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Introdução 1. Um fármaco antimicrobiano é uma substância química que destrói microrganismos patogênicos com dano mínimo ao hospedeiro. 2. Os agentes quimioterápicos incluem substâncias químicas que combatem doenças no organismo. A história da quimioterapia 1. Paul Ehrlich desenvolveu o conceito de quimioterapia para o tratamento de doenças microbianas; ele previu o desenvolvimento de agentes quimioterápicos, os quais seriam capazes de destruir patógenos sem causar danos ao hospedeiro. 2. Os fármacos sulfas emergiram na década de 1930. 3. Alexander Fleming descobriu o primeiro antibiótico, a penicilina, em 1928; os primeiros testes clínicos com o fármaco aconteceram em 1940. Espectro de atividade antimicrobiana 1. Os fármacos antibacterianos afetam muitos alvos diferentes dentro de uma célula procariótica. 2. As infecções fúngicas, helmínticas e protozoáricas são mais difíceis de serem tratadas porque esses organismos tem células eucarióticas. 3. Os fármacos de espectro restrito afetam apenas alguns grupos seletos de microrganismos – células gram-positivas, por exemplo; fármacos de espectro amplo afetam um grande número de micróbios. 4. Os fármacos constituídos por moléculas pequenas e hidrofílicas afetam células gram- negativas. 5. Os agentes antimicrobianos não devem causar dano excessivo à microbiota normal. 6. As superinfecções acontecem quando um patógeno desenvolve resistência ao fármaco sendo usado ou quando uma microbiota normalmente resistente se multiplica em excesso. Ação dos fármacos antimicrobianos 1. Os antimicrobianos geralmente atuam eliminando diretamente os microrganismos (bactericidas) ou inibindo o seu crescimento (bacteriostáticos). 2. Alguns agentes, como a penicilina, inibem a síntese da parede celular bacteriana. 3. Outros agentes, como o cloranfenicol, a tetraciclina e a estreptomicina, inibem a síntese de proteínas por sua ação sobre os ribossomos 70S. 4. Os agentes antifúngicos atacam a membrana plasmática. 5. Alguns agentes inibem a síntese de ácidos nucleicos. 6. Agentes, como as sulfanilamidas, atuam como antimetabólitos pela inibição competitiva da atividade enzimática. Fármacos antimicrobianos comumente utilizados Antibióticos antibacterianos: inibidores da síntese de parede celular 1. Todas as penicilinas contêm um anel β-lactâmico. 2. As penicilinas naturais, produzidas por Penicillium, são efetivas contra cocos gram-positivos e as espiroquetas. 3. As penicilinases (β-lactamases) são enzimas bacterianas que destroem as penicilinas naturais. 4. As penicilinas semissintéticas são produzidas em laboratório pela adição de diferentes cadeias laterais ao anel β-lactâmico produzido pelo fungo. 5. As penicilinas semissintéticas são resistentes às penicilinases e tem um espectro de ação mais amplo que as penicilinas naturais. 6. Os carbapenemos são antibióticos de amplo espectro que inibem a síntese de parede celular. 7. O monobactamo aztreonam afeta somente as bactérias gram-negativas. 8. As cefalosporinas inibem a síntese de parede celular e são usadas contra linhagens resistentes à penicilina. 9. Os polipeptídios, como a bacitracina, inibem a síntese de parede celular principalmente em bactérias gram-positivas. 10. A vancomicina inibe a síntese de parede celular e pode ser usada para destruir linhagens de estafilococos produtoras de penicilinases. Antibióticos antimicobacterianos 11. A isoniazida (INH) e o etambutol inibem a síntese de parede celular de micobactérias. Inibidores da síntese proteica 12. O cloranfenicol, os aminoglicosídeos, as tetraciclinas, as glicilciclinas, os macrolídeos, as estreptograminas, as oxazolidinonas e as pleuromutilinas inibem a síntese proteica nos ribossomos 70S. Danos à membrana plasmática 13. Os lipopetídeos polimixina B e bacitracina causam danos às membranas plasmáticas. Inibidores da síntese de ácidos nucleicos 14. A rifamicina inibe a síntese de mRNA e é usada para tratar a tuberculose. 