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Prévia do material em texto

LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO 
 
DEFINIÇÕES 
Período neonatal: do nascimento até 28 dias 
➢ Período neonatal precoce: do nascimento 
até 6 dias 
➢ Período neonatal tardio: do 7º dia de vida 
até 28 dias 
Lactente: após os 28 dias até os 2 anos de idade 
Pré-termo: <37 semanas completas 
Termo: de 37 semanas a 41 semanas e 6 dias 
Pós-termo: 42 semanas completas ou mais 
Prematuro tardio: 34-36 semanas e 6 dias 
Prematuro moderado: 32-33 semanas e 6 dias 
Muito pré-termo: 28-31 semanas e 6 dias 
Prematuro extremo: <28 semanas 
 
HISTÓRIA 
Obtenção dos primeiros dados importantes 
relativos ao RN: feita pouco tempo antes do seu 
nascimento, logo após a entrada da gestante no 
inicio do trabalho de parto. 
Muitos dados podem ser obtidos pelo cartão do 
acompanhamento do pré-natal, restringindo a 
necessidade de longos interrogatórios. 
A história clínica do RN deverá conter dados sobre 
antecedentes dos pais, de outras gestações, 
partos e evolução das crianças. Deverão constar a 
evolução da gestação atual e a evolução do parto 
e da criança, do nascimento até o momento atual. 
Ultrassom do primeiro trimestre gestacional, 
data da última menstruação e capurro somático: 
idade gestacional do bebê 
Capurro: (soma da tabela + 204)/7 
 
 
→ IDENTIFICAÇÃO 
Informações sobre o pai: 
➢ Nome 
➢ Idade 
➢ Escolaridade 
➢ Local de trabalho 
➢ Presença de doenças ou de hábitos 
inadequados como tabagismo, alcoolismo 
e uso de outras drogas: dão informações 
sobre a dimensão do risco social do RN. 
Posteriormente são usadas como fins 
educacionais, como prevenção do 
tabagismo doméstico. 
Informações sobre a mãe: 
➢ Mesmas informações solicitadas sobre o 
pai 
➢ Dados sobre o relacionamento do casal 
➢ Endereço completo e telefone de contato 
Tipo sanguíneo dos pais 
Informações relativas as doenças, cirurgias e 
transfusões anteriores 
Existência de consanguinidade entre os pais para 
malformações congênitas e/ou doenças 
metabólicas hereditárias 
 
→ ANTECEDENTES OBSTÉTRICOS 
Número de gestações anteriores, evolução 
(incluindo abortos e natimortos), tipo de parto, 
internações anteriores e diagnósticos. 
Tempo de amamentação dos filhos anteriores. 
Dados sobre a gestação atual com informações 
obtidas durante o pré-natal. Registrar quando foi 
iniciado o acompanhamento, quantas consultas 
foram realizadas e qual local. Data da ultima 
menstruação e idade gestacional aferida por 
ultrassom e quando foi realizado (quanto mais 
precoce menor a margem de erro no cálculo da 
duração da gestação; ideal é antes de 12 
semanas). 
Reconhecer a evolução do desenvolvimento fetal 
e eventuais malformações do feto no ultrassom. 
Registrar resultados dos diversos exames 
sorológicos com o tipo de reação realizada, o titulo 
e a data. Ênfase para doenças como sífilis, 
toxoplasmose, rubéola, hepatites B e C, e HIV. 
Todas as informações sobre vacinação, 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
intervenções cirúrgicas, procedimentos, 
complicações, medicamentos e hábitos. 
NOTA: Em partos RN prematuras é importante 
que se anote se a mãe recebeu corticosteroide 
antenatal e que se busque justificativa para 
ocorrência do parto antes do termo. 
 
→ DADOS DO PARTO 
Duração do trabalho de parto e da expulsão; 
Apresentação: cefálica, pélvica; 
Alterações no foco fetal e do tipo de parto, assim 
como sua indicação, caso operatório; 
Tempo de ruptura da bolsa e características do 
líquido amniótico; 
Analgesia oferecida durante o trabalho de parto: 
detalhando a droga, as doses e o tempo de 
aplicação; 
Características da placenta: peso, presença de 
calcificações, condições do cordão, número de 
vasos sanguíneos e tempo para a ligadura do 
cordão. 
 
→ CONDIÇÕES DE NASCIMENTO 
Horário de nascimento; 
Sexo; 
Gamelaridade; 
Peso: 
➢ Baixo peso: <2500g 
➢ Muito baixo peso: 1000-1500g 
➢ Extremo baixo peso: <1000g 
➢ PIG: pequeno para sua idade gestacional → 
Mães com problema placentário 
➢ GIG: grande para sua idade gestacional → 
Mães diabéticas 
➢ AIG: adequado para sua idade gestacional 
Comprimento; 
Tempo da primeira respiração, do primeiro choro; 
Momento de ligadura do cordão; 
Valores registrados na escala de Apgar ao 1º e 5º 
minutos são importante registros das condições 
de nascimento: confere uma nota ao bebe no 1º 
minuto e no 5º de vida 
➢ Frequência cardíaca 
➢ Respiração 
➢ Tônus muscular 
➢ Irritabilidade reflexa 
➢ Cor da pele 
➢ Acima de 7 é o ideal 
➢ No 5º min, se ao apgar ainda for <5 
significa hipóxia neonatal grave 
 
OBS: Após 20 min para a reanimação se o Apgar 
continuar menor que 5, porque as sequelas 
neurológicas são graves e irreversíveis. Na 
reanimação avalia o Apgar no 1º, 5º, 10º e 20º 
minuto. 
Eventuais manobras utilizadas durante a recepção 
da criança; 
Se foi submetida à aspiração das VA superiores, se 
recebeu oxigênios inalatório, ventilação com 
pressão positiva, intubação traqueal e drogas; 
Na sala de parto: 
➢ Exame físico sumario do RN; 
➢ Vitalidade 
➢ Malformações 
➢ Trauma obstétrico 
➢ Distúrbios cardiorrespiratórios 
➢ Pode ser feito com o bebê sobre o corpo da 
mãe; 
➢ Determina as condições respiratórias, 
cardiocirculatórias e malformações 
grosseiras. 
 
