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SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 42 PAPEL DO HIPOTÁLAMO NO CONTROLE DA
Mecanismos geradores de calor: Resposta ao frio
Quando o corpo é exposto à redu ção da temperatura, é estimulada a produção
de calor e são ativados mecanismos para evitar a perda de calor. Nesse sentido,
uma das pri meiras respostas estimuladas pelo hipotálamo posterior é a
vasoconstri ção cutânea. Desse modo, o fluxo de sangue é desviado da superfície
da pele, objetivando conservar o calor. Os nervos vasoconstritores simpá ticos
atuam principalmente nos re ceptores α-adrenérgicos, causando a
contração dos músculos lisos dos va sos sanguíneos.
Além disso, a perda de calor é reduzi da pela ereção dos pelos (piloereção). O
músculo liso eretor do pelo que co necta o folículo piloso ao tecido con juntivo da
membrana basal na pele fina é inervado pelo sistema simpá tico. Quando
estimulado, contrai-se, colocando os pelos na vertical, o que prende o ar e
aumenta a camada iso lante ao redor da pele, minimizando a perda de calor. À
medida que a pele se contrai ocorrem os “arrepios”.
Para a produção de calor, nosso
cor po recorre aos tremores,
contrações musculares
sincrônicas, rápidas e
involuntárias. O início do tremor
tem sido utilizado como indicador
de que a vasoconstrição máxima
foi alcança da. É iniciado pela área
pré-óptica hi potalâmica, mas
mediado pelo córtex motor
somático em resposta a sinais de
receptores para frio da pele em
particular; portanto, o estímulo
nor
Por fim, a atividade da tireoide e a
ati vidade neurológica simpática
tendem a aumentar o
metabolismo e, conse
quentemente, a produção de
calor. O hipotálamo, por meio de
suas co nexões difusas para as
regiões corti cais, influencia a
realização de adap tações
comportamentais ao frio que
poderiam levar o indivíduo a vestir
um casaco ou ligar o aquecedor,
por exemplo.
mal para tremer é a temperatura da
pele e não a temperatura central.
SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 44
SAIBA MAIS!
Na prática, a piloereção não é um mecanismo tão significativo em seres humanos, mas
em muitos animais a projeção vertical dos pelos reduz significativamente a perda de
calor para o ambiente.
Mecanismos de perda de calor:
Resposta ao calor
O aquecimento corporal causa
altera ções contrárias às anteriores.
A perda de calor é aumentada pela
sudore se, por meio da ativação das
glându las sudoríparas, e pela
vasodilatação cutânea, por meio da
redução do tô nus simpático dos
vasos sanguíne os cutâneos,
aumentando o fluxo de sangue,
bem como o desvio arterio venoso
do sangue para o plexo veno so
próximo à superfície da pele.
O suor é liberado pelas glândulas su
doríparas, que são distribuídas em
grande número por toda a superfície
do corpo. A transpiração é mediada
pela ativação de fibras colinérgicas
simpáticas. A evaporação do suor
permite que o calor seja transferido
para o ambiente como vapor de
água.
O principal fator limitante na capaci
dade de manter a temperatura
corpo ral diante do aumento da
temperatu ra é a disponibilidade de
água para a
produção de suor.
Por fim, a atividade da tireoide dimi
nui, levando à redução da atividade
metabólica e da produção de calor.
Os mecanismos que causam
excesso de produção de calor,
como os tremo res, são
intensamente inibidos.
SE LIGA! Lesões na região anterior do
hipotálamo impedem a sudorese e a va
sodilatação cutânea de forma que, se o
indivíduo for colocado em um ambien
te aquecido, desenvolverá hipertermia.
Por outro lado, a estimulação elétrica
do centro de perda de calor causa
vasodila tação cutânea e inibição do
tremor.
SAIBA MAIS!
