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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO - UEMA
NÚCLEO DE TECNOLOGIAS PARA EDUCAÇÃO - UEMAnet
UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL - UAB
CURSO DE LICENCIATURA EM MÚSICA
Métodos e Técnicas de 
Pesquisa em Música
Edição
Universidade Estadual do Maranhão - UEMA
Núcleo de Tecnologias para Educação - UEMAnet
Coordenadora do UEMAnet
Profª. Ilka Márcia Ribeiro de Souza Serra
Coordenadora Pedagógica de Designer Educacional
Profª. Maria das Graças Neri Ferreira
Coordenadora Administrativa de Designer Educacional
Cristiane Costa Peixoto
Professor Conteudista
Daniel Lemos Cerqueira
Designer Educacional
Clecia Assunção Silva
Designer Pedagógico
Lidiane Saraiva Ferreira Lima
Revisora de Linguagem
Lucirene Ferreira Lopes
Editoração Digital
Luis Macartney Serejo dos Santos
Governador do Estado do Maranhão
Flávio Dino de Castro e Costa
Reitor da UEMA
Prof. Gustavo Pereira da Costa
Vice-reitor da UEMA
Prof. Walter Canales Sant’ana
Pró-reitor de Administração
Prof. Gilson Martins Mendonça
Pró-reitor de Extensão e Assuntos Estudantis
Prof. Paulo Henrique Aragão Catunda
Pró-reitora de Graduação
Profª. Andréa de Araújo
Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação
Prof. Marcelo Cheche Galves
Pró-reitor de Planejamento
Prof. Antonio Roberto Coelho Serra
Universidade Estadual do Maranhão - UEMA
Núcleo de Tecnologias para Educação - UEMAnet
Campus Universitário Paulo VI - São Luís - MA
Fone-fax: (98) 2106-8970
http://www.uema.br
http://www.uemanet.uema.br
Central de Atendimento
http://ava.uemanet.uema.br
Proibida a reprodução desta publicação, no todo ou em parte, sem 
a prévia autorização desta instituição.
Universidade Estadual do Maranhão.Núcleo de Tecnologias para Educação.
 Universidade Aberta do Brasil. Curso de Licenciatura em música. 
Métodos e técnicas de pesquisa em Música/ Daniel Lemos Cerqueira.– São 
Luís: UemaNet, 2017.
39 p.
 
ISBN:
 1. Música- Maranhão. 2. Música - Técnica de pesquisa. I.Cerqueira, Daniel 
Lemos. II.Título
CDU: 78(812.1)
SUMÁRIO
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA
1.1 Introdução
1.2 O pensamento científico
1.3 Problema, Hipótese e Questão Norteadora
1.4 Revisão de literatura
UNIDADE 2 – LEITURA E REDAÇÃO ACADÊMICA
2.1 Leitura analítica
2.2 Coesão textual
2.3 Coerência textual
2.4 Estruturação do texto
2.5 Normalização
2.6 Citações
UNIDADE 3 – MÉTODOS DE PESQUISA
3.1 Considerações iniciais
3.2 Métodos característicos das Ciências Naturais
3.3 Métodos característicos das Ciências Sociais e Humanas
3.4 Métodos característicos das Artes
UNIDADE 4 – PROJETOS DE PESQUISA
4.1 Recapitulando
4.2 Referências bibliográficas
4.3 Objetivos
4.4 Justificativa
4.5 Referencial teórico
4.6 Metodologia
4.7 Cronograma
4.8 Recursos
4.9 Introdução
4.10 Anexos
4.11 Elementos pré-textuais
4.12 Outras questões
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29
5
6
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9
13
21
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APRESENTAÇÃO
 Qualquer tentativa de escrever sobre metodologia da pesquisa científica é um trabalho arriscado, pois 
há uma vasta literatura sobre o tema na qual dificilmente seria possível estar plenamente a par. Entretanto, 
os manuais existentes ainda focam na concepção positivista de “conhecimento científico”. Felizmente, as 
Ciências Sociais há décadas têm provido valiosas reflexões no sentido de questionar esta visão estabelecida 
de “ciência”. Aqui, ela se resume à busca da verdade, e esta “verdade” não pode mais estar restrita apenas 
ao pensamento lógico-racional, à objetividade e à impessoalidade. A intuição, a subjetividade e as nossas 
emoções não apenas fazem parte de nossa visão sobre a “realidade”, mas permeiam objetivamente os 
processos e resultados de qualquer pesquisa “científica”. A oralidade se torna um meio de documentação 
tão valioso como a vida – até porque práticas culturais que só existem em documentos estão, na verdade, 
mortas. Como disse o engenheiro Saulo de Tarso Cerqueira Lima, meu pai, “não existe ciência ‘exata’, pois 
toda ciência é fruto da percepção humana”.
 Este panorama permitiu introduzir neste breve e modesto e-Book, mas de forma pioneira, a pesquisa 
artística. Ela leva às últimas consequências esta reformulação sobre as visões consolidadas de “ciência” e 
“conhecimento”. E nada mais oportuno do que apresentá-la aos estudantes de música, para que possam 
fazer uso da mesma não apenas para a “ciência”, mas para a vida – enquanto persistir este paradoxo. E, 
logicamente, não abandonamos todo o conhecimento acadêmico produzido até então; isto seria um ato de 
extrema irresponsabilidade. Apenas queremos acrescentar uma prática que é claramente inferiorizada nas 
universidades brasileiras – a “menor das faculdades”, segundo Borgdorff (2012, p. 26) – apesar destas últimas 
fazerem uso recorrente da produção artística quando convém, mas nunca no mesmo patamar da “ciência”.
 Por fim, esperamos que esta experiência, acrescida de uma linguagem mais informal, possa proporcionar 
maior interesse dos estudantes em relação à pesquisa científica, isto porque no sentido tradicional, o “rigor” e 
a “objetividade” dificultam uma aproximação espontânea (a Pedagogia do Piano que o diga...). Tudo poderia 
ser muito mais estimulante e interessante; basta pensar um pouco “fora da caixinha”.
 
Bons estudos!
Daniel Lemos
Pianista
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1.1 Introdução
 A “pesquisa”, em um sentido mais amplo, está presente em nosso dia a dia. Ela acontece quando 
buscamos informações, como saber a localização de uma rua, a receita para preparar um alimento, as 
notícias do dia sobre política, economia e informações sobre eventos culturais na cidade. Sendo assim, o 
ato de pesquisar envolve a busca por informações – ou melhor, pelo conhecimento – frente a algum tipo de 
necessidade.
 A diferença entre esta “pesquisa” cotidiana e o que chamamos de “pesquisa científica” se dá na maneira 
como lidamos com as informações. Enquanto no dia a dia raramente nos preocupamos com a origem (ou 
fonte) das mesmas e buscamos soluções rápidas para nossos problemas sem muita reflexão1 , na pesquisa 
científica precisamos ser cuidadosos com a fonte e a autoria das informações, planejando de forma consciente 
um caminho que vise a resolver os problemas encontrados – mesmo que eles não sejam “resolvidos” de fato2.
 Outra preocupação muito importante da pesquisa científica é buscar por um conhecimento “novo”. 
Porém, esse “novo” é relativo, pois todo conhecimento que produzimos provém de informações que já existiam, 
ou seja: nenhuma novidade surge do “nada”. Podemos ilustrar aqui a 9ª Sinfonia de Ludwig van Beethoven 
(1770-1827), que inovou no repertório sinfônico com a adição de um coral aos instrumentos da orquestra 
de então – que possuía os naipes de cordas, madeiras, metais e percussão. Porém, não se trata de uma 
inovação “pura”: os corais já existiam e a formação orquestral também. A “novidade” foi o insight – a ideia – 
que Beethoven teve ao unir essas duas formações.
• Refletir sobre o conceito de “pesquisa científica”;
• Compreender os procedimentos para revisão de literatura.
OBJETIVOS
UNIDADE
1Introdução à Pesquisa Científica
___________________________________________________
1 Alguns autores, como o sociólogo Boaventura Santos (2008), chamam essa prática de “senso comum”.
 2 É importante reforçar que nenhuma pesquisa tem obrigação de apresentar resultados; há situações em que surgem mais perguntas 
do que respostas. Pesquisa é, portanto, mais o percurso do que o fim.
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Figura 1 - Teoria das Inteligências Múltiplas
Fonte: McGREAL, 2017
1.2 O pensamento científico
 Segundo nos diz Fonseca (2002, p. 11), “a ciência é uma forma particular de conhecer o mundo”. 
Sua principal característica é apresentar conclusões3 norteadas pelo pensamento lógico-racionalatravés 
de estudos feitos por meio de abordagens qualitativas – análise de um objeto com maiores detalhes – ou 
quantitativas – análise de uma amostra/quantidade maior de objetos. Os resultados (conclusões) destes 
estudos são divulgados por meio de publicações (artigos, livros, monografias ou teses, entre outros) após 
serem avaliados por pares – especialistas na área de conhecimento em questão4.
 Historicamente, até meados do século XIX, a pesquisa científica focava apenas em estudos sobre 
fenômenos da natureza, a exemplo da Física, Química, Astronomia e Biologia. Os estudos sobre os seres 
humanos, conhecidos hoje como Ciências Sociais e Humanas, eram feitos até então por filósofos e teólogos 
(GIL, 2008, p.3-4). Essas áreas foram incluídas na academia (e, portanto, na universidade) somente a partir 
do século XIX, e suas ferramentas particulares de estudo – como entrevistas e questionários, por exemplo – 
precisaram de tempo até serem aceitas como procedimentos “respeitáveis” de pesquisa científica.
 A partir do século XX, estudos relacionados à Psicologia passaram a analisar outras formas de 
pensamento além do lógico-racional e matemático que, por sua vez, dominavam os sistemas educacionais. 
Como exemplo, mencionamos o trabalho de Jerome Bruner (1999), onde o autor destaca a relevância da 
intuição no processo de ensino e aprendizagem. Há também, a “Teoria das Inteligências Múltiplas” de Howard 
Gardner (2002) que, entre os sete tipos de inteligências que o autor propõe para o ser humano, está entre elas 
a “inteligência musical”. Segue uma ilustração dos tipos de inteligência propostos por esta teoria (Figura 1).
___________________________________________________
3 Para vários autores, em vasta literatura, o objetivo principal da ciência é a “busca pela verdade”.
4 Para conhecer mais sobre formas e meios de publicação científica, veja Marconi e Lakatos (2003, p. 252-271).
 Sobre a intuição, este é um tipo de conhecimento humano produzido por meio de “impressões”, 
emoções e sensações táteis – o músico e o artista em geral trabalham muito com essa forma de pensar, que 
influencia constantemente suas decisões criativas e interpretativas. Logo, a intuição interfere diretamente 
– “objetivamente” – nos estudos que abordam práticas artísticas e culturais, sendo incoerente deixar de 
reconhecê-la no processo de pesquisa.
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 Apesar da pesquisa científica ainda priorizar o pensamento lógico-racional, temos observado nas 
últimas décadas um forte movimento de diálogo entre a ciência e outras formas de pensamento e tipos de 
informações, contemplando a intuição, as sensações táteis e a oralidade, entre outros5. Isso acontece porque o 
conceito tradicional de “ciência” não tem se mostrado suficiente para responder às perguntas levantadas pelos 
estudos que focam no ser humano6 e, em especial, nas Artes. Como reflexo dessas mudanças, observamos 
um questionamento sobre a imagem do cientista como alguém que atua apenas em laboratórios fazendo 
pesquisas “objetivas” e “impessoais” sem se envolver com questões políticas, econômicas e sociais – concepção 
resultante do conceito de “pesquisa pura”, instituído como política mundial de Ciência e Tecnologia a partir 
da década de 1950 (BORGDORFF, 2012, p. 86-88). Essa visão enfática do racionalismo e da objetividade, 
que se tornou o pilar do conceito tradicional de “ciência”, tem sua origem no “Discurso do Método” de René 
Descartes (2001). Segundo Vieira:
Foi com ele que aprendemos o que era a ciência, o método científico (no singular), a 
objetividade. Foi esse Discurso do Método que marcou a ciência deste século [XX] e também a 
pedagogia escolar e a educação em geral. [...] Ensinou-se a ler, contar, e escrever – educação 
essencialmente racionalista, cognitivista. Não era importante a educação dos sentidos, o pensar 
as emoções, o afeto entre docente e discente; a relação. O importante era o produto, o aluno 
instruído, não o processo de levar a aprender, de educar, verdadeiramente. [...] Arrumamos 
também assim o mundo de uma forma muito dualista: razão/emoção; racional/irracional; 
instruído/analfabeto; etc. E assim continuamos a pensar, ainda, por vezes, hoje. (VIEIRA, 1999, 
p. 22).