NOTA: Registrar se o bebê foi colocado em 
contato pele a pele com a mãe, por quanto tempo 
e se foi amamentado na sala de parto, registrando-
se quando ocorreu a primeira mamada. 
Idade gestacional corrigida (IGc): 
➢ Ajuste de idade cronológica em função do 
grau de prematuridade 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
➢ Soma as semanas até as 40 semanas, como 
se tivesse na barriga e os dias após a 
semana completa no dia da consulta. Nas 
40 semanas “considera” que o bebê 
nasceu e passa a contar as semanas de vida 
➢ Ex: em 12/07, o RN nasceu com idade 
gestacional de 33 semanas. No dia 12/08 
ele tem 1 mês de idade cronológica e 37,4 
de IGc (37 semanas e 4 dias) 
 
 
 
EXAME FÍSICO 
RN aparentemente saudável na sala de parto → 
Exame físico minucioso após alguma horas de vida 
→ Preferencialmente antes das 12 hrs de vida → 
Sempre que possível com a presença dos pais 
Controle térmico: ambiente, mãos e instrumentos 
devem estar em temperatura adequada → RN tem 
pouca capacidade de tolerar alterações térmicas 
O RN admite um exame que vai do externo para o 
interno e no sentido craniocaudal 
Será feito numa sequencia de oportunidades: se o 
RN abre os olhos examina-os, se abre a boca 
examina a boca 
NOTA: Criança dormindo é uma excelente 
condição para se aferir as frequências respiratória 
e cardíaca, palpar o abdome. 
 
→ EXAME FÍSICO GERAL: 
Ao observar: 
➢ Presença de malformações e fácies típicas, 
como trissomias do 13, 18 e 21 e síndrome 
de Pierre-Robin; 
➢ Sinais de angustia respiratória: gemidos ins 
ou expiratórios, batimentos de aletas 
nasais, retrações de fúrcula ou torácica 
(caso a criança esteja despida); 
➢ Cianose; 
➢ Alterações da frequência respiratória; 
➢ Postura normalmente é simétrica e fletida, 
semelhante à fetal → Assimétrica se 
houver algum transtorno como fratura de 
clavícula ou membros, paralisia braquial, 
lues congênita (pseudoparalisia de 
Parrot), infecções ou comprometimento 
neurológico; 
➢ Aspecto geral; 
➢ Atividade; 
➢ Intensidade do choro; 
➢ Movimentação; 
➢ Hidratação; 
➢ Normalmente o choro é forte, de timbre 
variável → Choro fraco ou gemência pode 
ser infecção ou desconforto respiratório → 
Choro monótono, agudo e intermitente 
(grito cerebral) pode ser lesão neurológica 
grave 
 
1. PELE 
• TEXTURA E UMIDADE 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
➢ RN pré-termo extremo (entre 20-22 
semanas e 37 semanas): pele muito fina e 
gelatinosa; 
➢ RN a termo (37 semanas completas a 42 
incompletas): pele lisa, brilhante, úmida e 
fina; 
➢ RN pós-termo (completa 42 semanas e o 
bebê ainda não nasceu) ou com 
insuficiência placentária:pele seca, 
enrugada, apergaminhada e com 
descamação acentuada; 
➢ Hipotireoidismo congênito: pele seca e 
áspera. 
• COR 
➢ A pele normal do RN é rosada; 
➢ Filhos de pais negros podem apresentar 
pele clara no nascimento, observa maior 
quantidade de melanina nos mamilos, 
região periungueal, na pele da borda do 
umbigo e na genitália; 
➢ Pletora (aumento de volume de sangue no 
organismo, que provoca inturgescência 
vascular): RN policitemicos, 
hiperoxigenados ou com hipertermia; 
➢ Palidez acentuada: anemia (aguda ou 
crônica), vasoconstrição periférica ou 
choque → Traduz situação grave e deve 
sempre ser investigada! 
➢ Fenômeno de Arlequim: linha delimitando 
um hemicorpo com eritema e outro com 
coloração normal → Benigna, causa 
desconhecida, algum grau de instabilidade 
vasomotora; 
 
➢ Cianose: coloração azulada, pelo menos 5g 
de hemoglobina não saturada, 
relativamente comum no RN → É comum 
cianose de extremidades (acrocianose) 
que se apresentam frias ao toque 
 
➢ Cianose central: preocupante e associada a 
doenças cardiorrespiratórias! 
➢ Líquido amniótico meconiado: pele e coto 
umbilical podem estar impregnados, 
apresentando cor esverdeada 
característica 
• PRESENÇA DE MILIUM SEBÁCEO 
➢ Presente em 40% dos RN 
➢ Pequenos pontos brancos (menor que 
1mm) localizados na base do nariz, queixo 
e fronte, devido a distensão e obstrução 
das glândulas sebáceas, decorrentes da 
ação do estrógeno materno 
➢ Desaparecem em poucas semanas 
 
 
• PRESENÇA DE LANUGO 
➢ Pelos finos que costumam recobrir a região 
do ombro e da escapula 
➢ Mas abundante em RN prematuro 
➢ Desaparece em alguns dias 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
 
• PRESENÇA DE VÉRNIX CASEOSO 
➢ Material gorduroso e esbranquiçado que 
recobre o RN prematuro entre 34 e 36 
semanas 
➢ Função de proteção química da pele 
(espécie de antibiótico natural) e 
isolamento térmico 
➢ Pode ser retirado após o estabelecimento 
do controle térmico 
➢ Em RN a termo a quantidade costuma ser 
menor, podendo ser observados nas 
dobras 
 
• PRESENÇA DE MANCHA MONGÓLICA 
➢ Manchas azul-acinzentadas 
preferencialmente no dorso e nas regiões 
glútea e lombossacral, podendo ser 
disseminada 
➢ É uma imaturidade da pele na migração 
dos melanócitos, relacionada a fatores 
raciais → Mais comuns nas raças negras e 
oriental 
➢ Regridem nos primeiros 4 anos 
 
 
NOTA: Atentar a não mencionar o nome mancha 
mongólica pela estigma do termo. 
• ERITEMA TÓXICO 
➢ Primeiros dias de vida 
➢ Lesões eritematosas multiformes: 
pápulas, másculas e até algumas vesículas 
➢ Esparsas ou confluentes 
➢ Ao exame microscópico da secreção da 
lesão: migração eosinofilica 
➢ Causa desconhecida 
➢ São benignas e migratórios! 
➢ Pode ser desencadeado por estímulos 
mecânicos de atrito ou pressão na pele 
➢ Regride espontaneamente e geralmente 
em poucas horas 
 
