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Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG OBJETIVOS 1. Descrever as estruturas e mecanismos responsáveis pela audição (Sistema auditivo) 2. Descrever as estruturas e mecanismos responsáveis pelo equilíbrio (Sistema vestibular). 3. Citar as causas mais prevalentes de perda auditiva e as possíveis medidas de prevenção. (enfatizar causas ocupacionais, seus aspectos legais) 4. Citar os métodos diagnósticos clínicos e complementares disponíveis para avaliação da acuidade auditiva e do equilíbrio. Percepção, consciência e emoção Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG Informações sobre o som! Os sons é uma onda mecânica que precisa de um meio de propagação, que é o ar, para se propagar, sendo nada mais do que variações audíveis na pressão do ar, ou seja, quando um objeto se movo em uma direção, pode-se detectar o som devido ao fato que aquele movimento comprime um trecho de ar, que acaba se tornando mais denso. Se afastamos o objetivo, o ar fica mais rarefeito, ou seja, com uma menor densidade, há mais espaço para as moléculas se espalharem. A frequência do som é nada mais do que o número de trechos de ar comprimidos ou rarefeitos que passam pelos ouvidos a cada segundo. Expressa em hertz (Hz): NÚMERO DE CICLOS POR SEGUNDO. Uma onda sonora de alta frequência é a que apresenta maiores regiões comprimidas em vários ciclos de onde, enquanto a de baixa frequência é a que apresenta maior número de regiões rarefeitas. Nosso sistema auditivo pode responder a ondas de pressão dentro da faixa detectável de 20 a 20.000 Hz (embora essa faixa audível diminua significativamente com a idade e a exposição a ruídos, especialmente as frequências mais altas). A intensidade do som está diretamente relacionada ao volume, sons com maiores intensidades são ditos sons altos e sons com menores intensidade são chamados de sons baixos. Descrever as estruturas e mecanismos responsáveis pela audição O ouvido humano é formado principalmente por três partes: ouvido interno, ouvido médio e ouvido externo. - Ouvido externo: compõe as estruturas do pavilhão até a membrana timpânica. - Ouvido médio: é formado pela membrana timpânica e os ossículos. - Ouvido interno: constitui a região que vai da estrutura medial até a janela oval. O ouvido externo do ser humano é formado tanto por parte uma parte visível, quanto por uma parte que se encontra já no interior da cabeça. A porção visível do ouvido é constituída basicamente por cartilagem coberta de pele, que forma um funil chamado de pavilhão da orelha ou aurícula, tendo a função principal de captação do som. - A forma do pavilhão da orelha torna mais sensível a recepção de ondas sonoras que chega na frente do que atrás. Terminando a porção visível, temos a entrada para o ouvido interno por meio do chamado meato acústico externo, que se estende por cerca de 2,5 cm para a parte interna do crânio e termina quando chega numa Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG membrana que é chamada de tímpano ou membrana timpânica. Essa membrana timpânica apresenta um formato levemente cônico, com a ponta do cone estendendo-se para dentro da cavidade do ouvido médio. Na membrana timpânica, temos conectada a sua superfície medial uma série de ossos pequenos conhecidos como ossículos, eles são três: Martelo, bigorna e estribo. O martelo é o primeiro osso que está ligado a membrana timpânica. Ele forma uma conexão rígida com a bigorna, que enfim forma uma conexão flexível com o estribo. A porção basal achatada do estribo, a platina, move-se para dentro e para fora, como um pistão, na janela oval, transmitindo, assim, as vibrações sonoras aos fluidos da cóclea no ouvido interno. Esses ossículos quando recebem vibrações da membrana timpânica acabam transferindo os movimentos para uma outra membrana que cobre um orifício no osso do crânio, chamado de JANELA OVAL. Atrás da janela oval, há uma estrutura preenchida de fluído chamada de cóclea, que é responsável por transformar o movimento físico da membrana da janela oval em uma resposta neural. Depois que é gerada uma resposta neural ao som, o sinal é transferido para uma série de núcleos no tronco encefálico, que depois são enviados a um núcleo de retransmissão no tálamo (o NÚCLEO GENICULADO MEDIAL), para só assim, ser projetado no córtex auditivo primário, ou AI, localizado no lobo temporal. Onda sonora move a membrana timpânica. Membrana timpânica move ossículos Ossículos movem a membrana da janela oval Movimento da janela oval móvel o fluído da cóclea Movimento do fluído na cóclea causa resposta nos neurônios sensoriais Observação! O ar no ouvido médio está em continuidade com o ar nas cavidades nasais através da tuba auditiva ou trompa de Eustáquio. Quando você está em um avião subindo por exemplo, a pressão do ar circundante diminui. Enquanto a válvula na tuba de Eustáquio estiver fechada, o ar no ouvido médio permanece na pressão do ar antes de você começar a subir. Pelo fato de a pressão no interior do ouvido médio estar mais alta do que a pressão do ar no exterior, a membrana timpânica protrai, causando uma pressão desagradável ou dor no ouvido. A dor pode ser aliviada por bocejo ou deglutição, que abrem a tuba de Eustáquio, igualando, desse modo, a pressão do ar no ouvido médio com a pressão do ar do