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10
Índice
Introdução	2
Império Axum	3
Localização Geográfica da Etiópia/Axum	3
Aspectos sociais	4
Aspectos políticos	5
Aspectos económicos	7
Produtos do Comercio Marítimo	8
Aspectos culturais	9
Religião	11
Conclusão	12
Bibliografia	13
0.Introdução
O presente trabalho irá abordar a civilização Etíope/Axumita dos primórdios ate ao século XV serão apresentados os aspectos sociais, políticos, económicos e culturais.
1. Império Axum
Até século I Axum já tinha a sua existência conhecida pelos gregos e romanos, e através da arqueologia foi possível saber que essa cidade de Axum se situava no norte da Etiópia e tornou-se superior a Yeha, Haulti e Melazo, destacando-se como centro político, expandindo seu poder e influência. Na verdade o nome Axum surgiu pela primeira vez no guia naval e comercial Periplus Maris Ereythraea (Periplo[footnoteRef:2] do Mar da Eritreia), reunido no fim do século I por um negociante egípcio e também pelo Geógrafo Ptolomeu que no século II faz alusão no seu território. (MOKHTAR, 2010, p.377)    [2: Périplo – viagem em volta de um continente ou região ] 
	
1.1. Localização Geográfica da Etiópia/Axum
Axum: actual Etiópia  é um país africano, limitado a norte pela Eritreia, a leste por Djibuti e pela Somália, a sul pelo Quénia e a oeste pelo Sudão, sua capital é Adis-Abeba. O nome histórico de "Etiópia" não corresponde ao país que resultou da expansão da Abissínia (Etiópia atual), é uma palavra grega que significa o país dos "caras queimadas". Abrange todo o Corno de África e uma parte da Península Arábica (Idem).
2. Aspectos sociais 
Segundo Mekouria e El Fasi (2010, p.659) afirma que ao longo dos períodos precedentes há povos dos bedjas encontravam -se organizados em vários reinos ocupando uma região de Axum, até ao alto Egipto, estes formavam um conjunto étnico.
A partir da região próxima do Nilo Al-ya'bubr enumerou e indico a localização de cinco reinos como bedjas indo do Nilo ao mar e em seguida ao sul. O primeiro reino mais próximo do país muçulmano de Assuã era Nakts, que foi habitado por vários povos cujos nomes citados não foram decifrados. (Idem)
No império Axum era possível distinguir uma camada social tradicional, dirigente e rica, uma camada enriquecida pelo comércio; uma camada comum constituída pela população; e uma camada constituída por escravos destinados à exportação e á pratica de algumas actividades como a agricultura, pesca marítima e Comércio. (SILVA, 1992, p. 175)
3. Aspectos políticos 
Inicialmente Axum parece ter sido um principado[footnoteRef:3] e com o tempo, tornou-se província de um reino “feudal[footnoteRef:4]”, com a tarefa de afirmar sua hegemonia sobre os Estados da Etiópia setentrional, unindo-os a um só reino, assim era o que a história impôs a seus governantes. O sucesso dependia tanto do poder do soberano de Axum quanto das forças relacionadas aos demais príncipes da antiga Etiópia. Numa manobra política por vezes, determinados monarcas realizava campanhas militares, objectivando adquirir a submissão formal dos principados. (MOKHTAR, 2010, p.401) [3: Principado território governado por um príncipe ] [4: Feudal se refere ao feudo propriedade que o senhor sedia ao seu vassalo em troca de seus serviços e rendas] 
	
No final do século II e início do século IV, Axum participou das lutas diplomáticas e militares contrárias aos Estados da Arábia meridional. Os axumitas subjugaram as regiões situadas entre o planalto do Tigre e o vale do Nilo; no século IV conquistaram o reino de Méroe[footnoteRef:5] que estava em decadência, sendo assim edificou um império abrangendo as ricas terras cultivadas no norte da Etiópia, o Sudão e a Arábia meridional, integrando os povos que ocupavam as regiões situadas ao sul dos limites do Império Romano. (SILVA, 1992, p.155) [5: Méroe antiga cidade que se localizava na margem leste do rio Nilo ] 
Axum se destacava por ser uma nação que mantinha contactos estratégicos com as nações mercantis dominantes da época pela política da boa vizinhança, com isso assegurariam o seu principal interesse em questões políticas e comerciais com os mercadores das outras nações; o poderio militar era assegurado pelas tropas romanas contra quem fosse de encontro a seus interesses, por isso por mais delicada que fosse a situação diplomática, eles optariam pela negociação, afinal eram um povo mercador e sua sobrevivência dependia das relações externas. (MOKHTAR, 2010, p.402)
	