• IMPETIGO 
➢ É confundido com eritema toxico, só que é 
fixo, sem migração e com bactéria em seu 
liquido interior 
➢ Infecção piogênica, mais comum por 
Staphylococcus aureus 
➢ Inicia com lesões eritematosas 
puntiformes → Um ou dois dias depois → 
Vesículas → Pustulizam e tornam-se bolhas 
(impetigo bolhoso) 
➢ Se propagam por inoculação e quando se 
rompem forma crostas amarelo-
acastanhadas 
➢ Pode contaminar crianças próximas 
➢ Tratamento: soluções antissépticas e 
cremes antibióticos; em casos mais grave é 
necessário antibioticoterapia sistêmica 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
• MÁCULAS/MANCHAS VASCULARES 
➢ Manchas de cor salmão que desaparecem 
à pressão 
➢ Principalmente na nuca, pálpebra superior 
e fronte 
➢ Sem importância clinica ou estética! 
➢ As de face desaparecem em alguns meses, 
as da nuca podem persistir 
➢ Ao fazer digitopressão na mancha ela some 
➢ “Bico da cegonha” 
 
• MELANOSE POSTULAR TRANSITÓRIA 
➢ Até 48 horas de vida 
➢ Geralmente o bebê já nasce com as bolhas 
estouradas 
➢ Presença de colarete, o centro é mais claro 
➢ Mais frequente em afrodescendentes 
 
• HEMANGIOMAS 
➢ Formas vasculares mais extensas e 
elevadas 
➢ Tumor benigno, mal formação vascular 
➢ Proliferação de rede venosa 
➢ Podem ter significado patológico 
➢ Se localizadas em segmento cefálico e face, 
com coloração vinhosa pode ser angiomas 
das leptomeninges (Síndrome de Sturge-
Weber), relacionando a convulsões e 
hemiplegias 
➢ Hemangioma cavernoso: composto de 
elementos vasculares maduros e grandes, 
que na maioria dos casos cresce no 
primeiro ano de vida e regride após. 
 
OBS: Bolha se sucção: bebês com habito de sugar 
desde o período intrauterino. Ao romper ficar com 
o aspecto da foto. 
• EQUIMOSES: MÁSCARA EQUIMÓTICA 
➢ Manchas comuns, sobretudo em RN 
prematuros 
➢ A localização depende da apresentação e 
dos traumas sofridos, principalmente 
durante o parto 
➢ Mascara cianótica ou equimótica: 
equimose na face com aspecto de cianose, 
geralmente sem relevância clínica. Cordão 
umbilical ficou ao redor do pescoço 
 
• PETÉQUIAS 
➢ São localizadas 
➢ Se restritas ao rosto não são motivo de 
preocupação 
➢ Se generalizadas devem ser investigadas 
NOTA: Reabsorção do sangue extravasado pode 
contribuir para o aumento tardia dos níveis de 
bilirrubina 
• PRESENÇA DE ICTERÍCIA 
➢ Cor amarelada da pele por impregnação 
de bilirrubina 
➢ Comum, principalmente em crianças entre 
48 e 120 horas de vida 
➢ Exame deve ser feito a luz natural para 
detectar mais facilmente 
➢ Deve descrever a intensidade da coloração 
e sua distribuição 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
➢ Sempre deve ser causa investigada se 
detectadas nas primeiras 24h de vida ou se 
forma intensa! 
 
2. SUBCUTÂNEO 
A quantidade de tecido subcutâneo pode ser 
aferida pela prega cutânea 
• PREGA CUTÂNEA 
➢ Cerca de 1cm nos RN a termo e 
uniformemente distribuída pelo corpo 
➢ Prega cutânea: indica o deposito do 
gordura da criança e o turgor da pele 
➢ Turgor firme: bom estado nutricional 
➢ Turgor frouxo: crianças emagrecidas 
➢ Turgor pastoso: lento retorno do tecido 
subcutâneo após seu pinçamento, típico 
de desidratação em crianças maiores e de 
desnutrição ao final da gestação em RN 
(por insuficiência placentária) 
• EDEMA 
➢ Pálpebras 
➢ RN prematuros: edema duro em MMII e na 
região genital que regride em dias 
(linfedema) 
➢ Síndrome de Turner: edema acentuado no 
dorso das mãos e pés 
 
3. GÂNGLIOS 
• CADEIAS GANGLIONARES 
➢ Palpar todas: cervicais, occipitais, 
submandibulares, axilares e inguinais 
➢ Descrever o número de gânglios palpáveis, 
tamanho, consistência, mobilidade e sinais 
inflamatórios 
➢ Habitualmente o RN apresenta raros 
pequenos gânglios em torno de 3mm 
➢ Infecções congênitas: hipertrofia 
ganglionar 
 
4. MUCOSAS 
➢ Cor 
➢ Umidade 
➢ Presença de lesões 
 
5. MUSCULATURA 
• TÔNUS 
➢ O RN a termo em decúbito dorsal 
apresenta os MMSS fletidos e os MMII 
semifletidos, cabeça lateralizada e mãos 
cerradas 
➢ O tônus depende da idade gestacional: 
quanto mais próximo do termo, maior o 
tônus flexor 
• TROFISMO 
➢ É averiguado pela palpação do musculo 
peitoral 
➢ Leve extensão do braço → Músculo 
peitoral apresenta-se fácil à palpação 
➢ Espessura de 1cm é o trofismo adequado 
 
6. ESQUELETO E ARTICULAÇÕES 
• EXAME DAS MÃOS 
➢ Atentar para as pregas palmares 
➢ Hipotonia fetal, como na síndrome de 
Down: prega palmar única em ambas as 
mãos associada à ausência de prega 
falangiana do 5º quirodáctilo 
• SIMETRIA 
➢ Adequação dos movimentos dos membros 
➢ Movimentação dos MMSS: pode ser 
comprometida por lesões traumáticas no 
parto 
• PARALISIAS 
➢ Decorrentes do estiramento exagerado do 
plexo braquial no parto podem apresentar 
formas diversas → O RN fica com o 
membro superior paralisado, em rotação 
interna 
➢ Deve descartar fraturas da clavícula ou da 
região proximal do úmero que podem 
coexistir com lesões neurológicas ou 
simular 
•LESÕES NEUROLÓGICAS 
➢ Neuropraxia: lesões leves, distúrbio motor 
é por edema da raiz nervosa e desparece 
entre 1 e 2 semanas com recuperação 
completa da função 
➢ Axonotmese: é a ruptura das fibras 
nervosas, recuperação mais lente e 
incompleta 
➢ Neurotmese: é a ruptura completa da raiz, 
são as lesões mais graves e a recuperação 
espontânea nunca ocorre 
• MANIFESTAÇÃO CLÍNICA DA PARALISIA 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
➢ Raízes de C5-C6: paralisia de Erb-
Duchenne, afeta principalmente músculos 
do ombro e cotovelo, preservando a mão 
➢ Raízes de C7-C8-T1: paralisia de Klumpke, a 
musculatura do ombro é preservada e da 
mão é afetada 
➢ Lesão total: todas as raízes são lesadas e o 
membro superior é balouçante, podendo 
haver paralisia diafragmática 
• FRATURA DE CLAVÍCULA 
➢ Pode causar restrições de movimentação 
do membro correspondente devido à 
intensa dor 
➢ Diagnostico é pela palpação da clavícula → 
Se houver fratura, pode-se sentir 
crepitação local e observar manifestação 
de dor 
➢ Bebê evolui bem. Se houver lesão do plexo 
manda para o ortopedista e fisioterapeuta 
➢ Utilização de tipoia e manipulação 
cuidadosa do membro envolvido 
➢ Não é necessária realização de exame 
radiológico porque o achado não muda a 
conduta clínica! 
 
