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9o. ano Volume 1 ooo Geografia Livro do professor Livro didático Mundo globalizado 21 2 3 Demografia 22 Correntes migratórias na Europa, Ásia e Oceania 45 ©Shutter stock/Art istdesign 29 1 Mundo globalizado “Vivemos em um mundo globalizado”. “Hoje temos o mundo a um clique de distância”. Essas frases são muito comuns e surgem em diferentes contextos. Entre os elementos que facilitaram a globalização, estão os meios de comunicação e as redes sociais. Diante disso, responda: A facilidade de acesso ao conhecimento sobre o mundo pode ajudar a reduzir as barreiras e os preconceitos culturais? Por quê? © Sh ut te rs to ck /fl ixe lh ou se © Sh ut te rs to ck /fl ixe lh oou se 2 Sugestão de abordagem inicial.1 • Compreender algumas diferenças entre os termos “globalização” e “mundialização”. • Compreender a integração cultural, econômica e política dos países. • Analisar a ação das grandes corporações transnacionais no processo de globalização e mun- dialização. • Analisar as contradições da globalização nas relações entre os países e entre os povos. Objetivos Pulsar Imagens/Rubens Chaves É comum em livros e outros materiais escolares que cada área do conhecimento tenha um símbolo de referência. Basta pensar nos símbolos que se remetem à Química, à Biologia, à Matemática, entre outras ciências. A Geografia, muitas vezes, é representada com a imagem do globo terrestre ou de um planisfério do planeta. Essa associação do globo à Geografia é compreensível, não só pela referência à localização ou pela ideia do formato do planeta, mas também pelo fato de que o estudo dessa disciplina implica o conhecimento sobre as conexões entre os lugares e as sociedades, relacionados à globalização. Muito se fala em globalização. Mas, afinal, o que significa esse termo? A globalização pode ser entendida como a disseminação de hábitos e culturas pelo mun- do e também como a ampliação das relações de interdependên- cia econômica, comercial e polí- tica entre os países. Neste capítulo, daremos ênfase ao estudo sobre o fe- nômeno da globalização por meio de abordagens e análises distintas, mostrando, para isso, diferentes pontos de vista acer- ca do tema. Trataremos ainda de outros termos análogos a esse, como “mundialização”. Es- tudaremos também os conflitos internacionais, o terrorismo e as desigualdades entre os níveis de desenvolvimento dos países. • Globo suspenso na sala de entrada do Museu do Amanhã, Rio de Janeiro, RJ, 2017 3 Objetivos Atividades Como foi mencionado, a Geografia é geralmente simbolizada com a imagem de um mapa ou de um globo. No espaço abaixo, cole ou crie uma imagem diferente das quais está acostumado a ver e que, para você, simbo- lize a Geografia e a globalização. No espaço apropriado, justifique a escolha da imagem. Desde os tempos das Grandes Navegações europeias, que expandiram os domínios de países desse conti- nente sobre diversas nações do mundo (principalmente entre os séculos XV e XVIII), muitas culturas, hábitos e conhecimentos de povos antes isolados ou que mantinham contato apenas regionalmente foram difundidos mundo afora. As culinárias orientais ou árabes, por exemplo, são famosas em países da América e da Europa. Inovações africanas também se encontram espalhadas pelos continentes, como o cultivo do café e diversas técnicas agrícolas, além de grande influência sobre estilos musicais – inclusive alguns brasileiros, como o samba e o maracatu, entre outros. A propagação de estilos musicais pelo mundo, aliás, é um exemplo de elementos das culturas de povos que rompem as fronteiras dos países. Nesse panorama, por exemplo, é possível encontrar desde aqueles que são mais ávidos por experimentar novas tendências até os mais conservadores, quem veem com certo receio tamanha difusão. Portanto, é possível perceber diferentes aspectos ligados à globalização: a perspectiva hu- mana e heterogênea, voltada às pessoas e às sociedades, e o caráter econômico, voltado à relação comercial e econômica dos países. Em muitos casos, ambos estão, inclusive, interligados. TextoImagem 9o. ano – Volume 14 Recomendações para a realização da atividade. Sugestão de abordagem – música e globalização. 2 3 ©Shu ttersto ck/r.na gy transnacional: estrutura empresarial básica do capitalismo dominante nos países altamente industrializados. Caracteriza-se por desenvolver uma estratégia internacional a partir de uma base nacional, sob a coordenação de uma direção centralizada. [...] Conhecida também pela denominação de empresas internacionais [ou multinacionais], resulta da concentração do capital e da internacionalização da produção capitalista. [...] Fonte: SANDRONI, Paulo. Dicionário de economia do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2007. p. 580. • Porto de Xangai, China, o maior do mundo em movimentação de contêineres, 2015 Visões sobre a globalização e a mundialização O termo “globalização”, palavra de origem inglesa que se refere ao contexto socioeconômico do mun- do contemporâneo, nem sempre pode ser definido de maneira precisa. Isso acontece em virtude da grande variedade de fenômenos sociais, uns de ordem mais cultural e outros de ordem econômica, que costumam estar associados a essa denominação. Aspectos triviais de nosso cotidiano podem ser entendidos como expressão de um contexto mais amplo de globalização no qual estamos inseridos. Por exemplo: a disponibilidade de alimentos perecí- veis em mercados espalhados a milhares de quilômetros dos locais de produção; ou a difusão, nos mais diversos países, de mercadorias produzidas de maneira padronizada por grandes empresas transnacio- nais; assim como personalidades e produtos simbólicos dessas empresas divulgados nas mais diversas mídias, tanto virtuais (sites de internet e redes sociais, por exemplo) quanto as mais tradicionais (tele- visão, rádio, revistas, jornais, etc.); ou, ainda, os rápidos fluxos financeiros que permitem a circulação de capitais financeiros por diferentes países e setores de atividade com grande agilidade. Entretanto, há outro termo, este de origem francesa, também muito utilizado, sobretudo por geó- grafos, sociólogos e economistas daquele país, para designar o contexto socioeconômico contemporâ- neo, traduzido como mundialização. Para alguns autores, esse termo contempla a análise econômica do mundo, sob uma perspectiva mais financeira (crédito bancário, bolsa de valores, etc.) do que simples- mente a troca de mercadorias (importação e exportação) propriamente dita. Para outros, a padroniza- ção e cada vez maior difusão de diversos elementos culturais, como certos alimentos, idiomas, artistas e estilos musicais, em contraposição à diversificação cultural proporcionada pela miscigenação desses elementos com outras expressões de origem local ou regional, é o que seria enfatizado por esse conceito. Geografia 5 Sobre o conceito de transnacional.4 Os Jogos Olímpicos foram criados há muitos anos na Grécia, porém desde 1896 são reconhecidos como Jogos Olímpicos da Era Moderna ou simplesmente olimpíadas. São realizados a cada quatro anos em diferentes cidades pelo mundo. Em 2016, aconteceram pela primeira vez na América do Sul (no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro). Os Jogos Olímpicos são um bom exemplo de uma celebração que congrega povos do mundo todo unidos pelo esporte e que, independentemente das disputas, assume um caráter integrador de diferentes culturas. Delegações de Camarões (abaixo, à esquerda) e Qatar (à direita) na cerimônia de abertura das olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, RJ. De modo amplo, as denominações “globalização” e “mundialização” representam significados aproximados e, portanto, referem-se, com algumas variações, ao mesmo fenômeno geral, qual seja o contexto socioeconô- mico e cultural do mundo contemporâneo. Vejamos a seguir, de modo mais específico, como esse contexto se insere no sistema capitalista em sua configuração atual, fortemente marcada pela ampliação dosmeios de comunicação (direta ou indiretamente ligados à expansão no acesso à internet) e pelo aumento significativo dos modais de transportes. Globalização como fase atual do capitalismo Atualmente, intensificada pela globalização, a atividade econômica global é marcada pela atuação de em- presas e investidores de diferentes partes do planeta com ampla capacidade de distribuição de seus investi- mentos nos mais diversificados países e empresas locais. Isso acaba por expor as fragilidades econômicas de algumas economias, excessivamente suscetíveis ao fluxo volátil dos investimentos externos. Essa situação é fortemente influenciada por processos financeiros que ocorrem nas bolsas de valores espalhadas pelo mundo, a maior parte deles sendo feitos com base em comandos virtuais instantâneos realizados a longa distância. Esses acontecimentos diá- rios, que geralmente consistem na compra e venda de ações que representam participa- ção em empresas ou títulos que compõem parte da dívida dos governos nacionais, in- terferem nas economias, moedas, no endivi- damento dos países e no preço de produtos consumidos diariamente pela população. Gl ow im ag es /A P Ph ot o/ Ri ch ar d Dr ew • Negociadores de ações na NYSE (New York Stock Exchange) ou Bolsa de Valores de Nova Iorque, 2018. Trata-se de uma das mais importantes bolsas de valores do mundo. Nela são negociadas ações das maiores empresas de diversos países. volátil: que muda com facilidade, inconstante, volúvel. Gl ow im ag es /A FP /O LI VI ER M O RI N Gl ow im ag es /A FP /P ED RO U GA RT E 9o. ano – Volume 16 geografia Gl ow im ag es /p ic tu re -a lli an ce /D an ie l K ar m an n • Os jipes têm sido importante meio de transporte em diversos locais, como no deserto de Sharjah, Emirados Árabes, 2007 É importante lembrar também o aumento do número de empresas transnacionais pelo mundo. Durante o século XX, principalmente após as Grandes Guerras Mundiais, intensificou-se a difusão de diferentes em- presas com sedes em diversos países do mundo. Tais empresas se expandiram geograficamente, especial- mente para os países em desenvolvimento, influenciando o processo de industrialização e também atuando nos setores primário e terciário. Em alguns casos, a presença do capital transnacional influenciou não apenas o desenvolvimento econômi- co, mas também os hábitos de consumo da população, pois a intensificação do comércio coloca à disposição das pessoas uma infinidade de produtos, muitos deles de origem distante, que atraem a população e se tornam itens de consumo habitual. Ao oferecer diferentes produtos e ampliar a facilidade de acesso a eles, a globalização também provocou mudanças culturais. Um bom exemplo dessas influências global-local foram as mudanças culturais que ocor- reram com os nômades beduínos que vivem na Arábia Saudita e outros países árabes. Tais povos, que por milhares de anos utilizavam os camelos como meio de transporte no deserto, passaram a utilizar automóveis para se locomover. Isso provocou uma sensível mudança em seus hábitos e costumes. Atualmente, os came- los são mais usados para corridas e lazer. 1. Pesquise ao menos cinco empresas transnacionais, de diferentes setores, que atuam no Brasil. Em seguida, anote o nome e o país de origem ou sede de cada empresa. Empresa País de origem ou sede 2. Entre as empresas que você pesquisou, qual delas, em sua opinião, tem maior poder de influência e pode gerar mudanças de hábitos ou de consumo na população? Justifique sua resposta. Pessoal. É possível orientar os alunos a consultar exemplos de empresas de diferentes países e setores (pro- dutos e serviços), em virtude do grande impacto ligado às marcas da indústria automobilística e alimentícia. Geografia 7 5 Sugestão de pesquisa e explicação de alguns conceitos. À medida que o comércio global passou a se expandir aceleradamente, algumas mudanças nos sistemas de produção precisaram ser realizadas, o que fez com que a própria indústria se renovasse, desencadeando novas “revoluções industriais”. Essas novas revoluções foram influenciadas pela globalização, mas também fo- ram igualmente responsáveis pela própria evolução da globalização. Ao longo dos anos, houve ao menos três revoluções industriais e uma quarta ainda em consolidação. Veja o quadro a seguir. Jo hn P hi lli ps © Sh ut te rs to ck /L er ne r V ad im Ge tty Im ag es /U . B au m ga rte n Conexão dos lugares A evolução dos meios de transporte e também a rapidez da comunicação são fatores que influenciaram di- retamente na expansão da globalização. Os meios de transporte reduziram o tempo de deslocamento e acaba- ram “encurtando” as distâncias, do mesmo modo a rapidez da comunicação aproximou ainda mais as pessoas, que podem se conectar rapidamente por meio de smartphones, tablets, computadores, entre outros meios, tudo isso facilitado pelas conexões da rede mundial de internet. © Ti m e Li fe 9o. ano – Volume 18 6 Texto sobre a Quarta Revolução Industrial. Conexões Atualmente a internet é um dos meios de comunicação mais utilizados no mundo. Apesar de ainda existi- rem regiões com baixíssimo acesso à rede, como mostra o mapa a seguir, a facilidade e a velocidade da internet fizeram com que ela se ampliasse rapidamente. Porcentagem da população usuária de internet (2016) Fonte: THE WORLD BANK. Individuals using the Internet (% of population). Disponível em: <https://data.worldbank.org/indicator/IT.NET.USER. ZS?view=map>. Acesso em: 26 abr. 2018. Adaptação. Ta lit a Ka th y Bo ra A história de criação da rede mundial de computadores se insere no contexto da Guerra Fria, época de rivalidade entre estadunidenses e soviéticos. Nesse período, os desenvolvimentos de tecnologias espaciais e também nos setores de comunicação eram de grande importância para os países. Cartografar Na página 1 do seu material de apoio consta um mapa sobre a inclusão digital no Brasil. Analise-o e responda às seguintes questões: a) Qual a faixa percentual de pessoas com acesso à internet na unidade da federação em que você vive? b) Qual(is) unidade(s) da federação se encontra(m) na faixa percentual mais elevada? c) A inclusão digital pode ser usada como um indicador socioeconômico? Justifique sua resposta. Geografia 9 Pessoal. Distrito Federal. Sim. Em geral, nas regiões com maior acesso à tecnologia, a população tem melhores condições socioeconômicas do que nos locais menos conectados. Principais sistemas de cabos submarinos de fibra óptica em atividade ou planejados e suas estações em terra (até abril 2015) Fonte: TELEGEOGRAPHY. Submarine cable map. Disponível em: <http://www.submarinecablemap.com/>. Acesso em: 10 abr. 2018. Adaptação. Apesar dos grandes avanços da internet e das transmissões via satélite, percebe-se que sua difusão não é geograficamente bem distribuída, como você pôde observar no mapa da página anterior. Sua expansão depen- de da utilização de tecnologia de ponta, não sendo plena nem proporcional no mundo, como mostra o mapa a seguir, da distribuição