente, consiste no processo de acumulação de 
capital. O proletariado, de forma oposta, não acumula nada, vendendo-se coti-
dianamente no mercado de trabalho, para poder viver ou sobreviver, na maioria 
das vezes, muito mal e com muitas dificuldades.
A classe dominante, assim, contrata os proletários para trabalharem em suas 
empresas, por determinado salário, durante tantas horas diárias, e sob certas 
condições anteriormente estipuladas. Os trabalhadores acordam formalmente 
com este “livre” contrato de trabalho. Qual é o jeito? Eles não são possuidores 
dos meios de produção, estando livres deles. Também não estão amarrados por 
alguma obrigação a nenhum senhor e/ou terra, sendo formalmente livres. Livres 
para alienar sua força de trabalho no mercado, ou então, se não quiserem fazer 
isso, livres para viverem em condições miseráveis.
Esse “livre” contrato de trabalho feito individualmente reside em um contrato 
realizado entre duas partes que ocupam posições distintas dentro da sociedade. 
O burguês, dono dos mecanismos produtivos, encontra-se em uma situação de 
destaque para procurar a mercadoria força de trabalho, e encontra uma abun-
dância na oferta. Se um trabalhador não aceita suas condições, existem inúmeros 
outros concorrendo entre si que certamente as aceitarão. O êxodo rural que, por 
inúmeros fatores, sempre acompanha a origem da produção capitalista, encar-
rega-se de formar um excedente de oferta de força de trabalho. O proletário, dono 
apenas da sua força de trabalho, encontra-se em uma posição bastante negativa 
e fica entre a cruz e a espada, ou seja, entre a exploração do patrão e a miséria 
acarretada pelo desemprego. Essa é a “liberdade” do trabalhador na sociedade 
capitalista. Mas, para o burguês, o livre contrato de trabalho reside na liberdade 
sagrada dentro de sua economia de livre empresa.
As duas classes, quais sejam, a dos burgueses e a dos proletários, possuem 
interesses que são objetivamente antagônicos, em palavras mais simples, inte-
resses inconciliáveis.
“Objetivamente” significa que isto não depende da boa ou má intenção dos 
indivíduos. Os interesses das referidas classes são inconciliáveis porque se uma 
ganha, a outra, obrigatoriamente, perde. O que é bom para uma classe é malé-
fico para a outra.
A burguesia, que tem propósitos em conservar sua situação de destaque, 
“A burguesia não pode existir sem revolucionar constantemente os ins-
trumentos de produção e, portanto, as relações de produção, isto é, todo 
o conjunto das relações sociais. Esta mudança contínua da produção, esta 
transformação ininterrupta de todo o sistema social, esta agitação, esta per-
pétua insegurança distinguem a época burguesa das precedentes. Todas as 
relações sociais tradicionais e estabelecidas, com seu cortejo de noções e 
idéias antigas e veneráveis, dissolvem-se; e todas as que as substituem en-
velhecem antes mesmo de poder ossificar-se.” (Karl Marx,1848)
23O Surgimento do Serviço Social na Europa
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
tenta obscurecer o fato da fragmentação social em classes de interesses incon-
ciliáveis, acenando para a ascensão social, dizendo que o operário de hoje pode 
ser o patrão no futuro. Mas a gente sabe que é quase impossível para o tra-
balhador assalariado obter a quantia necessária para constituir uma pequena 
empresa. Além do mais, ainda que alguns operários individualmente mudas-
sem de classe, nem assim deixaria de existir a fragmentação social em classes de 
objetivos inconciliáveis.
Desde o surgimento do capitalismo, foi de percepção geral que esse sistema 
ocasiona grandes desigualdades e injustiças. Percebeu-se, ainda, que quanto mais 
a minoria dominante enriquece, a maioria proletária afunda na pobreza e misé-
ria. Resumindo, inúmeras foram as denúncias acerca da exploração.
Mas qual é o meio pelo qual se propaga a exploração? Isto não aparece logo 
de cara, foram imprescindíveis muitos estudos e pesquisas para responder a essa 
questão. Quem conseguiu deslindar o mistério foi Karl Marx. 
O SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NA EUROPA
No término do século XVIII e começo do XIX, aconteceu, na Inglaterra, a 
Revolução Industrial, uma vez que o país era possuidor de vastas reservas de 
carvão mineral em seu subsolo, possuindo, dessa forma, a fonte de energia capaz 
de promover o movimento das máquinas e das locomotivas a vapor. 
CAPITALISMO E SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
I
Os ingleses possuíam não apenas as fontes de energia, mas também gran-
des reservas de minério de ferro; possuíam ainda mão de obra abundante, pois 
muitos trabalhadores procuravam empregos nas cidades inglesas. A burguesia 
inglesa detinha capital suficiente para o financiamento de fábricas, aquisição de 
matérias-primas, de máquinas e contratação de funcionários. 
Nessa época, aconteceram diversas substituições, ocasionando a troca da 
produção humana pela fabril, ferramentas por máquinas e energia humana pela 
motriz. 
A Revolução Industrial propagou-se pela Europa Ocidental e Estados Unidos, 
caracterizando um novo modelo de produção, que eram as fábricas e as indús-
trias, acarretando um capitalismo industrial.
Entretanto, tanto as indústrias quanto as fábricas necessitam de pessoas para 
dar continuidade ao processo de produção. Dessa forma, uma grande quanti-
dade de trabalhadores passa a viver em volta da indústria, sendo designados 
enquanto proletariados à classe social que aliena sua força de trabalho ao empre-
sário capitalista. A população operária era explorada pela classe dominante, e 
o Estado era subordinado a ela, pois tinha como propósito proteger o capital e 
seus possuidores. 
Nos primórdios, as fábricas não eram munidas dos melhores ambientes de 
trabalho. As condições eram extremamente precárias, a remuneração era baixa 
e o trabalho feminino e infantil se fazia constantemente presente. Os emprega-
dos trabalhavam por longas jornadas de trabalho, sujeitando-se a castigos físicos 
por parte de seus patrões. Inexistiam quaisquer direitos trabalhistas, como férias, 
décimo terceiro salário, auxílio doença etc.
A exploração vivenciada pela população fabril foi tão relevante que a levou 
a conflitar com a finalidade de melhorar suas condições de trabalho, por meio 
de inúmeras manifestações. Assim, restou à burguesia a busca por novas táticas, 
uma vez que seu objetivo residia na expansão de seu modo de produção, domi-
nando a exploração e a opressão para com os seus subordinados. Porém, isso só 
gerou mais miséria por parte da classe trabalhadora, a qual continuou se colo-
cando contra a classe dominante.
Mediante essa situação, a classe dominante tomou consciência de que era 
preciso fazer algo para controlar o teor das manifestações e conter a propagação 
25
O Surgimento do Serviço Social na Europa
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
da pobreza. Dessa maneira, ocorreram as primeiras práticas assistencialistas, as 
quais viabilizavam a conservação das ordens capitalistas, fazendo com que os 
proletariados não mais questionassem, mas sim, aceitassem suas condições de 
vida e de trabalho. 
No entanto, o elevado nível de pobreza se estendia ainda mais, e, então, os 
membros da classe dominante, a Igreja Católica e as autoridades locais, se organi-
zaram com o objetivo de transformar a assistência pública. Para solucionar esses 
problemas, incumbiram os reformistas sociais de exercerem sua função realizando 
um inquérito da vida pessoal e familiar do atendido, e o mesmo tinha que assu-
mir a dependência em relação ao poder público, sendo dessa forma controlado. 
A nova tática ainda era incumbida para assegurar a manutenção e propagação 
e/ou extensão do capitalismo.
Inúmeros outros conflitos continuaram a ocorrer, levando a burguesia, a 
Igreja e o Estado a unirem-se, acarretando, assim, na origem da Sociedade de 
Organização da Caridade, no ano de 1869. A mencionada Sociedade organizou 
os reformistas sociais, os quais se responsabilizavam pela reforma e regulamen-
tação da prática da assistência da sociedade. A partir de então, apareceram os 
primeiros assistentes sociais, os quais executavam práticas referentes à assistên-
cia social. A profissionalização dos mesmos acontecia por meio da prestação de 
serviços, designado como Serviço Social, denominação essa que fora utilizada 
pelos Estados Unidos, em 1904.
O serviço social fora caracterizado, em sua origem, por várias determina-
ções e valores, através de práticas repressoras e controladoras. Assim, podemos 
entender que o Serviço Social resulta da emergência da questão social do con-
junto de expressões da desigualdade social, econômica e/ou cultural. 
Posteriormente à criação do Centro de Ação Social em Londres, no ano de 
1884, no qual as atividades realizadas faziam referência às questões de higiene 
e saúde para com os pobres e proletariados, a Sociedade de Organização da 
Caridade utilizou-se de novas ideias, organizando e efetivando também visitas 
domiciliares, nas quais aconteciam ações voltadas à educação. A partir dessa meto-
dologia, conheciam a realidade das famílias operárias e incutiam o pensamento 
capitalista. A classe dominante apoiava essas práticas assistencialistas, uma vez 
que “desarmava” as manifestações coletivas e disfarçavam o sistema capitalista.
©shutterstock
CAPITALISMO E SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
I
Acreditava-se, dessa maneira, que os problemas que afligiam os proletaria-
dos e os pobres consistiam em uma questão de caráter, de forma que a assistência 
social passou a agir mediante uma reforma do mesmo. A prática social conti-
nuou a ser executada com rigor para o controle e correção dos desfavorecidos, os 
quais não mais se valiam da assistência pública, pois preferiam ajudar-se mutua-
mente, continuando a reclamar do modo como eram tratados, uma vez que não 
eram atendidos em suas reivindicações.
Por longo período de tempo se fizeram presentes a exploração, a miséria, o 
poder capitalista e as práticas assistenciais objetivando tão somente o controle 
social. No ano de 1897, precisamente na Conferência Nacional de Caridade e 
Correção, Mary Richmond apresentou sua ideia de Assistência Social, propondo, 
com isso, a elaboração e/ou criação de uma escola voltada à aprendizagem de 
Filantropia Aplicada. Enfatizou a relação existente entre as pessoas e o mundo, 
considerando o sujeito enquanto pessoa no momento em que interage com o 
meio social do qual faz parte. Foi com a escola de Filantropia Aplicada que tive-
ram início a institucionalização e profissionalização do Serviço Social, onde o 
interessado trabalhava como agente reintegrador e transformadorde caráter.
27
Considerações Finais
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
Foi criada, no ano de 1908, na Inglaterra, a primeira escola de Serviço Social. 
Posteriormente à sua fundação, inúmeras outras escolas foram criadas por conhe-
cimentos e atendimentos especializados, sempre apoiados pela Igreja Católica. 
Com o decorrer dos anos, a ação social estava cada vez mais ligada à política, 
agindo com o objetivo de acalmar os ânimos dos trabalhadores, controlando, 
dessa forma, as suas manifestações; também ocultavam o semblante da miséria, 
atendendo aqueles que nela residiam.
Nos anos seguintes do fim da guerra, a relação com a Igreja Católica fora tro-
cada para o Estado, remetendo a prática social para outro contorno. Em 1917, 
com a obra “Diagnóstico Social”, da autora Mary Richmond, o serviço social 
apresentou um considerável avanço enquanto profissão, levando em conta o 
entendimento do sujeito, enfatizando o fortalecimento do ego para a obtenção 
do êxito no tangível à solução de problemas internos e externos.
No ano de 1936, foi criada a primeira escola de Serviço Social no Brasil, em 
resultado da expansão das práticas de assistência social, ainda por meio do assis-
tencialismo e do caráter fortemente religioso. A escola foi criada na cidade de São 
Paulo, por iniciativa de Maria Kiehl e Albertina Ramos. O curso era constituído 
de formação técnica, sendo constantemente influenciado pelos meios cristãos. 
A metodologia fundamentava-se no homem enquanto ser livre, desenvolvido 
e dotado de inteligência, possuidor do direito de viver em sociedade, extraindo 
dela os meios necessários à sua sobrevivência.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Dessa maneira, caro(a) aluno(a), chegamos ao fim de nossa primeira unidade, 
compreendendo a longa e fascinante história do Serviço Social, que desde sua 
origem é munido de metodologias tão extremas umas das outras. 
A partir dos conteúdos descritos, buscamos levar a você, futuro(a) assistente 
social, conhecimentos relevantes do contexto sócio-histórico que inaugura o 
Serviço Social como profissão. A profissão se vinculou ao processo de produção 
CAPITALISMO E SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
I
capitalista que resultou do interesse do capital em controlar os trabalhadores, 
uma vez que o referido controle consistia em uma necessidade da época, gerando, 
com isso, vários agravos sociais. 
No que se refere, sobretudo, à estruturação do perfil da emergente profissão 
do assistente social, procuramos deixar claro a influência da igreja católica no 
processo de formação dos assistentes sociais brasileiros, sendo ela responsável 
pelo ideário e pelos conteúdos expressos por seu pensamento social. Ela trata a 
questão social como questão moral, como um conjunto de problemas focados 
na responsabilidade individual dos sujeitos sem considerar as relações sociais 
do sistema capitalista. Portanto, segundo Yasbek (2009), trata-se de um enfo-
que individualista, psicologizante e moralizador da questão, que necessita, para 
seu enfrentamento, de uma pedagogia psicossocial, que encontrará no Serviço 
Social efetivas possibilidades de desenvolvimento. 
Conforme afirma Yazbek (2000b, p. 92)
(...) terá particular destaque na estruturação do perfi l da emergente 
profissão no país a Igreja Católica, responsável pelo ideário, pelos con-
teúdos e pelo processo de formação dos primeiros assistentes sociais 
brasileiros. Cabe ainda assinalar, que nesse momento, a questão social 
é vista a partir de forte influência do pensamento social da Igreja, que 
a trata como questão moral, como um conjunto de problemas sob a 
responsabilidade individual dos sujeitos que os vivenciam, embora si-
tuados dentro de relações capitalistas. Trata- se de um enfoque indivi-
dualista, psicologizante e moralizador da questão, que necessita para 
seu enfrentamento de uma pedagogia psicossocial, que encontrará no 
Serviço Social efetivas possibilidades de desenvolvimento.”
Com isso, 
o pensamento conservador e a influência da doutrina católica traça-
ram um perfil de ação para os profissionais de Serviço Social atrelados 
ao pensamento burguês, atribuindo-lhes tarefas de amenizar conflitos, 
recuperar o equilíbrio e preservar a ordem vigente, com frágil consci-
ência política, pois envolvida pelo “fetiche” da ajuda não conseguia ter 
claras as contradições do exercício profissional (MARTINELLI, 2000, 
p.127).
29
Considerações Finais
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
A profissão de Serviço Social nasce, nesse contexto, para atender aos interesses 
da burguesia em uma perspectiva assistencialista, sem reflexão crítica distinta-
mente da contemporaneidade, onde o assistente social realiza sua função por 
meio da investigação, diagnóstico, planejamento, projetos de pesquisa, avalia-
ção das demandas e intervenção da realidade social.
O cerne da questão social está no conflito entre capital e trabalho, confi-
gurando, nesse contexto, as várias expressões da questão social expressa 
na sociedade brasileira. Assim, podemos identificar uma situação extrema 
de desigualdade social, determinada pelo forte crescimento econômico do 
país, conforme o poema intitulado O BICHO, de Manuel Bandeira. 
Vi ontem um bicho 
Na imundície do pátio 
Catando comida entre os detritos. 
Quando achava alguma coisa, 
Não examinava nem cheirava: 
Engolia com voracidade. 
O bicho não era um cão, 
Não era um gato, 
Não era um rato. 
O bicho, meu Deus, era um homem. 
Manuel Bandeira
Fonte: <http://factivel.wordpress.com/poesia/o-bicho/>.
1. Conceitue capitalismo e o explique em sua fase monopolista.
2. Explique sobre o fator principal da dominação da burguesia na classe proleta-
riada.
3. Explique em que contexto se deu o surgimento do Serviço Social na Europa.
4. A “pobreza” é a expressão direta das relações vigentes na sociedade, localizando 
a questão no âmbito de relações constitutivas de um padrão de desenvolvimen-
to extremamente desigual, em que convivem acumulação e miséria. A nossa so-
ciedade a produz e reproduz. A pobreza, nesse caso, significa uma demanda de 
intervenção para o Serviço Social? Justifique. 
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Capitalismo Monopolista e Serviço Social
José Paulo Netto
Editora: Cortez
Sinopse: este livro tematiza o surgimento da profissão, 
vinculando a sua história à emergência do Estado burguês 
na idade do monopólio, aos projetos das classes sociais 
fundamentais e à execução das políticas sociais. Discute também a estrutura teórico-prática do 
Serviço Social fundada em peculiar sincretismo.
Tempos Modernos
Um operário de uma linha de montagem, que testou uma 
“máquina revolucionária” para evitar a hora do almoço, é 
levado à loucura pela “monotonia frenética” do seu trabalho. 
Após um longo período em um sanatório ele fica curado 
de sua crise nervosa, mas desempregado. Ele deixa o hospital para começar sua nova vida, mas 
encontra uma crise generalizada e equivocadamente é preso como um agitador comunista, que 
liderava uma marcha de operários em protesto. Simultaneamente uma jovem rouba comida 
para salvar suas irmãs famintas, que ainda são bem garotas. Elas não têm mãe e o pai delas está 
desempregado, mas o pior ainda está por vir, pois ele é morto em um conflito. A lei vai cuidar das 
órfãs, mas enquanto as menores são levadas a jovem consegue escapar.
Comentário: É um filme onde o personagem vagabundo de Chaplin tem que se adaptar ao 
mundo que está se industrializando de uma forma muito bem humorada e desastrada. Uma forte 
critica ao sistema capitalista da época e as condições sub-humanas de trabalho que os homens 
recebiam nas fábricas pós-revolução industrial.
E como curiosidade, você sabia que Chaplin uma vez entrou em um concurso de sósiasde Charles 
Chaplin e os jurados acharam que ele merecia apenas o Terceiro lugar?
U
N
ID
A
D
E II
Professora Me. Aline Cristtine Marroco França Bertti
Professora Me. Maria Cristina Araújo de Brito Cunha
AS PROTOFORMAS E O 
SURGIMENTO DO SERVIÇO 
SOCIAL NO BRASIL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Analisar a estrutura conceitual das protoformas do Serviço Social.
 ■ Identificar o surgimento das primeiras escolas de Serviço Social no 
Brasil.
 ■ Conceituar o conservadorismo religioso como base teórico-
metodológica da profissão.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ As Protoformas do Serviço Social
 ■ As Primeiras escolas de Serviço Social no Brasil
 ■ Conservadorismo religioso e bases teórico-metodológicas
INTRODUÇÃO
Nesta unidade, veremos que o Serviço Social se originou da ajuda ao próximo, da 
caridade, filantropia e beneficência. No século XVIII, com a Revolução Industrial, 
surgem graves crises econômicas, com repercussão política e social. Diante 
dessa situação, as formas de assistência até então utilizadas já não respondiam 
às necessidades emergentes da época, sendo necessário um Serviço Social insti-
tucionalizado, com fundamentos em conhecimentos técnicos e não apenas com 
boas intenções. Dentro desse contexto histórico, surge o Serviço Social profissio-
nal e, com ele, a primeira escola de Serviço Social, fundada em 1898, na cidade 
de New York, denominada New York School of Philanthropy, sob a influência de 
Mary Richmond.
Diante dos crescentes problemas sociais, surgem leis protetoras das classes 
menos favorecidas e a necessidade de uma profissão que respondesse a essas, 
exigências. O Assistente Social surge com a proposta de amenizar as condições 
que favorecem a desigualdade humana.
Em 1925, surge o Serviço Social latino-americano, com influência europeia 
e depois americana.
