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Linguística Básica - Trilha de Aprendizagem TODAS

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(FÁVERO; KOCH, 2000, p. 11). 
 
Quer ver um exemplo de objeto de estudo da Linguística Textual? Então veja abaixo: 
 
1. Joana foi à feira. A esposa do Marcos voltou com tomates frescos. 
 
Neste caso, para essa teoria linguística, (1) é um texto, ainda que seja formado por uma linha. Isso se 
deve, porque não importa a sua extensão, mas sim se há uma unidade linguística de sentido completo 
que promove a interação entre os falantes de uma língua. 
 
Sabendo disso, vamos nos aprofundar mais nesse objeto de estudo. No texto (1), existem dois termos 
destacados: “Joana” e “A esposa do Marcos”. Embora sejam termos diferentes, ambos agem de 
maneira articulada e auxiliam no estabelecimento de sentido do texto. 
 
O agir de maneira articulada se deve ao fato de “a esposa do Marcos”, nesse texto, funcionar como 
um sinônimo de “Joana”, uma vez que, na língua portuguesa, “Joana” é uma palavra feminina, bem 
como “a esposa”. 
 
Além disso, é estabelecido um sentido ligado a uma história envolvendo Joana, uma vez que, por 
meio do processamento textual, pode-se inferir que se existe uma narrativa, ou seja, narra-se uma 
sucessão de fatos envolvendo a personagem em questão. Por meio disso, podemos compreender que 
ela, além de ser mulher, é casada com Marcos e possui o hábito de ir à feira de sua cidade. 
 
Vale frisar que o fenômeno textual em questão é denominado correferência essa análise só foi possível, 
porque não ficamos restritos à frase, mas sim a uma unidade maior, o texto. 
 
Objeto de pesquisa da Pragmática 
 
Conforme vimos antes, a Pragmática é uma vertente da linguística cujo objetivo é estudar a língua 
em seu contexto de uso a partir não só dos elementos linguísticos em si, mas também dos elementos 
além desses, como o contexto, as intenções entre os interlocutores etc. Desta forma, o objeto de 
pesquisa está relacionado ao sentido. 
 
Isso pode parecer um pouco abstrato de início, mas te convido a observar o exemplo a seguir. Imagine 
duas situações diferentes. 
 
Antes de irem ao casamento, o marido chega para a mulher e pergunta a ela: “Meu bem, como estou?”. 
Em relação a isso, ela responde a seguinte sentença: “hummm... bonito, hein!”. 
 
Agora, imagine a segunda situação: 
 
Durante uma aplicação de prova na escola, um estudante está colando do outro, mas acaba sendo 
flagrado pela professora, a qual diz o seguinte: “hummm... bonito, hein!”. 
 
Observem que nós temos a mesma sentença. Mas, essa foi empregada diferentemente na situação 1 e 
na 2. Na primeira, há um objetivo de elogio, enquanto que, na segunda, há um objetivo de repreensão 
por meio da ironia. 
 
Se fôssemos analisar apenas no nível da estrutura, ou seja, das palavras, isso não seria possível, uma 
vez que existem elementos extralinguísticos, tais quais o contexto de uso, as intenções dos 
interlocutores, os interlocutores etc. 
 
A linguística e as áreas de investigação e pesquisa 
Neste tópico, veremos as principais áreas de investigação e pesquisa voltados à linguística. Para tal, 
é importante te relembrar das contribuições de Borges Neto (2004) e Cabral (2014) no que tange ao 
pluralismo teórico da linguística. 
 
Segundo os autores, em virtude do caráter complexo que a linguagem possui, foram desenvolvidas 
teorias linguísticas destinadas a estudar uma face dela. Em consequência disso, também foram 
escolhidos objetos de pesquisa específicos para cada linha teórica. 
 
Logo, esses fatores anteriores acabam desenvolvendo também às áreas de pesquisa e de investigação 
linguística, isto é, campos específicos compostos por temas de estudos associados a determinados 
fenômenos da linguagem. 
 
Contudo, é interessante destacar que ao falarmos “área” não entenda como um espaço físico, 
delimitado e fechado, mas sim tal qual um domínio que é se expande, é poroso e que pode ser acessado 
não só por uma, mas também por outras teorias. 
 
