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Artigo_02_Análise da proteção à vítima de acidente do trabalho (1)

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1 de 7 18/08/2015 19:02
Trabalho
Análise da proteção à vítima de acidente do trabalho: aspectos jurídicos e sociais
Fernanda Ferreira Ruiz
Resumo: O presente estudo investiga a proteção jurídica do Estado à vítima de acidente do trabalho. Apresenta breve apreciação histórica e legislativa da proteção
acidentária em âmbito nacional e internacional. Expõe o conceito legal e doutrinário de acidente do trabalho e discorre sobre seu impacto social. Aborda o sistema de
seguridade e previdência social e os fundamentos da proteção ao acidentado com base nos princípios constitucionais, destacando sua importância social e suas
consequências. Discorre sobre os benefícios previdenciários decorrentes do infortúnio e outras medidas assecuratórias de direitos da vítima do infortúnio.
Palavras-chave: Acidente do trabalho. Seguridade Social. INSS. Benefícios acidentários.
Abstract: The present paper investigates the legal state protection to the victim of a work accident. Presents brief historical and legislative consideration of accidental
protection nationally and internationally. Exposes the legal and doctrinal concept of work accident and discoore on the social impact of the event. Addresses the system of
social security and welfare and the fundamentals of protecting the victim based on constitutional principles, emphasizing its social importance and its consequences.
Discusses the pension benefits of misfortune and other measures that assecurate rights of the victim of misfortune.
Key words: Work Accidents. Social security. INSS Acidents related benefits.
Sumário: Introdução. 1. Evolução histórica e legislativa da proteção do trabalhador em face do acidente do trabalho. 1.1. Evolução legislativa da proteção em face do
acidente do trabalho no Brasil. 2. Conceito e características de acidente do trabalho. 3. Proteção à vítima de acidente do trabalho. 3.1. Previdência Social. 3.2. Comentários
sobre o seguro contra acidentes do trabalho e a ação regressiva do INSS. 3.3. Prestações provenientes do acidente do trabalho. 3.3.1. Do serviço de reabilitação profissional.
3.3.2. Benefícios acidentários. 3.3.2.1. Auxílio-doença acidentário. 3.3.2.2. Aposentadoria por invalidez acidentária. 3.3.2.3. Pensão por morte acidentária. 3.3.2.4. Auxílio-
acidente. Conclusão.
Introdução
A temática acidente do trabalho é atual e de grande relevância não só no Brasil como em âmbito internacional. Mostra-se frequente a ocorrência de acidentes laborais, o
que gera impacto não exclusivamente à pessoa do acidentado e sua família, mas também às empresas e aos Estados, atingindo, por conseguinte, toda a sociedade.
De acordo com dados da OIT, anualmente, no mundo, ocorrem aproximadamente 270 milhões de acidentes do trabalho, além de aproximadamente 160 milhões de casos de
doenças ocupacionais (DIESAT, 2010). Diariamente, os acidentes fatais atingem cerca de 6.300 trabalhadores, incluindo as mortes decorrentes de doenças relacionadas com
trabalho, alcançando o patamar de mais de 2,3 milhões de mortes por ano (BRASIL, 2010).
O investimento em prevenção de acidentes do trabalho é imprescindível. O implemento de medidas nesse sentido garante a saúde do trabalhador, o qual, muitas vezes,
submete-se a condições de risco por ter necessidade de manter-se no emprego. Essa situação não justifica a prática de atividade laborativa que coloque em risco o
empregado, em detrimento a princípios constitucionais como o da saúde e o da dignidade da pessoa humana (BRANDÃO, 2006).
No Brasil existem várias normas que visam a proteção do trabalhador e de sua saúde. O país é signatário da convenção 155 da OIT, que consagra a tendência “de maior
respeito à pessoa do trabalhador de modo a lhe garantir bem-estar no ambiente de trabalho” (BRANDÃO, 2006, p. 32). Porém, a realidade não coaduna com esse sistema
protetivo. Ocorrem muitos acidentes do trabalho que causam danos, por vezes irreversíveis, para o acidentado e sua família, prejudicando também a empresa e atingindo
toda a sociedade, que arca com as consequências do infortúnio. Os fatos narrados justificam a importância de pesquisas nessa área.
