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Polissonografia : como interpretar os resultados? Gleison Marinho Guimarães Especialista em Pneumologia pela SBPT Certificação em Medicina do Sono pela SBPT Especialista em Medicina Intensiva pela AMIB Profº assistente Pneumologia UFRJ - Macaé Mestre em Clínica Médica/Pneumologia UFRJ Curso de Atualização em Pneumologia SBPT 21 de abril de 2017 - Rio de Janeiro Estudo de noite inteira no laboratório, sob supervisão de um técnico habilitado. A polissonografia (PSG) é a mais importante técnica laboratorial para avaliação do sono e dos seus distúrbios. Polissonografia Completa Quais especialistas que fizeram o diagnóstico da Apneia do sono? (n=506) 64% 21% 10% 3% Sleep Specialist Pulmonologist GP/ Internist Cardiologist Endocrinologist Neurologist Ear Nose Throat (ENT) Other (Percentages under 3% not shown for transparency). © American Academy of Sleep Medicine 2016 Polissonografia – a importância de interpretar os resultados Que tipo de profissional de saúde inicialmente avisou sobre o risco de apneia do sono? n=61 28% 15% 30% 6% 4% 12% Sleep Specialist Pulmonologist GP/ Internist Cardiologist Endocrinologist Neurologist Ear Nose Throat (ENT) Other I raised the issue O que o levou a levantar a questão de seu risco de apneia do sono com seu médico? 56% 34% 16% 26% 70% 34% 2% 20% Excessive Drowsiness Poor Quality of Life Work Performance Friend/ relative has sleep apnea Snoring/ Disturbing bed partner Encouragement from bed partner Automotive Accident Learned about sleep apnea in reading/ watching programs (Percentages under 3% not shown for transparency). “Eu me queixei” © American Academy of Sleep Medicine 2016 Polissonografia – a importância de interpretar os resultados Plano de aula: Polissonografia – como interpretar os resultados? Fundamentos teóricos e recomendações; O que precisa estar no laudo? Informações gerais e iniciais; Análise da polissonografia neurológica; Análise da polissonografia respiratória; Exemplos de casos clínicos e laudos. A Polissonografia : boas práticas O teste diagnóstico deve ser realizado em conjunto a uma história clínica, epidemiologia e seguimento adequado. Recomendações 1. Métodos clínicos, questionários e algoritmos de predição não deverão ser usados para diagnóstico de SAOS, na ausência de polissonografia completa ou portátil. (STRONG) 2. A polissonografia portátil pode ser usada para o diagnóstico de SAOS em pacientes adultos sem comorbidades, que apresentem sinais e sintomas com alta probabilidade de SAOS moderada e grave. (STRONG) Clinical practice guideline for diagnostic testing for adult obstructive sleep apnea: an American Academy of Sleep Medicine. J Clin Sleep Med. 2017;13(3):479–504. A polissonografia: recomendações 3. Se o teste domiciliar for negativo, inconclusivo ou tecnicamente inadequado, nova PSG completa deve ser realizada para diagnóstico de SAOS. (STRONG) 4. A PSG completa, mais do que a PSG portátil, deve ser usada para o diagnóstico de SAOS em pacientes com doença cardiorrespiratória ou neuromuscular, hipoventilação durante o dia e/ou relacionada ao sono, uso crônico de opióide, história de AVC ou insônia. (STRONG) Clinical practice guideline for diagnostic testing for adult obstructive sleep apnea: an American Academy of Sleep Medicine. J Clin Sleep Med. 2017;13(3):479–504. AASM Manual versão 2.4 Parâmetros gerais: Derivações do EEG Derivações do EOG EMG de queixo e EMG de membros Sensores de fluxo aéreo e esforço respiratório Saturação de oxigênio Posição corporal Eletrocardiograma Parâmetros do sono: Luz apagada e luz acesa (hora:min); TTS (min); TTR (min): luz apagada até luz acesa; Latência para sono (min): luz apagada até primeiro estágio de sono; Latência para sono REM (min): início do sono até a primeira época de REM; Tempo acordado após início do sono (TTR – latência – TTS) em min; Eficiência do sono (%); Tempo em cada estágio (min); Percentual de cada estágio no TTS. Polissonografia Completa