O surgimento da profissão data, no Brasil, da década de 1940, época do Estado 
Novo de Getúlio Vargas e da implementação das leis trabalhistas.
Foi também um período em que o país começou a estabelecer a sua indús-
tria de base e a constituir-se capitalista. A sociedade de então passou a sentir 
falta de um profissional capacitado para ajudar a promover o bem-estar social, 
uma vez que se tornaram visíveis as desigualdades surgidas da relação entre 
capital e trabalho.
A profissão de serviço social também se iniciou a partir do desenvolvimento 
do capitalismo, no período da Revolução Industrial, para suprir a necessidade 
de um trabalho voltado para a classe trabalhadora, como já foi citado acima. As 
diferenças impostas pelo capital dividiam a sociedade entre oprimida e opres-
sora, ficando a primeira com os proletariados e a outra com os donos do poder. 
No Brasil, a profissão surgiu em 1936, com a inauguração da primeira escola 
em São Paulo, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), for-
temente atrelada aos princípios do catolicismo. As primeiras entidades sociais 
35
Introdução
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
AS PROTOFORMAS E O SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
II
foram organizadas pela Igreja Católica para atuar com a classe trabalhadora.
No Brasil, a “semente” do Serviço Social foi plantada junto ao nascimento do 
projeto político da Igreja Católica. Eram os anos 30, em cujo momento histórico 
houve a passagem do capitalismo concorrencial para o capitalismo monopolista, 
e o Estado utilizava mecanismos à efetivação de sua interferência nos diferentes 
setores da vida social. Desse modo, o primeiro projeto do Serviço Social unia-se 
a uma ala do clero que insistia na reorganização da classe trabalhadora. Foram 
criados os Círculos Operários, substituídos, no final do Estado Novo, pela JOC 
– Juventude Operária Católica. Houve uma influência recíproca das transfor-
mações histórico-político-econômico-sociais e da atividade do Serviço Social 
desde seu começo até nossos dias.
AS PROTOFORMAS DO SERVIÇO SOCIAL
Antes de darmos início ao nosso estudo, vamos definir o significado de proto-
formas, que são as instituições sociais que se mostram com origem confessional, 
prática da ajuda, caridade e solidariedade, impregnadas pela filosofia tomista e 
a serviço da classe dominante.
Quando surgiu em nosso país, nas décadas de 1920 e 1930, o Serviço Social 
tinha como fundamento para sua implantação o reconhecimento de conflitos 
sociais, acarretados mediante a industrialização. Primordialmente, apresentava 
caráter filantrópico, possuindo uma característica assistencial, missionária e 
beneficente, onde a Igreja Católica controlava o processo voltado ao auxílio de 
pessoas necessitadas. 
As protoformas da profissão se relacionavam diretamente com o desenvol-
vimento da Ação Social, realizada pela Igreja Católica. Esta, com a finalidade 
de recristianizar a classe trabalhadora, passou a assumir o enfrentamento da 
37
As Protoformas do Serviço Social
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
questão social. Entretanto, nesse momento do Serviço Social, inexistia a expres-
são da questão social, mas sim, as expressões concretas da “questão social”, isto 
é, o conceito de um conflito social, interpretado enquanto uma questão moral e 
religiosa, onde as condições precárias do proletariado eram interpretadas como 
consequência da falta de dinâmica do processo industrial, sem relacioná-la à luta 
de classes, o que significa, na verdade, a sua essência.
A complicada relação existente entre as protoformas do Serviço Social e a 
Igreja fez com que fosse predominante dentro do exercício da profissão o pen-
samento conservador baseado na corrente neotomista.
Nesse âmbito, as bases estruturais do Serviço Social, durante longo 
período de tempo, encontraram-se a serviço da classe dominante, sendo 
fortemente influenciadas pela doutrina social, a qual era desenvolvida pela 
Igreja Católica.
Versando a respeito desse período do processo histórico referente ao Serviço 
Social, Iamamoto (1998, p. 27) ensina que: “o Serviço Social surgiu como uma 
das estratégias concretas de disciplinamento, controle e reprodução da força de 
trabalho e seu papel era conter e controlar as lutas sociais.” Assim, neste sistema 
de organização social capitalista, a classe dominante se aliava com a Igreja e 
com o Estado, com a finalidade de profissionalizar a assistência social. Por meio 
da influência do pensamento europeu e norte-americano, a caridade passou a 
valer-se de novos métodos, ou seja, recursos que a ciência e a técnica lhe ofer-
tam. Busca-se, então, a adaptação do indivíduo ao meio em que está inserido e 
vice-versa. Por meio das relações formadas por moças católicas que prestavam 
assistência ao proletariado, surgiu a primeira Escola de Serviço Social no Brasil, 
fazendo com que o Estado solicitasse assistentes sociais para trabalhar em ins-
tituições estatais.
A igreja católica tornou-se essencial na abertura das duas primeiras escolas 
de Serviço Social: a escola de Serviço Social de São Paulo, em 1936, e a Escola 
do Serviço Social do Rio de Janeiro, em 1937, escolas estas consideradas as pio-
neiras do Serviço Social em nosso país, recebendo notável influencia europeia.
©shutterstock
AS PROTOFORMAS E O SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
II
Com a movimentação do processo de industrialização, o Estado passou a financiar 
bolsas de estudo para pessoas que pertenciam a classes subalternas, enviando-as 
para os Estado Unidos.
A instituição responsável pelo processo de currículo do curso era a Associação 
Brasileira de Ensino e Serviço Social (ABESS). A partir de então, tem início uma 
certa padronização, e no currículomínimo constam o estudo de caso, grupo e 
comunidade. Daí, relacionadas à igreja católica, tiveram origem as escolas de 
trabalho e as protoformas da profissão. Para Iamamoto (1998, p.18), “o debate 
sobre a ‘questão social’ atravessa toda a sociedade e obriga o Estado, as frações 
dominantes e a Igreja a se posicionarem diante dela”. Assim, o seu surgimento 
corresponde à conjuntura vivenciada em nosso país naquele período, em razão 
da industrialização e das grandes mobilizações da classe operária, que crescia 
cada vez mais e em condições precárias de higiene, saúde e habitação, eviden-
ciando-se a questão social que tomava proporções imensas, voltando a atenção 
social do Estado às manifestações da classe operária que passava a reclamar seus 
direitos, melhores condições de vida e de trabalho. 
Entretanto, se de um lado se reconhece a existência dessa contrariedade do 
capital e trabalho, resultado da ordem liberal que estimula a competitividade 
excessiva, o proletariado é também responsabilizado por sua condição de vida 
precária.
39
As Protoformas do Serviço Social
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
O proletariado é visto como uma classe denominada “ignorante social”, de 
pouca e fraca formação moral, que somada à sua baixa condição financeira o 
deixa submisso aos capitalistas, e por sua deficiência individual, o impede de 
alcançar uma maior ascensão social.
Isso reflete o cenário em que a pobreza é naturalizada, passando por cima 
da contrariedade existente entre o modo de produção capitalista, causas e efei-
tos, que são invertidos e reinvertidos.
Seguindo esse raciocínio, os assistentes sociais observam a necessidade de 
intervir na crise de “formação moral, intelectual e social” da família, para que 
assim seja possível a obtenção de um padrão de vida que lhes ofereça o mínimo 
de qualidade. Para isso, faz-se necessário realizar um ajuste familiar por meio de 
uma ação educativa de longo prazo, para que tenha início a sua reeducação moral. 
 
 
 
 
 
 
©shutterstock
AS PROTOFORMAS E O SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
II
AS PRIMEIRAS ESCOLAS DE SERVIÇO SOCIAL NO 
BRASIL
As obras de caridade realizadas pela Igreja e por pessoas leigas possuem uma 
vasta tradição, remetendo aos primórdios do período colonial. A parca e a pés-
sima infraestrutura hospitalar e assistencial existentes até o período pós Império 
se justificam quase que unicamente à ação das ordens religiosas europeias que 
implementam e se disseminam pelo país.
A tentativa de intervenção na organização e controle da classe proletária 
também não é atual. Os Carlistas, ou Scalabrianos, se efetivam no Brasil logo 
depois das amplas ondas migratórias quem surgem na Itália, para atuar conjun-
tamente com seus patriotas. Estes se constituíram no principal contingente da 
Força de Trabalho que veio substituir o escravo nas vastas plantações e, conse-
quentemente, integrar o mercado de trabalho urbano.
A interação do clero no controle direto do operariado industrial remete à 
origem das primeiras grandes unidades industriais, nos fins do século passado. 
É viva a presença de religiosos no interior das referidas unidades, que na maio-
ria das vezes possuíam capelas próprias, onde cotidianamente os trabalhadores 
eram submetidos a participarem das missas e outras liturgias. Nas vilas operá-
rias, sua presença é constante. No âmbito sindical, com o apoio patronal, realizam 
41
As Primeiras Escolas de Serviço Social no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
iniciativas assistenciais e organizacionais objetivando opor-se ao sindicalismo 
independente de inspiração anarco-sindicalista. Na imprensa operária autônoma, 
são comuns as críticas à posição patronal e divisionista desses movimentos, cujos 
aderentes e mentores são ironicamente denominados de amarelos e urubus. 
Entretanto, o que se poderia interpretar como protoformas do Serviço Social, 
como é hoje considerado, tem seu fundamento nas obras e instituições que come-
çam a originar-se posteriormente, ao final da Primeira Guerra.
Marca esse momento, no contexto externo, a origem da primeira nação 
socialista e a efervescência do movimento popular operário em todo o conti-
nente Europeu. O Tratado de Versalhes busca estatuir a nível internacional uma 
política social inédita mais compreensiva no tocante à classe operária. É ainda 
o momento em que surgem e se intensificam na Europa as escolas de Serviço 
Social. No âmbito interno, como visto, os intensos movimentos operários de 1917 
a 1921 tornaram patente para a sociedade a existência da “questão social” e da 
necessidade em buscar soluções para resolvê-la, ou então, reduzi-la.
As instituições assistenciais que surgem a partir de então, por exemplo, 
a Associação das Senhoras Brasileiras (1920), no Rio de Janeiro, e a Liga das 
Senhoras Católicas (1923), em São Paulo, possuem uma diferenciação em função 
das atividades tradicionais voltadas à caridade. Desde os primórdios, consti-
tuem obras que envolvem de maneira mais direta e vasta os nomes das famílias 
e compõem a grande burguesia paulista e carioca, e, às vezes, militância de seus 
componentes femininos. Possuem um suporte de recursos e potencial de contra-
tos em termos de Estado que lhes permite o planejamento de obras assistenciais 
de maior envergadura e eficiência técnica.
A origem dessas instituições ocorre dentro da primeira etapa do movimento 
de “reação católica”, da apresentação do pensamento social da Igreja e da cons-
trução das bases organizacionais e doutrinárias do apostolado laico. Objetiva 
não o auxílio aos indigentes, mas, já dentro de uma perspectiva embrionária 
de assistência preventiva, de apostolado social, atender e atenuar determinadas 
consequências do desenvolvimento capitalista, especificamente no que se refere 
aos menores e mulheres. É nessa fase ainda que a inserção da mulher à Força 
de Trabalho urbana deixa de ser privilégio das famílias operárias, acometendo 
também as parcelas da pequena burguesia.
AS PROTOFORMAS E O SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
II
A criação, em 1922, da Confederação Católica objetiva a centralização polí-
tica e dinâmica dos primeiros embriões do apostolado laico.
As considerações dessas instituições e obras, e de sua centralização, a partir 
da cúpula da hierarquia, não podem ser subestimadas à compreensão da gênese 
do Serviço Social no Brasil. Se sua ação efetiva é extremamente restrita, se seu 
conteúdo é assistencial e paternalista, será mediante seu lento desenvolvimento 
que se criarão as bases materiais e organizacionais, e especificamente humanas, 
que a partir da década seguinte possibilitarão a expansão da Ação Social e a ori-
gem das primeiras escolas de Serviço Social. A Sra. Estela de Faro, por exemplo, 
designada como a grande pioneira do Serviço Social no Rio de Janeiro e figura 
preeminente da Ação Social na década de 1930, é, em 1922 – na qualidade de 
componente de confiança de dom Sebastião Leme –, a primeira coordenadora 
do ramo Feminino da Confederação Católica.
Será, entretanto, a partir do desenvolvimento do Movimento Laico que 
essas iniciativas embrionárias se propagara no compreendidas no interior da 
Ação Social Católica; tomarão aí sua marca característica de apostolado social. 
Dentre elas, se destacarão as instituições voltadas à organização da juventude 
católica para a ação social junto à classe operária e sua extensão a outros setores, 
por meio da Juventude Estudantil Católica, Juventude Independente Católica, 
Juventude Universitária Católica e Juventude Feminina Católica.
O componente humano e o fundamento organizacional que viabilizarãoa 
origem do Serviço Social se constituirão diante da mescla entre as antigas Obras 
Sociais, as quais se diferenciavam criticamente da caridade tradicional, e os novos 
movimentos de apostolado social, principalmente aqueles voltados à intervenção 
junto ao proletariado, ambos envolvidos no interior da estrutura do Movimento 
Laico, impulsionado e controlado pela hierarquia.
Os Scalabrianos tinham como lema uma passagem do evangelho de Ma-
theus “Eu era estrangeiro e me acolheste.” Matheus 25:35
©shutterstock
43
As Primeiras Escolas de Serviço Social no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
O CENTRO DE ESTUDOS E AÇÃO SOCIAL DE SÃO PAULO E A 
NECESSIDADE DE UMA FORMAÇÃO TÉCNICA ESPECIALIZADA PARA 
A PRESTAÇÃO DE ASSISTÊNCIA
O Centro de Estudos e Ação Social de São Paulo (CEAS), visto como manifesta-
ção original do Serviço Social em nosso país, aparece, em 1932, com o incentivo 
e sob o controle da hierarquia. Surge como condensação da necessidade sentida 
por setores da Ação Social e Ação Católica – principalmente da primeira – de 
tornarem-se cada vez mais concretas e acarretarem maior rendimento às ini-
ciativas e obras realizadas pela filantropia das classes dominantes paulistas sob 
patrocínio da Igreja e de dinamizar a mobilização do laicado.
Seu começo oficial será a partir do “Curso Intensivo de Formação Social 
para Moças”, realizado pelas Cônegas de Santo Agostinho, para o qual fora con-
vidada Mlle. Adèle Loneaux, pertencente à Escola Católica de Serviço Social 
de Bruxelas. Com o final do curso, será realizado um apelo para 
a organização de uma ação social objetivando o bem-estar da 
sociedade. As integrantes do curso, na demons-
tração do 1° relatório do CEAS, 
haviam participado no intuito 
de se orientar, esclarecer ideias, 
formar um julgamento acertado 
acerca dos problemas sociais da atu-
alidade. O grupo constituiu-se por 
jovens formadas em estabelecimentos 
religiosos de ensino, uma represen-
tativa demonstração feminina 
das famílias que compõem as 
diferentes frações das clas-
ses dominantes e setores 
abastados aliados. 
AS PROTOFORMAS E O SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
II
O objetivo central do CEAS “será o de realizar a formação de seus membros pelo 
estudo da doutrina social da Igreja e pautar sua ação nessa construção doutriná-
ria e no conhecimento aprofundado dos problemas sociais”, objetivando “tornar 
mais eficiente a realização das trabalhadoras sociais” e “adotar uma orientação 
definida em relação às questões a resolver, favorecendo a coordenação de esfor-
ços espalhados nas inúmeras atividades e obras de caráter social”. (Iamamoto, 
2007, p. 168).
Os registros existentes sobre essa compreensão demonstram que seu núcleo 
organizador partia da consciência de vivenciar uma fase de profundas mudan-
ças políticas e sociais e da necessidade de interferir nesse processo a partir de 
uma perspectiva ideológica e de uma prática homogênea:
As reuniões dessa comissão – de moças católicas que frequentaram o 
curso ministrado por Mlle. de Loneaux – foram o início das atividades 
do CEAS. Tinham se realizado as primeiras durante os meses de maio 
a junho quando a 9 de julho rebentou em São Paulo o movimento pela 
reconstitucionalização do país, que absorveu todas as energias e inicia-
tivas, dirigindo-se para o único fim da vitória de nossa causa (IAMA-
MOTO, 2007, p. 164).
Certamente, não foi hoje que a Paulista aprendeu a se interessar pelos 
destinos políticos de sua terra (...) Se largos anos de paz e prosperida-
de haviam adormecido o interesse feminino pela política do país, ele 
despertou nas horas de sofrimento de São Paulo. E foi em 1932 que a 
mulher resolveu retomar parte ativa e direta na luta que se está travan-
do pelos destinos de nosso Estado e do Brasil. Á causa que abraçou ela 
deu, na guerra, tudo o que podia dar: os seus entes mais caros, toda a 
sua dedicação e atividade, o seu ouro e as suas jóias. Na paz, ela aceitou 
o voto feminino, compreendeu o seu alcance e exerce-o a bem de seu 
ideal. A mulher paulista de hoje conhece o seu dever cívico e sabe cum-
pri-lo ‘para o bem de São Paulo’ (IAMAMOTO, 2007, p. 46).
E no campo da ação social? Também desse lado, largos e novos horizontes se 
abriram, em 1932, para a atividade feminina.
Surge de maneira tão explícita que a origem desse movimento não pode 
ser desvinculada da conjuntura particular de São Paulo, principalmente por-
que ocorre no momento em que as classes dominantes desse Estado se lançam 
no movimento surreal de 1932, buscando reaver o poder local e nacional do 
qual havia sido alijado dois anos antes. E, nessa vertente, se envolve dentro dos 
45
As Primeiras Escolas de Serviço Social no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
movimentos políticos e ideológicos do início da década de 1930, que possui 
como pano de fundo as tentativas de reunificação e a reação a que se lançam os 
antigos grupos dirigentes.
Existe também uma precisão referente ao sentido novo dessa ação social; 
tratar-se-à de intervir claramente junto ao proletariado para afastá-lo de influ-
ências subversivas.
Por que, então, não datar de 1932 uma nova era na atividade social feminina?
É que se até então a generosidade e o espírito cristão das Paulistas as 
impeliram a fundar obras de socorro e assistência para acudir um sem-
-número de males, foi apenas em 1932 que as moças residentes em São 
Paulo despertaram interesses pelo estudo metódico da questão social, 
através da ação nos meios operários nela abrangendo o problema do 
trabalho (IAMAMOTO, 2007, p. 48).
Logo no mês seguinte mons. Gastão Leberal Pinto, vigário-geral da ar-
quidiocese, que se achava a par de nossos projetos, aconselhou-nos a 
continuar nossos trabalhos, e a 29 de agosto realizávamos a reunião 
preliminar de fundação do Centro pela leitura do projeto dos estatutos. 
Nessa reunião resolvemos não nos limitar preliminarmente aos estu-
dos, como era nosso propósito, mas começar ao mesmo tempo nossa 
ação, aproveitando a oportunidade que nos ofereciam os serviços de 
assistência da retaguarda em que estávamos quase todas empenhadas, 
para entrar em contato com os meios operários, nesse momento anor-
mal muito trabalhado por elementos subversivos (...) (IAMAMOTO, 
2007, p. 45).
Até dezembro de 1932, o CEAS fundou quatro centros operários onde suas propa-
gandistas, por meio de aulas de tricô e trabalhos manuais, conferências, conselhos 
sobre higiene etc., procuraram interessar e atrair as operárias, e entrar, assim, em 
contato com as classes trabalhadoras, analisando os ambientes e necessidades.
Os referidos Centros ofertavam uma tríplice vantagem e seriam o ponto de 
partida para um desenvolvimento maior (IAMAMOTO; CARVALHO, 2007, 
p. 171):
1° - São campos de observação e de prática para a trabalhadora social, 
que aí completa e aplica os seus estudos teóricos.