Esta próspera nação foi uma das primeiras a cunhar[footnoteRef:6] a imagem de seus regentes em suas moedas como símbolo de uma nação que apresentava um nível de tecnologia e civilidade que se destacavam das demais, isso denotava sua importância política, sendo o primeiro rei a dar inicio a esse tipo de cunhagem o rei Endybis, com essa transformação política, Axum passa a ser comparada aos bizantinos por causa de sua aproximação com eles. (Ibid, p. 403)	 [6: Cunhar tornar metal em moeda] 
Moeda axumita 	
Sua superioridade política já havia passado das suas fronteiras chegando as nações vizinhas como a Pérsia, sendo considerada um dos quatro maiores impérios do mundo (Roma, Pérsia e China), na verdade Axum dentre essas nações era a menor, estando sempre a espreita de resultados aos conflitos de Roma e Pérsia, por causa disso, Axum pode ter se tornado uma das primeiras províncias feudais, cabendo a seus governantes manter uma política de transformar a Etiópia em um reino único; agindo dessa maneira, sua política se faria presente como um império próspero e sólido.	Foram agregando as regiões pelos espólios[footnoteRef:7] de guerra transformando-as num futuro império promissor, aproximando-se dos lotes pertencentes ao império romano; a expressão feudal deu-se pelo fato de Axum se dividir em reinos vassalos, cujo rei era o soberano a qual todos deviam respeito e honra ao pagamento de seus tributos. Essa divisão política aparenta ser a prova de que seu apogeu monárquico tenha ocorrido pela modificação do processo de centralização. (Ibid; p. 404) [7: Espolio património deixado por alguém que veio a falecer] 
 Mapa da expansão axumita. 	
4. Aspectos económicos 
Segundo MOKHTAR (2010, p.396) Axum foi o primeiro Estado da África tropical a cunhar moeda, num período em que esta não existia em nenhum dos países vassalos[footnoteRef:8], nem mesmo em Himiar ou Alwa.  [8: Vassalo subordinado de um soberano] 
Com essa conquista, Axum proclamava ao mundo sua independência e prosperidade, haja vista que, a cunhagem de moeda de ouro, gerava uma medida tanto económica quanto política. Ademais, enaltecia o nome dos seus monarcas e as divisas do reino (Idem).				 
O soberano precursor desse feito foi Antybis, na segunda metade do século III. Seu sistema monetário podia ser confrontado com o de Bizâncio, apresentando as mesmas características da época, tanto no peso quanto no modelo e na forma. A capacidade produtiva de Axum estava relacionada a sua importância comercial, embora predominasse a produção doméstica natural. 
A agricultura e a criação de animais constituíram a base da economia axumita, o que já ocorria nos séculos anteriores. No entanto o seu desenvolvimento assumiu um aspecto característico suposto por factores como: a intensificação do comercio marítimo no mar Vermelho, atribuído a expansão romana nessa região que beneficiada pela navegação e a multiplicação das relações comerciais ocorrida pelo intenso fluxo de mercadorias trazidas por embarcações, possibilitando o comércio com a Índia e o mundo mediterrânico e, o fato de Adulis ser o ponto de encontro para o tráfico marítimo, assim como para o comércio terrestre. (Idem.)					
O marfim era um artigo valioso e sua comercialização era muito intensa, pois ele era indispensável ao luxo romano e estava em primeiro lugar na lista de importação de Adulis esta era considerada a via de escoamento dos produtos de Axum; o elefante muito valorizado fazia sua caça ser intensa, haja vista suas presas (o marfim) eram transportadas de barco para a Índia, Pérsia e China e, posteriormenteesse animal seria utilizado como carro de guerra. (NIANE, 2010, p. 712)			
O vinho e o óleo de oliva importados eram consumidos por estrangeiros, comerciantes e outros grupos, também eram importados objectos confeccionados de artes e outros objectos de metal, bem como roupas de tecidos estrangeiros que abasteciam o consumo interno. Vale salientar que a criação do reino Axum trouxe prosperidade em abundância para a aristocracia e também para grupos étnico-sociais privilegiados, formados por cidadãos axumitas da capital. Os monarcas axumitas e os vassalos que administravam os domínios do reino de Axum eram os principais fornecedores dos estrangeiros, em especial Adulis e a Arábia Saudita, apenas eles detinham esse  monopólio. Os primeiros possuíam expressiva quantidade de rebanhos, os quais eram tidos como fortuna, mas de difícil comercialização devido aos problemas de transporte por via marítima. (Ibid, p. 715)
A economia axumita era vista  prazerosamente e protegida pelos romanos devido aos  interesses em comum ao combate da pirataria[footnoteRef:9], pois o Império romano precisava de aliados comerciais naqueles arredores do mundo, por causa disso, eles se fortaleceram intensamente  para uma nova etapa nas cercanias arábicas do mar Vermelho.  (FASI, 2010, p. 657)					 [9: Pirataria acto de saquear navios no mar] 
O idioma cunhado nas moedas era grego e o gueze, os avanços na economia agrícola e no de manufactura de objectos com base em pedras, vidros e cerâmicas atestavam ainda mais sua superioridade; a aristocracia de Axum enriqueceu muito depressa, face a unificação significativa  parte do nordeste da África pelos axumitas, isso facilitou aos  mercadores romanos, árabes e hindus, a conquistar uma clientela segura para seus artigos luxuosos. (Ibid, p. 659)
4.1. Produtos do Comercio Marítimo									
	Local de proveniência
	Produtos
	Adulis
	Peles de Hipopótamo, Chifres de rinoceronte, carcaças de tartarugas, escravos, temperos, obsdiana[footnoteRef:10], mármore, ouro em pó, Perfumes e esmeraldas. [10: Substancia natural de origem vulcânica] 
	Itália e Síria
	Géneros Alimentícios, vinho e óleo de oliva.
	Índia
	Trigo, Arroz, cana-de-açúcar, óleo de Sésamo e milhete 
	Egipto
	Creias, Vinho, suco de uvas frescas, tecidos grosseiros
	Outros Países da Europa
	Artigos de Vidro, latão, folhas de cobre mole, estanho, ferro, aço, machados, machadinhas, facas, tigelas de cobre, vasos de ouro e de prata, ânforas de vinho e de óleo, balanças, pesos de cobre, artigos de vestuários, túnicas, mantas de la, tecido de algodão indiano, mantos, cintos, colares e moedas de prata romana, inceso e estatuas.
Produtos do comercio de axum
5. Aspectos culturais 
	
