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CENTRO UNIVERSITÁRIO ESTÁCIO DE BELO HORIZONTE 
CURSO DE ENFERMAGEM 
 
 
 
 
 
PERCEPÇÃO DAS PARTURIENTES SOBRE VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E O 
PAPEL DO ENFERMEIRO NESSE CONTROLE. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Belo Horizonte 
2019 
 
 
 
 
 
 
 
Deise Carla Figueiredo de Almeida 
Helen de Souza Corraide Santana 
Liliane Pereira Barcelos 
Michele Aparecida dos Santos 
 
 
 
 
PERCEPÇÃO DAS PARTURIENTES SOBRE VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E O 
PAPEL DO ENFERMEIRO NESSE CONTROLE. 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro Universitário Estácio de Belo 
Horizonte, como requisito parcial para obtenção do grau 
de Bacharel de Enfermagem. 
 Professor (a) Orientador(a): Prof. MSc. Miria Reis 
 
 
 
 
 
 
 
BELO HORIZONTE 
2019 
 
 
 
 
RESUMO 
 
O momento do parto deveria ser algo marcante na vida de qualquer mulher, visto tratar-se de 
um processo fisiológico da natureza humana. O nascimento de um filho deve ser um 
momento prazeroso e encantador para a mulher, sem danos físicos e/ou psicológicos. No 
entanto, o que se percebe é, em muitos casos, outra realidade onde as mulheres são vítimas de 
práticas dolorosas e agressivas. A violência obstétrica é uma prática que acomete mulheres no 
seu período gravídico-puerperal, sendo um sério problema de saúde pública. Esse trabalho 
teve por objetivo compreender a percepção de parturientes sobre a violência obstétrica, bem 
como, levantar como a atuação do enfermeiro pode contribuir para a minimização desses 
casos. Trata-se de uma revisão da literatura, de caráter qualitativo e com fins descritivos. A 
amostra foi composta por 9 artigos que buscam conceituar o tema violência obstétrica a partir 
da sua história e classificações de aspectos que englobam e sustentam as práticas violentas 
contra às mulheres puérperas, gestantes e parturientes. Percebe-se que pouco se sabe, por 
parte das parturientes, os comportamentos que configuram a violência obstétrica. Muitas 
consideram tais comportamentos como naturais e característicos desse momento, mesmo 
sendo invadidas em sua intimidade. Fica evidente pouca ou nenhuma possibilidade de 
exercício sobre o seu próprio corpo e o sentir-se dona de si mesma. Práticas prejudiciais e não 
recomendadas cientificamente tais como: aplicação indesejada de ocitocina, realização de 
manobra de kristeller, episiotomia, dentre outras se mostram presentes no dia a dia das 
maternidades. Os resultados indicam o exercício do poder dos profissionais da enfermagem e 
da autoridade médica, disfarçando a negligência e o despreparo desses profissionais durante o 
processo gravitacional-puerperal. Percebe-se, ademais, o omitir por parte da equipe médica e 
de enfermagem, informações fidedignas sobre os direitos que as gestantes portam no trabalho 
de parto e parto. Os dados permitiram identificar que o grupo mais vulnerável e com maior 
incidência de evidencias de violência obstétrica é o de mulheres negras, pardas e indígenas 
e/ou com menor nível socioeconômico e cultural. O modo desrespeitoso na comunicação 
entre mulher e profissional da saúde pode desencadear problemas futuros na puérpera tais 
como depressão, impotência dentre outros por causa dos xingamentos e ofensas morais. A 
 
 
 
violência obstétrica consolida e ratifica as questões de desigualdade social verificadas nos 
diferentes âmbitos. O enfermeiro pode ser considerado um elemento primordial na 
remodelação e alteração desse contexto. A partir de um olhar mais humano é possível ter um 
enfrentamento efetivo desse problema. Faz-se necessário uma mudança de paradigma e 
investir no trabalho de prevenção e promoção da saúde e humanização do cuidado ao binômio 
mãe - recém-nascido. 
Palavras-chave: Violência; Violência Obstétrica; Violência no Parto; Percepção das 
Parturientes; Assistência em Enfermagem. 
 
ABSTRACT 
The moment of childbirth should be something remarkable in any woman's life, as it is a 
physiological process of human nature. The birth of a child should be a delightful and 
charming time for the woman without any physical and / or psychological harm. However, 
what is perceived is, in many cases, another reality where women are victims of painful and 
aggressive practices. Obstetric violence is a practice that affects women during their 
pregnancy and puerperal period, being a serious public health problem. This study aimed to 
understand the perception of parturients about obstetric violence, as well as to raise how 
nurses' actions can contribute to the minimization of these cases. This is a literature review, 
qualitative and descriptive. The sample consisted of 9 articles that seek to conceptualize the 
theme of obstetric violence from its history and classifications of aspects that encompass and 
sustain violent practices against women who have recently given birth, pregnant women and 
parturient women. It is noticed that little is known, on the part of the parturients, the behaviors 
that configure obstetric violence. Many consider such behaviors as natural and characteristic 
of this moment, even though they are invaded in their privacy. There is little or no possibility 
of exercising on your own body and feeling self-possessed. Harmful and scientifically not 
recommended practices such as: unwanted oxytocin application, kristeller maneuver, 
episiotomy, among others are present in the daily routine of maternity wards. The results 
indicate the exercise of the power of nursing professionals and medical authority, disguising 
the negligence and unpreparedness of these professionals during the gravitational-puerperal 
process. In addition, the omission by the medical and nursing staff of reliable information on 
 