2° - São Centros de educação familiar, onde se procura estimular nas 
jovens operárias o amor ao lar e prepará-las para o cumprimento de 
seus deveres nessa missão.
AS PROTOFORMAS E O SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
II
3° - São núcleos de formação de elites que irão depois agir na massa 
operária. Com esse intuito não somente cuidamos de estimular nessas 
jovens uma fé viva e esclarecida, o sentimento do exato cumprimen-
to do dever, como também despertar-lhes o espírito de apostolado da 
classe pela classe, com a noção das responsabilidades que lhe incum-
bem nesse terreno.
Os Centros Operários são idealizados como uma fase intermediária, e, segundo 
Iamamoto e Carvalho (2007), os organismos transitórios deveriam dar seu lugar 
a associações de classeque nossas elites operárias iriam formar e dirigir, assim 
que estivessem em condições.
Aceitando a idealização de sua classe sobre a vocação natural da mulher para 
as tarefas educativas e caridosas, essa interferência assumia, na opinião desses 
ativistas, a consciência do posto que cabe à mulher na preservação da ordem 
moral e social e o dever de tornarem-se aptas para agir de acordo com as suas 
convicções e suas responsabilidades. Incapazes de promover a ruptura com essas 
representações, o apostolado social possibilita àquelas mulheres, a partir da reti-
ficação daquelas qualidades, uma interação ativa no empreendimento político 
e ideológico de sua classe, e da defesa de seus interesses. De forma paralela, sua 
posição de classe lhes faculta um sentimento de superioridade e proteção em 
relação ao proletariado.
Não somente é justificável a ação feminina social como ainda é indis-
pensável (...). Não tem a mulher, na sociedade a missão de educar? Ima-
ginem a restauração da família sem a cooperação da mulher: a remode-
lação da mentalidade, de hábitos e de costumes que irão depois influir 
na economia e nas leis do país, tem de ser, toda ela, trabalho da mulher, 
em qualquer classe da sociedade (IAMAMOTO; RAUL, 2009, p. 172).
Mas por qual motivo uma associação que importa moças da sociedade se ocu-
paria com questões da classe operária?
Essa iniciativa é também legítima e é explicável: ela se baseia num sen-
timento profundo de justiça social e de caridade cristão, que leva aque-
las que dispõem de facilidade de tempo e de meios a auxiliar as clas-
ses sociais mais fracas a formar as suas elites, para que estas também 
possam cumprir eficientemente seu dever. Elas mostram a essas elites 
como deverão se organizar para defender a Família e a Classe Operária 
contra os ambiciosos e os agitadores que exploram seu trabalho ou a 
sua ignorância (IAMAMOTO; CARVALHO, 1982, 177).
©shutterstock
47
As Primeiras Escolas de Serviço Social no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
As atividades dos CEAS se orientarão para a construção técnica especializada de 
quadros para a ação social e a propagação da doutrina social da Igreja. Ao admi-
tir essa orientação, passa a se comportar como dinamizador do apostolado laico 
por meio da organização de associações para moças católicas e para a interven-
ção direta juntamente ao proletariado. Esta última globalizará, teoricamente, 
as demais, na proporção em que se destinam ao mesmo fim. São promovidos 
inúmeros cursos de filosofia, moral, legislação do trabalho, doutrina social, enfer-
magem de emergência etc. 
O ano de 1933 caracteriza uma intensificação dessas atividades: interação na 
Liga Eleitoral Católica por meio de campanhas de alistamento de eleitores e pro-
selitismo, realização da Primeira Semana de Ação Católica, começo da formação 
de quadros da Juventude Feminina Católica constituída mediante aos Centros 
Operários e Círculos de formação para Moças, delegação pela hierarquia da 
representação da Juventude Feminina Católica etc. No ano de 1936, diante dos 
esforços desenvolvidos por esse grupo e o auxílio da hierarquia, é criada a Escola 
de Serviço Social de São Paulo, a primeira desse gênero a existir em nosso país.
AS PROTOFORMAS E O SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
II
Partindo desse momento, é possível notar que paralelamente à busca inicial por 
quadros habilitados por essa formação técnica especializada, criada da própria 
ação social católica, começa a surgir outro tipo de procura, partindo de certas 
instituições do Estado. Elas serão enxergadas pelos integrantes desse movimento 
enquanto conquistas significativas. Com a demonstração de um memorial ao 
Governo do Estado, obteve (o CEAS) a criação de cargos de fiscais femininos 
para o trabalho de mulheres e menores, no Departamento Estadual do Trabalho. 
No ano de 1937, o CEAS trabalha no Serviço de Proteção aos Imigrantes, 
funcionando dois anos juntamente com a Diretoria de Terras, Colonização e 
Imigração; no ano de 1939, assina o contrato com o Departamento de Serviço 
Social de Estado (SP) para a organização de três Centros Familiares em bair-
ros populares.
No ano de 1935, fora criada a Lei n° 2.497, de 24.12.1935. À referida lei 
competiria:
a. superintender todo o serviço de assistência e proteção social;
b. celebrar, para realizar seu programa, acordos com instituições particula-
res de caridade, assistência e ensino profissional;
c. harmonizar a ação social do Estado, articulando-a com a dos particulares; 
d. distribuir subvenções e matricular as instituições particulares realizando 
seu cadastramento.
Caberia ainda a estruturação de Serviços Sociais de Menores, Desvalidos, 
Trabalhadores e Egressos de Reformatórios, penitenciárias e hospitais e da 
Consultoria Jurídica do Serviço Social. A maior parte dos artigos da mencio-
nada lei dedica-se à assistência do menor e aos requisitos essenciais para a sua 
qualidade de vida.
©
sh
ut
te
rs
to
ck
49
As Primeiras Escolas de Serviço Social no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
No ano de 1938, será organizada a Seção de Assistência Social, tendo como 
objetivo realizar o conjunto de funções necessárias ao reajustamento de certos 
indivíduos ou grupos às condições normais de vida, e organiza para isso o Serviço 
Social dos Casos Individuais, a Orientação Técnica das Obras Sociais, o Setor de 
Investigação e Estatística e o Fichário Central de Obras e Necessitados. A meto-
dologia central a ser aplicada é definida como sendo o Serviço Social de Casos 
Individuais, devendo-se estimular o necessitado, interagindo-o ativamente em 
todos os projetos relacionados com seu tratamento, e usar todos os componentes 
do meio social que possam de alguma forma influenciá-lo no sentido desejado, 
auxiliando sua readaptação, proporcionando uma ajuda material diminuindo ao 
mínimo indispensável com a finalidade de não prejudicar o tratamento.
Ainda nesse mesmo período, o Departamento sofre uma transformação de 
siglas, passando a chamar-se Departamento de Serviço Social.
O Estado perpassa o marco de sua primeira área de intervenção para superin-
tender a gestão da assistência social. Assim, procurará racionalizar a assistência, 
fortalecendo e enfatizando sua participação própria e controlando as iniciati-
vas particulares. Estas tenderão a se tornar ainda mais dependentes e destinadas 
para a busca de serviços por parte do Estado, por meio de convênios etc. De 
forma paralela, figuras de importância, saídas das instituições particulares, serão 
AS PROTOFORMAS E O SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
II
cooptadas para constituir os quadros técnicos e Conselhos Consultivos das ins-
tituições estatais de coordenação e execução. 
O governo buscará, portanto, subordinar a seu programa de ação as inicia-
tivas particulares no mesmo modo que adota as técnicas e a formação técnica 
especializada desenvolvida a partir daquelas instituições de caráter particular. 
Dessa maneira, a busca por essa formação técnica especializada, crescentemente, 
encontrará no Estado seu setor mais dinâmico, ao mesmo tempo em que passará 
a regulamentá-la e incentivá-la, institucionalizando sua progressiva mudança 
em profissão legitimada no interior da fragmentação social-técnica do trabalho.
Nessa vertente, quando em 1936 é criada pelo CEAS a primeira Escola de 
Serviço Social, esta não pode ser considerada como resultado de uma iniciativa 
exclusiva do Movimento Católico Laico, uma vez que já se faz presente uma 
procura – real ou potencial – a partir do Estado, que assimilará a formação dou-
trinária própria do apostolado social.A profunda relação entre essa Escola e a do CEAS com o movimento católico 
laico, como demonstra vastamente Arlette Alves de Lima, não deve obscure-
cer o fato de que desde aquele momento existe uma busca a partir do Estado, o 
que inclusive é explicitado de forma precisa pelos Assistentes Sociais. Podemos 
observar abaixo:
Apesar das representações que muitas vezes fazem desse fato, sem que 
tivéssemos feito propaganda, pois receávamos que a publicidade trou-
xesse prejuízos à seriedade do nosso trabalho, as alunas que compu-
nham a primeira turma foram convidadas a trabalhar no Departamen-
to de Serviço Social como pesquisadoras sociais ou como comissárias 
de menores a partir do segundo ano de funcionamento da Escola. A 
eficiência do trabalho por elas realizado fez com que se estabelecesse 
a praxe de se pedir à Escola de Serviço Social a indicação de nomes 
para o preenchimento de determinados cargos, e hoje já temos alguns 
dispositivos legais que dão preferência às pessoas que tiverem curso 
completo em escola de serviço social para o desempenho de funções 
nos serviços sociais públicos (IAMAMOTO; CARVALHO, 1996, p. 
180-181).
Como forma de fazer propaganda a respeito das possibilidades da carreira para 
os discentes da Escola de Serviço Social em 1944, mostrar-nos-á que a concepção 
moderna de Estado cria, a cada passo, iniciativas oficiais no terreno social, e daí 
©shutterstock
51
As Primeiras Escolas de Serviço Social no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
a ampliação do campo de ação da Assistente Social junto aos poderes públicos. 
Também, as instituições particulares já estão recorrendo aos métodos modernos 
de ação. Se no início a Escola de Serviço Social atraiu principalmente a atenção 
dos órgãos públicos, hoje está tomando posição de destaque perante as institui-
ções particulares. 
Inúmeros são os pedidos de Assistentes, mas não tem sido possível correspon-
der a todos, por falta de número suficiente de habilitados nas diversas funções. 
Sobejam motivos para afirmar que a carreira de Assistente Social tomará, tam-
bém no Brasil, o desenvolvimento que tem sido em outros países.
A adequação dessa construção técnica especializada à busca pode ser obser-
vada, também, por meio das transformações de orientação pelas quais passam 
as escolas especializadas.
A Escola de Serviço Social passará por rápidas fases de adequação. A primeira 
ocorre a partir do convênio estabelecido entre o CEAS e o Departamento de 
Serviço Social do Estado, em 1939, para a organização de Centros Familiares. Essa 
busca terá por reflexo a introdução no currículo da Escola de um Curso Intensivo 
de Formação Familiar: pedagogia do ensino popular e trabalhos domésticos. A 
AS PROTOFORMAS E O SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
II
segunda ocorrerá, posteriormente, para atender à demanda das prefeituras no 
interior do Estado.
O instituto de Serviço Social (SP), que se origina em 1940 como divisão 
da Escola de Serviço Social, tendo o patrocínio da JUC, destinava-se à forma-
ção de trabalhadores sociais especializados para o Serviço Social do Trabalho. 
Entretanto, um fato de interesse superior veio imprimir novo rumo ao nosso 
ensino: a instituição de bolsas de estudo, pelas administrações municipais do 
interior, concedidas a moços que quisessem matricular-se no ISS, assumindo 
o compromisso de irem prestar seus serviços profissionais junto às respectivas 
prefeituras de origem. Renunciando a intenção de encarecer o trabalho, nada 
fez o Instituto a não ser procurar amoldar-se aos imperativos do meio, pois 
uma escola de serviço social, mais do que qualquer outra agência social, deve 
esforçar-se para atender ao que é mais urgente, a fim de proporcionar ao meio 
ambiente os recursos técnicos indispensáveis aos empreendimentos mais insis-
tentemente reclamados.
Ainda no tocante à questão da busca, caberia notar dois aspectos: a consi-
deração quantitativa de alunos bolsistas e dos cursos intensivos de formação de 
auxiliares sociais. Quanto ao primeiro, os Relatórios anuais da Escola de Serviço 
Social (SP) apresentam que, a partir de 1941 e durante longo período de tempo, 
o percentual de bolsistas raramente é inferior a 30%, chegando a concomitante-
mente se constituir em maioria. Os principais patrocinadores dessas bolsas serão 
o Estado e as grandes instituições estatais ou paraestatais, como as prefeituras. 
No âmbito particular, sobressaem as Escolas de Serviço Social, que começam a 
aparecer nos outros Estados, e diminuem o número de obras particulares e esta-
belecimentos comerciais e industriais. 
Quanto à formação de auxiliares sociais, esta reside em notável atividade das 
escolas desde a origem das grandes instituições, efetivando-se seja na sede das 
mesmas, seja nos Estados, onde inexistem escolas especializadas.
Ao assinalar a questão da busca, não se objetiva subestimar, por exemplo, 
o destaque do trabalho que desenvolvem as pioneiras do Serviço Social na pro-
pagação e institucionalização da profissão, atuando no sentido de incentivar 
e concretizar a procura por seus serviços. Cabe situar, entretanto, que acon-
tece um processo de mercantilização dos portadores daquela formação técnica 
53
Conservadorismo Religioso e Bases Teórico-Metodológicas
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
especializada, que se traduz em sua modificação, em força de trabalho, que 
pode ser comprada. Essa alienação se dá ao mesmo momento em que ocorre 
uma “purificação” do portador da qualificação, realizando as escolas uma fun-
ção imprescindível para a viabilidade desse processo.
O portador dessa qualificação não mais necessariamente será uma moça da 
sociedade devotada ao apostolado social. Continuadamente se transformará em 
um elemento da Força de Trabalho, possuindo uma determinada qualificação, 
englobada na divisão social – técnica do trabalho.
Esse mesmo processo não importa, entretanto, em regra, a eliminação do 
conteúdo doutrinário da formação acadêmica do Assistente social. Esse conte-
údo não se constitui em entrave à sua assimilação pelo Estado e empresas. Por 
oposto, essa formação é funcional às suas necessidades. Isso só é real, porém, 
a partir de uma visão histórica dos tipos de instituições que vão se originando, 
do momento em que optam por incorporar o Serviço Social e das modificações 
paulatinas que a formação técnica especializada demonstra nesse mesmo perí-
odo, como se procurará situar posteriormente.
CONSERVADORISMO RELIGIOSO E BASES TEÓRICO-
METODOLÓGICAS
Como profissão contida na fragmentação do trabalho, o Serviço Social aparece 
como parte de um movimento social mais abrangente, de fundamentos confes-
sionais, ligado à necessidade de formação doutrinária e social do laicato, para 
uma influência mais contundente da Igreja Católica no mundo temporal, nos 
primórdios da década de 30.
Tentando recuperar áreas de influência de privilégios perdidos, em face da 
constante secularização da sociedade e dos conflitos presentes na relação entre 
Igreja e Estado, a Igreja procura superar a postura contemplativa. Opõe-se aos 
princípios liberais e ao comunismo, que surgem como uma ameaça à sua posi-
ção no meio social.
©shutterstock
AS PROTOFORMAS E O SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
II
A igreja busca ainda a legitimação jurídica de suas áreas de influência no inte-
rior do aparato estatal. Mediante as intensas mobilizações da classe operária nas 
duas primeiras décadas do século, a discussão sobre a “questão social” atravessa 
toda a sociedade e obriga o Estado, as frações dominantes e a Igreja a se posi-
cionarem diante dela. 
A Igreja interpreta a questãosocial segundo os preceitos acordados nas encí-
clicas papais, particularmente a Rerum Novarum e Quadragésimo Anno, fonte 
inspiradora das posições e programas realizados frente aos conflitos sociais. A 
igreja analisa a questão social enquanto uma questão moral e religiosa.
Rerum Novarum é uma encíclica escrita pelo Papa Leão XIII em 15 de Maio 
de 1891. Era uma carta aberta a todos os bispos, na qual se debatia as con-
dições das classes trabalhadoras. Leão XIII apoiava o direito dos trabalhado-
res formarem sindicatos, mas rejeitava o socialismo e defendia os direitos à 
propriedade privada. Discutia as relações entre o governo, os negócios, o 
trabalho e a Igreja, propondo uma estrutura social e econômica que mais 
tarde se chamaria corporativismo.
Entre no link abaixo e leia a carta na íntegra:
<http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-
-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html>.
55
Conservadorismo Religioso e Bases Teórico-Metodológicas
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
A intervenção estatal na “questão social” é verdadeira, uma vez que o Estado deve 
provir o bem de todos. Entretanto, o Estado não pode negar a independência da 
sociedade civil. Existem grupos sociais “naturais”, ou seja, organismos autôno-
mos que restringem a ação dominadora do Estado. Cabe à Igreja partilhar com 
este a atuação frente à “questão social” por meio de grupos sociais básicos, par-
ticularmente a família.
Corporificando esses princípios, o Serviço Social emerge da iniciativa de 
grupos e frações de classes dominantes que se mostram por meio da Igreja. A 
profissão não se caracteriza somente como uma forma inédita de realizar a cari-
dade, mas também como uma maneira de interferir ideologicamente na vida da 
classe trabalhadora, como fundamento na atividade assistencial: suas consequ-
ências são essencialmente políticas.
Difere-se ainda da assistência pública, que desconhecendo a singularidade 
e particularidade dos sujeitos, apresenta respostas não diferenciadas aos proble-
mas da sociedade. Exercído por meio de entidades filantrópicas particulares e do 
Estado, o Serviço Social norteia-se para uma individualização de proteção legal.
O Serviço Social se compromete, ainda, como uma ação organizativa entre 
a população trabalhadora, no interior do programa de militância católica, opon-
do-se às iniciativas decorrentes de lideranças operárias que não aderem ao 
associativismo católico. Dessa maneira, o associativismo surge como uma ati-
vidade com fundamentos mais doutrinários do que científicos, no bojo de um 
movimento de caráter reformista-conservador. O processo de secularização e de 
ampliação e amplificação da base técnica – científica da profissão – que ocorre 
com o desenvolvimento das escolas especializadas no ensino de serviço social – 
acontece sob interferência dos progressos alcançados pelas ciências sociais nos 
ápices do pensamento conservador.
Para justificar essas afirmativas, é necessário retornar a algumas caracterís-
ticas do pensamento conservador e sua influência na compreensão sociológica. 
O conservadorismo contemporâneo, que apresenta uma forma específica de 
pensamento e experiência prática, é resultado de uma situação histórico-social 
particular: a sociedade de classes em que a burguesia surge como personagem 
principal do mundo capitalista.
AS PROTOFORMAS E O SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
II
Por meio desses mecanismos, o pensamento conservador deixa de se opor 
ao capitalismo, aquele conflito referido, entre noções e ideias pretéritas, mas 
intencional e racionalmente ressuscitadas como ideologicamente válidas para 
responder às necessidades de explicação da própria sociedade capitalista.
O conservadorismo não é interpretado apenas como a continuidade de per-
severança no tempo de um conjunto de ideias constitutivas da herança intelectual 
europeia do século XIX, mas sim, de ideias que, reinterpretadas, transformam-
se em uma ótica de explicação e em projetos de ação positivos à manutenção da 
ordem capitalista.
Ele reage, assim, aos princípios universais e abstratos referentes ao pensa-
mento dedutivo: seu pensamento tende à adesão aos contornos imediatos da 
situação com que se afronta, considerando os detalhes, as informações qualita-
tivas, os casos específicos, em face do apoderamento da estrutura social.
57
Considerações Finais
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com o fim de nossa unidade, caro(a) aluno(a), podemos observar que o Serviço 
Social origina-se e desenvolve-se na órbita de um universo teórico. Perpassa da 
influência do pensamento conservador europeu para a sociologia conservadora 
norte-americana, a partir da década de 40.
