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Resumo Aula 3 Banana (morfologia, propagação, mudas)

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AULA 3 
Morfologia da Bananeira 
A Musa sp. é uma monocotiledônea, que tem pseudocaule do tipo rizoma. O pseudocaule 
na verdade é uma especificidade de uma folha, formada pelas bainhas foliares superpostas 
umas as outras. É uma planta que produz frutos partenocárpicos, são capazes de 
desenvolver sem a presença do embrião, e também a planta é capaz de desenvolver frutos 
relativamente grandes sem a aplicação exógena de hormônios vegetais. 
A primeira banana implantada, chamada de banana do primeiro ciclo que foi plantada, 
posteriormente ela terá a formação de seus filhos, chamados rebentos, e cada rebento 
poderá ter mais um filho, até chegar no 9º rebento aproximadamente. Esse conjunto 
descrito é chamado de touceira, que em resumo é o conjunto de bananas interligadas, com 
diferentes idades, oriundas de uma única planta e crescendo desordenadamente. Porém, 
nos plantios comercias não é ideal deixar que a planta forme touceiras, é ideal que ela 
seja conduzida, através do manejo da touceira, deixando no máximo três indivíduos, e 
que esses indivíduos estejam em estágios de desenvolvimento diferente (ex: mãe-filho-
neto). 
Então a bananeira vai produzir brotações laterais, chamada família ou ciclo de produção. 
E à medida que o bananal vai “andando”, porque cada planta que nasce em sua família 
ocupa cerca de 1/3 do espaço ao lado da planta mãe, cada brotação fica mais superficial 
e com isso pode ocorre a queda, e por isso cada bananal leva no máximo 8 ciclos. 
 
1. Sistema Radicular 
A origem dele se dá na região do rizoma entre o cilindro central e o córtex (câmbio). Entre 
o cilindro e o córtex há os tecidos do câmbio, células do parênquima, e as raízes que vão 
nascendo, se originam do câmbio 
Características do sistema radicular: 
• Forma: fasciculadas (com raízes primárias grossas em sistema de 
“cabeleira”), tenras, baixo poder de penetração 
• Distribuição: até 20cm de profundidade (50-70%) 
• Calibre das raízes primárias: 4-8mm de diâmetro 
• Quantidade: 400-800 raízes 
• Hábito de crescimento: crescem continuamente com o lançamento das 
folhas e cessam com o lançamento do cacho 
Questão de prova: 
Fatores que vão fazer com que a bananeira perca parte ou grande parte do seu sistema 
radicular? 
Resposta: Deficiência mineral, seca, plantios que não são irrigados nematoides, brocas da 
bananeira, adubação mal distribuída (porque se cair na raiz pode queimar ou causar 
salinidade). 
2. Rizoma 
Definição: caule que desenvolveu folhas na parte superior e raízes adventícias na porção 
inferior. 
A constituição do rizoma se dá pelo córtex-câmbio-cilindro central. Dimensão de 25 a 
40cm de diâmetro e 6,9 a 11,5kg de peso, o tamanho vai variar de acordo com o manejo. 
Pode ter forma ovoide em solos porosos e achatado em solos pesados. 
 
3. Gema Apical de Crescimento e Gema Lateral de Brotação 
Se encontra sempre no centro dos semiarcos de círculos esculpidos pela fixação das 
bainhas das folhas. 
Os semiarcos não se completam pelo fato de terem um ponto de interrupção, no qual há 
outro conjunto de células meristemáticas, as gemas laterais de brotação. Para cada 
lançamento de uma folha, na intersecção haverá uma gema. 
A propagação da bananeira pode ser feita a partir de partes do rizoma, não é muito 
comum, mas pode ser feito. O rizoma de uma bananeira adulta pode ser cortado em 6 
partes e ser plantado nas covas, fazendo assim a propagação, mas desde que em cada parte 
tenha uma gema. 
Estando formadas a gema lateral de brotação e a folha, inicia-se um crescimento radial 
concêntrico, até chegarem próximo da periferia do rizoma. Ao estarem próximas da 
periferia, a gema lateral de brotação já tem cerca de 2cm de diâmetro e é conhecida por 
olhadura ou mamica. À medida que cresce, ela passa a exercer as mesmas funções da 
gema apical de crescimento e, assim acaba formando uma protuberância que se 
transformará, futuramente, em um rebento. 
 
