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Bioética Animal e Meioambiental

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compaixão pelos animais, eficiência ou sensibilidade ecológica. 
“Deep ecology” was born in Scandinavia, the result of 
discussions between Næss and his colleagues Sigmund 
Kvaløy and Nils Faarlund […] 
The “shallow ecology movement”, as Næss (1973) calls 
it, is the “fight against pollution and resource 
depletion”, the central objective of which is “the 
health and affluence of people in the developed 
countries.” The “deep ecology movement”, in contrast, 
endorses “biospheric egalitarianism”, the view that all 
living things are alike in having value in their own right, 
independent of their usefulness to others. The deep 
ecologist respects this intrinsic value, taking care, for 
example, when walking on the mountainside not to 
cause unnecessary damage to the plants. 
Environmental Ethics. Stanford Encyclopedia of Philosophy 
(2003, revised 2015). 
 
https://plato.stanford.edu/entries/ethics-
environmental/#DeeEco. 
 
Figura 22 – Percepções da ecologia 
Fonte: 
https://environmentalethics2014.w
ordpress.com/ 
Entrada de 1 Dezembro, 2014 
https://plato.stanford.edu/entries/ethics-environmental/#DeeEco
https://plato.stanford.edu/entries/ethics-environmental/#DeeEco
https://environmentalethics2014.wordpress.com/
https://environmentalethics2014.wordpress.com/
 
 
Porém, o grande debate na ética meio ambiental não está em qual dessas escolas de 
decisão ética é utilizada para justificar nossa atitude perante o meio ambiente. A maior 
controvérsia e evolução dentro da ética meio ambiental gira ao redor da relevância moral 
dos diferentes entes que podemos ter em conta, ou seja, o que e por que tem valor moral, 
quanto e quem outorga esse valor. 
 
 
 
2.5.1 Valores Humanos e Meio Ambiente 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tradicionalmente, o mundo, incluindo os animais e o meio ambiente, tem sido 
medido a partir da perspectiva humana. Embora, séculos atrás, se considerasse que somente 
os humanos tinham valor ou status moral, essa visão foi modificada para compreender que 
outros seres e coisas ao nosso redor podiam ter valor, dependendo de sua relação conosco. 
Esse valor, portanto, é outorgado pelos humanos e será tão grande quanto nós, humanos, 
valorizemos a relação entre o ente e nós mesmos. Por conta de a fonte dos valores ser a 
relação com os humanos, denominam-se estes valores como antropocêntricos ou 
instrumentais. Esses valores são utilizados tanto para justificar o uso da biosfera pelos 
humanos quanto para derivar os deveres que temos para preservá-lalxiii. 
• Valores diretos e indiretos. A forma mais primária de outorgar valores. Estes 
derivam da capacidade dos entes para serem modificados e/ou produzir benefício 
material para os humanos de forma direta ou indireta. Por exemplo, o valor de um 
bosque, e daí nosso dever de preservação, é derivado da riqueza que pode ser obtida 
pela exploração sustentável de seus recursos madeireiros. O uso da palavra 
“sustentável” aqui não é fortuito. Os valores diretos são a origem do interesse na 
sustentabilidade dos ecossistemas de diversas organizações humanas, especialmente 
governos. 
• Valor por amenidade. O valor dos entes é outorgado pela capacidade de ser um 
ponto recreativo, um referente turístico, um ponto histórico ou religioso, entre 
“The Brundtland definition of sustainable 
development was a broad ethical principle with 
two key components. First, it framed the goals of 
development in terms of meeting people's needs. 
In this respect it differed from some theories or 
accounts of development that used less value-
laden terms, especially those stressing GDP or 
general economic expansion. Second, the 
Brundtland definition makes an explicit 
commitment to future generations. It thus adopted 
one a philosophical approach in environmental 
ethics that has been associated with 
anthropocentrism, or the view that protection of 
the environment should be based primarily (if not 
exclusively) on benefits that humans derive from 
utilizing natural resources.” 
Thompson, P. B. (2012) Sustainability: Ethical 
Foundations. Nature Education Knowledge 3(10):11. 
Figura 23 – A relação entre ecologia, 
sustentabilidade e design. 
Fonte: Filiz Çelik (2013) Ecological 
Landscape Design in “Advances in 
Landscape Architecture”. IntechOpen 
 