A compreensão do percurso histórico do Serviço Social em nosso país remete 
à predominância de um comportamento basicamente conservador. Percebe-se 
que ao final da década de 50 e começo da década seguinte é que se fazem pre-
sentes as primeiras manifestações, no meio profissional, de posicionamentos 
questionadores a respeito do status quo e contestações a respeito das práticas 
institucionais em vigência. Essas indagações originam uma conjuntura marcada 
por uma situação de crise e de profunda efervescência, no quadro do colapso 
dos populismos e de uma reorientação estratégica do imperialismo em relação 
às sociedades autônomas.
No âmbito político interno, essas manifestações coincidem com a constante 
radicalização política que marca a fase final do pacto populista e que apresenta 
como desfecho uma expressiva transformação desse pacto, ou seja, uma modi-
ficação na correlação existente entre as forças com o golpe de 1964.
O rompimento com a herança conservadora se apresenta como uma busca, 
uma luta para alcançar novos fundamentos de legitimidade da ação profissio-
nal do assistente social que, enxergando as contrariedades sociais existentes nas 
condições do exercício da profissão, procura colocar-se, efetivamente, à dispo-
sição das necessidades dos usuários, ou seja, setores dominados da sociedade.
Compreendido em uma dimensão processual, esse rompimento tem como 
pré- condição que o assistente social aprofunde o entendimento das implica-
ções políticas de seu exercício profissional, reconhecendo como polarizado pela 
luta de classes. 
1. Explique em qual contexto histórico se deu o surgimento do Serviço Social.
2. Relacione as primeiras escolas de Serviço Social no Brasil.
3. Qual é relação da gênese do Serviço Social com a Igreja católica?
4. Qual é o fundamento para implantação do Serviço Social no Brasil nas décadas 
de 1920 e 1930?
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Relações Sociais e Serviço Social no Brasil
Marilda Vilela Iamamoto e Raul de Carvalho
Editora: Cortez
Sinopse: Trata-se de trabalho indispensável, pelos aspectos 
históricos e teóricos examinados. As atividades das instituições 
e dos profissionais do Serviço Social revelam novos e 
surpreendentes aspectos das relações sociais. Sob vários ângulos, 
este livro é importante para o conhecimento da teoria e prática 
do Serviço Social.
U
N
ID
A
D
E III
Professora Me. Aline Cristtine Marroco França Bertti
Professora Me. Maria Cristina Araújo de Brito Cunha
A INSTITUCIONALIZAÇÃO 
DO SERVIÇO SOCIAL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Apresentar a influência do Serviço Social de Caso Grupo e 
Comunidade.
 ■ Conceituar positivismo.
 ■ Refletir sobre a influência do funcionalismo na profissão.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ A influência do Serviço Social de Caso, Grupo e Comunidade
 ■ Positivismo e funcionalismo na profissão
 ■ Introdução do Funcionalismo no Serviço Social
INTRODUÇÃO
Caro(a)aluno(a), em seu processo histórico, o Serviço Social não pode ser visto 
separadamente do contexto socioeconômico em que se insere. Desta maneira, 
para o conteúdo desta nossa unidade, analisaremos algumas características essen-
ciais para nosso processo de formação profissional, que é o Serviço Social de caso, 
grupo e comunidade e as influências positivistas e funcionalistas na profissão.
A proposta desta Unidade de estudo é identificar de que forma o Serviço 
Social se insere no modo de produção e reprodução das relações sociais no sis-
tema capitalista, e, ao mesmo tempo, avaliar as mudanças que vão ocorrendo 
na ação profissional, motivadas pelas necessidades de atendimento às deman-
das sociais que surgem a todo instante. 
O Serviço Social Brasileiro sofre a influência norte-americana devido ao 
modelo econômico, principalmente na era desenvolvimentista. Nesse período, 
de intenso processo de industrialização, são requeridos dos profissionais novas 
formas de atendimento à população de massa, e, ao mesmo tempo, se promo-
vem novas práticas e são introduzidos novos conceitos metodológicos.
Nesta Unidade, entre os conteúdos abordados se destaca o desenvolvimento 
de comunidade, método bastante explorado pelos assistentes sociais que possui 
conotação ideológica e política a favor do Estado onde se justifica a ação pro-
fissional. Dessa maneira, atende aos interesses da classe dominante em prol do 
progresso e do ajustamento social. 
Vamos lá?
63
Introdução
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
©shutterstock
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
III
A INFLUÊNCIA DO SERVIÇO SOCIAL DE CASO, GRUPO 
E COMUNIDADE
As décadas de 1940 a 1950 foram marcadas pelo tecnicismo e pela influência 
norte-americana, como também pelos métodos de caso, grupo e comunidade, 
que orientaram o Serviço Social à busca da integração do homem ao meio social. 
De acordo com Richmond (1915 apud VIEIRA, 1978, p. 44), “o Serviço 
Social de Caso é o processo que desenvolve a personalidade através de um ajus-
tamento consciente, indivíduo por indivíduo, entre os homens e seu ambiente”. 
Essa teoria visava à personalidade do indivíduo, buscando mudá-lo, com 
adequações nas atividades e comportamento, ou seja, por meio de ajuda psicos-
social, e, assim, adaptá-lo ao meio social.
Já o Serviço Social de Grupo era definido como um método que ajuda os 
indivíduos a aumentarem o seu funcionamento social, através de objetivas expe-
riências de grupo, e a enfrentarem, de modo mais eficaz, os seus problemas 
pessoais, de grupo ou de comunidade. 
[...] uma prática que visa minorar o sofrimento e melhorar o funcio-
namento pessoal e social de seus membros, através de específica e con-
trolada intervenção de grupo, com a ajuda de um profissional (KO-
NOPKA, 1979, p. 33).
©shutterstock
65
A Influência do Serviço Social de Caso, Grupo e Comunidade
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
O Serviço social de comunidade, também denominado como Desenvolvimento 
de Comunidade, aborda as semelhanças dos métodos de caso, e de grupo, obje-
tivando o ajuste social do indivíduo, realizando um trabalho assistencial, que, 
segundo a Conferência Internacional de Serviço Social (1962 apud VIEIRA, 
1978, p. 252), é 
[...] um esforço consciente e deliberado para ajudar as comunidades 
a reconhecerem suas necessidades e a assumirem responsabilidade na 
solução de seus problemas pelo fortalecimento de sua capacidade em 
participar integralmente na vida da nação.
De acordo com o exposto, caro(a) aluno(a), 
podemos concluir que o Serviço Social se orga-
nizou da seguinte maneira:
1) O Serviço Social de Caso: utiliza-se da 
abordagem individual, tendo como comunidade 
a família, com o objetivo de atuar nos fatores 
causais ou problemas em potencial interligados 
à saúde, no contexto sócio-econômico-cultu-
ral e emocional. Utiliza abordagem individual 
como instrumento de identificação de situa-
ções sociais e problemas comuns à população, 
para planejamento posterior de atividades gru-
pais e programas específicos.
2) O Serviço Social de Grupo: utiliza-se da abordagem grupal nas situações 
sociais de problemas identificadas em número significativo de clientes. Participa 
e organiza grupos para a participação no processo social.
3) O Serviço Social de Comunidade: mantém o entrosamento das insti-
tuições da área, visando ao conhecimento das necessidades comunitárias e 
estabelecendo atividades conjuntas para o aproveitamento total e dinâmico dos 
recursos existentes.
Marilda Villela Iamamoto (2004) diz que para compreender a metodologia 
do Serviço Social, não se deve percebê-la de modo separada da sociedade, pois 
ela diz respeito ao modo de ler, de interpretar, de se relacionar com a realidade 
Social. Isso explica a atenção que o Serviço Social deu em relação à formação 
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
III
profissional para atuar nas instituições remodeladas do regime militar.
Em síntese, para garantir a prosperidade, o progresso social, como também 
preservar o mundo livre de ideologias americanas não democráticas, foi lançado 
o Desenvolvimento de Comunidade como estratégia. 
Nos anos 40 e 50, o Serviço Social brasileiro recebe influência norte-ame-
ricana. É marcado pelo tecnicismo, bebe na fonte da psicanálise, bem como da 
sociologia de base positivista e funcionalista. Sua ênfase está na ideia de ajusta-
mento e de ajuda psicossocial. 
Nesse período, há o início das práticas de Organização e Desenvolvimento 
de Comunidade, além do desenvolvimento das peculiares abordagens indivi-
duais e grupais. 
Com supervalorização da técnica, considerada autônoma, como um fim em 
si mesmo, e com base na defesa da neutralidade científica, a profissão se desen-
volve por meio do “Serviço Social de Caso”, “Serviço Social de Grupo” e “Serviço 
Social de Comunidade”. 
Pode ser definido como a arte de ajudar as pessoas a ajudarem-se a si mes-
mas, cooperando com elas, a fim de beneficiá-las e, ao mesmo tempo, à sociedade 
em geral.
Outra definição ressalta que o problema é essencialmente do cliente e que, 
portanto, ele está envolvido ativa e responsavelmente na sua solução.
Serviço Social de Grupo: 
É um método do Serviço Social que auxilia os indivíduos a melhorar-se 
no seu funcionamento social através de específicas experiências de gru-
pos e a se defrontar mais eficientemente com seus problemas pessoais, 
do seu grupo e da sua comunidade (KONOPKA, 1979, 45).
Serviço Social de Comunidade: Penetrou no Brasil em decorrência do movi-
mento provocado por organizações internacionais e de uma política nacional 
– ambos interessados na expansão do sistema capitalista e na modernização do 
meio rural – sendo a bandeira da educação de adultos, desfraldada como grande 
estratégia para tais propósitos.
67
A Influência do Serviço Social de Caso, Grupo e Comunidade
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
A preocupação do Serviço Social brasileiro com o Desenvolvimento de 
Comunidade atrela-se a um movimento de âmbito internacional, deflagrado 
oficialmente pelas Nações Unidas e referendado por inúmeros organismos inte-
ressados na expansão da ideologia e do modo de produção capitalista.
Reproduzindo as características americanas da Organização Social da 
Comunidade, o Serviço Social brasileiro centra sua estratégia na obra social, 
concebida esta como uma estrutura através da qual um grupo de indivíduos 
procura, sem idéia de remuneração ou lucro, solucionar e prevenir problemas, 
educar indivíduos e grupos e promover o bem-estarda comunidade. 
A conceitualização sobre organização de comunidade revela uma perspectiva 
profundamente funcionalista no trato da questão social e o seu desenvolvimento.
A identificação das necessidades e a alocação de recursos reduzem a ques-
tão social a problemas técnicos, construindo, a partir deles, uma fórmula central 
que contempla múltiplas variantes de intervenção profissional.
De acordo com Ander Egg (1965), consideramos o desenvolvimento de 
Comunidade como parte integrante do conceito mais amplo, mais geral e com-
pleto de desenvolvimento, e o entendemos como método e técnica que contribui 
positiva, real e efetivamente ao processo de desenvolvimento integral e harmô-
nico, respondendo fundamentalmente a certos aspectos extra-econômicos, em 
particular psicossociais, que intervêm na promoção de atitudes, aspirações e 
desejos para o desenvolvimento.
“Devemos educar os adultos para que o país possa ser mais coeso e mais 
solidário” (Lourenço Filho, Ministro da Educação).
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
III
Na leitura de Rubén Utria, no Saiba Mais, vimos sobre os propósitos do desen-
volvimento comunitário em que estão implícitos os seguintes pressupostos:
- Que a participação popular é fator-chave para a aceleração do desen-
volvimento.
- Que existem sistemas e métodos capazes de motivar na população ati-
tudes favoráveis ao progresso econômico e social.
- Que o Desenvolvimento de Comunidade é um dos ensaios de solução 
mais fecundos para enfrentar o subdesenvolvimento.
- Que esses fatores são positivamente conjugáveis na escala em que se 
estabeleça uma associação entre a comunidade e o governo.
- Que o “governo” busca a superação do subdesenvolvimento.
A comunidade deve, segundo esta concepção, chegar ao convencimento de que 
os instrumentos para o seu desenvolvimento residem nela e, por conseguinte, 
que as razões do seu atraso também se explicam a partir dela mesma.
Os Assistentes Sociais foram integrados aos planos de desenvolvimento 
comunitário, já que se considerava que neste campo a sua intervenção seria de 
grande valia.
O Serviço Social experimentou uma etapa de revalorização, que lhe atri-
buiu novas responsabilidades e lhe conferiu uma posição melhor no interior das 
Os propósitos do desenvolvimento comunitário foram esclarecidos por Ru-
bén Utria nos seguintes termos:
“Na busca de tratamento para o fator-chave da participação popular na ace-
leração do desenvolvimento e diante da necessidade de contar com siste-
mas e métodos que possam promover, entre a população, atitudes motiva-
ções e imagens favoráveis ao progresso econômico e social, formularam-se 
vários princípios e doutrinas e ensaiaram-se diversas soluções”.
Veja na íntegra, em: <http://periodicos.franca.unesp.br/index.php/SSR/arti-
cle/viewFile/13/78>.
69
Positivismo na Profissão
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
administrações públicas, que também viviam um processo de modernização.
Com a hegemonia do desenvolvimentismo no Serviço Social, revitalizaram-
se também diversas colocações de reforma social, feitas nos primeiros anos da 
profissão por setores empenhados em uma “humanização” do capitalismo em 
suas mais variadas facetas.
POSITIVISMO NA PROFISSÃO
A principal influência do Positivismo nas Ciências Sociais foram ações que 
permitiram compreender a realidade, estimulando a adequação da linguagem, 
modificando atributos e qualidades do objeto de investigação. 
August Comte (1798-1857) e Saint Simon (1760-1825), fundadores do posi-
tivismo, concentraram suas reflexões sobre a natureza e as consequências da 
Revolução Industrial, propondo racionalizar a nova ordem social e encontrar 
soluções para os problemas, a partir do restabelecimento da ordem e da paz. 
Preconizavam a defesa de ideias segundo as quais os fenômenos sociais, 
assim como os físicos, estavam sujeitos a leis rigorosas. Assim, o positivismo foi 
a primeira corrente teórica a organizar e sistematizar princípios sobre as relações 
humanas em sociedade, na tentativa de explicá-las cientificamente. 
August Comte e Saint Simon caracterizaram o objeto, os métodos e os pro-
blemas fundamentais das ciências sociais, e por meio do Positivismo nasce a 
Sociologia, cujo objeto é a humanidade, estabelecendo a ordem, o consenso, a 
autoridade, a família e a hierarquia social, como instituições importantes para a 
integração e a coesão da vida social. 
De acordo com Martinelli (2000), esses pensadores defendiam a tese de que 
as ciências sociais, para serem consideradas como ciência, deveriam utilizar os 
mesmos métodos das ciências naturais, tais como: a observação, a comparação e 
a experimentação, identificando suas leis para promover o progresso e o desen-
volvimento social.
A maioria das ideias desenvolvidas por August Comte tem se disseminado 
©shutterstock
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
III
até a atualidade. Seu pensamento é influenciado pelas ideias progressistas e 
revolucionarias dos iluministas e, por outro lado, pelas ideias dos conserva-
dores. Comte acreditava que, no futuro, as sociedades seriam “orgânicas”, com 
suas partes perfeitamente integradas e sem conflitos, comandadas por uma elite 
técnico-científica. 
Para o cientista, com a nova sociedade moderna e industrial, poderia surgir 
a possibilidade de aumentar a produção de mercadorias e de satisfazer às neces-
sidades humanas, o que levaria à diminuição dos conflitos sociais. 
Nesse contexto, dava-se a entender que cabia à ciência a missão de ajudar 
a manter coesa a sociedade, substituindo o papel que a religião e os cientistas 
desempenhariam. 
A função que o clero exercia anteriormente, ao defender verdades aceitas 
por todos, foi aceita como as primeiras orientações que conduziram o serviço 
social para sua elaboração de uma visão de mundo.
Conforme a análise das formas 
de ação social de Max Weber (1864-
1920), a divisão entre meios racionais 
e fins irracionais é de grande relevân-
cia para o Serviço Social.
O Serviço Social surgiu influen-
ciado pelo pensamento da Igreja 
Católica, tendo um posicionamento 
humanista e conservador. A par-
tir de 1945, o Serviço Social adota 
o modelo funcional estabelecido 
pelos Estados Unidos, afastando-se 
do doutrinarismo da Igreja Católica, 
introduzindo uma visão científica, a 
noção de dignidade da pessoa humana; sua perfeição, sua capacidade de desen-
volver potencialidades; a sociabilidade natural do homem, como um ser social 
e político; a compreensão da sociedade como união dos homens para realizar o 
bem e a necessidade da autoridade para cuidar da justiça geral. 
71
Positivismo na Profissão
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
Nesta égide, Quiroga (1991, p. 48-49) afirma que “o entendimento da socie-
dade regida por leis naturais, imutáveis, que necessitam ser descobertas através 
de observações e contemplações positivas”.
Portanto, as ciências sociais e a sociologia buscam explicar os fatos passíveis 
de serem observados à nossa volta e seguem os mesmos objetivos das ciências 
naturais. Esses objetivos não são apenas tipos de conhecimentos transformáveis 
em técnicas que possibilitam alguns tipos de transformação e controle da socie-
dade, mas são também um meio de possível aperfeiçoamento com o espírito. Na 
medida em que as ciências sociais podem auxiliar as pessoas de algum modo, 
compreenderem mais claramente o comportamento dos outros, nos grupos aos 
quais pertencem e na sociedade como um todo.
Para Quiroga (2000, p. 49), “o positivismo é, sucintamente, a observação 
daquilo que é concreto, correspondente à realidade externa, explicitando as rela-
ções entre essesfenômenos”. 
O Serviço Social, na sua prática, deve estudar, compreender e observar, com 
bases teóricas, a vida humana: a família, as relações de poder, a religião, a cul-
tura, a saúde e outras esferas diferentes da realidade social.
Neste sentido, o positivismo, sem dúvida, representa, especialmente 
por meio de suas formas neopositivistas, como o positivismo lógico 
e a denominada filosofia analítica, uma corrente do pensamento que 
alcançou, de maneira singular na lógica formal e na metodologia da 
ciência, avanços muito meritórios para o desenvolvimento do conheci-
mento (TRIVIÑOS, 1987, p. 41).
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
III
INTRODUÇÃO DO FUNCIONALISMO NO SERVIÇO 
SOCIAL
O funcionalismo surgiu na metade da década de 1850, por meio do positivismo 
de Comte, e como indica o próprio nome, é uma tendência investigativa, meto-
dológica e teórica que, distinguindo entre causas, funções e estruturas, Durkheim 
enriquece o pensamento de seus antecessores e forneceu uma sólida base para o 
desenvolvimento deste paradigma funcionalista.
Partindo das ideias acerca da sociedade, o funcionalismo coloca em evi-
dência os sistemas, cuja existência e operação no Serviço Social são mais bem 
compreendidas se observadas as partes que os compõem e a função que cada 
parte cumpre na realização do todo. 
De acordo com Yasbeck (1984, p. 71), essa orientação funcionalista foi absor-
vida pelo Serviço Social, configurando para a profissão uma proposta de trabalho 
ajustadora e um perfil manipulatório, voltado para o aperfeiçoamento dos ins-
trumentos e técnicas para a intervenção, com a busca de padrões de eficiência, 
sofisticação de modelos de análise, diagnóstico e planejamento. Enfim, uma tec-
nificação da ação profissional acompanhada de uma crescente burocratização 
das atividades institucionais.
Talcott Parson, de 1949 a 1960, estrutura teoricamente o funcionalismo como 
um modelo que explicasse o funcionamento da sociedade. 
Nessa vertente, a analogia do funcionalismo visava os estudos da Física e 
da Química, abordando o macro e o microssocial, como níveis de intervenção 
do Serviço Social. 