 
• ARTICULAÇÃO COXO-FEMURAL 
➢ Precisa afastar a presença de displasia do 
desenvolvimento do quadril → Há 
instabilidade da articulação coxofemoral 
ao nascimento devido ao fato de o 
acetábulo ser mais raso e a capsula mais 
frouxa → Permite a mobilização 
inadequada da cabeça do fêmur (fica 
parcialmente desencaixada do acetábulo) 
➢ Graves limitações na deambulação futura 
se não for adequadamente tratada no 
período neonatal 
➢ Displasia unilateral: assimetria das pregas 
glúteas e encurtamento do membro 
afetado. Porém mais frequentemente não 
provoca deformidades, não limita os 
movimentos e é indolor, ou seja, o RN é 
aparentemente normal, nesse caso a 
displasia só será diagnosticada se for 
investigada → Manobras de Barlow e de 
Ortolani + exame ultrassonográfico 
auxiliam no diagnostico 
➢ Tratamento: manobra de Ortolani 
(encaixar o quadril e manter a posição de 
abdução e flexão do quadril com uso de 
aparelhos ortopédicos por 3 meses 
ininterruptamente) 
• MANOBRA DE ORTOLANI 
➢ A criança é colocada em decúbito dorsal, 
segurando-se os MMII com os joelhos 
dobrados e quadril fletidos a 90º e 
aduzidos (junto a linha média). Nessa 
posição faz-se a abdução das coxas com 
leve pressão nos joelhos 
➢ A manobra deve ser refletida varias vezes, 
simultaneamente, para os dois lados dos 
quadris ou fixando-se um lado e testando o 
outro, aplicando diferentes pressões 
➢ Pequenos estalidos (“clicks”) pela 
movimentação e pelo deslize de fáscia ou 
tendão sobre saliências óssea é normal 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
 
 
➢ Ortolani positivo: quando existe 
instabilidade coxofemoral a manobra faz 
com que a cabeça do fêmur se encaixe no 
fundo do acetábulo que é percebido nas 
mãos com um “click” 
➢ MANOBRA DE BARLOW: é a de Ortolani ao 
contrário, em adução 
 
• EXAME DOS PÉS 
➢ Observar o posicionamento 
➢ Tem que diferenciar o pé torto posicional, 
decorrente da posição intraútero, do pé 
torto congênito 
➢ Quando o pé torto é posicional, o 
examinador, com manobra delicada, pode 
corrigir a posição do pé para uma postura 
fisiológica → Caso benigno, resolução se dá 
por meio de fisioterapia por manipulação 
diária 
➢ O pé torto congênito não é redutível por 
manobras e necessita de tratamento 
ortopédico 
➢ Pé equino: calcanhar está elevado e o 
antepé caído 
➢ Pé varo: há torção do pé fazendo com que 
sua face plantar fique voltada 
medialmente 
➢ Pé aduto: antepé está desviado 
medialmente 
➢ Pé cavo: forma uma prega transversal na 
planta do pé 
• COLUNA VERTEBRAL 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
➢ Deve palpar a linha media da coluna 
vertebral na busca de espinha bífida, 
meningocele e outros 
 
 
➢ Disrafismos ocultos da espinha: lesões da 
coluna que não são obvias ao exame do RN 
➢ É importante verificar a integridade da pele 
no fundo da fosseta, para se afastar a 
possibilidade de contaminação da espinha 
➢ Verificação do sentido da fixação da 
fosseta: faz um movimento da pele 
adjacente no sentido cranial e caudal. 
Quando o defeito fica menos obvio com o 
movimento na direção cefálica e mais 
evidente com a tração da pele no sentido 
caudal, é indicativo de que a fixação é 
superior, o que significa maior risco 
→ EXAME FÍSICO ESPECIAL 
1. CRÂNIO 
• ASSIMETRIAS 
➢ Inicia verificando 
• PALPAÇÃO DAS SUTURAS CRANIANAS 
➢ São comuns as sobreposições das bordas 
dos ossos do crânio (cavalgamentos) que 
desaparecem em poucos dias e disjunções 
de suturas (sem qualquer expressão 
patológica) 
➢ Craniossinostose: quando ocorre fusão 
intrauterina das suturas e o osso para de 
crescer, ocorrendo afundamento local com 
assimetria do crânio 
• PALPAÇÃO DAS FONTANELAS 
➢ Tamanho: medido em centímetros nas 
diagonais 
➢ Tensão 
➢ Abaulamentos ou depressões 
➢ Pulsações 
➢ Fontanela bregmática: formada na 
confluência dos ossos frontal e parietais 
em forma de losango, apresenta tamanho 
variável no RN a termo 
➢ Fontanela bregmática abaulada: aumento 
da pressão intracraniana, meningite, 
hidrocefalia, edema cerebral ou 
hemorragia intracraniana 
➢ Fontanela bregmática deprimida: 
desidratação 
➢ Fontanela lambdoide: entre os ossos 
parietais e occipital, geralmente é 
pequena/justaposta. Se grande pode 
associar a doenças como hipotireoidismo e 
síndrome de Down 
 
 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
 
• CRANIOTABES 
➢ Ao fazer pressão suave sobre os ossos do 
crânio detecta uma área depressível 
➢ Semelhante a palpação de bola de pingue-
pongue 
➢ Costuma desaparecer em meses 
• PALPAÇÃO DO COURO CABELUDO 
➢ Detecta abaulamentos com relativa 
frequência 
➢ Bossa serossanguínea: edema de partes 
moles na área de apresentação, não 
respeita o limite dos ossos do crânio, é 
depressível e regride nos primeiros dias 
pós-parto. Acontece pelo prolongamento 
do tempo do bebê no canal de parto. 
Consistência amolecida por ser serosa, 
abaixo da pele 
 
➢ Céfalo-hematoma: há rompimento de 
vaso subperiostal secundário ao 
traumatismo do parto. A consistência é de 
conteúdo liquido e restringe ao limite do 
osso, geralmente o parietal. Acontece pelo 
prolongamento do tempo do bebê no 
canal de parto. Houve ruptura de vasos 
abaixo do periósteo, conteúdo 
hemorrágico. Sensação de endurecido. 
Respeita os limites das suturas, enquanto a 
bossa não respeita. 
 
