A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
Aula 04 - Sujeitos do Processo I

Pré-visualização | Página 1 de 2

PROCESSO CIVIL
Capacidade 
Sucessão processual
Legitimidade das partes
Partes
Sujeitos do processo – autor e réu – que são, respectivamente, quem formula o pedido em juízo e aquele em face de quem se postula a tutela jurisdicional.
O momento da definição das partes é, em regra, a petição inicial, quando são identificados o autor e o réu.
No entanto, é possível que no curso do processo sejam acrescentadas ou alteradas as partes do processo.
Capacidade 
Capacidade de direito: é a capacidade de ser parte, reconhecida a qualquer pessoa, posto que todos são capazes de direitos e deveres na ordem civil (art. 1º, Código Civil).
Capacidade de fato: aptidão para estar em juízo, capacidade para exercer os atos da vida civil (art. 70, CPC).
Havendo falta de capacidade de fato, é necessária a integração da capacidade, por meio de assistência ou representação.
Capacidade 
A capacidade é um pressuposto processual, e se estiver ausente, deve impedir o juiz de julgar o mérito (art. 76, CPC):
Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício.
§ 1º Descumprida a determinação, caso o processo esteja na instância originária:
I - o processo será extinto, se a providência couber ao autor;
II - o réu será considerado revel, se a providência lhe couber;
III - o terceiro será considerado revel ou excluído do processo, dependendo do polo em que se encontre.
§ 2º Descumprida a determinação em fase recursal perante tribunal de justiça, tribunal regional federal ou tribunal superior, o relator:
I - não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente;
II - determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência couber ao recorrido.
Incapacidade processual
Incapacidade relativa: maiores de 16 e menores de 18 anos, ébrios habituais, viciados em tóxicos, pessoas com discernimento reduzido (art. 4º, CC). Necessidade de assistência para prática de atos processuais, casos em que assistente e assistido agem em conjunto.
Incapacidade absoluta: menores de 16 anos, ausência de discernimento ou de capacidade de exprimir sua vontade (art. 3º, CC). Necessidade de representação processual, casos em que o representante agirá em nome do representado.
Capacidade postulatória
Em regra, apenas o advogado regularmente inscrito na OAB possui capacidade postulatória, isto é, para praticar os atos técnicos no curso do processo.
Além da inscrição regular na OAB, para exercer sua capacidade postulatória representando a parte, o advogado deve estar munido de procuração (mandato) devidamente outorgada por ela.
Deveres das partes e dos procuradores
Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de seus procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma participem do processo:
I - expor os fatos em juízo conforme a verdade;
II - não formular pretensão ou de apresentar defesa quando cientes de que são destituídas de fundamento;
III - não produzir provas e não praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou à defesa do direito;
IV - cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou final, e não criar embaraços à sua efetivação;
V - declinar, no primeiro momento que lhes couber falar nos autos, o endereço residencial ou profissional onde receberão intimações, atualizando essa informação sempre que ocorrer qualquer modificação temporária ou definitiva;
VI - não praticar inovação ilegal no estado de fato de bem ou direito litigioso.
§ 2º A violação ao disposto nos incisos IV e VI constitui ato atentatório à dignidade da justiça, devendo o juiz, sem prejuízo das sanções criminais, civis e processuais cabíveis, aplicar ao responsável multa de até vinte por cento do valor da causa, de acordo com a gravidade da conduta.
Sucessão das partes
Hipóteses em que um sujeito assume a posição jurídica que era até então ocupada por outro.
Pode ocorrer por força de falecimento (sucessão causa mortis) ou em virtude de transferência do bem jurídico-material que é objeto do processo (sucessão inter vivos).
Sucessão causa mortis:
Art. 110. Ocorrendo a morte de qualquer das partes, dar-se-á a sucessão pelo seu espólio ou pelos seus sucessores, observado o disposto no art. 313, §§ 1º e 2º.
Art. 313, §2º: Não ajuizada ação de habilitação, ao tomar conhecimento da morte, o juiz determinará a suspensão do processo e observará o seguinte:
I - falecido o réu, ordenará a intimação do autor para que promova a citação do respectivo espólio, de quem for o sucessor ou, se for o caso, dos herdeiros, no prazo que designar, de no mínimo 2 (dois) e no máximo 6 (seis) meses;
II - falecido o autor e sendo transmissível o direito em litígio, determinará a intimação de seu espólio, de quem for o sucessor ou, se for o caso, dos herdeiros, pelos meios de divulgação que reputar mais adequados, para que manifestem interesse na sucessão processual e promovam a respectiva habilitação no prazo designado, sob pena de extinção do processo sem resolução de mérito.
Sucessão inter vivos
CPC, art. 109:
Art. 109. A alienação da coisa ou do direito litigioso por ato entre vivos, a título particular, não altera a legitimidade das partes.
§ 1º O adquirente ou cessionário não poderá ingressar em juízo, sucedendo o alienante ou cedente, sem que o consinta a parte contrária.
§ 2º O adquirente ou cessionário poderá intervir no processo como assistente litisconsorcial do alienante ou cedente.
§ 3º Estendem-se os efeitos da sentença proferida entre as partes originárias ao adquirente ou cessionário.
Se há uma demanda entre A (autor) e B (réu), e B vende o imóvel objeto da ação para C, isso não significa que C automaticamente passará a figurar no polo passivo. Para isso, C precisa requerer o ingresso na ação, e A precisa anuir. Outra hipótese é que C, em vez de ingressar na ação como réu, ingresse como assistente de B. De todo, modo os efeitos da sentença estendem-se a C, sendo ele parte ou não da ação.
Sucessão dos procuradores
Art. 111. A parte que revogar o mandato outorgado a seu advogado constituirá, no mesmo ato, outro que assuma o patrocínio da causa.
Parágrafo único. Não sendo constituído novo procurador no prazo de 15 (quinze) dias, observar-se-á o disposto no art. 76 .
Não sendo constituído novo advogado neste prazo, o processo será extinto, se a providência couber ao autor; se couber ao réu, este será considerado revel.
Art. 112. O advogado poderá renunciar ao mandato a qualquer tempo, provando, na forma prevista neste Código, que comunicou a renúncia ao mandante, a fim de que este nomeie sucessor.
§ 1º Durante os 10 (dez) dias seguintes, o advogado continuará a representar o mandante, desde que necessário para lhe evitar prejuízo
§ 2º Dispensa-se a comunicação referida no caput quando a procuração tiver sido outorgada a vários advogados e a parte continuar representada por outro, apesar da renúncia.
Casos práticos
1. Questão. Pedrinho, menor absolutamente incapaz, promove uma ação de alimentos em face de seu pai, Joaquim Lourenço. O juiz ao analisar a inicial verifica a ausência do represente legal e determina a emenda no prazo de 15 dias, nos termos do artigo 321 do Código de Processo Civil, para que conste a representação do menor. Agiu corretamente o magistrado? Justifique.
Casos práticos
2. Questão. ( VUNESP/ 2018) São deveres das partes, de seus procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma participem do processo, conforme determina o Código de Processo Civil de 2015:
a) expor o direito em juízo conforme a verdade.
b) não formular pretensão ou defesa quando ciente de que são polêmicas.
c) cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais de natureza final, não criando embaraços à sua efetivação, discutindo as de natureza provisória.
d) não praticar qualquer inovação, transação ou assunção no estado de direito do bem litigioso.
e) declinar, no primeiro momento que lhe couber falar nos autos, o endereço residencial ou profissional onde receberão intimações,