No nível macrossocial, o aspecto profissional do assistente social volta-se 
para a formulação de políticas sociais atrelada ao contexto histórico do moderno. 
Já no nível microssocial, a atuação do profissional é exclusivamente pautada na 
execução terminal das políticas, mantendo uma relação direta com os usuários 
dos serviços, segundo Hamilton (1958, p. 38), “[...] esse controle social exercido 
pressupunha a integração do indivíduo ao bom funcionamento de uma socie-
dade proposta pela classe dominante.” Era enfatizado o trabalho com grupos, 
quer para interação, quer para fins terapêuticos, de forma a conseguir a melhor 
adaptação do indivíduo ao seu meio. O modo funcionalista de pensar, investigar 
73
Considerações Finais
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
e intervir na realidade social ganhou força porque, culturalmente, correspon-
dia aos interesses da ordem e da lógica burguesas instauradas na sociedade civil 
e no Estado brasileiro.
E, ainda, segundo o autor, com a exceção do Serviço Social “de Caso”, as 
demais práticas do Serviço Social, que explicam a realidade social, são funda-
mentadas na teoria social funcionalista. Portanto, o Serviço Social de Grupo 
ajudava os indivíduos a se autodesenvolverem e a se ajustarem aos valores e nor-
mas vigentes no contexto social em que estavam inseridos. 
Nessa perspectiva, Falcão (1978, p. 26) explica que:
O profissional de Serviço Social deve impulsionar e capacitar pessoas 
ou grupos, a se relacionarem estreitamente com o meio em que se in-
serem, buscando através destas relações encontrar satisfações e neces-
sidades pessoais e coletivas. 
Tal afirmação evidencia a prática do Serviço Social com a teoria funcionalista e, 
como consequência, olha com atenção o indivíduo a partir do meio em que vive e 
sua relação específica na sociedade, e no caso de uma desordem da própria socie-
dade, o Serviço Social intervém, reintegrando esse indivíduo novamente à sociedade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Podemos concluir que as duas teorias metodológicas aqui estudadas contribu-
íram e contribuem de alguma forma para amadurecimento do Serviço Social 
enquanto profissão. Já que cada uma foi utilizada de acordo com as exigências e 
as concepções de sua época, onde essas contribuições se fazem presentes atual-
mente no exercício profissional.
O Funcionalismo, para o Serviço Social, é uma espécie de proteção do Estado 
que se confirma no Positivismo. O Positivismo de Comte traduz a leitura da rela-
ção entre os indivíduos, a sociedade e o Estado, ou seja, a compreensão da teia 
da dinâmica na realidade social, prevista pelo próprio sistema por se tratar de 
uma questão estrutural de um Estado dominante.
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
III
O Positivismo, corrente de pensamento, assim é chamado porque a concepção 
empregada é a de que a realidade deve ser vista simplesmente tal qual se apre-
senta a todos os indivíduos, não considera que há outra proposta além da que já 
existe. Sendo assim, não se admitem outras possiblidades ou projetos alternativos; 
tendo em vista a própria natureza do positivismo, se pressupõe dizer que tudo o 
que se apresenta contrário ao que já está posto à realidade, deve ser deixado de 
lado, pois representa uma anomalia social, ou uma utopia. Então, o ideal é que 
tudo deve permanecer assim como está. Ao espírito positivista acrescenta-se a 
noção funcionalista, o que significa dizer que, além de tudo, permanecer como 
está, é necessário que esteja em pleno funcionando.
Esse Estado, que atende aos interesses da classe dominante, cria mecanismos 
controladores pelos quais se faz uma justaposição dos indivíduos à sociedade 
como meio de conter a insatisfação da classe trabalhadora. São estratégias cria-
das como uma forma cruel de mascarar os problemas sociais causadores da 
pobreza e da vida miserável em que a classe proletária vivia, sob o domínio da 
classe dominante, detentora dos meios de produção.
No plano teórico, a fundamentação funcionalista e a positivista, vistas em 
Comte e em Durkheim, servem de fonte para referenciar a metodologia empregada 
na ação investigativa do Serviço Social, que justificava o contexto sócio-histó-
rico da profissão na qual foi inserida, na divisão sócio-técnia que tinha como 
empregador o Estado. 
A análise crítica a esse modelo recai sobre a metodologia que era empregada 
sob o ponto de vista político que vende a história como uma realidade dialética, 
e a partir dessa perspectiva, o estruturalismo parece útil ao estudo da realidade 
histórica e humana.
75 
1. Quais os principais aspectos do positivismo?
2. Explique sobre o funcionalismo.
3. Relate de que maneira as duas correntes, funcionalista e positivista, influencia-
ram o Serviço Social.
MATERIAL COMPLEMENTAR
O que é Positivismo?
João Ribeiro Jr.
Editora: Brasiliense
Sinopse: O século 19 e a França são os dois marcos do positivismo, 
nome com que foi batizado o pensamento filosófico de Augusto 
Comte, e que pregava a implantação de um Estado autoritário como a 
única via para o desenvolvimento da sociedade e para a construção de 
uma ordem social harmônica.
Esse pensamento polêmico difundiu-se rapidamente na Europa e 
logo alcançou o Brasil, onde influenciou decisivamente os pensadores 
republicanos.
O Positivismo de Comte e Durkheim
<http://www.airtonjo.com/socio_antropologico03.htm>. 
U
N
ID
A
D
E IV
Professora Me. Aline Cristtine Marroco França Bertti
Professora Me. Maria Cristina Araújo de Brito Cunha
A CATEGORIA 
PROFISSIONAL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Apresentar a defesa da qualificação profissional.■ Entender a mobilização da categoria.
 ■ Analisar como essas mobilizações influenciaram a profissão.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ A defesa da qualificação profissional
 ■ A mobilização da categoria 
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), vimos, até este ponto, que o Serviço Social é uma profissão espe-
cializada, atuante no enfrentamento das expressões da questão social, advinda da 
relação conflituosa entre o capital e o trabalho, trazendo como resultado o conjunto 
das desigualdades geradas pelos processos de produção e exploração do capitalismo.
Nesta Unidade de estudo, você vai compreender o que significou para o 
Serviço Social o período de renovação e o quanto a categoria profissional pre-
cisou se mobilizar para refletir e rever sua base teórica e metodológica. É um 
momento histórico de uma jornada intensa de trabalho que agregou um número 
expressivo de profissionais, estudantes e professores, que demandou muitas reu-
niões com desdobramento em outros eventos do Serviço Social.
Veremos nesta Unidade, como se deu a defesa da qualificação profissional 
e o processo de mobilização da categoria. 
DEFESA DA QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL
Nas palavras de Netto (2007, p. 69-70):
[...] a profissionalização do Serviço Social não se relaciona decisiva-
mente à “evolução da ajuda”, à “racionalização da filantropia”, nem à 
“organização da caridade”; vincula-se à dinâmica da ordem monopóli-
ca [...]. Na emergência profissional do Serviço Social, não é este que se 
constitui para criar um dado espaço na rede sócio-ocupacional, mas é a 
existência deste espaço que leva à constituição profissional. [...] não é a 
continuidade evolutiva das protoformas ao Serviço Social que esclarece 
a sua profissionalização, e sim a ruptura com elas. 
É no cerne da prestação desses serviços sociais que o Serviço Social tem seu 
surgimento, tendo, desde o período ditatorial, o Estado como o seu principal 
empregador. 
A profissão teve sua primeira regulamentação por meio da Lei n. 3.252, em 27 
de agosto de 1957, sendo juridicamente caracterizada como uma profissão liberal.
79
Introdução
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
©shutterstock
A CATEGORIA PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IV
Esse processo de regulamentação conduziu-se à criação dos conselhos regionais 
e Federal profissionais, tornando-os representantes legais e legítimos perante o 
Estado, normatizando e fiscalizando o exercício profissional.
Netto (2007) diz que, no período da década de 1960, o mercado se amplia e 
consolida-se para o profissional assistente social em virtude das novas apresen-
tações da questão social no governo de JK e na ditadura militar (veremos isso 
em nossa próxima Unidade). Na ditadura militar, ocorre o processo de renova-
ção da profissão no Brasil. Netto (2007, p. 115) corrobora dizendo: 
no âmbito das suas natureza e funcionalidade constitutivas, alteram-se 
muitas demandas práticas a ele colocadas e a sua inserção nas estrutu-
ras organizacional-institucionais (donde, pois, a alteração das condi-
ções do seu exercício profissional); a reprodução da categoria profis-
sional - a formação dos seus quadros técnicos - viu-se profundamente 
redimensionada (bem como os padrões da sua organização como cate-
goria); e seus referenciais teórico-culturais e ideológicos sofreram giros 
sensíveis (assim como as suas autorrepresentações).
No fim da década de 1960, até o início da década de 1970, a prática profissional 
mantem-se vinculada ao Serviço Social tradicional, guiado pelo empirismo e pela 
burocratização e inspirado pelo positivismo e funcionalismo. A industrialização 
durante o regime militar intensificou o processo de produção e reprodução da 
“questão social”, alterando suas formas de manifestação na sociedade. O Estado 
brasileiro, centralizando cada vez mais sua intervenção, intensificou as formas 
de enfrentamento às novas expressões da “questão social” por meio de investi-
mentos em políticas sociais.
©shutterstock
©shutterstock
81
Defesa da Qualificação Profissional
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
A reforma do Estado no final da década 
de 1960, movimentou mais o sentido 
das políticas setoriais em favor capi-
talismo. O Estado brasileiro alterava a 
sua estrutura e funcionamento orga-
nizacional, e a relação dos assistentes 
sociais com seus empregadores, com 
os recursos disponibilizados para exe-
cução das políticas sociais, bem como 
sua relação com outros profissionais no 
espaço de trabalho e com os próprios usuários dos serviços. Essas novas deman-
das profissionais passaram a exigir do assistente social novas competências e 
capacitações, tanto no exercício quanto na sua formação profissional. Conforme 
afirma Netto (2007, p. 123):
A racionalidade burocrático-administrativa com que a “modernização 
conservadora” rebateu nos espaços institucionais do exercício profis-
sional passou a requisitar do assistente social uma postura “moderna”, 
no sentido da compatibilização no seu desempenho com as normas, 
fluxos, rotinas e finalidades dimanantes daquela racionalidade.
Desta forma, caro(a) aluno(a), houve uma grande mudança no campo do traba-
lho, formado até então por uma base humanista do Serviço Social tradicional, 
provocando uma mudança em seu perfil, passando a ser necessária uma nova 
atuação pelos profissionais nos procedimentos utilizados.
A CATEGORIA PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IV
É nesse contexto geral de “renovação” (NETTO, 2007) que o Serviço Social se 
insere nas instituições de ensino superior, pois até então a formação dos assisten-
tes sociais se dava em escolas confessionais ou agências de formação específica. 
Em 1976, o curso de Serviço Social já era ofertado em todo país, entre univer-
sidades ou faculdades, públicas e privadas. 
A inserção do Serviço Social nas universidades foi decisiva para consoli-
dar o seu processo de renovação. A relação direta com o centro da produção do 
conhecimento, incluindo a abertura dos programas de pós-graduação na área, 
impactou a formação do assistente social com:
- A instauração do pluralismo teórico, ideológico e político no marco 
profissional; 
- A crescente diferenciação das concepções profissionais (natureza, 
funções, objeto, objetivos e práticas do Serviço Social), derivada do re-
curso diversificado a matrizes teórico-metodológicas alternativas;
- A sintonia da polêmica teórico-metodológica profissional com as dis-
cussões em curso no conjunto das ciências sociais, inserindo o Serviço 
Social [...] como protagonista que tenta cortar com a subalternidade 
(intelectual); 
- A constituição de segmentos de vanguarda [...] voltada para investiga-
ção e a pesquisa (NETTO, 2007, p. 135-136).
Na história do Serviço Social tradicional, os conselhos Federal e regionais de 
Serviço Social, baseados no conservadorismo, apenas exerciam o seu papel de 
controle, em nome do Estado, sobre os profissionais. Eram conselhos corpo-
rativistas, com função meramente burocrática e disciplinadora do exercício 
profissional (CFESS, 1996). Até então, a legislação profissional era resguardada 
por princípios neotomistas e positivistas, haja vista os Códigos de Ética de 1947, 
1965 e de 1975 (BARROCO, 2001).
A partir da inserção do Serviço Social no contexto universitário e do avanço 
nos debates promovidos pelas entidades da categoria, em meio às lutas pelas liber-
dades civis e políticas, favorecidas pela crise do “milagre econômico” - reflexo 
da crise mundial capitalista iniciada nos anos 1970 - emergiu, no seio profissio-
nal, a direção de “intenção de ruptura” com o tradicionalismo.
83
Defesa da Qualificação ProfissionalRe
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
Sob a égide de um novo embasamento teórico-metodológico, de inspira-
ção marxista, do estímulo à pesquisa científica - incluindo projetos de extensão 
e estágio supervisionado orientados pelos novos referenciais - é que se torna 
possível vislumbrar o redimensionamento do significado social da profissão e 
a construção de um novo projeto profissional em oposição ao que estava posto.
Esse processo, de renovação e de ruptura com o conservadorismo, provocou 
um redirecionamento também das entidades representativas da categoria. Em 
1979, o Serviço Social, já sob influência desse processo, vivencia um marco his-
tórico para a profissão, o III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS), 
mais conhecido como o “Congresso da Virada”. O evento ficou assim conhecido 
“pelo seu caráter contestador e de expressão do desejo de transformação da prá-
xis político-profissional do Serviço Social na sociedade brasileira” (CFESS, 1996, 
p. 175). Nesse momento, as forças políticas progressistas do país, entre elas movi-
mentos sociais e sindicais, partidos políticos, clamavam pela redemocratização. 
É nesse contexto político que se situa o Serviço Social brasileiro, no dire-
cionamento da construção do projeto ético-político, e é qualificado, na visão de 
Netto (1999, p.95), como um conjunto de 
valores que a legitimam socialmente, delimitam e priorizam seus obje-
tivos e funções, formulam os requisitos (teóricos, institucionais e prá-
ticos) para o seu exercício, prescrevem normas para o comportamento 
dos profissionais e estabelecem as balizas de sua relação com os usuá-
rios de seus serviços, com as outras profissões e com as organizações e 
instituições sociais. 
Para ilustrar a importância do III CBAS, trouxemos mais informações sobre o memorável 
evento que ficou conhecido como o Congresso da Virada. Evento este que se tornou 
histórico porque registra os tempos de mudança para o Serviço Social Brasileiro. 
Em 1979, aconteceu o III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS) na cidade 
de São Paulo; um evento que se tornou um marco referencial para um conjunto de mu-
danças no Serviço Social brasileiro. Os segmentos mais dinâmicos do corpo profissio-
nal vincularam-se ao movimento dos trabalhadores, e, rompendo com a dominância 
do conservadorismo, conseguiram instaurar na profissão o pluralismo político, que 
acabou por redimensionar amplamente não só a organização profissional, mas fundar 
entidades como a Associação Brasileira de Ensino em Serviço Social (ABESS) – depois 
renomeada Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS) – e, 
posteriormente, o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS). A luta contra a ditadura 
militar e a conquista por democracia política demarcaram este período de transição do 
corpo profissional, em um período histórico de disputa entre projetos societários dis-
tintos. Este avanço democrático, incorporado pela categoria profissional, representou 
um movimento de vanguarda, ao mesmo tempo em que gerou fortes polêmicas com 
implicações em uma ampla revisão da dimensão teórico-prática para esta profissão. Por 
isso, o evento de 1979 foi marcado como um momento da “virada”, pois os assistentes 
sociais se organizavam por um Estado democrático.
Assim, sintonizados com as lutas pela democratização da sociedade, parcela da cate-
goria profissional, e vinculados ao movimento sindical e às forças mais progressistas, os 
assistentes sociais se organizam e disputam as direções dos Conselhos Federal e Regio-
nais, com a perspectiva de adensar e fortalecer esse novo projeto profissional. 
Fonte: CFESS (2008, p. 163)
85
Defesa da Qualificação Profissional
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
Os profissionais comprometidos com as lutas democráticas do conjunto da classe 
trabalhadora passam a disputar o espaço dos conselhos profissionais de Serviço 
Social, imprimindo-lhes uma nova direção política, articulada com os movimen-
tos sociais e de outras categorias. A partir de 1983, o CFAS impulsiona amplos 
debates no interior da categoria, vislumbrando a reformulação do Código de 
Ética vigente, datado de 1975. Esse processo vai corroborar a negação do prin-
cípio da neutralidade e combinar a elaboração do Código de Ética do Assistente 
Social de 1986, superando a perspectiva a-histórica e acrítica do Serviço Social e 
admitindo um profissional com competência teórica, técnica e política.
A década de 1990, marcada no Brasil pelo processo de reestruturação produ-
tiva do capital, instaura o neoliberalismo como orientação da regulação estatal. 
Em decorrência disso, inicia-se a “reforma” do Estado, exata e contraditoria-
mente, no marco da redemocratização e das conquistas sociais asseguradas na 
Constituição brasileira de 1988. Diante das mudanças ocorridas no mundo do 
trabalho e no campo dos direitos sociais, o conjunto CFESS/Cress desencadeia 
debates para impulsionar a reformulação da legislação profissional, como forma 
de garantir o comprometimento de uma profissão voltada para os princípios da 
equidade social e da defesa intransigente dos direitos. Desta maneira, é a partir 
da década de 1990 que o projeto ético-político do Serviço Social começa a tomar 
forma, tendo como marco o novo Código de Ética Profissional (1993) e a nova 
Lei de Regulamentação da profissão (1993), mas sem esquecer que possui suas 
bases ineliminavelmente ligadas à “intenção de ruptura”, anteriormente mencio-
nada, sendo, em relação a ela, uma espécie de “desenvolvimento”.
O Código de Ética do assistente social de 1993 representa um grande avanço 
em relação aos códigos anteriores, visto que rompe com a base filosófica tradicio-
nal e define a liberdade, a justiça social e a democracia como valores fundamentais 
na luta por um novo projeto societário.
O atual Código de Ética (1993) foi o resultado de muitos encontros e debates 
dos profissionais. Portanto, foi o quinto elaborado pela categoria, em resposta a 
uma necessidade da categoria a fim de garantir um estatuto ético para a profissão.
Os Códigos anteriores datam dos anos de 1947, 1965, 1975 e 1986, sendo 
que os três primeiros tinham visões conservadoras, fundamentadas no neoto-
mismo. Já o Código de 1986 foi uma expressão de conquistas e ganhos, mediante 
A CATEGORIA PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IV
dois procedimentos: negação da base filosófica tradicional e conservadora dos 
Códigos anteriores e afirmação de um novo perfil, não mais um técnico agente 
subalterno e apenas executivo, mas um profissional competente teórico, técnico 
e politicamente que se compromete com a classe trabalhadora.
A democracia é assumida como valor ético central na medida em que 
constitui o único padrão de organização político-social capaz de asse-
gurar a explicitação daqueles valores. A democracia é concebida aqui 
como socialização da política, mas também da riqueza socialmente 
produzida (CFESS, 1996, p. 174).
A lei de regulamentação da profissão (Lei n. 8.662/93) também é considerada 
um grande avanço para o Serviço Social. Ela regulamenta o exercício profissio-
nal do assistente social e estabelece as competências e as atribuições privativas 
do mesmo, previstas, respectivamente, nos seus artigos 4º e 5º. De acordo com 
Terra (2007), as competências dizem respeito às atividades que podem ser exerci-
das tanto pelo assistente social, quanto por outros profissionais; já as atribuições 
privativas são as atividades profissionais exclusivas dos assistentes sociais.
O processo de afirmação dessa profissão com uma formação crítica e com-
prometida com os valores democráticos e universais de justiça e equidade social 
foi potencializado pela criação e aprovação das Diretrizes Curriculares parao 
curso de Serviço Social em 1996.