 
 
the rights that pregnant women carry in labor and delivery. The data allowed us to identify 
that the most vulnerable group and with the highest incidence of evidence of obstetric 
violence is that of black, brown and indigenous women and / or those with a lower 
socioeconomic and cultural level. The disrespectful mode of communication between women 
and health professionals can trigger future problems in the postpartum woman such as 
depression, helplessness among others because of insults and moral offenses. Obstetric 
violence consolidates and ratifies the issues of social inequality in the different spheres. The 
nurse can be considered a primordial element in the remodeling and alteration of this context. 
From a more human look it is possible to have an effective confrontation of this problem. It is 
necessary to change the paradigm and invest in the work of prevention and health promotion 
and humanization of care to the mother - newborn binomial. 
Keywords: Violence; Obstetric Violence; Violence in childbirth; Perception of Parturients; 
Nursing Assistance. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO..................................................................................................................... 
1.1 Pergunta................................................................................................................................1.2 Objetivos 
1.3 Objetivo Geral 
1.4 Objetivos Específicos 
1.5 Justificativa 
2 REFERENCIAL TEÓRICO............................................................................................ 
2.1 A Violência e seus gêneros 
2.2 Violência contra a mulher 
2.3 A Violência obstétrica 
2.4 O papel do enfermeiro no processo da violência obstétrica 
3 METODOLOGIA 
4 ANALISE DE DADOS ..................................................................................................... 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................... 
REEFERÊNCIAS .......................................................................................................... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1​ ​INTRODUÇÃO 
 
O momento do parto deveria ser marcado, na vida da mulher, como algo fisiológico e 
característico da natureza humana. Mas tem se tornado uma prática dolorosa e agressiva, 
marcada por traumas, violência e desrespeito, violando os direitos humanos fundamentais. 
Até o início da década de 1980, no Brasil não existiam políticas públicas contra a violência 
contra a mulher. Então em 1983, foram criados os Conselhos Estaduais, em São Paulo e em 
1984 surgiu o Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Mulher e em 1986 as Delegacias 
Especializadas em atendimento de mulheres (PENNA e SANTOS, 2013). Entre 1980 e 1990 
foi promovida uma discussão sobre o tema violência obstétrica no Brasil por grupos de 
profissionais dos direitos humanos e da saúde, o que já chamou atenção para o tema. No ano 
de 1993, aconteceu em Campinas um evento que participaram representantes de entidades e 
associações de pessoas interessadas no movimento em favor do parto e nascimento. Nesse 
evento o tema abordado foi a situação do nascer em nossa sociedade e a partir disso foi criada 
a Carta de Campinas, que descreve as péssimas condições de parto no Brasil. Atuando através 
de seus associados no Brasil, com objetivo de humanizar a assistência perinatal com base em 
evidências científicas(site da REHUNA). Nos anos 2000, esse movimento foi intensificado e 
reconhece a mulher como protagonista do parto. Com a Fundação da Rede de Humanização 
de Parto e do Nascimento (REHUNA) essa causa ganhou amplitude, atentando para a mulher 
como real protagonista do parto, enfatizando o direito de ser assistida com respeito e 
dignidade no processo de escolhas de procedimentos a serem realizados (TOKNQUIST et al, 
2004). 
 
 
 
Conforme o Ministério da Saúde (2001), a humanização no parto envolve conhecimento, 
prática e ações que possam garantir a execução de procedimentos que assegurem um parto e 
um nascimento saudáveis, sem procedimentos desnecessários que desrespeitem a paciente. Os 
profissionais de saúde são colaboradores para um trabalho de parto seguro, esclarecido e que 
minimizem a dor e a insegurança no processo de parir. Ainda para o Ministério da Saúde, 
alguns profissionais tem esquecido do cuidado holístico e encarando o parto como um 
processo patológico e não biológico. A equidade no tratamento cria vínculos e faz o 
profissional ter um olhar amplo para as reais necessidades da parturiente. Os profissionais da 
saúde devem se comprometer a buscar novas propostas e técnicas baseadas em evidencias. O 
ato de parir deve ser observado como saudável e fisiológico, e não como uma doença. 
Todas as vezes que as premissas da humanização não são consideradas, pode-se evidenciar 
um episódio de violência. Segundo Muszkat (2016), a violência pode estar oculta em insultos, 
traições, castigos, ofensas, agressões, arranhões, empurrões, na inveja, na rivalidade e vem do 
desejo de poder e de se mostrar autoridade. Quando essa violência está direcionada á mulher, 
ao longo do processo de parto, trata-se da violência obstétrica. De acordo com o projeto de lei 
proposto pelo Deputado Federal Jean Wyllys, violência obstétrica é caracterizada por: 
Art. 13 – Caracteriza-se a violência obstétrica como a apropriação do corpo e dos processos 
reprodutivos das mulheres pelos (as) profissionais de saúde, através do 
tratamento desumanizado, abuso da medicalização e patologização dos 
processos naturais, que cause a perda da autonomia e capacidade das 
mulheres de decidir livremente sobre seus corpos e sua sexualidade, 
impactando negativamente na qualidade de vida das mulheres. Parágrafo 
único. Para efeitos da presente Lei, considera-se violência obstétrica todo ato 
praticado pelo(a) profissional da equipe de saúde que ofenda, de forma 
verbal ou física, as mulheres gestantes em trabalho de parto, em situação de 
abortamento e no pós-parto/puerpério (CÂMARA DOS DEPUTADOS, 
PROJETO DE LEI N°7.633/2014). 
Diante do contexto, despertou o interesse em analisar as evidências científicas acerca da 
percepção das puérperas com relação a violência obstétrica e os principais aspectos 
desencadeadores desse tipo de violência. A partir dessa contextualização elaborou-se aa 
pergunta norteadora desse trabalho de pesquisa. 
 
 
 
 
1.1 Pergunta 
Qual o grau de entendimento sobre violência obstétrica observado nas parturientes no período 
de 2011 a 2019 e quais as principais evidências? 
 
1.2 Objetivos 
 
1.3 Objetivo Geral 
 
● Levantar e analisar o grau de entendimento sobre violência obstétrica pelas 
parturientes, bem como, as principais ocorrências no período de 2011 a 2019. 
● Compreender a percepção de parturientes sobre violência obstétrica, bem como a 
atuação do enfermeiro no processo do parto. 
 
1.4 Objetivos Específicos 
● Analisar o grau de entendimento sobre violência obstétrica no período de 2011 a 2019 
● Descrever as principais ocorrências de violência obstétrica nesse período 
● Identificar qual o perfil da mulher que se apresenta como maior vítima de violência 
obstétrica 
● Descrever o papel do profissional de enfermagem na prevenção e/ou eliminação da 
violência obstétrica. 
 
