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do indivíduo – tanto nos casos em que há aumento da massa 
muscular (exercícios físicos regulares) como nos casos de perda de massa muscular 
(subnutrição) ou sedentarismo (obesidade). Essas características tornam imperioso 
o conhecimento do nutricionista sobre a estrutura e o funcionamento desse sistema.
1.1. Propriedades do tecido muscular
As células musculares possuem as seguintes propriedades gerais:
• Excitabilidade: é a capacidade de responder a um estímulo;
• Contratilidade: é a capacidade de contração, ou seja, de encurtar-se; 
• Elasticidade: é a capacidade de, após a contração, retornar ao tamanho 
original;
• Extensibilidade: é a capacidade de extensão além do seu tamanho de 
repouso, isto é, de alongar-se.
É importante não confundir propriedades do tecido muscular com fun-
ções musculares: todos os músculos possuem as mesmas propriedades 
(são inerentes ao tecido muscular), porém nem todos possuem as mes-
mas funções.
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1.2. Funções dos músculos
• Produção de calor: a ação muscular consome energia que resulta na pro-
dução de calor. Ex.: tremor muscular em ambientes frios;
• “Reservatório” proteico: a célula muscular é, basicamente, proteína. Vale 
lembrar que as proteínas presentes nos músculos estão exercendo função 
estrutural, porém, de acordo com a necessidade e o estado de saúde do 
indivíduo, elas podem ser utilizadas (subnutrição, câncer) ou armazena-
das (atividade física).
Mediante treinamento físico a célula muscular aumenta o seu tamanho 
e esse fenômeno é chamado hipertrofia. Ainda não existe evidência 
científica conclusiva para afirmar que as células musculares sofrem mul-
tiplicação: esse fenômeno seria chamado hiperplasia muscular.
• Sustentação: os músculos possuem a capacidade de sustentar as vísceras e 
o esqueleto. Ex.: os músculos da parede do abdome e do assoalho da pelve 
sustentam os órgãos das suas respectivas regiões; os músculos do dorso 
mantêm a escápula em sua posição;
• Forma: os músculos conferem as características estéticas do corpo do indi-
víduo: é nítida a diferença na forma corporal entre quem realiza treina-
mento físico regular (desportista/atleta) e quem é sedentário;
• Movimento de substâncias: vários órgãos possuem em sua constituição 
músculos que atuam propelindo substâncias no corpo. Ex.: coração, vasos 
sanguíneos e intestinos. 
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1.3. Classificação estrutural dos músculos
Existem três tipos de músculos:
• Estriados esqueléticos: são músculos organizados que possuem como uni-
dade funcional os sarcômeros (faixas estriadas que promovem a nomencla-
tura desse tipo de músculo). Fixam-se no esqueleto e representam a maior 
massa muscular entre os subtipos (Fig. 3.1). 
• Estriado cardíaco: possui as mesmas características dos estriados esquelé-
ticos, contudo, entre os seus sarcômeros existem estruturas microscópicas, 
denominadas discos intercalares, que auxiliam na manutenção da contra-
ção contínua e rítmica do coração. Esse tipo muscular, evidentemente, só 
é encontrado na musculatura do coração (miocárdio);
• Lisos: não possuem organização de forma estriada e sua contração é lenta, 
pois a sua principal via metabólica é anaeróbia. É encontrado principal-
mente nos órgãos dos diversos sistemas orgânicos. Ex: estômago, esôfago, 
brônquios, bexiga urinária e reto.
Quanto à função dos músculos, é imperioso perceber que os estriados 
esqueléticos são perceptíveis e dependem da vontade do indiví-
duo para serem utilizados (voluntariedade). Por outro lado, os múscu-
los lisos e o estriado cardíaco não são perceptíveis e independem da 
ação do indivíduo para efetuarem a sua ação.
