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A linha tênue entre liberdade de expressão e discurso de ódio

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A linha tênue entre liberdade de expressão e discurso de ódio
Conforme a perspectiva filosófica de Albert Camus, "se houver falhas na conciliação entre justiça e liberdade, haverá intempéries de amplo espectro". De maneira análoga, é possível notar que tal pensamento faz parte de uma realidade mundial vigente, devido a argumentação de que a liberdade de expressão justifica a propagação do discurso de ódio nos meios sociais. Contudo, esse fator é uma problemática deturpadora dos preceitos previstos pelos Direitos Humanos, e dentre os agravantes, destacam-se a influência das mídias sociais e a ausência do contato ente a instituição escolar e a familiar. Diante disso, faz-se necessário a discussão de tais aspectos, com a finalidade de obter o pleno funcionamento do corpo social. 
Primeiramente, se faz perspectiva a negligência do Estado em relação aos crimes de ódio, sobretudo, no meio digital. Nessa perspectiva, esses crimes são levados ao segundo plano no que tange às investigações e punições, e, por isso, cria-se uma “sensação” de impunidade em relação a esses. Dessa forma, tal realidade contribui para a ruptura do “contrato social”, proposto pelo filósofo John Locke, o qual determina que o Governo garanta os direitos imprescindíveis à sociedade, nesse caso, a segurança. Assim, a “resolução” do impasse é prorrogada devido às improficiências do Estado.
Em segunda análise, várias são as consequências advindas das condutas relacionadas à liberdade, dentre elas estão a exclusão social e a potencialização dos índices de violência contra as minorias. No entanto, nota-se o papel da escola e da família como as principais promulgadoras dos crescentes casos de discurso de ódio nos países, haja vista a omissão de diálogos que demandem o respeito mútuo entre os componentes do folheto civil para contribuírem com o crescimento da intolerância à opiniões diversas. Igualmente, isso pode ser explicado segundo o pensamento da antropóloga francesa Françoise Hésitier, a qual aborda que a intolerância está associada à dificuldade de reconhecer a expressão da condição humana no que é diverso. Pela mesma razão, surge um contexto alarmante cuja necessidade de intervenção se faz imediata.
Urgem, portanto, ações afirmativas e sinérgicas entre os atores sociais, a fim de combater a desordem promovida pelo discurso de ódio. Logo, cabe à escola - mediante projetos que demandem a construção do desenvolvimento crítico dos alunos, - realizar debates e diálogos em sala de aula, com o fito de demonstrar a importância do exercício correto da liberdade de expressão, bem como estimular o respeito a opinião do próximo e erradicar a disseminação de ódio contra às diversidades. Além disso, o Governo, por intermédio dos meios de comunicação, - via internet, televisão e rádio - deve criar campanhas de combate a esse empecilho, com o intuito de alertar a população sobre as consequências advindas dessas conturbações e da alienação a que estão sujeitas. Assim, será possível garantir uma sociedade mais equilibrada e livre de riscos, conforme o ensinamento de Camus.