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UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL CURSO DE AGRONOMIA Alunos: Fabrícia Macedo e Stéfano Medeiros. Canoas, junho de 2020. Fitopatologia Anderson Vieira Santos MANCHA-DE-SEPTÓRIA NO TOMATEIRO 1 Introdução A Mancha-de-Septória é considerada uma das doenças mais importantes que acometem plantas solanáceas, entre as quais se destaca o tomate. Nos últimos anos houve um aumento significativo na prevalência da doença em campos de produção de tomate no Rio Grande do Sul, dadas as condições climáticas quentes acompanhadas de chuvas constantes favorecendo seu crescimento e propagação (EMBRAPA, 2013). Nessas conjunturas, o fungo pode ser altamente destrutivo à cultura, causando manchas foliares severas com grave desfolhamento e, conseqüentemente, perdas significativas de rendimento devido a queimaduras solares dos frutos. (HANSEN, 2009). A septoriose é umas das doenças mais importantes que atacam as solanáceas, principalmente o tomate. Das doenças que atacam o tomateiro, essa é uma das mais severas. O cultivo do tomate esta entre as dez commodities mais produzida no mundo, o Brasil produz 2,5% da produção mundial. Ocupando o nono lugar O rio grande do sul esta entre os dez maiores produtores do Brasil,contribuindo com 2,3 da produção. O maior produtor é o estado de Goiás Nos últimos anos a doença aumentou bastante no rio grande do sul, temperatura favorável, chuvas constante que favorece o aumento da doença. 2 O presente trabalho faz parte de uma atividade de extensão com enfoque aos produtores de tomates com áreas produtoras na região leste do Rio Grande Do sul. Para tanto, a área estudada compreende uma lavoura de tomate estaqueado situada no município de Viamão-RS, durante o período de fevereiro a julho de 2020. Importância da doença na região sul Principal doença foliar do tomateiro; Maior ocorrência: Épocas chuvosas e temperaturas amenas. Septoriose no estado: Manejo fitossanitário Condições climáticas Tecnologia Adubação Septoriose é uma das principais doenças que atacam o tomateiro, é considerada uma das mais severas, se não tratadas desde o inicio a doença se alastra muito rapidamente podendo levar a perda total da lavoura. A maior ocorrencia da doença acontece em periodos chuvosos, com temperaturas amenas, que são as condições adequadas para o desenvolvimento do patogeno. Mas não necessariamente precise de chuvas em abundancia para que ocorra a doença A presença de nevoeiro, resulta em um maior tempo de orvalho nas plantas, tendo assim um maior molhamento foliar, favorecendo o desenvolvimento do patogeno tambem. No estado o fato da doença ocorrer com freqüência se da por vários motivos, como: um manejo fitossanitário pouco tecnificado (as aplicações de fungicidas não são muito eficientes), as condições climáticas são favoráveis ao fungo, a tecnologia de aplicação é precária (as maquinas utilizadas não são eficientes, o investimento em tecnologia é baixo) e a adubação não é equilibrada. 4 Características Biológicas do Patógeno Septoria lycopersici; Anamórfico; Coelomicetos; Reprodução assexuada: produção de conídios – picnídios. Figura 1. Visualização de pequenos pontos pretos no centro das lesões (picnídios) (A), onde são produzidos os conídios do patógeno (B). Fonte: Ricardo B. Pereira / Frederick M. Aguiar. Sobre as caracateristicas biologicas do patogeno: a mancha de septoria é causada pelo agente etiologico septoria lycopersici Esse fungo é classificado como fungo anamorfico ,devido ao tipo de reprodução que é assexuadada, e pertence a classe dos coelomicetos, onde há formação de Conidios no interior dos conidiomas E Ainda não se teve relatos da fase sexuada desse fungo A reprodução assexuada produz uma quantidade enorme de esporos em uma folha podemos ter quase um milhão de esporos de Septoria Uma produção massal de esporos Ele pode não ter muita variabilidade genetica, por se reproduzir por mitose, Mas em compensação ele se multiplica bem Ele tem essa vantagem em relação a outros patogenos A produção dos conidios, que são os esporos, é feita pelos Conidioforos no interior dos picnidios Os conidioforos são estruturas contidas nas hifas que tem a como função produzir os conidios. A imagem A mostra os picnídios: pequenos pontos pretos no centro das lesões A imagem B mostra os esporos saindo dos picnidos (onde são produzidos) 5 Variabilidade do Patógeno: 2 raças fisiológicas descritas : Virulência distinta. Variabilidade entre os isolados: Agressividade; Caracterização morfologia do patógeno. Estudos mostram que há variabilidade do patógeno, sendo que foram descritas pelo menos duas raças fisiológicas com virulência distinta. Todos os isolados são patogênicos, causando algum sintoma típico da doença em diversas cultivares. Embora todos sejam patogênicos, há diferença significativa na agressividade entre eles, alguns isolados são mais agressivos que outros. A caracterização morfológica do patógeno apresenta variações entre os isolados de Septoria lycopersici, alguns isolados apresentaram conídios ligeiramente mais largos, e com comprimento superior. 