dos principais cabos submarinos de fibra óptica de alta capacidade. M ar ilu d e So uz a Cartografar Analise o mapa dos cabos submarinos e, em seguida, responda às questões. a) Cite dois locais de maior concentração de cabos submarinos de internet. Entre os Estados Unidos e a Europa e entre a costa oriental da Ásia e os Estados Unidos. b) A opção cartográfica em centralizar o mapa no continente americano tem alguma relação com as informações do mapa? Justifique sua resposta. Os alunos devem mencionar que os Estados Unidos concentram o maior volume de cabos tanto em relação à Europa quanto em relação à Ásia, o que justifica sua centralidade no mapa. 9o. ano – Volume 110 Existem diferentes vídeos curtos e interessantes sobre o lançamento dos cabos submarinos em sites de compartilhamento de vídeos. Com a globalização, a conexão entre os lugares foi ampliada principalmenteno que se refere às trocas co- merciais. A China é o exemplo mais claro de como o comércio mundial se conectou e se expandiu. No século XXI, a China tem despontado como principal motor econômico da globalização em razão de suas altas taxas de crescimento. Mesmo que sua economia tenha sofrido uma desaceleração nos últimos anos, ela ainda cresce mais de 6% ao ano, ritmo muito superior à média global. Por isso, produtos com a indicação made in China (“feito na China”, em português) têm se espalhado pelo mundo, inclusive no Brasil, um dos muitos países que têm nos chineses seus principais parceiros comerciais. Em 2017, a China foi o país que mais vendeu e o que mais comprou do Brasil, que teve, no ano citado, um superávit na relação comercial com a China. Observe o gráfico a seguir. Fonte: MINISTÉRIO DA INDÚSTRIA, COMÉRCIO EXTERIOR E SERVIÇOS. Comex vis: países parceiros. Disponível em: <http://www.mdic.gov.br/ comercio-exterior/estatisticas-de-comercio-exterior/comex-vis/frame-pais>. Acesso em: 11 abr. 2018. Balança comercial: Brasil-China, em bilhões de dólares (2007-2017) US$ 50 Bilhões US$ 45 Bilhões US$ 40 Bilhões US$ 35 Bilhões US$ 30 Bilhões US$ 25 Bilhões US$ 20 Bilhões US$ 15 Bilhões US$ 10 Bilhões US$ 5 Bilhões US$ 0 2007 US$ -5 Bilhões 2008 2009 2010 2011 2012 Ano 2013 2014 2015 2016 2017 Exportação Importação Saldo A expansão do comércio internacional fez com que despontassem países e empresas com grandes poderes de influência, o que interfere em diversos acordos comerciais, seja em escala local, seja em escala global. © Sh ut te rs to ck /D eZ et • Adesivo colado em produto fabricado na China. Informações sobre relações comerciais entre Brasil e China. 7 c) Quais fatores podem ajudar a explicar a menor concentração de cabos em alguns continentes? Tanto fatores sociais e econômicos (África) como também populacionais (Oceania). Geografia 11 Conexões Glocalização Os avanços da globalização fizeram com que uma infinidade de produtos chegasse ao alcance de diferen- tes pessoas em muitos lugares. Muitos hábitos e culturas foram invadidos por um efeito globalizante que não atendia às necessidades de grupos locais. A disseminação de produtos diferentes vindos de diversas partes do mundo acabava por não ser assimilada por certas sociedades, não adaptadas a certos gostos ou modas. Por conta disso, muitas empresas de atuação global passaram a produzir mercadorias voltadas a atender demandas locais. Seria esse o efeito contrário à globalização? Ou um efeito do local sobre o global? Sabemos que a atuação das grandes empresas em mercados locais não é limitada, mas adaptada. Na reali- dade, os hábitos locais ditam apenas um perfil mercadológico do consumidor. Esse perfil local é traçado tanto por fatores culturais quanto por condições geográficas e climáticas para poder melhor ofertar um produto ou serviço. Como exemplo, podemos citar as empresas de cosméticos ou de alimentos que, em muitos casos, oferecem produtos específicos para algumas regiões, atendendo aos hábitos e gostos da cultura local. Esse fenômeno é denominado por alguns analistas como glocalização. Que tal um refrescante picolé de taberebá, umbu ou outras frutas regionais, produzidos por uma grande empresa estrangeira? Dependendo da região brasileira em que você está, isso pode ser mais comum ou soar bem estranho, mas é um exemplo da glocalização. Atividades 1. Pesquise e faça uma pequena lista com no máximo cinco itens que representem alimentos que são mais comuns em sua região. Pessoal. 2. Entre os itens pesquisados, algum deles se difundiu como produto para outras regiões do Brasil ou do mundo? Pessoal. 3. A glocalização pode ser interpretada como um fenômeno contrário à globalização? Justifique sua resposta. Embora a resposta seja pessoal, é importante debater com os alunos sobre produtos locais que atendem ao gosto ou hábito da região e relacionar ao tema. 9o. ano – Volume 112 A respeito do termo “glocalização”.8 © Sh ut te rs to ck /ja vi _i nd y © Sh ut te rs to ck /C hr ist ia n Vi nc es Oportunidades e resistências à globalização As últimas décadas do século XX e as primeiras do século XXI parecem intensificar a integração global de maneira até então não experimentada pela humanidade. As facilidades de cooperação e interação entre pes- soas distantes, mas com interesses comuns, ampliam as possibilidades de agir no mundo. Entretanto, nem sempre a intensificação das relações sociais, culturais e comerciais entre diferentes povos e modos de vida ocorre de forma harmônica. Isso tem resultado, em alguns casos, em preconceito, violência e, não raro, xenofobia. Outra contradição inerente ao processo de globalização, que tem sido observada nas últimas décadas, cor- responde ao aprofundamento das desigualdades socioeconômicas em escala mundial. Ainda que se observem melhorias nas condições de vida e nos indicadores sociais da maioria absoluta dos países e regiões do globo recentemente, aspectos como a concentração de renda e formação de bolsões de pobreza e exclusão ainda não foram enfrentados de maneira satisfatória pelo conjunto dos Estados e organizações internacionais. Oportunidades da globalização Tente imaginar quantas coisas você já usou hoje que são provenientes de outros países, ou cujas empresas produtoras são originadas no exterior. Em seu dia a dia, você utiliza diferentes produtos e tem contato com mercadorias e marcas variadas, uma das características principais da globalização. Atualmente, temos contato com uma infinidade de mercadorias e algumas tecnologias provenientes das mais variadas partes do mundo, que tendem a melhorar a vida das pessoas. A própria expansão das trocas comerciais é benéfica ao ampliar a oferta de empregos na produção e no comércio de mercadorias. A maior difusão das redes sociais, do acesso à música, aos hábitos alimentares de diversos povos, à moda e outros aspectos mais simbólicos do que materiais também são resultantes da globalização. xenofobia: pode ser compreendida como o medo ou aversão a hábitos, cultura e mesmo a pessoas estrangeiras que vivem em determinado país ou região. Em certos locais, a xenofobia está associada a diversas atitudes violentas praticadas por grupos radicais. Papa a la huancaína, prato típico da culinária peruana globalizada. As tecnologias permitiram maior acesso às redes sociais e à música. © Sh ut te rs to ck /ja vi in dy í í Geografia 13 Fotoarena/Reuters/Giorgos Moutafis Resistências e riscos ligados à globalização Ao mesmo tempo que a globalização permite trocas comerciais e culturais entre os diversos países, ela expõe problemas locais que atingem muitos lugares pelo globo. Isso porque nem todos os países participam desse processo igualmente e na mesma intensidade ou estão completamente integrados a ele. Dessa forma, avançam argumentos contrários à globalização, que questionam até que ponto trata-se, de fato, de um fenô- meno integrador. Isso tem ocorrido com base em considerações críticas de que esse processo estaria, no fundo, voltado essencialmente à integração entre as principais potências econômicas mundiais. Barreiras Desde o início da Primeira Revolução Industrial, a evolução tecnológica tem sido amplamente assimilada nos setores de transportes e comunicação. A energia produzida em máquinas a vapor passou a ser utilizada para movimentar veículos e barcos, que conectaram lugares até então considerados distantes e isolados entre si. Hoje, mercadorias produzidas em diversas partes do planeta viajam milhares de quilômetros, atra- vessando os oceanos em busca de mercados consumidores em pontos considerados remotos em meados do século passado. Na obra A volta ao mundo em 80 dias, do escritor francês Júlio Verne, escrita no século XIX, a tra- vessia do Pacífico entre Yokoha- ma (Japão) e São Francisco (EUA) a bordo de um navio a vapor era estimada em 21 dias. Atualmente, em um avião a jato, essetrajeto é percorrido em cerca de 10 horas. • Navio a vapor deixando o porto de Marselha, França, 1880 • Avião comercial decolando do aeroporto de Amsterdã, Países Baixos, 2016 Algumas pessoas têm viajado atualmente por longas distâncias, em condições muitas vezes precárias, deixando definitivamente seus locais de origem. Contudo, fazem isso não apenas em busca das vantagens que o mundo globalizado parece prometer, mas, também, para escapar de situações de conflitos internos ou ameaças políticas e religiosas. Glowimages/imagebroker/BAO ©Shutterstock/verzellenberg • Barco de resgate presta auxílio a refugiados provenientes da Eritreia, na costa da Líbia, Mar Mediterrâneo, em 2016 14 Os fluxos migratórios têm levado alguns governos a adotar posturas contrárias à entrada de pessoas vindas de outros países, incluindo refugiados, como veremos com maior profundidade no terceiro capítulo. Exemplo disso são as diversas restrições para entradas de imigrantes, seja por meio de muros, cercas, seja por controles rígidos de entrada, como mostra o mapa a seguir: Fonte: RADIO FREE EUROPE. Fencing off Europe. Disponível em: <https://www.rferl.org/a/fencing-off-europe/27562610.html>. Acesso em: 27 abr. 2018. Adaptação. Barreiras à entrada de imigrantes e refugiados na Europa (2015-início de 2016) Ta lit a Ka th y Bo ra Geografia 15 Glowimages/AFP/Ruben SPRICH © Sh ut te rs to ck /M ar co s d el M az o Va le nt in Movimentos antiglobalização Muitos dos movimentos que lutam contra o caráter seletivo da globalização são descritos como sendo “an- tiglobalização”, ou seja, contrários a ela. É importante ter em mente, contudo, que boa parte dos movimen- tos não se opõe exatamente ao fenômeno da globa- lização, ou à maior integração econômica, cultural e tecnológica entre os povos, mas, sim, aos seus efeitos negativos, como a falta de inclusão ou o aumento da desigualdade socioeconômica que predomina em di- versos países e regiões do globo. Em 2016, o total das exportações brasileiras foi de, aproximadamente, 186 bilhões de dólares. Cerca de 35 bilhões de dólares foram destinados à China, ou seja, 18,8% (quase um quinto das exportações). Os produtos comercializados com aquele país estão na base das nossas principais atividades econômicas. Imagine qual seria o efeito interno no Brasil se a China passasse por uma grave crise e reduzisse significativamente as importações brasileiras. Em países de economias menores, a dependência econômica ligada a poucos parceiros tem provocado impactos ainda maiores. Mas os riscos e desafios relacionados ao processo de globalização não são só econômicos. Como vimos, é preciso sempre considerar que, em muitos casos, a propagação de hábitos e culturas enfrenta resistências nacionalistas, o que gera tensão entre grupos sociais. Esse tipo de situação está associado, entre outros, ao preconceito e à xenofobia, voltados contra imigrantes de países mais pobres, entre outros grupos. • Movimentos sociais protestam contra o Fórum Econômico Mundial em Davos, também conhecido como Fórum de Da- vos, na Suíça, em 2018 • Mulheres protestam contra racismo com cartazes combatendo a xenofobia e as políticas da União Europeia em relação aos refugiados e imigrantes, em Madri, Espanha, em 2017 9o. ano – Volume 116 Sugestão de abordagem com recursos visuais. Sobre a expressão “pânico moral”.10 9 ©Shutterstock/bmszealand Terrorismo O terrorismo é a promoção de atos de violência com uso ilegítimo da força e que, além de causar vítimas fatais, gera um estado de medo na população. Essa prática vem sendo recorrente em casos de organizações que buscam diferentes objetivos, com propó- sitos religiosos, políticos ou separatistas, causando a morte de pessoas que não estão diretamente associadas a suas causas. Entre as ações terroristas de maior repercussão internacional estão os ataques ocorridos nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, quando dois aviões de passageiros atingiram as torres gêmeas do World Trade Center, famoso complexo de edifícios em Nova Iorque, matando mais de três mil pessoas de diversas naciona- lidades. No mesmo dia, um terceiro avião atingiu o Pentágono, principal núcleo militar do país, e um quarto foi abatido pelas forças armadas enquanto se dirigia, provavelmente, à capital nacional, Washington. O ato foi assumido pela organização terrorista Al-Qaeda, grupo fundamentalista religioso. Além da Al-Qaeda, os principais grupos terroristas em atuação nos últimos anos são o ISIS, sigla em inglês para Estado Islâmico do Iraque e da Síria, que atua principal- mente nesses dois países, embora esteja espalhado por vários outros na região do Oriente Médio e na África; o Al Shabab, que atua na Somália; e o Boko Haram, que atua principalmente na Nigéria. O terrorismo não só ameaça a segurança nacional dos Estados, mas também coloca em risco a população. Por isso, muitos governos têm adotado ações de restri- ção a determinadas liberdades individuais e de vigilância das pessoas, além de se aparelharem tecnologicamente via monitoramento por imagens de satélite e telecomu- nicações, entre outros meios, para tentar evitar ações de grupos terroristas (bem como de indivíduos simpatizan- tes a eles) em seus países. Atividades 1. Considerando o que você aprendeu sobre a globalização, leia os seguintes enunciados e faça o que se pede. a) Mencione alguns aspectos positivos da globalização. Pessoal. Espera-se que os alunos mencionem elementos como o aumento das relações comerciais, o aumento do acesso a dife- rentes produtos e a maior difusão de culturas. b) Mencione alguns aspectos negativos da globalização. Pessoal. Possivelmente os alunos vão mencionar os problemas relacionados às crises econômicas, ao aumento da xenofobia, às barreiras à entrada de indivíduos em outros países, ao terrorismo, entre ouros aspectos. • Escola atingida por bomba detonada por terroristas do Boko Haram em Kano, Nigéria, 2014. O grupo se opõe radicalmen- te ao acesso das mulheres à educação Geografia 17 11 Sugestão de pesquisa. 