 
1.5 Justificativa 
 
O interesse pelo tema surgiu a partir do contato com as parturientes no campo de estágio, 
onde as pesquisadoras presenciaram atos de violência contra as mesmas. Atos, como a 
manobra de Kristeler e episiotomia, eram considerados normais para muitas parturientes. 
Esse tema tem sido bastante abordado entre os profissionais de saúde, visto que as 
informações sobre as práticas de violência têm sido cada vez mais esclarecido, o que faz com 
que essas parturientes que sofreram algum tipo de violência durante o parto busquem seus 
direitos. 
 
 
 
O Ministério da Saúde (2019) vetou o termo violência obstétrica, mas, sem sucesso, pois se 
trata de um problema de grande relevância na saúde pública, tendo em vista que a retirada 
desse termo ignora uma realidade rotineira nas maternidades brasileiras. Abolir o termo 
violência obstétrica é o mesmo que calar essas gestantes vitimadas e tirar delas o direito de 
um parto humanizado. 
A elaboração do presente trabalho se faz relevante para entender e demonstrar o quanto se 
comete a violência obstétrica, por parte dos profissionais de enfermagem e da medicina. 
Buscar-se por meio de dados secundários, o grau de entendimento das parturientes sobre tal 
processo. 
A enfermagem desempenha um importante papel em reduzire até mesmo banir a violência 
obstétrica. De forma prática, o profissional pode evitar intervenções desnecessárias como: 
suspender dieta, aplicar Ocitocina, estimular o fórceps, conduzir a manobra de Kristeller, 
dentre outras práticas reprovadas pelo Ministério da Saúde. A enfermagem deve garantir o 
bem-estar físico e mental das parturientes, esclarecendo suas dúvidas e respeitando seus 
direitos individualmente. Dessa maneira, é de fundamental importância a atuação do 
enfermeiro, uma vez que ele participa, coordena e promove ações de melhorias contínuas no 
cuidado humanizado para gestantes e puérperas. 
A próxima seção irá elucidar a violência em um contexto mais amplo e como ela afeta suas 
vitimas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 REFERENCIAL TEÓRICO 
 
2.1 A Violência e seus gêneros 
Considera-se violência um ato intencional, cometido por um indivíduo ou grupo, que resulte 
em óbito, danos físicos, psicológicos e sociais que se implica em uso da força física ou a 
coação psíquica ou moral (OMS, 2002). 
A violência pode estar oculta em insultos, traições, castigos, ofensas, agressões, arranhões, 
empurrões, na inveja, na rivalidade e vem do desejo de poder e de se mostrar autoridade , mas 
só demonstra fraqueza para resolver conflitos existentes. No passado a violência era usada 
para disciplinar crianças (MUSZKAT, 2016). Berlinck (2017) cita que um dos primeiros 
entendimentos que se teve sobre a violência foi de Freud, em 1932, quando ele esclarece que 
a violência é proveniente da somatória de diversos fatores, sendo pouco provável que somente 
um requisito defina um ato violento. 
Observamos a violência em nosso cotidiano mas não refletimos sobre ela. A violência é um 
tema complexo, que envolve as áreas sociais, econômicas, políticas, jurídicas, biológicas e 
afeta a saúde física e mental (PENNA e SANTOS, 2013). 
Esse autores acrescentam que : 
 
 
 
“Dessa forma, deve-se considerar a violência e os acidentes resultados de ações ou omissões 
humanas ( indivíduos, grupos, classes, nações) e de condicionantes 
técnicos e sociais que ocasionam a morte de outros seres humanos ou 
que afetam sua integridade física, moral, mental ou espiritual, suas 
poses ou ainda suas participações simbólicas e culturais’’ (PENNA; 
SANTOS, 2013, p.212). 
Ainda para esses autores a violência abrange vários âmbitos: 
● Violência Psicológica – ser privado de liberdade, negligência, ser impedido de realizar 
atividades cotidianas (estudar, trabalhar e lazer), contato externo, ameaça a familiares; 
● Violência Física – empurrões, tapas, puxão de cabelo, tentativa de homicídio, 
mordidas, queimaduras; 
● Violência Sexual – atitudes que não são aceitas pela vítima como: beijos, prostituição 
forçada, carícias, pornografia não consentida; 
● Violência Doméstica – quando ocorre particularmente com integrantes da mesma 
família, pessoas que vivem na mesma casa. Inclui empregadas domésticas e agregados 
á família; 
● Violência Intrafamiliar – ações ou omissões que interfiram na liberdade, integridade 
física e psicológica e na liberdade de exercer seus direitos. É cometida dentro ou fora 
de casa, por parentes ou não, incluindo relações construídas. Completando, Muszkat 
(2016) relata a violência intrafamiliar como silenciosa e deixa marcas e sequelas. 
A seguir, no caminho ao encontro do foco de interesse desse trabalho será destacado a 
violência contra a mulher. 
 
2.2 Violência contra a mulher 
 
De acordo com Penna e Santos (2013) a violência contra mulher é a principal causa da 
morbimortalidade em todo o mundo e está afetando a população de formas diferenciadas. 
Dessa maneira, está sendo considerada um problema de saúde pública, inclusive no Brasil. 
Por não se restringir ao campo de saúde, requer veementemente a atuação interdisciplinar e 
dos vários setores da sociedade civil e de organização governamentais . 
 
