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é proibida (Art. 169, parágrafo 
único, II do CP) – ele errou quanto a ilicitude do fato. 
EFEITOS DO ERRO DE PROIBIÇÃO 
1. Se o erro for inevitável – isenção de pena – causa de exclusão da 
culpabilidade – naquela circunstância, aquela pessoa diante do caso concreto 
efetivamente não teria condições de atingir a consciência da ilicitude do fato. 
Ex.: Gaúcho que resolve vir para a cidade com o cinturão cheio de balas 
quando ele apeia do cavalo o policial prende-o em flagrante pelo porte ilegal 
de munição. 
2. Se o erro for evitável – o sujeito no caso concreto poderia atingir a 
consciência de ilicitude – sujeito responde pelo delito, ma terá a pena 
reduzida de 1/3 a 1/6. Pedro está no shopping caminhando e avista um 
celular e acredita que achado não é roubado – pega o celular – sujeito está se 
apropriando de coisa achada – supondo que é uma conduta permitida, sendo 
 
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Sandra Mara Dobjenski 
 
 
que a conduta é proibida (Art. 169, parágrafo único, II do CP) – ele errou 
quanto a ilicitude do fato. 
XXII Exame a Ordem -2017 – FGV - Tony, a pedido de um colega, está 
transportando uma caixa com cápsulas que acredita ser de remédios, sem ter 
conhecimento que estas, na verdade, continham Cloridrato de Cocaína em seu 
interior. Por outro lado, José transporta em seu veículo 50g de Cannabis Sativa L. 
(maconha), pois acreditava que poderia ter pequena quantidade do material em sua 
posse para fins medicinais. Ambos foram abordados por policiais e, diante da 
apreensão das drogas, denunciados pela prática do crime de tráfico de 
entorpecentes. Considerando apenas as informações narradas, o advogado de Tony 
e José deverá alegar em favor dos clientes, respectivamente, a ocorrência de 
A erro de tipo, nos dois casos. 
B erro de proibição, nos dois casos. 
C erro de tipo e erro de proibição. 
D erro de proibição e erro de tipo. 
ERRO QUANTO A PESSOA X ERRO NA EXECUÇÃO 
ERRO QUANTO A PESSOA 
Art. 20, § 3 º CP - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não 
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da 
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime. (Incluído 
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
 Sujeito pretende atingir uma pessoa determinada e por um erro na 
identificação ele acaba atingindo pessoa diversa. Ex.: Pedro queria matar o 
pai, ele foi até a residência do pai, durante a noite e de longe percebe que há 
uma pessoa em pé de costas para ele – Pedro supondo ser seu pai saca um 
revólver e efetua um disparo acertando aquela pessoa que ele fez a mira, 
descobre-se posteriormente que na verdade a pessoa atingida não era a pai 
de Pedro, mas sim seu tio que possui a mesma estrutura física – Pedro errou 
na identificação – errou quanto a pessoa – Pedro responderá como se tivesse 
atingido a pessoa pretendida – consideram-se as condições da pessoa 
 
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pretendida – Pedro responderá por homicídio doloso com a agravante de ter 
cometido crime contra a ascendente. (considerar as condições e qualidades 
da pessoa pretendida) 
ERRO NA EXECUÇÃO 
Art. 73 CP - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, 
ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde 
como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º 
do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente 
pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. (Redação dada pela Lei 
nº 7.209, de 11.7.1984) 
 Sujeito pretende atingir uma determinada pessoa, mas por uma acidente ou 
por erro no uso dos meios de execução ele acaba atingindo ele acaba 
atingindo pessoa diversa (não há erro na identificação) 
Ex.; Roberto quer matar Carlos, faz a mira, efetua o disparo, errou o alvo e acertou a 
Débora, vindo esta a falecer. Considera-se as condições e qualidades da pessoa 
pretendida – o agente responde como se tivesse praticado o ato contra a pessoa 
pretendida – Roberto responderá por homicídio doloso. 
XX Exame da Ordem – 2016 – FGV - Wellington pretendia matar Ronaldo, camisa 
10 e melhor jogador de futebol do time Bola Cheia, seu adversário no campeonato 
do bairro. No dia de um jogo do Bola Cheia, Wellington vê, de costas, um jogador 
com a camisa 10 do time rival. Acreditando ser Ronaldo, efetua diversos disparos de 
arma de fogo, mas, na verdade, aquele que vestia a camisa 10 era Rodrigo, 
adolescente que substituiria Ronaldo naquele jogo. Em virtude dos disparos, Rodrigo 
faleceu. 
Considerando a situação narrada, assinale a opção que indica o crime cometido por 
Wellington. 
A Homicídio consumado, considerando-se as características de Ronaldo, pois houve 
erro na execução. 
B Homicídio consumado, considerando-se as características de Rodrigo. 
 
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Sandra Mara Dobjenski 
 
 
C Homicídio consumado, considerando-se as características de Ronaldo, pois 
houve erro sobre a pessoa. 
D Tentativa de homicídio contra Ronaldo e homicídio culposo contra Rodrigo. 
*Crime = fato típico, antijurídico e culpável – quem pratica um fato típico gera a 
presunção de esse fato também é ilícito – presunção relativa – causas de exclusão 
da ilicitude do fato: (Cláusulas de excludente de ilicitude) 
1. Estado de necessidade – o fato é típico, mas o sujeito praticou o fato para se 
salvar de uma situação de perigo. Art. 24 CP - Considera-se em estado de 
necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por 
sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo 
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 
7.209, de 11.7.1984) 
§ 1 º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar 
o perigo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
§ 2 º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena 
poderá ser reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 
11.7.1984) 
*Situação de perigo pode decorrer de uma ação humana (Carlos coloca fogo em 
uma sala, Paulo para fugir do fogo desfere um soco em Ricardo – Paulo praticou 
lesão corporal – fato típico, mas para se salvar de uma situação de perigo) (pessoa 
que se agarra em uma superfície que só aguentava o peso de uma), de um evento 
da natureza ou de um comportamento de um animal (Paulo para se salvar de um 
ataque espontâneo de um animal, pega uma barra de ferro e desfere golpe na 
cabeça do animal), entretanto se esse animal for estimulado para atacar – o 
animal estará sendo utilizado como se fosse uma arma – legítima defesa. 
2. Legítima defesa - Art. 25 CP - Entende-se em legítima defesa quem, usando 
moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, 
a direito seu ou de outrem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (Vide 
ADPF 779) 
 
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Sandra Mara Dobjenski 
 
 
Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo, 
considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele 
agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes. 
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vide ADPF 779) 
*Sujeito pratica um fato típico para repelir uma injusta agressão. 
Ex.: Carlos parte injustamente para atacar Paulo com uma faca – Carlos pode sacar 
de uma arma para se defender – Carlos esta fazendo uso moderado dos meios que 
estão a sua disposição. 
*Legítima defesa para o agente de segurança pública nas situações em que 
envolvem crime com refém e que há agressão ou risco de agressão, o agente de 
segurança pública (ex. atirador de elite) está legitimado a atuar para livrar aquele 
refém da agressão ou do risco de agressão – sujeito irá repelir uma agressão ou 
perigo de agressão num contexto de um crime onde há vítima mantida refém. 
(Pacote