 Apesar do debate contemporâneo apresentar novas propostas para o que se entende por “pesquisa 
científica” e seus respectivos métodos7, a grande maioria das instituições que apoiam atividades de pesquisa 
e regulamentações dos sistemas nacionais de educação ainda são norteadas por métodos tradicionais 
estabelecidos no meio acadêmico, como no caso do Brasil. E conforme já discutimos anteriormente, para 
propormos algo “novo” precisamos estar a par do que fora produzido.
 Assim, vamos partir da elaboração de uma pergunta que aponta a existência de um “problema”, tal 
como ocorre no método hipotético-dedutivo – recomendamos a leitura de Gil (2008)8 . Destacamos uma 
interessante afirmação do musicólogo Paulo Castagna que trata sobre o real espírito da pesquisa científica: 
“não pode existir um método padronizado de pesquisa que possa se enquadrar em qualquer tipo de trabalho, 
pois se isso existisse, as pesquisas não teriam resultados diferentes” (CASTAGNA, 2008, p. 9). Por último, 
acrescentamos que a área de Música é apenas uma das áreas do conhecimento que tem a música como 
objeto de estudo. A diferença entre as pesquisas acontece nas abordagens e procedimentos adotados.
___________________________________________________
5 Na ciência, o registro de informação mais recorrente é a escrita.
6 Este tem sido um debate muito acalorado no meio acadêmico, para o qual recomendamos o trabalho de Sousa (2008).
7 O método é a abordagem ou procedimento que o cientista irá adotar em sua pesquisa, visando a resolver um problema ou estudar 
um objeto. Para mais informações, recomendamos ler Gil (2008, p. 8-25).
8 Gil aborda esta questão nas páginas 12 e 13 de seu livro.
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1.3 Problema, Hipótese e Questão Norteadora
 Toda pesquisa emerge da necessidade de ampliar nosso conhecimento. Essa necessidade surge a 
partir de alguma questão – “problema”9 – que observamos em uma determinada área – no nosso caso em 
particular, a área de Música. A partir deste problema, podemos imaginar formas de resolvê-lo. Cada uma 
dessas possíveis soluções é chamada de hipótese.” (obs: preservar o negrito na palavra “hipótese. A essa 
pergunta damos o nome de hipótese.
 A partir da hipótese e do problema, podemos formular uma pergunta capaz de representar o norte 
de nossa pesquisa. Esta pergunta pode ser chamada de questão norteadora. Seguem adiante exemplos de 
questões problematizadoras:
• Que tipo de aula de música é mais interessante para crianças de 2 a 3 anos?
• Como se dá o ensino de música em bandas marciais e de fanfarra?
• Seriam os métodos para ensino de teoria musical na Internet eficientes?
• Existe uma relação entre perda auditiva e músicos que tocam em grandes shows?
• Quais foram os músicos mais atuantes na cidade de Carolina ao longo da história?
• Qual era o repertório que circulava nos cinemas mudos de São Luís?
• Que técnicas composicionais Antônio Rayol utilizou em sua “Missa Solene”?
• Quais seriam as semelhanças estéticas entre os Romances Sem Palavras de Elpídio Pereira e a música 
francesa do período Romântico?
 É interessante observarmos que todas essas perguntas podem ser respondidas de diversas maneiras. 
Isso depende essencialmente do método que cada um de nós iria desenvolver para respondê-las.
 Nas abordagens qualitativas, procuramos focar em um objeto de pesquisa e estudá-lo com o maior 
detalhamento possível. Por exemplo: para estudarmos o ensino de música em bandas marciais e de fanfarra 
de maneira qualitativa, é melhor escolhermos uma banda específica – como a do 24.º Batalhão de Infantaria 
Leve de São Luís, por exemplo – e estudar como ocorre o ensino e aprendizagem da música nesse contexto. 
Já no estudo sobre a “Missa Solene”, deAntônio Rayol, a questão norteadora já indica que se trata de uma 
obra em particular. Este tipo de trabalho, onde estudamos um objeto específico, se chama estudo de caso e 
é bastante recorrente na área de Música.
 Já nas abordagens quantitativas, buscamos estudar um grupo de objetos para tirar conclusões que 
podem ser aplicadas de maneira mais geral. Tomemos como exemplo, a questão da perda auditiva de músicos 
que trabalham em shows “grandes”, ou seja: onde há uso recorrente de amplificadores de som com alta 
intensidade (“volume”). Um estudo possível seria selecionar trinta músicos que atuam nessas condições e 
aplicar um questionário para saber se eles sentem desconforto após os shows ou sinais de perda auditiva – 
dados que seriam reforçados através de testes de audiometria10 e/ou da medição da intensidade sonora por 
meio de um decibilímetro11 , mas que dependem dos recursos disponíveis da pesquisa para serem feitos. Os 
resultados desse estudo consistiriam em uma análise estatística dos dados obtidos.
___________________________________________________
9 Sobre a formulação de problemas, recomendamos a leitura de Gil (2008, p. 33-40).
10 Exame médico que visa a detectar problemas de audição.
11 Equipamento utilizado para verificar a intensidade sonora de uma fonte ou ambiente que utiliza o decibel (dB) como unidade de 
medida.
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 Outra questão importante diz respeito aos recursos disponíveis para o estudo. No Brasil, as pesquisas 
de monografia geralmente ficam restritas ao material e pessoas disponíveis para a instituição. Além disso, elas 
são elaboradas na maioria das vezes por iniciantes na pesquisa. Já nas dissertações de mestrado, há mais 
tempo para realização (dois anos, por padrão) e o pesquisador já tem alguma experiência, enquanto nas teses 
de doutorado há ainda mais tempo e experiência. Sendo assim, ao definir sua hipótese, converse com seu 
orientador sobre a viabilidade da pesquisa que você pretende realizar naquele momento. Mas lembre-se que 
esta é uma limitação temporária: você pode fazer uma pesquisa mais aprofundada em outro momento após a 
graduação, possivelmente em uma especialização ou mestrado. Sendo assim, “guarde” sua hipótese anterior!
1.4 Revisão de literatura
 Há casos em que temos dificuldade em definir uma hipótese de pesquisa. Isso ocorre principalmente 
quando nós ainda não possuímos um conhecimento aprofundado sobre o contexto que pretendemos estudar. 
No nosso caso, “Música” é uma vasta área do conhecimento, portanto, precisamos ser mais específicos para 
definir o campo de pesquisa. Destacamos a convenção das atuais “subáreas” da Música no Brasil, com um 
resumo bastante simples e geral dos trabalhos que as caracterizam:
• Educação Musical: foca nas teorias e práticas de ensino e aprendizagem da música em contextos 
específicos;
• Musicologia: estuda o contexto histórico-cultural onde se situa a produção musical (Histórica) ou os 
aspectos composicionais e estéticos dessas obras (Sistemática);
• Etnomusicologia: trata das manifestações sonoras ou musicais de culturas diversas do mundo, em 
diálogo com a Antropologia;
• Performance Musical ou Práticas Interpretativas: aborda as práticas de composição e/ou interpretação 
musical em contextos culturais específicos;
• Sonologia: trabalha as relações entre tecnologias de produção musical e sonora com o meio ambiente e/
ou sua interpretação pelo ser humano12 ;
• Musicoterapia: voltada para a utilização da produção musical e sonora sob fins de tratamento médico e 
terapêutico;
• Música e Tecnologia: estuda as relações entre ferramentas tecnológicas, sua aplicação e influência nas 
práticas musicais de diferentes contextos.
 É possível, ainda, adicionar outra subárea intitulada “Música e Interfaces”, incluindo outras áreas do 
conhecimento que também dialogam com a Música. Entre elas, há “Psicologia da Música” (estudos de Cognição 
aplicados à prática musical), “Pedagogia da Performance Musical” (ensino e aprendizagem para instrumentistas, 
regentes e compositores), “Música e Comunicação” (trabalhos sobre as relações entre as mídias/os meios de 
comunicação, a produção musical e as indústrias culturais) e “Saúde do Músico” (Medicina aplicada a problemas 
de saúde recorrentes do trabalho dos músicos, como tendinite e surdez), entre outras. Um trabalho que aborda 
mais detalhadamente os tipos de pesquisa em Música feitos no Brasil é o de Lia Tomás (2015).
 A partir dessas breves definições, podemos definir qual subárea trabalha com assuntos mais próximos 
daqueles que pretendemos abordar em nossa pesquisa. Depois, precisamos realizar uma revisão de literatura. 
Este é um dos procedimentos de pesquisa mais importantes, pois é através do levantamento de trabalhos 
publicados que podemos situar nosso “problema” e desenvolver uma questão norteadora (caso não haja 
___________________________________________________
12 Esta subárea também se aproxima da Acústica, voltada ao estudo físico das ondas sonoras, e da Psicoacústica, que trabalha as 
relações entre a propagação do som e a percepção humana.
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nenhuma ainda). Vamos exemplificar: caso você esteja pretendendo desenvolver um estudo sobre ensino de 
música na Educação Básica (escola regular), é necessário pesquisar trabalhos que tratam sobre esse tema, cuja 
subárea mais próxima é a Educação Musical.
 Há algumas décadas, a única forma de elaborar um levantamento bibliográfico (da literatura) era através 
de bibliotecas. Na área de Música, as principais bibliotecas estão na região Sudeste, fato que tornava o acesso 
a publicações muito restrito para quem reside no Maranhão. E mesmo nas bibliotecas em questão, quando 
havia uma referência interessante que não estava disponível, era necessário comprá-la, podendo levar meses 
para que a mesma chegasse. Hoje, com a Internet, é possível acessar de forma instantânea livros, artigos, 
teses e trabalhos acadêmicos diversos de vários países. O Brasil possui periódicos (revistas acadêmicas) de 
Música que oferecem livre acesso a seus artigos, além de bibliotecas virtuais com teses e dissertações. E 
mesmo aquelas bibliotecas que não disponibilizam seu material para acesso virtual geralmente possuem um 
catálogo on-line. Portanto, hoje é muito mais fácil realizar uma revisão de literatura e, além disso, mantê-la 
atualizada – isso é muito importante! A revisão de literatura é um procedimento que precisamos refazer até o 
fim de nossa pesquisa.
 No contexto da Internet, a pesquisa é feita por palavras-chave, ou seja: termos que norteiam o assunto/
tópico que pretendemos estudar. Voltando ao exemplo anterior, “Educação Musical” e “Educação Básica” serão 
palavras-chave importantes para fazer a pesquisa através dos mecanismos de busca na Internet 13.
 Entretanto, ao ler os trabalhos encontrados e (se houver) seus resumos14 , você verá que há diversos 
trabalhos sobre o ensino de música na Educação Básica. Logo, será necessário “filtrar” ou “refinar” o assunto, 
direcionando-o por meio de questões mais específicas: que ciclos/anos da Educação Básica você pretende 
abordar? Qual a faixa etária (idade) aproximada desses alunos? Qual é a quantidade de alunos por turma? 
Em que escola onde você pretende desenvolver o trabalho? As respostas a essas perguntas ajudarão você 
___________________________________________________
13 Exemplos desses mecanismos são o Google (http://www.google.com.br), Bing (http://www.bing.com) e Google Acadêmico (http://
scholar.google.com.br).
14 Dica: em uma revisão de literatura, sugerimos ler primeiro os resumos e ver as palavras-chave. É melhor ler os trabalhos apenas 
se o resumo indicar que se trata de uma fonte interessante para você.
Recomendamos que você guarde/salve em seu computador ou celular os artigos, 
teses, livros e outros trabalhos que considerar interessantes para sua pesquisa. É 
fundamental organizarmos as informações para que, ao acessá-las nofuturo, saibamos 
onde elas estão. Um dos grandes motivos de atraso nas pesquisas é justamente quando 
precisamos das informações, mas não sabemos aonde elas estão.
a delinear melhor o problema e formular uma questão norteadora – a pergunta que irá nortear sua pesquisa. 
