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A po io At er ra me nt os e lé tr ic os Esta série de fascículos sobre aterramento elétrico tem o objetivo de levar ao conhecimento do leitor, da forma mais simples possível, os as untos que foram ou estão sendo tratados pela CE (Comissão de Estudos) – 102.01 do Cobei (Comitê Brasileiro de Eletricidade, Eletrônica, Iluminação e Telecomunicações), com a HISTÓRICO com um escopo de trabalho bastante amplo que, na ocasião, gerou a criação de cinco GTs (Grupos de Trabalho), a saber: GT1 – GT2– Medição da resistência de aterramento e dos potenciais na superfície do solo. O trabalho deste grupo resistência de aterramento e dos potenciais na superfície GT3 – Projeto para aterramento de sistemas de distri buição GT4 – Medição da resistividade e determinação da Medição da resistividade de solo pelo método dos quatros dar sua contribuição: http://www.abntonline.com.br/ GT5 – Sistemas de aterramento de subestações – Capítulo I Aterramento elétrico data da publicação da ABNT NBR 15751 – Sistemas de aterramento de subestações – Requisitos. Com o andamento dos trabalhos de confecção/revisão dos novos grupos: GT6 – Grupo destinado a aglutinar assuntos correlatos GT7 – GT8 – continuam seu trabalho para que os assuntos mencionados revisado, solicitamos à CE 102.01 que, sempre que participarem. PLANO DE TRABALHO Nosso plano inicial é tratar de assuntos distintos a a norma ou com o projeto de norma correspondente, que proporcione ao leitor interessado embasamento para Jobson Modena e Hélio Sueta * A po io aprofundar seu conhecimento. Nessa linha de raciocínio, os assuntos inicialmente em foco para desenvolvimento, não necessariamente na ordem apresentada, serão: PRINCIPAIS TERMOS E DEFINIÇÕES trabalho, relacionados a seguir, têm fonte em uma ou mais normas da o objetivo deste trabalho. [ABNT NBR 5410, 3.3.1] equipotencialização: Procedimento que NOTA: A equipotencialização é um recurso usado na proteção contra choques elétricos e na proteção contra sobretensões e perturbações eletromagnéticas. Uma determinada equipotencialização pode ser sob o ponto de vista da proteção contra perturbações eletromagnéticas. [ABNT NBR 5410, 3.3.2] barramento de equipotencialização principal (BEP): Barramento destinado a servir de via de interligação de todos os elementos que COMENTÁRIO COMPLEMENTAR: A equipotencialização deverá ser sempre encarada do ponto de vista técnico (como um conjunto de medidas a serem implementadas para minimizar diferenças de etimologia da palavra não deve ser considerada. A po io At er ra me nt os e lé tr ic os NOTA: A designação “barramento” está associada ao papel de via de [ABNT NBR-5410, 3.3.3] barramento de equipotencialização suplementar ou barramento de equipotencialização local (BEL): Barramento destinado a servir de via de interligação de todos os [ABNT NBR 5419, 3.11] subsistema de aterramento: Parte do SPDA NOTA: Em solos de alta resistividade, as instalações de aterramento descargas atmosféricas ocorridas nas proximidades. [ABNT NBR 5419, 3.12, ABNT NBR 15749, 3.4, ABNT NBR 15751, 3.9 e ABNT NBR 7117, 3.2] eletrodo de aterramento: Elemento ou conjunto de elementos do subsistema de aterramento que assegura o contato elétrico com o solo e dispersa a corrente de descarga atmosférica na terra. [ABNT NBR 5419, 3.13] eletrodo de aterramento em anel: Eletrodo de aterramento formando um anel fechado em volta da estrutura. [ABNT NBR 5419, 3.14] eletrodo de aterramento de fundação: Eletrodo de aterramento embutido nas fundações da estrutura. [ABNT NBR 5419, 3.15, ABNT NBR 15749, 3.9 e ABNT NBR 15751, 3.15] resistência de aterramento de um eletrodo: Relação entre a tensão medida entre o eletrodo, o terra remoto e a corrente injetada no eletrodo. [ABNT NBR 5419, 3.16] tensão de eletrodo de aterramento: Diferença de potencial entre o eletrodo de aterramento considerado e o terra de referência. [ABNT NBR 5419, 3.17, ABNT NBR-15751, 3.26 e ABNT NBR-7117, 3.1] terra de referência (de um eletrodo de aterramento): Região a diferença de potencial entre dois pontos quaisquer, causada pela [ABNT NBR 5419, 3.20] massa (de um equipamento ou instalação): eletricamente interligadas, e isoladas das partes vivas, tais como [ABNT NBR 15749, 3.1, ABNT NBR 15751, 3.1 e ABNT NBR 7117, 3.5] aterramento: ligação intencional de parte eletricamente condutiva à terra, por um condutor elétrico. [ABNT NBR 15749, 3.2, ABNT NBR 15751, 3.3 e ABNT NBR 7117, 3.3] condutor de aterramento: de uma instalação que deve ser aterrada e o eletrodo de aterramento. [ABNT NBR 15749, 3.3, ABNT NBR 15751, 3.5 e ABNT NBR 7117, 3.16] corrente de interferência: (no processo de medição de resistência de aterramento e de resistividade do solo) qualquer corrente estranha ao [ABNT NBR 15749, 3.4 e ABNT NBR 15751, 3.9] eletrodo de aterramento: Elemento ou conjunto de elementos do sistema de aterramento que assegura o contato elétrico com o solo e dispersa a corrente de defeito, de retorno ou de descarga atmosférica na terra. [ABNT NBR 15749, 3.5 e ABNT NBR 7117, 3.6] eletrodo natural de aterramento: Elemento condutor ligado diretamente à terra cuja naturalmente como eletrodo de aterramento. [ABNT NBR 15749, 3.6, ABNT NBR 15751, 3.12 e ABNT NBR 7117, 3.7] malha de aterramento: conjunto de condutores nus, interligados e enterrados no solo. [ABNT NBR 15749, 3.7, ABNT NBR 15751, 3.13 e ABNT NBR 7117, 3.8] potenciais perigosos: Potenciais que podem provocar danos quando aplicados ao elemento tomado como referência. [ABNT NBR 15749, 3.8 e ABNT NBR 15751, 3.14] potencial transferido: Valor do potencial transferido para um ponto remoto de um dado sistema de aterramento. [ABNT NBR 15749, 3.10, ABNT NBR 15751, 3.17 e ABNT NBR 7117, 3.14] resistividade aparente do solo: Resistividade vista por um sistema de aterramento qualquer, em um solo com característica de resistividade [ABNT NBR 15749, 3.11 e ABNT NBR 7117, 3.13] resistividade elétrica do solo ou resistividade do solo: Resistência entre faces opostas cuja aresta mede uma unidade de comprimento. [ABNT NBR 15749, 3.12 e ABNT NBR 7117, 3.15] resistividade média do solo a uma dada profundidade: Valor de resistividade resultante da avaliação das condições locais e do tratamento estatístico dos resultados COMENTÁRIO COMPLEMENTAR: A principal característica que diferencia o BEL de uma equipotencialização suplementar é que, guardados certos cuidados com a execução da instalação (evitando laços), o BEL necessariamente deverá ter uma ligação direta local com o eletrodo de aterramento, independentemente daquela já realizada via BEP. COMENTÁRIO COMPLEMENTAR: O termo foi repetido em função COMENTÁRIO COMPLEMENTAR: É a parte enterrada do sistema de aterramento. A po io At er ra me nt os e lé tr ic os Jobson Modena é engenheiro eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB-3 da ABNT, em que participa atualmente como coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419). É diretor da Guismo Engenharia. Hélio Sueta é engenheiro eletricista, professor do IEE/USP, secretário da comissão de estudos que revisa a ABNT NBR 5419:2005 e coordenador do Comitê Brasileiro Eletricidade (Cobei) Continua na próxima edição de diversas medições de resistividade do solo para aquela profundidade, considerado representativo das características elétricas do solo. [ABNT NBR 15749, 3.13, ABNT NBR 15751, 3,20 e ABNT NBR 7117, 3.4] sistema de aterramento: Conjunto de todos os eletrodos e condutores de aterramento, interligados ou não entre si, assim como [ABNT NBR 15749, 3.14, ABNT NBR 15751, 3.23 e ABNT NBR 7117, 3.9] tensão de passo: Diferença de potencial entre dois pontos da superfície do solo separados pela distância de um passo de uma pessoa, considerada igual a 1,0 m. [ABNT NBR 15749, 3.15, ABNT NBR 15751, 3.24 e ABNT NBR 7117,3.10] tensão de toque: Diferença de potencial entre uma estrutura [ABNT NBR 15749, 3.16, ABNT NBR 15751, 3.25 e ABNT NBR 7117, 3.11] tensão máxima do sistema de aterramento: que um sistema de aterramento pode atingir relativamente à terra de referência, quando houver ocorrência de injeção de corrente de defeito, de retorno ou de descarga atmosférica para o solo. [ABNT NBR 15749, 3.17, ABNT NBR 15751, 3.20 e ABNT NBR 7117, 3.12] terra de referência para um eletrodo de aterramento (ou ponto remoto): um eletrodo ou sistema de aterramento tal que a diferença de potencial entre dois de seus pontos quaisquer, devido à corrente que circula pelo eletrodo [ABNT NBR 15751, 3.2] circuito terra: Circuito elétrico formado pelos terra (ou de uma fração dela) para o solo. [ABNT NBR 15751, 3.4] corrente de falta: condutor para outro e/ou para a terra, no caso de uma falta e no [ABNT NBR 15751, 3.6] corrente de malha de longa duração Imld: Corrente que percorre a malha de terra por um tempo superior a 3 s, podendo causar tensões de passo e toque perigosos aos seres vivos que circulem na região da malha e arredores. Esta corrente em geral é [ABNT NBR 15751, 3.7] corrente de malha: Parcela da corrente de falta dissipada pela malha de aterramento para o solo. [ABNT NBR 15751, 3.10] falta (elétrica): Contato ou arco acidental entre partes sob potenciais diferentes e/ou de uma ou mais dessas partes [ABNT NBR 15751, 3.11] haste de aterramento: Eletrodo de aterramento constituído por uma haste rígida cravada no solo. [ABNT NBR 15751, 3.16] resistividade aparente do solo para um dado espaçamento: Valor da resistividade resultante da avaliação das condições locais e do tratamento estatístico dos resultados de diversas medições de resistividade do solo para aquele espaçamento, efetuadas representativo das características elétricas do solo. [ABNT NBR 15751, 3.19] sistema aterrado: Sistema ou parte de um sistema elétrico cujo neutro é permanentemente ligado à terra. [ABNT NBR 15751, 3.21] sistema diretamente aterrado: Sistema aterrado sem interposição intencional de uma impedância. [ABNT NBR 15751, 3.22] subestação: Parte de um sistema de potência, concentrada em um dado local, com os respectivos dispositivos de manobra, controle e proteção, incluindo as obras civis e estruturas de montagem, podendo incluir também transformadores, equipamentos conversores e/ou outros equipamentos. [ABNT NBR 15751, 3.27] terra: certamente serão apresentados para complementar este fascículo, dos seguintes. COMENTÁRIO COMPLEMENTAR: O termo foi repetido em função A po io At er ra me nt os e lé tr ic os O assunto “projeto de eletrodo de aterramento (malhas) em subestações de energia elétrica” é relativamente extenso e será apresentado em mais de um capítulo. Neste, serão mostrados alguns aspectos recomendados pela norma ABNT NBR 15751- 2009: Sistemas de aterramento de subestações – dimensionamento do sistema de aterramento de subestações de energia elétrica acima de 1 kV, quando sujeito a solicitações em frequência industrial. Além disso, a norma estabelece os limites de segurança para pessoas e instalações dentro e fora dos limites da subestação. Modelagem do solo Um dos primeiros passos para o projeto de aterramento de uma subestação de energia elétrica é a obtenção de dados para a modelagem do solo. De forma geral, a determinação de um modelo matemático equivalente para o solo em uma dada região onde será implantada a subestação exige a realização de diversas medidas, dentre elas a execução de medições para a determinação de um parâmetro conhecido por resistividade do solo. entre as faces opostas (ambas metálicas) de um cubo de aresta unitária, preenchido com material retirado do local. A resistividade depende do tipo, da umidade, da temperatura, da salinidade, da contaminação e da compactação do solo, entre outras variáveis. Estas medições, geralmente realizadas com um terrômetro Capítulo II Projeto de eletrodos de aterramento para subestações de energia elétrica Jobson Modena e Hélio Sueta * de quatro terminais (dois externos para corrente e dois internos para tensão), conjuntos de cabos e hastes auxiliares, devem ser realizadas em um período do ano em que a umidade no solo seja a menor possível. É importante também que, preferencialmente, o local já tenha sido terraplanado e compactado, ou seja, esteja no momento exato entre a preparação para receber as instalações e o início das obras. O ideal seria efetuar mais de um conjunto de medições em diferentes épocas do ano. O método de ensaio mais conhecido para obtenção de valores de resistência por metro que possibilitem calcular a resistividade do solo é o “Método de medição por contato com o arranjo de Wenner”. Este método consta da NBR 7117, cujo projeto deve entrar em votação nacional ainda neste trimestre. Descrição do método de medição por contato (arranjo de Wenner) no solo, alinhados e dispostos simetricamente em relação a um ponto de origem (A) e espaçados entre si por uma distância (d), todos a uma mesma profundidade (p). Basicamente, pelos eletrodos externos faz-se circular corrente (I) e, entre os dois eletrodos