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VALOR 
LINGUÍSTICO
FERNANDO TREMOÇO
Valor 
linguístico
Chama-se valor linguístico o sentido de uma
unidade definida pelas posições relativas dessa
unidade no sistema linguístico. O valor se opõe à
significação definida pela referência ao mundo
material (a substância). Assim, as moedas, as
“notas” e os cheques são manifestações
diferentes de um só e mesmo valor; da mesma
forma, as unidades linguísticas permanecem as
mesmas, sejam quais forem os sons que as
representem; eles conservam o mesmo valor,
quer sejam realizados foneticamente, quer
graficamente. F. de Saussure utilizou a imagem
do jogo de xadrez para fazer compreender a
noção de valor linguístico; uma peça do jogo, a
rainha, por exemplo, é definida essencialmente
pela sua posição nas regras do jogo; esse “valor”
pode ser assumido por formas materiais diversas
(DUBOIS, 1978, p. 609) .
Valor linguístico
• Rede de relações contrativas
• O valor não está contido no signo linguístico em si, mas é dado na relação estabelecida
com outros signos.
• A noção de valor também diz respeito à natureza distintiva e opositiva do signo e à noção
da língua como sistema.
• Ferdinand de Saussure, considerado o pai da Linguística moderna, no século XX, ao
definir o signo linguístico disse: “O signo linguístico une não uma coisa e uma palavra,
mas um conceito e uma imagem acústica”. O signo linguístico é convencional e não
motivado. A noção saussuriana de signo linguístico filia-se à posição convencionalista
exposta em Crátilo. “Nenhum nome é dado por natureza a qualquer coisa, mas pela lei e o
costume dos que se habituaram a chamá-la dessa maneira” (CRÁTILO, p. 120).
• O signo linguístico é arbitrário, não há elo nenhum que seja natural entre significante
(imagem acústica) e significado (conceito).
Metáfora do Papel.
Metáfora da moeda: 
Semelhanças e 
Dessemelhanças 
• O valor se dá não exclusivamente nas diferenças mas num tipo de
jogo de contraste.
• Semelhanças e dissemelhanças geram o valor dos signos.
• Fatores de valor→ um ligado à arbitrariedade do signo, e outro ao
sistema da língua.
• O valor é estabelecido pelas relações sistemáticas do signo.
R$10 – blusa → Poder de troca servindo para designar uma realidade
linguística que lhe é estranha→ um signo combinado a outro de valor
diferente.
R$ 10 – 2 notas de R$5 ou 10 moedas de R$1→ condicionado pelas
relações que o unem a outros significados da língua, de modo que
não se pode aprendê-lo sem reinserir em uma rede de relação
extralinguística→ seu poder de troca está condicionado pelas
relações fixas existentes entre ele e outros objetos de mesma
natureza.
Significação→ relação interna do signo, união indissolúvel entre
significado e significante, entre um conceito e uma imagem acústica.
Valor do signo é referencial ao valor deste signo aos valores dos
outros signos no sistema→ relação externa, produção entre signos
distintos.
1. O valor do signo não vem de fora do sistema linguístico.
2. Decorre da relação com os outros signos do sistema.
3. Pode ser transferido para outro signo.
Verbo SER ≠ ESTAR na língua portuguesa.→ Têm valores distintos na medida
em que fazem parte do sistema linguístico do português.
SER→ pessoalidade, características pessoais, existência.
ESTAR→ transitoriedade, expressa estado, localização.
No inglês “To be” serve aos dois.
No português o SER vale o que o ESTAR não vale, o SER é o que o ESTAR
não é.
Em uma mesma língua, todas as palavras que exprimem ideias vizinhas se
limitam reciprocamente:
Recear, ter medo, temer→ tem valores próprios pela oposição. Caso um deles
não existisse, todo o seu conteúdo iria para seus concorrentes.
Sinônimos→ são signos diferentes que têm valor formal / conceitual
semelhante, porém têm valor substancial / material distinto. (Bonito, Belo,
Lindo).