Segundo MOKHTAR (2010)
 “A cultura axumita passa a tomar corpo a partir do séc. III a. C. de modo gradual e lento parecendo ter inicialmente como origem a cultura do iemenita, deixando para trás o passado sul arábico no seu idioma, grafia e os meios de artesanato, sua cultura era voltada aos novos tipos de formas, cores e desenhos com novas espessuras onde os grupos carregavam traços da cultura sul arábica fo ram identificados como os mesmos que levavam consigo a cultura agrária, especialmente o arado” ( p. 414)
A cultura pré axumita é milenar da idade da pedra antes de Cristo, e teve sua representação nas pinturas rupestres nas pedras, criação de animais e agricultura que representava a vida sedentária. Os axumitas conservavam alguns santuários e vários monumentos que hoje em dia foram transformados em igreja. Cada escultura representa um significado dos valores éticos, morais, políticos, filosóficos e da ancestralidade em diferentes contextos históricos do país (MOKHTAR, 2010, p.415)
	
A cultura de Axum era fortemente influenciada pela cultura grega por causa de suas relações e isso começava a fazer-se presente no seu meio cultural e social como por exemplo a cunhagem de moedas com a imagem dos soberanos de um lado e do outro com imagens da conversão ao cristianismo e grafadas em alfabeto grego e gu’éz. Desde Ptolomeu o grego instalou-se no mar Vermelho, como a língua do comércio. Isso explica o porquê de estarem em grego todas as inscrições dos primeiros reis de Axum. (Ibid, p.417)
	