internos, é medida a tensão (V). A relação (V/I) fornecerá a a resistividade do solo até uma profundidade aproximadamente igual à distância (d) entre os eletrodos, segundo a equação: A po io Por exemplo, se o espaçamento (d) for de 4 metros e os eletrodos forem cravados a uma profundidade p = 20 cm, a for de 1 metro, haveria que se cravar o eletrodo a 10 cm ou menos, o que, via de regra, não é suficiente para se obter um contato adequado entre o eletrodo de ensaio e o solo. Um conjunto de leituras na mesma direção (em linha) geralmente tomadas para d = 1, 2, 4, 8, 16, 32 e se o local permitir, até 64 e 128 m, indica como varia a resistividade do solo em função da profundidade. Podem ser utilizadas distâncias intermediárias entre eletrodos desde que repetidas durante todo o ensaio. Note que a resistência de contato dos eletrodos de potencial pode influenciar nos resultados. Em alguns instrumentos, há compensação automática para tais influências, em outros, podemos ajustar esses valores. Geralmente, os fabricantes dos instrumentos fornecem nos catálogos dos produtos as informações necessárias. As medições de resistividade devem cobrir toda a área em que o eletrodo (malha) for instalado. O número de pontos em que deverão ser efetuadas estas medições é função das dimensões do terreno. A nova NBR 7117 trará uma série de configurações permitidas. A partir da análise dos resultados obtidos no local, podem ser necessárias medições com outras configurações. O maior número de dados possível a respeito do local deve ser fornecido, como tipo do solo (terraplenado, compactado), características da camada (visível), interferências encontradas, umidade do solo, clima em que se deu a medição (chuvoso ou seco); identificação com um croqui o local e as direções em que foram realizadas as medições. Para locais com grandes dimensões, basta dividir esses locais em segmentos e repetir a prática descrita para cada fração de terreno. Além da área, outros aspectos devem ser observados na determinação do número de medições: medir separadamente a resistividade nos diferentes tipos de terreno existentes; de medição para uma mesma distância entre eletrodos; A po io At er ra me nt os e lé tr ic os ser o número de linhas de medição; de resistividade com desvio superior a 50% em relação ao valor médio das medições realizadas podem vir a caracterizar uma subárea específica, devendo ser realizadas medições complementares ao seu redor para ratificação do resultado. Se isso não for possível, considerar a conveniência de descartar a linha de medição. No caso de aterramentos em linhas de transmissão e distribuição e subestaçõesunitárias, as medições devem ser efetuadas nas direções dos seus eixos. áreas de medição pode ocasionar erros sensíveis nos valores obtidos. Um dos fatores que indica a presença de interferências externas pode ser caracterizado pela não variação do valor da resistência medida para os diversos espaçamentos. Devem ser considerados os seguintes critérios na análise de risco prévia ao ensaio: tendo-se em vista a possibilidade da incidência de raios; compatíveis com o tipo e o local da medição a ser realizada; local; A interpretação dos resultados obtidos no campo é a parte mais crítica do processo e, consequentemente, necessita de maiores cuidados na sua validação. A variação da resistividade do solo pode ser grande e complexa em função da sua heterogeneidade, exceto para alguns casos pode-se estabelecer uma equivalência simples com os valores apresentados a seguir. Esta tabela é uma fração da existente no texto do projeto da NBR 7117 e apresenta valores típicos de resistividade do solo ( Tipos de solo Água do mar Lama, limo, húmus Água destilada Argila Calcário Areia Basalto Concreto Menor do que 10 Até 150 300 300 – 5.000 500 – 5.000 1.000 – 8.000 A partir de 10.000 Molhado (*): 20 – 100 Úmido: 300 – 1000 Estabelecendo a geometria básica da malha Particularmente no caso da subestação de energia elétrica, o eletrodo de aterramento é muito importante para a proteção da instalação, principalmente nas condições de falta para terra, em que os desequilíbrios causados pelas correntes de curto- circuito podem comprometer a segurança da rede elétrica, não desligando adequadamente o trecho afetado da rede. Na subestação, o aterramento do neutro do transformador e das massas metálicas fornece um caminho de retorno de baixa impedância para essa corrente de curto-circuito, o que possibilita a maior segurança na operação da proteção. Dessa forma, o projeto do sistema de aterramento de uma subestação é definido para a condição de falta para a terra, sendo que o dimensionamento do condutor da malha está diretamente ligado à capacidade deste de suportar os esforços térmicos e dinâmicos oriundos das altas correntes de curto-circuito. Além disso, a geometria da malha deve ser adequada para que os potenciais de passo e de toque, causados pelo processo de dissipação das correntes da malha para o solo, estejam dentro de limites toleráveis e definidos pelas normas. Vale destacar que os termos “topologia, geometria, arranjo” do eletrodo (malha) de aterramento vêm sendo distorcidos ao longo do tempo, comprometendo assim seu conceito primário, por exemplo: o item 5.1.3.1.2 da ABNT NBR 5419:2005 prescreve que “para assegurar a dispersão da corrente de descarga atmosférica na terra sem causar sobretensões perigosas, o arranjo e as dimensões do subsistema de aterramento de aterramento. Entretanto, recomenda-se, para o caso de eletrodos não naturais, uma resistência de aproximadamente solo e a probabilidade de centelhamento perigoso. No caso de solo rochoso ou de alta resistividade, poderá não ser possível adotada deverá ser tecnicamente justificada no projeto.” (grifo nosso). Esta é uma condição clássica da má interpretação dos termos mencionados anteriormente, quando valores de resistência ôhmica são exigidos em detrimento da geometria do eletrodo (malha) de aterramento e da resistividade do solo em que ele está inserido. A utilização dos termos topologia, geometria ou arranjo de um eletrodo de aterramento deve ser entendida como sendo a configuração geométrica, a quantidade, a direção (horizontal, vertical ou inclinado), o espaçamento e o posicionamento dos condutores de um eletrodo (malha) de aterramento. As características mencionadas são as grandes responsáveis pela diminuição das tensões superficiais (passo e toque) perigosas em um eletrodo de aterramento e seus arredores quando massas metálicas são adequadamente interligadas a ele. A po io At er ra me nt os e lé tr ic os Dimensionamento do condutor da malha O condutor da malha de aterramento de uma subestação é dimensionado levando em conta os efeitos térmicos e mecânicos das correntes elétricas que por ele possam passar principalmente as correntes de curto-circuito. Para o dimensionamento mecânico, a norma ABNT NBR 15751:2009 indica as bitolas mínimas para condutores de cobre e de aço, que, neste caso, devem ser protegidos contra corrosão conforme as normas aplicáveis: não haja essa proteção, a ABNT NBR 5410:2008 e a ABNT NBR A norma apresenta ainda a Tabela 1 – Valores dos parâmetros para tipos de condutores mais utilizados em malhas de aterramentos. conexões existentes na malha. Um destes parâmetros é Tm que é obtido na ABNT NBR 15751 – Tabela 2 – Tipos de conexões e seus limites máximos de temperatura. Ao adquirir cabos de cobre, especialmente para esta finalidade (corrosão), é necessária uma verificação criteriosa, pois existem no mercado cabos sendo comercializados como “genéricos ou não normalizados”, cuja seção transversal real é bem inferior ao prescrito nas normas, por exemplo, para cabos de cobre de seção 50mm². A “versão genérica” possui seção inferior a 32 mm², comprometendo, dentre outros, o quesito tratado. Para o dimensionamento térmico, a ABNT NBR 15751 fornece a equação de Onderdonk, que permite o cálculo da seção do condutor. O condutor da malha de aterramento deve ter uma seção (S) capaz de suportar a circulação de uma corrente máxima (If), em quiloampères, durante um tempo (t) em que a temperatura se eleve acima de um valor-limite suportável (Tm), considerando uma temperatura ambiente (Ta) e que toda energia térmica fica retida no condutor devido à pequena duração da corrente de curto-circuito. A equação de Onderdonk é dada por: Em que: S é a seção expressa em milímetros quadrados (mm2); It é a corrente de falta fase-terra expressa em quiloampères (kA); t é o tempo expresso em segundos (s); t t 3 Tm Ta k0 ; k0 Tt Tipo do condutor Cobre (macio) Cobre (duro) Aço cobreado 40% Aço cobreado 30% Haste de aço cobreadoa Fio de alumínio Liga de alumínio 5005 Liga de alumínio 6201 Aço-alumínio Aço 1020 Haste de açob Aço zincado Aço inoxidável 304 Condutância % 100,0 97,0 40,0 30,0 20,0 61,0 53,5 52,5 20,3 10,8 9,8 8,5 2,4 t (20 °C) 0,003 93 0,003 81 0,003 78 0,003 78 0,003 78 0,004 03 0,003 53 0,003 47 0,003 60 0,001 60 0,001 60 0,003 20 0,001 30 Resistividade (20 °C) 1,724 1,777 4,397 5,862 8,62 2,862 3,222 3,284 8,480 15,90 17,50 20,1 72,0 0 (0 °C) 0,004 27 0,004 13 0,004 08 0,004 08 0,004 08 0,004 39 0,003 80 0,003 73 0,003 88 0,001 65 0,001 65 0,003 41 0,001 34 Temperatura de fusãoa (°C) 1 083 1 084 1 084 1 084 1 084 657 660 660 660 1 510 1 400 419 1 400 TCAP [J/(cm3×°C)] 3,422 3,422 3,846 3,846 3,846 2,556 2,598 2,598 2,670 3,28 4,44 3,931 4,032 a b ABNT NBR 15751 – Tabela 1 – Valores dos parâmetros para tipos de condutores mais utilizados em malhas de aterramentos. a b ABNT NBR 15751 – Tabela 2 – Tipos de conexões e seus limites máximos de temperatura. Conexão Mecânica (aparafusada ou por pressão) Emenda tipo solda oxiacetilênica Emenda com solda exotérmica Emenda à compressão Tm oC 250 450 850a 850b A po io JOBSON MODENA é engenheiro eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB-3 da ABNT, em que participa atualmente como coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419). É diretor da Guismo Engenharia. HÉLIO SUETA é engenheiro eletricista, mestre e doutor em Engenharia Elétrica, diretor da divisão de potência do IEE-USP e secretário da comissão de estudos que revisa a ABNT NBR 5419:2005. Continua na próxima edição As equações para o dimensionamento dos condutores indicam a corrente de curto-circuito plena (If).Na ocorrência de uma falta para terra, esta corrente irá circular pelo condutor de aterramento (rabicho) no ponto de ocorrência do curto-circuito e, ao chegar à malha, se subdividirá pelos diversos ramos da malha, proporcionalmente às resistências equivalentes no ponto de injeção da corrente. Dessa forma, existe a possibilidade de utilização de condutores de malha a ABNT NBR 15751 - Tabela 3 – Constantes Kf Conexão Mecânica (aparafusada ou por pressão) Emenda tipo solda oxiacetilênica Emenda com solda exotérmica Emenda à compressãoa kf 11,5 9,2 7,5 7,5 A norma apresenta também a Tabela 3 – Constantes Kf, que mostra os valores deste parâmetro para as conexões mais utilizadas Dessa forma, pode-se utilizar a seguinte equação para a determinação da seção do condutor: Em que: Kf é a constante para materiais considerando temperatura ambiente (Ta) de 40 °C. dimensionados para correntes inferiores à corrente de curto-circuito plena. Nos casos em que a temperatura de fusão da conexão for inferior à temperatura de fusão do condutor, utiliza-se a temperatura da conexão no cálculo da constante Kf . Na Tabela 3 encontramos os valores de Kf para o cobre, considerando o limite de fusão da conexão. Uma vez calculada a seção do condutor, tanto considerando o efeito mecânico como o térmico, deve-se utilizar o maior valor encontrado, sempre a favor da segurança. O tempo t deve ser escolhido de forma conservativa. Ele nos potenciais toleráveis de passo e toque. Como se pode notar, o assunto tratado neste fascículo terá futuros. Até lá. A po io At er ra me nt os e lé tr ic os O assunto “projeto de eletrodo de aterramento de subestações de energia elétrica” é relativamente extenso e teve parte de seu conteúdo abordado no fascículo anterior. Nessa oportunidade serão abordados aspectos complementares também recomendados pela ABNT NBR 15751-2009: Sistemas de aterramento de Subestações – Requisitos. A ênfase será dada aos seguintes temas: cálculo das tensões permissíveis, corrente de choque de longa duração, corrente de choque de curta duração, tensão de passo e tensão de toque. CÁLCULO DAS TENSÕES PERMISSÍVEIS A norma ABNT NBR 15751-2009 estabelece os valores máximos permissíveis para as tensões de passo e toque em condições locais preestabelecidas. Estes parâmetros são importantes para que um sistema de aterramento seja considerado seguro em uma condição de defeito na instalação elétrica. Relembrando, a tensão de passo é a diferença de potencial entre dois pontos da superfície do solo separados pela distância de um passo de uma pessoa, considerada igual a 1 metro (em função do sistema internacional de unidades). A tensão de