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RESUMO HELMINTOS

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RESUMO DE PARASITOLOGIA 
 
Por Eduarda Lanzarini Lins 
Contribuição de Fernando Lemos 
 
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4 de agosto de 2016 
 
 INTRODUÇÃO 
ASCARIDÍASE - Agente etiológico: Ascaris lumbricoides. Formas evolutivas: vermes adultos 
(dioicos), ovos (embrionamento) e larvas. Ciclo biológico: passagem das larvas pelo pulmão. 
Transmissão: ingestão de ovos embrionados (L3). 
LARVA MIGRANS VISCERAL - Agente etiológico: Toxocara sp. (parasito de cães e gatos). 
Parasito não consegue completar o ciclo no homem - larvas retidas nos tecidos - processo 
inflamatório. Crianças - areia (solo). Transmissão: ingestão de ovos embrionados. 
 
 
ASCARIDÍASE (Ascaridis lumbricoides) 
Sexos separados - dioicos. Dimorfismo sexual, fêmea é maior e macho é enrolado ventralmente. 
É cosmopolita e a helmintíase humana mais frequente. 
 
IMPORTÂNCIA EM SAÚDE PÚBLICA 
Importante problema de saúde pública em países em desenvolvimento. Crianças são as mais 
atingidas e apresentam as repercussões clínicas mais significativas. Brasil: elevada prevalência em 
pré-escolares e escolares. Ambiente exerce importante papel na transmissão da parasitose: 
- Ovos saem nas fezes não infectantes - embrionamento no meio, lugares quentes, 
úmidos e sombreados (3 a 4 semanas), 
- Peri-domicílio funciona como foco de ovos infectantes - saneamento básico. 
 
HOSPEDEIRO 
Habita intestino delgado do homem e de alguns macacos superiores (chimpanzés, gorilas, gibão 
e rhesus). Parasito semelhante em porcos - Ascaridis summ. 
 
MORFOLOGIA DOS PARASITOS 
Depende do número de formas presentes no hospedeiro e seu estado nutricional. Menores 
dimensões em parasitismo intenso. São vermes longos cilíndricos e fusiformes e possuem 
dimorfismo sexual e extremidades afiladas, sobretudo na região posterior. Têm boca na extremidade 
anterior com três fortes lábios providos de papilas sensoriais. Boca - esôfago mucoso e cilíndrico - 
intestino retilíneo e achatado - reto na extremidade posterior. 
MACHO: de 20 a 30cm, cor leitosa, enrolamento ventral. Possui espículos projetáveis (não 
visíveis). FÊMEA: maior e mais grossa, de 30 a 40cm. Cada fêmea deposita cerca de 200000 ovos por 
 
 
dia. OVOS: castanhos, ovais ou esféricos, diâmetro de cerca de 50ym e são muito resistentes. Possui 
célula germinativa não segmentada, citoplasma finamente granuloso e casca grossa com três 
membranas: 
- Interna: delgada e impermeável 
- Intermediária: espessa, hialina e lisa 
- Externa: grossa, irregular, mamilonada e é secretada pela fêmea. 
Ovos são eliminados inférteis, são mais alongados, casca mais delgada, citoplasma cheio de 
grânulos grosseiros e aparecem quando: 
- Fêmeas jovens não fecundadas começam a ovipor; 
- Infecções unissexuais de fêmeas, 
- Menor proporção de machos em relação a fêmeas. 
Embrionamento no meio externo em presença de oxigênio. Em duas semanas a L1 (rabditoide) 
passa a ser L2 e com mais uma semana, se torna L3 (filarioide - infectantes). Ovos embrionados 
podem permanecer viáveis infectantes no meio durante anos. Quando muito tempo no meio, podem 
perder a membrana mamilonada, sendo então chamados de ovo decorticado. 
 
BIOLOGIA 
Instala-se no jejuno e íleo (mucosa e luz). Movem-se contra a corrente peristáltica. Fixação 
eventual à mucosa através dos lábios. Alimentam-se de materiais semidigeridos na luz intestinal 
(enzimas digestivas). Infecções intensas - povoação de todo o intestino delgado, migração (para 
outras regiões, localizações anômalas - apêndice, vias biliares e pancreáticas, traqueia, brônquios, 
seios da face, tuba auditiva). Pode ser eliminado pela boca e pelo nariz. 
 