Homônimos→ São signos que têm o mesmo valor em seu aspecto material,
porém, valores distintos em seu aspecto conceitual (banco – manga).
• A língua não comporta nem ideias
nem sons pré-existentes ao sistema
linguístico, mas apenas diferenças
conceituais e diferenças resultantes
deste sistema.
• O valor de um termo pode variar
apenas pelo fato de um termo vizinho
ter sofrido uma modificação.
• O signo é referencial, diferencial e
opositivo.
Metáfora do Xadrez
• A língua implica ao mesmo tempo um sistema
estabelecido e uma evolução, ao mesmo tempo é
produto do passado, mas é sistema, de acordo com
Ferdinand Saussure.
• Toda etapa de um jogo advém de uma etapa anterior,
mas toda etapa é jogada sem levar em conta a anterior.
É interno tudo o que provoque mudança no sistema.
• Podemos não saber exatamente qual foi a última
jogada, mas temos a noção da disposição atual das
peças no tabuleiro.
• Cada momento do jogo pode ser descrito como um
estado da língua a ser descrito.
• Cada peça tem seu valor em relação as outras.
• Cada peça tem seu funcionamento regido pela relação
com os outros, valem na oposição às outras e não
valem fora do tabuleiro
A língua é forma e 
não substância
Valor linguístico é o nome dado ao sentido de uma unidade definida pelas posições relativas
dessas unidade no sistema linguístico.
O valor se opõe à significação definida pela referência ao mundo material (a substância).
A língua não é definida por suas propriedades físicas e materiais.
• As peças dos jogo se definem unicamente pelas funções que lhe são conferidas pelas
regras do jogo.
• Suas propriedades puramente físicas são acidentais: dimensão, cores, material usado→
tudo isso pode variar.
• A troca de uma peça por outro objeto qualquer, não causa problema no jogo. Bastando que
os participantes convencionem atribuir o mesmo valor (função) da peça trocada a esse
objeto substituto.
• A noção de forma e substância é abstrata.
• Forma é função, é abstrata e subjacente, é estrutura, é
pertinente e relevante.→ valor conceitual.
• Substância é composição, matéria concreta, difusa,
indiferenciada→ realidade semântica ou fônica→ valor
material.
• Um elemento qualquer da língua (um fonema, por exemplo)
deve ser definido do ponto de vista de suas relações para com
os outros elementos do mesmo sistema e pela sua função no
interior desse sistema, e nunca à base de suas propriedades
físicas.
O valor é definido a partir das relações no interior do sistema.
Os valores dependem das funções (da forma) e não da
substância.
As substâncias materiais dos signos são acidentais e não
fundamentais.
O valor dos signos é fruto de convenções.
Mão-pão
M – P➔ Som... Substância→ valor material
Mão ≠ Pão➔ Forma→ valor conceitual
Forma e 
Substância
• Ao dizer que a língua é forma e não substância,
pretende-se dizer que ela é, ou tem, uma estrutura
e não é apenas um grupo de elementos
perceptíveis.
• Forma→ princípio básico responsável pela
organização da realidade material usada como
matéria-prima para compor a língua, ou seja, a
substância.
• Ao delimitarmos a substância no tempo e no
espaço, a forma atribui valores e funções
específicos a seus diversos recortes.
• A substância semântica pode ser a mesma para
todos, mas a forma lhe dá valores que só funcionam
em um sistema (linguístico).
• Como os recortes semânticos não são idênticos, a
transposição do vocabulário de uma língua para
outra nunca se faz do 1→ 1.
Pertinência
Propriedade que permite a um fonema, a um traço
fonológico, assegurar uma função distinta numa dada
língua, opondo-se às outras unidades do mesmo nível.
A descrição de um sistema linguístico é a descrição de
sua funcionalidade e pertinência.
Para os fonólogos estruturalistas, pouco importa se
um fonema se distingue na maneira de falar, se
levarem às mesmas unidades linguísticas: Rato;
Romance.
A pertinência está associada à função.
O que importa na descrição da língua é a forma e não
a substância linguística.

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