Além disso, você poderá criar outras palavras-chave, refinando a sua pesquisa na Internet.
 Ao elaborar a revisão de literatura, é importante anotarmos os trabalhos que nos interessam em uma 
lista. Para nos habituarmos à redação acadêmica, precisamos elaborar essa lista com base nas normas 
vigentes de referências bibliográficas. Quem dispõe sobre essas normas é a Associação Brasileira de Normas 
Técnicas (ABNT). Em sua página virtual, há manuais que explicam e exemplificam as normas vigentes: http://
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www.abnt.org.br. Periódicos e instituições também podem criar normas próprias, desde que não entrem em 
conflito com aquelas da ABNT. Este é o caso da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), que define suas 
normas próprias no “Manual para Normalização de Trabalhos Acadêmicos” (BAIMA et al., 2014).
 Podemos nos organizar sabendo que informações básicas devem aparecer em qualquer tipo de 
referência bibliográfica. São elas: 1) Nome do(s) autor(es); 2) Título do trabalho; 3) Ano de publicação; e 4) Se 
o trabalho está inserido em algum documento maior, como um livro, periódico ou anais de evento acadêmico. 
ATIVIDADE
Outras informações são necessárias, mas dependem do tipo de documento, como: 5) Páginas inicial e final 
se for trabalho impresso; 6) Endereço eletrônico, se for trabalho virtual; e 7) Cidade e nome da editora, se for 
livro. 
 Escolha um dos temas descritos a seguir e elabore uma revisão de literatura com pelo menos cinco 
fontes/referências acadêmicas (artigos, livros, capítulos, teses, dissertações ou monografias) relacionadas ao 
tema proposto. Temas:
• Ensino de música para crianças de 2 a 3 anos;
• Análise de material didático para o ensino de música;
• Relato de experiência docente em Música;
• História de instituições de ensino musical;
• Estudo sobre práticas musicais de comunidades indígenas;
• Catálogo de obras de compositores brasileiros do período Colonial;
• Estudo de caso sobre obras para instrumento musical solo;
• Relato de tratamento terapêutico por meio de apreciação musical.
 A seguir, apresentamos exemplos elementares de referências bibliográficas conforme as normas atuais 
da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ilustrando os tipos de informações que devem constar 
em cada tipo de documento:
Citação de livro:
SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Livro. Número da edição. Cidade: Nome da editora, ano de publicação.
Citação de capítulo de livro:
SOBRENOME, Nome do Autor do capítulo. Título do Capítulo. In: SOBRENOME, Nome do autor/organizador 
do livro. Título do Livro. Número da edição. Cidade: Nome da editora, ano de publicação, páginas inicial-final.
Citação de artigo em revista/periódico:
SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Artigo. Nome da Revista, número, páginas inicial-final, mês-ano de 
publicação.
Citação de artigo em anais de encontro/congresso acadêmico:
SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Artigo. NOME DO EVENTO, edição/número do evento. Anais do... 
Cidade: Nome da editora, ano de publicação, páginas inicial-final.
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Citação de trabalho de conclusão de curso:
SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Trabalho. Monografia/Dissertação/Tese de Graduação/Especialização/
Mestrado/Doutorado. Número de folhas. Cidade: Instituição, ano de publicação.
 
 Resumo
 Esta Unidade trouxe uma introdução elementar à pesquisa científica aplicada à área de Música, 
apresentando algumas conceituações básicas e o debate atual. Em seguida, foram apresentados os conceitos 
de problema, hipótese e questão norteadora, além de uma iniciação à revisão de literatura por meio de 
palavras-chave e da Internet. Duas tarefas práticas foram propostas.
 REFERÊNCIAS
BAIMA, G. M. N.; PAIVA, I. G.; LOPES, B. F. Manual para Normalização de Trabalhos Acadêmicos. 2.ed. São 
Luís: Uema, 2014.
BORGDORFF, H. The conflict of the faculties: Perspectives on Artistic Research and Academia. Amsterdã: 
Leiden University Press, 2012.
BRUNER, J. The Process of Education. Cambridge: Harvard University Press, 1999.
CASTAGNA, P. A Musicologia Enquanto Método Científico. Revista do Conservatório, n. 1, p. 7-31, 2008.
DESCARTES, R. Discurso do método. Traduzido por Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 
2001.
FONSECA, J. J. S. Metodologia da Pesquisa Científica. Fortaleza: CE/UECE, 2002.
GARDNER. H. Estruturas da Mente: A Teoria das Inteligências Múltiplas. Traduzido por Sandra Costa. Porto 
Alegre: ARTMED, 2002.
GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
McGREAL, S. A ilusão das múltiplas inteligências. Disponível em: <http://ano-zero.com/multiplas-inteligencias>. 
Acesso em: 10 ago. 2017.
SANTOS, B. S. Um Discurso sobre as Ciências. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2008.
TOMÁS, L. A Pesquisa Acadêmica na Área de Música: um estado da arte (1988-2013). Porto Alegre: ANPPOM, 
2015.
VIEIRA, R. Modelos Científicos e Práticas Educativas: (breve incursão no séc. XX). A Página da Educação, n. 
79, p. 22, abr-1999.
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2.1 Leitura analítica
 Ao lermos textos acadêmicos sob a finalidade de fazer uma pesquisa, é preciso mudar a maneira de ler. 
Precisamos criar o hábito de organizar as informações obtidas durante a leitura, facilitando seu uso na fase 
posterior de redação da pesquisa. Votre e Pereira (2010) mencionam três tipos de leitura analítica:
• Fichamento: leitura onde anotamos ou sublinhamos informações do texto que nos interessam;
• Resumo: síntese de um texto que pontua suas principais informações;
• Resenha: análise crítica de um texto que oferece espaço para observações do leitor.
 Marconi e Lakatos (2003) também tratam sobre a leitura e análise de textos, destacando a importância 
de desenvolvermos novos hábitos. Aqui, vamos sugerir que vocês trabalhem com um tipo de leitura analítica 
mais semelhante ao fichamento. Ao ler um texto acadêmico, deixe do seu lado um caderno ou um equipamento 
com editor de texto (computador ou celular) – recomendamos essa última opção.
 Primeiro, insira a referência bibliográfica do texto no início da página do caderno ou do editor. A partir de 
então, faça a leitura analítica do texto, anotando as informações que achar interessante e sempre indicando 
o(s) número(s) da(s) página(s) onde elas estão. Não precisa copiar a informação; você pode resumi-la com 
suas palavras. Se quiser, faça comentários. Caso queira inserir as palavras exatamente como o autor utilizou, 
utilize aspas.
• Compreender formas adequadas de leitura analítica;
• Desenvolver habilidades voltadas à redação acadêmica.
OBJETIVOS
UNIDADE
2Leitura e Redação Acadêmica
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Apresentamos um exemplo de leitura analítica baseado em nossa sugestão:
SILVA, Paula Figueirêdo da. Uma História do Piano em São Luís. Dissertação de Mestrado. São 
Luís: PGCULT/UFMA, 2013. 188p.
p. 21-22
Nordeste como embrião do cenário musical brasileiro até o século XVI. 1763: capital muda de São 
Salvador para São Sebastião do Rio de Janeiro. Transição do cenário musical para Minas do Ouro 
a partir do século XVII, com a migração interna e a vinda maciça de portugueses para o Brasil 
Colônia.
p. 24
O Rei Dom João I, juntamente com Marquês de Pombal, publica decreto em 1759 visando à 
extinção da Companhia de Jesus, com o objetivo de fortalecer o poder da monarquia.
p. 26
Instrumento de teclado mais antigo: o órgão, inventado por Ktesibos por volta de 250 a.C. 
(HENRIQUE, L. Instrumentos Musicais. Lisboa: Calouste Gulbenkian,2004).
p. 28
O primeiro instrumento de teclado que chegou no Brasil foi o cravo, também utilizado para ensino 
musical pelos jesuítas.
p. 30
A coroa portuguesa, até 1808, censurava suas colônias: proibia a atividade editorial, não criava 
bibliotecas e museus, e as instituições de ensino eram muito escassas. Tal fato só mudou com a 
chegada da família real ao Brasil Colônia.
p. 31
Criação da Biblioteca Nacional em 1810 e do Museu Nacional em 1818.
 Sugerimos o uso do editor de texto porque quando você for escrever a sua pesquisa, fica mais fácil 
encontrar as informações desejadas através do localizador de palavras. Além disso, vários trechos já digitados 
podem ser aproveitados através do conhecido procedimento de “copiar e colar”.
Ao salvar o arquivo digital em seu computador ou celular, sugerimos que você acrescente 
ao final do nome do arquivo a data como, por exemplo: “Texto 16-08-2017.docx”. Nos 
outros dias em que trabalhar, salve em outro arquivo com a nova data. Assim você terá 
cópias de segurança do seu trabalho, podendo restaurá-lo em caso de necessidade. 
Recomendamos também salvá-los na Internet, no seu e-mail ou em “nuvem” – serviços 
de discos virtuais como o Dropbox e o Google Drive.
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ATIVIDADE
 Busque um artigo científico na Internet que trate sobre um tema de seu interesse – preferencialmente 
relacionado à sua hipótese, caso você já tenha. Faça uma leitura analítica do mesmo utilizando o procedimento 
que sugerimos.
2.2 Coesão textual
 Podemos perceber nas referências que trabalhamos na Unidade anterior que os textos acadêmicos 
se baseiam no português “formal”, ou seja, nas normas cultas da Língua Portuguesa. Logo, é importante 
estarmos atentos a eventuais erros de ortografia (a grafia das palavras) e concordância entre substantivos, 
artigos e verbos.
 Contudo, esse não é o único aspecto que devemos atentar. Uma boa redação é, acima de tudo, aquela 
cujas frases têm tamanho equilibrado e pontuação fluente, sob uma ideia de “respiração” – assim como 
temos respirações entre frases musicais. Já os parágrafos devem constituir um conjunto de frases que tratam 
do mesmo assunto, ou seja: abrimos um novo parágrafo somente quando há uma mudança no tema que 
está sendo abordado. Porém, mesmo com essa mudança de tema, os parágrafos apresentam uma ligação, 
seguindo uma espécie de “fio condutor”. Essa unidade/organicidade do texto é chamada de coesão15 .
Vamos observar alguns exemplos para discussão. Observe o trecho para análise:
Pode-se afirmar que o ensino de música no Maranhão começou ainda no 
período Colonial, através da ação dos Jesuítas, que catequizavam os índios até 
sua expulsão em 1760 e, enquanto isso, havia também ensino de música nos 
Seminários e também na Igreja da Sé, até porque esta última possuía um Cabido 
onde havia um chantre, um subchantre e moços do coro que interpretavam 
obras de cantochão, motetos e missas durante as cerimônias litúrgicas.
 Você é capaz de perceber algum problema no texto apresentado? Qual? Tente ler esse texto em voz 
alta. Você irá perceber que ficará sem ar no meio do parágrafo, que é composto por uma frase enorme. 
Além disso, a palavra “também” é repetida em dois pontos muito próximos – isso não fica bom em textos 
acadêmicos. Vamos tentar reformular esse texto? Que tal assim:
Pode-se afirmar que o ensino de música no Maranhão começou ainda no 
período Colonial. Deve-se a isso a ação dos Jesuítas, que catequizavam os 
índios. Eles foram expulsos em 1760. Enquanto isso, havia também ensino de 
música nos Seminários na Igreja da Sé. Esta última possuía um Cabido onde 
havia um chantre, um subchantre e moços do coro. Eles interpretavam obras de 
cantochão, motetos e missas durante as cerimônias litúrgicas.
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15 Para saber mais sobre coesão textual, recomendamos a leitura do capítulo elaborado por Votre e Pereira (2010, p. 65-96).