Bem, fazendo essas ponderações iniciais, vamos conhecer algumas das principais áreas de pesquisa 
e de investigação linguísticas. 
 
Áreas de pesquisa e de investigação do Gerativismo 
 
Ao se optar pela teoria linguística gerativista, a área de pesquisa e de investigação acabam se voltando 
para temas relacionados à descrição e à compreensão da faculdade da linguagem como uma 
capacidade natural humana. Em função disso, podemos evidenciar alguns exemplos disso, conforme 
veremos a seguir. 
 
Uma área que pode ser estudada com base no Gerativismo diz respeito à aquisição de linguagem, a 
qual pesquisa a maneira como uma pessoa consegue entender uma língua (LORANDI; CRUZ; 
SCHERER, 2011). 
 
Isso se deve, porque, como a teoria gerativista se interessa pela faculdade da linguagem do ponto de 
vista inatista, a maneira pela qual os seres humanos desenvolvem a linguagem é uma questão 
relevante para a área. 
 
Assim, um exemplo disso pode ser encontrado na tese de doutorado de Vicente Cerqueira denominada 
“A sintaxe do possessivo no português brasileiro”. 
 
Essa pesquisa se encontra na área de aquisição de linguagem, porque ela examinou a manifestação 
dos pronomes possessivos da língua portuguesa (“meus” e “seus”) de maneira oral. Segundo o autor, 
basicamente, os possessivos eram encontrados após o substantivo, porém, com o tempo, as crianças 
estudadas começaram a colocar antes daquele, evidenciando uma competência linguística delas 
autônoma (CERQUEIRA, 1999). 
 
Além disso, existe outra área ligada ao Gerativismo que é o ensino de língua portuguesa. Isso pode 
ser visto no artigo “Linguística Gerativa e Gramática na Educação Básica” de Talita da Silva e Eloisa 
Pilati. 
 
Depois de uma revisão bibliográfica dos principais conceitos do Gerativismo aliados aos trabalhos 
acerca da realidade das aulas de língua portuguesa na educação básica, as autoras observaram que os 
pressupostos teóricos dessa teoria linguística podem otimizar as aulas envolvendo o ensino da 
gramática, oferecendo 
 
[...] ao aluno um aprendizado que gera a reflexão e a compreensão da língua e de seus fenômenos, e 
não a memorização de normas que, na maioria das vezes, não trazem sentido algum ao aluno (SILVA; 
PILATI, 2017, p. 62). 
 
Áreas de pesquisa e investigação da Sociolinguística 
 
A Sociolinguística está vinculada à área de pesquisa e de investigação que envolve diretamente as 
línguas e a sociedade, principalmente, em relação ao fenômeno da variação. Sabendo disso, a seguir, 
evidenciaremos algumas dessas que podem ser pesquisados a partir dessa perspectiva teórica. 
 
Inicialmente, uma possível área que pode ser explorada é a denominada políticas linguísticas, isto é, 
o campo que trata da correlação entre línguas e poder à nível de Estado (CALVET, 2007). 
 
Com os estudos sobre variação linguística, foi observado que existem relações de poder entre 
variantes de prestígio e marginalizadas, necessitando, por exemplo, de políticas públicas direcionadas 
à preservação, ou à manutenção dessas, principalmente, no que tange às comunidades sem muita 
expressão política (quilombolas, pomeranos, indígenas etc.). 
 
Assim, uma pesquisa que ilustra isso é o artigo “Projeto Escolas Interculturais Bilíngues de Fronteira”, 
de Karina Thomaz. Nesse trabalho, a autora examina, por meio dos documentos oficiais formulados 
pelo MERCOSUL, que política linguística fundamenta o Projeto “Escolas Interculturais Bilíngues de 
Fronteira”, enfocando instituições de ensino tanto brasileiras, quanto argentinas. 
 
 
Um outro possível tema diz respeito ao Atlas Linguístico. 
 
O Atlas Linguístico é um mapa que evidencia a disposição e distribuição dos falantes de uma língua 
em relação às suas próprias variantes. 
 
Nas palavras de Cardoso e Mota (2012, p. 885), 
 
O Projeto Atlas Linguístico do Brasil (Projeto ALiB) constitui-se na primeira tentativa, em nível 
nacional, de descrição do português brasileiro com base em dados coletados, in loco, nas diversas 
regiões geográficas, a partir da