toque é a diferença de potencial entre um objeto Capítulo III Projeto de eletrodo de aterramento (malhas) de subestações de energia elétrica: cálculos de tensões permissíveis, correntes de choque elétrico, tensões de passo e toque Jobson Modena e Hélio Sueta * metálico aterrado ou não e um ponto da superfície do solo separado por uma distância horizontal equivalente ao alcance normal do braço de uma pessoa. Essa distância é também convencionada igual a 1 metro. Os valores máximos permissíveis são estabelecidos em função do tempo de eliminação do defeito (t) e sentido, ressalta-se a importância dos diferentes tipos de recobrimento do solo, tanto no interior como na periferia das instalações. Em geral, estas coberturas são: solo natural (terra ou grama), brita, concreto, asfalto, etc. Conhecer as distâncias normalizadas para a A po io At er ra me nt os e lé tr ic os Tabela 1— Limite suportado pelos seres humanos de corrente elétrica. Figura 1 — Defeito com religamento. Figura 2 — Conceito de tensão de passo. A escolha do tempo de eliminação do defeito (t) deve ser feita de forma conservativa, levando-se em conta o tipo de proteção adotado e as características dos equipamentos de proteção utilizados. Devem ser considerados dois casos: defeitos com duração determinada pelo sistema de proteção, tendo em vista a corrente permissível pelo corpo humano, ou seja, a corrente de � � defeitos de longa duração que não sensibilizam os dispositivos de proteção considerando a corrente permissível pelo corpo humano por uma tensão de toque ou passo devido a uma corrente de defeito de longa duração. CORRENTE DE CHOQUE ELÉTRICO DE LONGA DURAÇÃO (Ichld ) Esta corrente corresponde ao máximo valor de corrente que Nesta equação, t corresponde à duração do choque. Este valor é estabelecido pela correlação feita com o tempo máximo (tm) que o dispositivo de proteção leva para eliminar a falta. No caso de haver religamento automático, com um intervalo de tempo (tr) inferior ou igual a 0,5 s, o tempo a ser considerado deve ser igual à soma dos tempos da falta inicial e das faltas subsequentes. Se o tempo de religamento for superior a 0,5 s, o tempo a ser considerado deverá ser o tempo máximo de uma das diversas faltas. A Figura 1 mostra como escolher o tempo t: Efeito do religamento no tempo utilizado para cálculo das tensões de passo e toque: TENSÃO DE PASSO Quando ocorre uma falta para a terra, a corrente de curto- tensões no solo. A malha de aterramento deve ser projetada de tal forma que as tensões de passo na subestação e suas redondezas não atinjam valores superiores aos permissíveis. A ABNT NBR 15751:2009 mostra a Figura 2 em que uma pessoa é representada por um circuito elétrico equivalente aos parâmetros resistivos envolvidos. A partir deste é apresentada uma Se a corrente atingir diretamente o músculo cardíaco, poderá atrapalhar o seu funcionamento normal. Os impulsos periódicos que, em condições normais, regulam as contrações (também chamadas sangue ao corpo. Mesmo após a interrupção da corrente que causou cessa mediante o uso de um aparelho chamado “desfribilador”. Os valores máximos de corrente de choque de longa duração suportados pelos seres humanos são dados na Tabela 1 da ABNT NBR 15751. CORRENTE DE CHOQUE ELÉTRICO DE CURTA DURAÇÃO ( Ichcd ) A corrente de choque de curta duração é calculada pela seguinte equação: Homens 9 mA 16 mA 6 mA 10,6 mA chld) Ichcd = 0,116 t i im t1 tr tr t3 tt2 in se tr m = t1 + t2 + t3 se tr m = máx (t1 2 3) Ep Ichld Ichcd Ichld Ichcd Ep Rmp Rch Rp Rp A po io At er ra me nt os e lé tr ic os Rch ); Rp ); Rmp ); Ichcd Rmp ); b ( ) (V) dp s C mp Rp TENSÃO DE TOQUE Tabela 2 — Resistividade do material de recobrimento ( s). Material Brita n. 1, 2 ou 3 Concreto Asfalto Seco 1.200 a 280.000 2x106 a 30x106 Molhado 3 000 21 a 100 10x103 a 6x106 ( )Rp = s x C 4b Rmp = s 2 x x Rp Ep = Rch + 6 x s x C Ichcd A po io At er ra me nt os e lé tr ic os a 1 xm); Figura 3 — Conceito de tensão de toque. Figura 5 — Determina ão grá ca do fator de redu ão C. Figura — Resistividade do recobrimento da camada super cial. Ichld ou Ichcd Ichld ou Ichcd Et Rch Rp Rp C om po ne nt e En er gi za do (V) (V) (V) (V) K = 1 - s 1 - s s hs 0,00 0,10 K=0,7 K=0,6 K=0,5 K=0,4 K=0,3 K=0,2 K=0,1 K=0,0 C 0,10 0,15 0,20 0,25 hs0,05 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70 0,80 0,90 1,00 1,10 1,20 JOBSON MODENA HÉLIO SUETA Continua na próxima edição A po io At er ra me nt os e lé tr ic os Dando continuidade ao nosso trabalho, este capítulo trata do cálculo da corrente de malha e parâmetros envolvidos, ou seja, no caso da ocorrência de uma falta, a corrente que circula pelo condutor de aterramento é dividida por alguns trechos do circuito, além de sofrer redução de seu valor modular em função das impedâncias existentes na instalação até chegar ao eletrodo de aterramento. Nessas condições, a parcela que atinge e se distribui pelo eletrodo de aterramento é efetivamente menorque a corrente no ponto em que ocorreu a falta. O cálculo correto desse valor Capítulo IV Projeto de aterramento de malhas de subestações elétricas: cálculo da corrente de malha Jobson Modena e Hélio Sueta * Neutro Multiaterrado Acoplamento das fases com o neutro Acoplamento das fases com a blindagem dos cabos Blindagem dos cabos de potência e eventual condutor de acompanhamento Acoplamento das fases com o para-raios Eventuais contrapesos contínuos Malha de terra Malha da SE remota Torre ou poste de transmissãoPórtico Alimentador de distribuição Fases Fases Aterramento do neutro Poste de distribuição Para-raios Contrapeso projeto do sistema de aterramento, principalmente no que concerne ao quesito “materiais envolvidos” no eletrodo mantendo a margem de segurança. Quando tratamos do sistema de aterramento de uma subestação de energia podemos admitir que ele é constituído pelo eletrodo de aterramento (malha), pelos rabichos de aterramento e por todos os elementos metálicos e interconectados (cabos para-raios, torres e postes metálicos, blindagem de cabos de energia, condutores PEN ou neutro multiaterrado e eletrodos de aterramento circunvizinhos). A Figura 1 corresponde à Figura 6 da ABNT NBR 15751 e ilustra a descrição. Figura 1 – Principais elementos físicos a serem considerados em cálculos e simulações para o dimensionamento de uma malha de terra. A po io Para se dimensionar o eletrodo de aterramento deve-se considerar o circuito compreendido por condutores de fase, de neutro e a terra, mutuamente acoplados. As fases contribuem para a corrente de falta; o neutro (dependendo do esquema de aterramento adotado) e o eletrodo de aterramento são caminhos de escoamento dessa corrente (ou fração dela) para o solo. Quando ocorre uma falta de curta duração, a corrente de defeito (If) se divide por todo o sistema de aterramento, cabendo então a cada um dos componentes interligados a função da dispersão de partes da corrente. A parcela da corrente de falta que escoa para o solo pelo eletrodo de aterramento é denominada corrente de malha (Im). Uma parcela considerável deve ser atribuída às correntes que retornam ao sistema pelo eletrodo e que são provenientes de sistemas monofásicos com retorno pela terra ou qualquer com transformadores monofásicos ligados entre fase e neutro, transformadores trifásicos com primário em estrela aterrada, etc.). A essa parcela de corrente dá-se o nome de corrente de malha de longa duração (Imld). A ABNT NBR 15751 apresenta duas situações para a distribuição de Im pelos caminhos possíveis de retorno à fonte em sistemas de potência típicos quando há a ocorrência de uma falta. São mostrados sistemas de transmissão ou distribuição, radial, com alimentação unilateral. O ponto da falta está na subestação em que o eletrodo é analisado. Figura 2 – Sem cabo para-raios ou neutro (corresponde à Figura 7a da ABNT NBR 15751). A corrente If ui integralmente do eletrodo para o solo, então Im = If. Figura 3 – Com cabo para-raios ou neutro (corresponde à Figura 7b da ABNT NBR 15751). Além das correntes á vistas também são mostradas as correntes que uem pelo circuito formado pelos cabos para-raios e torres da linha de transmissão. Secundário do transformador Malha em análise Solo Secundário do transformador Malha em análise Solo Aterramento das torres ou postes Cabo para-raios ou neutro Malha da SE alimentadora A po io At er ra me nt os e lé tr ic os Para a condição de falta ocorre o acoplamento magnético entre a fase e, por exemplo, os cabos para-raios. Dessa forma pode-se decompor a corrente circulante em duas componentes: 1- o componente devido ao acoplamento (Imutua); 2- o componente devido à impedância dos cabos para-raios (ou neutro) multiaterrados (representados por I1 e I2). drena parte da corrente de falta, diminuindo Im. Quando Im e If de malha. Calcular esta corrente exige o modelamento do sistema por meio de um circuito equivalente. É importante lembrar que a terra pode ser um dos caminhos de retorno para a corrente de falta. A ABNT NBR 15751 utiliza a formulação encontrada na teoria de Carson para a modelagem de linhas de transmissão e de distribuição. Esta modelagem deve incluir o acoplamento magnético entre os cabos de fase e de para-raio (ou fase-neutro em linha de distribuição) durante o curto-circuito, por meio da impedância mútua. Este acoplamento é importante, pois drena pelos cabos para-raios (ou neutro) parte da corrente de defeito, diminuindo a corrente de malha. As impedâncias próprias e mútuas dependem da resistividade do solo, da frequência do sistema, dos tipos de cabos utilizados e da disposição desses cabos na torre de transmissão (ou no poste, para linhas de distribuição). O circuito mostra o modelamento de um vão (entre postes ou torres) de uma linha de transmissão ou de distribuição. Em que: k Representação genérica do vão, sendo k = 1 na torre em falta e k = n na subestação de alimentação. Vpk+1 Tensão de fase entre pontos 1 e 3, V13 (valor complexo). Vpk Idem, entre pontos 4 e 6, V46. Ip Corrente de falta para terra (3 I0 = If, valor complexo). Ick Corrente complexa no vão k do cabo guarda. Figura 4 — Modelo completo de um vão de linha de transmissão ou rede de distribuição (Figura 8 da ABNT NBR 15751). Figura 5 – Circuito elétrico para cálculo da corrente de malha considerando o sistema de potência da Figura 2 (Figura 9 da ABNT NBR 1575). Figura 6 – Circuito do Zeq da Figura 5 (Figura 10 da ABNT NBR 1575). Itk Corrente complexa que penetra a terra na torre k. Ick+1 Corrente complexa no cabo guarda do vão k + 1. (Ip – Ick) Corrente complexa que retorna pela terra no vão k. Zp Impedância própria, com retorno pela terra, do cabo fase (impedância própria de Carson). Zc Idem cabo guarda. Zm Impedância mútua entre o cabo fase em falta e o cabo guarda (impedância mútua de Carson). Rt Resistência de aterramento da torre ligada ao nó 2 (resistência ôhmica, valor real, não complexo). Ao modelarmos o sistema mostrado na Figura 3, teremos o seguinte circuito elétrico: Se houver geradores e motores contribuindo para a corrente de curto-circuito fase-terra, devem ser utilizadas suas respectivas impedâncias subtransitórias. Com o sistema modelado e o circuito montado, calcula-se a corrente que passa pela resistência representativa da malha Rm a resolução do circuito elétrico há vários métodos oriundos da teoria de circuitos elétricos, e cada método assume determinadas considerando-se estas hipóteses e a topologia da rede. O Zeq da Figura 5 é a associação em paralelo dos elementos constantes na Figura 6. Resistência para a terra relativa à malha da SE no ponto da falta. Impedância para a terra relativa ao cabo para-raios ou ao neutro multiaterrado situado a jusante do ponto da falta A po io At er ra me nt os e lé tr ic os utilizado no dimensionamento do eletrodo de aterramento, deve ser multiplicada por um fator que leva em consideração a componente contínua da corrente de curto-circuito (Df) e o crescimento do sistema (Cp), que serão tratados adiante. Corrente de Falta If Qualquer método de cálculo de obtenção de If necessita do fornecimento das potências de curto-circuito trifásica e de fase para a terra no ponto em que será construído o sistema de aterramento, bem como as contribuições das linhas envolvidas no curto-circuito. Deve-se calcular também a corrente de malha de longa duração (Imld). A primeira etapa do cálculo dessa corrente consiste em aterramento e que devem servir de parâmetro para o ajuste das proteções de sobrecorrente de neutro dessa subestação. A segunda etapa consiste em determinar a parcela de corrente alimentadores que estiverem em paralelo com esse eletrodo, na proporção inversa de suas impedâncias de aterramento vistas por essa corrente. Esse valor varia inversamente com o tempo de eliminaçãoda falta e aumenta com a relação X/R do sistema. Para a faixa de tempo de eliminação de falta normalmente considerada igual ou superior a 0,5 s, o fator adotado pode ser de Df = 