4. Folhas 
A folha mais nova da bananeira é lançada por dentro do eixo do pseudocaule, e ela precisa 
ter resistência, então cresce enrolada para que consiga chegar o mais alto possível. 
Quando as folhas estão mais “inteiras” podemos chegar a conclusão de que não têm 
ventado muito, pois as folhas são sensíveis e se quebram com facilidade. 
Quando a folha é jovem podem acontecer de aparecerem algumas manchas roxas, o que 
muito confundem com doença, mas na verdade é um lugar em que a antocianina da folha 
está em excesso, mas a medida que a folha vai ficando mais velha essas manchas somem. 
As folhas da bananeira são formadas por: bainha foliar, pseudopecíolos, nervura e limbo 
foliar. 
Questão de prova: Qual o número ideal de folhas em um bananal sadio? O ideal é que a 
planta tenha a maior quantidade de folhas possível e que estas estejam sadias, sem 
doenças, verdes, e isso vai ocorrer de acordo com o manejo da cultura, então precisa ser 
bem irrigada, adubada, com bom teor de matéria orgânica. 
No momento da colheita, em um estudo do professor Martelleto, foi visto que a BRS 
princesa apresenta geralmente 10 folhas no momento da colheita, o que é um número 
ótimo e faz com que a planta expresse o seu melhor potencial de produtividade. 
O mal do Panamá, na raça 1 e 2, vai causando o apodrecimento das bainhas foliares e 
com isso as folhas correspondentes vão morrendo chegando a deixar a planta quase sem 
folhas, com isso o cacho não vai engordar e a produção será reduzida. 
O processo de formação das folhas é contínuo. Antes do aparecimento da inflorescência, 
a bananeira emite as últimas 3 ou 4 folhas com dimensões cada vez menores. A folha 
pitoca (ultima folha da passagem do estado vegetativo para reprodutivo) tem sua 
conformação mais coriácea, formato típico, com nervuras secundárias pronunciadas e 
frequentemente seca durante o desenvolvimento do cacho. 
5. Pseudocaule ou Falso Tronco 
O tamanho do pseudocaule vai variar de acordo com a sua carga genética, ele é um estipe 
e pode ter tamanho entre 1,2 a 8m com diâmetro de 10 a 50cm. 
Lembrar: o potencial do cacho está totalmente relacionado com a espessura do rizoma 
6. Diferenciação Floral 
Ocorre no fim da diferenciação foliar. Segundo Champion (1975) os fatores que sugerem 
a transformação do meristema, tornando-o uma gema floral, são a superfície foliar 
funcional e desenvolvimento do rizoma 
7. Inflorescência e flor 
Inflorescência é a mesma coisa que rácimo. Que também é chamado de engaço, 
pedúnculo, ráquis e coração da bananeira. A coloração dele depende muito do material 
genético, na banana Cavendish é arroxeado, na banana figo é um vermelho intenso. 
Geralmente cada flor que vai gerar a penca nasce em dias diferentes, então se florescerem 
12 flores, haverá 12 pencas no cacho. 
A flor da banana comestível é zigomórfica, sempre completa com os órgãos femininos e 
masculinos, verificando-se em algumas a atrofia das anteras (flores femininas) e, em 
outras, dos ovários (flores masculinas). 
 
 
 
 
Figura 1. Cada parte colorida vai florescer e gerar uma nova penca 
Conforme esses frutos vão crescendo eles se curvam para cima. 
 
Propagação da Bananeira 
Via Vegetativa 
1. Brotações dos rizomas (rebentos): 
1.1 Chifrinho: de 20-40cm 
1.2 Chifre: 40-60cm 
1.3 Chifrão: 60-150cm 
Esses rebentos são retirados na hora do manejo das touceiras. Quanto mais alta a muda, 
maiores serão as folhas com o limbo aberto. Quando temos um manejo ruim é comum 
encontrarmos mudas do tipo guarda chuva, é uma muda com muitas folhas e rizoma 
atrofiado. 
Quando é que usamos mudas do tipo rebento? Quando temos um pomar sadio, sem brocas 
e patógenos, e também quando queremos ampliar o local da cultura. Cada muda dessa 
tem o valor médio de R$2,00. A parte basal do rizoma é cortado e replantado, em cultivos 
com o uso de agroquímicos essa muda pode ser tratada antes do plantio, e em cultivos 
orgânicos ela é plantada direto sem tratamento algum. 
Quando o rizoma estiver