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LARISSA MENEZES – AISCA I EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO DEFINIÇÕES Período neonatal: do nascimento até 28 dias ➢ Período neonatal precoce: do nascimento até 6 dias ➢ Período neonatal tardio: do 7º dia de vida até 28 dias Lactente: após os 28 dias até os 2 anos de idade Pré-termo: <37 semanas completas Termo: de 37 semanas a 41 semanas e 6 dias Pós-termo: 42 semanas completas ou mais Prematuro tardio: 34-36 semanas e 6 dias Prematuro moderado: 32-33 semanas e 6 dias Muito pré-termo: 28-31 semanas e 6 dias Prematuro extremo: <28 semanas HISTÓRIA Obtenção dos primeiros dados importantes relativos ao RN: feita pouco tempo antes do seu nascimento, logo após a entrada da gestante no inicio do trabalho de parto. Muitos dados podem ser obtidos pelo cartão do acompanhamento do pré-natal, restringindo a necessidade de longos interrogatórios. A história clínica do RN deverá conter dados sobre antecedentes dos pais, de outras gestações, partos e evolução das crianças. Deverão constar a evolução da gestação atual e a evolução do parto e da criança, do nascimento até o momento atual. Ultrassom do primeiro trimestre gestacional, data da última menstruação e capurro somático: idade gestacional do bebê Capurro: (soma da tabela + 204)/7 → IDENTIFICAÇÃO Informações sobre o pai: ➢ Nome ➢ Idade ➢ Escolaridade ➢ Local de trabalho ➢ Presença de doenças ou de hábitos inadequados como tabagismo, alcoolismo e uso de outras drogas: dão informações sobre a dimensão do risco social do RN. Posteriormente são usadas como fins educacionais, como prevenção do tabagismo doméstico. Informações sobre a mãe: ➢ Mesmas informações solicitadas sobre o pai ➢ Dados sobre o relacionamento do casal ➢ Endereço completo e telefone de contato Tipo sanguíneo dos pais Informações relativas as doenças, cirurgias e transfusões anteriores Existência de consanguinidade entre os pais para malformações congênitas e/ou doenças metabólicas hereditárias → ANTECEDENTES OBSTÉTRICOS Número de gestações anteriores, evolução (incluindo abortos e natimortos), tipo de parto, internações anteriores e diagnósticos. Tempo de amamentação dos filhos anteriores. Dados sobre a gestação atual com informações obtidas durante o pré-natal. Registrar quando foi iniciado o acompanhamento, quantas consultas foram realizadas e qual local. Data da ultima menstruação e idade gestacional aferida por ultrassom e quando foi realizado (quanto mais precoce menor a margem de erro no cálculo da duração da gestação; ideal é antes de 12 semanas). Reconhecer a evolução do desenvolvimento fetal e eventuais malformações do feto no ultrassom. Registrar resultados dos diversos exames sorológicos com o tipo de reação realizada, o titulo e a data. Ênfase para doenças como sífilis, toxoplasmose, rubéola, hepatites B e C, e HIV. Todas as informações sobre vacinação, LARISSA MENEZES – AISCA I intervenções cirúrgicas, procedimentos, complicações, medicamentos e hábitos. NOTA: Em partos RN prematuras é importante que se anote se a mãe recebeu corticosteroide antenatal e que se busque justificativa para ocorrência do parto antes do termo. → DADOS DO PARTO Duração do trabalho de parto e da expulsão; Apresentação: cefálica, pélvica; Alterações no foco fetal e do tipo de parto, assim como sua indicação, caso operatório; Tempo de ruptura da bolsa e características do líquido amniótico; Analgesia oferecida durante o trabalho de parto: detalhando a droga, as doses e o tempo de aplicação; Características da placenta: peso, presença de calcificações, condições do cordão, número de vasos sanguíneos e tempo para a ligadura do cordão. → CONDIÇÕES DE NASCIMENTO Horário de nascimento; Sexo; Gamelaridade; Peso: ➢ Baixo peso: <2500g ➢ Muito baixo peso: 1000-1500g ➢ Extremo baixo peso: <1000g ➢ PIG: pequeno para sua idade gestacional → Mães com problema placentário ➢ GIG: grande para sua idade gestacional → Mães diabéticas ➢ AIG: adequado para sua idade gestacional Comprimento; Tempo da primeira respiração, do primeiro choro; Momento de ligadura do cordão; Valores registrados na escala de Apgar ao 1º e 5º minutos são importante registros das condições de nascimento: confere uma nota ao bebe no 1º minuto e no 5º de vida ➢ Frequência cardíaca ➢ Respiração ➢ Tônus muscular ➢ Irritabilidade reflexa ➢ Cor da pele ➢ Acima de 7 é o ideal ➢ No 5º min, se ao apgar ainda for <5 significa hipóxia neonatal grave OBS: Após 20 min para a reanimação se o Apgar continuar menor que 5, porque as sequelas neurológicas são graves e irreversíveis. Na reanimação avalia o Apgar no 1º, 5º, 10º e 20º minuto. Eventuais manobras utilizadas durante a recepção da criança; Se foi submetida à aspiração das VA superiores, se recebeu oxigênios inalatório, ventilação com pressão positiva, intubação traqueal e drogas; Na sala de parto: ➢ Exame físico sumario do RN; ➢ Vitalidade ➢ Malformações ➢ Trauma obstétrico ➢ Distúrbios cardiorrespiratórios ➢ Pode ser feito com o bebê sobre o corpo da mãe; ➢ Determina as condições respiratórias, cardiocirculatórias e malformações grosseiras. NOTA: Registrar se o bebê foi colocado em contato pele a pele com a mãe, por quanto tempo e se foi amamentado na sala de parto, registrando- se quando ocorreu a primeira mamada. Idade gestacional