1. Fator de Projeção Cp O fator de projeção CP considera o aumento da corrente de falta ao longo da vida útil da instalação em função do crescimento da rede de transmissão e de geração de energia elétrica. Analisando os critérios adotados pelo planejamento das unidades geradoras, transformadoras e transmissoras, é possível prever a evolução do nível de curto-circuito do sistema, o que será quantificado pelo fator Cp que multiplica a corrente de malha simétrica eficaz. Em algumas situações, pode-se identificar uma correlação entre os fatores Cp e Sf, considerando, por exemplo, que um incremento no número de linhas de transmissão chegando a uma subestação resulta no aumento do nível de curto-circuito, o que pode acarretar a redução do fator de divisão, em função do maior número de caminhos para o solo, via cabos para-raios e torres de linhas de transmissão. Devido a esse fator, recomenda-se que os estudos de aterramento considerem os níveis de corrente de falta previstos até o ano horizonte disponível no planejamento e que reavaliações futuras sejam feitas quando houver alterações significativas no estudo realizado ou evoluções do sistema, além do ano horizonte inicialmente estudado. Cálculo final da corrente de malha Com os fatores já mencionados, utilizamos a seguinte equação: Considerações quanto ao cálculo da corrente de malha Utilizar If ao invés de Im para o dimensionamento do superdimensionamento. Há casos em que o uso de If no dimensionamento do eletrodo pode inviabilizar sua construção em função da topologia e do espaço existente para a instalação do eletrodo, assim é importante entender que a utilização de Im pode ser a diferença para que o projeto seja executado sem deixar de oferecer a segurança exigida. Outro parâmetro que, se considerado individualmente, pode levar a um dimensionamento inadequado do eletrodo é a corrente de suportabilidade de equipamentos. Então, deve-se em sistemas elétricos de transmissão sem condutor para-raio, ou sistemas de distribuição sem cabo neutro conectado ao eletrodo. Fator de decremento Df da corrente assimétrica de falta para um determinado tempo Com o resultado de Imld pelo corpo humano, em regime de longa duração (t > 3 s) das ultrapassados. Caso essa condição não seja atendida em qualquer ponto da subestação, ou arredores, o projeto do eletrodo de aterramento deve ser refeito, de forma a suprimir a condição de risco. TABELA 1 – FATOR DEVIDO À ASSIMETRIA DA CORRENTE DE FALTA (TABELA 10 DA ABNT NBR 1575). DURAÇÃO DA FALTA tf FATOR DE DECREMENTO Df X/R = 10 1,576 1,232 1,125 1,064 1,043 1,033 1,026 1,018 1,013 X/R = 20 1,648 1,378 1,232 1,125 1,085 1,064 1,052 1,035 1,026 X/R = 30 1,675 1,462 1,316 1,181 1,125 1,095 1,077 1,052 1,039 X/R = 40 1,688 1,515 1,378 1,232 1,163 1,125 1,101 1,068 1,052 CICLOS A 60 HZ 0,5 3 6 12 18 24 30 45 60 S 0,008 33 0,05 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,75 1,00 Imalha = Imalha sim ef x Df x Cp de corte e deve considerar os efeitos do componente contínua. Obtém-se Df a partir da equação mostrada a seguir ou com a Tabela 1. A po io Fator de distribuição Sf Fator que fornece a parcela da corrente de falta que dispersa na terra pelo eletrodo de aterramento da subestação de energia. Sf = Imalha sim ef Ifalta If x Sf x Cp x Df== ImalhaIm coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas Continua na próxima edição Para os casos em que a topologia da rede é muito simples ou quando a impedância mútua for desprezível em relação à impedância própria pode ser mais conveniente calcular-se Sf. Obtém-se If por métodos convencionais, considerando-se os circuitos sequenciais e, diretamente da relação abaixo, a corrente de malha: Condição de segurança para futuras expansões O eletrodo de aterramento dimensionado com a "corrente de malha final", calculada conforme o procedimento que consta da ABNT NBR 15715, aqui mostrado, garantirá segurança às pessoas, desde que não sejam feitas expansões que provoquem uma corrente de curto-circuito fase-terra superior à [corrente de falta antes da expansão] x Cp. Havendo qualquer expansão no sistema, essa condição deve ser verificada. No dimensionamento de malhas de aterramento é necessária a verificação do surgimento de potenciais perigosos, interna e externamente a essa malha, quando da ocorrência de curtos-circuitos ou na existência de correntes de desequilíbrio entre neutro e terra do sistema. Para tanto, devem-se calcular os valores máximos de tensão de toque e de passo que podem ocorrer, bem como verificar possibilidades de ocorrência de transferência de potencial para ambas as situações. A po io At er ra me nt os e lé tr ic os Dando continuidade ao nosso trabalho, este capítulo apresenta algumas recomendações de ordem geral e como se deve fazer o aterramento dos principais equipamentos da subestação. Sempre é importante ressaltar que um bom projeto de aterramento deve garantir que os níveis de corrente de curto-circuito fase-terra sejam suficientes para sensibilizar a proteção de retaguarda, bem como determinar potenciais de passo e de toque suportáveis aos seres vivos. Estas condições são obtidas pela geometria da malha de aterramento compatível com a resistividade do solo no local de implantação da subestação, com o cálculo correto da parcela da corrente de curto- circuito a ser dissipada pela malha e com os tempos de atuação das proteções instaladas. Ao contrário de alguns mitos relacionados ao tema que persistem no tempo, baixas resistências de aterramento não garantem um projeto seguro, da mesma forma que altas resistências de aterramento não significam, necessariamente, um projeto inseguro. Condutores de aterramento: rabichos e condutores de malha Os condutores de aterramento (rabichos) Capítulo V Projeto de aterramento de malhas de subestações elétricas: recomendações gerais e aterramento dos equipamentos Jobson Modena e Hélio Sueta * exercem a importante função de interligar todas as partes condutoras de eletricidade da subestação, que não foram construídas com esse fim, mas onde possa ocorrer a passagem de correntes impulsivas, por exemplo: pés de torres, descidas de SPDA (Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas) e aterramentos de para-raios de linha, diretamente ao eletrodo de aterramento. Uma forma prática para considerar a divisão da corrente de curto-circuito para a redução do diâmetro do condutor da malha (assunto referente ao capítulo IV desta série) consiste na utilização de dois condutores de aterramento em pontos distintos da malha, quando do aterramento de equipamentos e elementos metálicos sujeitos à circulação da corrente de falta. Cuidados especiais devem ser tomados nos locais em que possa haver movimentação de veículos pesados dentro da subestação. Se estes veículos passarem sobre locais onde a malha estiver enterrada, recomenda-se que o posicionamento dos cabos condutores do eletrodo seja feito de forma a não deixá-los tensionados para que não arrebentem ou não haja algum tipo de interrupção da malha, principalmente nas conexões e emendas. A po io No caso de cercas metálicas que saem da área ocupada pela malha, elas devem ser secionadas e cada seção deve ser aterrada por duas hastes (ver Figura 2). Esta é uma forma de evitar a transferência de potencial perigoso para pontos distantes. Trechos de cercas externas embaixo de linhas de alta tensão e mesmo de baixa tensão devem ser tratados da mesma forma. Estas recomendações procuram reduzir os riscos do aparecimento de potenciais de toque perigosos nestes trechos de cercas metálicas.Figura 1 – Multiaterramento de cercas metálicas no interior do plano da malha de aterramento da subestação. Queda de tensão entre duas hastes da mesma seção potencial no solo Queda de tensão entre duas hastes da mesma seção Secionamento da cerca externa Secão de cerca externa a malha Secão de cerca externa a malha Cerca interna à malha Malha no solo Queda de tensão entre dois pontos de interligação à malha Queda de tensão entre dois pontos de interligação à malha Cabo CaboCabo Haste Resistividade Resistividade Haste Figura 2 – Multiaterramento de cercas metálicas seccionadas situadas no exterior do plano da malha de aterramento. circulação de corrente circulação de corrente Aterramento das cercas metálicas Eventuais cercas metálicas localizadas no interior da malha da subestação devem ser multiaterradas, ou seja, interligadas à malha em vários pontos. As que estiverem localizadas fora da área de abrangência da malha devem ser seccionadas e cada seção deve ser multiaterrada, porém em quadrículas (meshs) distintas da malha. A norma ABNT NBR 15751 apresenta duas figuras que representam estes casos, reproduzidas a seguir. A po io At er ra me nt os e lé tr ic os As tensões de toque que aparecem na Figura 3 podem ser transferidas a uma pessoa na zona de influência do eletrodo em função da posição e da condição de aterramento da cerca: — Et1 é a tensão de toque na cerca na posição 1 se esta estiver em contato com o solo, mas não ligada à malha (supondo que um cabo energizado não caia sobre a cerca); — Et2 é a tensão de toque caso a cerca na posição 2 esteja aterrada; — Et3 é a tensão de toque na cerca, na posição 3, se esta não estiver aterrada; — Et4 é a tensão de toque na cerca, na posição 4, aterrada. Aterramento de equipamentos A ABNT NBR 15751 apresenta no item 10.4 uma série de recomendações para aterramento dos diversos equipamentos que compõem uma subestação: corpo único; bancos de transformadores monofásicos; de concreto ou metálicas; subestação; malha de terra); subestação; casa de comando; leitos de cabos, esquadrias, portas e janelas. Cada equipamento tem alguma particularidade para o aterramento que a norma detalha, principalmente, em relação aos pontos a serem aterrados, à bitola do condutor Terminal de aterramento do equipamento (pára raios) Ramais da malha Haste de aterramento Figura 4 – Aterramento de equipamentos sobre suportes. Um exemplo de tensões de toque que podem acontecer em cercas metálicas de subestação está exibido na Figura 3. Último cabo da malha Potencial da malha e elementos aterrados Último cabo da malha Figura 3 – Níveis de potencial que podem aparecer na malha e nas massas metálicas conectadas na malha. A po io At er ra me nt os e lé tr ic os JOBSON MODENA é engenheiro eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB-3 da ABNT, em que participa atualmente como coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419). É diretor da Guismo Engenharia. HÉLIO SUETA é engenheiro eletricista, mestre e doutor em Engenharia Elétrica, diretor da divisão de potência do IEE-USP e secretário da comissão de estudos que revisa a ABNT NBR 5419:2005. Continua na próxima edição O uso de equipamentos ou de dispositivos de proteção e recomendados principalmente para os circuitos de comunicação e de baixa tensão. Neste fascículo, pudemos notar que, embora haja um padrão a ser seguido para o aterramento dos componentes em uma subestação, há também uma série de detalhes a ser considerada e que está diretamente relacionada com a forma, com a quantidade, com a disposição e com a característica de cada elemento em questão. Esta condição torna cada caso uma desempenho do eletrodo, bem como o conceito de segurança a ser ali aplicado. de interligação, à fixação e aos tipos de conectores para esta interligação e forma (quantidade) de ligações à malha. De forma geral, os equipamentos possuem terminais identificados para o aterramento. Estes terminais devem ser interligados diretamente à malha de terra por meio de um condutor de mesma seção que o da malha. Na maioria dos casos, perto do nível do solo, o cabo de interligação deve possuir um conector com duas saídas para que seja possível interligar o equipamento a dois pontos distintos da quadrícula da malha. Se o equipamento possuir suporte, o cabo de interligação deve ser fixado a ele de forma adequada, por exemplo, por meio de conectores de fixação a cada 2,5 metros. A Figura 4 mostra um exemplo de aterramento de equipamentos sobre suportes. No caso de transformadores, o projeto da subestação deverá do tipo de transformador e ligações envolvidas. Cuidados especiais sempre devem ser tomados no sentido de evitar a transferência de potenciais perigosos via elementos metálicos que partem da área ocupada pela malha de aterramento. Tubulações metálicas devem ser isoladas e seccionadas a partir do ponto de cruzamento deste com o último condutor da malha, por material com isolamento compatível em pontos predeterminados, possíveis de ocorrência de potenciais de toque acima dos toleráveis. A po io At er ra me nt os e lé tr ic os A ABNT NBR 15749, denominada Medição de resistência de aterramento e de potenciais na superfície do solo em sistemas de aterramento, foi publicada em Capítulo VI Métodos normalizados para medição de resistência de aterramento Jobson Modena e Hélio Sueta * Figura 1 – Tensões que podem aparecer em uma