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metotrexato e tratamento de 1ª, 2ª e 3ª etapa para artrite reumatóide

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Tratamento para Artrite Reumatoide | Larissa Gomes de Oliveira. 
 
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Febre, Inflamação e 
Infecção 
TRATAMENTO DE 1ª, 2ª E 3ª LINHA PARA ARTRITE REUMATÓIDE E MECANISMO 
DE AÇÃO, INDICAÇÃO E FARMACOCINÉTICA DO METOTREXATO. 
A artrite reumatoide (AR) é uma doença autoimune inflamatória sistêmica, crônica e 
progressiva, na qual o alvo principal da resposta autoimune é a membrana sinovial, podendo 
levar à destruição óssea e cartilaginosa. 
O tratamento de pacientes com AR objetiva: diminuir a dor, evitar a perda de função bem 
como prevenir ou controlar danos ósseos e cartilaginosos, prevenir a incapacidade funcional 
do paciente e melhorar a qualidade de vida desse indivíduo. 
O tratamento medicamentoso de AR inclui o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINE), 
glicocorticoides, medicamentos modificadores do curso da doença (MMCD) - sintéticos e 
biológicos - e imunossupressores. O uso seguro desses fármacos exige o conhecimento de suas 
contraindicações absolutas. As seguintes etapas e linhas terapêuticas são preconizadas para o 
tratamento medicamentoso da artrite reumatoide: 
PRIMEIRA ETAPA 
MEDICAMENTOS MODIFICADORES DO CURSO DA DOENÇA SINTÉTICOS (MMCDs): 
Metotrexato, leflunomida, sulfassalazina e hidroxicloroquina. 
OBS: O processo de destruição cartilaginosa e óssea que ocorre na artrite reumatoide pode 
ser reduzido por um grupo diverso de fármacos conhecidos como modificadores de doença 
reumática. Entre eles há os seguintes: hidroxicloroquina, sulfassalazina e metotrexato. Estes 
atuam sobre a resposta imune, podendo suprimir o processo da doença, mas requerem de 2 a 
6 meses de tratamento para resposta terapêutica completa1. Idealmente o tratamento deve 
ser iniciado logo no princípio da doença, antes que o dano articular se apresente7. Entretanto, 
como nos primeiros meses o curso de evolução da artrite reumatoide é imprevisto e o 
diagnóstico incerto, usualmente a terapia se faz com o uso deanti-inflamatórios não-
esteroides, que atuam apenas como sintomáticos. 
Esses medicamentos MMCD são divididos em dois grupos: sintéticos e biológicos. 
 