As diretrizes e os pressupostos norteadores da concepção de formação profis-
sional, que formam a estrutura curricular do Curso, foram estabelecidos a partir 
de duas dimensões básicas – a da ação interventiva da profissão, nas suas inter-
-relações e suas interfaces com os processos de exclusão cultural, social, política 
e econômica, e o papel profissional do assistente social diante das novas manifes-
tações da “questão social” que agudizam a realidade de precariedade de diversos 
segmentos sociais no mundo e no Brasil; e em particular, na medida em que a 
remodelação da dinâmica social, por conta do reordenamento do capital e do 
mundo do trabalho, coloca a assistência cada vez mais como uma proposta ilusó-
ria de tempos passados no âmbito da questão social, remodelada pela dinâmica 
da sociedade a partir do reordenamento do capital e do trabalho, consequência 
do processo de reestruturação produtiva no país. 
Vale ressaltar que no caso desta última, o processo foi impulsionado pela 
87
Defesa da Qualificação Profissional
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (Abepss), em arti-
culação com as instituições de ensino, o conjunto CFESS/Cress e a Executiva 
Nacional de Estudantes de Serviço Social (Enesso).
Os documentos produzidos pela ABEPSS norteiam a proposta de formação 
profissional sobre a necessidade de uma incorporação cada vez maior das dimen-
sões investigativa e interventiva, como princípios formativos e condição central 
da formação profissional. Recomendam também um “rigoroso trato teórico, his-
tórico e metodológico da realidade social e do Serviço Social que possibilite a 
compreensão dos problemas e desafios com os quais se defronta no universo da 
produção e reprodução da vida social” (ABESS/CEDEPSS,1996, p. 4).
A preocupação com a adoção de uma teoria social crítica, que possibilite 
a apreensão da totalidade social, inserida em um contexto pluralista inerente à 
natureza do debate acadêmico e profissional, continua presente na concepção 
de ensino, pesquisa e extensão. A proposta aponta, ainda, para a necessidade de 
se flexibilizar a organização dos currículos plenos, a superação de conteúdos 
fragmentados na organização curricular, o caráter interdisciplinar nas diferen-
tes dimensões do projeto de formação, a necessidade de garantia de “padrões de 
desempenho e qualidade idênticos para os cursos diurnos e noturnos”, garan-
tindo, por fim, uma “indissociabilidade entre estágio e supervisão acadêmica e 
profissional” (ABESS/CEDEPSS, 1996, p. 5).
Na nova lógica curricular, demarcou-se o tripé dos conhecimentos consti-
tuídos pelos núcleos de fundamentação da formação profissional e do próprio 
Serviço Social como totalidade, quais sejam: núcleo de fundamentos teórico-meto-
dológicos da vida social, núcleo de fundamentos da sociedade brasileira, núcleo 
de fundamentos do tratamento dos conteúdos das matérias com centralidade 
no Serviço Social como profissão na história, em uma perspectiva de totalidade. 
(...) os conteúdos perpassam os diferentes núcleos que estruturam as 
novas diretrizes curriculares e o eixo articulador é o processo histórico; 
a visão de fundamentos do Serviço Social ultrapassa a própria profissão 
e a particularidade do Serviço Social é ressaltada no movimento totali-
zante da sociedade (CARDOSO, 2007, p.41). 
Os núcleos de fundamentação da formação profissional estão assim constituí-
dos, de acordo com o enquadramento às exigências da Comissão de Especialistas 
A CATEGORIA PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IV
de Ensino do Serviço Social criada pelo MEC: Núcleo de fundamentos teórico-
metodológicos da vida social, que compreende um conjunto de fundamentos 
teórico-metodológicos e ético-políticos para conhecer o ser social enquanto tota-
lidade histórica, fornecendo os componentes fundamentais para a compreensão 
da sociedade burguesa, em seu movimento contraditório; Núcleo de fundamentos 
da formação sócio-histórica da sociedade brasileira, que remete à compreensão 
dessa sociedade, resguardando as características históricas particulares que pre-
sidem a sua formação e desenvolvimento urbano e rural, em suas diversidades 
regionais e locais. Compreende, ainda, a análise do significado do Serviço Social 
em seu caráter contraditório, no bojo das relações entre as classes e destas com 
o Estado, abrangendo as dinâmicas institucionais nas esferas estatal e privada; 
Núcleo de fundamentos do trabalho profissional, que compreende todos os ele-
mentos constitutivos do Serviço Social como uma especialização do trabalho: 
sua trajetória histórica, teórica, metodológica e técnica, os componentes éticos 
que envolvem o exercício profissional, a pesquisa, o planejamento e a administra-
ção em Serviço Social e o estágio supervisionado. Tais elementos encontram-se 
articulados por meio da análise dos fundamentos do Serviço Social e dos pro-
cessos de trabalho em que se insere, desdobrando-se em conteúdos necessários 
para capacitar os profissionais ao exercício de suas funções, resguardando as suas 
competências específicas normatizadas por lei. (BRASIL, 1999). 
No processo de construção do projeto ético-político do Serviço Social, ganham 
relevância as entidades representativas dos assistentes sociais, especialmente o 
conjunto CFESS/CRESS, o qual, em sintonia com o avanço teórico-político viven-
ciado pelo Serviço Social, também passou por um processo de renovação, por 
meio da superação de suas características iniciais pautadas no corporativismo e 
no burocratismo. Assim, houve uma ampliação das atribuições assumidas pelo 
conjunto CFESS/CRESS, pois a partir da fiscalização do exercício profissional, 
constituída como sua função precípua, passou a investir na qualificação teórico-
-política dos profissionais, na defesa das políticas públicas e na preocupação com 
a qualidade dos serviços prestados aos usuários. As propostas e ações das refe-
ridas entidades passaram a ser pautadas pelo aprimoramento dos instrumentos 
normativos necessários à regulamentação e à fiscalização do exercício profis-
sional; pelo investimento na participação nos fóruns de discussão, formulação 
89
A Mobilização Da Categoria
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
e controle social das políticas públicas, além da articulação com os movimen-
tos sociais que lutam pela superação das desigualdades sociais e a efetivação de 
direitos.
A MOBILIZAÇÃO DA CATEGORIA
Conforme Abreu (2002), nos anos 1980, partindo da análise de emancipação 
da classe trabalhadora, os processos de mobilização e a educação formaram os 
eixos norteadores das propostas pedagógicas direcionadas ao assistente social 
neste sentido, dando apoio aos avanços e fortalecendo o projeto ético-político 
da profissão. Nessa perspectiva, para organização da cultura, foi adotada uma 
função pedagógica que, segundo Abreu (2002, p.17), seria “por meio dos efei-
tos da ação profissional na maneira de pensar e agir dos sujeitos envolvidos nos 
processos da prática”. 
Dentre as várias pedagogias existentes na profissão de assistente social, Abreu 
(2002) destaca a pedagogia emancipatória, que se distingue pelo laço à repre-
sentação histórica das classes populares, bem como sua luta em busca de uma 
sociedade alternativa ao capitalismo.
Essa pedagogia veio das experiências das Comunidades Eclesiais de Base 
(CEBs) arraigadas nas práticas cotidianas das classes sociais menos favorecidas, 
e inculcava a essas classes a consciência dos deveres e direitos políticos atribu-
ídos aos cidadãos, dessa forma, estimulando a auto-organização, realizada por 
meio de uma formação política, debatendo criticamente as incoerências sociais, 
bem como propondoa luta por melhorias de condições de vida e objeções às 
regras estabelecidas. 
Na visão de Abreu (2002, p. 133), “[...] as experiências das CEBs revelam-se 
espaços importantes de politização das relações sociais e de intervenção des-
sas classes no movimento histórico na perspectiva de sua emancipação”. Esses 
processos são vistos como principais orientadores na organização da pedago-
gia emancipatória.
A CATEGORIA PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IV
Segundo a autora, os elementos bases da pedagogia emancipatória estão 
calcados na solidariedade e na colaboração entre as classes sociais secundárias, 
capacitando-as a responder aos desafios postos pelas condições históricas, como 
também propondo a mobilização, a capacitação e a sua organização, a fim de 
inverter a ordem intelectual e moral do capital, visando à formação de uma nova 
cultura (ABREU, 2002).
Atualmente, a pedagogia emancipatória dos assistentes sociais comprome-
tidos com as classes subalternas pode enveredar-se por duas tendências: uma 
restrita ao compromisso com as lutas das classes subalternas pela defesa dos 
direitos, no horizonte do Estado de bem-estar, e outra comprometida com essas 
lutas no sentido da superação da ordem burguesa e construção do socialismo. O 
horizonte encerrado nos direitos é atualmente predominante entre as próprias 
organizações das classes subalternas, que perderam o caráter revolucionário 
(ABREU, 2002, p. 206).
Nesse sentido, os assistentes sociais possuem o desafio de identificar as 
possibilidades de progressão emancipatória, na construção de uma nova socia-
bilidade, uma vez que são sujeitos e alvos das tendências aceitas por essas classes 
subalternas. 
De acordo com Abreu (2002, p. 220), a pedagogia emancipatória se dá 
mediante experiências como: ouvidoria, orçamento participativo, renda mínima 
articulada à educação, balanços sociais, programas de qualidade de vida e de 
trabalho, fortalecimentos dos grupos subalternos direcionados à ampliação de 
direitos, denúncias da precariedade das condições de vida, e formas alternati-
vas de produção e gestão das relações sociais. 
No interior do Movimento dos Sem-Terra (MST) existem espaços em abun-
dância, e podem ser usados pelos assistentes sociais inseridos neste movimento 
social como um espaço reprodutivo da pedagogia emancipatória na prática pro-
fissional. Assim, o assistente social, em sua prática, pode promover mecanismos 
de ação que levam à educação social dos grupos atendidos, pois de acordo com 
contribuições de Abreu e Cardoso (2009, p. 594-595), as práticas de mobiliza-
ção social e de organização são expressões das práticas educativas desenvolvidas 
pelas classes sociais na busca da ampliação de consensos em torno de seus pro-
jetos societários, na disputa pela hegemonia. 
91
A Mobilização Da Categoria
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
Foram as lutas sociais que romperam o domínio privado nas relações 
entre capital e trabalho, extrapolando a questão social para a esfera pú-
blica, exigindo a interferência do Estado para o reconhecimento e a 
Legalização de direitos e deveres dos sujeitos sociais envolvidos 
(IAMAMOTO, 2003, p.66).
Essas práticas servem como bases da profissão, mas não são exclusivamente do 
assistente social. Nesse sentido, os conceitos dessas práticas sofrem tensões pelos 
diferentes projetos das classes e, segundo Abreu e Cardoso (2009, p. 594), visam 
“desenvolver uma reflexão sobre os fundamentos das práticas educativas, particu-
larizando as dimensões técnico-operativas e ético-políticas da mobilização social”. 
Nesse contexto, como estratégia pedagógica, o assistente social deve desen-
volver atividades educativas que formam a cultura, englobando tudo aquilo que 
é relativo ao homem, sejam as coisas e/ou os acontecimentos que envolvam o 
pensamento, ações e sentimento, em busca da sociabilidade embasada em con-
teúdos gramscianos em relação de hegemonia. 
Conforme Antonio Gramsci (1954 apud ABREU; CARDOSO, 2009, p. 594), 
“toda relação de hegemonia é eminentemente pedagógica”. Nessa perspectiva, 
o assistente social deve transcender a mera prática da pregação revolucionária, 
esclarecendo que a organização popular e também a consciência de classe são 
condições obrigatórias para a conquista política das classes menos favorecidas. 
Nesse processo, o assistente social poderá atuar junto às organizações da 
classe trabalhadora participando no:
1 - desenvolvimento de propostas de formação político-organizativa, que 
possibilite a essas classes a apreensão crítica das contradições econômicas e polí-
tico-ideológicas inerentes às sociedades capitalistas; a criação de formas próprias 
de reprodução e de resistência no enfrentamento cotidiano com os interesses 
das classes adversárias e a construção de formas de superação da opressão por 
essas classes; 
2 - desenvolvimento de propostas eminentemente educativas de fortaleci-
mento das organizações da classe trabalhadora e de processos de constituição 
ideológica das classes subalternas na luta pela construção de uma alternativa 
emancipatória da classe trabalhadora e de toda humanidade (CARDOSO; LOPES, 
2009, p. 471).
A CATEGORIA PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IV
O assistente social inserido nas equipes multiprofissionais pode atuar e desen-
volver um trabalho pedagógico que, nesse caso, venha contribuir para que os 
trabalhadores manifestem e coloquem em prática uma política que estimule e 
explore a influência social da mídia em torno da temática, construindo novas 
relações hegemônicas.
Ressalta-se que o conceito da educação popular, mesmo estando presente 
na elaboração do Serviço Social, é necessário para que o assistente social bus-
que desvendar sua complexidade, compreendendo a sua finalidade, para uma 
melhor intervenção profissional.
SERVIÇO SOCIAL, MOBILIZAÇÃO E ORGANIZAÇÃO POPULAR: UMA SIS-
TEMATIZAÇÃO DO DEBATE CONTEMPORÂNEO
Maria Lúcia DuriguettoI; Luiz Agostinho de Paula BaldiII
RESUMO
O presente artigo versa sobre a intervenção do Serviço Social nos processos 
de mobilização e organização popular e, particularmente, sobre o debate 
contemporâneo que vem sendo realizado sobre o tema. Este debate é apre-
sentado nas elaborações acadêmicas de autoras que tratam especialmente 
das funções pedagógica e educativa do assistente social e de sua inserção 
nas organizações da classe trabalhadora. Nesta sistematização, priorizam-se 
as formulações que vêm adquirindo relevância no debate profissional e que 
tecem algumas considerações necessárias para a análise e as prospectivas 
da relação da profissão com os processos de mobilização e organização po-
pular.
Palavras-chave: Serviço Social. Debate profissional. Mobilização. Organiza-
ção popular.
Para ter acesso ao artigo na íntegra, acesse:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S1414-49802012000200005>.
93
Considerações Finais
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A proposta desta Unidade foi discorrer sobre o processo de formação institucional 
e organizativa profissional do Serviço Social, partindo de uma visão assistencia-
lista para uma visão crítica da realidade.
Podemos notar que ao perfazer uma contextualização a nível mundial e de 
Brasil, destacamos a emergência do serviço social que surgiu para amenizar as 
expressões da “questão social”, advindas das contradições e antagonismos do 
sistema capitalista.
Todo esse processo visava ao amadurecimento do Serviço Social, onde este 
deixa de atuar de forma não sistemática, passando a operar com uma visão crí-
tica das relações sociais. Assim, o Serviço Social passa a assumir características 
particulares, atuando frenteaos problemas sociais com um papel ético-profis-
sional em consonância ao seu projeto ético-político.
Lembrando que é importante que a ênfase para a consolidação do projeto 
ético-político da profissão se deve ao processo formativo do Serviço Social, que 
antecede a prática profissional.
Outro elemento importante sobre o qual refletimos nesta Unidade refere-se à 
análise do processo de qualificação profissional, que está diretamente relacionado 
com o grande desafio do Serviço Social, em fazer valer sua formação generalista 
de compreensão do homem em sociedade. E esse processo de amadurecimento 
ocorre à medida que os profissionais atingem a consciência do exercício crí-
tico da profissão e ao firmar seu compromisso com a transformação da ordem 
societária vigente no sistema capitalista, que implica também dizer em insti-
tuir estratégias de ação pela luta e garantia dos direitos sociais e compromisso 
com a qualidade dos serviços prestados e com o fortalecimento dos usuários. 
Igualmente, sabemos também que esse é um desafio histórico marcado pela alie-
nação social dada à relação da posição de subalternidade do Serviço Social que 
ainda aprisiona muitos profissionais.
A CATEGORIA PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IV
A contribuição do novo currículo do Serviço Social possibilita, por meio 
da formação acadêmica, um novo olhar para a profissão, é um despertar para 
a compreensão crítica e ampliada da realidade que, segundo Iamamoto (1998), 
ressalta que para garantir uma sintonia do Serviço Social com os tempos atuais, é 
necessário romper com uma visão endógena, focalista, uma visão “de dentro” do 
Serviço Social, prisioneira em seus muros internos, alargar os horizontes, olhar 
para mais longe, para o movimento das classes sociais e do Estado em suas rela-
ções com a sociedade. É, portanto, inquestionável a importância do novo currículo 
para a revisão teórica do Serviço Social, para a ação profissional, e que está asso-
ciada a esse processo a necessidade de aprimoramento profissional constante.
95 
1. Explique como se deu o processo de defesa da qualificação profissional.
2. Explique de que maneira o assistente social atua junto às classes trabalhadoras. 
Exemplifique.
3. Disserte sobre a contribuição do novo currículo de Serviço Social para a forma-
ção profissional.
MATERIAL COMPLEMENTAR
Estado de sítio
O corpo de Philip Michael Santore (Yves Montand), um 
colaborador dos regimes militares na América do Sul, é 
encontrado em um carro. Deste momento em diante o filme 
é narrado em flashback, mostrando os Tupamaros decididos a 
capturar Santore, que se dedicou a ensinar e difundir a tortura 
nos órgãos militares.
Para saber mais sobre a Lei 3.352, acesse:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L3252.htm>.
U
N
ID
A
D
E V
Professora Me. Aline Cristtine Marroco França Bertti
Professora Me. Maria Cristina Araújo de Brito Cunha 
O SERVIÇO SOCIAL E A 
PRÁTICA PROFISSIONAL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Relatar a influência do Serviço Social na Ditadura.
 ■ Identificar a profissão na esfera da burocracia e tecnocracia.
 ■ Entender o processo de questionamento da prática profissional.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ O Serviço Social e a Ditadura
 ■ A incorporação da profissão na esfera da burocracia e tecnocracia
 ■ O Serviço Social e o processo de questionamento da prática 
profissional
INTRODUÇÃO
Nesta unidade, caro(a) aluno(a), temos o objetivo de analisar alguns pontos das 
singularidades em relação ao processo de Ditadura militar no Brasil e sua impor-
tância para o Serviço Social. Apresentaremos como ocorreu esse processo, a fim 
de elucidar a ruptura que tal período ocasionou naquilo que os autores chamam 
de Serviço Social Tradicional. Tal ruptura somente foi possível graças ao pro-
cesso de discussões ocorridas nos Congressos e Seminários profissionais, como 
os de Teresópolis e Araxá, resultando no Movimento de Reconceituação e no 
rompimento com o método tradicional e a adesão a uma postura crítica social 
do fazer profissional.
O Movimento de Reconceituação é um marco histórico para o Serviço Social, 
visto que representa a ruptura com o conservadorismo, para avançar na pers-
pectiva teórica e metodológica da profissão. Os assistentes sociais juntam-se aos 
movimentos sociais em defesa dos direitos da classe trabalhadora. 
É importante esclarecer que neste estudo a análise desse momento de tran-
sição do Serviço Social Tradicional ou Conservador para a sua Renovação, não 
é apenas temporal, vai muito além da representação cronológica. 
Caro(a) aluno(a), pensamos o quanto é valioso para o seu aprendizado 
o conhecimento dos documentos acima citados e de todo acervo teórico que 
compõe a história da formação profissional, de luta e sonhos, pois revelam os 
anseios, as expectativas dos profissionais para a mudança do pensamento crí-
tico que está em busca de um projeto profissional em defesa de uma sociedade 
mais justa e humana. 
Bons Estudos!
99
Introdução
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
©shutterstock
O SERVIÇO SOCIAL E A PRÁTICA PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
V
O SERVIÇO SOCIAL E A DITADURA MILITAR
Antes de falar da prática profissional do Serviço Social no período do Regime 
Militar, devemos recordar esse momento histórico.
Podemos definir a Ditadura Militar como sendo o período da política bra-
sileira em que os militares governaram o Brasil. Essa época vai de 1964 a 1985. 
Caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, 
censura, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar.
Abaixo, veremos quais foram os principais acontecimentos desse importante 
período histórico para o Brasil e para a profissão.
Tudo começou com o golpe militar de 1964. A crise política se arrastava 
desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O vice de Jânio era João Goulart, que 
assumiu a presidência em um clima político adverso. O governo de João Goulart 
(1961-1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais. Estudantes, orga-
nizações populares e trabalhadores ganharam espaço, causando a preocupação das 
classes conservadoras, como os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares 
e classe média. Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista. Vale 
lembrar que neste período o mundo vivia o auge da Guerra. Esse estilo populista 
e de esquerda chegou a gerar até mesmo preocupação nos EUA, que junto com as 
classes conservadoras brasileiras temiam um golpe comunista. Os partidos de opo-
sição, como a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático 
(PSD), acusavam Jango de estar planejando um golpe de esquerda e de ser o res-
ponsável pela carestia e pelo desabastecimento que o Brasil enfrentava. No dia 13 
de março de 1964, João Goulart realiza um grande comício na Central do Brasil 
(Rio de Janeiro), onde defende as Reformas de Base. Nesse plano, Jango prometia 
mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país. Seis dias 
depois, em 19 de março, os conservadores organizam uma manifestação contra as 
intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que 
reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo. O clima 
http://www.suapesquisa.com/geografia/socialismo
101
O Serviço Social e a Ditadura Militar
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
de crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. No dia 31 de março de 
1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, 
Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares tomam opoder. Em 9 de 
abril, é decretado o Ato Institucional Número 1 (AI-1). Este cassa mandatos polí-
ticos de opositores ao regime militar e tira a estabilidade de funcionários públicos. 
GOVERNO CASTELLO BRANCO (1964-1967) 
Castello Branco, general militar, foi eleito pelo Congresso Nacional presidente da 
República em 15 de abril de 1964. Em seu pronunciamento, declarou defender 
a democracia, porém, ao começar seu governo, assumiu uma posição autoritá-
ria. Estabeleceu eleições indiretas para presidente, além de dissolver os partidos 
políticos. Vários parlamentares federais e estaduais tiveram seus mandatos cas-
sados, cidadãos tiveram seus direitos políticos e constitucionais cancelados e os 
sindicatos receberam intervenção do governo militar. Em seu governo, foi institu-
ído o bipartidarismo. Só estavam autorizados o funcionamento de dois partidos: 
Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e a Aliança Renovadora Nacional 
(ARENA). Enquanto o primeiro era de oposição, de certa forma controlada, o 
segundo representava os militares. O governo militar impõe, em janeiro de 1967, 
uma nova Constituição para o país. Aprovada nesse mesmo ano, a Constituição 
de 1967 confirma e institucionaliza o regime militar e suas formas de atuação.
Todos falam sobre a visão dos oprimidos culturalmente pela ditadura de 64, 
mas o site www.uol.com.br fez algo inusitado, entrevistou um militar e quis 
saber como foi a ditadura para ele.
Para ler os “Pensamentos do Coronel”, acesse o link abaixo:
<http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2014/03/26/seis-fra-
ses-revelam-a-visao-de-um-militar-que-viveu-o-golpe-de-1964.htm>.
http://www.suapesquisa.com/eleicoes2006
http://www.suapesquisa.com/o_que_e/constituicao.htm
O SERVIÇO SOCIAL E A PRÁTICA PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
V
GOVERNO COSTA E SILVA (1967-1969) 
Em 1967, assume a presidência o general Arthur da Costa e Silva, após ser eleito 
indiretamente pelo Congresso Nacional. Seu governo é marcado por protestos 
e manifestações sociais. A oposição ao regime militar cresce no país. A UNE 
(União Nacional dos Estudantes) organiza, no Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem 
Mil. Em Contagem (MG) e Osasco (SP), greves de operários paralisam fábri-
cas em protesto ao regime militar. A guerrilha urbana começa a se organizar. 
Essa guerrilha é formada por jovens idealistas de esquerda, que assaltam bancos 
e sequestram embaixadores para obter fundos para o movimento de oposição 
armada. No dia 13 de dezembro de 1968, o governo decreta o Ato Institucional 
Número 5 (AI-5). Este foi o mais duro do governo militar, pois aposentou juí-
zes, cassou mandatos, acabou com as garantias do habeas corpus e aumentou a 
repressão militar e policial.
GOVERNO DA JUNTA MILITAR (31/8/1969-30/10/1969)
Doente, Costa e Silva foi substituído por uma junta militar for-
mada pelos ministros Aurélio de Lira Tavares (Exército), Augusto 
Rademaker (Marinha) e Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica). 
Dois grupos de esquerda, o MR-8 e a ALN sequestraram o embaixador dos EUA, 
Charles Elbrick. Os guerrilheiros exigiram a libertação de 15 presos políticos, 
exigência conseguida com sucesso. Porém, em 18 de setembro, o governo decre-
tou a Lei de Segurança Nacional. Essa lei decretava o exílio e a pena de morte em 
casos de guerra psicológica adversa, ou revolucionária, ou subversiva. No final 
de 1969, o líder da ALN, Carlos Mariguella, foi morto pelas forças de repres-
são em São Paulo.
GOVERNO MEDICI (1969-1974) 
Em 1969, a Junta Militar escolhe o novo presidente: o general Emílio Garrastazu 
103
O Serviço Social e a Ditadura Militar
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
Medici. Seu governo é considerado o mais duro e repressivo do período, conhe-
cido como “anos de chumbo”. A repressão à luta armada cresce e uma severa 
política de censura é colocada em execução. Jornais, revistas, livros, peças de 
teatro, filmes, músicas e outras formas de expressão artística são censuradas. 
Muitos professores, políticos, músicos, artistas e escritores são investigados, pre-
sos, torturados ou exilados do país. O DOI-Codi (Destacamento de Operações 
e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna) atua como centro 
de investigação e repressão do governo militar, ganha força no campo a guer-
rilha rural, principalmente no Araguaia. A guerrilha do Araguaia é fortemente 
reprimida pelas forças militares.
O MILAGRE ECONÔMICO 
Na área econômica, o país crescia rapidamente. Esse período, que vai de 1969 
a 1973, ficou conhecido como a época do Milagre Econômico. O PIB brasileiro 
crescia a uma taxa de quase 12% ao ano, enquanto a inflação beirava os 18%. 
Com investimentos internos e empréstimos do exterior, o país avançou e estru-
turou uma base de infraestrutura. Todos esses investimentos geraram milhões 
de empregos pelo país. Algumas obras, consideradas faraônicas, foram execu-
tadas, como a Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niterói. Porém, todo esse 
crescimento teve um custo altíssimo e a conta deveria ser paga no futuro. Os 
empréstimos estrangeiros geraram uma dívida externa elevada para os padrões 
econômicos do Brasil.
GOVERNO GEISEL (1974-1979) 
Em 1974, assume a presidência o general Ernesto Geisel que começa um lento 
processo de transição rumo à democracia. Seu governo coincide com o fim do 
milagre econômico e com a insatisfação popular em altas taxas. A crise do petró-
leo e a recessão mundial interferem na economia brasileira, no momento em que 
os créditos e empréstimos internacionais diminuem. Geisel anuncia a abertura 
http://www.suapesquisa.com/mpb
http://www.suapesquisa.com/o_que_e/inflacao.htm
http://www.suapesquisa.com/economia/divida_externa.htm
http://www.suapesquisa.com/paises/brasil
O SERVIÇO SOCIAL E A PRÁTICA PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
V
política lenta, gradual e segura. A oposição política começa a ganhar espaço. Nas 
eleições de 1974, o MDB conquista 59% dos votos para o Senado, 48% da Câmara 
dos Deputados e ganha a prefeitura da maioria das grandes cidades. Os militares de 
linha dura, não contentes com os caminhos do governo Geisel, começam a promo-
ver ataques clandestinos aos membros da esquerda. Em 1975, o jornalista Vladimir 
Herzog á assassinado nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo. Em janeiro 
de 1976, o operário Manuel Fiel Filho aparece morto em situação semelhante. 
Em 1978, Geisel acaba com o AI-5, restaura o habeas corpus e abre caminho para 
a volta da democracia no Brasil.
GOVERNO FIGUEIREDO (1979-1985) 
A vitória do MDB nas eleições em 1978 começa a acelerar o processo de rede-
mocratização. O general João Baptista Figueiredo decreta a Lei da Anistia, 
concedendo o direito de retorno ao Brasil para os políticos, artistas e demais 
brasileiros exilados e condenados por crimes políticos. Os militares de linha dura 
continuam com a repressão clandestina. Cartas-bomba são colocadas em órgãos 
da imprensa e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). No dia 30 de Abril de 
1981, uma bomba explode durante um show no centro de convenções do Rio 
Centro. O atentado fora provavelmente promovido por militares de linha dura, 
embora até hoje nada tenha sido provado. Em 1979, o governo aprova lei que 
restabelece o pluripartidarismo no país. Os partidos voltam a funcionar dentro 
da normalidade. A ARENA muda o nome e passa a ser PDS, enquanto o MDB 
passa a ser PMDB. Outros partidos são criados, como: Partido dos Trabalhadores 
(PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT).
A REDEMOCRATIZAÇÃO E A CAMPANHA PELAS DIRETAS JÁ 
Nos últimos anos do governo militar, o Brasil apresenta vários problemas. A 
inflação é alta e a recessão também. Enquanto isso, a oposição ganha terreno 
com o surgimento de novos partidos e com o fortalecimento dos sindicatos. 
http://www.suapesquisa.com/partidos105
O Serviço Social e a Ditadura Militar
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
Em 1984, políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de bra-
sileiros participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável à 
aprovação da Emenda Dante de Oliveira, que garantiria eleições diretas para pre-
sidente naquele ano. Para a decepção do povo, a emenda não foi aprovada pela 
Câmara dos Deputados. No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral esco-
lheria o deputado Tancredo Neves, que concorreu com Paulo Maluf, como novo 
presidente da República. Ele fazia parte da Aliança Democrática – o grupo de 
oposição formado pelo PMDB e pela Frente Liberal. 
Era o fim do regime militar, porém Tancredo Neves fica doente antes de 
assumir e acaba falecendo. Assume o vice-presidente José Sarney. Em 1988, é 
aprovada uma nova constituição para o Brasil. A Constituição de 1988 apagou 
os rastros da ditadura militar e estabeleceu princípios democráticos no país. 
Mas para o Serviço Social, qual a importância desses acontecimentos?
Como exposto acima, o regime militar brasileiro foi criado a partir de um 
golpe adotado pela direita nacional em contraposição aos ideais socialistas que 
assolavam o país e a America Latina naquele período. Dessa forma, o Estado 
deveria apresentar uma série de medidas para amenizar os conflitos relacionados 
à desigualdade, característica do regime capitalista. No interior dessas medidas, 
foi assimilada a ação profissional dos assistentes sociais, devido principalmente 
à sua base teórica fundamentada no positivismo.
Pautados primeiramente em uma visão religiosa da ação profissional, a qual 
se tornou insuficiente para responder às necessidades qualitativas da profissão, os 
profissionais de Serviço Social passam a buscar no positivismo, especialmente na 
vertente funcionalista, um primeiro suporte teórico-metodológico necessário para 
a qualificação profissional. No entanto, essa via proporcionou a burocratização da 
ação profissional que, no período militar, devido seu caráter manipulatório, incor-
pora aos quadros profissionais do estado. Nas palavras de Yasbek (1984, p.71):
É a perspectiva positivista que restringe a visão de teoria ao âmbito 
do verificável, da experimentação e da fragmentação. Não aponta para 
mudanças, senão dentro da ordem estabelecida, voltando-se antes para 
ajustes e conservação. Particularmente em sua orientação funcionalis-
ta, esta perspectiva é absorvida pelo Serviço Social, configurando para 
a profissão propostas de trabalho ajustadoras e um perfil manipulató-
rio, voltado para o aperfeiçoamento dos instrumentos e técnicas para 
http://www.suapesquisa.com/futebol
http://www.suapesquisa.com/presidentesdobrasil
http://www.suapesquisa.com/presidentesdobrasil
©Shutterstock
O SERVIÇO SOCIAL E A PRÁTICA PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
V
a intervenção, com as metodologias de ação, com a busca de padrões 
de eficiência, sofisticação de modelos de análise, diagnóstico e plane-
jamento; enfim, uma tecnificação da ação profissional que é acompa-
nhada de uma crescente burocratização das atividades institucionais.
O ponto chave desse processo para a profissão está no fato de que embora o regime 
militar priorizasse a ação profissional do Serviço Social, ocorre nesse período 
uma desmobilização nos movimentos políticos que se fortaleceram no período 
populista, tais como o MEB (Movimento de Educação de Base), sindicalismo 
rural e movimentos de alguns segmentos da categoria dos assistentes sociais, 
o que limitou as ações profissionais do Serviço Social apenas na eliminação da 
resistência cultural que representasse obstáculos ao crescimento econômico e 
na integração aos programas de desenvolvimento do estado. Nesse contexto, a 
política social torna-se uma estratégia para minimizar as consequências do capi-
talismo monopolista marcado pela superexploração da força do trabalho e pela 
grande concentração de renda. 
Nesse sentido, no interior das práticas profissionais, surgem questionamentos 
em relação ao fazer profissional, na perpetuação do modelo excludente por meio 
de medidas paliativas de ação social, que acaba por exibir fundamentalmente a 
longa insatisfação dos profissionais que se conscientizavam de suas limitações 
teóricas, desencadeando um processo de ruptura com a visão política até então 
assumida pelo Serviço Social.
Antes de entendermos como aconteceu esse processo de rompimento com 
aquilo que os autores chamam de Serviço Social Tradicional, devemos entender 
como ocorre esse processo de incorporação profissional na esfera burocrática 
e tecnicista.
107
A Incorporação da Profissão na Esfera da Burocracia e Tecnocracia
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
A INCORPORAÇÃO DA PROFISSÃO NA ESFERA DA 
BUROCRACIA E TECNOCRACIA
Como já visto, graças ao contexto histórico relacionado à questão social no final 
do século XIX, possibilitou-se à sociedade o reconhecimento da necessidade de 
profissionais que atuassem com as mazelas sociais. No contexto brasileiro, esse 
reconhecimento foi consagrado com a fundação das primeiras escolas de Serviço 
Social na década de 1930. Entretanto, embora os profissionais atuassem em várias 
instituições criadas para absorver a demanda de pessoas a serem assistidas nos 
mais diversos contextos sociais, ainda se verificava a concepção tradicional de 
ajuda, vinculada à ação social católica, e a necessidade, por parte dos profis-
sionais, de regulamentação profissional ou distinção de técnicos de amadores. 
Paralelamente a esse contexto, ocorre a Segunda Guerra Mundial, despon-
tando após seu término duas forças hegemônicas: capitalismo e socialismo. Com 
medo de que o socialismo pudesse se efetivar na América Latina, os EUA lançam 
o programa Pan-americano – ou pan-americanismo – com o slogan América 
para todos. O Brasil, a partir de então, passa a receber subsídios, os quais pos-
sibilitaram a criação do Programa de Desenvolvimentismo Nacional. Entre 
os programas financiados por esse processo, encontram-se CASO, GRUPO e 
COMUNIDADE, desenvolvidos pelos assistentes sociais.
Dessa forma, têm-se de um lado os profissionais, que devido à formação 
acadêmica desejam a regulamentação profissional, e de outro, o estado, que por 
meio da contextualização histórica, necessita da atuação de profissionais que 
possam controlar o ordenamento social mediante a ameaça socialista. Mediante 
essa dicotomia de interesses, o estado brasileiro institucionaliza o Serviço Social, 
que passa a fazer parte de seus quadros profissionais. 
Nessa primeira etapa do Serviço Social, assim como de outras carreiras 
profissionais, que vai até os anos de 1960, ocorre a institucionalização e 
profissionalização das mesmas. Os profissionais associam-se ao Estado 
com vistas a alcançar posições que possibilitassem o reconhecimento e 
a regulamentação da profissão, definindo assim os critérios que pudes-
sem controlar a entrada de novos agentes. Este período é importante 
para a definição de quem é ou não profissional, distanciando técnicos 
de amadores. Os diversos profissionais assumem uma ação, junto com 
o Estado, de ordenar a nação e ao mesmo tempo um papel político 
©shutterstock
O SERVIÇO SOCIAL E A PRÁTICA PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
V
de interventor no campo social. Tal relação torna-se assim, um capital 
importante para a ascensão da profissão e revela o caráter político dos 
agentes profissionais (MATOS, 2009, p.118).
O Estado se beneficia com os diversos ofícios, na medida em que se propõe a 
organizar um conjunto de profissões, para favorecer a sua formação mediante 
controle de “um conjunto de saberes especializados apresentadoscomo funda-
mentais para traçar os caminhos da nação” (PETRARACA, 2007, p. 5). 
As diferentes categorias profissionais, como o Serviço Social, são instrumen-
tos estratégicos nas mãos do Estado para solucionar os problemas do operariado 
brasileiro, para manter o ordenamento da sociedade e permanecer com o domí-
nio do campo assistencial (MATOS, 2009, p.118-119).
Dessa forma, com a institucionalização, a partir de 1960, o Serviço Social 
teve a possibilidade de se expandir, ainda que em um período adverso caracteri-
zado pela ditadura militar, sendo aproveitado em uma perspectiva disciplinadora 
e organizadora da sociedade, posto que as características da política assisten-
cial desenhassem um Serviço Social tecnicista, preocupado com métodos e 
intervenção.
O SERVIÇO SOCIAL E O PROCESSO DE 
QUESTIONAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL
Há, no período da ditadura militar, uma explícita fra-
tura no conjunto da profissão. Apesar da importância 
pela manutenção dos espaços sócio-ocupacionais ser de 
interesse de todos, os caminhos percorridos para alcan-
çar tais objetivos se diferenciaram, indicando disputas 
internas. No caso do Serviço Social, essas disputas ocor-
rem no campo da assistência, um grupo mais próximo 
aos órgãos públicos defendia uma ação competente, 
reforçando sua capacidade técnica caracterizada pelo 
109
O serviço social e o processo de questionamento da prática profissional
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
Serviço Social Tradicional, enquanto outra vertente de profissionais, vizinha aos 
movimentos sociais, defendia uma profissão crítica. Essa fratura desencadeou o 
Movimento de Reconceituação do Serviço Social e sua ruptura definitiva com 
os métodos tradicionais.
Isso porque, a partir da década de 1970, surge um novo discurso dos assis-
tentes sociais com o Estado, pautado na competência técnica e no manejo das 
problemáticas da sociedade. Os profissionais de Serviço Social, vinculados ao 
mundo acadêmico, especialmente aos cursos de Pós-graduação, apresentam 
suas posições na esfera política com o objetivo de romper definitivamente com 
a identidade profissional tradicional vinculada ao funcionalismo e sua apro-
priação por parte do Estado, estabelecendo um discurso crítico em relação à 
atuação dos órgãos governamentais e do empresariado brasileiro a favor das 
classes trabalhadoras.
Nesse contexto, o Serviço Social passa a buscar sua emancipação perante 
o Estado lutando pelos interesses sociais, contrariando a ordem vigente e apre-
sentando suas ideias de como a ação social deve ser articulada para a superação 
da desigualdade social, principalmente em relação às políticas sociais públicas. 
Essas ideias foram elaboradas graças às discussões ocorridas nos seminários de 
Araxá, Teresópolis, Sumaré, Alto da Boa Vista e Belo Horizonte.