instalação. aterramento e de potenciais na superfície do solo, bem e incrivelmente desconhecidos pela maioria dos pela ocorrência de uma falta na instalação ou por raios, as correntes dispersas pelo sistema de aterramento provocam o surgimento de diferenças de tensão entre pontos da embora, conceitualmente ou não, os riscos oferecidos pontos distantes da superfície do solo ou a outros sistemas dos valores da resistência ôhmica do eletrodo de aterramento e dos valores dos potenciais de passo e do eletrodo de aterramento associada aos potenciais A po io É importante ressaltar que o valor da resistência ôhmica do eletrodo não determina a sua integridade física, uma vez que os resultados obtidos dependem, além do eletrodo, das condições do solo em que este foi inserido. adversas, tendo em vista a possibilidade de ocorrência de descargas Medição de resistência de aterramento utilizando o método da queda de potencial por meio de um circuito compreendido pela malha de A po io At er ra me nt os e lé tr ic os Figura 2 — Método da queda de potencial. Figura 3 — Curva característica teórica da resistência de aterramento de um eletrodo pontual. Figura 4 — Curvas típicas de resistência de aterramento em função das posições relativas dos eletrodos auxiliares de potencial e de corrente. I Corrente de ensaio E Borne para a malha de aterramento sob medição Y Zona de patamar de potencial Rv Resistência de aterramento do sistema sob medição (valor verdadeiro da resistência de aterramento do sistema a,b,c Curvas de resistência de aterramento em função do espaçamento e RV e cravadas no solo, de forma a garantir a menor resistência de da periferia do sistema de aterramento sob ensaio em intervalos regulares de medição iguais a 5% da distância “d” mostrada na de “patamar de potencial”, onde se pode encontrar o valor “patamar de potencial”, onde se pode encontrar o valor verdadeiro potencial foi coincidente com a direção e o sentido do eletrodo de A po io At er ra me nt os e lé tr ic os Em relação ao sentido de movimentação do eletrodo de potencial, teoria, o deslocamento do eletrodo de potencial no mesmo sentido Em solos não homogêneos ou em sistemas de aterramento ao eletrodo de corrente H apresenta, teoricamente, valor de resistência inferior ao verdadeiro, denominado como limite inferior Figura 5 —Posição do eletrodo auxiliar de potencial para um solo de duas camadas. de acoplamento entre os circuitos de corrente e potencial, sendo Para sistemas de aterramento com valores de resistência muito maior comprimento ou diminuindo-se a resistividade do ponto de instalação JOBSON MODENA é engenheiro eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB-3 da ABNT, em que participa atualmente como coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419). É diretor da Guismo Engenharia. HÉLIO SUETA é engenheiro eletricista, mestre e doutor em Engenharia Elétrica, diretor da divisão de potência do IEE-USP e secretário da comissão de estudos que revisa a ABNT NBR 5419:2005. Continua na próxima edição Regra prática: - os problemas de acoplamento são desprezíveis nas medições de resistências de aterramento acima de 10 - são importantes para as medições abaixo de 1 e - são passíveis de análise, caso a caso, nas medições envolvendo valores entre 1 e 10 . A po io At er ra me nt os e lé tr ic os Neste capítulo, será abordada a utilização do terrômetro alicate. Devido à praticidade e à facilidade de transporte e de manuseio, a medição com esse equipamento vem se popularizando e se mostrando bastante eficiente na determinação da resistência (impedância) de aterramento nos sistemas que servem as instalações elétricas, principalmente em áreas densamente edificadas. O método da queda de potencial, especificamente quando executado pelo terrômetro convencional, mostra-se completamente ineficaz e a ABNT NBR 15749 trata do assunto em seu anexo E. Construção, funcionamento e aplicação A maior parte desses medidores é construída na forma de um alicate de dois núcleos partidos e com dimensões para envolver os condutores do sistema de aterramento. Um dos núcleos gera uma força eletromotriz (f.e.m), que, por sua vez, produz a corrente elétrica que circula pelo circuito de Capítulo VII Métodos normalizados para medição de resistência de aterramento Parte 2 Jobson Modena e Hélio Sueta* ensaio e o outro é um transformador para medida de corrente. Visando a atenuar perturbações provocadas pela presença de tensões indesejáveis, o que produziria erros nos resultados obtidos ou até mesmo inviabilizaria a execução do ensaio, os equipamentos geralmente trabalham com frequências de medição diferentes (entre 1,5 kHz e 2,5 kHz) da frequência industrial. O equipamento possui núcleo ferromagnético e bobinas de N espiras que o envolvem. Esse núcleo, na forma de um alicate, deve “abraçar” um condutor auxiliar (ca) propositalmente conectado entre o eletrodo a ser medido (em) e um eletrodo auxiliar (ea), formando o circuito de ensaio (visto pelo terrômetro alicate como o elemento secundário de espira única): (em) + (ca) + (ea) e o trecho de solo entre eles. A medição é feita quando, pela bobina de tensão, o aparelho provoca uma f.e.m conhecida que induz corrente elétrica no circuito de ensaio: A po io A outra bobina de corrente do aparelho proporciona a medição da corrente induzida: A soma dos valores das resistências (impedâncias) é obtida pela relação entre a tensão gerada e a corrente circulante, mas, dependendo do modelo do aparelho, é o valor apresentado em seu visor. Em que: Rca = resistência (impedância) ôhmica do cabo de ensaio auxiliar; Rx = resistência (impedância) ôhmica do conjunto formado pelo eletrodo a ser ensaiado, mais a região do solo sob a zona de influência desse eletrodo; e Rc = resistência (impedância) ôhmica do conjunto formado pelo eletrodo auxiliar mais a região do solo sob a zona de influência desse eletrodo. Figura 1 – Identi cação do circuito de ensaio – aplicação da f.e.m. Figura 2 – quipamento – surgimento e medição da corrente induzida. A po io At er ra me nt os e lé tr ic os 2. A resistência do sistema de aterramento que fecha o laço (Rca + Rc) deve ser muito menor que a resistência do aterramento sob medição. Para casos em que a resistência estiver na casa de unidades de Ohm, a boa prática da engenharia recomenda que (Rca + Rc) não ultrapasse a casa dos centésimos de Ohm; 3. Para todas as situações, a distância entre os eletrodos de aterramento sob ensaio deve ser suficiente para que não haja interpolação das suas respectivas zonas de influência; 4. Para o caso de vários eletrodos interligados, o ensaio só é válido em casos bastante específicos, como para a determinação da integridade dos condutores e conexões existentes no trecho (laço) ensaiado. A desconexão dos eletrodos para execução separada da medição de cada um, calculando posteriormente a resistência total pela soma dos resultados encontrados, não é um artifício válido especialmente por não se ter controle das zonas de influência de cada eletrodo; 5. O sistema sob medição deve ser percorrido por quase a totalidade da corrente injetada no terreno, ou seja, o posicionamento do equipamento e do condutor auxiliar é de extrema importância para o sucesso do ensaio. A ABNT NBR 15749 ainda apresenta outros métodos de ensaio que serão abordados nos próximos capítulos. Comumente, vê-se o terrômetro sendo inserido em uma descida do SPDA (para-raios) de uma edificação e o valor obtido nessa “medição” é fornecido como a resistência ôhmica do eletrodo. ESTA PRÁTICA É ERRADA! Neste caso, dependendo de outras restrições que serão mencionadas a seguir, apenas consegue-se um resultado confiável no ensaio se o eletrodo for desconectado do restante do SPDA e o aterramento do condutor PEN, que eventualmente servirá como eletrodo auxiliar, estiver distante o suficiente da edificação para que não haja superposição das suas zonas de influência. JOBSON MODENA é engenheiro eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB-3 da ABNT, em que participa atualmente como coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419). É diretor da Guismo Engenharia. HÉLIO SUETA é engenheiro eletricista, mestre e doutor em Engenharia Elétrica, diretor da divisão de potência do IEE-USP e secretário da comissão de estudos que revisa a ABNT NBR 5419:2005. Continua na próxima edição Figura 3 – Sistema multiaterrado para referência – circulação preferencial da corrente elétrica. Para simplificarmos a condição apresentada, devemos sempre procurar tomar um eletrodo auxiliar que esteja interligado a um conjunto de outros eletrodos ligados em paralelo, por exemplo, os aterramentos do condutor PEN da concessionária ou o aterramento do cabo para-raios das torres de transmissão. Sob essas condições: RX = [ Valor _ no _ aparelho ] - RCA , pois RC = +...+ + 0 ; Ainda: Rca = pode ser medido diretamente com o próprio terrômetro alicate. Basta inserir o equipamento na espira única criada quando se fecha as duas pontas do cabo auxiliar. Cuidados especiais devem ser tomados para que o cabo auxiliar não esteja enrolado ou forme espiras que possam influir no resultado da medição. Restrições para utilização A vantagem da não necessidade em se cravar hastes auxiliares no solo e a redução da quantidade de condutores utilizados criam a tendência natural de se tentar realizar o ensaio em todos os eletrodos de aterramento com um terrômetro alicate. Não existe método universal para medição da resistência ôhmica de eletrodo de aterramento, portanto, todos os casos devem ser analisados individualmente e o melhor método de ensaio sempre será aquele que proporcione valores que traduzam o mais fielmente possível a realidade local, independentemente do nível de complexidade envolvido na execução do ensaio ou na obtenção dos resultados. As seguintes restrições devem ser consideradas para este método: 1. Necessariamente deve existir um circuito fechado (laço), incluindo a resistênciado aterramento que se deseja medir o eletrodo auxiliar de referência e o solo comum que os envolve. Dessa maneira, o equipamento não pode ser utilizado na medição de eletrodos que não formam parte de um laço; 1 1 1 R1 Rn-1 Rn A po io At er ra me nt os e lé tr ic os Neste fascículo, serão abordados outros métodos normalizados para medição de resistência de aterramento, incluindo as medições com instalação energizada. Método da queda de potencial com injeção de alta corrente Utilizado geralmente com a instalação desenergizada, consiste em circular uma alta corrente entre o sistema de aterramento sob ensaio e o solo por meio de um eletrodo auxiliar de corrente, medindo-se os potenciais na sua superfície. O valor da resistência ôhmica do eletrodo de aterramento é obtido pela relação dos parâmetros mencionados. Este método é recomendado para a medição dos potenciais na superfície do solo e também da resistência de um sistema de aterramento particular ou a impedância de um sistema de aterramento global, em que podem ser envolvidas também subestações com cabos para-raios das linhas de transmissão, condutores de neutro de alimentadores, entre outros. Geralmente utiliza-se como eletrodo auxiliar de corrente uma torre da linha de transmissão com um trecho da linha, uma malha de aterramento de uma subestação adjacente ou uma malha de aterramento obtenção de alta corrente é importante que o eletrodo de corrente tenha valor de resistência de aterramento compatível com o sistema utilizado no ensaio. Capítulo VIII Métodos normalizados para medição de resistência de aterramento – Parte 3: Método da queda de potencial com injeção de alta corrente e ensaios em instalações energizadas Jobson Modena e Hélio Sueta* da malha e do eletrodo de corrente, que deve ser posicionado a uma distância mínima superior a cinco vezes a maior dimensão do eletrodo de aterramento sistema de aterramento, da instalação elétrica e do tipo do solo. Uma maneira prática para se executar este tipo de medição em sistemas ainda não energizados é injetar a corrente de ensaio nos condutores de fase das linhas de transmissão, curto-circuitados e interligados a uma torre aterrada que esteja posicionada a mais de 5 km do eletrodo a ser medido. O eletrodo de potencial será uma haste metálica deslocado radialmente a partir da periferia do sistema de alta impedância de entrada. O deslocamento do eletrodo de potencial deve ser em uma direção que faça um ângulo entre 90° e 180° em relação à direção do eletrodo de corrente para evitar eventuais acoplamentos entre estes dois circuitos. A resistência de aterramento do sistema sob ensaio é dado por: Em que: I é a corrente total injetada no eletrodo de corrente, expressa em ampéres. A po io Legenda: CH A/CH B - chaves para inversão de polaridade da fonte com intertravamento CH C - chave de by-pass da fonte - corrente de ensaio - resistência de aterramento da instalação - resistência de aterramento das estruturas da linha de transmissão