corrigida (IGc): ➢ Ajuste de idade cronológica em função do grau de prematuridade LARISSA MENEZES – AISCA I ➢ Soma as semanas até as 40 semanas, como se tivesse na barriga e os dias após a semana completa no dia da consulta. Nas 40 semanas “considera” que o bebê nasceu e passa a contar as semanas de vida ➢ Ex: em 12/07, o RN nasceu com idade gestacional de 33 semanas. No dia 12/08 ele tem 1 mês de idade cronológica e 37,4 de IGc (37 semanas e 4 dias) EXAME FÍSICO RN aparentemente saudável na sala de parto → Exame físico minucioso após alguma horas de vida → Preferencialmente antes das 12 hrs de vida → Sempre que possível com a presença dos pais Controle térmico: ambiente, mãos e instrumentos devem estar em temperatura adequada → RN tem pouca capacidade de tolerar alterações térmicas O RN admite um exame que vai do externo para o interno e no sentido craniocaudal Será feito numa sequencia de oportunidades: se o RN abre os olhos examina-os, se abre a boca examina a boca NOTA: Criança dormindo é uma excelente condição para se aferir as frequências respiratória e cardíaca, palpar o abdome. → EXAME FÍSICO GERAL: Ao observar: ➢ Presença de malformações e fácies típicas, como trissomias do 13, 18 e 21 e síndrome de Pierre-Robin; ➢ Sinais de angustia respiratória: gemidos ins ou expiratórios, batimentos de aletas nasais, retrações de fúrcula ou torácica (caso a criança esteja despida); ➢ Cianose; ➢ Alterações da frequência respiratória; ➢ Postura normalmente é simétrica e fletida, semelhante à fetal → Assimétrica se houver algum transtorno como fratura de clavícula ou membros, paralisia braquial, lues congênita (pseudoparalisia de Parrot), infecções ou comprometimento neurológico; ➢ Aspecto geral; ➢ Atividade; ➢ Intensidade do choro; ➢ Movimentação; ➢ Hidratação; ➢ Normalmente o choro é forte, de timbre variável → Choro fraco ou gemência pode ser infecção ou desconforto respiratório → Choro monótono, agudo e intermitente (grito cerebral) pode ser lesão neurológica grave 1. PELE • TEXTURA E UMIDADE LARISSA MENEZES – AISCA I ➢ RN pré-termo extremo (entre 20-22 semanas e 37 semanas): pele muito fina e gelatinosa; ➢ RN a termo (37 semanas completas a 42 incompletas): pele lisa, brilhante, úmida e fina; ➢ RN pós-termo (completa 42 semanas e o bebê ainda não nasceu) ou com insuficiência placentária:pele seca, enrugada, apergaminhada e com descamação acentuada; ➢ Hipotireoidismo congênito: pele seca e áspera. • COR ➢ A pele normal do RN é rosada; ➢ Filhos de pais negros podem apresentar pele clara no nascimento, observa maior quantidade de melanina nos mamilos, região periungueal, na pele da borda do umbigo e na genitália; ➢ Pletora (aumento de volume de sangue no organismo, que provoca inturgescência vascular): RN policitemicos, hiperoxigenados ou com hipertermia; ➢ Palidez acentuada: anemia (aguda ou crônica), vasoconstrição periférica ou choque → Traduz situação grave e deve sempre ser investigada! ➢ Fenômeno de Arlequim: linha delimitando um hemicorpo com eritema e outro com coloração normal → Benigna, causa desconhecida, algum grau de instabilidade vasomotora; ➢ Cianose: coloração azulada, pelo menos 5g de hemoglobina não saturada, relativamente comum no RN → É comum cianose de extremidades (acrocianose) que se apresentam frias ao toque ➢ Cianose central: preocupante e associada a doenças cardiorrespiratórias! ➢ Líquido amniótico meconiado: pele e coto umbilical podem estar impregnados, apresentando cor esverdeada característica • PRESENÇA DE MILIUM SEBÁCEO ➢ Presente em 40% dos RN ➢ Pequenos pontos brancos (menor que 1mm) localizados na base do nariz, queixo e fronte, devido a distensão e obstrução das glândulas sebáceas, decorrentes da ação do estrógeno materno ➢ Desaparecem em poucas semanas • PRESENÇA DE LANUGO ➢ Pelos finos que costumam recobrir a região do ombro e da escapula ➢ Mas abundante em RN prematuro ➢ Desaparece em alguns dias LARISSA MENEZES – AISCA I • PRESENÇA DE VÉRNIX CASEOSO ➢ Material gorduroso e esbranquiçado que recobre o RN prematuro entre 34 e 36 semanas ➢ Função de proteção química da pele (espécie de antibiótico natural) e isolamento térmico ➢ Pode ser retirado após o estabelecimento do controle térmico ➢ Em RN a termo a quantidade costuma ser menor, podendo ser observados nas dobras • PRESENÇA DE MANCHA MONGÓLICA ➢ Manchas azul-acinzentadas preferencialmente no dorso e nas regiões glútea e lombossacral, podendo ser disseminada ➢ É uma imaturidade da pele na migração dos melanócitos, relacionada a fatores raciais → Mais comuns nas raças negras e oriental ➢ Regridem nos primeiros 4 anos NOTA: Atentar a não mencionar o nome mancha mongólica pela estigma do termo. • ERITEMA TÓXICO ➢ Primeiros dias de vida ➢ Lesões eritematosas multiformes: pápulas, másculas e até algumas vesículas ➢ Esparsas ou confluentes ➢ Ao exame microscópico da secreção da lesão: migração eosinofilica ➢ Causa desconhecida ➢ São benignas e migratórios! ➢ Pode ser desencadeado por estímulos mecânicos de atrito ou pressão na pele ➢ Regride espontaneamente e geralmente em poucas horas • IMPETIGO ➢ É confundido com eritema toxico, só que é fixo, sem migração e com bactéria em seu liquido interior ➢ Infecção piogênica, mais comum por Staphylococcus aureus ➢ Inicia com lesões eritematosas puntiformes → Um ou dois dias depois → Vesículas → Pustulizam e tornam-se bolhas (impetigo bolhoso) ➢ Se propagam por inoculação e quando se rompem forma crostas amarelo- acastanhadas ➢ Pode contaminar crianças próximas ➢ Tratamento: soluções antissépticas e cremes antibióticos; em casos mais grave é necessário antibioticoterapia sistêmica LARISSA MENEZES – AISCA I • MÁCULAS/MANCHAS VASCULARES ➢ Manchas de cor salmão que desaparecem à pressão ➢ Principalmente na nuca, pálpebra superior e fronte ➢ Sem importância clinica ou estética! ➢ As de face desaparecem em alguns meses, as da nuca podem persistir ➢ Ao fazer digitopressão na mancha ela some ➢ “Bico da cegonha” • MELANOSE POSTULAR TRANSITÓRIA ➢ Até 48 horas de vida ➢ Geralmente o bebê já nasce com as bolhas estouradas ➢ Presença de colarete, o centro é mais claro ➢ Mais frequente em afrodescendentes • HEMANGIOMAS ➢ Formas vasculares mais extensas e elevadas ➢ Tumor benigno, mal formação vascular ➢ Proliferação de rede venosa ➢ Podem ter significado patológico ➢ Se localizadas em segmento cefálico e face, com coloração vinhosa pode ser angiomas das leptomeninges (Síndrome de Sturge- Weber), relacionando a convulsões e hemiplegias ➢ Hemangioma cavernoso: composto de elementos vasculares maduros e grandes, que na maioria dos casos cresce no primeiro ano de vida e regride após. OBS: Bolha se sucção: bebês com habito de sugar desde o período intrauterino. Ao romper ficar com o aspecto da foto. • EQUIMOSES: MÁSCARA EQUIMÓTICA ➢ Manchas comuns, sobretudo em RN prematuros ➢ A localização depende da apresentação e dos traumas sofridos, principalmente durante o parto ➢ Mascara cianótica ou equimótica: equimose na face com aspecto de cianose, geralmente sem relevância clínica. Cordão umbilical ficou ao redor do pescoço • PETÉQUIAS ➢ São localizadas ➢ Se restritas ao rosto não são motivo de preocupação ➢ Se generalizadas devem ser investigadas NOTA: Reabsorção do sangue extravasado pode contribuir para o aumento tardia dos níveis de bilirrubina • PRESENÇA DE ICTERÍCIA ➢ Cor amarelada da pele por impregnação de bilirrubina ➢ Comum, principalmente em crianças entre 48 e 120 horas de vida ➢ Exame deve ser feito a luz natural para detectar mais facilmente ➢ Deve descrever a intensidade da coloração e sua distribuição LARISSA MENEZES – AISCA I ➢ Sempre deve ser causa investigada se detectadas nas primeiras 24h de vida ou se forma intensa! 2. SUBCUTÂNEO A quantidade de tecido subcutâneo pode ser aferida pela prega cutânea • PREGA CUTÂNEA ➢ Cerca de 1cm nos RN a termo e uniformemente distribuída pelo corpo ➢ Prega cutânea: indica o deposito do gordura da criança e o turgor da pele ➢ Turgor firme: bom estado nutricional ➢ Turgor frouxo: crianças emagrecidas ➢ Turgor pastoso: lento retorno do tecido subcutâneo após seu pinçamento, típico de desidratação em crianças maiores e de desnutrição ao final da gestação em RN (por insuficiência placentária) • EDEMA ➢ Pálpebras ➢ RN prematuros: edema duro em MMII e na região genital que regride em dias (linfedema) ➢ Síndrome de Turner: edema acentuado no dorso das mãos e pés 3. GÂNGLIOS • CADEIAS GANGLIONARES ➢ Palpar todas: cervicais, occipitais, submandibulares, axilares e inguinais ➢ Descrever o número de gânglios palpáveis, tamanho, consistência, mobilidade e sinais inflamatórios ➢ Habitualmente o RN apresenta raros pequenos gânglios em torno de 3mm ➢ Infecções congênitas: hipertrofia ganglionar 4. MUCOSAS ➢ Cor ➢ Umidade ➢ Presença de lesões 5. MUSCULATURA • TÔNUS ➢ O RN a termo em decúbito dorsal apresenta os MMSS fletidos e os MMII semifletidos, cabeça lateralizada e mãos cerradas ➢ O tônus depende da idade gestacional: quanto mais próximo do termo, maior o tônus flexor • TROFISMO ➢ É averiguado pela palpação do musculo peitoral ➢ Leve extensão do braço → Músculo peitoral apresenta-se fácil à palpação ➢ Espessura de 1cm é o trofismo adequado 6. ESQUELETO E ARTICULAÇÕES • EXAME DAS MÃOS ➢ Atentar para as pregas palmares ➢ Hipotonia fetal, como na síndrome de Down: prega palmar única em ambas as mãos associada à ausência de prega falangiana do 5º quirodáctilo • SIMETRIA ➢ Adequação dos movimentos dos membros ➢ Movimentação dos MMSS: pode ser comprometida por lesões traumáticas no parto • PARALISIAS ➢ Decorrentes do estiramento exagerado do plexo braquial no parto podem apresentar formas diversas → O RN fica com o membro superior paralisado, em rotação interna ➢ Deve descartar fraturas da clavícula ou da região proximal do úmero que podem coexistir com lesões neurológicas ou simular •LESÕES NEUROLÓGICAS ➢ Neuropraxia: lesões leves, distúrbio motor é por edema da raiz nervosa e desparece entre 1 e 2 semanas com recuperação completa da função ➢ Axonotmese: é a ruptura das fibras nervosas, recuperação mais lente e incompleta ➢ Neurotmese: é a ruptura completa da raiz, são as lesões mais graves e a recuperação espontânea nunca ocorre • MANIFESTAÇÃO CLÍNICA DA PARALISIA LARISSA MENEZES – AISCA I ➢ Raízes de C5-C6: paralisia de Erb- Duchenne, afeta principalmente músculos do ombro e cotovelo, preservando a mão ➢ Raízes de C7-C8-T1: paralisia de Klumpke, a musculatura do ombro é preservada e da mão é afetada ➢ Lesão total: todas as raízes são lesadas e o membro superior é balouçante, podendo haver paralisia diafragmática • FRATURA DE CLAVÍCULA ➢ Pode causar restrições