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1. PRODUÇÃO E CONSUMO BRASILEIRO
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a produção de grãos para a safra 2016/17 foi estimada em 222,91 milhões de toneladas, observando-se um crescimento de 19,5% em relação à safra 2015/16, que equivale a 36,3 milhões de toneladas. A Sociedade Nacional da Agricultura (SNA) aponta que o Brasil é o maior produtor e consumidor de feijão Phaseolus do mundo, com aproximadamente 3,2 milhões de toneladas ao ano, ao lado de outras leguminosas como lentilha, ervilha e grão-de-bico.
Produção e consumo nacional de feijão continuam os mesmos há mais de 10 anos.
Embora faça parte da mesa de quase todas as famílias brasileiras, há mais de dez anos, a produção agrícola e o consumo de feijão no país continuam os mesmos, principalmente porque não conta, atualmente, com novas políticas voltadas para esse setor. É o que afirma Marcelo Eduardo Lüders, presidente do Conselho do Instituto Brasileiro de Feijão & Pulses (Ibrafe): “O consumo só não aumenta porque estamos produzindo, ​há mais de uma década, a mesma quantidade de feijão. Dessa forma, desapareceram estoques estratégicos que, antes, eram mantidos pelo governo. Ainda importamos, principalmente, feijões pretos”. Conforme Lüders, o maior de todos os gargalos desse importante setor agrícola, ao menos para o mercado interno, é a produção de um feijão que só o Brasil produz e consome: o carioca.
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA): 
Sabe-se que o consumo de feijão varia conforme a região, local de moradia e condição financeira do consumidor, com o tipo e cor de grãos entre outros aspectos. De uma forma simplificada, pode-se dizer que o consumo médio per capita de feijão na década de 1960 foi de 23 kg/habitante/ano, enquanto nas décadas de 1970, 1980 e 1990 foi, respectivamente de, 20, 16 e 17 kg/habitante/ano. Por outro lado, enquanto no período de 1974 a 1975, o consumo metropolitano per capita foi de 16,5 kg/ ano, o consumo rural foi quase o dobro, 32 kg/ ano.
O consumo per capita médio mensal de feijão nas capitais dos Estados da região Centro-Oeste é cerca de 34% maior nas classes de renda mais baixas quando comparando com as classes de renda acima de 10 salários mínimos. Em termos absolutos isso significa redução de 400 gramas por mês. Nesses locais, o depoimento de 85% dos consumidores foi de que manteriam o consumo de feijão mesmo se ocorresse um aumento do preço do produto.
Alguns estudos mostram que o processo de urbanização explica mais da metade da redução no consumo no período compreendido entre meados da década de 1970 e final dos anos 80. De acordo com o senso 2000, cerca de 81% da população brasileira estava concentrada nas cidades, que abrigam 137 milhões de pessoas. Entre outros fatores, essa rápida urbanização, associada à acentuada inserção da mulher no mercado de trabalho, provocaram um efeito acentuado nas mudanças do hábito alimentar da população e originaram novas demandas quanto a qualidade, apresentação, facilidade e menor tempo de preparo dos alimentos. Outros estudos indicaram que, no período de 1974 a 1988, a redução no consumo de feijão deveu-se à mudança no hábito alimentar e não ao fator preço.
Embora não se disponha de dados recentes, sabe-se que na década de 1960 de 40% do consumo total era de produto não comprado, obtido, principalmente de produção própria, além de doações dos produtores para familiares ou de troca por outros tipos de mercadorias com membros da comunidade local. Esse fenômeno, denominado de autoconsumo, ainda representa expressiva participação no consumo total, sendo típico de áreas rurais, e também contribui para dificultar o conhecimento do real consumo de feijão no Brasil.
 Os economistas afirmam que o produto tem elasticidade de renda negativa, ou seja, à medida que a renda do consumidor aumenta o consumo do produto diminui. Por sua vez, outros afirmam que ocorreu um crescimento do preço real do feijão em comparação a outros alimentos. Outros ainda apontam a dificuldade de preparo caseiro e o tempo de cozimento que se contrapõe à necessidade de redução do tempo de trabalho doméstico. Além disso, há maior número de pessoas fazendo suas refeições fora do lar e a substituição do feijão por outras fontes de proteína, principalmente as de origem animal.
O cenário socioeconômico para a cadeia produtiva do feijão sugere que seus atores devem buscar alternativas mais adequadas às exigências do consumidor. Nesse contexto, pode-se citar a agregação de valor via processamento, oferecendo produtos semiprontos, como também a oferta de feijão orgânico. Outra alternativa em discussão, gira em torno da necessidade do país de aumentar suas exportações, visto que o feijão aparece como um produto potencial para conquistar o mercado internacional, ainda bastante restrito.