A confiabilidade dos valores obtidos é diretamente proporcional ao valor da corrente de ensaio, pois assim haverá menor influência relativa de eventuais correntes de interferência. O valor de corrente dependerá da fonte utilizada e é muito importante verificar as questões de segurança referentes ao pessoal envolvido nas medições, assim como aqueles que transitem pelas imediações. Dependendo dos valores de ensaios utilizados, tensões superficiais perigosas podem surgir nas proximidades do local de medição, sendo até mesmo isolar a área com barreiras para evitar a aproximação de pessoas. do sistema de aterramento como um todo, ou seja, não só o eletrodo, mas os cabos de para-raios, os neutros dos transformadores ou as blindagens de cabos de potência isolados, uma configuração especial deve ser utilizada de forma a considerar todos os caminhos de retorno ligados a esse eletrodo. Método síncrono à frequência industrial – apresentado no anexo A da ABNT NBR 15749 A Figura A.1 da norma apresenta o circuito de corrente utilizado neste método: A corrente de ensaio, na frequência de 60 Hz, deve ser fornecida por uma fonte em que seja possível a mudança na polaridade, por exemplo, um transformador. Inicialmente, com a A po io fonte de alimentação desconectada, devem ser medidas a corrente de interferência e a tensão de interferência. Com a fonte de alimentação ligada e a chave A fechada, é obtido o valor para a tensão e a corrente . Com a abertura da chave A e fechamento da chave B, é possível a inversão da polaridade da fonte para serem obtidas as leituras da tensão e da corrente. Com estes valores medidos é possível determinar a corrente de medição fornecida pelo sistema de alimentação e a tensão provocada pela passagem dessa corrente pelo sistema de aterramento por meio das equações: Em que: Ie Ia é a corrente de medição numa determinada polaridade, expressa Ib é a corrente de medição de polaridade defasada de 180° da corrente Ia Ii Ve Va é a tensão de medição em uma determinada polaridade, expressa Vb é a tensão de medição de polaridade defasada de 180° da tensão Va, Vi A norma apresenta também em seu Anexo B um esquema básico capacitiva visa a diminuir a impedância da linha de transmissão utilizada para servir como circuito da corrente de ensaio. Legenda: resistência de sequência zero reatância indutiva de sequência zero comprimento do circuito de corrente capacitância de compensação Quando utilizamos as três fases interligadas de uma linha de transmissão por um determinado comprimento como circuito de corrente, consideramos a seguinte equação: Em que: X 1 X é a reatância indutiva de sequência zero por unidade de L é o comprimento do circuito de corrente, expresso em quilômetros deve ser utilizada a seguinte equação: Em que: X` 1 é a reatância indutiva de sequência zero para frequência da Assim, o valor da capacitância de compensação é dado pela seguinte equação: Em que: CC é a capacitância de compensação, expressa em microfarads . Medições em instalações energizadas A necessidade da realização de medições de resistência ôhmica em eletrodos de aterramento com as instalações energizadas é cada vez maior, visando a não interrupção do serviço, produção, cuidado com a segurança deve ser muito maior, uma vez que as medições com as instalações energizadas introduzem situações pontos de ensaio estão desenergizados. além dos preceitos utilizados para as medições em sistemas não energizados que, dependendo da situação, possam vir a ser utilizados com ressalvas e adaptações. Uma inspeção detalhada do local deve ser realizada para conexões entre os elementos do sistema de aterramento, inclusive aquelas provenientes de blindagens de cabos de potência. Deve-se também determinar quais conexões estão exercendo, realmente, sua função no sistema, assim como se deve prever a possibilidade de desconexão de alguns elementos, a complexidade de utilização de At er ra me nt os e lé tr ic os A po io circuitos de medição, etc. Nesta fase de planejamento e programação, todas as áreas envolvidas deverão ser previamente escolhidas e presença de pessoas nas proximidades, a praticidade na realização das O planejamento antecipado para a escolha do método a ser utilizado é importante visando os cuidados especiais a serem tomados no momento do ensaio, pois operadores e outros equipamentos aos riscos relacionados a eventos decorrentes dos sistemas elétricos, por exemplo, curtos-circuitos, elevações de potencial, sobretensões campos eletromagnéticos, etc. Outro aspecto a ser considerado em relação ao circuito auxiliar de corrente, quando utilizado, são as possíveis tensões de transferência que podem ocorrer. Dessa forma, é necessário prover todosos circuitos envolvidos na medição com proteção de sobretensão e sobrecorrente por meio de dispositivos adequados e corretamente dimensionados. At er ra me nt os e lé tr ic os utilizado deve estar sob supervisão e ser sinalizado adequadamente. O eletrodo de potencial, caso utilizado, também poderá estar sujeito a potenciais perigos, devendo estar também sob supervisão e sinalizado. Os cabos utilizados devem ter isolação adequada aos níveis de tensão envolvidos. A aproximação de pessoas alheias ao ensaio deve ser proibida de tensão que serão desenvolvidas, sempre estimadas para a pior condição de risco. O sistema de aterramento de uma instalação energizada geralmente está conectado a diversos elementos de aterramento, tais como os neutros de alimentadores, os cabos-guarda, as blindagens de cabos de potência e as interligações entre malhas. Estas conexões possibilitam a divisão da corrente de curto-circuito e, portanto, das correntes injetadas no sistema de aterramento durante as medições. Nestas medições, é necessário obter-se o valor real da corrente que da metodologia escolhida para a medição, poderá ser necessária a desconexão dos circuitos de aterramento da malha a ser medida ou utilizar um método que permita a medição simultânea das correntes A po io Especial atenção deve ser dada na desconexão dos elementos do sistema de aterramento de uma instalação energizada, pois há a possibilidade do aparecimento de arcos elétricos. Outros problemas na desconexão destes elementos são a possibilidade de estarem corroídos ou deteriorados. Os cabos-guarda, em especial, estando sob tensão mecânica, podem se romper e caírem sobre cabos energizados, provocando curto-circuito, ou colocar em perigo os executada sob rigorosa supervisão. A necessidade ou não de desconexão de elementos do sistema de aterramento é um fator determinante na escolha do método de medição. Nos casos em que a desconexão for perigosa ou de difícil execução, deve-se procurar outro método de medição em que essa prática não seja necessária. Os neutros dos transformadores de potência não devem ser desconectados, pois podem deixar os sistemas isolados sem referência de terra, inclusive com impossibilidade de detecção de corrente de curto-circuito pelos dispositivos de proteção da instalação. Nas medições com a instalação energizada, a presença de constante. Na escolha do método de ensaio, estes fatores devem ser considerados, sendo que os medidores a serem utilizados devem as eventuais interferências na medição. Estes problemas são mais JOBSON MODENA é engenheiro eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB-3 da ABNT, em que participa atualmente como coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419). É diretor da Guismo Engenharia. HÉLIO SUETA é engenheiro eletricista, mestre e doutor em Engenharia Elétrica, diretor da divisão de potência do IEE-USP e secretário da comissão de estudos que revisa a ABNT NBR 5419:2005. Continua na próxima edição evidentes quando os valores medidos forem da ordem de milivolts e dezenas de miliamperes. Outros procedimentos importantes que devem ser analisados: - a injeção de elevadas correntes pode sensibilizar os relés de alta - a possibilidade de haver energização remota em instalações conectadas à instalação sob ensaio. Os métodos de queda de potencial, de medição simultânea de correntes do sistema ou de injeção de corrente de alta frequência são alguns dos mais utilizados para ensaios em instalações energizadas. De qualquer forma, diversos métodos podem ser utilizados desde que obedeçam às condições normalizadas, que foram descritas neste artigo, além do fato de terem de, necessariamente, apresentar A po io At er ra me nt os e lé tr ic os Neste capítulo serão abordados diversos aspectos referentes às medições de potenciais na superfície do solo em sistemas de aterramento. Dois tipos de medições são realizados: medição das tensões de toque e de passo. de tensão de toque e de passo que constam nas normas e no capítulo I desta série: [ABNT NBR 15749, 3.14, ABNT NBR 15751, 3.23 e ABNT NBR 7117, 3.9] tensão de passo diferença de potencial entre dois pontos da superfície do solo separados pela distância de um passo de uma pessoa, considerada igual a 1,0 m. [ABNT NBR 15749, 3.15, ABNT NBR 15751, 3.24 e ABNT NBR 7117, 3.10] tensão de toque diferença de potencial entre uma estrutura metálica aterrada e um ponto da superfície do solo separado por uma distância horizontal equivalente ao alcance normal do braço de igual a 1,0 m. A metodologia de medição de potenciais na superfície do solo assemelha-se à utilizada na medição dos valores de resistência de eletrodo e de resistividade do solo já descrita em capítulos anteriores. É aconselhável que o levantamento dos das tensões de toque e de passo sejam realizados com a injeção de elevados valores de corrente elétrica no solo. Nestas medições devem ser utilizados voltímetro e amperímetro com escalas adequadas às faixas de Capítulo IX Medição de potenciais na superfície do solo em sistemas de aterramento Jobson Modena e Hélio Sueta* condições necessárias. Eventualmente, para sistemas em que não há suspeita de fortes correntes parasitas), podem-se utilizar instrumentos comuns, sempre Os procedimentos descritos neste fascículo visam a em frequência industrial, principalmente as de curto- circuito com o objetivo principal na segurança de pessoas que circulem sobre e nas redondezas dos sistemas de aterramento. Os potenciais que ocorrem nos sistemas de aterramento devido às correntes de alta frequência, por exemplo, as das descargas O circuito de corrente deve ser estabelecido de uma forma bastante parecida com o descrito nos fascículos anteriores para medição da resistência de aterramento. Os valores de correntes que serão injetados na malha de aterramento devem ser compatíveis com o sistema de medição. As medições dos potenciais devem ser efetuadas em pontos previamente assinalados no projeto ou no planejamento das medições, em regiões estratégicas das subestações, utilizando voltímetro de alta impedância de entrada, em geral, não inferior Medição da tensão de toque A medição da tensão de toque deve ser feita A po io entre elementos metálicos (estruturas metálicas, carcaças de equipamentos, massas metálicas) ligados ao sistema de aterramento sob estudo e o eletrodo de potencial cravado no solo (ver Figura 1) ou como indicado na Figura 4 (uso de placas como eletrodos auxiliares), guardando sempre a distância de 1 metro. Medição da tensão de passo A medição das tensões de passo deve ser feita entre dois eletrodos auxiliares de potencial cravados no solo e afastados de 1 metro (ver Figura 2) ou eletrodos conforme a Figura 4 (utilização de placas). Figura 1 – Medição do potencial de toque utilizando eletrodo cravado no solo. Figura 2 – Medição do potencial de passo utilizando eletrodos cravados no solo. A po io At er ra me nt os e lé tr ic os A fonte de corrente elétrica para a realização das medições deve corrente elétrica. Geralmente, esses valores são elevados de forma a reduzir os erros nas medições devido às correntes de interferência que geralmente circulam no solo. Usualmente é empregado como fonte de corrente um grupo motor- gerador ou um transformador isolador com um regulador de tensão ligado à rede elétrica próxima do local da medição. O mesmo circuito indicado para medição da resistência de aterramento (ver Figura 3), utilizando o método síncrono à frequência industrial (já mostrado em capítulo anterior), pode ser utilizado para estas medições. A norma apresenta também os anexos B (Compensação capacitiva) e D (Método do batimento) que auxiliam as medições, sendo como uma alternativa para se elevar a corrente injetada ounos casos em que ensaio. Nas medições, os cabos para-raios e contrapesos das linhas de transmissão, os neutros dos transformadores, as blindagens e as capas metálicas de cabos isolados que chegam à instalação devem ser desconectados do sistema de aterramento sob ensaio. O valor da corrente de ensaio é muito importante para esta medição, pois se por um lado esta deve ser alta para propiciar maiores valores medidos), por outro, para se obter estas correntes mais altas é necessária a utilização de