CICLO BIOLÓGICO 
É monoxênico e os ovos liberados com as fezes. Os ovos tornam-se férteis na presença de 
umidade, oxigênio e temperaturas de 25 a 30ºC. Larva se desenvolve em ambientes quentes e úmidos 
(solo), dentro do ovo. A infecção ocorre pela ingestão dos ovos infectantes em água ou alimentos. 
Ovos ingeridos atingem o duodeno - eclosão desencadeada por estímulos (CO2). Larvas liberadas no 
intestino delgado - aeróbias - migração. Invasão da mucosa intestinal - circulação sanguínea - fígado 
- coração direito - pulmões (4 a 5 dias após ingestão de ovos). 
 
CICLO PULMONAR 
Larvas no intestino delgado - ceco - vasos linfáticos e veias - fígado - coração direito - pulmões. 
Pulmões: larvas invadem os alvéolos - L4 - bronquíolos - arrastadas com muco pelos movimentos 
ciliares da mucosa. Sobem pelos brônquios - traqueia - faringe. Algumas saem pela boca, mas a 
maioria é deglutida: esôfago – estômago - intestino delgado (20-30 dias de infecção): completam o 
desenvolvimento, tornando-se adultos. Depois de se tornarem adultos, atingem a maturidade sexual 
(2 meses). Vivem cerca de 2 anos. Cópula e liberação de ovos com as fezes (deposição no jejuno). 
 
TRANSMISSÃO 
Ingestão de ovos infectantes do parasito, procedentes do solo, água ou alimentos contaminados 
com fezes humanas. Período pré-patente: 67 a 76 dias. Período de transmissibilidade: durante todo o 
período em que o indivíduo portar o helminto e estiver eliminando ovos pelas fezes, período longo. 
VEÍCULOS PARA INGESTÃO DE OVOS: mãos sujas de terras, sujeira sob as unhas, poeira, água 
e alimentos infectados, etc. 
 
 
 
PATOLOGIA E SINTOMATOLOGIA 
Assintomática em 5 de 6 indivíduos. Apresenta ação patogênica durante a migração de larvas, 
quando há vermes adultos no intestino delgado, migrações e localizações anômalas dos vermes 
adultos. Produz alterações mecânicas, tóxicas e alérgicas. 
 
PATOLOGIA - INVASÃO LARVÁRIA 
Depende do número de larvas, do tecido invadido e da sensibilidade do hospedeiro. Infecção 
maciça leva a lesões traumáticas: 
- Hepática: focos hemorrágicos e de necrose, reação inflamatória em torno das larvas, 
- Pulmões: larvas com maior antigenicidade. Pontos hemorrágicos, edema nos alvéolos 
(com infiltração inflamatória), Síndrome de Löeffler, indivíduos com hipersensibilidade podem 
desenvolver crises de asma. 
 
MANIFESTAÇÕES MAIS FREQUENTES 
Desconforto abdominal (cólicas intermitentes, dor epigástrica, má digestão), náuseas, perda de 
apetite e emagrecimento, coceira no nariz, sono intranquilo, irritabilidade e ranger de dentes. 
 
PATOGENIA - VERMES ADULTOS 
Apresentam ação espoliadora, causando subnutrição, depauperamento físico e mental. Ação 
tóxica causada pelos agentes parasitários contra anticorpos alergizantes, gerando manifestações 
alérgicas. Ação mecânica consiste em irritação da parede intestinal ou obstrução da luz intestinal. 
Localizações ectópicas (áscaris errático) - no apêndice, invasão de vias linfáticas e invasão do 
trato pancreático. Eliminação de vermes pela boca e narinas em infecções maciças ou quando 
irritados por alimentos e drogas. 
Manchas claras podem aparecer em crianças pelo consumido de vitamina A e C por parte do 
verme - vitaminose. 
 
DIAGNÓSTICO 
Quadro clínico semelhante ao de outras helmintíases intestinais. Eliminação do helminto. Ovos 
nos exames parasitológicos de fezes (90% dos exames): sedimentação espontânea ou centrifugação 
e negativos em infecções apenas por machos. Hemograma: eosinofilia persistente. Imunológico: não 
satisfatório. Bioimagem e radiografias. 
 
TRATAMENTO 
Dieta rica e de fácil absorção. Tratamento específico: pamoato de Piratel, mebendazol, levamisol 
(acho que escrevi errado), piperazina. Eleitos colaterais: náuseas, vômitos, dores abdominais, etc. 
 
EPIDEMIOLOGIA 
Amplamente distribuída: áreas tropicais, subtropicais e temperadas. Incide mais intensamente 
em locais de clima quente e úmido. Prevalência mundial de cerca de 30%. 100m mil óbitos nos países 
subdesenvolvidos. 
Prevalência elevada está associada a condições sanitárias precárias - indicador do estado de 
saúde de uma população. Fatores que inferem na prevalência: áreas geográficas,
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