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Farmacodinâmica- O que é? - RESUMO COMPLETO

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na 
célula, causando um efeito cascata. 
 
 
TIPOS DE PROTEÍNA G  
 
 
BEATRIZ GURGEL - MEDICINA CPTL- UFMS 
Farmacodinâmica 
 
 
 
GS- (ESTIMULANTE) 
Após a formação do complexo ligante/GPCR (pelo agonista que muda a conformação 
do receptor), a subunidade α da proteína Gs catalisa a troca de GDP por GTP, 
assumindo a forma ativa dessa proteína. A porção α da proteína desloca-se então 
do dímero βγ e ativa a adenilato ciclase, resultando no aumento da concentração de 
AMPc através da quebra de ATP em AMPc – retira duas moléculas de fosfato. O 
aumento da concentração de AMPc intracelular promove a ativação da proteína 
cinase dependente de AMPc (PKA). GDP → GTP não é uma reação de fosforilação, 
visto que ocorre saída do GDP e ligação com GTP, a subunidade α se desprende e 
a proteína G é ativada. Essa enzima é composta por duas subunidades: uma 
reguladora (R), com alta afinidade pelo AMPc, e uma catalítica (C). 
Na ausência de AMPc, a subunidade C torna-se inativa. A ligação do AMPc à 
subunidade R induz mudanças conformacionais que resultam na dissociação da 
enzima inibida e consequente ativação da PKA, que em seguida pode fosforilar 
diversas estruturas intracelulares, obtendo uma resposta específica ao estímulo agonista. 
Dessa forma, a proteína Gs, quando ativada, ativa a adenilato ciclase – enzima 
intracelular aderida à membrana plasmática que catalisa a formação de 3’-5’ 
adenosina monofosfato cíclico (AMPc) a partir do trifosfato de adenosina (ATP) – que 
aumenta a resposta celular. 
Ex: a ativação da PKA fosforila canais de cálcio no coração, que promove abertura dos 
canais de cálcio, aumentando a concentração do cálcio intracelular no coração, 
aumentando a freqüênci a cardíaca e força de contração; no músculo liso promove a 
fosforilação da miosina quinase, que causa inativação da miosina quinase causando um 
relaxamento do músculo liso. Os receptores do coração têm receptores β1 
adrenérgicos que estão acoplados a proteínas Gs, e no músculo liso temos 
receptores β2 adrenérgicos que também estão acoplados a proteínas Gs. Todos os 
receptores β estão acoplados à proteína Gs. 
GQ  
A proteína G q está envolvida na ativação da enzima fosfolipase C, que assim como 
a adenilato ciclase participa da formação de segundos mensageiros. Depois de ativada 
ela degrada o PIP2 em IP3 e DAG. Estes são os dois segundos mensageiros 
envolvidos nas respostas fisiológicas mediadas pela proteína Gq. O IP3 migra pelo 
citosol e se liga a receptores específicos de IP3 no retículo 
endoplasmático/sarcoplasmático e mitocôndrias, promovendo a liberação do cálcio no 
citosol e aumentando a concentração desse íon de forma exacerbada. O íon cálcio 
funciona como um terceiro mensageiro que desencadeia respostas intracelulares, 
como exocitose nos neurônios e nas células endócrinas e contração muscular. O DAG 
fica associado à membrana plasmática devido à sua estrutura hidrofóbica, tendo a 
função de ativar a proteína cinase C (PKC). Ex: Receptor M3 (presente em glândulas 
 
 
BEATRIZ GURGEL - MEDICINA CPTL- UFMS 
Farmacodinâmica 
 
 
salivares promove aumento de secreção salivar; brônquio promove broncoconstrição; 
intestino promove aumento do peristaltismo; bexiga urinária aumenta o volume 
urinário. 
 