2. O geógrafo Milton Santos, reconhecido internacionalmente, fez importantes reflexões sobre a globali- zação. Para ele, com a globalização foi possível o desenvolvimento de técnicas que conciliam diferentes conhecimentos, adquiridos ao longo da história, provenientes de diferentes partes. Contudo, quem de- tém as técnicas mais avançadas no presente acaba exercendo maior influência sobre o outro. Em relação a essas reflexões e com base no que você já estudou, marque V para a(s) alternativa(s) verdadeira(s) e F para a(s) falsa(s), justificando os itens incorretos. ( V ) As técnicas não surgem de modo isolado, elas são fruto de um processo histórico de desenvolvi- mento da humanidade. ( F ) A globalização pode ser considerada a única responsável pela limitação do desenvolvimento so- cioeconômico. Embora haja limitações, como as relacionadas à questão da integração econômica e comercial e à redução das desigualdades, a globalização não pode ser exclusivamente associada à questão da limitação do desenvolvimento. ( V ) A globalização colaborou, de certa forma, para a aproximação e a integração de diferentes pessoas e saberes. ( F ) A globalização afastou o conhecimento, restringindo o desenvolvimento tecnológico a um único local no mundo. Embora ainda haja consideráveis limitações geográficas relacionadas à questão da integração, não podemos considerar que a globa- lização afastou o conhecimento e restringiu o desenvolvimento tecnológico a um único local no mundo. ( V ) A ampliação do conhecimento também pode ser vista como um dos pontos positivos da globalização. 3. Que ações muitos governos estão tomando para combater o terrorismo? Restrição às liberdades individuais e vigilância das pessoas. Também têm se aparelhado tecnologicamente via mo- nitoramento por imagens de satélite e telecomunicações, entre outros. Desafios da globalização Entre os diversosdesafios que o mundo globalizado enfrenta, podem-se destacar a perda de certas tra- dições culturais, como as ligadas ao próprio idioma, e a desigualdade socioeconômica, associada a grandes disparidades nos níveis de desenvolvimento. De certa forma, a globalização aproxima as pessoas, seja por meio da comunicação, seja por meio das músi- cas, dos aplicativos e das redes de relacionamento pessoal. Dessa maneira, culturas geograficamente distantes têm estado virtualmente próximas. Essa aproximação favorece a convivência de povos diferentes e expõe o lado pluriétnico do fenômeno. A globalização favoreceu a ampliação do conhecimento sobre povos e culturas que praticamente desapa- receram em razão do contato com outras civilizações. Em alguns casos, a expressão “canibalismo cultural” tem sido empregada. Nesse sentido, uma cultura assimila a outra e alguns hábitos e costumes acabam desapare- cendo. Entre as consequências dessa assimilação, está o desaparecimento de idiomas locais. De acordo com 9o. ano – Volume 118 a Unesco, das mais de 6 mil línguas faladas em todo o mundo, mais de 2 500 correm o risco de desaparecer. Observe o mapa a seguir: Fonte: NEXO. Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/grafico/2018/02/05/Em-que-%C3%A1reas-do-mundo-h%C3%A1-l%C3%ADnguas- amea%C3%A7adas-de-extin%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 27 abr. 2018. Adaptação. Línguas em risco de extinção Ta lit a Ka th y Bo ra Das 6 mil línguas existentes no mundo, em breve quase metade poderá estar extinta, estima Unesco. Embora globalização seja um dos fatores negativos, internet pode ajudar na preservação. Por todo o mundo há idiomas ameaçados de extinção. Seja na Alemanha, onde o baixo-sórbio só é falado por 7 mil pessoas; ou na América do Norte, onde só 250 nativos ainda utilizam o cayu- ga, sua língua materna. Na Austrália, o dalabon é preservado por apenas 11 pessoas – ou talvez menos, já que o último censo data de mais de dez anos. [...] Os linguistas têm diferentes explicações para o declínio de certos idiomas. “Um fator é, segu- ramente, a globalização”, afirma Paul Trilsbeek, diretor do Arquivo Multimídia de Idiomas Amea- çados do Instituto Max Planck de Psicolinguística, em Nimwegen, Holanda. [...] O fato de cada vez mais pessoas terem smartphones e acesso à internet se tornou um aliado nessa luta, aponta. “Desse modo, há também cada vez mais línguas indígenas online [...]. Isso também poderá ajudar a preservar as diferentes línguas.” Conexões GROTEFELS, Sina. O fenômeno do desaparecimento de idiomas e suas explicações. Disponível em: <http://www.dw.com/pt-br/ o-fen%C3%B4meno-do-desaparecimento-de-idiomas-e-suas-explica%C3%A7%C3%B5es/a-37657535>. Acesso em: 27 abr. 2018. Geografia 19 Níveis de desenvolvimento A globalização está rela- cionada a um maior acesso da população do planeta à informação, tecnologia e saúde, entre outros fatores. Contudo, a desigualdade socioeconômica é um dos grandes desafios globais. Ela evidencia que países e indivíduos se encontram em diferentes níveis de desenvolvimento, não exa- tamente adequados para que se tenha uma boa qua- lidade de vida. O mapa ao lado mostra como a rique- za (renda e bens) média da população dos países está distribuída. Embora fique claro que os países cuja população de maior renda tenham, por pressuposto, um melhor nível de desenvolvimento socioeconômico, mesmo entre eles um panorama desigual se faz presente. O gráfico abai- xo (à esquerda) mostra que, entre diversos países desenvolvidos, a parte da renda nacional acumulada pelo 1% mais rico da população tem aumentado nas últimas décadas. De fato, uma das maiores preocupações e desafios mundiais é equilibrar a distribuição da riqueza da população mundial (abaixo, à direita), que evidencia o fato de que a maior parte da população do mundo se encontra no estrato mais baixo da riqueza. Riqueza média da população (2014) Fonte: CREDIT SUISSE RESEARCH INSTITUTE. Global wealth report 2014. Disponível em: <https:// publications.credit-suisse.com/tasks/render/file/?fileID=60931FDE-A2D2-F568-B041B58C5EA591A4>. Acesso em: 25 abr. 2018. Adaptação. Ta lit a Ka th y Bo ra Porcentagem da renda nacional acumulada pelo 1% mais rico (1975-2015) Fonte: THE WHITE HOUSE. Economic report of the president. jan. 2017. Disponível em: <https://obamawhitehouse.archives.gov/sites/default/ files/docs/2017_economic_report_of_president.pdf>. Acesso em: 25 abr. 2018. Pirâmide da disparidade de riqueza mundial (2014) Fonte: CREDIT SUISSE RESEARCH INSTITUTE. Global wealth report 2014. Disponível em: <https://publications.credit-suisse.com/tasks/render/ file/?fileID=60931FDE-A2D2-F568-B041B58C5EA591A4>. Acesso em: 25 abr. 2018. 2015 5 10 15 20 Estados Unidos Reino Unido Canadá França Itália Japão Alemanha Porcentagem 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010 2015 Faixa de riqueza (renda/bens) Menos de 10 000 dólares Entre 10 000 e 100 000 dólares Entre 100 mil e 1 milhão de dólares Mais de 1 milhão de dólares porcentagem da população mundial (0,7%) (7,9%) (21,5%) (69,8%) 9o. ano – Volume 120 Hora de estudo O trecho expõe fatos relacionados à globalização, em especial ligados à questão da expansão geográfica das atividades comerciais por empresas. Por que algumas empresas optam por produzir em diferentes países? Os alunos devem relacionar a dispersão das empresas multinacionais pelo mundo em busca de matérias-primas e mão de obra mais barata, além de novos mercados consumidores. 4. Observe a charge ao lado, que faz referência ao atentado terrorista ocorrido em janeiro de 2015 em um periódico francês. Escreva sua interpretação do tema que está sendo abordado. Entre as diversas análises que podem ser feitas, destaca-se a questão do volume de manifestantes em relação ao pequeno grupo de líderes. Além disso, a formação dos líderes sugere um questionamento (eles formam um ponto de interrogação): realmente seus interesses estão voltados à questão da paz? 1. Formule uma frase que reúna, de modo adequado, os termos relacionados a seguir: Globalização – Cultura – Conflito – Comércio – Migrações Pessoal. Se possível, solicite aos alunos que leiam suas respostas e discutam em grupo. 2. O comércio internacional é muito importante para a economia de vários países. Nesse aspecto, mencio- ne como a globalização pode ajudar e também como ela pode prejudicar a economia deles. Os alunos devem levar em consideração que, ao expandir as relações comerciais, a globalização amplia as exportações, o que vem a ser um aspecto positivo para os países. De outro modo, a globalização pode criar interdependências que tornam os países mais suscetíveis às crises econômicas internacionais. 3. Analise o fragmento da música Disneylândia, da banda brasileira Titãs, e responda à questão a seguir: FO LH AP RE SS /J oã o M on ta na ro Disneylândia Música hindu contrabandeada por ciganos Poloneses faz sucesso no interior da Bolívia [...] Multinacionais japonesas instalam empresas Em Hong Kong e produzem com matéria-prima Brasileira para competir no mercado americano. ANTUNES, Arnaldo. Disneylândia. Intérprete: Titãs. In: TITÃS. Titanomaquia. Rio de Janeiro: WEA, 1993. 1 CD. Faixa 3. 21 2 A cidade de Istambul, na Turquia, encontra-se na divisa entre a Europa e a Ásia. Por sua localização, tem forte influência europeia e asiática. Responda à questão a seguir: 1. Fatores demográficos e culturais podem ser um critério para separar diferentes regiões? Justifique sua resposta. Demografia © Sh ut te rs to ck /F ee l g oo d st ud io Ta lit a Ka th y Bo ra A dispersão humana pelo mundo foi a causa da grande diversidade étnica que existe. Ao estudar a demografia, nos deparamos com uma enormidade de condições e características populacionais diferentes que se espalham pelo espaço geográfico. Algumas são determinantes e podem até ser usadas como parâmetro ou critério para definir diferentes regiões. 22 1. As perguntasintrodutórias não têm necessariamente uma resposta correta, mas devem servir de reflexão para o tema. Neste caso, incentive os alunos a refletir sobre o fato de que os aspectos culturais podem ser usados para dividir regiões, principalmente quando não há uma divisão geográfica natural tão marcante. 1 Orientações gerais. geografia Acabamos de analisar a globalização e suas diferentes faces e características. Como você deve se lembrar, trata-se de um fenômeno que intensificou a difusão de culturas pelo mundo. Estas, em muitos casos, são resultado de pro- cessos históricos de adaptação de um povo ao território que lhe cabe e estão ligadas a diver- sos fatores. A demografia estuda a população e suas características e também a história de formação de um povo ou uma etnia. Tais carac- terísticas e heranças culturais são decorrentes da sensação de pertencimento dos povos aos territórios que ocupam, o que remete à mani- festação de poder sobre o espaço, de alguma forma apropriado por estas pessoas. Para muitos povos, as migrações e a miscigenação também foram fatores determinantes para sua formação. O contato entre diferentes povos foi, na maior parte dos casos, palco de conflitos, porque está dire- tamente ligado à posse sobre um território e também à perda de identidade cultural. Desse modo, para compreender a integração mundial, é importante analisar fatos e situações peculiares dos diferentes povos. Neste capítulo, vamos analisar as características das populações de três continentes: Europa, Ásia e Oceania. Estudaremos não só os aspectos demográficos relacionados à configuração e estrutura popula- cionais como também os diferentes grupos étnicos, suas manifestações culturais e situações de tensão e conflitos provocados em áreas de fronteiras. Vamos lá! © Sh ut te rs to ck /s ho ot m yb us in es s Uma das marcas mais curiosas dos antigos povos europeus é Stonehenge. O monumento de rochas está localizado em Salisbury, na região sul no Reino Unido, e estima-se que tenha mais de 5 mil anos. Em alguns casos, é possível perceber que a posse sobre um território geralmente ocorre em meio a con- flitos, disputas ou ocupação de espaços. Um importante filósofo inglês chamado Thomas Hobbes (1588- 1679) afirmou que o conflito é inerente à própria natureza humana, de modo que a sociedade sempre buscaria a guerra por querer ou disputar elementos que, contraditoriamente, seriam necessários para ga- rantir a vida. 1. As ideias de Hobbes poderiam ser aplicadas a que tipos de disputas ou conflitos territoriais na atua- lidade? Justifique sua resposta. Pessoal. Os alunos devem analisar se atualmente vivemos em constante conflito ou na iminência de conflitos por disputas de territórios e recursos naturais. 2. Em sua opinião, que atitudes deveriam ser tomadas pelas sociedades com o intuito de colaborar para a resolução de conflitos? Justifique sua resposta. Pessoal. É possível aproveitar o momento para promover diálogos com os alunos sobre a importância da convivência como forma de evitar conflitos, tanto locais quanto globais. 23 Objetivos • Compreender as características sociais e demográficas da Europa, Ásia e Oceania. • Analisar as tensões e os conflitos nas fronteiras europeias, asiáticas e oceânicas. • Compreender os fatores relacionados à regionalização e à divisão da Europa e da Ásia. • Analisar o impacto das migrações na formação cultural de diversos grupos. Sugestão de leitura.2 Objetivo da atividade.3 Lu ci an o Da ni el Tu lio Aspectos demográficos da Europa O continente europeu abrange uma área de mais de 10 milhões de km². Embora geologicamente possa ser considerado uma península asiática, sua história e seu desenvolvimento socioeconômico o colocam em desta- que no espaço geográfico mundial. Europa: político Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 32. Adaptação. A condição atual da população europeia, no que se refere tanto aos laços culturais quanto às condições sociais e econômicas, é fruto de um longo processo histórico, mas também de eventos que ocorreram recente- mente. Vamos estudar a configuração da população europeia, suas características sociais e econômicas. O continente europeu apresenta a segunda maior densidade demográfica entre os continentes, com uma média de aproximadamente 75 habitantes por quilômetro quadrado. A população absoluta ultrapassa 750 milhões de habitantes. Veja na tabela a seguir os países mais populosos e mais povoados do continente: País População absoluta (milhões de habitantes, 2017) País População relativa (hab./km²) Alemanha 81 Mônaco 25 969 França 66,2 Vaticano 1 800 Reino Unido 63,7 Malta 1 346 Itália 61,7 San Marino 556 Fonte: UNITED NATIONS. World statistics pocketbook 2017 edition. Disponível em: <https://unstats.un.org/unsd/publications/pocketbook /files/world-stats-pocketbook-2017.pdf>. Acesso em: 11 dez. 2017. 9o. ano – Volume 124 Professor, relembre com os alunos concei- tos básicos da demografia, como população absoluta, população relativa ou densidade demográfica, países populosos e povoados. Cartografar 1. Identifique ao menos dois países com elevada densidade demográfica e dois países com baixa densidade demográfica no continente europeu. 