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Logoterapia_02

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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
LOGOTERAPIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
 
 
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CURSO DE 
LOGOTERAPIA 
 
 
 
 
 
MÓDULO II 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
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são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
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MÓDULO II 
 
 
2 ANÁLISE DAS BASES CIENTÍFICAS E FILOSÓFICAS DA LOGOTERAPIA 
 
 
No fim do século XIX, o pensamento positivista tomava a personalidade 
como algo atomizado e as especulações sobre o humano eram de ordem 
matemático-científica. No campo da Psicologia, nascida nesse período, o homem 
também aparecia como objeto a ser medido e analisado e como o dono de uma vida 
psíquica reduzida a sensações ou impressões, conforme leis mecânicas. E mesmo o 
surgimento da psicanálise que, de um lado, contribuiu para um maior esclarecimento 
sobre o homem, não eliminou a visão determinista e mecanicista, na opinião de 
Frankl (XAUSA, 1988). 
Para Xausa (1988), as terapias psicológicas baseadas nessas visões, unidas 
às classificações psicopatológicas, que rotulavam os indivíduos como inferiores, 
esquizofrênicos, neuróticos etc., provocavam a alienação do homem de si mesmo. A 
psicoterapia desenvolvida seria, segundo esse raciocínio, desumana, na medida em 
que se apoiava em padrões invariáveis de ajustamento e fechava os olhos para a 
vivência existencial de cada um, perdendo de vista a pessoa humana. 
É no início do século XX que começaram a ser elaboradas tendências 
distintas, que se colocavam na contramão do pensamento filosófico-científico 
predominante até aquele momento. Aparecem propostas de uma ciência humana 
que, ao estudar o homem, não o desarticulassem e pulverizassem. Para tanto, era 
necessária uma nova concepção de homem, que respondesse ao contexto e aos 
sofrimentos desse novo século, que assistiu a duas guerras mundiais e à ameaça de 
extinção da humanidade (XAUSA, 1988). 
Diante desse homem, apareceu a necessidade de uma visão psicológica 
mais compreensiva e ampla, que respondesse, além dos problemas cotidianos, às 
questões importantes da vida humana, como as indagações sobre a própria 
existência. Essa análise existencial se fundamentaria em uma autêntica 
 
 
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compreensão do homem que lhe possibilitasse encontrar um sentido para sua vida. 
Aqui: 
 
 
(...) a logoterapia de Viktor Frankl aparece-nos como um caminho 
terapêutico para encontrar resposta à indagação de cada homem, e em 
particular do homem que vive este momento histórico, fundamentada em 
uma compreensão do homem como ser e de sua problemática neste século. 
Esta resposta não tem a finalidade de adaptá-lo somente às funções 
internas, nem responder às tensões impulsivas causadoras de conflitos 
intrapsíquicos, interpessoais ou sociais de caráter paroquial para alcançar a 
homeostase psicofísica ou bem-estar social e econômico, mas buscar a 
solução da tensão existencial da própria vida do homem (XAUSA, 1988, p. 
93). 
 
A teoria desenvolvida por Viktor Frankl desenvolveu uma nova visão de 
homem como base de uma psicoterapia e teve influências significativas do 
pensamento de existencialista e fenomenólogos do século XX. Assim, considerando 
a importância dessas influências na construção da logoterapia, a seguir serão 
apresentados em linhas gerais alguns fundamentos dessas escolas de pensamento. 
A psicanálise, dada sua influência no início dos estudos de Frankl também será 
retomada, focando-se nos aspectos aos quais Viktor Frankl se opôs. Por fim, esse 
módulo apresenta a visão antropológica desenvolvida por Frankl e que serve de 
base para sua escola de psicoterapia. 
 
 
2.1 FENOMENOLOGIA 
 
 
O termo fenomenologia foi criado no século XVIII, por J. H. Lambert, para 
designar o estudo puramente descritivo dos fenômenos, da forma como eles se 
apresentam à consciência (CHAUÍ, 1994 apud SURDI, 2008). Já como corrente 
filosófica, a fenomenologia foi fundada por Edmund Husserl, na Alemanha, entre o 
fim do século XIX e começo do XX. 
O termo é formado por duas partes, ambas de origem grega: fenômeno 
significa “aquilo que se mostra” e logia, pode ser entendida como pensamento ou 
capacidade para refletir (SURDI; KUNZ, 2009). 
 
 
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FIGURA 12 – EDMUND HUSSERL 
 
FONTE: Disponível em: <http://download.thelancet.com/images/journalimages/0140-
6736/PIIS0140673612610071.fx1.lrg.jpg>. Acesso em: 01 jul. 2013. 
 
 
Tal corrente filosófica surgiu como uma nova forma de acesso e 
conhecimento do mundo, que se opunha à visão positivista, para apenas em 
seguida se tornar um movimento dentro da filosofia, em que diferentes pensadores 
passaram a ter uma atitude própria de conhecimento e pesquisa de seus objetos de 
estudo (XAUSA, 1988). 
A proposta principal do movimento fenomenológico é a de “voltar às coisas 
mesmas”, ou seja, ir aos fenômenos. Esses seriam tudo aquilo que se mostra à 
consciência humana. E este “caminho” para os fenômenos deveria ser direto, sem a 
influência de análises reflexivas ou explicações científicas (SURDI, 2008). 
O retorno às mesmas coisas procura também abandonar a separação entre 
sujeito e objeto do conhecimento, na medida em que o objeto é sempre objeto para 
a consciência de um sujeito. É a intencionalidade da consciência humana que dá o 
direcionamento para alcançar o essencial do fenômeno, processo denominado de 
redução fenomenológica. Essa redução requer a suspensão de atitudes, crenças, 
preconceitos, teorias, de forma que se concentre apenas na experiência cotidiana, 
no mundo vivido, permitindo que o fenômeno fale por si mesmo (SURDI, 2008), para 
além de sua aparência (XAUSA, 1988). 
 
 
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Essa concepção de uma consciência intencional difere da visão anterior de 
uma consciência entendida como fenômeno psíquico manipulável por meio dos 
instrumentos quantificadores próprios das ciências da natureza (SURDI, 2008). 
Ademais, a ideia de uma consciência intencional implica que o homem 
esteja sempre em relação com um objeto e não sustentando em si mesmo, o que 
rompe com a lógica individualizante que operava antes do surgimento do movimento 
fenomenológico (SCHNEIDER, 2009). 
O interesse para a fenomenologia não é o mundo existente, mas o modo 
como o conhecimento desse mundo se dá para cada sujeito, e sua tarefa é desvelar 
o mundo vivido antes de significá-lo (SURDI, 2008). 
 
O que importa em tudo isto é o caminho aberto por Husserl. Ao colocar na 
ordem da vivência consciencial a inteira possibilidade do mundo, ele chama 
à subjetividade o papel de doadora de sentido ao mundo e à presença do 
homem no seu meio. O sentido da ciência e a própria ideia de cientificidade 
devem ser radicalmente revistos. A história do homem no mundo assume 
outra perspectiva. Competindo à subjetividade descobrir o sentido do 
mundo da vida, certamente a tarefa do pensador será conduzida na 
perspectiva da realização das condições fundamentais do homem, 
resumidas, em última instância, na possibilidade e na liberdade 
(GUIMARÃES, 1984, p. 9). 
 
Em referência às ideias de Husserl, Surdi (2008) explica que os fenômenos