 
 
Segundo Chaui (2017) acerca da violência que vigorou no Brasil apartir do século XX adveio 
de Portugal e nessa os maridos eram autorizados a tirar a vida das mulheres em caso de 
adultério. Naquela época as mulheres não podiam comprar, vender ou trabalhar sem a 
autorização dos maridos. Com o advento do Estatuto da Mulher Casada, criado em 1962, a 
mulher passou a ser civilmente capaz. Com a Constituição de 1988, salientou a importância 
de igualdade entre homens e mulheres. No entanto, muitos anos se passaram sem se ter uma 
legislação específica para tal. Apenas em 2006 se promulga a lei Maria da Penha. 
Colaborando para a criação desses conselhos de proteção a mulher, temos o caso que deu 
origem a Lei Maria da Penha). 
Na Lei Maria da Penha em seu Art. 7° são citadas outras formas de violência: 
I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde 
corporal; 
II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e 
diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que 
vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, 
constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição 
contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e 
limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde 
psicológica e à autodeterminação; 
III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a 
manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação 
ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua 
sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao 
matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou 
manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos; 
IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, 
subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos 
 
 
 
pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer 
suas necessidades; 
V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou 
injúria. 
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2019) informam que, o feminicídio atinge 
28,2% de mulheres em idade de 20 e 29 anos; 29,8% entre 30 e 39 anos e 18,5% entre 40 e 49 
anos. O registro de 88,8% dos assassinatos foram praticados pelos próprios companheiros ou 
ex-companheiros. 
A próxima seção se dedicará a explicitar a violência obstétrica. Violência essa que pode se 
configurar como a mais grave por acontecer em momento que a mulher já se encontra 
fragilizada física ou emocionalmente. 
 
2.3 A Violência obstétrica 
Humilhar, xingar, constranger, ofender, fazer piadas ou comentários desrespeitosos, realizar 
procedimentos sem esclarecimento ou desconsiderar a recusa informada, utilizar de 
procedimentospara acelerar o parto sem observar as evidências científicas, submeter a jejum, 
raspagem de pelos, lavagem intestinal, não oferecer amamentação após o parto, proibir um 
acompanhante o que é garantido por lei, são alguns dos atos que descritos pela Rede Parto do 
Principio. 
Com base em Souza (2019), o Ministério da Saúde desqualificou a violência obstétrica em 
maio de 2019, julgando o termo como inadequado ao vocabulário. A Fundação Perseu 
Abramo junto ao Serviço Social do Comércio (SESC), constatou que 1 em cada 4 mulheres 
sofreu violência obstétrica de forma física, verbal, sexual, discriminação por etnia, idade, 
classe social, negligência, falta de cuidados, retirada de autonomia ou más condições do 
sistema de saúde. 
Entende-se a violência obstétrica como uma violência institucional que é praticada em 
instituições de serviço público como hospitais, postos de saúde, escolas, delegacias e 
judiciário, que deveriam proteger com atenção humanizada, preventiva e reparadora de danos 
 
 
 
as vítimas de violência (ARANHA, 2014). Infelizmente a violência de gênero prevalece 
fazendo com que não sejam cumpridos os direitos da mulher. É obrigatório o tratamento 
digno, respeitoso, esclarecido, humanizado e baseado em evidências. Muitas relatam que a 
frase “é assim mesmo’’ é usada como se fosse uma certeza passar pela violência. Mulheres e 
seus recém-nascidos morrem ou carregam as marcas físicas e psicológicas da violência. 
Conforme cita o Dossiê “Parirás com dor’’ da Rede Parto do Principio (2012), existem dois 
tipos de violência: a física, psicológica e sexual. A violência física engloba exames de toque 
excessivos, manobra de Kristeller entre outras ações. A violência psicológica incluem 
discriminação e insultos. A violência sexual abrange mutilação da genitália, episiotomia sem 
consentimento prévio da parturiente, todas essas práticas ocasionam transtornos futuros. 
Ainda segundo o Dossiê, defende a mulher como protagonista do parto, deve ser assistida por 
profissionais comprometidos com o processo natural do nascimento. Os meios de 
comunicação não disseminam informações sobre os direitos das mulheres como gestantes e 
parturientes, o que tem tornado conhecido são as notícias divulgadas nas mídias sociais, mas 
ainda se torna necessário ações e mudanças para que o conhecimento de tais práticas se 
globalizem. 
No Mato Grosso do Sul o governador Reinaldo Azambuja , sancionou a Lei N° 5.217/2018 , a 
fim de informar e proteger as gestantes e parturientes contra a violência obstétrica . Salienta 
na Lei que os estabelecimentos hospitalares deverão expor cartazes informativos contendo as 
condutas que são consideradas violência obstétrica. Os cartazes devem informar ainda os 
órgãos e os trâmites para denúncias nos casos de violência. 
Toda gestante deve estar ciente dos seus direitos e deveres, dentre eles: 
● Direito ao acompanhante garantido pela Lei Federal N°11.108/2005. Essa lei esclarece 
que, quando vai dar a luz, toda mulher tem direito a um acompanhante de sua livre 
escolha durante o acolhimento, pré-parto, parto e pós parto imediato em todos os 
serviços públicos e particulares. 
● Direito a informação sobre procedimentos a serem realizados de forma clara e 
respeitosa, deixar explícito o objetivo de cada procedimento, os riscos, complicações e 
alternativas. A mulher diante da informação tem o direito á recusa informada. 
 
 
 
● Direito ao atendimento digno , de modo ágil, respeitoso sem julgamentos ou exposição 
da situação da mulher. A humanização é dever de todo profissional . 
● Direito a se movimentar e a ficar na posição mais confortável. 
● Direito a anestesia quando indicada, ser informada sobre analgesia farmacológica e 
não farmacológica que são : chuveiro , banheira , massagem , bolsa de água quente , 
etc. 
● Direito ao atendimento respeitoso. Devido ao descumprimento de muitas condutas não 
recomendadas, as mulheres continuam sofrendo com procedimentos desnecessários 
como : manobra de Kristeller ( empurra a barriga ou sobe em cima dela para 
pressionar e agilizar a saída do bebê ), uso de Ocitocina , episiotomia e jejum. 
● Direito de parir ou direito a não ser enganada. 70% a 80% das mulheres são coagidas a 
cesarianas desnecessárias. Alguns profissionais argumentam que : a estrutura corporal 
não se adequa, não teve dilatação, pouco liquido amniótico, circular de cordão, parto 
normal coloca em risco a vida do bebê, cesárea é mais segura, se não marcar o parto 
não terá vaga ou não terá pediatra ou não terá anestesista disponíveis . Situações assim 
trazem sequelas na recuperação, complicações, risco de morte, cirurgia ou 
procedimentos abolidos e inviáveis, dificuldade na amamentação e medo de ter mais 
filhos. 
Os profissionais da enfermagem, são os que permanecem maior tempo junto aos pacientes. 
Portanto são peças fundamentais no processo de atendimento. A seguir se abordará o papel do 
enfermeiro na prevenção e/ou eliminação da violência obstétrica. 
 