1.4. Componentes anatômicos essenciais aos músculos estriados 
esqueléticos
A partir deste momento será dada ênfase ao estudo das características dos músculos 
estriados esqueléticos. Os demais tipos de músculos serão estudados ao longo dos 
sistemas aos quais pertencem. Todos os músculos estriados esqueléticos possuem:
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• Ventre muscular: é a porção carnosa, avermelhada e contrátil do mús-
culo, basicamente constituída por fibras musculares (Fig. 3.2); 
• Tendão e aponeurose: são a porção esbranquiçada, forte, brilhosa e peri-
férica dos músculos. São constituídos de tecido conjuntivo denso e possuem 
função de fixar os músculos em ossos, articulações, pele, mucosa (língua) e 
órgãos (olho). Os tendões têm aspecto de cordões cilíndricos e fixam mús-
culos que possuem forma alongada (longos). As aponeuroses apresentam 
forma semelhante a uma membrana e fixam músculos que possuem forma 
larga (planos ou laminares);
O local de fixação dos tendões nos ossos gera os termos origem e inser-
ção muscular, considerando-se que a origem é a região mais fixa e que 
a inserção é a região mais móvel do músculo. Contudo, no presente 
texto utilizamos apenas o termo fixação muscular, que, embora inespe-
cífico, é apropriado às funções musculares.
• Fáscia muscular: envoltório constituído de tecido conjuntivo que envolve 
cada músculo estriado esquelético, independentemente da sua forma e loca-
lização, e que é contínuo aos tendões/aponeuroses até o ponto da fixação 
muscular (Fig. 3.2). Esse envoltório permite que os músculos executem 
contração com o mínimo de atrito entre eles e as estruturas adjacentes e 
também encerra o músculo de maneira a não permitir a propagação de 
um agente infeccioso de um músculo para o outro. Em algumas regiões do 
corpo, a fáscia é tão espessa que pode contribuir para a fixação das fibras 
musculares ou de outros músculos a ela. 
Algumas estruturas não são componentes anatômicos essenciais aos músculos 
estriados esqueléticos, porém atuam na mecânica muscular. São elas:
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• Retináculos: são espessamentos das fáscias musculares nas regiões arti-
culares. Atuam como roldanas contendo os tendões justos às articulações, 
não os deixando “arquear” quando da contração muscular;
• Bainhas de tendões: são bolsas sinoviais que envolvem os tendões nas 
regiões em que estes atravessam articulações, ou seja, onde exercem contato 
com a articulação e o retináculo. Como possuem sinóvia, essas bainhas têm 
a função de diminuir o atrito entre os tendões e as estruturas adjacentes. 
1.5. Nomenclatura dos músculos
Para potencializar o aprendizado, é válido explorar o porquê de os músculos recebe-
rem os seus nomes. Várias características são utilizadas para nomeá-los:
• Forma: ex.: m. deltoide (forma de delta), m. reto do abdome, m. oblí-
quo externo do abdome, m. trapézio (forma geométrica de um trapézio), 
m. orbicular da boca (forma arredondada);
• Ação muscular: ex.: m. levantador do lábio superior e da asa do nariz, 
m. flexor dos dedos, m. extensor dos dedos, m. abaixador do ângulo da 
boca, m. levantador do ângulo da boca;
• Localização: ex.: m. mentual (na região mentual – no “queixo”), m. tem-
poral (na região temporal), m. peitoral maior (região peitoral), m. inter-
costal interno e externo (entre as costelas e com posicionamento interno 
ou externo), m. esternocleidomastóideo (localizado entre o esterno, a cla-
vícula e o processo mastoide do crânio);
• Número de “origens”: nomeados em virtude da quantidade de tendões 
que promovem a fixação muscular na origem ou de maneira proximal. Ex.: 
m. bíceps braquial e m. bíceps femoral (possuem dois tendões de origem), 
m. tríceps braquial (possui três tendões de origem), m. quadríceps femo-
ral (possui quatro tendões de origem).
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Figura 3.1 – Ilustração do sistema muscular esquelético: a) m. esternocleidomastóideo; b) m. del-
toide; c) m. bíceps braquial; d) m. braquiorradial; e) grupo de músculos flexores dos dedos; f) m. tra-
pézio; g) m.