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Cap 5 Elasticidade

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CAPÍTULO 
Elasticidade e sua aplicação 
Imagine que um determinado evento provoque o aumento do preço da gasolina nos Estados Unidos. Pode 
ser uma guerra no Oriente Médio que interrompe o fornecimento mundial de petróleo, uma expansão da 
economia chinesa que provoque o aumento da demanda mundial de petróleo ou um novo imposto sobre a 
gasolina aprovado pelo Congresso. Como os consumidores reagiriam a esse aumento? 
De maneira geral, é fácil responder a essa questão: os consumidores comprariam menos. Trata-se da lei 
da demanda que aprendemos no capítulo anterior. Mas talvez você queira uma resposta exata. Em quanto 
o consumo da gasolina seria reduzido? Essa pergunta pode ser respondida por meio de um conceito cha-
mado elasticidade, que será desenvolvido neste capítulo. 
A elasticidade é uma medida do tamanho da resposta dos compradores e vendedores às mudanças das 
condições do mercado. Ao estudarmos como um acontecimento ou política pública qualquer afeta um mer-
cado, podemos discutir não apenas a direção dos efeitos, mas também a sua magnitude. A elasticidade é útil 
de várias maneiras, como veremos até o final deste capítulo. 
88 PARTE li COMO FUNCIONAM OS MERCADOS 
Antes de prosseguir, entretanto, você deve estar curioso para saber a resposta da pergunta sobre a gasolina. 
Muitos estudos examinaram o comportamento dos consumidores com relação aos aumentos de preço da gaso-
lina e descobriram que a resposta sobre a quantidade demandada é mais facilmente verificada no longo prazo 
que no curto prazo. Um aumento de 10% no preço da gasolina reduz o consumo em aproximadamente 2,5%, 
após um ano, e cerca de 6%, após cinco anos. Praticamente, metade da redução na quantidade demandada no 
longo prazo resulta do fato de as pessoas usarem menos os automóveis, e metade porque trocam o veículo por 
outro que não gaste tanto combustível.Ambas as respostas se refletem na curva de demanda e sua elasticidade. 
A ELASTICIDADE DA DEMANDA 
Quando introduzimos a demanda no Capítulo 4, observamos que os consumidores geralmente compram 
mais de um bem quando o preço deste está mais baixo, quando a renda deles é maior, quando os preços dos 
bens substitutos do bem estão elevados ou quando os preços dos bens complementares estão baixos. Nossa 
abordagem sobre a demanda foi qualitativa, não quantitativa. Ou seja, apontamos a direção em que a quan-
tidade demandada se move, mas não a dimensão do movimento. Para medirem o quanto os consumidores 
reagem a mudanças dessas variáveis, os economistas usam o conceito de elasticidade. 
A elasticidade-preço da demanda e seus determinantes 
elasticidade 
uma medida da 
resposta da 
quantidade 
demandada ou da 
quantidade ofertada a 
. -uma vanaçao em um 
de seus determinantes 
elasticidade-preço da 
demanda 
uma medida do 
quanto a quantidade 
demandada de um 
bem reage a uma 
mudança no preço do 
bem em questão, 
calculada como a 
variação percentual da 
quantidade 
demandada dividida 
pela variação 
A lei da demanda afirma que uma queda no preço de um bem aumenta a quantidade 
demandada dele. A elasticidade-preço da demanda mede o quanto a quanti-
dade demandada reage a uma mudança no preço. A demanda por um bem é chamada 
elástica se a quantidade demandada responde substancialmente a mudanças no preço. 
Diz-se que a demanda por um bem é inelástica se a quantidade demandada responde 
pouco a mudanças no preço. 
A elasticidade-preço da demanda de qualquer bem mede o quanto os consumidores 
estão dispostos a deixar de adquirir do bem à medida que seu preço aumenta. Em fun-
ção de a curva de demanda refletir as várias forças econômicas, sociais e psicológicas que 
moldam as preferências do consumidor, não há uma regra simples e universal para o 
que determina a elasticidade da curva de demanda. Com base na experiência, entretan-
to, podemos apresentar algumas regras básicas sobre o que influencia a elasticidade-
-preço da demanda. 