de movimentação do membro correspondente devido à intensa dor ➢ Diagnostico é pela palpação da clavícula → Se houver fratura, pode-se sentir crepitação local e observar manifestação de dor ➢ Bebê evolui bem. Se houver lesão do plexo manda para o ortopedista e fisioterapeuta ➢ Utilização de tipoia e manipulação cuidadosa do membro envolvido ➢ Não é necessária realização de exame radiológico porque o achado não muda a conduta clínica! • ARTICULAÇÃO COXO-FEMURAL ➢ Precisa afastar a presença de displasia do desenvolvimento do quadril → Há instabilidade da articulação coxofemoral ao nascimento devido ao fato de o acetábulo ser mais raso e a capsula mais frouxa → Permite a mobilização inadequada da cabeça do fêmur (fica parcialmente desencaixada do acetábulo) ➢ Graves limitações na deambulação futura se não for adequadamente tratada no período neonatal ➢ Displasia unilateral: assimetria das pregas glúteas e encurtamento do membro afetado. Porém mais frequentemente não provoca deformidades, não limita os movimentos e é indolor, ou seja, o RN é aparentemente normal, nesse caso a displasia só será diagnosticada se for investigada → Manobras de Barlow e de Ortolani + exame ultrassonográfico auxiliam no diagnostico ➢ Tratamento: manobra de Ortolani (encaixar o quadril e manter a posição de abdução e flexão do quadril com uso de aparelhos ortopédicos por 3 meses ininterruptamente) • MANOBRA DE ORTOLANI ➢ A criança é colocada em decúbito dorsal, segurando-se os MMII com os joelhos dobrados e quadril fletidos a 90º e aduzidos (junto a linha média). Nessa posição faz-se a abdução das coxas com leve pressão nos joelhos ➢ A manobra deve ser refletida varias vezes, simultaneamente, para os dois lados dos quadris ou fixando-se um lado e testando o outro, aplicando diferentes pressões ➢ Pequenos estalidos (“clicks”) pela movimentação e pelo deslize de fáscia ou tendão sobre saliências óssea é normal LARISSA MENEZES – AISCA I ➢ Ortolani positivo: quando existe instabilidade coxofemoral a manobra faz com que a cabeça do fêmur se encaixe no fundo do acetábulo que é percebido nas mãos com um “click” ➢ MANOBRA DE BARLOW: é a de Ortolani ao contrário, em adução • EXAME DOS PÉS ➢ Observar o posicionamento ➢ Tem que diferenciar o pé torto posicional, decorrente da posição intraútero, do pé torto congênito ➢ Quando o pé torto é posicional, o examinador, com manobra delicada, pode corrigir a posição do pé para uma postura fisiológica → Caso benigno, resolução se dá por meio de fisioterapia por manipulação diária ➢ O pé torto congênito não é redutível por manobras e necessita de tratamento ortopédico ➢ Pé equino: calcanhar está elevado e o antepé caído ➢ Pé varo: há torção do pé fazendo com que sua face plantar fique voltada medialmente ➢ Pé aduto: antepé está desviado medialmente ➢ Pé cavo: forma uma prega transversal na planta do pé • COLUNA VERTEBRAL LARISSA MENEZES – AISCA I ➢ Deve palpar a linha media da coluna vertebral na busca de espinha bífida, meningocele e outros ➢ Disrafismos ocultos da espinha: lesões da coluna que não são obvias ao exame do RN ➢ É importante verificar a integridade da pele no fundo da fosseta, para se afastar a possibilidade de contaminação da espinha ➢ Verificação do sentido da fixação da fosseta: faz um movimento da pele adjacente no sentido cranial e caudal. Quando o defeito fica menos obvio com o movimento na direção cefálica e mais evidente com a tração da pele no sentido caudal, é indicativo de que a fixação é superior, o que significa maior risco → EXAME FÍSICO ESPECIAL 1. CRÂNIO • ASSIMETRIAS ➢ Inicia verificando • PALPAÇÃO DAS SUTURAS CRANIANAS ➢ São comuns as sobreposições das bordas dos ossos do crânio (cavalgamentos) que desaparecem em poucos dias e disjunções de suturas (sem qualquer expressão patológica) ➢ Craniossinostose: quando ocorre fusão intrauterina das suturas e o osso para de crescer, ocorrendo afundamento local com assimetria do crânio • PALPAÇÃO DAS FONTANELAS ➢ Tamanho: medido em centímetros nas diagonais ➢ Tensão ➢ Abaulamentos ou depressões ➢ Pulsações ➢ Fontanela bregmática: formada na confluência dos ossos frontal e parietais em forma de losango, apresenta tamanho variável no RN a termo ➢ Fontanela bregmática abaulada: aumento da pressão intracraniana, meningite, hidrocefalia, edema cerebral ou hemorragia intracraniana ➢ Fontanela bregmática deprimida: desidratação ➢ Fontanela lambdoide: entre os ossos parietais e occipital, geralmente é pequena/justaposta. Se grande pode associar a doenças como hipotireoidismo e síndrome de Down LARISSA MENEZES – AISCA I • CRANIOTABES ➢ Ao fazer pressão suave sobre os ossos do crânio detecta uma área depressível ➢ Semelhante a palpação de bola de pingue- pongue ➢ Costuma desaparecer em meses • PALPAÇÃO DO COURO CABELUDO ➢ Detecta abaulamentos com relativa frequência ➢ Bossa serossanguínea: edema de partes moles na área de apresentação, não respeita o limite dos ossos do crânio, é depressível e regride nos primeiros dias pós-parto. Acontece pelo prolongamento do tempo do bebê no canal de parto. Consistência amolecida por ser serosa, abaixo da pele ➢ Céfalo-hematoma: há rompimento de vaso subperiostal secundário ao traumatismo do parto. A consistência é de conteúdo liquido e restringe ao limite do osso, geralmente o parietal. Acontece