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10. RM de abscesso cerebral – T1 com gado
líneo – múltiplos abscessos evidenciados pelo realce
anelar. Fonte: https://www.researchgate.net/profile/
Chaturaka_Rodrigo/publication/228086809/figure/fig1/
AS:195332412579850@1423582284997/A-magne tic-resonance-image-with-gadolinium-enhancement-
-at-initial-presentation-The-image.png
Já na ponderação em T2, o abscesso
é visualizado com centro necrótico
bas tante evidente, semelhante ao
líquor, ou seja, aparece hiperintenso
(tem hipersinal) em relação à
cápsula, que fica hipointensa. Além
disso, o edema perilesional também
fica evidente.
Figura 11. RM em T2 de abscesso cerebral. Fonte:
https://www.ispn.guide/wp-content/uploads/2017/0
5/ T2-weighted%20axial%20MRI%20abscess.jpg
Pode ainda ser usada a ponderação
de restrição de difusão líquida
(FLAIR), a qual permite melhor
visualização do edema cerebral e
nela o absces
so aparece com hipersinal, mostran
do que há uma restrição à difusão. A
ponderação em FLAIR também
ajuda a diferenciar abscessos de
tumores cerebrais, visto que a
cavidade de um abscesso mostra
intensidade de sinal elevado com
difusão diminuída, enquanto as
cavidades de um tumor necrótico
demonstram o contrário.
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HORA DA REVISÃO: Na tomografia,
as estruturas podem ser hiper ou
hipoden sas, enquanto na ressonância,
são utili zados os termos intensidade
ou sinal. A imagem da RM ponderada
em T1 pode ser identificada quando o
córtex apare ce mais escuro e a
substância branca aparece mais
branca, e além disso, o líquor aparece
apagado. A ponderação em T2, por
sua vez, pode ser identifica da por ser
o inverso de T1 com realce do líquor,
ou seja, a substância branca é
mais escura, córtex (substância cinzen
ta) é mais clara e o líquor aparece bri
lhante. A ponderação em T1 com con
traste (gadolíneo), pode ser
identificada
pelos mesmos critérios que
diferenciam T1, com o contraste
evidenciado pelas regiões vasculares
acesas por estarem cheias de
contraste. A sequência FLAIR
corresponde à uma ponderação em T2
com supressão do líquor, ou seja, o bri
lho do líquor é apagado.
Terapêutica
O tratamento do abscesso cerebral
conta uma combinação de fármacos.
Devido a risco de herniação, em pa
cientes com sinais de aumento da
PIC pode ser necessário o
tratamento do edema cerebral com
dexametaso na 10mg intravenosa,
seguida por 4 mg a cada 6 horas.
Corticosteroides normalmente
diminuem o edema em 8 horas,
mas podem retardar a for mação da
cápsula, suprimir a respos ta imune
à infecção e diminuir a pe netração
dos antibióticos, e por isso devem
ser usados em curto período
(normalmente até que seja possível
a descompressão por drenagem ou
re moção cirúrgica).
Em relação a resolução da infecção,
é recomendada antibioticoterapia
empírica, direcionada de acordo com
a etiologia bacteriana. É importante
realizar cultura em todos os pacien
tes. Aminoglicosídeos, eritromicina ,
tetraciclinas e cefalosporinas de pri
meira geração (por exemplo, cefa
zolina ) geralmente não são usados
como terapia de primeira linha para
tratar o abscesso cerebral, porque
es ses medicamentos não
atravessam a barreira
hematoencefálica em altas
concentrações. Além disso, a admi
nistração de muitos desses agentes
deve ser reduzida em pacientes com
disfunção renal. A duração dos anti
bióticos para o abscesso cerebral é
prolongada, geralmente de quatro a
oito semanas.
Sinusite
paranasal
Penicilina G cristalina ou
Cefa losporina 3ª +
Metronidazol
Otite média Penicilina G cristalina +
Metro nidazol + Ceftazidima
Infecção
dentária
Penicilina + Metronidazol
Endocardite Oxacilina ou Vancomicina +
Me tronidazol +
Cefalosporina 3ª
Sepse
urinária/
abdominal
Ceftazidima + Metronidazol
+ Penicilina G cristalina
Neurocirurgia Ceftazidima + Vancomicina
Tabela 2. Antibióticos utilizados e as
possíveis etiologias.
O tratamento não cirúrgico é
indicado para pacientes com lesões
pequenas, cujo patógeno já foi
identificado, sem sintomas ou sinais
de aumento da PIC significante, nos
casos de lesões profundas ou
inacessíveis, abscessos múltiplos
ou curta duração dos sinto
mas, que sugere que a lesão está no
estado de cerebrite, além dos pacien
tes com restrições à cirurgia.
Também são utilizados anticonvul
sivantes, visto que muitos pacientes
com abscessos cerebrais cursam
com convulsões, e deve ser mantido
o uso desses fármacos por até 3
meses após o tratamento do
abscesso. Após esse período, deve
ser suspendido o anticonvulsivante
após avaliação com TC e
eletroencefalograma.
A drenagem, (estereotáxica ou
aberta orientada por TC),
proporciona o tra tamento ideal e é
necessária para a maioria dos
abscessos solitários e ci
rurgicamente acessíveis, em particu
lar aqueles com > 2 cm de diâmetro.
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Se os abscessos têm < 2 cm de di
âmetro, somente antibióticos podem
ser experimentados, mas os abs
cessos devem então ser monitora
dos com ressonância magnética ou
tomografia computadorizada se
riadas; se o tamanho dos abcessos
aumentar depois de serem tratados
com antibióticos, drenagem
cirúrgica é indicada.
FLLUXOGRAMA – TRATAMENTO DO ABSCESSO CEREBRAL
TRATAMENTODO
ABSCESSO
CEREBRAL
DEXAMETASONA IV 10 MG, seguida por 4mg a
cada 6h
ANTIBIOTICOTERAPIA DRENAGEM
CIRÚRGICA SINTOMÁTICOS
Depende dos
Em pacientes
com aumento da PIC
para reduzir o
edema cerebral
resultados da
coloração de Gram,
se disponível, e da
provável fonte
de abscesso
Aspiração estereotáxica
ou aberta para obter
uma amostra
diagnóstica 
Anticonvulsivantes,
se
necessárioREFE
RÊNCIAS
BIBLIOGRÁFI
CAS
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ABCESSOS
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