2. Compare o mapa de densidade demográfica com um mapa de climas e responda às questões a seguir: a) Quais são os tipos de clima predominantes nas regiões de menor densidade demográfica do conti- nente? As regiões com climas polares frios e semiáridos (leste europeu). b) É possível afirmar que o clima é um fator que pode interferir na distribuição da população? Justifique sua resposta. Ta lit a Ka th y Bo ra Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 71. Adaptação. Europa: densidade demográfica (2015) O povoamento do continente apresenta características que podem ser explicadas, em parte, pela influência de diferentes elementos, entre eles aspectos naturais. Observe o mapa a seguir e compare-o ao mapa político da Europa, na página anterior. Em seguida, responda às questões. Geografia 25 1. Os alunos poderão escolher diferentes países entre os de maior densidade: Países Baixos, Bélgica, Alemanha e Suíça. Os listados na tabela anterior, que apresentam elevada densidade, são difíceis de serem distinguidos no mapa (exceto Malta). Entre os países de baixa densidade, podem ser citados: Noruega, Suécia e Finlândia. Sim. A rigorosidade das condições climáticas pode colaborar para que o adensamento populacional seja bem menor. Conforme mencionamos anteriormente, o continente europeu apresenta elevada população absoluta, bem como grande diversidade de idiomas e culturas em um território relativamente pequeno. Apesar da grande diversidade de idiomas que há no continente, podemos destacar a existência de três prin- cipais grupos linguísticos, dos quais vários idiomas se ramificaram: • Latim – espanhol, português, francês, italiano e romeno (línguas faladas principalmente nos países do sul e oeste do continente). • Germânico – alemão, holandês (neerlandês), inglês, entre outras (línguas faladas principalmente nos países do centro-norte). • Eslavo – russo, polonês, búlgaro, entre outros (línguas faladas comumente nos países do leste europeu). É possível perceber que há uma regionalização causada pela própria manifestação e distribuição dos idio- mas, os quais derivam da história de ocupação e formação dos territórios. Perceba como nós, americanos, em geral, manifestamos essa influência linguística por habitarmos um continente colonizado por europeus. Alguns países adotam mais que um idioma oficial, como é o caso da Bélgica, que tem o alemão, o francês e o neerlandês como idiomas oficiais. Mesmo nesses países existem diferenças regionais e dialetos locais. Quando observarmos imagens de culturas locais tradicionais ou manifestações folclóricas dos países, talvez seja possível pensar que esse tradicionalismo está presente em todasas partes do mundo. De fato, na atualida- de, grandes cidades se mostram muito mais pluriétnicas se comparadas com as cidades menores e mais rurais do continente, onde, por outro lado, as tradições culturais, em geral, e linguísticas, em particular, se encontram mais preservadas. Organize as ideias Analise o mapa conceitual a seguir e responda às questões propostas. a) Os grupos linguísticos europeus poderiam ser utilizados satisfatoriamente como critérios para a regio- nalização do continente? Justifique sua resposta. Sim, seria possível dividir a Europa em três grandes regiões tendo como base a origem do idioma. É importante reforçar que essa abordagem é generalizadora, pois existem diversos outros grupos ou troncos linguísticos no continente. b) Os grupos linguísticos podem ser compreendidos como uma herança cultural? Por quê? Sim. Espera-se que os alunos concluam que esses três grupos deram origem a vários e diferentes idiomas praticados em diversos países do continente e fora dele. c) Além do idioma, cite ao menos outros dois elementos da cultura imaterial que podem ser considera- dos como herança cultural. Religião, danças típicas, culinária, música, literatura, entre outros. Grupos linguísticos da Europa Latim Germânico Eslavo Sul Norte Leste Itália Dinamarca Polônia 9o. ano – Volume 126 Recomendação de trabalho com filmes.4 Envelhecimento da população do Velho Continente Como você deve imaginar, a população europeia, de modo geral, apresenta bons indicadores sociais e eco- nômicos. A maior parte dos países tem IDH muito elevado, com alta taxa de alfabetização, longa expectativa de vida e baixíssimos índices de mortalidade infantil. Observe a mapa a seguir. Ele mostra a média de expectativa de vida da população europeia. Ta lit a Ka th y Bo ra Fonte: WORLD BANK. Life expectancy at birth, total (years). Disponível em: <https://data.worldbank.org/indicator/SP.DYN.LE00.IN?view=chart>. Acesso em: 23 abr. 2018. Adaptação. De acordo com o Atlas Estatístico da Eurosat, a expectativa de vida atual dos europeus é de cerca de 81 anos. Desde a segunda metade do século XX, a expectativa de vida no continente aumentou aproximada- mente 10 anos. No entanto, ainda é perceptível o contraste entre algumas regiões, como o leste europeu, que apresenta uma situação um pouco menos favorável. A melhoria dos indicadores sociais fez com que, gradativamente, a expectativa de vida aumentasse. Por ou- tro lado, isso apresenta uma consequência negativa: observa-se na Europa, de maneira geral, uma redução das taxas de natalidade, o que resultou na redução do crescimento da população do continente, já verificada em alguns países. A combinação desses fatores está diretamente ligada ao envelhecimento da população. Europa: expectativa de vida (2016) © Sh ut te rs to ck /S te fa no C ar ne va li • Idosos conversam em parque na cidade de Roma, Itália, 2015 Geografia 27 Europa: pirâmides etárias (1950, 2000 e 2050) Fonte: UNITED NATIONS. World population ageing: 1950-2050. Disponível em: <http://www.un.org/esa/population/publications/ worldageing19502050/>. Acesso em: 28 abr. 2018. Observe os gráficos da estrutura etária da Europa, de 1950, 2000 e de estimativa para 2050. Perceba que existe uma perceptível redução da população mais jovem (base da pirâmide), enquanto as camadas superiores (especialmente a partir de 60 anos) têm crescido proporcionalmente muito mais. Fonte: COMISSÃO EUROPEIA. Agricultura: uma parceria entre a Europa e os agricultores. Disponível em: <https:// publications.europa.eu/ pt/publication-detail/-/ publication/f08f5f20-ef62- 11e6-8a35-01aa75ed71a1>. Acesso em: 28 abr. 2018. Distribuição etária dos agricultores europeus Id ad e Homem80 60 40 20 510 0 5 10 Mulher 80 60 40 20 510 0 5 10 80 60 40 20 510 0 5 10 60+ 0 - 59 1950 2000 2050 Porcentagem Porcentagem Porcentagem 65 anos ou mais Entre 55 e 64 anos Entre 45 e 54 anos Entre 35 e 44 anos Menos de 35 anos 31% 24,5% 23,5% 15% 6% Embora decorra dos bons padrões de vida alcançados, o envelhecimento da população europeia também pode ter algumas consequências negativas, como, em última instância, a redução da população economica- mente ativa, impactando a arrecadação de impostos, fato já verificado em alguns países. Além disso, o envelhe- cimento populacional também está relacionado à queda da população economicamente ativa, o que resulta na falta de mão de obra e no aumento dos gastos dos governos com previdência social. O envelhecimento da população europeia vem causando certa preocupação também nas autoridades res- ponsáveis pelos planos de desenvolvimento da agricultura. A média de idade dos trabalhadores rurais vem aumentando e o percentual de trabalhadores jovens está diminuindo, o que mostra que os mais novos não estão se interessando por atividades voltadas ao espaço rural, mesmo em comunidades mais tradicionais. Isso pode representar um problema no futuro, em razão da falta de produtores rurais. 28 5 Sobre os gastos previdenciários europeus. Fo to ar en a/ Re ut er s/ St ep ha ne M ah e Diante de tudo isso, a tendência de aumento da expectativa de vida da população europeia fez com que alguns países ado- tassem reformas trabalhistas com medidas para elevar a idade mínima para aposentadoria, como forma de reduzir os gastos do governo com o setor previdenciário. Tais medidas, geralmente impopulares, causam revoltas e manifestações em diversos países, como as que ocorreram na França e na Grécia a partir de 2010. Fatos semelhantes também desencadearam manifestações no Brasil em 2017. a) Quais fatores demográficos justificam a iniciativa dos governos de aumentar a idade para a aposenta- doria? No caso da Grécia, que outros fatores estavam associados a essa iniciativa? Os alunos devem relacionar essa iniciativa ao aumento da expectativa de vida da população e ao consequente aumento da população idosa. No caso da Grécia, a reforma da previdência estava associada a um conjunto de medidas de austeridade, ou seja, medidas gerais para ajuste da economia grega como um todo. b) Uma situação semelhante a essa também ocorre no Brasil? Justifique sua resposta. Os alunos devem mencionar as recentes tentativas do governo de estabelecer a reforma da previdência. Uma análise mais con- sistente envolve observar as condições sociais e econômicas dos países para entender suas demandas. O GLOBO 8 junho 2016 Protestos nas ruas e greves marcaram o dia da votação no Parlamento grego, que aprovou um pacote de medidas de austeridade — que inclui a reforma da Previdência e aumento de impostos — em troca de mais recursos da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional para socorrer o país. Manifestantes atiraram bombas contra a polícia, que revidou com gás lacrimogêneo. As medidas foram aprovadas por 153 votos a favor, frente a 144 contrários. [...] O projeto aprovado pelos parlamentares ontem [7 de junho de 2016] prevê medidas de austeridade que somam € 5,4 bilhões ou 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. As mudanças incluem a reforma do sistema de aposentadorias e o aumento de impostos. As contribuições para a Previdência aumentarão consideravelmente, haverá cortes de benefícios mais elevados e será instaurada uma aposentadoria nacional de € 384 para quem trabalhou 20 anos. EM DIA DE PROTESTOS, GRÉCIA APROVA REFORMA DA PREVIDÊNCIA EM DIA DE PROTESTOS, Grécia aprova reforma da Previdência. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/economia/em-dia-de-protestos-grecia- aprova-reforma-da-previdencia-19258926>. Acesso em: 28 abr. 2018. https://oglobo.globo.com/economia/em-dia-de-protestos-grecia-aprova-reforma-da-previdencia-19258926 • Manifestantes franceses protestam contra alterações na reforma trabalhista do país, na cidade de Nantes, 2016 Geografia 29 © Sh ut te rs to ck /M iss Ru by Aspectos demográficos da Ásia A Ásia é o maior continente do planeta, com maisde 44,6 milhões de km² de extensão. Tamanha dimensão proporcionou grande diversidade de paisagens naturais, etnias e culturas. Como mencionamos na abertura deste capítulo, a própria divisão natural ou geológica entre a Europa e a Ásia é relativa; por vezes, ambos os continentes são simplesmente denominados Eurásia. Ao todo, no continente estão aproxima- damente 60% de toda a população mundial (cerca de 4,4 bilhões de pessoas). Além disso, na Ásia estão os dois países mais populosos do mundo, China e Índia, que, juntos, têm cerca de 35% da população mundial. Apesar disso, a distribuição da população no território asiático é irregular. Existem no continente tanto regiões com elevada densi- dade demográfica quanto com baixas taxas de povoamento. Isso se explica pela história de ocupação do território e também por fato- res naturais, como a presença de montanhas e desertos, por exemplo. Lu ci an o Da ni el Tu lio Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 32. Adaptação. • Circulação de veículos e pessoas em Dacca, capital de Bangladesh. Foto de 2017 Ásia: político 9o. ano – Volume 130 1. Analise o mapa de densidade demográfica do continente asiático a seguir e compare-o com o mapa político da página 30. Depois, informe qual região do continente asiático apresenta as mais elevadas den- sidades demográficas. Leste, sudeste e centro-sul do continente são as regiões que apresentam as mais elevadas densidades demográficas. 2. Qual fator po de ajudar a explicar a baixa densidade demográfica da Rússia? 3. Quais países apresentam as maiores densidades demográficas? Vietnã, Índia, Sri Lanka, Bangladesh, Israel, Filipinas, Coreia do Sul e Japão. 4. A região do Oriente Médio, que envolve a Arábia Saudita e alguns países em seu entorno, tem que faixa de densidade predominante? De 5 a 15 hab./km² e de 45 a 120 hab./km². É importante ressaltar a densidade demográfica de Israel. Cartografar Ta lit a Ka th y Bo ra Ásia: densidade demográfica (2015) Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 71. Adaptação. Geografia 31 Os alunos devem relacionar a baixa densidade demográfica do país à sua vasta extensão territorial, com área praticamente duas vezes maior que a do Brasil e uma população menor. Ressalte que existem, na Rússia, áreas mais povoadas do que outras. Na Sibéria, por exemplo, que apresenta condições climáticas muito extremas, a densidade demográfica é muito baixa quando comparada às principais áreas urbanas do país, localizadas no oeste (parte europeia), como no entorno de Moscou e de São Petesburgo. Fo to ar en a/ A la m y/ A le xa nd er Ju ng Os obstáculos naturais impõem alguns empecilhos para a ocupação, mas, como sabemos, a humanidade desenvolve diversas adaptações para habitar regiões que, muitas vezes, são desafios para a permanência e o povoamento. A Cordilheira do Himalaia, formação com as mais elevadas montanhas do mundo, é um bom exemplo disso. Mesmo diante dos desafios naturais para sua ocupação, ainda assim existem povos que, por tradição cultural, se adaptam e vivem em meio às grandes montanhas. Além das montanhas, as regiões áridas ou mesmo a Sibéria, na Rússia, são exemplos desses desafios para a permanência humana. Como é possível perceber nas imagens desta página, a atividade humana ao longo dos anos foi se adaptan- do às condições naturais. Tais adaptações são um dos fatos que moldam e criam diferentes hábitos e culturas. Assim, as diferenças entre povos surgem também da maneira como estes se apropriam dos espaços geográficos. Algumas culturas asiáticas são diferentes em relação aos hábitos ocidentais, seja na forma como ocupam os espaços, seja por seus costumes e tradições. Fo to ar en a/ Al am y/ Vl ad im ir M el ni ko v Fo to ar en a/ Al am y/ Ya vu z S ar iy ild iz • Vila no Nepal, 2018 • Imagem aérea de vila pertencente à cidade de Noyabrsk, na Sibéria, Rússia, 2017 • Vila com tendas denominadas Yurt, em estepe na Mongólia, 2017 3232 © Sh ut te rs to ck /S ou m itr a Pe nd se ©Shutterstock/Anton_Ivanov Diversidade cultural e étnica dos países asiáticos A riqueza cultural asiática pode ser percebida não apenas nos maiores e mais populosos países, mas tam- bém em pequenas nações, como o Butão. Conexões O Butão é um pequeno país com pouco mais de 38 mil km², situado entre a Índia e a China, em meio ao Himalaia. A altitude média é de mais de 2 200 m. O ponto mais alto é o Gangkar Puensum, com 7 570 metros. Mas o que mais chama a aten- ção do mundo para esse pequeno país é o modo de vida da população. O país estabeleceu uma política de índice de felicidade da população. Um rei praticamente adolescente instituiu, ainda na década de 1970, que o país e as autoridades