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Logoterapia_04

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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
LOGOTERAPIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
 
 
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CURSO DE 
LOGOTERAPIA 
 
 
 
 
 
 
MÓDULO IV 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
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são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
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MÓDULO IV 
 
 
4 PATOLOGIAS DERIVADAS DA AUSÊNCIA DE SENTIDO 
 
 
Ao longo de sua obra, Frankl (2003a) discute os principais sintomas do 
vácuo existencial: a depressão, a agressão e a toxicodependência. 
No caso da depressão, Frankl (2003a) discute sua manifestação extrema, o 
suicídio. Em um estudo norte-americano, jovens que haviam tentado cometer 
suicídio foram entrevistados e encontrou-se que 85% deles referiam sentir que sua 
vida carecia de sentido. E dentre esses, 93% tinham um ambiente socioeconômico 
favorável e uma boa relação com sua família. 
Assim, a falta de um sentido para a vida aparece como um forte elemento de 
motivação para dar fim à própria vida. Obviamente, nem todo suicídio terá esta 
razão, mas, para Frankl (1990), ele certamente não seria cometido, caso a pessoa 
tivesse algo pelo qual viver. 
No caso das agressões, Frankl (2003b) entende que há causas para a 
violência humana; causas de ordem fisiológica, psíquica, econômica e outras. No 
entanto, a agressividade seria um fenômeno carente de sentido. Dentro dessa 
perspectiva, o ódio (assim como o amor) seria uma condição humana carregada de 
intencionalidade, mas a agressividade, ao contrário, estaria vinculada à condição 
animal. O homem mostraria humanidade quando, sentindo ódio, assumisse uma 
posição pessoal diante da agressividade. 
Além das formas de violência mais conhecidas, Frankl (1978/1989 apud 
MOREIRA et al., 2006) aponta que ela também manifesta quando um homem se 
dirige a outro sem objetivar um encontro, mas apenas por uma concepção utilitarista 
que visa um meio para obter satisfação. A violência é assim a própria ausência de 
sentido para a constituição de uma relação com o outro. 
Um estudo na Nova Zelândia obteve que quanto maior a sensação de falta 
de sentido maior a predisposição para o comportamento agressivo. Por outro lado, 
 
 
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quando um sentido é encontrado, especialmente aquele que emerge de uma tarefa 
em comum, em que se encontra um sentido, as agressões são abandonadas 
(FRANKL, 1990). 
Por fim, sobre a toxicodependência, um estudo com 416 estudantes, obteve 
resultados que contestavam a explicação de que o envolvimento com drogas estaria 
ligado a uma “fraca imagem paterna”. Por outro lado, observou-se correlação 
significativa entre o projeto de vida e o índice de envolvimento com drogas: os 
estudantes com projeto de vida elevado tinham um envolvimento muito menor com 
tóxicos (FRANKL, 1989). 
Outros estudos chegaram a resultados semelhantes. Todos apontaram para 
o fato de que a busca e o envolvimento com drogas, como marijuana e 
alucinógenos, estavam estreitamente ligados ao fato do jovem não encontrar um 
sentido para sua vida (FRANKL, 1989). 
Em relação ao alcoolismo, os resultados mantêm sua coerência. Um estudo 
realizado na Califórnia mostrou que 18 em 20 alcoolistas consideravam suas vidas 
sem sentido e sem um objetivo a ser perseguido, ou seja, um índice de 90% dos 
casos. Consequentemente, uma pesquisa encontrou que as técnicas da logoterapia 
são superiores às outras no tratamento do alcoolismo (FRANKL, 1989). 
 
 
FIGURA 18 - ALCOOLISMO 
 
FONTE: Disponível em: <https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSb-
Ck908LE_HWmnzAOCXSeOYwI4DQ5nqLksvbSbqPkPNp4cOTb8Q> Acesso em: 01 jul.2013. 
 
 
 
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Disso entende-se que, se a dependência química, segundo a perspectiva de 
Viktor Frankl (1989), quando motivada por uma frustração existencial, deve ser 
enfrentada com uma psicoterapia que leve em conta essa questão e alcance a 
dimensão espiritual do homem, ligada à vivência da liberdade e da responsabilidade. 
 
 
5 O USO DE RECURSOS LOGOTERAPÊUTICOS EM EMPRESAS 
 
 
Segundo Calero (2012), as propostas da logoterapia são aplicáveis no 
contexto organizacional e poderiam levar a êxitos incalculáveis. 
Segundo o princípio da autotranscendência, o homem está sempre 
direcionado a algo que vai além dele próprio; algo por meio do qual alcance sua 
realização e só então sua satisfação. O trabalho, quando torna a existência humana 
plena de sentido, pode ser gerador dessa realização. 
 
 
FIGURA 19 – SENTIDO DO TRABALHO 
 
FONTE: Disponível em: <http://blogdoprudencio.files.wordpress.com/2011/10/ambiente.jpg> 
Acesso em: 01 jul. 2013. 
 
 
Quando os empregados se identificam com a empresa e associam seu 
desempenho profissional com sua realização pessoal, sentem-se motivados a 
realizar seu trabalho da melhor maneira possível. Mas, para tanto, deve haver um 
 
 
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porquê de fazerem o que fazem em seu cotidiano de trabalho. Se, ao contrário, o 
trabalhador não encontra nenhum sentido em sua atividade profissional fica diante 
de uma frustração existencial. 
Por meio do trabalho realizado com inteligência, criatividade e esforço, o 
homem transforma a natureza em benefício de si e da humanidade, o que pode 
ocorrer em qualquer profissão. Dessa forma, o sentido e valor do trabalho não são 
inerentes à atividade que se realiza, mas sim ao que essa contribui com a 
comunidade. 
A profissão dá ao homem apenas a oportunidade de se tornar insubstituível. 
Mas é só o próprio homem – ao se dedicar a seu trabalho, realizando sentidos e 
contribuindo com sua comunidade – pode fazer uso ou não dessa oportunidade. E 
isso nada tem a ver com a profissão que se escolheu: 
 
disse-nos uma vez uma paciente que, como considerava sem sentido a sua 
vida, não tinha o menor interesse em ficar curada; mas, como tudo seria 
diferente e belo se ela tivesse uma profissão que a satisfizesse!; Se, por 
exemplo, fosse médica, ou enfermeira, ou química, para poder fazer 
descobertas cientificas. O indicado, no caso, era fazer ver à doente que o 
que importa não é, de modo algum, a profissão em que algo se cria, mas 
antes o modo como se cria; que não depende da profissão concreta como 
tal, mas sim de nós, o fazermos valer no trabalho aquilo que em nós há de 
pessoal e específico, conferindo à nossa existência o seu ‘caráter de algo 
único’, fazendo-a adquirir, assim, pleno sentido (FRANKL, 2003b, p. 161) 
 
 
O trabalho como campo de possível realização sofre um desvio, em função 
de circunstâncias dominantes. É o caso dos trabalhos mecânicos e impessoais, que 
constituem apenas meio para um fim, ou seja, obter recursos para sobreviver. A 
marcada preocupação com o humano dentro da logoterapia, também aponta para 
caminhos diferentes daqueles observados em muitos ambientes empresariais. 
Segundo Calero (2012), hoje as organizações se contentam em ter empregados 
motivados, possuindo uma mentalidade utilitarista que ignora o valor da vida 
humana que contribui para o andamento das empresas. Nesses casos, a logoterapia 
aponta para a necessidade de que haja uma mentalidade mais humana nas 
organizações do trabalho.