2.4 O papel do enfermeiro no processo da violência obstétrica 
 
Tomando por base os princípios norteadores das técnicas de cuidados, a comunicação é o 
instrumento primário para o cuidado humanizado. A enfermagem contribui com a 
participação no planejamento dos cuidados, na aderência ao tratamento, na qualidade de vida 
e recuperação das parturientes. Esse comportamento afetivo, estabelece vínculo e uma relação 
de confiança entre os profissionais e o sujeito cuidado. Isso significa encorajar, ser amigo, 
 
 
 
demonstrar preocupação, fornecer segurança, chamar a mulher pelo nome, tocar e não 
abandonar (VARGENS, PRIANTI, ARAÚJO, 2013). 
O enfermeiro desempenha um papel fundamental para desmistificar o temor do momento do 
parto. Medidas simples como o diálogo, esclarecimento sobre dúvidas mesmo que simples, 
como é o trabalho de parto, o parto e o puerpério, procedimentos de rotina, a importância do 
acompanhante, estabelecer vinculo afetivo através da amamentação após o nascimento e 
incentivar a prática de estímulos naturais durante o trabalho de parto. Responsável pelos 
cuidados, o enfermeiro pode ofertar um ambiente que ofereça conforto para as parturientes, 
tendo um olhar amplo e clínico respeitando cada tipo de dor e emoções durante o processo do 
parto ( BRASIL, 2001). 
 
2.5 Percepção 
De acordo com o minidicionário Aurélio da língua portuguesa, percepção é ato, efeito ou 
faculdade de perceber (HOLANDA, 2006, p. 62). 
Entretanto, a percepção é um processo de sensações atípicas, que auxiliam na 
compreensão dos comos e porquês do comportamento humano, bem como, os 
indivíduos reagem e organizam essas sensações. A percepção advêm de como 
interpretamos as mensagens dos nossos órgãos dos sentidos (visão, audição, olfato, 
paladar e tato), no meio em que estamos inseridos. Assim, a percepção pode ser 
classificada como uma variável no ato de proceder (BOWDITCH E BUONO, 2011). 
Hitt; Miller e Colella (2013) trás a percepção como: “ um processo que envolve sentir 
vários aspectos de uma pessoa, uma tarefa ou um evento, e forma impressões com 
base emestímulos selecionados’’. 
Para Robbins; Judge e Sobral (2010) a percepção é a forma em que cada pessoa interpreta e 
organiza a impressão sobre algo ou alguém a fim de dar sentido ao seu ambiente. Um 
exemplo é a forma como cada funcionário de determinada empresa a encara, uns irão apreciar 
as condições de trabalho, porém, outros a irão encarar como desfavoráveis. Ratificando, para 
Schermerhorn; Hunt e Osborn (1999), as percepções sobre um fato são encaradas de formas 
distintas entre as pessoas. Ela transforma informação em resposta, mostra a impressão sobre 
cada pessoa e sua vida. 
Conforme a figura 1, existem diversos fatores que interferem no preceptor: atitudes , 
personalidade , motivações , interesses , experiência e expectativas. O alvo afeta a percepção, 
 
 
 
fatores como: novidade , movimento , sons , tamanhos, cenário , proximidade e semelhança. 
Como exemplos podem ser citados as pessoas que falam alto e chamam a atenção com relação 
as que são quietas. Outro exemplo é perceber que homens, mulheres, brancos, negros, 
asiáticos ou membros de outros grupos com características distintas como semelhantes em 
aspectos sem conexão. O contexto deve ser observado nos fatores situacionais: momento, 
ambiente de trabalho e social. A exemplo disso é a atenção cedida a uma jovem vestida de 
gala para uma noite festiva e a mesma jovem com o mesmo traje em uma manhã para assistir 
aula na faculdade, são situações distintas que não se adequam ao mesmo traje ( ROBBINS; 
JUDGE E SOBRAL, 2010). 
Fatores que influenciam a percepção: 
 
 
Figura 1: Fatores que influenciam na percepção 
Fonte : Adaptado de ROBBINS, JUDGE , SOBRAL (2010 , p.160) 
 
 
 
3 METODOLOGIA 
 
 
 
 
Para a elaboração de presente pesquisa, a abordagem metodológica foi a revisão integrativa 
da literatura, construída através de artigos científicos, livros e revistas. 
Pompeo et al.;(2009) entende que a revisão integrativa é um método de revisão mais amplo, 
pois permite incluir literatura teórica e empírica bem como estudos com diferentes 
abordagens metodológicas (quantitativa e qualitativa). Os estudos incluídos na revisão são 
analisados de forma sistemática em relação aos seus objetivos, materiais e métodos, que o 
leitor analise o conhecimento pré existente sobre o tema investigado. 
A realização do presente estudo se dá através dos seguintes passos: identificação do problema 
, estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão (seleção da amostra), definição das 
informações a serem extraídas dos artigos selecionados, análise das informações, 
interpretação dos resultados e apresentação da revisão. 
A finalidade principal do estudo foi responder á pergunta norteadora: Qual o grau de 
entendimento sobre violência obstétrica observado nas parturientes e quais as principais 
evidências? 
O levantamento dos artigos se deu em busca na biblioteca virtual, pelo site BIREME, por 
meio das palavras chave: violência obstétrica, violência, percepção das puérperas , assistência 
em enfermagem, violência no parto. Ao utilizarmos todos os descritores foram encontrados 
242 documentos. Aplicou-se os critérios de inclusão:texto em português e espanhol,texto 
completo,disponível na íntegra, acesso gratuito.E como critério de exclusão: texto em inglês, 
repetidos e que não atende ao objetivo.Estabeleceu ainda o corte dos últimos dez anos. Assim 
restaram 46 documentos. 
Procedeu a leitura dos títulos, dos quarenta e seis títulos, foram: vinte e dois excluídos por 
estarem descritos em inglês, treze por serem repetidos e onze por não atenderem ao objetivo 
da pesquisa. Restaram, portanto, nove títulos. A busca se deu no período de agosto de 2019. 
O gráfico 1 apresenta o resumo de amostra por base de dados. 
 