deveriam se preocupar também com a satisfação e felicidade das pessoas. Por isso o Butão ficou conhecido por algum tempo como o país com as pessoas mais felizes do mundo. A ONU achou a ideia válida e também incentivou os demais estados-membros a considerar o índice de felicidade da população como um com- ponente dos indicadores sociais populacionais. Mas como estabelecer um índice para a felicidade? Uma pessoa pode se sentir feliz sem, necessariamente, ter acesso a uma série de melhoramentos e avanços tecnológicos ou, até mesmo, certos luxos. O índice de feli- cidade, contudo, é difícil de ser comparado entre países, porque depende de particularidades sociais e culturais de cada povo, como valores, crenças, entre outros. A religião budista é predominante no Butão, seguida pelo hinduísmo. No entanto, ao contrário do que se possa acreditar, existe muita pobreza, principalmente nas regiões rurais. A escravidão só foi proibida no país em meados do século XX. As próprias autoridades butanesas admitem que existem melhorias a fazer, mas afirmam que, nos últimos 30 anos, o padrão de vida das pessoas progrediu, o que ajuda a explicar o índice de satisfação do povo butanês. • Moradores de Thimphu, capital do Butão, cami- nham pela cidade, 2017 • Mosteiro de Takshang, no Butão, 2015 Geografia 3333 A respeito do Índice de Felicidade Interna Bruta.6 ©Shutterstock/maoyunping Como foi mencionado, China e Índia são os países mais populosos do mundo. Considerando tamanha im- portância demográfica, vamos destacar, a seguir, alguns aspectos desses dois gigantes. População chinesa Em 2017, a população chinesa era de 1,409 bilhão de habi- tantes. Para se ter uma ideia, esse número corresponde a mais de seis vezes a população brasileira no mesmo ano. No entanto, seus habitantes não se encontram homogeneamente distribuí- dos. A maior parte se concentra na costa leste, principalmen- te nas proximidades de dois importantes rios chineses, o Rio Amarelo e o Rio Azul. A China é dividida em 22 províncias, algo semelhante às unidades da federação brasileiras. A província de Guangdong é a mais populosa do país, com mais de 100 milhões de habitantes. As principais e maiores ci- dades do país são Xangai e Pequim, que têm mais de 23 e 20 milhões de habitantes, respectivamente. O governo chinês reconhece a existência de mais de 50 grupos étnicos no país, os quais correspondem a cerca de 7% da população. A grande maioria da população chinesa pertence à etnia Han, com 92% da popula- ção. A segunda etnia chinesa mais numerosa é a Zhuang, com aproximadamente 1% da população. Nos últimos anos, políticas de controle da natalidade colaboraram para a redução da taxa de nascimento e, consequentemente, para a redução na velocidade de crescimento populacional chinês. A estrutura etária do país já mostra uma queda no número de crianças e também projeta queda na população de jovens, bem como aumento do número de idosos, como é possível perceber nas pirâmides etárias chinesas. Contudo, alguns ana- listas afirmam que a política implantada pelo governo chinês tende a trazer mais problemas do que soluções. A política de controle da natalidade na Chinafoi cercada de muitas dúvidas e polêmicas sobre o modo como ocorria e quais seriam suas implicações – não apenas para a demografia e economia da China, mas também para as condições de vida de sua própria população. • Pessoas caminham em área comercial de Pe- quim, capital da China, 2018 Homens MulheresIdade 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 2050 1982 2000 Milhões de habitantes 16 14 12 10 8 6 4 2 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 China: pirâmides etárias (1982, 2000 e estimativa para 2050) Fonte: INSTITUT NATIONAL D’ÉTUDES DÉMOGRAPHIQUES. China, a demographic giant with feet of clay. Disponível em: <https://www.ined.fr/en/everything_about_population/demographic-facts-sheets/focus-on/china/>. Acesso em: 28 abr. 2018. 9o. ano – Volume 134 ©Shutterstock/jianbing Lee Política do filho único Oficializada em 1979, a política do filho único na China estabelecia que os casais que tivessem apenas um filho receberiam vantagens governamentais e até mesmo um certificado de honra. O objetivo do governo era frear o crescimento da população, temendo que um grande contingente populacional afetasse o crescimento da economia. Durante alguns anos, essa política acabou por estimular a interrupção da gravidez de muitas mulheres, sob pena de perda dos benefícios concedidos pelo Estado. Mas havia exceções: os mais de 50 grupos étnicos minoritários na China não eram obrigados a seguirem essa norma, assim como as pessoas que viviam nas áreas rurais, principalmente aquelas que tivessem filhas. Tal política acabou resultando em certos desequilíbrios populacionais, aumentou a proporção de homens na população do país e também acabou por provocar o envelhecimento da população em certas regiões que tiveram pequenas taxas de nascimentos. Em áreas urbanas plenamente integradas ao capitalismo, mais especificamente em contingentes populacionais mais abastados, a política era ignorada, pois os impactos associados à perda de bene- fícios não eram tão sentidos por esses grupos sociais. Diante das mudanças na configuração populacional, do enve- lhecimento da população e do crescimento econômico que a Chi- na vivenciou, o governo optou por flexibilizar a norma. Em 2015, a política do filho único foi extinta no país. O fim da medida já produziu algumas mudanças. Porém, os anos de convivência com a norma, as mudanças de hábitos que o meio urbano pressiona, bem como uma série de outros fatores resultantes das grandes transformações pelas quais a China tem passado ainda não nos permite avaliar, com segurança, como será o comportamento demográfico do país. • Crianças em escola em Xingtai, China, 2016 Olhar geográfico A regra do filho único na China pode se relacionar com teorias demográficas, como as ideias malthusianas e principalmente as neomalthusianas. 1. Faça uma pesquisa e anote, em seu caderno, quais eram as principais ideias das duas teorias e relacione com a política chinesa do filho único. 2. Observe novamente as pirâmides etárias chinesas e, com base na atual projeção da pirâmide para 2050, analise que benefícios a China pode obter com o fim da política do filho único. 3. Em sua opinião a implantação de políticas de controle da natalidade é positiva? Justifique sua resposta. Pessoal. Geografia 35 De acordo com a teoria de Malthus, a população cresceria em um ritmo superior ao da produção de alimentos, gerando escassez e fome no mundo. Malthus não acreditava que era possível aumentar a produção de alimentos utilizando tecnologia. Anos depois, suas ideias foram readaptadas por meio de uma nova teoria, chamada de neomalthusiana, que atribuía a causa do subdesenvolvi- mento à elevada taxa de crescimento populacional. Para sair dessa situação, seria necessário adotar medidas que contivessem tal crescimento, principalmente controlando a taxa de natalidade, como ocorreu na China. A economia chinesa vem crescendo acentuadamente nos últimos anos. A projeção da pirâmide chinesa indica uma queda acentua- da de pessoas em idade ativa para o trabalho. O fim da política do filho único permitirá uma reposição populacional que poderá assegurar a disponibilidade de mão de obra para o país. Índia: pirâmide etária (2016) População indiana A população indiana apresenta grande pluralidade cultural. Parte dessa riqueza deve-se, entre outros fatos, à diversidade de crenças e à religiosidade do povo indiano. Religiões como o hinduísmo, o budismo, o jainismo, o sikhismo são originárias da Índia. Cerca de 80% dos indianos seguem o hinduísmo. A Índia tem a segunda maior população do mundo. Em 2017, o país apresentava 1,339 bilhão de habitantes, sendo superado apenas pela China. No entanto, nos últimos anos a taxa de crescimento populacional indiana é superior à chinesa, o que leva a crer que, em alguns anos, a população da Índia superará a da China. Contudo, algumas regiões já apresentam queda na taxa de fecundidade (número de filhos por mulher em idade fértil), como mostra o mapa a seguir. Fonte: CENTRAL INTELLIGENCE AGENCY. The world factbook: India. Disponível em: <https://www.cia.gov/library/publications/resources/ the-world-factbook/geos/in.html>. Acesso em: 28 abr. 2018. Ta lit a Ka th y Bo ra Índia: taxa de fecundidade nas principais unidades administrativas (2012) Fonte: ESTIMATES OF FERTILITY INDICATORS. In: SRS Statistical Report 2012. p. 48. Disponível em: <http://www.censusindia.gov.in/ vital_statistics/SRS_Report_2012/10_Chap_3_2012.pdf>. Acesso em: 28 abr. 2018. Adaptação. Essa tendência fica evidente ao analisar a pirâ- mide etária do país. Observe a largura da base, que mostra uma alta taxa de natalidade e, consequen- temente, uma elevada população de crianças. Você pôde observar no mapa da página 31 que a densidade demográfica indiana é elevada. As áreas de maior adensamento populacional na Índia estão localizadas ao longo do Rio Ganges, que atravessa o norte e nordeste do país. 100+ 95 - 99 90 - 94 85 - 89 80 - 84 75 - 79 70 - 74 65 - 69 60 - 64 55 - 59 50 - 54 45 - 49 40 - 44 35 - 39 30 - 34 25 - 29 20 - 24 15 - 19 10 - 14 5 - 9 0 - 4 65 52 39 26 13 0 0 13 26 39 52 65 Homens Mulheres IdadeMilhões de habitantes 9o. ano – Volume 136 Aproveite para retomar conceitos demográficos, como taxa de fecundidade e de reposição demográfica (2,1 filhos por mulher em idade fértil). 1. Observe a tabela a seguir e, utilizando uma calculadora, informe a população relativa dos países mencionados. País População absoluta (2017) Área (km²) População relativa (hab./km²) China 1 409 517 000 9 600 000 146,8 Índia 1 339 180 000 3 287 263 407,3 Bangladesh 164 670 000 147 570 1 115,8 Singapura 5 709 000 719 7940,1 Japão 127 484 000 377 930 337,3 Fonte: UNITED NATIONS. World statistics pocketbook 2017 edition. Disponível em: <https://unstats.un.org/unsd/publications/pocketbook/ files/world-stats-pocketbook-2017.pdf>. Acesso em: 24 abr. 2018. 2. Com as informações obtidas nos cálculos feitos, elabore um gráfico de colunas da população relativa dos países. 8 000 7 500 7 000 6 500 6 000 5 500 5 000 4 500 4 000 3 500 3 000 2 500 2 000 1 500 1 000 500 China Índia Bangladesh Singapura Japão Atividades Geografia 37 Fo to ar en a/ Al am y/ je jim 12 0 Povos oceânicos Talvez a grafia do título possa causar certa estra- nheza, mas não está errada. Os habitantes da Oceania são denominados oceânicos e, como o próprio gentí- lico remete, são povos com forte ligação com o mar, reflexo de um continente que apresenta muitas ilhas. A Oceania é conhecida como Novíssimo Continen- te, pois a colonização pelos europeus é recente, con- forme vamos estudar mais adiante. Assim como em outros locais, antes da colonização as ilhas do conti- nente – e mesmo a Austrália – já eram habitadas havia muitos anos por povos nativos. • Picton, cidade litorânea localizada na porção central da Nova Zelândia, 2017 A Oceania é o continente menos povoado e populoso de todos. Suapopulação total é de aproximadamen- te 40 milhões de habitantes, menor que a população do estado de São Paulo. Os países mais populosos são a Austrália (24,4 milhões), a Papua Nova Guiné (8,2 milhões) e a Nova Zelândia (4,7 milhões). Mesmo com a maior população absoluta, a Austrália possui uma população relativa baixa, cerca de 3 hab./km². Nauru, pequeno país insular, possui cerca de 568 hab./km², a maior do continente, seguido por outro pequeno país insular chamado Tuvalu, com 373 hab./km². Oceania: político Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 32. Adaptação. Lu ci an o Da ni el Tu lio 9o. ano – Volume 138 Apesar da importância, sobretudo cultural dos povos das diversas ilhas da Oceania, sem dúvida Austrália e Nova Zelândia são os principais países do continente, principalmente sob o ponto de vista econômico. Por esse motivo, vamos dar ênfase a algumas características demográficas desses dois países. Oceania: densidade demográfica (2015) Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 71. Adaptação. 1. Observando o mapa político, quais seriam os três países de maior extensão da Oceania? Austrália, Nova Zelândia e Papua Nova Guiné. 2. Quais são as faixas de densidade demográfica da Austrália e Nova Zelândia, respectivamente? A Austrália se encontra na faixa de menos de 5 hab./km² e a Nova Zelândia na faixa de 15 a 45 hab./km². 3. Qual a densidade demográfica da Papua Nova Guiné? Esse país faz fronteira com um país localizado no continente asiático. Consulte as páginas 30 e 31 de seu livro e responda que país é esse e qual sua densi- dade demográfica. Papua Nova Guiné está na faixa de 15 a 45 hab./km². Faz divisa com a Indonésia, que se encontra na faixa de 120 a 270 hab./km². 4. No mapa político da Oceania, na página anterior, localize Nauru, Tuvalu, Fiji, Tonga e Samoa. Faça um X sobre esses países e, em seguida, escreva os valores aproximados de suas coordenadas de longitude. Em seguida, analise os resultados obtidos. Cartografar M ar ilu d e So uz a Geografia 39 tuam perto da Linha Internacional de Data (LID). É possível que os alunos possam crer que esses dois grupos de países estejam, portanto, em datas diferentes. Contudo, reforce que, por ser uma convenção, a LID sofre um desvio nessa região, abrangendo todos esses países sob a mesma data, em virtude de sua própria relevância. Bora Bora e Taiti, por sua vez, se encontram no dia anterior. Nauru, Tuvalu e Fiji estão entre as coordenadas 165°E e 180°. Já Tonga e Samoa estão entre as coordenadas 165°O e 180°. Embora próximos, estão em hemisférios diferentes e se si- © Sh ut te rs to ck /T on yN g Aspectos demográficos da Austrália e da Nova Zelândia A população australiana corresponde a mais da metade da população da Oceania. Tanto a Austrália como a Nova Zelândia estão entre os países que apresentam os melhores indicadores sociais do mundo, o que se remete ao excelente padrão de vida da população. Observe a pirâmide etária desses dois países. • Sydney, Austrália, 2017 Como é possível perceber, a pirâmide etária dos países apresenta aspectos semelhantes, típicos de países com elevado desenvolvimento socioeconômico. Ambos têm registrado baixo crescimento populacional e ele- vada expectativa de vida. A cidade de Sydney é o principal centro urbano australiano e possui mais de 5 milhões de habitantes. Cam- berra é a capital e, em 2017, apresentava 422 mil habitantes. Na Austrália, a maior parte da população se localiza nas regiões litorâneas do leste, sul e sudeste, mas tam- bém há núcleos populacionais no sudoeste, ao longo da cidade de Perth. Fonte: CENTRAL INTELLIGENCE AGENCY. The world factbook: Australia. Disponível em: <https://www.cia.gov/library/publications/resources/the- world-factbook/geos/as.html>. Acesso em: 28 abr. 2018. Austrália: pirâmide etária (2016) Fonte: CENTRAL INTELLIGENCE AGENCY. he world factbook: New Zealand. Disponível em: <https://www.cia.gov/library/publications/ resources/the-world-fatbook/geos/nz.html>. Acesso em: 28 abr. 2018. Nova Zelândia: pirâmide etária (2016) 100+ 95 - 99 90 - 94 85 - 89 80 - 84 75 - 79 70 - 74 65 - 69 60 - 64 55 - 59 50 - 54 45 - 49 40 - 44 35 - 39 30 - 34 25 - 29 20 - 24 15 - 19 10 - 14 5 - 9 0 - 4 165 132 99 66 33 0 0 33 66 99 132 165 Homens Mulheres IdadeMilhares de habitantes 100+ 95 - 99 90 - 94 85 - 89 80 - 84 75 - 79 70 - 74 65 - 69 60 - 64 55 - 59 50 - 54 45 - 49 40 - 44 35 - 39 30 - 34 25 - 29 20 - 24 15 - 19 10 - 14 5 - 9 0 - 4 845 676 507 338 169 0 0 169 338 507 676 845 Homens Mulheres IdadeMilhares de habitantes 40 © Sh ut te rs to ck /N at al ia R am ire z R om an © Sh ut te rs to ck /k w es t O interior australiano, chamado de outback, é muito pouco povoado devido à existên- cia de um grande deserto. Lá vivem poucos povos tradicionais e nativos aborígenes que, em alguns casos, mantêm sua cultura tradicional. Auckland é o principal centro urbano da Nova Zelândia e apresenta quase 1,5 milhão de habitantes. Nesse país, mais de 75% da população, incluindo os povos nativos maoris, vive na ilha do norte, onde estão as princi- pais e maiores cidade (Auckland, Wellington – que é a capital do país e possui 389 mil habitantes – e Hamilton). 