	
O alfabeto antigo pertencia ao tipo sul-arábico, porém  a escrita axumita diferia dele, apesar de ser sua derivada,   passou de arcaica para sofisticada e agora era escrita da direita para a esquerda, as palavras passaram a ser escritas separadamente e posteriormente por dois pontos verticais dando uma verdadeira noção vocálica da representação do fonema[footnoteRef:11]; também foram influenciados pelos abexim que contribuíram para o sistema numérico e com os principais algarismos. [11: Fonema e a menor unidade sonora de uma lingua] 
A população axumita habitava a região do chifre da África e sua herança social e cultural se faz presente nas pinturas rupestres situadas no norte da Eritreia, por ser um povo que sobrevivia do comércio, era natural que sabiam lidar com todo tipo de artesanato e manufacturas de outras localidades, principalmente pelo manuseio das cerâmicas, onde trabalhavam suas superfícies com varias tonalidades, estilos, formas, tamanhos e com a técnica de mistura de cores onde predominavam as cores branco e vermelho. A cultura de Axum tinha como base a fundação o porto de Adulis. (SILVA, 1992, p. 193)
6. Religião
Um dos acontecimentos mais importantes da história do reino de Axum foi a conversão do Rei Ezana ao cristianismo, no século IV, através de um monge cristão de origem fenícia, chamado Frumêncio que depois foi bispo de Axum e considerado santo. Após a conversão do rei Ezana, toda a região da Etiópia e grande parte da região da Núbia receberam forte influência do cristianismo e a maior parte da população também se converteu, tornando Axum um império eminentemente cristão. Antes de sua conversão ao cristianismo, o povo adoptava uma religião própria que tinha nos elementos da natureza o alvo de seu culto o símbolo desta religião aparece nas moedas do reino, uma lua crescente, com as pontas para cima. Uma percentagem considerável dos súbditos de Axum cultuava ainda o judaísmo, praticado na Etiópia actual por menos de 1% da população total. Uma das características desta fase de conversão ao cristianismo é a construção das famosas onze Igrejas, que foram esculpidas em rochas, no solo. Essas Igrejas são consideradas património histórico da humanidade e fazem parte da tradição da Igreja Ortodoxa Etíope. Além das Igrejas, várias outras construções do reino de Axum são notáveis, tais como obelisco, imensas torres de pedra, tumbas e outros templos na época anterior à conversão ao cristianismo. O reino de Axum continuou imponente até o século XI d.C., época em que o islamismo já havia se expandido pela Península Arábica e conquistado boa parte do território que os axumitas dominavam. (M’BOKOLO, 2012, p. 101)
7. Conclusão 
No final do trabalho o grupo conclui que o império Axum tinha 4 classes sociais diferentes, onde encontrávamos no topo nobreza que era a classe dirigente e rica em seguinte encontramos os comerciantes que era também muito rica, os plebeus que eram a camada comum da população e a classe do escravos que trabalham como agricultores. 
Na organização política o reino de Axum era dividido em principados onde governava em cada principado um príncipe e existia o monarca que eram o soberano de todo o império. Axum se destacava por ter relações mercantis com outros povos e era muito diplomática, isto é, qualquer que fosse a situação optavam pela diplomacia, e forma uma das primeiras nações a cunhar imagens dos seus regentes nas moedas. 
A agricultura e a criação de animais eram a base da economia de Axum, quanto mais se desenvolvia começou a intensificar-se o comércio. O império Axum desenvolveu a escrita gu’éz que era derivada do alfabeto sul-arábico. Os axumitas primeiramente adoravam forças da natureza como os astros, mas no século IV o rei Ezana converteu-se ao cristianismo. 
8.BibliografiaFAZ, Mohammed El. África do século VII ao XI. Brasília: UNESCO,2010.
M’BOKOLO, Elikia. África negra: historia e civilização ate o século XVIII. Lisboa: edições colibri, 2012
MOKHTAR, Gamal. História geral da África, II: África antiga. Brasília: UNESCO, 2010. 
NIANE, Djibril Tamsir. Africa do seculo XII a XVI, 2ª ed. Brasília: UNESCO, 2010.
SILVA, Alberto da Costa. A enxada e a Lança., Nova Ventura. Rio de Janeiro, 1992.

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