Parâmetros recomendados no laudo (AASM Scoring Manual Version 2.4 - 2017) Eventos de despertar: Número de despertares Índice de despertares (nºde despertares x 60/TTS) Eventos cardíacos: FC média durante o sono. FC máxima durante o sono. FC máxima durante o registro. Ocorrência de bradicardia (se observada), reportando a menor FC; Ocorrência de assistolia (se observada), com a mais longa pausa; Ocorrência de taquicardia sinusal durante o sono (se observada), com a maior FC; Ocorrência de taquicardia complexa (se observada), com a maior FC; Ocorrência de fibrilação atrial (se observada), com a FC média; Ocorrência de outras arritmias, listar arritmias. Polissonografia Completa Parâmetros recomendados no laudo (AASM Scoring Manual Version 2.4 - 2017) ERICKSON SILVA RODRIGUES (22a 11m - M) Exame: 00092-01 (29/11/2011) LOC ROC C3-Rf C4-Rf O1-Rf O2-Rf Cz-Rf A1-Rf A2-Rf Queix Cardi 54.8 T ibia T ibia Press Cinta Cinta T ermi Ronco Do Do Do Do Do DoPosic 85% 83% 82% 82% 82% 127%SpO2 70 64 45 40 90 114FreqC 100 µV Ganhos: EEG : 100µV/cm ECG : 1.0mV/cm EMGQ : 30µV/cm EMGT : 100µV/cm EOG : 100µV/cm SpO2 : 2%/mm Micro Despertar-6.51 Arritmia-5.27 Movto.Perna-4.30 Obstrut iva-33.01 03:13:35 03:13:50 03:14:05 Pausa sinusal 5,27 seg. ECG na Polissonografia Época de 30 seg Eventos de movimento: Número de movimentos periódicos de pernas durante o sono. Número de movimentos periódicos de pernas durante o sono associados com despertares. Índice de movimentos periódicos de pernas durante o sono. Índice de movimentos periódicos de pernas durante o sono associados com despertares. Eventos respiratórios: Número de apneias obstrutivas, centrais e mistas; Número de hipopneias; IAH, IA, IH; RERA, RONCO, IDR, ODI = OPCIONAIS; Saturação média de O2; Saturação mínima de O2 durante o sono; Ocorrência de Cheyne-Stokes e sua duração (absoluta ou como % do TTS) ou número de respirações). Polissonografia Completa Parâmetros recomendados no laudo (AASM Scoring Manual Version 2.4 - 2017) Conclusões: Achados relacionados ao diagnóstico; Observações do EEG e ECG; Observações comportamentais; Hipnograma (OPCIONAL). Polissonografia Completa Parâmetros recomendados no laudo (AASM Scoring Manual Version 2.4 - 2017) O laudo da Polissonografia Nome: Data: ___/___/___. Exame: POLISSONOGRAFIA NOTURNA Convênio: Nº do exame: Médico solicitante: Dr.(a): Idade: __ anos ___m. Circunferência do pescoço: ____em cm Escala de sonolência de EPWORTH: _____ (N = até 9) Indicação clínica: Altura: _____m Peso: ____kg IMC: _______ Kg/m2 Mallanpati modificado: classe _____. Uso de medicação regular: O laudo: informações gerais Exame teve início as ___h___min___s e término às ____h____min ___s. A duração do exame foi de ___h ___min ___s, com tempo total de sono de ___h___min___s, sob boas condições técnicas. Houve monitorização simultânea dos seguintes parâmetros: EEG, EOG, EMG de queixo, ECG, sensor de fluxo aéreo (transdutor e termistor), SaO2, FC, sensor de ronco, cinta torácica e abdominal, sensor de movimento de pernas e sensor de posição corporal. Laudo segue normas técnicas do "The AASM Manual for the Scoring of Sleep and Associated Events - Rules, Terminology and Technical Specifications" - American Academy of Sleep Medicine, 2017 (versão 2.4). O laudo: informações iniciais O laudo: referências neurológicas Estrutura do sono (EEG, EMG queixo, EOG) Tempo total de sono (TTS): tempo total de todos os estágios do sono somados, em minutos; Tempo total de registro (TTR): tempo desde o “boa noite” até o “bom dia” (min) Eficiência de sono: relação do TTS por TTR, em percentual; calculada como tempo total dormido dividido pelo tempo total de procedimento (ou tempo total no leito). Valor de referência >85%) Situações: Critériosde aceitabilidade da polissonografia; Conceitos de dormidor curto e longo. “Efeito de primeira noite em laboratório do sono”. Má-percepção do sono. Insônia. Análise de qualidade x eficiência; O laudo: referências neurológicas Informações relacionadas ao sono