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PROBLEMA 4 PEDIATRIA

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RESUMOPED KATARINA ALMEIDA 
 
 
 
1. Elucidar a fisiopatologia, tratamento, medidas preventivas da Desnutrição correlacionando 
com a epidemiologia (abordar bolsa bolsa família) 
A desnutrição é um distúrbio da nutrição (distrofia) decorrente da falta concomitante de calorias e de proteínas, 
em diferentes proporções. 
➢ Forma primária : resulta da combinação de três fatores ambientais: carência alimentar (macro e 
micronutrientes), falta de acesso a condições sanitárias (água/esgoto) e serviços de saúde 
(acarretando, por exemplo, quadros prolongados de diarreia) e falta de práticas de cuidados infantis 
(ex.: vacinação, higiene pessoal). 
➢ Forma secundária : são provocadas por doenças que aumentam as necessidades metabólicas, 
diminuem a absorção intestinal ou levam à perda de nutrientes (por exemplo, síndromes disabsortivas, 
malignidades, queimaduras extensas 
Fisiopatologia A DEP leva a uma série de alterações sistêmicas, resultado, em última instância, das 
adaptações fisiológicas, do organismo à menor disponibilidade de nutrientes para a célula. A criança portadora 
de DEP vive em tênue equilíbrio, muito próximo do colapso. As repercussões da DEP que acontecem em curto 
prazo podem prejudicar o equilíbrio metabólico, funcionamento de órgãos e sistemas que, de forma direta, 
aumentam a mortalidade e exigem ajustes da terapia nutricional para que se consigam atingir as metas para 
recuperação Em longo prazo, pode haver prejuízo do crescimento, desenvolvimento neuropsicomotor e aumento 
do risco futuro para desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis. Quanto maior a gravidade da 
DEP, mais intensas serão suas repercussões metabólicas. 
 
Alterações metabólicas e hormonais : Há uma redução global do metabolismo com diminuição do gasto 
energético, da atividade da bomba de sódio-potássio e da síntese de proteínas. 
 Redução de todos os substratos energéticos: glicogênio, gorduras e proteínas. Inicialmente há um 
aumento da glicólise (quebra de glicogênio), lipólise (liberação de ácidos graxos) e neoglicogênese 
(síntese de glicose a partir do glicerol dos ácidos graxos e aminoácidos), para geração de energia. O 
 
 
 
