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 INTRODUÇÃO AO ENRIQUECIMENTO 
AMBIENTAL 
O enriquecimento ambiental surge para tornar o ambiente sob cuidados humanos mais 
apto para a sobrevivência dos animais e tornam viáveis a reprodução no cativeiro 
(CELOTTI,2001). Os animais selvagens dispendem tempo e energia consideráveis 
procurando alimentos, construindo ninhos, defendendo territórios e procurando por 
parceiros para acasalamento. Em cativeiro, o manejo cuidadoso dos animais e o acesso 
fácil deles ao alimento, aos abrigos e aos parceiros reduzem significativamente as 
atividades ou o tempo destinado a elas. Por essa razão, o ambiente de cativeiro requer 
métodos alternativos para estimular comportamentos mais próximos dos naturais, que 
atendem tanto ás necessidades físicas com ás mentais desses animais. Reconhece-se, 
portanto, a necessidade de ambientes complexos e imprevisíveis para os animais 
selvagens cativos. Também tem um princípio de manejo que visa o aumento da qualidade 
de vida dos animais mantidos sob nossos cuidados, que nos permite verificar e oferecer 
possibilidades para a expressão das atividades físicas e psicológicas indispensáveis ao seu 
bem-estar (HUTCHINS,1998). O enriquecimento ambiental é um processo no qual são 
criados ambientes interativos e complexos aos animais selvagens em cativeiro, 
possibilitando a eles apresentar comportamentos considerados naturais. Esse 
enriquecimento tem o propósito de incentivar comportamentos próprios da espécie em 
questão e de satisfazer necessidades físicas e psicológicas dos animais. Um modo de 
sabermos se um animal está bem em i seu ambiente é quando ele demonstra 
comportamentos similares aos que apresentaria na natureza. Melhoria na estrutura de 
recintos, disposição de alimentação de modo estratégico e o simples respeito à sua 
caracteristica social (solitário ou coletivo) são algumas ações que devem ser avaliadas no 
processo de implantação do enriquecimento ambiental. Um ambiente enriquecido 
tambem deve oferecer aos animais a possibilidade de escolha, como permanecer ou não 
visíveis ao público, tomar banho de sol ou de chuva, procurar por alimentos, entre outros. 
Para promover ambientes saudáveis para os animais em cativeiro, deve conhecer a 
espécie (comportamentos naturais, alimentação, habitat em natureza, necessidades 
biológicas); conhecer as particularidades do indivíduo (fraturas, desmembrado); priorizar 
elementos naturais (ambientação, folhagem, galhos de arvores, plantas); mapear os 
comportamentos anormais (estereotipias) promover mudanças em seu recintos, adequar 
de modo satisfatório as suas necessidades, traçar um plano de ação para a aplicabilidade 
do enriquecimento ambiental de modo correto e satisfatório. Os benefícios com a 
ambientação adequada são os animais poderem escolher o que fazer, terá oportunidades 
o dia todo (aumentar a exploração do ambiente), mais exercícios físicos, mente ocupada 
(animais são inteligentes e precisam de estímulos cognitivos), recinto é a casa deles, ou 
seja, ficam 24h por dia, anos, vida inteira. 
O enriquecimento ambiental pode ser dividido em 5 grandes grupos com distintas 
subdivisões como: alimentar; social; cognitivo; sensorial; físico. 
 