Latência de sono: tempo entre “boa noite” até a 1ª época de qualquer estágio do sono (min) Latência de sono REM: tempo decorrido do início do sono até o primeiro registro de sono REM, dado em minutos; Número de despertares (microdespertares ou despertares breves): número de despertares > 3 seg; (normal < 10/h) Índice de despertares: número de despertares pelo TTS; Situações: Alteração da latência para sono: causas; Alteração da latência para sono REM: causas; Conceito de fragmentação do sono e sua importância. O laudo: referências neurológicas Estagiamento do sono Percentual de sono estágio I (%N1): somatório do tempo em minutos de estágio 1 de sono NREM dividido pelo TTS: 2 a 5% do total do sono Percentual de sono estágio 2 (%N2): 45 a 55% do TTS; Percentual de sono estágio 3 (%N3): 13 a 23% do TTS; Percentual de sono REM (%REM): 20 a 25% do TTS; Situações: Variações fisiológicas; Critérios de qualidade do sono: superficial x profundo; Uso de medicações que interferem na distribuição dos estágios. Patologias que interferem na distribuição normal. Carskadon e Dement, 2011. O laudo: referências neurológicas Movimentos periódicos de membros Movimentos periódicos de membros (MPM): número dos movimentos registrados pelos eletrodos localizados nas pernas (EMG); Índice de movimentos periódicos de membros durante o sono. Classificados de acordo com a Classificação Patológica dos Movimentos Periódicos de Pernas: MPM leve – PLM: 15-24/h MPM moderado – PLM: 25-50/h MPM grave – PLM: >50/h. Situações: Conceitos : distúrbio motor do sono; SMPM e SPI: suas síndromes clínicas Causa de hiperssonia; Suas comorbidades: relação com sintomas gerais e com DCV. O laudo variáveis respiratórias Apneia central (AC): número total de apneias centrais (cessação de fluxo inspiratório e esforço tóraco-abdominal por no mínimo dez segundos) durante o TTS; Apneia obstrutiva (AO): número total de apneias obstrutivas (cessação de fluxo inspiratório por no mínimo dez segundos) durante o TTS; Apneia mista (AM): número total de apneias de gênese central e obstrutiva durante o TTS; Hipopneia: número total de hipopneias; Padrão respiratório típico, como Respiração Periódica de Cheyne Stokes (RPCS); Índice de apneia e hipopneia (IAH): número de apneias obstrutivas, mistas e hipopneias por hora de sono: Índice de distúrbio respiratório (IDR): número de apneias centrais, obstrutivas, mistas e hipopneias por hora de sono, e pode ser anotado quando existir marcação de RERA na leitura; Saturação mínima, média e basal da hemoglobina (SaO2): saturação aferida por oxímetro de pulso; Tempo com saturação menor que 90%: percentual do TTS em que o paciente apresentar saturação da hemoglobina, medida por oxímetro de pulso, menor que 90%; Frequência cardíaca mínima, média e máxima aferida pelos eletrodos do eletrocardiograma. O laudo variáveis respiratórias Polissonografia e seus diagnósticos • Síndrome da apneia obstrutiva do sono Prevalência = 32,8% dos adultos em SP Tufik S. Sleep Med 2010 Diagnóstico: - IAH entre 5 - 14,9 + sintomas (ronco, SED, sono não-reparador, fadiga, ap. observadas). - IAH ≥ 15 independente de sintomas. • Síndrome da apneia central do sono – Apneia central idiopática – Respiração Cheyne-stokes • Síndrome da hipoventilação sono Distúrbios respiratórios do sono AASM. The International Classification of Sleep Disorders: Diagnostic and Coding Manual. 2005 Polissonografia e o hipnograma take home... Exemplos de laudo - caso 1 Exemplos de laudo - caso 1 Exemplos de laudo - caso 1 Índice de apneia central > 5 eventos/hora de sono Presença de padrão respiratório do tipo Cheyne-Stokes Exemplos de laudo - caso 1 v Exemplos de laudo - caso 2 Exemplos de laudo – caso 2 Exemplos de laudo - caso 2 Exemplos de laudo – caso 3 Exemplos de laudo – caso 3 Exemplos de laudo – caso 3 LM LM LM LM LM LM LMLM Exemplos de laudo – caso 3 Polissonografia – a importância de interpretar os resultados take home... dr.gleisonguimaraes Gleison Marinho Guimarães Obrigado !