 
outros. Não precisa ser utilizado ou convertível em valor econômico. Nesse grupo 
pode se englobar o valor dos parques naturais como lugares visitáveis. 
• Valor por opção. Tem a ver com a possibilidade de que, no futuro, o ente tenha uma 
importância que agora desconhecemos. Por exemplo, pode ser importante conservar 
um ecossistema aquático porque sua biodiversidade faz pensar que talvez no futuro 
possa ser encontrado algum antibiótico produzido por algum dos animais ou plantas 
marinhas. 
• Valor pela própria existência. Neste caso, o valor é derivado de nossa percepção de 
que um animal, lugar ou ente é importante por sua beleza ou capacidade de nos 
impressionar (Antártida), pelos valores que associamos a eles (fofura do coala) ou 
por qualquer outro fator relacionado a uma experiência humana satisfatória. Assim, 
este valor pode ser estendido à biosfera toda. 
 
 
 
 
 
2.5.2 Valores Não Humanos e Meio Ambiente 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os valores antropocêntricos são ainda hoje grandemente utilizados tanto na política 
quanto pela sociedade toda. Porém, outros valores estão tomando força e são já de grande 
importância para entender nossa atitude de preservação de ecossistemas e diante das 
mudanças meio ambientais. Esses valores não dependem da relação dos entes com os 
humanos; pelo contrário, ainda que os humanos não existissem, os entes teriam valor. Ou 
seja, são valores intrínsecos, também denominados valores não antropocêntricos. Esses 
valores nascem a partir de visões individualistas ou grupais dos seres vivoslxiv,lxv: 
• Individualismo. Os defensores dos valores individuais argumentam que, como no 
caso dos humanos, cada um dos indivíduos animais possui um valor e, portanto, 
importância moral. Esse valor poderá ser diferente para os componentes de cada 
uma das espécies segundo seu nível de senciência e autoconsciência; para outros 
autores, o valor é igual para todas as espécies animais. No extremo, essa forma de 
pensamento leva a outorgar o mesmo valor para todos os indivíduos vivos 
(biocentrismo), desde uma célula de levedura até um caxinguelê ou um gorila. 
• Holismo. Neste caso, são os entes supraindividuais os que possuem valor. No caso do 
especismo, as espécies é que possuem status moral. No ecocentrismo, os 
ecossistemas são os entes moralmente valiosos, enquanto que os indivíduos e as 
Anthropocentrism versus Ecocentrism Revisited: Theoretical Confusions and Practical 
Conclusions 
“One of the most disputed questions in environmental philosophy can be characterized as 
an intellectual debate between anthropocentric and ecocentric approaches […] 
1) Anthropocentrists see hierarchy in natural order, where humans are above all other 
biota […] 
2) The first point often results in metaphysical dualism, an ontological divide between 
humans and other nature. […] 
3) Other nature is seen mechanistically; […] 
4) Humans are the only beings seen as intrinsically (in the meaning of 
“noninstrumentally”) valuable; […] 
5) It is held that human beings constitute the moral community. […] 
Holistic nonanthropocentrism, or ecocentrism, was introduced to the philosophical 
community by Aldo Leopold […]. Leopold’s main critique of anthropocentric attitude is 
that its nature-relation is merely economic; consequently, we seem to ignore the welfare 
of those beings and things in nature that don’t have any direct economic value to us.” 
 
Kortetmaki (2013) SATS 14, 21-37. Disponível em: 
https://www.degruyter.com/view/journals/sats/14/1/article-p21.xml 
https://www.degruyter.com/view/journals/sats/14/1/article-p21.xml
 
 
espécies

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