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agente epidemiológico Qualifica es

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na identificação 
de características vetoriais consideradas de riscos epidemiológicos 
para propiciar as intervenções oportunas. 
Além disso, prestar-se-ia ao monitoramento de indicadores 
operacionais e administrativos segundo metas estabelecidas pelos 
serviços hierarquizados de saúde, sobretudo, na implementação e 
na avaliação desses programas (GOMES, 2002). 
Nesse sentido, esse instrumento passaria a ter conceito universal 
resumido nos seguintes pontos: 
a) Cada indicador será monitorado de forma contínua, segundo as 
bases técnicas dos respectivos programas de controle específico da 
doença;
b) O sistema de obtenção das informações deve ser simples e 
contínuo, cabendo ao município e ao estado sua coleta, análise e 
divulgação;
c) Deve ser um instrumento para elaborar e avaliar o impacto das 
aplicações dos programas de controle, permitindo a identificação de 
fatores de risco e as populações humanas expostas a estes;
d) Deve ser avaliado frequentemente, alterado quando necessário, 
adequando-o à estrutura de saúde, grau de desenvolvimento e 
complexidade tecnológica do Sistema Nacional de Vigilância em 
Saúde (SINVAS) (GOMES, 2002). 
Como visto, a Vigilância Entomológica utiliza informações do 
ambiente para avaliar quais dos fatores podem prover advertência 
precoce à ocorrência da transmissão ou epidemia. Focalizando a 
gênese da re-emergência das doenças veiculadas por vetores, não 
se pode desvincular desta a sobrevivência das espécies, expressa 
sob múltiplas formas de convivência nos ambientes modificados, 
como parte do conhecimento da vigilância (GOMES, 2002). 
Se o equilíbrio dos vetores, diante das alterações antrópicas, se 
alcança pelo ajustamento entre os mecanismos endógenos e 
exógenos, pode se deduzir que a vigilância precisa conhecer que a 
adaptação das espécies envolve características morfológica, 
fisiológica e comportamental que podem originar a escolha de 
indicadores exequíveis (GOMES, 2002).
O controle das doenças vetoriais, na atualidade é uma atividade 
complexa, tendo em vista os diversos fatores externos ao setor 
saúde, que são importantes determinantes na manutenção e 
dispersão tanto da doença quanto de seu vetor transmissor (BRASIL, 
2009). 
Dentre esses fatores, Brasil (2009) destaca o surgimento de 
aglomerados urbanos, inadequadas condições de habitação, 
irregularidade no abastecimento de água, destinação imprópria de 
resíduos, o crescente trânsito de pessoas e cargas entre países e as 
mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.
Tendo em vista esses aspectos, é fundamental, para o efetivo 
enfrentamento das doenças vetoriais, a implementação de uma 
política baseada na intersetorialidade, de forma a envolver e 
responsabilizar os gestores e a sociedade. Tal entendimento reforça 
o fundamento de que o controle vetorial é uma ação de 
responsabilidade coletiva e que não se restringe apenas ao setor 
saúde e seus profissionais (BRASIL, 2009).
Segundo Brasil (2009) para alcançar a sustentabilidade definitiva 
nas ações de controle, é imprescindível a criação de um grupo 
executivo intersetorial, que deverá contar com o envolvimento dos 
setores de planejamento, de abastecimento de água e de coleta de 
resíduos sólidos, que darão suporte ao controle da dengue 
promovido pelo setor saúde.
No âmbito do setor saúde, é necessário buscar a articulação 
sistemática da vigilância epidemiológica e entomológica com a 
atenção básica, integrando suas atividades de maneira a 
potencializar o trabalho e evitar a duplicidade das ações, 
considerando especialmente o trabalho desenvolvido pelos Agentes 
Comunitários de Saúde (ACS) e pelos Agentes Epidemiológicos (AE) 
(BRASIL, 2009).
Na divisão do trabalho entre os diferentes agentes, o gestor local 
deve definir claramente o papel e a responsabilidade de cada um e, 
de acordo com a realidade local, estabelecer os fluxos de trabalho 
(BRASIL, 2009). 
O ACS pode e deve vistoriar sistematicamente os domicílios e 
peridomicílios para controle da dengue e outras doenças vetoriais e, 
caso identifique criadouros de difícil acesso, ou se necessite da 
utilização de larvicida, deve acionar um AE de sua referência 
(BRASIL, 2009). 