tensões mais elevadas na fonte, aumentando assim também os problemas com a segurança do pessoal envolvido nas medições e os que eventualmente estiverem nas redondezas. Geralmente são utilizadas tensões de ensaio do gerador ou transformador Outro aspecto muito importante a ser considerado é a escolha dos locais preferenciais para medição dos potenciais na superfície do solo. O ideal é fazer um mapeamento completo da instalação e fazer as medições de forma a cobrir toda a área a ser investigada, porém, Figura 3 — Método síncrono à frequência industrial – Circuito de corrente. muitas vezes isto não é feito (geralmente por limitação de tempo), devendo ser preferencialmente realizadas as medições na periferia do sistema de aterramento onde, geralmente, são encontradas as maiores tensões na superfície do solo. Algumas medições devem ser realizadas na região central do sistema principalmente aquelas em que haja a possibilidade de presença de pessoas. Em relação à medição de tensão de toque nas partes metálicas aterradas, muitas vezes, não se sabe o ponto onde é obtida a maior tensão, dessa forma, recomenda-se realizar várias medições (mínimo 3) em diferentes direções (particularmente as as que aproximem da periferia do sistema). Correntes da ordem de 100 A, ou acima, geralmente são necessárias para sistemas interligados para Os valores de tensão medidos devem ser corrigidos para o valor real ser feita conforma a equação a seguir: Em que: VR Ve IM Ie é a corrente de ensaio, expressa em ampères (A). A determinação da resistência de contato pé-brita (ou solo) deve ser realizada no ensaio de injeção de corrente, assim como a tensão aplicada diretamente sobre a pessoa. A Figura 4 fornece detalhes para a Figura 4 — Medição das tensões de toque e passo. E – estrutura metálica aterrada M – malha de terra medição das tensões de toque e de passo. kg, barra de contato da base de 200 cm² cada e duas resistências, uma utilização de um feltro umedecido com uma solução salina saturada, sendo importante fazer a investigação com a brita primeiramente seca e depois molhada nos pontos de medição. A tensão que surge sobre uma “pessoa” é a medida nos terminais a determinação da resistência de contato peso-brita: uma sobre a Considerando os circuitos equivalentes representados na Figura 4, as seguintes relações podem ser obtidas: [1] [2] [3] [4] [5] Em que: V1k V3k RCT é a resistência de contato pé-brita, simulando a tensão de toque, expressa em RCP Dessa forma é possível obter as resistências de contato pé-brita, simulando as tensões de toque e de passo. JOBSON MODENA é engenheiro eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB-3 da ABNT, em que participa atualmente como coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419). É diretor da Guismo Engenharia. HÉLIO SUETA é engenheiro eletricista, mestre e doutor em Engenharia Elétrica, diretor da divisão de potência do IEE-USP e secretário da comissão de estudos que revisa a ABNT NBR 5419:2005. Continua na próxima edição A po io At er ra me nt os e lé tr ic os O anexo C da ABNT NBR 15749 normaliza o assunto definindo os requisitos aplicáveis aos equipamentos destinados a medir a resistência de aterramento ou resistividade do solo, utilizando parâmetros para corrente alternada. Portanto, os equipamentos destinados à medição da resistência de aterramento de subestações ou torres de linhas de transmissão de energia não fazem parte das informações contidas neste fascículo. Para facilitar o entendimento do fascículo, serão repetidos alguns dos termos e definições que constam da ABNT NBR 15749 e que já foram apresentados: C.2.1 tensão de medida - tensão existente entre os bornes (E) e (S) do equipamento de medição. C.2.2 tensão de interferência em modo série - tensão alheia ao sistema que está superposta à tensão de medida. Capítulo X Especificações de equipamentos para medição da resistência de aterramento em instalações elétricas de baixa tensão Jobson Modena e Hélio Sueta* C.2.3 resistência total de aterramento - resistência entre o borne principal do aterramento e terra de referência. São requisitos básicos desejáveis em aparelhos destinados aos ensaios: Durante o ensaio, as tensões superficiais devem ser controladas a níveis suportáveis. Para tanto, o equipamento deve garantir as seguintes condições: Em terreno seco: - o valor da tensão eficaz de saída em circuito aberto deve ser limitado a 50 V; - o valor da tensão de pico na saída em circuito aberto deve ser limitado a 70 V; Em terreno úmido: - o valor da tensão eficaz de saída em circuito aberto deve ser limitado a 25 V; A po io - o valor da tensão de pico na saída em circuito aberto deve ser limitado a 35 V; Quando os valores acima forem ultrapassados nas condições apresentadas, o aparelho deve limitar o valor máximo da corrente injetada no solo a: - valor eficaz: 7 mA; - valor de pico: 10 mA. No caso dessas condições não serem atendidas, o equipamento deve promover o seccionamento automático do circuito interrompendo o ensaio. Os tempos admissíveis para interrupção constam da Figura 1 da IEC 61010-1:1990. Basicamente, o evento ocorre em tempos da ordem de 0,3 s. - Os aparelhos, quando conectados à rede de alimentação, devem suportar até 120% de sua tensão nominal sem expor o usuário a tensões que excedam os valores e tão pouco ativar seus dispositivos de proteção. - A tensão de saída dos bornes (E) e (H) deve ser alternada com frequência, e forma de onda do sinal deve ser gerado de maneira a evitar interferências elétricas, em particular, aquelas oriundas da instalação sob ensaio, por exemplo, sinais com frequência da rede de distribuição (60 Hz) não devem afetar significativamente os resultados das medições. Caso esta condição não seja atendida, ela deve ser informada pelo fabricante do equipamento. - o percentual do erro de operação deve ser inferior a 30% do valor convencional medido. Aplica-se o erro de funcionamento: - na existência de tensões de interferência no modo série em frequências de 60 Hz e 50 Hz ou para uma tensão contínua entre os bornes (E), (H) e (S). O valor eficaz da tensão em modo série deve ser inferior a 3 V; - na resistência de aterramento dos eletrodos auxiliares de corrente e de tensão, que não deve ultrapassar 100 vezes a O equipamento deve ser capaz de determinar as resistências máximas admissíveis dos eletrodos auxiliares de corrente e tensão, informando se os limites citados foram ultrapassados. Informações e instruções de funcionamento Nos equipamentos de medição, devem constar as seguintes informações, além daquelas definidas na IEC 61557-1:1997: especificação da corrente para dispositivos intercambiáveis; local da bateria; isolamento de acordo com a IEC 61010-1 para equipamentos de medição com alimentação de rede; do equipamento; aplica o erro máximo de funcionamento; - Indicação preferencial dos bornes: (E): borne da tomada de terra; (ES): borne do eletrodo mais próximo à tomada de terra; (S): borne do eletrodo auxiliar de tensão; (H): borne do eletrodo auxiliar de corrente. Manual de utilização Este documento que acompanha o equipamento deve ter especificadas todas as instruções de funcionamento eutilização conforme a IEC 61557-1, bem como: resistência de terra, por exemplo, terrenos secos, úmidos ou outros, conforme Tabela 19 da NBR 5410; e aparelhos complementares, quando necessário; Calibração O equipamento deve ser calibrado periodicamente, geralmente entre um e dois anos. Os métodos de ensaio e calibração, os resultados dos ensaios e as informações dos padrões utilizados devem constar do documento que atesta essa calibração, inclusive possibilitando eventual rastreamento. Sempre que possível, a calibração deve ser realizada em laboratório pertencente à Rede Brasileira de Calibração (RBC), ou seja, laboratório acreditado pelo Inmetro. JOBSON MODENA é engenheiro eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB-3 da ABNT, em que participa atualmente como coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419). É diretor da Guismo Engenharia. HÉLIO SUETA é engenheiro eletricista, mestre e doutor em Engenharia Elétrica, diretor da divisão de potência do IEE-USP e secretário da comissão de estudos que revisa a ABNT NBR 5419:2005. Continua na próxima edição A po io At er ra me nt os e lé tr ic os O projeto da norma ABNT NBR 7117, atualmente em revisão, estabelece os requisitos para a medição da resistividade e a determinação da estratificação do solo. Estima-se que esta norma seja publicada no início de 2012. O texto do projeto apresenta diversos métodos de medição com vários arranjos para o método dos quatro eletrodos. Este capítulo apresenta, de forma resumida, estes métodos e arranjos. Lembrando que resistividade elétrica do solo ou resistividade do solo é a resistência entre faces opostas do volume de solo, consistindo em um cubo homogêneo e isótropo cuja aresta mede uma unidade de comprimento. O solo tem uma composição bastante heterogênea, sendo que o valor da sua resistividade pode variar de local para local em função do tipo (argila, calcário, areia, granito, etc.), do nível de umidade (seco, molhado), da profundidade das camadas, da idade de formação geológica, da temperatura, da salinidade e de outros fatores naturais. A resistividade do solo geralmente é afetada também por fatores externos, como contaminação e compactação do solo. O projeto da ABNT NBR 7117 apresenta a Tabela 1 com exemplos da variação da resistividade do solo, reproduzida a seguir: O solo é, geralmente, constituído por diversas camadas, sendo que cada camada apresenta um valor de resistividade e uma espessura. A determinação destes valores e a estratificação do solo são muito importantes para o cálculo das características do sistema de aterramento, essenciais para o desenvolvimento dos projetos e estudos, assim como para a determinação de potenciais de passo e solo. O projeto de norma apresenta na Figura 1 exemplos que representam solo real (a) e o solo estratificado (b). Capítulo XI Medição da resistividade do solo Jobson Modena e Hélio Sueta* TIPOS DE SOLO ÁGUA DO MAR ALAGADIÇO, LIMO, HUMUS, LAMA ÁGUA DESTILADA ARGILA CALCÁRIO AREIA GRANITO BASALTO CONCRETO (1) FAIXA DE RESISTIVIDADES MENOR DO QUE 10 ATÉ 150 300 300 – 5.000 500 – 5.000 1.000 – 8.000 1.500 – 10.000 A PARTIR DE 10.000 MOLHADO: 20 – 100 ÚMIDO: 300 – 1000 (1) A categoria molhado é típica de aplicação em ambientes externos. Valores inferiores TABELA 1 – VALORES TÍPICOS DE RESISTIVIDADE DE ALGUNS TIPOS DE SOLO A po io São apresentados também os seguintes métodos de medição: o Arranjo do eletrodo central o Arranjo de Lee o Arranjo de Wenner o Arranjo Schlumberger – Palmer AMOSTRAGEM FÍSICA DO SOLO Este método é utilizado geralmente como um critério comparativo com os resultados obtidos em campo pelo método Legenda 1, e1 Resistividade e espessura da camada de número 1 2, e2 Resistividade e espessura da camada de número 2 3, e3 Resistividade e espessura da camada de número 3 4, e4 Resistividade e espessura da camada de número 4 Figura 1 – Solo real (a) e solo estrati cado (b). dos quatro pontos. Neste método são levantadas, em laboratório, as curvas de resistividade em função da quantidade de água adicionada ao solo e também da capacidade que o solo tem de retê-la. Desta forma, o perfil do comportamento da variação da resistividade com o teor de água para um determinado solo mostra os valores mínimos de resistividade (solo saturado com água) e o valor da resistividade com o solo totalmente seco. Com a determinação da capacidade de retenção de água pela análise de penetração da água no solo pelo efeito de capilaridade, pode-se estimar a umidade que o solo terá na maior parte do tempo. Assim, o valor da resistividade nessa porcentagem de umidade apresenta um valor representativo da resistividade do solo. Método da variação de profundidade Este método consiste em ensaios de medição de resistência de terra executados para várias profundidades (L) do eletrodo de ensaio de diâmetro (d). Por este motivo também é conhecido como “método de três eletrodos”. A resistência de aterramento de uma haste enterrada em um solo uniforme, para fins práticos, é dada pela fórmula: A po io At er ra me nt os e lé tr ic os É possível se estimar o valor da resistividade aparente em função do valor da resistência média e dos valores do comprimento (L) da haste. Assim, quando colocado graficamente em função de L, fornece uma ajuda visual para a determinação da variação da resistividade do solo com a profundidade. Método dos dois pontos Este método também apresenta valores aproximados servindo para avaliar a ordem de grandeza da resistividade de pequenos volumes de solo. Neste método, dois eletrodos iguais são cravados em uma mesma profundidade, afastados a uma distância adequada (maior ou igual a 5 x L). Os eletrodos são interligados por um cabo isolado eletricamente e mede-se a resistência em série destes eletrodos com um