1. Analise os gráficos da estrutura etária (pirâmide etária) da China, da Índia, da Austrália e da Nova Zelândia e na sequência assinale V para a(s) alternativa(s) verdadeira(s) e F para a(s) falsa(s), justificando os itens incorretos. ( F ) A pirâmide da China projetada para 2050 mostra uma base larga, resultante do fim da política de filho único. A pirâmide chinesa projetada para 2050 ainda apresenta uma base mais estreita, ou seja, com reduzido número proporcional de crianças. ( F ) A principal razão de as pirâmides da Índia e da Austrália serem praticamente idênticas diz respeito ao fato de que seus territórios são muito extensos. ( V ) Os gráficos da Austrália e da Nova Zelândia são semelhantes e diferem dos gráficos da China e da Índia; isso ocorre porque os primeiros possuem condições socioeconômicas semelhantes entre si, mas significativamente diferentes das condições chinesa e indiana. ( V ) O formato piramidal do gráfico indiano indica que o país ainda está com elevado crescimento na- tural; já o formato com topo mais alargado da Austrália remete à elevada expectativa de vida de sua população. Atividades • Proximidades de Alice Springs, no centro da Austrália • Auckland, Nova Zelândia, 2017 Geografia 41 As pirâmides são muito distintas. A Austrália apresenta uma típica pirâmide de país com elevado desenvolvimento socioeco nômico (base larga e topo relativamente largo). Já a Índia possui uma base proporcionalmente muito maior, resultante de uma elevada taxa de fecundidade (mas que já começa a apresentar tendência de queda) e um topo proporcionalmente menor quan do comparamos a forma de sua pirâmide com a australiana. A extensão territorial por si só não justifica apontar semelhanças. © Sh ut te rs to ck /J oh n Cr ux Aborígenes, papuas e maoris Quando falamos em diferentes povos, logo podemos imaginar diversas formas de sociedades, com hábitos e costumes próprios. Como mencionamos antes, muitos desses costumes estão atrelados justamente às condi- ções e peculiaridades dos locais onde tais sociedades se desenvolvem. Alguns ambientes oferecem condições severas, outros são mais propícios. Em ambos, nosso planeta registra marcas de povos com forte identidade e vínculo com seus lugares. Dentre os povos oceânicos que se desenvolveram e formaram sociedades nas mais diversas e adversas situações, podemos destacar os aborígenes australianos, os papuas da Nova Guiné e os maoris neozelandeses. Os aborígenes vivem principalmente na Austrália, mas também são encontrados em algumas ilhas próximas. A origem desse povo se deve, muito possivelmente, a gruposque migraram do con- tinente asiático há cerca de 40 mil anos. Naquele período, algumas dessas ilhas eram ligadas por extensas faixas de terra, tal qual uma ponte entre a Austrália e seus vizinhos. Mas com a inundação dessas passagens, acabaram por adquirir características diferentes dos seus ancestrais, em virtude do isolamento a que foram submetidos. Tanto os papuas como os aborígenes tiveram, portanto, uma origem ancestral em comum. Mas os papuas se desenvolveram mais que seus primos vizinhos aborígenes. Uma das explicações para isso está no fato de que os aborígenes se mantiveram por milênios como caçadores e coletores. Os papuas praticavam a agricultura, o que colaborou para o melhor desenvolvimento de seu povo. As cau- sas para a diferença no desenvolvimento entre os papuas e os aborígenes ainda são imprecisas, mas um dos diversos fatores a se considerar pode estar ligado à variação climática. Os papuas viviam na ilha da Nova Guiné, onde o clima é predominantemente quente e úmido. Já os aborígenes do outback viviam em uma região seca. Tais aspectos podem ter favorecido o desenvolvimento da agricultura pelos papuas. • Papuas em Papua Nova Guiné, 2011 42 Sugestão de filme e animação.7 1. Possivelmente você já deve ter ouvido falar sobre bumerangue. Faça uma breve pesquisa a respeito desse objeto, que era utili- zado, originalmente, como instrumento de caça. 2. Faça um pequeno cartaz com imagens de diferentes tipos de bumerangues e algumas informações de sua pesquisa, com foco na Austrália e no povo aborígene. 3. Com auxílio do professor, pesquise sobre vídeos e tutoriais relativos a como fazer um bumerangue arte- sanal com materiais simples (potes plásticos, entre outros). 4. Caso seja possível, procure uma área aberta no pátio do colégio e, sob orientação do professor, divirta-se arremessando seus bumerangues. Olhar geográfico f bu t Os maoris são outro povo de forte influência na Oceania, principalmente na Nova Zelândia. Como ocorre com muitos grupos nativos ao redor do planeta, os maoris já sofreram muitas perdas populacionais e territoriais e hoje se esforçam para manter suas tradições. Observe o mapa a seguir, que mostra as perdas territoriais desse povo. Embora a Nova Zelândia seja um país com grande preservação ambiental, é possível refletir que, com a colonização do país e as perdas territoriais maoris, naturalmente aumentaram as pressões sobre o ambiente físico-natural neozelandês. O maori, idioma do povo homônimo, é uma das línguas austronésias. Esse grupo de línguas inclui uma vasta região, que abrange desde o sudeste asiático até grande parte das Ilhas da Oceania, seja da Polinésia, Microné- sia, bem como da Melanésia. Assim como os papuas, os maoris eram povos agricultores, habilidosos e com maior propensão à guer- ra. Em muitos casos, assimilaram facilmente povos rivais, como os morioris, que eram basicamente cole- tores e caçadores. Maoris: perdas territoriais na Ilha Norte da Nova Zelândia (1860-2000) Fonte: MINISTRY FOR CULTURE AND HERITAGE. Maori land loss, 1860-2000. Disponível em: <https://nzhistory.govt.nz/media/interactive/maori- land-1860-2000>. Acesso em: 24 abr. 2018. Adaptação. M ar ilu d e So uz a © Sh ut te rs to ck /k ar en fo le yp ho to gr ap hy Geografia 43 Tradições dos Maoris: a dança Haka.9 Sugestão de abordagem.8 Hora de estudo As imagens de satélite a seguir captaram algumas regiões do mundo à noite, em 2012. Observe-as e responda às questões. Caso necessite, consulte os mapas políticos das páginas 24, 30 e 38 de seu livro. a) Imagens de satélites noturnas mostrando áreas iluminadas nos fornecem que tipo de informação? Entre as diversas constatações que podem ser feitas pelos alunos, é importante destacar a questão do povoamento da região, bem como de seu desenvolvimento urbano. Algumas áreas escuras até podem conter um relativo contingente populacional, como é o caso da Coreia do Norte, cuja limitação econômica e tecnológica faz com que não possamos observar áreas iluminadas. Contudo, via de regra, as áreas mais escuras estão associadas à baixa densidade populacional e menor desenvolvimento urbano. b) Nesta imagem da Oceania fica destacada parte da Austrália e da Nova Zelândia. Onde estão as áreas de maior luminosi- dade em cada um desses países? c) A imagem de satélite a seguir abrange uma considerável área de nosso planeta, com destaque para a península arábica, mais à esquerda, e a Índia, mais à direita. Também é possível ser observado um trecho da África, na extremidade esquerda, com uma ilumina- ção que parece serpentear algo. O que seria isso? Parte do curso do rio Nilo. Reforce com os alunos também o delta do Nilo iluminado e a importância desse rio para o desenvolvimento da região. d) Você estudou que Israel é um dos países com mais elevada densidade demográfica da Ásia. Localize-o no mapa e circule-o. Israel está bem destacado a nordeste do delta do Nilo. e) A Índia apresenta a segunda maior população mundial. Analise sua imagem e escreva sobre as regiões do país que apresentam maiores áreas luminosas. A Índia destaca-se pelos pontos luminosos que abrangem seus grandes centros urbanos, como a capital Nova Délhi, ao centro, Calcutá, a leste, Mumbai, a oeste, Bangalore, no centro-sul, entre outros. t ç NASA/Robert Simmon NA SA /R ob er t S im m on 44 Na Nova Zelândia, merecem destaque a costa leste e o norte do país. Na Aus- trália é possível observar alguns pontos da costa leste e sul, principalmente além do centro-oeste. A riqueza das análises de imagens de satélite reside neste exemplo: o centro-oeste australiano é pouco povoado, mas a excessiva iluminação se dá pela ocorrência de incêndios, quando a imagem foi captada pela NASA, em um período de grande seca na região, no final de 2012. O destaque da iluminação ocorre mesmo nos grandes centros urbanos, como Brisbane, Sydney, Melbourne, Adelaide e Perth. Solicite aos alunos que con- sultem um mapa político que mostre essas cidades e comparem com a imagem de satélite. 3 A imagem mostra um grande grupo entrando na Hungria, com destino à Alemanha. a) Que fatores podem levar grandes contingentes a sair temporaria ou permanentemente de um país? b) Que benefícios uma nação pode obter com a vinda de pessoas de outros países? E que desafios pode enfrentar? O momento internacional atual tem sido marcado por intensos fluxos migratórios. Nesse panorama, a postura dos países que recebem os imigrantes é diversa. A Alemanha, por exemplo, é atualmente um dos países que mais acolhem imigrantes na Europa, embora internamente o governo sofra pressões em relação a essa abertura. O momento internacional atual tem sido marcado por intensos fluxos migratórios Nesse panorama a postura dos países © Sh ut te rs to ck /Is tv an C sa k Correntes migratórias na Europa, Ásia e Oceania • Refugiados com destino à Alemanha em estação de trem em Gyékényes, Hungria, 2015 Considerações sobre a imagem.1 Considerações complementares. 45 2 • Compreender os principais fluxos migratórios mundiais e os locais de destino. • Entender as diferenças conceituais entre migrantes e refugiados. • Perceber contextos históricos ligados à questão da fome na dinâmica dos deslocamentos po- pulacionais. • Analisar os deslocamentos populacionais por fronteiras, além das tensões e conflitos que os motivaram na Europa, na Ásia e na Oceania. ObjetivosObjetivos Atualmente, há uma forte pressão migratória em diversos locais do mundo. Nesse cenário estão inseridas situações de tensão entre nacionalistas e imigrantes. A dificuldade para entrar em determinados países varia. Até mesmo turistas eventualmente passam por problemas com a concessão de vistos de entrada. Para os imigrantes e refugiados, os desafios são ainda maiores. Neste capítulo, vamos analisar os principais aspectos referentes aos movimentos migratórios que ocorreram na Europa, na Ásia e na Oceania e também alguns dos processos históricos relacionadosà colonização dessas regiões do planeta. Olhar geográfico A imagem ao lado mostra a entrada do aeroporto de Praga, capital da República Tcheca. Uma seta indica a fila exclusiva, à direita, para os cidadãos da União Euro- peia. À esquerda devem se direcionar os cidadãos dos demais países. A concessão de vistos para a entrada em diferentes paí- ses muda de acordo com os tratados internacionais e, principalmente, pela política interna de cada país, que pode ser mais ou menos restritivo conforme seu pró- prio critério. Sobre esse tema, responda às questões: a) Você considera justo que cada país adote uma postura diferente para pessoas vindas de outros países? Justifique a sua resposta. Pessoal. O objetivo é trazer o debate e promover uma reflexão entre os alunos. Reforce que existem acordos que eliminam burocracias e integram os locais, o que é positivo, mas que também existem normas adotadas para realizar rígidos controles à entrada de cidadãos de determinados países. b) Você, ou alguém que conheça, já vivenciou uma situação complicada em viagens internacionais ou teve visto de entrada negado? Explique como foi. Pessoal. © Sh ut te rs to ck /U sk ar p • Aeroporto de Praga, República Tcheca, 2017 9o. ano – Volume 146 Correntes migratórias Migração corresponde ao deslo- camento populacional de um indiví- duo ou grupo, seja de entrada, seja de saída de um território. Para alguns antropólogos, a migração é uma con- dição humana como qualquer outra necessidade. Esse ato acompanha o desenvolvimento da humanidade bem antes do surgimento das primei- ras grandes civilizações. Muitos países, contudo, têm ado- tado medidas severas para conter o avanço das migrações, principalmen- te das migrações ilegais. Esses atos se tornam impopulares e causam des- conforto internacional, porém ocor- rem segundo o princípio da soberania que cada país tem em relação à con- dução de sua política interna. Fluxos migratórios internacionais (2010-2015) Fonte: ABEL, Guy J. Estimates of global bilateral migration flows by gender between 1960 and 2015. In: SciencesPo. Disponível em: <http://cartotheque.sciences-po.fr/media/Migrants_flows_2010-2015/2751/>. Acesso em: 2 maio 2018. Adaptação. Ta lit a Ka th y Bo ra ©Shutterstock/BalkansCat • Cerca erguida pela Hungria, em 2015, na fronteira com a Sérvia, para aumentar o controle sobre fluxos migratórios ilegais Geografia 47 A Ásia tem sido o continente que mais abriga imigrantes. Atualmente cerca de 80 milhões de pessoas que vivem nesse continente não estão mais em seus países de origem. Os países de maior nível de desenvolvi- mento econômico são os principais destinos dos imigrantes. Veja os gráfi- cos ao lado. Porém, o cenário mundial atual está sendo marcado pela forte onda de deslocamento de pessoas que têm deixado seus países não de for- ma espontânea, mas, sim, forçadas, em razão de condições de vida muito precárias, guerras civis, perseguições religiosas de grupos extremistas, entre outros motivos. Esse é o caso de muitas pessoas que partiram do norte da África e do Oriente Médio em direção à Europa. Parte considerável desse grupo que se deslocou tem direitos assegurados, pois esses indivíduos podem ser con- siderados refugiados. Sendo assim, os países signatários de convenções e acordos internacionais relaciona- dos à questão dos refugiados devem autorizar seu acesso e assegurar con- dições para garantir sua segurança e dignidade. Fonte: UNITED NATIONS. International migration report 2017. Disponível em: <http:// www.un.org/en/development/desa/population/migration/publications/migrationreport/ docs/MigrationReport2017_Highlights.pdf>. Acesso em: 3 maio 2018. Número de migrantes internacionais por regiões de destino, em milhões (2000 e 2017) Fonte: UNITED NATIONS. International migration report 2017. Disponível em: <http://www.un.org/en/ development/desa/population/migration/publications/ migrationreport/docs/MigrationReport2017_Highlights. pdf>. Acesso em: 3 maio 2018. Países que mais abrigam migrantes internacionais, em milhões (2017) Ásia 49,2 77,9 79,6 56,3 57,7 40,4 24,7 14,8 9,5 6,6 8,4 5,4 Europa América do Norte África América Latina Oceania Arábia Saudita Estados Unidos Alemanha Rússia Reino Unido Emirados Árabes França Canadá Austrália Espanha (12,2) (49,8) (12,2) (11,7) (8,8) (8,3) (7,9) (7,9) (7,0) (5,9) Verde - 2017 Azul - 2000 9o. ano – Volume 148 1. O mapa da página anterior foi elaborado com uma projeção cartográfica azimutal (plana) polar centraliza- da no polo norte. A escolha da projeção está, em muitos casos, relacionada com a informação que se pre- tende apresentar. Por que a escolha dessa projeção foi mais adequada para apresentar os fluxos migratórios? 