ambiente. O oposto pode acontecer. Tuba de Eustáquio Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG Qual a importância dos ossículos? Os ossículos são de fundamental importância para a amplificação do som, uma vez que, se não houvesse esses ossos, a onda sonora entraria em contato direto com a janela oval, fazendo com que essa membrana se movesse muito pouco, além disso menos de 0,1% do som seria transferido para o fluido da cóclea devido a reflexão da onda sonora pelo líquido. Deve-se lembrar que quando estamos dentro de uma piscina, quase sempre não escutamos nada vindo do meio exterior devido a grande capacidade de reflexão. É importante ressaltar que a combinação da maior força na janela oval devido ao sistema de alavancas dos ossículos mais a menor área da janela oval tornam a pressão na janela oval 20 vezes maior do que a pressão na membrana timpânica, sendo esse aumento suficiente para mover o fluido no ouvido interno. Reflexo de Atenuação Os dois músculos ligado aos ossículos desempenham um papel significativo sobre a transmissão do som, principalmente protetor. Há dois músculos que se ligam aos ossículos: O músculo tensor do tímpano e o músculo estapédio. O músculo tensor do tímpano se encontra ligado de um lado a parte do osso da cavidade do ouvido médio e do outro ao martelo, já o músculo estapédio vai estar ligado da fixação no osso até o estribo. A importância desses músculos está no fato de que quando se tem a exposição a uma onda sonora barulhenta, ocorre a contração deles e, consequentemente, uma diminuição da flexibilidade da cadeia dos ossículos que se torna rígida, fazendo com que seja diminuída a condução do som ao ouvido interno. Esse processo é chamado de REFLEXO DA ATENUAÇÃO. O reflexo da atenuação é visto como uma forma de adaptar o ouvido ao som contínuo de alta intensidade para que seja identificados outros sons, não saturando a respostasdos receptores do ouvido somente com esse som de alta intensidade, aumentando, assim, a faixa dinâmica em que podemos escutar. Além disso, é um importante mecanismo de proteção contra sons barulhentos que poderiam causar algum problema na audição. Observação! O reflexo do som é muito mais efetivo em frequências baixas (som grave) do que em frequências altas (som agudo). E essa característica é a que nos ajuda a diferenciar os sons de alta frequência em locais com ruídos de baixas frequência, como, por exemplo, a compressão da fala em locais barulhentos. O reflexo também é o motivo de não escutarmos nossa voz tão alta quando falamos. Anatomia da cóclea A cóclea faz parte da orelha interna e está contida dentro do labirinto membranoso, que por sua vez encontra-se dentro do labirinto ósseo, na porção petrosa do osso temporal. A cóclea tem uma forma de espiral que lembra uma concha de caracol. A parte oca é formada por ossos que se enrolam em torno de um pilar central da cóclea é uma estrutura cônica chamada de modíolo. Ela é comparada aproximadamente ao tamanho de uma ervilha. Na base da cóclea, há dois orifícios cobertos por membrana: a janela oval, abaixo do estribo, e a janela redonda. A primeira separa a escala vestibular da orelha média, enquanto a segunda separa a escala timpânica da orelha média. Quando cortamos a cóclea de forma transversal, vemos que o tubo está dividido em três câmeras preenchidas por fluido: a escala (rampa) vestibular, a escala média e a escala timpânica, que se enrolam ao redor da porção interna da cóclea, como uma escada em espiral. Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG Há duas membranas que separam essas escalas: - Membrana de Reissner: separa a escala vestibular da escala média. - Membrana basilar: separa a escala timpânica da escala média. Apoiado na membrana basilar, encontramos o ÓRGÃO DE CORTI, formado por neurônios receptores auditivos com uma membrana tectorial suspensa sobre ele. No ápice da cóclea, a escada média está fechada, e a escala timpânica tem continuidade com a escala vestibular através de um orifício nas membranas chamado de helicotrema. As escalas, ou rampas, são preenchidas por líquido, sendo que a escala média é preenchida por endolinfa, e escala vestibular e timpânica pela perilinfa. A perilinfa tem uma constituição iônica semelhando à do fluido cefalorraquidiano: - Concentrações baixas de K+ (7 mM) - Concentrações altas de Na+ (140 mM) Já a endolinfa é caracterizada como um fluido extracelular incomum por apresentar: - Concentrações altas de K+ (150 mM) - Concentrações baixas de Na+ (1 mM) Essa diferença na concentração iônica e gerada por processos de transporte ativo que ocorrem na estria vascular, o endotélio que recobre a parede da escala media. A estria vascular reabsorve sódio e secreta potássio contra seus gradientes de concentração. Por conta da diferença de concentração iônica e à permeabilidade da membrana de Reissner, a endolinfa tem um potenciale létrico, que é 80 mV mais positivo que o da perilinfa, chamado de potencialendococlear. Fisiologia da Cóclea O movimento dos ossículos atua como pistão fazendo um movimento para dentro na janela oval que empurra a perilinfa na escala vestibular. Devido ao aumento da pressão do fluido na janela oval, a janela redonda se projeta para fora como resposta ao movimento da janela oval para o interior da cóclea, uma vez que a pressão do fluido não tem outro lugar para escapar, sendo necessário a manutenção do equilíbrio. Então a onda sonora entra pela janela oval percorrendo a escada vestibular passando para a escada timpânica e terminando na janela redonda. Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG - Membrana Basilar Quando o som empurra a platina do estribo sobre a janela oval, ele fará a movimentação da perilinfa, que vai acabar deslocando também a membrana de Reissner que é muito flexível. Assim, com a movimentação da membrana de Reissner, a endolinfa no interior da escala média se movimenta atingindo diretamente a membrana basilar, em que foi com a pesquisa do biofísico Georg von Békésy, que se percebeu que é com a movimentação da membrana basilar que se tem possibilita a propagação da onda da base em direção ao ápice. A membrana basilar que separa a estria vascular da estria timpânica tem duas características que ajudam na resposta sonora. A primeira é que ela é mais larga no ápice do que na base, além de a rigidez dela ir diminuindo da base para o ápice A distância que a onda sonora percorre na membrana basilar depende da frequência do som. Se a frequência for alta, a base mais rígida da membrana vibrará muito e dissipará a maior parte da energia, fazendo com que a onda não se propague para muito longe. Já os sons de baixa frequência, geram ondas que se propagarão até o ápice flexível da membrana antes que a maior parte da energia tenha se dissipado. - Órgão de corti e estruturas associadas Para que possamos escutar um som, precisamos transformar a onda mecânica do som em um estímulo excitável para que as células possam realizar o sistema de transdução com a polarização da membrana. O órgão que faz essa função é chamado ÓRGÃO DE CORTI, que é formado por células ciliadas dos pilares de Corti, além de células de sustentação e os pilares de Corti. - Os pilares de Corti se encontram entre as duas membranas e fornecem sustentação estrutural. - As células ciliadas são os receptores auditivos que cada uma possui aproximadamente 100 enterocílios (microvilosidades rígidas que lembram cílios) que se projetam na região apical, sendo o deslocamento desses cílios o causador da transdução do som em um sinal neural. Essas células se encontram localizadas entre a membrana basilar e uma fina lâmina de tecido chamada de lâmina reticular. Elas podem ser classificadas em células ciliadas interna e células ciliada externa. As células ciliadas externas estão localizadas externamente aos pilares de Corti, enquanto as células ciliadas internas estão entre o modíolo e os pilares de Corti. São essas células ciliadas que vão ter o papel de fazer sinapses com neurônios cujo o corpo celular estão no gânglio espiral, dentro do modíolo, que é o eixo piramidal ósseo. As células do gânglio espiral são bipolares com os neuritos se estendendo para as partes laterais e basais das células ciliadas, onde vão ser estabelecidas as conexões sinápticas. Os axônios do gânglio espiral entram no nervo vestíbulo-coclear (VIII nervo craniano), o qual se projeta aos núcleos cocleares no bulbo. Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG Transdução pelas células ciliadas Quando a membrana basilar se move em resposta a um movimento do estribo, toda a estrutura que sustenta as células ciliadas se movimenta em direção ou se afastando da membrana tectorial. Com a movimentação da membrana tectorial temos o movimento dos enterocílios das células ciliares externas que estão diretamente ligadas a essa membrana, fazendo o movimento desses enterocílios de um lado para o outro. A extremidade dos enterocílios das células ciliadas internas também se desloca principalmente devido o fatode serem empurradas pela endolinfa. Devido ao fato de os enterocílios estarem ligados por conexões laterais, o movimento de um desses enterocílios já causam a movimentação dos outros, como se eles se movessem em unidade. A movimentação desses enterocílios pode ocasionar duas diferentes ações, pois quando eles se movem para um lado ocorre a despolarização da célula ciliada e quando ele move para o outro lado ocorre a hiperpolarização dessa célula devido a geração de um potencial receptor. Isso ocorre por que hoje se sabe que esses enterocílios apresentam canais iônicos dos potenciais receptores transitórios (TRP) em suas membranas, o canal TRPA 1 nas pontas Dos esterocílios, em que cada canal está conectado por um filamento elástico à parede do estereocílio adjacente. Quando esses esterocílios estão retos, as conexões da ponta dos estereocílios mantém o canal em um estado parcialmente aberto, que permite um pequeno escoamento de K+ da endolinfa para dentro da célula ciliada. É o deslocamento desses esterocílios em uma direção que vai permitir a mudança na conformação dos canais. Quando eles se movimentam na direção do esterocílios mais apical, ocorre a entrada de K+ na célula ciliada, que ocasiona uma despolarização, que vai ativar os canais de cálcio dependentes de voltagem. Com a entrada de Ca 2+ dispara a liberação do neurotransmissor, geralmente glutamato, que ativa os axônios do gânglio espiral, que estão em contato pós-sináptico com as células ciliadas. Se esses esterocílios se movem para o lado oposto, vai ocorrer a diminuição da tensão nas conexões das pontas, o que permite que o canal se feche completamente, não havendo mais entrada de K+ na célula, o que causa a hiperpolarização. Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG Células ciliadas interna e externa As células ciliadas são inervadas pelo nervo auditivo que é formada por axônios de neurônios em que os corpos celulares estão no gânglio espiral. As células ciliadas interna, apesar de se encontrarem em número menor, são elas que se comunicam com cerca de 95% dos neurônios do gânglio espiral, sendo cerca de 10 neuritos do gânglio espiral são supridos por uma única célula ciliar interna. É por isso que se pode afirmar que a maior parte da informação que deixa a cóclea vem de células ciliadas internas. Já as células ciliadas externas por se apresentarem em um grande número, varias dessas células fazem sinapses com apenas um axônio ganglionar. Em decorrência disso, menos de 5% dos neurônios do gânglio recebem aferência sináptica dessas células ciliadas externas. - Amplificação pelas células ciliadas externas Hoje se sabe que as células ciliares externas apesar de pouca influenciar nas eferências cocleares, desempenha um papel importante na transdução do som. Isso por que essas células parecem atuar como pequenos motores para amplificar o movimento da membrana basilar durante os estímulos sonoros de baixa intensidade, sendo consideradas amplificador coclear. Essa amplificação é realizada principalmente por proteínas motoras presentes nessas células que podem alterar o comprimento, sendo essa proteína chamada de “prestina”, que faz com que quando essa proteína causa mudança no comprimento da célula ciliada, a membrana basilar é aproximada ou afastada da lâmina reticular e da membrana tectorial, uma vez que as células ciliadas externas estão ligadas à membrana basilar e à lâmina reticular. Quando as células ciliadas externas amplificam a resposta da membrana basilar, os estereocilios das células ciliadas internas deslocam-se mais, e o processo de transdução nessas produz uma resposta maior no nervo auditivo. Portanto, por intermédio desse sistema de retroação, as células ciliadas externas contribuem significativamente para a eferência da cóclea. Sem o amplificador coclear, o movimento máximo da membrana basilar seria cerca de 100 vezes menor. O fato interessante e que a abertura dos canais de K+ produz uma despolarização na célula ciliada, enquanto que a abertura dos canais de K+ causa hiperpolarizações na maioria dos neuronios. A razão para as células ciliadas responderem diferentemente dos neurônios está na alta concentração de K+ na endolinfa, a qual produz um potencial de equilíbrio de K+ de 0 mV, comparado com o potencial de equilíbrio de –80 mV dos neurônios típicos. Outra razão para o K+ ser conduzido para dentro da célula ciliada e o potencial endococlear de 80 mV, o qual auxilia a criar um gradiente de 125 mV através da membrana dos estereocilios. Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG O efeito amplificador das células ciliadas externas explica como certos antibióticos (p. ex. Canamicina – era utilizado no tratamento de uberculose) que danificam as células ciliadas podem levar à surdez. Os antibióticos danificam quase que exclusivamente as células ciliadas externas, não as internas. Por essa razão, a surdez produzida pelos antibióticos é considerada uma conseqüência do dano ao amplificador coclear (i.e., às células ciliadas externas), demonstrando quão essencial é a função deste amplificado O efeito das células ciliadas externas sobre a resposta das células ciliadas internas pode ser modificado por neurônios externos a cóclea. Além das aderências do gânglio espiral que se projetam da cóclea ao tronco encefálico, existem aproximadamente 1.000 fibras eferentes, as quais se projetam do tronco encefálico em direção à cóclea. Essas eferências são amplamente divergentes, estabelecendo sinapses nas células ciliadas externas e liberando acetilcolina. A estimulação dessas eferências muda o formato das células ciliadas externas, afetando, dessa maneira, as respostas das células ciliadas internas. Processos auditivos centrais A aferência do gânglio espiral (ou seja, a capacidade do gânglio de conduzir ou trazer o impulso nervoso) se juntam com às do sistema vestibular para formar o VIII par craniano (nervo vestíbulo-coclear) que entram no tronco encefálico. O nervo chega no bulbo e projeta-se no núcleo coclear de onde se originam os neurônios de 2a ordem. O núcleo coclear é dividido em três núcleos: - Núcleo cocleares dorsal - Núcleo coclear ântero-ventral - Núcleo coclear póstero-ventral Dos núcleos cocleares ventrais partem fibras para a ponte, tanto no núcleo olivar superior do mesmo lado como do lado oposto, em que esse complexo olivar superior projeta fibras ascendentes em direção ao colículo inferior no mesencéfalo por meio do lemnisco lateral. Já as fibras do núcleo coclear dorsal partem totalmente para mesencéfalo no colículo inferior do lado contralateral. O colículo inferior é subdividido em núcleo central, externo e dorsal. - O núcleo central do colículo inferior envia projeção ao tálamo no NÚCLEO GENICULADO MEDIAL do corpo geniculado medial e de lá para o córtex auditivo primário. É responsável pela percepção auditiva e por reflexos de ajuste. - O núcleo externo do colículo inferior tem função acusticomotora, orientando a cabeça em relação ao eixo do corpo. - A função do núcleo dorsal do colículo inferior ainda não é conhecida. O córtex auditivo situa-se no giro temporal transverso do lobo temporal e identificamos os córtices auditivos primário (41), secundários (42) e a área auditiva associativa (área de Wernicke) (22) ➢ O córtex auditivo primário no gira de Heschl no lobo temporal tem uma organização em colunas, em que cada uma é responsável pela percepçãode uma frequência sonora. Essa organização é chamada de tonotópica em colunas de isofrequência ➢ Os mapas tonotópico existem na membrana basilar que vão se projetando nos núcleos de retransmissão auditivos, no núcleo geniculado medial e no córtex auditivo primário. Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG Observações! Outras projeções e núcleos do tronco encefálico, além dos descritos anteriormente contribuem para a via auditiva. Por exemplo, o colículo inferior envia axônios não apenas para o NGM, mas também ao colículo superior, onde ocorre a integração das informações auditiva e visual e ao cerebelo. Existem amplas retroações nas vias auditivas. Por exemplo, os neurônios do tronco encefálico enviam axônios que fazem contato com as células ciliadas externas, e o córtex auditivo envia axônios ao NGM e ao coliculo inferior. Os núcleos auditivos no tronco encefálico, com exceção dos núcleos cocleares, recebem aferência de ambos os ouvidos. Isso explica o fato clinicamente importante de que a única maneira na qual uma lesão no tronco encefálico possa resultar em surdez para um ouvido é se forem destruídos os núcleos cocleares (ou o nervo vestíbulo-coclear) de um lado. Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG Descrever as estruturas e mecanismos responsáveis pelo equilíbrio O sistema vestibular é responsável por nos orientar quanto ao sentindo do equilíbrio, informando aos nossos organismos a posição e o movimento da cabeça que ajuda na coordenação dos movimentos dos órgãos dessa região, como o olho, além do ajuste na postura corporal. Isso é comprovado principalmente pelo fato de que quando temos alguma alteração nesse sistema, ocorre sensações que são desagradáveis resultando, muitas vezes, em sensações de desequilíbrio, acompanhadas de vertigem, náusea e movimentação sem controle dos olhos. O Labirinto Vestibular O sistema vestibular, assim como o sistema auditivo, utiliza células ciliadas para traduzir os movimentos. Esse sistema é formado por dois tipos básicos de estrutura que tem o objetivo principal de transmitir a energia mecânica do movimento da cabeça às células ciliadas, mas que cada tipo é sensível a um movimento diferente. - Órgãos otolíticos: que detectam a força da gravidade e as inclinações da cabeça - Canais semicirculares: que são sensíveis à rotação da cabeça. Órgãos Otolíticos São um par de câmeras relativamente grandes que estão próximas ao labirinto chamadas de SÁCULO E O UTRÍCULO. Eles conseguem detectar mudança no ângulo da cabeça, quando, por exemplo, inclinamos esse órgão, uma vez que o ângulo entre os órgãos otolíticos e a direção da força da gravidade mudam. Além disso, há o reconhecimento da aceleração linear da cabeça, que acontece, por exemplo, quando você sobe ou desce de um elevador no momento da arrancada e da parada. Cada órgão otolítico contém um epitélio sensorial chamado MÁCULA, a qual está orientada verticalmente dentro do sáculo e horizontalmente dentro do utrículo quando a cabeça está aprumada. É nesse epitelial sensorial chamado de mácula que iremos encontrar células ciliadas dispostas em uma camada que é constituída de células de sustentação com os seus estereocílios se projetando para dentro de uma estrutura gelatinosa. Os movimentos vão ser percebidos e traduzidos por essas células ciliadas quando os feixes de estereocílios são defletidos Além disso, a característica principal desses órgãos otolíticos é a presença de diminutos cristais de carbonato de cálcio chamados de otólitos que estão incrustado na cobertura gelatinosa da mácula e que são de extrema importância para a sensibilidade da mácula a inclinações. Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG Isso por que quando o ângulo da cabeça é alterado ou quando ela é acelerada, é feita nos otólitos uma força que retiram esses cristais de carbonato do estado inércia a qual estavam submetidos. Com a movimentação dos otólitos, temos também a movimentação levemente da cobertura gelatinosa, que acabam se curvando, fazendo assim o movimento final dos estereocílios das células ciliadas. No entanto, para que se tenha resposta a esse movimento, é necessário que o deslocamento dos estereocílios sigam a direção do cílio mais cumprido presente nessa mácula, chamado de CINOCÍLIO. Isso por que vai ser somente nessa direção que vai haver a despolarização da célula. O movimento contrário resultará em uma hiperpolarização, que vai inibir a célula. O mecanismo de transdução das células ciliadas vestibulares é essencialmente o mesmo que o das células ciliadas auditivas. A cabeça pode se inclinar e se movimentar em qualquer direção, pois as células ciliadas do utrículo e do sáculo estão orientadas para responder efetivamente a todas direções. As máculas do sáculo estão orientadas mais ou menos verticalmente, enquanto que as máculas do utrículo estão em orientação horizontal. É importante ressaltar que o conjunto sáculo e utrículo de um lado da cabeça vai ser imagem especular do