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 E agora? Você achou que ficou bom? Ou ainda há mais alguma questão que pode ser trabalhada? Leia 
essa reformulação do parágrafo. Este “excesso” de pontos finais acaba tornando o texto monótono e muito 
fragmentado. Sendo assim, podemos substituir alguns pontos finais por vírgulas, buscando manter a coesão 
entre as frases – não vamos dividir frases que tratam sobre a mesma questão! Veja agora:
Pode-se afirmar que o ensino de música no Maranhão começou ainda no 
período Colonial devido à ação dos Jesuítas que catequizaram os índios até 
1760, quando então foram expulsos. Enquanto isso, havia também ensino de 
música nos Seminários na Igreja da Sé. Esta última possuía um Cabido, no qual 
havia um chantre, um subchantre e moços do coro que interpretavam obras de 
cantochão, motetos e missas durante as cerimônias litúrgicas.
 Como ficou? Você acha que está bom, ou há mais algo a melhorar? O trabalho de redação acadêmica 
é assim: precisamos ir “lapidando” o texto até conseguir clareza e adequação na escrita.
2.3 Coerência textual
 Em geral, textos acadêmicos são mais difíceis de ler do que aqueles que estamos habituados a ler em 
notícias de jornais e blogs, por exemplo. Isso se dá porque fazemos uso recorrente de termos técnicos. No caso 
da área de Música, por exemplo, é comum utilizarmos “tessitura”, “andamento”, “armadura”, “composição” ou 
“timbre”, por exemplo, que são palavras com um sentido particular para quem trabalha nessa área – “armadura” 
para nós, por exemplo, não é uma vestimenta de proteção! Além disso, há casos em que o texto fica difícil de 
entender porque ainda existe uma certa preferência no meio acadêmico por erudição e prolixidade, ou seja: 
“falar difícil é bonito”.
 Por sorte, muitos pesquisadores da atualidade têm se preocupado em tornar seus textos acessíveis 
não somente para especialistas, mas também para mais pessoas fora desse círculo. Logo, é importante nos 
preocuparmos com a coerência, buscando um texto que possa ser mais facilmente interpretado.
 Um dos elementos importantes na coerência do texto é decidir qual será a pessoa do verbo que fará a 
“narração”. É possível escrevermos: 1) na primeira pessoa do plural – assim como temos feito neste trabalho; 
2) na primeira pessoa do singular; ou
3) na terceira pessoa do singular. Veja um exemplo do primeiro caso:
 
 Nosso trabalho pretende abordar os métodos mais recorrentes que têm sido 
utilizados na área de Música.
Segue uma adaptação deste mesmo texto para o segundo caso:
 Neste trabalho, pretendo abordar os métodos mais recorrentes que têm sido 
utilizados na área de Música.
Já um exemplo do terceiro caso:
 Pretende-se abordar neste trabalho os métodos mais recorrentes que têm sido 
utilizados na área de Música.
 Você percebeu alguma diferença no tratamento entre cada um destes três casos? Qual deles você 
prefere? Na redação acadêmica, é importante que você faça esta escolha antes de começar a escrever, pois 
para manter a coerência, é necessário utilizar a mesma pessoa do verbo em todo o texto.
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2.4 Estruturação do texto
 Ao observarmos os textos acadêmicos em sua totalidade – principalmente em artigos e trabalhos 
de conclusão de curso – podemos perceber uma organização de sua “grande forma”, assim como nas 
grandes formas musicais, a exemplo da Sonata, da Fuga e do Rondó. Esses textos são iniciados por meio 
de uma introdução/apresentação, onde se apresenta um panorama geral da área em questão, o contexto 
da pesquisa, o problema e a hipótese. Após essa abordagem mais geral, temos o desenvolvimento, onde 
são discutidas questões mais aprofundadas sobre a pesquisa. Naturalmente, essa é a maior parte do texto. 
Posteriormente, temos a conclusão ou considerações finais, onde os resultados da pesquisa (parciais ou 
definitivos) são apresentados, contextualizando a pesquisa em meio à produção existente na área e suas 
possíveis contribuições. Por fim, temos as Referências Bibliográficas,que trazem as fontes e documentos 
citados no trabalho.
 Podemos definir a estruturação de um texto acadêmico conforme a ilustração da Figura 2.
Figura 2 - Modelo para estruturação de textos acadêmicos
Fonte: Acervo do autor
ATIVIDADE
 Procure três artigos na Internet que se relacionem com o tema que você pretende pesquisar. Leia-os observando a 
estrutura feita pelo autor. Em seguida, identifique as partes do texto que correspondem à introdução, ao desenvolvimento 
e à conclusão.
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2.5 Normalização
 Conforme fizemos menção na Unidade anterior, os textos acadêmicos precisam ser elaborados sob 
um padrão de formatação – norma. No Brasil, a elaboração dessas normas é de responsabilidade da ABNT, 
sendo que periódicos e instituições podem definir normas internas – esse é o caso da UEMA. Recomendamos 
ler o Manual, que explica detalhadamente as normas textuais vigentes, assim como elementos que devem 
estar presentes em trabalhos de conclusão de curso (monografias, dissertações ou teses), a exemplo da folha 
de rosto (BAIMA et al., 2014).
Figura 3 - Elementos textuais e da página
Fonte: Acervo do autor
Na figura anterior, apresentamos uma imagem que ilustra os principais elementos textuais e da página 
regulamentados por normas de formatação (Figura 3):
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2.6 Citações
 Um dos aspectos mais importantes de uma pesquisa científica é permitir a localização das informações 
utilizadas no trabalho. Além disso, é fundamental dar o devido crédito a quem desenvolveu cada ideia, 
respeitando a propriedade intelectual. Lembramos, ainda, que copiar ideias e textos, especialmente da 
Internet – uma prática recorrente hoje – constitui crime de plágio.
Existem duas situações que exigem citação:
1) Quando utilizamos uma ideia provinda de um autor, mas a redigimos com nossas próprias palavras; e
2) Quando reproduzimos exatamente as mesmas palavras que o autor utilizou ao expressar sua ideia.
 Na primeira situação, chamada de “citação indireta”, utilizamos a indicação de citação do sobrenome 
do autor em caixas altas como, por exemplo: (CASTAGNA, 2008). Caso essa ideia tenha sido extraída de 
uma página, devemos indicá-la no seguinte formato: (CASTAGNA, 2008, p. 8). Se forem mais páginas, então 
fica assim o exemplo: (CASTAGNA, 2008, p. 8-15). Caso o trabalho possua mais de um autor, a citação 
deve incluir os últimos sobrenomes dos mesmos: (VOTRE; PEREIRA, 2010). Já com três ou mais autores, 
mencionamos apenas o primeiro autor seguido de “et al”: (BAIMA et al.,2014).
 Há casos em que tomamos de empréstimo o texto de um autor que é citado em um texto acadêmico. 
Por exemplo: Castagna menciona um trecho de Raphael Bluteau na página 10 de seu artigo. Se desejarmos 
utilizar as ideias de Bluteau, a citação ficaria assim: (BLUTEAU apud CASTAGNA, 2008, p. 10).
 A segunda situação é chamada de “citação literal” ou “direta”. Neste caso, devemos observar se o texto 
extraído do autor irá ultrapassar três linhas do parágrafo. Se não ultrapassar, devemos fazer a citação entre 
aspas. Exemplo: “Inicialmente, é importante distinguir o que sejam normas, técnicas e métodos” (CASTAGNA, 
2008, p. 9). Caso a citação ultrapasse três linhas, é necessário criar um recuo de parágrafo de 4 pontos, 
colocando o texto em espaçamento simples e fonte tamanho 10 ou 11, dependendo das normas vigentes. 
Exemplo:
[...] inicialmente, é importante distinguir o que sejam normas, técnicas e métodos. Normas são 
convenções, utilizadas para poupar o tempo dos leitores e para garantir modelos próximos de 
organização para os trabalhos científicos, variando de lugar para lugar, de época para época e, 
muitas vezes, de pesquisador para pesquisador. (CASTAGNA, 2008, p. 9).
 As indicações de citação remetem às Referências Bibliográficas, seção do texto acadêmico onde 
estão dispostas todas as fontes utilizadas no trabalho. Sendo assim, a cada citação que você fizer, vá às 
Referências Bibliográficas do seu texto e verifique se a fonte foi apresentada. Como procedimento mais seguro, 
recomendamos que você coloque uma referência somente quando for fazer uma indicação de citação para 
a mesma, pois as Referências Bibliográficas devem conter somente os trabalhos que foram mencionados no 
seu texto.
 Estas são as formas elementares de citação. Existem outras possibilidades, para as quais recomendamos 
a leitura do Manual da UEMA (BAIMA et al., 2014, p. 62-79).
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 Resumo
 A presente Unidade abordou questões sobre leitura analítica e redação acadêmica, sugerindo 
procedimentos habituais para a escrita de textos acadêmicos. Questões sobre coesão, coerência e estruturação 
textual, normas de formatação e citação foram contempladas. Houve duas tarefas relacionadas à prática de 
leitura e redação acadêmica.
 
 REFERÊNCIAS
BAIMA, G. M. N.; PAIVA, I. G.; LOPES, B. F. Manual para Normalização de Trabalhos Acadêmicos. 2. ed. São 
Luís: Uema, 2014.
CASTAGNA, P. A Musicologia Enquanto Método Científico. Revista do Conservatório, n. 1, p. 7-31, 2008.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de Metodologia Científica. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2003.
VOTRE, S. J.; PEREIRA, V. C. Redação de textos acadêmicos. Rio de Janeiro: Fundação Cecierj, 2010.
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3.1 Considerações iniciais
 Aqui, trabalharemos com Metodologia – o estudo de métodos utilizados em pesquisas científicas. 
É comum confundir “metodologia” e “método”, sendo este último melhor definido como as correntes de 
pensamento e/ou procedimentos adotados para a realização de uma pesquisa em particular16 .
 Inicialmente, é fundamental compreender que os métodos precisam – e devem – ser adaptados ao 
contexto de cada pesquisa, exigindo de nós uma constante análise entre o objeto pesquisado e os procedimentos/
ferramentas utilizados para o seu estudo. Logo, o método pode passar por mudanças ao longo da pesquisa. 
Adotar uma série de procedimentos “rígidos” (que não podem ser modificados) é uma forma de trabalhar que 
não funciona bem na pesquisa em Artes, estando mais associada à concepção cartesiana que já tivemos a 
oportunidade de discutir na primeira Unidade. Portanto, é mais interessante pensar em “método” como uma 
organização de procedimentos definidos para o estudo que criam “ramificações” à medida que a pesquisa vai 
se desenvolvendo. É comum encontrar informações durante o estudo que nos indicam a necessidade de seguir 
outro caminho, modificando o método. Dessa forma, é mais coerente pensar em “percurso metodológico” 17 
do que em “método”.
 Adiante, iremos apresentar de maneira bastante resumida alguns tipos de concepção/raciocínio ou 
procedimentos recorrentes na pesquisa científica. Para uma abordagem mais aprofundada, recomendamos 
a leitura de Marconi e Lakatos (2003, p. 83-113), Gil (2008, p. 8-25), Gerhardt e Silveira (2009, p. 31-42) e/
ou Köche (2011, p. 44-88), referências utilizadas como base para as informações apresentadas em seguida. 
Destacamos que nas pesquisas em Artes, “importamos” métodos científicos dos demais campos da ciência – 
no caso, das Ciências Naturais e das Ciências Sociais e Humanas.
• Identificar os principais métodos de pesquisa científica;
• Compreender os métodos científicos de seu interesse.
OBJETIVOS
UNIDADE
3Métodos de Pesquisa
___________________________________________________
16 O termo “método” é utilizado de forma diferente por Gil (2008) e Köche (2011), sendo utilizados pelos autores ora no sentido de 
“raciocínio” ou “concepção”, ora no sentido de “procedimento”. Portanto, vamos limitar o uso desse termo no trecho adiante para 
evitar possíveis equívocos.
17 Expressão utilizada pela pianista, professora e pesquisadora Ana Cláudia de Assis, vinculada à Escola de Música da Universidade 
Federal de Minas Gerais (UFMG).
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 No entanto, pesquisas que envolvem a produção artística como parte central do método começaram a 
se estabelecer no meio acadêmico apenas a partir da década de 1990, e ainda não são reconhecidas como 
estudos “respeitáveis” em diversos países – entre eles, o Brasil.