1ª LINHA 
O metotrexato (MTX) deve ser a primeira escolha terapêutica. Em casos de intolerância ao 
MTX oral, deve-se tentar dividir a administração por via oral ou empregar o MTX injetável. 
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Na impossibilidade de uso do MTX por toxicidade, deve-se usar, preferencialmente, a 
leflunomida (LEF) ou sulfassalazina (SSZ), sendo a terapia isolada com hidroxicloroquina (HCQ) 
pouco efetiva. 
O MTX está associado a alta taxa de toxicidade hepática e gastrointestinal, podendo levar à 
suspensão do tratamento em aproximadamente 30% dos casos. Para diminuir o risco de 
toxicidade, deve-se fazer uso de ácido fólico, sendo sugerida a dose de 5 mg, uma vez por 
semana, 36 horas após o tratamento com MTX. A HCQ deve ser usada em lugar da cloroquina, 
uma vez que possui melhor perfil de eficácia e segurança. 
OBS: Ácido fólico e ácido folínico são uma forma da vitamina B9. O corpo humano precisa de folato para 
executar muitas funções, incluindo divisão celular, crescimento, e produção de novos glóbulos 
vermelhos. Ácido folínico é quimicamente diferente do ácido fólico mas ambos funcionam de maneira 
similar. Se uma pessoa não tem ácido fólico ou ácido folínico suficiente, isto é chamado de deficiência de 
folato. MTX (medicamento que é normalmente prescrito para tratamento de artrite reumatoide) atua 
através do bloqueio de alguns efeitos do ácido fólico. Uma deficiência de folatos pode causar efeitos 
adversos, tais como feridas na boca, problemas estomacais como náuseas e dor abdominal, problemas 
hepáticos ou problemas com produção de células sanguíneas. Estes efeitos adversos as vezes são ruins o 
suficiente para que as pessoas parem de tomar o MTX (interromper o tratamento). 
Por essa razão se prescreve o ácido fólico para evitar os efeitos colaterais que podem surgir pelo bloqueio 
do ácido fólico no organismo causado pelo metotrexato. 
2ª LINHA 
Em caso de falha da monoterapia inicial (MTX, LEF), isto é, de persistência da atividade de 
doença (de acordo com a meta terapêutica) após 3 meses de tratamento otimizado (dose 
máxima tolerada e adesão adequada) do medicamento usado na 1ª linha, passa-se para a 
terapia com a combinação dupla ou tripla de MMCDs. 
As associações de medicamentos modificadores do curso da doença sintéticos (MMCDs) mais 
comumente recomendadas são MTX ou LEF com HCQ ou SSZ. O uso de medicamentos 
modificadores do curso da doença biológicos (MMCDbio) ou do tofacitinibe na primeira etapa 
de tratamento medicamentoso da AR não é recomendada neste Protocolo. 
SEGUNDA ETAPA 
MEDICAMENTOS MODIFICADORES DO CURSO DA DOENÇA BIOLÓGICOS (MMCDbio) - 
Abatacepte, adalimumabe, certolizumabe pegol, etanercepte, golimumabe, infliximabe, 
rituximabe, tocilizumabe – E TOFACITINIBE. 
Após o uso de pelo menos dois esquemas terapêuticos na primeira etapa por no mínimo 3 
meses cada um e havendo persistência da atividade da doença, utiliza-se um MMCDbio ou do 
tofacitinibe. O MMCDbio deve ser usado em associação com o MTX, exceto no caso de 
contraindicação; neste caso, pode ser considerada a associação com outro MMCDs (LEF e SSZ). 
Os MMCDbio que podem ser usados são os antifator de necrose tumoral – anti-TNF 
(certolizumabe pegol, golimumabe, infliximabe, etanercepte e adalimumabe) e os não anti-
TNF (abatacepte e tocilizumabe). 
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O uso do rituximabe deve ser reservado somente aos indivíduos com contraindicação absoluta 
a todos os MMCDbio anti-TNF e também ao abatacepte e tocilizumabe. Esses medicamentos 
possuem perfis de eficácia e segurança semelhantes, não havendo, em geral, predileção por 
uma alternativa frente às demais. Para os casos de pacientes já em tratamento com 
MMCDbio e com resposta adequada, o uso do mesmo fármaco deve ser mantido, não sendo 
recomendada sua troca por outro MMCDbio. O tofacitinibe tem como vantagens a 
possibilidade de ser usado por via oral e não necessitar de refrigeração para armazenamento. 
Desse modo, os MMCD biológicos só devem ser iniciados se a atividade da doença permanecer 
moderada ou alta, após 6 meses de tratamento com MMCD sintéticos. Os MMCD biológicos 
disponibilizados no SUS são: os medicamentos chamados anti-TNF (certolizumabe pegol, 
golimumabe, infliximabe, etanercepte, adalimumabe), abatacepte intravenoso, tocilizumabe e 
rituximabe. O tratamento com MMCD biológicos deve ser iniciado por um medicamento da 
classe dos anti-TNF. No caso de falha ou contraindicação absoluta aos anti-TNF, os outros 
biológicos (abatacepte, tocilizumabe e rituximabe) são recomendados. 
TERCEIRA ETAPA 
MEDICAMENTOS MODIFICADORES DO CURSO DA DOENÇA BIOLÓGICOS (MMCDbio) - 
Abatacepte, adalimumabe, certolizumabe pegol, etanercepte, golimumabe, infliximabe, 
rituximabe, tocilizumabe – E TOFACITINIBE. 
Após pelo menos 3 meses da segunda etapa terapêutica, e havendo persistência da atividade 
da doença, ou toxicidade inaceitável ao medicamento utilizado nessa etapa, pode-se 
prescrever outro MMCDbio (anti-TNF ou não anti-TNF) ou o tofacitinibe, desde que o 
medicamento selecionado não tenha sido usado anteriormente. Se possível, o medicamento 
selecionado deve ser associado a um MMCD (preferencialmente o MTX). 
USO DE IMUNOSSUPRESSORES 
 Historicamente, os imunossupressores como a azatioprina e a ciclosporina são usados no 
tratamento de manutenção da artrite reumatoide. Esses medicamentos são efetivos na 
modificação do curso natural da doença, mas estão associados a significante incidência de 
eventos adversos, em especial devidos à imunossupressão. 
TRATAMENTO SINTOMÁTICO 
Em qualquer das etapas e linhas discriminadas para o tratamento dos pacientes com AR, 
glicocorticoides ou anti-inflamatórios não esteroidais (AINE) podem ser prescritos para o 
controle sintomático, tendo sempre