pelo prolongamento do tempo do bebê no canal de parto. Houve ruptura de vasos abaixo do periósteo, conteúdo hemorrágico. Sensação de endurecido. Respeita os limites das suturas, enquanto a bossa não respeita. • PERÍMETRO CRANIANO ➢ Deve ser medido com fita métrica inextensível passando pela glabela e proeminência occipital ➢ No RN a termo varia de 33 a 37 cm NOTA: Se a criança for prematura deve levar em conta sua idade cronológica corrigida → Subtrai da idade real da criança o numero de semanas que faltaram para que completasse 40 semanas de gestação 2. OLHOS ➢ As pálpebras geralmente encontram-se edemaciadas devido a instilação do nitrato de prata ➢ Observar a distância entre os olhos ➢ Distancia intercantal interna: entre os cantos internos das pálpebras LARISSA MENEZES – AISCA I ➢ Posição da fenda palpebral: transversal/normal ou oblíqua/anomalias congênitas ➢ Presença de sobrancelhas, cílios e epicanto ➢ Elevando-se o RN a posição semissentada de forma rápida consegue a abertura dos olhos e verificação da mobilidade das pálpebras ➢ Frequentemente observa hemorragias subconjuntivais: hiposfagamo. Lesão causada durante o trabalho de parto ➢ A esclera é branca ou levemente azulada nos RN pré-termo ➢ Cor da esclera azul mais intensa está associada a osteogênese imperfeita ➢ Esclerótica: são comuns hemorragias benignas decorrentes do parto e desaparecem com o tempo ➢ Estrabismo transitório e nistagmo horizontalpodem ser observados ➢ Deve pesquisar exoftalmia, microftalmia (córnea menor que 9mm), opacificaçao da córnea, catarata, glaucoma congênito (córnea maior que 11mm) e lacrimejamento anormal por obstrução do canal lacrimal (dacrioestenose) ➢ O exame da mucosa conjuntival costuma estar prejudicado devido á irritação causada pela solução de nitrato de prata a 1% instilada nos olhos do RN como medida de prevenção da conjuntivite gonocócica. É uma conjuntivite química nas primeiras horas de vida. • TESTE DO OLHINHO ➢ Reflexo vermelho do fundo do olho: indica adequada transparência da córnea e cristalino, com o auxílio do oftalmoscópio em quarto escuro a cerca de 40/50cm de distancia ➢ Pode auxiliar na identificação de eventuais “massas” esbranquiçadas intraoculares ➢ Simetria entre as pupilas ➢ Reatividade pupilar ao estimulo luminoso ➢ Presença de midríase ou miose 3. OUVIDOS • FORMA ➢ É preciso que haja grande alteração do pavilhão para considerar que a forma foge dos padrões normais • CONSISTÊNCIA ➢ Aumenta com a idade gestacional ➢ RN a termo: o pavilhão tem consistência gelatinosa, voltando rapidamente a posição normal quando solto após ser dobrado ➢ RN pré-termo: o pavilhão não retorna a posição inicial após ser dobrado, é liso em sua borda superior • IMPLANTAÇÃO DOS PAVILHÕES AURICULARES ➢ Pode ser aferida trançando um plano imaginário que passa pela fenda palpebral e se estenda horizontalmente em direção as orelhas LARISSA MENEZES – AISCA I ➢ A borda superior da orelha deve estar um pouco acima dessa linha ➢ Implantação baixa da orelha: associada a defeitos renais, malformação do primeiro arco braquial e anomalias cromossômicas. Pode ser acompanhada de rotação posterior do eixo do pavilhão auricular • PRESENÇA DE CONDUTOS AUDITIVOS EXTERNOS ➢ Reflexo cócleo-palpebral: observa se o RN responde piscando os olhos à emissão de um ruído próximo ao ouvido ➢ Independente do resultado é obrigatório o rastreamento da deficiência auditiva por meio de medidas fisiológicas da audição, o teste da orelhinha • FÍSTULAS RETROAURICULARES • APÊNDICES PRÉ-AURICULARES • AVALIAR FUNÇÃO DO SISTEMA AUDITIVO 4. NARIZ ➢ Permeabilidade nasal ao ar ins e expirado pode ser observado com o RN calmo, dormindo e com boca fechada ➢ Obstrução nasal e espirros são comuns ➢ Batimentos da aletas nasais são visíveis em RN com dificuldade respiratória ➢ Deformidades e malformações ocorrem por defeitos intrínsecos do osso do nariz (trissomias 18 e 21) ou por pressão extrínseca intraútero ou no momento do parto ➢ Presença de coriza mucoide, mucopurulenta ou mucopiossanguinolenta é rara → Sugere lues congênita 5. BOCA ➢ Pode ser feito durante o choro ➢ Não precisa do abaixador de língua ➢ O estimulo da pressão suave na transição mucosa-pele do lábio inferior e leve tração da mandíbula para baixo facilita a abertura da boca ➢ Desvio da comissura labial durante o choro → Paralisia facial decorrente de posturas anormais intraútero ou trauma de parto • MUCOSAS ➢ Observa inicialmente as mucosas → Aftas de Bednar decorrentes de lesão traumática por aspiração ou limpeza agressiva durante o parto ➢ Saliva espessa → Desidratação ➢ Sialorreia → Atresia de esôfago • PALATO ➢ Deve avaliar a forma e integridade ➢ Forma: normal ou em ogiva ➢ Fenda palatino isolada ou associada a lábio leporino ➢ Perolas de Epstein: pequenas formações esbranquiçadas junto à rafe mediana compostas de restos celulares, sem repercussões clinicas ➢ Palato mole: úvula bífida e tumores • GENGIVA ➢ Cistos de retenção gengival ➢ Dentes supranumerários: devem ser avaliados quanto a implantação. Se frouxos e com raízes fracas devem ser extraídos ➢ Tamanho e mobilidade da língua ➢ Macroglossia: hipotireoidismo ou síndrome de Beckwith-Wiedemann (macroglossia, gigantismo, onfalocele e hipoglicemia grave • MANDÍBULA ➢ Micrognatia: isoladamente ou em alteração genética (sequência