GI (INIBITÓRIA) 
 
A proteína Gi inibe a atividade da enzima Adenilato Ciclase. Essa isoforma da proteína G 
está relacionada com a diminuição da resposta celular e é responsável pela 
mediação dos efeitos inibitórios de receptores na via adenilato ciclase. 
Logo, não ocorre a conversão do ATP em AMPc, inibindo as PKA. No coração, 
então, não ocorrerá fosforilação dos canais de cálcio que diminui a frequência 
cardíaca e força de contração; e no músculo liso não ocorrerá fosforilação das 
proteínas quinases ativando a miosina quinase causando contração do músculo liso. 
O receptor M2 no coração está acoplado à proteína Gi. 
 
RECEPTORES LIGADOS À ENZIMAS  
 
São receptores formados por uma proteína que pode formar dímeros ou complexos 
de subunidades múltiplas. 
Quando ativados, esses receptores sofrem alterações conformacionais, 
resultando em aumento da atividade enzimática no citosol, dependendo de sua 
estrutura e função. Essa resposta dura de minutos a horas. 
Os receptores ligados a enzimas mais comuns (fator de crescimento epidermal, fator de 
crescimento derivado de plaqueta, peptídeo natriurético atrial, insulina e outros) 
possuem atividade tirosina quinase como parte da sua estrutura. 
O receptor ativado fosforila contém resíduos de tirosina nele próprio e em outras 
proteínas específicas. A fosforilação pode modificar de modo substancial a estrutura 
da proteína-alvo, atuando, assim, como um interruptor molecular. 
Por exemplo, quando o hormônio peptídico insulina se liga a duas de suas 
subunidades receptoras, a sua atividade tirosina quinase intrínseca causa fosforilação 
do domínio enzimático. Por sua vez, o receptor fosforilado fosforila outros peptídeos 
ou proteínas, que ativam na sequência outros sinais celulares importantes. 
Essa cascata de ativação resulta na multiplicação do sinal inicial, muito semelhante 
aos receptores acoplados à proteína G. 
 
• Com a ligação do ligante ocorre uma alteração conformacional e os 
monômeros se acoplam e formam o dímero. 
• As cinases promovem uma fosforilação cruzada, onde um monômero ativa 
outro monômero próximo, permitindo a ativação total do receptor e 
promovendo a fosforilação do domínio enzimático (não é uma auto 
-fosforilação). 
 
 
BEATRIZ GURGEL - MEDICINA CPTL- UFMS 
Farmacodinâmica 
 
 
​Ligação do ligante → Mudança conformacional → Formação do dímero → 
Fosforilação cruzada → Ativação total dos domínios enzimáticos. 
 
Fatores de crescimento – fator de crescimento vascular endotelial (VEGF) causa 
angiogênese (formação de novo casos sanguíneos), muito comum vascularização 
tumoral. Supondo que tenha ocorrido a ativação de um receptor pelo VEGF (proteína 
sinalizadora para angiogênese): 
Quando o dímero torna-se ativo, através de um fator de crescimento, a Fosfolipase 
C é ativada por receptores com enzimas no meio intracelular e forma IP3 e DAG 
(aumentam a concentração do cálcio citosólico). Quando ativado pelo VEGF aumenta 
a contração de cálcio apenas para ativar outras proteínas cinases. O próprio receptor 
é uma cinase que ativa outras cinases. Cinases promovem fosforilação através de 
uma cascata de reações cinases/fosforilação (cinase 1 → cinase 2 → cinase 3...). Até o 
momento em que a cinase vai para o núcleo e ativa o processo de transcrição gênica. 
Com um contínuo estímulo dos receptores agonistas endógenos, teremos a produção 
fisiológica e patológica de transcrição gênica, aumentando a angiogênese tumoral. 
Atualmente os antineoplásicos atuam como antagonistas e se o câncer estiver na 
forma inicial há certo sucesso por impedir a angiogênese através do bloqueio da via 
fisiológica. As células do câncer sintetizam em excesso as substâncias que 
promovem a angiogênese, assim como VEGF. 
Insulina – O receptor da insulina também precisa fazer dimerização e fosforilação 
cruzada, visto que seu domínio é cruzado. A proteína PI3K