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Análise "teoria dos movimentos sociais paradigmas clássicos e contemporâneos", de Glória Gohn.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
DISCIPLINA MOVIMENTOS SOCIAIS E SERVIÇO SOCIAL
DISCENTE: HELENA SILVA CUNHA
DOCENTE: JEOVANA NUNES RIBEIRO
Atividade avaliativa referente a terceira unidade visando obtenção de nota.
Análise crítica livro teoria dos movimentos sociais paradigmas clássicos e contemporâneos, de Maria da Glória Marcondes Gohn.
	Levando em consideração as concepções retiradas da obra de Maria Gohn e demais referências do livro, percebe-se que enquanto outros autores buscam conceituar e, de certa forma, delimitar o significado da expressão movimentos sociais, Gohn (1997) afirma que não existe uma teoria única, uma só concepção do que são estes movimentos, da mesma forma como não existe apenas um movimento social. Basicamente o que se compreende, a partir disto, é que estes acontecimentos se tornam tão complexos e distintos, que delimitar sua dimensão e definir um conceito singular, que se enquadre em todo movimento, não é possível. 
Porém, a fim de compreender o que de fato são movimentos sociais, e partindo da análise de variados movimentos ocorridos na história, pode-se notar características que os clarificam, como o caráter da pluralidade; o fato de possuírem identidade; como dispõem sempre de um opositor, etc. Logo, é plausível dizer de forma resumida que movimentos sociais são acontecimentos sempre coletivos, que se articulam em torno de um projeto de vida, uma causa e se tornam importantes agentes de transformação. Estes movimentos foram, e são organizados e ocorrerem devido conflitos de interesses, como em momentos onde os direitos não são cumpridos, por exemplo.
Percebe-se somente com esta análise como de fato se torna tarefa no mínimo dificultosa definir e conceituar a expressão, visto que distintos grupos podem, e realizam, movimentos em prol de um objetivo, além de ficar evidente na fala da autora como a forma da sociedade compreender e agir diante dos movimentos sociais se transfez ao longo do tempo. O que se entende por movimentos sociais hoje, muito se difere de como era visto no período das mobilizações iniciais:
Cumpre destacar também que o conceito era utilizado em acepções amplas, envolvendo períodos históricos grandes. Denominavam-se movimentos sociais as guerras, os movimentos nacionalistas, as ideologias radicais: nazismo, fascismo etc. (Gohn, 1997, pg.330).
Desta forma, pode-se dizer que Gohn (1997), demonstra como os movimentos sociais sofreram alterações ao longo das décadas tanto em relação aos grupos envolvidos neles, quanto aos objetivos e causas, além de ficar claro que isto se deu, principalmente, em virtude de alterações nos referenciais de estudo e acontecimentos globais, que serão abordados posteriormente. Para se chegar a este entendimento, percebe-se no texto como é ratificado, por meio da exposição de décadas, os acontecimentos que permutaram os movimentos, dando-lhes novos significados e compreensões.
Assim, durante os anos 20 aos 50, e parte dos 60, os movimentos encontravam-se muito associados às lutas de classe, estando até mesmo subordinados ao conceito de classe (Gohn, 1997). Ou seja, ligados aos movimentos proletários. Sabe-se bem das questões relacionadas ao início da industrialização, principalmente referentes às condições de trabalho: os trabalhadores encontravam-se em meio a conjunções degradantes, com extensas jornadas, trabalho infantil e etc. Em meio a tudo isso, as manifestações organizadas por estes possuíam o viés de anemizar estas questões, buscando uma melhor qualidade de vida. Desta forma, em meio a estes novos acontecimentos, surgiu a necessidade de análise destas ocorrências. Dentre os primeiros autores que podem ser citados neste momento inicial de estudos, pode-se tirar como exemplo Blumer, o primeiro a principiar o termo movimentos sociais na teoria norte-americana e Heberle, um dos pioneiros a publicar um livro especifico sobre a temática (Bohn, 1997). 