de Pierre Robin – glossoptose: queda de língua com obstrução de VA e cianose) LARISSA MENEZES – AISCA I 6. PESCOÇO ➢ É curto, dificultando o exame ➢ Precisa de uma discreta extensão da cabeça ➢ Avaliar a mobilidade do pescoço ➢ Palpar a parte mediana a fim de se detectar o crescimento anormal da tireoide (bócio) e a presença de fistulas, cistos e restos de arcos branquiais ➢ Na lateral verifica se tem estase jugular e palpar o musculo esternocleidomastoideo: presença de contraturas → Torcicolo congênito ➢ Mobilidade e tônus do pescoço ➢ Pele redundante na nuca → Síndrome de Down ➢ Pele redundante na lateral → Pescoço alado → Síndrome de Turner 7. TÓRAX ➢ Forma normal: cilíndrica ➢ RN a termo: perímetro (passando pelos mamilos) é cerca de 2cm menor que o cefálico ➢ Assimetria → Malformação cardíaca, pulmonar e do arcabouço costal ➢ Apêndice xifoide é frequentemente saliente, porque a musculatura não está bem estabelecida LARISSA MENEZES – AISCA I ➢ Mamilos a glândulas no RN a termo medem a palpação 1cm ➢ Hipertrofia bilateral das glândulas mamarias → Estímulo estrogênico materno → Pode observar secreção de leite ➢ Avaliação do perímetro torácico (diferença para o cefálico usualmente é 2,5 cm) • APARELHO RESPIRATÓRIO ➢ RN deve estar calmo ➢ A respiração é do tipo costoabdominal ➢ São comuns variações de frequência e ritmo ➢ Observa-se pausas curtas de 5 de segundos em prematuros ➢ Apneia: o tempo de parada respiratória é maior que 20 segundos ou menor, mas associada a cianose ou bradicardia ➢ FR média é de 30 a 60 incursões por minuto. Acima de 60 caracteriza taquipneia e deve investigar ➢ Tiragem intercostal supra e infraesternal é anormal mesmo em prematuros! ➢ Tiragem subcostal: marca a região do diafragma, é um esforço respiratório ➢ Palpação, percussão e ausculta deve ser em toda a área de extensão do parênquima pulmonar. Assimetrias encontradas devem ser investigadas ➢ Percussão: som claro pulmonar, exceto na área de projeção do fígado (maciço ou submaciço) ➢ Estertores finos ou crepitantes são comuns logo após o nascimento. Roncos de transmissão também • APARELHO CARDIOCIRCULATÓRIO ➢ Ictus cordis em geral não é visível ➢ Palpação do precordio é pouco perceptível ➢ Ictus cordis quando palpável: 4ºEICE, lateralmente, a esquerda da linha hemiclavicular ➢ Ictus descolado para direita → Pneumotórax hipertensivo a esquerda ➢ Precordio hiperdinâmico → Sinal de persistência do canal arteial (PCA) em RN pré-termo ➢ Frêmito → Sugestivo de cardiopatia sempre, principalmente associada a sopro ➢ Frêmito mais intenso na borda esternal esquerda alta em crianças maiores → Estenose pulmonar e de artérias pulmonares ➢ Frêmito mais intenso na borda esternal esquerda baixa → Comunicação intraventricular ➢ Frêmito mais intenso na borda esternal direita alta → Estenose aórtica ➢ Frêmito mais intenso na fúrcula esternal → Estenose aórtica, persistência do canal arterial ou coarctação da aorta NOTA: Em RN essa diferenciação é difícil! ➢ FC em media 120 a 160 bpm ➢ Ausculta sistematizada e repetidas vezes ➢ Primeira bulha (fechamento das valvas atrioventriculares no início da sístole ventricular) é mais bem avaliada nos focos do ápice; e a segunda nos focos da base ➢ Terceira e quarta bulhas (galope) → Sugestiva de cardiopatia ➢ Na segunda bulha é frequente desdobramento inconstante por fechamento assincronico das valvas semilunares, aórtica e pulmonar (nessa ordem) → Aumenta na inspiração e diminui ou desaparece na expiração LARISSA MENEZES – AISCA I ➢ Sopros ou arritmias podem ser transitórios ➢ RN a termo pode ter sopro sistólico no nível do 3º ou 4º EIC ao longo da borda esternal esquerda nasprimeiras 24 hrs → Se isolado é sem repercussão clinica e desaparece ate os 3 meses de vida ➢ A ausência de sopros não afasta cardiopatia! ➢ Palpação cuidadosa dos pulsos periféricos (femoral é o principal) → Pulsos cheios em prematuro sugere PCA → Pulsos femorais débeis ou ausente sugere coarctação da aorta ➢ PA é difícil determinar ➢ Se sentir pulso braquial e não sentir o femoral (pulsos assimétricos), pode ser coarctação de aorta 8. ABDOME • INSPEÇÃO ➢ Semigloboso, com perímetro abdominal cerca de 2 a 3cm menor que o cefálico. Habitualmente, não se visualizam ondas peristálticas ➢ Abdome globoso, distendido, com ondas peristálticas visíveis: obstrução ➢ Abdome escavado: hérnia diafragmática ➢ Diástase dos músculos retos abdominais → Aumento da distancia entre os retos com presença de pequeno abaulamento herniario → Comum e sem clínica → Regride após início da deambulação ➢ Coto umbilical: inicialmente gelationoso → Seca progressivamente → Mumifica perto do 3º ou 4º dia de vida → Desprende do corpo entre o 6º e 15º dia ➢ Granuloma: ➢ Onfalite: infecção de alto risco para a criança; secreção purulenta na base do coto, com edema e hiperemia da parede abdominal, sobretudo se formar um triangulo na parte superior do umbigo ➢ Cordão umbilical apresenta duas artérias e uma veia. Artéria umbilical única é associado a anomalias renais ou problemas genéticos, como trissomia do 18. Tem que verificar quando nasce LARISSA MENEZES – AISCA I ➢ Higiene da região umbilical com álcool a 70% (mumifica o coto umbilical) → Pode apresentar hiperemia transitória da pele, sem riscos ➢ Hiperemia periumbilical: a higiene não está correta ➢ Onfalocele: herniação na linha media, recoberta por saco peritoneal, com o cordão umbilical inserido no centro dessa massa, sai pelo umbigo → Trissomia ou anomalias congênitas ➢ Gastrosquise: defeito à direita (paraumbilical) do umbigo, com as alças intestinais e outros órgãos abdominais podendo exteriorizar-se pela abertura, sem membrana peritoneal recobrindo o conteúdo exposto ➢ Eliminação do mecônio: material viscoso, verde escuro, composto por sais biliares, células epiteliais de descamação, sucos digestivos e lanugo → Eliminado nas primeiras 24 a 36 horas de vida → Após esse período, as fezes (de transição) tem coloração amarelo-esverdeada, liquefeitas, podendo ser confundidas com diarreia ➢ Reflexo gastrocólico exacerbado: relaxamento do esfíncter anal com distensão do estomago → Aumenta o número de evacuações diárias, sobretudo no RN com aleitamento materno exclusivo sob livre demanda • PERCUSSÃO ➢ Determina o tamanho do fígado acompanhando o som sub-maciço ➢ Som timpânico no resto do abdome ➢ Eventualmente consegue delimitar o tamanho do baço, especialmente quando aumentado • PALPAÇÃO ➢ Mais fácil com o RN dormindo, por isso recomenda fazer no início do exame físico ➢ Suave e superficial no início, partindo da fossa ilíaca em direção ao rebordo costal. Após pode fazer mais profunda ➢ Em condições normais não se encontram massas abdominais e é possível a palpação da borda do fígado a cerca de 2cm do rebordo costal direito na linha mamilar ➢ Descrever características do fígado: consistência (parenquimatosa, endurecida), superfície (lisa, granulada) e borda. No RN a borda é mais arredondada ➢ Na palpação superficial pode conseguir palpar o polo inferior do baço no nível do rebordo costal esquerdo → Se for palpável tem que ser investigado ➢ Manobras cuidadosas e profundas pode conseguir palpar os rins, principalmente em prematuros → Doença policística, hidronefrose ou trombose da veia renal NOTA: Pode gerar duvida se está palpando o rim ou o baço. Lembrar que quando se trato do baço, não se consegue palpar depressão entre o rebordo costal e o órgão (ele vem de baixo das costelas) ➢ Massa abdominal sugere enfermidade! Deve descrever a localização, forma, tamanho, mobilidade, consistência e eventuais irregularidades da superfície NOTA: A massa pode ser decorrente de distensão da bexiga (bexigoma) causada por simples retenção urinaria ou por uma real obstrução de saída da urina por um fecalito de cólon ou por alguma condição mais complexa como cistos ovarianos, cistos mesentéricos, neuroblastoma, tumor de Wilms e etc • AUSCULTA ➢ Ruídos hidroaéreos são bem frequentes ➢ Ruídos aumentados → Luta contra obstrução ➢ Ausência de ruídos → Doença grave 9. APARELHO GENITURINÁRIO ➢ Primeira diurese: na sala de parto ou nas primeiras 48 horas → Manchas vermelhas na fralda: presença de uratos sem repercussão clinica LARISSA MENEZES – AISCA I ➢ Exame da genitália detalhado e sempre que possível na presença de um dos pais ou auxiliar ➢ Após a inspeção geral, o exame deve começar com a palpação do canal inguinal para a detecção de massas ou testículo ➢ Descrição em genitália típica feminina ou masculina. Se for masculina se os testículos são tópicos ou não. • SEXO MASCULINO ➢ Pênis normal do RN: 2 a 3cm, a glande não costuma ser exposta e o orifício prepucial é estreito ➢ A visualização do meato urinário na extremidade da glande nem sempre é possível ➢ Hipospádia: orifício de saída encontra-se na face ventral do pênis. O orifício pode se localizar desde a transição balano- prepucial até a região pene-escrotal ➢ Epispádia: orifício de saída encontra-se na face dorsal do pênis NOTA: Glande naturalmente exposta → Atentar para epispádia ou hipospádia ➢ A bolsa escrotal é rugosa no RN a termo → A palpação permite verificar a presença dos testículos, sua sensibilidade, tamanho e consistência ➢ No RN a termo os testículos são habitualmente encontrados dentro da bolsa escrotal → Os testículos migram da cavidade abdominal para o escroto através do canal inguinal durante o final da gestação ➢ A não palpação dos testículos na bolsa pode significar criptorquidia. Se bilateral e os testículos não são palpáveis nem na bolsa escrotal nem no canal inguinal suspeita de genitália ambígua, como na hiperplasia adrenal congênita (deficiência enzimática, com predisposição a distúrbios hidroeletrolíticos) ➢ Os testículos tem consistência firme, parenquimatosa, com tamanho de cerca de 1cm e não são hipersensíveis ➢ Hidrocele: aumento dos testículos à palpação. É comum, frequente e a reabsorção se da nos primeiros meses de vida → Prova de transiluminação para confirmação do diagnostico ➢ Atentar para diagnostico de genitália ambígua, torção testicular (coloração azulada e hipersensibilidade), assimetrias testiculares, malformações anorretais com fistula e eliminação de mecônio pela uretra ou períneo • SEXO FEMININO ➢ O tamanho dos grandes lábios depende do deposito de gordura e da idade gestacional da RN → Crianças pré-termo pequenas podem ser quase inexistentes → RN a termo os grandes lábios chegam a recobrir totalmente os pequenos lábios ➢ Afasta-se o grandes lábios para avaliar o sulco entre os grandes lábios → Frequentemente recobertos de vernix → Aderência de pequenos lábios são raras e requer intervenção ➢ Afasta-se os pequenos lábios para