 
 
 
 
 
Gráfico 1 – Amostra por Periódico 
 
Fonte:​ Elaborado pelos autores, 2019. 
 
Gráfico 2 – Amostra de acordo período de publicação 
 
 
Fonte:​ Elaborado pelos autores, 2019. 
 
 
 
 
 
 
 
4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS. 
Nesse capítulo serão apresentados os resultados encontrados na pesquisa secundária que foi 
realizada. Para tanto, se estabeleceu como categorias de análise: conhecimento sobre violência 
o processo do parto; práticas prejudicais; profissionais de saúde e a qualidade na assistência 
hospitalar; 
Categoria 1​- Conhecimento sobre violência no processo do parto. 
Considera-se violência um ato intencional, cometido por um indivíduo ou grupo, que resulte 
em óbito, danos físicos, psicológicos e sociais que se implica em uso da força física ou a 
coação psíquica ou moral (OMS, 2002). 
Caron, Silva e Figueiredo (2002; et al.; 2004) abordam a questão da violência contra a mulher 
durante o trabalho de parto e parto como uma violência silenciosa, onde as mulheres,ao invés 
de serem cuidadas, são atendidas. É um cuidado desconfortante que impede a mulher de se 
sentir dona do seu próprio corpo. 
Gibosk e Guilherm entendem que, ao tocá- la sem pedir permissão, os profissionais invadem 
seu espaço, desrespeitando –a e bloqueando a comunicação. Por deter o conhecimento, os 
profissionais possuem o controle do parto, despersonalizam a mulher, que se mantém 
subordinada nessa relação profissional-cliente, apenas colaborando para pra o trabalho 
realizado por esse. 
Wolf e Waldow (2008) citam que, após passarem por intervenções como episiotomia 
amnotomia (ruptura artificial da bolsa) e exame de toque, essas mulheres acreditavam que tais 
ações tiveram o intuito de auxiliá – las da melhor forma possível , fazendo com que o 
momento do trabalho de parto e parto acontecesse mais rapidamente, diminuindo o 
sofrimento e não trazendo riscos para ela e o recém nascido. No entendimento dos autores 
muitas mulheres se submetem a essa violência por temerem pelo seu bebe, pelo atendimento e 
pela condição de desigualdade em que o profissional é quem tem o conhecimento e a 
 
 
 
habilidade técnica, e também pelo fato de as pacientes que não pagam não parecerem estar 
usufruído de um direito, e sim de um favor. 
Guiboski e Guilherm (2006) reconhecem que pouco se sabe sobre o sentimento das mulheres, 
pouco se sabe delas, de como vivem em seus corpos e em seus pensamentos. 
Dias e Deslandes (2006) apontam que mulheres que são atendidas em hospitais públicos 
tendem a ter um menor nível de exigência em relação ao que poderia ser considerado um 
atendimento de qualidade. 
O interesse em conhecer a percepção das mulheres em respeito as suas experiências no parto é 
crescente, sendo explorada em grande parte dos artigos selecionados. 
O artigo Raça e Violência no Brasil, transcreve que a violência obstétrica se localiza entre a 
violência institucional e a violência de gênero, na medida em que é praticada nos e pelos 
serviços de saúde, por ação e omissão, e dirigida á mulher,afetando sua integridade física e 
emocional, acentuando a naturalização da sua subordinação na sociedade.Assim 
compreende-se que a violência obstétrica não é a consequência de um modelo biomédico, 
mecanicista e hegemônico, mas constitutivo dele. 
Categoria 2​ - Práticas prejudiciais. 
Segundo o Dicionário Globo(1952), práticas prejudiciais refere-se a qualquer ato ou proceder, 
que cause prejuízo a alguém ou seja nocivo. 
Nessa categoria ressalta-se a persistente utilização de práticas não recomendadas pelas 
evidencias científicas, como o uso abusivo de ocitocina, imobilização no leito e posição 
litotomica no parto pode levar á compressão de grandes vasos e prolongamento do trabalho departo e período expulsivo, e, consequentemente, repercurtir negativamente sobre os resultados 
perinatais. 
A OMS(2014) considerou a violência obstétrica definida com a utilização de pelo menos uma 
das práticas consideradas claramente desnecessárias prejudiciais , ineficazes, e ou sem 
evidencias científicas: uso da posição supina ou litotomica no momento do parto, infusão 
venosa, de rotina, exame retal, administração de ocitocina sem indicação precisa, incentivo ao 
puxo prolongado, amniotomia precoce, manobra de Klisteller, toques vaginais repetitivos, 
restrição hídrica e alimentar, epsiotomia e clampeamento precoce do cordão. 
 
 
 
O artigo Fatores Associados á Violência Obstétrica na Assistência ao Parto Vaginal em uma 
Maternidade de Alta Complexidade em Recife, Pernambuco, trás as seguintes porcentagens a 
respeito de práticas prejudiciais realizadas em suas entrevistadas: 87% sofreram algum tipo de 
violência durante o trabalho de parto, considerando o uso de intervenções desnecessárias. 
Mais de 65% das mulheres referiram o incentivo aos puxos voluntários, a incidência da 
posição supina, e de litotomia foi de 27% e 12% respectivamente. O clampeamento precoce 
do cordão umbilical foi realizado em 30% das pacientes. A episiotomia e a manobra de 
Klisteler são as práticas mais rotineiras. 
Categoria 3​ - Profissionais de saúde e a qualidade na assistência hospitalar. 
Esta categoria trás reflexão para o próprio exercício do poder e da autoridade médicos que se 
estende em diferentes medidas a todos os profissionais de saúde envolvidos na assistência ás 
mulheres. 
Assistência, segundo o Dicio (dicionário online) refere-se ao ato de assistir, ajudar,dar auxílio. 
Sá (2005) transcreve que a banalização do mal e do sofrimento alheio nos serviços de saúde 
pode ser uma estratégia de defesa dos profissionais contra o próprio sofrimento, mas também, 
o resultado da banalização do mal numa sociedade que ela define como estando entre a 
impossibilidade da culpa e a falta de vergonha, fazendo que a corrupção corroa cada vez mais 
os valores éticos fundamentais. 
Foi descrito no artigo Violência Institucional, Autoridade Médica e Poder nas Maternidades 
Sob a Ótica dos profissionais de saúde, que a assistência em maternidades, a banalização da 
violência institucional é transvestida de boa prática profissional (seria para o bem do paciente) 
e exercício pretensamente legítimo de autoridade, já que a intenção é conseguir a colaboração 
da paciente. Lembramos que colaborar implicaria uma relação dialógica com o outro, ou 
como descreve o autor Arendt (2009), agir em concerto. O que se consegue com o uso da 
coação, da ameaça, do grito, da força ou de qualquer outro recurso violento, portanto, não é 
colaboração, mas submissão; é um fazer sobre alguém e não com alguém. 
Pizzini(1991) aponta para o uso de piadas e jargões humorísticos como forma de abordar 
determinados tabus sociais, como a relação sexo com nascimento .Ela encontrou exemplos de 
desqualificação da dor , da autonomia e do saber sobre o próprio corpo das parturientes por 
 