 
• PERÍMETRO CRANIANO 
➢ Deve ser medido com fita métrica 
inextensível passando pela glabela e 
proeminência occipital 
➢ No RN a termo varia de 33 a 37 cm 
NOTA: Se a criança for prematura deve levar em 
conta sua idade cronológica corrigida → Subtrai da 
idade real da criança o numero de semanas que 
faltaram para que completasse 40 semanas de 
gestação 
 
2. OLHOS 
➢ As pálpebras geralmente encontram-se 
edemaciadas devido a instilação do nitrato 
de prata 
➢ Observar a distância entre os olhos 
➢ Distancia intercantal interna: entre os 
cantos internos das pálpebras 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
➢ Posição da fenda palpebral: 
transversal/normal ou oblíqua/anomalias 
congênitas 
 
➢ Presença de sobrancelhas, cílios e epicanto 
➢ Elevando-se o RN a posição semissentada 
de forma rápida consegue a abertura dos 
olhos e verificação da mobilidade das 
pálpebras 
➢ Frequentemente observa hemorragias 
subconjuntivais: hiposfagamo. Lesão 
causada durante o trabalho de parto 
➢ A esclera é branca ou levemente azulada 
nos RN pré-termo 
➢ Cor da esclera azul mais intensa está 
associada a osteogênese imperfeita 
➢ Esclerótica: são comuns hemorragias 
benignas decorrentes do parto e 
desaparecem com o tempo 
➢ Estrabismo transitório e nistagmo 
horizontalpodem ser observados 
➢ Deve pesquisar exoftalmia, microftalmia 
(córnea menor que 9mm), opacificaçao da 
córnea, catarata, glaucoma congênito 
(córnea maior que 11mm) e 
lacrimejamento anormal por obstrução do 
canal lacrimal (dacrioestenose) 
➢ O exame da mucosa conjuntival costuma 
estar prejudicado devido á irritação 
causada pela solução de nitrato de prata a 
1% instilada nos olhos do RN como 
medida de prevenção da conjuntivite 
gonocócica. É uma conjuntivite química 
nas primeiras horas de vida. 
 
• TESTE DO OLHINHO 
➢ Reflexo vermelho do fundo do olho: indica 
adequada transparência da córnea e 
cristalino, com o auxílio do oftalmoscópio 
em quarto escuro a cerca de 40/50cm de 
distancia 
➢ Pode auxiliar na identificação de eventuais 
“massas” esbranquiçadas intraoculares 
➢ Simetria entre as pupilas 
➢ Reatividade pupilar ao estimulo luminoso 
➢ Presença de midríase ou miose 
 
3. OUVIDOS 
• FORMA 
➢ É preciso que haja grande alteração do 
pavilhão para considerar que a forma foge 
dos padrões normais 
 
• CONSISTÊNCIA 
➢ Aumenta com a idade gestacional 
➢ RN a termo: o pavilhão tem consistência 
gelatinosa, voltando rapidamente a 
posição normal quando solto após ser 
dobrado 
➢ RN pré-termo: o pavilhão não retorna a 
posição inicial após ser dobrado, é liso em 
sua borda superior 
• IMPLANTAÇÃO DOS PAVILHÕES 
AURICULARES 
➢ Pode ser aferida trançando um plano 
imaginário que passa pela fenda palpebral 
e se estenda horizontalmente em direção 
as orelhas 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
➢ A borda superior da orelha deve estar um 
pouco acima dessa linha 
➢ Implantação baixa da orelha: associada a 
defeitos renais, malformação do primeiro 
arco braquial e anomalias cromossômicas. 
Pode ser acompanhada de rotação 
posterior do eixo do pavilhão auricular 
 
• PRESENÇA DE CONDUTOS AUDITIVOS 
EXTERNOS 
➢ Reflexo cócleo-palpebral: observa se o RN 
responde piscando os olhos à emissão de 
um ruído próximo ao ouvido 
➢ Independente do resultado é obrigatório o 
rastreamento da deficiência auditiva por 
meio de medidas fisiológicas da audição, o 
teste da orelhinha 
• FÍSTULAS RETROAURICULARES 
• APÊNDICES PRÉ-AURICULARES 
• AVALIAR FUNÇÃO DO SISTEMA AUDITIVO 
 
4. NARIZ 
➢ Permeabilidade nasal ao ar ins e expirado 
pode ser observado com o RN calmo, 
dormindo e com boca fechada 
➢ Obstrução nasal e espirros são comuns 
➢ Batimentos da aletas nasais são visíveis em 
RN com dificuldade respiratória 
➢ Deformidades e malformações ocorrem 
por defeitos intrínsecos do osso do nariz 
(trissomias 18 e 21) ou por pressão 
extrínseca intraútero ou no momento do 
parto 
➢ Presença de coriza mucoide, 
mucopurulenta ou 
mucopiossanguinolenta é rara → Sugere 
lues congênita 
 
5. BOCA 
➢ Pode ser feito durante o choro 
➢ Não precisa do abaixador de língua 
➢ O estimulo da pressão suave na transição 
mucosa-pele do lábio inferior e leve tração 
da mandíbula para baixo facilita a abertura 
da boca 
➢ Desvio da comissura labial durante o choro 
→ Paralisia facial decorrente de posturas 
anormais intraútero ou trauma de parto 
• MUCOSAS 
➢ Observa inicialmente as mucosas → Aftas 
de Bednar decorrentes de lesão traumática 
por aspiração ou limpeza agressiva durante 
o parto 
➢ Saliva espessa → Desidratação 
➢ Sialorreia → Atresia de esôfago 
• PALATO 
➢ Deve avaliar a forma e integridade 
➢ Forma: normal ou em ogiva 
➢ Fenda palatino isolada ou associada a lábio 
leporino 
➢ Perolas de Epstein: pequenas formações 
esbranquiçadas junto à rafe mediana 
compostas de restos celulares, sem 
repercussões clinicas 
➢ Palato mole: úvula bífida e tumores 
• GENGIVA 
➢ Cistos de retenção gengival 
➢ Dentes supranumerários: devem ser 
avaliados quanto a implantação. Se 
frouxos e com raízes fracas devem ser 
extraídos 
➢ Tamanho e mobilidade da língua 
➢ Macroglossia: hipotireoidismo ou 
síndrome de Beckwith-Wiedemann 
(macroglossia, gigantismo, onfalocele e 
hipoglicemia grave 
• MANDÍBULA 
➢ Micrognatia: isoladamente ou em 
alteração genética (sequência de Pierre 
Robin – glossoptose: queda de língua com 
obstrução de VA e cianose) 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
 