Disponibilidade de substitutos próximos Bens com substitutos próximos tendem a 
ter demanda mais elástica porque é mais fácil para os consumidores trocá-los por outros. 
Por exemplo, manteiga e margarina são facilmente substituíveis uma pela outra. Um 
pequeno aumento no preço da manteiga, supondo que o preço da margarina se mante-
nha constante, fará que a quantidade vendida de manteiga tenha uma grande diminui-
ção. No entanto, como os ovos não têm substitutos próximos, a demanda por ovos é 
menos elástica que a demanda por manteiga. 
percentual do preço Bens necessários versus bens supérfluos Os bens necessários tendem a ter deman-
da inelástica, enquanto a demanda por bens de luxo (ou supérfluos) tende a ser elástica. 
Quando o preço de uma consulta médica aumenta, as pessoas não alteram drasticamente o número de 
vezes que vão ao médico, embora possam ir com menos frequência. Entretanto, quando o preço dos velei-
ros aumenta, a quantidade demandada de veleiros cai substancialmente. Isso ocorre porque as pessoas 
tendem a encarar as consultas médicas como uma necessidade e os veleiros como um luxo. O critério para 
classificar um bem como necessário ou supérfluo depende não só de suas propriedades intrínsecas, mas 
CAPÍTULO 5 ELASTICIDADE E SUA APLICAÇÃO 89 
também das preferências do comprador. Para um velejador ávido que não esteja muito preocupado com a 
própria saúde, os veleiros podem ser uma necessidade com demanda inelástica, e as consultas médicas, 
algo supérfluo com demanda elástica. 
Definição do mercado A elasticidade da demanda em qualquer mercado depende de como traçamos os 
seus limites. Mercados definidos de forma restrita tendem a ter demanda mais elástica do que mercados 
definidos de forma ampla, uma vez que é mais fácil encontrar substitutos para bens definidos de maneira 
restrita. Por exemplo, os alimentos, uma categoria ampla, têm demanda bastante inelástica, porque não há 
bons substitutos para eles. O sorvete, uma categoria restrita, tem demanda mais elástica, porque é fácil 
substituí-lo por outras sobremesas. Sorvete de baunilha, uma categoria muito mais restrita, tem demanda 
muito elástica, porque os outros sabores de sorvete são substitutos quase perfeitos para ele. 
Horizonte de tempo Os bens tendem a apresentar demanda mais elástica em horizontes de tempo mais 
longos. Quando o preço da gasolina sobe, a quantidade demandada desse combustível cai pouco nos pri-
meiros meses. Com o passar do tempo, contudo, as pessoas compram carros que consomem menos gaso-
lina, passam a usar o transporte público e se mudam para mais perto do lugar onde trabalham. Em alguns 
anos, a quantidade demandada de gasolina cai substancialmente. 
Cálculo da elasticidade-preço da demanda 
Agora que abordamos a elasticidade-preço da demanda em termos gerais, vamos examinar com maior 
atenção como ela é calculada. Os economistas calculam a elasticidade-preço da demanda como a variação 
percentual da quantidade demandada dividida pela variação percentual do preço. Ou seja: 
Variação percentual na quantidade demandada 
Elasticidade-preço da demanda= 
Variação percentual do preço 
Por exemplo, suponhamos que um aumento de 10% no preço do sorvete de casquinha cause uma queda 
de 20% na quantidade de sorvetes que você compra. Sua elasticidade da demanda será calculada como 
20% 
Elasticidade-preço da demanda= = 2 
10% 
Neste exemplo, a elasticidade é 2, indicando que a variação da quantidade demandada é duas vezes maior 
do que a variação do preço. 
Como a quantidade demandada de um bem está negativamente relacionada com seu preço, a variação 
percentual da quantidade demandada sempre terá sinal oposto ao da variação percentual do preço. Nesse 
exemplo, a variação percentual do preço é de 10% positivos (refletindo um aumento) e a variação percentual 
da quantidade demandada é de 20% negativos (refletindo uma diminuição). Por esta razão, as elastici-
dades-preço da demanda são algumas vezes representadas por números negativos. Neste livro, seguiremos 
a prática comum