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Beatriz Marinelli, 8º termo Atenção Integral à Saúde da Criança Atendimento a Exposição Tóxica →Objetivos • Saber a conduta médica a pacientes com exposição tóxica; • Ler: “Exposições tóxicas agudas em crianças: um panorama” -Fábio Bucaretch; • Decorar lista de antídotos. →Atendimento inicial das intoxicações agudas Ao chegar um paciente com intoxicação suspeita ou confirmada, é importante estar ciente que se trata de um caso potencialmente grave, devendo agir de forma rápida e criteriosa. O primeiro passo no atendimento é realizar um breve exame físico para identificar as medidas imediatas para estabilizar o paciente e evitar piora clínica. Devemos seguir o ABCDE: • A: vias aéreas; • B: vias respiratórias; • C: circulação; • D: exames neurológicos; • E: exposição. Na história de exposição é importante investigar qual foi o produto envolvido (farmacêutico, não farmacêutico, drogas ilícitas); a via de exposição; a dose estimada (tóxica ou não tóxica); se foi acidental ou proposital; local onde ocorreu a exposição; quem estava cuidando da criança (investigar possíveis maus- tratos); a quanto tempo ocorreu (mais ou menos de 1 hora); os procedimentos já feito como a indução de vômito; estado do paciente (manifestações clínicas); se há necessidade de ir para sala de emergência e fazer exames toxicológicos e sanguíneos específicos. O exame físico é de extrema importância na tentativa de caracterizar uma das síndromes tóxicas, devendo avaliar os sinais vitais, temperatura, estado de hidratação das mucosas, tamanho e resposta pupilar à luz, exame neurológico e reflexos. O quadro a seguir mostra as principais síndromes tóxicas com suas respectivas manifestações. A professora não comentou sobre elas, trouxe apenas como complementação da aula. Dependendo do agente envolvido podem ser solicitados também exames complementares, tais como: exames laboratoriais e toxicológicos; ECG, exames de imagem (RX,TC) ou endoscopia digestiva alta. Toxicologia Beatriz Marinelli, 8º termo Atenção Integral à Saúde da Criança →Tratamento O tratamento e manejo do paciente intoxicado vai depender do agente envolvido, de sua toxicidade e tempo entre intoxicação e atendimento. Além do suporte o tratamento envolve descontaminação, administração de antídotos e técnicas de eliminação. 1. Medidas de Suporte (ABCDE); 2. Descontaminação: visa a remoção do agente tóxico com intuito de diminuir sua absorção de acordo com sua via de exposição: − Cutânea: tirar roupa e lavar a superfície com agua em abundancia e sabão neutro; − Ocular: colírio anestésico e lavagem com SF ou água filtrada; − Respiratório: administrar oxigênio umidificado suplementar. 3. Lavagem Gástrica (LG): infusão e posterior aspiração do SF a 0,9% através de SNG, com objetivo de retirar substâncias ingeridas. − Contraindicação: derivados de soda caustica e petróleo, tais como limpa forno, querosene, gasolina; − Recomendado somente se o paciente ingeriu uma dose potencialmente letal e o procedimento for realizado até 60 minutos da ingestão; − Complicações: pneumonia aspirativa; laringoespasmo; lesões traumáticas da orofaringe, esôfago e/ou estômago; desequilíbrio hídrico (intoxicação hídrica e hiponatremia) e eletrolítico (hipernatremia, quando se empregam grandes quantidades desolução salina); hemorragia conjuntival. − Dose adulto: Infundir 250 ml por vez até um volume total de 6 a 8L mínimo ou até que retorne límpido; Beatriz Marinelli, 8º termo Atenção Integral à Saúde da Criança − Dose em criança: Infundir 10ml/kg por infusão até volume total de (máximo permitido é de 8L): ▪ Escolares: 4 a 5L ▪ Lactentes: 2 a 3L ▪ RN: 0,5 L. − Exemplo: Criança com 10kg, infundir 100ml e retiramos 100ml até chegar no máximo 8L. − A lavagem tira apenas o grosso, ficando algumas moléculas, podendo usar assim o carvão ativado que vai migrando, e como se fosse uma esponja as partículas grudam nele até ser eliminado nas fezes. 