 
 
 
6. PESCOÇO 
➢ É curto, dificultando o exame 
➢ Precisa de uma discreta extensão da 
cabeça 
➢ Avaliar a mobilidade do pescoço 
➢ Palpar a parte mediana a fim de se detectar 
o crescimento anormal da tireoide (bócio) 
e a presença de fistulas, cistos e restos de 
arcos branquiais 
➢ Na lateral verifica se tem estase jugular e 
palpar o musculo esternocleidomastoideo: 
presença de contraturas → Torcicolo 
congênito 
➢ Mobilidade e tônus do pescoço 
➢ Pele redundante na nuca → Síndrome de 
Down 
➢ Pele redundante na lateral → Pescoço 
alado → Síndrome de Turner 
 
 
 
7. TÓRAX 
➢ Forma normal: cilíndrica 
➢ RN a termo: perímetro (passando pelos 
mamilos) é cerca de 2cm menor que o 
cefálico 
➢ Assimetria → Malformação cardíaca, 
pulmonar e do arcabouço costal 
➢ Apêndice xifoide é frequentemente 
saliente, porque a musculatura não está 
bem estabelecida 
 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
➢ Mamilos a glândulas no RN a termo 
medem a palpação 1cm 
➢ Hipertrofia bilateral das glândulas 
mamarias → Estímulo estrogênico 
materno → Pode observar secreção de 
leite 
➢ Avaliação do perímetro torácico 
(diferença para o cefálico usualmente é 
2,5 cm) 
• APARELHO RESPIRATÓRIO 
➢ RN deve estar calmo 
➢ A respiração é do tipo costoabdominal 
➢ São comuns variações de frequência e 
ritmo 
➢ Observa-se pausas curtas de 5 de segundos 
em prematuros 
➢ Apneia: o tempo de parada respiratória é 
maior que 20 segundos ou menor, mas 
associada a cianose ou bradicardia 
➢ FR média é de 30 a 60 incursões por 
minuto. Acima de 60 caracteriza 
taquipneia e deve investigar 
➢ Tiragem intercostal supra e infraesternal é 
anormal mesmo em prematuros! 
 
➢ Tiragem subcostal: marca a região do 
diafragma, é um esforço respiratório 
 
➢ Palpação, percussão e ausculta deve ser 
em toda a área de extensão do parênquima 
pulmonar. Assimetrias encontradas devem 
ser investigadas 
➢ Percussão: som claro pulmonar, exceto na 
área de projeção do fígado (maciço ou 
submaciço) 
➢ Estertores finos ou crepitantes são comuns 
logo após o nascimento. Roncos de 
transmissão também 
• APARELHO CARDIOCIRCULATÓRIO 
➢ Ictus cordis em geral não é visível 
➢ Palpação do precordio é pouco perceptível 
➢ Ictus cordis quando palpável: 4ºEICE, 
lateralmente, a esquerda da linha 
hemiclavicular 
➢ Ictus descolado para direita → 
Pneumotórax hipertensivo a esquerda 
➢ Precordio hiperdinâmico → Sinal de 
persistência do canal arteial (PCA) em RN 
pré-termo 
➢ Frêmito → Sugestivo de cardiopatia 
sempre, principalmente associada a sopro 
➢ Frêmito mais intenso na borda esternal 
esquerda alta em crianças maiores → 
Estenose pulmonar e de artérias 
pulmonares 
➢ Frêmito mais intenso na borda esternal 
esquerda baixa → Comunicação 
intraventricular 
➢ Frêmito mais intenso na borda esternal 
direita alta → Estenose aórtica 
➢ Frêmito mais intenso na fúrcula esternal → 
Estenose aórtica, persistência do canal 
arterial ou coarctação da aorta 
NOTA: Em RN essa diferenciação é difícil! 
➢ FC em media 120 a 160 bpm 
➢ Ausculta sistematizada e repetidas vezes 
➢ Primeira bulha (fechamento das valvas 
atrioventriculares no início da sístole 
ventricular) é mais bem avaliada nos focos 
do ápice; e a segunda nos focos da base 
➢ Terceira e quarta bulhas (galope) → 
Sugestiva de cardiopatia 
➢ Na segunda bulha é frequente 
desdobramento inconstante por 
fechamento assincronico das valvas 
semilunares, aórtica e pulmonar (nessa 
ordem) → Aumenta na inspiração e 
diminui ou desaparece na expiração 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
➢ Sopros ou arritmias podem ser transitórios 
➢ RN a termo pode ter sopro sistólico no 
nível do 3º ou 4º EIC ao longo da borda 
esternal esquerda nasprimeiras 24 hrs → 
Se isolado é sem repercussão clinica e 
desaparece ate os 3 meses de vida 
➢ A ausência de sopros não afasta 
cardiopatia! 
➢ Palpação cuidadosa dos pulsos periféricos 
(femoral é o principal) → Pulsos cheios em 
prematuro sugere PCA → Pulsos femorais 
débeis ou ausente sugere coarctação da 
aorta 
➢ PA é difícil determinar 
➢ Se sentir pulso braquial e não sentir o 
femoral (pulsos assimétricos), pode ser 
coarctação de aorta 
 
8. ABDOME 
• INSPEÇÃO 
➢ Semigloboso, com perímetro abdominal 
cerca de 2 a 3cm menor que o cefálico. 
Habitualmente, não se visualizam ondas 
peristálticas 
➢ Abdome globoso, distendido, com ondas 
peristálticas visíveis: obstrução 
➢ Abdome escavado: hérnia diafragmática 
➢ Diástase dos músculos retos abdominais 
→ Aumento da distancia entre os retos 
com presença de pequeno abaulamento 
herniario → Comum e sem clínica → 
Regride após início da deambulação 
 
➢ Coto umbilical: inicialmente gelationoso 
→ Seca progressivamente → Mumifica 
perto do 3º ou 4º dia de vida → Desprende 
do corpo entre o 6º e 15º dia 
 
➢ Granuloma: 
 
➢ Onfalite: infecção de alto risco para a 
criança; secreção purulenta na base do 
coto, com edema e hiperemia da parede 
abdominal, sobretudo se formar um 
triangulo na parte superior do umbigo 
 