Redução da atividade metabólica
A termogênese química consiste na elevação imediata do metabolismo celular diante do
au mento da estimulação simpática ou da circulação de norepinefrina e epinefrina no
sangue. Tal mecanismo resulta, pelo menos em parte, da capacidade da norepinefrina e
da epinefrina de desacoplar a fosforilação oxidativa, que significa a oxidação do excesso
de nutrientes, libe rando energia na forma de calor (não há produção de ATP). O tecido
adiposo marrom contém grande número de mitocôndrias especiais, onde ocorre o
desacoplamento dos processos oxi dativos, é ricamente inervado por fibras simpáticas
adrenérgicas e aumenta a termogênese. No ser humano adulto, quase não tem qualquer
gordura marrom, de forma que a termogê nese química aumente a produção de calor,
aproximadamente 10 a 15%. Já em lactentes, há pequena quantidade de gordura
marrom, mas a termogênese química pode aumentar a produção de calor por 100%.
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NA PRÁTICA! O fenômeno de
Raynaud consiste em episódios
reversíveis de va sosespamos das
extremidades, associa dos a alterações
de coloração típicas que ocorrem após
exposição ao frio ou em si tuações de
estresse. Geralmente, ocorre em mãos
e pés e em casos mais graves pode
também acometer o nariz, as ore lhas
ou a língua. As alterações de colo
ração ocorrem em três fases
sucessivas: palidez, cianose e rubor.
Dor e/ou pares tesias podem também
estar associadas ao quadro, causando
desconforto ao in divíduo. O fenômeno
pode ser chamado de primário,
quando não há qualquer do ença
subjacente, ou secundário, quando
está associado a outras patologias.
Figura 22. Fenômeno de Raynaud. Fon
A fisiopatologia do fenômeno de Ray
naud tem como evento central o dese
quilíbrio entre vasoconstrição e vasodi
latação, favorecendo a vasoconstrição.
Os episódios de vasoespamos
induzidos pelo frio estão associados à
hiper-reativi dade dos receptores
α2-adrenérgicos e à alteração na
produção de neuropeptídios. Além
disso, lesão e ativação endotelial
causam um desequilíbrio entre a produ
ção de substâncias vasoconstritoras e
vasodilatadoras pelas células
endoteliais,
gerando aumento na produção de en
dotelina 1, potente vasoconstritor, e di
minuição na produção de óxido nítrico
e prostaciclina, vasodilatadores.
No caso do fenômeno de Raynaud, po
dem ainda ocorrer alterações
estruturais como proliferação e fibrose
no endoté lio das pequenas artérias e
arteríolas, resultando na diminuição do
lúmen dos vasos, isto é, do fluxo
sanguíneo. Tal processo pode levar a
um estado de is quemia crônica dos
órgãos envolvidos.
8. CONTROLE CENTRAL
DA FUNÇÃO AUTÔNOMA
O sistema nervoso autônomo
trabalha em estreita colaboração
com o sistema endócrino e com o
sistema de contro le dos
comportamentos para manter a
homeostasia do corpo. A informa
ção sensorial proveniente do
sistema somatossensorial e dos
receptores viscerais segue para os
centros de controle homeostático,
localizados no hipotálamo, na ponte
e no bulbo. Esses centros
monitoram e regulam funções
importantes, como a pressão
arterial, a temperatura corporal, o
equilíbrio hí drico, a frequência
cardíaca e o grau de contração da
bexiga.
SE LIGA! Um centro autônomo consis
te na rede local de neurônios que res
pondem a impulsos provenientes de
uma fonte em particular, que influencia
neurônios distantes por longas vias efe
rentes. Por exemplo, o centro de mic
ção é o centro autônomo na ponte que
regula a micção. A maior concentração
de centros autônomos, provavelmente,
está localizada no hipotálamo.
Sinais do hipotálamo e até mesmo
do telencéfalo podem afetar as
atividades de quase todos os
centros de controle autônomos no
tronco encefálico. Por exemplo, a
estimulação em determi
nadas áreas, sobretudo do hipotála
mo posterior, pode ativar os centros
de controle cardiovasculares
bulbares
o suficiente para aumentar a
pressão arterial a mais que o dobro
do normal.
Além disso, a informação sensorial
in tegrada no córtex cerebral e no
siste ma límbico pode produzir
emoções que influenciam as
respostas autônomas, como a
sensação de “frio na barriga” e o
desmaio ao ver uma agulha. A com
preensão dos mecanismos de
controle
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hormonal e autônomo dos sistemas
corporais é a chave para entender a
manutenção da homeostasia em
prati camente todos os órgãos do
corpo.
Alguns reflexos autônomos podem
ocorrer independentemente das in