4. Carvão Ativado (CA): um pó obtido da pirólise de material orgânico, com partículas porosas com alto poder adsorvente do agente tóxico, que previne a sua absorção pelo organismo. Na maioria das vezes deverá ser utilizado em dose única, porém pode ser administrado em doses múltiplas como medida de eliminação, em exposições a agentes de ação prolongada ou com circulação ênterohepática. − Contraindicações: RN, gestantes ou pacientes muito debilitados, cirurgia abdominal recente, administração de antídotos por via oral, ingestão de caustico ou solvete, ingestão de ácidos, cianeto, metais ou pacientes que estão com obstrução intestinal. Não são indicadas associada a laxantes. − Complicações: constipação, impactação intestinal e broncoaspiração; − Dose única: ▪ Crianças: 1 g/kg, em uma suspensão com água ou SF 0,9% na proporção de 4-8 mL/g. (na aula professora falou 1g/kg de carvão em 10 ml de SF ou água →fazer mistura na sonda, fechar e esperar eliminar nas fezes); ▪ Adultos: 50 g em 250 mL de água ou SF 0,9%. (na aula professora falou 40g de carvão em 200ml de água → fazer mistura na sonda, fechar e esperar eliminar nas fezes); − Doses Múltiplas: Intervalos de 4/4 horas; associar catártico, preferencialmente salino, junto à 3ª dose, e repetir quando necessário. Utilizar o catártico como parte da suspensão do CA. Exemplo: utilizar 100 mL Sulfato de Magnésio 10% (10 g), acrescentar 150 mL de SF 0,9% (total 250 mL) e acrescentar 50 g de Carvão Ativado (suspensão 1:5) 5. Lavagem intestinal: fazer apenas em casos de ingestão de pacotes contendo drogas. 6. Hidratação e Diurético: é indicado para substâncias com eliminação renal, podendo incialmente hidratar e depois dar diurético. Como parte das substâncias ficam retidas, devemos conhecer o PK da substância e decidir se vamos alcalinizar ou acidificar. 7. Acidificação/Alcalinização: − Se o PK for ácido: Alcalinizar o paciente com bicarbonato de sódio; − Se o PK for alcalino: Acidificar o paciente com ácido ascórbico (Vit C); − Alcalinização urinária: consiste na tentativa de aumentar a eliminação de determinados agentes tóxicos pela administração intravenosa de bicarbonato de sódio com o objetivo de se alcançar um pH urinário > 7,5 (7,5-8,5). Deve-se sempre fazer uma gasometria arterial antes e depois para ver a evolução e evitar possíveis complicações, exemplo, se o paciente já estiver alcalino e alcalinizarmos ele mais ainda, o paciente pode ir a óbito. Sempre devemos fazer uma gasometria arterial antes. Ex de caso que vamos alcalinizar: barbitúrico; − Acidificação: não é necessário fazer gasomentria antes, podendo dar o ácido ascórbico. Ex em casos de anfetamina. Beatriz Marinelli, 8º termo Atenção Integral à Saúde da Criança 8. Diálise/Hemoperfusão e Hemofiltração: Procedimentos invasivos para aumentar a eliminação extracorpórea de drogas. Logo, não são todos os casos que vamos dialisar, devendo saber a lista de drogas dialisáveis. − De maneira geral, estima-se que uma eliminação extracorpórea é eficaz se aumentar o clearence corporal total em 30% ou mais. − Para que os procedimentos dialíticos sejam eficientes, o agente tóxico deve ter um baixo peso molecular, ser altamente hidrossolúvel, ter baixo volume de distribuição (< 2 l/kg) e baixa ligação proteica. A diálise pode ser útil nas intoxicações graves por salicilatos; de metanol e etilenoglicol, quando não é disponível o fomepizol; vancomicina e lítio. − Tanto a hemoperfusão quanto a hemofiltração são empregadas em casos excepcionais, sendo que ambas apresentam alto custo. − Obs.: Pacientes em estado grave, devemos primeiro fazer ABCDE e em seguida já pular para diálise. 9. Drogas Metemoglobinizantes: drogas como o nitrato e nitrito produzem metemoglobina, podendo levar a metemoglobinemia, consequentemente o oxigênio não consegue entrar no ciclo de Krebs, levando a hipóxia, em que a ofertade oxigênio vai ser ineficaz. Com isso depois dar azul de metileno (antídoto) caso tenha sido exposto a baixas doses; e transfusão sanguínea em caso de altas doses. 10. Antídotos: decorar lista. Em possíveis dúvidas ligar: 0800 722 6001 (Centro de intoxicação) Beatriz Marinelli, 8º termo Atenção Integral à Saúde da Criança Bibliografia: • BUCARETCHI, Fábio; BARACAT, Emílio C. E.. Exposições tóxicas agudas em crianças: um panorama. J. Pediatr. (Rio J.), Porto Alegre , v. 81, n. 5, supl. p. s212-s222, Nov. 2005 . • Manual de Toxicologia Clínica: Orientações para Assistência e Vigilância das Intoxicações Agudas http://abracit.org.br/wp/manual-de-toxicologia-clinica-orientacoes-para-assistencia-e-vigilancia-das-intoxicacoes-agudas/