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EXMO. SR. DR. DESEMBARGADOR – PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO XXXXXXXXXXX
AUTOS DO PROCESSO NO JUÍZO DE ORIGEM
Juízo: 	XXX Vara Cível da Circunscrição Judiciária de XXXXXXX
Autos: 	XXXXXXXXXXXXXX 
Classe: 	Busca e Apreensão Convertida em Depósito
Requerente:	AGENTE FINANCEIRO
Requerido:	MARIA XXXXXXXXXX
Anderson Lesther de Souza Silva, brasileiro, Advogado OAB nº XXXXX/XX vem, com fulcro nas disposições constitucionais e legais vigentes, em especial às garantias fundamentais prescritas no artigo 5º, incisos LIV e LXV e §§ 2º e 3º, Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, sem ouvidar o que dispoe o artigo 7º, 5, Convenção Americana sobre Direitos Humanos – Pacto de San José da Costa Rica (Decreto nº 678/92) e artigo 9º, 3, Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (Decreto nº 592/92), propor a presente ação de 
HABEAS CORPUS, com pedido liminar, 
em favor de MARIA XXXXXXXXXXX , brasileira, portador do RG nº XXXXXXXXX, CFF nº XXXXXXXXXXXXX, , mantida ARBITRÁRIA E INDEVIDAMENTE no cárcere por ordem do r. Juízo de Direito da XXX Vara Cível da comarca XXXXXXXXX conforme se extrai dos autos do processo nº XXXXXXXXXXXX – dos quais se depreende ser sendo a responsável AUTORIDADE COATORA, a qual se insurge a paciente com base nos fatos e fundamentos jurídicos a seguir elencados.
I – DOS FATOS 
1. A ora paciente em XXXX, contratou financiamento para aquisição de um veículo, modelo XXXXXXX, marca XXXXXXX, adquirido à epóca pela importância de R$ XXXXX,XX e cujo empréstimo realizado pelo Agente Financeiro e contratado na modalidade de financiamento com alienação fiduciária que seria pago em sessenta parcelas mensais iguais e sucessivas no valor de R$900,00(novecentos reais);
2. Entretanto, após cumprir rigorosamente com o pagamento pontual de 24 (vinte e quatro) parcelas do respectivo financiamento, veio a paciente ingressar em insuperável dificuldade financeira, vendo-se incapaz de cumprir com o pactuado, momento no qual celebrou contrato verbal com PEDRO XXXXXXXXXXXXXXX, a quem transmitiu em XX de XXXXXX de XXXX, o referido veículo. Por sua vez o adquirente PEDRO, comprometeu-se a realizar pontual pagamento das prestações vincendas, bem como regularizar a situação das parcelas vencidas; 
3. Tal acerto, transcorreu sem dificuldades até o momento em que PEDRO, também se viu incapaz de manter o pontual pagamento das parcelas, totalizando 06(seis) parcelas, o que ensejou a rescisão contratual por inadimplência;
4. O Agente Financeiro propôs ação de busca e apreensão de bem, que foi referenda pela autoridade coatora, mas viu frustrado o intento, visto não localizar o veículo no endereço da paciente;
5. Ato contínuo, propos o Agente Financeiro a prisão da paciente sob a pecha de DEPOSITÁRIA INFIEL, pedido esse acatado pelo M.M Juiz da XXX Vara Cível da comarca XXXXXXXXX, que determinou a prisão da ora paciente e que agora encontra-se detida em Estabelecimento Penal.
II - DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS
	Essa ameaça do(a) juiz(a) é tanto ilegal quanto inconstitucional, não se podendo aplicar a pena de prisão civil ao consumidor que descumpre contrato garantido pela cláusula da alienação fiduciária, consoante nova orientação dada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos da Súmula Vinculante 25, tomando como precedentes:
 