➢ Cordão umbilical apresenta duas artérias 
e uma veia. Artéria umbilical única é 
associado a anomalias renais ou 
problemas genéticos, como trissomia do 
18. Tem que verificar quando nasce 
 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
➢ Higiene da região umbilical com álcool a 
70% (mumifica o coto umbilical) → Pode 
apresentar hiperemia transitória da pele, 
sem riscos 
➢ Hiperemia periumbilical: a higiene não 
está correta 
➢ Onfalocele: herniação na linha media, 
recoberta por saco peritoneal, com o 
cordão umbilical inserido no centro dessa 
massa, sai pelo umbigo → Trissomia ou 
anomalias congênitas 
➢ Gastrosquise: defeito à direita 
(paraumbilical) do umbigo, com as alças 
intestinais e outros órgãos abdominais 
podendo exteriorizar-se pela abertura, 
sem membrana peritoneal recobrindo o 
conteúdo exposto 
 
➢ Eliminação do mecônio: material viscoso, 
verde escuro, composto por sais biliares, 
células epiteliais de descamação, sucos 
digestivos e lanugo → Eliminado nas 
primeiras 24 a 36 horas de vida → Após 
esse período, as fezes (de transição) tem 
coloração amarelo-esverdeada, 
liquefeitas, podendo ser confundidas com 
diarreia 
➢ Reflexo gastrocólico exacerbado: 
relaxamento do esfíncter anal com 
distensão do estomago → Aumenta o 
número de evacuações diárias, sobretudo 
no RN com aleitamento materno exclusivo 
sob livre demanda 
• PERCUSSÃO 
➢ Determina o tamanho do fígado 
acompanhando o som sub-maciço 
➢ Som timpânico no resto do abdome 
➢ Eventualmente consegue delimitar o 
tamanho do baço, especialmente quando 
aumentado 
• PALPAÇÃO 
➢ Mais fácil com o RN dormindo, por isso 
recomenda fazer no início do exame físico 
➢ Suave e superficial no início, partindo da 
fossa ilíaca em direção ao rebordo costal. 
Após pode fazer mais profunda 
➢ Em condições normais não se encontram 
massas abdominais e é possível a palpação 
da borda do fígado a cerca de 2cm do 
rebordo costal direito na linha mamilar 
➢ Descrever características do fígado: 
consistência (parenquimatosa, 
endurecida), superfície (lisa, granulada) e 
borda. No RN a borda é mais arredondada 
➢ Na palpação superficial pode conseguir 
palpar o polo inferior do baço no nível do 
rebordo costal esquerdo → Se for palpável 
tem que ser investigado 
➢ Manobras cuidadosas e profundas pode 
conseguir palpar os rins, principalmente 
em prematuros → Doença policística, 
hidronefrose ou trombose da veia renal 
NOTA: Pode gerar duvida se está palpando o rim 
ou o baço. Lembrar que quando se trato do baço, 
não se consegue palpar depressão entre o rebordo 
costal e o órgão (ele vem de baixo das costelas) 
➢ Massa abdominal sugere enfermidade! 
Deve descrever a localização, forma, 
tamanho, mobilidade, consistência e 
eventuais irregularidades da superfície 
NOTA: A massa pode ser decorrente de distensão 
da bexiga (bexigoma) causada por simples 
retenção urinaria ou por uma real obstrução de 
saída da urina por um fecalito de cólon ou por 
alguma condição mais complexa como cistos 
ovarianos, cistos mesentéricos, neuroblastoma, 
tumor de Wilms e etc 
• AUSCULTA 
➢ Ruídos hidroaéreos são bem frequentes 
➢ Ruídos aumentados → Luta contra 
obstrução 
➢ Ausência de ruídos → Doença grave 
 
9. APARELHO GENITURINÁRIO 
➢ Primeira diurese: na sala de parto ou nas 
primeiras 48 horas → Manchas vermelhas 
na fralda: presença de uratos sem 
repercussão clinica 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
➢ Exame da genitália detalhado e sempre 
que possível na presença de um dos pais ou 
auxiliar 
➢ Após a inspeção geral, o exame deve 
começar com a palpação do canal inguinal 
para a detecção de massas ou testículo 
➢ Descrição em genitália típica feminina ou 
masculina. Se for masculina se os testículos 
são tópicos ou não. 
• SEXO MASCULINO 
➢ Pênis normal do RN: 2 a 3cm, a glande não 
costuma ser exposta e o orifício prepucial 
é estreito 
➢ A visualização do meato urinário na 
extremidade da glande nem sempre é 
possível 
➢ Hipospádia: orifício de saída encontra-se 
na face ventral do pênis. O orifício pode se 
localizar desde a transição balano-
prepucial até a região pene-escrotal 
➢ Epispádia: orifício de saída encontra-se na 
face dorsal do pênis 
NOTA: Glande naturalmente exposta → Atentar 
para epispádia ou hipospádia 
➢ A bolsa escrotal é rugosa no RN a termo → 
A palpação permite verificar a presença 
dos testículos, sua sensibilidade, tamanho 
e consistência 
➢ No RN a termo os testículos são 
habitualmente encontrados dentro da 
bolsa escrotal → Os testículos migram da 
cavidade abdominal para o escroto através 
do canal inguinal durante o final da 
gestação 
➢ A não palpação dos testículos na bolsa 
pode significar criptorquidia. Se bilateral e 
os testículos não são palpáveis nem na 
bolsa escrotal nem no canal inguinal 
suspeita de genitália ambígua, como na 
hiperplasia adrenal congênita (deficiência 
enzimática, com predisposição a distúrbios 
hidroeletrolíticos) 
 
➢ Os testículos tem consistência firme, 
parenquimatosa, com tamanho de cerca 
de 1cm e não são hipersensíveis 
➢ Hidrocele: aumento dos testículos à 
palpação. É comum, frequente e a 
reabsorção se da nos primeiros meses de 
vida → Prova de transiluminação para 
confirmação do diagnostico 
➢ Atentar para diagnostico de genitália 
ambígua, torção testicular (coloração 
azulada e hipersensibilidade), assimetrias 
testiculares, malformações anorretais com 
fistula e eliminação de mecônio pela uretra 
ou períneo 
• SEXO FEMININO 
➢ O tamanho dos grandes lábios depende do 
deposito de gordura e da idade gestacional 
da RN → Crianças pré-termo pequenas 
podem ser quase inexistentes → RN a 
termo os grandes lábios chegam a recobrir 
totalmente os pequenos lábios 
➢ Afasta-se o grandes lábios para avaliar o 
sulco entre os grandes lábios → 
Frequentemente recobertos de vernix → 
Aderência de pequenos lábios são raras e 
requer intervenção 
➢ Afasta-se os pequenos lábios para 
examinar o hímen → Observar a saída de 
secreção esbranquiçada ou translucida, é 
consequência do estrógeno materno e 
costuma desaparecer ao final da 1ª 
semana de vida → 2º ou 3º dia pode 
ocorrer discreto sangramento vaginal 
 