2. Compare o mapa anterior com o mapa das migrações do século XIX e XX disponível na página 2 de seu material de apoio e responda: Qual a principal diferença entre o sentido dos fluxos migratórios apresentados nos dois mapas? Cartografar Os alunos devem perceber que a Europa era um grande centro de repulsão de migrantes. 1. A projeção permite centralizar a Europa, o que facilita a visão de que o continente é atualmente um dos principiais centros de atração de imigrantes do mundo. Fome: um dos motivos dos deslocamentos Anteriormente discutimos as causas que levam as pessoas a se deslocarem de um local para outro. Tanto a fome quanto as guerras são fatores responsáveis pela expulsão de milhões de pessoas de seus lugares de ori- gem. Refugiados, como você percebeu, são indivíduos que saem involuntariamente de seus países. Isso ocorre por situações diversas, entre elas a grave violação dos direitos humanos. Saiba + O que são refugiados? A condição de refugiado difere da condição de um imigrante comum. Ela foi estabelecida em 1951, na Convenção das Nações Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados. Atualmente, o órgão da ONU que trata exclusivamente de questões relacionadas aos refugiados é a UNHCR, sigla em inglês para o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados – ACNUR. O termo “refugiado” diz respeito a algumas situações legais. De acordo com a convenção, podem ser considerados refugiados pessoas que estão fora de seu país de origem por causa de perseguições religiosas, étnicas, políticas ou por manifestações de opinião e também pessoas obrigadas a sair de seu país de origem por conta de conflitos armados, violência ou grave violação dos direitos humanos. Todo refugiado tem os mesmos direitos que qualquer outro imigrante legalizado, ou seja, direitos básicos de qualquer indivíduo. Também estão igualmente sujeitos às leis dos países pelos quais são recebidos. Em algumas situações, quando há um fluxo muito inten- so de refugiados recebidos em um país, eles podem estar sujeitos a algumas restrições, para a própria organização interna do país receptor e para zelar pela segurança e pelo bem- -estar de todos. Fonte: UNITED NATIONS HIGH COMMISSIONER FOR REFUGEES. Figures at a Glance. Disponível em: <http://www.unhcr.org/figures-at-a- glance.html>. Acesso em: 3 maio 2018. Regiões de destino e países de onde parte a maioria dos refugiados (até o primeiro semestre de 2017) América (16%) Europa (17%) Ásia (exceto Oriente Médio) e Oceania (11%) África (exceto norte do continente) (30%) Oriente Médio e norte da África (26%) 55% dos refugiados originam-se de três países Sudão do Sul 1,4 milhão; Afeganistão 2,5 milhões Síria 5,5 milhões Geografia 49 Sugestão de trabalho transversal e texto sobre o tema da fome. 4 Sugestão de abordagem.3 De acordo com a ONU, a alimentação é um direito de todo ser humano. Assim, seria igualmente correto pensar que a situação de fome assegura o direito dos indivíduos de ser considerados refugiados e, consequen- temente, procurar asilo em outros países? A FAO, órgão vinculado à ONU para alimentação e agricultura, define a situação de fome como a condi- ção de incapacidade de obtençãode comida suficiente para uma vida saudável por períodos superiores a um ano. Outros termos como “subnutrição” e “desnutrição” estão relacionados: a desnutrição diz respeito à proliferação de doenças; a subnutrição seria semelhante à condição de fome, porém sem determinação de um período. A fome não é um problema pontual e específico de alguns países, mas sim um problema global. Observe o mapa sobre a fome no mundo disponível na página 3 de seu material de apoio. Podemos ainda diferenciar dois tipos de fome, a aguda e a crônica. A fome aguda ocorre em situações es- pecíficas muitas vezes associadas à falta de alimentos gerada por questões climáticas pontuais, por destruição de lavouras e cultivos, guerras, entre outros fatores, cujas soluções podem ser obtidas em um curto período de tempo. A fome crônica é causada por situações maiores cuja solução não é momentânea e que impede a população de, com seus próprios meios, sair daquela condição. © Sh ut te rs to ck /m eu ni er d • Monumento em Kiev, capital da Ucrânia, às vítimas da grande fome que assolou o país no começo da década de 1930 Embora a realidade atual ligada à questão da fome nos remeta a um grande fluxo de deslocamento de indivíduos originários principalmente do Oriente Médio e do norte da África, isso não é uma exclusividade meramente regional. Diversos países europeus, por exemplo, já vivenciaram essa situação no passado. Alguns exemplos são a Irlanda, entre 1845 e 1849, e a Ucrânia, na primeira metade do século XX. Na década de 1920, as políticas implantadas pelo governante da União Soviética, Josef Stalin, em seu país, resultaram, por exemplo, na coletivização dos campos, o que gerou uma grave crise fundiária e produtiva, em especial de grãos e na criação de gado. Isso resultou na morte por fome e no deslocamento populacional de muitos soviéticos, em especial de ucranianos, no início da década de 1930. • Conjunto de estátuas localizadas na cidade de Dublin, na Irlanda, representando o grande período de fome que atingiu o país entre 1845 e 1849, causando a morte de mais de 1,5 milhão de pessoas Cerca de 2 milhões de pessoas abandonaram o país nessa época. As causas da fome que atingiu a Irlanda foram a presença de fungos que destruíram muitos cultivos e um bloqueio comercial que havia sido imposto pela Inglaterra. © Sh ut te rs to ck /G ia nn is Pa pa ni ko s 50 Pesquise com seus familiares e descubra se há casos de migração em sua família. Questione-os a respeito dos motivos das migrações. Em sala de aula, com a orientação de seu professor, debatam sobre as migrações, seus motivos e o acolhimento aos povos migrantes ou refugiados no passado, comparando com o momento atual. 1. Sobre os fatores que promovem as migrações e a fome, assinale V para a(s) alternativa(s) verdadeira(s) e F para a(s) falsa(s), justificando os itens incorretos. ( V ) Para a FAO, a situação de fome se configura como a condição de incapacidade de obtenção de comida suficiente para uma vida saudável por períodos superiores a um ano. ( F ) Os países do sul da África estão entre os principais locais de origem dos refugiados. Dois países asiáticos estão entre os principais locais de onde partem os refugiados: Afeganistão e Síria. O outro é o Sudão do Sul, na porção central da África. ( F ) Os países de menor população são os principais destinos dos imigrantes, pois os pouco populosos geralmente são os que mais precisam de mão de obra. Os países de maior nível de desenvolvimento econômico estão entre os principais destinos dos imigrantes. Sete dos dez principais destinos podem ser enquadrados nessa categoria, tais como Estados Unidos e Alemanha. ( V ) Podemos considerar como refugiadas as pessoas que estão fora de seu país de origem por causa de perseguições religiosas, étnicas, políticas ou por manifestações de opinião. 2. Por que, sob aspectos históricos, o fato de alguns países europeus atualmente resistirem à presença de imigrantes soa contraditório? Justifique a sua resposta. 3. Analise o texto a seguir e responda às questões propostas. Atividades Análise: uma cerca que mudou a Europa Quando [em 2016], as autoridades húngaras anunciavam que a cerca estava pronta e, com isso, ter fe- chado a última brecha na fronteira com a Sérvia, todos puderam ver claramente o que estava acontecendo na Europa daqueles dias: enquanto o chefe de Estado húngaro, Viktor Orbán, trabalhava diligentemente para transformar o continente numa fortaleza, o mundo se admirava com as imagens que vinham da Alemanha. Nas estações ferroviárias do país, milhares de pessoas saudavam os refugiados com flores e ursinhos de pelúcia. E a chanceler federal, Angela Merkel, dava uma dimensão ética à política com as palavras: “Se agora tivermos que pedir desculpas por mostrarmos um rosto amigo frente a uma situação de emergência, então, esta não é a minha terra.”[...] a) Segundo o texto, as posturas adotadas pelos governos da Alemanha e da Hungria são antagônicas? Justifique sua resposta. b) Em sua opinião, por que o texto associa a construção da cerca ao fim da União Europeia? ANÁLISE: uma cerca que mudou a Europa. Disponível em: <http://www.dw.com/pt-br/an%C3%A1lise-uma-cerca-que-mudou-a- europa/a-19550393>. Acesso em: 25 maio 2018. Geografia 51 Espera-se que o aluno perceba que em diferentes mo- mentos da história a Europa precisou, bem como ainda precisa, de imigrantes. No passado, muitos europeus imigraram ou se refugiaram em outros países. a) Sim, são posturas contrárias, visto que a Alemanha adotou medidas de acolhimento aos refugiados, ao passo que a Hungria construiu uma cerca para impedir a entrada deles. Caso ache prudente, retome o mapa das barreiras construídas na Europa, no capítulo anterior. Pessoal. Espera-se que os alunos associem a construção de cercas às restrições à livre-circulação de pessoas. A ideia de integração europeia fica abalada quando barreiras físicas são erguidas. Europa: principais correntes migratórias Neste capítulo, você pôde perceber que a Europa passou por momentos distintos de repulsão e atração de imigrantes. Diversos fatores explicam isso, como a questão da fome, que assolou alguns países europeus (como Irlanda e a Ucrânia). Antes disso, a Revolução Industrial também esteve associada ao deslocamento de grande contingente de agricultores. A história do continente é marcada por perseguições religiosas, políticas e étnicas que promoveram a saída de milhões de famílias, que encontraram refúgio em outros continentes, como na América e na Ásia. Em contra- partida, nos períodos pós-guerra, os países europeus demandaram muita mão de obra para sua reconstrução e dinamização da economia, período em que a presença de imigrantes não só era bem-vinda, mas estimulada. O continente europeu apresenta uma grande diversidade de etnias, como estudamos no capítulo anterior. Algumas com certa familiaridade, outras com grandes diferenças. Essa situação faz com que, em certos casos, haja um choque cultural não apenas entre europeus e imigrantes ou seus descendentes, mas mesmo entre pessoas do próprio continente. Além da grande diversidade de etnias, a Europa apresenta também desigualdades econômicas regio- nais. Isso faz com que muitas pessoas tentem migrar de um país para outro do continente. Veja o mapa. Europa: migrações internas (2013) Fonte: SCIENCESPO. Migrations européennes (stock), 2013. Disponível em: <http://cartotheque.sciences-po.fr/media/Migrations_europeennes_ stock_2013/1946/>. Acesso em: 3 maio 2018. Adaptação. M ar ilu d e So uz a A maior parte dos países de origem de emigrantes é da Europa Oriental, como Rússia, Ucrânia, Polônia e Romênia, entre outros. Os principais países de destino são Alemanha, Itália, França, Reino Unido e Espanha. 9o. ano – Volume 152 Pa ve l C on st an tin /C ag le ca rto on s.c om Tensões e conflitos Nos últimos anos, a imigração vem sendo tratada como um dos principais desafios internos dos europeus. Vocêestudou que muitos países vêm adotando medidas drásticas para conter a entrada de imigrantes, princi- palmente ilegais. Em diversos países, a chegada de imigrantes fez surgir ou aumentar a presença de grupos nacionalistas, muitas vezes xenófobos. Nesse cenário, a situação do imigrante se torna cada vez mais complicada. No caso dos refugiados, o cenário chega a ser ainda pior, pois muitas vezes eles nem sequer sabem falar a língua local e não dispõem de nenhum recurso para se sustentar. Por outro lado, a limitação à presença de imigrantes é justificada por muitos países por questões de segurança, e não necessariamente por nacionalismos ou xenofobia. Isso porque a vinda de imigrantes sem que haja um controle po- deria, de acordo com certas autoridades europeias, facilitar a entrada de criminosos e membros de grupos terroristas. Aspectos econômicos também pesam na argumentação contrária à vinda de imigrantes. Diversos países europeus ainda se recuperam da severa crise econômica iniciada em 2008, o que não favorece a entrada de mão de obra estrangeira. Todo esse panorama tem causado muitos debates entre os países europeus, como os vinculados à questão da suspensão das fronteiras internas entre eles, estabelecida pelo Espaço Schengen. A formação do Espaço Schengen teve início em 1985 e foi um marco importante na integração da União Europeia. O Espaço de Schengen é um acordo, estabelecido entre 26 países europeus (nem todos eles são membros da União Europeia), que acabou com o controle nas fronteiras entre os países signatários. Isso permi- te, portanto, a livre-circulação de cidadãos nacionais pela fronteira entre um país signatário e outro. Observe o mapa dos países que aderiram ao acordo na página 4 de seu material de apoio. No entanto, a eliminação do controle interno ocorreu e tem estado cada vez mais associada à obrigatorieda- de do reforço das fronteiras externas, formando um tipo de zona segura entre os países. O acordo ainda está em vigor, porém, nos últimos anos a crise migratória vem fazendo com que os países adotem medidas para evitar o fluxo de imigrantes entre os membros, o que fez ressurgir o controle em certas fronteiras entre os signatários do Espaço Schengen. • Protestos contra a presença de migrantes em Tornio, na Finlândia, 2015 Gl ow im ag es /A FP /L EH TI KU VA /P AN U PO HJ O LA Geografia 53 5 Sobre o Espaço Shengen. Reflita com os alunos sobre o significado da charge, em que uma placa com o símbolo da União Europeia saúda os imigrantes: ‘Bem-vindos!’ (Welcome, em inglês). Entretanto, percebe-se que um grande desfila- deiro os separa. 1. Pesquise e anote a manchete de uma notícia atual relacionada ao Espaço Schengen. Explique o que está sendo discutido no texto. 2. Quais são os benefícios e os desafios ligados à eliminação do controle interno entre as fronteiras pelos países europeus? geografia Ásia: principais correntes migratórias Como já foi visto, a Ásia é o continente que mais abriga migrantes, são praticamente 80 milhões. Além disso, atualmente, o maior número de refugiados partiu de dois países asiáticos: Afeganistão e Síria, que há anos con- vivem com diversos conflitos internos. Os principais destinos dos migrantes asiáticos são América do Norte, Europa e Oceania. Quanto aos fluxos de migrações internas do continente, as principais ocorrem entre países do Extremo Oriente e também do Oriente Médio, como é possível observar no mapa a seguir. Fluxos migratórios na Ásia (2010-2015) Fonte: ABEL, Guy J. Estimates of global bilateral migration flows by gender between 1960 and 2015. In: SciencesPo. Disponível em: <http://cartotheque.sciences-po.fr/media/Migrants_flows_2010-2015/2751/>. Acesso em: 2 maio 2018. Adaptação. Ta lit a Ka th y Bo ra A seguir, vamos analisar algumas situações relacionadas ao perfil das migrações que ocorrem no continente asiático, além de tensões e conflitos fronteiriços. 9o. ano – Volume 154 Pessoal. Sugere-se solicitar a leitura pelos alunos e verificar se as abordagens são repetidas ou se há diversos aspectos sendo abordados em relação ao Espaço Schengen. Pessoal. É importante que considerem as abordagens estudadas: por um lado, a maior integração e, por outro, o maior controle das fronteiras externas aos signatários de Schengen. Orientação para trabalho introdutório sobre o tema. 6 © Sh ut te rs to ck /R as to S Migração de cérebros A migração de cérebros não é uma situação exclusiva do continente asiático, ela afeta vários outros países em diferentes continentes. Essa expressão se refere à migração de pessoas com formação acadêmica e elevado conhecimento, ou seja, à migração de mão de obra especializada para países que oferecem, comparativamente, melhores condições de vida e trabalho. As causas para esse tipo de migração ocorrem, muitas ve- zes, em virtude da pouca oferta de emprego em determina- das áreas no país de origem, dos baixos salários em relação à elevada qualificação e dos atrativos do país de destino. Embora sejam compreensíveis os motivos relacionados à fuga de cérebros, os impactos causados no país de origem podem ser preocupantes pois, internamente, podem fal- tar profissionais para movimentar determinados setores da economia. Na Ásia, esse tipo de migração ocorre principalmente em direção à América do Norte e à Europa, mas também entre países do próprio continente. A Índia e as Filipinas são exem- plos de países em que há expressiva perda de mão de obra qualificada. Por conta disso, os governos de ambos os países estão intensificando investimentos internos para evitar que essa situação se acentue. No entanto, os fluxos de imigrantes dos países asiáticos não se re- sumem apenas à mão de obra qualificada. Muitos países exportam força de trabalho pouco qualificada, em setores que demandam tare- fas de baixa qualificação e, em alguns casos, atividades insalubres. Dentre os principais países de origem de trabalhadores imigran- tes com menores qualificações estão Bangladesh, Camboja, Indoné- sia, Laos, Nepal, Sri Lanka, entre outros. Muitos dos destinos estão no próprio continente asiático, tais como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes e o Japão, por exemplo. © Sh ut te rs to ck /C re at iv a Im ag es • Cientistas da área de robótica desenvolvem projeto em Singapura, 2018 • Trabalhadores da área de construção civil em Dubai, Emirados Árabes, 2016 As atividades insalubres corres- pondem a trabalhos que podem de alguma forma causar riscos à saúde do trabalhador. Em alguns países essas atividades são denominadas de 3D (sigla, em inglês, para dirty, dangerous, difficult), ou seja, são atividades sujas, perigosas ou difíceis. Geografia 55 Reflexões iniciais sobre o tema com os alunos.7 Deslocamentos populacionais e tensões no continente asiático A Ásia apresenta diversos conflitos associados aos deslocamentos populacionais fronteiriços. Alguns desses conflitos têm ligações com questões étnicas, outros estão vinculados a questões territoriais, além dos proble- mas relacionados ao tráfico internacional de pessoas, que é maior nesse continente do que em qualquer outra parte do mundo. Além disso, os países asiáticos estão entre os principais destinos dos refugiados. Dos seis que mais recebem, quatro localizam-se no conti- nente, como mostra o gráfico ao lado. Grande parte dos conflitos acaba por vitimar muitos civis que, mesmo sabendo dos riscos, não veem outra alternativa a não ser deixar seus lugares e migrar para outras regiões ou países. Em muitos casos, como no Afeganistão e na Síria, não se trata de imigrante, mas, sim, de refugiado, conforme estudamos anteriormente. Entre os conflitos asiáticos que desencadearam grandes ondas de migração, destaca-se o ocorrido na Síria, no Afeganistão, além da tensão entre hindus e muçulmanos que permeia a rivalidade histórica entre a Índia e seu vizinho ao norte, o Paquistão. Conflitos na Síria Os conflitos na Síria envolvem diversas facçõesna disputa pelo poder, que visam, inclusive, à derrubada do governo sírio, controlado por Bashar Al Assad desde 2000. Entre os diversos grupos que atuam no país, destaca-se o ISIS (Estado Islâmico do Iraque e da Síria), conhecido como EI (Estado Islâmico), que busca estabelecer na região um novo califado sob a lei islâmi- ca. A Síria também registra movimentos separatistas curdos. Os 1. Os fatores que motivam a chamada migração ou fuga de cérebros são internos ou externos? Justifique sua resposta. 2. O nível de desenvolvimento dos países interfere na fuga de cérebros? Por quê? 3. Em que se assemelham os motivos para a migração de mão de obra qualificada e não qualificada? 4. Faça uma conexão do tema com situações no Brasil. Pesquise notícias que abordem a questão das fugas de cérebro no Brasil. Transcreva um pequeno trecho dessas notícias para seu caderno, analise as seme- lhanças e as diferenças observadas em relação ao que foi estudado no caso asiático e, caso seja oportuno, debata o assunto com o professor e os colegas. Pessoal. Atividades Um califado pode ser compreendido como uma forma de governo teocrático (sob as leis do islamismo, portanto) estabelecido por um califa. Este é considerado sucessor de Maomé, sendo uma espécie de chefe supremo político e espiritual. Fonte: UNITED NATIONS HIGH COMMISSIONER FOR REFUGEES. Figures at a Glance Disponível em: <http://www.unhcr.org/figures-at-a- glance.html>. Acesso em: 3 maio 2018. Países que mais receberam refugiados até o primeiro semestre de 2017 10.5 21.5 32.5 Etiópia (791 600) Uganda (940 800) Irã (979 400) Líbano (1 milhão) Paquistão (1,4 milhão) Turquia (2,9 milhões) 9o. ano – Volume 156 2. Os alunos devem notar que a migração ocorre, geralmente, dos países menos desenvolvidos socioeconomicamente para os mais desenvolvidos. Os alunos podem responder que são tanto internos quanto externos. Os internos ocorrem por causa da pouca oferta de trabalho e de desenvolvimento nas áreas de pesquisa. Os fatores externos estão ligados às melhores condições de trabalho, de vida e a salários mais altos. Os alunos devem mencionar que, em ambos os casos, os emigrantes buscam, principalmente, salários mais elevados. Em relação às condições de vida, é importante reforçar que, muitas vezes, para os trabalhadores menos qualificados, as atividades desempenha- das podem ser insalubres. curdos são o maior grupo étnico sem um próprio país e buscam há vários anos independência de seu território que abrange, além da Síria, outros países do Oriente Médio, como o Iraque. Estima-se que 5,6 milhões de sírios deixaram o país desde os principais conflitos, iniciados em 2011. Internamente, são cerca de 6,6 milhões deslo- cados de seus locais de origem. A Turquia é o país que mais tem abrigado os sírios: 3,3 milhões. Afeganistão Acredita-se que, em 2015, de acordo com dados oficiais da ONU, viviam 900 mil refugiados afegãos no Irã e cerca de 2,5 milhões no Paquistão, embora aproximadamente 1,7 milhão já tenha retornado entre 2015 e 2016. No século XXI, esses deslocamentos estão associados aos conflitos internos envolvendo o Taleban, grupo que interpreta rigidamente a Sharia (lei islâmica), restringindo acessos a ícones da cultura ocidental e impondo costumes rígidos a homens e, especialmente, a mulheres. Embora tenham perdido força com a ocupação militar do país pelos Estados Unidos em 2001, eles conseguiram se reorganizar com diversas táticas de guerrilha e atentados. Hindus e muçulmanos Durante muitos anos, os territórios que atualmente correspondem a Índia, Paquistão e Bangladesh perten- ceram ao domínio britânico. Em 1947, parte da região foi dividida em dois Estados: um hindu, a Índia, e outro muçulmano, o Paquistão, que inicialmente agregava também o Paquistão Oriental, atualmente Bangladesh. A criação dos dois estados não foi pacífica e desencadeou a migração de milhões de pessoas. Os hindus partiram do que se tornou o Paquistão em direção à Índia e os muçulmanos fizeram a trajetória oposta. Além disso, iniciou-se um conflito, que dura até hoje, pela disputa da região denominada Caxemira. Oceania: principais correntes migratórias Na Oceania, destaca-se o corredor bilateral entre Austrália e Nova Zelândia, isto é, a migração entre países vizinhos ou muito próximos. Em especial, evidencia-se o fluxo de neozelandeses em direção à Austrália, embora nos últimos anos tenha se intensificado o movimento contrário. O continente é marcado como um centro de atração, ou seja, de destino para populações de diversas outras regiões do planeta. Os fluxos migratórios são essenciais na composição do continente, como mostra o quadro a seguir: Total de imigrantes no continente/grupo de países (em milhões) Porcentagem de imigrantes no total da população do continente/grupo de países 2000 2017 2000 2017 Oceania 5,36 8,41 17,2% 20,7% Austrália e Nova Zelândia 5,06 8,10 22,1% 27,8% Fonte: UNITED NATIONS. International migration report 2017. p. 30. Disponível em: <http://www.un.org/en/development/desa/population/ migration/publications/migrationreport/docs/MigrationReport2017_Highlights.pdf>. Acesso em: 3 maio 2018. As duas principais economias do continente têm atraído muitos imigrantes por conta de benefícios conce- didos em busca de mão de obra qualificada, o que tem colaborado para aumentar o povoamento desses países. Para efeito de comparação, apenas 0,3% do total da população brasileira é composta de imigrantes. Geografia 57 8 Informações adicionais. Hora de estudo 1. Analise os impactos relacionados a um hipotético fim do Espaço Schengen. Pessoal. É importante que o aluno inclua em seus argumentos questões relacionadas ao retrocesso da União Europeia no que diz respeito ao seu processo de integração. 2. Formule uma frase, coerente e correta, que aborde adequadamente os termos: Pessoal. É importante que o aluno seja capaz de realizar o vínculo entre xenofobia e os outros termos, uma vez que tanto refugiados quanto imigrantes podem sofrer com xenofobia. 3. Que constatações podem ser feitas com relação à importância das migrações para a composição da população dos principais países da Oceania? 4. Considere o mapa a seguir e os dados dos países em que há mais refugiados sírios registrados: Egito: 128 507; Iraque: 248 382; Jordânia: 661 859; Líbano: 991 165; Turquia: 3 588 877. a) Localize-os (consulte um atlas, caso considere necessário) e pinte-os no mapa abaixo, destacando cada um com uma cor diferente. Defina um maior destaque à Síria. Em seguida, monte o gráfico (de barras) com os dados organizados, de forma que fique à esquerda o país com maior número de refu- giados registrados e, à direita, o que tem menor número. b) Que principais eventos estão ligados à massiva fuga de sírios de seu país? Países que mais registraram refugiados sírios (até abril de 2018) Fonte: UNITED NATIONS HIGH COMMISSIONER FOR REFUGEES. Syria regional refugee response. Disponível em: <https://data2.unhcr.org/en/situations/ syria#_ga=2.160781821.1192433496.1525351244- 694190188.1525351244>. Acesso em: 4 maio 2018. Adaptação. 4 000 000 3 500 000 3 000 000 2 500 000 2 000 000 1 500 000 1 000 000 500 000 Xenofobia – Imigrante – Refugiado Ta lit a Ka th y Bo ra 58 A Síria apresenta diversas facções na disputa pelo poder, entre elas, grupos que objetivam a derrubada do governo sírio, contro- lado por Bashar Al Assad desde 2000. O Estado Islâmico buscou, principalmente entre 2014 e 2017, estabelecer na região um novo califado sob a lei islâmica. O país também registra movimentos separatistas curdos. Nesse cenário conflituoso, estima-se que 5,6 milhões de sírios deixaram o país desde os episódios iniciados em 2011. Mais de um quarto (27,8%) da população da Austrália e Nova Zelândia é composta de imigrantes, o que mostra como tais fluxos populacionais são importantes para o povoamento desses países. Para efeitos comparativos, apenas 0,3%da população brasileira é originada de outros países. Capítulo 1– Página 9 Brasil: acesso a computador com internet (2016) Fonte: IBGE. Pesquisa nacional por amostra de domicílios contínua – PNAD contínua. Disponível em: <https://www.ibge.gov.br/estatisticas- novoportal/sociais/trabalho/17270-pnad-continua.html?edicao=19937&t=resultados>. Acesso em: 2 maio 2018. Adaptação. Ta lit a Ka th y Bo ra 9o. ano – Volume 1 Material de apoio Geografia 1 2 Capítulo 3 – Página 48 P ri n ci p ai s fl u xo s m ig ra tó ri o s (f in al d o s é cu lo X IX e in íc io d o s é cu lo X X ) Fo nt e: S C IE N C ES PO . A g ra nd e m ig ra çã o tr an sa tlâ nt ic a, d o fim d o sé c. X IX ao in íc io d o sé c. XX . D isp on ív el em : < ht tp :// ca rt ot he qu e. sc ie nc es -p o. fr /m ed ia /A _ gr an de _m ig ra ca o_ tr an sa tla nt ic a_ do _ fim _d o_ se c_ XI X_ ao _i ni ci o_ do _s ec _ XX /3 60 /;j se ss io ni d= 04 E4 B8 E6 BE EA F8 B5 2E 56 64 2A 12 C E1 F9 1> . A ce ss o em : 3 m ai o 20 18 . A da pt aç ão . Talita Kathy Bora Capítulo 3 – Página 50 P o p u la çã o s u b n u tr id a (2 0 1 5 ) Fo nt e: N EX O . A si tu aç ão d a fo m e no m un do h oj e. D isp on ív el e m : < ht tp s:/ /w w w .n ex oj or na l.c om .b r/ gr af ic o/ 20 16 /0 7/ 29 /A -s itu a% C 3% A 7% C 3% A 3o -d a- fo m e- no -m un do -h oj e> . A ce ss o em : 3 m ai o 20 18 . A da pt aç ão . Talita Kathy Bora 9o. ano – Volume 1 Material de apoio Geografia 3 4 Capítulo 3 – Página 53 Membros do Espaço Schengen e da União Europeia (até julho de 2018) Fonte: EUROPEAN UNION. Countries. Disponível em: <https://europa.eu/european-union/about-eu/countries_en#the_28_member_countries_of_ the_eu>. Acesso em: 9 ago. 2018. Adaptação. Ta lit a Ka th y Bo ra