(...) diante do inequívoco caráter especial dos tratados internacionais que cuidam da proteção dos direitos humanos, não é difícil entender que a sua internalização no ordenamento jurídico, por meio do procedimento de ratificação previsto na CF/1988, tem o condão de paralisar a eficácia jurídica de toda e qualquer disciplina normativa infraconstitucional com ela conflitante. Nesse sentido, é possível concluir que, diante da supremacia da CF/1988 sobre os atos normativos internacionais, a previsão constitucional da prisão civil do depositário infiel (art. 5º, LXVII) não foi revogada (...), mas deixou de ter aplicabilidade diante do efeito paralisante desses tratados em relação à legislação infraconstitucional que disciplina a matéria (...). Tendo em vista o caráter supralegal desses diplomas normativos internacionais, a legislação infraconstitucional posterior que com eles seja conflitante também tem sua eficácia paralisada. (...) Enfim, desde a adesão do Brasil, no ano de 1992, ao PIDCP (art. 11) e à CADH — Pacto de São José da Costa Rica (art. 7º, 7), não há base legal para aplicação da parte final do art. 5º, LXVII, da CF/1988, ou seja, para a prisão civil do depositário infiel.
[RE 466.343, rel. min. Cezar Peluso, voto do min. Gilmar Mendes, P, j. 3-12-2008, DJE 104 de 5-6-2009, Tema 60.]
A matéria em julgamento neste habeas corpus envolve a temática da (in)admissibilidade da prisão civil do depositário infiel no ordenamento jurídico brasileiro no período posterior ao ingresso do Pacto de São José da Costa Rica no direito nacional. 2. Há o caráter especial do PIDCP (art. 11) e da CADH — Pacto de São José da Costa Rica (art. 7º, 7), ratificados, sem reserva, pelo Brasil, no ano de 1992. A esses diplomas internacionais sobre direitos humanos é reservado o lugar específico no ordenamento jurídico, estando abaixo da CF/1988, porém acima da legislação interna. O status normativo supralegal dos tratados internacionais de direitos humanos subscritos pelo Brasil torna inaplicável a legislação infraconstitucional com ele conflitante, seja ela anterior ou posterior ao ato de ratificação. 3. Na atualidade a única hipótese de prisão civil, no Direito brasileiro, é a do devedor de alimentos. O art. 5º, § 2º, da Carta Magna expressamente estabeleceu que os direitos e garantias expressos no caput do mesmo dispositivo não excluem outros decorrentes do regime dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. O Pacto de São José da Costa Rica, entendido como um tratado internacional em matéria de direitos humanos, expressamente, só admite, no seu bojo, a possibilidade de prisão civil do devedor de alimentos e, consequentemente, não admite mais a possibilidade de prisão civil do depositário infiel. 4. Habeas corpus concedido.
[HC 95.967, rel. min. Ellen Gracie, 2ª T, j. 11-11-2008, DJE 227 de 28-11-2008.] 
 
          Como se vê, ipso facto, igual temática na Suprema Corte Federal é objeto de Tese de Repercussão Geral, como segue:
● É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade de depósito.
[Tese definida no RE 466.343, rel. min. Cezar Peluso, P, j. 3-12-2008, DJE 104 de 5-6-2009, Tema 60.]
O Plenário desta Corte, no julgamento conjunto dos HC 87.585 e HC 92.566, relator o ministro Marco Aurélio, e dos RE 466.343 e RE 349.703, relatores os ministros Cezar Peluso e Carlos Britto, sessão de 3-12-2008, fixou o entendimento de que a circunstância de o Brasil haver subscrito o Pacto de São José da Costa Rica conduziu à inexistência de balizas visando à eficácia do que previsto no art. 5º, LXVII, da CF/1988, restando, assim, derrogadas as normas estritamente legais definidoras da custódia do depositário infiel.
[RE 716.101, rel. min. Luiz Fux, dec. monocrática, j. 31-10-2012, DJE 220 de 8-11-2012.]
(...) impende enfatizar — quanto ao outro fundamento do recurso em questão — que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou-se no sentido de que inexiste, em nosso sistema jurídico, a prisão civil do depositário infiel, inclusive a do depositário judicial a quem se haja atribuído infidelidade depositária (...). Essa orientação, por sua vez, acha-se contemplada em súmula desta Suprema Corte revestida de eficácia vinculante (Súmula Vinculante 25) (...).
[AI 277.940, rel. min. Celso de Mello, dec. monocrática, j. 31-5-2011, DJE 111 de 10-6-2011.]
III – DOS PEDIDOS
	Em face do exposto, requer:
	(a) concessão de liminar, expedindo-se salvo-conduto em favor do(a) paciente;
	(b) intimação do Ministério Público para acompanhar este processo;
	(c) notificação da autoridade coatora para prestar informações;
	(d) ao final, a concessão em definitivo da ordem, reconhecendoa impossibilidade da decretação da prisão civil do(a) paciente.
o impetrante apresenta, em anexo, cópia das peças relevantes dos autos originários, a fim de instruir o ofício de notificação da autoridade coatora.
	
 
Pede deferimento.
XXXXXXXXXXX, 18 de março de 2021.
Anderson Lesther de Souza Silva
OAB XXXXXX/XX
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