Por meio dessa ampla discussão, surgem três vertentes de pensamento 
profissional:
 ■ A vertente modernizadora, caracterizada pela incorporação de abordagens 
funcionalistas, estruturais e, mais tarde, sistêmicas (matriz positivistas), 
voltadas a uma modernização conservadora e à melhoria do sistema pela 
mediação do desenvolvimento social e do enfrentamento da marginali-
dade e pobreza na perspectiva de integração da sociedade. Os recursos 
para alcançar esses objetivos são buscados na modernização tecnológica e 
em processos de relacionamentos interpessoais. Essas opções configuram 
um projeto renovador tecnocrático, fundado na busca à eficiência, que 
devem nortear a produção do conhecimento e a intervenção profissional;
 ■ A vertente inspirada na fenomenologia, que emerge como metodologia 
do diálogo, apropriando-se também da visão de pessoa e comunidade 
de E. Mounier (1936), dirige-se ao vivido humano, aos sujeitos em 
O SERVIÇO SOCIAL E A PRÁTICA PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
V
suas vivências, colocando para o Serviço Social a tarefa de “auxi-
liar na abertura desse sujeito existente, singular, em relação aos outros 
ao mundo de pessoas” (ALMEIDA, 1990, p. 114). Essa tendência, que no 
Serviço Social brasileiro vai priorizar as concepções de pessoa, diálogo 
e transformação social (dos sujeitos, não da sociedade), é analisada por 
Netto (1994, p. 201) como uma forma de reatualização do conservado-
rismo presente no pensamento inicial da profissão.
 ■ A vertente marxista remete à profissão a consciência de sua inserção na 
sociedade de classe e que, no Brasil, vai configurar-se, em um primeiro 
momento, como uma aproximação ao marxismo, sem o recurso do pen-
samento de Marx, por autores como Althusser, por exemplo.
Dessa forma, pode-se concluir que o período militar foi responsável pelo rom-
pimento com do pensamento tradicional do Serviço Social, pautado na teoria 
positivista em sua vertente funcionalista e na formação do seu comprometimento 
ético-político com as minorias sociais.
SEMINÁRIO DE ARAXÁ
Segundo Netto (2006, p. 164), o I Seminário de Teorização do Serviço Social foi 
realizado em Araxá (MG), no período de 19 a 26 de março de 1967. Entre outros 
temas, o documento de Araxá, publicado pelo CBCISS (1986, p. 32), trata dos 
níveis da microatuação e da macroatuação do Serviço Social. O nível da microa-
tuação discute a prática profissional voltada para a prestação de serviços diretos. 
Para tanto, o “[...] Serviço Social, como técnica, dispõe de uma metodologia de 
ação que utiliza diversos processos” (CBCISS, 1986, p. 30),
Entendendo-se que uma prática da microatuação está relacionada aos pro-
cessos de trabalho com a comunidade por meio das técnicas: Caso, Grupo e 
Comunidade.
No processo da macroatuação por sua vez, o Serviço Social está voltado para 
a política e o planejamento. “Essa integração supõe a participação no planeja-
mento, na implantação e na melhor utilização da infraestrutura social” (CBCISS, 
1986, p. 31).
111
O serviço social e o processo de questionamento da prática profissional
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
O SEMINÁRIO DE TERESÓPOLIS
O II Seminário de Teorização do Serviço Social foi promovido pelo CBCISS, de 
10 a 17 de janeiro de 1970, em Teresópolis. O tema desse seminário era a metodo-
logia do Serviço Social.
As formulações de Teresópolis “[...] apontam para a requalificação profissio-
nal do assistente social, definem nitidamente o perfil sócio técnico da profissão e 
a inscrevem conclusivamente no circuito da ‘modernização conservadora’ [...]” 
(NETTO, 2006, p. 192).
O roteiro do trabalho do seminário foi entregue a 103 assistentes sociais 
que foram convidados a participar do encontro. Desses profissionais, 33 estive-
ram presentes. Os selecionados foram escolhidos a partir dos seguintes critérios: 
 ■ Interesse pelo estudo da Teoria do Serviço Social, realizações ou vivências. 
 ■ Profissionais, representatividade de instituições nacionais, públicas e privadas.
 ■ Tempo de formatura e procedência regional.
Esse roteiro era dividido em quatro temáticas: 
1) Teoria do Diagnóstico e da Intervenção Social – A Intervenção em Ser-
viço Social.
2) Diagnóstico e Intervenção em Nível de Planejamento, incluindo situa-
ções globais e problemas específicos;
3) Diagnóstico e Intervenção em Nível de Administração.
4) Diagnóstico em Nível de Prestação de Serviços Diretos a Individuais, 
Grupos, Comunidades e Populações.
Vinte e um documentos versando sobre o roteiro entregue previamente foram 
recebidos pelo CBCISS.
O seminário desenvolveu-se nas seguintes etapas:
1. Apresentação da proposta sobre a Pesquisa em Serviço Social no Brasil.
2. Análise e debate em plenário de 3 documentos sobre o tema 1.
O SERVIÇO SOCIAL E A PRÁTICA PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
V
3. Divisão em 2 grupos de trabalho – Ae B. 
4. Neste documento, temos o triunfo da perspectiva modernizadora
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Dessa forma, caro(a) aluno(a), podemos concluir que o período militar foi res-
ponsável pelo rompimento com o pensamento tradicional do Serviço Social, 
pautado na teoria positivista, em sua vertente funcionalista e na formação do 
seu comprometimento ético-político com as minorias sociais.
Dentre os conteúdos estudados, destaca-se a Reconceituação do Serviço 
Social Brasileiro, que se torna um marco histórico a partir da mobilização dos 
assistentes sociais em prol do rompimento com o conservadorismo. Para refle-
tir sobre a prática profissional e repensar nova metodologia, realiza-se o 1˚ 
Seminário de Teorização do Serviço Social, em Araxá (MG), evento histórico 
no processo de “teorização” e “reconceituação” do Serviço Social brasileiro, que 
propôs ações profissionais mais vinculadas à realidade social e política do país. 
Organizado pelo Centro Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio de Serviços 
A prática do assistente social: conhecimento, instrumentalidade e in-
tervenção profissional - Charles Toniolo de Sousa
Este artigo tem por finalidade apresentar uma reflexão sobre a prática pro- 
fissional do Assistente Social, reconhecendo suas dimensões, com o objetivo 
de situar a instrumentalidade do Serviço Social bem como seu arsenal técni-
co-operativo. Em seguida, serão apresentados, de forma sucinta, alguns dos 
principais instrumentos de trabalho utilizados pelos Assistentes Sociais no 
exercício da prática profissional, bem como algumas considerações finais.
Para ter acesso ao artigo na íntegra, acesse:
<http://pt.scribd.com/doc/25131167/A-pratica-do-Assistente-Social-co-
nhecimento-instrumentalidade-e-intervencao-profissional-Charles-SOU-
SA>.
113
Considerações Finais
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
Sociais, o evento reuniu 38 assistentes sociais de vários estados brasileiros, pro-
duzindo o “Documento de Araxá”.
Outro evento importante que dá sequência ao Seminário de Araxá (MG, 1967), 
idealizado para ser uma continuidade do processo histórico, foi o “Seminário de 
Teorização do Serviço Social”, realizado em Teresópolis (RJ, 1970). Esse seminá-
rio tinha como objetivo estudar a “metodologia do Serviço Social”. O seminário 
reuniu 35 assistentes sociais, divididos em dois grupos, para compor os estudos e 
reflexões acerca das perspectivas teóricas e metodológicas da profissão. E, ao con-
trário do seminário de Araxá, o de Teresópolis não produziu um documento final. 
O Centro Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio de Serviços Sociais, instituição 
responsável pelo evento, publicou os relatórios de cada grupo separadamente. 
Podemos concluir esta unidade dizendo que desde a década de 70, mais 
precisamente final daquela década, o Serviço Social brasileiro vem construindo 
um projeto profissional comprometido com os interesses das classes trabalha-
doras. Foi por uma somatória de movimentos articulados com os interesses da 
sociedade que o Serviço Social deu um salto qualitativo mediante um processo 
de ruptura teórica e política. 
1. Faça uma análise crítica, em até 15 linhas, de como o período da Ditadura Militar 
influenciou o Serviço Social.
2. Explique de que maneira a profissão foi incorporada à esfera da burocracia e 
tecnocracia.
3. Faça uma análise crítica do Serviço Social e processo de questionamento da prá-
tica profissional, em até 10 linhas.
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Ditadura e Serviço Social: uma análise do Serviço Social no 
Brasil pós-64
José Paulo Netto
Editora: Cortez
Sinopse: O que ocorreu no Serviço Social brasileiro nos anos sessenta 
a oitenta? Que processos determinaram a extraordinária renovação 
experimentada por ele? Como e por que os assistentes sociais 
desenvolveram, neste período, concepções e propostas tão diferentes? 
Quais as relações entre esta renovação e a ditadura militar? Como a 
teorização do Serviço Social se relaciona com a cultura e sociedade 
brasileiras?
A estas indagações pretende responder de forma rigorosa e original. 
Com uma sólida fundamentação histórico-crítica, a argumentação do 
autor (conhecido ensaísta de filiação marxista) percorre os principais documentos do Serviço Social, 
analisando-os na sua estrutura interna e na sua vinculação com o processo histórico-social e político-
ideológico vivido pelo país no pós-64.
Além do golpe: versões e controvérsias sobre 1964 e a 
ditadura militar
Carlos Fico
Editora: Record, 2004
Sinopse: O autor, Carlos Fico, oferece ao leitor não especializado uma 
espécie de guia para a compreensão do golpe de 1964 e da ditadura 
militar. Em relação ao golpe, especificamente, o autor reuniu uma 
seleção de documentos históricos esclarecedora. São 75 textos, quase 
todos na íntegra, muitos dos quais completamente desconhecidos, pois 
estão em livros que não circulam mais ou em publicações de acesso 
problemático. ‘Além do Golpe - Versões e controvérsias sobre 1964 e a 
ditadura militar’ transporta o leitor para a agitada conjuntura de meados dos anos 1960 e apresenta a 
posição, entre outros, de personagens como Carlos Lacerda e Juscelino Kubitschek. Expõe e analisa, 
ainda, momentos decisivos, através de discursos que marcaram a história política brasileira em 
comícios marcantes - como os de Leonel Brizola na Cinelândia (23 de agosto de 1963) e na Central (13 
de março de 1964); e o de João Goulart no Automóvel Clube (30 de março de 1964).
http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&tbo=p&tbm=bks&q=inauthor:%22Carlos+Fico%22
CONCLUSÃO
117
Olá, chegamos ao final de nosso conteúdo! Após termos estudado sobre o surgi-
mento de nossa profissão, podemos compreender qual é o propósito do Serviço 
Social e seu processo de institucionalização no Brasil.
A institucionalização deu-se a partir da década de 1930, inicialmente, com a inicia-
tiva de grupos privados, com a ação efetiva da Igreja católica, marcada à visão da 
caridade estabelecida por esta.
Vimos também que a institucionalização do serviço social se deu em um momento 
peculiar, quando se exigem respostas a demandas colocadas pela classe trabalha-
dora emergente. Primeiramente, por meio dos serviços sociais, das ações desses 
grupos específicos. Depois, como resposta profissional qualificada, respaldada te-
órico e metodologicamente.
Também estudamos o contexto sócio-histórico do cenário econômico e político em 
que se situava a profissão de assistente social e como esses fatores influenciavam a 
prática profissional.
A profissão surge com o processo de industrialização e culmina com a ascensão da 
classe burguesa nas primeiras décadas do século XIX. Dessa forma, surge a necessi-
dade de um profissional que se ocupasse da área social para assistir a classe prole-
tária. Essa era uma das formas da classe dominante exercer certo “controle” sobre a 
classe proletária. 
O Serviço Social surgiu no Brasil, quando o país se encontrava rumo ao processo de 
industrialização, marcado por um intenso avanço significativo de desenvolvimento 
econômico, social, cultural e político, e, ao mesmo tempo, as relações sociais se tor-
nam mais intensas pela própria dinâmica do sistema capitalista.
É nesse contexto que o Estado toma uma série de medidas políticas sociais, como 
uma forma de enfrentamento das múltiplas questões sociais. 
A prática profissional era configurada para atender aos interesses da burguesia, que 
detinha o capital. E o Estado, tido como governo populista, conseguiu a adesão da 
classe trabalhadora, da classe média e da burguesia.
Naquele momento, a profissão não tinha uma linha metodológica enquanto projeto 
profissional acerca da sua ação. 
Com o passar dos anos, a profissão foi se estruturando, com o processo de mobili-
zação de representações de classe, em busca de uma qualificação profissional mais 
profícua da fundamentação teórica e metodológica do Serviço Social.E, assim, ao finalizar nossas Unidades, esperamos que você tenha conseguido apro-
fundar o conteúdo da disciplina tão marcante na história da nossa profissão. Forte 
abraço e muito sucesso em sua carreira profissional!
Prof.ª Me. Aline Cristtine Marroco França Bertti
Prof.ª Me. Maria Cristina Araújo de Brito Cunha 
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
119
ABREU, M. M. Serviço Social e a organização da cultura: perfis pedagógicos da 
prática profissional. São Paulo: Cortez, 2002.
ABREU, M. M.; CARDOSO, F. G. Mobilização social e práticas educativas. In: ABEPSS; 
CFESS (Org.). Serviço Social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília: 
Cfess/Abepss, UnB, 2009.
ALMEIDA, Ana Augusta. A metodologia dialógica: o Serviço Social num caminhar 
fenomenológico. In: ANPESS/CBCISS. Pesquisa em Serviço Social. Rio de Janeiro: 
Nova Fronteira, 1990.
ANDRADE, Maria A. R. Alves. O Metodologismo e o Desenvolvimentismo no Serviço 
Social Brasileiro – 1947 a 1961. Serviço Social e Realidade, Franca, v.17, n. 1, p. 
268-299, 2009. Disponível em:<http://periodicos.franca.unesp.br/index.php/SSR/
article/viewFile/13/78>. Acesso em: 20 ago. 2014. 
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394, de 20 de de-
zembro de 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.
htm>. Acesso em: 15 jul. 2014.
BRASIL. Lei 8.662, de 7 de junho de 1993. Disponível em: <http://ulbra-to.br/cursos/
Servico-Social/2011/1/turmas/1125/plano-de-ensino>. Acesso em: 21 jul. 2014.
CARDOSO, F. G.; LOPES, J. B. O trabalho do assistente social nas organizações da clas-
se trabalhadora. In: ABEPSS; CFESS. (Org.). Serviço Social: direitos sociais e compe-
tências profissionais. Brasília: Cfess/Abepss, UnB, 2009.
CFESS. Resolução CFESS, 273/93 de 13 de março de 1993. Institui o Código de Ética 
Profissional dos Assistentes Sociais e dá outras providências. Brasília, 1993. Disponí-
vel em:<http://www.cfess.org.br/arquivos/CEP_1993.pdf>. Acesso em: 30 jul. 2014.
DURIGUETTO, Maria Lúcia; BALDI, Luiz Agostinho de Paula. Serviço Social, mobiliza-
ção e organização popular: uma sistematização do debate contemporâneo. Rev. Ka-
tálysis, Florianópolis, v.15, n. 2, July/Dec. 2012. Disponível em: <http://www.scielo.
br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-49802012000200005>. Acesso em: 20 
ago. 2014.
FALCAO, Julia de Matos. Atuação do Assistente Social. São Paulo. In: CBCISS - 
Centro Brasileiro de Cooperação e Intercambio de Serviços Sociais. Serviço Social 
no campo da saúde. Organizado pela Divisão de Serviço Social do Instituto de 
Assistência aos Servidores do Estado do Rio de Janeiro - IASERJ. Ano III. n. 27. Rio de 
Janeiro, 1970. CBSSIS. 1977
HAMILTON, Gordon. Teoria e Prática do Serviço Social de Casos. Rio de Janeiro: 
Agir, 1958.
IAMAMOTO, M. V. e CARVALHO, Raul de. Relações sociais e serviço social no Brasil: 
esboço de uma interpretação histórico-metodológica. São Paulo: Cortez,
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS
IAMAMOTO, Marilda V. O serviço social na contemporaneidade: trabalho e forma-
ção profissional. São Paulo: Cortez, 1998.
IAMAMOTO, Marilda V.; CARVALHO, Raul de. Relações Sociais e Serviço Social no 
Brasil: esboço de uma interpretação teórico-metodolígica. 21 Ed. São Paulo: Cortez, 
2007.
IAMAMOTO, Marilda; CARVALHO, Raul de. Relações Sociais e Serviço Social no Brasil. 
São Paulo: Cortez, 2009
KONOPKA, Gisela. Serviço Social de Grupo. 5. ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 
1979.
MARTINELLI, Maria Lucia. Serviço social: identidade e alienação. 5. ed. São Paulo: 
Cortez, 1997. 
MATOS, Cândida Margarida Oliveira. Práticas Políticas e Profissionais no Exercício do 
Serviço Social. Revista TOMO, Sergipe – SE, n.15, p.109-141, jul./dez. 2009.
NETTO, José Paulo. Ditadura e Serviço Social. São Paulo: Cortez, 1994.
____. Transformações societárias e Serviço Social: notas para uma análise prospec-
tiva da profissão no Brasil. Serviço Social & Sociedade. São Paulo: Cortez, ano XVII, 
n. 50, abril 1996.
SILVA, José Airton. O POSITIVISMO de Comte e Durkheim e a crítica marxista. Dispo-
nível em: <http://www.airtonjo.com/socio_antropologico03.htm>. Acesso em: 20 
ago. 2014.
QUIROGA, Consuelo. Invasão positivista no marxista: manifestação no ensino da 
Metodologia no Serviço Social. São Paulo: Cortez, 1991.
SOUZA, Charles Toniolo de. A prática do assistente social: conhecimento, instrumen-
talidade e intervenção profissional. Emancipação, Ponta Grossa, 8(1), p. 119-132, 
2008. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/25131167/A-pratica-do-Assisten-
te-Social-conhecimento-instrumentalidade-e-intervencao-profissional-Charles-
SOUSA>. Acesso em: 20 ago. 2014.
TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a 
pesquisa qualitativa em educação. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1992.
VIEIRA, Balbina Ottoni. História do Serviço Social: contribuição para a construção 
de sua teoria. 3. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1978.
YAZBEK, Maria Carmelita. Classes Subalternas e Assistência Social. 2. ed. São Pau-
lo: Cortez, 1996.
____. (Org). Projeto de revisão curricular da Faculdade de Serviço Social da PUC/SP. 
Serviço Social e Sociedade. São Paulo: Cortez, 1984.
	_GoBack
	UNIDADE I
	CAPITALISMO E SERVIÇO SOCIAL
	Introdução
	Capitalismo
	Capitalismo Monopolista
	Proletariado X Burguesia
	O Surgimento do Serviço Social na Europa
	Considerações Finais
	UNIDADE II
	AS PROTOFORMAS E O SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL
	Introdução
	As Protoformas do Serviço Social
	As Primeiras Escolas de Serviço Social no Brasil
	Conservadorismo Religioso e Bases Teórico-Metodológicas
	Considerações Finais
	UNIDADE III
	A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL
	Introdução
	A Influência do Serviço Social de Caso, Grupo e Comunidade
	Positivismo na Profissão
	Introdução do Funcionalismo no Serviço Social
	Considerações Finais
	UNIDADE IV
	A CATEGORIA PROFISSIONAL
	Introdução
	DEFESA DA QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL
	A Mobilização Da Categoria
	Considerações Finais
	UNIDADE V
	O SERVIÇO SOCIAL E A PRÁTICA PROFISSIONAL
	Introdução
	O Serviço Social e a Ditadura Militar
	A Incorporação da Profissão na Esfera da Burocracia e Tecnocracia
	O serviço social e o processo de questionamento da prática profissional
	Considerações Finais
	Conclusão
	Referências

Mais conteúdos dessa disciplina