De acordo com Brasil (2009) as atividades voltadas ao controle 
vetorial são consideradas de caráter universal e podem ser 
caracterizadas sob dois enfoques: as ações de rotina e as de 
emergência.
Período não epidêmico – ações de rotina:
Vários métodos de controle do Aedes podem ser utilizados 
rotineiramente. Alguns deles são executados no domicílio pelo 
morador e, complementarmente, pelo Agente Epidemiológico ou 
Agente Comunitário de Saúde (BRASIL, 2009).
Deve-se destacar também a responsabilização dos administradores 
e proprietários, com a supervisão da secretaria municipal de saúde, 
na adoção dos métodos de controle dos imóveis não domiciliares, 
que se constituem em áreas de concentração de grande número de 
criadouros produtivos e funcionam como importantes dispersores 
do Aedes (BRASIL, 2009).
Como métodos de controle rotineiro, tem-se o mecânico, o biológico, 
o legal e o químico (BRASIL, 2009).
MÉTODOS DE CONTROLE VETORIAL
TIPOS DE CONTROLES DE VETORES DA DENGUE 
(E OUTRAS DOENÇAS VETORIAIS)
Muitas medidas podem ser desenvolvidas para o controle de pragas, 
as quais tanto podem ser usadas em saúde pública, como na 
agricultura. Essas ações devem, sempre que possível, ser colocadas 
em prática, a maneira mais racional de controlar algum tipo de praga, 
na perspectiva de evitar ou minimizar maiores danos (BRASIL, 2001). 
O controle mecânico compreende técnicas bastante simples e 
eficazes, representando algumas vezes alto investimento inicial, 
porém com resultados permanentes, pois envolvem ações de 
saneamento básico e de educação ambiental, como (BRASIL, 2001):
� Drenagem e retificação de criadouros;
� Coleta e destino adequado de lixo;
� Destruição de criadouros temporários;
� Telagem de janelas (BRASIL, 2001).
Figura 1: AE destruindo criadouros Figura 2: Telagem de caixa d’água
Fonte: PMM (2017)
O controle biológico consiste na repressão de pragas utilizando 
inimigos naturais específicos, como predadores, parasitos ou 
patógenos (BRASIL, 2001). 
Pode ser definido como uma medida que visa à redução da 
densidade populacional de determinado vetor, pela influência de 
outra população que possa agir neste sentido (FORATTINI, 2002).
Segundo Brasil (2001), considera-se controle biológico natural, a 
ação dos inimigos naturais biológicos sem a intervenção do homem, 
ou artificial, quando há interferência humana. Na natureza nem 
sempre se consegue a abundância de inimigos biológicos e este 
problema afeta a eficácia do controle, fazendo com que seja 
necessária a intervenção humana para proteger e incrementar a 
ação desses agentes (BRASIL, 2001).
Segundo Brasil (2001) o controle biológico pode ser feito com o uso 
dos seguintes organismos:
� Predadores: são insetos ou outros animais (peixes etc.) que 
eliminam as pragas de forma mais ou menos violenta, sugando-lhes 
a hemolinfa ou consumindo seus tecidos;
� Parasitos: são organismos como nematóides e fungos que vivem 
às expensas do corpo de outro inseto (hospedeiro), alimentando-se 
de seus tecidos, ocasionando a morte, ao mesmo tempo em que 
completam seu desenvolvimento biológico;
� Patógenos: são microrganismos, entre eles alguns vírus, bactérias, 
protozoários ou fungos que agem provocando enfermidades e 
epizootia (doença que apenas ocasionalmente se encontra em uma 
comunidade animal, mas que se dissemina com grande rapidez e 
apresenta grande número de casos) entre as pragas e vetores 
(BRASIL, 2001).
O controle legal implica no uso de instrumentos jurídicos (leis e 
portarias) que exigem, regulamentam ou restringem determinadas 
ações, podendo-se lançar mão com eficácia, nas questões de saúde 
pública, sobretudo, pelas autoridades municipais (BRASIL, 2001). 
Assuntos como coleta e destinação adequada de resíduos sólidos, 
regulamentação de atividades

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