3.2 Métodos característicos das Ciências Naturais
3.2.1 Dedução
 Na dedução, partimos de informações mais gerais e, através do pensamento lógico, chegamos a 
questões específicas. Seu uso é recorrente na Física e Matemática, entretanto, tem uso mais limitado nas 
Ciências Sociais e Humanas devido à dificuldade nessas últimas em estabelecer afirmações que sirvam 
como “leis” ou “regras gerais”. Gil (2008, p. 9) oferece o seguinte exemplo de dedução: “Todo homem é mortal 
(premissa maior), e Pedro é homem (premissa menor). Logo, Pedro é mortal (dedução/conclusão)”.
3.2.2 Indução
 Na indução, fazemos o caminho oposto da dedução: estudamos vários objetos em particular, e a partir 
dos resultados, procuramos estender as conclusões de maneira mais geral, ou seja: à generalização. Aqui, 
temos afirmações prováveis/possíveis e não definitivas, ao contrário da dedução. O exemplo que Gil nos 
oferece é: “Antônio é mortal, Benedito é mortal, Carlos é mortal [...]. Antônio, Benedito e Carlos são homens. 
Logo, todos os homens são mortais”. (GIL, 2008, p. 10).
3.2.3 Método hipotético-dedutivo
 Este é uma elaboração do método indutivo, e possui semelhanças com o que Köche chama de “método 
indutivo-confirmável” (KÖCHE, 2011, p. 54-57). Aqui, tentamos provar se a informação é falsa, sendo a 
“generalização” é feita somente após verificá-la. Gil apresenta uma ilustração desse método:
Figura 4 - Método hipotético-dedutivo
Fonte: GIL, 2008, p. 12, com alterações
 Aqui (Figura 4), detectamos um problema em um determinado contexto. A partir dele, geramos hipóteses 
que apontam o caminho da uma possível solução. Depois, deduzimos informações a partir das observações 
feitas no estudo, com base nas hipóteses levantadas. Por fim, as informações que passaram pela verificação 
são colocadas como possíveis afirmações/conclusões.
3.2.4 Experimentação
 É o procedimento onde observamos as variações de um objeto de estudo sob aspectos pré-determinados, 
sendo o resultado constituído pela análise dessas variações. A experimentação é amplamente utilizada nas 
Ciências Naturais, principalmente na Química e na Física. Já nas Ciências Sociais seu uso é limitado, sendo 
mais adequado para trabalhar com materiais do que com pessoas.
Hipótese(s) CorrobaraçãoVerificaçãoProblema Observação e dedução
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3.2.5 Análise estatística
 Amplamente utilizada em qualquer campo das ciências, baseia-se na aplicação da Matemática no 
tratamento dos dados/informações, sendo característica da abordagem quantitativa. Pode ser utilizada em 
conjunto com a Teoria das Probabilidades, onde os resultados quantitativos são tidos como possíveis – mas 
não definitivos. Nas Ciências Sociais, é comum o uso da análise estatística para reforçar conclusões obtidas 
por outros procedimentos como, por exemplo, a observação ou a comparação.
3.3 Métodos característicos das Ciências Sociais e Humanas
3.3.1 Observação
 Segundo Gil (2008), este é o procedimento que apresenta o maior grau de precisão em pesquisas 
nas Ciências Sociais, porém, é também o mais primitivo e impreciso. Difere da experimentação porque neste 
último, é possível promover uma intervenção no objeto estudado – ação evitada na observação.
 Marconi e Lakatos (2003)18 classificam a observação em quatro tipos: a observação, onde o 
pesquisador produz e registra dados; a entrevista, que gera uma abordagem qualitativa através de contato 
com o entrevistado; o formulário, onde o pesquisador preenche as informações também mediante contato 
com o entrevistado; e o questionário, onde é possível fazer uma abordagem quantitativa sem a presença física 
do pesquisador. É importante ressaltar que a entrevista é uma relação humana, portanto, recomendamos que 
seu planejamento ofereça um mínimo de interferências no contexto,
 Pois há casos em que a simples aparência do pesquisador pode causar um impacto sobre o entrevistado.
3.3.2 Comparação
 Neste procedimento, a pesquisa visa ao estudo de dois objetos ou fenômenos, ressaltando as 
semelhanças e diferenças entre eles. Gil (2008) afirma que a comparação é recorrente nas pesquisas de 
Ciências Sociais, permitindo o estudo de comunidades e grandes agrupamentos sociais situados em diferentes 
tempos e/ou locais. Um exemplo de estudo onde foi utilizada a comparação, é a Teoria do Desenvolvimento 
Cognitivo, de Jean Piaget.
3.3.3 Etnografia
 Procedimento de pesquisa natural da área de Antropologia e que tem transitado em diversas áreas 
do conhecimento. Consiste no estudo das práticas de um indivíduo ou comunidade através de observação, 
documentação e, em alguns casos, até intervenção, sendo a pesquisa de campo uma estratégia essencial. No 
âmbito da área de Música, a Etnomusicologia se baseia no desenvolvimento da etnografia aplicada a práticas 
“musicais” – entre aspas porque são relativamente poucas as culturas onde existe a ideia de “música” tal qual 
como a nossa. Ainda, a subárea de Educação Musical também tem trabalhado com estas ideias. Segundo 
Anthony Seeger:
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18 Para conhecer melhor o método de observação, recomendamos a leitura das páginas 190 a 213 do livro de Marconi e Lakatos.
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A etnografia da música não deve corresponder a uma antropologia da música, já que a etnografia 
não é definida por linhas disciplinares ou perspectivas teóricas, mas por meio de uma abordagem 
descritiva da música, que vai além do registro escrito de sons, apontando para o registro escrito 
de como os sons são concebidos, criados, apreciados e como influenciam outros processos 
musicais e sociais, indivíduos e grupos. A etnografia da música é a escrita sobre as maneiras 
que as pessoas fazem música. Ela deve estar ligada à transcrição analítica dos eventos, mais 
do que simplesmente à transcrição dos sons. Geralmente inclui tanto descrições detalhadas 
quanto declarações gerais sobre a música, baseada em uma experiência pessoal ou em um 
trabalho de campo. (SEEGER, 2008, p. 239).
 Logo, os estudos etnográficos trabalham tanto com objetividade e a análise de dados quanto a 
subjetividade e a pessoalidade, seja do “objeto” ou do pesquisador.
Na atualidade, há estudos de etnografia sendo realizados no meio digital, com vistas a pesquisar práticas 
e comportamentos humanos na Internet. Esta adaptação do método em questão tem sido chamada de 
netnografia.
3.3.4 Historiografia
 Segundo Malerba (2006), trata-se do estudo da história sob uma perspectiva científica, envolvendo tanto 
as diversas correntes de pensamentos que norteiam a análise de fatos históricos quanto os procedimentos e 
ferramentas utilizados na pesquisa. As três concepções metodológicas que serão vistas adiante – Estruturalismo, 
Materialismo dialético e Fenomenologia – são exemplos que podem nortear um estudo historiográfico.
 Na Música, temos a Musicologia Histórica como subárea que dialoga com a Historiografia. Estudos 
sobre as práticas musicais de outros tempos tem como característica o uso de fontes variadas. São 
consideradas fontes primárias informações orais (podem ser coletadas por entrevistas), jornais de época, 
cartas19, programas de apresentações musicais, partituras manuscritas e outros tipos de documentos, como 
inventários, relatórios ou despachos administrativos. Um exemplo de trabalho que aborda as práticas musicais 
do período colonial com amplo uso de fontes primárias é o de Holler (2006), que foca na atuação dos jesuítas 
na América Portuguesa. Já as fontes secundárias consistem em publicações que fazem uso de fontes 
primárias como livros, artigos de periódicos ou eventos, partituras editadas ou material didático, entre outros.3.3.5 Estruturalismo
 Corrente de pensamento onde a pesquisa busca explicar o objeto ou fenômeno estudado como uma 
estrutura, onde partes independentes se relacionam para formar um todo. Qualquer alteração em uma das 
partes implica em modificações de outra parte, mantendo o equilíbrio da estrutura. Gil (2008) aponta quatro 
aspectos que um estudo estruturalista precisa possuir:
1. O modelo deve ser um sistema, onde as partes se relacionam e se modificam de forma integrada;
2. Há padrões entre modelos e modificações, gerando grupos de modelos conforme as modificações de suas 
partes;
3. O estudo deve prever como o modelo irá reagir conforme as transformações de suas partes;
4. O modelo precisa ser seja capaz de explicar todos os fatos observados no objeto ou fenômeno.
Ainda, o autor estabelece uma “oposição” entre estruturalismo e empirismo:“ O empirismo concebe a realidade 
___________________________________________________
19 O estudo científico de cartas é chamado de Epistolografia.
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como singular e revelada graças à experiência sensível. Dessa forma, o objeto passa a ser o que é, ou seja, 
o fato. Para o estruturalismo o fato isolado, enquanto tal, não possui significado”. (GIL, 2008, p. 20).
 Logo, o estruturalismo sempre entende o objeto ou fenômeno como uma parte de um “mecanismo”, 
buscando situá-lo neste modelo/sistema/estrutura.
3.3.6 Dialética e Materialismo Dialético
 Relacionada às Ciências Sociais e Humanas, há dois conceitos de dialética: 1) o mais antigo, proposto 
por Platão e que está ligado à Retórica – o estudo da capacidade de argumentação e defesa coerente de 
ideias; e 2) a dialética proposta por Hegel, onde o percurso histórico da humanidade se baseia em uma 
sucessão de contradições.
 No século XIX, Karl Marx e Friedrich Engels propuseram o materialismo dialético como uma abordagem 
analítica para compreensão da verdade/realidade. Sua característica mais evidente é partir do pressuposto 
que o mundo físico – a matéria – e, portanto, a produção econômica, norteia e conduz o pensamento humano, 
em oposição ao idealismo. Gil (2008) resume os três princípios do materialismo dialético:
1. A unidade dos opostos: dois objetos ou fenômenos contraditórios e conflitantes entre si são, na verdade, 
parte indissolúvel de um mesmo processo. Essa “luta” constitui o desenvolvimento da realidade;
2. Quantidade e qualidade: todos os objetos e fenômenos possuem características relacionadas ao 
quantitativo e ao qualitativo, portanto, quantidade e qualidade estão inter-relacionadas;
3. Negação da negação: as mudanças são “negações” (oposições) ao fenômeno que se pretende mudar. 
O resultado dessa mudança também é negado, e o desenvolvimento da realidade consiste em uma 
sucessão de “negações”, mas em contextos diferentes.
 O materialismo dialético é uma abordagem amplamente difundida nas Ciências Sociais. Segundo Gil 
(2008), a dialética adota uma abordagem qualitativa, onde o objeto de estudo é analisado mais detalhadamente. 
Essa concepção se contrapõe ao positivismo, que foca na abordagem quantitativa e em conclusões feitas a 
partir de padrões apresentados por uma quantidade significativa de objetos de estudo.
3.3.7 Fenomenologia
 Esta abordagem parte do pressuposto que as certezas do positivismo, presente nas abordagens 
empíricas – baseadas na observação da natureza – são “ingênuas”. Sendo assim, foca apenas no objeto ou 
fenômeno em estudo, sem estabelecer “leis”, “regras” ou relações com outros objetos ou a realidade como 
um todo. Logo, a Fenomenologia não estuda “o sujeito nem o mundo, mas o mundo enquanto é vivido pelo 
sujeito” (GIL, 2008, p. 14), colocando a experiência em primeiro plano ao invés de conceitos e teorias.
Nas abordagens fenomenológicas, não buscamos planejamentos sistemáticos nem procedimentos estruturados 
para análise ou produção de dados. Assume-se aqui a subjetividade – as emoções e o pensamento intuitivo 
tomam parte na análise das informações, de maneira oposta à objetividade.
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3.3.8 Método clínico
 Envolve uma relação muito próxima entre o pesquisador e seu “objeto” – no caso, pessoas. Segundo 
Gil (2008), esta é uma abordagem amplamente utilizada na Psicologia, especialmente a partir dos trabalhos 
de Sigmund Freud. Está relacionada aos estudos de caso, uma vez que não oferece condições favoráveis 
para estabelecer conclusões gerais.