conjunto do outro lado, de modo que, quando um determinado movimento da cabeça excita células ciliadas de um lado, ele acaba inibindo as células ciliadas na localização correspondente do outro lado. Canais Semicirculares São três estruturas em forma de labirinto posicionados formando um ângulo de 90 grau entre si. Os canais semicirculares vão detectar movimentos de rotação da cabeça, como sacudi-la de um lado para o outro ou acenar, inclinando a cabeça para frente ou para trás. Eles também vão reconhecer a aceleração angular, que é gerada pelos movimentos rotacionais repentinos. Ou seja, os canais semicirculares estão relacionados a manutenção do equilíbrio dinâmico do indivíduo. Em cada um dessa canais, encontramos uma protuberância do canal que é chamada de AMPOLA. Nessa ampola, localizamos as células ciliadas dos canais agrupadas em uma camada de células chamada de crista. Das células ciliadas, se projetam os esterocílios para dentro de uma cúpula gelatinosa, que vai do lúmen do canal para dentro da ampola. Como os canais semicirculares são preenchidos com endolinfa, quando o canal sofre uma rápida rotação, o movimento mais atrasado da endolinfa devido a inércia faz uma força na cúpula que é encurvada, dobrando os esterocílios. Como nos outros processos de transdução com as células ciliadas, deve-se lembrar que dependendo da direção de rotação pode ser estimulada ou inibida a liberação de neurotransmissores das células ciliadas para as terminações axonais do nervo vestibular. Junto, os três canais semicirculares de cada lado da cabeça auxiliam na percepção de todos os ângulos possíveis de rotação da cabeça. Vale a pena ressaltar que se a rotação da cabeça for mantida em velocidade constante, a endolinfa vai acabar se movimento junto com o canal, o que vai fazer com que, após 15 a 30 segundos, reduza ou até cesse o encurvamento da cúpula. No entanto, no momento em que a rotação da cabeça e dos seus canais cessa, a inércia da endolinfa vai provocar a inclinação da cúpula na outra direção, gerando uma Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG resposta oposta das células ciliadas. Isso causa uma sensação temporária de rotação no sentido contrário. Esse sistema explica o porquê de uma criança perder o equilíbrio sempre que para de repente degirar, por exemplo. Vias Vestibulares Centrais e Reflexos Vestibulares As vias vestibulares centrais são responsáveis pela coordenação e integração entre os movimentos da cabeça e do corpo. Elas são utilizadas para controlarem a eferência dos neurônios motores que ajustam a posição da cabeça, dos olhos e do corpo. Os axônios vestibulares primários do VIII nervo craniano fazem conexões diretas com os núcleos vestibulares. Os axônios dos núcleos vestibulares (2° ordem) se projetam para vários locais, conforme a via consciente ou inconsciente. - Via inconsciente: é a que se direciona ao cerebelo (lóbulo flóculo-nodular) através do fascículo vestíbulo-cerebelar; Auxiliando na coordenação do movimento do olhos, da cabeça e da postura. - Via consciente: cujo trajeto é ainda obscuro, porém há projeções no córtex, no lobo parietal, próximo à inervação somestesica da face. As informações dos núcleos vestibulares destinam-se também para: 1) Núcleos óculomotores (III par): controla o movimento dos olhos durante a movimentação da cabeça e do corpo (reflexo vestíbulo-ocular) 2) Do núcleo vestibular lateral para os Neurônios motores espinhais via tracto vestíbulo-espinhal dos membros posteriores, auxiliando na manutenção da postura 3) Do núcleo vestibular medial para neurônios motores dos músculos do tronco e do pescoço através do fascículo longitudinal medial, que orientam a cabeça e auxiliam no endireitamento dela mesmo quando o corpo está balançando ou girando. 4) Conexão com o tálamo e, então, com o neocórtex. Os núcleos vestibulares enviam axônios ao nécleo ventral posterior do tálamo que se projeta para regiões próximas à representação da face, do córtex somatossensorial primário e na área cortical primária. Ocorre integração cortical das informações sobre os movimentos corporais, dos olhos e do campo visual. Acredita-se que o córtex mantenha a função principalmente de representação da posição e orientação do corpo no espaço, sendo essencial para a percepção de equilíbrio e para o planejamento e execução de ações complexas e coordenadas. 3) Formação reticular 4) Complexo vestibular contralateral Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG - Reflexo Vestíbulo-ocular (RVO) Essa função é de grande importância pois permite que os olhos continuem orientados em uma direção mesmo quando se é feito movimentos na cabeça, como, por exemplo, quando uma pessoa está dançando muito. Esse reflexo vestíbulo-ocular atua de forma que, quando ocorre o reconhecimento das rotações da cabeça, é realizado um movimento compensatório dos olhos na direção oposta, fazendo com que ele mantenha a linha de visão fixa em um alvo visual. Esse reflexo atua de forma satisfatória até no escuro, uma vez que não depende da aferência visual para acontecer, somente da aferência vestibular. A eficiência do RVO depende de conexões complexas dos canais semicirculares no núcleo vestibular e desse aos núcleos cranianos que vão excitar os músculos extra- oculares. Citar as causas mais prevalentes de perda auditiva e as possíveis medidas de