terrômetro tipo alicate, com a pinça enlaçando o cabo de interligação. A resistência medida para os dois eletrodos Rm é duas vezes a de cada eletrodo, R1e: Daí, a resistividade media do solo entre os eletrodos será: Em que: “ 2e“ é a resistividade média vista pelos dois eletrodos em m Método dos quatro eletrodos Este é o método mais utilizado para a medição da resistividade média de grandes volumes de terra. De uma forma geral, pequenos eletrodos são cravados no solo a pequenas profundidades, alinhados e espaçados em intervalos não necessariamente iguais. A corrente de ensaio I é injetada entre os eletrodos externos e a diferença de potencial V é medida entre os eletrodos internos utilizando um voltímetro de alta impedância ou um potenciômetro. A resistividade é dada pela fórmula: Vários arranjos podem ser utilizados neste método: O arranjo do eletrodo central é recomendado para prospecção a grandes profundidades ou em locais em que a resistividade é alta. Neste arranjo, o eletrodo C2 é fixado no centro da área a ser medida, variando-se a posição de C1, P1 e P2, e obedecendo-se a condição: d3 muito maior que d1 e d2, conforme a Figura 3. A resistividade para uma profundidade H (dada pela média aritmética das distâncias d1, d2 e d3) é obtida (admitindo-se erro de 1%) pelas fórmulas: Em que: Em particular, se d1 = d2: A Figura 2 a seguir apresenta um esquema da medição por este método: Figura 2 – Método dos quatro eletrodos (geral). Legenda I corrente entre os eletrodos de corrente C1 e C2 V diferença de tensão entre os eletrodos de potencial P1 e P2 d1 distância entre os eletrodos C1 e P1 d2 distância entre os eletrodos P1 e P2 d3 distância entre os eletrodos C2 e P2 b profundidade de cravação dos eletrodos Figura 3 – Arran o do eletrodo central. Legenda I corrente P1 e P2 eletrodos de potencial C1 e C2 eletrodos de corrente d1 distância entre os eletrodos C1 e P1 d2 distância entreos eletrodos P1 e P2 d3 distância entre os eletrodos C2 e P2 1 resistividade aparente da primeira camada A po io O arranjo dos quatro pontos igualmente espaçados (ver Figura 7), mais conhecido como arranjo de Wenner é o mais conhecido e utilizado. Antes da revisão, a NBR 7117 tratava apenas deste método. C1 e C2 são os eletrodos de corrente. A tensão é medida entre os eletrodos P1 e P2 do arranjo. Sendo “a” a distância entre eletrodos adjacentes e “b” a profundidade de cravação destes, a resistividade em função de a e b é dada por: Na prática, são usados quatro eletrodos localizados em uma linha reta em intervalos ‘a’, enterrados a uma profundidade que ser simplificada pela fórmula: Devem ser realizadas diversas medições com vários espaçamentos entre eletrodos para a obtenção da variação da resistividade com a profundidade. O arranjo de Schlumberger é uma configuração do arranjo de 4 pontos em que o espaçamento central é mantido fixo (geralmente a uma distância de 1 metro), enquanto os outros espaçamentos variam de forma uniforme. A Figura 8 é um esquema deste arranjo. As curvas padrão para arranjo de Schlumberger em duas camadas são obtidas pela fórmula: 1ª medição: 1a AB 2a BC Figura 4 – Arran o de Lee (ou das 5 hastes). Figura 5 – Solo com camadas sem variação de espessura. Figura 6 – Solo com camadas de espessuras variáveis. Figura 7 – Arran o de enner. Figura 8 – Arran o de Schlumberger. Legenda I corrente P1 e P2 terminais de potencial para as medições comparativas entre os eletrodos: A – B e B – C C1 e C2 eletrodos de corrente a distância entre os eletrodos C1 P1 P2 C2 A B C a/2 a/2 a a a Se VAB = VBC ===> 1a = 2a VAB VAC === a 2av Ponto central O arranjo de Lee requer duas medidas por espaçamento e permite detectar variações nas espessuras das camadas do solo. Este arranjo utiliza 5 hastes (ver Figuras 4, 5 e 6). At er ra me nt os e lé tr ic os A po io JOBSON MODENA é engenheiro eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB-3 da ABNT, em que participa atualmente como coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419). É diretor da Guismo Engenharia. HÉLIO SUETA é engenheiro eletricista, mestre e doutor em Engenharia Elétrica, diretor da divisão de potência do IEE-USP e secretário da comissão de estudos que revisa a ABNT NBR 5419:2005. Continua na próxima edição Em que: as = Resistividade do arranjo de Schlumberger u v K(x) = função kernel das camadas J0 (y) = função de Bessel de primeira classe de ordem zero O arranjo de Schlumberger – Palmer é utilizado para medição Figura 9 – Arran o Schlumberger – Palmer. de resistividade com grandes espaçamentos, geralmente em terrenos de alta resistividade, da ordem de 3.000 ohm.m ou maior. A Figura 9 apresenta este arranjo em que os eletrodos de potencial são situados muito próximos aos eletrodos de corrente correspondentes para melhorar a resolução da medida da tensão. Se a profundidade b do eletrodo é pequena comparada com as separações d e c, então a resistividade medida pode ser calculada pela seguinte fórmula: Legenda A amperímetro V voltímetro b profundidade dos eletrodos c distância entre os eletrodos de potencial d distância entre os eletrodos de corrente e os eletrodos de potencial A po io At er ra me nt os e lé tr ic os No capítulo anterior, foram apresentados, de forma resumida, alguns métodos de medição da resistividade do solo e arranjos descritos no projeto da norma ABNT NBR 7117, com a revisão do texto já em fase de análise de votos. Este fascículo apresenta os procedimentos para a medição da resistividade do solo incluindo o número e o posicionamento das linhas de medição, as condições mínimas a serem observadas e alguns cuidados a serem tomados durante o ensaio. O número mínimo de linhas de medição, sua direção e localização dos pontos dependem da geometria, da área e das características locais do terreno sob estudo. leituras obtidas em uma mesma direção de cravamento e diversos espaçamentos entre hastes, realizado conforme o método de medição dos quatro pontos pelos diversos arranjos descritos no capítulo anterior. O projeto de norma ABNT NBR 7117 apresenta 1 e Tabela 1) onde é possível se obter o número mínimo de linhas de medição em função da área do terreno. A tabela considera áreas de até 20.000 m². Para áreas superiores, deve-se dividir o terreno remanescente em áreas de até 10.000 m², acrescentando-se linhas de medição equivalentes às descritas na tabela. Como exemplo, um terreno com uma área de 25.000 m² deve ser considerada uma área de 20.000 m² com um número mínimo de seis linhas mais uma área de 5.000 m² com um número mínimo de quatro linhas, resultando em dez linhas de medição. utilizadas para as medições de resistividade. É importante ressaltar que não é somente a área do terreno que determina o número de medições, devem ser levadas em conta também as variações nas características do solo local, devendo-se medir separadamente a resistividade nos diferentes tipos de terreno existentes e também sempre analisar as eventuais diferenças entre os resultados obtidos nas diversas linhas de medição para uma mesma distância entre eletrodos. Quanto maior for a discrepância dos resultados, maior deve ser o número de linhas de medição. Condições mínimas a serem observadas: período mais crítico deve ser realizada, sendo que, de uma maneira geral, este período coincide com aquele em que o solo está mais seco. Convenciona-se, dependendo da condição climática, que essa condição Capítulo XII Procedimentos para medição da resistividade do solo Jobson Modena e Hélio Sueta* ÁREA DO TERRENO (M2) NÚMERO MÍNIMO DE LINHAS DE MEDIÇÃO 2 3 4 6 CROQUIS PARA AS LINHAS DE MEDIÇÃO TABELA 1 – ÁREA DO TERRENO E NÚMERO MÍNIMO DE LINHAS DE MEDIÇÃO A po io At er ra me nt os e lé tr ic os geralmente pode ser atingida após um período de sete dias sem chuvas. É recomendável que seja feita uma análise criteriosa em que o bom senso prevaleça para que um dia onde ocorra, por exemplo, cinco minutos de chuva forte não tenha a mesma relevância de um dia com 15 horas consecutivas de garoa intermitente. Ou seja, o parâmetro de comparação deve sempre ser a condição de exposição do solo. medições com o solo na situação que não seja a mais crítica podem ser realizadas, porém uma medição posterior sempre adotados. uma medição deverá ser feita após a conclusão desta correção. nas medições. Pontos de uma mesma área com desvio superior a 50% em relação ao valor médio das medições realizadas podem dos resultados e, se isso não acontecer, deve ser considerada a conveniência de descartar esta linha de medição. No caso de medições de resistividade próximas a malhas existentes, objetos condutores enterrados ou cercas aterradas, deve-se afastar a linha de medição a uma distância onde estas interferências sejam que possam evitar ou atenuar os efeitos da proximidade com circuitos energizados. duas medições em direções ortogonais nos pontos escolhidos, de preferência no sentido longitudinal ao encaminhamento da linha e outra no sentido perpendicular, que devem coincidir com a localização das estruturas. distancias diferentes entre eletrodos devem ser realizadas. distância de 1 metro entre eletrodos e prosseguir, se possível, dobrando o espaçamento, por exemplo: 1, 2, 4, 8, 16, 32 ... metros. Distâncias intermediárias entre eletrodos também são aceitas, desde que repetidas nas demais direções. O projeto de norma apresenta também um modelo de planilha a ser utilizado nas medições e um anexo completo com as características dos instrumentos de medição. Descreve também os cuidados que devem ser tomados quando estiver realizando as medições de resistividade: devido à possibilidade de ocorrênciade descargas atmosféricas; com tipo e local da medição; animais não circulem pelo local das medições; A interpretação dos resultados obtidos nas medições deve ser bastante criteriosa e necessita de grandes cuidados para a sua validação. É muito importante estabelecer uma equivalência simples para a estrutura do solo. Esta equivalência depende da exatidão e extensão das medições, do método utilizado, da mais complexo se faz necessário para se determinar o modelo Figura 1 – Croquis para medições de resistividade. JOBSON MODENA é engenheiro eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB-3 da ABNT, em que participa atualmente como coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419). É diretor da Guismo Engenharia. HÉLIO SUETA é engenheiro eletricista, mestre e doutor em Engenharia Elétrica, diretor da divisão de potência do IEE-USP e secretário da comissão de estudos que revisa a ABNT NBR 5419:2005. Continua na próxima edição Legenda: A; B; C; D; E; F: linhas de medição A po io At er ra me nt os e lé tr ic os Os fascículos anteriores sobre aterramento elétrico tiveram o objetivo de levar ao conhecimento do leitor, da forma mais simples possível, os assuntos que foram tratados pela comissão de estudos - 102.01 do COBEI e resultaram em norma técnica ou projeto de norma. Infelizmente, o estudo do texto dos três últimos tópicos do compêndio previamente imaginado não avançou o suficiente para possibilitar sua apresentação dentro dos parâmetros aqui inicialmente estipulados. São eles: 1- Materiais utilizados em sistemas de aterramento; 2- Projeto de aterramento em sistemas de distribuição de energia (MRT); e 3- Sistemas de aterramento temporário. O objetivo inicial para normalização de cada assunto é: 1- Estabelecer os requisitos mínimos exigíveis para materiais utilizados em sistemas de aterramentos elétricos (permanentes e temporários) e prescrever critérios para os métodos de ensaio a serem realizados nesses materiais; 2- Estabelecer diretrizes para elaboração de Capítulo XIII Assuntos pendentes Jobson Modena e Hélio Sueta* projetos de aterramento de sistemas elétricos de distribuição, com tensões alternadas inferiores ou iguais a 34,5 kV; 3- Estabelecer os requisitos mínimos exigíveis para materiais utilizados em aterramento temporário, em instalações de subestações e distribuição de energia, estabelecendo critérios para ensaios e inspeção de equipamentos portáteis para aterramento ou aterramento e “curto circuitamento” temporário. Dessa forma, fica aqui o compromisso de retomar o assunto e apresentar material elucidativo assim que os textos mencionados estiverem suficientemente desenvolvidos pelos seus respectivos grupos de trabalho dentro da comissão de estudos. JOBSON MODENA é engenheiro eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB-3 da ABNT, em que participa atualmente como coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419). É diretor da Guismo Engenharia. HÉLIO SUETA é engenheiro eletricista, mestre e doutor em Engenharia Elétrica, diretor da divisão de potência do IEE-USP e secretário da comissão de estudos que revisa a ABNT NBR 5419:2005. FIM Veja este e todos os artigos a série “Aterramentos elétricos” no site www.osetoreletrico.com.br. Em caso de dúvidas, críticas e comentários, escreva para redacao@atitudeeditorial.com.br FimFimFim