3.3.9 Pesquisa-ação
 Este tipo de pesquisa, intimamente ligado às Ciências Sociais, tem o objetivo de proporcionar uma ação 
social ou buscar soluções para problemas coletivos, havendo uma relação cooperativa entre o pesquisador e 
as pessoas envolvidas na pesquisa. É uma proposta diferente da chamada “pesquisa clássica”, onde o foco se 
encontra na produção e análise de dados com um mínimo de interação e posicionamento político e social, sob 
a concepção de “preservar a objetividade”. Gil (2008) apresenta também o conceito de “pesquisa participativa”, 
em que, o pesquisador procura contribuir com o desenvolvimento social e autônomo da comunidade estudada 
– e que geralmente está em situação de “vulnerabilidade”. O autor nos diz ainda que estes tipos de pesquisa 
se distanciam dos princípios da pesquisa clássica, colocando-se mais próxima da dialética em contraponto ao 
positivismo.
3.4 Métodos característicos das Artes
 Segundo Henk Borgdorff (2012), o debate sobre a pesquisa artística emergiu porque os métodos de 
pesquisa científica já estabelecidos no meio acadêmico não têm se mostrado suficientes para compreender 
a área de Artes na perspectiva de seu tipo de produto mais relevante: a produção artística. A seguir, 
apresentaremos os três tipos de pesquisa artística conforme a proposta de Cristopher Frayling, aprimorada 
por Henk Borgdorff (2012):
3.4.1 Pesquisa sobre artes
 Abordagens onde práticas e/ou produções artísticas são o objeto do estudo. Aqui, é possível adotar 
os métodos estabelecidos de pesquisa científica, uma vez que estes estudos são essencialmente teóricos e 
baseados na distância entre pesquisador e objeto. Praticamente todas as pesquisas científicas sobre Música 
feitas até hoje estão associadas a este tipo, de onde provém disciplinas como Musicologia, Etnomusicologia, 
Psicologia da Música e Sonologia, entre outras.
3.4.2 Pesquisa para as artes
 Constitui os estudos onde as práticas e produções artísticas são o objetivo do estudo, estando 
relacionadas à pesquisa aplicada. Trabalhos sobre a construção de instrumentos musicais ou análise acústica 
de um espaço cultural, por exemplo, visam a oferecer melhores condições para a prática musical. Aqui, também 
se admite a adoção de métodos científicos já consolidados no meio acadêmico.
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3.4.3 Pesquisa nas artes
 São os estudos onde as práticas artísticas são tanto o objeto da pesquisa quanto parte do método. 
Logo, não há separação entre o objeto – a prática – e o pesquisador – inserido na prática. Também não há 
diferença entre teoria e prática, pois ambas estão presentes simultaneamente.
 Todos os artistas, ao produzir obras de arte, lidam com habilidades sensoriais e intelectuais específicas: 
escultores aprendem e aprimoram constantemente suas técnicas de manipulação de materiais, atores estudam 
a expressão do corpo na prática e músicos lidam com habilidades auditivas e motoras para compor, cantar ou 
tocar um instrumento musical. Como esse conhecimento não pode ser integralmente documentado – e por 
isso mesmo é trabalhado através da relação entre “mestre e aprendiz” – os estudiosos da pesquisa artística 
têm se referido ao mesmo como conhecimento incorporado. Os resultados dessas pesquisas muitas vezes 
não podem ser publicados na forma de textos acadêmicos, requerendo recursos multimídia – como, por 
exemplo, gravações em áudio ou vídeo.
 López-Cano e Opazo oferecem um exemplo de pesquisa nas artes que nos ajuda a entender este tipoparticular de pesquisa:
[...] a estudante [violinista], além dos aspectos biográficos, históricos ou analíticos, decide 
dedicar seu trabalho ao estudo de versões da sonata BWV 1017 de Bach através de gravações 
tanto em instrumentos modernos como em interpretações historicamente informadas com 
instrumentos de época. Utilizando um programa para visualização do som e comparação 
dos arquivos sonoros, como o Sonic Visualiser, compara fraseados, articulações, escolha e 
condução do tempo, os diferentes estilos de realizar vibrato, as cesuras entre as frases e os 
estilos interpretativos de cada violinista. [...] Aqui, as perguntas da pesquisa se concentrariam 
em aspectos próprios da interpretação: como foram as mudanças da escolha de tempo na 
interpretação dessa sonata ao longo do século XX? Além das diferenças de estilo na condução 
do vibrato e da articulação, existem algumas semelhanças entre o fraseado de versões com 
instrumentos modernos e aquelas que utilizam instrumentos de época com critérios históricos?. 
(LÓPEZ-CANO; OPAZO, 2014, p. 50)
 Podemos perceber que para responder às hipóteses do trabalho, o pesquisador precisa ter habilidades 
musicais como percepção musical e interpretação do violino, indo além da análise musicológica. Logo, este é 
um exemplo de pesquisa onde a prática artística constitui parte essencial do método, exigindo do pesquisador 
a aplicação de suas habilidades específicas.
 Outro exemplo de pesquisa nas artes é “Música sacra e religiosa brasileira dos séculos XVIII e XIX: 
Teorias e práticas editoriais”, do musicólogo Carlos Alberto Figueiredo. A edição de partituras é uma atividade 
de prática artística. Entretanto, a publicação das partituras resultantes da edição somente, mesmo diante 
de todas as competências artísticas e saberes necessários para realizar essa tarefa, ela não é considerada 
“produção de conhecimento” no sentido tradicional de “pesquisa científica” – assim como apresentações 
musicais, exposições de quadros, mostras de filmes e performances teatrais e coreográficas. Sendo assim, 
Figueiredo publicou um livro (2017) com discussões teóricas e relatos de algumas decisões editoriais mais 
relevantes do seu trabalho de edição musical, caracterizando outro aspecto da “pesquisa nas artes”: a 
documentação foca no processo e não no resultado/produto. Trata-se de outra diferença significativa em 
relação à “pesquisa clássica”.
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ATIVIDADE
 Você já tem uma questão norteadora em mente para sua pesquisa? Caso a resposta seja sim, observe 
se algum dos métodos ou correntes de pensamento apresentadas nesta Unidade poderia ajudá-lo a obter 
respostas para a tua questão norteadora? Escolha um dos métodos descritos conforme seu interesse e 
procure aprofundar seu conhecimento sobre o mesmo, lendo as referências indicadas. Depois, escreva um 
breve texto de pelo menos duas páginas, descrevendo o método que você estudou, buscando aprofundar seu 
conhecimento.
 Resumo
 Estudamos nesta Unidade, alguns métodos científicos – conceituais ou de procedimentos – mais 
recorrentes em pesquisas acadêmicas, distribuindo-os segundo a recorrência de seu uso nas Ciências 
Naturais, nas Ciências Sociais e Humanas ou nas Artes. Foram indicadas referências mais detalhadas sobre 
os métodos, cabendo a você se aprofundar naqueles mais relevantes para sua pesquisa.
 REFERÊNCIAS
BORGDORFF, H. The conflict of the faculties: Perspectives on Artistic Research and Academia. Amsterdã: 
Leiden University Press, 2012.
FIGUEIREDO, C. A. Música sacra e religiosa brasileira dos séculos XVIII e XIX: Teorias e práticas editoriais. 
2. ed. Rio de Janeiro: Edição do autor, 2017.
GERHARDT, T. E.; SILVEIRA, D. T. (Org.). Métodos de Pesquisa. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009. 
GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
MALERBA, J. (Org.). A História Escrita: teoria e história da historiografia. São Paulo: Contexto, 2006.
HOLLER, M. T. Uma história de cantares de Sion na terra dos Brasis: a música na atuação dos Jesuítas na 
América Portuguesa (1549-1759). Tese (Doutorado em Música). 951f. Campinas: PPGM/IA/UNICAMP, 2006.
KÖCHE, J. C. Fundamentos de Metodologia Científica: Teoria da ciência e iniciação à pesquisa. Petrópolis: 
Vozes, 2011.
LÓPEZ-CANO, R.; OPAZO, U. S. C. Intestigación artística em música: Problemas, métodos, experiencias y 
modelos. Barcelona: ESMUC, 2014.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
SEEGER, A. Etnografia da música. Traduzido por Giovanni Cirino. Cadernos de Campo, São Paulo, n. 17, p. 
1-348, 2008.
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 Os projetos de pesquisa, assim como qualquer outro tipo de projeto, visam a apresentar uma proposta 
que ainda será concretizada – diferentemente da monografia, que já é o próprio trabalho de pesquisa. Sendo 
assim, um projeto de pesquisa precisa demonstrar para seus avaliadores certos aspectos, sendo os mais 
importantes:
• Clareza/coesão nas ideias propostas, mesmo que elas aparentem ser “redundantes” ou repetitivas;
• Referências bibliográficas atualizadas e/ou pertinentes para a área em que o estudo será realizado;
• Relevância da contribuição do projeto conforme a revisão de literatura, o problema, a hipótese e a 
questão norteadora;
• Capacidade/coerência na escrita do proponente segundo as normas e padrões de redação 
acadêmica.
 Outra questão importante, baseada nas discussões realizadas nas Unidades anteriores, é compreender 
que a pesquisa científica é um processo dinâmico e sempre sujeita a mudanças e atualizações. Logo, o projeto 
precisa refletir esta flexibilidade, pois o pesquisador deve ter segurança na condução da pesquisa e saber se 
adaptar a possíveis imprevistos que poderão ocorrer.
 A seguir, iremos abordar a estruturação elementar de um projeto de pesquisa, oferecendo sugestões 
para elaboração de cada parte. Recomendamos também a leitura de Gerhardt e Silveira (2009) e, em especial, 
Marconi e Lakatos (2003), referências bem mais detalhadas sobre o assunto em questão20 .
• Elaborar um problema, uma hipótese e uma questão norteadora;
• Redigir as principais partes de um projeto de pesquisa.
OBJETIVOS
UNIDADE
4Projetos de Pesquisa
___________________________________________________
20 Este assunto é contemplado nas páginas 65 a 88 do livro de Gerhardt e Silveira e nas páginas 215 a 227 do livro de Marconi e 
Lakatos.
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A. Como se dá o ensino e 
aprendizagem na Escola de 
Música Sebastião Ewerton ?
B. Quais Igrejas 
Evangélicas de Bacurituba 
tê aulas de música e como 
els são
C. Qual a biografia dos 
principais professores de 
música que atuaram em 
Bacurituba ?
D. Que escolas da 
Educação Básica de 
Bacurituba focam no 
ensino de música?
E. Que projetos sociais 
existentes ou conhecidos 
de Bacurituba focam no 
ensino de música ?
4.1 Recapitulando
 Abordamos a questão norteadora” logo na Unidade I na tentativa de favorecer você a detectar um 
problema à medida que outras leituras e reflexões eram feitas. Caso você tenha chegado até aqui sem ter 
desenvolvido ideias sobre um possível “problema”, sugerimos que você faça para si mesmo as seguintes 
perguntas:
• No local onde vivo e/ou trabalho, o ensino de música existe e/ou é satisfatório?
• As escolas da educação básica (públicas ou particulares) de minha cidade oferecem ensino de 
música na disciplina de Artes?
• Existem estudos sobre a biografia de músicos da cidade ou região onde moro?
• Há acervos ou coleções de partituras na região onde resido?
 Se você respondeu “sim” para alguma delas, estará apontando um problema no seu contexto. Porém, 
as perguntas apresentadas aqui são apenas sugestões, e talvez não lhe despertem motivação – elemento 
fundamental em tudo o que desejamos fazer!
 Caso você tenha experiência como músico ou professor de música atuanteem sua cidade, pode ser 
mais interessante verificar as dificuldades e desafios vivenciados em seu trabalho, e a partir dessa vivência, 
é possível elaborar uma pesquisa. Outra opção seria fazer um estudo sobre alguma área da Música que lhe 
interessou mais, sem necessariamente estar ligado à sua região ou contexto. Poderia ser, por exemplo, uma 
pesquisa baseada em revisão de literatura e discussão. Por fim, se você ainda não conseguiu “arrumar um 
problema”, tente conversar com colegas, músicos e educadores de sua cidade. Pode ser que durante um 
bate-papo descontraído apareça alguma questão que irá lhe interessar – isso é muito mais frequente do que 
imaginamos!