prevenção. A saúde, como direito universal e dever do Estado, é uma conquista do cidadão brasileiro, expressa na Constituição Federal e regulamentada pela Lei Orgânica da Saúde. No âmbito deste direito encontra-se a saúde do trabalhador. Entre as estratégias para a efetivação da Atenção Integral à Saúde do Trabalhador, destaca-se: - implementação da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador com o objetivo de integrar a rede de serviços do SUS voltados à assistência e à vigilância, além da notificação de agravos à saúde relacionados ao trabalho em rede de serviços sentinela Quando se estudam as perdas auditivas de origem ocupacional, deve-se levar em conta que há outros agentes causais que não somente podem gerar perdas auditivas, independentemente de exposição ao ruído, mas também, ao interagir com este ruído, potencializar os seus efeitos sobre a audição. Entre outros, podem ser citados a exposição a certos produtos químicos, as vibrações e o uso de alguns medicamentos. O ruído pode ser visto como o risco de agravo à saúde que atinge maior número de trabalhadores. Estudos apresentados na ECO 92 indicam que 16% da população dos países ligados à Cooperação de Desenvolvimento Econômico (ODCE), algo em torno de 110 milhões de pessoas, está exposta a níveis de ruído que provocam doenças no ser humano. O ruído se torna mais perigoso ainda quando se trata de um ruído no ambiente de trabalho devido há uma série de fatores, como intensidade, tempo de exposição e efeitos combinados a outros fatores de riscos, como produtos químicos ou vibrações. Agentes químicos ou ambientais podem, em alguns casos, causar perdas auditivas com as mesmas características audiométricas das perdas por ruído. Estudos já mostram que os efeitos dos solventes podem ser detectados a Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG partir de dois ou três anos de exposição, mais precocemente do que os efeitos dos ruídos. Quando o ruído é intenso e a exposição a ele é continuada, em média 85dB(A) por oito horas por dia, ocorrem alterações estruturais na orelha interna, que determinam a ocorrência da Pair (Perda auditiva induzida por ruídos). Admite-se que quando o trabalhador é exposto há um número de 90DB já se deve reduzir o horário há metade, devendo a exposição ser de 4 hrs. A Pair é o agravo mais freqüente à saúde dos trabalhadores, estando presente em diversos ramos de atividade, principalmente siderurgia, metalurgia, gráfica, têxteis, papel e papelão, vidraria, entre outros. Além dos sintomas auditivos frequentes – quais sejam perda auditiva, dificuldade de compreensão de fala, zumbido e intolerância a sons intensos –, o trabalhador portador de Pair também apresenta queixas, como cefaléia, tontura, irritabilidade e problemas digestivos, entre outros. Quando a exposição ao ruído é de forma súbita e muito intensa, pode ocorrer o trauma acústico, lesando, temporária ou definitivamente, diversas estruturas do ouvido. - Prevenção Sendo o ruído um risco presente nos ambientes de trabalho, as ações de prevenção devem priorizar esse ambiente. Existem limites de exposição preconizados pela legislação, bem como orientações sobre programas de prevenção e controle de riscos, os quais devem ser seguidos pela empresa. É um dever do Ministério do Trabalho, por meio das Delegacias Regionais do Trabalho (DRT), e ao serviço de vigilância à saúde a fiscalização do cumprimento da legislação pertinente. As empresas devem manter, de acordo com as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho, um Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA–NR9), no qual osdiversos riscos existentes no trabalho devem ser identificados e quantificados para, a partir dessa informação, direcionar as ações do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO-NR7), que procederá às avaliações de saúde dos trabalhadores. As ações educativas junto aos trabalhadores, para que compreendam a dimensão do problema e as formas de evitá-lo, são fundamentais no controle da Pair. Isso por que a melhor forma de prevenção é a informação. Portanto, ao saber que o ruído provoca perda auditiva e que sua acuidade auditiva deve ser acompanhada, o trabalhador já ficará mais sensibilizado para essa questão e poderá buscar orientações especializadas num Centro de Referência de Saúde do Trabalhador O serviço de assistência à saúde, em qualquer nível, deve orientar o trabalhador a respeito do risco auditivo e acompanhar sua condição auditiva no decorrer do tempo, dando subsídios aos serviços de fiscalização e recebendo outros casos, por eles encaminhados. Outras causas! Segundo censo realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE, cerca de 9,7 milhões de brasileiros possuem deficiência auditiva (DA), o que representa 5,1% da população brasileira. 1. A causa mais comum para a perda de audição é o processo de envelhecimento natural. 2. Alguns tipos de doenças como a meningite, síndrome de Meniere ou tumores benignos no nervo auditivo podem causar perda auditiva. 3. A exposição prolongada a barulhos altos pode causar uma perda auditiva permanente. 4. A perfuração do tímpano que pode ser provocada por uma alteração súbita da pressão de ar (ocorre num avião ou ao fazer mergulho), objetos estranhos (ex: um Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG cotonete para limpar os ouvidos), ou pressão causada por uma infecção do ouvido médio. 