Inicia-se o artigo com um breve relato da evolução histórica e legislativa da proteção ao trabalhador. No capítulo seguinte apresenta-se o conceito legal e doutrinário de
acidente do trabalho. No último capítulo analisam-se os aspectos da proteção previdenciária à vítima de acidente do trabalho.
Nesse contexto, demonstra-se por meio de dados estatísticos a ocorrência de acidentes do trabalho no Brasil, sendo apresentadas as consequências do infortúnio, tanto para
a figura do empregado, quanto para a figura do empregador. Por fim, são expostas as características e os requisitos dos benefícios aos quais faz jus a pessoa do trabalhador
acidentado.
1 Evolução histórica e legislativa da proteção do trabalhador em face do acidente do trabalho
A ideia de proteção acidentária remonta a metade do século XVIII e início do século XIX. Surge durante a Revolução Industrial na Europa e está relacionada ao
desenvolvimento do capitalismo. As mudanças tecnológicas provenientes desse período culminaram em uma reestruturação do processo produtivo, que gerou impacto sem
precedentes em âmbito social, político e econômico.
As novas formas de produção, unidas ao ideal liberal, que pregava a livre iniciativa e a livre concorrência do mercado sem a intervenção do Estado nas relações econômicas,
propiciou um campo fértil para o fortalecimento do sistema capitalista. Esse fato resultou na acumulação de capital nas mãos dos detentores dos novos meios de produção, a
saber: as máquinas.
Inicialmente, tem-se na Revolução Industrial a promessa de melhor condição de vida ao homem. Segundo Horvath Júnior (2010) a época era de esperança e promessa de
trabalho para todos, com a melhoria dos rendimentos. Nessa fase, houve um intenso deslocamento da população rural para os grandes centros urbanos, em busca de
emprego.
Contudo, logo se percebeu que a produção através das máquinas substituía a força de trabalho humana, conduzindo à redução da necessidade de obreiros. O aumento do
desemprego e o processo de degradação social foi consequência dessa nova realidade de desvalorização do trabalhador e do crescimento da população em centros urbanos
que não dispunham de infraestrutura adequada.
Brandão (2006) aponta que o trabalhador passou a ser visto como uma mercadoria, sendo que seu valor era determinado pela oferta e pela demanda. Não pairava sobre ele
nenhum tipo de proteção, principalmente do Estado, que não interferia nas relações entre o trabalhador e o patrão.
De acordo com Rocha (2004), o crescente processo de industrialização, propiciado pela Revolução Industrial, trouxe benefícios apenas para uma pequena parcela da
população. Essa pequena parcela cresceu com base na exploração dos trabalhadores. O acirramento da Revolução Industrial conduziu à formação de duas classes
antagônicas: o proletariado e os detentores dos meios de produção.
Como consequência da ampliação da economia de mercado, no final do século XVIII, houve a redução dos salários dos trabalhadores que se submetiam às situações adversas
e às jornadas excessivamente prolongadas para garantir uma vaga de emprego, sendo comum, ainda, o labor de mulheres e crianças em condições subumanas (BRANDÃO,
2006).
Aqueles que conseguiam uma colocação no mercado eram apresentados a um ambiente de trabalho hostil e insalubre. Segundo Martins (2010), longas jornadas de trabalho
nas fábricas e o manuseio das máquinas, sem nenhum tipo de proteção, resultavam em inúmeros acidentes de trabalho, aumentando o número de trabalhadores mutilados,
quando estes não vinham a falecer.
Oliveira (2001, p. 60-61) ilustra a situação com as seguintes palavras: “O incremento da produção em série deixou a mostra a fragilidade do homem