 Depois de diagnosticar um problema, vamos definir uma questão norteadora para sua pesquisa. Um 
problema – ou tema – pode gerar diversas perguntas, conforme podemos observar no modelo a seguir, que 
trata sobre o ensino de música em Bacurituba (Figura 5):
Figura 5 - Exemplos de perguntas
Fonte: Acervo do autor
Ensino e 
aprendizagem musi-
cal em Bacurituba
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 Todos os casos listados no modelo (Figura 5) constituem estudos de caso com base no contexto 
local. Além disso, as propostas de questões norteadoras apresentadas podem ser “refinadas”, como a do 
quadro C: pode ser mais interessante focar na biografia de um professor de música da cidade, ao invés de 
vários. Já no quadro D, é possível fazer um relato sobre as aulas de música de uma escola regular apenas 
(assim como ocorre no quadro A). Essa decisão irá depender da quantidade de informações que você irá 
encontrar, em diálogo com seu orientador.
 No final, a questão norteadora será uma pergunta que representa plenamente a sua pesquisa. É 
fundamental ter esta pergunta bem clara, tendo em vista que a argumentação das demais partes do projeto 
depende diretamente dela. Caso você não tenha definido ainda uma questão norteadora ou está em dúvidas 
sobre ela, recomendamos seguir as sugestões de Gil (2008)21 .
4.2 Referências bibliográficas
 Na Unidade I, abordamos em 1.4 Revisão de Literatura, os documentos e textos acadêmicos que você 
citou nas demais seções, sob as normas de formatação definidas pela ABNT e UEMA. Entretanto, esta deve 
ser a última seção do seu projeto. Mencionamos ela aqui porque é mais interessante criá-la primeiro, e à 
medida que forem feitas citações de autores nas demais seções, você deve ir nas “Referências Bibliográficas” 
e inserir a referência correspondente a cada citação. Não deixe para fazer este trabalho no final, pois pode 
haver confusão! É importante criar o hábito de inserir as referências assim que elas forem citadas, pois não 
será necessário verificar se há referências a mais ou a menos depois.
 Algumas pessoas gostam de trabalhar com duas folhas de caderno ou arquivos digitais diferentes: no 
primeiro, elas escrevem o projeto; e no segundo, anotam as referências bibliográficas utilizadas. Assim que a 
redação do projeto for concluída, ele apenas acrescenta o segundo caderno/arquivo ao final do primeiro.
4.3 Objetivos
 São as atividades e ações que você pretende realizar em sua pesquisa. Um recurso conhecido que 
ajuda a construir os objetivos é perguntar: “o que pretendo fazer?” As respostas, que devem ser frases curtas e 
claras, podem começar com verbos no infinitivo que exprimem ações, como “investigar”, “promover”, “analisar”, 
“propor” ou “elaborar”.
 Temos, ainda, dois tipos de objetivos: 1) o objetivo geral, que consiste na ação ou atividade que 
responde à questão norteadora e conclui a pesquisa; e 2) os objetivos específicos, que são resultado indireto 
da pesquisa.
Como exemplo, vamos supor que seu trabalho seja sobre o ensino na Escola de Música Zacarias Rêgo, de 
Pastos Bons. Você fará a pergunta – “o que pretendo fazer?” – e terá como possíveis respostas:
• Estudar as relações de ensino e aprendizagem da escola;
• Traçar um percurso histórico da instituição;
• Elaborar um levantamento estatístico de estudantes matriculados e egressos;
• Analisar os recursos disponíveis e instrumentos musicais da escola;
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21 Estas sugestões estão presentas nas páginas 41 a 48 do livro de Gil.
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• Entrevistar os professores do estabelecimento;
• Fazer um levantamento do material didático utilizado nas aulas da escola;
• Verificar o planejamento pedagógico da instituição.
 Perceba que o primeiro objetivo apresentado responde à questão norteadora; esse é, portanto, o 
objetivo geral.
ATIVIDADE
 Você já tem um problema e uma questão norteadora definidos? Se sim, escreva-a na primeira página de 
um caderno ou editor de texto. Em seguida, escreva o objetivo geral e pelo menos cinco objetivos específicos, 
perguntando para si mesmo: “o que pretendo fazer?”
4.4 Justificativa
 Nos projetos de pesquisa solicitados por boa parte das instituições de ensino superior do Maranhão, é 
comum que a seção “Justificativa” apareça antes dos “Objetivos”. Entretanto, acreditamos ser mais interessante 
elaborar os objetivos antes da justificativa, portanto, basta você trocar a ordem das seções no seu projeto de 
pesquisa.
 Conforme afirmamos anteriormente, o projeto de pesquisa tem um caráter redundante. Isso se dá 
porque suas partes são inter-relacionadas. Além disso, essa “redundância” reforça para os avaliadores a 
segurança que o proponente do projeto deve possuir sobre a pesquisa que deseja desenvolver.
 Diferentemente dos objetivos, que são frases curtas e diretas, a justificativa consiste em parágrafos 
onde você irá argumentar/defender a relevância da sua pesquisa. A pergunta que nos guia para elaborar a 
justificativa é “por que esta pesquisa seria importante?” Cada resposta irá gerar um parágrafo argumentativo. 
Para redigi-lo, é preciso ter algum conhecimento sobre o tema que irá abordar no projeto, ou seja: você já 
deveria ter feito uma revisão de literatura e a leitura analítica de algumas referências.
 Em geral, a justificativa traz pelo menos três argumentações – e, logicamente, essa mesma quantidade 
de parágrafos. Para ajudá-lo a desenvolver a justificativa, sugerimos fazer a pergunta “por que” pensando em 
três aspectos distintos. Por exemplo:
1) Por que esta pesquisa seria importante para o contexto abordado?
2) Por que esta pesquisa contribuiria para a literatura/bibliografia já existente?
3) Por que esta pesquisa seria interessante para estudantes e/ou professores de música?
 Voltemos ao exemplo sobre o ensino musical na Escola de Música Zacarias Rêgo. Seguem adiante 
possíveis parágrafos para uma justificativa:
1. A Escola de Música Zacarias Rêgo, a exemplo de tantas outras instituições de ensino musical mantidas 
por prefeituras no Estado do Maranhão, contribui de maneira significativa para a manutenção das práticas 
musicais em Pastos Bons. Um estudo científico permitirá refletir sobre as contribuições efetivas da escola 
em âmbitos mais aprofundados;
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2. Segundo a literatura, há relatos de experiência relevantes sobre outras instituições de ensino musical 
maranhenses, como a Escola de Música “Maestro Nonato” em São José de Ribamar, a Escola de Música 
de Morros e a Escola de Música do Estado do Maranhão “Lilah Lisboa de Araújo” em São Luís. Entretanto, 
não há estudos que abordam a Escola de Música Zacarias Rêgo;
3. O ensino e aprendizagem musical da Escola de Música Zacarias Rêgo é um tópico de relevância tanto para 
estudantes e professores da instituição, que terão um retorno analítico e um registro de suas atividades, 
quanto para pesquisadores das subáreas de Educação Musical e Musicologia.
ATIVIDADE
 Considerando sua questão norteadora, elabore a justificativa de seu projeto com base nas três perguntas 
apresentadas, buscando responder cada uma delas em um parágrafo diferente.
4.5 Referencial teórico
 Algumas instituições solicitam que seus projetos de pesquisa contenham a seção“Referencial Teórico”. 
Sua elaboração é semelhante à da “Justificativa”, mas com uma finalidade diferente: o pesquisador deve 
demonstrar conhecimento da bibliografia, teorias, concepções e discussões ligadas ao tema da pesquisa. 
É importante o uso de citações, reforçando o diálogo com a literatura. Portanto, para elaborar o referencial 
teórico, você já precisaria ter realizado a revisão de literatura e várias leituras analíticas.
 No exemplo que temos utilizado, uma possível seção de “Referencial Teórico” sobre o ensino na Escola 
de Música Zacarias Rêgo iria contemplar estudos de caso semelhantes – como os da Escola de Música de 
Morros e de São José de Ribamar, por exemplo – e trabalhos de autores ligados à subárea de Educação 
Musical com foco em instituições de ensino, a exemplo de Neide Esperidião, Marisa Fonterrada, Rita Fucci 
Amato e Luciana Del-Ben.
ATIVIDADE
 Com base nos trabalhos desenvolvidos até agora sobre sua pesquisa, elabore um breve referencial 
teórico de dois parágrafos, abordando dois temas/tópicos diferentes e, citando o posicionamento de pelo 
menos três autores sobre cada tema.
4.6 Metodologia
 Este é o “coração” do seu projeto. É na metodologia que você responderá à pergunta “como vou fazer 
esta pesquisa?”. Aqui entrarão os conhecimentos estudados na Unidade III, que oferecem ideias sobre como 
conduzir e desenvolver sua pesquisa.
 Conforme vimos anteriormente, existem dois tipos de método: 1) abordagens conceituais; e 2) 
procedimentos técnicos. Pense, agora, em que método(s) específico(s) de cada tipo seriam interessantes 
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para responder à hipótese da sua pesquisa - que, neste momento, já precisa estar bem definida.
 Como os métodos mudam muito de acordo com o que estamos pesquisando, é mais interessante 
vermos exemplos de métodos adotados em outros trabalhos. Seguem adiante alguns exemplos (Tabela 1):
Autor Título Descrição sucinta do método 
empregado
ALMENDRA JÚNIOR, 2014 As bandas de música na formação 
do instrumentista profissional de 
São Luís/MA
Pesquisa bibliográfica sobre ensino em 
grupo de instrumentos musicais; aplicação 
de questionário em quatro bandas 
profissionais de São Luís; análise cruzada 
com abordagem qualitativa
COSTA NETO, 2013 Um panorama histórico-cultural 
sobre vida e obra de compositores 
de choro da baixada maranhense: 
breve análise musical de obras já 
editadas
Pesquisa de campo e entrevista com 
compositores de choro da baixada 
maranhense; historiografia musical; análise 
musicológica; consulta a acervos de 
partituras
GOMES FILHO, 2014 Musicoterapia: aspectos 
históricos e sua configuração na 
atualidade
Pesquisa bibliográfica; discussão teórica; 
revisão de literatura
LOUREIRO, 2001 O Ensino de Música na Escola 
Fundamental: um estudo 
exploratório
Pesquisa bibliográfica; discussão teórica; 
pesquisa de campo com entrevista aberta 
à diretora e professoras de uma escola 
estadual de Minas Gerais
OLIVEIRA, 2014 Gosto musical de alunos do 
ensino fundamental: o repertório 
na atividade de canto coral em 
uma escola regular do Estado do 
Goiás
Pesquisa descritiva com abordagem 
qualitativa; realização de entrevista 
estruturada com roteiro de perguntas para 
alunos de canto coral de uma escola de 
ensino fundamental
RODRIGUES, 2011 O curso básico infantil de piano 
da Escola de Música do Estado 
do Maranhão
Pesquisa bibliográfica; historiografia 
musical; discussão teórica sobre Pedagogia 
do Piano; análise curricular
 Para desenvolver a “metodologia” do seu projeto, recomendamos os seguintes passos:
• Procure pesquisas semelhantes à sua na Internet, procurando analisar que métodos foram 
empregados pelo pesquisador;
• Leia os textos recomendados que tratam sobre o(s) método(s) que você pretende adotar em sua 
pesquisa;
• Imagine um “passo a passo” das ações que você fará na sua pesquisa, sempre pensando em 
como responder à sua questão norteadora.
 Como a definição de métodos varia muito conforme cada pesquisa, sugerimos que você desenvolva a 
Fonte: Acervo do autor
Tabela 1 - Exemplos de métodos e pesquisas científicas da área de Música
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seção “Metodologia” de seu projeto, mostrando-a para o seu orientador.
4.7 Cronograma
 Aqui, você irá definir o tempo necessário para concluir cada ação prevista na seção “Metodologia” – 
por isso recomendamos a você imaginar o “passo a passo” para o desenvolvimento de sua pesquisa. Em 
geral, o cronograma é apresentado em forma de tabela, onde as linhas trazem cada etapa da metodologia e 
as colunas o prazo previsto para conclusão das mesmas. É importante notarmos que o cronograma oferece 
sempre uma estimativa, portanto, pode estar sujeito a alterações.