5. Outro fator-chave para o problema é a genética. Estima-se que mais de 50% dos casos de surdez na infância tenha origem hereditária ou foi adquirida no parto. Legislação! A cada seis meses, é dever do contratante fazer a audiometria dos trabalhadores para analisar como está o estado auditivo dele. Se a cada seis meses ele tiver uma perda maior que 5 dB, o empregador deve afastar esse trabalhador do ruído, fazer rodízios com esse trabalhador. Além disso, o empresário pode tentar isolar a fonte sonora ou comprando equipamentos mais silenciosos, visando a melhoria do ambiente de trabalho. É necessário que o empregador instrua os trabalhadores a utilizar os equipamentos de proteção individual. É caso de alteração na audiometria, o trabalhador pode solicitar a mudança de posto de trabalho para aumentar a distância da fonte sonora ou solicitar um EPI mais eficiente. Em caso de perda de trabalho por conta dessa perda de audição, há uma idenisação por danos morais que se chama “Perda de uma chance”. Citar os métodos diagnósticos clínicos e complementares disponíveis para avaliação da acuidade auditiva e do equilíbrio Sabendo da complexidade do nosso sistema auditivo, temos exames que tem o principal objetivo de detectar a capacidade do paciente de ouvir e interpretar os diferentes sons. Esses exames são simples e indolores, sendo necessário apenas uma cabina acústica, um otoscópio e um audiômetro (fone de ouvido, vibrador ósseo e microfone). Vale lembrar que a perda auditiva é um problema comum com a idade, mas pode ser causado por diversos fatores – genética, doenças infecciosas (como rubéola, meningite, caxumba ou sarampo), traumas acústicos ou fatores congênitos. A exposição a ruídos intensos também representa risco, principalmente no ambiente de trabalho. Por isso, é necessário que os trabalhadores expostos sejam submetidos a exames audiométricos periódicos. O resultado é medido em decibéis, com a possibilidade de detectar se há: - audição normal (até 25 dB) - Perda auditiva leve (26 a 40 dB), - Perda auditiva moderada (41 a 70 dB) - Perda auditiva severa (71 a 90 dB) - Perda auditiva profunda (acima de 91 dB). Existem três tipos principais de exames auditivos que são considerados na avaliação básica da audição e cada um deles cumpre uma função específica no diagnóstico. - Audiometria tonal: É um dos exames mais comuns nos consultórios, no qual são analisados as respostas a diversos tipos de frequências sonoras. Ele vai permitir dizer qual é o limiar auditivo do paciente, em um espectro de frequência que varia de 250 Hz a 8.000 Hz. https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72992003000100016 https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72992003000100016 https://serconmed.com.br/presbiacusia-a-perda-auditiva-gerada-pela-idade/ https://serconmed.com.br/sarampo-perigo-para-audicao-das-criancas/ Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG Além disso, ele também pode informar qual a causa da perda auditiva, se é neurossensorial (quando os danos estão no ouvido interno e nos nervos) ou se é condutiva (com problemas na orelha externa ou no ouvido médio) ou mista. - Audiometria vocal (logoaudiometria) Esse exame avalia a detecção e reconhecimento da fala humana para confirmação dos valores obtidos na audiometria tonal. O paciente vai ser submetido a vários sons com diferentes intensidades e precisa repetir as palavras que são ditas pelo examinador. É utilizado como um auxiliar no diagnóstico de doenças psiconeurológicas, além de atuar na seleção e adaptação de aparelhos auditivos (AASI). - Imitanciometria Esse exame vai avaliar o funcionamento das estruturas do sistema auditivo, como a flacidez ou rigidez da membrana timpânica, as medidas de pressão na orelha média e a função da tuba auditiva, sendo complementar a audiometria tonal. Ele é realizado de forma simples em que é colocado uma sonda em um dos ouvidos e um fone de ouvido no outro. Depois disso, é feita uma pressão pela sonda, além de ela ter um pequeno canal que force estímulo sonoro e outro que retransmite as respostas a esses estímulos. Com isso, é possível avaliar o grau de deslocamento do sistema tímpano- ossicular. - Avaliação otoneurológica A triagem otoneurológica é o principal exame para prevenir acidentes causados por tonturas ou vertigens, pois avalia se o trabalhador possui algum distúrbio do equilíbrio corporal. São realizados três testes principais: avaliação do equilíbrio dinâmico, no qual se examina a marcha, teste da coordenação motora, para avaliar a função cerebelar, e o teste de Romberg. - O teste de Romberg Vai chegar possíveis alterações no equilíbrio estático – quando o corpo está em pé, em repouso. Nesse teste, o paciente é orientado a ficar em pé, com os braços juntos ao corpo. De início se avalia o equilíbrio do paciente de olhos fechados para depois analisarmos com olhos fechados, observando se há alterações. Se o teste de Romberg der positivo, deve se investigar as causas que podem estar diretamente relacionadas à transtornos vestibular, lesão no SNC, deficiência de Vitamina b12, neurosífilis, neuropatias periférias sensoriais. Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFGGabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG Gabrielle Nogueira – Med 3°período UniFG