 
 
intermédio do humor, sempre contendo algum elemento agressivo. Portanto essa categoria se 
associa á violência verbal e a negligencia. 
Ficou reconhecido no artigo: Violência Institucional, Autoridade Médica e o Poder nas 
Maternidades Sob a Ótica dos Profissionais de Saúde- como desrespeito o tratamento 
grosseiro com imposição de valores e julgamentos ou julgamento moral, quebra de sigilo, 
invasão de privacidade ,discriminação social ou étnica; tratar o outro como objeto; 
negligencia no atendimento (erro técnico, omitir ou não esclarecer informações importantes , 
abandono, desqualificar ou ignorar as queixas) e ameaça ou represália de fato; usar palavras 
que não condizem com o atendimento médico como: ‘na hora de fazer tava bom e agora fica 
dando trabalho’... ‘ na hora do bem bom você não reclamou , agora tá reclamando, enchendo 
o saco’...‘ cala a boca!...’ ‘vou te deixar sozinha...’. O mesmo descreve que diante de relatos 
de maus tratos vividos pelas pacientes diante da assistência prestada , pode se pensar que a 
violência seria um uso extremo do poder por parte dos profissionais. 
 
Segundo Rego e Diniz ( 2005; 2008) no ensino da medicina e demais profissões da saúde, o 
paciente tende a ser desumanizado, anulado em sua identidade e transformado em um número 
da ficha hospitalar, em um caso a ser estudado, diagnosticado e tratado. O conjunto da 
educação dos profissionais tem sido alvo de críticas pela dificuldade de prepará-los com 
formação humanista. Assim, a relação deixa de ser entre humanos e passa a ser uma relação 
sujeito-objeto, do médico com a doença. 
Categoria 4​- Perfil social e demográfico das parturientes. 
Nessa Categoria é citada a existência de desigualdade especificamente entre nos grupos 
indígenas, pardas e pretas, se comparada Às brancas. As mulheres pretas ou pardas 
representam as classes sociais mais baixas: piores níveis de escolaridade e renda familiar. A 
maioria das mulheres brancas possuíam maior escolaridade e tinham renda de dois ou mais 
salários. 
O site portal da educação( 2013,) explica que a demografia utiliza a estatística para 
organizar e analisar os diferentes aspectos de uma população.Essa ciência tem como 
finalidade analisar os seguintes dados populacionais: crescimento demográfico, emigração, 
 
 
 
taxa de natalidade e mortalidade, expectativa de vida, distribuição populacional por áreas, 
faixas de idade, entre outros. 
 Narcondes (2003), ressalta que as mulheres negras estão entre os quinhões da pobreza ou 
situação de extrema pobreza do país. Em geral, começam a trabalhar muito cedo,e em 
trabalhos informais, possuem menores taxas de escolarização, e níveis altos de analfabetismo. 
Quanto a renda, ganham cerca de 51% do que recebem as brancas, e 73% a menos do 
rendimento dos homens braços.Moram em bairros periféricos, sem saneamento e representam 
a maior proporção de mulheres com chefes de famílias. 
Waiselfisk (2015) transcreve que no Brasil a cor da pele/raça,a etnia, a classe social e o 
gênero são determinantes no modo de viver, adoecer e morrer da população. A violência é 
presente na trajetória e cotidiano das mulheres não brancas e pobres. 
Waiselfisk e D’orsi (2015 e.; 2014) relatam que de acordo com o Mapa da Violência(2013), o 
homicídio de mulheres negras cresceu 54% em dez anos entre 2003 e 2013. Com relação á 
violência obstétrica, a maioria das mulheres que relataram terem sofrido algum tipo de 
violência na internação para o parto são negras, de menor escolaridade e atendidas no setor 
público. 
Uma pesquisa realizada pela Rede Cegonha (2011), com 23.095 mulheres, revela que a 
maioria das participantes tinham entre 20 e 29 anos de idade, referiam estar casadas ou em 
união estável (53,9%), possuíam nível médio completo, tinham renda familiar entre um e dois 
salários mínimos,não recebiam Bolsa Família e eram usuárias exclusivas do SUS. No que se 
refere a cor/raça das entrevistadas, as negras, somatória de pretas e pardas, correspondiam 
63%, as brancas 33,7% e as amarelas e indígenas a uma porcentagem de 2,8% e 0,5% 
respectivamente. O mesmo artigo descreve o perfil sociodemográfico de mulheres conforme 
sua cor/raça. Nas pardas foi observado uma ocorrência maior de partos antes dos 19 anos de 
idade, e as pretas declararam estar solteiras. O analfabetismo e as menores escolaridades 
estavam entre as indígenas e as pardas. Quanto a renda, as pretas e pardas tinham menos de 
um salário mínimo para subsistência familiar e recebiamo Bolsa Família. Entre as brancas, 
havia uma ocorrência de partos na faixa etária de trinta anos ou mais, casadas, com nível 
superior e renda familiar de dois a dez salários, e com plano de saúde. 
 