15. As quinolonas e as fluoroquinolonas inibem a ação da DNA-girase e são usadas no tratamento de infecções urinárias. Inibição competitiva de metabólitos essenciais 16. As sulfonamidas inibem competitivamente a síntese de ácido fólico. 17. A associação TMP-SMZ inibe competitivamente a síntese de ácido di- hidrofólico. Fármacos antifúngicos 18. Os polienos, como a nistatina e a anfotericina B, combinam-se com os esteróis da membrana plasmática e são fungicidas. 19. Os azóis e as alilaminas interferem com a síntese de esteróis e são usados no tratamento de micoses cutâneas e sistêmicas. 20. As equinocandinas interferem com a síntese da parede celular fúngica. 21. O agente antifúngico flucitosina é um antimetabólito da citosina. 22. A griseofulvina interfere com a divisão da célula eucariótica e é usada principalmente no tratamento de infecções de pele causadas por fungos. Fármacos antivirais 23. Os inibidores de entrada e fusão ligam-se aos sítios de ligação e aos receptores do HIV. 24. Os análogos de nucleosídeos e nucleotídeos, como o aciclovir e a zidovudina, inibem a síntese de DNA ou RNA. 25. Os inibidores de enzimas virais são usados no tratamento de infecções causadas pelos vírus influenza e HIV. 26. Os interferons α inibem a propagação do vírus para novas células. Fármacos anti-helmínticos e antiprotozoários 27. A cloroquina, artemisinina, quinacrina, di-iodo-hidroxiquina, pentamidina e o metronidazol são usados para o tratamento de infecções protozoárias. 28. Os fármacos anti-helmínticos incluem o mebendazol, o praziquantel e a ivermectina. Testes para orientar a quimioterapia 1. Os testes são usados para determinar quais agentes quimioterápicos são mais apropriados para combater um patógeno especifico. 2. Esses testes são realizados quando a suscetibilidade não pode ser prevista ou quando surge resistência aos fármacos. Métodos de difusão 3. No teste de discodifusão, também conhecido como teste de Kirby- -Bauer, uma cultura bacteriana é inoculada em um meio de ágar sólido, e discos de papéis de filtro impregnados com agentes quimioterápicos são colocados na superfície do meio. 4. Após a incubação, o diâmetro da zona de inibição é usado para determinar se o organismo é sensível, intermediário ou resistente ao fármaco. 5. A CIM é a menor concentração do fármaco capaz de evitar o crescimento microbiano e pode ser estimada utilizando o teste E. Testes de diluição em caldo 6. Nos testes de diluição em caldo, o microrganismo é cultivado em um meio líquido contendo diferentes concentrações do agente quimioterápico. 7. A menor concentração do agente quimioterápico que destrói as bactérias é chamada de concentração bactericida mínima (CBM). Resistência a fármacos antimicrobianos 1. Muitas doenças bacterianas, previamente tratadas com antibióticos, tornaram- se resistentes aos antibióticos. 2. As superbactérias são bactérias que são resistentes a diversos antibióticos. 3. Os fatores de resistência a fármacos são transferidos horizontalmente entre as bactérias. 4. A resistência pode ocorrer devido à destruição enzimática do fármaco, ao impedimento da penetração do fármaco em seu sítio de ação, a alterações celulares ou metabólicas nos sítios-alvo, à alteração do sítio-alvo ou ao rápido efluxo do antibiótico. 5. O uso discriminado dos fármacos antimicrobianos, em concentrações e dosagens apropriadas, pode minimizar o surgimento de resistência. Uso seguro dos antibióticos 1. A relação risco (p. ex., efeitos colaterais) versus benefício (p. ex., a cura de uma infecção) deve ser avaliada antes do uso de antibióticos. Efeitos da combinação de fármacos 1. Algumas combinações de fármacos são sinérgicas; elas são mais eficientes quando administradas em combinação. 2. Algumas combinações de fármacos são antagônicas;quando combinados os fármacos se tornam menos eficientes do que quando administrados sozinhos. Futuro dos agentes quimioterápicos 1. Novos agentes incluem os peptídeos antimicrobianos, as bacteriocinas e os bacteriófagos. 2. Os fatores de virulência, em vez de fatores de crescimento celular, podem fornecer alvos novos.