 
metabolismo cerebral é mantido à custa de ácidos graxos e corpos cetônicos produzidos pela lipólise, 
estimulada pelo hormônio do crescimento e pela epinefrina. 
 O consumo progressivo desses estoques de energia leva à queda plasmática nos níveis de glicose e 
aminoácidos, e com isto ocorre uma diminuição da insulina sérica e um aumento do glucagon e da 
adrenalina. Os níveis de GH se elevam, e com ele há maior estímulo à lipólise. Por outro lado, os níveis 
de IGF-1 (ou Somatomedina C) estão reduzidos. 
Alterações imunológicas :Ocorre um prejuízo nas defesas específicas e inespecíficas, na defesa celular e 
humoral, sendo a intensidade do deficit celular de maior importância. 
 Imunidade inespecífica: há perda da integridade das barreiras epitelial e mucosa, diminuição de fatores 
como muco, pH e lisozima. 
 Imunidade celular: redução na população de linfócitos T no timo, baço e linfonodos, menor produção de 
Interleucina 1 (IL-1) e redução de quantidade e qualidade em alguns fatores complemento. 
Alterações cardiovasculares e renais 
 Deficit contrátil do miócito cardíaco, que resulta em queda do débito cardíaco basal e resposta 
cardiovascular inadequada às alterações de volemia. 
 Outra consequência desta redução no débito cardíaco é a queda nas taxas de filtração glomerular, 
com prejuízo das funções de concentração e acidificação urinária. Queixas de poliúria e nictúria são 
comuns. 
Há duas formas clínicas de DEP grave bem conhecidas : marasmo e kwashiorkor, além da possibilidade de 
uma forma mista denominada kwashiorkor-marasmático. 
➢ Marasmo É um estado de má nutrição que resulta de uma deficiência calórica total (energia e 
proteínas). Marasmo significa “desgaste” e, em termos grosseiros, denota inanição. Em tais dietas 
deficientes, a relação proteína/calorias pode ser normal. Essa apresentação clínica é mais comum em 
crianças com menos de um ano de idade, embora não seja restrita a este grupo etário, em decorrência 
de deficit na ingestão global de nutrientes associado ao agravamento do estado nutricional por 
infecções intercorrentes. A instalação é insidiosa, permitindo a adaptação do organismo à deficiência 
➢ . 
Ocorre praticamente em todos os países em desenvolvimento, sendo a causa mais comum a retirada precoce 
do aleitamento materno, substituindo-o por fórmulas caloricamente deficientes, muitas vezes diluídas para 
diminuir o gasto financeiro imediato da família. Isso, combinado com a ignorância sobre higiene e atrasos 
costumeiros na administração de vacinas, leva frequentemente ao desenvolvimento de infecções 
gastrointestinais preveníveis, que iniciam o ciclo vicioso, que leva ao marasmo. A criança geralmente é internada 
pela intercorrência infecciosa, e não pela desnutrição! 
Observam-se deficit de peso e estatura, atrofia muscular extrema, emagrecimento acentuado com pobreza de 
tecido celular subcutâneo e pele enrugada, principalmente nas nádegas e coxas. Pela perda de tecido 
subcutâneo ocorre desaparecimento da bola gordurosa de Bichat. Em geral o apetite está preservado, ao 
contrário do kwashiorkor, onde há uma inapetência grave. A anemia e a diarreia são comuns e com frequência 
as crianças apresentam o abdome volumoso. Não há edema, nem lesões cutâneas. Os cabelos podem, 
eventualmente, estar alterados. Assim como no kwashiorkor (DEP edematosa), no marasmo também podemos 
observar hipoalbuminemia. 
➢ Kwashiorkor No kwashiorkor, embora a ingestão calórica possa ser adequada, observa-se deficiência 
dietética de proteína. Apesar da energia adequada, a deficiência de proteínas de alto valor biológico 
impede a adaptação do organismo à desnutrição. A instalação costuma ser mais rápida. Kwashiorkor é 
um vocábulo africano (Gani), que significa “doença do primeiro filho quando nasce o segundo”. A 
síndrome foi inicialmente descrita em lactentes desmamados subitamente, devido ao fato de a mãe ter 
engravidado de novo, e ao conceito de que a manutenção da amamentação poderia “envenenar” o feto. 
RESUMOPED KATARINA ALMEIDA 
 
 
 
 A apresentação clínica dessa forma de desnutrição é bastante exuberante e mais comum no segundo e 
terceiro anos de vida. A criança geralmente se apresenta com estatura e peso menores do que os esperados 
para a idade. A criança apresenta-se consumida, fato este observado principalmente nos músculos dos 
membros superiores e inferiores. Esse fato pode ser mascarado pelo edema. O edema é muito frequente e 
considerado a manifestação clínica mais importante dessa síndrome. Vale ressaltar que o edema pode afetar 
qualquer parte do corpo, sendo que em crianças que deambulam, mais frequentemente, o edema se inicia com 
ligeiro intumescimento dos pés se estendendo pelas pernas. Posteriormente, o edema pode acometer mãos e 
face (fácies de lua). Em meninos pode ser notado edema em bolsa escrotal. 
▪ Alterações mentais/comportamentais estão invariavelmente presentes. A criança se apresenta apática, 
hipoativa, anorética e desinteressada pelos fatos que ocorrem ao seu redor. Ela geralmente não sorri, 
mesmo quando estimulada, e está permanentemente irritada, sem apetite. Diferente da criança 
marasmática, a criança com kwashiorkor tem tecido celular subcutâneo. 
▪ O grau de gordura subcutânea dá uma indicação do grau de deficiência calórica. A pele da face está 
frequentemente despigmentada, desenvolvendo-se dermatoses em áreas de atrito, como, por exemplo, 
na região inguinal e no períneo. Surgem áreas de hiperpigmentação que, eventualmente, descamam 
dando um aspecto de dermatite em escamas (flaky paint dematossis); a pele sob as escamas é muito 
pálida e facilmente infectável. Os cabelos apresentam alteração de textura e de cor (discromias) e são 
quebradiços. 
▪ Os cabelos pretos