 
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 Alimentar: mais simples confecção e podem ser aplicados diariamente em 
variados apresentações, uma vez que podem ser considerados como uma diferente 
forma de entrega da dieta, frequência, horário, apresentação, processamento, 
novidade alimentar, variedade, etc; 
 Cognitivo: demanda a introdução de atividades que desenvolvam o intelecto e a 
curiosidade (instinto exploratório) do animal, como dispositivos de quebra-
cabeças, forrageio e afins. Podem ser divididos em atividades que visem o 
estimulo ou desenvolvimento psicológico como os puzzles feeders e exercícios, 
cordas e mangueiras para escaladas; 
 Físico: constituem na mudança estrutural do viveiro ou recinto do animal, sempre 
observando uma área propicia e adequada ao meio natural em que a espécie estaria 
inserida em vida livre (vegetação, substrato, representação de planaltos e 
planícies, lagos, etc). Observação de tamanho e acessórios tendo mobília 
temporária ou permanente; 
 Sensorial: são técnicas que desenvolvem os sentidos dos animais, podendo ser 
olfativo, visual, auditivo, gustativo e tátil, como sons encontrados em ambientes 
naturais, pelagem de ilhamas e alpacas quando aparadas, fezes de outros 
indivíduos; 
 Social: promoção de interação de indivíduos interespécies ou intraespécies que 
passam permanecer no mesmo local, importante representar o ambiente natural 
onde, principalmente os animais que vivem em grupo, permaneçam também com 
outras espécies. 
Em relação a comportamentos anormais, temos diferentes tipos para animais mantidos 
em cativeiro, e alguns tornam-se inativos ou hiperativos, o que indica uma mudança 
comportamental quantitativa. Outros podem fazer coisas que normalmente não fariam em 
vida livre, caracterizando uma mudança qualitativa, como as estereotipias. 
Estereotipias: podemos definir como séries de movimentos de todo ou parte do corpo do 
animal, repetidas regularmente e que não tem nenhuma função aparente, servindo 
somente para aliviar emocionalmente o animal, para que suporte um ambiente adverso. 
Diferente do que se acreditava antigamente, a estereotipia não ocorre somente em 
mamíferos, foram observados em aves, repteis e anfíbios também. São sinais faceis de 
serem observados, alguns sinais tambem auxiliam para a identificação de 
comportamentos ambientais como, por exemplo, a coprofagia, o arrancamento de penas 
ou de pelos, a presença de trilhas no recinto (que pode indicar que o animal está andando 
repetidamente de um lado para outro). O mecanismo que leva a estereotipia não está claro, 
mas pode estar relacionado a liberação de opioides no cérebro, que reduziriam a 
consciência do animal ao ambiente adverso em que está vivendo. Está informação 
anterior ainda é estudada, não foi realmente comprovada. 
 
 
 
 
 
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O QUE OBSERVAR PARA AVALIAR ESTEREOTIPIAS: 
Observe o modo 
que o animal se 
comporta, quanto 
mais anormal for 
seu 
comportamento 
mais grave é a 
situação. 
Observe quanto 
tempo do dia o 
animal tem esse 
comportamento. 
Se passar mais de 
10% do dia gasto 
com o 
comportamento 
anormal é 
inaceitável. 
Se o animal for 
distraído fácil e 
parar de apresentar 
o comportamento 
indesejável, pode 
ser considerado de 
menor gravidade. 
Se esse 
comportamento só 
for em uma parte 
do dia, também 
pode ser 
considerado menos 
grave. 
 
Alguns itens devem ser considerados antes de se iniciar um programa de enriquecimento 
como a segurança da equipe que está aplicando as técnicas de enriquecimento, do animal 
e do público visitante. Um enriquecimento mal planejado pode oferecer condições para a 
fuga do animal ou pode causar disputas indevidas entre animais de um mesmo grupo. 
Recursos é um item a ser considerado pois o custo financeiro do material a ser utilizado 
precisa ser dimensionado. Tem uma confusão sobre treinamento e enriquecimento 
ambiental, mas o objetivo do treinamento é refrear as escolhas do animal, especialmente 
seu comportamento negativo e sua conduta fica sob controle do treinador, não do animal. 
Treinos podem aumentar o nível de bem-estar animal de muitas maneiras, como por 
exemplo, diminuir o estresse quando houver um procedimento veterinário, facilitar o 
manejo sanitário. 
Ideias de enriquecimento ambiental: 
 Varal de alimentos: utilizar uma corda de sisal para amarrar as frutas e demais 
alimentos com consistência mais sólida, para que não caiam facilmente; 
 Galão de água furado: fazer furos que respeitam a anatomia das mãos do animal 
e arredondados, evitar partes cortantes, é possível colocar a alimentação dentro do 
galão e deixar que o indivíduo lute por ela, como faria no habitat natural; 
 Barra de sementes: pendure ou espalhe pelo recinto, cuidado pois sementestem 
alto teor de gorduras; 
 Sorvetes e picolés: utilizar frutas congeladas, sem adição de açúcar, em dias de 
calor imenso, e para carnívoros pode elaborar picolé de carnes; 
 Caixa surpresa: caixa de papelão, esconde os alimentos, criar pontos de fugas, 
ninhos, rechear com feno e odores. 
 Odores espalhados pelo recinto: pelo de outros animais; 
 Redes e cordas: feita de sisal e nylon; 
 
i CUBAS, Z. S.; SILVA, J. C. R. Tratado de Animais Silvestre – Medicina Veterinária. Roca, p.63-73. São 
Paulo. 2014