Outro aspecto observado refere-se ao critério de classificação dos movimentos sociais: estes eram ordenados como dualistas, religiosos-seculares; reformistas-revolucionários (Segundo Eric Hobsbawn (2014), os movimentos possuem caráter reformista quando lutam por adequações, mudanças mais “superficiais”, enquanto são revolucionários quando anseiam por transformações na base, em sua estrutura[footnoteRef:1]); violentos-pacíficos (Gohn, 1997) [1: Informações retiradas de vídeo aula. 
LINK: https://www.youtube.com/watch?v=gSk0JFYvi9o&ab_channel=BrasilEscola] 
Continuamente, o que se percebe na fala da autora é que a partir destas décadas( anos 50, e englobando os anos 60), as movimentações proletárias seguem, mas além destas, outras indagações, logo movimentos, surgem. Antes, o paradigma social estava fortemente ligado pela classe, agora não mais somente a isto. Esta mutação teve como fator fundamental o predomínio da interpretação clássica marxista, que deu novo conceito aos movimentos sociais, agora ligados à ideia de reforma, revolução. Dentre estes chamados novos movimentos, pode-se dar como exemplo os de estudantes, mulheres, dos negros, ambiental, etc. Estes movimentos seguiam de mãos dadas com a luta por diretos civis, sendo estas alterações de crucial importância para estabelecer a noção de movimentos que se tem hoje (ligados a ideia de insatisfação sociopolíticas) assim como afirma a autora:
 Nos anos 50 e parte dos 60, os manuais de ciências sociais, e parte dos estudos específicos, abordavam os movimentos no contexto das mudanças sociais, vendo-os usualmente como fontes de conflitos e tensões, fomentadores de revoluções, revoltas e atos considerados anômalos (Gohn, 1997, pg. 330).
Ainda segundo Gohn (1997), nas décadas que se seguiram, anos 70/80, novas concepções sociais foram estabelecidas: há novos atores sociais, novas problemáticas e novos quadros políticos, ao que irão chamar “nova periferia". Inúmeros movimentos sociais são considerados cruciais nas décadas, principalmente ao se analisar o contexto histórico (marcado pela ditadura militar, com repreensões, censuras e supressão de direitos e liberdade), para se atingir conquistas de extrema importância a sociedade, frisando envolvimento para a construção da constituição de 1988 (Gohn, 2011). Dentre os novos movimentos, como os ecológicos e os de contracultura, fica evidente como o libertarianismo, doutrina que via a liberdade como valor fundamental, exerceu influência direta (Gohn, 1997). Além disso, estas décadas foram marcadas por uma nova fonte de estudos, referentes aos países do Terceiro Mundo. Isso pode ser explicado por acontecimentos globais que interferiram diretamente na economia destes países, causando-lhes endividamento e afloramento das questões sociais, assim como afirma Furtado (1992):
A crise do dólar, seguida do primeiro choque petroleiro, deu origem a grande massa de liquidez internacional com a baixa nas taxas de juros, conduzindo ao processo de endividamento de grande número de países do Terceiro Mundo (Furtado, 1992, pg.60).
Posteriormente, os anos 90 foram marcados por alterações tanto referentes as manifestações quanto as produções teóricas. A autora demonstra que houve uma mutação nos movimentos, gerando uma espécie de novo ciclo. Ocorreu uma menor centralização em movimentos voltados para questões referentes aos direitos, já que houve um direcionamento para a exclusão social. Além disso, fica evidente um certo caimento relacionado as produções, já que enquanto países como os EUA e a Europa preenchiam suas prateleiras com novas publicações, o Brasil diminuiu esta produção (Gohn, 1997).
Um ponto abordado na parte final do texto, que se foca na globalização e reconstrução de paradigmas, faz referência aos movimentos das massas nos anos 90. As chamadas marchas e concentrações tornaram-se recorrentes em capitais, federações (Gohn, 1997). Mediante isso, é importante enfatizar como um poder institucionalizado, nestas situações, busca desmanchar a ideia de coletivo, deixando somente o individual, já que este sozinho não tem força suficiente para gerar alteração. Também é importante perceber