➢ Hidrocolpos: consequência da 
imperfuração do hímen, se manifesta por 
hímen abaulado, em forma de bolsa, sendo 
necessária intervenção cirúrgica no 
período neonatal 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
 
➢ Hipertrofia do hímen, com prolapso da 
parte distal para fora dos grandes lábios: 
achado comum e sem clinica 
➢ O tamanho do clitóris é pequeno. Em RN a 
termo, devido ao pouco desenvolvimentodos grandes lábios, o clitóris pode 
sobressair, dando impressão errônea de 
clitoromegalia 
➢ Fusão posterior dos grandes lábios e 
hipertrofia clitoriana devem ser 
investigados 
➢ Anomalias anorretais podem levar a 
eliminação do mecônio pela vagina ou 
uretra 
 
10. ÂNUS 
➢ O exame do orifício anal deve ser feito 
obrigatoriamente, podendo detectar 
anomalias anorretais e fistulas 
➢ Habitualmente faz apenas inspeção 
➢ Pode verificar por palpação delicada o 
tônus anal 
➢ O anus costuma distar cerca de 1cm da 
borda inferior da vulva ou da implantação 
do escroto 
➢ NÃO se recomenda de rotina: toque ou 
introdução retal para verificação de sua 
permeabilidade 
 
11. SISTEMA NERVOSO 
➢ Avaliação neurológica é simultânea ao 
exame físico → Postura, movimentação 
espontânea, resposta ao manuseio e choro 
➢ Ao nascer costuma ficar 1 a 2 horas muito 
desperta e depois dorme profundamente 
por algumas horas 
➢ Deve-se evitar a realização do exame 
neurológico nas primeiras 12 horas de vida 
➢ Atentar para o estado de alerta da criança 
➢ Tônus em flexão → Relacionado a idade 
gestacional 
➢ RN a termo apresenta hipertonia em flexão 
dos membros, com postura semelhante a 
fetal, conseguem manter a cabeça no 
mesmo nível do corpo por alguns segundos 
quando levantados pelos braços e 
movimentam-se ativamente ao serem 
manipulados 
• REFLEXOS PRIMITIVOS CARACTERÍSTICOS 
➢ Resposta motora involutaria a um 
estimulo, presentes ate por volta dos 6 
meses 
➢ Mediados por mecanismos 
neuromusculares sucorticais, que se 
encontram desenvolvidos desde o período 
pré-natal 
➢ Mecanismos corticais inibitórios: faz 
desaparecer esses reflexos durante o curso 
normal de maturação do sistema 
neuromuscular nos primeiros 6 meses de 
vida 
➢ Não há necessidade de avaliação de todos 
os reflexos primitivos durante o exame 
físico rotineiro do RN a termo. 
Habitualmente são: sucção, voracidade, 
preensão, marcha, fuga à asfixia, cutâneo-
plantar, moro. Os outros são menos 
pesquisados com frequência 
➢ Sucção reflexa: ao tocar os lábios da 
criança por algum objeto, desencadeia 
movimentos de sucção dos lábios e da 
língua 
NOTA: Somente após 32 a 34 semanas da gestação 
é que o bebe desenvolve sincronia entre 
respiração, sucção e deglutição, o que torna a 
alimentação por VO difícil em RN pré-termo 
➢ Voracidade ou de procura: ao tocar a 
bochecha perto da boca, a criança desloca 
a face e a boca para o lado do estimulo. 
Não deve ser procurado após a 
amamentação e está presente até os 3 
meses de idade 
➢ Preensão palmoplantar: se obtém com 
leve pressão do dedo do examinador na 
palma das mãos da criança e abaixo dos 
dedos do pé 
LARISSA MENEZES – AISCA I 
 
➢ Marcha reflexa e apoio plantar: segura a 
criança pelas axilas em posição 
ortostática, ao fazer contato das plantas 
do pé com a superfície a criança estende 
as pernas até então fletidas. Se a criança 
for inclinada para frente, inicia a marcha 
reflexa 
➢ Fuga à asfixia: ao colocar a criança em 
decúbito ventral no leito, com a face 
voltada para o colchão, em alguns 
segundos o RN deverá virar o rosto 
liberando o nariz para respirar 
adequadamente 
➢ Cutâneo-plantar em extensão: fazendo 
estimulo continuo da planta do pé a partir 
do calcâneo no sentido dos artelhos, os 
dedos adquirem postura em extensão 
➢ Reflexo de Moro: é desencadeado por 
algum estimulo brusco como bater 
palmas, estirar bruscamente o lenços 
onde a criança está deitada ou soltar os 
braços semiesticados quando se faz a 
avaliação da preensão palmar → Consiste 
numa resposta de extensão-abdução dos 
MMSS (eventualmente dos inferiores), ou 
seja, numa primeira fase os braços ficam 
esticados e abertos, com abertura dos 
dedos da mão, e em seguida de flexão-
adução dos braços, com retorno à posição 
original → Tem início a partir de 28 
semanas de gestação e costuma 
desaparecer aos 6 meses → Assimetria ou 
ausência desse reflexo pode indicar lesões 
nervosas, musculares ou ósseas 
➢ Reflexo de Magnus-De-Kleijn (do 
esgrimista): com a criança em decúbito 
dorsal, o examinador com uma das mãos 
estabiliza a região anterior do tórax e com 
a outra vira a cabeça da criança para o lado 
→ Espera-se a extensão dos membros do 
lado para o qual a face está voltada e a 
flexão dos membros voltados para o outro 
lado 
➢ Reflexo dos olhos de boneca: ao se 
promover a rotação lateral da cabeça do 
RN, os olhos seguem lentamente para o 
lado da rotação 
➢ Reflexo de Babkin: reação a pressão 
simultânea das palmas das mãos do bebê 
→ A criança abre a boca e mantem a 
cabeça na linha media levantando sua 
cabeça, pode também haver fechamento 
dos olhos e flexão do antebraço do bebê 
➢ Reflexos tendinosos: pode ser avaliando 
com a ponta de borracha do martelo ou o 
próprio dedo do examinador. O reflexo 
patela costuma ser facilmente detectável

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