 Com relação ao tempo total para realização do projeto, temos por definição o prazo de um ano para 
conclusão de uma pesquisa de Monografia – este é o caso do curso de Licenciatura em Música a distância 
da UEMA. Projetos de pesquisa para o Mestrado dispõem de dois anos para sua realização, enquanto os de 
Doutorado possuem quatro anos. Sendo assim, ao elaborar seu projeto de pesquisa no âmbito deste curso, 
você deve ter em mente que disporá de um ano para conclui-lo.
 Apresentamos, a seguir, um exemplo de cronograma com base no exemplo que temos demonstrado 
sobre o ensino na Escola de Música Zacarias Rêgo (Tabela 2).
Etapa Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
1. Revisão de literatura X X X
2. Redação da pesquisa X X X X X X X X
3. Análise do currículo X X
4. Entrevistas X X X
5. Análise dos dados X
6. Defesa X
7. Entrega do trabalho X
Tabela 2 - Exemplo de cronograma
Fonte: Acervo do autor
ATIVIDADE
 Crie um cronograma para sua pesquisa, buscando definir de maneira clara cada procedimento/etapa 
constante na metodologia e imaginando uma estimativa de tempo para conclui-la.
4.8 Recursos
 Este item trata sobre os recursos necessários para realização da pesquisa. Em geral, não é solicitado 
em caso de monografias. Entretanto, é interessante conhecê-lo, pois em projetos de pesquisa para Mestrado, 
Doutorado e instituições de apoio à pesquisa – como no caso da Fundação de Apoio à Pesquisa do Maranhão 
(FAPEMA) – além de projetos culturais, a seção “Recursos” é necessária, sendo inclusive uma das mais 
importantes para sua execução e avaliação.
 Ao elaborar este item, podemos dividir/classificar os recursos em três tipos:
1. Material de consumo: recursos físicos temporários, como resmas de papel, canetas, cadernos, cartuchos 
para impressora, combustível ou alimentação, entre outros;
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2. Material permanente: recursos físicos sem prazo de validade, como computadores, cabos e equipamentos 
de áudio, instrumentos musicais, pastas organizadoras, câmeras, filmadoras ou scanners, por exemplo;
3. Serviços de terceiros: recursos humanos em geral, podendo ser diárias/hospedagem, prestações de 
serviços gerais, trabalhos temporários, consultorias ou cachets para músicos.
 A apresentação dos recursos também costuma ser feita por meio de uma tabela ou quadro onde são 
inseridos os itens, a quantidade necessária, o valor unitário e a soma dos mesmos. Segue adiante um exemplo 
de quadro demonstrativo para os recursos (Tabela 3):
Recurso Quantidade Unidade Soma
Resmas de papel A4 branco 5 R$ 10,00 R$ 50,00
Pacote de canetas esferográficas azuis 3 R$ 3,00 R$ 9,00
Impressora a laser 1 R$ 600,00 R$ 600,00
Cartuchos para impressora a laser 4 R$ 100,00 R$ 400,00
Scanner com entrada e alimentação USB 1 R$ 150,00 R$ 150,00
Mesa de som multitrilha USB com 8 canais 1 R$ 1.500,00 R$ 1.500,00
Cabos de áudio P2 macho - P2 macho 3 R$ 50,00 R$ 150,00
Caixas acústicas amplificadas de 40W RMS 2 R$ 500,00 R$ 1.000,00
Serviço de produção musical 1 R$ 2.000,00 R$ 2.000,00
Serviço de digitalização de acervos 1 R$ 2.000,00 R$ 2.000,00
RECURSOS TOTAIS R$ 7.859,00
 Opcionalmente, podemos dividir a tabela conforme a classificação proposta de recursos– materiais de 
consumo, permanentes e serviços de terceiros.
4.9 Introdução
 
 Este é o item que inicia o projeto de pesquisa, portanto,é onde oferecemos um panorama geral do tema 
e apresentamos o problema, a hipótese e a questão norteadora da pesquisa. Além disso, é o momento em 
que, o pesquisador precisa ter plena convicção do seu trabalho, logo, torna-se mais interessante deixar como 
a última seção a ser escrita – que é quando temos as ideias do projeto mais “amadurecidas”.
 Na introdução, começamos abordando aspectos mais gerais sobre o tema e a área que pretendemos 
abordar. À medida que o texto vai se desenvolvendo, vamos direcionando as ideias para o contexto específico 
da pesquisa e, em seguida, situamos o problema. Logo depois, mencionamos hipóteses e a questão norteadora 
que nos deixaram dispostos a trabalhar nesta pesquisa.
 Precisamos alertar, ainda, que este tipo de redação é adequado apenas para a seção “Introdução” de 
projetos de pesquisa. Quando você estiver trabalhando em sua monografia, a introdução desta será diferente, 
pois deverá possuir mais informações. Na introdução de monografias (e também dissertações e teses), é 
costume fazermos uma breve síntese dos capítulos que seguirão no trabalho – motivo pelo qual, a introdução, 
também, precisa ser redigida em último lugar.
 Gerhardt e Silveira (2009, p. 66) tratam brevemente sobre a seção “Introdução. Recomendamos a 
leitura deste trecho.
Fonte:Acervo do autor
Tabela 3 - Exemplo de quadro demonstrativo dos recursos
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4.10 Anexos
 Os anexos são documentos adicionados conforme necessidades particulares do projeto de pesquisa. 
Em geral, não são necessários, fazendo com que esta seção não seja incluída. Há casos em que é interessante 
anexar algum documento como, por exemplo:
• Trabalhos voltados à edição musical, pode ser interessante demonstrar algumas das partituras que serão 
editadas, inserindo-a nos anexos;
• Em projetos que tratam sobre a legislação vigente de Educação Musical ou ensino de música em escolas, 
as leis e regimentos que se pretende discutir podem vir em anexo;
• Nas pesquisas que fazem uso de entrevistas e/ou questionários, é interessante colocar em anexo os 
formulários utilizados;
• Em relatos de experiência, onde é interessante inserir registros visuais (fotografias) das atividades 
desenvolvidas que não tiveram espaço apropriado no corpo do texto.
 Nas pesquisas em Música, é comum haver pesquisas com registros em áudio e vídeo gravados em CD, 
sendo a seção “Anexos” apropriada para inseri-lo. Portanto, recomendamos que você utilize um tipo de papel 
mais resistente – como papel cartão ou couché, por exemplo, – e cole um envelope de CD para guardá-lo.
Por fim, caso o seu projeto de pesquisa venha a ter documentos em anexo, eles devem ser inseridos no final, 
após a seção “Referências Bibliográficas”.
4.11 Elementos pré-textuais
 Estes correspondem às páginas/folhas que antecedem o início do texto acadêmico (projetos, 
monografias, dissertações ou teses), ou seja, antes da introdução. Há elementos que devem constar em 
todos os projetos, como a capa, a folha de rosto e o sumário (índice), e elementos que são adicionados 
apenas em caso de necessidade, como a lista de figuras, de quadros ou de anexos, caso o seu projeto venha 
a possui-los. Para conhecer os elementos pré-textuais e ter uma referência visual sobre como eles devem ser 
elaborados, veja o Manual da UEMA (BAIMA et al., 2014, p. 15-33).
 Um problema recorrente na elaboração dos elementos pré-textuais trata sobre a numeração das páginas 
em arquivos digitais. Em geral, a contagem começa no sumário; antes dele, as páginas não são numeradas. 
Nos editores de texto, precisamos inserir uma “Quebra de seção” chamada “Nova página”22. Depois, temos 
que editar a contagem de páginas para cada seção, removendo-a na parte pré-textual e mantendo a contagem 
na seção posterior. Porém, é um recurso que muitas pessoas acham difícil. Sendo assim, há outra maneira 
de fazê-lo: escrever os elementos pré-textuais em um arquivo separado, sem numeração de páginas. Assim, 
o corpo do projeto ficaria em um arquivo que possui a contagem de páginas.
4.12 Outras questões
 Aqui, vamos abordar algumas discussões que não foram contempladas neste breve trabalho, mas cuja 
apresentação se mostra fundamental. Indicaremos referências mais adequadas sobre cada assunto.
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22 Este breve vídeo mostra como criar uma quebra de página: https://youtu.be/35VFUuUgpZU
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23 A página do CEP/UEMA está vinculada ao portal da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PPG/UEMA). Endereço eletrônico: 
http://www.ppg.uema.br.
4.12.1 Plágio
 Conforme abordamos brevemente, apresentar ideias de outras pessoas sem dar o devido crédito é 
crime de plágio, disposto na Lei n.º 12.853/2013 de direitos autorais e no Art. 184 do Código Penal. Na 
Internet, a fraude mais recorrente provém do ato de copiar e colar as informações – ferramenta que facilita 
muito o trabalho, mas por outro lado pode ser utilizada de forma prejudicial. Entretanto, reescrever a ideia de 
terceiros com suas próprias palavras, sem a devida citação, também caracteriza plágio.
4.12.2 Ética na pesquisa
 Em estudos que lidam com pessoas de maneira muito próxima, a exemplo daqueles que adotam 
métodos como observação, entrevistas, pesquisa-ação e pesquisa participativa, é importante atentar para a 
questão do “consentimento informado”. Princípio estabelecido pelo Código de Nuremberg, consiste no direito 
que as pessoas envolvidas na pesquisa têm em saber que tipos de informação estão sendo recolhidas e em 
como elas serão divulgadas/publicadas. No caso de pesquisas na área da Saúde, este princípio deve ser 
observado, pois pesquisas baseadas em experimentos com produtos farmacêuticos, por exemplo, podem 
colocar em risco a saúde das pessoas. Entretanto, há uma discussão nas Ciências Sociais sobre a limitação 
que este princípio infere à própria pesquisa, conforme nos diz Gil (2008, p. 107). Sobre a ética na pesquisa 
em Música, recomendamos a leitura de Ilari (In: BUDASZ, 2009).
 De qualquer forma, é importante se informar sobre o protocolo a seguir. Em geral, é necessário que 
as pessoas assinem um Termo de Consentimento antes de participar da pesquisa. Na UEMA, o setor que 
lida com questões de ética na pesquisa é o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/UEMA)23 e pode dar maiores 
orientações para a sua pesquisa, caso você precise lidar com pessoas.
 Resumo
 Nesta Unidade, estudamos as principais seções que constituem um projeto de pesquisa científica 
adequado à área de Música, oferecendo sugestões de redação. Foram sugeridas tarefas relacionadas à 
elaboração de partes específicas, recomendando a supervisão do trabalho por um orientador. No fim, foram 
brevemente abordadas questões sobre ética na pesquisa.
 Referências 
ALMENDRA JÚNIOR, W. P. A banda de música na formação do músico instrumentista profissional de São 
Luís/MA. Monografia (Licenciatura em Música). 81f. São Luís: UFMA, 2014.
BAIMA, G. M. N.; PAIVA, I. G.; LOPES, B. F. Manual para Normalização de Trabalhos Acadêmicos. 2. ed. São 
Luís: Uema, 2014.
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COSTA NETO, R. J. M. Um panorama histórico-cultural sobre vida e obra de compositores de choro da 
baixada maranhense: breve análise musical de obras já editadas. Monografia (Licenciatura em Música). 56f. 
São Luís: UFMA, 2013.
GERHARDT, T. E.; SILVEIRA, D. T. (Org.). Métodos de Pesquisa. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009. 
GOMES FILHO, C. S. Musicoterapia: aspectos históricos e sua configuração na atualidade. Monografia 
(Licenciatura em Música). 42f. São Luís: UFMA, 2014.
ILARI, B. Por uma conduta ética na pesquisa musical envolvendo seres humanos. In: BUDASZ, R. (Org.). 
Pesquisa em Músicano Brasil: métodos, domínios, perspectivas. Goiânia: ANPPOM, 2009, p. 167-185.
LOUREIRO, A. M. A. O Ensino de Música na Escola Fundamental: um estudo exploratório. Dissertação 
(Mestrado em Educação). 241f. Belo Horizonte: PUC/MG, 2001.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
OLIVEIRA, R. V. L. Gosto musical de alunos do ensino fundamental: o repertório na atividade de canto coral 
em uma escola regular do Estado do Goiás. Monografia (Licenciatura em Música). 36f. Porto Nacional: UAB/
UnB, 2014.
RODRIGUES, A. L. S. F. O curso básico infantil de piano da Escola de Música do Estado do Maranhão. 
Monografia (Licenciatura em Música). 57f. São Luís: Uema, 2011.

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