examinar o hímen → Observar a saída de secreção esbranquiçada ou translucida, é consequência do estrógeno materno e costuma desaparecer ao final da 1ª semana de vida → 2º ou 3º dia pode ocorrer discreto sangramento vaginal ➢ Hidrocolpos: consequência da imperfuração do hímen, se manifesta por hímen abaulado, em forma de bolsa, sendo necessária intervenção cirúrgica no período neonatal LARISSA MENEZES – AISCA I ➢ Hipertrofia do hímen, com prolapso da parte distal para fora dos grandes lábios: achado comum e sem clinica ➢ O tamanho do clitóris é pequeno. Em RN a termo, devido ao pouco desenvolvimentodos grandes lábios, o clitóris pode sobressair, dando impressão errônea de clitoromegalia ➢ Fusão posterior dos grandes lábios e hipertrofia clitoriana devem ser investigados ➢ Anomalias anorretais podem levar a eliminação do mecônio pela vagina ou uretra 10. ÂNUS ➢ O exame do orifício anal deve ser feito obrigatoriamente, podendo detectar anomalias anorretais e fistulas ➢ Habitualmente faz apenas inspeção ➢ Pode verificar por palpação delicada o tônus anal ➢ O anus costuma distar cerca de 1cm da borda inferior da vulva ou da implantação do escroto ➢ NÃO se recomenda de rotina: toque ou introdução retal para verificação de sua permeabilidade 11. SISTEMA NERVOSO ➢ Avaliação neurológica é simultânea ao exame físico → Postura, movimentação espontânea, resposta ao manuseio e choro ➢ Ao nascer costuma ficar 1 a 2 horas muito desperta e depois dorme profundamente por algumas horas ➢ Deve-se evitar a realização do exame neurológico nas primeiras 12 horas de vida ➢ Atentar para o estado de alerta da criança ➢ Tônus em flexão → Relacionado a idade gestacional ➢ RN a termo apresenta hipertonia em flexão dos membros, com postura semelhante a fetal, conseguem manter a cabeça no mesmo nível do corpo por alguns segundos quando levantados pelos braços e movimentam-se ativamente ao serem manipulados • REFLEXOS PRIMITIVOS CARACTERÍSTICOS ➢ Resposta motora involutaria a um estimulo, presentes ate por volta dos 6 meses ➢ Mediados por mecanismos neuromusculares sucorticais, que se encontram desenvolvidos desde o período pré-natal ➢ Mecanismos corticais inibitórios: faz desaparecer esses reflexos durante o curso normal de maturação do sistema neuromuscular nos primeiros 6 meses de vida ➢ Não há necessidade de avaliação de todos os reflexos primitivos durante o exame físico rotineiro do RN a termo. Habitualmente são: sucção, voracidade, preensão, marcha, fuga à asfixia, cutâneo- plantar, moro. Os outros são menos pesquisados com frequência ➢ Sucção reflexa: ao tocar os lábios da criança por algum objeto, desencadeia movimentos de sucção dos lábios e da língua NOTA: Somente após 32 a 34 semanas da gestação é que o bebe desenvolve sincronia entre respiração, sucção e deglutição, o que torna a alimentação por VO difícil em RN pré-termo ➢ Voracidade ou de procura: ao tocar a bochecha perto da boca, a criança desloca a face e a boca para o lado do estimulo. Não deve ser procurado após a amamentação e está presente até os 3 meses de idade ➢ Preensão palmoplantar: se obtém com leve pressão do dedo do examinador na palma das mãos da criança e abaixo dos dedos do pé LARISSA MENEZES – AISCA I ➢ Marcha reflexa e apoio plantar: segura a criança pelas axilas em posição ortostática, ao fazer contato das plantas do pé com a superfície a criança estende as pernas até então fletidas. Se a criança for inclinada para frente, inicia a marcha reflexa ➢ Fuga à asfixia: ao colocar a criança em decúbito ventral no leito, com a face voltada para o colchão, em alguns segundos o RN deverá virar o rosto liberando o nariz para respirar adequadamente ➢ Cutâneo-plantar em extensão: fazendo estimulo continuo da planta do pé a partir do calcâneo no sentido dos artelhos, os dedos adquirem postura em extensão ➢ Reflexo de Moro: é desencadeado por algum estimulo brusco como bater palmas, estirar bruscamente o lenços onde a criança está deitada ou soltar os braços semiesticados quando se faz a avaliação da preensão palmar → Consiste numa resposta de extensão-abdução dos MMSS (eventualmente dos inferiores), ou seja, numa primeira fase os braços ficam esticados e abertos, com abertura dos dedos da mão, e em seguida de flexão- adução dos braços, com retorno à posição original → Tem início a partir de 28 semanas de gestação e costuma desaparecer aos 6 meses → Assimetria ou ausência desse reflexo pode indicar lesões nervosas, musculares ou ósseas ➢ Reflexo de Magnus-De-Kleijn (do esgrimista): com a criança em decúbito dorsal, o examinador com uma das mãos estabiliza a região anterior do tórax e com a outra vira a cabeça da criança para o lado → Espera-se a extensão dos membros do lado para o qual a face está voltada e a flexão dos membros voltados para o outro lado ➢ Reflexo dos olhos de boneca: ao se promover a rotação lateral da cabeça do RN, os olhos seguem lentamente para o lado da rotação ➢ Reflexo de Babkin: reação a pressão simultânea das palmas das mãos do bebê → A criança abre a boca e mantem a cabeça na linha media levantando sua cabeça, pode também haver fechamento dos olhos e flexão do antebraço do bebê ➢ Reflexos tendinosos: pode ser avaliando com a ponta de borracha do martelo ou o próprio dedo do examinador. O reflexo patela costuma ser facilmente detectável