 
 
Robbie(2000) fala de uma assistência obstétrica fundamentada no modelo tecnocrático no 
qual a medicina faz a separação “mente-corpo”. Ora se o corpo é ao mesmo tempo biológico 
social,então é impossível reduzir o parto como algo meramente orgânico,mas também como 
um evento a um só tempo histórico cultural. A autora usa a metáfora do corpo feminino como 
fábrica de bebes e da maternidade como linha de montagem. 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A violência obstétrica é uma forma de violência cometida contra mulheres durante o 
pré-natal, parto e puerpério, caracterizada como ato de violência física, psicológica e 
emocional, sendo um sério problema de saúde pública no Brasil. Neste sentido, este estudo 
tem como finalidade esclarecer a compreensão de usuárias das Unidades Básica de Saúde, 
sobre a violência obstétrica, assim como, seus possíveis impactos. 
Por meio desse trabalho de pesquisa, percebeu-se que a violência obstétrica continua 
institucionalizada e prevalente nas unidades de saúde de todo o país, tanto no período trabalho 
de parto, quanto no parto e pós parto. Esse fato é ratificado pela falta de conhecimento de 
algumas gestantes sobre seus direitos durante o ciclo gravídico-puerperal. 
Esse trabalho buscou compreender a percepção sobre a violência obstétrica que envolvem a 
desumanização do cuidado, contribuem para o cenário violento que as mulheres grávidas 
encontram hoje nos hospitais e favorecem a ocorrência das situações degradantes física e 
psicologicamente as quais as mulheres são submetidas ao buscarem atendimento nas 
maternidades. Esse fator somado à falta de conhecimento de algumas mulheres sobre seus 
direitos, e a não informação destes pelas equipes facilitam ainda mais o uso de intervenções 
violentas sem questionamento ou objeção por parte das parturientes. 
 Nesse contexto, o enfermeiro pode ser visto como um elemento chave no processo de 
modelação na assistência à parturiente e bebê visto que, é membro indissociável da equipe de 
saúde. Faz parte de seu papel a sensibilização dessa quanto à promoção e implementação de 
boas práticas, além de ter condições para empoderar as mulheres durante todo o trajeto a ser 
percorrido para o nascimento de seu filho, contribuindo, desse modo, para uma assistência 
qualificada e humanizada. 
 
 
 
 
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APÊNDICE 1 – CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA. 
TÍTULO AUTOR REVISTA ANO OBJETIVO 
Construção social da 
violência obstétrica em 
mulheres Tének e Náhuatl 
Yessica Yolanda Range 
Flores 
Alexia Guadalupe 
Martinez ​Ledezma 
Luiz Eduardo Hernández 
Ibarra 
Cláudia Elena González 
Acevedo 
Revista da escola de 
enfermagem da USP 
2019 Explorar a construção 
social que as mulheres de 
Tének e Náhuatl do 
México abordaram sobre 
violência obstétrica. 
Desafio para a 
implementação de uma 
assistência “Amiga da 
mulher”; a presença de 
acompanhantes e a 
mobilidade no parto em 
uma maternidade do SUS 
em São Paulo. 
Denise yoshi niy Revista da escola de 
enfermagem da USP 
2018 Para a superação da 
violência obstétrica, 
liberdade de 
movimentação no 
trabalho de parto e 
presença de 
acompanhante. 
A margem da 
humanização?Experiencias 
De parto de usuários de 
uma maternidade pública 
de Porto Alegre- RS. 
Clarissa Niederauer Leote 
da Silva Pedroso 
 
Physis: Revista de 
saúde coletiva 
2017 Refletir sobre as 
experiências de mulheres 
em relação á assistência 
ao parto e ás p´rticas 
tidas como 
humanizadoras. 
Violência obstétrica em 
mulheres Brasileiras. 
 
Carolina coelho Palma 
Tagma Marinda Schneider 
donelli 
Psico 2017 Verificar a ocorrência de 
violência obstétrica em 
mulheres brasileiras. 
Raça e violência obstétrica 
no Brasil 
Kelly Diogo de Lima Arco 2016 Comparar as 
características sócio 
demográficos de mulher 
segundo cor, som foco 
 
 
 
Fonte: Dados da pesquisa 
 
nas mulheres negras, 
analisando os tipos mais 
comuns 
Fatores associados a 
violência obstétrica na 
assistência ao parto 
vaginal em uma 
maternidade de alta 
complexidade em Recife, 
Pernambuco 
Pricyla de Ol. nascimento 
Andrade 
Jessica Queiroz Pereira da 
Silva 
Cinthia Martins Menino 
Diniz 
Maria de Fatima Costa 
Caminha 
Revista Brasileira de 
saúde materna 
infantil 
2016 Analisar os fatores 
associados a violência 
obstétrica de acordo com 
as práticas não 
recomendadas ao parto 
vaginal 
Cuidado é fundamental. Bianca Dargan Gomes 
Vieira 
Maria Aparecida 
Vasconcelos Moura 
Valdecyr Herdy Alves 
Diego Pereira Rodrigues 
Revista Online de 
Pesquisa. 
2013 Analisar as implicações 
da prática profissional 
desses enfermeiros dos 
CEFO da EEAN/UFRJ 
para a qualidade da 
assistência à saúde da 
mulher. 
Violência Institucional, 
autoridade médica e poder 
nas maternidades sob a 
ótica dos profissionais de 
saúde 
Janaína Marques de Aguiar 
Ana Flávia Pires Lucas 
d’Oliveira 
Lilia Blima Schraiber 
Caderno da Saúde 
Pública 
2013 Discutir a violência 
institucional em 
maternidades sob a ótica 
de profissionais da saúde. 
Cuidado e conforto no 
parto: Estudos na 
enfermagem Brasileira. 
Ariane Thaise Frello 
Telma Elisa Carrato 
Mariely Carmelina 
Bernardi 
Revista Baiana de 
enfermagem. 
2011 Explicar a necessidade 
de conhecimento do 
cuidado e do conforto a 
partir da percepção de 
quem vivencia esse 
momento.

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