6 Sintomas Folhas: inicialmente manchas encharcadas circulares. Com o avanço da doença tornam-se marrom acinzentada no centro com margens escuras e halo amarelado ao redor (PEREIRA et al., 2013). A septoriose pode afetar a planta em qualquer fase do seu desenvolvimento, todavia, os primeiros sintomas da doença geralmente surgem nas folhas mais velhas logo após a frutificação. Os sintomas acometem principalmente as folhas, entretanto, em ataques severos podem ocorrer lesões nos pecíolos, caules e flores, mas dificilmente aparecem nos frutos. Na face inferior das folhas, surgem pequenas manchas encharcadas de formato circular (Figura 1), e conforme o avanço da doença, as lesões adquirem coloração marrom acinzentada no centro com margens escuras e halo amarelado ao redor, atingindo ate 5 mm de diâmetro. 7 Com o passar do tempo os sintomas avançam para as folhas mais jovens, que amarelecem, secam e caem causando uma severa desfolha na planta. Fonte: Ricardo B. Pereira. Com o passar do tempo os sintomas avançam para as folhas mais jovens, que amarelecem, secam e caem causando uma severa desfolha na planta, seguido de uma grande depreciação dos frutos que apresentam tamanho reduzido e queimaduras devido à maior exposição ao sol. Na primeira figura podemos observar o inicio dos sintomas nas folhas mais velhas (baixeiras), e na segunda imagem observamos o avanço dos sintomas para as folhas mais jovens. 8 CICLO DA DOENÇA Fonte: Ricardo B. Pereira. O ciclo da doença (figura 1) começa pela sobrevivência do patógeno, onde os restos culturais, sementes infectadas, estacas reutilizadas, e plantas daninhas são consideradas as principais fontes de inóculo (HANSEN, 2009). Com temperaturas amenas (15ºC a 27ºC) e condições de alta umidade (chuva e orvalho), o fungo é favorecido produzindo uma quantidade considerável de conídios, que são liberados dos picnídios e disseminados pelos respingos de chuva ou irrigação por aspersão, vento, insetos, ferramentas, animais e mãos dos trabalhadores (REIS et al., 2006). Após a disseminação, os esporos germinam, penetrando na planta através dos estômatos, dando inicio ao processo de infecção, seguido pela colonização dos tecidos da planta com o desenvolvimento do micélio e dos conidióforos (PEREIRA, et al., 2013). Os primeiros sintomas começam há surgir seis dias após a infecção, e ao completar 14 dias observa-se o inicio do ciclo secundário da doença com o aparecimento dos picnídios e a liberação dos novos conídios (ROGRIGUES et al., 1999; PEREIRA, et al., 2013). 9 controle Fungicidas: sistêmicos e de contato. Sistêmicos: azoxistrobina, estrobilurina, carboxamida e tiofano metílico. Contato: ácido cinâmico, ditiocarbamatos, cúpricos, fluazinan, propinebe entre outros. Não há cultivares comerciais com níveis de resistência satisfatórios (REIS, et al., 2013).A medida de controle mais empregada para a Septoriose é realizada através da aplicação de fungicidas, sejam de contato ou sistêmicos. Os fungicidas de contato são menos eficientes que os sistêmicos, devido a fácil remoção do produto pela água da chuva ou irrigação. Para se obter bons resultados com o controle químico, as aplicações devem ser realizadas antes que a doença se instale, iniciando assim logo após o aparecimento dos primeiros sintomas com intervalos entre 7 e 14 dias. Existem inúmeros fungicidas para o controle da doença, dentre os sistêmicos destacam-se os azoxistrobina, estrobilurina, carboxamida, tiofano metílico, já os de contato recomendados são ácido cinâmico, ditiocarbamatos, cúpricos, fluazinan, propinebe entre outros . Atualmente não existem cultivares com níveis satisfatórios de resistência, alguns estudos mostram que há fontes de resistência a S. lycopersici no germoplasma de tomate, porém essa característica é fortemente influenciada pelo ambiente, o que dificulta a incorporação deste fator em cultivares comerciais. 10 Prevenção Evitar irrigação por aspersão e plantios próximos a lavouras infectadas; Rotação de culturas; Destruir as fontes de inóculo; Manter bom arejamento entre as plantas; Adubação equilibrada; Uso de produtos a base de cálcio e cobre (LOPES, 2005; BRAGANTA, 1962). Outras medidas comumente tomadas para auxiliar no manejo da doença de forma preventiva são evitar freqüentes irrigações por aspersão, bem como plantios próximos a lavouras infectadas, realizar rotação de culturas com plantas não solanáceas e destruir os restos culturais logo após a colheita reduzindo as fontes de inóculo. Outro aspecto importante é manter um bom arejamento entre as plantas e fazer uma adubação adequada. Uma adubação equilibrada tem grande valor na redução da moléstia, pois proporciona a planta um maior vigor tornando-a mais resistente a doença. Como medida protetiva tambem é comum a aplicação de produtos a base de cálcio e cobre, como a calda bordalesa, na concentração de 1%, no tratamento de mudas de tomateiro, a fim de controlar doenças fúngicas como a Septoriose (HENZ, 2007). Após o desbrote tambem pode-se aplicar produtos a base de cobre para cicatrizar a planta evitando infecções. 11 Conclusão Na literatura utilizada, constatou que a doença é bem agressiva, mas o conhecimento das características como condições climáticas, sintomas e ciclo do patógeno favorecem uma tomada de decisão mais assertiva para seu manejo e controle. Dependendo do nível tecnológico do produtor, a utilização de fungicida se torna uma alternativa importante para o controle de forma eficaz diminuindo os danos causados na cultura do tomateiro e aumentando a renda do produtor.